quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

De volta ao upgrade (2ª parte)

Uma vez que o processador é o “cérebro” do computador, é comum os usuário imaginarem que basta substituí-lo por um modelo mais poderoso para obterem uma expressiva melhoria no desempenho global da máquina – o que faz sentido, pelo menos em tese (na prática, todavia, a teoria é outra).
Para entender isso melhor, seria interessante recuarmos no tempo até a década de 70 – quando surgiram os jurássicos 4040, 8008, 8080 e 8086 – e retornarmos paulatinamente, dedicando algumas linhas aos 286, 386, 486, e assim por diante, até chegarmos aos sofisticados modelos atuais, com seus dois, três e quatro núcleos. No entanto, considerando o escopo e as possibilidades desta postagem, vamos deixar essas firulas para outra oportunidade.
Nos primórdios da computação pessoal, a CPU vinha soldada nos circuitos da placas-mãe; mais adiante, os projetistas de hardware resolveram conectá-la à placa através de um soquete, e com isso abriram as portas para o upgrade – que se tornou extremamente popular na década de 90, com o festejado “socket7”, que suportava uma vasta gama de processadores, inclusive de fabricantes diferentes.

Como “não há mal que sempre dure ou bem que nunca termine”, o acirramento da disputa entre a Intel e a AMD propiciou o surgimento de novas arquiteturas e tecnologias que deram origem a chips cada vez mais velozes. Por outro lado, essa evolução fez aumentar expressivamente a interdependência entre o processador, o chipset e o subsistema de memória (o “trio-calafrio”, como diz meu parceiro e amigo Robério), limitando, conseqüentemente, as possibilidades de upgrade.

Observação: Lá pela virada do século, quando a Intel lançou o P4 para combater os Athlon da arqui-rival AMD, o único chipset que lhe oferecia suporte era o i850, da própria Intel, que exigia módulos de memória RIMM (da malfadada e cara tecnologia RAMBUS) e elevava consideravelmente o preço final do produto.

Diante do exposto, fica fácil entender por que a troca da CPU pode requerer, concomitantemente, a substituição da placa-mãe e dos módulos de memória (que dependem essencialmente do FSB do processador e das opções suportadas pelo chipset da placa). E como todo upgrade que se preze deve ser economicamente viável, quem estiver pensando em adequar uma máquina antiga às exigências do Windows 7, por exemplo, deve ter em mente que “o molho pode sair mais caro do que o peixe”.
Embora pareça um contra-senso, os melhores candidatos a upgrade de processador não são os PCs mais antigos, mas sim os de fabricação relativamente recente. Se você montou (ou comprou) seu computador há uns dois ou três anos, com uma CPU na casa dos 1.5 GHz, obterá ganhos consideráveis de performance simplesmente substituindo o chip por outro da mesma “família”, mas com o dobro da velocidade; na época, talvez ele custasse os olhos da cara, mas agora deve estar bem mais barato, face ao constante lançamento de novas versões.
Por outro lado, uma máquina fabricada lá pela virada do século – época áurea dos Pentium – fica limitada aos PIII da última safra (com freqüência de 1 GHz, ou um pouco mais). Dentro da mesma arquitetura – como a dos Intel Celeron/Pentium II e III e AMD Duron/Athlon, por exemplo – CPUs diferentes, mas de séries vizinhas, costumam utilizar o mesmo soquete. Todavia, caso sua idéia seja migrar de um PIII para um P4, as modificações serão bem mais abrangentes, sem mencionar que talvez não seja fácil encontrar os componentes e, se você os encontrar, o preço pode não ser nada razoável.

Observação: Embora ainda existam PCs 286/386 ativos e operantes, essas “relíquias” são como carros de coleção: bonitos de se ver numa exposição, mas totalmente e inadequados ao uso quotidiano.

Para concluir, vale dizer que o upgrade de processador segue basicamente os mesmos passos sugeridos para o de memória (postagem anterior): além de saber qual a CPU que equipa seu aparelho, você precisará identificar a marca e modelo da placa-mãe e as opções que o respectivo chipset permite instalar.
Além do preço do chip – e do cooler, já que o mercado informal geralmente não comercializa versões “boxed” –, considere também o custo da mão de obra do técnico (a menos que você seja um usuário avançado e se sinta capacitado a fazer esse delicado serviço por conta própria). Feito isso, compare o resultado com o preço de uma máquina nova: se a coisa passar de 40%, o melhor é esquecer o assunto.
Amanhã a gente conclui.
Abraços e até lá.
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