segunda-feira, 28 de maio de 2018

AINDA SOBRE A GREVE, A PUSILANIMIDADE DO GOVERNO E AS PRÓXIMAS ELEIÇÕES



 Com o saco cheio dessa greve estúpida ― não por ela não fazer sentido, mas por colocar em risco o abastecimento de combustíveis, mercadorias, remédios etc. ―, junto minhas preces às de milhões de brasileiros, na esperança de que as medidas mais duras anunciadas pelo governo não sejam apenas bravatas, que os agentes ocultos do locaute sejam punidos exemplarmente e os piquetes, removidos o quanto antes ― se possível, sem violência ―, de modo que os brasileiros que precisam trabalhar consigam fazê-lo.

Dizer, agora, que o governo subestimou a capacidade de mobilização da categoria e que a paralisação poderia ter sido evitada ou minimizada é chorar sobre o leite derramado. Apurar responsabilidades e atribuir culpas, somente após o “incêndio” ser controlado ― por “incêndio”, entenda-se a maior paralisação de caminhoneiros desde 1999, quando a categoria cruzou os braços por quatro dias para pressionar o então presidente FHC a rever os reajustes do diesel e dos pedágios federais. 

Fato é que a paralisação atual representa um sério baque para uma economia cuja recuperação é frágil, além de desmoralizar ainda mais um governo mambembe, cuja pusilanimidade pode estimular outros a repetirem o feito em defesa de suas reivindicações. Afinal, hienas, abutres e tubarões farejam sangue a quilômetros. Com o governo nas cordas, há quem possa querer levar vantagem, e seria uma catástrofe se uma sucessão de movimentos paredistas anulasse os pífios avanços da Economia sob a gestão do presidente mais impopular da nossa história.      

Falando em Michel Temer, parece que ele desistiu de disputar a reeleição com outros vinte e tantos postulantes ao cargo ― que, com exceção do troglodita Jair Bolsonaro e da sonhática Marina Silva, não têm a menor chance de se eleger. Lula, o criminoso que, mesmo encarcerado, continua líder em intenções de votos (não me pergunte por que seu nome continua sendo incluído nas pesquisas), parece não se dar conta de sua situação, e o apoio da patuleia incorrigível só respalda a tese de que nasce um idiota a cada minuto neste mundo, e os que nascem no Brasil já vêm com título de eleitor.

Enquanto boçais de quatro costados apoiam a volta de corruptos ao poder (pesquisas dão conta de que, em Minas Gerais, os candidatos mais cotados para o Senado são Dilma e Aécio), debiloides almejam o retorno dos militares, alegando que a economia cresceu nos anos 70 e 80, e que não havia corrupção nas gestões dos generais. O fato é que, à exemplo de Lula, que surfou nas ondas de um cenário internacional benfazejo (mas que mudou da água para o vinho em 2008), os milicos fizeram o Brasil crescer mais de 10% ao ano entre 1968 e 1973, mas somente porque havia liquidez abundante, capitais externos para investimentos e empréstimos a juros baixos. Em 1985, quando eles finalmente largaram o osso, deixaram uma inflação na casa dos 200% ao ano, uma dívida pública equivalente a 30% do PIB e uma dívida externa 20 vezes maior que a de 1970, sem falar nas obras faraônicas inacabadas e nas estatais endividadas. 

E também houve corrupção nos anos de chumbo, tanto que ficou famosa a frase de Mario Henrique Simonsen, que foi ministro tanto no governo de Geisel quanto no de Figueiredo: “Às vezes é melhor pagar a comissão e não fazer a obra; sai mais barato”. Em tempos nos quais a censura campeava solta, não havia era jornalismo investigativo, e daí a crença de que o regime botava ordem no galinheiro. Na verdade, o que havia era um Judiciário acorrentado, eleições controladas e aniquilação sumária dos opositores (como revelado recentemente por um documento da CIA).

A tese de que uma ditadura militar é melhor do que uma ditadura comunista é inconsistente. A rigor, nenhuma das duas presta. A direita justificava sua ditadura como meio de evitar a instalação de um regime à cubana por aqui, e a esquerda revolucionária, que de fato treinava em Cuba, combatia o regime na esperança de que sua derrubada levasse não à democracia que chamavam de burguesa, mas ao socialismo da ilha, que também aniquilava seus opositores. 

E quando se achava que a lição fora aprendida, vêm os defensores do militarismo alardear que nossa democracia é fraca para conter as esquerdas e os corruptos, e as esquerdas a contestar a legitimidade desta democracia, que, segundo essa patuleia atávia, pune Lula e seus asseclas não por eles serem corruptos, mas por “serem do povo”.

A cinco meses das eleições, entre dezenas de partidos registrados no TSE ― e outros tantos aguardando registro, de olho no fundo partidário bilionário ―, não se encontra um que apresente sequer um arremedo de projeto de governo. São todos verdadeiras oligarquias dominadas por seus dirigentes, que controlam tudo, do cofre às eleições internas, e delas, às campanhas eleitorais, sujeitando os novos candidatos às suas ordens ditatoriais. E isso vem acontecendo há trinta anos, ou seja, desde a celebrada “democratização” do país.

Enquanto não houver regras que proíbam a reeleição na direção das siglas, que impeçam membros das mesmas famílias de se revezar no comando partidário, não haverá renovação de quadros, nem, consequentemente, formação de estadistas. Todos, aí incluídos os militares, foram levados ― ou levaram a si mesmos ― a determinados pactos políticos para se garantir no poder. O caso de Lula surpreendeu ainda mais porque o PT dizia defender a ética e combater a corrupção, mas isso não muda o fato de que todos que se sentam na cadeira presidencial continuam comprando apoio. Assim, a corrupção continuará em curso enquanto não houver autonomia dos poderes, aí incluído o Judiciário, que depende dos demais para manter privilégios, como auxílio-moradia e ganhos acima do teto constitucional.

Infelizmente, as próximas eleições não resolverão o problema, mesmo que, a duras penas, se eleja por margem mínima um candidato de centro. Se nada mudar, o próximo presidente ficará refém do Congresso, das maiores bancadas, do toma-lá-dá-cá e de todas as mazelas do nosso presidencialismo de cooptação. Em suma: eleições representam ou mudanças efetivas ou arranjos precários; no caso do Brasil, as de outubro certamente pertencerão ao segundo grupo.

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