domingo, 19 de abril de 2026

CONTRAFILÉ — NA BRASA OU NA FRIGIDEIRA, SEMPRE UMA BOA OPÇÃO

EGOÍSTA É A PESSOA QUE PENSA MAIS EM SI MESMA DO QUE EM MIM.

Eu pretendia incluir no post do último domingo uma receita de rosbife (semelhante, mas não exatamente igual à que publiquei em julho do ano retrasado), mas resolvi deixar para hoje, para que o texto não se estendesse demais. Dito isso, vamos em frente.


Os melhores cortes para rosbife são o filé-mignon (o miolo da peça) e o lagarto redondo, mas alcatra e contrafilé também dão bons resultados, lembrando que o “charme” do rosbife é ser tostado por fora e rosado por dentro.


Você vai precisar de um pedaço de contrafilé de aproximadamente 1,2 kg, 4 colheres (sopa) de óleo ou azeite, uma colher (sopa) de manteiga, 1 dente de alho picado, sal e pimenta-do-reino a gosto (se quiser, inclua na lista de temperos alho em pó, cebola em pó, páprica, ervas frescas ou secas, como tomilho, alecrim, salsa).


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Ao determinar a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília, e do advogado Daniel Lopes Monteiro, o ministro André Mendonça disse haver uma “altíssima capacidade de reorganização” da organização criminosa, mesmo após a deflagração das operações policiais. Segundo a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente do BRB era peça essencial para viabilizar a aquisição das carteiras fraudulentas. Em contrapartida, ele teria acertado o recebimento como propina seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146,6 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões já teriam sido efetivamente pagos.

Já Daniel Lopes é apontado como operador jurídico-financeiro do esquema investigado, especialmente na formalização das operações entre Master, Tirreno e BRB e na ocultação do beneficiário real das aquisições imobiliárias. De acordo com as investigações, o advogado recebeu pelo menos R$ 86,2 milhões pelo esquema fraudulento. 

Costa e Daniel Monteiro foram presos nesta quinta-feira durante a 4ª Fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master. De acordo com as investigações, para operacionalizar o pagamento e ocultar a titularidade real dos bens, teriam sido mobilizados fundos de investimento geridos pela Reag, bem como empresas de fachada, atribuídas formalmente a interpostas pessoas, entre elas o cunhado do advogado Daniel Monteiro.


1 — Enquanto aquece o forno a 180°C, limpe e tempere a carne com o sal e a pimenta, coloque o óleo (ou o azeite), a manteiga e o alho numa panela em fogo alto, refogue e sele a carne de todos os lados.


2— Transfira a carne para uma assadeira untada com manteiga, cubra com papel alumínio e leve ao forno por aproximadamente 1 hora ou até que ela atinja o ponto desejado (use um termômetro de cozinha para verificar a temperatura interna: 55°C para malpassado, 60°C para ao ponto, e assim por diante).


3 —Cinco minutos antes de tirar a carne do forno, acerte o ponto do sal e da pimenta, espalhando os temperos de maneira uniforme. Ao final, deixe descansar por cerca de 10 minutos antes de fatiar.


4— Se quiser, misture 8 fatias de pão de forma esfareladas com 1/4 de xícara (chá) de leite e 1 pacote de creme de cebola, misture, até formar uma pasta, aplique essa pasta sobre a carne, aperte com as mãos para firmar e coloque de volta no forno até dourar.


— Para o molho, use o caldo restante do cozimento da carne, devidamente reduzido em uma panelinha e servido à parte.


Observação: Se estiver usando um corte magro, como filé mignon, opte por um molho forte e saboroso, como o molho madeira — vinho madeira, caldo de carne, cogumelos e manteiga — ou o de pimenta verde pimenta verde, creme de leite, caldo de carne e manteiga. Se estiver usando um corte mais gorduroso, como contrafilé, prefira um molho mais leve, como o de rosbife — caldo resultante do preparo do rosbife, manteiga, farinha de trigo e creme de leite — ou o de ervas — manjericão, alecrim e tomilho, azeite, vinagre e alho.


Bom apetite.

sábado, 18 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 96ª PARTE — TERIA SIDO O BIG BANG UM BIG BOUNCE?

QUANDO A JUSTIÇA FALHA, OS HOMENS JUSTOS SE ERGUEM. 

Filosoficamente, uma realidade simulada ainda teria leis próprias e seria tão real para nós quanto qualquer outra. Mas se somos arranjos temporários de partículas em um universo indiferente destinado à morte térmica, qual é o significado objetivo da vida?


Os niilistas não acreditam num propósito cósmico; segundo eles, todo significado é uma construção humana temporária. Para os existencialistas, criamos significado por meio de escolhas e compromissos, ao passo que os seguidores do emergentismo defendem que significado, valor e propósito são propriedades emergentes reais de sistemas complexos, e embora inexistem no nível fundamental, são genuínas no nível apropriado de descrição.


Segundo a teoria do Estado Estacionário, o Universo não teve início nem terá fim — ou seja, sempre existiu e sempre existirá —, uma vez que a expansão é compensada pela criação contínua de matéria (um átomo por metro cúbico a cada bilhão de anos). Embora a descoberta da radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMB) aponte para um início quente, e não para um universo eterno e contínuo, versões modificadas dessa teoria ainda persistem.


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Ninguém viu ainda o código de ética prometido pelo ministro Fachin, mas já é possível identificar um movimento coordenado, com ações que limitam investigações, CPIs e delações. Juntas, compõem um manual de blindagem, e o pedido de Gilmar Mendes para Paulo Gonet investigar o senador Alessandro Vieira se insere nesse contexto em que o Supremo prioriza a autoproteção em vez da autocontenção. 

As togas se equipam para impor limites ao funcionamento de CPIs — farão isso ao julgar ação que discute a quebra do sigilo de Lulinha pela falecida CPI do INSS. Antes, Alexandre de Moraes reviu seus próprios conceitos para limitar o uso de relatórios de inteligência do Coaf, vitais no avanço das investigações sobre o Master. Há mais: às vésperas da delação de Daniel Vorcaro, Moraes pôs para andar ação antidelação movida pelo PT em 2021.

Antes disso, Fachin engavetou documento em que a PF apontava indícios de crime de Toffoli para permitir que o colega deixasse a relatoria do caso Master sem a pecha da suspeição. Depois, Gilmar desengavetou ação que arquivara três anos atrás para suspender a quebra dos sigilos da empresa de Toffoli na recém-encerrada CPI do Crime.

Tomadas em conjunto, as providências adotadas no Supremo constituem uma espécie de código informal de falta de ética.


Existe também a hipótese de que forças eletromagnéticas em plasmas cósmicos — e não a gravidade — dominam a estrutura do Universo em larga escala. Mas essa proposta não explica a expansão acelerada, a CMB, a abundância de elementos leves e a formação de estruturas cósmicas tão bem quanto o modelo ΛCDM


Outra possibilidade é que o fato de o universo ter passado por ciclos infinitos de expansão e contração evita a singularidade do Big Crunch. Inspirada na Teoria das Cordas e em cenários de D-branas colidindo, essa perspectiva sugere que o cosmos seria uma brana flutuando em um espaço de dimensões extras, e que colisões periódicas gerariam novos Big Bangs sem um início absoluto. Isso elimina a necessidade de um início singular, mas abre espaço para perguntas difíceis: como evitar o acúmulo de entropia ciclo após ciclo? E por que cada ciclo teria as propriedades que tem? 


Talvez o Big Bang não tenha sido uma singularidade, e sim um Big Bounce — uma contração prévia revertida em expansão ao atingir densidade crítica, porém finita. Na escala de Planck, a gravidade quântica pode gerar uma repulsão que impede o colapso total em singularidade e elimina o problema do início absoluto, permitindo que informação do universo anterior atravesse o bounce. Essa solução é matematicamente elegante, mas empiricamente desafiadora de testar. 


Outra possibilidade é a inflação cósmica continuar produzindo infinitos “universos-bolha” com propriedades distintas. A Teoria das Cordas prevê cerca de 10⁵⁰⁰ possíveis “vácuos”, cada um correspondendo a um conjunto particular de leis físicas e criando um multiverso em que todos os universos possíveis existem em algum lugar do espaço-tempo. Mas se qualquer observação pode ser explicada dizendo “isso acontece em algum universo do multiverso”, até que ponto preservamos o poder preditivo da ciência?


Usando tempo imaginário, James Hartle e Stephen Hawking propuseram um universo sem borda, uma condição de contorno em que o universo não começa em uma singularidade, mas emerge suavemente de um estado quântico. Essa proposta elimina a pergunta “quem (ou o que) causou o universo”, já que substitui a causa externa por uma flutuação quântica espontânea.


Segundo o Princípio Holográfico, toda a informação de um volume de espaço pode ser codificada em sua superfície, assim como um holograma 2D codifica uma imagem 3D. A entropia de um buraco negro é proporcional à área de seu horizonte de eventos, não ao volume, e em certos modelos uma teoria gravitacional em N dimensões equivale a uma teoria quântica sem gravidade em N–1 dimensões. 


Filosoficamente, a dimensionalidade do espaço pode ser uma ilusão conveniente — uma maneira eficiente de organizar relações informacionais profundas. Niels Bohr advertiu que quem não fica chocado ao conhecer a teoria quântica pela primeira vez provavelmente não a entendeu. No entanto, por mais estranhas que sejam, todas essas teorias emergem de evidências sólidas e matemática rigorosa.


Talvez a lição mais profunda seja a de que a realidade não tem obrigação de ser intuitiva. Se lidamos com objetos de tamanho médio que se movem em velocidades médias, não há motivo para o cosmos, em suas escalas extremas, se comportar de forma confortável para nosso cérebro. Em última análise, a questão não é se essas ideias são estranhas, mas se são verdadeiras, e somente experimentos e observações podem responder. 


A natureza já votou; agora cabe a nós tentar entender o veredicto. Como Einstein bem observou, o mais incompreensível sobre o universo é ele ser compreensível. Talvez essa compreensibilidade seja o maior mistério de todos.

Continua… 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — EXPERIÊNCIAS DE QUASE MORTE

O QUE FAZEMOS AGORA ECOA NA ETERNIDADE.

Se o tempo e o espaço são uma ilusão e a consciência realmente opera fora desses limites, talvez os raros momentos em que a vida entra em modo de manutenção, enquanto a mente parece entrar em modo de expansão, não sejam falhas do sistema, mas breves vislumbres de sua arquitetura real. Sob essa perspectiva, as chamadas Experiências de Quase-Morte (EQMs) deixam de ser um problema e passam a ser um indício incômodo: relatos de percepção lúcida, memória organizada e até descrição precisa do ambiente em estados nos quais, em tese, o cérebro já teria encerrado suas atividades.


Se mudarmos de lente e voltarmos ao modelo clássico — em que a consciência é produto do cérebro —, uma parada cardíaca completa deveria equivaler ao desligamento de um computador. Tela preta. Fim da história, Mas como explicar a consciência sem cérebro, a visão sem olhos e a memória sem atividade neural?


Seriam as EQMs brechas no tecido do tempo… ou apenas a consciência sintonizando uma frequência que, na maior parte do tempo, somos incapazes — ou talvez proibidos — de perceber? Ou, mais desconcertante ainda: não é a consciência que aparece quando o cérebro falha… é o cérebro que limita aquilo que a consciência poderia ser.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Paulo Henrique Costa assumiu a presidência do BRB — o banco público de Brasília — com fama de homem de bem. Em meio ao escândalo do Master, foi demitido sob a suspeita de que se deu bem nas tramoias de Daniel Vorcaro. Preso em flagrante pela Polícia Federal, levou consigo a reputação destruída e um inventário pouco discreto: seis imóveis avaliados em R$ 140 milhões. Para um homem de bem, patrimônio considerável. Não se chega a uma fraude de R$ 12,2 bilhões — como a que Vorcaro aplicou contra o BRB — na base do improviso. Esse tipo de operação exige arquitetura, cumplicidade e, sobretudo, tempo. O avanço das investigações trouxe à tona uma espantosa sequência de fatos extraordinários envolvendo pessoas ordinariamente corruptas: havia muito patrimônio por trás do matrimônio do Master com o banco público que o então governador Ibaneis Rocha, com a desenvoltura característica de quem governa para si mesmo, desgovernou com notável dedicação. Ainda no mês anterior, Vorcaro tentou vender um dos imóveis dados como propina ao ex-presidente do BRB — detalhe que, sozinho, diz tudo sobre o nível de impunidade que esses personagens julgavam ter conquistado. Vender o imóvel dado como suborno é o tipo de audácia que só se explica pela certeza de que nada aconteceria. Desta vez, aconteceu. Além de Paulo Henrique, foi preso o advogado Daniel Monteiro, um dos operadores de Vorcaro na gestão dos fundos usados para comprar autoridades da República. Ele representou o dono do falecido Banco Master nas negociações com o BRB — negociações que o Banco Central barrou, não sem antes o esquema ter causado o estrago que causou. A presença de um advogado como operador central não é detalhe: é a marca registrada de fraudes sofisticadas, nas quais a linguagem jurídica serve menos para garantir direitos do que para obscurecer crimes. Resta saber se os bens e verbas de origem torpe serão efetivamente recuperados — pergunta que, no Brasil, carrega embutida uma dose generosa de ceticismo histórico. A experiência sugere que, no país das operações que começam com estrondo e terminam em arquivamento, a expectativa de justiça completa é, no mínimo, prematura. Resumo da ópera: um país sem justiça se transforma num covil de ladrões — como comprova a súcia abjeta que se aboletou nas sedes dos Três Poderes desta republiqueta bananeira de quinta categoria. A diferença entre um Estado e uma quadrilha, em certos momentos da história brasileira, é questão de formalidade.


A morte é a única certeza que temos na vida, mas o que supostamente existe depois dela é uma incógnita que atormenta a humanidade desde sempre. Não há provas irrefutáveis de vida após a morte, mas Carl Sagan ensinou que ausência de evidência não é evidência de ausência


Do ponto de vista da medicina, a morte é a cessação irreversível das funções vitais do organismo, mas as EQMs contrariam essa visão estritamente materialista porque a consciência é a capacidade de ter conhecimento e percepção de si mesmo, do mundo ao redor e dos próprios pensamentos e sentimentos. 


Os neurologistas associaram a consciência ao córtex pré-frontal em 1848, depois que Phineas Gage — um operário que teve o crânio trespassado por uma barra de ferro — "recobrou a consciência" e se tornou um cafajeste arrogante. Mais adiante, descobriu-se que a área afetada — o córtex pré-frontal, — exerce um papel preponderante na capacidade de sentir emoções como o remorso, de modo que mudanças físicas no cérebro podem alterar a personalidade das pessoas.


Vale destacar que não existe uma definição universalmente aceita do que seja consciência. A medicina descreve seus sinais, a neurologia procura suas bases anatômicas, a psicologia debate seus conteúdos, e a filosofia insiste que nenhuma dessas lentes, isoladamente, dá conta do fenômeno. Mal comparando, seria como tentar descrever o mar medindo apenas a espuma.


Por mais que associemos consciência à atividade cerebral, ainda não sabemos por que certos padrões de neurônios em ação dariam origem à experiência subjetiva — ao “como é ser” alguém. É esse abismo conceitual que fez surgir tentativas de formalizar a coisa. Teorias como a Materialista e as da Informação Integrada e do Espaço de Trabalho Global tentam explicar a origem daquilo que os religiosos tratam por alma, espírito, sopro vital, enfim, algo separado do corpo físico, ainda que usando vocabulário e métodos bem diferentes.


Relatos de alguns pacientes que foram reanimados após serem declarados clinicamente mortos envolvem a sensação de flutuar e de ver o próprio corpo “de cima”. Muitos descrevem encontros com parentes já falecidos, túneis de luz, sensação de paz e até detalhes de conversas que ocorreram enquanto os médicos tentavam trazê-los de volta à vida.


Não se sabe exatamente o que são essas “experiências de quase morte”, por que elas ocorrem ou o que representam, mas sabe-se que elas variam de pessoa para pessoa, podendo ser positivas ou perturbadoras, e é justamente nesse vácuo que entram as Experiências de Quase Morte (EQMs).


A relação das EQMs com a consciência e a vida após a morte vem sendo pesquisada e debatida por neurologistas, psicanalistas e biologistas há décadas, mas ainda não se sabe se elas têm base neurológica, se são produzidas pela mente em resposta a uma situação de morte iminente ou se sua natureza é mais espiritual ou transcendental.


Sabe-se que pacientes alcoolizados, vítimas de overdose de drogas que afetam a consciência tendem a descrever experiências bizarras e confusas, e pessoas que se viram em situações de morte iminente, a relatar episódios com elementos cognitivos, distorção temporal e aceleração do pensamento.


Uma médica de 68 anos disse que assistiu a uma revisão crítica de sua vida e entrou num túnel que a levou a um local de paz, mas despencou em posição de Trendelenburg e retornou ao corpo pela região do chacra cardíaco. Outra médica de 42 anos contou que foi puxada para o interior de um túnel com luzes coloridas, mas voltou ao corpo e despertou antes de descobrir o que havia do outro lado. 


A cantora Madonna revelou à revista Variety que, durante uma EQM, Deus lhe perguntou se queria ir com Ele e ela respondeu que não. O iatista Lars Grael, que perdeu uma perna e sofreu duas paradas cardíacas, disse ter sentido uma paz enorme enquanto levitava sobre o próprio corpo. A atriz Sharon Stone enxergou um ser feito de luz branca enquanto estava inconsciente num túnel de ressonância magnética, e Elizabeth Taylor se viu na mesa de operação ao lado de um de seus falecidos maridos (ela se casou 8 vezes, duas com o ator Richard Burton).


Há inúmeros casos documentados de crianças que viram parentes que jamais conheceram — e que foram capazes de álbuns de família — e relatos de religiosos que afirmaram ter encontrado Deus, Jeová, Alá, Oxalá, Krishna — conforme o cardápio metafísico de cada fé —, e certamente haveria muitos mais se tanta gente não evitasse falar sobre o assunto por medo de ter a sanidade mental questionada, a exemplo de quem relata contatos imediatos de segundo, terceiro, quarto e quinto graus.


Acredita-se que a consciência seja como um filme "projetado" por uma série de atividades realizadas no cérebro, que reúne a história da vida de cada pessoa. Essa capacidade de representar o mundo na mente se estende a outros seres vivos, mas em um grau muito menor — uma anêmona do mar se expande ou se contrai na presença da luz solar, enquanto o homo sapiens conta com uma série de instrumentos que representam o ambiente de forma bem mais sofisticada. Mas a pergunta é: em que momento essas atividades formam aquilo que chamamos de consciência?


Supondo que a consciência seja um fluxo contínuo de conexões neurológicas que se inicia com o nascimento e termina com a morte, cada nova experiência leva o cérebro a criar uma representação mental e armazená-la na memória. Pesquisadores que monitoraram o funcionamento do cérebro através da tomografia por emissão de pósitrons descobriram que diversas atividades responsáveis pela consciência demandam ações conjuntas de várias regiões.


Em suma, o que cada um de nós faz é a soma de todas as representações feitas de nós mesmos, dos outros e do ambiente que nos circunda, mas a ciência não explica a capacidade que algumas pessoas têm (ou alegam ter) de se conectar com o além, receber mensagens de quem já passou desta para melhor (ou para pior), lembrar de vidas passadas, ver entes falecidos, receber mensagens psicografadas e incorporar entidades que tanto podem ser “do bem” quanto “do mal”. 


O que a Igreja diz a respeito vai na mesma linha da criação do mundo segundo o Gênesis, que, convenhamos, qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar. Embora a possibilidade de existir um ser superior seja plausível, o deus vingativo dos pastores papa-dízimo e dos padres pedófilos é inadmissível. 


No fim das contas todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa e meras fantasias para os seguidores das outras religiões, mas não há crença, por mais estúpida que seja, que não tenha fiéis sectários.


Continua…