quarta-feira, 8 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE EXTRATERRESTRES

SE TANTA GENTE TEM AVISTADO DISCOS VOADORES, É PORQUE HÁ DISCOS VOADORES.

O homem almeja voar como os pássaros desde tempos imemoriais. Ícaro tentou com asas de cera, mas caiu no mar porque se aproximou demais do Sol. Leonardo da Vinci concebeu seu "parafuso aéreo" quase 500 anos antes do primeiro voo de helicóptero, mas foi somente no século XX que os irmãos Wright e Santos Dumont provaram que objetos mais pesados que o ar podiam voar. 


Até pouco tempo atrás acreditava-se que meteoros não podiam cair do céu — afinal, no céu não havia pedras —, e que passageiros de um trem a mais de 34 km/h morreriam asfixiados. Felizmente, sempre houve fantasistas suficientemente audaciosos e surdos às críticas que lhe eram feitas — sem eles, não haveria trens-bala, aviões a jato ou viagens interplanetárias.


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Há na praça um novo Xandão. A metamorfose ficou evidente com a decisão de prorrogar por tempo indeterminado a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro. A mulher do preso celebrou o despacho do marido: "Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro. E ele [Bolsonaro] está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes..." Premonitória, Michelle se referia à mais extraordinária conversão retratada na Bíblia: a passagem do soldado Saulo, um perseguidor de cristãos, pela estrada de Damasco. Aconteceu no século 1º da era cristã. De repente, Saulo foi paralisado por uma luz ofuscante. Caiu do cavalo. Ouviu uma voz vinda do céu: "Saulo, por que me persegues?" Por alguns instantes, ele ficou cego, tal a claridade que o arrebatou. Converteu-se em São Paulo, um dos pilares do cristianismo. A mudança de Moraes talvez tenha conotações mais mundanas do que celestiais. Desde o desgaste provocado pelo caso Master, o ministro, antes implacável, parece mais cauteloso em suas decisões. Ao encomendar ao procurador-geral uma manifestação sobre a apreensão da pistola Glock de 9 milímetros de Bolsonaro numa blitz da Lei Seca, o magistrado salientou que a Lei de Execução Penal considera "falta grave" o condenado "possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem". Agora, converteu-se numa espécie de ex-xerife que raciocina politicamente, chegando mesmo a sustentar que uma das consequências seria a revogação da prisão domiciliar. Gonet divergiu. Primeiro, sugeriu esperar pelo encerramento da investigação sobre a apreensão da arma. Depois, escorando-se nas conclusões da Polícia Civil do Distrito Federal, recomendou a manutenção de Bolsonaro em casa. Moraes não estava obrigado a seguir a recomendação de Gonet, mas decidiu ecoar o procurador-geral em sua decisão: "Não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena". Paradoxalmente, Gonet reconheceu que a situação jurídica de Bolsonaro não orna com a posse de armas: "A condição atual do custodiado é incompatível com a posse de arma de fogo", escreveu ele, no trecho reproduzido por Moraes. O ministro potencializou o paradoxo. Além de revogar o porte de arma de Bolsonaro, Moraes ordenou o recolhimento de todo o arsenal registrado em nome do preso: dez armas. Quer dizer: levando-se a Lei de Execução Penal ao pé da letra, Bolsonaro teria cometido não uma, mas uma dezena de "faltas graves". Afora a pistola Glock, o condenado mantinha em casa fuzis, carabinas, revólveres e espingardas. Ignorando a consequência legal que havia antecipado anteriormente — a regressão do regime prisional —, Moraes desistiu de considerar a hipótese de devolver Bolsonaro à Papudinha. Fiou-se em argumentos médicos. O ex-algoz de Bolsonaro se absteve de encomendar um laudo médico independente. Sustentou que os laudos dos doutores que acompanham o preso, apresentados semanalmente pela defesa, demonstram uma melhora clínica do paciente. Mas avaliou que permanecem as circunstâncias humanitárias que justificam a prisão em casa. Pelo andar da carruagem, vem aí mais uma evidência do surgimento de um novo Moraes. Nos próximos dias, o ministro terá que decidir sobre a validade da Lei da Dosimetria, que pode atenuar a pena de Bolsonaro. Condenado a 27 anos e 3 meses de cana, ele foi presenteado pelo Congresso com uma mudança legal que atenua o castigo. Moraes suspendeu a aplicação do benefício. Mas isso ocorreu antes da profecia de Michelle Bolsonaro. Uma coisa é a posição de um magistrado supremo. Coisa bem diferente é a compreensão de um "irmão em Cristo".


Falando em viagens interplanetárias e, por extensão, intergalácticas, o artefato mais veloz construído até agora - a Parker Solar Probe — atingiu 692 mil km/h no final de 2024, impulsionada pela gravidade solar. Para efeito de comparação, esse valor representa cerca de 0,064% da velocidade da luz e é quase o dobro da velocidade alcançada pela sonda New Horizons. 


Nessa toada, seria possível ir da Terra a Netuno em menos de 9 meses — façanha notável se considerarmos que a Voyager II demorou 12 anos e a New Horizons, 8,5 anos para percorrer distâncias comparáveis — mas uma viagem até Proxima Centauri — nossa vizinha estelar mais próxima, que fica a "módicos" 4,246 anos-luz — levaria mais de 6 mil anos.


Considerando que os demais planetas e satélites que compõem nosso sistema solar não são habitados (há indícios de vida microbiana em alguns deles, mas não de civilizações desenvolvidas), os objetos voadores não identificados de origem extraterrestre são fruto de uma tecnologia muito mais avançada do que a nossa. 


Aqui cabe abrir um parêntese para dizer que a missão Kepler da NASA monitorou cerca de 150.000 estrelas entre 2009 e 2018 e concluiu que, em média, cada estrela possui pelo menos um planeta. Isso significa cerca de um septilhão de planetas no Universo — mais do que o número estimado de grãos de areia em todas as praias da Terra. Se aplicarmos critérios conservadores — estrela estável, zona habitável, tamanho rochoso semelhante à Terra etc. — uma em cada 5 estrelas pode hospedar um planeta nessas condições.


Portanto, haveria 40 bilhões de planetas habitáveis somente na Via Láctea e cerca de 10 sextilhões no universo observável, que tem cerca de 93 bilhões de anos-luz de diâmetro. Mesmo se vida for extremamente rara - tipo uma chance em um bilhão de planetas habitáveis desenvolver vida - ainda sobrariam 10 trilhões de planetas com vida só no universo observável. Diante disso, a intuição de que "somos únicos" fica difícil de sustentar mesmo para o mais conservador dos conservadores. Aliás, esse é basicamente o cerne do Paradoxo de Fermi: se há tantos mundos, "cadê todo mundo?" 


Se existem seres inteligentes em alguns desses 10 trilhões de planetas, eles devem ter descoberto maneiras de singrar o cosmos em altíssimas velocidades e atravessar buracos de minhoca — supostos atalhos cósmicos que diminuem a distância entre dois pontos seja, neste ou em outro universo, seja no presente ou em outro momento da linha do tempo. Afinal, se os avistamentos de OVNIs fossem meras alucinações coletivas ou confusões com balões meteorológicos, seria de esperar que os governos simplesmente dissessem isso e encerrassem o assunto com um sorriso condescendente. Mas não é bem isso que acontece.


Em 1947, o general Nathan Twining, chefe do Comando de Material da Força Aérea Norte-americana, enviou um memorando confidencial afirmando que os discos voadores eram "reais e não imaginários", e que sua performance — incluindo velocidade, manobras e ausência de fumaça ou som — era superior à de qualquer aeronave conhecida. O memorando ficou classificado (sob sigilo) por décadas e, quando veio a público, levantou uma pergunta incômoda: se não há nada a esconder, por que esconder?


O Projeto Blue Book, iniciado em 1952, investigou oficialmente mais de 12 mil casos de avistamentos nos Estados Unidos. Ao final, em 1969, encerrou suas atividades declarando que nenhum dos casos representava ameaça à segurança nacional e que nenhum era de origem extraterrestre. No entanto, dos 12 mil casos analisados, 701 permaneceram oficialmente "sem explicação", e essa categoria, curiosamente, incluía alguns dos relatos mais bem documentados, feitos por pilotos militares experientes com suporte de radar.


Décadas depois, em 2017, o New York Times revelou a existência do AATIP — Advanced Aerospace Threat Identification Program —, um programa secreto do Pentágono dedicado ao estudo de fenômenos aéreos não identificados, no qual foram investidos 22 milhões de dólares entre 2007 e 2012. Junto com a reportagem vieram três vídeos gravados por caças da Marinha americana mostrando objetos que realizavam manobras fisicamente improváveis: acelerações instantâneas, mudanças bruscas de direção e hovering sem propulsão aparente. O Pentágono confirmou a autenticidade das imagens mas nenhuma explicação convincente foi oferecida.


Em 2021, o governo americano publicou um relatório preliminar sobre UAPs — sigla para Fenômenos Aéreos Não Identificados em inglês, que substituiu "OVNIs" nas comunicações oficiais por soar menos como ficção científica — admitindo que 143 dos 144 casos analisados permaneciam sem explicação. O único "explicado" era um balão. Para os outros 143, o relatório concluiu, com rara honestidade burocrática, que simplesmente não havia dados suficientes para uma conclusão.


O padrão que emerge dessa cronologia não é o de uma conspiração hollywoodiana, com homens de preto e hangares secretos em Nevada — embora a Area 51 exista de fato e tenha abrigado projetos de aviação ultrassecretos por décadas. O padrão é mais prosaico e, por isso mesmo, mais perturbador: o de instituições que sabem mais do que dizem, dizem mais do que admitem e admitem mais do que gostariam. A pergunta que fica não é se há algo lá fora. É o que exatamente esse "algo" é — e o que aqueles que o conhecem decidiram, até agora, manter fora do alcance do público.


Resumo da ópera: Pode-se argumentar que indícios e evidências não são provas, mas ignorar milhares de avistamentos de OVNIs (ou UAPs) relatados por pilotos civis e militares, controladores de voo e outros profissionais capazes de diferenciar esses eventos de fenômenos atmosféricos equivale a tapar o Sol com peneira. 


Continua…

terça-feira, 7 de julho de 2026

DEZ ANOS DE PESQUISA E…

… NASCETUR RIDICULUS MUS.

Parturiunt montes, nascetur ridiculus mus “as montanhas estão em trabalho de parto; nascerá um ridículo rato”) é uma expressão latina usada para descrever situações em que grandes expectativas resultam em algo insignificante ou aquém do esperado.

Foi isso que ocorreu quando cientistas divulgaram os resultados de uma pesquisa de dez anos, que buscava medir com maior precisão a constante gravitacional de Isaac Newton — o famoso “G”, que quantifica a força responsável por manter nossos pés no chão e os planetas em órbita.

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Depois de ingerir uma dose cavalar de Dramin — sem a qual seria impossível rabiscar algumas linhas sobre o enojante cenário político-eleitoral tupiniquim —, é possível falar sem vomitar em Lula, o molusco macróbio e eneadáctilo, e em Bolsonarinho, o primogênito do ex-aspirante a golpista e ora presidiário mais famoso desta banânia.

É sabido que, em época de eleição, choques entre candidatos são comuns. Na sucessão de 2026, os dois postulantes mais bem colocados nas pesquisas correm o risco de brigar com a opinião pública — das ferroadas que dão um no outro, precisam lidar com seus escorpiões domésticos.

Segundo o Instituto Atlas Intel, 61,2% dos eleitores acham que a suspeita de que Jaques Wagner recebeu vantagens do Master pode prejudicar a candidatura de Lula, ao passo que 64,1% acreditam que as desavenças com Micheque enfraquecem a candidatura do filho do pai..

Os candidatos dispõem de suas próprias pesquisas e não ignoram o óbvio, mas tropeçam nas evidências: o xamã petista se confraternizou em público com Jaques Wagner uma semana depois de afastá-lo da liderança do governo no Senado, enquanto o filho do pai fala em pacificar o país, mas não consegue sequer um armistício com a madrasta

Os candidatos passam mais tempo apontando escorpiões no quintal do adversário do que cuidando de seu próprio quintal. E uma disputa que tende a ser definida por pequena margem, pode produzir ferroadas as mais dolorosas.

O mais ambicioso esforço já realizado para determinar essa constante fundamental da natureza, que define a intensidade da atração entre duas massas em qualquer lugar do universo, produziu um valor incompatível com medições anteriores, inclusive com resultados obtidos em experimentos semelhantes. Em outras palavras, depois de uma década de trabalho meticuloso, o resultado acabou gerando mais dúvidas do que certezas.

O físico Stephen Schlamminger, do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), em Gaithersburg, Maryland, responsável pelo experimento iniciado dez anos antes, descreveu a empreitada como “exaustiva como caminhar por um vale escuro”.

As constantes fundamentais da natureza são valores essenciais que regem o comportamento do universo. Entre elas estão a velocidade da luz e a constante de Planck, parâmetros que parecem estar incorporados à própria estrutura da realidade e permanecem inalterados, independentemente do tempo ou do lugar.

Há mais de 225 anos, cientistas tentam medir com precisão a constante gravitacional. O primeiro experimento foi realizado pelo físico britânico Henry Cavendish, em 1798, mais de um século após Newton formular a lei da gravitação universal. Ainda assim, o valor de G continua sendo conhecido com uma precisão muito inferior à de outras constantes, como a velocidade da luz (299.792.458 metros por segundo) ou a constante de Planck (6,62607015 × 10⁻³⁴).

A gravidade é notoriamente difícil de medir porque, entre as quatro forças fundamentais da natureza, é disparada a mais fraca. As outras três — a força eletromagnética, a força nuclear forte e a força nuclear fraca — atuam com intensidade muito maior no mundo subatômico. Basta lembrar que um pequeno ímã de geladeira consegue vencer, localmente, a atração gravitacional da Terra ao sustentar um objeto metálico.

Talvez esse aparente fracasso seja, paradoxalmente, uma das maiores virtudes da ciência. Ao contrário do que muitos imaginam, a ciência não avança apenas quando encontra respostas definitivas, mas também quando expõe suas próprias limitações. E assim, mais de três séculos depois de Newton e mais de dois séculos após Cavendish, o universo continua a sussurrar que a gravidade — essa força aparentemente tão familiar — ainda guarda segredos que insistem em escapar das nossas balanças. Afinal, quando se trata do cosmos, até aquilo que nos mantém firmemente presos ao chão continua desafiando nossa compreensão.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — NEM TUDO É O QUE PARECE.

UMA MEIA VERDADE É QUASE SEMPRE UMA GRANDE MENTIRA.


No livro Eram os Deuses Astronautas? (1968), Erich von Däniken oferece explicações intrigantes para diversos enigmas que a história não conseguiu elucidar.


Segundo a Teoria dos Antigos Astronautas, alienígenas visitam a Terra há milhares de anos e foram tomados como "deuses" pelos antigos egípcios, gregos, maias e outros povos, como mostram diversas pinturas e esculturas encontradas por arqueólogos.


Alguns autores "sérios" se referem ao trabalho do pesquisador suíço como “pseudociência”, mas talvez haja uma ponta de inveja nessa crítica: os livros de Däniken foram traduzidos em dezenas de idiomas e venderam mais de 100 milhões de cópias mundo afora.


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O ex-governador da Bahia Jaques Wagner, que era líder de Lula no Senado até recentemente, se aborreceu por ter sido empurrado para dentro do caldeirão do Master pela Polícia Federal. Numa entrevista à Folha, soou como se estivesse fora de si e revelou o que tem por dentro.

O petista reputa normal ter pedido a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões, diz que o compraria posteriormente para a filha e que não teria feito o pedido se estivesse mal intencionado: "O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito".

Wagner não estranha o fato de o Master ter azeitado uma firma de sua nora com mais de R$ 3,6 milhões. "Estão inventando que era pra mim". Acha inusitada a criminalização do uso de jatos patrocinados. "Óbvio que de vez em quando eu pego carona". Diz que não se venderia pelos tickets que recebeu para os shows de Taylor Swift. "Eu poderia pedir coisa mais importante, né?" Considerou espetaculosa a foto com os dólares apreendidos no seu endereço brasiliense. "Pra que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF?". repetiu que o dinheiro é sobra de diárias recebidas para missões no exterior, e que "não lhe ocorreu" devolver essas "sobras" ao Tesouro Nacional.

Como se vê, o problema não é que a PF suspeita que falta honestidade ao senador. A questão é que ele parece incapaz de demonstrá-la.


Cada um pode acreditar no que bem entender, da planicidade da Terra à existência de seres reptilianos que habitam as profundezas do planeta. Eu, a exemplo de São Tomé — que só acreditou na ressurreição de Cristo depois de ver e tocar em suas chagas —, preciso ver para crer. E entre narrativas religiosas que tentam explicar mistérios que as próprias religiões não entendem e teorias baseadas em evidências levantadas pela ciência, prefiro estas àquelas.


Como mencionei em algum momento desta sequência, mas repito porque a audiência do blog é rotativa, entre os anos de 1948 e 1968 o Projeto Blue Book identificou 1.268 relatos de UFOs, dos quais 701 permanecem envoltos em mistério. E o mesmo se aplica a 143 dos 144 avistamentos que o Pentágono registrou nas últimas duas décadas.


Em um dos vídeos gravados por caças da Marinha — conhecido como Incidente Nimitz — que foram entregues ao New York Times por um ex-diretor do AATIP, vê-se claramente um objeto oval sem asas nem propulsores visíveis executando manobras aparentemente impossíveis do ponto de vista aerodinâmico.


Um relatório produzido pela ODNI catalogou 510 casos de UAPs. Dos 366 que foram investigados, 26 eram sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) ou drones, 163 eram balões ou "artefatos semelhantes a balões", meia dúzia foi considerada "desordem” (como pássaros e sacolas plásticas de compras flutuando no ar) e 171 foram classificados como avistamentos de UAPs "não caracterizados e não atribuídos" (sobretudo os que demonstram características de voo incomuns ou capacidades de desempenho que requerem análises mais aprofundadas).


Em um episódio da série Unidentified with Demi Lovato, a apresentadora disse ter sido abduzida por alienígenas. O cantor Fábio Jr. contou à revista IstoÉ que viu duas naves pairando sobre seu carro. O jornalista e apresentador Amaury Jr disse que já avistou mais de 40 objetos esféricos e em forma de prato em seu sítio no município paulista de Vinhedo. O ator Tarcísio Meira contou que ele, a mulher e outras seis pessoas testemunharam quatro objetos voando em formação assimétrica, que ficaram parados por cerca de um minuto antes de desaparecerem.


Não sei até que ponto esses depoimentos são confiáveis, mas eu passei por uma experiência semelhante nos anos 1960, durante as férias no sítio da minha avó, na área rural de uma bucólica cidadezinha do interior paulista. Certa noite, uma luz branca ofuscante surgiu subitamente, acompanhou a mim e a meu primo enquanto corremos rumo à sede da propriedade, e então se tornou um pontinho no céu e desapareceu tão subitamente quanto surgiu minutos antes.


Observação: Voltei ao sítio várias vezes em outros anos, mas nunca tornei a ver algo semelhante. Reencontrei meu primo uma dezena de vezes nos últimos 60 anos, mas jamais voltamos a falar sobre o assunto.


Durante uma conversa descontraída com alguns colegas do Los Alamos National Laboratory, em 1950, o físico italiano Enrico Fermi levantou a seguinte questão: "Onde está todo mundo?" Um quarto de século depois, em seu único livro de ficção — Contact —, o astrofísico Carl Sagan escreveu: The universe is a pretty big place. If it's just us, seems like an awful waste of space (o universo é um lugar muito grande. Se somos só nós, parece um terrível desperdício de espaço). 


Em condições ideais (noite sem luar, com atmosfera limpa e seca e sem poluição luminosa), podemos avistar de 2.500 a 3.000 estrelas. Como enxergamos apenas metade da esfera celeste de cada vez, o número de estrelas visíveis a olho nu fica entre 5.000 e 6.000, mas estima-se que existam cerca de 100 bilhões de galáxias no Universo, as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões. Nem todos esses sextilhões de "sóis" são orbitados, mas boa parte deles têm planetas girando ao seu redor.


No fim das contas, entre o silêncio das estrelas e o burburinho das teorias, o mistério persiste, e the answer, my friend, is blowing in the wind.


Continua…

domingo, 5 de julho de 2026

COZINHA É CIÊNCIA E UM POUCO DE BRUXARIA

O IMPREVISTO PODE TER VOTO DECISIVO NA ASSEMBLEIA DOS ACONTECIMENTOS.   

Cozinha é arte. Se até fritar ovo requer expertise, mestres-cucas de final de semana podem se beneficiar de algumas dicas práticas. Vamos a elas:

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A dois meses do início formal da campanha, os dois principais pré-candidatos à Presidência continuam isolados no topo. Os ponteiros da pesquisa mantiveram-se praticamente imóveis — uma boa notícia para Bolsonarinho, que, depois do escândalo Dark Horse, viu a vantagem do adversário, no primeiro turno, subir de três para nove pontos percentuais. Na nova pesquisa, essa vantagem oscilou para dez pontos.
No cenário de segundo turno, o empate técnico entre os dois, que tinha virado uma vantagem de quatro pontos para o molusco macróbio, se manteve agora. Quer dizer: o prejuízo eleitoral do áudio em que o filho do presidiário pediu dinheiro a Vorcaro foi momentaneamente estancado.
Para o Xamã petista, que o nome me custa pronunciar e os garranchos verbais eu não suporto mais ouvir, a nova pesquisa oferece duas notícias: a má é que não há notícia boa, e a péssima é que, um dia após os pesquisadores do Datafolha irem a campo, a PF arrastou para o caldeirão do caso Master o petista Jaques Wagner. Ou seja: o levantamento ainda não mede na sua integralidade o impacto do derretimento do líder do demiurgo de Garanhuns no Senado na campanha do seu amigo.
De resto, tornou-se impossível ignorar que, uma pesquisa após a outra, o eleitorado dá uma banana para as opções de anti-Lula disponíveis no cardápio de 2026. Comem poeira na casa de um dígito Ronaldo Caiado (3%), Romeu Zema e Aécio Neves (2%). Estão tecnicamente empatados com o novato Renan Santos (3%) — único a criticar o filho do pai com acidez. Ou com Augusto Curi (2%) e Joaquim Barbosa (1%).
Nesse contexto, um fantasma novo passou a rondar o comitê da reeleição: a assombração do voto útil, aquele que vai para qualquer lugar, desde que o PT seja expulso do Palácio do Planalto. Além de caprichar na propaganda para que suas bondades bilionárias sejam rapidamente percebidas pelo eleitor, o aspirante ao quarto mandato terá que ralar para desestimular a antecipação do voto útil da direita do segundo para o primeiro turno.

— Depois de escorrer o macarrão, polvilhe-o com queijo parmesão ralado enquanto ele ainda estiver quente. O queijo vai derreter e se misturar ao molho, deixando o sabor ainda melhor.

— Quando fritar seja o que for, não encher demais a frigideira evita que a comida cozinhe no vapor.

Observação: Cozinhar a vapor consiste em colocar os alimentos num recipiente cheio de furinhos (como uma peneira) sobre uma panela com um líquido em ebulição — água, caldo de carne, suco, cerveja ou vinho — e tampar para manter o vapor. Como o alimento não entra em contato direto com o líquido, é menos provável que ele se desmanche ou fique encharcado. O processo funciona melhor com alimentos que necessitam de umidade e não precisam ficar crocantes quando servidos. Quase todos os legumes podem ser cozidos no vapor, exceto os de textura esponjosa — como cogumelos e berinjela. Proteínas delicadas, como frango, peixes e mariscos, também funcionam bem nesse método, já que o vapor preserva o sabor natural sem necessidade de manteiga ou óleo. O mesmo não se aplica às carnes bovina, suína e de cordeiro, que precisam ficar douradas e suculentas.

— Para tirar o cheiro de alho das mãos, esfregue-as no aço inoxidável da pia antes de lavá-las.

— O manjericão permanece fresco por mais tempo se for colocado num recipiente com água em temperatura ambiente.

— Se você for cozinhar couve-flor, ponha algumas colheres de sopa de leite na água do cozimento para que ela permaneça branquinha. Quando estiver pronta, passe-a em água fria para interromper a cocção e sirva.

— Quando o assunto é confeitaria, confira sempre as medidas da receita usando colheres e xícaras específicas para isso ou uma balança culinária de precisão.

— Para obter mais sumo do limão, role-o sobre uma superfície dura antes de cortá-lo, pressionando-o com a palma da mão. O mesmo vale para a laranja.

— Ao fritar ovos, aqueça bem o óleo, mergulhe uma espátula de metal nele para evitar que os ovos grudem e frite-os até que as bordas fiquem levemente douradas.

— Não tempere a salada quando estiver dando uma festa para muitos convidados. Para evitar que as folhas murchem, deixe o sal, a pimenta, o vinagre e o azeite à disposição dos comensais, para que cada um se sirva como desejar.

— Mergulhe a ponta do cabo de uma colher de pau ou de um palito de espetinho no óleo que está aquecendo na frigideira; quando se formarem bolhas ao redor da madeira, pode começar a fritar.

— Ao cortar cebolas, não remover as raízes evita que as camadas se separem.

— Deixar o macarrão de molho por 90 minutos faz com que ele cozinhe bem mais depressa — desde que não seja massa fresca.

— Colocar um pano de prato ou uma toalha de papel úmida sob a tábua de cortar evita que ela escorregue.

— Para caramelizar cebolas em poucos minutos, acrescente uma colherinha de bicarbonato de sódio.

— Se for preciso acrescentar mais óleo à frigideira, coloque-o pelas bordas, bem devagar — assim ele já estará quente quando chegar ao alimento que está sendo frito.

— Para evitar que ervas e temperos se espalhem por todos os lados, coloque um pouco de sal sobre a tábua de cortar.

— Quando fizer bolos e pães com manteiga e ovos, tire-os da geladeira com antecedência para que fiquem em temperatura ambiente. Note que, se estiver fazendo uma torta, os ovos devem estar em temperatura ambiente, mas a manteiga deve permanecer bem gelada — a menos que a receita especifique outra coisa.

— Para que o molho envolva melhor a massa, não adicione óleo ou azeite à água do cozimento. Use óleo apenas para cozinhar massas caseiras feitas na hora.

— Colocar uma rolha na ponta das facas mais afiadas evita que você se corte ao procurá-las na gaveta.

— Para manter bonita a cor dos vegetais, mergulhe-os em água gelada assim que estiverem cozidos.

A diferença entre um chef e um desastre culinário costuma ser medida em poucos minutos — e muito óleo quente. 

Boa sorte.

sábado, 4 de julho de 2026

DÉJÁ VU: QUANDO O CÉREBRO NOS PREGA UMA PEÇA

QUANDO A LÓGICA PROTESTA, MAS O CÉREBRO INSISTE.

Se você entra em um lugar pela primeira vez, conversa com alguém sobre um assunto inédito, presencia uma situação totalmente nova, e ainda assim surge uma sensação desconcertante de "eu já vivi isso antes", seja bem-vindo ao curioso universo do déjà vu — expressão francesa que significa literalmente “já visto”, mas pode ser traduzida como “já vivi isso” — ou, em bom português, “tenho certeza de que já passei por essa cena”. 

Isso não significa que você está acessando memórias de uma vida passada, captando ecos de universos paralelos ou recebendo spoilers da Matrix. Na imensa maioria das vezes, é apenas do seu cérebro tropeçando nos próprios arquivos em meio a uma experiência paradoxal em que a novidade vem acompanhada de uma poderosa sensação de familiaridade. Mal comparando, seria como visitar uma cidade na qual você nunca esteve e sentir que conhece cada esquina, ou ouvir uma conversa inédita com a impressão de saber exatamente o que será dito em seguida.

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Todas as famílias infelizes exercitam a infelicidade cada uma à sua maneira. A ex-primeira dama aprendeu que o clã do marido gosta de lavar roupa suja não em casa, mas nas redes.
O enredo de Micheque contém dois ingredientes que estão presentes em onze de cada dez novelas de grande audiência: humilhação e vingança. Nesse script, o papel reservado para o enteado é o de machista. "Ele disse que eu não entendia nada de política", contou a madrasta má. 
Dias atrás, o Datafolha mostrou que a sangria do Dark Horse foi estancada, mas a hemorragia feminina permanece: Lula teve sua maior vantagem sobre o rival entre as mulheres: 54% a 37% depois que o vídeo da rainha má enviou para o ralo o esforço do enteado para atenuar essa aversão.

Uma das síndromes mais características da família Bolsonaro é o impulso de, mal terminada uma crise, providenciar a próxima. Michelle Bolsonaro agravou essa patologia. Quando o noticiário ainda estava repleto de Dark Horse, acusou Flávio Bolsonaro de desrespeitá-la, maltratá-la e humilhá-la. Elevou a fervura quando Valdemar Costa Neto chegou com a água fria.

Michelle abdicou da presidência do núcleo feminino do PL. Avisou que não cogita dar as caras na primeira reunião de Flávio com as mulheres do partido e ameaçou jogar para o alto uma poltrona no Senado que o partido considerava favas contadas nas eleições de Brasília. Ou seja: a madrasta atravessou na campanha do enteado não uma encrenca nova, mas um turbilhão de crises. 

As motivações da bruxa-má suscitam muitas dúvidas, mas formou-se uma sólida certeza quanto às consequências dos seus gestos: a menos de cem dias da eleição, ela aprisionou o enteado dentro de uma agenda negativa.

Flávio Bolsonaro capricha na adulação às mulheres e diz que procura uma para ser sua vice. Mas não dá um pio contra os ataques misóginos que os aliados fazem a Michelle. Quer que acreditem que se dispõe a matar ou morrer por ideias e valores que não tem.

Os otimistas dizem que foi reativada a percepção de que a família Bolsonaro é um saco de gatos. Os pessimistas sustentam que o saco contém bichos mais repulsivos.

Num país em que mais de 52% dos votos são femininos, o filho de Bolsonaro vai se consolidando como um candidato bem cotado para tornar o molusco macróbio e indigesto presidente pela quarta vez.


A explicação mais aceita é que o cérebro ativa o mecanismo de familiaridade sem conseguir localizar uma lembrança real correspondente. Em outras palavras, o “alarme” de reconhecimento dispara antes que o sistema de memória contextualizada confirme de onde aquilo veio. É como encontrar um rosto conhecido na rua, acenar com entusiasmo e só depois perceber que nunca viu aquela pessoa na vida.
Segundo o psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, da plataforma Doctoralia, o cérebro possui sistemas distintos: um responsável por detectar familiaridade e outro por recuperar memórias contextualizadas. No déjà vu, o primeiro entra em ação sem que o segundo tenha qualquer registro para apresentar, resultando numa falsa sensação de reconhecimento.

Estruturas como o hipocampo e o lobo temporal são fundamentais para distinguir o que é novo daquilo que já foi vivido. Quando ocorre um pequeno descompasso entre esses sistemas, o cérebro interpreta o presente como repetição do passado. Alguns pesquisadores sugerem que o déjà vu funciona como uma espécie de “verificação de fatos” interna: ao detectar essa familiaridade suspeita, o cérebro sinaliza que algo no processamento não bate.

Outra hipótese é que o fenômeno esteja relacionado à fluência cognitiva. Quando processamos uma informação de forma rápida e automática, ela pode parecer familiar mesmo sem motivo concreto. É o cérebro dizendo: “Já vi isso.” E a memória respondendo: “Tem certeza?”

Entre outras condições que podem aumentar a probabilidade de episódios estão o estresse, a ansiedade, a privação de sono, o cansaço mental e o abuso do álcool, de drogas e de alguns medicamentos. Em resumo, quando o cérebro está sobrecarregado, as chances de ele confundir novidade com familiaridade aumentam. Nada muito diferente de chamar alguém pelo nome errado depois de uma noite mal dormida.

Estima-se que a maioria das pessoas já tenha experimentado essa sensação ao menos uma vez, e que episódios ocasionais sejam comuns e, em geral, totalmente benignos. Mas, se o déjà vu ocorre com muita frequência, dura mais do que alguns segundos ou vem acompanhado de sintomas como: Medo, alterações da consciência, lapsos de memória e comportamentos automáticos, a avaliação médica costuma ser recomendável. Mesmo porque, em alguns casos, o fenômeno está associado à epilepsia do lobo temporal, em que o déjà vu pode funcionar como uma aura neurológica — um aviso de que uma crise epiléptica está prestes a ocorrer.

Apesar de relativamente comum, o déjà vu ainda não é totalmente compreendido — e talvez esse seja justamente o seu encanto. Por alguns segundos, o cérebro nos oferece a estranha sensação de que o presente já aconteceu. É como se o tempo tivesse escorregado, se a realidade piscasse, se o roteiro tivesse sido repetido... e então tudo voltasse ao normal. Ou quase.

Porque, convenhamos, poucas coisas são tão intrigantes quanto sentir que você já leu este parágrafo antes.

sexta-feira, 3 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MARTE FICA LOGO ALI

AFIRMAÇÕES EXTRAORDINÁRIAS EXIGEM EVIDÊNCIAS EXTRAORDINÁRIAS.

Nos últimos anos, o desenvolvimento de tecnologias de propulsão avançada tem sido um dos principais focos de pesquisa para tornar as viagens espaciais mais rápidas e eficientes, e a busca por métodos que visam reduzir significativamente o tempo de viagem até Marte ganhou destaque, especialmente com o interesse crescente de agências como a NASA e de empresas privadas em missões tripuladas ao planeta vermelho. 


A possibilidade de irmos até nosso "vizinho de porta" em apenas 45 dias representa um avanço considerável em relação aos sistemas de propulsão convencionais, e os propulsores de plasma e nuclear térmico oferecem vantagens em termos de eficiência e velocidade, O desafio, no entanto, está em superar as barreiras técnicas e energéticas, que ainda limitam a aplicação prática dessas soluções em voos tripulados.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Diz o ditado que a justiça tarda mas não falha (e que todos são iguais perante a lei, embora evite mencionar que alguns são "mais iguais do que os outros"). Seja como for, a PF finalmente chegou ao primeiro escalão do caso Americanas, nascido como um rombo de R$ 20 bilhões que levou a rede varejista Americanas ao noticiário no início de 2023. Ou seja: demorou três anos e meio para que a Justiça enviasse os agentes à porta de integrantes do primeiro escalão do escândalo

No início, o logro financeiro foi chamado pelo apelido de "inconsistência contábil". Quando a maquiagem do balanço desbotou, os acionistas de referência do grupo — Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira — , tidos como magos do capitalismo, fizeram circular uma nota na qual se lia: "Jamais tivemos conhecimento...".

Ao lançar mão de uma versão privada do "eu não sabia", frase-lema dos políticos encrencados, era como se os bambambãs do mercado tomassem distância do empreendimento fazendo pose de navios que abandonavam os ratos.

A reboque das batidas policiais veio o bloqueio de R$ 54 bilhões dos investigados, que podem e devem exercitar o sacrossanto direito de defesa dentro das regras do jogo, mas sem transpor para a iniciativa privada os arranjos que sepultam provas vivas em inquéritos estatais.


A propulsão de plasma utiliza um gás ionizado (plasma) que é acelerado por campos elétricos ou magnéticos para gerar impulso. Diferentemente dos foguetes químicos tradicionais, esse método proporciona um impulso específico muito maior, o que significa maior eficiência no uso do propelente.


Normalmente, gases inertes como o xenônio são empregados, sendo ionizados e acelerados a velocidades elevadas antes de serem expelidos pela parte traseira da nave, mas essa tecnologia é especialmente atrativa para missões de longa duração, pois permite economizar combustível e aumentar a carga útil transportada. 


Observação: Para operar de forma eficiente, a propulsão de plasma exige fontes de energia robustas, como reatores nucleares compactos, capazes de fornecer a potência necessária para manter o sistema em funcionamento durante toda a viagem.


Entre os projetos mais conhecidos de propulsão de plasma está o VASIMR (Variable Specific Impulse Magnetoplasma Rocket), desenvolvido pela Ad Astra Rocket Company. Ele foi projetado para oferecer flexibilidade em termos de impulso e potência, podendo ser ajustado conforme as necessidades de cada fase da missão. A expectativa é que, com uma fonte de energia adequada, seja possível reduzir o tempo de viagem até Marte para cerca de 45 dias.


Além do VASIMR, a propulsão nuclear térmica também tem recebido atenção significativa. Nesse sistema, um reator nuclear aquece um propelente, geralmente hidrogênio, que é então expelido para gerar impulso. Recentemente, testes realizados pela NASA e por empresas parceiras têm demonstrado avanços no desenvolvimento de componentes capazes de suportar as condições extremas do espaço.


Outras abordagens, como propulsores Hall e propulsores magneto-hidrodinâmicos, também estão em fase de pesquisa em diferentes países, incluindo a China. Atualmente, o uso de Inteligência Artificial (IA) na modelagem e no controle de motores também vem ganhando espaço nesses projetos, otimizando trajetórias e tornando o processo de viagem ainda mais eficiente.


Apesar dos avanços, a implementação prática dessas tecnologias enfrenta obstáculos importantes. A geração de energia suficiente para alimentar motores de plasma de alta potência é um dos principais desafios, especialmente em missões de longa duração. Além disso, é necessário garantir a durabilidade dos materiais utilizados nos motores e proteger a tripulação contra a radiação espacial, que se torna mais intensa em viagens de alta velocidade.


Reatores nucleares compactos ainda estão em fase de testes e precisam ser adaptados para uso seguro em missões tripuladas — viagens mais rápidas podem aumentar a exposição dos astronautas à radiação cósmica, exigindo soluções inovadoras de blindagem e motores capazes de operar por longos períodos sem falhas, suportando as condições adversas do espaço profundo. Além desses pontos, questões relacionadas à segurança, custo e viabilidade técnica continuam sendo avaliadas por especialistas e engenheiros do setor aeroespacial.


Com o progresso contínuo nas pesquisas de propulsão de plasma e nuclear térmica, a expectativa é que missões mais rápidas e eficientes para Marte se tornem realidade nos próximos anos. A redução do tempo de viagem não apenas facilita a logística das missões, mas também contribui para a segurança e o bem-estar dos astronautas. À medida que novas tecnologias são testadas e aprimoradas, a exploração humana do Sistema Solar pode avançar de forma significativa, abrindo caminho para futuras colônias e descobertas além da Terra.


A meta de 45 dias para chegar a Marte ainda depende de soluções inovadoras em energia e engenharia, mas o interesse global e os investimentos crescentes tornam esse objetivo cada vez mais plausível, e a colaboração entre agências espaciais, empresas privadas e centros de pesquisa será fundamental para transformar esses avanços em realidade.


Continua…

quinta-feira, 2 de julho de 2026

ATMOSFERA NOS CONFINS DO SISTEMA SOLAR

A SABEDORIA É UM PARADOXO: QUEM MAIS SABE É JUSTAMENTE QUEM RECONHECE A VASTIDÃO DA SUA IGNORÂNCIA

Astrônomos detectaram uma fina atmosfera ao redor de um pequeno corpo celeste localizado após a órbita de Netuno — que se tornou o planeta mais afastado do Sol em 2006, quando Plutão foi rebaixado a objeto transnetuniano.

A descoberta do 612533 2002 XV93 — um corpo de cerca de 250 quilômetros de raio localizado no cinturão de Kuiper, a quase 6 bilhões de quilômetros da Terra — foi publicada na revista "Nature Astronomy" e desafia a ideia de que apenas planetas e corpos celestes maiores conseguem manter atmosferas estáveis.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Paixões cegam, principalmente as da política, pois impedem as pessoas de enxergarem o que está acontecendo bem diante de seus focinhos. Mas governantes demagogos e populistas também atiram contra o próprio pé no afã de manter os votos dos imbecis que os idolatram É o caso da bomba que o atual governo deixou armada para si mesmo, caso o macróbio eneadáctilo conseguir se reeleger, ou que exigirá medidas impopulares de qualquer outro que vença as eleições. A ata da última reunião do COPOM deixou claro que a inflação será acima do que há pouco tempo ainda se previa e que as causas disso são as consequências inflacionárias da guerra no Oriente Médio e a expansão dos gastos públicos combinada com os incentivos ao consumo, especialmente via crédito. Em busca do ambicionado quarto mandato, o macróbio petista tem feito "o diabo" e injetando quase R$ 200 bilhões em subsídios, programas dos mais variados tipos, dentro e fora do orçamento. A pergunta é: o que vem depois? A resposta está numa frase atribuída ao rei francês Luís XV, mas que na verdade teria sido dita pela amante dele: "depois de mim, o dilúvio". E foi exatamente o que aconteceu.


A observação foi feita em 10 de janeiro de 2024 a partir de três pontos do Japão. Em Kyoto, um telescópio compacto foi instalado no terraço da Universidade de Kyoto; no observatório de Kiso, foi usado um telescópio Schmidt de 1,05 metro equipado com uma câmera de alta resolução temporal. O terceiro ponto, em Fukushima, foi operado pelo astrônomo amador Katsumasa Hosoi, com um telescópio de 25 centímetros.


Em vez do apagar e acender abrupto típico de objetos sem atmosfera, a luz da estrela diminui de forma gradual durante a ocultação — assinatura característica de uma camada fina de gás ao redor do objeto, que desvia ligeiramente os raios de luz antes do bloqueio total. A maneira como esse brilho diminui ao longo do tempo permite identificar características do objeto, como seu tamanho, formato e até a presença de material ao redor. A análise indica uma pressão atmosférica entre 100 e 200 nanobares — cerca de 5 a 10 milhões de vezes mais fina que a atmosfera terrestre.


Os pesquisadores testaram três cenários para a composição química do gás: metano, nitrogênio e monóxido de carbono. Os três modelos são compatíveis com os dados, mas ainda não é possível distinguir qual corresponde à realidade. São justamente os mesmos compostos que formam a atmosfera de Plutão.


Observação: A maioria das pessoas minimamente interessadas em astronomia sabe que nossa Lua tem uma "face oculta", ou seja, que jamais é avistada a partir da Terra. Mas muitos não sabem que isso se deve à rotação sincronizada, resultante de um ajuste gravitacional que mantém o satélite "travado" em relação ao nosso planeta. Como a Lua não gira só em torno da Terra, mas também em torno de si mesma — e leva cerca de 27,3 dias para completar ambos os movimentos — a mesma face do satélite fica visível para quem está na Terra. Um erro comum, cometido até pela banda Pink Floyd no álbum “The Dark Side of The Moon” (1973), é chamar a face escondida de "lado escuro da Lua", já que ele recebe tanta luz solar quanto o lado que vemos. É fato que a maior parte dessa face nunca pode ser vista diretamente da Terra.

No fim das contas, até um pequeno pedregulho gelado, perdido na periferia do Sistema Solar, pode guardar segredos capazes de constranger nossas certezas. O Universo tem esse hábito irritante: quando achamos que já entendemos as regras, ele muda o roteiro e nos lembra, com elegância cósmica, que ainda estamos longe de conhecer toda a história.