sábado, 23 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA NOITE — MEDIUNIDADE, PSICOGRAFIA E LEMBRANÇAS DE VIDAS PASSADAS

HÁ MAIS COISAS ENTRE O CÉU E A TERRA DO QUE SUPÕE NOSSA VÃ FILOSOFIA.

Em 1616, por ordem do papa Paulo V, o cardeal Roberto Belarmino notificou Galileu sobre um vindouro decreto da Congregação do Index condenando o heliocentrismo.

O teólogo carmelita Antonio Foscarini escreveu um texto em defesa de Galileu e submeteu-o a Belarmino, que ofereceu a seguinte resposta (a tradução é do livro Galileu, pelo copernicanismo e pela Igreja, de Annibale Fantoli). 

Belarmino nos ensinou a nunca desprezar as evidências. Se alguma evidência não orna com algum trecho bíblico, dizia ele, é porque a interpretação da Bíblia possivelmente está errada.

Fica o recado para quem acredita que Deus criou o mundo em 23 de outubro de 4004 a.C., como escreveu o arcebispo irlandês James Ussher no livro The Annals of the World (1658), na vida eterna e outros mitos religiosos que carecem de comprovação. Por outro lado, não faltam indícios de que a consciência sobrevive à marte, sugerindo que ela não reside no cérebro, como a maioria de nós imagina.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Os R$ 134 milhões pedidos a Vorcaro são suficientes para bancar blockbusters hollywoodianos de primeiríssima grandeza, mas não bastam para encobrir 5% das desculpas esfarrapadas dos filhos do refugo da escória dos golpistas. 
Embora o primogênito concorra ao Planalto e zero três — ou Dudu Bananinha, como queiram — seja candidato a suplente no Senado, cada frase desses excrementos é um novo gambá retirado da cartola.
No domingo, Bananinha disse ao "parça" Paulo Figueiredo que "Dark Horse" não é caro para os padrões de Hollywood, a despeito de 15 das últimas produções vencedoras do Oscar terem custado menos do que os R$ 61 milhões arrancados de Vorcaro antes da liquidação do Banco Master. 
No sábado, o filho mais velho do presidiário acusou o governo do ex-presidiário de tentar enterrá-lo vivo — como se precisasse de ajuda para jogar terra em cima de si mesmo. Nem sinal do contrato. Nenhum esclarecimento sobre os rumos que o dinheiro tomou depois de entrar no fundo texano gerido por um advogado de Bananinha.
Ao negar as suspeitas da PF, o deputado cassado foragido disse que não precisaria do dinheiro de Vorcaro para se manter nos Estados Unidos, pois mordeu R$ 2 milhões de uma coleta que seu pai realizou entre os devotos via Pix. Ou seja: esse pedaço de esterco realizou no autoexílio americano o sonho de 11 em cada 10 brasileiros: viver com um dinheiro que recebe regularmente sem precisar trabalhar.
A essa altura, nem se bebessem detergente Ypê os irmãos conseguiriam reduzir o fedor que emana de suas cartolas.

Quando se trata de EQMs, mediunidade, psicografia, lembranças de vidas passadas e premonições, uma experiência empírica vale mais que 10 de segunda mão. Na falta dela, acrescento aos exemplos anteriores o caso da cantora Pam Reynolds, que a equipe médica precisou "matar" para remover um aneurisma na base do cérebro e depois "trazer de volta à vida". 


Esse caso é particularmente emblemático porque a morte clínica da cantora foi induzida e monitorada de perto do início ao fim. A temperatura corporal foi reduzida para 10 °C, os pulmões pararam de funcionar, o coração deixou de bater, o sangue parou de circular e os aparelhos deixaram de registrar qualquer atividade cerebral.


Apesar disso, Pam relatou que viu o próprio corpo e a sala de cirurgia, que seus sentidos estavam mais aguçados, que enxergou tudo com clareza e que ouviu nitidamente as conversas de médicos e enfermeiras, embora seus olhos estivessem cobertos com fita adesiva e seus ouvidos, tampados com protetores auriculares. 


Pam contou ainda que foi conduzida por uma "força invisível" até um grande ponto de luz, que foi recebida afetuosamente por um tio já falecido, e que a experiência foi tão agradável que o tio precisou “empurrar seu espírito de volta ao corpo”. Todos os integrantes da equipe médica reconheceram sua morte clínica, que foi comprovada pelos dados coletados durante a cirurgia. 


As conversas relatadas foram compatíveis com o que realmente foi dito durante a operação, e os instrumentos usados para abrir o crânio de Pam foram descritos por ela com minúcia e exatidão. Mesmo não havendo como comprovar o encontro com o tio falecido, tudo indica que ela visitou a terra dos pés juntos, e o fato de sua consciência permanecer ativa enquanto o corpo estava morto é uma evidência (embora não seja uma prova cabal) da existência de vida após a morte.

 

Outro caso digno de nota é o do geólogo suíço Albert Heim, que passou por uma EQM causada por uma queda em 1871. Ele relatou que experimentou uma grande expansão de sentidos, como se ouvisse e enxergasse muito melhor, disse que sentiu o tempo passar mais devagar e uma profunda aceitação da morte iminente. Os mais de 30 relatos semelhantes de colegas montanhistas que ele publicou no estudo Notes on Death from Falls coincidiam com sua própria experiência, e alguns traziam novos elementos, como ver a vida passar rapidamente diante dos olhos e ouvir músicas tocando no vazio.


Um levantamento semelhante conduzido pelo cardiologista Pim van Lommel em 2001 revelou que a maioria dos 344 entrevistados que sobreviveram a perdas cardiorrespiratórias teve consciência de que havia morrido, viu o corpo de um ponto externo e encontrou parentes já falecidos. A pergunta que se coloca é: até que ponto uma pessoa que relata uma experiência como essa está morta de verdade? 


Até meados do século passado, declarava-se a morte física 15 minutos depois da parada cardiorrespiratória, mas o advento dos respiradores artificiais tornou esse critério obsoleto, e a partir de então o fim da vida passou a ser associado à morte cerebral. Quando o sangue para de circular no cérebro, os neurônios começam a morrer, e o corpo deixa de funcionar. A questão é que casos como o de Pam Reynolds, Albert Heim e tantos outros levam a outra perspectiva.


Após ouvir relatos de supostas experiências post mortem, o médico e professor Sam Parnia, responsável pela unidade de tratamento intensivo do hospital da Universidade de Stony Brook (EUA), teorizou que o cérebro uma espécie de computador que processa um sistema operacional externo (a consciência, ou a "alma", como preferem os religiosos), e não a origem da consciência em si. Para determinar se a consciência continua presente depois que toda a atividade cerebral cessa, ele criou o projeto AWARE (sigla em inglês para “consciência durante a ressuscitação”), que documenta experiências de pós-morte em hospitais dos EUA e da Europa. 


Num de seus principais experimentos, Parnia mandou posicionar placas em salas cirúrgicas de 25 hospitais de modo que ficassem visíveis para alguém flutuando perto do teto, mas ocultas de quem estivesse de pé ou deitado. Assim, se alguém voltasse de uma morte clínica e contasse o que estava escrito nos cartazes, ficaria comprovado que a consciência sobrevive à morte do corpo.


Os resultados preliminares apresentados em um encontro da Associação Americana do Coração, em 2013, não foram conclusivos: dos 152 sobreviventes entrevistados, somente 37% descreveram lembranças do período crítico, dois viram alguma coisa que remetesse a EQMs e apenas um relatou eventos verificáveis, como instrumentos cirúrgicos, mas não falou nada sobre os cartazes. 


Na prática, a maior contribuição de Parnia para o debate tem sido o prolongamento do período de ressuscitação. Pacientes do hospital da Universidade de Stony Brook têm 33% de chance de resistir a paradas cardíacas — mais que o dobro da média nacional. Para alcançar esses números, o médico adotou medidas como resfriar o corpo de pacientes e manter alta a oxigenação no sangue enquanto o coração está parado, de modo a retardar ao máximo a morte das células cerebrais em decorrência da falta de oxigênio. 


Processos semelhantes permitiram que o jogador de futebol Fabrice Muamba fosse ressuscitado mais de uma hora depois de sofrer uma parada cardíaca em pleno gramado, em 2012. No livro O que Acontece Quando Morremos, Parnia cita o caso de uma japonesa que esteve morta por mais de três horas e, graças ao resfriamento do corpo e oxigenação artificial do cérebro, voltou à vida sem apresentar sequelas.


Embora não se saiba ao certo se a mente continua a existir depois que o cérebro desliga, um estudo feito em 2013 pela Universidade de Michigan monitorou o cérebro de ratos que tiveram a morte induzida e descobriu que, nos primeiros 30 segundos contados a partir da parada cardíaca, as cobaias tiveram um aumento significativo de atividade cerebral. Isso explicaria as visões e sensações descritas por pessoas clinicamente mortas que foram reanimadas, já que o corpo poderia lançar uma última cartada para se defender e permanecer vivo.

 

Há registros de EQMs em todas as partes do mundo. Menos de 20% delas evocam sensações ruins. As principais discrepâncias se devem a diferenças culturais: cristãos tendem a ver anjos ou o próprio Jesus em suas espiadas no além, índios americanos costumam mencionar encontros com animais mitológicos, e melanésios que visitam o outro lado relatam encontros com feiticeiros.


O indiano Vasudev Pandey, dado como morto em 1975 devido à febre tifoide, contou que foi recebido do outro lado por Yamaraja (não confundir com Iemanjá), mas foi mandado de volta quando o deus da morte ao perceber que ele não era o morto certo.


Seja como for, o além parece ter mais relatos de campo do que a ciência gostaria de admitir. Morrer continua sendo inevitável; entender o que acontece depois é que anda atrasado no cronograma.


Continua…

sexta-feira, 22 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 106ª PARTE — UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

TUDO PARECE IMPOSSÍVEL ATÉ QUE SEJA FEITO.

Como foi dito ao longo dos mais de 100 capítulos desta sequência sobre viagens no tempo, o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade ainda não foi colhido porque exige viajar a uma velocidade próxima à da luz ou transpor um buraco de minhoca atravessável.


A boa notícia é que, para levar qualquer partícula com massa à velocidade máxima possível no Universo — segundo Einstein e a física clássica — uma grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra" — estrutura teórica que poderia transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. A má notícia é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarra num problema elementar: a humanidade ainda não sabe produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades de energia negativa.


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Um senador pedindo dinheiro ao operador de escandalosa fraude financeira, a quem trata de "irmão", é tudo menos uma transação corriqueira "de um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai". A conversa abre o baú de esqueletos com potencial de mudar o rumo desta eleição, pois evidencia a relação de proximidade de um candidato a presidente com um personagem cujos golpes envolvem dinheiro público, a quem ele cobra colaboração para a produção de uma peça de propaganda milionária, a ser usada em sua campanha eleitoral.
Não há nada de privado nisso. Há, sim, o flagrante de agressão ao interesse público no qual se inscreve, além do descrito acima, o fato de o pretendente a comandar a nação ter mentido aos correligionários e, sobretudo, aos que até agora o indicavam como favorito nas pesquisas de intenções de votos. O impacto negativo na candidatura está posto, faltando apenas medir a extensão do estrago para esclarecer se o filho do golpista consegue se livrar do enrosco, se terá de sair de cena da disputa presidencial ou se prosseguirá mesmo tendo de arrastar essa corrente.
A rapidez com que companheiros do PL consideraram o tiro como mortal, a reação fragiliza a retaguarda do candidato e cria um rombo na estratégia de defesa já prejudicada pela negativa inicial seguida pelo desmentido nos áudios. Sendo o destino moleque travesso, o pai que lhe assegura ascensão com o capital do sobrenome o coloca na contingência de um tombo fatal.


Vale relembrar que a massa aumenta com a velocidade, torna-se infinita na velocidade da luz (representada pela letra "c" e equivalente a cerca de 1,08 bilhão de km/h) e requer energia igualmente infinita para continuar acelerando. Os efeitos da dilatação do tempo só são sensíveis em velocidades próximas a "c". A 99,999% dessa velocidade, um corpo fica 224 vezes mais pesado; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes; a 99,999999999999999999981%, um segundo no referencial do viajante equivale a 2,5 anos no tempo terrestre, como bem demonstra o paradoxo dos gêmeos


Em um cenário mais moderado, chegar a nossa vizinha estelar mais próxima, que dista 4,37 anos-luz da Terra, viajando a 99,9999999% de "c" levaria mais de 4 anos terrestres, mas, no referencial dos astronautas, teriam transcorrido menos de duas horas. Mas a nova proposta de motor de dobra que redesenha a bolha espaço-temporal reacendeu o debate sobre viagens com velocidades próximas a "c".


A proposta envolve uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — que não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas tenta mover a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás.


Assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., o estudo descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A principal mudança do novo modelo está na geometria da bolha de dobra — em vez de concentrar a energia exótica em um único anel circular ao redor da nave, a proposta organiza essa energia em segmentos tubulares separados, posicionados ao redor da fuselagem como naceles. Os autores analisam configurações com dois, três ou quatro segmentos espaçados em torno da bolha, visando manter o interior da espaçonave calmo e plano enquanto a parte externa realiza o trabalho de distorcer o espaço-tempo.


A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise. Harold White afirmou ao The Debrief que essa semelhança “não é meramente estética”, reforçando a tentativa de aproximar a matemática da dobra espacial de algo mais palpável para a engenharia. O ponto central, no entanto, continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. O modelo refina a arquitetura da bolha, mas ainda depende de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.


Como dito acima, a física moderna não admite que uma nave com massa seja simplesmente acelerada até superar a velocidade da luz. Quanto mais perto um objeto chega desse limite, maior é a energia necessária para continuar acelerando, sem que essa exigência se estabilize. Mas os conceitos de propulsão de dobra buscam uma saída diferente. A nave não seria empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. 


A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual a pessoa sobe e, mesmo sem andar mais rápido do que todos ao redor, chega antes porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo. A região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, permitindo que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz. Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas.


Um dos pontos que chama atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. Não basta mover uma espaçonave pelo espaço-tempo; uma missão tripulada também precisa garantir que a região interna não submeta os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as associadas às chamadas forças de maré. Em escala extrema, elas poderiam criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra, tornando inviável a presença humana dentro da nave. Por isso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”: a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida.


Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.. Ela aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, mas ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. A crítica não é apenas tecnológica. Uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que a energia negativa teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.


Também permanece aberta a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que, até onde se sabe, nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa. Esse ponto torna a distância entre a teoria da velocidade da luz e uma nave real ainda mais ampla.


Ainda que o problema da energia seja resolvido, uma bolha de dobra ainda precisa ser iniciada, guiada e interrompida com segurança. Uma análise técnica posterior aponta que, em casos superluminais, a tripulação poderia enfrentar um “problema de horizonte”, ficando incapaz de criar ou controlar a bolha de dentro dela. Outro risco está no comportamento da bolha ao atravessar partículas no espaço. Um estudo de 2012 sugeriu que partículas poderiam ficar presas e acumuladas, liberando energia intensa quando a bolha desacelerasse perto do destino. Esse tipo de efeito transforma a ideia de atalho cósmico em um problema de segurança, já que a bolha não precisa apenas chegar rápido; ela tem de evitar danos à nave, à tripulação e ao ambiente próximo ao ponto de chegada.


A distância entre os métodos atuais e uma viagem próxima à velocidade da luz continua enorme. Loeb observa que foguetes humanos ainda não chegaram a 0,1% de "c", o que mantém a estrela mais próxima a milênios de viagem com a tecnologia de que dispomos atualmente. O impacto mais realista desses estudos, no curto prazo, está em transformar ideias de propulsão de dobra em perguntas testáveis, e um dos desafios é descobrir como detectar uma minúscula distorção artificial do espaço-tempo em laboratório, mesmo em escalas microscópicas.


Também existem pesquisas paralelas buscando alternativas à energia negativa. Erik Lentz propõe soluções de dobra espacial no estilo sóliton usando energia positiva, enquanto outros pesquisadores investigam motores de dobra físicos mais lentos que a luz como ponto de partida mais plausível. Nenhuma dessas abordagens chegou perto de um projeto concreto, mas elas mantêm ativo o debate sobre o que a relatividade geral permite e sobre o que a natureza realmente tolera.


O prazo para que esse tipo de física se transforme em tecnologia útil permanece incerto. Sabine Hossenfelder já apontou que ideias abstratas podem levar “talvez 1.000 ou 5.000 anos” para se tornarem ferramentas práticas, caso isso algum dia aconteça. No estágio atual, a velocidade da luz segue como uma fronteira muito mais teórica do que tecnológica para a exploração espacial. 


A nova proposta melhora a forma de pensar a bolha de dobra, mas o salto entre matemática, energia negativa, controle seguro e viagem real ainda permanece imenso.


Continua...

quinta-feira, 21 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PROFECIAS E PAREIDOLIA

SÓ NÃO CONSEGUE EXPLICAR ALGO DE FORMA SIMPLES QUEM NÃO ENTENDEU O QUE PRETENDE EXPLICAR. 

Nossa mente, avessa a mudanças, vive nos pregando peças. Em grande medida, isso se deve ao fato de que, nos tempos de antanho, diferenciar amigos de inimigos rapidamente era uma questão de sobrevivência. Assim, nosso cérebro desenvolveu a tendência de identificar padrões familiares — especialmente rostos — em estímulos aleatórios ou ambíguos.


A questão que esse mecanismo — conhecido como pareidolia — dispara mesmo quando não há rosto algum nas nuvens, nas chamas de uma lareira, na superfície da Lua, na torrada queimada, e assim por diante, fazendo-nos enxergar coisas que não existem. Os exemplos mais famosos incluem a "Face de Marte" (uma formação rochosa fotografada pela NASA em 1976 que parecia um rosto humano gigante), o rosto de Cristo em cascas de árvore, manchas de umidade em paredes e fotografias aéreas de plantações ou relevos. 


De certo modo, esse mesmo mecanismo nos leva a "confirmar" profecias vagas como as de Nostradamus ou encontrar mensagens pessoais em horóscopos genéricos. Em suma, é a mesma engrenagem do efeito Barnum, só que operando no plano visual.


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A proposta de delação de Daniel Vorcaro decepcionou os investigadores, mas a prisão de Henrique Vorcaro, pai do dono do falecido Banco Master, tem potencial para mudar esse quadro.

Espera-se que a chegada do patriarca do clã Vorcaro ao sistema prisional transforme o filho num delator bem mais fluente e menos sovina — com disposição para levantar a blindagem que ainda oferece a parte de seus contatos e devolver os bilhões acumulados por meio da criminalidade.

Henrique Vorcaro foi preso preventivamente sob a acusação de ameaçar adversários da máfia comandada pelo filho. Trata-se de um desdobramento do pedaço do inquérito que desbaratou o funcionamento do grupo denominado "A Turma", no qual Vorcaro encomendava a um "Sicário", no escurinho do Zap, uma agressão a jornalista, "um sacode" em ex-funcionários e a intimidação de desafetos.

A atuação do novo preso não se restringiu ao departamento de intimidação do Master. Segundo a PF, foi numa conta do pai que Vorcaro escondeu dos seus credores e de suas vítimas R$ 2,2 bilhões. De resto, Henrique Vorcaro está vinculado a mais de 50 empreendimentos que se conectaram com o ecossistema do Master. Seu filho talvez se anime a tentar incluir o pai entre os premiados de uma delação mais caudalosa.


Partículas entrelaçadas mudam de polaridade quando uma delas é alterada, independentemente de ambas estarem no mesmo recinto ou a quilômetros de distância — cientistas chineses realizaram o mesmo experimento usando satélites e comprovaram que elas se mantinham conectadas mesmo quando separadas por milhares de quilômetros. Mesmo assim, continuamos aceitando a premissa relativística segundo a qual nada se move mais depressa do que a luz do vácuo.


A mecânica quântica trata do comportamento da matéria e da energia em escalas muito pequenas — átomos e partículas subatômicas, mas a quantidade de informações necessárias para mapear e reconstruir um ser vivo envolveria mais informação do que todos os computadores que existem atualmente são capazes de armazenar, bem como rearranjar todos os átomos, célula por célula, em um processo que levaria centenas de milhares de bilhões de anos. 


A tecnologia de que dispomos está tão distante dessa realidade quanto cruzar o Atlântico por ar em cerca de 3 horas estava quando Pedro Álvares Cabral e sua trupe levaram 44 dias para vir de Portugal até o que viria a ser o litoral sul da Bahia. Por outro lado, vale lembrar que uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Google para atuar como colaborador virtual em pesquisas científicas e biomédicas resolveu em 48 horas um problema que cientistas do Imperial College London demoraram uma década para solucionar, além de sugerir quatro outras soluções plausíveis, incluindo uma que sequer havia sido considerada pelos pesquisadores.


Sabe-se há décadas que o pensamento humano, quando focado, é capaz de alterar a química corporal do indivíduo, mas o conceito de cura ainda é visto com ceticismo, considerado vudu e objeto de escárnio por parte da comunidade médica — que parece acreditar com fervor que somos todos descendentes de Adão e Eva, a despeito dos indícios científicos acachapantes da evolução. 


Não faltam pessoas supostamente esclarecidas que refutam a esfericidade da Terra (coisa que Aristóteles descobriu no século III a.C.), cuja circunferência Eratóstenes calculou no século II a.C. a partir da diferença das sombras em duas cidades próximas, sem falar nas milhares de fotos tiradas do espaço e até da Lua.


Continua…