sábado, 22 de agosto de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 108ª PARTE

SE O TEMPO É UMA ESTRADA DE MÃO ÚNICA, O PENSAMENTO DIRIGE NA CONTRAMÃO.

Como vimos, viajar no tempo é matematicamente plausível, mas na prática a teoria é outra. Primeiro porque os efeitos da dilatação temporal só são sensíveis em velocidades próximas à da luz (1,08 bilhão de km/h); segundo porque a sonda mais veloz que a NASA lançou até agora alcançou cerca de 0,064% dessa velocidade; terceiro porque retornar ao passado cria paradoxos temporais (dos quais o mais famoso é o do avô); e quarto porque, segundo o princípio da autoconsistência, eventos capazes de gerar paradoxos ou criar inconsistências no Universo têm probabilidade zero de ocorrer. 

Em face do exposto, uma viagem ao passado só seria factível se não alterasse o presente. No entanto, a própria chegada do viajante já constitui uma alteração, já que ele não deveria estar ali. Além disso, voltar ao passado envolve conceitos de física quântica e teorias como a das cordas, que admitem a possibilidade de viajar ao passado sem criar paradoxos temporais. Nesse contexto, qualquer mudança resultaria na criação de um universo paralelo, coexistente com o presente do viajante do tempo, mas paralelo à linha temporal original a partir do ponto da mudança.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O lançamento da candidatura de Sérgio Moro ao governo do Paraná converteu-se numa antiapoteose. Ao dividir o palanque com o filho do golpista, o ex-juiz da Lava-Jato e Deltan Dallagnol — antigo garoto prodígio da força tarefa de Curitiba — consolidaram a percepção de que na política nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe.

Bolsonarinho e o Marreco de Maringá trocaram afagos. O filho do pai vestia uma camiseta na qual se lia: "Curitiba prendeu. Brasília soltou", numa alusão à sentença de Moro que levou Lula à cadeia, posteriormente anulada pelo Supremo. Derramou-se em elogios ao ex-juiz: "É um símbolo de combate à corrupção, símbolo de seriedade, que vai ter a independência de montar um time forte, com uma Assembleia forte, para fazer o melhor pelo Paraná".

Em retribuição, Moro enalteceu a decisão do governo Trump de classificar PCC e CV como terroristas: "Foi extraordinário. Ele [Flávio] conseguiu convencer o governo norte-americano a dar esse passo importante." E aproveitou para elogiar a suposta atuação do "mito" preso no combate às facções criminosas à época em que desgovernou o país.

Moro esqueceu de lembrar — ou lembrou de esquecer — que deixou o governo Bolsonaro acusando o então chefe de aparelhar a Polícia Federal para blindar a família contra investigações. Em janeiro de 2022, numa entrevista ao Flow Podcast, o desafeto disse que Bolsonaro "tem lá investigação da família dele, rachadinha, ele tem medo também que a investigação chegue nele. e aí ele chegou a partir de determinado momento do mandato dele e começou: 'Olha, tem que enfraquecer o combate à corrupção'."

Na mesma entrevista, o ex-herói que se converteu em vergonha nacional se referiu diretamente ao primogênito do refugo da escória da humanidade: "Teve uma decisão do Supremo que beneficiou o filho do presidente. (...) O problema é que essa liminar parava todas as investigações de lavagem de dinheiro no país. Parava tudo. E o presidente não queria que a gente mexesse nisso. Ele me falou assim: 'Moro, se você não vai ajudar, não atrapalhe'."

Meses depois, o Marreco de Maringá daria um cavalo de pau, incorporando-se à malsucedida caravana de Bolsonaro na sucessão presidencial de 2022. Agora, associa-se ao rebento do rebotalho num instante em que a imagem do neoaliado já não está apenas rachadinha. Os vínculos financeiros obscuros do presidenciável do clã Bolsonaro transformaram a antiga fenda num rombo de dimensões insondáveis.

Deltan Dallagnol frequentou o palanque do ex-parceiro na Lava-Jato como coadjuvante do escárnio. Sua candidatura ao Senado é uma dúvida jurídica. Teve o mandato de deputado federal cassado pelo TSE em 2023. Os adversários sustentam que está inelegível.

Alheio à controvérsia, Dallagnol fustigou sua adversária petista: "Precisamos trabalhar intensamente para que Gleisi Hoffmann não vire senadora no Paraná. Precisamos derrotar o PT porque [é o partido] líder máximo dos maiores esquemas de corrupção que o país já viu." Disse isso ao lado de Flávio Bolsonaro. Sem corar.

Moro e Dallagnol atribuem ao Supremo o sepultamento da Lava-Jato, mas a morte é anterior a si mesma, começa bem antes do funeral. A República de Curitiba começou a morrer no final de 2018, quando Moro trocou o altar da 13ª Vara pelo serpentário de Brasília. Em março de 2021, numa entrevista ao UOL, o ex-procurador disse que, como ministro da Justiça, Moro "poderia ter maiores chances de influenciar a história". De fato, foi grande a influência do então subordinado de Bolsonaro. Moro virou a página da história. Para trás.

Com a Vaza-Jato e seus diálogos tóxicos, os ex-paladinos de Curitiba jogaram terra em cima de si mesmos. Forneceram material para a abertura da cela de Lula e a condenação de Moro como juiz suspeito. Hoje, irmanados à imoralidade que permeia a política, Moro e Dallagnol enfeitam com sua incoerência a lápide que ajudaram a acomodar sobre o esforço anticorrupção que diziam encarnar.  Essa dupla patética não só fica de quatro como também se vira do avesso por Flávio Bolsonaro.


Relembro que Stephen Hawking deu uma festa em Cambridge e publicou um convite com as coordenadas exatas de tempo e espaço. "Talvez um dia alguém do futuro encontre a informação e use uma máquina do tempo para vir à minha festa, provando que as viagens no tempo serão possíveis". Posteriormente, na série Into the Universe with Stephen Hawking, ele explicou: "Gosto de experiências simples e... champanhe. Então, combinei duas das minhas coisas favoritas para ver se a viagem no tempo do futuro para o passado é possível". Mas ninguém apareceu. 


Mais adiante, durante um simpósio no Festival da Ciência de Seattle (EUA), Hawking ponderou que a relatividade geral dá margem a deformações no espaço-tempo que, em tese, permitem viajar para o passado, mas alertou que tais deformações poderiam causar um raio de radiação capaz de destruir a espaçonave e o próprio espaço-tempo. Além disso, muitos momentos históricos não são exatamente agradáveis para quem os vivenciou. 


Um dos tipos de eventos catastróficos mais recorrentes da história são doenças infecciosas, que podem causar morte em escalas sem precedentes. Vimos isso durante a pandemia da Covid, que ceifou milhões de vidas mundo afora, seja pelo SARS-COV-2, seja por algum fator a ele associado. E isso apesar de a medicina moderna ter um bom entendimento de como doenças funcionam.


Se alguém viajasse para a Roma Antiga e pegasse uma infecção bacteriana, essa pessoa não teria acesso a antibióticos, a menos que os levasse na mala — e ainda assim as chances de cura seriam exíguas, pois os antibióticos não são eficazes contra os fungos e vírus, que também causam infecções potencialmente letais. E isso sem contar os possíveis perigos ambientais, como exposição ao chumbo e outros materiais que os habitantes da época não sabiam que eram perigosos.


Os romanos faziam canos de chumbo sem saber que estavam se intoxicando. E se você acha que eles eram ignorantes, no final do século XIX o farmacêutico John Stith Pemberton criou um "tônico medicinal digestivo" à base de cocaína, que era amplamente vista pela classe médica ocidental não como uma droga perigosa, mas como um fármaco milagroso. A receita original era baseada em vinho (French Wine Coca) misturado com folhas de coca e nozes de cola, servido nas farmácias americanas. 


Mais adiante, a Lei-Seca obrigou Pemberton a tirar o álcool e criar a versão doce com água carbonatada, batizada de Coca-Cola por seu contador e sócio Frank M. Robinson. No início do século XX, a pressão da opinião pública e de autoridades médicas resultou na retirada da cocaína da fórmula, e assim o poder e o apelo energizante da bebida passaram a vir quase exclusivamente da alta dose de cafeína e açúcar, pavimentando o caminho para se tornar o refrigerante mais consumido no planeta.


Mas os riscos de uma viagem ao passado não param nos hábitos dos antigos. Os vírus, por exemplo, foram uma das principais causas de morte no mundo até a invenção das vacinas.. O vírus da varíola foi um dos que causaram mais mortes ao longo da história. Só no século passado, ele matou mais de 300 milhões de pessoas. Atualmente, estamos protegidos da varíola e de uma série de outras doenças 'modernas' graças às vacinas, digam o que disserem os negativistas de carteirinha. 


Quem viajasse no tempo para Roma em meados do século 1 d.C., quando a cidade foi atingida por alguma doença viral — talvez varíola ou algo similar — não teria garantias de que as vacinas do século XXI oferecessem proteção contra versões vetustas das doenças. Assim, além da possibilidade nada desprezível de morrer de gripe, nosso hipotético viajante poderia colocar em risco o futuro da humanidade ao disseminar involuntariamente várias doenças até então desconhecidas. Foi o que aconteceu no século XVI, quando a chegada dos europeus às Américas disseminou doenças desconhecidas pelos nativos — que não tinham defesas imunológicas contra elas e, portanto, morreram feito moscas.


Ao problema das doenças somam-se outros, com o da comunicação. Da feita que a língua humana é viva e muda constantemente. Mesmo que saibamos a língua falada na época, detalhes como o sotaque, a entonação ou as palavras usadas em dialetos específicos poderiam dificultar sobremaneira a comunicação. No caso dos romanos, sabe-se que eles falavam latim, mas não pronunciavam as palavras. Ademais, o Império Romano durou milênios e a forma como as pessoas se expressavam, os dialetos locais e outros fatores sociais mudaram significativamente ao longo da história. Isso sem mencionar que há atualmente cerca de 11 mil dialetos na Itália.


Em face do exposto, viajar a épocas remotas exigiria "reaprender a falar", tanto para entender e se fazer entender quanto para não ser vítima de xenofobia — lembrando que várias culturas do passado escravizavam estrangeiros ou, na melhor das hipóteses, tratavam-nos como gente de classe inferior. Além disso, as ideias extemporâneas de alguém vindo do futuro seriam vistas como bruxaria ou heresia, como aconteceu durante a Idade Média e nos EUA do século XVII, quando milhares de pessoas foram taxadas como bruxas e executadas — na fogueira no Velho Mundo e na forca em Salem.


Guardadas as devidas proporções, o mesmo acontece em relação a viagens para o futuro. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

DE VOLTA À INCONSISTÊNCIA DOS TEXTOS BÍBLICOS

QUANTO MAIS EXTRAORDINÁRIA FOR UMA ALEGAÇÃO, MAIS SÓLIDA DEVERÁ SER A EVIDÊNCIA QUE A SUSTENTA.

Toda cultura no mundo tem seu livro sagrado — a Bíblia para os cristãos, a Torá para os judeus, o Alcorão para os muçulmanos, e assim por diante.


Cada um é diferente do outro, mas todos são uma mistura de mitos, lendas e tradições orais acumuladas ao longo dos séculos, e nenhum deles oferece uma explicação científica ou histórica do passado. E nem poderia, pois literatura religiosa não é jornalismo e tampouco leva em conta o conhecimento acumulado nos últimos séculos em áreas como física, astronomia e biologia.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Lulinha e Marcola viraram duas goteiras tóxicas. Investigados pela Polícia Federal como traficantes de influência, o filho e o homem de confiança de Lula acumularam extravagâncias. Descobertas pelos investigadores, as estripulias vão corroendo o comitê da campanha à reeleição.

Ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola recebeu uma joia com diamantes de Roberta Luchsinger, a lobista do Careca do INSS. A peça foi comprada para o Dia das Mães. Custou R$ 9.000. A defesa diz que o valor é parte dos R$ 249 mil que Marcola pediu emprestado. Obviamente, Marcola não ouviu quando sua mãe rogou: "Cuidado com as companhias, meu filho".

Estrela de três inquéritos, Lulinha travou com a lobista Roberta diálogos sugestivos. Num deles, a amiga festejou a parceria: "Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça". Os investigadores detectaram encontros dos dois com Marcola e outro assessor do gabinete de Lula: Swedenberger Barbosa, o Berg.

O consolo dos operadores políticos de Lula é que a PF investiga também a mordida de Flávio Bolsonaro no bolso de Daniel Vorcaro. Pediu R$ 134 milhões. Levou R$ 61 milhões. A questão é saber de onde virá a última gota, aquela que fará o copo transbordar.


As religiões surgiram a partir do misticismo dos nossos antepassados mais remotos, que atribuíam tempestades, terremotos, eclipses e outros fenômenos naturais a forças sobrenaturais. Mas não se deve confundir religião com fé, pois tanto é possível ter fé e não ser religioso quanto seguir uma religião sem ter fé.


O propósito das religiões é "religar" o homem a Deus, mas cada vertente — cristã, budista, hinduísta, xamânica, espiritualista, gnóstica, etc. — define "Deus" à sua maneira, e em vez de levar à unidade, ao amor e ao bem de todos, atende a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam para manipular os menos esclarecidos.


Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. As religiões perderam muito da empatia que tinham nos tempos de antanho depois que tornaram uma cabine de pedágio para o céu. Todas elas são a verdade sagrada para quem as professa, mas não passam de fantasia para os fiéis das outras vertentes. Não há crença, por mais absurda que seja, que não tenha seguidores fanáticos, dispostos a pegar em lanças para defendê-las. 


Um sábio disse certa vez que a diferença entre o homem e Deus é que o homem esqueceu que é divino. Quando a Bíblia diz que devemos "construir nosso templo" e fazer isso "sem ferramentas e sem ruído", o sentido oculto expresso nas entrelinhas é de que se trata do nosso corpo: "Vós sois o tempo de Deus" (Coríntios 3:16). No entanto, grande parte do mundo religioso parece estar esperando um templo de tijolos — como prega a Profecia Messiânica — em vez do templo de nossas mentes.


As religiões sempre concitaram seus sectários a abraçar os conceitos de fé e crença que a ciência considera mera superstição. Mas vale lembrar que, a despeito de toda a evolução ocorrida nos últimos séculos, os cientistas ainda não sabem ao certo se o tempo existe ou se não passa de uma construção humana para colocar ordem no caos. E assim como o tempo, os "milagres" continuam sendo um mistério que desafia tanto a fé quanto a razão.


Entre outros fenômenos que os religiosos chamam de "milagres" e os cientistas não são capazes de explicar, cito a remissão espontânea de certos tipos de câncer, os relatos de pacientes que ficaram mais de 40 minutos sem sinais vitais e retomaram funções vitais sem intervenção médica direta, e o relicário com sangue de São Januário que se liquefaz todos os anos em Nápoles diante de milhares de fiéis.


Santa Teresa de Ávila e Santa Bernadete de Lourdes, mortas em 1582 e 1879, respectivamente, tiveram seus corpos exumados décadas ou séculos depois, e eles foram encontrados em estado de conservação surpreendente, sem sinais de decomposição ou odor, a despeito de não terem sido embalsamados. Em 1917, cerca de 70 mil pessoas relataram ter visto o sol girar em espiral e emitir luzes coloridas após uma aparição mariana — o fenômeno foi reconhecido pelo Vaticano, mas nunca explicado pela ciência.


Historicamente, todos os grandes avanços científicos começaram com uma ideia simples que ameaçou o status quo, e mentes medíocres sempre atacam o que não entendem. A esfericidade da Terra foi tachada de impossível e o heliocentrismo, de heresia, até que um dia o mundo se tornou redondo e o Sol passou a ser o centro do sistema solar. 


A ideia da existência de um ser superior é plausível, mas acreditar na versão rancorosa e vingativa do Velho Testamento é ridículo. Qualquer pessoa minimamente esclarecida rejeita a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem com os anjos ou assando lentamente em um espeto na churrasqueira de um anjo caído. 


O mesmo se aplica às narrativas sobre Moisés, que teria aberto o mar vermelho, tirado água de uma pedra a golpes de cajado e morrido sem poder entrar na terra prometida por Jeová a Abraão e seus descendentes, como castigo por não ter atribuído os "milagres" ao vaidoso Criador.


Observação: Moisés supostamente escreveu os cinco livros do Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) durante sua longa caminhada pelo Deserto do Sinai. Curiosamente, o Deuteronômio narra sua morte, o que seria impossível se ele mesmo o tivesse escrito. Há também referências a reis de Israel em passagens do Gênesis, numa época em que a monarquia ainda não existia. Sem falar que o trajeto entre o Egito e Canaã, estimado em cerca de 450 quilômetros, poderia ser feito a pé em poucas semanas, o que torna implausíveis os 40 anos de peregrinação.


Sobre a Torre de Babel, a ideia de Deus ter feito uma espécie de "reset" nos indivíduos para que eles passassem a falar línguas diferentes é outro dos inúmeros absurdos que recheiam o Velho Testamento. A antropologia indica que idiomas são construções culturais desenvolvidas por seres humanos, e não criações instantâneas de entidades sobrenaturais. As narrativas bíblicas surgiram inicialmente de forma oral e só foram registradas muito tempo depois. Se a escrita hebraica ainda não estava consolidada, qual teria sido o sistema de escrita utilizado nas tábuas dos Dez Mandamentos? 


Observação: Segundo uma anedota clássica do humor judaico, Moisés desceu do Monte Sinai carregando três tábuas e anunciou solenemente: "O Senhor, Deus de Israel, deu-vos estes quinze..." — e aí uma das tábuas escorrega e se despedaça no chão — "...dez mandamentos!"


Voltando à fantasiosa narrativa do Êxodo, se a chegada à Canaã ocorreu por volta de 1210 a.C., após quarenta anos no deserto, a saída do Egito teria acontecido aproximadamente em 1250 a.C., durante o reinado de Ramsés II. Isso significa que Moisés teria cerca de 80 anos ao deixar o Egito e 120 ao morrer na região de Moabe. 


Abraão, segundo a cronologia bíblica tradicional, teria nascido por volta de 1812 a.C. e partido de Harã rumo a Canaã aos 75 anos de idade. A distância aproximada entre Harã e Canaã é de cerca de 680 quilômetros, apenas 230 quilômetros a mais do que a distância atribuída ao Êxodo, e a diferença de 230 km exigiria aproximadamente 5,1 dias a mais de caminhada.


Observação: Abraão teria vivido 175 anos, morrendo por volta de 1637 a.C. Entretanto, ao comparar essa cronologia com a data tradicional da chegada dos israelitas a Canaã, por volta de 1200 a.C., surge um inexplicável intervalo de mais de cinco séculos.


A reflexão que fica é que crenças antigas devem ser examinadas com o mesmo rigor aplicado a qualquer outro relato histórico. Linguística, arqueologia, antropologia e história oferecem ferramentas para investigar essas tradições.

Questionar não é negar automaticamente; é submeter afirmações à análise crítica e às evidências disponíveis. Entretanto, a força de uma crítica costuma aumentar quando ela se concentra nos argumentos e nas evidências, e não na capacidade intelectual de quem discorda.


No fim das contas, a questão não é escolher entre fé e razão como se fossem adversárias irreconciliáveis. É possível reverenciar o mistério sem abdicar do pensamento crítico — e questionar narrativas antigas sem desrespeitar quem nelas encontra conforto e sentido. O que não se pode é exigir que o mundo inteiro aceite como verdade literal aquilo que, à luz da linguística, da arqueologia e da história, se revela como metáfora, mito ou simplesmente ficção bem-intencionada. 


A fé que não sobrevive a perguntas não é tão sólida quanto parece. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 107ª PARTE

TEMOS DUAS MÁQUINAS DO TEMPO: AS MEMÓRIAS, QUE NOS LEVAM AO PASSADO, E OS SONHOS, QUE NOS LEVAM AO FUTURO.

Nossa novela sobre viajar no tempo foi interrompida no capítulo 106 (22 de maio) e deu lugar à sequência "Mistérios da Meia-Noite", cujo capítulo mais recente foi ao ar em 14 de agosto.

Volto agora ao tema não para brindar o leitor com a tão esperada conclusão, pois o máximo que se pode fazer com assuntos dessa complexidade é especular. Talvez isso frustre aqueles que acompanharam todos os capítulos da novela esperando um final feliz, mas, como disse alguém mais sábio, alguns mistérios jamais serão revelados. 

Claro que isso não muda o fato de que viajar no tempo é o fruto mais cobiçado — e ainda inalcançado — da árvore da relatividade. Além disso, descartar a ideia sob o pretexto de que ela não passa de ficção científica é pura desinformação (ou ignorância, tanto faz), mesmo porque viajar no tempo é uma possibilidade matemática. Só não conseguimos fazê-lo na prática porque nossa tecnologia não evoluiu a ponto de permitir a construção de espaçonaves capazes de atingir velocidades suficientes para tornar expressivos os efeitos da dilatação do tempo.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ao colecionar troféus do Centrão, Lula ganha palanques e tempo de TV na eleição e constrói base no Congresso e governabilidade, em caso de vitória. Mas foi assim que o Mensalão, o Petrolão e os escândalos de Lula 1 e 2 começaram.

Ciro Nogueira passou os últimos quatro anos xingando Lula, dia sim, outro também. Davi Alcolumbre usou seu poder inquestionável no Senado para detonar pautas-bombas contra o governo e a reeleição. Hugo Motta, como biruta de aeroporto, seguiu os ventos para lá e para cá. Nenhum deles foi ou é aliado de Lula, nenhum trabalha de graça nem brinca em serviço. 

Os ajustes regionais pesam, especialmente para Nogueira e Motta, que são do Nordeste, o bolsão petista do País, mas isso é apenas parte da história. A audácia, a gula e o perigo do Centrão, seus partidos e líderes vão muito além das suas próprias eleições.

A partir daí, voltamos ao Mensalão, ao Petrolão e à defunta Lava-Jato, que começaram justamente quando, sem base sólida no Congresso, o macróbio eneadáctilo se jogou nos braços de adversários não ideológicos, só pragmáticos, dispostos a tudo, para compensar a fragilidade do PT e da esquerda. Isso tem custo, e alto. 

Quem paga, como sempre, é o contribuinte: em nome da governabilidade, para salvar a própria pele, o mandato e seu nome nas futuras urnas, sua insolência abriu os cofres e deu a Petrobras, como bolo fatiado, para os neo-aliados, que podem ir para um lado ou para outro, à custa de uma falsa “neutralidade”.

O eterno demiurgo de Garanhuns salvou o mandato e o apoio no Congresso, mas quase implodiu a Petrobras, a maior, mais rica e mais simbólica estatal deste país, e, via de consequência, não só feriu gravemente sua biografia, a história do PT, a credibilidade da esquerda, como também amargou 580 dias na prisão.

Foi nessa terra arrasada que floresceu o absurdo: a eleição de Jair Bolsonaro, que, aliás, foi bem mais cirúrgico do que o antecessor para se livrar das garras do Congresso à custa do erário. Deu o “coração” do governo a Ciro Nogueira, lavou as mãos e liberou geral as emendas parlamentares, sem limite, controle e fiscalização, enquanto desfrutava do jet ski e divulgava Cloroquina para a covid.

Em favor do ex-presidiário candidato à reeleição, diga-se que o sistema não deixa alternativas, ou o presidente cede ao Congresso e dá um jeito de fazer maioria, ou cai. Simples assim. Petistas e aliados batem na tecla de que Lula não roubou para si nem enriqueceu com o Petrolão; “entrou no jogo da autossobrevivência”.

Em 2027, o novo presidente, seja ele quem for, encontrará um País não apenas polarizado politicamente, mas ameaçado na economia e na frente externa, com uma crise fiscal asfixiante, inimiga de investimentos, políticas públicas e crescimento, e com os avisos de Donald Trump de que pretende intervir no Brasil e na região – algo que ganha contornos reais a cada dia. A pergunta é: como enfrentar crise interna e ameaça externa, com o Supremo jogando a credibilidade pela janela e... sem maioria no Congresso?

Para conquistar essa maioria, mesmo precariamente, sem garantias, é preciso entregar não só os anéis, mas também os dedos para o Centrão. Mas torçamos para que não seja novamente a Petrobras, ainda mais com a descoberta de petróleo na Margem Equatorial.


Num carro a 180 km/h, a dilatação do tempo é imperceptível. Já os relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra a 14 mil km/h adiantam 38 microssegundos por dia, tornando o efeito mensurável. A velocidades próximas à da luz, um segundo no referencial do viajante equivale a anos, décadas ou séculos no tempo terrestre (como bem ilustra o paradoxo dos gêmeos). Vejamos isso melhor.


A alta velocidade orbital faz os relógios atômicos dos satélites atrasarem 7 microssegundos por dia em relação aos da Terra, enquanto a dilatação gravitacional do tempo resultante do campo gravitacional mais fraco na altitude dos satélites faz os relógios adiantarem 45 microssegundos por dia. Pelo mesmo motivo os relógios andam mais devagar ao nível do mar do que no topo do Everest — fato comprovado por relógios atômicos posicionados a alturas diferentes, mesmo quando a diferença é de apenas alguns milímetros. 


Tudo somado e subtraído, o resultado é de +38 µs/dia, que é compensado mediante o pré-ajuste dos relógios atômicos dos satélites GPS para rodarem a 10,22999999543 MHz em vez de 10,23 MHz exatos. Embora essa variação só seja percebida por aparelhos altamente sofisticados, numa hipotética espaçonave a 99,9999999% da velocidade da luz a dilatação do tempo reduziria milhares de anos terrestres a poucos segundos, tornando viagens de centenas ou milhares de anos-luz praticamente instantâneas (no referencial dos ocupantes da espaçonave).


Os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre as viagens ao passado (avançar no tempo é bem menos problemático). Uma corrente afirma que elas esbarram nas leis da natureza e da física, enquanto a outra sustenta que o maior problema é a limitação tecnológica, e que isso será superado em algum momento. 


Um dos principais problemas de voltar no tempo são os famosos paradoxos lógicos — no do avô, citado de passagem linhas acima, se alguém retorna ao passado e mata o próprio avô antes que ele se case com sua avó, esse alguém não teria nascido e, consequentemente, não poderia voltar no tempo para matar seu antepassado. Então, a menos que o assassinato do avô criasse uma bifurcação temporal e o viajante passasse a existir numa linha do tempo paralela, ele estaria destruindo sua própria linha do tempo.


Mas o assunto está longe de ser pacífico. Há quem afirme que a conjectura de proteção cronológica inviabiliza qualquer retorno a um ponto do passado e impede que uma curva fechada do tipo tempo leve de volta ao ponto de partida, ou que, segundo o princípio de autoconsistência, qualquer evento capaz de gerar um paradoxo ou criar inconsistências no Universo tem probabilidade zero de ocorrer, de maneira que uma viagem ao passado só poderia acontecer se ela não alterasse o presente.


Na física clássica, conhecer as condições iniciais permite calcular com precisão a trajetória de uma bala ou o movimento dos planetas, mas a teoria do caos, aplicada ao estudo de sistemas dinâmicos, mostra que pequenas perturbações podem crescer exponencialmente, tornando previsões de longo prazo inviáveis — fenômeno conhecido como efeito borboleta


Não obstante, alguns estudos demonstram que um viajante do tempo que entrasse numa curva rumo ao passado poderia seguir caminhos diferentes sem alterar o resultado de suas ações. Como qualquer tentativa de mudar o que já aconteceu criaria uma linha de tempo alternativa à linha original a partir do ponto de mudança — e a própria chegada ao passado já seria uma mudança —, o viajante se materializaria numa nova linha do tempo, onde nada que ele fizesse mudaria o curso da história na sua linha do tempo original. 


Se cada decisão que tomamos cria uma linha do tempo alternativa, é possível voltar ao passado sem criar paradoxos como o do Avô. Mas essa é apenas mais uma entre muitas teorias que, embora matematicamente plausíveis, carecem de comprovação experimental. Sem múltiplos universos e linhas do tempo alternativas, um loop infinito de causas e efeitos seria criado, da mesma forma que uma pedra jogada num lago cria ondas concêntricas em direção à margem.

 

Tudo parece se acomodar numa inexorável linha do tempo, mas uma das muitas esquisitices da mecânica quântica é a possibilidade de uma mesma partícula estar em dois lugares simultaneamente. Nesse caso, causa e efeito coexistem; o "evento A" pode ser a causa do "evento B" e, ao mesmo tempo, consequência do evento que ele próprio causou. Esse fenômeno, chamado de superposição e ilustrado pelo experimento conhecido como Gato de Schrödinger, ressalta a estranheza do comportamento das partículas em nível quântico, onde a realidade só "se define" quando é observada. 


Da feita que a natureza não está obrigada a obedecer aos postulados da teoria que tenta explicá-la, uma seta do tempo que aponta sempre na mesma direção não passa de um pressuposto. Talvez seja preciso deixar a prancheta de lado e buscar na natureza algum indício de uma superposição de eventos que revogue o princípio da causalidade (o Conselheiro Acácio que coloque as barbichas de molho).

 

Convém ter em mente que viajar para o passado só faz sentido quando admitimos a existência do tempo e o comparamos a uma estrada pela qual se pode avançar em velocidade constante, acelerar, desacelerar e até mesmo parar. Mas a causalidade pode não ser tão absoluta quanto imaginamos, e se a realidade for uma tapeçaria tecida com fios de múltiplas possibilidades, como fica o observador nesse bordado quântico?


Continua…

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

DE VOLTA À TEORIA DE TUDO

A PIOR FORMA DE DESIGUALDADE É TENTAR TORNAR AS COISAS DESIGUAIS IGUAIS.

Vimos que a Teoria das Cordas busca conciliar a relatividade geral com a mecânica quântica, e que os conceitos da primeira não se aplicam ao mundo subatômico nem os da segunda descrevem adequadamente os grandes corpos celestes.


De certo modo, é como se existissem duas linguagens diferentes para descrever o universo: uma explica o comportamento da gravidade e de objetos gigantescos, como estrelas, planetas e galáxias; a outra descreve as partículas fundamentais da matéria, como os quarks e os léptons


Einstein passou boa parte de sua vida buscando uma teoria capaz de unificar as forças conhecidas da natureza, mas morreu sem obter sucesso em seu intento. Desde então, inúmeros físicos vêm perseguindo o mesmo objetivo, mas ninguém encontrou (pelo menos até agora) uma formulação matemática que concilie plenamente a relatividade geral com a mecânica quântica.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nem Lula nem Flávio. O protagonista do primeiro dia da campanha de 2026 foi Jair Bolsonaro. Trancado no calabouço domiciliar, banido das urnas e das redes sociais, ele não esteve em nenhum ato político neste domingo. Mas estreou na sucessão presidencial de 2026 assombrando, como um egun mal-despachado, o estádio de Vila Euclides e a orla de Copacabana

No estádio, em São Bernardo, o molusco indigesto discursou como se o adversário não fosse o filho do pai, mas o pai do filho. A certa altura, ecoou a pergunta que o eleitor faz a seus botões: "Por que Lula quer um novo mandato?" 

Segundo o macróbio, é para evitar a volta da extrema direita consubstanciada na gestão desastrosa da pandemia sob Bolsonaro. E empilhou indicadores para comparar seu governo ao do antecessor.

Em horário quase simultâneo, o primogênito do refugo da escória da humanidade discursou na orla de Copacabana como um boneco vestido pelo seu ventríloquo, trajando camiseta idêntica à que o genitor usava no dia em que foi esfaqueado, na vitoriosa campanha de 2018. Nela, lia-se: "Meu partido é o Brasil". Rodou áudios antigos do golpista (hoje em prisão domiciliar), e sapateando sobre a memória do rei do futebol, admitiu ser coadjuvante: "É difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé."

Entre todos os estrategistas da eleição, Bolsonaro foi o mais bem-sucedido. Tornou a direita refém de um preso por tentativa de golpe. Transformou um herdeiro biológico num anti-Lula competitivo. Qualquer que seja o resultado, sairá ganhando. Se o filho derrotar o xamã petista, o capitão golpista ganha a anistia. Se seu clone for derrotado, manterá o título de principal líder da oposição. Em qualquer hipótese, esse maldito egum mal-despachado continuará assombrando o país.


Para o físico teórico Leonard Susskind, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, uma possível ligação pode estar nos célebres buracos de minhoca. A existência desses fenômenos ainda não foi comprovada, mas acredita-se que ele surjam nas imediações ou profundezas dos buracos negros e conectem dois pontos do espaço-tempo, não necessariamente no mesmo universo nem na mesma linha temporal.


A equação é simples: ER = EPR — o “E” e o “R” se referem a Albert Einstein e Nathan Rosen, que publicaram um estudo descrevendo os supostos atalhos em 1935 — daí esses fenômenos terem sido batizados de “ponte de Einstein-Rosen”. O outro lado da equação inclui o "P", que remete ao físico Boris Podolsky, com quem os outros dois cientistas escreveram um outro estudo que descreve o entrelaçamento quântico.


Observação: O entrelaçamento quântico descreve como duas partículas diferentes podem se comportar de maneira idêntica, independentemente da distância que as separa. Um estudo recente explorou um cenário hipotético no qual partículas entrelaçadas poderiam corresponder matematicamente a buracos negros conectados por um buraco de minhoca — o que embasaria a "teoria de tudo", com a qual Einstein sempre sonhou.


Em tese, uma nave ou qualquer outro objeto que atravessasse um buraco de minhoca levaria alguns segundos para percorrer uma distância que, em linha reta pelo cosmos, demoraria séculos ou milênios. No entanto, atravessar um desses atalhos cósmicos para encontrar o loop temporal implicaria cruzar o horizonte de eventos e escapar da intensa atração gravitacional do buraco negro — algo que exigiria uma velocidade superior à da luz (1.079.252.848,8 km/h), sem mencionar que a aproximação do horizonte de eventos causaria um efeito chamado “espaguetificação”, que esticaria progressivamente o corpo dos astronautas devido às diferenças extremas de gravidade entre uma região e outra.


A teoria da relatividade admite a existência de loops de tempo nos quais um evento pode estar tanto no passado quanto no futuro. Na opinião de vários físicos teóricos, a força gravitacional dos buracos negros pode criar curvas fechadas do tipo tempo, levando a conexões com diferentes momentos da história do universo. Por outro lado se o hipotético buraco negro surgiu após o período Jurássico, de nada adiantaria utilizá-lo para degustar um filé de brontossauro com Fred Flintstone.

 

Teoricamente, processos determinísticos (não-aleatórios) em um número arbitrário de regiões no continuum espaço-tempo demonstram como as curvas fechadas do tipo tempo podem se encaixar nas regras do livre-arbítrio e da física clássica. Ademais, a matemática confirma a possibilidade de viajar no tempo e sustenta que as ações dos viajantes não criariam paradoxos — segundo a Interpretação dos Muitos Mundos, o resultado ocorreria numa linha de tempo diferente, evitando que o “presente” dos viajantes fosse alterado. 


Estudos da mecânica quântica sugerem que multiversos paralelos podem existir no mesmo espaço-tempo, e à medida que se realiza um experimento quântico com diferentes resultados possíveis, cada resultado ocorre em um universo diferente. Outra teoria sobre o multiverso sustenta que o cosmos é uma bolha e a existência de inúmeros universos-bolha imersos num mar energizado e em eterna expansão. Mas nenhuma dessas teorias conseguiu determinar em que tipo de universo estamos inseridos.

 

As viagens no tempo são tratadas com ceticismo por boa parte da comunidade científica, mas a história está repleta de exemplos de pioneiros cujas ideias foram ridicularizadas até que o tempo provasse que elas estavam certas. Isso aconteceu com Nicolau Copérnico e o geocentrismo, com Joseph Lister e a desinfecção, com Alfred Wegener e a teoria da deriva continental. Parafraseando um epigrama atribuído a Einstein, "o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário". 


Resumo da ópera: Se ER = EPR estiver correto, o entrelaçamento quântico — a "ação fantasmagórica à distância" que tanto perturbava Einstein pode criar a "conectividade espacial" que "costura o espaço-tempo" — sem essas conexões, a estrutura sólida e confiável do espaço-tempo seria produto das propriedades espectrais do entrelaçamento. Para os pesquisadores, essa é a base da teoria segundo a qual a gravidade quântica é capaz de unificar as forças da natureza.


Os físicos ainda têm um longo caminho para provar a equivalência entre buracos de minhoca e entrelaçamento. O sonho de ficção de um buraco de minhoca atravessável não está nem perto da realidade, ou seja, não passa de um experimento mental. Por outro lado, uma das ideias mais férteis e elegantes da física do século XXI é a de que o espaço-tempo em si pode emergir do entrelaçamento quântico. 


Ironicamente, Einstein, que nunca aceitou o entrelaçamento quântico, e, como dito no início deste post, passou boa parte da vida tentando unir a relatividade e a mecânica quântica, mas não obteve sucesso — talvez porque a pista estivesse escondida em dois artigos que ele próprio ajudou a escrever, e que hoje formam os dois lados dessa possível equação unificadora.