Viver para sempre é uma obsessão quase tão antiga quanto a própria humanidade. Dos alquimistas em busca do elixir da vida às modernas pesquisas sobre longevidade, a ideia de escapar da morte nunca deixou de nos fascinar. Mas e se a física sugerisse — ainda que apenas em teoria — uma maneira curiosa de colocar essa possibilidade à prova?
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
Referindo-se ao ex-presidiário Lula e ao filho do golpista ora presidiário, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado disse que "tanto faz roubar com a mão esquerda ou com a direita: é ladrão do mesmo jeito". Apurados os votos para presidente, terminou o primeiro turno em quinto lugar. Ato contínuo, declarou seu apio incondicional à candidatura de Flávio Bolsonaro, como se trocasse a patrulha ideológica pela picaretagem ideológica.
O vaivém do ex-governador de Goiás mostra que sua primeira grande contribuição ao Brasil em 2026 foi não passar para o segundo turno. A adesão a quem "rouba com a mão direita" é sua segunda contribuição, pois acabou dando razão aos eleitores que preferiram não votar nele. Gilberto Kassab, vice na chapa de Caiado e presidente do PSD, tomou distância. Empurrou o partido para a "neutralidade". Os filiados estão livres para se compor com a mão direita ou com a esquerda.
O favoritismo de Flávio Bolsonaro ainda não acendeu uma luz no fim do túnel, mas já se vê o pus. O filho do pai celebrou o novo Congresso, "muito mais à direita". estimou que, eleito, terá maioria para eleger os presidentes da Câmara e do Senado e disse duas coisas definitivas: quer "mudar a Constituição" para "redemocratizar esse país". Mas não definiu muito bem as coisas.
Exposta de forma genérica e superficial, a reforma constitucional se parece com um trem fantasma: a locomotiva solta fumaça no programa de governo protocolado pela campanha na Justiça Eleitoral, e "redemocratizar", no texto, vira um eufemismo para esvaziar os poderes do Supremo.
O filho do refugo da escória da humanidade deseja restringir as decisões monocráticas de ministros do Supremo, deslocar o julgamento criminal de parlamentares e autoridades do STF para instâncias inferiores, deixando a mais alta corte do país encarregada simplesmente de questões constitucionais — e olhe lá! O plano sugere restringir o acesso de determinados atores políticos — partidos de oposição, por exemplo — às ações que permitam contestar no Supremo a constitucionalidade de leis e atos governamentais.
O candidato parece buscar na crise institucional do Supremo um pretexto para a revanche do bolsonarismo. Não quer reformar, mas deformar a democracia. Juntos, Executivo e Legislativo seriam um peso sem contrapeso.
O clã Bolsonaro ainda não conquistou um segundo mandato, mas o primogênito do capitão já colocou o trem fantasma da crise institucional nos trilhos.
Inspirado na Interpretação dos Muitos Mundos, o chamado Suicídio Quântico é um experimento mental que imagina um dispositivo capaz de acionar uma arma sempre que um determinado evento quântico ocorrer. Como esses eventos são genuinamente probabilísticos, existe uma probabilidade de sobrevivência e outra de morte. Pela interpretação tradicional da mecânica quântica, cedo ou tarde o experimento chega ao fim. Na proposta de Hugh Everett III, porém, ambos os resultados continuam existindo, cada um em um ramo diferente da realidade.
Essa ideia nasceu em 1957, quando Everett propôs uma interpretação radical da mecânica quântica. Em vez de admitir que a função de onda "colapsa" no instante da medição, ele sugeriu que todas as possibilidades previstas pelas equações permanecem existindo simultaneamente, cada uma em seu próprio universo. Se essa interpretação estiver correta, uma decisão aparentemente banal — aceitar ou recusar um emprego, atravessar a rua agora ou alguns segundos depois — faria surgir universos paralelos nos quais cada uma dessas escolhas continua seu próprio caminho, sem jamais voltar a se encontrar.
Aplicada ao experimento, essa hipótese produz uma consequência desconcertante. Sempre que o dispositivo é acionado, o Universo se divide em dois ramos: em um deles a arma dispara; no outro, permanece inerte. Para um observador externo, ambas as histórias continuam existindo. Daí nasce a provocativa hipótese da chamada imortalidade quântica: haveria sempre algum ramo da realidade em que o observador permanece vivo.
É justamente aí que começam os problemas filosóficos. Sobreviver em um universo paralelo significa realmente continuar existindo? Trata-se da mesma consciência ou apenas de outra versão de nós mesmos, inacessível para sempre? Se infinitas cópias seguem caminhos diferentes, qual delas pode reivindicar ser o "eu" verdadeiro?
Perceba que o interesse desse experimento nunca esteve em encontrar uma receita para vencer a morte. Seu objetivo é muito mais modesto — e, ao mesmo tempo, muito mais profundo: explorar as consequências lógicas de uma interpretação da mecânica quântica e nos obrigar a repensar conceitos como identidade, consciência, realidade e existência.
Experimentos mentais acompanham a ciência há séculos. Einstein imaginou cavalgar sobre um raio de luz antes de formular a Relatividade Especial. Schrödinger concebeu seu célebre gato para evidenciar os paradoxos da mecânica quântica. O Suicídio Quântico pertence exatamente à mesma tradição: não procura demonstrar fatos, mas revelar até onde uma teoria pode nos levar quando seguimos sua lógica até as últimas consequências.
Alguns divulgadores científicos recorrem a metáforas para tornar essa ideia mais intuitiva. O canal Wendover Productions, por exemplo, imagina uma sala equipada com uma arma nuclear controlada por um evento quântico. Neil deGrasse Tyson costuma explicar a Interpretação dos Muitos Mundos dizendo que cada decisão cotidiana abre novos caminhos da realidade — o emprego que aceitamos, o ônibus que perdemos ou a pessoa que decidimos conhecer. Em algum lugar, segundo essa hipótese, todas essas histórias continuam acontecendo.
O paralelo com a roleta russa é inevitável. Se um determinado evento quântico ocorrer, a arma dispara; caso contrário, ela permanece silenciosa. Daí o nome Suicídio Quântico. Mas, como observa o portal ScienceAlert, isso implica também que "em algum universo paralelo estamos morrendo de forma dolorosa muitas e muitas vezes". É justamente por isso que a ideia deve permanecer onde nasceu: no terreno da especulação filosófica e da imaginação científica.
A física talvez jamais descubra um caminho para a imortalidade. Em compensação, ela continua demonstrando com admirável frequência que nossas maiores certezas costumam ser apenas aproximações provisórias da realidade.
Então, por mais que você tenha facilidade para encontrar urânio enriquecido — ou uma arma nuclear esquecida na garagem —, resista à tentação de colocar essa hipótese à prova. Algumas ideias nasceram para ampliar nossa imaginação, não para reduzir nossa expectativa de vida.



