domingo, 26 de abril de 2026

DICAS CULINÁRIAS

TODO CASAMENTO É FELIZ. TENTAR VIVER JUNTO DEPOIS É QUE CAUSA OS PROBLEMAS.

Superfícies quentes, objetos pontiagudos e o risco de incêndio tornam as cozinhas tão “perigosas” quanto os banheiros — tradicionais campeões em acidentes domésticos, sobretudo com idosos.


Vale lembrar que armas não matam pessoas; pessoas matam pessoas. Em outras palavras, o cerne do problema está no uso que se faz das tecnologias, ferramentas e utensílios em geral — uma faca afiada tanto serve para fatiar carne em bifes quanto para eviscerar um desafeto.


Falando em facas, jamais tente pegar uma faca que está caindo. Em vez disso, dê um passo para trás, evitando que ela caia no seu pé.


Tampouco adicione farinha ou amido de milho (maisena) a líquidos quentes — em vez disso, misture-os com líquidos frios ou mornos antes de adicioná-los ao calor.


Não use luvas de forno molhadas, pois a umidade as torna melhores condutoras de calor — isso vale também para panos de prato. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Não há hoje no horizonte razões substantivas para se temer pela continuidade da vigência do regime democrático no Brasil, ao menos no que concerne às candidaturas presidenciais já apresentadas. Luiz faz jus ao histórico de respeito à legalidade em derrotas anteriores quando diz que, se perder, nada lhe cabe a não ser aceitar o resultado. Já seu principal oponente sinaliza só aceitar como legítima a própria vitória (filho de peixe peixinho é), mas a prisão do pai confere ao discurso o tom de bravata desprovida de lastro na realidade.

Como a defesa da democracia é bandeira eleitoral com prazo de validade vencido, se quiserem conquistar os votos determinantes dos indecisos/independentes — algo na casa do 30% do eleitorado —, ambas essas figuras vomitivas precisam combater no campo do atendimento às demandas daqueles desprovidos de emoções ideológicas. Esses eleitores podem não ser gênios ou luminares, mas sabem como o macróbio governa. No entanto, não fazem a mais pálida ideia de como o primogênito do golpista pretende governar. A referência da gestão do pai é negativa e a tentativa do filho de imprimir colorido moderado às convicções da família esbarra nas convicções do clã sobre a maneira de conduzir o país. 

Bobi filho negará Bibo Pai? Duvideodó.


Nunca coloque recipientes de vidro quentes sobre superfícies molhadas — o choque térmico pode fazer o vidro se partir — nem raspe resíduos da tábua de cortar usando a faca, pois isso irá “cegar” a lâmina.


Fermento em pó e bicarbonato de sódio não são a mesma coisa — substituir um pelo outro pode estragar a receita.


Lave bem as mãos depois de manusear alho, cebola, pimenta e pimentões.


Não tente bater claras em neve se houver qualquer resquício de gema nelas, nem mexa o arroz se a ideia não for fazer risoto.


Jamais coloque facas afiadas na máquina de lavar, pois as altas temperaturas danificam o metal e tiram o seu fio.


Não fatie a carne logo após cozinhá-la — deixe-a descansar por alguns minutos para que os sucos se redistribuam de maneira uniforme — e tampouco use a faca que cortou a carne para fatiar legumes — a carne crua contém bactérias que podem ser transferidas para os legumes (o mesmo vale para a tábua de cozinha).


Não mergulhe o dedo nos alimentos para verificar a temperatura ou o sabor — é para isso que servem as colheres — nem use utensílios culinários metálicos em panelas antiaderentes, sob pena de estragar o revestimento.


Não abra a porta do forno se vir fogo dentro — a entrada de oxigênio fará com que as chamas se intensifiquem; se o fogo não se extinguir em alguns minutos, use um extintor ou chame os bombeiros.


Ao servir macarrão, polvilhe o queijo ralado enquanto a massa ainda está quente — isso faz com que ele derreta e se incorpore ao molho.


Se você deixar o macarrão industrializado de molho em água fria por 90 minutos, ele cozinhará em cerca de 1 minuto (isso não vale para massas frescas).


Para que o molho envolva a massa, evite colocar óleo ou azeite na água do cozimento — nossas avós o faziam para evitar que os fios do macarrão grudassem, mas, nas massas industrializadas que usamos atualmente, o óleo cria uma camada gordurosa que dificulta a aderência do molho.


Quando fritar seja lá o que for, não encha demais a frigideira, ou o óleo vai esfriar e a comida, “cozinhar no vapor”. Se for preciso acrescentar mais óleo na frigideira, coloque-o nas bordas, bem devagar, pois assim, ele estará quente quando chegar até o alimento.


Para eliminar o cheiro de alho, esfregue as mãos no aço inoxidável da pia antes de lavá-las.


Para evitar que as camadas da cebola se separem, fatie-a sem tirar a raiz. Para caramelizar cebolas em poucos minutos, adicione uma colher (café) de bicarbonato de sódio.


Para extrair mais suco de limões e laranjas, role as frutas sobre uma superfície dura, pressionando-as com a palma da mão, ou aqueça-as no micro-ondas por 30 segundos.


Para evitar que os ovos fritos grudem na frigideira, aqueça o óleo, mergulhe a espátula (de metal) na gordura quente e frite-os até que as bordas fiquem levemente douradas.


Para saber se o óleo está quente, mergulhe a ponta do cabo de uma colher de pau ou um palito de espetinho; quando bolhas se formarem em torno da madeira, pode começar a fritar. Outra maneira consiste em colocar um palito de fósforo dentro da frigideira; quando ele acender, o óleo está no ponto. 


Para obter melhores resultados ao fazer bolos e pães, certifique-se de que os ovos estejam em temperatura ambiente e a manteiga, gelada — a menos que a receita especifique outra coisa.


Para manter bonita a cor dos vegetais, mergulhe-os em água gelada assim que estiverem cozidos, e para evitar que a salada de folhas murche, não a tempere antes de servir; coloque o molho numa cumbuca e deixe que cada comensal tempere sua salada no prato. 


Ponha um pano de prato ou uma toalha de papel úmida sob a tábua de cozinha para evitar que ela se mexa quando você fatiar a carne ou cortar legumes. E se for fatiar bifes, colocar a peça ou pedaço de carne no freezer por cerca de meia hora faz com que ele fique mais fácil de cortar. 


Até a próxima.

sábado, 25 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 99ª PARTE — DE VOLTA AOS BURACOS NEGROS

SE A VIDA É UM BURACO, SÃO PAULO É CHEIO DE VIDA.

Os buracos negros foram previstos no início do século passado e permaneceram no campo das teorias até 2019, quando foram publicadas as imagens que Event Horizon Telescope capturou, dois anos antes, do M87*. 

Indícios de um buraco negro localizado na constelação Cygnus foram observados em 1964, mas não havia uma única imagem direta até as fotos do M87* serem divulgadas, comprovando de forma cabal a existência desses corpos celetstes. 

A existência dos buracos de minhoca ainda não foi comprovada experimentalmente. Acredita-se que eles fiquem nas imediações ou nas profundezas de alguns buracos negros e funcionem como atalhos cósmicos, encurtando a distância entre dois pontos do espaço-tempo — não necessariamente no mesmo universo nem na mesma linha temporal. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Assim como Lula não pode dizer que foi “inocentado” das acusações que o levaram à cadeia no âmbito da Lava-Jato — porque seus processos foram anulado a pretexto de uma questão de competência territorial o ministro Fachin já havia rejeitado pelos menos dez vezes —, Flávio Bolsonaro também não foi “inocentado” das "RACHADINHAS" — até porque ele não chegou sequer foi julgado, também graças a filigranas jurídicas. 

O primogênito do refugo da escória da humanidade considera legítimo que policiais mafiosos se juntem para cobrar de moradores de favelas pelo serviço de segurança pelos quais eles já recebem salário do Estado.. Como no caso das “rachadinhas”, o ex-deputado dos panetone e das mansões de 6 milhões, hoje senador e pré-candidato ao Planalto, negou qualquer relação com milicianos, dizendo-se vítima de “falsas narrativas”. 

Nem o molusco canceroso, nem o filho do golpista. O Brasil clama por um presidente sério, experiente e de reputação ilibada, não por um macróbio ex-condenado por corrupção nem de um "rachadista" desprovido de vergonha na cara e sem experiência administrativa que lhe permita sequer presidir uma assembleia de condomínio da periferia.


Uma hipotética espaçonave que atravessasse um buraco de minhoca levaria alguns segundos para fazer uma viagem que, em linha reta pelo cosmos, demoraria séculos ou milênios, mesmo com a velocidade da luz (1.079.252.848,8 km/h). Por outro lado, considerando que o buraco negro mais próximo descoberto até agora — Gaia BH1 — fica a mais de 15 trilhões de quilômetros, chegar até ele viajando com a velocidade da luz levaria cerca de 1.600 anos. Já com a sonda espacial mais veloz lançada até agora — Parker Solar Probe — que, alcançou 692 mil km/h, a mesma viagem levaria cerca de 2,5 milhões de anos.  


Numa definição simplista, mas adequada aos propósitos desta abordagem, a “gravidade” é uma distorção no espaço-tempo causada por qualquer objeto massivo. Quanto mais massivo for o objeto, maior será sua gravidade. Foguetes e sondas espaciais conseguem vencer o campo gravitacional da Terra e ganhar o espaço sideral, mas a atração exercida pelo horizonte de eventos dos buracos negros é tamanha que nem mesmo a luz consegue escapar. E quanto maior a massa do buraco negro, mais curvado o espaço-tempo e, consequentemente, mais dilatado o tempo propriamente dito.

 

Nas imediações dos buracos negros, os ponteiros dos relógios avançam mais devagar do que a milhares ou milhões de quilômetros de distância. É o que se vê no filme Interestelar: enquanto os astronautas passam um ano nas proximidades de um buraco negro, oitenta anos transcorrem na Terra. 


Em tese, seria possível viajar para o futuro aproximando-se de um buraco negro — mantendo uma distância segura de seu horizonte de eventos — permanecer por lá por um tempo e retornar à Terra em algum momento do futuro. Mas voltar ao passado é bem mais complicado. 

 

Os físicos acreditam que os buracos negros distorcem o tempo a ponto de criar uma curva fechada do tipo tempo, que levaria ao momento em que o buraco negro foi criado. Ou seja, os astronautas entrariam nessa “máquina do tempo” no presente e sairiam no passado. No entanto, se nosso hipotético buraco negro tivesse sido criado depois do período Jurássico, de nada adiantaria entrar por ele para saborear um suculento filé de brontossauro na boa companhia de Fred Flintstone.

 

Entrar em um buraco negro para encontrar o loop temporal implica cruzar o horizonte de eventos e sair dele para chegar ao passado. Para que isso fosse possível, seria preciso viajar mais rápido que a luz, e, até onde se sabe, nada pode superar a velocidade com que os fótons se propagam no vácuo. Além disso, a aproximação do horizonte de eventos causaria um efeito chamado “espaguetificação”, que espirala os átomos do corpo do viajante rumo ao vazio.


Observação: A busca por uma forma de viajar à velocidade da luz ganhou novo fôlego com um artigo científico que propõe uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra" — estrutura teórica que poderia transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. A nova proposta de motor de dobra que redesenha a bolha espaço-temporal reacendeu o debate sobre viagens com a velocidade máxima que qualquer objeto que contenha massa pode se deslocar no espaço. O problema é que a necessidade de energia negativa, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos mantêm a tecnologia limitada por um obstáculo central: a humanidade ainda não sabe produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades de energia negativa.

 

A despeito de haver diversas teorias conspiratórias envolvendo viajantes do tempo, ninguém se deslocou para o passado ou para o futuro e voltou para contar a história. Mesmo assim, saber se tal façanha é ou não possível fascina os cientistas, a exemplo das recentes descobertas de como “quadrar os números” pode livrar as viagens ao passado dos paradoxos. 

 

teoria da relatividade admite a existência de loops de tempo nos quais um evento pode estar tanto no passado quanto no futuro — ou seja, o espaço-tempo pode se adaptar para evitar paradoxos. Imagine um viajante do tempo que retorna ao passado para impedir que uma virose se espalhe. 


Se a missão for bem-sucedida, não haveria nenhuma virose que exigisse a volta do viajante ao passado para eliminar. Talvez o vírus escapasse de outra maneira, por uma rota diferente ou por um método diferente, mas isso removeria o paradoxo. Por outro lado,, independentemente do que o viajante fizesse, a disseminação da doença não seria interrompida. 

 

Esse exemplo aborda processos determinísticos (não-aleatórios) em um número arbitrário de regiões nocontinuumespaço-tempo, e demonstra como as curvas fechadas do tipo tempo podem se encaixar nas regras do livre-arbítrio e da física clássica. 


Outra abordagem admite a possibilidade das viagens no tempo e sustenta que as ações dos viajantes não criam paradoxos (cada resultado ocorre numa linha de tempo diferente, evitando que o “presente” dos viajantes seja alterado). Como a matemática confirma essa possibilidade, essa premissa não é mera ficção científica.

 

Estudos da mecânica quântica sugerem que multiversos paralelos ao nosso podem existir no mesmo espaço-tempo, e que, à medida que se realiza um experimento quântico com diferentes resultados possíveis, cada resultado ocorre em um universo paralelo. Outra teoria sobre o multiverso sustenta que nosso Universo é uma bolha, e que existem inúmeros universos-bolha semelhantes a ele, imersos em um mar energizado e em eterna expansão. Mas vale destacar que nenhuma dessas teorias conseguiu prever com precisão em que tipo de universo estamos inseridos.

 

Dobrar o espaço-tempo para voltar ao passado continua sendo o fruto mais cobiçado — e ainda inalcançado — da “árvore da relatividade”. As máquinas do tempo que os cientistas conceberam até o presente momento existem apenas como cálculos em uma página. Mas não há nada como o tempo para passar, e um dia, quem sabe... 

 

As viagens no tempo são tratadas com ceticismo por boa parte da comunidade científica, mas a história está repleta de exemplos de pioneiros que foram ridicularizados por suas ideias até que o tempo provasse que eles estavam certos. Foi assim com Nicolau Copérnico, que desafiou o geocentrismo, com Joseph Lister, que revolucionou a medicina com a desinfecção, e com Alfred Wegener, que propôs a teoria da deriva continental, entre tantos outros. 


Como teria dito Einstein, "o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário". 


Continua...

sexta-feira, 24 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PSICOTRÔNICA, CONTROLE DA MENTE E EQMs

NA POLÍTICA, BURRICE NÃO É OBSTÁCULO. 

As primeiras pesquisas sobre telepatia, percepção extrassensorial, controle do pensamento e estados alterados de consciência foram reunidas sob o título de “psicotrônica” e se tornaram as precursoras da ciência noética moderna. 


Durante a Guerra Fria, a URSS investiu mais de um bilhão de dólares no estudo do controle da mente e psicovigilância. Ao saber disso, o governo dos EUA iniciou uma série de programas ultrassecretos de pesquisa neuromilitar, mas o fiasco do Stargate rendeu sérias críticas à CIA, que foi acusada de gastar rios de dinheiro em pseudociência para treinar espiões-fantasmas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Durante o namoro e o noivado, é meu bem pra lá e meu bem pra cá. Com o divórcio, a história muda: meus bens pra cá e meus bens pra lá.

Mutatis mutandis, o mesmo raciocínio vale para a política: as campanhas são pavimentadas com promessas que os candidatos sabem que jamais cumprirão. Como observou Bismarck, nunca se mente tanto quanto antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada.

O ceticismo é saudável, mas convém lembrar que há custos eleitorais e institucionais reais para quem quebra promessas sistematicamente. A desonestidade política não é lei da natureza; é, muitas vezes, escolha.

Romeu Zema foi além dos seus interesses eleitoreiros ao divulgar um vídeo satírico contra ministros do STF. O problema não é a crítica à corte — essa é legítima, necessária e constitucionalmente protegida. O problema é que o ataque ultrapassou a instituição e atingiu Gilmar Mendes e Dias Toffoli como pessoas.

Essa distinção importa: figuras públicas no exercício do poder têm o limiar de proteção à honra deliberadamente elevado, justamente para não sufocar o debate democrático. Mas esse limiar existe — e, segundo a avaliação jurídica do episódio, pode ter sido cruzado. No esforço de crescer na corrida presidencial com retórica anti-Supremo, Zema pode ter levado sua fala às fronteiras da criminalidade, não por criticar a corte, mas por ofender pessoalmente dois de seus membros.

A crítica mais substancial, porém, recai sobre o inquérito das fake news, que foi "desvirtuado" ao longo dos anos e passou a abrigar casos sem relação direta com seu objetivo original. Os números falam por si: sete anos de duração, escopo progressivamente ampliado e relatoria nas mãos de Xandão — um ministro diretamente mencionado em parte dos episódios investigados.

Um inquérito conduzido pelo próprio tribunal para proteger seus membros cria um conflito de interesses estrutural que é difícil de defender, independentemente da posição política de quem o aponta. O STF existe para conduzir inquéritos, mas também para encerrá-los. Manter indefinidamente um instrumento jurídico multiuso, acionado de forma seletiva para apaziguar aflições internas da corte, não é exercício de jurisdição — é exercício de poder sem freios adequados.

A independência do STF é um valor constitucional inegociável. Mas ela não imuniza a instituição de críticas sobre seus próprios procedimentos. Confundir a defesa legítima da corte com a blindagem de comportamentos questionáveis de seus membros — ou, no sentido oposto, confundir a crítica aos ministros com ataque ao Estado de Direito — é o equívoco que alimenta tanto o populismo anti-institucional quanto o corporativismo judicial.

O debate brasileiro ganharia em qualidade se aprendesse a separar essas camadas.


Afirmar que as experiências de quase morte resultam do aumento da atividade cerebral nos últimos instantes de vida é fácil. O difícil é explicar como alguém que esteve clinicamente morto consegue lembrar como é estar morto. 


No livro Apagar a Morte, o médico e professor Sam Parnia escreve que um paciente que havia sofrido uma parada cardíaca descreveu com exatidão o trabalho dos médicos e enfermeiros e disse que foi submetido duas vezes ao choque dos desfibriladores — exatamente o número de tentativas feitas para ressuscitá-lo, embora ele não tivesse como saber disso porque seu cérebro estava inativo.


Em "The Spiritual Doorway in the Brain", o neurologista Kevin Nelson anota que os limites entre os estágios da consciência são tênues, e as fronteiras entre vigília, sono REM e sono não-REM, tão difusas que em momentos de crise o sono invade a vigília e causa os efeitos descritos nas EQMs, como se o cérebro acionasse um interruptor. Em Ciência da Vida Após a Morte, os autores abordam evidências científicas sobre a consciência após a morte, incluindo a mediunidade, as EQMs e a reencarnação. Vale assistir também a esta entrevista com o autor de Death is but a dream.


Desmaios podem desencadear EQMs, já que a sensação de perigo altera a pressão sanguínea nos olhos, deixa a visão borrada nas bordas e cria a impressão de que há um túnel com luzes. Já a sensação de "sair do corpo" pode ser explicada pelo "desligamento" da região cerebral responsável pela percepção espacial — quando a pessoa entra em REM, o cérebro ativa o mesmo mecanismo que produz os sonhos, o que explica as alucinações.


Continua... 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 98ª PARTE — AINDA SOBRE PARADOXOS

TIME IS THE FIRE IN WHICH WE BURN 

A possibilidade de revisitar o passado continua a fascinar cientistas e leigos, tanto pelo apelo quase mítico da ideia, quanto pelos dilemas lógicos que ela impõe.


Os maiores óbices são os paradoxos — como o célebre paradoxo do avô, no qual uma ação no passado elimina as condições que tornaram possível a própria viagem no tempo. Ainda assim, o estudante de física Germain Tobar, da Universidade de Queensland, na Austrália, propôs uma maneira de “quadrar os números” e tornar a viagem ao passado logicamente viável sem recorrer a universos paralelos ou a remendos conceituais ad hoc.


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A economia brasileira cresceu acima dos 3% por três anos seguidos, até 2024. Em 2025, o crescimento foi menor — 2,3% — mas houve ganhos reais da renda do trabalho ao longo de todo o período, e a taxa de desemprego permaneceu em níveis historicamente baixos. Mesmo assim, a popularidade de Lula permanece no vermelho: segundo o Datafolha, dois em cada três brasileiros (67%) têm algum tipo de dívida financeira, como empréstimos, e a inadimplência atinge 21% da população. Esse cenário foi confirmado pela Quaest: 29% dos eleitores disseram ter muitas dívidas e 43% poucas dívidas. Juntos, os endividados somaram 72%. O endividamento corrói a sensação de bem-estar do eleitor e se reflete no cotidiano das famílias, mas o acúmulo de dívidas, impulsionado pela pandemia, compôs a herança da gestão Bolsonaro: seis meses depois do seu retorno ao Planalto, Lula lançou o programa Desenrola, que visa refinanciar dívidas de até R$ 5 mil. No entanto, aqueles que contornaram o problema contraíram novas dívidas. Tampouco a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil resultou em dividendos eleitorais para o macróbio, lançando dúvidas sobre o efeito político da escala 5X2 de trabalho, em discussão na Câmara. A mesma dúvida recai sobre o novo programa de renegociação de dívidas projetado pelo governo ou a previsão de saques extraordinários no FGTS. Candidato ao quarto mandato, o xamã do partido dos trabalhadores que não trabalham combina as medidas de socorro às famílias com disparos contra o próprio pé. A compulsão consumista foi confirmada pelo Datafolha: 68% dos eleitores ouvidos pelo instituto concordaram com a afirmação de que as ofertas de crédito pelo celular ou pela internet facilitam muito o endividamento por impulso. Mas culpar a população pelo problema é um desabafo que não resolve as aflições do candidato. Atônito, o molusco amarga nas projeções de segundo turno um empate técnico com o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias, que sequer tem plano de governo. Considerando-se que a guerra no Oriente Médio eleva os preços dos alimentos, desafiando o controle da inflação da cesta básica, o melhor para o candidato à reeleição seria levar a língua no cabresto. Ou enfiá-la no… ouvido.


Segundo Tobar, conhecer o estado completo de um sistema em um determinado instante basta para determinar toda a sua história, passada e futura. Essa abordagem parte da ideia de que as leis da física, quando formuladas de maneira consistente, não permitem estados contraditórios do Universo — mesmo na presença de viagens temporais.


A relatividade geral de Einstein, por sua vez, prevê a existência das chamadas curvas fechadas do tipo tempo — trajetórias no espaço-tempo que permitem a um evento estar tanto no passado quanto no futuro de si mesmo. Em tese, essas estruturas viabilizam uma viagem de volta ao passado, mas a questão é que elas parecem abrir caminho para paradoxos insolúveis. 


Imagine, por exemplo, um viajante retornando ao passado para impedir que uma doença se espalhe. Se a missão fosse bem-sucedida, ele não teria motivos para viajar ao passado, já que a doença não existiria — um impasse lógico clássico. O trabalho de Tobar sugere uma solução elegante: a doença inevitavelmente escaparia por outra rota, vetor ou circunstância ainda não considerada, eliminando o paradoxo. 


Em outras palavras, por mais que o viajante tentasse alterar o passado, os eventos se organizariam de modo a preservar a consistência global do espaço-tempo. A doença não seria evitada; apenas mudaria a forma pela qual se manifesta, e o passado permaneceria “flexível” nos detalhes, porém rígido no resultado.


Embora não seja palatável para os não-matemáticos, esse modelo demonstra como processos determinísticos — sem qualquer elemento de aleatoriedade — podem influenciar um número arbitrário de regiões no continuum espaço-tempo. Assim, as curvas fechadas do tipo tempo conseguem coexistir tanto com a física clássica quanto com uma noção operacional de livre-arbítrio: o viajante faz escolhas, mas essas escolhas nunca levam a contradições.


“A matemática confirma, e os resultados parecem coisa de ficção científica”, afirma o físico Fábio Costa, que supervisionou a pesquisa. Segundo ele, as ações dos viajantes do tempo não resultariam em paradoxos, ainda que, por enquanto, dobrar o espaço-tempo só seja possível nas equações — construções abstratas que existem apenas como cálculos em uma página.


Ainda segundo Costa, por mais que se tente criar um paradoxo, os eventos sempre vão se ajustar, evitando qualquer inconsistência. A gama de processos matemáticos que descobrimos mostra que a viagem no tempo com livre-arbítrio é logicamente possível em nosso Universo, sem nenhum paradoxo.”


A proposta não garante que viajar ao passado seja tecnologicamente viável, mas sugere algo igualmente provocador: talvez o maior obstáculo às viagens no tempo não seja a física, e sim a nossa intuição — treinada para enxergar o tempo como uma estrada de mão única, quando ele pode ser, ao menos matematicamente, um labirinto que se rearranja para nunca se contradizer.


Continua…