sexta-feira, 29 de junho de 2012

21 de dezembro de 2012 – O Calendário Maia e o Fim dos Tempos


Hoje, último dia útil do primeiro semestre de 2012, me parece a data adequada para publicar esta postagem, que foge do nosso convencional, mas envolve um assunto palpitante - cometários serão bem vindos; afinal, como diz o Guilherme, isto não é um monólogo!

Desde que o mundo é mundo, os arautos da desgraça se valem de interpretações subjetivas de profecias e passagens bíblicas para preconizar o Apocalipse. A bola da vez é o Calendário Maia – criado por uma civilização extinta no século X da nossa era, que contava o tempo em ciclos de 5126 anos (contagem longa) e os dividia em 13 “baktuns” de 394 anos cada.

Observação: O termo APOCALIPSE tem como origem a palavra grega APOKALYPTEIN, que significa “REMOVER O VÉU” (no sentido de revelar). A rigor, ele é apenas o título de um dos livros da Bíblia (do grego TA BÍBLIA, que significa “OS LIVROS”), mas vem sendo amplamente utilizado como sinônimo de FIM DO MUNDO.

Ainda que o final do 13º “baktun” coincida com o dia 21 de dezembro deste ano, nada indica que essa data seja o marco inicial de uma sucessão de cataclismos que mudarão o curso da história da humanidade. Aliás, segundo o Instituto Nacional de História Antropológica do México, somente dois dos quinze mil textos glíficos encontrados nas ruínas maias fazem qualquer menção a 2012. Para muitos pesquisadores, essa falácia se deve em grande parte aos livros Erich von Däniken Carlos Castaneda e ao movimento Hippie dos anos 60 e 70, famoso por encorajar a ingestão de alucinógenos e outros que tais (para saber mais, clique aqui; para jogar um joguinho bem interessante, clique aqui).

Por padrão, o ser humano tem medo do desconhecido: se usassem calças, os homens das cavernas as borrariam sempre que ocorresse uma tempestade com raios e trovões; 500 anos atrás, os silvícolas tupiniquins tremiam nas bases ao ronco de Tupã ("deus" do trovão), e, mais recentemente, escravos trazidos da África por nossos “meigos” colonizadores popularizaram cultos onde Iansã é tida (até hoje) como rainha dos raios e das tempestades. Mesmo no alvorecer do século XX, a passagem do Cometa Halley propiciou incidentes que variaram de orgias místico-gastronômicas ao suicídio em massa, com direito a sacrifício de virgens e locupletação de espertalhões que vendiam máscaras contra os gases da cauda do cometa – se o mundo fosse mesmo acabar, de que lhes serviria o dinheiro?

É inegável que evoluímos mais nos últimos 100 anos do que nos quatro milênios anteriores, mas o progresso cobra seu preço e o “buraco” na camada de ozônio, a escassez de recursos naturais, por exemplo, são problemas reais que demandam soluções urgentes. No entanto, não devemos dar ouvidos à falácia de fanáticos religiosos, adivinhos tendenciosos, falsos profetas e sacripantas afins: segundo fontes da NASA, o “fatídico dia D” será mais uma sexta-feira, sem alinhamentos planetários nem colisão com asteroides.

Tempestades solares, quedas de meteoros e coisas afins são ameaças reais, mas vimos sobrevivendo a elas desde o início dos tempos; a inversão dos pólos magnéticos da Terra é um processo gradativo que só deve voltar a ocorrer daqui a 500.000 anos, e o término de um ciclo do Calendário Maia coincide com o início de outro, de modo que, se você estourar o limite do cartão de crédito, além do Natal e do Réveillon, terá um ano novo repleto de contas a pagar.

Abraços e até mais ler.
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