SE NÃO EXISTE VIDA FORA DA TERRA, ENTÃO O UNIVERSO É UM TREMENDO DESPERDÍCIO DE ESPAÇO
Se os demais planetas do nosso sistema solar e suas luas são inabitados, como explicar os avistamentos de objetos voadores não identificados — UAPs (Unidentified Aerial Phenomena) ou UFOs (Unidentified Flying ObjectS) — que não podem ser catalogados como balões meteorológicos, drones, ilusões de óptica ou projetos secretos desenvolvidos pelos EUA, Rússia ou China?
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Bastou a reavaliação da prisão domiciliar humanitária despontar no horizonte para Bolsonaro reclamar de soluços, dificuldades respiratórias e outros incômodos que dificilmente o aporrinhariam se ele estivesse solto e fosse o adversário de Lula na disputa pelo Planalto. O prazo de 90 dias expirou no último dia 25, mas a PGR sugeriu a Moraes que aguardasse o final da investigação da PF sobre a pistola Glock do presidiário, que foi apreendida em uma blitz, para avaliar a "falta grave" e decidir se devolve ou não o ex-presidente para a Papudinha. Entrementes, o barraco armado por Micheque e Flávio jogou no ventilador as diferenças que envenenaram o relacionamento entre madrasta e enteado, e como ambos alegam dispor do aval do chefe do clã, caberá a ele pôr ordem no galinheiro. Michelle insinua que não agiu à revelia do marido e que não será desautorizada por ele, ao passo que Bobi Filho diz que sua candidatura é uma "missão" atribuída a ele por Bibo Pai. Já se sabia que os Bolsonaro formam uma família 100% feita de desavenças, mas a nova intriga ultrapassa as fronteiras do paroxismo. Em prisão domiciliar, o refugo da escória da humanidade é cuidado em tempo integral pela mulher e visitado regularmente pelo primogênito, mas, a essa altura, um arranjo entre quatro paredes seria pouco. Portanto, cabe ao messias que não miracula encontrar um modo de transmitir sua posição aos correligionários e, sobretudo, aos devotos, sob pena de esfarelar a tríade Deus, pátria e família. Vale destacar que Deus está chocado: falam tanto em seu nome e ignoram o ensinamento segundo o qual uma casa dividida contra si mesma não subsistirá. A pátria está espoliada e mal servida: essa caterva recebe salários do Tesouro e entrega intrigas em troca. A grande família está zonza: o bolsonarismo pergunta aos seus botões: "onde está o capitão que não coloca ordem na casa?" Mas os botões não respondem, até porque não falam com qualquer um.
Essa pergunta permanece como um dos maiores desafios científicos da atualidade. Existem indícios da existência de bactérias e outras formas de vida elementares nas luas geladas de Júpiter, em exoplanetas rochosos na zona habitável de suas estrelas e, mais recentemente, em "bioassinaturas" atmosféricas, mas todos se baseiam na presença de água líquida e elementos orgânicos, e a vida em outros lugares pode surgir de formas radicalmente diferentes das que conhecemos.
Observação: Casos como o meteorito Murchison, que contém aminoácidos e moléculas orgânicas complexas de origem extraterrestre confirmada, e o famoso meteorito marciano ALH84001, no qual pesquisadores da NASA reportaram, em 1996, estruturas que se pareciam com fósseis de bactérias. Mas isso nunca passou de hipótese contestada: a comunidade científica majoritariamente atribuiu essas estruturas a processos geológicos não-biológicos (formação mineral abiótica), e o caso nunca foi validado como prova de vida.
Ademais, identificar sinais de origem biológica é uma coisa; descobrir civilizações extraterrestres com tecnologia tão evoluída quanto a nossa — ou ainda mais avançada — é outra coisa completamente diferente.
Em 1950, almoçando com colegas no Laboratório Nacional de Los Alamos, o físico Enrico Fermi, em meio a uma conversa sobre OVNIs, fez uma pergunta aparentemente simples: "Mas então, onde estão todos?" A lógica por trás dela era devastadora: se o universo tem bilhões de anos e abriga centenas de bilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas, a probabilidade estatística de que a vida inteligente tenha surgido em outros lugares é altíssima. Tempo de sobra haveria para que civilizações avançadas cruzassem o espaço — ou ao menos nos mandassem um sinal. E no entanto, silêncio.
Esse silêncio constrangedor ficou conhecido como o Paradoxo de Fermi e ainda carece de resposta satisfatória. Onze anos depois, o astrônomo Frank Drake propôs uma equação para estimar o número de civilizações extraterrestres com as quais poderíamos, em tese, estabelecer contato. Essa equação multiplica variáveis como a taxa de formação de estrelas na galáxia, a fração delas que possuem planetas, a fração desses planetas que desenvolve vida, e assim por diante — até chegar a um número final que, dependendo dos valores que você atribui a cada variável, pode ser um ou pode ser um milhão.
A questão é que a maioria dessas variáveis é desconhecida, ou seja, em vez de ser uma resposta, essa equação é apenas uma forma elegante de organizar nossa ignorância. E foi nesse espírito que nasceu o SETI — Search for Extraterrestrial Intelligence —, que desde os anos 1960 vasculha o céu em busca de sinais de rádio artificiais e padrões que não poderiam ser produzidos por fenômenos naturais. O resultado mais famoso — e frustrante — foi o chamado "Wow! signal", captado em 1977 pelo radiotelescópio Big Ear, em Ohio: um sinal tão intenso e incomum que o astrônomo de plantão escreveu "Wow!" na margem do printout.
Como nunca foi repetido nem — muito menos — explicado, esse sinal se tornou a metáfora perfeita para o estado em que nos encontramos: uma pista extraordinária, sem continuação, sem confirmação, sem contexto. Ciência sem conclusão — o que, para muitos, é insuportável, e para outros, é exatamente o que torna o problema fascinante.
Nos anos seguintes, o SETI se expandiu e recrutou milhões de computadores domésticos ao redor do mundo para processar dados do radiotelescópio de Arecibo, tornando a busca por inteligência extraterrestre em um esforço genuinamente coletivo. A iniciativa foi encerrada quando a computação em nuvem tornou o modelo obsoleto. Mesmo assim, embora nenhum sinal alienígena tenha sido encontrado, tampouco restou provado que não existe nada lá fora.
Segundo Carl Sagan, ausência de evidência não é evidência de ausência. O universo observável tem um diâmetro de cerca de 93 bilhões de anos-luz. A fração que o SETI já foi capaz de monitorar de forma minimamente sistemática é, na prática, como jogar uma rede de pesca do tamanho de um quarto numa extensão equivalente a todos os oceanos do mundo e concluir, após não pegar nada, que o mar está vazio. Não obstante, o silêncio persiste — e há quem argumente que ele é, em si, um dado importante.
Continua...





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