A INCERTEZA QUE ESVOAÇA DESGRAÇA MAIS DO QUE A PRÓPRIA DESGRAÇA.
Vimos que a possibilidade de viajar no tempo é admissível à luz da física, mas não à luz da lógica: segundo a conjectura de proteção cronológica, o próprio universo impede ações que criem paradoxos ou alterem o futuro.
Pode-se argumentar que isso não passa de teoria, mas a existência dos buracos negros, proposta no século XIX, permaneceu no campo das loterias até 2019, quando foi confirmada com a publicação das imagens do M87* que o Event Horizon Telescope havia capturado dois anos antes.
Observação: Einstein não foi o primeiro a propor a existência dos buracos negros, mas foi sua Teoria da Relatividade Geral que tornou o tema tão popular.
Vimos também que a ciência ainda não conseguiu explicar satisfatoriamente a queda das maçãs, o brilho das estrelas, o funcionamento dos átomos e o espaço-tempo, e que as duas teorias mais bem-sucedidas da história da física descrevem o universo de maneiras muito diferentes. De um lado está a relatividade geral, formulada por Einstein em 1915, que explica com precisão o macrocosmo, e do outro a mecânica quântica, que rege o comportamento das partículas elementares, dos átomos e das forças que atuam no microcosmo. A questão é que elas descrevem o universo de maneiras muito diferentes.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
O ato de 7 de Setembro em Brasília virou um "palanque de constrangimentos" em meio à crise institucional no STF, visto que a comemoração do Dia da Independência reuniu os presidentes dos Três Poderes e expôs tensões entre autoridades.
Todos os ministros da Corte foram convidados. No ano passado, eles não compareceram devido ao julgamento de Bolsonaro; neste, apenas Edson Fachin, presidente do Supremo, deu o ar de sua graça.
Além de Lula e de Fachin, marcaram presença os presidentes da Câmara e do Senado. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, está às turras com o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas ambos subiram, embora não se tenham cumprimentado.
Alcolumbre também está em pé de guerra com o chefe da PF, após seu nome ter sido suscitado em um relatório apócrifo da inteligência que serviu de base para o pedido de investigação do ministro André Mendonça pelo colega Alexandre de Moraes, que vivem uma guerra aberta devido ao caso Master.
O cenário reforçou o caráter excepcional do evento, ocorrido num momento em que o Supremo vive "uma crise institucional inédita", com contornos políticos em meio à disputa eleitoral na qual o molusco eneadáctilo tenta a reeleição. Aliás, houve uma assessoria jurídica para que não houvesse nenhuma extrapolação que pudesse ser depois motivo de ação na justiça eleitoral contra a campanha do xamã petista.
Na relatividade geral, a gravidade não é uma força convencional, mas uma deformação da própria geometria do espaço-tempo; na mecânica quântica, todas as interações são descritas em termos de partículas e campos quânticos sujeitos a probabilidades e flutuações aleatórias. O problema surge quando se tenta aplicar simultaneamente as duas teorias em ambientes extremos — como o interior de um buraco negro ou os instantes iniciais do Big Bang. Nesse contexto, as equações entram em conflito, como se dois mapas perfeitamente corretos da mesma cidade deixassem de coincidir quando colocados um sobre o outro.
Considerando que o universo é um só, seria de supor que uma única descrição fundamental explicasse todos os seus fenômenos. Como a natureza parece obedecer a duas coleções diferentes de regras dependendo da escala observada, os cientistas buscam desenvolver uma "Teoria de Tudo", que seja capaz de unificar todas as forças da natureza e explicar simultaneamente o mundo do infinitamente grande e do infinitamente pequeno.
A Teoria de Tudo seria o equivalente científico do Santo Graal, da Pedra Filosofal e do mapa do tesouro na mesma escavação arqueológica. Todavia, a despeito dos bilhões de dólares investidos e de algumas das mentes mais brilhantes da história envolvidas na busca, essa teoria ainda não foi encontrada. Mas isso não impediu os físicos de produzirem hipóteses extraordinárias em escala industrial, como veremos no próximo capítulo.
Antes de encerrar, relembro que as viagens no tempo são o fruto mais cobiçado (e ainda não alcançado) da árvore da relatividade, e que não faltam teorias sobre voltar no tempo como nos filmes de ficção científica. No entanto, faltam respostas para muitas perguntas sobre a verdadeira natureza do tempo: será que ele existe realmente ou é apenas um artifício criado quando nossos antepassados perceberam padrões no amanhecer e no anoitecer, nas fases da Lua e nas mudanças sazonais. Mal comparando, seria como aprender a dirigir automóveis quando existiam somente carroças de tração animal.
Como bem observou o filósofo austro-britânico Ludwig Wittgenstein, os problemas filosóficos surgem quando a linguagem sai de férias. A física pode ser um excelente exemplo disso: ao longo do último século, palavras familiares como tempo, existir e atemporal foram reaproveitadas em contextos técnicos sem que se examinasse o significado que elas carregam na linguagem cotidiana, levando a uma confusão generalizada sobre o que esses termos realmente significam.
Na filosofia da física, particularmente em uma visão conhecida como eternalismo, a palavra "atemporal" dá a ideia de que o tempo não flui nem passa, que todos os eventos são igualmente reais dentro de uma estrutura quadridimensional conhecida como Universo em bloco. Mas se tudo o que acontece ao longo da eternidade é igualmente real e todos os eventos já estão lá, o que realmente significa dizer que o espaço-tempo existe?
Para entender essa questão, é preciso ter em mente que "existência" é um modo de ser e "ocorrência", de acontecer. Imagine que há um elefante ao seu lado. Você provavelmente diria “o elefante existe”, e poderia descrevê-lo como um objeto tridimensional. Agora imagine um elefante puramente tridimensional que aparece na sala por um instante e desaparece como um fantasma. Esse elefante não existe realmente no sentido comum, mas simplesmente acontece.
Um elefante existente perdura ao longo do tempo, e o espaço-tempo cataloga cada momento de sua existência como uma linha de universo quadridimensional. Já o elefante imaginário que acontece é apenas uma fatia espacial desse tubo; um momento tridimensional. Mas e o espaço-tempo? Será que ele perdura, tem seu próprio conjunto de momentos “agora”, ou é apenas a variedade de todos os eventos que acontecem ao longo da eternidade?
Se imaginarmos que todos os eventos ao longo da história “existem” dentro do Universo em bloco, então poderíamos perguntar: quando o próprio bloco existe? Se não se desenrola nem muda, ele existe atemporalmente? Se sim, então estamos sobrepondo outra dimensão do tempo a algo que deveria ser atemporal no sentido literal.
Para entender isso melhor, imagine uma estrutura de cinco dimensões, sendo três espaciais e duas temporais. Em tese, o segundo eixo temporal permite dizer que o espaço-tempo quadridimensional existe exatamente da mesma forma que normalmente pensamos que um elefante na sala existe dentro das três dimensões do espaço que nos rodeiam — que catalogamos como espaço-tempo quadridimensional.
Nesse ponto, saímos da física estabelecida, que descreve o espaço-tempo apenas através de quatro dimensões e somos levados a outro problema: falar sobre o que significa a existência do espaço-tempo sem reintroduzir o tempo por uma porta conceitual que a física não reconhece é como tentar descrever uma música que existe de uma só vez — sem jamais ser tocada, ouvida ou desdobrada no tempo —, ou querer saber o que existe ao norte do Polo Norte.
do livro BLOGS&WEBSITES da minha saudosa COLEÇÃO GUIA FÁCIL INFORMÁTICA —, sopra hoje sua vigésima velinha. Todavia, tendo vista a conjuntura geral e as eleições de outubro em particular, não vejo motivo para grandes comemorações.
Continua...



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