QUANDO O RELÓGIO BATE 13 VEZES…
Devido à imensidão do cosmos, os cientistas medem as distâncias em unidades astronômicas (UA) e anos-luz. Uma UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol — que varia de 149,5 milhões de km no ponto mais próximo da estrela a 152,1 milhões no ponto mais distante — e um ano-luz corresponde à distância que os fótons percorrem no vácuo em um ano — que é de aproximadamente 9,5 trilhões de km.
Para ter uma ideia do que isso significa, se pudéssemos dirigir um carro a 100 km/h sem parar, demoraríamos mais de 10 milhões de anos para percorrer um único ano-luz.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Flávio Rachadinha pede dinheiro a Daniel Vorcaro, nega tudo ao ser descoberto, confirma o que negara após a explosão do áudio, promete prestar contas em 30 dias e se desobriga de prestar esclarecimentos quando os repórteres o questionam 90 dias depois: "Vocês vão parar no tempo?" Enquanto o filho do presidiário despistava — "É o Lula que tem que prestar contas" — o ministro do Supremo Flávio Dino abria à Polícia Federal as pistas recolhidas pela Polícia Civil paulista na produtora do filme Dark Horse.
O filho do refugo da escória da humanidade diz que Karina Gama, que produziu a cinebiografia do aspirante a golpista, já prestou contas — referindo-se a uma perícia anexada ao inquérito que corre em São Paulo. Contratados pela própria produtora, os peritos sustentam que o filme custou R$ 75 milhões — mais do que os R$ 61 milhões mordidos de Vorcaro. O diabo é que não foram exibidos recibos nem notas fiscais.
A apenas 40 dias do primeiro turno, candidato que mata o tempo comete suicídio. O filho do pai demora a perceber, mas político que se enrola nos detalhes normalmente se perde no essencial: perto da urna, todo fato consumado vira fato consumido.
A demora no fornecimento de explicações empurra o Dark Horse para bem pertinho das urnas.
Segundo Einstein e o modelo cosmológico baseado na Teoria do Big Bang, a velocidade da luz (expressa pela letra "c") é limite máximo universal — ou seja, ela não pode ser alcançada por nenhum objeto que contenha massa, pois acelerar uma ínfima partícula de massa até a velocidade da luz exigiria uma quantidade infinita de energia.
A 99,999% da velocidade da luz, um corpo aumenta de peso 224 vezes; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes. A 99,999999999999999999981% de "c", um segundo equivale a 2,5 anos no tempo terrestre — ilustrando o efeito extremo da dilatação do tempo, como ilustra o paradoxo dos gêmeos. Em um cenário mais moderado, a 99,9999999% de "c", uma viagem de ida até Proxima Centauri, que fica a 4,2465 anos-luz de nós, levaria 4 anos terrestres, mas não duraria mais de duas horas no referencial dos astronautas.
A luz se propaga pelo cosmos a 299.792 km/s — ou 1,08 bilhão de km/h — e leva cerca de 8 minutos para vir do Sol à Terra. Já a luz de Proxima Centauri, que é nossa vizinha cósmica mais próxima, leva mais de 4 anos para chegar até nós. Por outro lado, a sonda mais veloz lançada pela NASA até agora alcançou respeitáveis 692 mil km/h (0,0643% da velocidade da luz). Com essa velocidade pode-se ir à Lua em meia hora, a Marte em 15 dias e aos confins do Sistema Solar em pouco menos de 3 anos, mas uma viagem à Proxima Centauri levaria cerca de 6,6 mil anos.
Uma vez que a dilatação do tempo só é expressiva em velocidades próximas à da luz e a expectativa média de vida dos seres humanos é de 80 anos, missões tripuladas continuam restritas à nossa vizinhança imediata. Mas não há nada como o tempo para passar, e o impossível só é impossível enquanto alguém não duvidar e provar o contrário. Basta lembrar que a esquadra de Cabral demorou 44 dias para vir de Lisboa até a costa sul do que viria ser o Estado da Bahia e que, 500 anos depois, o supersônico Concorde atravessava o Atlântico em pouco mais de três horas.
A história da tecnologia mostra que aquilo que uma geração considera impossível não raro se torna banal para as gerações seguintes. Em 1865, Júlio Verne descreveu uma viagem tripulada à Lua (errando por apenas 20 milhas o local exato do lançamento do Saturno V, que levou a Apollo 11 ao nosso satélite em 20 de julho de 1969). Com a tecnologia atual, as naves mais rápidas são capazes de ir à Lua em cerca de três dias e a Marte entre seis e nove meses, mas uma viagem até Proxima Centauri demoraria 70 mil anos com a sonda Voyager 1 — que já rompeu a barreira do Sistema Solar — e cerca de 6,6 mil anos com a Parker Solar Probe. Nesse entretempo, civilizações inteiras nasceriam, floresceriam e desapareceriam.
Pode-se dizer que a velocidade da luz é uma prisão perpétua escrita nas leis fundamentais do universo. Os fótons se movem com a velocidade da luz porque são partículas de luz. Já a energia necessária para acelerar um objeto massivo se torna infinita à medida que sua velocidade se aproxima da velocidade da luz, e como não existe energia infinita disponível no universo observável, é impossível alcançar exatamente esse limite.
Os neutrinos são "partículas-fantasmas" teorizadas nos anos 1930 pelo físico austríaco Wolfgang Pauli e, logo após e com mais precisão, pelo italiano Enrico Fermi, que podem se deslocar a velocidades muito próximas de "c". Como eles raramente interagem com a matéria, sua detecção é baseada no choque de uma quantidade ínfima com os átomos, que pode ser registrado por detectores ultrassensíveis. Estima-se que existam 10 bilhões de neutrinos para cada elétron existente no universo, mas, assim como os elétrons e outras partículas elementares, eles são tratados pelos modelos atuais como entidades puntiformes, sem tamanho interno detectável.
Os táquions, por sua vez, seriam partículas superluminais — ou seja, que já nascem além da barreira da velocidade da luz e não podem desacelerar até "c". Sua existência segue no campo das teorias, mas a relatividade especial não exclui completamente sua possibilidade matemática, embora nenhuma evidência experimental de sua existência tenha sido encontrada.
Talvez a verdadeira beleza da ciência não esteja nas respostas, mas nas novas perguntas que essas respostas suscitam. Os físicos ainda não conseguiram conciliar a física clássica e a mecânica quântica, mas a metáfora proposta pela física teórica Sabine Hossenfelder reformula a visão tradicional da velocidade da luz como limite absoluto e a coloca entre dois regimes distintos de movimento: num deles, as partículas superluminais habitam um domínio próprio da física, e no outro, elas habitam o nosso.
A simetria entre esses regimes indica que a relatividade especial não proíbe explicitamente a existência de objetos superluminais, embora uma eventual transição entre os dois domínios viole o princípio da causalidade. Já o conceito do cone de luz atua como um "organizador da causalidade": enquanto os objetos subluminais estariam restritos a interações dentro do futuro e do passado causalmente conectados, os superluminais ficariam numa região "desconectada" do espaço-tempo convencional, resultando em interações exóticas ou paradoxos temporais, dependendo da interpretação.
Continua…



