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sexta-feira, 22 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 107ª PARTE — UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

TUDO PARECE IMPOSSÍVEL ATÉ QUE SEJA FEITO.

Como foi dito ao longo dos mais de 100 capítulos desta sequência sobre viagens no tempo, o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade ainda não foi colhido porque exige viajar a uma velocidade próxima à da luz ou transpor um buraco de minhoca atravessável.


Para levar qualquer partícula com massa à velocidade máxima possível no Universo, um grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra" — estrutura teórica que poderia transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. O problema é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarram num empecilho elementar: ainda não sabemos produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades de energia negativa.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Um senador pedindo dinheiro ao operador de escandalosa fraude financeira, a quem trata de "irmão", é tudo menos uma transação corriqueira "de um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai". A conversa abre o baú de esqueletos com potencial de mudar o rumo desta eleição, pois evidencia a relação de proximidade de um candidato a presidente com um personagem cujos golpes envolvem dinheiro público, a quem ele cobra colaboração para a produção de uma peça de propaganda milionária, a ser usada em sua campanha eleitoral.
Não há nada de privado nisso. Há, sim, o flagrante de agressão ao interesse público no qual se inscreve, além do descrito acima, o fato de o pretendente a comandar a nação ter mentido aos correligionários e, sobretudo, aos que até agora o indicavam como favorito nas pesquisas de intenções de votos. O impacto negativo na candidatura está posto, faltando apenas medir a extensão do estrago para esclarecer se o filho do golpista consegue se livrar do enrosco, se terá de sair de cena da disputa presidencial ou se prosseguirá mesmo tendo de arrastar essa corrente.
A rapidez com que companheiros do PL consideraram o tiro como mortal, a reação fragiliza a retaguarda do candidato e cria um rombo na estratégia de defesa já prejudicada pela negativa inicial seguida pelo desmentido nos áudios. Sendo o destino moleque travesso, o pai que lhe assegura ascensão com o capital do sobrenome o coloca na contingência de um tombo fatal.


Vale relembrar que a massa aumenta com a velocidade, torna-se infinita na velocidade da luz (representada pela letra "c" e equivalente a cerca de 1,08 bilhão de km/h) e requer energia igualmente infinita para continuar acelerando. Os efeitos da dilatação do tempo só são sensíveis em velocidades próximas a "c". A 99,999% dessa velocidade, um corpo fica 224 vezes mais pesado; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes; a 99,999999999999999999981%, um segundo no referencial do viajante equivale a 2,5 anos no tempo terrestre, como bem demonstra o paradoxo dos gêmeos. 


Em um cenário mais moderado, chegar a nossa vizinha estelar mais próxima, que dista 4,37 anos-luz da Terra, viajando a 99,9999999% de "c" levaria mais de 4 anos terrestres, mas, no referencial dos astronautas, teriam transcorrido menos de duas horas. Mas a nova proposta de motor de dobra que redesenha a bolha espaço-temporal reacendeu o debate sobre viagens com velocidades próximas a "c".


A proposta envolve uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — que não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas tenta mover a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás.


Assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., o estudo descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A principal mudança do novo modelo está na geometria da bolha de dobra — em vez de concentrar a energia exótica em um único anel circular ao redor da nave, a proposta organiza essa energia em segmentos tubulares separados, posicionados ao redor da fuselagem como naceles. Os autores analisam configurações com dois, três ou quatro segmentos espaçados em torno da bolha, visando manter o interior da espaçonave calmo e plano enquanto a parte externa realiza o trabalho de distorcer o espaço-tempo.


A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise. Harold White afirmou ao The Debrief que essa semelhança “não é meramente estética”, reforçando a tentativa de aproximar a matemática da dobra espacial de algo mais palpável para a engenharia. O ponto central, no entanto, continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. O modelo refina a arquitetura da bolha, mas ainda depende de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.


Como dito acima, a física moderna não admite que uma nave com massa seja simplesmente acelerada até superar a velocidade da luz. Quanto mais perto um objeto chega desse limite, maior é a energia necessária para continuar acelerando, sem que essa exigência se estabilize. Mas os conceitos de propulsão de dobra buscam uma saída diferente. A nave não seria empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. 


A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual a pessoa sobe e, mesmo sem andar mais rápido do que todos ao redor, chega antes porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo. A região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, permitindo que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz. Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas.


Um dos pontos que chama atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. Não basta mover uma espaçonave pelo espaço-tempo; uma missão tripulada também precisa garantir que a região interna não submeta os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as associadas às chamadas forças de maré. Em escala extrema, elas poderiam criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra, tornando inviável a presença humana dentro da nave. Por isso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”: a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida.


Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.. Ela aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, mas ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. A crítica não é apenas tecnológica. Uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que a energia negativa teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.


Também permanece aberta a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que, até onde se sabe, nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa. Esse ponto torna a distância entre a teoria da velocidade da luz e uma nave real ainda mais ampla.


Ainda que o problema da energia seja resolvido, uma bolha de dobra ainda precisa ser iniciada, guiada e interrompida com segurança. Uma análise técnica posterior aponta que, em casos superluminais, a tripulação poderia enfrentar um “problema de horizonte”, ficando incapaz de criar ou controlar a bolha de dentro dela. Outro risco está no comportamento da bolha ao atravessar partículas no espaço. Um estudo de 2012 sugeriu que partículas poderiam ficar presas e acumuladas, liberando energia intensa quando a bolha desacelerasse perto do destino. Esse tipo de efeito transforma a ideia de atalho cósmico em um problema de segurança, já que a bolha não precisa apenas chegar rápido; ela tem de evitar danos à nave, à tripulação e ao ambiente próximo ao ponto de chegada.


A distância entre os métodos atuais e uma viagem próxima à velocidade da luz continua enorme. Loeb observa que foguetes humanos ainda não chegaram a 0,1% de "c", o que mantém a estrela mais próxima a milênios de viagem com a tecnologia de que dispomos atualmente. O impacto mais realista desses estudos, no curto prazo, está em transformar ideias de propulsão de dobra em perguntas testáveis, e um dos desafios é descobrir como detectar uma minúscula distorção artificial do espaço-tempo em laboratório, mesmo em escalas microscópicas.


Também existem pesquisas paralelas buscando alternativas à energia negativa. Erik Lentz propõe soluções de dobra espacial no estilo sóliton usando energia positiva, enquanto outros pesquisadores investigam motores de dobra físicos mais lentos que a luz como ponto de partida mais plausível. Nenhuma dessas abordagens chegou perto de um projeto concreto, mas elas mantêm ativo o debate sobre o que a relatividade geral permite e sobre o que a natureza realmente tolera.


O prazo para que esse tipo de física se transforme em tecnologia útil permanece incerto. Sabine Hossenfelder já apontou que ideias abstratas podem levar “talvez 1.000 ou 5.000 anos” para se tornarem ferramentas práticas, caso isso algum dia aconteça. No estágio atual, a velocidade da luz segue como uma fronteira muito mais teórica do que tecnológica para a exploração espacial. 


A nova proposta melhora a forma de pensar a bolha de dobra, mas o salto entre matemática, energia negativa, controle seguro e viagem real ainda permanece imenso.


Continua...

terça-feira, 1 de setembro de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM... (3ª PARTE)

O CAOS É UMA ORDEM POR DECIFRAR.

De acordo com as equações relativísticas de Einstein, a massa de um objeto aumenta à medida que ele se aproxima da velocidade da luz — que é representada pela letra "c" e equivale a aproximadamente 1.08 bilhão de km/h. A 90% de "c", a massa é 2,3 vezes maior do que em repouso; a 99%, 7 vezes; e a 99,9%, 22 vezes.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Lula já tentou de tudo para deslanchar nas pesquisas, mas, por enquanto, tudo não quis nada com ele, que continua numericamente à frente, porém sentindo o bafo do filho do presidiário no cangote. 

O ex-presidiário ainda acredita que a fé na reeleição pode remover montanhas, mas decidiu empurrar enquanto reza. Há um certo desespero em sua pareceria com com os presidentes do Senado e da Câmara. Até outro dia, Alcolumbre e Motta eram chamados nas redes sociais petistas de "inimigos do povo"; na última quarta-feira, almoçaram com o macróbio no Alvorada e, ato contínuo, anunciaram o destravamento da pauta eleitoral do anfitrião no Congresso. 

Será aprovada na semana que vem a MP que extinguiu a taxa das blusinhas. E devem avançar a proposta que cria a escala de trabalho 5 X 2 e a PEC da Segurança Pública.

Noutros tempos, a parceria seria vista como sinal de força; hoje, é apenas um penúltimo esforço para abrir frestas para boas notícias num noticiário monopolizado pelas traficâncias de Lulinha. 

Depois de desembrulhar bondades eleitorais estimadas em cerca de R$ 200 bilhões, Lula recorre até a aliados da onça para lidar com a montanha que o separa do quarto mandato. Alcolumbre e Motta cobrarão o seu preço.


Na velocidade da luz, mesmo a massa ínfima de uma simples partícula se torna infinita e requer energia igualmente infinita para continuar a acelerar. E como não existe energia infinita em nosso Universo, temos uma barreira física codificada nas próprias leis da realidade, certo? Talvez não. Um grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra", que poderia, em tese, transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. O problema é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarram num obstáculo elementar: ainda não sabemos como produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades dessa energia.


Embora nossa tecnologia tenha evoluído mais nos últimos 200 anos do que desde a invenção da roda à Revolução Industrial, e, por mais que avancemos nas próximas décadas — ou séculos —, dificilmente alcançaremos a velocidade da luz e, consequentemente, conseguiremos cruzar a fronteira que nos separa das estrelas. Mesmo que construíssemos uma nave capaz de alcançar 99% de "c", teríamos de lidar com um fenômeno relativístico conhecido como dilatação do tempo, segundo o qual o tempo desacelera para objetos em movimento em relação a observadores estacionários. Por outro lado, cruzar o Atlântico em pouco mais de 3 horas — como fazia o supersônico Concorde em 2003 — era inconcebível em 1500, quando Cabral levou 44 dias para vir de Portugal a Pindorama, e inimaginável no início do século XX, quando os irmãos Wright e Santos Dumont provaram que um artefato mais pesado que o ar era capaz de decolar, voar e pousar por meios próprios.   


Os hipotéticos tripulantes de uma nave viajando a 99% de "c" rumo a uma estrela a 50 anos-luz de distância demorariam 7 anos para chegar lá, mas 50 anos se passariam no mundo estático que eles haviam deixado para trás. E caso retornassem à Terra, seus contemporâneos estariam mortos e a civilização inteira teria evoluído além do reconhecimento. Mas volto a lembrar que as leis da física criam obstáculos para nos impedir de sair do Sistema Solar. É o caso da nuvem de Oort, que se estende de cerca de 2 mil UAs até 100 mil UAs. Como uma UA equivale a 150 milhões de quilômetros, a fronteira gravitacional do nosso sistema solar fica a quase 1,6 anos-luz do Sol. Viajando a cerca de 60 mil km/h, a sonda Voyager I percorreu em 47 anos apenas 0,002 ano-luz — uma fração minúscula da distância que nos separa dos confins do Sistema Solar. Nessa toada, ela deve levar mais 300 anos para alcançar a borda interna da nuvem de Oort e outros 30 mil anos para transpô-la. 


Diante disso, a pergunta que se impõe é: se não conseguimos sequer escapar do nosso próprio sistema solar, que dirá alcançar outras galáxias? E a resposta é "talvez". Afinal, não há nada como o tempo para passar (vide o que escrevi no terceiro parágrafo sobre Cabral, Santos Dumont e os irmãos Wright), e uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — vem sendo desenvolvida. Ela não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas move a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás. 


Esse estudo, assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise, mas o modelo refina a arquitetura da bolha, embora ainda dependa de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.


O ponto nevrálgico continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. Ainda que as leis da física impeçam que uma mísera partícula contendo massa alcance a velocidade da luz, nos conceitos de propulsão de dobra a nave não é empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual as pessoas que sobem chegam antes das demais não porque correm, mas porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo e a região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, fazendo com que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz. 


Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas, mas um dos pontos que mais chama a atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. No caso de uma missão tripulada, não bastaria mover uma espaçonave pelo espaço-tempo, seria preciso também garantir que a região interna não submetesse os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as chamadas forças de maré, que podem criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra e tornar inviável a presença humana dentro da nave. 


Além disso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”, na qual a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida. Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.


Observação: Energia negativa e matéria exótica são coisas diferentes. A primeira é um efeito quântico específico, e a segunda engloba qualquer substância capaz de gerar repulsão gravitacional. A energia negativa pode ser um tipo de matéria exótica, mas nem toda matéria exótica se baseia exclusivamente em energia negativa.


A energia negativa aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, e ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. E a crítica não é apenas tecnológica: uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que essa energia teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.


Também permanece em aberto a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa, e esse ponto amplia ainda mais a distância entre o conceito de velocidade máxima possível no Universo e uma nave real.


A história da ciência está repleta de ideias que pareciam impossíveis até que novos conhecimentos revelassem caminhos inesperados. A questão é saber se a propulsão de dobra pertence à categoria dos problemas difíceis ou à dos problemas impossíveis. E essa diferença pode levar muito tempo para ser descoberta. Em contrapartida, talvez seja mais fácil viajar no tempo do que para as estrelas. Afinal, a relatividade já permite "viajar para o futuro", embora ainda não tenhamos sido capazes de atravessar nosso próprio quintal cósmico.


Continua…

sexta-feira, 9 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 26ª PARTE

POLÍTICOS CORRUPTOS SÃO COMO MERCADOS DE PEIXE, COM CUJO MAU CHEIRO OS ELEITORES, INCOMPETENTES E DESPREPARADOS, LOGO SE ACOSTUMAM.

 

Para manter um buraco de minhoca atravessável seria preciso que uma forma exótica de matéria exercesse pressão negativa suficiente para impedir que as paredes do "túnel" colapsassem sobre si mesmas e desabassem em um buraco negro. Alguns efeitos quânticos produzem energia negativa em pequenas escalas — caso do Efeito Casimir e do Princípio da Incerteza de Heisenberg —, mas extrapolar isso para o nível macroscópico e acumular uma quantidade suficiente dessa energia para estabilizar o "atalho cósmico" é um enorme desafio teórico e tecnológico.

Observação: Energia negativa e matéria exótica são coisas diferentes.  A primeira é um efeito quântico específico, e a segunda engloba qualquer substância capaz de gerar repulsão gravitacional. Assim, a energia negativa pode ser um tipo de matéria exótica, mas nem toda matéria exótica se baseia exclusivamente em energia negativa.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Há na pauta da Câmara vários projetos relevantes, como a regulamentação das redes sociais, a definição de regras para o uso da IA, a previdência dos militares e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. No entanto, desde o retorno do recesso de fim de ano, os parlamentares desperdiçam suas energias com um debate vexatório sobre a anistia aos golpistas. Eis senão quando os brasileiros são pegos de surpresa pela criação de 18 vagas adicionais na Câmara.
Em agosto de 2023, a pedido do Pará, o STF ordenou que o número de deputados federais por unidade federativa fosse revisto para adequar a representação ao aumento populacional captado pelo Censo Demográfico de 2022. 
A readequação poderia ser feita por meio da redistribuição das atuais 513 vagas entre os 26 estados e o Distrito Federal. Nessa hipótese, sete estados teriam um número menor de deputados, entre eles a Paraíba do presidente da Câmara, Hugo Motta, que perderia duas vagas. Optou-se pela solução mais cara. 
Alega-se que o custo adicional — R$ 64,4 milhões — será absorvido pelo orçamento da própria Câmara. Balela: cada deputado dispõe de uma cota de R$ 38 milhões em emendas orçamentárias; com 18 novas cadeiras, serão mais R$ 684 milhões em emendas, totalizando uma despesa extra de R$ 748,6 milhões por ano. 
A mudança foi aprovada por 270 votos a 207. A lista de votação está disponível na Internet. Em 2026, vote nas putas. Como se vê, votar nos filhos delas não resolve.

Mesmo um buraco de minhoca mantido aberto com matéria exótica poderia sofrer instabilidades que fariam sua garganta se fechar rapidamente. A própria presença de observadores dentro do túnel poderia amplificar as flutuações quânticas, levando ao colapso da estrutura. Ainda que a física teórica admita a possibilidade de existirem buracos de minhoca atravessáveis, a prática não oferece maneiras de construí-los. Mas Einstein não disse que o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário?
 
O físico teórico Kip Thorne e seus colegas do Caltech acreditam que, se um buraco de minhoca pode ser criado, ele também pode ser transformado em uma máquina do tempo. Para isso, uma de suas extremidades precisaria ser rebocada até uma estrela de nêutrons e colocada perto de sua superfície. A intensa gravidade da estrela tornaria o tempo mais lento próximo à abertura, criando uma diferença temporal entre as duas bocas que aumentaria gradualmente. Se essa diferença fosse de dez anos, alguém que atravessasse o túnel sairia pelo outro lado dez anos no futuro, e ao fazer o caminho inverso, esse alguém voltaria ao passado, chegando antes mesmo de ter partido — mas não poderia retornar a um ponto anterior à criação do buraco de minhoca.
 
A existência de buracos de minhoca ainda não foi comprovada, mas os buracos negros permaneceram por décadas no campo das especulações até serem finalmente detectados e fotografados. Assim, se os buracos de minhoca realmente existirem e forem tão comuns quanto as estrelas — como sugerem diversos astrofísicos —, detectá-los pode ser apenas uma questão de... tempo.
 
Observação: É possível que civilizações alienígenas avançadas tenham se valido de buracos de minhoca para visitar a Terra em diversos momentos da história e ajudando na construção das pirâmides de Gizé, de Stonehenge, das linhas de Nazca e de outras obras monumentais que, com a tecnologia disponível na época, seriam tão implausíveis quanto a criação do mundo segundo o Gênesis. Aliás, se você não acredita em aliens, não deixe de ler esta sequência.  
 
Mesmo que as limitações tecnológicas sejam superadas, construir uma máquina do tempo abriria uma verdadeira caixa de Pandora de paradoxos causais. Se um viajante volta no tempo para um momento anterior ao nascimento de seu pai e mate seu avô paterno, ele não nasceria e, portanto, não poderia viajar ao passado para matar o avô. No entanto, a despeito de existirem restrições ao que se pode fazer no passado, a coerência causal não impede as viagens no tempo.
 
Mesmo sem paradoxos, viajar no tempo pode gerar situações estranhas. Suponha que alguém dê um salto de um ano para o futuro, leia um artigo na Scientific American sobre um novo teorema matemático, anote os detalhes e volte ao presente para ensiná-lo a um matemático, que escreve um artigo sobre o assunto para a mesma revista. Surgem então algumas questões intrigantes: De onde veio a informação sobre o teorema? Ele simplesmente surgiu do nada? O viajante apenas leu sobre ele, e o autor do artigo apenas recebeu a informação do viajante?

terça-feira, 18 de novembro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 55ª PARTE

NÃO SABENDO QUE ERA IMPOSSÍVEL, FOI LÁ E FEZ.

Os hipotéticos buracos de minhoca — também conhecidos como pontes Einstein-Rosen — são tidos como "atalhos cósmicos". Supostamente localizados nas proximidades ou no fundo dos buracos negros, eles interligam dois pontos distantes, neste ou em outro Universo, no presente ou em outro momento da linha do tempo.

 

Mais de um século antes de os buracos negros emergirem das soluções de Schwarzschild para as equações relativísticas de Einstein, o cientista inglês John Michell propôs a existência de "estrelas escuras" (em 1783). O astrônomo francês Pierre-Simon de Laplace publicou conclusão similar em seu livro Exposition du Système du Monde (1796), mas o primeiro exemplar somente foi fotografado pelo Horizon Telescope em 2019. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A investigação sobre o assalto de R$6 bilhões contra os velhinhos aposentados ainda nem terminou e já surge no noticiário outra perversão: o endividamento de crianças. Adultos contraíram cerca de R$12 bilhões em empréstimos consignados em nome de menores que deveriam proteger. 

Portadora da Síndrome de Down, a menina Clara, de sete anos, recebe auxílio de um salário mínimo e está pendurada no consignado com uma dívida de R$38 mil, contraída por uma tia materna que detinha sua guarda legal.

A contratação de empréstimos por pais, curadores, tutores ou procuradores das crianças foi autorizada pelo INSS em 2022, sob Bolsonaro. As instituições financeiras poderiam ter soado o alarme, mas não costumam mexer no time que está perdendo no INSS. Assim, a aberração sobreviveu à chegada de Lula e só foi interrompida há quatro meses — não por opção do governo, mas por ordem da Justiça. 

A melhor maneira de prever o futuro de um país é observando o modo como trata seus velhos e suas crianças. Não é à toa que o Brasil se tornou o mais antigo país do futuro do mundo.

 

Os buracos de minhoca seguem envoltos nas brumas da especulação, mas, como já aconteceu várias vezes na astrofísica, o que vale hoje pode ser refutado amanhã. A fusão nuclear, por exemplo, foi considerada uma reação exclusiva do Sol até a detonação da primeira bomba de hidrogênio liberar energia equivalente a 10 megatons de TNT. 


Einstein revolucionou a física ao demonstrar que o espaço e o tempo formam uma estrutura única e indissociável (espaço-tempo), que tudo é relativo no Universo (com exceção da velocidade da luz), e que o tempo desacelera conforme a velocidade do observador aumenta — como bem ilustra o paradoxo dos gêmeos. 

 

Os fótons viajam no vácuo a cerca de 300.000 km/s por serem partículas de luz e não possuírem massa. Partículas com massa exigem quantidades crescentes de energia para acelerar, e sua massa tende ao infinito na velocidade da luz, exigindo energia igualmente infinita para continuar acelerando. Curiosamente, os táquions nascem superluminais, ganham velocidade à medida que perdem energia e se movem no sentido inverso ao da seta do tempo. Quando eles se movem — e eles sempre se movem mais rápido que a luz —, sua energia e seu momento são reais e positivos, mesmo que sua massa de repouso seja imaginária. Isso é matematicamente possível porque as transformações relativísticas envolvem fatores que "cancelam" a natureza imaginária da massa quando a velocidade supra a da luz. 


Os táquions ainda não foram observadas experimentalmente, mas pesquisadores da Universidade de Varsóvia propuseram uma extensão da teoria relatividade especial para explorar sua possível existência. Se ela for confirmada, eles violariam o Princípio da Causalidade, dando azo a paradoxos tão complexos quanto o do Avô e exigindo a reformulação das Transformações de Lorentz. Mas isso é outra história e fica para uma outra vez.

 

A sonda espacial mais rápida lançada pela NASA atingiu 692 mil km/h em dezembro do ano passado. Essa velocidade equivale a 0,064% da velocidade da luz, e é suficiente para ir da Terra à Lua em menos de uma hora e ao Sol em cerca de 10 dias. No entanto, uma viagem até Gaia BH1 — o buraco negro mais próximo da Terra — levaria cerca de 2,5 milhões de anos. Talvez haja um buraco de minhoca por lá, mas não temos como enviar uma missão tripulada para conferir, até porque os efeitos da dilatação temporal só são significativos em velocidades próximas à da luz, e nossa hipotética espaçonave precisaria se mover a 99,9999999999% dessa velocidade para que a viagem de quase dois milhões e meio de anos (pelo tempo terrestre) durasse alguns minutos para os astronautas. 

 

Supondo que essa viagem fosse possível e que existisse um buraco de minhoca em Gaia BH1, seria necessária uma quantidade imensa de matéria exótica (com densidade de energia negativa) para mantê-lo atravessável. E não se sabe se esses "túneis" atraem matéria por uma boca e a devolvem pela outra ou se ambas as bocas apenas "engolem", prendendo a matéria ficaria num loop insano até destruí-la no ponto central.

 

Observação: Matéria exótica é um termo usado na física teórica para descrever substâncias com propriedades incomuns, como densidade de energia negativa ou massa negativa — capazes de gerar efeitos gravitacionais repulsivos. Já a "matéria escura" é uma forma invisível de matéria que interage gravitacionalmente, mas não emite luz nem possui, até onde se sabe, propriedades exóticas. Um exemplo clássico de energia negativa é o Efeito Casimir, descoberto em 1948, segundo o qual a densidade de energia em certas regiões do espaço pode ser menor que a do vácuo. 

 

Alguns cientistas acreditam que, em determinadas situações, os efeitos gravitacionais extremos e a geometria complexa do espaço-tempo no interior dos buracos de minhoca fariam com que a viagem demorasse mais do que se fosse feita diretamente pelo espaço. Ir da Terra a Marte, coisa que a sonda Mars Insight fez em menos de 6 meses, poderia levar mais de 50 anos através de um hipotético buraco de minhoca. 

 

Não é de hoje se busca harmonizar os buracos de minhoca com a física quântica. Uma proposta intrigante sugere que esses túneis e o emaranhamento quântico estão ligados pela equação ER = EPR — em que ER se refere às pontes de Einstein-Rosen e EPR, ao paradoxo de Einstein-Podolsky-Rosen. Em outras palavras, o emaranhamento quântico e os supostos atalhos cósmicos seriam duas manifestações distintas de um mesmo fenômeno físico fundamental. 

 

Tudo isso pode parecer roteiro de filme de ficção científica, mas não se pode perder de vista que inúmeras teorias revolucionárias — como a do heliocentrismo, da desinfecção, da imunoterapia e da deriva continental — foram vistas como delírios até que o tempo provasse que elas estavam certas.

Continua...