ONE FLEW EAST, ONE FLEW WEST, ONE FLEW OVER THE CUCKOO'S NEST.
Ao analisar dados envolvendo um tipo específico de explosão estelar, um grupo de pesquisadores anunciou ter confirmado a noção — há muito aceita — de que o Universo está se expandindo em ritmo acelerado. O resultado do novo estudo difere de uma pesquisa publicada no ano passado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, segundo a qual a expansão cósmica não estaria mais acelerando.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Bolsonaro, também conhecido como "refugo da escória da humanidade", guindou o pastor presbiteriano André Mendonça ao STF menos por seus conhecimentos jurídicos do que por sua alma "terrivelmente evangélica". Os pendores religiosos do apadrinhado afloraram nos últimos dias: Mendonça converteu o embate com o colega Alexandre de Moraes numa guerra santa do bem contra o mal, atiçando os fiéis com um vídeo postado nas redes sociais. "Estejam certos de que suas preces a Deus têm sido fundamentais..."
Michelle Bolsonaro chamou-o o ministro "ungido do Senhor"; líderes religiosos passaram a cultuar sua coragem. De uns dias para cá, ele virou o sujeito cada vez menos oculto da campanha do filho de seu benfeitor e ganhou mais de 1 milhão de novos seguidores no Instagram.
O Supremo equilibrou-se por tanto tempo na beirada do vácuo que acreditou que o abismo, assim como o inferno da escatologia cristã, seria apenas uma ficção admonitória. De repente, a ficção tornou-se real: a suprema corte já pode ser dividida em duas fases: AC e DC.
Antes do caos, dava jeito para tudo — de unha encravada a tentativa de golpe. Depois do caos, ficou sem jeito. Já não está à beira do abismo. Experimenta a vivência do abismo.
Cristãos genuínos têm muito respeito por Deus para considerá-lo responsável pela instrumentalização político-religiosa do Judiciário. Ao confiar em Deus na crise institucional, Mendonça conseguiu provar que o inferno existe — e não funciona.
Edson Fachin, presidente de turno do STF, Edson Fachin, diz que a gravidade da crise "não autoriza atalhos" e promete respostas "rigorosas", mas com "prudência e comedimento", demorando a perceber uma obviedade: em meio a grandes crises, quem mata o tempo é suicida. O magistrado ainda não esboçou o futuro, mas já virou espectador do pretérito passando diariamente sob seu bigode.
Flávio Dino não atropelou apenas Mendonça. Ao reintegrar Andrei Rodrigues e Leandro Almada aos cargos de diretor-geral e diretor de inteligência da PF, o ministro indicado por Lula trombou também com Fachin. Na prática, antecipou-se à decisão do chefe do Supremo sobre o recurso protocolado na véspera pela Advocacia-Geral da União.
Fachin poderia ter revogado a liminar de Mendonça, mas preferiu dar 72 horas para que o colega apresentasse suas contrarrazões. Ao se antecipar, Dino transformou Fachin em asterisco: continua compondo o enredo da crise, só que virou nota de rodapé.
Dino atendeu a um recurso atravessado por Andrei Rodrigues num inquérito explosivo. Trata da suspeita de desvio de verbas de emendas parlamentares para o filme Dark Horse. O chefe da PF argumentou que seu afastamento atrapalharia a investigação. Relator do caso, Dino deu razão ao delegado. O comitê do filho do capetão passou da celebração à preocupação. A sucessão presidencial passa pelos atalhos no Supremo.
A descoberta da equipe — que inclui dois ganhadores do Prêmio Nobel — baseou-se em dois conjuntos de dados diferentes de um tipo de explosão estelar chamada supernova do tipo Ia, utilizada para calcular vastas distâncias cósmicas. Esses eventos causam a destruição de um objeto chamado anã branca — o remanescente de uma estrela de massa baixa a intermediária no fim de seu ciclo de vida. Essas explosões têm aproximadamente a mesma luminosidade, mas o brilho observado muda dependendo da distância da Terra, o que as torna valiosas como marcos cósmicos de distância na investigação da estrutura do Universo.
Vale relembrar que o modelo cosmológico padrão se baseia na teoria do Big Bang, segundo a qual o Universo surgiu há aproximadamente 13,8 bilhões de anos e vem se expandindo desde então. Em 1998, cientistas revelaram que essa expansão está acelerando por conta de uma força invisível chamada energia escura.
Observação: Cerca de 95% do Universo é composto por matéria escura e energia escura. Em outras palavras, tudo o que conhecemos, observamos e conseguimos explicar representa meros 5% do cosmos. Todavia, enquanto a matéria escura aumenta a atração gravitacional, mantendo as galáxias coesas, a energia escura — uma das maiores incógnitas do universo — produz um efeito gravitacional repulsivo em grandes escalas, acelerando a expansão cósmica.
Além da matéria e da energia escuras, o Universo reúne matéria comum — estrelas, planetas, gás e poeira, por exemplo —, que corresponde a 5% de seu conteúdo total. Já a matéria escura, conhecida por suas influências gravitacionais sobre galáxias e estrelas, representa 27%, e a energia escura, 68%.
Os autores do estudo de 2025 — que também saiu na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society — concluíram que a energia escura está enfraquecendo e parou de acelerar a expansão do Universo. O astrofísico Young-Wook Lee, da Universidade Yonsei (Coreia do Sul), defendeu as descobertas da sua equipe e disse que os principais argumentos apresentados pelos pesquisadores no novo estudo têm "falhas metodológicas graves ou levam a conclusões que são internamente inconsistentes por sua própria lógica". Já os pesquisadores do novo estudo expressaram confiança na metodologia e nas conclusões que confirmam a aceleração.
Vale destacar que as galáxias não estão se movendo a velocidades superluminais, mesmo porque isso iria de encontro (e não ao encontro) das teorias de Einstein, segundo as quais nada contendo matéria pode se mover mais rápido que a luz.
Para entender melhor, imagine o cosmos como uma bexiga de borracha e as galáxias como as letras da inscrição "Feliz Aniversário". Conforme a bexiga é inflada, a distância entre as letras aumenta, não por elas mudarem de lugar, mas por acompanharem a expansão do látex.
A natureza física da energia escura permanece desconhecida, mas o recém-inaugurado Observatório Vera Rubin, no Chile, e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman podem fornecer algumas respostas.
Por último, mas não menos importante, vale relembrar que as teorias científicas mais aceitas atualmente se baseiam no modelo cosmológico padrão, que se baseia no Big Bang. Apesar do nome, o nascimento do Universo não teria sido uma explosão, mas uma grande expansão que perdura até hoje. Dois anos depois de publicar a Teoria da Relatividade Geral, Einstein propôs um modelo de universo estático e introduziu a constante cosmológica para equilibrar a gravidade e evitar um colapso gravitacional.
Uma década mais tarde, Edwin Hubble observou que as galáxias estavam se afastando — evidência de que o cosmos estava, de fato, em expansão. Na mesma época, Georges Lemaître deduziu que algo que estava se expandindo deveria ter sido menor em algum momento.
A possibilidade de retornar ao instante em que toda a vastidão do Universo estava concentrada em uma massa extremamente quente e densa deu origem à hipótese do "átomo primordial", segundo a qual o tempo e o espaço só passaram a existir quando esse "átomo primitivo" começou a se expandir.
A proposta ganhou tração em 1948, quando George Gamow propôs que o Universo primordial era extremamente quente e denso, condição na qual os primeiros elementos químicos teriam sido sintetizados — ou "cozidos" a partir de uma "sopa de partículas fundamentais", deixando como resquício uma radiação de fundo que permeia o cosmos até hoje.
No mesmo ano, Fred Hoyle, Thomas Gold e Hermann Bondi levantaram a hipótese de que o Universo não tinha começo nem fim, pois era constantemente "reabastecido" com matéria nova, gerada em todos os lugares e momentos. Durante uma palestra, Hoyle ironizou a ideia de um surgimento cósmico repentino, dizendo que toda a matéria fora criada em um "grande estrondo", num momento específico do passado remoto.
A ironia pegou, e o termo Big Bang foi rapidamente adotado pela imprensa, mas ignorado por físicos e astrônomos, já que o fenômeno descrito não seria uma explosão no sentido tradicional, mas o início de uma expansão cósmica que começou há quase 14 bilhões de anos e cujos efeitos ainda podem ser observados por meio do desvio para o vermelho na luz das galáxias distantes — indicando que elas continuam se afastando de nós.
A despeito da imprecisão, o nome Big Bang se espalhou pelo mundo como um bordão irresistível. Em 1993, a revista Sky and Telescope organizou um concurso para substituir o nome e recebeu 13.099 sugestões de 41 países, mas nenhuma convenceu a banca de jurados, que incluía Carl Sagan, e o nome permaneceu.
Hoyle demonstrou que todos os elementos que compõem o Universo estão sendo "cozidos" no caldeirão das estrelas desde sempre, e que a vida deveria ser uma ocorrência comum no cosmos. A ideia não soava absurda para a comunidade científica — segundo o especialista em poeira estelar Ashley King, quase todos os elementos do corpo humano foram forjados em estrelas, muitos deles ejetados por sucessivas supernovas. Mas Hoyle foi mais além, sustentando que inúmeras epidemias estariam associadas à passagem de meteoritos cujas partículas trariam vírus à Terra.
Essa tese foi vista como mais compatível com os 19 romances de ficção científica de Hoyle do que com seu trabalho acadêmico, e ele acabou entrando para a história como o homem que batizou uma teoria na qual ele mesmo nunca acreditou.




