terça-feira, 19 de maio de 2026

COMO LIMPAR A TELA DOS ELETROELETRÔNICOS

PARA RESOLVER OS PROBLEMAS DOS OUTROS, TODO MUNDO TEM SABEDORIA DE SOBRA.

A poeira e a gordura dos dedos maculam a tela de celulares, monitores e televisores. Para fazer a limpeza, recomenda-se usar panos de microfibra — que são macios, não soltam fiapos nem arranham a tela —, evitar solventes à base de aguarrás ou Thinner, limpa-vidros (como Vidrex) e produtos à base de amônia (como Ajax) ou cloro (como Cândida e outras águas sanitárias). 

O mesmo vale para desinfetantes, limpadores em aerossol e polidores de metais (como Kaöl ou Brasso). No caso do álcool, use somente o isopropílico, que não contém água e é menos agressivo.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Em abril de 2020 eu escrevi que o número de apoiadores de primeira hora que questionavam a sanidade mental de Bolsonaro vinha crescendo na mesma velocidade com que seus desafetos se multiplicavam. Dentre os aliados mais notórios que já haviam abandonado o barco, destacava-se o ex-amigo de fé, irmão e camarada Gustavo Bebianno, que era um arquivo vivo da campanha do futuro golpista e estava trabalhando no livro "Uma eleição improvável" (sobre os bastidores da eleição de Bolsonaro) quando morreu subitamente em decorrência de um enfarte.
Filho de um empresário que, nos tempos de vacas gordas, fazia questão de mandá-lo para a Europa, Bebianno cursou Direito na PUC-RJ e fez mestrado em Finanças pela Universidade de Illinois (EUA). Bolsonaro, cujo pai sustentava a família obturando e extraindo dentes (embora jamais tivesse estudado odontologia), cursou a AMAN e serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo.
Em 1986, aos 31 anos de idade, Bolsonaro publicou um artigo em que reclamava do soldo — que lhe rendeu 15 dias de prisão disciplinar. No ano seguinte, voltou à carga com um plano de explodir bombas de baixa potência em quartéis e academias (também como forma de protesto contra os baixos salários dos militares) e acabou sendo excluído do quadro da Escola de Oficiais, mas foi absolvido das acusações pelo Superior Tribunal Militar. Ainda assim, sua carreira no Exército terminou ali.
Em 1988, após deixar a caserna pela porta lateral, Bolsonaro elegeu-se vereador. Dois anos depois, foi um dos deputados federais mais votados no Rio de Janeiro. Ao longo dos 27 anos no baixo clero da Câmara, aprovou 2 míseros projetos e colecionou dezenas de processos.
Em 2014, o advogado Gustavo Bebianno passou a enviar emails de cumprimentos ao deputado Jair Bolsonaro, de quem se declarava fã devido a seu “patriotismo”. Em 2017, ao saber que o então pré-candidato ao Planalto estaria num clube de golfe no Rio, correu para encontrá-lo, levando consigo cópias impressas dos emails (que jamais foram respondidos) como prova da antiguidade de sua admiração. Mais adiante, defendeu seu ídolo em diversos processos sem cobrar um tostão. Foi ele quem levou Bolsonaro para o PSL em março de 2018, quem coordenou sua campanha presidencial e quem presidiu o partido durante as eleições. De acordo com o empresário Paulo Marinho, que abrigou em sua casa o comitê de campanha, houve três grandes responsáveis pela vitória do capetão: Bebianno, o publicitário Marcos Carvalho e o esfaqueador inimputável Adélio Bispo de Oliveira, nessa ordem. O resto é folclore.
Valendo-se da condição de convalescente da facada que levou a um mês do segundo turno do pleito de 2018, Bolsonaro se recusou a participar dos debates — que inevitavelmente exporiam seu acachapante despreparo. Mesmo assim, a récua de muares desprovida de neurônios deu de ombros para os demais postulantes ao Planalto e enviou para o embate final o refuto da escória da humanidade e o preposto do demiurgo de Garanhuns (lembrando que o xamã petista teve a candidatura cassada por estar cumprindo pena em Curitiba). Assim, restou à parcela pensante do eleitorado — que teria votado no próprio Belzebu para impedir a volta do PT apoiar um sujeito tosco, polêmico, oportunista, populista, parlapatão, admirador confesso dos anos de chumbo da ditadura militar e defensor de opiniões "peculiares", digamos assim, sobre tudo e todos. Como era de esperar, essa sumidade se tornaria um mandatário impopular aos olhos de seus governados, um pária aos olhos do mundo e o alvo preferido de uma imprensa que não o suportava — e o sentimento era mútuo. Como todo populista que se preza, Bolsonaro contava com séquito de fanáticos fiéis que o seguiam cegamente — os “bolsomínions”, que somavam cerca 30% do eleitorado e agiam como os militantes esquerdopatas, só que com a polaridade político-ideológica invertida.
Voltando a Bebianno, em reconhecimento pelos bons serviços prestados pelo então amigo e admirador, Bolsonaro nomeou-o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, mas demitiu-o cerca de 40 dias depois, “envenenado” pelas intrigas urdidas pelo "pitbull" Carlos Bolsonaro, que sempre se roeu de ciúmes da amizade do pai com o assessor. E assim teve início o que viria a ser uma longa lista de auxiliares que se converteram em desafetos nos meses subsequentes — entre os quais Alexandre Frota, Joice Hasselmann, o General Santos Cruz e Sérgio Moro — e foram prontamente atacados e tratados como comunistas, antipatriotas e traidores pela súcia de convertidos que, acometidos de cegueira mental, bebiam as palavras do Messias que não miracula. Mais adiante, Bebianno lançou sua pré-candidatura à prefeito do Rio de Janeiro, mas morreu em 14 de março de 2020, aos 56 anos, quando estava em seu sítio em Petrópolis — consta que ele passou mal, sofreu uma queda e foi a óbito. Seu corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Teresópolis e o laudo apontou infarto fulminante..
Ao ser demitido, Bebianno disse ter "amor" e "afeto" por Bolsonaro e declarou não ter dúvida de que seu governo “seria um sucesso”. Pouco antes de morrer, reconheceu que devia desculpas ao país por ter viabilizado a candidatura do ex-chefe, que, segundo ele, se tornara arrogante, autoritário e excessivamente influenciado pelos filhos “mimados e soberbos”. Em entrevistas, afirmou que o capetão demonstrava “traços de psicopatia” e que tratava as pessoas como meros capachos. Sua morte gerou especulações nas redes sociais, mas não surgiram evidências concretas que contrariassem a conclusão médica.
“Um dia o Brasil saberá quem Bolsonaro realmente é", disse Bebianno. Vindo de alguém que conviveu intensamente com o dejeto em forma de gente durante a campanha e no início do governo, a declaração ganhou forte repercussão, passou a ser frequentemente lembrada por críticos e ex-aliados e acabou adquirindo um tom quase profético. Para muitos, foi um alerta de alguém que conheceu de perto o funcionamento do núcleo bolsonarista e saiu profundamente decepcionado.


A limpeza deve ser feita com os aparelhos desligados. Monitores e televisores devem ser desconectados da tomada e limpos somente depois que esfriarem, de modo a evitar que o calor crie manchas difíceis de remover. Comece passando um pano de microfibra seco sobre toda a superfície da tela — em movimentos suaves e circulares, sem aplicar pressão. Para remover marcas de dedos ou gordura, umedeça o pano com água filtrada ou destilada (sem encharcar), faça a limpeza e dê acabamento com um pano seco.


Jamais borrife água ou outro líquido diretamente na tela. Evite usar papel toalha, panos ásperos, esponjas ou camisetas velhas, e jamais pressione o display com força durante a limpeza, pois isso pode danificar os pixels ou causar manchas permanentes.

 

Boa faxina.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — REENCARNAÇÃO

A EXTINÇÃO É A REGRA; SOBREVIVER É A EXCEÇÃO.

Mistérios do além, reencarnação e vidas passadas costumam render boas histórias. A escritora Elizabeth Jhin, autora de novelas como Escrito nas Estrelas, Além do Tempo e Espelho da Vida, diz ser fascinada pelo tema. A Viagem, de Ivani Ribeiro, foi recordista de audiência no horário das 19h e produziu um aumento significativo na venda de livros sobre espiritismo.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Já se sabia que o investimento na candidatura de Flávio Bolsonaro — com a imagem rachadinha, os vínculos milicianos e a mansão de R$ 6 milhões — era arriscado, mas poucos imaginavam que a coisa ficaria pior do que o esperado tão rapidamente: a quatro meses e meio da eleição, o projeto presidencial da Famiglia Bolsonaro passou a valer tanto quanto um CDB do falecido Banco Master. 

Dirigido pela marquetagem de sua campanha, o filho do pai se esforçava para ostentar uma certa superioridade moral sobre o PT no escândalo do Master. A moral perdeu o sentido diante do áudio vadio em que ele pede dinheiro ao "irmão" Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre o pai. Confrontado com os fatos, disse que era "uma mentira", deu risada e se retirou de uma entrevista. Horas depois, viu-se obrigado a admitir o que se tornou inegável. À noite, o nome de Michelle saía dos lábios dos operadores da campanha com hedionda naturalidade: o enrosco em que se meteram os enteados deu à madrasta má ares de Cinderela. 

Flávio negociou com Vorcaro R$ 134 milhões. Com a quebra do Master, teria recebido R$ 61 milhões. A dinheirama escorreu para um fundo sediado no Texas e que tem como representante legal um advogado de Eduardo Bolsonaro.

Reorientado numa reunião de emergência com seu staff de campanha, o primogênito do chorume da escória da humanidade saiu-se com a ficção segundo a qual tudo não passou de uma transação privada. "Zero de dinheiro público. Zero de Lei Rouanet". Passou a entoar mandamentos que começam sempre com "não": "Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem."

O escândalo do Master está encharcado de dinheiro público. A caminho da ruína, Vorcaro invadiu as arcas de fundos de previdência de estados e municípios.

A desvalorização de Flávio tende a aumentar no mercado futuro. No momento, a única certeza disponível é que o candidato está no inquérito da Polícia Federal. Apostar que sua foto estará na urna em outubro seria um exercício de quiromancia.

 
Em sua primeira obra psicografada (Parnaso de Além-Túmulo), o médium mineiro Chico Xavier, que estudou até o ensino fundamental, produziu poemas atribuídos a gigantes como Augusto dos Anjos, morto anos antes. Monteiro Lobato chegou a dizer que, se Xavier fosse um embuste como médium, como escritor ele poderia estar em qualquer Academia de Letras, pois seus versos eram "coisa de outro mundo".

O professor Ian Stevenson dedicou a vida acadêmica ao estudo da reencarnação a partir de episódios envolvendo fatos que somente os familiares das pessoas mortas poderiam saber. Entre outros relatos de lembranças ocorridas na infância, ele destaca em seu livro Twenty Cases Suggestive of Reincarnation o caso de uma menina nascida em 1948 de uma rica família da Índia.

Durante uma viagem de carro, Swarnlata Mishra apontou uma estrada que levava à cidade de Katni e disse ao pai que vivera lá quando se chamava Biya Pathak, e que teve dois filhos. Embora morasse com a família em Pradesh, a 160 quilômetros dali, a menina descreveu detalhadamente o que chamou de "minha casa". Ao tomar conhecimento do caso, o pesquisador de fenômenos paranormais Sri H. N. Banerjee usou as anotações do pai de Swarnlata para encontrar a família Pathak, que confirmou tudo que a criança dissera sobre Biya (morta em 1939). Até aquele momento, nenhuma das duas famílias jamais ouvira falar da outra. 
 
Meses depois, o viúvo de Biya foi com o irmão e um dos filhos até a casa dos Mishra em Pradesh. Todos foram prontamente reconhecidos por Swarnlata, que tratou o "marido" e o "cunhado" pelo nome e o "irmão" pelo apelido de infância. Semanas depois, ela foi com o pai até a casa dos Pathak em Katni, chamou os parentes e amigos de Biya pelo nome, relembrou episódios domésticos e tratou os filhos da falecida com uma intimidade de mãe. 

Observação: Stevenson diz no livro que presenciou um dos encontros das duas famílias, e que, diferentemente de milhares de relatos de lembranças de outras vidas, as memórias de Swarnlata não desapareceram depois que ela cresceu.

Nem sempre a lembrança de quem fomos, verdadeira ou não, vem espontaneamente. Para isso existe a chamada terapia regressiva — conjunto de abordagens psicoterapêuticas que buscam acessar lembranças antigas  com o objetivo de identificar possíveis origens de traumas, medos, bloqueios emocionais ou padrões de comportamento repetitivos. A ideia central é que certas experiências mal elaboradas continuam atuando “nos bastidores” da mente, e, em gerais, ela pode funcionar de duas formas principais:

1) O terapeuta conduz o paciente (às vezes com técnicas de relaxamento profundo ou hipnose clínica) a recordar episódios esquecidos ou pouco acessíveis da própria história. A intenção é revisitar a memória com maturidade emocional atual, reinterpretar o ocorrido e, assim, reduzir o impacto psicológico.

2Na regressão a vidas passada — popularizada por autores como Brian Weiss —, parte-se da hipótese de que traumas atuais poderiam ter origem em existências anteriores. Não há validação científica sólida para essa proposta, e a maior parte da psicologia acadêmica a considera uma prática de base espiritual ou simbólica, não empírica.

A memória humana não é um arquivo estático; ela é reconstruída cada vez que é evocada. Pesquisas de psicólogos como Elizabeth Loftus mostraram o quão fácil é formar falsas memórias sob determinadas condições. Isso significa que, em certos contextos sugestivos, a pessoa pode criar lembranças vívidas de eventos que nunca aconteceram — acreditando genuinamente neles. É por isso que no meio clínico tradicional o uso de regressão com hipnose é tratado com cautela, já que pode trazer benefícios quando conduzido com rigor, mas também pode reforçar narrativas distorcidas se mal aplicada. 

No fundo, não importa se a lembrança é historicamente exata, mas sim o significado emocional que ela carrega. Em última análise, a mente não sofre por fatos, mas por interpretações.

Continua...

domingo, 17 de maio de 2026

DESMISTIFICANDO AS CARNES “GOURMET”

A GALINHA É APENAS O MEIO QUE O OVO ENCONTROU PARA PRODUZIR OUTRO OVO.

A carne gourmet virou presença constante em cardápios, programas de gastronomia e redes sociais, mas que nem sempre (ou quase nunca) está disponível nas prateleiras refrigeradas dos supermercados. Nas butiques de carne, o mesmo boi continua sendo desossado, mas a apresentação e o nome escolhido fazem toda a diferença no preço — em muitos casos, basta usar a nomenclatura correta para comprar a mesma carne por um preço bem menor.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ao lavar as mãos para o drama criminal do aliado Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro imaginou que blindaria sua candidatura presidencial. De repente, descobre-se que o filho do golpista tentava sumir com o sabonete. O site The Intercept revelou que ele não apenas conhecia o dono do falecido Banco Master como recorreu a ele para financiar um épico cinematográfico destinado a eternizar a imagem do pai nas telas. Coisa de R$ 134 milhões, dos quais R$ 62 milhões teriam sido efetivamente liberados.

O roteiro do financiamento do longa a ser cujo lançamento estava previsto para setembro torna o enredo original ficar parecido com um documentário infantil. Além do filho do pai, integram o elenco personagens como Dudu Bananinha e Mario Frias. O primogênito do refugo da escória da humanidade se acorrentou ao futuro presidiário aparecendo em mensagens e áudios vadios, pressionando Vorcaro pela liberação de recursos, preocupado com o risco de dar "calote" em astros internacionais do filme. "Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente", disse o pré-candidato do PL na véspera da liquidação do Master.

A cinebiografia virou thriller policial e a candidatura do "Bolsonarinho" subiu no telhado. No que depender de mim, ela bem que poderia descer pelo esgoto e levar junto a pretensão do molusco indigesto de disputar o quarto mandato. Mas cada país tem o povo que merece, e todo povo de merda tem os políticos de merda que merece.

Triste Brasil.


Cortes como flat iron, denver e tomahawk ganharam espaço fora dos restaurantes e passaram a aparecer no dia a dia dos açougues, mas, apesar de os nomes sugerirem de um novo tipo de gado ou técnica revolucionária, eles são recortes específicos de regiões já conhecidas do boi.


O flat iron, por exemplo, nada mais é do que uma parte da paleta bovina, tradicionalmente chamada de raquete. O denver steak vem do acém, mais especificamente do miolo do acém sem osso — quando mantém o osso, costuma ser chamado de short ribs, outro termo que ganhou fama recente. Já o tomahawk impressiona pelo osso longo e pela apresentação, mas corresponde ao tradicional prime rib com osso grande, também conhecido como chuleta


Ao especificar o tamanho do osso e a espessura desejada, é possível obter o mesmo corte sem pagar pelo efeito visual, provando que muitos desses nomes sofisticados apenas maquiam cortes que sempre fizeram parte do cotidiano.


Para um evento especial, pode valer a pena investir em carnes de raças britânicas (Angus/Hereford) com alto marmoreio (gordura entremeada), mas para o strogonoff, o picadinho ou carne de panela do dia a dia os cortes tradicionais estão de bom tamanho. Entre as opções com melhor custo-benefício para churrasco está a fraldinha — que deve ser limpa, mas com gordura. Se preferir a maminha — tida como a rainha do forno/grelha —, assegure-se de que a peça seja recoberta por uma capa de gordura uniforme e de remover somente a pele prateada (espelho). A bananinha — pequeno músculo que fica junto do contrafilé, próximo à alcatra — também e saborosa, mas desde que você remova o excesso de sebo e mantenha a gordura.


Outras boas opções são o miolo de acém com osso — que deve ser cortado em pedaços com 2 dedos de altura — e o contrafilé — cortado em pedaços com 3 a 4 centímetros de altura e mantida a gordura lateral. Quanto à costela, evite a ponta que tem mais osso e menos carne e prepare-a em forno baixo, com cozimento lento.


Para o bife do dia a dia (frigideira), o miolo de alcatra aparece como primeira escolha, seguido de perto pelo contrafilé. A paleta vem do dianteiro, mas não deixa a desejar quando bem preparada. A orientação para todos os bifes de frigideira é a mesma: pedir bifes não muito finos e manter um pouco de gordura.


A costela do traseiro vai bem tanto na panela quanto assado no forno. O peito com osso é ideal para cozimentos longos. A paleta é ótima para assar inteira; o coxão duro é perfeito para a panela de pressão; o acém é extremamente versátil; e o peixinho é uma boa pedida para quem prefere um corte macio e com pouca gordura (é só limpar bem a peça e cortar em medalhões para grelhar rápido).


Vale lembrar que a carne deve ter cor vermelho-brilhante (não escura/roxa), a gordura deve ser branca ou levemente amarelada (gordura muito amarela indica animal velho), a fibra deve ser curta e o toque deve ser firme, não pegajoso.


O mito de que churrasco bom não precisa de técnica precisa cair. Técnica simples, aplicada com atenção, faz mais diferença do que exagero de temperos ou carne cara.. O maior inimigo é o fogo descontrolado. Muitas vezes a carne vai para a grelha antes que a brasa fique no ponto ou é exposta a calor excessivo, o que compromete sua textura e suculência. O segredo da carne macia


Selar a carne prende serve para criar sabor e textura. O que retém o suco é o descanso após o preparo. Se você cortar a carne imediatamente, o suco escorre todo na tábua e a carne fica seca. Vale lembrar também que é preciso secar a carne com papel toalha e deixá-la atingir a temperatura ambiente antes de colocá-la na grelha — carne úmida “cozinha” no vapor e não cria aquela crostinha perfeita. 


Recomenda-se salpicar um pouco de sal grosso levemente moído quando virar a carne na grelha e finalizar depois, com flor de sal, que permite ajuste fino e muda a percepção de salinidade, e complementar com vinagrete ou chimichurri de ervas frescas, que dão acidez e frescor sem mascarar o sabor da carne. Para os cortes mais baixos — com até 3 cm de altura — sal apenas no final da cocção ajuda muito na caracterização da carne criando uma crostinha uniforme.


O carvão oferece constância e controle, mas a lenha traz aroma e identidade que o carvão sozinho não entrega. Ademais, é importante preparar o fogo e atentar para o tempo de cocção. O churrasco é um processo social e térmico; se você tentar apressar o fogo ou o descanso, o resultado deixará a desejar.


Bom churrasco.

sábado, 16 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 105ª PARTE — SOBRE PARADOXOS


TOMORROW IS YESTERDAY'S DREAM


O "agora” é como o “aqui”, que não é um lugar específico no mapa, mas um conceito que descreve nossa posição em relação ao ambiente que nos circunda. Neste momento, meu "aqui" é Sampa, mas seria Cagliari se eu estivesse na capital do país dos meus antepassados. Da mesma forma, Quixeramobim é o "aqui" de um cearense da gema, mas seria Honolulu se ele estivesse na capital do Havaí. Entretanto, nenhum "presente" é mais especial do que o "presente" de qualquer outra pessoa.

Como consequência das equações de Einstein para o espaço‑tempo, o "aqui" varia de um observador para outro. Mas se todos os presentes são igualmente válidos, todos devem existir, de modo que os eventos futuros já "estarão lá”, independentemente do que façamos ou deixemos de fazer. Nesse quadro, se o livre-arbítrio nos permite, por exemplo, ficar na cama amanhã de manhã em vez de sair para correr, essa possibilidade não seria um leque em aberto, mas uma coordenada já fixada no tecido do espaço-tempo à qual ainda não chegamos.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA 

Na minha modesta opinião, nenhum dos pré-candidatos à presidência, sobretudo os dois principais antagonistas, valem dois tostões de mel coado (porque seria deselegante dizer que não valem a merda que cagam). Infelizmente, as pesquisas sugerem que mais de 70% do eleitorado dizem que vão votar em um ou no outro. 

Enquanto o macróbio indigesto distribui benefícios a rolo para tentar recuperar parte da popularidade que perdeu nos últimos meses, o filho do refuto da escória da humanidade foi pego com a boca na botija pedindo dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para concluir um filme sobre a atuação do capetão golpista durante sua nefasta gestão.

Numa leitura estatisticamente rígida, o ponteiro da Quaest indica estabilidade, mas o cenário ficou mais alvissareiro para o xamã petista do que para o filho do pai. Segundo o resultado da pesquisa, num cenário de segundo turno, nhô-ruim e nhô-pior continuam empatados, mas o dono da caneta e da máquina "despiorou" e voltou a aparecer numericamente à frente, enquanto o desafiante travou. 

A avaliação do governo continua no vermelho, mas a diferença entre a taxa de desaprovação e o índice de aprovação recuou de nove para três pontos percentuais, ficando agora dentro da margem de erro. Um dos fatores associados à essa "despiora" é o impacto do Desenrola 2 — programa de socorro aos endividados aprovado pela maioria dos entrevistados. Além disso, em que pese o esforço dos bolsonaristas, a reunião com Trump foi avaliada positivamente por 60% dos eleitores. Ironicamente, o ídolo máximo do bolsonarismo tornou-se momentaneamente um cabo eleitoral de Lula. 

O jogo continua aberto, mas o filho do imprestável já não pode jogar parado.


A ideia do "futuro aberto" implícita no presentismo é a de que algo que ainda não aconteceu não existe em lugar nenhum. Na visão dos presentistas, o futuro é genuinamente aberto. Já no growing block universe o passado e o presente existem, mas o futuro ainda não foi "acrescentado" ao bloco. Em ambos os casos, o que faremos a seguir não está fixado em lugar algum da realidade, ao passo que no eternismo o futuro já existe como coordenada, e a sensação de abertura é ilusória.

Se todos os momentos do tempo existem da mesma forma que todas as cidades do mapa, então os eventos futuros já estão "lá" — esperando, por assim dizer, que nossa consciência os alcance. Para os adeptos dessa teoria, o Universo não seria um palco onde os eventos acontecem, mas sim a totalidade de tudo que aconteceu, acontece e acontecerá, coexistindo numa estrutura quadridimensional imutável.

O tempo que "passa" seria uma ilusão gerada por sermos observadores internos a essa estrutura, experienciando-a de dentro para fora, fatia por fatia — assim como um viajante que atravessa o Brasil vê Quixeramobim, depois São Paulo, depois Porto Alegre, sem que isso signifique que as cidades aparecem e desaparecem conforme ele passa por elas.

Na visão míope dos fanáticos religiosos — e aqui não vai crítica nova, porque discutir lógica com quem já a abandonou é como dar remédio a defunto —, Deus é onisciente. Mas como ele poderia conhecer o futuro num universo de futuro genuinamente aberto e saber com antecedência, por exemplo, se alguém vai dormir até o meio-dia ou sair para correr na manhã seguinte?

O universo-bloco oferece a mesma resposta que o filósofo Boécio (não confundir com 'beócio') propôs no século VI: Deus não prevê o futuro, simplesmente contempla o bloco inteiro de uma só vez como alguém olhando um mapa do alto. O que parece profecia para nós seria, do ponto de vista divino, apenas visão direta de uma coordenada que já existe. Mas se Deus vê que vou ficar na cama amanhã, como poderia ser diferente? Em outras palavras, a onisciência divina e nosso livre-arbítrio passam a puxar em direções opostas, como num cabo de guerra.

Os teólogos discutem essa questão há séculos sem resolução consensual. A relatividade especial impõe restrições fortes a qualquer visão de futuro aberto, mas a mecânica quântica complica o quadro. Alguns físicos argumentam que o colapso da função de onda — o momento em que uma partícula "escolhe" um estado entre vários possíveis — introduz uma abertura genuína no tecido do real, incompatível com um bloco rigidamente determinado. Outros respondem que o colapso é apenas aparente, e que o universo‑bloco sobrevive intacto. A geometria, a relatividade descreve com precisão extraordinária, mas o que essa geometria é, ela não decide sozinha.

Uma leitura bastante natural da relatividade especial leva ao eternismo, no qual passado, presente e futuro existem igualmente, como as coordenadas de um mapa quadridimensional; o seu "agora" cortando esse bloco num ângulo diferente do meu é exatamente análogo ao "aqui" — uma indexação perspectival, não uma diferença ontológica. A consequência incômoda é que, numa leitura literal, a cena de você dormindo até o meio-dia amanhã — ou saindo para correr — já existe no bloco, assim como São Paulo, Cagliari, Quixeramobim e Honolulu já existem no mapa, mesmo que estejamos apenas em uma delas agora.

Quanto ao futuro ser realmente "aberto", as opiniões se dividem. Os eternistas (que levam o bloco a sério) dizem que o livre-arbítrio é compatível com o determinismo — a gente faz a escolha, mas essa escolha já é uma coordenada fixa no bloco. Não há contradição, só uma ilusão de abertura gerada pelo fato de experienciarmos o tempo de dentro pra fora. Para os presentistas, só o presente existe de verdade; a relatividade seria matematicamente correta, mas ontologicamente mal interpretada, e o bloco seria uma ficção útil, não a estrutura real do mundo. Os defensores do universo-bloco, por sua vez, fazem um meio-termo: passado e presente existem, mas o futuro ainda não. O Universo cresce como um livro sendo escrito. Só que é preciso explicar o que faz o presente ser especial — e aí volta o problema relativístico.

Essa tensão é antiga — como dito linhas acima, Boécio propôs que Deus não prevê o futuro, mas o vê por ser capaz de enxergar o bloco inteiro de uma vez, como alguém que olha um mapa de cima. Seu "conhecimento" do que as pessoas farão amanhã não seria profecia causal, mas uma visão direta de uma coordenada que, do ponto de vista divino, já está lá. É como se nós fôssemos viajantes percorrendo um vale que ele observa do topo de uma montanha. Enquanto vemos apenas os trechos do caminho à nossa frente, ele o vê em sua totalidade — da mesma forma que vê tudo o que faremos ao longo deste ano e nos anos seguintes.

O problema com essa solução é que ela resolve a onisciência mas esfacela o livre-arbítrio: se Deus vê que a gente vai dormir até o meio-dia, como poderíamos fazer diferente? A resposta teológica clássica (São Tomás de Aquino) é que o conhecimento divino não causa o ato. Mas muita gente acha essa distinção artificial.

relatividade especial descreve o espaço-tempo em situações sem gravidade e sem mecânica quântica. Alguns físicos, como Carlo Rovelli, argumentam que o tempo no nível fundamental pode não existir como variável — o que tornaria a pergunta sobre "futuro aberto" mal formulada desde o início. Outros, como os defensores de interpretações da mecânica quântica com colapso real da função de onda, acham que o universo-bloco é incompatível com certas leituras da física quântica.

A relatividade impõe restrições a qualquer visão de futuro aberto, mas não a elimina de forma conclusiva, pois a interpretação ontológica das equações de Einstein ainda é filosoficamente disputada. Se Deus sabe que algo vai acontecer, então deve acontecer. Se ele vê qual caminho o viajante tomará, isso significa que a jornada do viajante já está decidida? E se vê o futuro e todos os tempos já existem, qual o sentido de tentarmos mudá-lo ou estabelecer uma resolução?

Aqueles interessados ​​no pensamento medieval e os filósofos modernos que se debruçam sobre a relatividade de Einstein reconhecem que a linguagem é a principal culpada por esse problema. Por exemplo, acabamos de dizer que o futuro existe “já”. Mas temos que reconhecer que a palavra “já” é tão relativa quanto o “agora” ou o “aqui”. Na física, todos os tempos podem existir, mas o que acontece nesses tempos em relação ao nosso "presente" ainda depende de nós. 

Toda a cadeia de eventos no Universo pode existir, mas ainda somos agentes ativos nela, que não existe "de uma vez" ou "já"; simplesmente existe. E ainda depende de como nós agimos, já que o presente influencia o futuro, e cabe a nós decidir se vamos sair para correr ou ficar na cama até o meio-dia.

Para os teólogos medievais, Deus poderia nos ver levantando da cama e indo correr em 1º de janeiro, mas também nos vê programar o alarme em 31 de dezembro, depois de termos ido à loja de calçados comprar tênis de corrida. Independentemente de o futuro existir para Deus, o que acontece nele ainda depende de nós.

Resumo da ópera: Se o Universo é um bloco quadridimensional, a tentação é imaginar tudo congelado, como um romance já escrito, no qual só nos resta folhear páginas que, em algum sentido, “já existem”. Mas a própria linguagem nos trai quando falamos disso, pois: usamos palavras como “já”, “ainda”, “logo” — todas amarradas ao nosso pequeno “agora” psicológico, não à estrutura matemática do espaço-tempo.

Do ponto de vista da física, pode fazer sentido dizer que todos os eventos estão dispostos no bloco, sem privilégio ontológico do presente. Do ponto de vista de quem acorda com o despertador tocando às seis da manhã, porém, continua havendo uma diferença brutal entre levantar ou apertar o botão de soneca. E essa diferença é vivida, não deduzida das equações.

O que teólogos medievais, relativistas e filósofos da linguagem aprenderam a contragosto é que não escapamos do fato de sermos agentes: mesmo num universo‑bloco, nossas decisões são parte do bloco. Se Deus vê o mapa inteiro, também vê as encruzilhadas em que hesitamos, os dias em que corremos e os dias em que ficamos na cama — e é justamente porque essas escolhas existem que o mapa tem a forma que tem.

O Universo pode ser um livro já completo numa estante metafísica qualquer, mas, da perspectiva de quem lê, cada página ainda é descoberta em tempo real. E é nesse intervalo entre a teoria e a experiência, entre equações e despertadores, que a pergunta sobre o livre-arbítrio continua viva — e, por enquanto, sem um ponto final.

Continua...

sexta-feira, 15 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — DE VOLTA À CONSCIÊNCIA NÃO LOCAL

A MELHOR VACINA CONTRA UMA CRENÇA É O CETICISMO. 

A ciência evoluiu consideravelmente desde a invenção da roda e do uso do fogo, mas ainda não sabe se o tempo existe realmente ou se ele não passa de uma convenção criada por nossos antepassados para explicar fenômenos naturais sazonais (como as fases da lua e as estações do ano). E tampouco consegue explicar as experiências de quase-morte (EQMs) e o déjà-vu (a estranha sensação de já termos vivido uma situação pela qual nunca passamos).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


É graças a Deus que todos os candidatos dizem ser contra a reeleição, mas é graças ao diabo que, uma vez eleitos, eles mudam de ideia. Na sucessão de 2022, a cinco dias de prevalecer sobre Bolsonaro no segundo turno, Lula subiu no caixote das redes sociais para proclamar: "Eu, se eleito, serei um presidente de um mandato só." Hoje, dispara bondades em série por um quarto mandato.

Sempre que critica o populismo eleitoral de Lula, o primogênito do chorume da escória da humanidade cobra virtude do rival sentado sobre os vícios do pai — mais ou menos como o macaco que senta em cima do próprio rabo para falar mal da cauda dos outros. Na sucessão de 2022, o capetão genocida criou benefícios para caminhoneiros e taxistas, reduziu tributos sobre combustíveis com o chapéu dos estados, expandiu transferências sociais como se jogasse dinheiro de helicóptero às vésperas da eleição. Fez de tudo. Mas tudo não quis nada com ele.

Ao fazer uma autocrítica por ter buscado a reeleição, Fernando Henrique Cardoso, primeiro a se beneficiar do instituto, disse: "Imaginar que os presidentes não farão o impossível para ganhar a eleição é ingenuidade." 

Em democracias presidenciais, fazer o diabo para renovar mandatos não é exatamente incomum. No limite, toda política pública tem uma dimensão política. O problema é que, no Brasil, perde-se a noção da efetividade dos programas e dos limites fiscais do Tesouro.


O cérebro humano é uma máquina de reconhecimento de padrões extremamente sofisticada, mas não se sabe se ele "produz" e "armazena" a "consciência" — assim chamada a nossa capacidade de ter conhecimento e percepção de nós mesmos, do mundo ao nosso redor e de nossos pensamentos e sentimentos. Se for esse o caso, como é possível que pessoas clinicamente mortas e posteriormente reanimadas relatem encontros com parentes já falecidos, túneis de luz, sensação de paz e até conversas que ocorreram enquanto os médicos tentavam trazê-las de volta à vida?


Os neurologistas passaram a associar a consciência ao córtex pré-frontal em 1848, depois que um pacato trabalhador ferroviário teve o crânio trespassado por uma barra de ferro, sofreu uma série de convulsões, "recobrou a consciência" e se tornou um cafajeste arrogante. Mais adiante, amparados pelos avanços da medicina, eles descobriram que a área afetada do cérebro do trabalhador em questão foi o córtex pré-frontal, que exerce um papel preponderante na capacidade de sentir emoções como o remorso, por exemplo.


Atualmente, acredita-se que a consciência seja um tipo de "filme" que reúne a história da vida de cada um de nós (nossas preferências, emoções, enfim, nossa identidade) e é "projetado" por uma série de atividades realizadas no cérebro. Vale destacar que essa capacidade de representar o mundo na mente é um traço evolutivo que se estende aos demais seres vivos. No entanto, enquanto uma anêmona-do-mar se expande ou se contrai na presença da luz solar, o Homo sapiens conta com uma série de instrumentos que representam o ambiente de forma bem mais sofisticada.


A pergunta que se coloca é: em que momento essas atividades formam aquilo que chamamos de consciência? A resposta é: ainda não se sabe. Sabe-se, no entanto, que a consciência não é um lampejo, mas um fluxo contínuo de conexões neurológicas que se inicia com o nascimento e termina com a morte, e que cada nova experiência leva o cérebro a criar uma imagem mental e armazená-la na memória.


Os avanços da tecnologia tornaram possível monitorar o funcionamento do cérebro por meio da tomografia por emissão de pósitrons (PET), e os resultados revelaram que diversas atividades responsáveis pela consciência demandam ações conjuntas de várias regiões do cérebro. Em outras palavras, o que cada um de nós faz é a soma de todas as representações feitas de nós mesmos, dos outros e do ambiente que nos circunda.


Adeptos da Teoria da Informação Integrada (IIT, de Giulio Tononi), da Teoria do Espaço de Trabalho Global (GWT, de Stanislas Dehaene) e do materialismo buscam explicar a origem daquilo que os religiosos tratam por alma ou espírito — e que, em tese, sobrevive à morte do corpo físico.


Observação: A IIT sugere que a consciência surge da integração complexa de informações neurais, com picos detectados até em cérebros de ratos morrendo (estudo de 2014 na Nature); a GWT vê a consciência como um "broadcast" neural amplo.


Mas há quem sustente a tese da "consciência não-local", cujas implicações são tão vastas quanto perturbadoras — ecoando o “problema difícil” da consciência, proposto por David Chalmers: por que processos físicos geram subjetividade?


Pesquisas recentes alimentam o debate. O estudo AWARE II (2023, de Sam Parnia) mediu ondas gama elevadas em pacientes durante paradas cardíacas, indicando lucidez persistente por minutos sem atividade cortical global. Outro, de Pim van Lommel (2001, The Lancet), registrou percepções verificáveis em 18% de 344 casos de EQMs, como detalhes de conversas médicas. Céticos como Susan Blackmore atribuem isso a hipóxia e expectativas culturais, mas casos como esses desafiam explicações puramente cerebrais.


Na iminência da morte, o aumento dos níveis de adrenalina, endorfina e até dimetiltriptamina (DMT, liberada na glândula pineal) alivia as dores e ajuda o corpo a suportar o estresse do processo. A consequência lógica seria os níveis do ácido gama-aminobutírico (GABA) aumentarem à medida que o cérebro vai se desligando, mas não é isso que acontece.


Para os defensores da consciência não-local, o cérebro é uma espécie de rádio que recebe sinais de uma quantidade incalculável de estações. O GABA reduz os disparos neuronais e desliga determinadas partes do cérebro para filtrar o excesso de estímulos — ou seja, ele funciona como o sintonizador, ajustando uma frequência e bloqueando as demais.


Continua…