quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE MARTE

MARTE, PEQUENO E MISTERIOSO, NA VASTIDÃO DO COSMOS TUA AURA RUBRA DESPERTA FASCINAÇÃO QUAL JÓIA PERDIDA.

Antes de abordar os planetas "externos" — assim considerados Júpiter, Saturno, Urano e Netuno, que ficam situados além do cinturão de asteroides — cabe dedicar mais alguns parágrafos a Marte, que é frequentemente tratado como nosso "vizinho de porta", mas não chega a ser tão próximo assim.

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Nada é mais assombroso na conjuntura política atual do que a normalidade que reveste as reações dos envolvidos em inquéritos da PF.. Escândalos brotam de fatos que provocam espanto, ferindo a rotina como uma lâmina afiada. Nas explicações dos encrencados, o que fere é a normalidade. O absurdo ganha uma admirável naturalidade.

Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, disse achar "normal" ter recebido dinheiro de Roberta Luchsinger, a lobista do Careca do INSS, quando ocupava o estratégico cargo de chefe de gabinete de Lula. Foi apenas um "empréstimo", disse ele. A defesa de Lulinha sustenta ser "normal" que o primogênito do macróbio eneadáctilo tenha viajado às custas do careca tóxico para conhecer um empreendimento de cannabis medicinal em Portugal.

Já o senador e candidato competitivo à Presidência — falo do primogênito do refugo da escória da humanidade — diz não haver nada demais em pedir dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia de seu papai. Outro senador, o petista Jaques Wagner, unha e carne com Lula, considerou normalíssimo pedir a Augusto Lima, sócio de Vorcaro, que lhe comprasse um apartamento de luxo.

Nenhum espelho reflete melhor a imagem de um homem do que as suas palavras. É como se os protagonistas de inquéritos intimassem a plateia a fazer papel de boba, suprimindo dos seus hábitos o ponto de exclamação. 

O brasileiro comum é compelido a concluir que algo de muito anormal precisa ocorrer para restabelecer a sanidade nacional. Um bom começo seriam investigações criminais rigorosas e bem feitas, capazes de interromper o ciclo de impunidade. Infelizmente, isso é um sonho impossível, pelo menos enquanto mais da metade do eleitorado se dividir entre o sujo e o mal lavado.


Em sua aproximação máxima com a Terra, Marte permanece a cerca de 54,6 milhões de km, e Vênus, em sua melhor aproximação, pode ficar a apenas 38 milhões de km. E quando eles se alinham do mesmo lado do Sistema Solar — fenômeno conhecido como conjunção inferior — a distância que os separa diminui consideravelmente. 

Marte, por sua vez, fica mais próximo da Terra durante as chamadas oposições favoráveis, quando ambos se encontram do mesmo lado do Sol e relativamente próximos em suas órbitas. Mas mesmo nessas ocasiões o planeta vermelho permanece mais distante do que Vênus em sua melhor aproximação. 

Mal comparando, é como morar em um condomínio onde o vizinho da casa ao lado (Vênus) às vezes encosta tanto que quase bate à nossa porta, enquanto o morador do bloco da frente (Marte), embora famoso e fotogênico, mantém sempre uma distância respeitável.

Observação: Estudos recentes indicam que Mercúrio é, em média, mais próximo não apenas da Terra, mas também dos demais planetas do Sistema Solar, uma vez que, por orbitar o Sol mais rapidamente, ele passa mais tempo relativamente próximo das órbitas dos outros planetas.

Marte pode ser o queridinho da ficção científica e o candidato favorito para futuras colônias humanas, mas, quando o assunto é proximidade, Vênus leva a medalha de prata, e Mercúrio, discretamente, acaba ficando com o ouro. No fim das contas, o planeta vermelho é como aquele vizinho simpático que vive aparecendo nos filmes, mas mora alguns quarteirões adiante. Quem realmente toca a campainha com mais frequência é Vênus.

Com temperaturas capazes de derreter chumbo e uma atmosfera sufocante, talvez seja mais prudente deixar uma visita a Vênus no campo da imaginação. Ou, como diria o porteiro do cosmos: "vizinho próximo nem sempre é sinônimo de boa companhia".

Finda esta breve complementação, passaremos aos quatro planetas "externos" — que eram 5 até 2006, quando Plutão foi rebaixado a planeta anão (ou objeto transnetuniano), e podem voltar a ser caso a existência do hipotético "Planeta X", que supostamente orbita o Sol a uma distância 20 vezes maior que Netuno, venha a se confirmar. 

Se realmente existir, esse planeta teria entre 5 e 10 vezes a massa da Terra, o que o coloca numa faixa intermediária entre planetas rochosos grandes e gigantes gasosos — uma classe de planeta que, curiosamente, não existe no nosso sistema solar atual, mas é extremamente comum em outros sistemas planetários observados pela astronomia. Além disso, ele estaria a cerca de 500 unidades astronômicas do Sol (uma UA equivale à distância do Sol à Terra), com uma órbita que levaria de 10 mil a 20 mil anos para ser completada.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE NOSSO SISTEMA SOLAR

DIANTE DA IMENSIDÃO DO COSMOS, SOMOS APENAS UM REFLEXOS NA JANELA DO UNIVERSO.

Depois que Plutão foi rebaixado a objeto transnetuniano (2006), nosso sistema solar ficou reduzido a 8 planetas, sendo quatro internos (os rochosos Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) e quatro externos (os gasosos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno). 

A União Astronômica Internacional batizou os planetas com nomes de divindades da mitologia romana. Mercúrio — o menor e mais próximo do Sol — ganhou o nome do deus associado ao comércio, às viagens e à eloquência (correspondente a Hermes, o mensageiro dos deuses na mitologia grega). Ele completa sua translação em 87 dias terrestres, mas leva 58 dias e 16 horas para girar em torno do próprio eixo. Ainda que tenha pouco mais de um terço do tamanho da Terra, pode ser visto nas primeiras horas da manhã ou logo após o pôr do Sol. 

Observação: Ainda que Marte seja tido e havido como nosso vizinho mais próximo, Mercúrio permanece a uma distância menor ao longo do tempo devido às dinâmicas das órbitas planetárias.

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Ex-fritador de hambúrgueres numa unidade da rede de fast-food Popeyes (que serve somente frango) no Maine, ex-escrivão da PF e ex-deputado federal, Eduardo "Bananinha" Bolsonaro poupou tempo à Justiça Eleitoral trocando a candidatura a uma vaga de suplente de senador por São Paulo pela de candidato imbatível ao ostracismo nos Estados Unidos.
Desde que se tornou um autoexilado, Bananinha vem colecionando revezes, incluindo uma condenação criminal por articular junto a autoridades dos Estados Unidos a imposição de sanções econômicas e políticas contra o Brasil, tentar intimidar o Judiciário e interferir no julgamento da ação penal que condenou seu pai por tentativa de golpe de Estado. Uma adversidade é acontecimento, duas, coincidência, três, aviso, quatro, destino, e o destino não mudou o filho do pai, apenas o desmascarou.
O filósofo Descartes concluiu: "Penso, logo existo". Cérebro do clã Bolsonaro, Bananinha interroga o espelho: "Por que é que eu penso? Para que diabos eu existo?" Mas não é só: enquanto investiga o déficit localizado entre suas orelhas, zero três é investigado no caso Dark Horse — a PF suspeita que parte dos R$ 61 milhões que Flávio Bolsonaro mordeu de Daniel Vorcaro financie o irmão nos Estados Unidos. 
Dudu nega. Diz que dispõe de uma "renda passiva". No português das ruas: não precisa trabalhar para viver. Pelo andar da carruagem, o fiduma terá um ostracismo dourado, sem o incômodo do suor.
 
Vênus, o segundo por ordem de afastamento do Sol, recebeu o nome da deusa do amor e da beleza (correspondente a Afrodite no panteão grego). Por ser visível a olho nu, os antigos achavam que se tratava uma estrela, e "a" batizaram de Vésper ("tarde" em latim.). Sua rotação, retrógrada como a de Urano, dura 243 dias terrestres, e sua translação, 224. Um dia venusiano é mais longo que seu próprio ano, e ainda que o tamanho, massa e composição química do planeta equivalham aos da Terra, a atmosfera densa, composta basicamente de dióxido de carbono, eleva a temperatura em sua superfície a mais de 400°C, e a pressão atmosférica a cerca de 90 vezes a da Terra.

Durante anos, acreditou-se que Vênus teria tido oceanos líquidos no passado e poderia ter mantido condições habitáveis, mas uma equipe da Universidade de Cambridge concluiu que o interior do planeta é seco demais para ter formado oceanos na superfície. A recente reanálise de dados da sonda Pioneer Venus levaram à conclusão de que as nuvens venusianas contém água em quantidades muito superiores às que se imaginavam, tornando plausível a existência de extremófilos. Ademais, a presença de gases como fosfina e amônia é difícil de ser explicada por processos puramente geológicos, levando a crer que a existência de vida microbiana nas camadas médias da atmosfera é plausível. 
 
Terceiro planeta por ordem de afastamento do Sol, a Terra foi chamada inicialmente de Gaia (nome da entidade titânica grega que representa a "Mãe Terra"). Até onde se sabe, trata-se do único planeta do Sistema Solar onde a vida surgiu e se desenvolveu. No entanto, considerando que algumas bactérias e outros organismos unicelulares são capazes de sobreviver no espaço sideral, há sementes de vida flutuando por toda a galáxia, o que torna viável a hipótese de a vida ter sido trazida por rochas que se desprenderam de Marte ou de suas duas luas.

A Terra fica na zona habitável do Sistema Solar — que os astrônomos chamam de "Cachinhos Dourados" numa alusão ao conto infantil homônimo, no qual a protagonista não gosta do mingau doce como o do bebê urso nem salgado como o do papai urso, mas "no ponto certo", como o da mamãe ursa. Mas isso não significa que não existam exoplanetas que abrigam formas de vida diferentes das que se desenvolveram por aqui, como sugerem os contatos do terceiro grau, nos quais os avistamentos envolvem não só os OVNIs, mas também seus tripulantes.

Diferentemente de Mercúrio, que não tem satélites, e de Marte, que tem dois, nosso planeta tem a Lua, que é responsável pelas marés e fundamental para a vida. Seu diâmetro é cerca de um quarto do da Terra, mas seu volume é 49 vezes menor e dia lunar dura 27,3 dias terrestres. Devido a um fenômeno conhecido como rotação sincronizada, o satélite leva exatamente o mesmo tempo para girar em torno de si mesmo e para orbitar a Terra (período chamado de mês sideral ou mês orbital). 

Devido a esse sincronismo, vemos sempre a mesma face lunar, daí ser comum falarmos em "lado escuro da Lua", quando na verdade ele é iluminado pelo Sol, apenas fica invisível para nós. Assim, o correto é dizer "face oculta da Lua", embora o célebre álbum The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, ajudou a confundir o imaginário popular. Já o mês sinódico, como é chamado o período médio entre duas fases idênticas, como duas luas cheias consecutivas, e ligeiramente maior que o mês sideral, já que a Terra também se move ao redor do Sol durante esse intervalo. 

Marte é maior que Mercúrio e um pouco menor que Terra e Vênus. O nome do deus da guerra dos antigos romanos é uma alusão à sua cor avermelhada, resultante do óxido de ferro presente na atmosfera, que lembra o sangue derramado nas batalhas. A temperatura na superfície varia de -120 °C a 20 °C, conforme a região e a estação do ano, e as tempestades de poeira são comuns. Sua rotação leva 24,6 horas terrestres, com velocidade orbital de 24 km/s, e a translação, 687 dias terrestres. A origem de suas luas — Deimos e Phobos — é controversa: alguns cientistas acreditam que elas sejam asteroides capturados pela gravidade do planeta, enquanto outros atribuem sua formação a detritos lançados ao espaço pelo impacto de um meteoro gigante.

Existem projetos envolvendo a construção de uma cidade habitável em Marte, provavelmente na planície vulcânica Arcádia Planitia, mas Elon Musk reviu suas prioridades e resolveu construir uma base lunar, que ficaria pronta em menos de uma década, contra mais de 20 anos em Marte. Isso porque permanências muito longas no espaço causam perda de densidade óssea e muscular, diminuição do tamanho do coração, sono irregular, enfraquecimento do sistema imunológico e impactos na saúde mental dos astronautas. A NASA vem buscando maneiras de minimizar os efeitos da exposição prolongada à microgravidade, radiação cósmica e outras condições ambientais adversas, mas é mais fácil falar do que fazer. 

As missões Apollo percorriam a distância média entre a Terra e a Lua (384.400 km) em 3 dias; mas as sondas modernas fazem o mesmo trajeto em menos de 24 horas. O problema é o tempo que os astronautas teriam de permanecer no satélite para construir uma base que servisse de "trampolim" para a exploração de Marte e outros planetas do Sistema Solar. 

Uma viagem à Marte com a tecnologia disponível atualmente leva de 128 a 333 dias (a "oposição" entre os dois planetas ocorre a cada 26 meses, ao passo que a Lua fica mais próxima da Terra a cada 10 dias). Considerando o tempo de ida e volta e duas semanas de estada em solo marciano, os astronautas ficariam mais de um ano fora de casa. Mesmo assim, Mesmo assim, a SpaceX tenciona levar humanos até lá entre o final desta década e meados da próxima, e a Rússia vem desenvolvendo um motor elétrico de plasma que promete reduzir o tempo de viagem para menos de dois meses.

Mesmo que a prioridade de Musk passou a ser o projeto lunar, Marte continua sendo o destino final na visão da SpaceX, enquanto a Lua é o próximo passo concreto — mais rápido, mais iterável e mais atraente também para investidores.

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — NOSSO SISTEMA SOLAR — CONTINUAÇÃO

O COSMOS NÃO É APENAS BELEZA; É MÉTODO, RIGOR E MARAVILHA. E PERGUNTAR É TÃO NOBRE QUANTO DESCOBRIR.


Talvez porque nosso cérebro não lida bem com números muito grandes e a cosmologia científica não assegura o pseudoconforto espiritual que as religiões oferecem - ou deveriam oferecer — uma quantidade astronômica de cegos mentais toma o Velho Testamento como jornalismo confiável e o criacionismo como hipótese plausível para a origem da vida na terra.

Segundo o modelo cosmológico baseado no Big Bang, o Universo se formou há 13,8 bilhões de anos, nosso sistema solar, há cerca de 4,57 bilhões de anos, e a Terra, há 4,54 bilhões de anos. Vale destacar que falamos em milhões, bilhões e trilhões com a naturalidade de quem não tem a menor ideia do que essas grandezas significam, mas contar em voz alta de zero a um milhão demoraria cerca de 17 dias. 

Um bilhão de segundos corresponde a 31 anos e 8 meses, mas demoramos mais para pronunciar os números conforme eles aumentam (levamos um segundo para dizer "2" e cinco para dizer "1.987.789"), de modo que seriam necessários aproximadamente 47 anos para contar até 1 bilhão — limitando a contagem a 16 horas por dia, já que as pessoas precisam dormir, comer e satisfazer outras necessidades fisiológicas.

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Sentindo-se invadida em sua autonomia no caso do INSS, a PF pediu providências à Advocacia-Geral da União contra um aperto de parafusos promovido pelo ministro André Mendonça, relator no inquérito sobre o caso do INSS. 

Semanas atrás, os investigadores pediram a Mendonça para abrir novo inquérito contra Lulinha — um desdobramento da investigação sobre o assalto contra os aposentados. De plantão na chefia do Supremo durante o recesso do Judiciário, Alexandre de Moraes enviou a solicitação ao setor de distribuição do tribunal, para a escolha de um novo relator. Por uma trapaça do sistema eletrônico do Supremo, Mendonça foi sorteado pelo algoritmo para relatar também o novo inquérito. 

Em privado, o combo de pastor e ministro se queixa de falta de transparência da PF. Incomodou-se por não ter sido informado de um troca-troca na equipe de investigadores. Agora, a PF foi como que intimada pelo acaso a se ajustar à vigilância do magistrado, que, nunca é demais lembrar, ganhou a toga por indicação do ex-presidente golpista.


Nosso sistema solar é um conjunto de corpos celestes formado por 8 planetas, centenas de satélites e um sem-número de asteroides, meteoros e objetos transnetunianos que orbitam o Sol unidos pela força da gravidade. Mas nenhuma teoria explica a contento o que é a gravidade em sua essência nem como ela atua no domínio quântico.

No macrocosmo das estrelas, planetas e objetos cotidianos, a relatividade geral a descreve não como uma força misteriosa à distância, mas como a curvatura do espaço-tempo causada pela presença de massa e energia, e explica fenômenos como a órbita de Mercúrio, o desvio da luz pelas estrelas, a detecção das ondas gravitacionais e até o funcionamento do GPS. Já na mecânica quântica, que rege o microcosmo dos átomos e partículas subatômicas, os elétrons, fótons e quarks se comportam também como ondas, e o vácuo apresenta flutuações energéticas intensas.

Como a relatividade geral e a mecânica quântica usam linguagens matemáticas distintas e princípios fundamentais diferentes, tentar descrever a gravidade em escalas quânticas — dentro de um buraco negro ou nos primeiros instantes do Big Bang, por exemplo — faz com que as equações entrem em colapso, até porque os efeitos quânticos da gravidade são incrivelmente fracos e só se tornam relevantes em escalas inimaginavelmente pequenas — como a Escala de Planck, que é um trilhão de trilhões de vezes menor do que um próton.

Investigar a gravidade quântica é comparável a tentar medir a altura de uma montanha sentindo a vibração de um único átomo em sua base, mas ainda assim existem ensaios brilhantes, como a Teoria das Cordas e a Gravidade Quântica em Loop. A primeira sugere que as partículas fundamentais são minúsculas cordas vibrantes cuja vibração dá origem à gravidade, mas, além de exigir um universo com mais de três dimensões espaciais, ela depende da existência de uma partícula gravitacional chamada Gráviton, que ainda não foi detectada. Já a segunda postula que o espaço-tempo não é contínuo, mas formado por diminutos laços que criam uma estrutura granular. 

Conciliar essas duas ideias e formular uma teoria unificada é um dos maiores desafios da física teórica contemporânea, e enquanto não surgirem evidências experimentais extremamente difíceis de obter, continuaremos sem saber qual é a natureza quântica da gravidade. Por outro lado, essa incapacidade de unificar o muito grande e o muito pequeno não nos impede de mapear o sistema solar com precisão surpreendente — porque, na escala dos planetas, a relatividade geral funciona perfeitamente. 

É nessa escala intermediária, entre o quântico e o cosmológico, que habitamos e exploramos um sistema planetário que se formou na Via Láctea a partir da condensação da matéria originada de explosões de supernovas antigas, estende-se por mais de 5 bilhões de quilômetros e tem como "vizinho de porta" o sistema triplo Alpha Centauri, que fica a 41,3 trilhões de quilômetros daqui e é um dos alvos prioritários na busca por vida extraterrestre (não estou falando de vida microbiana, mas de "vida inteligente").

Como as demais estrelas, nosso Sol é um reator de fusão nuclear que gera luz e calor convertendo hidrogênio em hélio. Embora seja de tamanho médio, ele é considerado estrela de 5ª grandeza porque, se colocado a uma distância padrão de 32,6 anos-luz da Terra, seu brilho intrínseco seria relativamente fraco, a despeito de seu tamanho ser suficiente para conter 1,3 milhões de planetas iguais ao nosso.

Em 2006, o rebaixamento de Plutão a objeto transnetuniano reduziu o número de planetas a oito, embora os cientistas trabalhem com a possibilidade de um hipotético "Planeta X" orbitar o Sol a uma distância 20 vezes maior que Netuno. Dos 8 planetas remanescentes, quatro são internos e rochosos — Mercúrio, Vênus, Terra e Marte — e quatro são externos e gasosos — Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Os primeiros orbitam o Sol antes do cinturão de asteróides, onde estão dispersos destroços de um material que nunca chegou a formar um planeta. A Terra é o maior dos planetas internos e Júpiter, o maior dos gigantes gasosos e, consequentemente, do Sistema Solar.

Se realmente existir, o Planeta X teria entre 5 e 10 vezes a massa da Terra, o que o coloca numa faixa intermediária entre planetas rochosos grandes e gigantes gasosos — uma classe de planeta que, curiosamente, não existe no nosso sistema solar atual, mas é extremamente comum em outros sistemas planetários observados pela astronomia. Além disso, ele estaria a cerca de 500 unidades astronômicas do Sol (uma UA equivale à distância do Sol à Terra), com uma órbita que levaria de 10 mil a 20 mil anos para ser completada.

Quanto à origem, os astrônomos Konstantin Batygin e Michael Brown sugeriram que o planeta misterioso pode ser o núcleo de um gigante gasoso que foi ejetado de sua órbita original por Júpiter durante a formação do Sistema Solar — o que explicaria tanto seu tamanho quanto sua órbita extremamente excêntrica e distante.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE OS PLANETAS "EXTERNOS" DO SISTEMA SOLAR

A VERDADEIRA DESCOBERTA NÃO CONSISTE EM PROCURAR NOVAS PAISAGENS, MAS EM OLHAR AS QUE JÁ EXISTEM COM NOVOS OLHOS.

Saturno, sexto planeta por ordem de afastamento do Sol, primeiro em número de satélites (274 até agora) e segundo em tamanho — foi batizado com o nome do deus do tempo da mitologia romana devido a sua translação, que dura intermináveis 29,4 anos terrestres. Por outro lado, seu dia é o segundo mais curto dos 8 planetas (10 horas e 32 minutos terrestres), e sua temperatura média é de -125 °C.

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Em campanha aberta desde março, Ronaldo Caiado demorou quatro meses para encontrar um discurso. Antes, atacava Lula e poupava seu principal adversário. Com a candidatura oficializada pelo PSD neste domingo, falou grosso contra o petista e o filho do rebotalho:: "Quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão". Tarde demais.

Com voz de barítono, Caiado soa desde o rodapé das pesquisas. No Datafolha divulgado na semana passada, apareceu com irrisórios 4%, empatado tecnicamente com Romeu Zema e com o estreante Renan Santos, ambos com 3%. Nesse contexto, o ajuste no discurso é mais desespero do que estratégia.

O novo Caiado se apresenta como "galo de terreiro", do tipo que briga apenas "pelo que interessa". Ele agora se refere ao filho do pai como um "frango de granja". À primeira dificuldade, "chama o papai" e lê "uma carta dele" — como quem "come uma raçãozinha" ou "toma um antibiótico."

Na largada, Caiado soava como um bolsonarista alternativo. Negligenciava a tentativa de golpe, prometendo a anistia do capitão como seu primeiro ato na Presidência, e relevava as debilidades morais do filho do "mito" preso. Era como se apostasse num milagre às avessas. Precisou errar para perceber que, entre o genérico e o original, o eleitor de direita preferiria o frango do capitão ao galo de um terreiro imaginário.


Saturno se notabilizou pelo vistoso conjunto de anéis, formado por fragmentos de gelo e poeira cósmica, que chega a 280 mil quilômetros de largura e tem apenas algumas centenas de metros de espessura, mas, ainda assim, é mais largo e brilhante do que os anéis de Júpiter, Urano e Netuno. Algumas luas saturnianas moldam e alimentam esses anéis — caso de Prometeu e Pandora, que usam sua gravidade para "pastorear" os detritos, mantendo as bordas dos anéis do planeta limpas e definidas.

Supunha-se que pelo menos Encéladus seria quente o bastante para ter água líquida na superfície — e onde existe água pode existir vida — e que Réia tinha anéis. Mas a água de Encéladus fica sob a subsuperfície e é mantida pelo calor gerado pela fricção gravitacional. A sonda Cassini confirmou isso ao detectar enormes jatos de vapor d'água sendo expelidos de seu polo sul, e suas observações fotográficas diretas derrubaram a hipótese da existência de anéis em torno da Réia ou de qualquer outra lua saturniana. 

Titã é o único satélite do Sistema Solar com atmosfera densa — composta principalmente de nitrogênio, como a da Terra primitiva. Tem chuva, rios e mares, só que de hidrocarbonetos, e líquidos na superfície, embora sejam lagos de metano, não de água. Em certos aspectos, é o mundo conhecido que mais se parece com a Terra de bilhões de anos atrás.
Se compararmos a Terra a uma moeda de 5 centavos, Saturno seria do tamanho de uma bola de voleibol. A despeito do núcleo rochoso, ele é composto basicamente por hélio e hidrogênio. Sua densidade média é inferior à da água, o que significa, em tese, que ele flutuaria em um oceano grande o bastante para contê-lo. 

Urano foi batizado com o nome do deus grego do firmamento devido a sua cor azulada, resultante do metano presente na atmosfera. Ele é cerca de 14 vezes maior que a Terra, mas sua translação leva 84 anos terrestres e seu dia tem 17 horas e 14 minutos. Sua rotação retrógrada, semelhante à de Vênus, e seu eixo inclinado em relação ao plano orbital, fazem com que ele pareça girar de lado, criando estações extremas que duram impressionantes 21 anos e temperatura média de -215 °C. 
Na superfície, os ventos chegam a atingir 900 km/h. Nos solstícios, enquanto um hemisfério recebe luminosidade por todo o período, o outro mergulha na escuridão completa por cerca de 21 anos terrestres. No entanto, sua estrutura interna ainda é um mistério. Das 29 luas descobertas até agora, 4 podem ter oceanos com dezenas de quilômetros de profundidade. 

Apesar de não gerar hidrogênio metálico devido a sua massa e pressão mais baixas, Urano possui um campo magnético significativo, comparável ao da Terra, além de seu próprio sistema de anéis, embora menos espetaculares que os de Saturno. Suas cinco maiores luas são Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon — nomes de personagens das obras de William Shakespeare e Alexander Pope, o que é uma singularidade entre todos os planetas do Sistema Solar. Vale destacar que a existência de água congelada já foi detectada em algumas de suas luas.

Continua…

domingo, 2 de agosto de 2026

PÃO AMANHECIDO FRESQUINHO OUTRA VEZ E VIVA O POVO BRASILEIRO!

SEGREDO ENTRE TRÊS, SÓ MATANDO DOIS.


Muita gente não abre mão do pão com manteiga no café da manhã, mas não tem tempo ou vontade de ir à padaria logo cedo.


Se você se encaixa nesse perfil e está farto de comer pão amanhecido ou aquecido na chama do fogão, seus problemas terminaram: a dica de hoje deixará seus pão com sabor e textura iguais às que ele tinha quando você o comprou. Para isso:


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NÃO EXISTE POLÍTICO SANTO; PORTANTO, NÃO OS IDOLATRE!  


De acordo com os institutos de pesquisa de intenção de voto, o Brasil segue refém do eixo Lula/clã Bolsonaro. A tão sonhada terceira via, ora representada pelos "três erres" — Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos —, terá a mesma sorte que tiveram Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Guilherme Boulos e aberrações como Marina Silva, Vera Lúcia e José Maria Eymael em 2018, e Simone Tebet, Felipe D'Ávila, Soraya Thronicke, Ciro Gomes e aventureiros como Pablo Marçal, Roberto Jefferson, Sofia Manzano, Vera Lúcia, entre outros que morreram na praia em 2022. 

Supondo que não se trate de Síndrome de Estocolmo — resposta psicológica em que a vítima de um crime, abuso ou cárcere privado desenvolve um vínculo afetivo, simpatia ou lealdade por seu agressor —, a pergunta que se coloca é: como escapar desse círculo vicioso? Como pôr fim à polarização fomentada pelo fanatismo político se dois terços do eleitorado cultuam bandidos de estimação, obrigando os demais a votar em quem não querem para evitar a vitória de quem querem menos ainda?

É público e notório que uma parcela significativa dos brasileiros é formada por analfabetos funcionais e outros "luminares" que repetem, a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade. No entanto, se a perspectiva de o macróbio eneadáctilo conquistar o quarto mandato é assustadora, a da volta do clã Bolsonaro, ora representado pelo primogênito do capetão golpista, é aterradora.

Pela lógica, diante de um cardápio que se resume a suco de merda e sanduíche de bosta, quem tem um mínimo de bom senso muda de boteco. Mas não a récua de muares tupiniquins travestidos de eleitores parecem acreditar que insistir no erro acabará produzindo um acerto, da mesma forma que infinitos macacos digitando aleatoriamente por um tempo igualmente infinito acabarão reproduzindo as obras completas de Shakespeare. E isso não é de hoje.

Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após 29 anos de jejum de urna, havia 22 postulantes ao Planalto, entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola. Mas nossos esclarecidíssimos compatriotas preferiram escalar para o segundo turno um caçador de marajás de mentirinha e um desempregado que deu certo. É fato que essa desgraça se deve em parte à proliferação dos partidos políticos (atualmente 30, de acordo com o TSE), que se reproduziram feito coelhos no cio após a Lei Federal nº 6.767, de 20 de dezembro de 1979, extinguir o bipartidarismo da Arena e do MDB e restabelecer o pluripartidarismo no Brasil. 

Acabou que a profusão de partidos pouco identificáveis pelo eleitorado serviu apenas para dar vida mansa a um sem-número de vagabundos que se elegem para roubar e roubam para se reeleger. E como a demora em substituir setores sociais remanescentes do passado cria um vácuo onde novas lideranças não surgem e velhos políticos profissionais ditam as regras, as consequências foram deletérias. Considerando que o otimista é um tolo e o pessimista, um chato, o melhor é ser realista esperançoso, e, como tal, torcer para a eleição que se avizinha encerre esse processo em 2030, a partir de quando provavelmente viveremos o pós-Lula, e talvez outras figuras possam se colocar para a próxima eleição. Neste momento, porém, as duas grandes forças são o antipetismo e o antibolsonarismo. Qual das duas é a mais forte varia de acordo com o escândalo da vez, e escândalos envolvendo essa caterva não faltam. 

Depois de disputar e perder a Presidência para Collor em 1989 e para FHC em 1994 e 1998, Lula se elegeu em 2002 e conseguiu se reeleger em 2006, a despeito do Mensalão. Em 2010, visando manter a poltrona presidencial aquecida até poder voltar a ocupá-la, fez eleger uma ilustre desconhecida que pegou o gostinho pelo poder e quis porque quis disputar a reeleição em 2014. Para derrotar Aécio Neves, a nefelibata da mandioca quebrou o país. Por ser prepotente, arrogante e intransigente, foi afastada do cargo em maio e penabundada em agosto de 2016. E o resto é história recente.

A presidência da República é o cargo mais importante do sistema político brasileiro, e como bem disse o tio de Peter Parker (alter-ego do Homem-Aranha), grandes poderes implicam grandes responsabilidades. A polarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo precisa ser quebrada, mas todas as tentativas feitas até agora foram inexitosas. A diferença entre um estadista e um populista é que o primeiro governa para as futuras gerações e o outro visa às futuras eleições. 

Até onde minha memória alcança, esta banânia jamais foi presidida por um verdadeiro estadista. O que chegou mais perto disso foi FHC, que também foi o único a se eleger no primeiro turno. Mas ele foi picado pela mosca azul e moveu mundos e fundo$ para "comprar" a PEC da reeleição, e como quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, disputou o segundo mandato em 1998 e venceu novamente no primeiro turno.

Cerca de dois terços do eleitorado se dividem entre os que não tem certeza do que seu candidato pensa a respeito da maioria das questões de interesse nacional, mas "Deus me livre ser bolsonarista" ou "Deus me livre ser lulista ou petista", conforme o caso. Lula está com a data de validade vencida e desgoverna o Brasil como os olhos no retrovisor, mas quer porque quer o quarto mandato, mesmo sabendo que, para salvar o país da falência, ele — ou quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 — terá de desarmar a bomba que armou torrando bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando. Aliás, o roteiro dessa ópera bufa é muito parecido com a de que levou ao impeachment da nefelibata da mandioca em 2016.

De acordo com o Ipea, até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90% e até 2030, 94,1% do PIB. Para piorar, o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres. Para não mexer nos benefícios, seria necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública ou melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos — mediante a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. 

Observação: Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação. Caso contrário, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.

Para quem conheceu o legislativo antes de 2020, o formato em que as coisas funcionavam no tempo das sessões presenciais e do debate efetivo sabe o quanto elas mudaram de lá para cá. Tirando os três anos de pandemia, metade das sessões na Câmara Federal não tiveram a presencialidade desejada já que é muito mais fácil para suas excelências fazer tudo pelo celular. Então, o que se vê é um debate esvaziado, tanto no plenário quanto nas comissões. E a coisa só anda com a celeridade desejável quando envolve o orçamento secreto, as emendas PIX e o reajuste dos salários dos senhores parlamentares. Uma vergonha! 

O debate político é todo voltado para o curral, sobretudo com o advento das emendas — que jogam deputados e senadores para seus municípios, onde eles granjeiam votos e se transformam em vereadores federais. Para piorar, esse presidencialismo de coalizão (ou cooptação) enfraquece o Executivo e fortalece o Legislativo, que abocanha uma parcela substancial do orçamento e a utiliza de acordo com seus interesses locais (leia-se eleitoreiros).

Na política não há inocentes, só culpados. E isso inclui o eleitorado, já que maus políticos não brotam em seus gabinetes por geração espontânea. Vale relembrar a velha anedota segundo a qual Deus foi acusado de protecionismo durante a criação do Mundo, por favorecer a porção de terra que futuramente tocaria ao Brasil, e assim se pronunciou: "esperem para ver o povinho de merda que eu vou botar lá." Dito e feito.

Sir Winston Churchill dizia que a "democracia é a pior forma de governo à exceção de todas as outras", e que "o melhor argumento contra a democracia é cinco minutos de conversa com um eleitor mediano". Já o general Figueiredo (que era um sábio e não sabia) dizia que "um povo que não sabe sequer escovar os dentes não está preparado para votar".

A nefasta dicotomia político-ideológica semeada por Lula et caterva, regada pelos tucanos e adubada pelo capetão e seus soldadinhos de chumbo se alastrou pelo país afora, alcançando, inclusive, as cúpulas dos Poderes. Foi por isso que a parcela pensante do eleitorado apoiou o bolsonarismo boçal em 2018, já que a alternativa era a volta do lulopetismo corrupto. Deu no que deu, e quatro anos sob os desmandos de um anormal não bastaram para mudar o comportamento do eleitorado. Assim, teremos novamente eleições plebiscitárias e seremos obrigados mais uma vez a apoiar quem não queremos para evitar a vitória de quem queremos menos ainda. 

O jeito é torcer para que o imprevisto tenha voto decisivo na assembleia dos acontecimentos, e um dos dois “salvadores da pátria” saia de cena. Mas isso é apenas um exercício de futurologia baseado não em fatos, mas na esperança que acalentamos de um futuro melhor, a despeito de faltar ao Congresso probidade e vergonha na cara. Mas o que esperar de uma instituição composta em grande parte por investigados, denunciados e réus — e os que não se enquadram numa dessas categorias certamente viriam a se enquadrar se a alta cúpula do Judiciário não estivesse tomada por defensores atávicos da impunidade? Quando se dá a chave do galinheiro a uma raposa, e ela encarrega outras raposas de investigar o sumiço das galinhas… enfim, para bom entendedor meia palavra basta.

Nossas leis são criadas por políticos que se elegem para roubar, roubam para se reeleger e se escudam no nefasto foro especial por prerrogativa de função. Esqueça a história de que “todos são iguais perante a lei”. Sempre houve, há e continuará havendo “os mais iguais que os outros”. Presidente e vice, ministros de Estado, senadores e deputados federais só podem ser processados e julgados no STF, e as togas são rápidas como guepardos quando se trata de acolher pedidos de habeas corpus de seus bandidos de estimação, aumentar os próprios salários e conceder a si próprios toda sorte de mordomias, mas lerdos como cágados pernetas na hora de julgar ex-presidentes corruptos e sanguessugas aboletados no parlamento.

Fala-se muito da politização do Supremo, mas os ministros só agem quando são provocados. E são os próprios congressistas, descontentes com essa ou aquela situação, que pedem a interferência da Corte em assuntos que caberiam ao parlamento decidir. Foi assim com a instalação da CPI do Genocídio, que só seguiu adiante depois que uma liminar do hoje ex-minitro Barroso pôs fim à fleuma (também chamada de “mineirice”) do então presidente do Senado. E esse é só um exemplo.

Não quero dizer com isso o STF não erra. Erra, e muito, até porque suas excelências são seres humanos, embora alguns se julguem semideuses. Em dezembro de 1914, em aparte à um discurso do senador Pinheiro Machado, Ruy Barbosa disse que o Supremo pode se dar ao luxo de errar por último. Décadas depois, Nelson Hungria, príncipe dos criminalistas brasileiros, fez eco ao “Águia de Haia” dizendo que o STF tem “o supremo privilégio de errar por último”.

Não há democracia que funcione sem “toma-lá-dá-cá” se mais de 30 partidos disputam fatias de poder e verbas do Erário. E o apetite dessa escumalha é pantagruélico — haja vista o valor absurdo que foi estabelecido para o “fundão” eleitoral — dinheiro que é roubado de nós para ajudar a eleger quem vai nos roubar na próxima legislatura. E fodam-se os não sei quantos milhões de desempregados que não têm dinheiro sequer para uma refeição decente por dia. 

Gastar bilhões para eleger uma súcia de imprestáveis quando falta dinheiro para investir em segurança, saúde e educação é um escárnio. Mas a divisão do butim é feita levando em conta os votos para Câmara e Senado recebidos pelos partidos na eleição anterior. “É muita demagogia qualquer um chegar aqui e dizer que nós não vamos ter um fundo eleitoral público para financiamento das campanhas”, disse Arthur Lira quando era presidente da Câmara. E concluiu: "a única maneira que temos para evitar que tráfico, milícias e contraventores financiem e façam a má-gestão da política é com um financiamento público, claro e transparente.”

Então tá. 


Voltando à vaca fria:


1 — Abra a torneira e deixe cair água fria sobre o pão até a massa ficar empapada — caso seu pão seja uma baguete ou bengala, evite que o lado cortado fique muito molhado. 


2 — Acenda o forno, regule-o para 160 graus e coloque o pão encharcado para assar de 6 a 12 minutos, dependendo de quão molhado ele estiver. A água se tornará vapor quando o pão for aquecido, fazendo com que a casca fique crocante e o miolo, macio. 


Bom proveito.

sábado, 1 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — NOSSO SISTEMA SOLAR

A CIÊNCIA NÃO É APENAS COMPATÍVEL COM A ESPIRITUALIDADE; É UMA FONTE PROFUNDA DE ESPIRITUALIDADE.

Se você integra a legião de cegos mentais que tomam o Velho Testamento por jornalismo confiável e o criacionismo por hipótese plausível para a origem da vida na Terra, você não está sozinho: por algum defeito de fabricação, inúmeras pessoas preferem acreditar em mentiras a enxergar a verdade que desfila diante de seus olhos.

Talvez isso ocorra porque o cérebro humano é extraordinariamente ruim em escala geológica, e 13,8 bilhões de anos é um número cognitivamente inapreensível, ou porque as religiões, mesmo tendo se tornado um pool de máquinas caça-níqueis, oferecem um pseudoconforto espiritual que a cosmologia científica não promete por não ser esse seu papel.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Lula, o autoproclamado Sun-Tzu de Garanhuns, agiu corretamente quando mandou o embaixador Júlio Bitelli de volta à Argentina, sinalizando que o governo brasileiro deseja o retorno da normalidade. Por outro lado, sempre que pede a palavra, sua insolência quase nunca a devolve em boas condições. 

Na semana passada, ao falar sobre o maior conflito armado da história da América do Sul, o vocalista do grupo de pagode Fala Merda reescreveu a história numa comentário infeliz, errôneo e desnecessária, no qual afirmou que o Paraguai "invadiu" o Brasil, o Uruguai e a Argentina. 

A fala foi Infeliz porque remexeu numa ferida aberta — para os paraguaios, o Brasil cometeu genocídio na guerra; numa conta conservadora, a historiografia estima as perdas paraguaias entre 150 mil e 300 mil mortos. Foi errônea porque o Paraguai jamais invadiu o Uruguai: no episódio que antecedeu a guerra, foi o Império do Brasil que invadiu o Uruguai para evitar que o beligerante ditador paraguaio, Solano López, tutelasse aquele país. E foi desnecessária porque produziu uma tensão que serviu apenas para criar uma encrenca diplomática com o Paraguai num instante em que o Itamaraty já administra a intromissão do presidente argentino na eleição brasileira. 

A despeito dos três mandatos nas costas, o macróbio eneadáctilo ainda não aprendeu que pior do que uma crise são duas crises.


Pode-se argumentar que abraçar o criacionismo (ou outra religião qualquer) não é uma posição epistemológica, e sim uma identidade cultural e tribal. E muito embora o valor da Bíblia como literatura, mitologia e registro cultural seja indiscutível, tratar textos do século 10 a.C. como cosmologia literal, ignorando evidências convergentes de física, biologia, geologia e astronomia, é sinônimo de analfabetismo científico com consequências práticas — mas, de novo, argumentar com que renunciou à lógica é o mesmo que medicar defunto.

Prova disso é que, a despeito de o modelo cosmológico mais aceito estimar a idade do Universo em 13,8 bilhões de anos, não faltam apedeutas negacionistas que compram a versão do arcebispo irlandês James Ussher, segundo a qual Deus iniciou à criação do mundo e tudo que nele existe às 9h00 de 23 de outubro de 4004 a.C., viu que "tudo era bom" e deu os trabalhos por encerrados no sétimo dia, quando então descansou (!?)

Em tese, vivemos num país livre, onde cada um pode acreditar no que bem entender, da absolvição de Lula — que não passou da anulação dos processos devida a uma tecnicidade territorial — à inocência de Bolsonaro — tanto do pai golpista quanto dos filhos "cineastas" — e mais um sem-número de falácias sem pé nem cabeça. Por outro lado, negar evidências não muda os fatos. As coisas são como são — e não como gostaríamos que fossem — e mentiras não deixam de ser mentiras porque as pessoas acreditam nelas.

Passando ao que interessa, nosso sistema solar é um fascinante conjunto de objetos celestes (planetas, satélites, asteróides, meteoros etc.) interligados pela força da gravidade, tendo o Sol como seu centro. (0:10). Ele se formou há 5 bilhões de anos, e a Terra, cerca de 500 milhões de anos depois. Dito isso, quando o deus do arcebispo Ussher supostamente criou o mundo… enfim, fé e ciência não são mutuamente excludentes quando a esfera de cada uma é respeitada.

Embora não devamos subestimar a importância da Bíblia nem negar a enorme influência cultural do Gênesis, devemos mantê-los dentro de seu contexto histórico e mitológico, e não interpretá-los como revelações científicas sobre a criação do mundo. Assim, tomar os textos bíblicos por evidências factuais é ignorar séculos de progresso científico — como bem disse o pintor grego Apeles, não vá o sapateiro além das sandálias.

O literalismo religioso alimenta a negação de descobertas amplamente aceitas e mina o avanço em questões vitais ao futuro da humanidade. No tempo das cavernas, tempestades, terremotos, eclipses e outros fenômenos naturais eram atribuídos a forças sobrenaturais, e esse misticismo deu origem às religiões. Todavia, embora a fé e religião andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé e não ser religioso como seguir uma religião simplesmente por tradição familiar ou convenção social.

Compete às religiões oferecer conforto espiritual, respostas a questões como o propósito e o sentido da vida e "religar" o homem a Deus. No entanto, em vez de levarem à unidade, ao amor e ao bem de todos, elas foram deturpadas para servir a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam na manipulação de seus semelhantes. A possibilidade de existir um ente superior é plausível, mas como acreditar em um deus criador que concede livre-arbítrio às criaturas se ele promete recompensar os bons com a vida eterna num paraíso celestial e punir os maus com o fogo eterno num inferno comandado por um anjo caído?

As religiões perderam muito da empatia que tinham nos tempos de antanho e deitaram suas raízes nos comportamentos evolutivos fundamentais. Assim como os vaga-lumes, elas precisam da escuridão para brilhar, e são úteis para os poderosos, que lhes dão ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos. Enquanto sua rigidez tende a perpetuar tradições e práticas que raramente resistem ao questionamento crítico, a fé que resulta de experiências empíricas leva as pessoas a crer em algo sem que isso lhes seja enfiado goela abaixo por dogmas. Essa flexibilidade faz com que a fé se adapte aos valores e interpretações de cada um, tornando sua relação com a religião ainda mais intrigante quando a natureza da divindade é questionada — aliás, dizem que Deus criou a fé e o amor, e o diabo, invejoso, as religiões e o casamento.

Aristóteles ensinou que o sábio duvida e o sensato reflete. Toda religião é a verdade absoluta para quem a professa, mas não passa de mera fantasia para os devotos das outras seitas. No entanto, qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem ou assando lentamente num espeto. Mesmo assim, em pleno século XXI, algumas doutrinas claramente inverossímeis têm hostes de seguidores que pegam em lanças para defender seus rituais e liturgias.

No Mito da Caverna, Platão ensina que a sabedoria e o conhecimento estão além das aparências superficiais, e que só a reflexão crítica leva à compreensão das nossas convicções e das narrativas que escolhemos abraçar. Infelizmente, pode-se levar um burro até o regato, mas não se pode obrigá-lo a beber.

Continua…

sexta-feira, 31 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A TEORIA DE TUDO (CONTINUAÇÃO)

A REALIDADE É AQUILO QUE NÃO DESAPARECE QUANDO VOCÊ PARA DE PENSAR NELA.

Até o início do século XX, as leis de Newton explicavam o movimento dos planetas, as maçãs caindo das árvores, e por aí afora. Em 1905, Einstein publicou uma série de artigos que viraram esse entendimento de pernas para o ar, começando pela Teoria da Relatividade Restrita, segundo a qual o tempo e espaço formam um único tecido contínuo — o espaço-tempo — onde até os relógios atômicos mais precisos seguem caminhos diferentes, e que o tempo não é uma regra universal válida para todo o cosmos. 


A ideia central fica mais palatável quando imaginamos duas pessoas e um trem, uma viajando num vagão a uma velocidade constante e a outra parada na plataforma da estação. De acordo com as leis de Newton, a primeira pessoa acha que a segunda está se afastando, enquanto a segunda acha que a primeira está se movendo. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Em maio, Flávio prevalecia sobre Lula entre os brasileiros que afirmam não ser lulistas nem bolsonaristas: 38% a 32%. Desde a explosão do caso Dark Horse, a tendência se inverteu. Lula agora aparece à frente do filho de Bolsonaro nesse nicho do eleitorado: 40% das intenções de voto, contra 31% atribuídos a Flávio na simulação de segundo turno.

No quadro geral, os dados coletados pelo Datafolha revelam um cenário de estabilidade. Lula continua à frente. Mas não disparou. Flávio, a despeito da desvantagem, não derreteu. No primeiro turno, a dianteira de Lula oscilou de 10 para 8 pontos percentuais: 40% a 32%. No segundo turno, foi de 4 para 5 pontos: 48% a 43%.

São variações dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos. Normalmente, seriam consideradas como um ativo eleitoral de Flávio. Sobretudo quando se considera que o candidato do clã Bolsonaro tropeça numa agenda negativa que inclui a relação promíscua com Daniel Vorcaro, as desavenças com a madrasta, o tarifaço de Trump, os desencontros com o centrão, o ataque às urnas eletrônicas e um interminável etcétera.

Nesse contexto, a estratégia que distancia Flávio do eleitor de centro não faz nexo. Foi esse eleitor que deu a Lula, em 2022, a vitória sobre Bolsonaro pela pequena margem de 1,8 ponto percentual. O jogral do pai preso — "É sangue do meu sangue" —com filho-refém — "Aqui tem sangue de Bolsonaro" — desce à crônica da sucessão como uma esperteza do avesso.

É como se a dinastia desejasse transformar limonada em limão.


O problema surge quando experiências como a que Michelson e Morley realizaram no final do século XIX demonstraram que a velocidade da luz no vácuo é sempre a mesma, não importa se a fonte está em movimento ou se o observador está parado. Isso parece ser apenas um detalhe, mas, segundo a física clássica, a velocidade de uma bola arremessada dentro de um trem seria a velocidade da bola somada à velocidade do trem, e com a luz a velocidade continuaria exatamente a mesma (na percepção de quem está parado).


Isso levou Einstein a propor dois postulados simples, mas revolucionários: 1) A velocidade da luz no vácuo é constante (299.792.458 m/s ou cerca de 1,08 bilhão de km/h) para todos os observadores, independentemente do seu movimento; 2) As leis da física são as mesmas em todos os referenciais inerciais, ou seja, para observadores que não estão acelerando.


A combinação dessas duas ideias foi de encontro (e não ao encontro) do senso comum, segundo o qual o tempo e espaço simplesmente não podem se comportar da forma que se imaginava até então. Isso levou Einstein a concluir que, para o universo continuar a fazer sentido, era preciso abandonar a noção clássica de tempo e espaço e abraçar a ideia de que o tempo não é um valor absoluto, igual para todos, que flui como um relógio cósmico universal, mas algo relativo que leva a um conceito ainda mais profundo — que é o do espaço-tempo.


Para entender melhor a gravidade, imaginemos o espaço-tempo como uma grande tela elástica, e objetos massivos como planetas e estrelas deformando essa tela. Se colocarmos uma bola de boliche no centro dessa tela elástica, o tecido irá afundar. Se acrescentarmos uma bola de tênis, ela vai se mover em direção à bola maior, não porque uma força misteriosa a puxa, mas porque a superfície está deformada. Na visão de Einstein, a gravidade funciona assim, como o resultado da curvatura do espaço-tempo, e não como uma força invisível exercida à distância..


Einstein demonstrou ainda que o tempo também é afetado pela gravidade, e que, quanto mais intenso for o campo gravitacional, mais lentamente ele fluirá. É devido a esse efeito — conhecido como dilatação gravitacional do tempo — que um relógio anda mais devagar ao nível do mar do que no alto de uma montanha, onde a atração gravitacional é menor. 


Isso tem implicações profundas na forma como entendemos o universo e a nós mesmos, pois desmonta a ideia segundo a qual o tempo é um rio que corre de maneira uniforme para todos.


Continua…