Parturiunt montes, nascetur ridiculus mus é uma famosa expressão latina que significa: “as montanhas estão em trabalho de parto, e nascerá um ridículo rato”. Ela é usada para descrever situações em que grandes expectativas e promessas grandiosas resultam em algo insignificante, decepcionante ou aquém do esperado.
Foi exatamente o que ocorreu quando cientistas divulgaram os resultados de uma pesquisa de dez anos destinada a medir com maior precisão a constante gravitacional de Isaac Newton — o famoso “G”, que quantifica a força responsável por manter nossos pés no chão e os planetas em órbita.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Depois de ingerir uma dose cavalar de Dramin — sem a qual seria impossível rabiscar algumas linhas sobre o enojante cenário político-eleitoral tupiniquim —, é possível falar sem vomitar em Lula, o molusco macróbio e eneadáctilo, e em Bolsonarinho, o primogênito do ex-aspirante a golpista e ora presidiário mais famoso desta banânia.
É sabido que, em época de eleição, choques entre candidatos são comuns. Na sucessão de 2026, os dois postulantes mais bem colocados nas pesquisas correm o risco de brigar com a opinião pública — das ferroadas que dão um no outro, precisam lidar com seus escorpiões domésticos.
Segundo o Instituto Atlas Intel, 61,2% dos eleitores acham que a suspeita de que Jaques Wagner recebeu vantagens do Master pode prejudicar a candidatura de Lula, ao passo que 64,1% acreditam que as desavenças com Micheque enfraquecem a candidatura do filho do pai..
Os candidatos dispõem de suas próprias pesquisas e não ignoram o óbvio, mas tropeçam nas evidências: o xamã petista se confraternizou em público com Jaques Wagner uma semana depois de afastá-lo da liderança do governo no Senado, enquanto o filho do pai fala em pacificar o país, mas não consegue sequer um armistício com a madrasta
Os candidatos passam mais tempo apontando escorpiões no quintal do adversário do que cuidando de seu próprio quintal. E uma disputa que tende a ser definida por pequena margem, pode produzir ferroadas as mais dolorosas.
O mais ambicioso esforço já realizado para determinar essa constante fundamental da natureza, que define a intensidade da atração entre duas massas em qualquer lugar do universo, produziu um valor incompatível com medições anteriores, inclusive com resultados obtidos em experimentos semelhantes. Em outras palavras, depois de uma década de trabalho meticuloso, o resultado acabou gerando mais dúvidas do que certezas.
O físico Stephen Schlamminger, do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), em Gaithersburg, Maryland, responsável pelo experimento iniciado dez anos antes, descreveu a empreitada como “exaustiva como caminhar por um vale escuro”.
As constantes fundamentais da natureza são valores essenciais que regem o comportamento do universo. Entre elas estão a velocidade da luz e a constante de Planck, parâmetros que parecem estar incorporados à própria estrutura da realidade e permanecem inalterados, independentemente do tempo ou do lugar.
Há mais de 225 anos, cientistas tentam medir com precisão a constante gravitacional. O primeiro experimento foi realizado pelo físico britânico Henry Cavendish, em 1798, mais de um século após Newton formular a lei da gravitação universal. Ainda assim, o valor de G continua sendo conhecido com uma precisão muito inferior à de outras constantes, como a velocidade da luz (299.792.458 metros por segundo) ou a constante de Planck (6,62607015 × 10⁻³⁴).
A gravidade é notoriamente difícil de medir porque, entre as quatro forças fundamentais da natureza, é disparada a mais fraca. As outras três — a força eletromagnética, a força nuclear forte e a força nuclear fraca — atuam com intensidade muito maior no mundo subatômico. Basta lembrar que um pequeno ímã de geladeira consegue vencer, localmente, a atração gravitacional da Terra ao sustentar um objeto metálico.
Talvez esse aparente fracasso seja, paradoxalmente, uma das maiores virtudes da ciência. Ao contrário do que muitos imaginam, a ciência não avança apenas quando encontra respostas definitivas, mas também quando expõe suas próprias limitações. E assim, mais de três séculos depois de Newton e mais de dois séculos após Cavendish, o universo continua a sussurrar que a gravidade — essa força aparentemente tão familiar — ainda guarda segredos que insistem em escapar das nossas balanças. Afinal, quando se trata do cosmos, até aquilo que nos mantém firmemente presos ao chão continua desafiando nossa compreensão.






