segunda-feira, 25 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — RELIGIÃO X CIÊNCIA

O MEDO DA MORTE É O PAI DAS RELIGIÕES.

Sherlock Holmes, o famoso detetive fictício criado pelo escritor escocês Arthur Conan Doyle, dizia que, uma vez descartado o impossível, o que resta, por mais improvável que pareça, deve ser a verdade.

Às vezes o problema não é a ausência de verdade, mas o excesso de condicionamento. Há casos em que basta uma mudança de perspectiva para a verdade ser revelada. E quando se trata de conceitos como "alma", "vida após a morte", "reencarnação" e assemelhados, libertar-se dos grilhões dogmáticos é como se afastar da árvore para poder enxergar a floresta.


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Enquanto os faria-limers fazem papel de bobos numa peça confusa, em que o protagonista é o filho de um ex-presidente condenado a 27 anos de cadeia, e o coadjuvante é um mafioso que tinha um banco, esses tolos endinheirados escolhem ficar de cócoras diante da decomposição moral do pedaço de estrume que atende por Flávio Bolsonaro, e que, um dia depois de admitir que teve encontro presencial com Vorcaro, afirma que a crise é página virada e que sua candidatura está sólida. Embora nenhum dos interlocutores do candidato compraria um carro usado de Vorcaro, todos se dispõem a vitaminar com seu apoio o presidenciável que mordeu um pedaço do butim do banqueiro malfeitor. A exemplo dos brasileiros que têm um pingo de vergonha na cara, a Faria Lima não precisa apoiar a reeleição de Lula. Mesmo depois que o presidiário interditou Tarcísio de Freitas, o quindim do mercado, ainda restam no bufê eleitoral opções conservadoras sem a salmonela bolsonarista da suspeição. Ao se manter acorrentado ao projeto do Bozo de voltar ao Planalto por meio do rebento (no que me concerne, tanto o pai quanto o filho poderiam se explodir), os mandarins do mercado permanecem agachados, quando poderiam demonstrar alguma altivez.


Como bem disse Upton Sinclair, timor mortis est pater religionis. No tempo das cavernas, tempestades, terremotos, eclipses e outros fenômenos naturais eram atribuídos a forças sobrenaturais, e o misticismo deu origem às mais diversas religiões — cada qual com sua própria escatologia, arquitetura e hierarquia. Juntas, elas produziram um caudaloso manancial de escritos sugerindo a existência de uma vida após a morte — como o Livro dos Mortos egípcio, os Sutras, as Upanishads, os Vedas, a Bíblia judaico-cristã, a Cabala, o Alcorão, e por aí vai.


Os primeiros textos védicos remontam a 1500 a.C., mas os conceitos que encerram foram transmitidos oralmente durante séculos.. A frase "este é meu corpo", que Jesus teria pronunciado na Última Ceia, é repetida até hoje durante a Eucaristia. Quando "lavou as mãos", Pôncio Pilatos deixou clara a ligação entre a religião e a política — aliás, a Igreja e o Estado foram duas faces da mesma moeda até a Revolução Francesa, e velhos vícios são difíceis de erradicar.


Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. O Seder de Pessach e a comunhão são adaptações litúrgicas de uma prática observada nos chimpanzés. As religiões perderam a empatia dos tempos de antanho, mas fenômenos complexos se desenvolvem a partir de começos simples, e tudo o que fazemos é influenciado por nossa história biológica e cosmológica.


A despeito de o Universo ter surgido há 13,8 bilhões de anos e de o Homo Sapiens ter evoluído de outros primatas há cerca de 300 mil anos, o Velho Testamento afirma que Deus criou o mundo e tudo o que nele existe em seis dias e descansou no sétimo. Segundo revelou o arcebispo irlandês James Ussher em The Annals of the World, tudo começou às 9h da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C.


Acredita-se que Moisés rascunhou o Gênesis e os demais livros do Pentateuco enquanto guiava o povo hebreu rumo à terra que Jeová prometera a Abraão e seus descendentes. Embora dominasse os segredos das águas — seu cajado não só abriu o Mar Vermelho como fez brotar água de uma pedra —, o velho Moshe só encontrou Canaã depois de caminhar durante 40 anos pelo deserto do Sinai. 


A certa altura, em vez de falar com uma rocha para que dela brotasse água — como Deus o havia instruído —, o líder dos judeus errantes bateu nela com seu cajado e atribuiu a si próprio o milagre (Números 20 e Deuteronômio 32). Como castigo, foi proibido de entrar na "terra prometida" e morreu no monte Nebo, aos 120 anos.


Talvez os efeitos deletérios do sol causticante do deserto tenham levado Moisés a retratar o Criador como uma entidade rancorosa e vingativa, divorciada da imagem vendida em igrejas e templos por padres e pastores que cobram o dízimo dos fiéis ameaçando-os com a "danação eterna", quando deveriam oferecer-lhes orientação e conforto espiritual. Mas as religiões são como os vaga-lumes: precisam da escuridão para brilhar. E são úteis somente aos poderosos, que lhes conferem ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos.


É fundamental questionar as crenças enraizadas. A possibilidade de existir um ente superior é plausível, mas a rigidez das religiões perpetua dogmas que raramente resistem ao questionamento crítico. Lamentavelmente, argumentar com quem renunciou à lógica é como dar remédio a defunto. Isso explica por que, em pleno século XXI, doutrinas as mais inverossímeis têm hostes de seguidores que pegam em armas para defender seus rituais e liturgias.


Como disse alguém mais sábio: Deus criou a fé e o amor, e o Diabo, invejoso, as religiões e o casamento. Todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa, mas não passam de fantasia para os seguidores das outras. E não há crença, por mais estúpida que seja, que não tenha fiéis seguidores.


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domingo, 24 de maio de 2026

DE VOLTA À CARNE MOÍDA

É NA COZINHA QUE A MÁGICA E POR VEZES A DESGRAÇA ACONTECEM.

Os tradicionais açougues de bairro estão em extinção, e comprar carne moída nos supermercados significa acreditar nas informações da embalagem, já que o produto não é moído na presença do consumidor. 


Por mal dos nossos pecados, a carne moída é uma espécie de coringa na cozinha, pois serve de matéria prima para o preparo de almôndegas, pastéis, empadões, hambúrgueres e molhos. Assim, além de pagar por carne “de primeira” e levar um produto inferior (não é incomum o açougueiro misturar sebo, gordura e outras aparas e sobras), o patinho pode ser acém e o coxão-mole pode ser paleta.

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Distraído que estava o público com o escândalo da vez, a Camarilha dos Vagabundos Federais voltou a fazer o que mais gosta: legislar em prol dos seus. E, de novo, com o método de sempre — à sorrelfa, no de repente da urgência conveniente, em votação simbólica. Não bastasse ter aprovado uma série de facilidades para os partidos — à qual deram o nome de minirreforma do sistema que rege as legendas —, a súcia de imprestáveis determinou que a coisa tenha vigência imediata, atropelando a regra de anterioridade anual.
Suas insolências não querem pouco. Reivindicam teto de R$ 30 mil para multas aplicadas a contabilidades irregulares, dão 15 anos (!) de prazo para renegociação de dívidas, liberam os infratores para participar de eleições e os deixam à vontade para fazer disparos (inclusive os ilegais, via robôs) de mensagens por celulares. Nada diferente daquela tentativa de aprovar uma emenda constitucional que deixaria os parlamentares fora do alcance da Justiça, que foi barrada no Senado por pressão da opinião pública.
Desta vez, se não houver uma grita geral, a estrovenga vai passar pelos senadores cujos partidos se beneficiam dela. O caminho é facilitado por um acordo entre Câmara, Senado, governo e oposição para a derrubada de veto presidencial a dispositivo da LDO e, assim, permitir doações de bens e dinheiro durante a campanha eleitoral — um canavial de malandragens sob a égide da ilegalidade e da desfaçatez de um Poder Legislativo hipertrofiado e que ainda pretende sair mais fortalecido desta eleição em que as legendas estão especialmente empenhadas em obter o maior número possível de cadeiras no Parlamento.
Com esse tipo de credencial, os congressistas não estimulam a sociedade à participação ativa na composição das Casas legislativas; antes pelo contrário: alimentam o distanciamento decorrente da repulsa aos procedimentos que servem ao domínio financeiro das direções partidárias viciadas no sustento do Estado.


Por ser magro e saboroso, o patinho é um dos cortes mais indicados para moagem, e funciona bem tanto em preparos mais leves, como molhos, recheios e receitas do dia a dia, quanto no de hambúrgueres, almôndegas, croquetes e refogados que levam carne moída..

Vale lembrar que a diferença entre cortes "de primeira" e "de segunda" não está no valor proteico, mas no sabor, que depende da quantidade de gordura, e da maciez, que varia conforme o trabalho muscular realizado pela região do boi de onde a carne é extraída. Pescoço, peito, braço, acém e outros cortes dianteiros costumam ser duros e fibrosos, enquanto filé-mignon, contrafilé, alcatra, picanha e outros cortes traseiros tendem a ser macios e suculentos.

O acém possui alguma gordura, o que garante mais sabor e suculência à carne moída e a torna ideal para receitas que pedem uma textura mais úmida e pratos que ficam mais tempo no fogo. Além disso, os cortes de segunda, tendem a custar menos do que os de primeira, como o patinho. Mas tanto num caso como no outro, uma carne moída na hora faz toda a diferença. 

No supermercado, evite a carne pré-moída e acondicionada em bandejas de isopor embrulhadas em plástico-filme. Escolha um pedaço de patinho ou de acém e moa em casa, como faziam nossas avós e as mães delas antes delas. E você pode ainda moer junto com junto com a carne uma parte de gordura da picanha (para fazer hambúrgueres como manda o figurino), pedaços de bacon, cebola e outros temperos.

Para que a carne moída fique com aquela cor dourada, que lhe dá uma aparência mais apetitosa, aqueça bem a panela e refogue em azeite o alho e a cebola antes de adicionar a carne, e evite mexer durante os primeiros minutos — sob pena de a carne liberar líquido e ficar com aspecto acinzentado e sabor menos intenso. Outro erro comum é usar uma panela muito pequena — sem espaço suficiente e sem calor adequado, a umidade não evapora e a carne cozinha em vez de fritar. 

Quando a quantidade de carne for grande, dividi-la em pequenas porções evita que a panela esfrie e garante um dourado mais uniforme. E só coloque os temperos — incluindo o sal — depois que a carne refogada estiver dourada, de modo a preservar tanto a textura quanto o sabor.

Bom apetite. 

sábado, 23 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA NOITE — MEDIUNIDADE, PSICOGRAFIA E LEMBRANÇAS DE VIDAS PASSADAS

HÁ MAIS COISAS ENTRE O CÉU E A TERRA DO QUE SUPÕE NOSSA VÃ FILOSOFIA.

Em 1616, por ordem do papa Paulo V, o cardeal Roberto Belarmino notificou Galileu sobre um vindouro decreto da Congregação do Index condenando o heliocentrismo.

O teólogo carmelita Antonio Foscarini escreveu um texto em defesa de Galileu e submeteu-o a Belarmino, que ofereceu a seguinte resposta (a tradução é do livro Galileu, pelo copernicanismo e pela Igreja, de Annibale Fantoli). 

Belarmino nos ensinou a nunca desprezar as evidências. Se alguma evidência não orna com algum trecho bíblico, dizia ele, é porque a interpretação da Bíblia possivelmente está errada.

Fica o recado para quem acredita que Deus criou o mundo em 23 de outubro de 4004 a.C., como escreveu o arcebispo irlandês James Ussher no livro The Annals of the World (1658), na vida eterna e outros mitos religiosos que carecem de comprovação. Por outro lado, não faltam indícios de que a consciência sobrevive à marte, sugerindo que ela não reside no cérebro, como a maioria de nós imagina.

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Os R$ 134 milhões pedidos a Vorcaro são suficientes para bancar blockbusters hollywoodianos de primeiríssima grandeza, mas não bastam para encobrir 5% das desculpas esfarrapadas dos filhos do refugo da escória dos golpistas. 
Embora o primogênito concorra ao Planalto e zero três — ou Dudu Bananinha, como queiram — seja candidato a suplente no Senado, cada frase desses excrementos é um novo gambá retirado da cartola.
No domingo, Bananinha disse ao "parça" Paulo Figueiredo que "Dark Horse" não é caro para os padrões de Hollywood, a despeito de 15 das últimas produções vencedoras do Oscar terem custado menos do que os R$ 61 milhões arrancados de Vorcaro antes da liquidação do Banco Master. 
No sábado, o filho mais velho do presidiário acusou o governo do ex-presidiário de tentar enterrá-lo vivo — como se precisasse de ajuda para jogar terra em cima de si mesmo. Nem sinal do contrato. Nenhum esclarecimento sobre os rumos que o dinheiro tomou depois de entrar no fundo texano gerido por um advogado de Bananinha.
Ao negar as suspeitas da PF, o deputado cassado foragido disse que não precisaria do dinheiro de Vorcaro para se manter nos Estados Unidos, pois mordeu R$ 2 milhões de uma coleta que seu pai realizou entre os devotos via Pix. Ou seja: esse pedaço de esterco realizou no autoexílio americano o sonho de 11 em cada 10 brasileiros: viver com um dinheiro que recebe regularmente sem precisar trabalhar.
A essa altura, nem se bebessem detergente Ypê os irmãos conseguiriam reduzir o fedor que emana de suas cartolas.

Quando se trata de EQMs, mediunidade, psicografia, lembranças de vidas passadas e premonições, uma experiência empírica vale mais que 10 de segunda mão. Na falta dela, acrescento aos exemplos anteriores o caso da cantora Pam Reynolds, que a equipe médica precisou "matar" para remover um aneurisma na base do cérebro e depois "trazer de volta à vida". 


Esse caso é particularmente emblemático porque a morte clínica da cantora foi induzida e monitorada de perto do início ao fim. A temperatura corporal foi reduzida para 10 °C, os pulmões pararam de funcionar, o coração deixou de bater, o sangue parou de circular e os aparelhos deixaram de registrar qualquer atividade cerebral.


Apesar disso, Pam relatou que viu o próprio corpo e a sala de cirurgia, que seus sentidos estavam mais aguçados, que enxergou tudo com clareza e que ouviu nitidamente as conversas de médicos e enfermeiras, embora seus olhos estivessem cobertos com fita adesiva e seus ouvidos, tampados com protetores auriculares. 


Pam contou ainda que foi conduzida por uma "força invisível" até um grande ponto de luz, que foi recebida afetuosamente por um tio já falecido, e que a experiência foi tão agradável que o tio precisou “empurrar seu espírito de volta ao corpo”. Todos os integrantes da equipe médica reconheceram sua morte clínica, que foi comprovada pelos dados coletados durante a cirurgia. 


As conversas relatadas foram compatíveis com o que realmente foi dito durante a operação, e os instrumentos usados para abrir o crânio de Pam foram descritos por ela com minúcia e exatidão. Mesmo não havendo como comprovar o encontro com o tio falecido, tudo indica que ela visitou a terra dos pés juntos, e o fato de sua consciência permanecer ativa enquanto o corpo estava morto é uma evidência (embora não seja uma prova cabal) da existência de vida após a morte.

 

Outro caso digno de nota é o do geólogo suíço Albert Heim, que passou por uma EQM causada por uma queda em 1871. Ele relatou que experimentou uma grande expansão de sentidos, como se ouvisse e enxergasse muito melhor, disse que sentiu o tempo passar mais devagar e uma profunda aceitação da morte iminente. Os mais de 30 relatos semelhantes de colegas montanhistas que ele publicou no estudo Notes on Death from Falls coincidiam com sua própria experiência, e alguns traziam novos elementos, como ver a vida passar rapidamente diante dos olhos e ouvir músicas tocando no vazio.


Um levantamento semelhante conduzido pelo cardiologista Pim van Lommel em 2001 revelou que a maioria dos 344 entrevistados que sobreviveram a perdas cardiorrespiratórias teve consciência de que havia morrido, viu o corpo de um ponto externo e encontrou parentes já falecidos. A pergunta que se coloca é: até que ponto uma pessoa que relata uma experiência como essa está morta de verdade? 


Até meados do século passado, declarava-se a morte física 15 minutos depois da parada cardiorrespiratória, mas o advento dos respiradores artificiais tornou esse critério obsoleto, e a partir de então o fim da vida passou a ser associado à morte cerebral. Quando o sangue para de circular no cérebro, os neurônios começam a morrer, e o corpo deixa de funcionar. A questão é que casos como o de Pam Reynolds, Albert Heim e tantos outros levam a outra perspectiva.


Após ouvir relatos de supostas experiências post mortem, o médico e professor Sam Parnia, responsável pela unidade de tratamento intensivo do hospital da Universidade de Stony Brook (EUA), teorizou que o cérebro uma espécie de computador que processa um sistema operacional externo (a consciência, ou a "alma", como preferem os religiosos), e não a origem da consciência em si. Para determinar se a consciência continua presente depois que toda a atividade cerebral cessa, ele criou o projeto AWARE (sigla em inglês para “consciência durante a ressuscitação”), que documenta experiências de pós-morte em hospitais dos EUA e da Europa. 


Num de seus principais experimentos, Parnia mandou posicionar placas em salas cirúrgicas de 25 hospitais de modo que ficassem visíveis para alguém flutuando perto do teto, mas ocultas de quem estivesse de pé ou deitado. Assim, se alguém voltasse de uma morte clínica e contasse o que estava escrito nos cartazes, ficaria comprovado que a consciência sobrevive à morte do corpo.


Os resultados preliminares apresentados em um encontro da Associação Americana do Coração, em 2013, não foram conclusivos: dos 152 sobreviventes entrevistados, somente 37% descreveram lembranças do período crítico, dois viram alguma coisa que remetesse a EQMs e apenas um relatou eventos verificáveis, como instrumentos cirúrgicos, mas não falou nada sobre os cartazes. 


Na prática, a maior contribuição de Parnia para o debate tem sido o prolongamento do período de ressuscitação. Pacientes do hospital da Universidade de Stony Brook têm 33% de chance de resistir a paradas cardíacas — mais que o dobro da média nacional. Para alcançar esses números, o médico adotou medidas como resfriar o corpo de pacientes e manter alta a oxigenação no sangue enquanto o coração está parado, de modo a retardar ao máximo a morte das células cerebrais em decorrência da falta de oxigênio. 


Processos semelhantes permitiram que o jogador de futebol Fabrice Muamba fosse ressuscitado mais de uma hora depois de sofrer uma parada cardíaca em pleno gramado, em 2012. No livro O que Acontece Quando Morremos, Parnia cita o caso de uma japonesa que esteve morta por mais de três horas e, graças ao resfriamento do corpo e oxigenação artificial do cérebro, voltou à vida sem apresentar sequelas.


Embora não se saiba ao certo se a mente continua a existir depois que o cérebro desliga, um estudo feito em 2013 pela Universidade de Michigan monitorou o cérebro de ratos que tiveram a morte induzida e descobriu que, nos primeiros 30 segundos contados a partir da parada cardíaca, as cobaias tiveram um aumento significativo de atividade cerebral. Isso explicaria as visões e sensações descritas por pessoas clinicamente mortas que foram reanimadas, já que o corpo poderia lançar uma última cartada para se defender e permanecer vivo.

 

Há registros de EQMs em todas as partes do mundo. Menos de 20% delas evocam sensações ruins. As principais discrepâncias se devem a diferenças culturais: cristãos tendem a ver anjos ou o próprio Jesus em suas espiadas no além, índios americanos costumam mencionar encontros com animais mitológicos, e melanésios que visitam o outro lado relatam encontros com feiticeiros.


O indiano Vasudev Pandey, dado como morto em 1975 devido à febre tifoide, contou que foi recebido do outro lado por Yamaraja (não confundir com Iemanjá), mas foi mandado de volta quando o deus da morte ao perceber que ele não era o morto certo.


Seja como for, o além parece ter mais relatos de campo do que a ciência gostaria de admitir. Morrer continua sendo inevitável; entender o que acontece depois é que anda atrasado no cronograma.


Continua…