A HISTÓRIA É UM RIO CUJO CURSO É PERMEADO POR ILHAS DO TEMPO PELAS QUAIS PASSAMOS, MAS PARA AS QUAIS NÃO PODEMOS VOLTAR.
Desde priscas eras que buscamos respostas — principalmente através da lente da religião — para mistérios como a natureza da consciência e da alma. Porém, a despeito de todo o avanço da ciência, ainda não sabemos o que é a consciência, se ela é criada e hospedada pelo cérebro ou como arranjos específicos de neurônios podem gerar experiências subjetivas, como a sensação do vermelho, o gosto do café ou a dor de uma perda.
Sabemos quais mecanismos cerebrais descrevem sinais elétricos e químicos, mas não por que tais sinais “sentem” algo por dentro. Há quem considere a consciência como uma substância distinta da matéria física, quem dá mais importância à organização funcional do que ao substrato físico, e quem acha que se trata apenas de uma ilusão.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Além da demora em se envolver na pré-campanha do enteado Flávio, a madrasta passou a desmontar enredos construídos por Carlos e Eduardo para dramatizar o roteiro em que o pai preso faz o papel de vítima. Três dias depois de o pitbull do clã trombetear nas redes que seu pai "continua enfrentando crises de soluços intermináveis e ininterruptas", Micheque montou seu púlpito no Instagram e deu graças a Deus pela evolução do quadro médico do marido.
Cinco dias antes, ela havia desossado uma patranha de Dudu Bananinha, que gravou um vídeo na CPAC (a conferência conservadora do trumpismo) dizendo que as imagens seriam vistas pelo pai no seu domicílio prisional. Numa postagem, a madrasta esclareceu: ainda que tivesse chegado, a filmagem do enteado não seria exibida ao marido: "Ele está proibido, por força de determinação judicial, de ter acesso a aparelhos celulares", disse ela, num inequívoco aceno a Xandão.
Micheque molha o tailleur para parecer mais útil a Bolsonaro que os filhos dele. Costuma evocar a Bíblia para sustentar que mulheres devem manter uma "submissão saudável" no lar. Já disse que "fazer comidinha gostosa para o marido e cuidar da casa não diminui a mulher."
Numa dinastia patriarcal, deve doer na alma dos varões a percepção de que a madrasta virou uma unha encravada nos pés de barro dos enteados. Cuidadora de mostruário, ela protege Bolsonaro até dos filhos. O eleitor bolsonarista é como que convidado a premiar com uma cadeira no Senado a submissão bíblica da dita-cuja.
A Teoria da Informação Integrada (IIT) sugere que a consciência emerge quando um sistema integra informações de forma específica, e que até sistemas simples podem apresentar níveis minúsculos de consciência. A Redução Objetiva Orquestrada sustenta que a consciência surge de processos quânticos nos microtúbulos neuronais, e que a função de onda aleatórias pode ser “orquestrada” por estruturas cerebrais, resultando em momentos discretos de consciência. Já o Panpsiquismo sustenta que uma propriedade tão fundamental quanto a massa ou a carga elétrica, e que a combina partículas elementares, dando origem a consciências mais elaboradas.
Devido à falta de suporte empírico robusto, os defensores dessas ideias são acusados de flertar com a pseudociência, mesmo porque o cérebro opera em temperaturas e condições que vão na contramão da coerência quântica. Mas o tempo não se comporta na física quântica como Einstein previu na relatividade geral.
Embora as equações fundamentais da física sejam simétricas no tempo, a flecha do tempo está associada ao aumento da entropia (medida de desordem de um sistema). Mas as equações não mostram fluxo algum, por que o Universo começou em um estado de baixa entropia? E por que nos lembramos do passado, mas não do futuro?
Na gravidade quântica em loop, não existe um “tempo absoluto” correndo uniformemente, e a relatividade reforça essa ideia ao demonstrar que eventos simultâneos para um observador imóvel não o são para outro em movimento. Mas se não há um agora universal, então o passado, o presente e o futuro são igualmente reais, e nossa percepção de tempo não passa de uma ilusão neurológica bem convincente.
No mais famoso dos paradoxos quânticos, um gato em uma caixa permanece vivo e morto ao mesmo tempo até alguém verificar o estado de um átomo radioativo. Segundo a interpretação de Copenhague, a observação colapsa a superposição, mas não define o que conta como observação nem onde fica a fronteira que separa o mundo quântico do clássico.
O princípio da Decoerência preenche essa lacuna afirmando que o ambiente “mede” o sistema o tempo todo e destrói superposições macroscópicas quase instantaneamente, e a teoria dos Muitos Mundos, que o Universo se divide em duas realidades — numa, o gato vive; na outra, ele morre.
A questão que se coloca é: será que o próprio gato não é capaz de observar a si mesmo e colapsar sua própria função de onda?
Continua...


