NA POLÍTICA, BURRICE NÃO É OBSTÁCULO.
As primeiras pesquisas sobre telepatia, percepção extrassensorial, controle do pensamento e estados alterados de consciência foram reunidas sob o título de “psicotrônica” e se tornaram as precursoras da ciência noética moderna.
Durante a Guerra Fria, a URSS investiu mais de um bilhão de dólares no estudo do controle da mente e psicovigilância. Ao saber disso, o governo dos EUA iniciou uma série de programas ultrassecretos de pesquisa neuromilitar, mas o fiasco do Stargate rendeu sérias críticas à CIA, que foi acusada de gastar rios de dinheiro em pseudociência para treinar espiões-fantasmas.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Durante o namoro e o noivado, é meu bem pra lá e meu bem pra cá. Com o divórcio, a história muda: meus bens pra cá e meus bens pra lá.
Mutatis mutandis, o mesmo raciocínio vale para a política: as campanhas são pavimentadas com promessas que os candidatos sabem que jamais cumprirão. Como observou Bismarck, nunca se mente tanto quanto antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma caçada.
O ceticismo é saudável, mas convém lembrar que há custos eleitorais e institucionais reais para quem quebra promessas sistematicamente. A desonestidade política não é lei da natureza; é, muitas vezes, escolha.
Romeu Zema foi além dos seus interesses eleitoreiros ao divulgar um vídeo satírico contra ministros do STF. O problema não é a crítica à corte — essa é legítima, necessária e constitucionalmente protegida. O problema é que o ataque ultrapassou a instituição e atingiu Gilmar Mendes e Dias Toffoli como pessoas.
Essa distinção importa: figuras públicas no exercício do poder têm o limiar de proteção à honra deliberadamente elevado, justamente para não sufocar o debate democrático. Mas esse limiar existe — e, segundo a avaliação jurídica do episódio, pode ter sido cruzado. No esforço de crescer na corrida presidencial com retórica anti-Supremo, Zema pode ter levado sua fala às fronteiras da criminalidade, não por criticar a corte, mas por ofender pessoalmente dois de seus membros.
A crítica mais substancial, porém, recai sobre o inquérito das fake news, que foi "desvirtuado" ao longo dos anos e passou a abrigar casos sem relação direta com seu objetivo original. Os números falam por si: sete anos de duração, escopo progressivamente ampliado e relatoria nas mãos de Xandão — um ministro diretamente mencionado em parte dos episódios investigados.
Um inquérito conduzido pelo próprio tribunal para proteger seus membros cria um conflito de interesses estrutural que é difícil de defender, independentemente da posição política de quem o aponta. O STF existe para conduzir inquéritos, mas também para encerrá-los. Manter indefinidamente um instrumento jurídico multiuso, acionado de forma seletiva para apaziguar aflições internas da corte, não é exercício de jurisdição — é exercício de poder sem freios adequados.
A independência do STF é um valor constitucional inegociável. Mas ela não imuniza a instituição de críticas sobre seus próprios procedimentos. Confundir a defesa legítima da corte com a blindagem de comportamentos questionáveis de seus membros — ou, no sentido oposto, confundir a crítica aos ministros com ataque ao Estado de Direito — é o equívoco que alimenta tanto o populismo anti-institucional quanto o corporativismo judicial.
O debate brasileiro ganharia em qualidade se aprendesse a separar essas camadas.
Afirmar que as experiências de quase morte resultam do aumento da atividade cerebral nos últimos instantes de vida é fácil. O difícil é explicar como alguém que esteve clinicamente morto consegue lembrar como é estar morto.
No livro Apagar a Morte, o médico e professor Sam Parnia escreve que um paciente que havia sofrido uma parada cardíaca descreveu com exatidão o trabalho dos médicos e enfermeiros e disse que foi submetido duas vezes ao choque dos desfibriladores — exatamente o número de tentativas feitas para ressuscitá-lo, embora ele não tivesse como saber disso porque seu cérebro estava inativo.
Em "The Spiritual Doorway in the Brain", o neurologista Kevin Nelson anota que os limites entre os estágios da consciência são tênues, e as fronteiras entre vigília, sono REM e sono não-REM, tão difusas que em momentos de crise o sono invade a vigília e causa os efeitos descritos nas EQMs, como se o cérebro acionasse um interruptor. Em Ciência da Vida Após a Morte, os autores abordam evidências científicas sobre a consciência após a morte, incluindo a mediunidade, as EQMs e a reencarnação. Vale assistir também a esta entrevista com o autor de Death is but a dream.
Desmaios podem desencadear EQMs, já que a sensação de perigo altera a pressão sanguínea nos olhos, deixa a visão borrada nas bordas e cria a impressão de que há um túnel com luzes. Já a sensação de "sair do corpo" pode ser explicada pelo "desligamento" da região cerebral responsável pela percepção espacial — quando a pessoa entra em REM, o cérebro ativa o mesmo mecanismo que produz os sonhos, o que explica as alucinações.
Continua...



