sábado, 11 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — ATÉ ENTRE PLANETAS HÁ OS DO CONTRA

O TEMPO CURA FERIDAS, MAS DEIXA CICATRIZES.


A polarização na política existe desde sempre, mas nunca foi tão nefasta quanto de um tempo a esta parte, com lulopetistas e bolsonaristas defendendo seus bandidos de estimação nas disputas presidenciais travadas entre o bonifrate de Lula em 2018 — e próprio xamã petista em 2022 — contra Jair Bolsonaro.

Tendo o canhestro Fernando Haddad como adversário, o misto de mau militar, parlamentar medíocre e messias que não miracula tornou-se o "mito" da direita radical e foi guindado ao Planalto por uma caterva de descerebrados com capacidade cognitiva comparável à de uma ameba.

Em 2022, o cenário se inverteu: O demiurgo de Garanhuns venceu o capetão golpista por uma vantagem inferior a 2% dos votos válidos — a menor desde a redemocratização e a volta das eleições presidenciais diretas — e assim conquistou sua terceira (e queira Deus derradeira) passagem pelo Planalto. Bolsonaro, por sua vez, cumpre 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado (não mais na Papudinha, já que simulou toda sorte de comorbidades para ser autorizado a cumprir prisão domiciliar em sua mansão em Brasília — um santo remédio, considerando que desde então não se ouviu dizer que o mandrião quase sufocou com o próprio vômito ou teve crises de soluço).

Depois de concluir seu segundo mandato, o camelô de empreiteiras e fabricante de postes foi alvo de duas dúzias de processos — a maioria por corrupção. Apesar de ter sido condenado a mais de 20 anos de reclusão nos casos do triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia (decisões transitadas em julgado no STJ), o molusco eneadáctilo deixou sua cela VIP e voltou ao tabuleiro político-eleitoral na esdrúxula condição de "descondenado" — graças a uma sucessão de decisões teratológicas do STF.

Já a divisão entre "esquerda" e "direita" remonta a 1789, quando o rei Luís XVI convocou os "Estados Gerais" para discutir a crise financeira que assolava a França. O evento se transformou numa Assembleia Nacional Constituinte, na qual os deputados alinhados com o monarca sentavam-se à direita e os que defendiam a limitação do poder real, à esquerda. Em outras palavras, um simples "acidente de localização" fez com que aqueles que apoiam o status quo sejam vistos como "de direita", e os que desejam mudanças, como "de esquerda".

Vale salientar que as correntes de pensamento e ideologias diferentes que preenchem o espaço entre os dois extremos do espectro político-ideológico são tantas quanto os tons de cinza separam o preto do branco na paleta de cores — sendo o branco a soma de todas as cores do espectro visível e o preto, o resultado da ausência da luz.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Dada a incapacidade notória de prever o efeito de seus atos, Jair Bolsonaro & filhos acabam quase sempre prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que falam. Ou por outra: a exemplo dos peixes, essa escumalha morre pela boca.

O pater familias  perdeu a reeleição porque passou quatro anos falando e fazendo absurdos sem medir consequências. O primogênito vai pelo mesmo caminho da inconsequência, cujo exemplo mais recente é a tentativa vã de se livrar da jactância do irmão batendo no peito e diante do tarifaço de Donald Trump ao Brasil, dizendo: "Fui eu".

É um fardo que bolsonarinho carregará na campanha a presidente por completa falta de percepção de que aquilo significava um posicionamento contrário aos interesses do Brasil, o que obviamente permitiria ao governo ir ao revide e tirar proveito político/eleitoral.

Da mesma forma não se apagará a imagem do riso de escárnio do primogênito do refugo da escória da humanidade em reação à pergunta do repórter do site The Intercept sobre suas relações com Daniel Vorcaro, horas antes da divulgação do áudio em que pede que o então banqueiro já encalacrado na Justiça pague o restante dos milhões prometidos para financiar o filme "Dark Horse".

Difícil remover a marca do cinismo e da mentira tatuada à própria testa naquela negativa logo desmentida. E como parecer convincente na defesa do Pix, depois de Dudu Bananinha tê-lo comparado ao Zelle americano e dito que poderia ser posto na mesa de negociações com os EUA?

A pauta do combate ao crime encontra obstáculos nas homenagens passadas a milicianos e alianças recentes com a camarilha de políticos fluminenses presos, investigados e/ou inelegíveis. 

Impossível dar o dito pelo não dito, quando não se sabe o que diz, não se mede a relevância das palavras, não se dispõe de tirocínio para antever resultados nem habilidade para administrar as sequelas.

Em contraponto, a madrasta Michelle — Firmo de nascimento e Bolsonaro por adoção — como vimos, tem roteiro bem pensado, frieza e, sobretudo, visão estratégica.


Curiosamente, também entre os planetas há dois esquerdistas (ou "do contra"), que divergem dos outros seis, embora orbitem o Sol no mesmo sentido da rotação solar — herdada do sentido de rotação do movimento angular do disco de gás e poeira formado 4,6 bilhões de anos atrás. Se tomarmos o polo norte visto de cima como referência, o Sol gira no sentido anti-horário, e seis dos planetas também giram em torno do próprio eixo nessa mesma direção — as exceções são Vênus e Urano, que têm “rotação retrógrada”. 

Para Vênus, não existe uma explicação definitiva, apenas hipóteses. Uma delas é que o planeta tenha sofrido uma ou mais colisões catastróficas que alteraram o sentido de sua rotação. Diferentemente da Terra, que ganhou um satélite a partir de sua colisão (a Lua), Vênus teria absorvido a massa desses asteroides e invertido o sentido de sua rotação em função da força do impacto. Outra hipótese, mais fundamentada e apresentada ainda na década de 1980, é que o astro está sendo “puxado” e “empurrado” ao mesmo tempo por duas forças diferentes.

O jeito como Vênus gira hoje é o resultado desse cabo de guerra: por um lado, o Sol o puxa com sua gravidade, criando pequenas deformações no planeta (como marés), que vão desacelerando a rotação e tentando fazê-lo ficar sempre com o mesmo lado voltado para o Sol. Por outro, sua atmosfera extremamente densa, aquecida pelo Sol, cria “ondas” gigantes e gera um tipo de empurrão contínuo que acontece no sentido contrário ao dos outros planetas, daí a rotação retrógrada. Como resultado dessas duas forças, a rotação de nosso vizinho mais próximo é extremamente lenta (um dia venusiano dura mais de 243 dias terrestres) e no sentido oposto da maioria dos planetas.

ObservaçãoA distância média entre a Terra e Marte é de 225 milhões de quilômetros. Dependendo do ponto em que os dois planetas estão em suas órbitas em torno do Sol, essa distância varia de 54,6 milhões a 401 milhões de quilômetros. Vênus fica a cerca de 40 milhões de quilômetros da Terra, e Mercúrio, a 58 milhões. Como essas distâncias mudam conforme o ponto onde cada um está em sua órbita, Vênus pode ficar a 41 milhões de quilômetros da Terra, e Mercúrio, a 57 milhões. Em qualquer caso, Marte estará sempre mais distante.

O segundo caso é menos complexo, mas também ainda não há consenso definitivo. A inclinação axial de Urano (97,77°) faz seu eixo de rotação ficar quase paralelo ao plano orbital. Na prática, o planeta “rola” em torno do Sol (em comparação, a inclinação axial da Terra é de 23,4°). A explicação mais provável (e ainda assim, apenas uma hipótese) é que um grande objeto deve ter colidido e "derrubado o planeta" de lado. Quando isso aconteceu, pedaços de matéria foram ejetados e se acumularam gradualmente, formando as 29 luas que orbitam Urano.

Pesquisas recentes sugerem que Urano pode ter sofrido não apenas um, mas dois impactos massivos no início de sua história, o que explicaria tanto seu ângulo axial extremo como a órbita equatorial de suas luas (elas giram ao redor do planeta no mesmo plano do equador dele, o que é curioso, já que Urano está deitado). Os autores desse estudo argumentam que, se houvesse ocorrido apenas um impacto, as luas de Urano orbitariam em sentido retrógrado — o contrário do que se observa. Segundo alguns modelos, apenas com múltiplos impactos gigantes seria possível explicar por que Urano manteve suas luas se movendo na direção correta.

Enfim, há mistérios que serão desvendados e mistérios que jamais serão conhecidos.

Continua...

sexta-feira, 10 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE ALIENs E OVNIs

A DIFERENÇA ENTRE PREÇO E VALOR É QUE VALOR NÃO TEM PREÇO.


Vimos que o universo observável se estende em todas as direções por 46,6 bilhões de anos-luz (raio de 440 sextilhões de quilômetros). Dada a inexistência de indícios de vida inteligente nos planetas do nosso sistema solar, conclui-se que os avistamentos de OVNIs (ou UFOs, ou ainda UAPs) devem envolver naves provenientes de exoplanetas habitados por seres tecnologicamente mais avançados do que nós.

Na velocidade alcançada pela sonda espacial mais rápida lançada pela NASA até agora — 692 mil km/h ou 0,064% da velocidade da luz) — seria possível ir da Terra à Lua em cerca de meia hora e ao Sol em nove dias, mas uma viagem até o sistema estelar mais próximo do nosso levaria mais de seis mil anos.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Durante um café da manhã com jornalistas, o delegado Andrei Rodrigues, chefe da Polícia Federal, disse que não haverá "moratória" de operações policiais na campanha política. Nas suas palavras, o investigador não pode se deparar com crimes e deixar de cumprir sua obrigação apenas porque está em período eleitoral.

A conjuntura política está assentada sobre o paiol do escândalo do Master. Nele, os favores financeiros de Vorcaro a políticos e autoridades se misturam às facilidades que os favorecidos ofereceram ao mafioso que tinha um banco. Pelo rito processual, os pedidos de prisão e de busca e apreensão da PF estão condicionados apenas ao aval do Supremo. 

O ministro André Mendonça, relator da encrenca, já enviou a PF a residências como a do bolsonarista Ciro Nogueira e a do petista Jaques Wagner. Dias atrás, recebeu do colega Fachin, presidente de plantão da Corte, a incumbência de decidir os rumos de uma investigação sobre os R$ 61 milhões que Bolsonarinho mordeu do dono do Banco Master.

Contra esse pano de fundo, o ventilador ligado da PF adiciona à campanha uma dose de imponderável.


Os avistamentos que não se encaixam nas categorias conhecidas — balões meteorológicos, fenômenos atmosféricos naturais, drones, lixo espacial ou ilusões de óptica — devem ser de naves alienígenas provenientes de exoplanetas. Como o mais próximo fica a 4,2 anos-luz da Terra, esses seres devem dispor de tecnologias capazes de atingir velocidades próximas à da luz (se não superluminais) ou de atravessar atalhos cósmicos — conhecidos como buracos de minhoca — que encurtam o caminho entre dois pontos, seja neste ou em outro universo, seja no presente, no passado ou no futuro.

ObservaçãoOs avistamentos não ocorrem apenas em locais ermos ou predominantemente rurais. Experiências ufológicas — incluindo abduções, em que pessoas são levadas para experimentos no interior das naves — foram relatadas por personalidades nacionais e internacionais (na ufologia, classificadas como "contatos de segundo grau"). Ainda que o formato de disco seja o mais comum, alguns objetos têm forma de charuto, triangular ou piramidal. Os que são capazes de se mover em lagos e oceanos — como os relatados por militares da Marinha de diversos países — são chamados de OSNIs (acrônimo de "Objetos Submarinos Não Identificados").

Para acrescentar alguma cor local a esta postagem, vale lembrar que o Brasil foi o primeiro país do mundo em que as Forças Armadas admitiram a existência de objetos voadores de origem não terrestre. Em 1954, a Aeronáutica disponibilizou cerca de 20 mil páginas de documentos oficiais no Arquivo Nacional, incluindo parte dos registros da Operação Prato, com mais de 500 fotografias e 16 horas de gravações de OVNIs sobrevoando a Amazônia. 

Outros casos icônicos incluem o ET de Varginha, o Caso Trindade e a Noite Oficial dos Discos Voadores. Os registros são os mais variados possíveis e incluem inúmeros relatos de pilotos que avistaram objetos das mais diferentes formas, cores e velocidades em diversas partes do mundo. Em 16 de outubro de 1957, por exemplo, um brasileiro chamado Antônio Villas-Boas avistou uma luz vermelha estranha enquanto lavrava o campo da família. O episódio entrou para a história como o primeiro caso registrado de abdução no Brasil e no mundo, e o relato detalhado, colhido por médicos e investigadores, influenciou décadas de ufologia internacional.

Na madrugada de 8 de fevereiro de 1982, o piloto de um Boeing 727 da VASP avistou um objeto não identificado à esquerda da aeronave quando voava de Fortaleza para o Rio de Janeiro. O evento reuniu o maior número de testemunhas da história da aviação comercial brasileira: 150 pessoas, entre tripulantes e passageiros. Até hoje, a origem do objeto permanece uma incógnita. 

Uma ex-comissária da mesma companhia relatou que a cabine de seu avião foi inundada por uma luz branca intensa durante um voo de São Paulo para Belém, e que o rádio ficou inoperante até o fim do avistamento. No dia seguinte, ela e os demais tripulantes apresentaram queimaduras misteriosas, embora os exames não tenham detectado radioatividade.

Também em 1982, na noite de 6 de março, mais de 23 mil pessoas assistiam ao jogo entre Operário e Vasco no Estádio Pedro Pedrossian, em Campo Grande (MS), quando jogadores e torcida testemunharam um objeto cilíndrico emitindo luzes enquanto sobrevoava silenciosamente o estádio — um dos casos com maior número de testemunhas simultâneas já registrados no mundo.

Na noite de 19 de maio de 1986, o Centro Integrado de Defesa Aérea detectou objetos estranhos nos radares e acionou cinco caças F-5 e Mirage das bases aéreas de Santa Cruz (RJ) e Anápolis (GO) para interceptá-los. Ao todo, foram avistados — e perseguidos — 21 OVNIs; o evento foi visível em quatro estados e durou cerca de três horas.

O caso ganhou nome oficial e motivou uma coletiva de imprensa convocada pelo então ministro da Aeronáutica e cofundador da Embraer, brigadeiro Ozires Silva, que voava a bordo de um bimotor quando surgiram três objetos não identificados sobre São José dos Campos (SP). Um caça da FAB tentou perseguir um deles, mas o objeto acelerou para incríveis Mach 15 (18.375 km/h).

Outros cinco objetos com luzes brancas intermitentes foram avistados sobre o município de Ilha Comprida (SP), realizando movimentos circulares a uma velocidade oito vezes superior à do som — o que descarta a possibilidade de se tratar de balões meteorológicos, satélites, lixo espacial ou qualquer outro fenômeno conhecido.

Em 2007, um piloto da TAM (atual Latam) reportou ao Cindacta que precisou fazer uma manobra evasiva após seu avião se aproximar de um objeto que ele acreditava ser uma estação espacial. O mesmo objeto foi avistado pela tripulação de um avião da (então) Varig, em voo entre Miami e Manaus. Em 2009, a chamada Noite Oficial dos OVNIs recebeu um veredicto notável: a FAB divulgou relatório afirmando que "os fenômenos são sólidos e refletem, de certa forma, inteligência, pela capacidade de acompanhar e manter distância dos observadores, como também de voar em formação". Difícil ignorar.

O Arquivo Nacional divulgou em 2024 alguns dos mais de mil relatos de avistamentos feitos por pilotos no Brasil ao Comae. Somente no ano anterior, cerca de 30 registros foram feitos por pilotos de voos comerciais, a maioria no Sul do país. Em junho daquele ano, um objeto "branco-amarelado voando em alta velocidade" na região de Vitória da Conquista (BA) foi relatado por pelo menos quatro aeronaves.

No mês seguinte, dois pilotos que faziam a rota São Paulo–Cuiabá relataram um OVNI que se "deslocava lateralmente e acendia sua luz rapidamente, apagando-a por diversas vezes, durante 10 a 15 minutos". Em Pernambuco, outro piloto reportou "tráfego deslocando-se da esquerda para a direita em relação à sua posição, emitindo luzes brancas e vermelhas", mas o objeto não foi detectado pelo radar.

Em 2017, o tema dos OVNIs voltou ao centro do debate quando o New York Times noticiou a existência de um programa secreto apoiado pelo ex-líder da maioria no Senado americano, Harry Reid — eleito pelo estado de Nevada, onde fica a Área 51 — para investigar esses fenômenos. Depois que o jornal e uma organização chamada To the Stars Academy of Arts & Science divulgaram três vídeos com encontros inexplicáveis envolvendo naves supostamente alienígenas, o Pentágono passou a reconhecer tais incidentes, embora se recuse a especular sobre suas origens.

O ex-piloto da Marinha americana Ryan Graves fundou a organização Americans for Safe Aerospace para encorajar pilotos a relatarem incidentes com OVNIs. Em depoimento ao Congresso, ele e o major aposentado David Fravor revelaram vários avistamentos ocorridos durante suas carreiras militares. Já o ex-oficial de inteligência da Força Aérea David Grusch acusou o governo de encobrir suas investigações e afirmou que a tecnologia envolvida vai muito além de qualquer criação humana.

Continua…

quinta-feira, 9 de julho de 2026

HÁ ALGO DE PODRE NO REINO DOS BOLSONAROS

FALAR EM POLÍTICA NO BRASIL, ULTIMAMENTE, É COMO PISAR NA MERDA.

Se Shakespeare exagerasse um pouco no vinho, talvez escrevesse um dramalhão parecido com o que a família Bolsonaro ora protagoniza para todo o Brasil.

Há de tudo ali: intrigas entre madrasta e enteados, o patriarca que não pode falar por si, conspiradores que instigam a cizânia e, sobretudo, a sede irrefreável de poder.

Seria divertido, se fosse apenas uma peça de teatro. Mas não: a exposição pública das vísceras da família Bolsonaro, por meio de um vídeo publicado pela ex-primeira-dama com duras críticas ao enteado e pré-candidato à Presidência, é uma pequena amostra da natureza degenerada do clã que tem chances consideráveis de voltar a governar o Brasil.


Essa novela só interessa aos brasileiros na medida em que abre uma fresta para testemunhar o projeto político de uma família que fez da via eleitoral um atalho para a dolce vita.


Desde que Jair Bolsonaro deixou o Exército – depois de ser punido por insubordinação e acusado de envolvimento num plano para explodir unidades militares –, migrou com sucesso para a política e construiu com os filhos algo que muito apropriadamente pode ser chamado de uma empresa familiar voltada à conquista e à manutenção do poder no seio da própria família. Mas não para implementar um projeto de desenvolvimento do Brasil, e sim para que todos, sobretudo o patriarca, pudessem viver à custa do Estado.


O bolsonarismo nunca foi uma visão de país, que dirá uma plataforma de governo. É uma máquina de mobilização emocional de setores da sociedade construída sobre ressentimentos e a irresignação com as conquistas civilizatórias da Constituição de 1988. Nesse balaio de rancores e teorias da conspiração, entram o reacionarismo travestido de “conservadorismo de costumes”, a desconfiança nas instituições republicanas, o desdém pelo conhecimento, a hostilidade ao diálogo e o antipetismo, donde vem sua força eleitoral.


Sem o nome do patriarca nas urnas, o que resta é essa briga interna por seu espólio político. A mulher, uma espécie de Lady Macbeth da Casa de Bolsonaro, dá sinais de querer trilhar uma carreira política autônoma, ainda que negue publicamente essa intenção. O primogênito do marido é pré-candidato à Presidência da República, e o restante da prole tem suas próprias pretensões eleitorais. Cada um se ocupa de seus interesses particulares, e o Brasil, claro, não entra nessa equação.


Nenhum dos protagonistas desse reality show perde tempo ou tem competência para discutir assuntos que considera menores, como a carestia, o descontrole das contas públicas, a baixa produtividade, o desalento entre os jovens, as deficiências da educação básica e a violência urbana. Seria pedir demais. Afinal, a família Bolsonaro nunca se preocupou com nada disso. Sempre foi mais fácil apontar o inimigo – o PT, a imprensa profissional, o Supremo e o comunismo internacional, entre outros fantasmas – do que propor soluções para problemas reais sobejamente conhecidos, que exigem competência técnica, habilidade política, respeito por adversários e, acima de tudo, interesse genuíno no bem comum.


O bolsonarismo só sobrevive porque o antipetismo é uma força real e legítima na sociedade brasileira, e Bolsonaro soube como nenhum outro político se apresentar como o candidato anti-Lula. Mas, no que concerne aos interesses do Brasil, isso não basta. Apresentar-se como a nêmesis do petista não é um plano de governo. É, quando muito, uma eficiente estratégia eleitoral.


Lady Michelle fez um grande favor ao Brasil ao gravar e divulgar seu depoimento a respeito do enteado, dando aos eleitores conservadores a chance de ver com os próprios olhos a matéria prima do bolsonarismo original. Quem sabe os estimule, finalmente, a procurar alternativas que estejam genuinamente interessadas em governar o Brasil com bom senso e dignidade – qualidades estranhas a Jair Bolsonaro e sua grei.


Com ESTADÃO


SOBRE A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 9 DE JUHO


Para não dizer que não falei das flores, hoje os paulistas comemoram o nonagésimo quarto aniversário da revolução constitucionalista de 1932. Para quem não se lembra das aulas de história, voltemos no tempo até 1926, quando Washington Luís enfrentava a crise internacional de 1929 e a resistência de militares de ideais nacionalistas.
As revoltas tenentistas no RS, em 1923, e em SP, em 1924, somadas à insatisfação de parte das oligarquias com a candidatura e posterior eleição de Júlio Prestes, levaram à sua deposição. E assim, mais um golpe militar empurrou a Velha República para a cova.
Prestes havia vencido Getúlio Vargas num pleito marcado por denúncias de fraude e rachas entre as oligarquias. Em julho de 1930, os ânimos se acirraram ainda mais com o assassinato de João Pessoa, que havia sido candidato a vice na chapa de Vargas.
Em outubro, os militares depuseram Washington Luís e abriram caminho para a ascensão de Getúlio Vargas ao poder. O presidente deposto foi levado preso do Palácio do Catete ao Forte de Copacabana um mês antes da data em que passaria o cargo a Prestes — que nem chegou a ocupá-lo: uma junta militar assumiu o poder em 24 e passou-o a Vargas em 03 de novembro, dando início ao "governo provisório".
Os primeiros anos da Era Vargas foram marcados pelo clima de tensão entre as oligarquias e os militares, principalmente no estado de São Paulo, levando à Revolução Constitucionalista de 1932. Para os que faltaram às aulas de história, a Revolução de 32 não foi essencialmente um movimento separatista, e sim constitucionalista, já que exigia uma nova Carta Magna. Mas foi o maior confronto armado do século XX no Brasil, mobilizando 100 mil homens e mulheres (entre tropas paulistas e federais) e resultando em quase 800 mortes (número superior ao das baixas contabilizadas durante a participação do Brasil na Segunda Grande Guerra).
Em última análise, tudo começou quando Getúlio Dornelles Vargas, derrotado nas urnas e apoiado por militares e pelas oligarquias dissidentes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba, tomou o poder pela força. Apoiado pelos mineiros, gaúchos e paraibanos, o tiranete usurpou para si a presidência desta Banânia. Até o início da “Era Vargas”, o Brasil era regido pela “política do café com leite”, assim chamada porque as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais se revezavam na presidência do País. Ao tomar o poder, o tiranete de São Borja dissolveu os congressos estaduais e municipais e nomeou interventores nos estados, o que desagradou a elite paulista.
Vale frisar que São Paulo concentrava a produção cafeeira, responsável pela maior parte do orçamento do País, e os grandes fazendeiros não viram com bons olhos a legislação trabalhista articulada por Vagas, a quem atribuíam a pecha de “comunista”. Com o getulismo, as relações entre São Paulo e o governo federal se tornaram cada vez mais tensas e marcadas pela insatisfação dos paulistas, que não só se viram obrigados a “engolir” os interventores, mas também perderam o controle sobre as decisões referentes à política econômica — o que afrontou os cafeicultores. Mas o acirramento atingiu seu ápice com a nomeação de um interventor, que deveria ser civil e paulista, segundo as exigências das forças políticas agregadas na Frente Única.
No dia 23 de maio (que hoje dá nome a uma das principais avenidas de Sampa), quando seria anunciado o secretariado de Pedro de Toledo (que empresta o nome a uma rua e um viaduto aqui na capital), formou-se um monumental comício na Praça do Patriarca, e uma parte dessa multidão, inflamada, dirigiu-se ao Palácio dos Campos Elísios, onde seria feito o anúncio. Na confusão, jornais getulistas foram atacados e o tumulto resultou na morte de 13 pessoas, além de muitos feridos. Entre os mortos estavam os estudantes Miragaia, Martins, Dráusio e Camargo, alçados à condição de símbolos do movimento por meio da sigla “MMDC” (que os menos informados tomam pela representação do número 2.600 em algarismos romanos).
A revolução eclodiu na noite de 9 de julho e terminou a 1º de outubro, com a rendição dos paulistas. Nesse interregno, centenas de combatentes se alistaram, indústrias se mobilizaram para oferecer armamentos e a população se uniu na chamada campanha do Ouro para o Bem de São Paulo. Numa tentativa de aproximação com a elite local, Vargas nomeou o paulista Armando de Sales Oliveira — engenheiro, empresário e cunhado de Júlio de Mesquita Filho, herdeiro do fundador do jornal O Estado de S. Paulo — para a chefia do governo da "locomotiva do Brasil". O tão falado viés separatista foi secundário, mas nem por isso deixou de existir: figuras proeminentes como Monteiro Lobato, Alfredo Ellis Júnior e Tácito de Almeida, eram separatistas. Assim, visando obter p apoio de outros estados para combater a revolução, Vargas classificou o movimento de separatista.
Desde 1822, quando o Brasil se libertou do jugo português, vez por outra surgem movimentos separatistas aqui e acolá. Segundo o site do Movimento São Paulo Livre — que luta por tornar o estado uma unidade independente —, existem documentos que comprovam que o rei de Portugal era alertado para vigiar de perto os paulistas, devido a seu “excessivo amor à liberdade”.
Ainda existem grupos que visam separar seus estados ou regiões dos demais, e alguns pontos em comum os levam a se unir pela mesma causa, qual seja lutar pela independência regional ou estadual, hoje proibida por cláusula pétrea Constituição Federal. Movimentos separatistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Roraima, Paraná e Rio Grande do Sul formaram em 2016 uma Aliança Nacional visando mudar a Constituição e permitir a independência. Em junho do ano seguinte, nove desses grupos publicaram o Manifesto dos Movimentos Independentistas do Brasil, assinado por representantes de entidades que defendem a separação das regiões Sul, Nordeste e Norte e os estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE EXTRATERRESTRES

SE TANTA GENTE TEM AVISTADO DISCOS VOADORES, É PORQUE HÁ DISCOS VOADORES.

O homem almeja voar como os pássaros desde tempos imemoriais. Ícaro tentou com asas de cera, mas caiu no mar porque se aproximou demais do Sol. Leonardo da Vinci concebeu seu "parafuso aéreo" quase 500 anos antes do primeiro voo de helicóptero, mas foi somente no século XX que os irmãos Wright e Santos Dumont provaram que objetos mais pesados que o ar podiam voar. 


Até pouco tempo atrás acreditava-se que meteoros não podiam cair do céu — afinal, no céu não havia pedras —, e que passageiros de um trem a mais de 34 km/h morreriam asfixiados. Felizmente, sempre houve fantasistas suficientemente audaciosos e surdos às críticas que lhe eram feitas — sem eles, não haveria trens-bala, aviões a jato ou viagens interplanetárias.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Há na praça um novo Xandão. A metamorfose ficou evidente com a decisão de prorrogar por tempo indeterminado a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro. A mulher do preso celebrou o despacho do marido: "Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro. E ele [Bolsonaro] está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes..." Premonitória, Michelle se referia à mais extraordinária conversão retratada na Bíblia: a passagem do soldado Saulo, um perseguidor de cristãos, pela estrada de Damasco. Aconteceu no século 1º da era cristã. De repente, Saulo foi paralisado por uma luz ofuscante. Caiu do cavalo. Ouviu uma voz vinda do céu: "Saulo, por que me persegues?" Por alguns instantes, ele ficou cego, tal a claridade que o arrebatou. Converteu-se em São Paulo, um dos pilares do cristianismo. A mudança de Moraes talvez tenha conotações mais mundanas do que celestiais. Desde o desgaste provocado pelo caso Master, o ministro, antes implacável, parece mais cauteloso em suas decisões. Ao encomendar ao procurador-geral uma manifestação sobre a apreensão da pistola Glock de 9 milímetros de Bolsonaro numa blitz da Lei Seca, o magistrado salientou que a Lei de Execução Penal considera "falta grave" o condenado "possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem". Agora, converteu-se numa espécie de ex-xerife que raciocina politicamente, chegando mesmo a sustentar que uma das consequências seria a revogação da prisão domiciliar. Gonet divergiu. Primeiro, sugeriu esperar pelo encerramento da investigação sobre a apreensão da arma. Depois, escorando-se nas conclusões da Polícia Civil do Distrito Federal, recomendou a manutenção de Bolsonaro em casa. Moraes não estava obrigado a seguir a recomendação de Gonet, mas decidiu ecoar o procurador-geral em sua decisão: "Não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena". Paradoxalmente, Gonet reconheceu que a situação jurídica de Bolsonaro não orna com a posse de armas: "A condição atual do custodiado é incompatível com a posse de arma de fogo", escreveu ele, no trecho reproduzido por Moraes. O ministro potencializou o paradoxo. Além de revogar o porte de arma de Bolsonaro, Moraes ordenou o recolhimento de todo o arsenal registrado em nome do preso: dez armas. Quer dizer: levando-se a Lei de Execução Penal ao pé da letra, Bolsonaro teria cometido não uma, mas uma dezena de "faltas graves". Afora a pistola Glock, o condenado mantinha em casa fuzis, carabinas, revólveres e espingardas. Ignorando a consequência legal que havia antecipado anteriormente — a regressão do regime prisional —, Moraes desistiu de considerar a hipótese de devolver Bolsonaro à Papudinha. Fiou-se em argumentos médicos. O ex-algoz de Bolsonaro se absteve de encomendar um laudo médico independente. Sustentou que os laudos dos doutores que acompanham o preso, apresentados semanalmente pela defesa, demonstram uma melhora clínica do paciente. Mas avaliou que permanecem as circunstâncias humanitárias que justificam a prisão em casa. Pelo andar da carruagem, vem aí mais uma evidência do surgimento de um novo Moraes. Nos próximos dias, o ministro terá que decidir sobre a validade da Lei da Dosimetria, que pode atenuar a pena de Bolsonaro. Condenado a 27 anos e 3 meses de cana, ele foi presenteado pelo Congresso com uma mudança legal que atenua o castigo. Moraes suspendeu a aplicação do benefício. Mas isso ocorreu antes da profecia de Michelle Bolsonaro. Uma coisa é a posição de um magistrado supremo. Coisa bem diferente é a compreensão de um "irmão em Cristo".


Falando em viagens interplanetárias e, por extensão, intergalácticas, o artefato mais veloz construído até agora - a Parker Solar Probe — atingiu 692 mil km/h no final de 2024, impulsionada pela gravidade solar. Para efeito de comparação, esse valor representa cerca de 0,064% da velocidade da luz e é quase o dobro da velocidade alcançada pela sonda New Horizons. 


Nessa toada, seria possível ir da Terra a Netuno em menos de 9 meses — façanha notável se considerarmos que a Voyager II demorou 12 anos e a New Horizons, 8,5 anos para percorrer distâncias comparáveis — mas uma viagem até Proxima Centauri — nossa vizinha estelar mais próxima, que fica a "módicos" 4,246 anos-luz — levaria mais de 6 mil anos.


Considerando que os demais planetas e satélites que compõem nosso sistema solar não são habitados (há indícios de vida microbiana em alguns deles, mas não de civilizações desenvolvidas), os objetos voadores não identificados de origem extraterrestre são fruto de uma tecnologia muito mais avançada do que a nossa. 


Aqui cabe abrir um parêntese para dizer que a missão Kepler da NASA monitorou cerca de 150.000 estrelas entre 2009 e 2018 e concluiu que, em média, cada estrela possui pelo menos um planeta. Isso significa cerca de um septilhão de planetas no Universo — mais do que o número estimado de grãos de areia em todas as praias da Terra. Se aplicarmos critérios conservadores — estrela estável, zona habitável, tamanho rochoso semelhante à Terra etc. — uma em cada 5 estrelas pode hospedar um planeta nessas condições.


Portanto, haveria 40 bilhões de planetas habitáveis somente na Via Láctea e cerca de 10 sextilhões no universo observável, que tem cerca de 93 bilhões de anos-luz de diâmetro. Mesmo se vida for extremamente rara - tipo uma chance em um bilhão de planetas habitáveis desenvolver vida - ainda sobrariam 10 trilhões de planetas com vida só no universo observável. Diante disso, a intuição de que "somos únicos" fica difícil de sustentar mesmo para o mais conservador dos conservadores. Aliás, esse é basicamente o cerne do Paradoxo de Fermi: se há tantos mundos, "cadê todo mundo?" 


Se existem seres inteligentes em alguns desses 10 trilhões de planetas, eles devem ter descoberto maneiras de singrar o cosmos em altíssimas velocidades e atravessar buracos de minhoca — supostos atalhos cósmicos que diminuem a distância entre dois pontos seja, neste ou em outro universo, seja no presente ou em outro momento da linha do tempo. Afinal, se os avistamentos de OVNIs fossem meras alucinações coletivas ou confusões com balões meteorológicos, seria de esperar que os governos simplesmente dissessem isso e encerrassem o assunto com um sorriso condescendente. Mas não é bem isso que acontece.


Em 1947, o general Nathan Twining, chefe do Comando de Material da Força Aérea Norte-americana, enviou um memorando confidencial afirmando que os discos voadores eram "reais e não imaginários", e que sua performance — incluindo velocidade, manobras e ausência de fumaça ou som — era superior à de qualquer aeronave conhecida. O memorando ficou classificado (sob sigilo) por décadas e, quando veio a público, levantou uma pergunta incômoda: se não há nada a esconder, por que esconder?


O Projeto Blue Book, iniciado em 1952, investigou oficialmente mais de 12 mil casos de avistamentos nos Estados Unidos. Ao final, em 1969, encerrou suas atividades declarando que nenhum dos casos representava ameaça à segurança nacional e que nenhum era de origem extraterrestre. No entanto, dos 12 mil casos analisados, 701 permaneceram oficialmente "sem explicação", e essa categoria, curiosamente, incluía alguns dos relatos mais bem documentados, feitos por pilotos militares experientes com suporte de radar.


Décadas depois, em 2017, o New York Times revelou a existência do AATIP — Advanced Aerospace Threat Identification Program —, um programa secreto do Pentágono dedicado ao estudo de fenômenos aéreos não identificados, no qual foram investidos 22 milhões de dólares entre 2007 e 2012. Junto com a reportagem vieram três vídeos gravados por caças da Marinha americana mostrando objetos que realizavam manobras fisicamente improváveis: acelerações instantâneas, mudanças bruscas de direção e hovering sem propulsão aparente. O Pentágono confirmou a autenticidade das imagens mas nenhuma explicação convincente foi oferecida.


Em 2021, o governo americano publicou um relatório preliminar sobre UAPs — sigla para Fenômenos Aéreos Não Identificados em inglês, que substituiu "OVNIs" nas comunicações oficiais por soar menos como ficção científica — admitindo que 143 dos 144 casos analisados permaneciam sem explicação. O único "explicado" era um balão. Para os outros 143, o relatório concluiu, com rara honestidade burocrática, que simplesmente não havia dados suficientes para uma conclusão.


O padrão que emerge dessa cronologia não é o de uma conspiração hollywoodiana, com homens de preto e hangares secretos em Nevada — embora a Area 51 exista de fato e tenha abrigado projetos de aviação ultrassecretos por décadas. O padrão é mais prosaico e, por isso mesmo, mais perturbador: o de instituições que sabem mais do que dizem, dizem mais do que admitem e admitem mais do que gostariam. A pergunta que fica não é se há algo lá fora. É o que exatamente esse "algo" é — e o que aqueles que o conhecem decidiram, até agora, manter fora do alcance do público.


Resumo da ópera: Pode-se argumentar que indícios e evidências não são provas, mas ignorar milhares de avistamentos de OVNIs (ou UAPs) relatados por pilotos civis e militares, controladores de voo e outros profissionais capazes de diferenciar esses eventos de fenômenos atmosféricos equivale a tapar o Sol com peneira. 


Continua…

terça-feira, 7 de julho de 2026

DEZ ANOS DE PESQUISA E…

… NASCETUR RIDICULUS MUS.

Parturiunt montes, nascetur ridiculus mus “as montanhas estão em trabalho de parto; nascerá um ridículo rato”) é uma expressão latina usada para descrever situações em que grandes expectativas resultam em algo insignificante ou aquém do esperado.

Foi isso que ocorreu quando cientistas divulgaram os resultados de uma pesquisa de dez anos, que buscava medir com maior precisão a constante gravitacional de Isaac Newton — o famoso “G”, que quantifica a força responsável por manter nossos pés no chão e os planetas em órbita.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Depois de ingerir uma dose cavalar de Dramin — sem a qual seria impossível rabiscar algumas linhas sobre o enojante cenário político-eleitoral tupiniquim —, é possível falar sem vomitar em Lula, o molusco macróbio e eneadáctilo, e em Bolsonarinho, o primogênito do ex-aspirante a golpista e ora presidiário mais famoso desta banânia.

É sabido que, em época de eleição, choques entre candidatos são comuns. Na sucessão de 2026, os dois postulantes mais bem colocados nas pesquisas correm o risco de brigar com a opinião pública — das ferroadas que dão um no outro, precisam lidar com seus escorpiões domésticos.

Segundo o Instituto Atlas Intel, 61,2% dos eleitores acham que a suspeita de que Jaques Wagner recebeu vantagens do Master pode prejudicar a candidatura de Lula, ao passo que 64,1% acreditam que as desavenças com Micheque enfraquecem a candidatura do filho do pai..

Os candidatos dispõem de suas próprias pesquisas e não ignoram o óbvio, mas tropeçam nas evidências: o xamã petista se confraternizou em público com Jaques Wagner uma semana depois de afastá-lo da liderança do governo no Senado, enquanto o filho do pai fala em pacificar o país, mas não consegue sequer um armistício com a madrasta

Os candidatos passam mais tempo apontando escorpiões no quintal do adversário do que cuidando de seu próprio quintal. E uma disputa que tende a ser definida por pequena margem, pode produzir ferroadas as mais dolorosas.

O mais ambicioso esforço já realizado para determinar essa constante fundamental da natureza, que define a intensidade da atração entre duas massas em qualquer lugar do universo, produziu um valor incompatível com medições anteriores, inclusive com resultados obtidos em experimentos semelhantes. Em outras palavras, depois de uma década de trabalho meticuloso, o resultado acabou gerando mais dúvidas do que certezas.

O físico Stephen Schlamminger, do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), em Gaithersburg, Maryland, responsável pelo experimento iniciado dez anos antes, descreveu a empreitada como “exaustiva como caminhar por um vale escuro”.

As constantes fundamentais da natureza são valores essenciais que regem o comportamento do universo. Entre elas estão a velocidade da luz e a constante de Planck, parâmetros que parecem estar incorporados à própria estrutura da realidade e permanecem inalterados, independentemente do tempo ou do lugar.

Há mais de 225 anos, cientistas tentam medir com precisão a constante gravitacional. O primeiro experimento foi realizado pelo físico britânico Henry Cavendish, em 1798, mais de um século após Newton formular a lei da gravitação universal. Ainda assim, o valor de G continua sendo conhecido com uma precisão muito inferior à de outras constantes, como a velocidade da luz (299.792.458 metros por segundo) ou a constante de Planck (6,62607015 × 10⁻³⁴).

A gravidade é notoriamente difícil de medir porque, entre as quatro forças fundamentais da natureza, é disparada a mais fraca. As outras três — a força eletromagnética, a força nuclear forte e a força nuclear fraca — atuam com intensidade muito maior no mundo subatômico. Basta lembrar que um pequeno ímã de geladeira consegue vencer, localmente, a atração gravitacional da Terra ao sustentar um objeto metálico.

Talvez esse aparente fracasso seja, paradoxalmente, uma das maiores virtudes da ciência. Ao contrário do que muitos imaginam, a ciência não avança apenas quando encontra respostas definitivas, mas também quando expõe suas próprias limitações. E assim, mais de três séculos depois de Newton e mais de dois séculos após Cavendish, o universo continua a sussurrar que a gravidade — essa força aparentemente tão familiar — ainda guarda segredos que insistem em escapar das nossas balanças. Afinal, quando se trata do cosmos, até aquilo que nos mantém firmemente presos ao chão continua desafiando nossa compreensão.

segunda-feira, 6 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — NEM TUDO É O QUE PARECE.

UMA MEIA VERDADE É QUASE SEMPRE UMA GRANDE MENTIRA.


No livro Eram os Deuses Astronautas? (1968), Erich von Däniken oferece explicações intrigantes para diversos enigmas que a história não conseguiu elucidar.


Segundo a Teoria dos Antigos Astronautas, alienígenas visitam a Terra há milhares de anos e foram tomados como "deuses" pelos antigos egípcios, gregos, maias e outros povos, como mostram diversas pinturas e esculturas encontradas por arqueólogos.


Alguns autores "sérios" se referem ao trabalho do pesquisador suíço como “pseudociência”, mas talvez haja uma ponta de inveja nessa crítica: os livros de Däniken foram traduzidos em dezenas de idiomas e venderam mais de 100 milhões de cópias mundo afora.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O ex-governador da Bahia Jaques Wagner, que era líder de Lula no Senado até recentemente, se aborreceu por ter sido empurrado para dentro do caldeirão do Master pela Polícia Federal. Numa entrevista à Folha, soou como se estivesse fora de si e revelou o que tem por dentro.

O petista reputa normal ter pedido a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões, diz que o compraria posteriormente para a filha e que não teria feito o pedido se estivesse mal intencionado: "O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito".

Wagner não estranha o fato de o Master ter azeitado uma firma de sua nora com mais de R$ 3,6 milhões. "Estão inventando que era pra mim". Acha inusitada a criminalização do uso de jatos patrocinados. "Óbvio que de vez em quando eu pego carona". Diz que não se venderia pelos tickets que recebeu para os shows de Taylor Swift. "Eu poderia pedir coisa mais importante, né?" Considerou espetaculosa a foto com os dólares apreendidos no seu endereço brasiliense. "Pra que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF?". repetiu que o dinheiro é sobra de diárias recebidas para missões no exterior, e que "não lhe ocorreu" devolver essas "sobras" ao Tesouro Nacional.

Como se vê, o problema não é que a PF suspeita que falta honestidade ao senador. A questão é que ele parece incapaz de demonstrá-la.


Cada um pode acreditar no que bem entender, da planicidade da Terra à existência de seres reptilianos que habitam as profundezas do planeta. Eu, a exemplo de São Tomé — que só acreditou na ressurreição de Cristo depois de ver e tocar em suas chagas —, preciso ver para crer. E entre narrativas religiosas que tentam explicar mistérios que as próprias religiões não entendem e teorias baseadas em evidências levantadas pela ciência, prefiro estas àquelas.


Como mencionei em algum momento desta sequência, mas repito porque a audiência do blog é rotativa, entre os anos de 1948 e 1968 o Projeto Blue Book identificou 1.268 relatos de UFOs, dos quais 701 permanecem envoltos em mistério. E o mesmo se aplica a 143 dos 144 avistamentos que o Pentágono registrou nas últimas duas décadas.


Em um dos vídeos gravados por caças da Marinha — conhecido como Incidente Nimitz — que foram entregues ao New York Times por um ex-diretor do AATIP, vê-se claramente um objeto oval sem asas nem propulsores visíveis executando manobras aparentemente impossíveis do ponto de vista aerodinâmico.


Um relatório produzido pela ODNI catalogou 510 casos de UAPs. Dos 366 que foram investigados, 26 eram sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) ou drones, 163 eram balões ou "artefatos semelhantes a balões", meia dúzia foi considerada "desordem” (como pássaros e sacolas plásticas de compras flutuando no ar) e 171 foram classificados como avistamentos de UAPs "não caracterizados e não atribuídos" (sobretudo os que demonstram características de voo incomuns ou capacidades de desempenho que requerem análises mais aprofundadas).


Em um episódio da série Unidentified with Demi Lovato, a apresentadora disse ter sido abduzida por alienígenas. O cantor Fábio Jr. contou à revista IstoÉ que viu duas naves pairando sobre seu carro. O jornalista e apresentador Amaury Jr disse que já avistou mais de 40 objetos esféricos e em forma de prato em seu sítio no município paulista de Vinhedo. O ator Tarcísio Meira contou que ele, a mulher e outras seis pessoas testemunharam quatro objetos voando em formação assimétrica, que ficaram parados por cerca de um minuto antes de desaparecerem.


Não sei até que ponto esses depoimentos são confiáveis, mas eu passei por uma experiência semelhante nos anos 1960, durante as férias no sítio da minha avó, na área rural de uma bucólica cidadezinha do interior paulista. Certa noite, uma luz branca ofuscante surgiu subitamente, acompanhou a mim e a meu primo enquanto corremos rumo à sede da propriedade, e então se tornou um pontinho no céu e desapareceu tão subitamente quanto surgiu minutos antes.


Observação: Voltei ao sítio várias vezes em outros anos, mas nunca tornei a ver algo semelhante. Reencontrei meu primo uma dezena de vezes nos últimos 60 anos, mas jamais voltamos a falar sobre o assunto.


Durante uma conversa descontraída com alguns colegas do Los Alamos National Laboratory, em 1950, o físico italiano Enrico Fermi levantou a seguinte questão: "Onde está todo mundo?" Um quarto de século depois, em seu único livro de ficção — Contact —, o astrofísico Carl Sagan escreveu: The universe is a pretty big place. If it's just us, seems like an awful waste of space (o universo é um lugar muito grande. Se somos só nós, parece um terrível desperdício de espaço). 


Em condições ideais (noite sem luar, com atmosfera limpa e seca e sem poluição luminosa), podemos avistar de 2.500 a 3.000 estrelas. Como enxergamos apenas metade da esfera celeste de cada vez, o número de estrelas visíveis a olho nu fica entre 5.000 e 6.000, mas estima-se que existam cerca de 100 bilhões de galáxias no Universo, as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões. Nem todos esses sextilhões de "sóis" são orbitados, mas boa parte deles têm planetas girando ao seu redor.


No fim das contas, entre o silêncio das estrelas e o burburinho das teorias, o mistério persiste, e the answer, my friend, is blowing in the wind.


Continua…