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sexta-feira, 13 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 84ª PARTE

SOMOS TODOS VIAJANTES DO TEMPO.

Antes da ciência, a mitologia tentava explicar o mundo e tudo o que nos cerca. Na mitologia grega, Cronos era conhecido por devorar seus filhos, deu origem ao termo cronológico, que usamos para situar os acontecimentos na linha do tempo. Para os hindus, a imagem de Shiva dançando representa o próprio universo: nos cabelos da divindade, um crânio e uma lua nova simbolizam a morte e o renascimento; numa das mãos, o tambor do tempo tiquetaqueia à medida que exclui o conhecimento daquilo que é eterno; na outra mão, uma chama queima o véu do tempo, abrindo a mente humana para a eternidade. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Luiz Inácio Falou, Luiz Inácio avisou: “São 300 picaretas com anel de doutor”. Os mais jovens talvez não conheçam, mas esse é o refrão de uma música dos anos 1990, da banda Paralamas do Sucesso

Luiz Inácio é Lula, que, à época, achava que o Congresso era composto por “Uma maioria de 300 picaretas”. Como nada é tão ruim que não possa piorar, hoje são bem mais do que três centenas, e o outrora suposto adversário dos 300 picaretas tornou-se um de seus principais cúmplices.

Dias atrás, em “defesa indefensável” de Dias Toffoli — que, dentre outras bizarrices jurídicas, aceitou a relatoria de um inquérito do qual é parte interessada, portanto, suspeita —, o ministro Flávio Dino justificou: “Sou STF Futebol Clube”. Ou por outra: pouco importa o que esteja em questão, o amigão do amigo de meu pai — isto é, Dino e Lula — estará sempre, incondicionalmente, ao lado da sua corporação. Não só ele, claro. Em nota oficial assinada por todos os ministros, inclusive o “suspeito”, o recado foi cristalino.
Dados obtidos a partir da quebra de sigilo bancário de Lulinha indicam que apenas uma de suas contas movimentou R$ 19,3 milhões entre 2022 e 2025, e que R$ 721,3 mil forma transferências pelo próprio Lula.
Investigado por uma suposta ligação societária com o “Careca do INSS”, o "menino de ouro" afirmou através de seus advogados que o vazamento de documentos sigilosos configura “crime grave”, que não teve acesso ao material divulgado, que seu cliente não tem relação com as fraudes investigadas pela comissão, e que levará o caso às autoridades competentes. Procurado, o Palácio do Planalto não se manifestou sobre o caso.
Na esteira do que já havia feito em relação à empresária Roberta Luchsinger, também investigada pela CPI, Flávio Dino suspendeu o envio de dados de Lulinha para a comissão parlamentar, que deverá realizar uma nova votação sobre as quebras de sigilo de todos os alvos atingidos pela decisão tomada no fim de fevereiro. 
Resta saber se a pizza será calabresa, portuguesa ou marguerita. 
Façam suas apostas.

Essas e outras belas histórias ilustram com a riqueza dos mitos um dos mistérios mais difíceis de explicar com provas e evidências concretas — a real natureza do tempo. Mas, à luz da ciência, será que somos mesmo prisioneiros do tempo que avança do passado para o presente e do presente para o futuro? Se tudo que existe está imerso na passagem do tempo como peixes na água, a possibilidade de voltar ao passado é matematicamente admissível. No entanto, isso significaria que toda a ciência que construímos e a tecnologia que desenvolvemos a partir dela estão erradas.


Ainda estamos longe de entender o comportamento do tempo com base em comprovações experimentais. Não sabemos sequer se ele é contínuo ou quântico, se é divisível infinitas vezes, ou se a seta do tempo aponta sempre para o futuro. Um vaso que cai e se espatifa não volta intacto para cima da mesa porque a entropia em um sistema fechado só aumenta.


O espaço-tempo é uma espécie de pano de fundo para todos os fenômenos, de modo que podemos ir e voltar nas três dimensões espaciais, mas, na do tempo, a regra é a ida sem volta. Daí os físicos considerarem o tempo como os bastidores de um fluxo de eventos sucessivos que ocorrem numa direção preferencial: o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e esse hoje, ao se tornar o ontem de amanhã, impõe novos limites ao novo presente.


Em determinadas situações, o cosmos não se sujeita às leis da física clássica, de modo que voltar no tempo não é de todo impossível. É fato que o Universo se tornaria inconsistente em sua evolução e aumento da entropia se as linhas que conectam as causas (no passado) e os efeitos (no futuro) fossem alteradas. Mas e se voltássemos no tempo sem interferir nessas linhas?


Onde há um físico teórico existe sempre uma possibilidade teórica que os físicos experimentais venham ou não a comprovar. Einstein demonstrou que o espaço e tempo estão conectados e que a gravidade de objetos supermassivos pode curvar o espaço-tempo em determinadas regiões do Universo, distorcendo o espaço, encurtando ou dilatando o tempo, e até mesmo criando loops temporais que levam de volta ao começo. Isso ainda não foi observado experimentalmente, mas é uma perspectiva matematicamente possível, e corroborá-la pode ser apenas uma questão de… tempo.


Durante uma palestra, o físico italiano Carlo Rovellium dos “pais” da teoria da gravidade quântica em loop, que busca conciliar a mecânica quântica, que descreve o mundo microscópico de partículas menores que prótons e elétrons, com a relatividade geral, que trata das estrelas, planetas e outros corpos gigantescos do Universo — esticou uma corda de uma ponta a outra do palco, pendurou uma caneta no meio e disse: “É aqui que estamos; à direita fica o futuro e à esquerda, o passado. E acrescentou em seguida: “Só que isso é tão errado quanto afirmar que a Terra é plana.”


A relatividade geral e a mecânica quântica se expressam em idiomas diferentes, mas ambas parecem dizer a verdade. Uma metáfora usada por Rovelli compara a natureza a um velho rabino que, consultado por dois homens para resolver uma disputa, deu razão a ambos, e quando sua mulher ponderou que eles não poderiam ter razão ao mesmo tempo, disse que ela também estava certa.


De acordo com a relatividade geral, o espaço não é uma caixa rígida e inerte, mas algo como um imenso molusco que se comprime e se retorce na presença de massa e energia. Já a mecânica quântica revelou que tudo ao nosso redor é formado por pequenos pacotinhos — como os fótons que formam a luz.


O problema é que as duas teorias não se falam: a relatividade descreve o espaço como contínuo e suave, enquanto a mecânica quântica sugere que tudo o mais é granular e discreto. Conciliá-las é uma das maiores questões em aberto da física. Algumas teorias especulativas apostam que o próprio espaço também seria feito de pacotinhos minúsculos, mas isso ainda está longe de ser confirmado.


A gravidade quântica em loop visa compatibilizar a relatividade geral e a mecânica quântica. Nesse contexto, a hipótese de o espaço ser um recipiente amorfo desaparece da física com a gravidade quântica, e as coisas (quanta) não habitam o espaço, mas os arredores umas das outras. Se o espaço não for um tecido contínuo que tem como limite o limite dos pacotinhos que o formam, então o tempo não é uma linha reta pela qual as coisas fluem, nem tampouco uma sucessão de acontecimentos formados por passado, presente e futuro.


Observação: Um relógio sobre um móvel registra que o tempo passa mais depressa quando comparado com outro que está no chão. Pelo mesmo motivo, o tempo passa mais depressa no cume do Everest do que na praia. Em outras palavras, quanto mais próximo do centro da Terra, mais intensa é a gravidade, e quanto mais intensa for a gravidade, mais devagar o tempo irá passar. Os relógios que usamos no dia a dia não registram diferenças de bilionésimos de segundo, mas relógios atômicos altamente sofisticados e instrumentos de laboratório o fazem.


Para entender a teoria da gravidade quântica é preciso abandonar a ideia de que um gigantesco relógio cósmico marca o tempo do Universo. Um ano é apenas o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol, mas nosso conceito de “ano” só faz sentido no nosso planeta — para um hipotético habitante de Saturno, um ano corresponderia a 29,5 anos terrestres.


Nosso conceito de tempo pouco tem a ver com as leis do Universo como um todo. Newton dizia não ser possível medir o “tempo verdadeiro”, mas assumir sua existência ajudava a descrever vários fenômenos da natureza; séculos depois, Einstein postulou que cada objeto do Universo tem seu próprio tempo. Só que o tempo como o concebemos não funciona numa escala muito pequena — como a escala quântica.


Em outras palavras, as coisas mudam apenas umas em relação às outras; no nível fundamental, o tempo não existe.


Continua...

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM…

VULNERANT OMNES, ULTIMA NECAT.

A ciência sabe muito, mas não sabe tudo. Sabe, por exemplo, que o cérebro é uma máquina de reconhecimento de padrões extremamente sofisticada, mas não sabe explicar as experiências de quase morte nem o déjà vu — essa estranha sensação de já termos vivenciado uma situação pela qual nunca passamos. 


A mitologia aborda a natureza do tempo com uma linguagem poética — a palavra "cronológico" vem de Chronos, o deus grego que devorava os próprios filhos. Já a ciência a aborda com rigor, mas ainda não sabe se o tempo passa para nós ou se nós passamos por ele, ou mesmo se ele é real ou apenas uma convenção criada para colocar alguma ordem no caos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Segundo o Datafolha, 58% dos brasileiros têm vergonha dos ministros do STF. E não é para menos: nem uma republiqueta de bananas como a nossa merece que togados supremos se metam no fla-flu em que se converteu a escolha do substituto de Luís Roberto Barroso.

Lula recebeu informalmente, no Alvorada, os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. O micróbio não esconde sua preferência pelo advogado-geral Jorge Messias, mas os visitantes prefeririam que ele indicasse o senador Rodrigo Pacheco.

As atribuições do Supremo são específicas, e seu poder emana da independência prevista na Constituição. Essa independência não deveria frequentar palácios nem participar de conchavos, sob pena de a Corte virar bancada política.

Qualquer criança de cinco anos fica autorizada a concluir que há no plenário do Supremo uma espécie de “Centrão de toga”, e isso não ajuda a atenuar a vergonha captada pela pesquisa do Datafolha.


Segundo a Teoria da Relatividade, espaço e tempo formam uma estrutura unificada — o espaço-tempo — na qual o tempo desacelera à medida que a velocidade do observador aumenta (princípio da dilatação temporal). Como nada dotado de massa pode atingir a velocidade da luz (simbolizada por "c"), uma hipotética espaçonave viajando a 99,99999999999% dessa velocidade levaria 4,22 anos para chegar a Proxima Centauri, mas a viagem não levaria menos de um minuto no referencial dos astronautas.


Observação: A 99,99999999999% de “c”, o fator de Lorentz é extremamente alto (γ ≈ 707.000), fazendo com que o relógio dos astronautas corra 707.000 vezes mais devagar em relação aos da Terra. Além disso, da perspectiva da nave, a distância até Proxima Centauri se contrai para apenas alguns milhões de quilômetros, mas ambas as perspectivas estão corretas em seus próprios referenciais — ou seja, não há contradição, apenas diferentes medições do mesmo evento, já que cada observador vê o relógio do outro como mais lento (covariância de Lorentz).

Num carro a 180 km/h, a dilatação temporal é imperceptível, mas os relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra a 14 mil km/h adiantam 38 milissegundos por dia, tornando o efeito mensurável. Se fosse possível viajar a uma velocidade próxima à da luz, um segundo no referencial do viajante representaria anos no tempo terrestre (como bem ilustra o paradoxo dos gêmeos). 

De acordo com o princípio da causalidade (não confundir com casualidade), o ontem molda o hoje, e o hoje molda o amanhã. Por outro lado, se estamos sempre reinventando o futuro em função da maneira como pensamos no presente e imaginamos o mundo de hoje, então o futuro não é mais o que era minutos atrás — e o mesmo se dá com o passado. 

Se o hoje é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã, o presente é sempre o que é real; o passado é o que não é mais real — embora seja necessário, pois ninguém pode fazer com que o que foi feito não tenha sido feito —, e o futuro o que ainda não é real — ou seja, apenas possível. A pergunta que se coloca é: o que seria esse estranho tempo que nunca chega? 


A resposta é: não existe uma resposta, embora possamos conceber esse futuro imutável usando um rio e um trem como metáforas para representar o tempo. No caso do rio, as águas do tempo fluem à nossa volta sem que possamos paralisá-las. Assim, o futuro está sempre à nossa frente e o passado, sempre atrás. Já no caso do trem, o tempo corre sempre na mesma direção e à mesma velocidade, do antes para o depois — e nós seguimos presos aos trilhos.


Essas duas imagens do tempo parecem contraditórias: de um lado, as coisas aparentam se mover em direção ao passado; de outro, em direção ao futuro. Seria o tempo como o rio em que nos encontramos imersos ou como o trem que vemos passar? Seria o futuro o que nos precede ou o que se segue ao nosso tempo? 

A resposta pode ser uma das chaves do mistério do tempo. Einstein definiu o Universo como um bloco quadridimensional estático contendo todo o espaço e o tempo simultaneamente, sem um "agora" especial, e uma notável confraria de físicos admite a possibilidade de negar a existência do tempo sem afrontar a causalidade — já que o tempo é apenas uma ilusão emergente, uma percepção derivada de mudanças na posição e nos estados das partículas. Nesse cenário, o livre-arbítrio parece apenas mais uma ilusão de perspectiva — uma história que lemos acreditando escrevê-la.

As metáforas do rio (tempo fluindo por nós) e do trem (nós atravessando o tempo) capturam perfeitamente o paradoxo central, já que ambas parecem verdadeiras e, ao mesmo tempo, contraditórias. A visão einsteiniana do "universo em bloco" (block universe) resolve parcialmente essa questão: se todo o espaço-tempo já existe simultaneamente, então tanto o "fluxo" quanto a "travessia" são ilusões da consciência, e nós, meros leitores movendo os olhos por um livro já escrito.

A perspectiva de o futuro não ser mais o que era minutos atrás" em função de como pensamos o presente toca em algo profundo: a física clássica sugere Determinismo (dado o estado presente, o futuro é único), mas a mecânica quântica introduz indeterminação genuína. Talvez o futuro seja simultaneamente "já escrito" em termos relativísticos e "ainda aberto" em termos quânticos.


Segundo os presentistas somente o momento atual existe — o passado são cinzas de um fogo que se apagou; e o futuro, uma névoa inexistente. Para os eternalistas, por sua vez, tanto sua infância quanto o momento atual existem, e seu último suspiro já está gravado na estrutura do espaço-tempo, como uma página de livro esperando para ser lida. 


O Presentismo enfrenta um dilema fatal: se apenas o “agora” existe, de qual “agora” estamos falando? O dos astronautas que viajam a 99,99999999999% da velocidade da luz — para quem passou menos de um minuto — ou para quem ficou na Terra — onde se passaram 4,22 anos?


A relatividade destrói a noção de um “presente universal”, já que não admite a existência de um ”'agora” cósmico sincronizado. Mas o Eternalismo também parece absurdo: se nossa morte futura "já existe", por que ainda não a sentimos? Por que nossa consciência insiste teimosamente em fluir apenas para frente, como prisioneira de uma trajetória já traçada?


A resposta pode estar no Possibilismo — segundo o qual apenas o presente e o passado existem; o futuro é potencialidade pura, ramificações quânticas ainda não colapsadas. Mas talvez o tempo simplesmente não “passe”; nossa consciência seja como um holofote atravessando uma paisagem estática de eventos, iluminando momentos que sempre estiveram lá.


Resumo da ópera: o Eternalismo sugere que somos o trem atravessando uma paisagem fixa; o Presentismo insiste que somos folhas no rio, criando o curso conforme fluímos, e a mecânica quântica sussurra uma terceira opção: somos simultaneamente o trem e o rio — observadores que colapsam possibilidades em realidades, escrevendo o livro conforme o lemos.

Pensando bem, a ciência pode não ter escolhido entre essas visões porque a própria pergunta "o que existe realmente?" pressupõe que existência tenha um significado absoluto. Mas a relatividade nos ensinou que até conceitos aparentemente óbvios, como simultâneo, são relativos ao observador.

Talvez o tempo seja como a luz, cuja natureza última escapa às nossas categorias intuitivas. Ou talvez ele simplesmente não passe. Ou talvez nossa consciência seja como um holofote que atravessa uma paisagem estática de eventos, iluminando momentos que sempre estiveram lá — e sempre estarão."

Continua…

sexta-feira, 8 de novembro de 2024

LUZ E TREVAS (PARTE III)

A PERDA DE UM CRAVO CAUSA A PERDA DA FERRADURA; A PERDA DA FERRADURA CAUSA A PERDA DO CAVALO; A PERDA DO CAVALO CAUSA A PERDA DA MENSAGEM; A PERDA DA MENSAGEM CAUSA A PERDA DA GUERRA.

 

Einstein ensinou que o espaço e o tempo formam uma estrutura inseparável (espaço-tempo), que a velocidade do tempo é inversamente proporcional à velocidade do observador (dilatação temporal) e que, para que cada um tenha "seu próprio relógio" e "viaje no tempo em relação ao outro" quando seus "relógios" se dessincronizam, todos os pontos da linha do tempo precisam existir simultaneamente.
 
Essa variação é imperceptível num carro a 180 km/h ou mesmo num voo comercial a 900 km/h, mas os relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra a 14 mil km/h adiantam 38 milissegundos por dia, tornando o efeito mensurável. Se fosse possível viajar a uma velocidade próxima à da luz, um segundo no referencial do viajante representaria anos no tempo terrestre. 

Segundo a Lei da Gravitação Universal, matéria atrai matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias. Uma quantidade imensa de matéria gera uma atração capaz de curvar o espaço-tempo — como é o caso dos buracos negros, — cuja existência foi comprada em 2017, quando o EHT fotografou o M87* —, que são bons exemplos de regiões cósmicas onde a singularidade pode existir. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Bolsonaristas acreditam que o "mito" é um ex-presidente de mostruário perseguido injustamente. Petistas acreditam que o mensalão e o petrolão não existiram e que Lula foi absolvido pelo STF. Fernando Haddad e Celso Amorim acreditam que Trump suavizou o discurso e que o Brasil e os EUA manterão uma "relação normal". 
Cada um pode acreditar no que quiser, inclusive em Papai Noel. Mas, assim como o bom velhinho, um Trump moderado é ficção. Quem voltará a ocupar a Casa Branca no dia 20 de janeiro é um criminoso condenado, já indiciado por tentar melar a eleição anterior e às voltas com inéditas pendências judiciais. 
No palanque, Trump prometeu vingar-se de opositores, livrar-se de servidores públicos incômodos, deportar milhões de imigrantes e fechar a economia dos Estados Unidos. Deixou claro que usará sua segunda Presidência como um meio para a realização dos seus fins autocráticos. Supor que ele vai descumprir o que prometeu é um flerte com o ilusório.
O próprio Lula, que na véspera tornara pública sua torcida por Kamala Harris, foi compelido pelas circunstâncias a parabenizar o eleito. "O mundo precisa de diálogo e trabalho conjunto", disse o Sun Tzu de Atibaia, como se, ao voltar a cagar no poleiro da Casa Branca, a calopsita alaranjada nao mijará no chope das duas principais ações do governo brasileiro na política externa. Alguém deveria lembrar Lula de que ignorar os fatos não faz a realidade desaparecer.

Os buracos negros se formam quando estrelas supermassivas se transformam em supernovas e "devoram" tudo que se aproxima de seu horizonte de eventos, onde a força gravitacional é tamanha que nem a luz consegue escapar, crescem à medida que engolem planetas, estrelas e outros objetos celestes próximos, e encolhem conforme perdem energia (radiação de Hawking e princípio da Incerteza de Heisenberg). O exemplar mais próximo é o Gaia BH1, que fica a 1,6 mil anos-luz (cerca de 15 trilhões de quilômetros) do nosso sistema solar. Para chegar até ele, a sonda mais veloz lançada pela NASA demoraria 2,4 milhões de anos.
 
Embora a ficção científica retrate os buracos negros como portais para outras dimensões, qualquer objeto que cruze seu horizonte de eventos é inexoravelmente "espaguetizado" e transformado em um ponto infinitesimal, mas com a mesma massa original, que se soma à do buraco negro. A Teoria da Relatividade explica esse fenômeno, mas deixa espaço para especulações sobre buracos de minhoca e supostas conexões entre universos.
 
Também chamados de Pontes Einstein-Rosen, os buracos de minhoca se formam quando a singularidade de um buraco negro distorce o espaço-tempo. Em tese, eles serviriam de atalho para encurtar a distância entre dois pontos, seja neste ou em outro universo, no presente ou em outro ponto da linha do tempo. Para facilitar a compreensão, imagine o espaço-tempo como uma folha de papel. Com a folha dobrada ao meio, as bordas superior e inferior, que representam duas regiões distantes do espaço-tempo, praticamente se juntam, permitindo que uma hipotética espaçonave vá de um ponto ao outro quase instantaneamente.
 
Mas há alguns "senões" a considerar, começando pela existência dos buracos de minhoca, que ainda não foi comprovada experimentalmente. Se eles existirem e forem tão comuns quanto as estrelas, como acreditam alguns astrofísicos, detectá-los pode ser apenas uma questão de tempo. Por outro lado, a criação ou estabilização de um buraco de minhoca exigiria formas exóticas de matéria com densidade negativa, que ainda não foram descobertas ou produzidas em laboratório. Além disso, a própria manipulação do espaço-tempo suscita questões sobre a quantidade de energia necessária. A fusão nuclear promete energia limpa e quase ilimitada, mas essa tecnologia ainda está longe de ser dominada.
 
Continua...

terça-feira, 23 de julho de 2024

DE VOLTA À VELOCIDADE DA LUZ E AS VIAGENS NO TEMPO (PARTE V)

SOMENTE OS EXTREMAMENTE SÁBIOS E OS EXTREMAMENTE ESTÚPIDOS NÃO MUDAM DE OPINIÃO.

Viajamos para o futuro do primeiro vagido ao último suspiro e "visitamos" o passado quando olhamos para o céu e vemos é a luz que as estrelas emitiram há milhares, milhões, bilhões de anos, mas viajar no tempo como nos livros e filmes de ficção científica e nas HQs é outra conversa. Embora essa possibilidade seja admitida (com ressalvas) pela Teoria da Relatividade e pela física atual, a tecnologia de que dispomos atualmente não permite acelerar uma espaçonave à velocidade da luz e/ou levá-la até as imediações do horizonte de eventos de um buraco negro

De acordo com a dilatação do tempo e a dilatação gravitacional do tempo, o tempo é relativo. Sua velocidade é inversamente proporcional à velocidade do observador e à força da gravidade. Isso é imperceptível no dia a dia,
 mas os relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra a 14 mil km/h adiantam 38 milissegundos por dia, tornando o efeito mensurável. Se fosse possível viajar a uma velocidade próxima à da luz, um segundo no referencial do viajante representaria anos no tempo terrestre (como bem ilustra o paradoxo dos gêmeos). 

Já um bate e volta a Alpha Centauri a 99% da velocidade da luz seria praticamente instantâneo para os viajantes, mas levaria de 8,5 anos pelo calendário terrestre (mais detalhes neste artigo). Em outras palavras, a nave e seus ocupantes avançaria quase uma década no tempo.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Num editorial com duras críticas à relutância de Lula em pôr fim à gastança, a revista britânica The Economist ressaltou as críticas ao presidente do Banco Central, anotou que as decisões do governo em relação à política fiscal preocupa os investidores e reiterou que Lula insiste em repetir fórmulas fiscais antigas em vez de preparar "sucessores mais jovens para lutar pela reforma de que o Brasil precisa". Dias antes da publicação do editorial, o petista disse que "precisava ser convencido da necessidade de cortar despesas", que não é "obrigado a seguir meta fiscal" e que muito do que é considerado gasto, como recursos para saúde e educação, ele considera como investimento. Londres fica a 8.5 mil quilômetros de Brasília da Fantasia, mas os editores do periódico britânico enxergam Lula melhor que o próprio se enxerga quando se olha no espelho. Como se costuma dizer, de nada adianta trocar as rodas da carroça se o problema é o burro.
 
A possibilidade de qualquer coisa com matéria superar a velocidade da luz
(299.792.458 m/s ou 1,08 bilhão km/h) contraria as equações de Einstein, mas Gerald Feinberg descreveu os táquions como partículas com massa (ínfima) que "nascem superluminais" e ganham energia à medida que perdem velocidade. Essas partículas ainda não foram observadas ao vivo e em cores porque nossa tecnologia não é capaz capaz de detectar algo que se mova tão rápido. Se sua existência for comprovada (o que pode ser apenas uma questão de tempo), o princípio da causalidade (segundo a qual causa precede a consequência) seria violado, já que eles se moveriam para trás na linha do tempo, criando paradoxos tão complexos quanto o do Avô.

Observação:  Um hipotético táquion emitido por um hipotético piloto de uma hipotética espaçonave para um hipotético receptor na Terra se moveria mais rápido que a luz no referencial deste, mas retrocederia no tempo no referencial daquele. Em outras palavras, a resposta chegaria antes da pergunta, e se ela fosse "não envie o sinal", o piloto não enviaria a pergunta e o receptor não teria nada para responder, o que a afronta o lógica básica da nossa realidade.
 
Para verificar se as leis da física realmente conspiram contra viagens ao passado, Stephen Hawking deu uma festa na Universidade de Cambridge e enviou convites com data, hora e coordenadas exatas do local. O fato de ninguém ter aparecido pode ter a ver com a Teoria do Multiverso, segundo a qual existem universos paralelos semelhantes ao nosso, mas com diferenças fundamentais e que tendem ao infinito em progressão exponencial. Talvez existam versões de cada um de nós em universos semelhantes (ou completamente diferentes), e que fazem escolhas diferentes a cada decisão que tomamos (a soma dos universos paralelos quânticos é chamada de Espaço Hilbert).
 
No famoso experimento Schröedinger, um gato é trancado numa caixa e um único átomo decide se ele morre ou sobrevive. Segundo a interpretação de Copenhague, o bichano está num estado de sobreposição quântica — vivo e morto ao mesmo tempo —, e seu futuro é decidido no momento em que a caixa é aberta. Na interpretação de Everett, o universo se separa em dois; o gato está vivo num deles e morto no outro, ou seja, c
ada realidade fica permanentemente conectada aos estados do átomo e só participa de um dos universos paralelos que, uma vez separados, continuam seu próprio caminho sem jamais interagir com os demais.
 
A teoria do multiverso parece menos absurda quando consideramos que os bits da computação tradicional assumem apenas um valor por vez (0 ou 1), mas os qubits (bits quânticos) podem assumir os valores 0, 1 ou 0 e 1 ao mesmo tempo. No
 Multiverso de Nível 3, tudo que pode acontecer de fato acontece. Ao invés de colapsar, as partículas quânticas ocupam todos os lugares ao mesmo tempo, dando origem a múltiplas realidades diferentes no Espaço Hilbert

Em última análise, tudo que observamos é esquisito e confuso... mas Richard Feynman não disse que ninguém compreende realmente a mecânica quântica?
 
Continua...