sexta-feira, 24 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PSICOTRÔNICA, CONTROLE DA MENTE E EQMs

NA POLÍTICA, BURRICE NÃO É OBSTÁCULO. 

As primeiras pesquisas sobre telepatia, percepção extrassensorial, controle do pensamento e estados alterados de consciência foram reunidas sob o título de “psicotrônica” e se tornaram as precursoras da ciência noética moderna. 


Durante a Guerra Fria, a URSS investiu mais de um bilhão de dólares no estudo do controle da mente e psicovigilância. Ao saber disso, o governo dos EUA iniciou uma série de programas ultrassecretos de pesquisa neuromilitar, mas o fiasco do Stargate rendeu sérias críticas à CIA, que foi acusada de gastar rios de dinheiro em pseudociência para treinar espiões-fantasmas.


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Durante o namoro e o noivado, é meu bem pra lá e meu bem pra cá. Com o divórcio, a história muda: meus bens pra cá e meus bens pra lá.

Mutatis mutandis, o mesmo raciocínio vale para a política: as campanhas são pavimentadas com promessas que os candidatos sabem que jamais cumprirão. Como observou Bismarck, nunca se mente tanto quanto antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada.

O ceticismo é saudável, mas convém lembrar que há custos eleitorais e institucionais reais para quem quebra promessas sistematicamente. A desonestidade política não é lei da natureza; é, muitas vezes, escolha.

Romeu Zema foi além dos seus interesses eleitoreiros ao divulgar um vídeo satírico contra ministros do STF. O problema não é a crítica à corte — essa é legítima, necessária e constitucionalmente protegida. O problema é que o ataque ultrapassou a instituição e atingiu Gilmar Mendes e Dias Toffoli como pessoas.

Essa distinção importa: figuras públicas no exercício do poder têm o limiar de proteção à honra deliberadamente elevado, justamente para não sufocar o debate democrático. Mas esse limiar existe — e, segundo a avaliação jurídica do episódio, pode ter sido cruzado. No esforço de crescer na corrida presidencial com retórica anti-Supremo, Zema pode ter levado sua fala às fronteiras da criminalidade, não por criticar a corte, mas por ofender pessoalmente dois de seus membros.

A crítica mais substancial, porém, recai sobre o inquérito das fake news, que foi "desvirtuado" ao longo dos anos e passou a abrigar casos sem relação direta com seu objetivo original. Os números falam por si: sete anos de duração, escopo progressivamente ampliado e relatoria nas mãos de Xandão — um ministro diretamente mencionado em parte dos episódios investigados.

Um inquérito conduzido pelo próprio tribunal para proteger seus membros cria um conflito de interesses estrutural que é difícil de defender, independentemente da posição política de quem o aponta. O STF existe para conduzir inquéritos, mas também para encerrá-los. Manter indefinidamente um instrumento jurídico multiuso, acionado de forma seletiva para apaziguar aflições internas da corte, não é exercício de jurisdição — é exercício de poder sem freios adequados.

A independência do STF é um valor constitucional inegociável. Mas ela não imuniza a instituição de críticas sobre seus próprios procedimentos. Confundir a defesa legítima da corte com a blindagem de comportamentos questionáveis de seus membros — ou, no sentido oposto, confundir a crítica aos ministros com ataque ao Estado de Direito — é o equívoco que alimenta tanto o populismo anti-institucional quanto o corporativismo judicial.

O debate brasileiro ganharia em qualidade se aprendesse a separar essas camadas.


Afirmar que as experiências de quase morte resultam do aumento da atividade cerebral nos últimos instantes de vida é fácil. O difícil é explicar como alguém que esteve clinicamente morto consegue lembrar como é estar morto. 


No livro Apagar a Morte, o médico e professor Sam Parnia escreve que um paciente que havia sofrido uma parada cardíaca descreveu com exatidão o trabalho dos médicos e enfermeiros e disse que foi submetido duas vezes ao choque dos desfibriladores — exatamente o número de tentativas feitas para ressuscitá-lo, embora ele não tivesse como saber disso porque seu cérebro estava inativo.


Em "The Spiritual Doorway in the Brain", o neurologista Kevin Nelson anota que os limites entre os estágios da consciência são tênues, e as fronteiras entre vigília, sono REM e sono não-REM, tão difusas que em momentos de crise o sono invade a vigília e causa os efeitos descritos nas EQMs, como se o cérebro acionasse um interruptor. Em Ciência da Vida Após a Morte, os autores abordam evidências científicas sobre a consciência após a morte, incluindo a mediunidade, as EQMs e a reencarnação. Vale assistir também a esta entrevista com o autor de Death is but a dream.


Desmaios podem desencadear EQMs, já que a sensação de perigo altera a pressão sanguínea nos olhos, deixa a visão borrada nas bordas e cria a impressão de que há um túnel com luzes. Já a sensação de "sair do corpo" pode ser explicada pelo "desligamento" da região cerebral responsável pela percepção espacial — quando a pessoa entra em REM, o cérebro ativa o mesmo mecanismo que produz os sonhos, o que explica as alucinações.


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quinta-feira, 23 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 98ª PARTE — AINDA SOBRE PARADOXOS

TIME IS THE FIRE IN WHICH WE BURN 

A possibilidade de revisitar o passado continua a fascinar cientistas e leigos, tanto pelo apelo quase mítico da ideia, quanto pelos dilemas lógicos que ela impõe.


Os maiores óbices são os paradoxos — como o célebre paradoxo do avô, no qual uma ação no passado elimina as condições que tornaram possível a própria viagem no tempo. Ainda assim, o estudante de física Germain Tobar, da Universidade de Queensland, na Austrália, propôs uma maneira de “quadrar os números” e tornar a viagem ao passado logicamente viável sem recorrer a universos paralelos ou a remendos conceituais ad hoc.


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A economia brasileira cresceu acima dos 3% por três anos seguidos, até 2024. Em 2025, o crescimento foi menor — 2,3% — mas houve ganhos reais da renda do trabalho ao longo de todo o período, e a taxa de desemprego permaneceu em níveis historicamente baixos. Mesmo assim, a popularidade de Lula permanece no vermelho: segundo o Datafolha, dois em cada três brasileiros (67%) têm algum tipo de dívida financeira, como empréstimos, e a inadimplência atinge 21% da população. Esse cenário foi confirmado pela Quaest: 29% dos eleitores disseram ter muitas dívidas e 43% poucas dívidas. Juntos, os endividados somaram 72%. O endividamento corrói a sensação de bem-estar do eleitor e se reflete no cotidiano das famílias, mas o acúmulo de dívidas, impulsionado pela pandemia, compôs a herança da gestão Bolsonaro: seis meses depois do seu retorno ao Planalto, Lula lançou o programa Desenrola, que visa refinanciar dívidas de até R$ 5 mil. No entanto, aqueles que contornaram o problema contraíram novas dívidas. Tampouco a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil resultou em dividendos eleitorais para o macróbio, lançando dúvidas sobre o efeito político da escala 5X2 de trabalho, em discussão na Câmara. A mesma dúvida recai sobre o novo programa de renegociação de dívidas projetado pelo governo ou a previsão de saques extraordinários no FGTS. Candidato ao quarto mandato, o xamã do partido dos trabalhadores que não trabalham combina as medidas de socorro às famílias com disparos contra o próprio pé. A compulsão consumista foi confirmada pelo Datafolha: 68% dos eleitores ouvidos pelo instituto concordaram com a afirmação de que as ofertas de crédito pelo celular ou pela internet facilitam muito o endividamento por impulso. Mas culpar a população pelo problema é um desabafo que não resolve as aflições do candidato. Atônito, o molusco amarga nas projeções de segundo turno um empate técnico com o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias, que sequer tem plano de governo. Considerando-se que a guerra no Oriente Médio eleva os preços dos alimentos, desafiando o controle da inflação da cesta básica, o melhor para o candidato à reeleição seria levar a língua no cabresto. Ou enfiá-la no… ouvido.


Segundo Tobar, conhecer o estado completo de um sistema em um determinado instante basta para determinar toda a sua história, passada e futura. Essa abordagem parte da ideia de que as leis da física, quando formuladas de maneira consistente, não permitem estados contraditórios do Universo — mesmo na presença de viagens temporais.


A relatividade geral de Einstein, por sua vez, prevê a existência das chamadas curvas fechadas do tipo tempo — trajetórias no espaço-tempo que permitem a um evento estar tanto no passado quanto no futuro de si mesmo. Em tese, essas estruturas viabilizam uma viagem de volta ao passado, mas a questão é que elas parecem abrir caminho para paradoxos insolúveis. 


Imagine, por exemplo, um viajante retornando ao passado para impedir que uma doença se espalhe. Se a missão fosse bem-sucedida, ele não teria motivos para viajar ao passado, já que a doença não existiria — um impasse lógico clássico. O trabalho de Tobar sugere uma solução elegante: a doença inevitavelmente escaparia por outra rota, vetor ou circunstância ainda não considerada, eliminando o paradoxo. 


Em outras palavras, por mais que o viajante tentasse alterar o passado, os eventos se organizariam de modo a preservar a consistência global do espaço-tempo. A doença não seria evitada; apenas mudaria a forma pela qual se manifesta, e o passado permaneceria “flexível” nos detalhes, porém rígido no resultado.


Embora não seja palatável para os não-matemáticos, esse modelo demonstra como processos determinísticos — sem qualquer elemento de aleatoriedade — podem influenciar um número arbitrário de regiões no continuum espaço-tempo. Assim, as curvas fechadas do tipo tempo conseguem coexistir tanto com a física clássica quanto com uma noção operacional de livre-arbítrio: o viajante faz escolhas, mas essas escolhas nunca levam a contradições.


“A matemática confirma, e os resultados parecem coisa de ficção científica”, afirma o físico Fábio Costa, que supervisionou a pesquisa. Segundo ele, as ações dos viajantes do tempo não resultariam em paradoxos, ainda que, por enquanto, dobrar o espaço-tempo só seja possível nas equações — construções abstratas que existem apenas como cálculos em uma página.


Ainda segundo Costa, por mais que se tente criar um paradoxo, os eventos sempre vão se ajustar, evitando qualquer inconsistência. A gama de processos matemáticos que descobrimos mostra que a viagem no tempo com livre-arbítrio é logicamente possível em nosso Universo, sem nenhum paradoxo.”


A proposta não garante que viajar ao passado seja tecnologicamente viável, mas sugere algo igualmente provocador: talvez o maior obstáculo às viagens no tempo não seja a física, e sim a nossa intuição — treinada para enxergar o tempo como uma estrada de mão única, quando ele pode ser, ao menos matematicamente, um labirinto que se rearranja para nunca se contradizer.


Continua…

quarta-feira, 22 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — NOÉTICA

O UNIVERSO NÃO PARECE SER NEM BENEVOLENTE NEM HOSTIL, APENAS INDIFERENTE. 

Se pensarmos no cérebro como um aparelho de rádio com um dial físico giratório, esbarrar acidentalmente nesse botão pode dessintonizar nossa emissora preferida e nos fazer ouvir chiados, interferências ou a voz de um locutor de outra estação misturada à música — como ocorria nas antigas linhas cruzadas das ligações telefônicas analógicas.


Da mesma forma que transforma um ginasta em atleta, o treinamento pode configurar o cérebro para receber informações da consciência universal de maneira mais clara e consistente, dando acesso a habilidades e entendimentos notáveis e, ao mesmo tempo, dificultando tarefas rotineiras.


Assim, como um rádio que capta diversas estações em AM ou FM, nosso cérebro talvez acesse porções da matriz informacional inacessíveis a outros animais — não porque somos superiores, mas porque nossa “antena” está sintonizada em frequências diferentes.


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Edson Fachin afirmou na última sexta-feira que o Brasil vive uma crise relacionada à atuação do Judiciário e que ela precisa ser enfrentada com reflexão, autocrítica e autocontenção. Cármen Lúcia, redatora de um Código de Ética que tarda a aparecer, disse que a crise de confiança no Judiciário, especialmente no Supremo, é grave e precisa ser reconhecida. O pano de fundo da conturbação que assedia o Supremo está marcado pelos vínculos de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro. Os laços individuais doem na instituição.

No Congresso, o subsolo voltou a estremecer com a prisão do advogado Daniel Monteiro. Segundo a PF, o doutor ajudou a estruturar a rede de fundos usada pelo dono do falecido Banco Master para comprar políticos e autoridades.

Em Barcelona, onde participa do encontro de um fórum de chefes de Estado progressistas, Lula, acusando o golpe do empate técnico com Flávio Bolsonaro no Datafolha e na Quaest, pensou alto sobre a onda de direita no mundo. Sem respostas, empilhou indagações: "Quero saber onde nós falhamos como democratas. Onde as instituições democráticas deixaram de funcionar? [?] Onde é que o nosso discurso está errado? Onde é que as nossas políticas públicas não estão atendendo às expectativas de uma juventude que quer um novo mundo do trabalho?".

Um observador otimista da conjuntura diria que crises são ruins, mas sempre passam. Um pessimista realçaria que terremotos também passam. E todos sabem que eles sacodem as roseiras e danificam as estruturas.


Um rádio não cria o sinal que recebe; ele o capta, decodifica e torna audível. Mas nosso cérebro parece ir além, pois não só recebe as informações como as processa, filtra, interpreta e — eis o enigma central — cria a experiência subjetiva única que chamamos de “eu”. E não há equação que explique por que processamento vira presença.


Se o modelo receptor estiver correto, cérebros considerados “danificados” — como no caso de alguns autistas ou de savants adquiridos — poderiam, paradoxalmente, ganhar habilidades extraordinárias, como um rádio que sofre uma queda e passa a captar transmissões antes inaudíveis.


As emissoras não deixam de transmitir quando não há ninguém para ouvi-las. Assim, se nosso cérebro for realmente um receptor sofisticado de uma consciência não-local, a morte apenas nos impediria de sintonizar aquela frequência específica — embora o sinal continuasse existindo. Mas se formos realmente parte de um organismo maior, conectados à mesma matriz de consciência, o que resta do conceito de livre-arbítrio?


Nosso sistema ético, jurídico e moral está fundamentado na premissa de escolhas autônomas. Em tese, quem mata vai para a prisão, quem age com bravura recebe medalhas, e por aí vai. Mas e se essas “escolhas” forem apenas manifestações locais de padrões informacionais fluindo através de uma consciência maior, e nossas decisões, atualizações locais de um sistema mais amplo? 


Talvez a individualidade seja uma ilusão de perspectiva — como ondas que parecem separadas, mas são apenas perturbações temporárias na superfície do oceano. Ainda assim, mesmo que exista uma consciência universal, cada cérebro funcionaria como um filtro singular, moldado por genes, experiências, traumas e condicionamentos.


Supondo que o autor do romance "profético" Futility — sobre o naufrágio do Titanic — teve acesso a informações sobre um evento ainda não ocorrido, entramos numa das questões mais perturbadoras da física: a natureza do tempo.


A mesma física que dissolveu o tempo absoluto na relatividade de Einstein e o substituiu por um bloco quadridimensional onde passado e futuro coexistem também admite, na mecânica quântica, estados de superposição em que múltiplas possibilidades permanecem abertas até que algo as selecione.


Talvez nossa percepção linear do tempo e nossa sensação de identidade contínua sejam artefatos cognitivos produzidos por um cérebro tentando sobreviver sob a pressão da entropia crescente, ou talvez estejamos confundindo mapa com território desde o início.


Voltando ao experimento mental proposto por Erwin Schrödinger, a questão não é apenas se o gato colapsa sua própria função de onda — mas quem, ou o quê, colapsa a nossa.


A experiência humana atual é limitada quando comparada ao que poderia ser. Às vezes, basta uma mudança de perspectiva para revelar algo que sempre esteve ali. O fato de não conseguirmos imaginar como algo pode ser verdade não significa que não possamos estar observando seus efeitos.


A Noética ainda engatinha na tentativa de compreender a consciência não-local, e seus defensores são frequentemente acusados de flertar com a pseudociência — sobretudo porque o cérebro opera em temperaturas e condições que parecem incompatíveis com coerência quântica sustentada.


Nosso cérebro representa cerca de 2% do peso corporal, abriga aproximadamente 86 bilhões de neurônios e é capaz de realizar trilhões de sinapses, mas ainda assim sua capacidade de armazenamento é tão limitada quanto a de um celular, que é incapaz de conter todas as músicas do mundo.


Diante dessa impossibilidade física, talvez o cérebro funcione menos como um cofre e mais como uma antena extraordinariamente sofisticada, que seleciona quais sinais específicos acessar em uma nuvem informacional já existente.


Quando milhares de estorninhos voam em perfeita coreografia, pode parecer que todos consultam o mesmo banco de dados simultaneamente, mas talvez estejamos apenas subestimando o poder de sistemas simples operando sob regras locais. Por outro lado, o tempo descrito pela mecânica quântica não se encaixa confortavelmente no tempo geométrico descrito na relatividade geral.


A experiência humana é bastante limitada se comparada com o que poderia ser. Às vezes basta uma mudança de perspectiva para revelar a verdade, e o simples fato de não conseguirmos imaginar como uma coisa pode ser verdade não significa que não observamos essa coisa sendo verdade. 


Enquanto a física tenta reconciliar essas descrições incompatíveis, continuamos chamando ondas de indivíduos, decisões de escolhas, e sejamos apenas perturbações temporárias em algo muito maior.


Continua...

terça-feira, 21 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 97ª PARTE — TEORIAS DAS CORDAS, DE TUDO E "M"

O TEMPO CURA TODAS AS FERIDAS, MAS NÃO APAGA AS CICATRIZES.

Há muito que os físicos tentam acomodar a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica em um único modelo matemático, e as teorias das Cordas, de Tudo e M são sérias candidatas a esse papel.


De acordo com Einstein, o espaço é composto por três dimensões — comprimento, largura e profundidade —, e o tempo não é uma constante, mas uma quarta dimensão. À luz dessa premissa, vivemos constantemente entre o presente e o passado.


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Quando a presunção do direito à força prevalece sobre a força do direito, surgem as críticas, que são proporcionais ao excesso de rigor e à ausência de transparência. Se não quiser ser vidraça, o ministro Alexandre de Moraes precisa parar de fornecer pedras. Aliás, talvez valesse a pena trocar os juízes por um algoritmo de IA.

Em abono a essa tese, o jornalista Hélio Schwartsman. pondera que os algoritmos são mais baratos e consistentes do que os magistrados de carne e osso, além de serem menos susceptíveis à corrupção do que o Judiciário brasileiro, com ministros supremos enrolados no escândalo do Master, penduricalhos sob os holofotes da imprensa e venda de sentenças no STJ, entre outras histórias pouco edificantes. Sem falar que as mesmas pessoas e instituições que acertam num caso podem errar em outros. Some-se a isso o menor custo das IAs, a invulnerabilidade dos computadores à corrupção e paixões como ganância, relações de amizade, amor, etc.

Mesmo em países onde os custos do Judiciário são menores e os magistrados não frequentam o noticiário político ou policial diuturnamente, enfatiza-se a superioridade das IAs — não porque os algoritmos são particularmente bons na tarefa, mas porque os humanos são péssimos.


Alguém que vai de casa à padaria da esquina — ou à galáxia mais próxima — tem quatro coordenadas (três espaciais e uma temporal) para se guiar. Quanto mais rápido esse alguém avança nas dimensões espaciais, menos progride na dimensão temporal.


Em outras palavras, quanto mais depressa nos deslocamos pelo espaço (lembrando que o limite teórico é a velocidade da luz, representada pela letra "c" e equivalente a 299.792.458 m/s), mais devagar o tempo passa para nós. Se viajássemos com a velocidade da luz, o tempo pararia de passar, se a superássemos, chegaríamos a nosso destino “antes da partida" — devido à dilatação do tempo (para entender melhor, confira o que diz o paradoxo dos gêmeos).


Corpos celestes supermassivos — como os buracos negros — curvam o espaço-tempo como uma folha de papel dobrada ao meio encurta a distância entre a margem superior e a inferior, como foi detalhado ao longo desta sequência. Assim, uma espaçonave que atravessasse um buraco de minhoca, chegaria numa questão de segundos a um ponto a milhares ou milhões de anos luz, neste ou em outro universo, no presente ou em outro momento da linha do tempo  


As equações relativísticas e a física clássica admitem a existência dos buracos de minhoca, mas supõe-se que eles surgem e se desfazem numa fração de segundo. No entanto, uma física além do chamado Modelo Padrão da Física de Partículas pressupõe a existência de buracos de minhoca grandes e seguros o bastante para serem atravessados. Além disso, Einstein ensinou que o impossível é apenas uma questão de tempo; Carl Sagan, que a ausência de evidências não é evidência de ausência, e Arthur C. Clarke, que desafiar os limites é a única maneira de superá-los.


Se o Universo for realmente um holograma, o Princípio Holográfico não só explicaria inconsistências entre a física quântica e a gravidade de Einstein como proporcionaria uma base sólida para a Teoria das Cordas, que permite derivar toda informação presente no modelo padrão. E uma física além do modelo padrão admite a existência de buracos de minhoca grandes e seguros o suficiente para ser atravessados.


Vale lembrar que há duas vertentes da Teoria das Cordas. Uma sugere que o Universo tem 11 dimensões e a outra, que são pelo menos 26. Três dessas dimensões são espaciais, uma é temporal e as demais estão relacionadas com as perturbações espaciais e temporais produzidas pelas oscilações das cordas, que dão origem a fenômenos elétricos, magnéticos e nucleares.


No fim das contas, talvez o Universo seja mais estranho do que supomos ou mais simples do que conseguimos aceitar. Entre dobrar o espaço, esticar o tempo e esconder dimensões extras em cada canto da realidade, é possível que o maior desafio seja simplesmente entender o óbvio — ou, quem sabe, admitir que ainda estamos olhando tudo isso pelo lado errado da dobra.


Continua…