QUE OS MISTÉRIOS PERMANEÇAM INSONDÁVEIS PARA QUE A BUSCA NUNCA TERMINE.
Como vimos no capítulo anterior, a parte observável do universo contém cerca de dois trilhões de galáxias — as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões.
Nem todos esses sextilhões de "sóis" são orbitados, mas presume-se que haja tantos planetas quanto estrelas em nossa galáxia, e que a real extensão do cosmos além dessa região seja centenas, milhares ou até infinitas vezes maior do que a fração infinitesimal que conseguimos observar.
Quando as luzes da cidade e a poluição não atrapalham, conseguimos visualizar a olho nu cerca de 5 mil estrelas pertencentes à Via Láctea, a Andrômeda e às duas Nuvens de Magalhães. Entretanto, quando perscrutamos o céu com nossos telescópios espaciais mais poderosos, podemos ver cerca de 46,5 bilhões de anos-luz em todas as direções. Esse é o universo observável, ou seja, tudo que a luz teve tempo de alcançar desde sua criação, há 13,8 bilhões de anos.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
“É a economia, estúpido!” A frase cunhada em 1992 por James Carville, estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton, veste como uma luva nas eleições de outubro: segundo a última pesquisa Genial/Quaest, 82% das famílias estão endividadas e 69% dos entrevistados sentem seu poder de compra diminuído. Em que pesem escândalos e polarizações, muitos brasileiros vão votar com o bolso. Mas o que os principais candidatos a ocupar o Palácio do Planalto pretendem fazer com o nosso dinheiro?
Quarto candidato a ser sabatinado pela TV Globo, Lula questionou o uso de conversas telefônicas como evidência, mas adotou tom diferente ao falar do ex-chefe de gabinete — o Marcola —, investigado por sua relação financeira com a lobista Roberta Luchsinger.
Nesse caso, o xamã petista afirmou que o ex-assessor agiu de forma “totalmente errada” ao receber valores da empresária e disse que, se ele cometeu irregularidades, terá de pagar por elas. No do filho, classificou como “ilações” as suspeitas envolvendo o menino de ouro e afirmou que ele terá de se defender das investigações.
Na seara econômica, o molusco afirmou que a dívida pública, hoje acima de 80% do PIB, não o preocupa, e defendeu a condução fiscal de seu governo. Como se não bastasse, atribuiu parte do aumento da dívida aos juros elevados, afirmou ter herdado do governo Bolsonaro um déficit de 2,8% do PIB, e que espera encerrar este ano com superávit primário. Além disso, chamou a lobista Roberta Luchsinger de “pilantra” e negou qualquer relação com ela. Questionado sobre mensagens obtidas pela Polícia Federal, afirmou que as conversas não comprovam o uso de dinheiro público e colocou em dúvida seu valor como evidência.
“O que um pilantra ou um cara qualquer pode fazer num telefone?”, disse. Para completar, declarou nunca ter visto ou conversado com Luchsinger e negou que ela tenha tido qualquer proximidade com ele. No entanto, apesar das negativas, a lobista tem em sua conta no Instagram pelo menos três fotos com ele, tiradas entre 2022 e 2023, as imagens causaram desconforto na equipe da campanha petista.
O estadista de fancaria também saiu em defesa do senador petista Jaques Wagner ao comentar as suspeitas que envolvem o aliado no caso Banco Master, afirmando que não pode fazer política com base em “ilações” e disse confiar na honestidade do correligionário. Segundo ele, até agora não há comprovação de uma relação de Wagner com o Banco Master, mas que “Se ele cometeu um desvio, vai pagar o preço”, afirmou.
Dos 40 minutos de entrevista, 25 foram sobre corrupção, nos quais o macróbio eneadáctilo demonstrou não ter aprendido muito em relação ao passado. Garantiu que se algo ficar provado contra o filho e o ex-chefe de gabinete, eles terão que pagar. Mas as afirmações sensatas logo deram lugar à irritação, quando ele passou a comparar a situação do filho à Lava-Jato e a acusar a PF de vazar informações e a imprensa de divulgar mentiras.
Acuado por denúncias que estouraram bem no início de sua campanha, precisou se amparar em seus governos anteriores e, de maneira menos focada, no futuro, para sobreviver aos questionamentos dos entrevistadores.
A entrevista na Rede Globo mostrou que o ex-presidiário faz um mandato sem marcas e vive de uma era remota. Confira o que foi verdade, exagero ou simplesmente falso na sua sabatina.
A guerra mais sangrenta e decisiva para o resultado da eleição presidencial não se dará no horário eleitoral, nas redes sociais ou nos debates, mas no Supremo Tribunal Federal, onde tramitam os casos Dark Horse e Lulinha. O ritmo de cada um e as revelações produzidas daqui para a frente não definirão só quem tem mais chance de vitória numa eleição pautada pela rejeição, mas também com quem ficará o domínio do tribunal.
Algo em torno de 440 sextilhões de quilômetros pode parecer um infinito, até porque engloba bilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas. Mas a teoria da inflação cósmica sugere que o universo pode ser incomensuravelmente maior — segundo os modelos científicos mais aceitos, pelo menos 10²³ vezes maior que nossa esfera observável. Tudo o que vemos — todas as galáxias distantes, todos os quasares, toda a imensidão que nos faz sentir insignificantes — é literalmente nada comparado ao que existe além, de estruturas cósmicas inimagináveis até regiões com leis físicas diferentes. No entanto, devido à velocidade finita da luz e à expansão acelerada do Universo, nenhum sinal dessas regiões jamais nos alcançará.
Em outras palavras, isso significa que continuaremos dentro de uma bolha de informação limitada, presos a um horizonte de eventos informacionais e completamente cegos para a verdadeira escala da realidade. A despeito de já termos saído do planeta Terra e de estarmos cogitando fundar colônias na Lua e em Marte, é possível que jamais cheguemos a conhecer a vastidão real do cosmos: além de superar todos os obstáculos de velocidade, tempo e distância, ainda seria preciso lidar com um assassino silencioso embuçado no espaço interestelar, que está repleto de raios cósmicos e partículas subatômicas ejetadas por supernovas, buracos negros e outros eventos, que viajam a velocidades próximas à da luz.
Observação: Até não muito tempo atrás, pensava-se não ser possível transpor a Linha de Kármán — limite imaginário que fica a 100 km de altitude, considerado como "início do espaço" por ser o ponto onde atmosfera se torna rarefeita demais para a sustentação aerodinâmica de aeronaves comuns. É fato que o atrito das moléculas de ar contra a fuselagem a velocidades hipersônicas causa um calor extremo, o que exige escudos térmicos, como também é fato que lutar contra a atração gravitacional requer foguetes extremamente potentes, capazes de alcançar a velocidade de escape (40.320 km/h ou 11,2 km/s).
Na Terra, estamos protegidos pelo campo magnético e pela atmosfera, que desviam e absorvem a maior parte dessa radiação mortal. Como uma nave viajando pelo espaço não conta com essa proteção, os astronautas seriam bombardeados constantemente por radiação ionizante. Durante uma viagem de décadas ou séculos até a estrela mais próxima, mesmo com blindagem significativa, a exposição cumulativa à radiação causaria danos catastróficos ao DNA humano, levando a cânceres agressivos, falência de órgãos e morte prematura, e gerações inteiras de tripulantes nasceriam com mutações genéticas severas. E construir uma blindagem suficientemente espessa para proteger dessa radiação tornaria a nave tão massiva que seria praticamente impossível de acelerar.
Como se vê, além de nos manter longe das estrelas através da distância, o Universo borrifa o caminho até elas com veneno invisível e inevitável. Pode-se tentar cruzar o abismo, mas a jornada em si mataria os cosmonautas muito antes que eles chegassem a seu destino. Isso sem falar que não existe combustível que baste para acelerar uma nave blindada contra a radiação e manter sistemas de suporte de vida para gerações.
Vale destacar que acelerar uma nave do tamanho de um ônibus espacial até 10% da velocidade da luz usando propulsão de fusão nuclear exige combustível equivalente a centenas de vezes a massa da própria nave. E para acelerar até 50% da velocidade da luz, a quantidade de combustível superaria a massa de planetas inteiros. Além disso, também é preciso desacelerar a nave quando ela chegar ao destino, o que significa carregar ainda mais combustível para desaceleração.
A equação do foguete de Tsiolkovsky demonstra matematicamente que quanto mais combustível é adicionado, mais a massa total aumenta e mais combustível é necessário para acelerar, criando um ciclo vicioso. Em última análise, a quantidade de combustível excede toda a matéria disponível no sistema solar — mesmo que convertêssemos planetas inteiros em combustível, a quantidade seria insuficiente para enviar uma única nave em uma viagem interestelar.
Em face do exposto, fica evidente que o Universo não nos deu recursos sequer para explorar nossa própria vizinhança cósmica. E não estamos trancados apenas pelas leis da física, mas também pela escassez brutal de energia, o que pode tornar a comunicação interestelar matematicamente impossível.
Mesmo que, contra todas as probabilidades, conseguíssemos enviar uma nave tripulada a Próxima Centauri, e que, depois de estabelecer uma colônia, os astronautas tentassem se comunicar com a Terra, cada mensagem levaria 4,24 anos para chegar — ou seja, uma conversa simples, com uma pergunta e uma resposta, demoraria 8,5 anos. Diante disso, qualquer emergência, qualquer pedido de ajuda ou de informação crítica se tornaria irrelevante em função do tempo. Ou seja: se algo desse errado na colônia, todos morreriam antes que qualquer auxílio pudesse ser organizado na Terra.
Numa colônia em uma estrela a 100 anos-luz de distância, cada troca de mensagens levaria duzentos anos, e considerando que nenhuma civilização, cultura ou espécie biológica consegue manter coesão através de atrasos de comunicação medidos em gerações humanas, essa colônia se tornaria uma entidade completamente separada, sem conexão significativa com seu mundo natal.
O fato de a velocidade da luz ser o limite universal não só nos impede de viajar livremente pelo cosmos como assegura que qualquer tentativa de construir uma civilização interestelar resulta na fragmentação instantânea e permanente dessa civilização em ilhas isoladas, incapazes de compartilhar conhecimento, cultura ou até mesmo linguagem. Mesmo que um dia consigamos sair, jamais poderemos manter contato com quem ficou para trás. Em outras palavras, estamos condenados não apenas ao isolamento físico, mas também ao isolamento informacional absoluto.
Podemos sonhar com as estrelas, podemos construir telescópios maiores e escrever equações mais elegantes, mas nada disso muda o fato de que somos prisioneiros — e não até desenvolvermos uma tecnologia melhor, mas para sempre.
O universo é vasto, antigo e indiferente, e nós, criaturas frágeis de carne e osso presas em um ponto azul pálido, jamais sairemos dessa jaula cósmica.
Em face de todo o exposto, se você tivesse a chance de embarcar em uma nave interestelar sabendo que jamais veria a Terra novamente, que todos os seus entes queridos estariam mortos quando você chegasse a seu destino e se tornasse um fantasma do passado navegando pelo futuro, a pergunta é:
Você iria?

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