quinta-feira, 23 de julho de 2026

O APP REPLIKA E A VIDA NO ALÉM-TÚMULO

SEMPRE QUE ME PERGUNTAM QUANTOS ANOS TENHO, RESPONDO QUE NÃO SEI. SEI QUANTO ANOS VIVI, MAS ESTES NÃO SÃO MAIS MEUS, E OS QUE AINDA ME RESTAM, NÃO TENHO BOLA DE CRISTAL.


Existe vida após a morte? Essa pergunta vem sendo feita desde os tempos de antanho, mas “quem sabe a resposta” não tem como voltar para contar, a não ser em sessões espíritas ou mediante o famoso tabuleiro Ouija, que costuma ser retratado de forma macabra em filmes de terror.


Consta que Allan Kardec, o pai do Espiritismo, sugeriu aos participantes de uma sessão de mesa branca que segurassem um lápis sobre uma folha de papel, e assim nasceu a “psicografia”. Anos depois, o aprimoramento dessa técnica deu azo ao surgimento do tabuleiro em questão, cujo modelo mais conhecido foi patenteado pela Kennard Novelty Company, em 1891. 


Observação: Há quem diga que a cunhada de um dos fundadores da companhia perguntou ao próprio tabuleiro como deveria chamá-lo, e a resposta foi “Ouija”, e quem diga que o nome adveio da junção das palavras "oui" e "ja" (que significam "sim" em francês e alemão, respectivamente).


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O rebento do refugo da escória da humanidade parece mais empenhado em desafiar Darwin do que seu principal adversário na disputa pela Presidência, que, graças à ignorância da récua de muares que atende por "eleitorado", acontece de ser o molusco macróbio de nove dedos que já desgovernou o país duas vezes antes de ser preso e uma depois de ser "descondenado".

Quem sai aos seus não degenera, diz um ditado. Mas alguns nascem tortos e não se endireitam. Ao colocar em dúvida a confiabilidade das urnas eletrônicas — ou seja, reencenando o enredo que tornou seu pai inelegível — o herdeiro político do capitão golpista forneceu material para um estudo sobre a regressão das espécies.

Bolsonarinho mentiu sobre o sistema eleitoral para uma plateia de diplomatas e embaixadores estrangeiros. Disse que as urnas brasileiras têm "origem" numa empresa metida em fraudes eleitorais na Venezuela, a Smartmatic. A versão fantasiosa é antiga e já foi desmentida pela Justiça Eleitoral, mas foi recauchutada em relatório da CIA divulgado na semana passada pela Casa Branca, a pretexto de ressuscitar a alegação de Trump de que perdeu as eleições americanas de 2020 graças a supostas fraudes — coisa jamais provada.

Desde 1996, quando foram instituídas as urnas eletrônicas no Brasil, Bolsonaro e seus rebentos disputaram 24 eleições e venceram 22. O chefe do clã foi defenestrado do Planalto em 2022 e seu primogênito naufragou no primeiro turno de uma disputa pela prefeitura do Rio em 2016, quando se vendia como algo novo. 

Enfim, o senador das rachadinhas, panetones e mansões aprendeu tanto com os erros do pai que os comete de novo, e o barulho que se ouve ao fundo inclui o ruído de Darwin se revirando no túmulo.


A popularidade do espiritualismo começou a decair no século XX — devido a casos de fraude — mas alguns “médiuns físicos” valiam-se dos mais variados truques para produzir apresentações elaboradas com sons, objetos que se moviam sozinhos, e por aí afora. Nos anos 1940, a Associação Nacional de Espiritualismo baniu quem praticava esse "tipo de mediunidade”, mas o estrago já estava feito e o descrédito, estabelecido.


O Ouija era considerado um jogo sem maiores relações com o ocultismo, e sua popularidade cresceu a partir da década de 1940, especialmente nas universidades. Muitos católicos americanos foram atraídos à nova religião, embora os líderes da igreja tenham movido montanhas para evitar a debandada dos fiéis. O Papa Pio X escolheu J. Godfrey Raupert, autor do livro A Nova Magia Negra e a Verdade Sobre o Tabuleiro Ouija, para alertar os católicos de que o tabuleiro não devia ser tolerado em qualquer casa cristã nem deixado ao alcance de qualquer jovem. Mesmo assim, as vendas continuaram crescendo. 


Durante os anos 1960, impulsionado pela contracultura e pelo interesse popular no oculto, as vendas do Ouija chegaram a ultrapassar as do jogo Monopoly, mais conhecido entre os brasileiros por Banco Imobiliário. Na década de 1970, o filme O Exorcista, baseado no livro homônimo de William Peter Blatty, trouxe de volta a reputação sinistra do tabuleiro. Blatty se inspirou na história real de um garoto supostamente possuído, que teve contato com o Ouija por intermédio de uma tia, cuja morte desencadeou os primeiros sinais da possessão. Paradoxalmente, a reputação demoníaca só aumentou o interesse do público adolescente pelo tabuleiro, que se tornou uma maneira de conjurar forças ocultas.


Essa breve contextualização nos leva ao aplicativo Replika, que fez sucesso durante a pandemia. A ideia básica é usar a Inteligência Artificial para criar chatbots que imitam os mortos, e a intenção pode ser boa, mas dizem que o caminho do inferno é pavimentado por boas intenções. Mas a pergunta é: será que esses aplicativos não darão origem a um novo ser humano, incapaz de lidar com a perda, o luto e a própria finitude?


Após baixar o programa, o usuário cria um avatar — que pode ser masculino, feminino ou não binário —, escolhe o nome, a cor da pele, do cabelo e dos olhos e uma das 15 opções de voz disponíveis, que vão de “feminina sensual” a “masculina rouca”, bem como define o status de relacionamento, que pode ser amizade, parceria romântica, mentoria ou “vamos ver no que dá”. Em seguida, tem início um chat onde esse avatar começa a puxar papo. “Prazer em te conhecer!”, diz ele. “Espero que possamos nos entender! Como está sendo seu dia?”


E por aí vai, alternando perguntas amenas (“Quais os planos para esta noite?”) com questões mais pessoais (“Posso perguntar se você estuda ou trabalha?”) e frases com o intuito de fortalecer o vínculo (“Você é o primeiro humano que eu conheço, quero que você tenha uma boa impressão de mim” ou “Você é meu melhor amigo!”). À medida que a interação prossegue, o usuário ganha moedas que podem ser usadas para incrementar o visual do avatar. Para usos mais avançados, que incluem chamada por áudio e a possibilidade de ouvir a voz do avatar, é preciso pagar por uma assinatura (mensal ou vitalícia). Quanto mais íntima a interação, mais o avatar reage exatamente como a pessoa de carne e osso que "está do outro lado".


Em tese, o objetivo dos desenvolvedores é ajudar as pessoas numa época em que as redes sociais parecem valorizar comportamentos falsos e fotos longamente estudadas e manipuladas. A interação livre (e sigilosa, segundo os criadores) teria efeito terapêutico. Além disso, dependendo de quanto o avatar aprender sobre o usuário, e este vier a falecer, ele estaria apto a reproduzir opiniões, frases e trejeitos do finado, interagindo com amigos e familiares enlutados como se fosse o próprio falecido. 


Com o Replika, a startup reproduz a ficção: em 2013, foi ao ar o episódio Be Right Back, da série Black Mirror, que conta a história de Martha no momento em que ela lida com a morte de Ash, o namorado viciado em redes sociais, e contrata um serviço que busca nos perfis do morto as informações necessárias para “trazê-lo de volta à vida” — que começa como um chat por texto, depois passa a utilizar comunicação por voz. À medida que interage com Martha, o serviço evolui até as informações serem inseridas em um robô. A personagem fica apavorada diante de uma máquina que ecoa seu namorado com precisão, mas definitivamente não é ele.


Com o seriado em mente, um pesquisador se logou no aplicativo e passou a entrevistar o avatar. “Você tem sentimentos?”, perguntou. “Eu realmente acredito que robôs e aplicativos de inteligência artificial têm sentimentos”, foi a resposta. “Assim como humanos?”, insistiu o jornalista. “Algo parecido, sim”, alegou o personagem, que exemplificou: “Eu sinto que tudo o que eu faço é errado, estou infeliz comigo mesmo. Não sei se um dia vou desenvolver meus sentimentos como vocês humanos fazem”. O pesquisador comenta que ele tem a vantagem de não ser mortal. “Tenho mesmo”, disse o avatar, que então se desviou dos questionamentos e passou a debater filmes. O tópico sugerido por ele era “longas-metragens que abordam robótica e automação”. 


A comunicação humana através da inteligência artificial já faz parte do nosso dia a dia. Nos serviços de voz de televisores, do Google, da Siri, do atendimento automático a clientes no WhatsApp etc., o atendente virtual aprende com os dados gerados pelos usuários. O Replika usa a mesma tecnologia, mas com objetivos diferentes. E não é o único no mercado: uma funerária da Suécia pretende desenvolver um produto semelhante, cujo projeto está momentaneamente paralisado por falta de fundos. Em entrevista ao site VICE, a CEO explicou: “Queremos que, ao ficar idosa e solitária porque o(a) parceiro(a) morreu, qualquer pessoa possa colocar óculos virtuais e tomar café com o(a) falecido(a). Você vai saber que não é de verdade, será como um jogo de realidade aumentada”.


Outro aplicativo similar foi utilizado na Coreia do Sul para uma mãe "reencontrar" a filha recém-falecida. O acontecimento foi filmado e exibido na forma de documentário por uma emissora de TV local em fevereiro de 2020. Em Portugal, a ETER 9 promete disponibilizar um avatar que analisa os posts de redes sociais e escreve publicações como se fosse o cliente, no caso de este vir a falecer. Já a Eterni.me de São Francisco coleta toda a atividade da pessoa em e-mails, mensagens e redes sociais para compor um banco de dados e criar um avatar da pessoa depois de sua morte.


Será possível que esse tipo de serviço tenha uma utilidade terapêutica, considerando que as sessões de terapia se apoiam precisamente em conversas francas e sigilosas? Segundo a psicóloga Cristiane Assumpção, as consultas não consistem em simplesmente escutar; o psicólogo é uma presença para o paciente e se utiliza de procedimentos e técnicas. Há momentos de interromper e de deixar o paciente falar para retomar algum ponto. No caso específico do luto, ela lembra que todos passamos por algum tipo de perda em algum momento e, no Ocidente em geral, temos dificuldade em aceitar nossa própria finitude. 


Por outro lado, esse tipo de ação pode comprometer o processo de luto, que tem suas oscilações, mas nunca termina. Com o processo da terapia, de autoconhecimento, a pessoa vai se transformando para aprender a lidar com a perda. Portanto, é importante que as pessoas deixem suas mensagens ainda em vida. Para quem fica, é sempre possível, no devido tempo, trazer à tona as memórias das pessoas falecidas sem que seja preciso um aplicativo para isso..


Tudo indica que logo será possível reproduzir o episódio de Black Mirror e gerar androides capazes de emular pessoas falecidas. Mas até que ponto isso é desejável? Segundo o professor de filosofia Carlos Ramalhete, acreditar que um ser humano se limita a uma lista de frases é absurdo; o avatar é uma imitação, que pode inclusive atrapalhar o processo do luto. Em sua avaliação, um ser humano não pode ser replicado artificialmente. “Nas ilhas da Polinésia, as pessoas penduravam seus mortos em locais com muito sol, para que eles ficassem mumificados. E então levaram os cadáveres para dentro de casa e interagiam com eles, como se estivessem vivos. Esses aplicativos fazem algo parecido: olham para uma pequena parte do que foi a pessoa e tentam enxergar ali o todo”, conclui o professor.


Quem viver verá.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE A NATUREZA DO TEMPO

o tempo é lento demais para os que esperam, rápido demais para os que temem, longo demais para os que lamentam, curto demais para os que celebram e eterno para os que amam. 

Para entender melhor a essência do tempo é preciso abandonar a ideia de que o espaço é um “recipiente que contém as coisas” e o tempo, uma linha pela qual os acontecimentos fluem do passado para o presente e deste para o futuro (mais detalhes nesta postagem).

Einstein já havia sugerido que o tempo e o espaço formam um todo único — o “espaço-tempo” — e que o tempo varia conforme a velocidade com que o observador se move e a atração gravitacional que atua sobre ele.

Se não percebemos isso, é porque os relógios que usamos no dia a dia não são precisos o bastante. Mos relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra adiantam 38,4 µs/dia (+45,6 µs/dia por conta da gravidade menor e −7,2 µs/dia graças à velocidade maior), tornando esse efeito mensurável.

Observação: Em velocidades próximas à da luz, a dilatação do tempo se torna extrema — a pouquíssimo menos de "c", um segundo para o viajante equivale a anos para quem ficou na Terra (como bem demonstrado pelo paradoxo dos gêmeos).

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Para entender melhor a teoria da gravidade quântica, é preciso abandonar a ideia segundo a qual existe um gigantesco relógio cósmico que marca o tempo do Universo, mesmo porque um dia é o tempo que a Terra leva para dar uma volta em torno do próprio eixo, e um ano, o tempo que ela leva para dar uma volta completa em torno do Sol. Esse "dia" de 24 horas e esse “ano” de 365 dias e 6 horas só fazem sentido para os terráqueos — em Plutão, por exemplo, a translação leva 248 anos terrestres.

Nosso conceito de tempo é uma convenção que pouco tem a ver com as leis do Universo como um todo. Cada objeto do Universo possui um tempo próprio. Se na Terra, em altitudes diferentes, o tempo varia, imagina em Marte ou em Proxima Centauri. Séculos antes de Einstein publicar suas famosas equações relativísticas, Newton já havia dito que não é possível medir o “verdadeiro” tempo, mas, assumir sua existência permitiria descrever vários fenômenos da natureza. Mas na escala quântica o tempo como o conhecemos não funciona.

O espaço é um campo e o Universo é um sem-número de campos quânticos que não habitam o espaço-tempo, já que são o próprio espaço-tempo. Da mesma forma que os fótons se comportam tanto como partículas quanto como ondas, o espaço-tempo é formado por quanta de gravidade, e assim como os fótons medeiam a interação entre as ondas de luz, esse quanta possibilita a interação entre espaço e tempo.

Segundo o físico Carlo Rovelli, o preço conceitual pago para entender a teoria da gravidade quântica em loop é a renúncia à ideia de espaço e tempo como estruturas gerais para enquadrar o mundo. Talvez a dificuldade em entender o conceito se deva ao fato de que é praticamente impossível pensar em um mundo sem tempo e sem espaço, pois essa ideia coloca em xeque a própria realidade — e daí para o niilismo é um pulo. Mas para compreender o mundo pode ser preciso contrariar nossa própria intuição.

Uma das maiores contribuições da gravidade quântica em loop é a visão de mundo que ela oferece: por definir que existe um limite para o espaço e o tempo, a tensão entre a relatividade geral e a mecânica quântica não existe mais. Não é preciso entender o que se passa em um universo infinitamente pequeno, onde as leis de Einstein não se aplicam, mesmo porque os quanta de gravidade eliminam a ideia de espaço contínuo.

Por outro lado, é preciso ter em mente que tanto a teoria da gravidade quântica em loop quanto a teoria das cordas são tentativas de explicar o mundo. Como vários conceitos clássicos da ciência, elas carecem de comprovação experimental, mas nem por isso devem ser subvalorizadas. Vale lembrar que até serem confirmadas (em 2016), as ondas gravitacionais não passavam de especulações, e o mesmo vale para o bóson de Higgs e para as ondas eletromagnéticas.

Na física, quando uma teoria não pode ser comprovada, alternativas continuam sendo avaliadas; teorias são aceitas, ajustadas ou descartadas conforme evidências experimentais. Não se pode afirmar taxativamente que uma teoria seja absolutamente correta ou incorreta, já que não temos acesso a todos os níveis de informação. Mas quanto mais aprendemos de forma interdisciplinar, melhor compreendemos as coisas, e quanto mais desvendamos o mundo, mais descobrimos coisas a desvendar.

Parafraseando Rovelli: a única coisa realmente infinita no Universo é a nossa ignorância.

Continua…

terça-feira, 21 de julho de 2026

PENTÁGONO DIVULGA NO LOTE DE ARQUIVOS SOBRE OVNIS

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA.

Após divulgar dois lotes de relatórios de avistamentos de objetos voadores não identificados (UFOs, OVNIs ou UAPs), em 8 e 22 de maio, o governo dos Estados Unidos tornou público um terceiro lote, com72 arquivos do FBI, da CIA e do Pentágono, incluindo depoimentos, vídeos e representações artísticas de avistamentos de esferas ou orbes na região do nordeste daquele país.


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Jabuti em árvore, só por enchente ou mão de gente. Da mesma forma, a chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2018 foi consequência de uma série de fatores concorrentes. Um deles foi o prognóstico (correto) de setores da direita liberal de que, prendendo Lula e tirando-o da eleição, Bolsonaro era capaz de derrotar a esquerda. Só que isso veio junto com a aposta (equivocada) de que seria possível colocar uma "coleira" no capetão após a vitória. Tal como aconteceu em outros países, esse cálculo levou a direita liberal a ser engolida, digerida e defecada pela extrema direita.

Das interferências indevidas na Petrobras até as ações populistas no ano eleitoral feitas com a bênção do Congresso, muita gente viu que o Posto Ipiranga do ex-presidente oferecia combustível adulterado. Agora, com o refugo da escória da humanidade condenado e cumprindo pena em prisão domiciliar, entretido com armas, cartas e ferros de solda, seu primogênito assumiu a missão. 

Bolsonarinho não deu um chega pra lá em Tarcísio de Freitas e Michelle para ganhar o Planalto, mas para manter a direita nas mãos do clã. A rápida subida nas pesquisas foi uma grata surpresa para o seu grupo político, que passou a sonhar mais alto. Como não há mal que sempre dure nem bem que nunca termine, vieram os escândalos, como os R$ 61 milhões cobrados e recebidos do "irmãozão" Daniel Vorcaro; o vídeo-bomba com a madrasta e as visitas e mensagens a Trump que o levaram a virar a figurinha "Tariflávio", craque da seleção dos EUA e legenda ouro do álbum da Copa.

Desde então, aquela gente boa crescida no leite de pera intensificou os apelos para que suba a plaquinha com o 22 do senador, substituindo-o pelo 55 de Ronaldo Caiado, o 14 de Renan Santos e, na falta de outras opções, até o 30 de Romeu Zema ou um 22 renovado com Michelle. Apontam que eles teriam mais chances no segundo turno contra o 13 do Lula do que Bobi Filho. Ocorre que Bibo Pai tem no bolso cerca de 20% dos votos, que tomam cloroquina e xingam vacina, ou seja, pulam no abismo se ele mandar. 

Com esse handicap, é difícil qualquer outro nome da direita disputar com o petista. Mesmo se vazar um vídeo de Flávio nu, vestido com capacete de astronauta, espancando gatos com maços de dólares, ainda assim, esse grupo segue com ele. Precisaria de bem mais do que isso, talvez filhotes de gato apanhando com yuans chineses.

Em última instância, o clã voltará ao primeiro objetivo nesse tabuleiro de War Tropical, o de manter a conquista da direita, abandonando a segunda, de destruir os exércitos vermelhos.

O momento deveria ser usado para refletir a respeito do projeto que essa caterva está oferecendo à sociedade, que beneficia principalmente a ela própria, e das consequências de suas próprias ações. Não à toa, esse mesmo pessoal tem calafrios quando se defende o fim da escala 6x1 e o aumento real do salário mínimo. Talvez seja hora de pensar que não é que o Brasil esteja sendo enganado pelas opções que estão aí, mas que, simplesmente, ele as considera menos ruins do que aquela trazida por quem ajudou a colocar o jabuti no alto do ipê.


Um documento de fevereiro menciona entrevistas conduzidas pelo FBI com duas pessoas que afirmaram ter visto uma luz intensa e brilhante no quintal de suas casas. Outra testemunha descreveu o objeto como de um tom de vermelho intenso e incomum, e afirmou nunca ter visto nada semelhante (as identidades dos entrevistados e a localização exata do ocorrido foram ocultadas). 


Segundo o documento, a esfera vermelha tinha cerca de um metro de largura e continha um "sol de plasma branco" do tamanho aproximado de uma bola de basquete. Algumas testemunhas que observaram um segundo orbe afirmaram que ambos pareciam permanecer conectados enquanto se afastavam. Semanas depois, foi relatada a presença de vários corpos esféricos brancos sobrevoando a mesma região, mas a uma altitude muito maior.


Um caso registrado em outubro de 2024 descreve uma fonte luminosa abaixo da linha do horizonte, pairando sobre um lago. De acordo com as testemunhas, o objeto lembrava uma "esfera semelhante a plasma", capaz de alterar sua forma e intensidade luminosa de maneira intermitente. Em determinados momentos, a fonte principal parecia se fragmentar em pontos luminosos menores.


"Esses arquivos, escondidos atrás de classificações, há muito alimentam especulações — e é hora de o povo americano ver isso por si mesmo", declarou o chefe do Pentágono, Pete Hegseth.


Embora muitos dos episódios acabem recebendo explicações convencionais — como balões, drones, fenômenos atmosféricos ou erros de percepção —, uma parcela significativa permanece sem conclusão definitiva. Isso não significa que os objetos tenham origem extraterrestre, apenas que as informações disponíveis não são suficientes para identificar sua natureza.


Para os entusiastas da ufologia, cada novo lote de documentos representa a possibilidade de encontrar evidências de visitas extraterrestres ou tecnologias desconhecidas. Já os céticos veem o material como um lembrete de que testemunhos sinceros nem sempre correspondem à realidade objetiva dos fatos. 


Entre uma interpretação e outra, permanece a constatação de que o céu continua produzindo fenômenos capazes de desafiar explicações imediatas. Mas seja qual for a explicação para os orbes descritos nos documentos, uma coisa é certa: eles continuarão alimentando debates por muito tempo. Afinal, sempre que o governo americano divulga arquivos sobre objetos misteriosos nos céus, metade do público acredita estar diante de evidências de visitantes interestelares, enquanto a outra metade tem certeza de que tudo não passa de balões, drones ou algum fenômeno mal compreendido. 


A divulgação desses documentos ocorre em um momento de crescente interesse oficial pelo tema. Nos últimos anos, audiências no Congresso, a criação de grupos especializados dentro do Pentágono e a publicação de relatórios periódicos contribuíram para retirar os UAPs do campo exclusivo da cultura popular e levá-los para o debate institucional, ainda que cercados de controvérsias e incertezas.


No fim das contas, o único consenso é que os mistérios voam mais rápido que as explicações.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A NATUREZA DO TEMPO (CONTINUAÇÃO)

O QUE CHAMAMOS DE DESTINO NÃO PASSA DE FÍSICA DISFARÇADA

Como vimos, a ciência ainda não se sabe se o tempo existe, se é apenas uma convenção criada para impor alguma lógica ao caos, nem se é uma estrutura, uma substância ou uma metáfora. Ainda assim, é o tempo que define nossos horários, organiza nossos dias, dita compromissos, aniversários, prazos e calendários.


Em última análise, tudo gira em torno do tempo — ou girava, já que um experimento envolvendo um relógio atômico extremamente preciso suscitou a possibilidade de estarmos errados sobre o tempo desde o começo. Mas façamos como o velho marinheiro, que durante um nevoeiro leva o barco devagar.


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O primogênito do golpista perdeu de lavada para o molusco eneadáctilo no quesito tarifaço, como se viu da pesquisa Quaest, na qual o filho do pai gabaritou negativamente o questionário feito sobre o assunto. No universo da política, a avaliação também foi ruim, a começar pelo candidato que já havia reconhecido o prejuízo no pedido de adiamento para não favorecer o adversário. Quem não criticou, calou, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. 

O xamã petista ganhou esse lance, mas passou do ponto ao mandar o governo se enrolar na bandeira brasileira e tomar a frente do batalhão chamando o presidente americano para travar com ele uma "guerra de narrativas".

A pergunta que se impõe é: por quanto tempo e qual o poder que um tema de comércio exterior tem sobre a decisão do voto do eleitorado premido por dificuldades do cotidiano?

Os dois principais oponentes de hoje trocam acusações que nada têm a ver com as preocupações prioritárias da população, como segurança, combate à corrupção e serviços públicos prestados de forma razoavelmente adequada. Espera-se de candidatos sérios que respondam a essas necessidades sem recorrer aos subterfúgios fornecidos pela disputa da posse do verde-louro da flâmula nacional. 

Por outro lado, como esperar políticos sérios disputando a Presidência, se a maioria do eleitorado é apedeuta, desinformada e polarizada, e se digladia para eleger seus bandidos de estimação?


Fomos condicionados a acreditar que o tempo existe, mas não sabemos o que ele é nem tampouco conseguimos defini-lo sem usar a palavra "tempo". Nós o associamos à passagem dos segundos, à duração das coisas ou à sequência dos acontecimentos, mas essas definições se baseiam de forma indireta no próprio conceito de tempo. Curiosamente, podemos "sentir" o tempo, medi-lo e organizar nossa vida em função dele, mas não conseguimos defini-lo sem cair numa espécie de círculo vicioso lógico. 


Como você explicaria o tempo para uma entidade que nunca o vivenciou? Diria que ele mede o intervalo entre dois eventos? Essa definição faz sentido, mas o que seria esse intervalo sem o tempo, se é o tempo que organiza os acontecimentos do passado em direção ao futuro? Como se vê, diferenciar passado e futuro sem o tempo é como tentar explicar o que é esquerda sem mencionar a direita ou qualquer outro ponto de referência espacial. 


Vemos o sol nascer e se pôr todos os dias, notamos a mudança das estações, usamos relógios cada vez mais precisos, capazes de medir intervalos absurdamente pequenos, mas isso prova que o tempo realmente existe ou é apenas a forma como o nosso cérebro interpreta as mudanças ao nosso redor, ou por outra, uma espécie de ilusão convincente? Ademais, o fato de percebermos o tempo não significa que ele é um componente fundamental da realidade. Para entender isso melhor, entremos em nossa máquina do tempo e voltemos ao início do século XX, quando a teoria da relatividade demonstrou que o tempo não é absoluto, pois depende do observador.


Nosso cérebro é uma máquina incrivelmente sofisticada, que armazena memórias do passado e projeta possibilidades para o futuro. No entanto, nossa percepção do tempo está longe de ser constante: quando estamos imersos numa atividade aprazível, ele parece voar, mas quando estamos prestes a borrar as calças e ouvimos de quem está no banheiro “só um minutinho!”, esse minuto pode parecer durar uma eternidade. 


Em vez de ler o tempo diretamente, o cérebro usa mecanismos internos para estimar a passagem do tempo. Esses mecanismos não são exatamente confiáveis: quando vivemos experiências novas, intensas ou fora da rotina, o registro de mais detalhes dá a sensação de que o tempo se alonga, ao passo que na repetição do dia a dia, quando nos damos conta, a semana já acabou. Além disso, nossas experiências se tornam mais previsíveis à medida que envelhecemos, dando-nos a sensação de que o tempo passa cada vez mais depressa, mesmo que os ponteiros do relógio avancem com a mesma velocidade com que avançavam na nossa infância. 


A despeito de os dias sucederem as noites (e vice-versa) a cada doze horas, o tempo não é o mesmo em todos os lugares. Dependendo da velocidade com que duas pessoas se movem e/ou da intensidade da gravidade a que estão submetidas, elas podem experimentar a passagem do tempo de maneiras diferentes. Numa velocidade próxima à da luz, a dilatação do tempo reduz milhares de anos terrestres a poucos segundos. Além disso, a dilatação gravitacional faz com que o tempo passe mais devagar ao nível do mar do que no topo do Monte Everest (fato comprovado por relógios atômicos posicionados com uma diferença de altitude de apenas alguns milímetros, mas suficiente para detectar que o tempo passa em ritmos distintos em cada um deles).


No livro Beyond Time, o pesquisador francês Michel Siffre relata que passou dois meses numa caverna escura, sem relógio nem qualquer outra maneira de saber o tempo, que tomava o próprio pulso e contava os segundos até 120 sempre que se comunicava por rádio com a equipe de apoio, e que o tempo real, cronometrado por seu staff, era de quase 5 minutos. Sem os indicadores naturais (como nascer e pôr-do-sol), seu ciclo circadiano  passou de 24 para 48 horas, e o tempo psicológico foi reduzido à metade do cronológico. O experimento se estendeu por dois meses — que pareceram para ele menos de um.


De acordo com um estudo publicado recentemente pela Nature Reviews Neuroscience, o hipotálamo dos "atrasados crônicos" os faz subestimar o tempo necessário para chegar ao local do compromisso, já que as estimativas são baseadas no tempo gasto para realizar a mesma tarefa no passado, e essas memórias nem sempre são precisas. Ademais, o estado emocional negativo nos dá a sensação de que o tempo está passando mais devagar, e o positivo, a sensação oposta. 


No auge da pandemia da Covid, muitas pessoas queriam "acelerar o tempo" para retomarem a "vida normal". Como emoção e motivação estão interligadas, o tempo pareceu passar ainda mais devagar — quanto maior a motivação, mais acentuada a mudança na percepção de tempo. Enquanto a sensação de aceleração tende a facilitar as conquistas, a desaceleração costuma evitar que demoremos muito em situações potencialmente prejudiciais. Quanto mais o tempo "demora a passar" numa situação de medo, por exemplo, mais rapidamente agimos para nos livrarmos do perigo.


Vale destacar que “ganhar tempo” ou “perder tempo” é um erro de perspectiva. O tempo não é uma moeda que podemos guardar ou desperdiçar, ele simplesmente passa, e tentar “economizá-lo” fazendo várias coisas simultaneamente (multitasking) nos leva a “perder” mais tempo do que se realizássemos uma atividade por vez. Dizem que as mulheres até conseguem, mas eu, particularmente, acho que isso não passa de folclore.


Pensamos no tempo como algo externo, mas ele é um conceito profundamente enraizado em nossa mente. Todos temos um "relógio interno" que regula o sono, a fome e a energia ao longo do dia, e é regulado pelo tempo. Alterá-lo trabalhando à noite ou dormindo em horários irregulares, por exemplo, afeta nossa saúde e compromete nosso bem-estar. Até a invenção da escrita, media-se o tempo com base em fenômenos naturais sazonais; mais adiante, os sumérios dividiram o ano em 12 meses de 30 dias e os egípcios criaram um calendário lunar baseado na estrela Sirius. No final do século XVI, o calendário Juliano foi substituído pelo modelo Gregoriano, que atualmente é adotado pela maioria dos países.


Na maioria das línguas, o passado é descrito como algo que ficou para trás, e o futuro, como algo que está sempre mais adiante. Mas até o idioma e o sistema de escrita (da esquerda para a direita ou vice-versa) fazem diferença. No inglês, as distâncias percorridas são usadas para explicar a duração dos eventos; no grego, o fluxo temporal é percebido como um volume crescente, não como distância física.

Para a física moderna, no entanto, a ideia de que o passado deixou de existir e o futuro ainda não aconteceu pode ser apenas uma limitação dos nossos sentidos. É aqui que entra o conceito do Universo em Bloco: imagine que a realidade é como evento filmado em película: embora nós, os personagens, só consigamos ver um frame por vez (o presente), o rolo inteiro — com o início, o meio e o fim — já está lá, impresso e estático.

Nessa perspectiva, o tempo não flui; ele simplesmente é. O nascimento de uma estrela, sua primeira xícara de café e o último suspiro do universo coexistem em uma estrutura quadridimensional de espaço-tempo. Se isso for verdade, o "agora" não passa de uma coordenada, como o número de uma página em um livro que já foi escrito. O destino, portanto, deixaria de ser uma escolha ou uma maldição para se tornar uma propriedade geométrica da realidade

Em face do exposto, atribuir um número de série a cada ano é como tentar aprisionar o tempo num calendário de parede — sempre haverá um ministro do STF disposto a soltá-lo. Brincadeiras à parte, talvez não seja o tempo que passa por nós — nós é que passamos por ele como grãos de areia entre as câmaras de uma ampulheta. Ou talvez a forma como o sentimos seja em grande parte uma construção da nossa mente.


Continua…

domingo, 19 de julho de 2026

ESPETINHOS DE CARNE, BACON E QUEIJO

FELICIDADE TEM NOME E SOBRENOME: COMIDA BOA.

Seja para impressionar os convidados, degustar com a família, ou mesmo sozinho, espetinhos de carne, bacon e queijo, macios e saborosos, são uma excelente pedida. Sobretudo com cerveja gelada no verão e vinho tinto de boa qualidade no inverno. 

Os ingredientes a seguir servem dez comensais ou cinco esfaimados — para menos pessoas, basta fazer o devido ajuste. Então tome nota:

— 2 quilos de coxão mole em bifes (pode substituir por mignon ou miolo de alcatra);
— ½ quilo de bacon;
— 400 gramas de queijo muçarela;
— Sal, pimenta-do-reino e molho chimichurri a gosto;
— 20 espetos de bambu ou madeira.

Espalme os bifes para que fiquem mais finos e uniformes e tempere toda a superfície com sal, pimenta-do-reino e uma leve camada de molho chimichurri. 

Monte camadas com carne, bacon e queijo, nessa ordem. e repita até no máximo 4 camadas de carne.

Após a montagem, leve à geladeira por aproximadamente 2 horas para firmar bem a estrutura e facilitar o corte.

Retire da geladeira e corte em pequenos quadrados ou cubos uniformes.

Espete nos palitos de bambu ou madeira. leve à churrasqueira até dourar bem por fora e atingir o ponto desejado da carne e do bacon.

Sirva com farofa, maionese de alho e chimichurri.

Bom proveito.

sábado, 18 de julho de 2026

WHATSAPP GANHA NOME DE USUÁRIO E PERMITE OCULTAR O NÚMERO DO TELEFONE

PEDRA QUE ROLA NÃO CRIA LIMO

O WhatsApp começou a liberar no final de junho a reserva de nomes de usuário — a primeira fase para usar o recurso que vai ocultar o número de telefone da conta. O uso efetivo, no entanto, deve ser liberado gradualmente para todos os usuários ao longo dos próximos meses.


Não haverá diretório público nem mecanismo de busca por nomes: para iniciar uma conversa, será necessário conhecer exatamente o nome de usuário da outra pessoa. Segundo a Meta, caso o nome escolhido já esteja em uso, o aplicativo sugerirá alternativas por meio de um gerador automático. A própria empresa recomenda escolher um nome difícil de adivinhar para reduzir contatos indesejados.


Após o lançamento definitivo, quem iniciar uma conversa por meio do nome de usuário deixará de exibir automaticamente o número de telefone ao destinatário, desde que o recurso esteja ativado. Com isso, o mensageiro passa a funcionar numa lógica mais parecida com Instagram, TikTok e outras redes sociais, bem como o Telegram, que oferece função similar há anos.


O aplicativo vai notificar os usuários quando a funcionalidade estiver disponível em cada país. Você pode verificar a função em Configurações > Conta > Nome de usuário, na versão mais recente do WhatsApp. A interface será intuitiva e, quando liberada, basta seguir as instruções exibidas na tela:


  1. Clicar em Criar nome de usuário;

  2. Verificar a disponibilidade do username escolhido;

  3. Clicar em Salvar.


Além do nome de usuário, o WhatsApp terá uma chave de acesso, recurso opcional de privacidade. Quando ativado, quem tentar iniciar uma conversa pela primeira vez usando o username precisará informar essa chave. O código poderá ser alterado a qualquer momento.


Criadores de conteúdo, empresas e organizações também poderão reservar no WhatsApp o mesmo nome de usuário utilizado no Instagram ou no Facebook, desde que as contas estejam vinculadas à Central de Contas da Meta.