quinta-feira, 11 de junho de 2026

SABEDORIA DOS PROVÉRBIOS POPULARES

EM TERRA DE CEGO, QUEM TEM UM OLHO É… CAOLHO.

Os provérbios populares remontam aos primórdios da humanidade. No contexto bíblico, eles lembram Salomão, terceiro rei de Israel, que ensina regras de justiça, disciplina e boa convivência em seu Livro dos Provérbios, mas no nordeste brasileiro eles evocam o folclorista Mário Souto Maior, cuja vasta obra inclui Alimentação e Folclore — uma coleção de ditos populares que se enraizaram na cultura tupiniquim. 


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Reunido para julgar a censura imposta por Nunes Marques à pesquisa AtlasIntel, o plenário do TSE decidiu não decidir, mantendo a liminar atendeu a um pedido esdrúxulo do primogênito de seu benfeitor. O plenário do tribunal tinha pelo menos três razões para desdizer o "10% de Bolsonaro no Supremo", cuja decisão monocrática se revelou juridicamente inepta, politicamente inútil e cientificamente perigosa. 

A liminar é Inepta porque liminares pressupõem urgência, e a pesquisa suspensa foi divulgada no mês passado — a alegação de que o áudio do filho do pai pedindo dinheiro a Vorcaro induziu os entrevistados não fica em pé, quanto mais não seja porque a peça só foi exibida no final do questionário sobre intenção de voto.

A liminar é inútil porque retirar de circulação uma pesquisa amplamente divulgada é tão inviável quanto desfritar um ovo, e perigosa porque o TSE ameaça quebrar vários ovos para produzir não uma omelete, mas uma lambança.

O julgamento foi interrompido por um pedido de vista da ministra Estela Aranha, e num prenúncio do que está por vir, o vice-presidente da corte,, André Mendonça, insinuou que o tempo pedido pela colega seria útil para inaugurar um debate sobre regras para os institutos de pesquisa. Surpreendentemente, Dias Toffoli afirmou que "quanto mais proibição, mais tutela", e que "as pesquisas deveriam ser liberadas totalmente". 

Nada pode ser mais perigoso do que um debate no qual a voz precária de Toffoli soa como contraponto lúcido.

"A fome é o melhor tempero" é um bom exemplo. Embora o sal, o azeite, o vinagre, o orégano, a salsinha, a cebolinha, o manjericão, a hortelã, o louro, o cravo, a canela, a noz-moscada, as pimentas e condimentos preparados, como a mostarda e o molho inglês, sejam imprescindíveis, não há nada como a fome para deixar a comida mais apetitosa.

"A verdade e o azeite andam em cima" - Como as demais gorduras e a nata do leite, o azeite sobe à superfície quando misturado a outros líquidos.

"Amizade remendada, café requentado" - Reaquecer o café destrói as substâncias responsáveis pelo aroma e o sabor dessa bebida da mesma forma que uma amizade (ou uma relação amorosa) reatada não volta a ser como era antes do rompimento.

"Azeite, vinho e amigo, melhor o antigo" — Dizem que só quem come trinta quilos de sal (um quilo por ano) é amigo de verdade. Isso vale também para os vinhos — que melhoram com o tempo quando não viram vinagre —, mas não para o azeite, que fica rançoso depois de alguns meses.

"Barato que só bolo de goma" - Goma é o polvilho da mandioca, que é usado para fazer tapioca, biscoitos, beijus e… bolo de goma. A receita é simples, rende muito e é barata.

"Puxar a brasa para sua sardinha" (ou “puxar a sardinha para sua brasa”, dependendo da versão) — A sardinha recebeu esse nome por ser abundante na ilha da Sardenha (Itália), e a expressão em tela (ou sua variante inversa) nasceu de um contexto culinário típico de feiras, romarias, festas populares e acampamentos, no qual as pessoas assavam as sardinhas na mesma fogueira e tentavam arrastar a brasa mais quente para perto da sua. Com o passar do tempo, a expressão passou a significar agir em benefício próprio em detrimento do interesse coletivo.

"Em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão" — O pão é o principal alimento dos povos desde a pré-história, e a falta dele, o pavio para toda sorte de desentendimentos (outro ditado semelhante é: “quando a necessidade entra pela porta, o amor sai pela janela”).

"Macaco, quando não pode comer banana, diz que ela está verde" — Bananas verdes não devem ser consumidas in natura porque travam na boca e dão dor de barriga. Aliás, os macacos começam a descascar a banana pela ponta (o bico preto), evitando que aqueles fiozinhos amargos fiquem grudados na fruta.

"Não há mulher sem graça nem festa sem cachaça" — A cachaça é um subproduto da cana-de-açúcar, que os escravos consumiam para suportar o frio e o trabalho duro nos canaviais, e os senhores de engenho usavam como remédio para quase tudo, de reumatismo a sífilis e picada de cobra. Mulher sem graça pode até ter, mas festa sem cachaça, no Nordeste, é meio difícil.

"Não se faz omelete sem quebrar ovos" - Como a omelete é feita com ovos batidos, o sentido oculto da frase é que não há bônus sem ônus nem resultado sem sacrifício. Em outras palavras, para alcançar um objetivo — seja ele pessoal, político, econômico ou até moralmente nobre — algo precisa ser perdido, destruído ou colocado em risco.

"O frango de hoje é preferível ao galo de amanhã" - O provérbio ensina que a carne mais nova e tenra é sempre melhor e mais saborosa que a mais velha e dura.

"Ninguém fica pra semente" - Na linguagem bíblica, isso se diz de quem vive muito além da média (caso de Matusalém, que teria vivido 969 anos).

"Para quem ama, catinga de bode é cheiro" — Versão nordestina do ditado “quem ama o feio bonito lhe parece”. A propósito, a catinga do bode é causada por uma glândula que se desenvolve na cabeça do animal a partir do quinto mês de vida. Para obter melhores resultados culinários, recomenda-se abater o caprino antes dessa idade.

"Pimenta nos olhos dos outros é refresco" - A pimenta arde por ser rica em capsaicinoides, que não têm cheiro nem sabor, mas estimulam as células nervosas da boca, produzindo a sensação de ardor. Uma variação menos elegante desse provérbio substitui olhos por cu, mas isso é outra conversa.

"Uma azeitona é ouro, a segunda é prata e terceira mata" — Cada 100 g de azeitonas verdes têm 140 kcal, e das pretas, 180 kcal. Mas o provérbio é um exagero, já que uma azeitona a mais dificilmente mata alguém.

A associação com a comida deixa claro que a origem dessas pérolas está menos nos púlpitos e mais nas cozinhas, feiras e fogões improvisados. Antes de virar metáfora política, moral ou social, era só gente tentando garantir o jantar. O cardápio mudou, mas os ditados ficaram — e a fome, como sempre, continua sendo o melhor tempero da lucidez.

quarta-feira, 10 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — A RELIGIÃO E O APAGAMENTO DE NOSSA INFÂNCIA INTELECTUAL

ANTIGOS MISTÉRIOS DERAM ORIGEM A MUITOS MITOS, MAS ISSO NÃO SIGNIFICA QUE ELES PRÓPRIOS FOSSEM APENAS LENDAS.

Vimos que fé e religião são coisas distintas, que tanto é possível ter fé e não ser religioso quanto seguir uma religião apenas por tradição familiar ou convenção social, e que a fé é uma experiência subjetiva e visceral, enquanto a religião funciona como mapa, rito e código social.

Os primeiros textos védicos remontam ao ano de 1500 a.C. e, antes de chegar ao papiro, o conceito que eles encerram foi transmitido oralmente e preservado durante séculos mediante métodos mnemônicos de recitação cruzada, onde cada sílaba tinha uma entonação matemática precisa. Quando os textos foram finalmente compilados, o mundo viu nascer uma das maiores bibliotecas do pensamento humano.


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Está acontecendo de novo. A exemplo das eleições de 2018 e 2022, a deste ano se parece muito com uma feijoada rala. Com excesso de pesquisas, tem mais caldo do que feijão. Carne, nem pensar. Os candidatos gastam tempo e energia espinafrando-se mutuamente. Há uma inanição de ideias e projetos, mas de concreto, por enquanto, o que há além dos ataques é o alto custo da campanha — R$ 4,9 bilhões. 

Dividindo-se a conta pela população, cada brasileiro entra com R$ 22,95. Parece pouco, mas é dinheiro suficiente para comprar 3,2 quilos de feijão preto. Em condições normais, o custo bilionário seria apenas vergonhoso. Numa era em que as campanhas digitais atenuam a necessidade de grandes comícios, a coisa tornou-se escabrosa.

Donos das maiores bancadas no Congresso, o PL e o PT beliscaram, respectivamente, R$ 881,6 milhões e R$ 615,4 milhões. O filho do presidiário e o ex-presidiários frequentam as pesquisas numa condição paradoxal: somam simultaneamente os maiores percentuais de intenção de voto e as maiores taxas de rejeição. Quer dizer: a disputa de 2026 repetirá o script das últimas sucessões. Parte do eleitorado irá ao segundo turno optar pelo "mal menor", ou seja, votar em um candidato para não ver o outro no Planalto. Como o menor dos males não deixa de ser um mal para quem odeia, a metade do país representada pelo polo perdedor sairá do processo eleitoral com a sensação de que pagou por uma feijoada ruim, e o Brasil terá a partir de 2027 não um presidente, mas um novo terceiro turno de quatro anos.


Curiosamente, enquanto a tradição oral védica sobreviveu quase intacta por milênios, uma parcela significativa dos registros físicos foi destruída por incêndios, enchentes e outras catástrofes naturais, e os que restaram se tornaram reféns de governantes despóticos e líderes religiosos mais preocupado com a manutenção do poder institucional do que com a busca da verdade.


Para muitos conquistadores, o conhecimento de um povo era uma ameaça à nova ordem, e destruir os textos era uma forma de "desmemoriar" a população para facilitar a dominação. Na Índia, a Grande Biblioteca de Nalanda foi queimada no século XII por invasores — reza a lenda que a quantidade de manuscritos era tão vasta que a biblioteca queimou por três meses seguidos. A Biblioteca de Alexandria é, talvez, o símbolo máximo dessa tragédia cultural — se os Vedas representam a sobrevivência pela voz, Alexandria representa a vulnerabilidade do suporte físico (o papiro e o pergaminho) diante da intolerância e do tempo.


O fim de Alexandria foi uma lenta agonia causada por uma combinação de fatores, começando pelos conflitos geopolíticos (que resultaram em sucessivas guerras pelo poder), seguindo pelo fanatismo e pela intolerância (com a ascensão do cristianismo como religião oficial do Império Romano, o conhecimento contido em Alexandria foi visto como "pagão" e perigoso) e destruído pela "negligência" de governantes que pararam de financiar os estudiosos e a manutenção dos rolos (sem investimento, os escribas pararam de copiar os textos antigos, e papiro, por ser um material orgânico, apodrece se não for cuidado).


Com o desaparecimento de milhares de rolos, perderam-se as obras completas de Aristarco de Samos — que já propunha o heliocentrismo 1.800 anos antes de Copérnico —, textos de Sófocles, Eurípides e Ésquilo, bem como mapas antigos e registros de navegação que poderiam ter antecipado a era das descobertas em séculos. Foi como se a humanidade tivesse sofrido uma amnésia coletiva: o que os Vedas salvaram através do som, Alexandria perdeu no silêncio das cinzas.


É curioso notar que muitos dos que destruíram essas bibliotecas o fizeram em nome de uma "religião", embora certamente carecessem daquela "fé" que busca a verdade e respeita a criação intelectual humana. Se um texto antigo oferecia uma visão de fé que não exigia intermediários ou que contradizia a convenção social estabelecida, ele era rotulado como herético ou perigoso. Em outras palavras, em nome do poder ou de uma suposta "pureza" da fé, variações regionais dos textos foram destruídas para impor uma versão única que servisse ao status quo.


É irreparável o dano causado pela perda de nossa "infância intelectual" em fogueiras de vaidade e ignorância. O pouco que restou e foi recuperado por meio da arqueologia e da filologia ainda é vasto. No caso dos Vedas, a tradição oral acabou sendo a "nuvem de backup" mais segura da antiguidade: enquanto o papiro queimava e a tinta desbotava, o som e a métrica eram passados de mestre para discípulo, sobrevivendo onde a pedra e o papel falharam.


Resumo da ópera: É ingenuidade achar que o apagamento da memória decorre apenas de causas naturais — na maioria das vezes ele é perpetrado por quem detém o poder —, e o mesmo fenômeno de controle que vitimou Alexandria se repetiu de forma ainda mais insidiosa na sistematização da Bíblia. 


O que hoje o senso comum aceita como uma unidade indivisível é, em essência, o resultado de uma curadoria política e arbitrária, realizada por "religiosos" poderosos, que se autoconcederam o poder de decidir o que era sopro divino e o que era "conhecimento nocivo".Sob o pretexto de proteger os fiéis de heresias, esses editores da fé filtraram a pluralidade das experiências espirituais primitivas e descartaram textos que ofereciam uma visão de transcendência direta, sem a necessidade de pedágios institucionais. 


Quando se entrega aos lobos a chave do redil, perde-se o direito de reclamar do sumiço das ovelhas: o que foi sacrificado foram meros pergaminhos, mas a própria liberdade do pensamento em busca do sagrado. Ao canonizar uma versão e demonizar as outras, as lideranças inescrupulosas não só moldaram uma religião; mas também criaram um cerco intelectual: aquilo que ia contra o establishment ou empoderava o indivíduo fora das amarras da convenção social foi rotulado como apócrifo e condenado ao esquecimento.


Assim, a "pureza" da fé tornou-se o álibi perfeito para uma das maiores operações de silenciamento da história, garantindo que o mapa nunca fosse maior do que o território permitido pelo palácio.


Continua…

terça-feira, 9 de junho de 2026

PROJETO CHRYSALIS

NADA PERECE NO UNIVERSO; TUDO O QUE ACONTECE NÃO PASSA DE MERAS TRANSFORMAÇÕES.

O Projeto Chrysalis, vencedor do concurso internacional Hyperion 2025, prevê a construção de uma nave interestelar capaz de transportar até 2.400 pessoas durante 400 anos, mantendo uma sociedade estável em ambiente isolado.


Esse esforço visionário se insere num contexto em que até algumas das maiores figuras da exploração espacial moderna estão reavaliando prioridades. Recentemente, Elon Musk, fundador da SpaceX, anunciou que a empresa está priorizando a construção de uma “cidade autossustentável” na Lua — passível de ser estabelecida em menos de dez anos — em detrimento dos planos de colonização de Marte, que poderiam levar mais de duas décadas.


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A Marcha para Jesus em São Paulo foi convertida num efusivo palanque eleitoral, onde políticos e autoridades presentes demonstraram que a tentação de uma multidão de evangélicos é simplesmente irresistível para quem precisa de votos.

Bolsonaro e seu aliado Tarcísio de Freitas marcaram presença com o espírito devoto — ou de voto. Após pedir a palavra, o filho do presidiário não a devolveu em boas condições: entoando uma propaganda eleitoral em timbre de oração, o primogênito do refugo da escória da humanidade decretou o início de uma "guerra espiritual" e convocou as forças divinas para expulsar o "mundo do mal" do governo nas urnas de outubro.

Do outro lado do espectro político, a santidade também foi disputada por meio de procuração divina. O advogado-geral da União, Jorge "Béssias" Messias, atuou como o intermediário celestial ao conectar num telefonema o apóstolo Hernandes diretamente com seu amo e senhor — falo do macróbio eneadáctilo que é candidato à reeleição —, que fez questão de declarar durante a conversa que jamais usaria algo tão sagrado para obter proveito eleitoral — uma afirmação de desapego político tão genuína que, por puro milagre da tecnologia, acabou sendo amplamente reproduzida no palanque virtual das redes sociais.

Na prática, a celebração de Corpus Christi serviu para mostrar que, na teologia eleitoral brasileira, as ideologias se anulam no altar do pragmatismo. Enquanto Cristo insistia no mandamento de "Amai-vos uns aos outros", os candidatos de esquerda e direita uniram-se em um coro muito mais urgente e fervoroso, rogando aos fiéis o verdadeiro dogma da temporada: "Votai em mim, não nos outros".

Não fosse trágico, seria cômico.


Embora a colonização marciana ainda esteja nos planos de longo prazo, o foco imediato em um assentamento lunar mais acessível reflete uma mudança estratégica importante nas ambições humanas de expandir a vida além da Terra.


Vale destacar que a nave em assunto não é mera ficção científica, mas o resultado de estudos avançados de engenharia espacial que objetivam criar uma verdadeira “cidade no espaço”, apta a funcionar por muitas gerações. O projeto envolve desde o desenho estrutural da nave até a organização política e o equilíbrio psicológico dos tripulantes.


Estudos recentes, como os apresentados pela NASA, indicam que missões interestelares exigem soluções de longo prazo para preservar a saúde humana. Em outras palavras, viagens de séculos tornam inviável depender exclusivamente da microgravidade ou de conceitos ainda especulativos, como a hibernação prolongada.


Ao longo das últimas décadas, engenheiros propuseram estruturas rotativas gigantescas capazes de simular a gravidade terrestre. Esse conceito ganhou bases técnicas mais sólidas graças aos avanços em materiais de alta resistência e simulações computacionais, fazendo com que a ideia da nave geracional deixasse o campo exclusivo da ficção e passasse a integrar debates acadêmicos concretos.


Estruturas rotativas garantem gravidade artificial estável, enquanto sistemas fechados de reciclagem permitem o reaproveitamento contínuo de água, ar e resíduos. A blindagem externa protege contra radiação cósmica e micrometeoritos. Uma governança estruturada mantém a ordem social ao longo das gerações; programas educacionais asseguram a transmissão de conhecimento técnico e cultural; e o planejamento populacional evita a sobrecarga dos recursos disponíveis.


A gravidade artificial baseia-se na rotação de grandes cilindros ou anéis. Quando a estrutura gira, a força centrífuga empurra os ocupantes contra o solo interno, simulando peso semelhante ao da Terra. Os engenheiros ajustam o raio e a velocidade de rotação para alcançar níveis próximos de 1 g. No entanto, estruturas menores exigem rotações mais rápidas, o que pode provocar desconforto e desorientação.


Manter 2.400 pessoas em ambiente fechado por quatro séculos requer integração absoluta entre engenharia e organização social. Qualquer falha nos sistemas de suporte à vida pode comprometer toda a missão. Por isso, redundância tecnológica e manutenção contínua são prioridades. O equilíbrio psicológico e a prevenção de conflitos também dependem de processos seletivos rigorosos e de uma educação voltada à cooperação. A estabilidade social, portanto, dependerá tanto da tecnologia quanto da cultura coletiva.


A gravidade artificial reduz os impactos fisiológicos associados à microgravidade prolongada e facilita atividades cotidianas, como agricultura e construção interna. Manter um ambiente semelhante ao terrestre aumenta significativamente as chances de sucesso da missão. Ao mesmo tempo, a sensação constante de peso contribui para a estabilidade psicológica. Implementar essa solução, contudo, exige investimentos colossais em infraestrutura e energia — razão pela qual especialistas a consideram peça central de qualquer nave geracional viável.


Atualmente, cientistas testam módulos rotativos em pequena escala. Ainda assim, os avanços em engenharia espacial, inteligência artificial e sistemas avançados de reciclagem indicam progresso consistente. Cada experimento orbital aproxima o conceito de nave geracional da realidade, mas vale destacar que o desafio central não é apenas apenas tecnológico, mas também ético e social.


Decidir enviar gerações futuras em uma jornada possivelmente sem retorno exige consenso global e planejamento profundo. Resta saber até onde estamos dispostos a ir para expandir nossa presença no cosmos.


Enfim, quem viver verá.

segunda-feira, 8 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAÇONARIA NÃO É RELIGIÃO

QUEM PROCURA A VERDADE NÃO PODE SE ATER ÀS PRÓPRIAS OPINIÕES.

Ao contrário do que muitos imaginam, a festa máxima da cristandade não é o Natal, mas a Páscoa, que marca o fim da Quaresma, celebra a paixão e a morte de Cristo e cai sempre no primeiro domingo após a primeira lua cheia seguinte ao equinócio de primavera no Hemisfério Norte — daí o Carnaval mudar de data a cada ano, mas sempre entre 4 de fevereiro e 9 de março.


Segundo o Novo Testamento, Deus enviou seu filho para nos salvar do pecado, e Jesus foi crucificado — daí a cruz ter se tornado o símbolo do cristianismo em geral e do catolicismo em particular. Já a "Santa Madre Igreja" impõe aos católicos uma série de restrições durante a Quaresma e na Sexta-Feira Santa, como jejum e abstinência de carne, além de práticas como recolhimento, penitência, oração, participação na Vigília Pascal, Procissão do Encontro, Adoração da Cruz e Missa da Santa Ceia — para o Vaticano, estamos em plena Idade Média. 


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Se o ministro do Marketing de Lula quisesse coordenar os passos da família Bolsonaro, não faria melhor. Os irmãos Flávio e Eduardo tropeçam um no outro. É como se desejassem transferir Lula do inferno astral — onde a popularidade arde no vermelho — para uma zona de conforto na qual o Pix vira cabo eleitoral da reeleição.

Num instante em que o filho do presidiário foge da urucubaca de Trump contra o Pix, seu irmão Dudu Bananinha presta serviço ao xamã petralha nas redes sociais, insinuando que o Brasil poderia negociar com Trump sistemas americanos de pagamento eletrônico "semelhantes" ao Pix.

Autoexilado na América do Norte, o anti-embaixador da famiglia Bozo parece ter dificuldades para se localizar no mundo: além de prejudicar o clã e o Brasil, ele contribui para a elucidação de um mistério: com sua ajuda, foi descoberto que o grande déficit dos Bolsonaro fica localizado entre as orelhas.


Vale destacar que a cruz levou séculos para superar o significado de horror e vergonha que carregava no mundo antigo, ser elevada a símbolo central da fé e garantir presença em todas as igrejas. É aos pés desse antigo instrumento de tortura que os fiéis se ajoelham durante a eucaristia, enquanto consomem símbolos ritualísticos do sangue e da carne de seu Salvador.


A eucaristia é o mais importante dos sete sacramentos católicos e abrange toda a celebração, das orações iniciais à consagração do pão e do vinho e sua distribuição aos fiéis. Seu momento central é a consagração, quando o padre “transforma” pão e vinho no corpo e no sangue de Cristo — não simbolicamente, como entendem os protestantes, mas de forma literal, segundo a doutrina da transubstanciação. O ato de receber a hóstia consagrada é chamado de comunhão — ou sagrada comunhão —, da qual somente os batizados em estado de graça (sem pecado mortal) podem participar.


Fiz essa breve introdução porque rascunhei este capítulo no Domingo de Páscoa. Na verdade, o mote da postagem é a Maçonaria (ou Franco-Maçonaria, como preferem os puristas), que muitos classificam indevidamente como religião ou sociedade secreta, quando, na verdade, se trata de uma “sociedade com segredos”.


Essa definição também se aplica à Coca-Cola, que guarda a sete chaves a fórmula de seu carro-chefe e nem por isso é uma sociedade secreta.


Para ser considerada religião, uma ideologia precisa, basicamente, garantir a salvação, sustentar uma teologia específica e buscar a conversão de infiéis — e a Maçonaria não se enquadra em nenhum desses três critérios. Mas vamos por partes.


Nos primeiros séculos que sucederam à crucificação do dublê de Filho de Deus e Filho do Homem — união hipostática fundamental para os fiéis —, os cristãos foram duramente perseguidos pelo Império Romano. Nesse contexto, usar a cruz como símbolo seria não apenas perigoso, mas também paradoxal para uma fé que pregava a salvação. Diante disso, optou-se por símbolos mais discretos, como o peixe, escolhido porque a palavra grega para peixe (ΙΧΘΥΣ) funciona como um acrônimo para Iesous Christos THeou Yios Sóter ("Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador").


A transformação da cruz em símbolo sagrado se deu no início do século IV. Conta a tradição que, antes da Batalha da Ponte Mílvia, em 312 d.C., o imperador Constantino teve a visão de uma cruz no céu acompanhada da inscrição In hoc signo vinces (“com este sinal vencerás”) e ordenou que o símbolo fosse pintado nos escudos de seus soldados.


Observação: o símbolo usado por Constantino não era a cruz latina (✝) que conhecemos hoje, mas o Crismão (☧) — monograma formado pelas duas primeiras letras gregas de “Cristo” (Chi = X e Rho = P). O Édito de Milão (313 d.C.) garantiu tolerância religiosa aos cultos, e o cristianismo tornou-se religião oficial em 380 d.C., com o Édito de Tessalônica, de Teodósio I. O gesto de traçar uma cruz sobre o próprio corpo (sinal da cruz) remonta ao início do século III. A princípio, era feito apenas na testa com o polegar, mas logo evoluiu para a forma completa que conhecemos hoje.


A mudança definitiva ocorreu no século V, quando a cruz passou a ser vista como o símbolo máximo da vitória de Cristo sobre o pecado e promessa da vida eterna. Reza a lenda que Helena, mãe de Constantino, liderou uma peregrinação à Terra Santa, onde teria encontrado a cruz na qual o Filho de Deus foi crucificado — e a veneração das relíquias da “Verdadeira Cruz” ajudou a popularizar o símbolo.


Uma famosa teoria da conspiração sustenta que o mundo está nas mãos dos Illuminati — uma suposta sociedade de elite global inspirada pelos ideais do Iluminismo e criada no final do século XVIII com o objetivo de contrapor razão e filantropia à superstição e à influência religiosa —, que teriam se aliado aos maçons para recrutar membros e dominar o mundo. Daí a frequente confusão entre os dois grupos.


O símbolo associado aos Illuminati é a coruja de Minerva — ligada a Atena, deusa da sabedoria —, enquanto o Olho da Providência é frequentemente associado à Maçonaria, embora também seja reivindicado por grupos apócrifos e pelos próprios Illuminati. Originalmente um emblema cristão presente em igrejas ao redor do mundo, na nota de um dólar e no verso do Grande Selo dos EUA, o símbolo foi adotado pelos maçons para representar a vigilância de Deus sobre a humanidade — e funciona como um ímã para teorias conspiratórias.


Os Illuminati foram banidos pelo governo da Baviera em 1785, mas teorias difundidas na internet sustentam que continuam ativos e que algumas fraternidades descendem de seus membros originais — sem evidências de que tenham acumulado grande poder político ou influência significativa. Líderes religiosos, artistas e celebridades como Lady Gaga, Beyoncé, Rihanna e Kanye West já foram acusados de pertencer à sociedade, e de integrar uma indústria do entretenimento supostamente dedicada a uma lavagem cerebral em massa.


Em 2018, durante sua campanha à Presidência, um lunático que atende por Cabo Daciolo — e pretende disputar o Planalto novamente este ano — declarou que seria assassinado por ter atacado o grupo. Um ano antes, em entrevista à BBC, o escritor David Bramwell afirmou que os Illuminati de hoje nada têm a ver com os originais da Baviera, atribuindo sua versão contemporânea à contracultura, ao LSD e ao interesse por filosofia oriental nos anos 1960 — movimento que teria ganhado força com a publicação de um pequeno livro chamado Principia Discordia.


O símbolo dos Illuminati é a Coruja de Minerva — associada a Atena, a deusa virgem da sabedoria — e o Olho da Providência, associado à Maçonaria, mas também reivindicado por grupos apócrifos e pelos Illuminati. Originalmente um emblema cristão presente em inúmeras igrejas mundo afora, na nota de um dólar americano e no verso do Grande Selo dos EUA


Para que este texto não se estenda ainda mais, a Maçonaria será abordada em detalhes no próximo capítulo.