quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A RESPOSTA ESTÁ LÁ FORA...

OS AUSENTES ESTÃO SEMPRE ERRADOS. 


Ensinava-se nos meus tempos de estudante que nosso sistema solar era formado por nove planetas, que Júpiter — o maior deles — tinha 12 luas, e que Saturno — o único com anéis — tinha 9. Mas não há nada como o tempo para colocar as coisas em perspectiva.


Em 2006, Plutão foi rebaixado à categoria de objeto transnetuniano. Sabe-se atualmente que Urano e Netuno também têm anéis; que Júpiter possui 95 luas e Saturno, 274, suspeita-se da existência de um nono planeta nos confins do sistema e de que Encélado a sexta maior lua de Saturno — seja potencialmente habitável.


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A revista The Economist critica a decisão de Lula de se candidatar e o jornal Financial Times aposta no favoritismo do presidente. Uma se concentra na idade do macróbio — tendo como referência o exemplo do norte americano Joe Biden — e a outra se baseia em dados da conjuntura, levando em conta as pesquisas, perspectivas econômicas e os desacertos do campo adversário. Ambas as análises carecem de conhecimento detalhado sobre as especificidades da realidade política brasileira, razão pela qual não devem ser recebidas como diagnósticos precisos e muito menos justificar patriotadas na reação às críticas.

The Economist argumenta que Lula tem 80 anos e já passou por problemas sérios de saúde, mas ignora que, ao contrário de Biden, o petista não aparenta ter perturbações cognitivas — seus defeitos para mais quatro anos de mandato são visão obsoleta da economia, esgotamento de liderança e, sobretudo, a autorreferência que impede a alternância de protagonismo à esquerda.

O Financial Times aposta na reeleição levando em conta as pesquisas de intenção de votos, a superação da crise do tarifaço de Donald Trump, a defesa da soberania nacional e a desorganização da direita — fatores circunstanciais, cujo prazo de validade pode se esgotar ao sabor da volatilidade e das especificidades da política local que tem a estranha mania de não ter fé nos escritos.

A conferir.

 

O hipotético “Planeta Nove” — que explicaria as órbitas incomuns de certos objetos transnetunianos extremos — estaria localizado além da órbita de Netuno, a algo entre 400 e 800 unidades astronômicas do Sol, e que sua translação demore de 10 mil a 20 mil anos. As principais evidências de sua existência vêm da análise das órbitas de corpos do Cinturão de Kuiper e da Nuvem de Oort, mas a baixa luminosidade, a vasta área do céu que precisa ser monitorada e a presença de outros objetos distantes tornam sua detecção direta extremamente difícil.

 

Encélado despertou o interesse dos cientistas porque existe um oceano de água líquida sob sua casca de gelo, por cujas fissuras escapam jatos de vapor, gelo, sais e compostos orgânicos. Em 2008, o Analisador de Poeira Cósmica da sonda Cassini foi atingido por esses grãos de gelo a cerca de 18 km/s — os mais rápidos e “frescos” medidos pela missão até então. 

 

Os pesquisadores reconstruíram os sinais e identificaram uma grande variedade de moléculas contendo carbono, nitrogênio e oxigênio, associadas a processos químicos complexos em ambiente aquoso. Posteriormente, um estudo publicado na revista Nature Astronomy reforçou essa conclusão ao demonstrar que as tais moléculas orgânicas se originam diretamente do oceano, apontando para um ambiente potencialmente habitável.

 

A existência de elementos básicos para a vida em Encélado não significa que homenzinhos verdes com cabeças grandes e olhos desproporcionais — como a ficção dos anos 1950 e 1960 retratava os “marcianos” — habitem outros mundos do nosso sistema solar, mas que Encélado pode ser um laboratório natural para investigar como a vida pode surgir em condições diferentes das da Terra — lembrando que outras formas de vida podem ter evoluído em ambientes que para nós seriam totalmente inviáveis.

 

Na astronomia, a zona habitável é chamada de Cachinhos Dourados numa alusão ao conto infantil em que a protagonista rejeita o mingau do bebê urso (doce demais) e o do papai urso (salgado demais), mas aceita o da mamãe ursa, que estava “no ponto certo”. Essa é a região onde um planeta recebe de sua estrela uma quantidade de energia semelhante à que a Terra recebe do Sol, o que lhe assegura temperaturas compatíveis com a presença de água líquida em sua superfície.

 

Não há provas cabais da existência de civilizações alienígenas mais avançadas tecnologicamente do que a nossa, mas abundam indícios de que seres extraterrestres nos visitaram em tempos imemoriais — e talvez continuem visitando, como sugerem os incontáveis relatos de avistamentos de OVNIs. 


O universo observável se estende por cerca de 46,5 bilhões de anos-luz em todas as direções e contém algo como 2 trilhões de galáxias, 200 sextilhões de estrelas e 400 sextilhões de planetas. Parafraseando Carl Sagan, se não existe vida fora da Terra, "what a waste of space!" (que desperdício de espaço!) 

 

Como ensinou Sherlock Holmes, quando se elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que seja, deve ser a verdade. É possível derrotar 40 sábios com um único argumento, mas 400 argumentos não bastam para convencer um idiota daquilo que lhe salta aos olhos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

EDITORES DE IMAGEM ONLINE

MAIS IMPORTANTE DO QUE O QUE PENSAM DE TI É O QUE PENSAS DE TI.

 

Levantamento feito pela FGV revelou que 258 milhões dos 480 milhões de dispositivos digitais ativos no Brasil são smartphones e 222 milhões são desktops, notebooks e tablets. Isso significa que o celular ainda não aposentou o desktop e o notebook, mas só porque algumas tarefas combinam melhor com teclados físicos e telas de grandes dimensões, mas u

 

Qualquer smartphone tira fotos e grava vídeos, mas a oferta de filtros e editores de imagem para Android é maior do que para Windows e muito maior do que para macOS. A Microsoft criou o Paintbrush (e o rebatizou posteriormente de MS-Paint) quando seu festejado sistema operacional ainda era uma simples interface gráfica que rodava no MS-DOS


Embora não fosse um editor de imagens poderoso, ele ajudou centenas de milhões usuários a desenhar casinhas, árvores e bonecos e fazer edições simples em fotos e figuras, e deixou um sem-número de "viúvas desconsoladas" em 2017, quando foi substituído pelo Paint 3D. Mas a emenda saiu pior que o soneto, e a Microsoft ressuscitou a versão clássica e a embutiu no Win11 com melhorias significativas e ferramentas baseadas em inteligência artificial (Copilot). 


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O Supremo chega a 2026 em situação paradoxal. A inédita condenação de um ex-presidente e de militares graduados por crimes contra a democracia fez subir alguma coisa à cabeça de alguns magistrados, que, achando que o feito histórico bastaria para elevá-los à condição de estátua, comportam-se como pombos de si mesmos, sujando com desenvoltura dialética suas testas de bronze.

Apagaram-se as luzes do inquérito sobre o escândalo do Master depois que o relator voou de carona em jatinho particular, ao lado de um advogado de diretor do banco. A toga mais poderosa foi constrangida com a apreensão de contrato firmado pelo escritório de advocacia de sua mulher com o banco liquidado. A julgar pelo valor — R$ 129 milhões —, o contratante estava mais interessado em comprar influência do que assessoria jurídica.

Num movimento constrangedor, o decano editou uma liminar-blindagem para bloquear no Senado pedidos de impeachment contra si e seus pares. Negociou no balcão da baixa política um recuo parcial. Mas manteve o bode na antessala do Ano Novo. Paralelamente, o Código de Ética sugerido pelo presidente do tribunal é torpedeado internamente por colegas viciados em conchavos palacianos, embargos auriculares, indicações de cupinchas para tribunais inferiores, paloozas e rega-bofes bancados no exterior pelo déficit público e pelo lobby empresarial. 

Nesse ambiente, apenas o Supremo pode socorrer o Supremo. A tarefa, que já era incontornável, tornou-se um desafio urgente.


Usuários do Mac — como este que vos escreve — têm de se virar com a espartana Pré-visualização ou instalar um editor de imagens que rode no sistema da Apple. As opções são poucas, e as gratuitas, raras como moscas brancas de olhos azuis. Para nossa sorte, diversos editores de imagem online preenchem essa lacuna, dispensando a instalação de mais um app residente no computador. 


Com interface intuitiva e fácil de usar, o BeFunky permite importar fotos do computador e pode ser integrado ao Google Drive ou ao Dropbox. A gama de ferramentas é restrita, mas capaz de suprir nossas necessidade básicas, e aplicar textos sobre as imagens com fontes estilizadas está entre os recursos mais atrativos.

O Fator também é uma boa escolha para quem quer um editor simples e ágil. Sua tela inicial apresenta três alternativas — editor, colagem e design — e cada uma leva a uma tela com ferramentas diferentes, especificas para cada necessidade, e os menus autoexplicativos em português facilitam a vida dos usuários.


iPiccy é um editor mais completo, mas sua interface é intuitiva até mesmo para quem não domina programas do gênero. Ele permite cortar, girar ou redimensionar arquivos de maneira simples e rápida, oferece mais de 100 efeitos que podem ser aplicados nas fotos e permite alterar a exposição, o brilho, e a paleta de cores, mas exige que o login seja feito via Facebook. 


Inspirado no visual do Adobe Photoshop, o Photopea é a melhor escolha para quem está familiarizado com editores de imagem profissionais. Seus recursos avançados permitem remover manchas, trabalhar com camadas e até salvar arquivos com a extensão PSD — que pode ser editada no Photoshop. As ferramentas são as mesmas nas versões gratuita e premium — esta última apenas suprime os anúncios —, mas o programinha é caro quando comparados a outros editores profissionais.
 
Também inspirado no Photoshop, o Pixlr é pródigo em ferramentas, mas exige conhecimentos básicos de edição. Pode-se tanto criar arquivos em branco para iniciar um trabalho quanto importar imagens pesadas. Os formatos compatíveis são JPEG, PNG e TIFF — além do PXD, que é exclusivo do editor. Existe uma opção paga, mas a versão gratuita é suficiente para a maioria das pessoas.


Canva é mais voltado à criação de designs, mas não desaponta como editor de fotos; o Fotoflexer se destaca pela variedade de ferramentas avançadas de edição e interface amigável e intuitiva; e o Adobe Express oferece uma série de ferramentas poderosas para ajustes e melhorias em suas imagens com a confiabilidade da Adobe e sem a necessidade de instalar um programa pesado (e caro) no computador.


Escolha a opção que mais lhe agradar e divirta-se.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 65ª PARTE

QUEM QUER COLHER ROSAS DEVE SE PREPARAR PARA OS ESPINHOS. 

 

Vimos que o tempo não flui da mesma maneira para todos e que a possibilidade de não haver uma direção preferencial no mundo microscópico é real, embora nossa experiência cotidiana seja unidirecional. 


Ovos se quebram, mas não se reconstituem espontaneamente. Ainda que o conceito de tempo negativo seja uma realidade matemática e experimental no mundo quântico, há quem o veja como "desquebrar um ovo" — inverter a seta do tempo é fundamental quando se pretende saborear uma omelete de ovos de brontossauro com Fred Flintstone na pré-histórica Bedrock.


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O recente episódio envolvendo suposta interferência do ministro Alexandre de Moraes no caso do Banco Master, com direito a relatos de pressão sobre autoridades monetárias — incluindo o presidente do BC — e contrato com escritório de Advocacia ligado à esposa do magistrado, não pode ser tratado como mero ruído conjuntural do debate político-institucional nacional, sob pena de normalizarmos práticas que corroem silenciosamente o Estado Democrático de Direito.

Numa Democracia constitucional madura, o Direito não é instrumento de poder. Sua função primordial é limitar vontades, disciplinar competências e impedir que a autoridade pública, ainda que revestida das melhores intenções, ultrapasse os limites que a Constituição Federal impõe a todos nós.

Quando pressões institucionais ou atos judiciais passam a ser percebidos como extensões da vontade individual de um magistrado, o problema deixa de ser pessoal e passa a ser sistêmico. É neste contexto que se torna inadiável discutirmos a reforma do STF, mesmo porque o modelo atual dá poderes excessivos aos ministros relatores, sobretudo no controle da agenda e na prolação de decisões monocráticas com efeitos políticos, econômicos e sociais profundos. Soma-se a esta dinâmica o domínio estratégico da pauta de julgamentos, capaz de acelerar temas sensíveis ou, inversamente, mantê-los, indefinidamente, fora do debate do colegiado.

Uma Corte Constitucional não pode funcionar como a soma de vontades particulares dotadas de superpoderes. Sua legitimidade repousa na colegialidade real, no equilíbrio interno e na previsibilidade institucional. Quando um único ator passa a concentrar poder de pauta, de decisão e de projeção política, a balança dos Poderes da República se desequilibra — deflagrando, exatamente, o oposto que se espera do papel da Corte.

Há, ainda, um outro ponto sensível frequentemente ignorado: o STF não se submete aos controles administrativos do CNJ, o que torna indispensável a criação de um Código de Ética e de Disciplina, como bem sugerido pelo atual presidente da Corte, ministro Edson Fachin. 

Não se trata de fragilizar a independência judicial do País. Mas é indiscutível a necessidade de se implementar a lógica republicana do “controle dos controladores”. Na esteira popular, fica a pergunta: quem vigia o vigia?

Sem limites claros, transparentes e institucionalizados, o Judiciário brasileiro vai perdendo em escala vertiginosa seu principal ativo: o capital reputacional. E, sem confiança social, não há autoridade legítima - apenas decisões formalmente validadas, mas crescentemente contestadas e desacreditadas pela sociedade, pela Imprensa, nas ruas e nas redes.

Se deseja exercer seus amplos poderes com legitimidade plena, o STF precisa aceitar que também deve ser objeto de controle. Não se trata de uma ameaça à Democracia, mas, sim, uma condição para preservá-la.

 

Mais de 5.000 anos separam a invenção da roda da descoberta da eletricidade como a conhecemos, mas bastaram 500 anos para a viagem que Cabral fez por mar em 44 dias ser feita por ar em menos de três horas (pelo Concorde, que foi aposentado em 2003 por questões de segurança). 


Apesar de ter evoluído mais, nos últimos 150 anos, do que da descoberta do fogo até a revolução industrial, nossa tecnologia ainda não permitiu a construção de naves capazes de alcançar velocidades próximas à da luz, de modo que o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade continua inalcançável. Mas Albert Einstein não disse que o impossível é apenas uma questão de tempo; Carl Sagan, que a ausência de evidências não é evidência de ausência, e Arthur C. Clarke, que desafiar limites é a única maneira de superá-los?

 

Como também já foi mencionado, a ciência sabe muito, mas não sabe tudo. A teoria do Big Bang sustenta que o Universo surgiu há cerca de 13,8 bilhões de anos, a partir da expansão súbita e violenta de um ponto sem volume (singularidade), extremamente quente e denso, mas não esclarece o que existia anteriormente (a propósito, Stephen Hawking disse que especular sobre o que havia antes do Big Bang é como querer saber o que existe ao norte do Polo Norte).

 

Segundo as religiões abraâmicas, o mundo — e tudo que nele existe — foi criado em seis dias. No livro The Annals of the World, o arcebispo irlandês James Ussher anotou que o Criador iniciou os trabalhos às 9h00 do dia 23 de outubro de 4004 a.C. Já a ciência estima que a Terra tem 4,5 bilhões de anos, que os primatas surgiram entre 64 e 65 milhões de anos atrás, os primeiros hominídeos, há cerca de 20 milhões de anos e o Homo sapiens, há coisa de 300 mil anos.

 

Segundo a Bíblia, Moisés escreveu o Gênesis e os demais livros do Pentateuco enquanto guiava o povo hebreu rumo à terra que Jeová prometera a Abraão e seus descendentes. Embora dominasse os segredos das águas (seu cajado não só abriu o Mar Vermelho como tirou água de uma pedra), ele só chegou a Canaã após passar 40 anos caminhando pelo deserto do Sinai. A alturas tantas, em vez de falar com uma rocha para que brotasse água — como Deus o havia instruído a fazer —, Moisés bateu na rocha com seu cajado e atribuiu a si mesmo o milagre (Números 20 e Deuteronômio 32). Como castigo, o Deus rancoroso e vingativo do A.T. proibiu-o de entrar na "terra prometida", e ele morreu no monte Nebo, aos 120 anos.

 

Ainda não se sabe se o tempo realmente existe ou se é apenas uma convenção criada por nossos ancestrais para explicar padrões no ciclo do dia e da noite, nas fases da Lua e nas mudanças das estações. No livro Tempo: O sonho de matar Chronos, o físico italiano Guido Tonelli — um dos pais da descoberta do bóson de Higgs — explica como nos relacionamos com o tempo ao longo dos milênios e afirma que não se trata de um conceito abstrato, mas de uma substância material que ocupa todo o universo e se deforma, vibra, oscila. Para oferecer respostas a perguntas como "o tempo flui?", "como a gravidade o retarda?" e "como os buracos negros podem pará-lo?", ele usa não apenas a física, a astronomia e a matemática, mas também a literatura e a mitologia, numa viagem por mundos dominados por efeitos relativistas, onde há um futuro que chega antes do passado.

 

Observação: Julian Barbour — professor de física na Universidade de Oxford (UK) — propõe "um universo sem passado ou futuro, onde o tempo é uma ilusão e todos são imortais". Segundo ele, o tempo não flui; existem apenas diferentes configurações do universo (que ele chama de "agoras"). O físico italiano Carlo Rovelli — um dos fundadores da chamada gravidade quântica em loop — sustenta que o tempo é uma ilusão que emerge das interações quânticas fundamentais. O matemático britânico J.M.E. McTaggart usou um baralho e o pensamento lógico para provar que o tempo não passa de uma ilusão, e que nossa percepção de passado e futuro é apenas uma questão de perspectiva. Mas isso é outra conversa e fica para uma outra vez.

 

Controvérsias à parte, tudo leva a crer que os anos bíblicos fossem bem mais curtos do que os atuais. Matusalém morreu aos 969 anos, e Noé construiu sua famosa arca aos 600. Talvez a proximidade ou o contato direto com o Senhor das Esferas explique tamanha longevidade, mas é preciso ter em mente que a Bíblia é uma coletânea de lendas e tradições culturais transmitidas oralmente por várias gerações, e que a história narrada no Livro do Êxodo é apenas uma delas.

 

Tomando por verdadeira a narrativa bíblica, a saga de Moisés ocorreu entre 1500 e 1200 a.C. Naquela época, doenças, ferimentos e condições adversas — como a escassez de água — limitavam a expectativa de vida a algo entre 30 e 40 anos. Assim, seria virtualmente impossível que centenas de milhares de pessoas (como sugere a Bíblia) sobrevivessem a 40 anos de caminhada pelo deserto, e altamente improvável que seu líder vivesse 120 anos.

 

A expectativa de vida era de 25 a 35 anos no Antigo Egito, na Grécia Clássica e na Roma Antiga, de 30 a 40 na Europa Medieval (podendo ser menor em períodos de fome ou peste), de 35 a 45 no final do século XVIII, e de 40 a 50 no início do século XX. Graças aos avanços da medicina, as pessoas passaram a viver mais — entre 65 e 70 anos na década de 1950 e entre 75 e 80 na virada do século. Em 2025, aos 116 anos, brasileira Inah Canabarro Lucas foi reconhecida como a pessoa mais velha do mundo. Aliás, a expectativa de vida no Brasil saltou de 48 anos em 1960 para 76 em 2023.

 

E pensar que, mesmo depois de milênios de evolução, ainda há quem leve a Bíblia ao pé da letra. Se o tempo é mesmo uma ilusão, talvez Matusalém apenas viveu fora do fuso. Já Moisés... bem, esse merece um capítulo especial. Fato é que a ciência avança, a tecnologia evolui, a ainda assim tropeçamos em velhas crenças com novas roupas. Enfim, entre versões, visões e revisões, seguimos tentando decifrar o tempo — mesmo que ele não exista. 

 

Continua... 

domingo, 4 de janeiro de 2026

MACARRÃO CREMOSO

TENHA A CORAGEM DE SONHAR E DE SE ARRISCAR A REALIZAR SEUS SONHOS.  


Receita de molho de macarrão não falta aqui no blog, até porque, com a possível exceção da macarronada ao alho e óleo, pasta sem molho é como pastel sem recheio ou pizza sem cobertura. Mas isso não significa passar horas no fogão cozinhando um molho de tomate caseiro como manda o figurino, preparando um pesto genovese ou um ragù alla bolognese, nem usar ingredientes caros, como queijos azuis.


Uma macarronada cremosa e saborosa não precisa ser complicada: com poucos ingredientes é possível preparar uma refeição perfeita para o almoço ou para o jantar. A receita de hoje leva itens simples, que quase todo mundo tem em casa, e fica pronta em menos de meia hora. O segredo do sabor e da consistência está no equilíbrio entre os ingredientes.


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Na política, como na vida, há uma regra singela para lidar com os buracos: quem cai dentro de um deve parar imediatamente de cavar. Por mal dos pecados, os congressistas decidiram desafiar a lógica. Além de cavar, passaram os últimos meses jogando terra em cima da instituição que deveriam reverenciar.

A Câmara cutucou o asfalto com a PEC da blindagem para ver se as ruas mordiam. Mastigado, o Senado recuou. As duas casas aprovaram o projeto da dosimetria, presenteando Lula com a possibilidade de vetar a redução das penas de quem tramou contra a democracia.

Como se tudo isso fosse pouco, deputados e senadores enfiaram no Orçamento federal de 2026 a exorbitância de R$ 61 bilhões para irrigar emendas parlamentares que viraram sinônimo de corrupção. Tudo isso e mais a reserva de R$ 6 bilhões para irrigar os fundos eleitoral e partidário.

A virada do ano oferece aos brasileiros uma valiosa oportunidade de reflexão. Levando a experiência a sério, os portadores de título eleitoral talvez passem a enxergar no espelho a imagem de um culpado, pois nenhum mandato parlamentar surge por geração espontânea. Eles nascem do voto. Considerando-se que o Congresso é a casa do povo, o eleitor dispõe de nova oportunidade para desalojar inquilinos indesejáveis. O melhor remédio contra o eleito inconsciente é o eleitor consciente. 

Faça um político trabalhar. Não o reeleja.


Você vai precisar de:


— 1 pacote (400 g) de talharim, espaguete ou penne;

— 2 colheres (sopa) de manteiga;

— 1 cebola picada;

— 1 caixinha de creme de leite;

— 4 colheres (sopa) de requeijão;

— Sal e pimenta a gosto;

— Parmesão ralado para finalizar.


Para evitar que o macarrão grude, é preciso cozinhá-lo em água abundante e bem salgada — como dizem os italianos, "salata come il mare" (salgada como o mar). A proporção correta é 10g de sal (na falta de sal grosso, use o refinado) para cada litro de água e 1 litro de água para cada 100g de massa. 


Observação: O sal deve ser adicionado somente quando a água começar a ferver, e o macarrão, quando ela já estiver borbulhando. Aí é só mexer, mexer e mexer até que a massa fique "al dente", ou seja, cozida, mas ainda firme ao morder.


Em uma panela, derreta a manteiga e refogue a cebola. Quando ela dourar, adicione o creme de leite e o requeijão e misture. Quando obtiver um molho liso, despeje o macarrão cozido e escorrido na panela, misture bem e finalize com o parmesão ralado e uma pitada de pimenta-do-reino — o calor derreterá o queijo e deixará a massa ainda mais cremosa.


Dica: Se o molho ficar muito espesso, adicione um pouco da água do cozimento da massa para ajustar a consistência. Experimente variar o sabor trocando o requeijão por cream cheese ou catupiry ou incluindo ingredientes como milho, ervilha, bacon em cubinhos e/ou presunto picado.


Sirva o prato ainda quente. Se sobrar, guarde na geladeira por até dois dias num pote com tampa. Na hora de aquecer, adicione um pouco de leite para recuperar a textura cremosa e o sabor original da receita.


Bom apetite.

sábado, 3 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 64ª PARTE

QUANTO MAIS LONGA A EXPLICAÇÃO, MAIOR A MENTIRA.

No ano 800 d.C., Tikal pulsava sob o sol, em meio à selva guatemalteca. Cem mil almas caminhavam entre pirâmides, templos e mercados. Nenhum sinal de chips, circuitos ou propulsores interplanetários — apenas pedra, suor e engenho humano. 


Se os deuses vieram das estrelas, por que demoraram tanto a ensinar o básico? Ou será que o verdadeiro milagre é o tempo e o que fazemos com ele? 

 

A tese de que os deuses mitológicos eram seres extraterrestres que transmitiram técnicas e conhecimentos avançados aos humanos primitivos não deixa de ser sedutora — como dizem os espanhóis, yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay.


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O conservadorismo nacional esperava chegar a janeiro de 2026 em triunfo. Se tudo corresse como planejado, os aliados adulariam Bolsonaro com o projeto de redução da sua pena, Tarcísio de Freitas compraria o apoio do aliado preso com a apólice do indulto e o centrão se unificaria em torno de um anti-Lula competitivo, cultivando o sonho de conquistar o Planalto e virar um centrãozão. Mas faltou combinar com os russos.

Aprovada na Câmara e no Senado, a proposta da dosimetria subiu para a mesa de Lula como matéria-prima para um veto esperando na fila para acontecer na simbólica data de 8 de janeiro. Com pavor de se tornar irrelevante, o ex-mito preferiu trocar a promessa de um indulto a prazo por uma cobrança à vista do apoio dos aliados à candidatura presidencial do primogênito Flávio.

A manobra aprisionou o centrão num cercadinho familiar, o sonho presidencial de Tarcísio apodreceu antes de amadurecer, e a direita chega ao Ano Novo zonza.

A nada negligenciável hipótese de uma pulverização das forças conservadoras favoreceria o projeto de reeleição de Lula, a despeito de a popularidade do presidente continuar no vermelho em todas as pesquisas de opinião.

 

Ao estabelecer os fundamentos da lógica e do pensamento científico, Aristóteles postulou que, diante de múltiplas hipóteses para um mesmo conjunto de evidências, a mais simples tende a ser a correta. Mas, como bem se diz, os sábios falam porque têm algo a dizer; os tolos, porque precisam dizer algo — e adoram o som da própria voz.

 

A Teoria da Relatividade Especial, publicada por Albert Einstein em 1905, introduziu o conceito de espaço-tempo. Dez anos depois, a Relatividade Geral expandiu esse conceito ao demonstrar que a gravidade não é uma força propriamente dita, mas a curvatura do espaço-tempo provocada pela presença de massa e energia. Segundo Einstein, viajar para o futuro é teoricamente possível, mas retornar ao passado envolve desafios complexos, como o célebre “paradoxo do avô”.

 

De acordo com o fenômeno da dilatação temporal, quanto mais rápido alguém se move, mais lentamente o tempo passa para ele em relação a um observador em repouso. O famoso “paradoxo dos gêmeos” ilustra isso com clareza: um astronauta que viajasse por um ano a uma velocidade próxima à da luz e retornasse à Terra teria envelhecido apenas alguns segundos, enquanto seus contemporâneos teriam comemorado dezenas de aniversários.

 

Na prática, os relógios internos dos satélites artificiais confirmam essa teoria, pois avançam 0,00447 segundo por dia em razão da velocidade com que orbitam a Terra e da menor gravidade a 20 mil km de altitude. Sem as devidas correções, os sistemas de GPS apresentariam erros de até 10 km por dia.

 

A curvatura extrema do espaço-tempo causada por objetos supermassivos pode dar origem aos buracos de minhoca — hipotéticos atalhos entre regiões distantes do Universo, ou mesmo entre diferentes momentos da linha temporal. Em tese, dobrar o espaço-tempo como se fosse uma folha de papel permitiria deslocamentos instantâneos entre dois pontos, seja no espaço, seja no tempo.

 

No entanto, criar e estabilizar um buraco de minhoca exigiria a manipulação de energia negativa ou exótica em escala cósmica — algo ainda não observado na prática. Especula-se que, se uma extremidade do buraco permanecesse na Terra e a outra fosse levada por uma nave em velocidade relativística, quem o atravessasse poderia emergir em um momento anterior ao início da viagem. Isso resolveria o paradoxo do avô: se o buraco só permitisse viagens a momentos posteriores à sua criação, não haveria como alterar os eventos que levaram à sua existência.

 

Segundo os princípios da mecânica quântica, o espaço-tempo está sujeito a variações de energia — inclusive negativa — que poderiam, em teoria, deformá-lo a ponto de permitir viagens temporais. Contudo, as flutuações quânticas são extremamente raras e efêmeras, o que torna sua exploração um desafio tecnológico colossal.

 

A viagem no tempo é o fruto mais cobiçado da árvore da Relatividade. Quando — e se — ele for colhido, surgirão dilemas filosóficos profundos sobre livre-arbítrio, determinismo e a própria natureza do tempo. Se for possível alterar o passado, como isso afetaria o presente e o futuro? E mais: a criação de tecnologias capazes de manipular o espaço-tempo teria implicações monumentais, não apenas para a exploração do cosmos, mas para a própria estrutura da realidade como a conhecemos.

 

As viagens no tempo alimentam a imaginação humana e a criatividade literária desde a publicação de A Máquina do Tempo (1895), mas sua realização prática continua sendo um desafio. A ciência oferece pistas teóricas e possibilidades fascinantes, mas alcançar esse sonho requer avanços profundos na física fundamental — e na engenharia capaz de dobrar o tecido do Universo.

 

Se um dia dominarmos o tempo, não será para corrigir erros do passado, mas para entender por que os cometemos. A viagem temporal não será um bilhete dourado para mudar destinos, mas um espelho cruel — revelando que, mesmo com todo o conhecimento do Universo, ainda somos reféns das escolhas que fazemos agora.

 

Continua...