Einstein criava um filme na cabeça - se imaginar correndo ao lado de um raio de luz, ou caindo dentro de um elevador sem peso, por exemplo - e deixava essa imagem amadurecer por semanas, meses, ou mesmo anos (o elevador, aliás, o acompanhou por quase uma década antes de virar a relatividade geral, em 1915). Era uma imersão profunda e depois um descanso deliberado, confiando que o subconsciente ia fazer as conexões. Só depois a matemática entrava para traduzir a intuição.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA
O caminho para o inferno brasileiro começou a ser pavimentado depois que Deus transformou o Caos em ordem, criou o dia e a noite, separou as terras das águas, criou as plantas, as aves, os peixes e então cometeu a maior de todas as burradas.
Mais adiante, acusado de protecionismo por conta do tratamento dispensado à porção global que se tornaria o Brasil, o Criador sentenciou: "Vocês vão ver o povinho de merda que eu vou colocar lá".
Dito e feito: desde a redemocratização — com exceção de 1994 e 1998 —, o tal povinho de merda vem fazendo por ignorância, a cada eleição, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade.
Acreditando que insistir no erro uma hora produzirá um acerto, essa récua de muares tem elegido governantes demagogos e populistas em troca de promessas vazias que minaram a igualdade de oportunidades e arruinaram a meritocracia. Os resultados dessas escolhas são um Estado ineficiente, caro e disfuncional e a predominância do capitalismo de Estado.
Se a missão da geração passada foi restaurar a democracia, a da atual é garantir que o Brasil volte a crescer de maneira sustentável. Mas isso só acontecerá se o deplorável eleitorado tupiniquim não deixar a política nas mãos de populistas, que esgrimem as "virtudes" do nacional-estatismo, tratam a economia de mercado como um mal necessário e sabotam a competitividade econômica.
Crescimento econômico sustentável não traz votos no curto prazo, mas ajuda a recuperar a esperança em um país melhor para as próximas gerações.
Tesla era o oposto do físico alemão. Ele tinha uma espécie de laboratório mental onde construía uma turbina inteira, deixava rodar por semanas e depois desmontava para ver qual peça havia se desgastado. Era experimentação pura, mas sem gastar material: construir, falhar, iterar, tudo na cabeça, até o protótipo físico já nascer quase perfeito. Por isso ele focava tanto no "funciona no mundo real?" e não só no "faz sentido na teoria?" (vale um parênteses: essa cena vem da autobiografia do próprio Tesla, e ele não era exatamente um narrador modesto - mas o relato é coerente com o que se sabe de sua memória eidética e sua capacidade incomum de visualização espacial, então a lenda aqui parece ter fundamento).
Feynman era obcecado por clareza. Sua regra era: se você não consegue explicar algo complexo para uma criança de 8 anos, você não entendeu de verdade. Então ele pegava a mecânica quântica, que é absurdamente contraintuitiva, tentava simplificar ao extremo e procurava falhas no próprio entendimento. É o que hoje chamam de Técnica Feynman - um nome e um método em passos que vieram depois, cunhados por quem estudou seu jeito de pensar, não por ele mesmo - mas que capturam bem o espírito: aprender ativamente ensinando.
O mais curioso é que isso não é um dom, mas uma pura questão de treino. E você pode roubar um pouco de cada quando se deparar com um problema — transformá-lo num desenho ou diagrama como Einstein, fazer um mini-experimento para testá-lo como Tesla e tentar explicar sua solução com palavras simples, como Feynman.




