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terça-feira, 23 de junho de 2026

ONDE ALGUNS VEEM CORDAS, OUTROS VEEM UM ESPAÇO-TEMPO FEITO DE FRACTAIS.

QUANTO MAIS AMPLIAMOS O UNIVERSO, MENOS SÓLIDO ELE NOS PARECE.

Segundo a física Astrid Eichborn, quando reduzimos a escala de observação a níveis extremos, as leis da física clássica simplesmente deixam de funcionar. 

Se ampliarmos o celular que está exibindo esta postagem, a tela, aparentemente lisa, se dissolverá em uma rede de pixels e moléculas. Se ampliarmos ainda mais a imagem, veremos os átomos — estruturas em que nuvens de elétrons vibram ao redor de núcleos atômicos. Se o zoom continuar, mergulharemos no interior desses núcleos, onde prótons e nêutrons parecerão gigantescos, quase como sistemas solares compostos por quarks ligados por intensos campos de força.

A partir desse ponto, as próprias forças fundamentais começarão a mudar de comportamento. O eletromagnetismo e a força fraca tornar-se-ão mais intensos, ao passo que a força forte enfraquecerá. Durante algum tempo, essas mudanças seguirão padrões relativamente bem compreendidos, que os físicos conseguem descrever com bastante precisão. Até deixarem de conseguir.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Lula é um excelente compositor. Compõe com todo mundo. Mas poucos desfrutam de sua amizade. Numa galeria de amigos, o macróbio colocaria o retrato de Jaques Wagner sob a melhor luz, mas a Polícia Federal ofereceu ao senador uma rara oportunidade de demonstrar que o apreço do presidente é correspondido. Investigado no inquérito sobre o Master — que fincou estacas nos três poderes — deveria se desligar imediatamente da função de líder do governo no Senado.Juridicamente, Jaques Wagner tem direito ao benefício da dúvida, mas, politicamente, uma dúvida criminal não é a melhor conselheira para um presidente da República. Em condições normais, afastar o investigado da liderança do governo seria conveniente. Em meio a uma guerra eleitoral, o afastamento é um incontornável preço a pagar. Regateando, o petismo pagará mais caro. E barateará as críticas a Flávio Bolsonaro por pedir dinheiro a Daniel Vorcaro.

Quando ampliamos a realidade a escalas cada vez menores — ou, equivalentemente, energias cada vez maiores —, as leis estabelecidas da física tendem a perder seu poder explicativo. A gravidade, praticamente irrelevante na escala atômica, passa a se comportar de maneira errática, e aí entramos no reino de Planck, onde a física pede licença para sair da sala. Em outras palavras: ninguém sabe ao certo o que está acontecendo — mas as hipóteses são maravilhosamente sofisticadas.

A aparente falha da física de partículas nessa escala sugere que o universo pode ser composto não por partículas pontuais, mas por cordas e membranas vibrantes. Alguns cientistas sustentam que nessas escalas extremas o próprio espaço-tempo deixa de ser contínuo e passa a apresentar uma estrutura formada por laços. Mas alguns pesquisadores exploram uma possibilidade diferente.

Em 1976, Steven Weinberg propôs que, ao ampliar suficientemente a escala de observação, chegamos a um ponto em que as regras da física simplesmente pararam de mudar, a intensidade das forças se estabiliza e a gravidade volta a fazer sentido.

Eichborn tornou-se uma das principais pesquisadoras a investigar essa hipótese — conhecida como segurança assintóticaAo longo da última década, ela e seus colaboradores fizeram progressos significativos na tentativa de demonstrar que as leis quânticas deixam de evoluir na escala de Planck, exatamente como Weinberg suspeitava, como também conseguiram conectar a física desse regime extremo com fenômenos que podem ser estudados em escalas muito mais acessíveis.

A abordagem utilizada para descrever a maioria das forças da natureza é a teoria quântica de campos, que pressupõe que o universo está repleto de campos quânticos ondulantes que se manifestam como partículas pontuais. Essas partículas se movem através de um espaço-tempo contínuo e interagem por meio de forças. O problema é que, quando tentamos tratar a gravidade quântica exatamente da mesma maneira — como um campo quântico flutuante — a teoria deixa de funcionar.

Em linhas gerais, para uma força bem compreendida como o eletromagnetismo, é necessário considerar flutuações do campo em todas as escalas. Em vez de desaparecerem à medida que ampliamos o zoom, essas flutuações manifestam-se como partículas virtuais com energias cada vez maiores. Nesse caso, a intensidade da força muda, mas o arcabouço teórico continua funcionando até a gravidade entrar em cena. Aí a situação se complica. 

Como Albert Einstein demonstrou em suas equações relativísticas, a gravidade está ligada à própria estrutura do espaço-tempo; quando tentamos quantizá-la da mesma forma que fazemos com as outras forças, as flutuações se tornam problemáticas: em distâncias extremamente pequenas, partículas virtuais de alta energia passam a interagir de maneiras que a teoria não consegue descrever.

Algo novo parece acontecer nessas escalas, e há basicamente três grandes linhas de pensamento sobre o que esse “algo novo” poderia ser. Uma possibilidade é a teoria quântica de campos simplesmente deixar de funcionar — situação em que os objetos fundamentais deixariam de ser pontos e passariam a ser cordas microscópicas vibrantesOutra possibilidade é o espaço-tempo não ser contínuo — um copo d’água parece contínuo à primeira vista, mas sabemos que ele é composto por átomos discretos. E a ideia de que o mesmo ocorre com o espaço-tempo é explorada na chamada gravidade quântica em loop

Uma terceira hipótese é a essência da segurança assintótica. Segundo essa linha de raciocínio, campos, partículas e espaço-tempo continuam existindo, mas a estrutura do universo, quando observada em escalas extremamente pequenas, passa a apresentar uma espécie de autossimilaridade, lembrando um fractal. A intensidade das forças — inclusive a gravidade — deixa de variar indefinidamente e passa a seguir as mesmas regras de interação entre partículas.

Se esse regime autossimilar realmente existir, as flutuações do espaço-tempo e dos demais campos podem se tornar estáveis o suficiente para que a boa e velha teoria quântica de campos continue sendo utilizada para fazer previsões — mesmo em energias extremamente altas. E simetrias são extremamente comuns na natureza — o próprio espaço-tempo possui diversas simetrias fundamentais; não existem direções privilegiadas, lugares especiais ou momentos absolutos, apenas escalas privilegiadas.

O mundo se apresenta de formas diferentes para os seres humanos, para as bactérias e para os elétrons, mas, no nível mais fundamental da realidade, é possível que nem mesmo essas escalas sejam especiais — talvez o infinitamente pequeno seja apenas o infinitamente grande visto de muito perto.

Se a teoria quântica de campos nunca falhou em laboratório, uma maneira de torná-la preditiva em todas as escalas é justamente introduzir essa simetria de escala. Para verificar se isso é possível, os físicos utilizam algo semelhante a um microscópio matemático, que constrói representações matemáticas dos campos e de suas interações, calcula como essas interações mudam à medida que se aumenta o “zoom” energético e procura um ponto fixo, onde essa evolução simplesmente deixa de ocorrer.

Grande parte da comunidade científica tem investigado inicialmente o caso mais simples: um espaço-tempo vazio, contendo apenas gravidade pura. Alguns pesquisadores simplificam ainda mais o problema considerando apenas flutuações quânticas do espaço e ignorando temporariamente as flutuações do tempo. Esses cenários foram analisados em centenas de trabalhos teóricos, e muitos deles indicam de forma bastante robusta a existência de um ponto fixo onde as constantes físicas deixam de evoluir.

Em um de seus primeiros estudos, Eichborn incluiu todos os campos de matéria e força conhecidos e concluiu que o ponto fixo ainda aparecia — mesmo nesse cenário mais complexo. Posteriormente, análises mais completas mostraram que o ponto fixo permanece mesmo quando se consideram diversas formas adicionais de interação entre os campos conhecidos.

Outra maneira de testar a ideia consiste em inverter o raciocínio: em vez de procurar matematicamente um ponto fixo nos modelos, parte-se da hipótese de que ele existe e pergunta-se quais seriam suas consequências observáveis no mundo macroscópico. Curiosamente, essa hipótese parece forçar o universo a se parecer muito com o universo que realmente observamos.

Em 2009, Mikhail Shaposhnikov e Christof Wetterich mostraram que, ao se afastar de um ponto fixo desse tipo, a massa do bóson de Higgs tende a aumentar. Num universo sem esse ponto fixo, as massas das partículas poderiam assumir praticamente qualquer valor. Já na presença dele, surge uma interação muito específica entre a gravidade e a força eletrofraca, restringindo os valores possíveis de certas massas fundamentais.

Em outras palavras, um universo com simetria de escala fundamental poderia explicar por que as propriedades das partículas elementares são exatamente aquelas que observamos. Isso não significa, naturalmente, que a segurança assintótica resolva todos os mistérios da física. A massa do próton observada é compatível com a existência de um ponto fixo, mas também poderia ser dezenas de vezes maior sem violar a teoria. Até onde sabemos, nenhuma propriedade conhecida das partículas contradiz a segurança assintótica — o que significa que ela permanece uma possibilidade em aberto. Mas vários modelos populares de matéria escura parecem entrar em tensão com essa ideia. Algumas versões simples de partículas massivas de interação fraca, certos candidatos semelhantes a áxions e modelos de matéria escura ultraleve parecem menos compatíveis com um universo fundamentalmente autossimilar.

Os experimentalistas continuam avançando, e muitos dos experimentos atuais podem acabar funcionando, indiretamente, como testes da própria segurança assintótica. É perfeitamente possível, no entanto, que essa abordagem não seja incompatível com outras teorias de gravidade quântica. Na escala mais fundamental da realidade, talvez existam cordas, laços ou estruturas ainda mais exóticas. Mas, ao nos afastarmos dessas escalas extremas, entramos em um regime onde as leis da física mudam tão lentamente que o universo parece operar em torno de um ponto fixo. Se isso for verdade, diferentes teorias de gravidade quântica que consideramos rivais passam a ser maneiras distintas de olhar para a mesma física profunda.

Na pesquisa em gravidade quântica, afinal de contas, ser humilde é sempre uma boa ideia.

terça-feira, 28 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 100ª PARTE

A BUROCRACIA É A ARTE DE CONVERTER O FÁCIL EM DIFÍCIL POR MEIO DO INÚTIL

Quando se trata dos buracos negros, uma questão intrigante é se a singularidade — ponto no espaço-tempo em que as leis da física não se aplicam — é ou não capaz de "engolir" uma galáxia inteira.

Na região fronteiriça desses corpos celestes, que se convencionou chamar de horizonte de eventos, a força gravitacional é tamanha que nem a luz consegue escapar. Isso mantém a singularidade oculta, mas muita coisa visível acontece enquanto "o glutão se alimenta", começando pela "espaguetificação" da matéria.

Para entender isso melhor, encha uma pia com água, destampe o ralo, pingue algumas gotas de corante e repare no fio colorido que espirala em direção ao centro do ralo antes de descer por ele. O aumento da temperatura durante esse processo gera anéis luminosos concêntricos — chamados de discos de acreção — que podem ser observados por telescópios sofisticados. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Os filhos de Bolsonaro decidiram dançar a coreografia da autofagia na antessala da sucessão. Distribuem dentadas em aliados que, segundo seus critérios, demoram a arregaçar as mangas pela candidatura presidencial do senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias. Na penúltima mordida, o vereador Jair Renan se juntou a um influenciador bolsonarista — Junior Japa — para fustigar Nikolas Ferreira nas redes sociais. O deputado mordeu de volta: "Se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla, não alcança a de uma toupeira cega". Sem mencionar os irmãos, Flávio anotou que não é necessário 'pressionar' ninguém ou 'me defender' de pessoas que também querem um Bolsonaro de novo no Planalto.
A mensagem chega quando Carlos Bolsonaro anunciou que faria um "levantamento de membros do PL que não divulgam a candidatura" do irmão. No mês passado, Eduardo Bolsonaro intensificou a guerrilha familiar ao chamar Nikolas de "versão caricata de si mesmo". Em fevereiro, Eduardo já havia mordido o deputado e a madrasta Michelle, levando Nikolas a insinuar que o agressor precisa de tratamento.
Ironicamente, o incêndio no parquinho bolsonarista cresce junto com o ponteiro de Flávio nas pesquisas, que degusta um empate técnico com seu principal adversário em cenários de segundo turno. Para manter o viés de alta, Flávio se autoimpôs o desafio de atrair o eleitor independente.
Enquanto a famiglia Bolsonaro se consolida como um desafio a Charles Darwin — Flávio tenta convencer o país de que é um exemplar moderado da sua dinastia, enquanto os irmãos oferecem material para um estudo sobre a regressão da espécie bolsonarista — o PT aprovou três documentos inusitados. Um deles — o manifesto — se dedica a suavizar os outros dois — a tática eleitoral e as diretrizes para o programa do quarto mandato do macróbio eneadáctilo. Juntos, os textos do PT expõem planos que o governo do PT não foi capaz de realizar.
Na tática eleitoral e no programa de governo, o PT trata o Banco Central como bode expiatório. Defende juros de um dígito sem tratar do desequilíbrio fiscal. No manifesto, o bode sai da sala. O BC não é sequer mencionado — com Campos Neto na chefia, o lero-lero valia por um desabafo; com juros a 14,75% e Gabriel Galípolo no comando, nem isso (vale lembrar que, no governo Dilma, o PT cortou os juros para um dígito na marra. Deu em inflação, recessão e mais juros).
No manifesto, o PT defende a reforma política e eleitoral, com o fim das emendas orçamentárias impositivas, e prega a taxação da jogatina eletrônica das bets. No programa de governo fala até em proibir o jogo do tigrinho. Faltou lembrar que o cassino do celular foi impulsionado pelo governo Lula 3, no pressuposto de que renderia bilhões ao Tesouro por meio de licenças e tributos. Deu no endividamento das famílias e no mau humor do eleitor com o governo.
Na tática eleitoral, o PT rosna para o Supremo. Prega a reforma do sistema de Justiça para "superar a lógica neoliberal" que infesta a maioria das sentenças do Judiciário e para exterminar a "promiscuidade entre juízes e empresários". No manifesto, surge uma reforma do Judiciário água com açúcar, visando a "autocorreção" e o "fortalecimento do Estado de Direito". A menção ao Master, incluída em versões anteriores, sumiu dos textos.
Desde que chegou ao poder, em 2003, o petismo fala em reformar a política. Nos dois primeiros reinados, o molusco comprou apoio congressual com mensalão e petrolão. Sob Dilma, as emendas começaram a se tornar impositivas. Em 2022, Lula prometeu abolir o orçamento secreto, adotado sob Bolsonaro. Eleito, nem tentou.
Somando-se o tempo de Presidência de Lula e Dilma, o PT dá as cartas no Planalto há mais de 17 anos e oito meses. É mais fácil o partido consolidar a percepção de que ficou fora de moda do que a ideia de que virou antissistema do dia para a noite. Resta a Lula um consolo: na oposição, o único contraponto competitivo é Flávio Bolsonaro, uma novidade com aroma de naftalina.

Os buracos negros se tornam supermassivos devorando as estrelas mais próximas, mas, devido a limitações impostas pela dinâmica orbital e pela distribuição da matéria, não conseguem engolir galáxias inteiras .Por outro lado, sua extraordinária força gravitacional é tamanha que distorce o tecido do espaço-tempo e influencia estrelas e outros objetos, permitindo que eles sejam observados. Foi assim que os astrônomos descobriram Sagitário A* no centro da Via Láctea 


Observação: um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Arizona (EUA) concluiu que buracos negros supermassivos ativos, com bilhões de vezes a massa do Sol, podem interferir não apenas em suas próprias galáxias, mas também em sistemas vizinhos, a milhões de anos-luz de distância. Essa radiação intensa aquece ou dispersa o gás interestelar, impedindo que ele esfrie e colapse para formar novas estrelas.


Quando o colapso de uma estrela resulta num buraco negro, sua massa e, consequentemente, sua força gravitacional permanecem as mesmas da estrela antes do colapso. Nosso Sol não tem massa suficiente para se tornar um buraco negro, mas, supondo que isso ocorresse, as órbitas dos planetas, cometas e asteroides continuariam iguais. 


Nosso sistema solar está a confortáveis 26 mil anos-luz do buraco negro supermassivo Sagittarius A*, no centro da Via Láctea, mas estrelas como S2 orbitam tranquilamente seu horizonte de eventos. O exemplar mais próximo conhecido é Gaia BH1, que fica a cerca de 14,8 quatrilhões de km da Terra. Detalhe: mesmo na velocidade da luz, uma viagem até lá levaria 1.560 anos. 


Isso pode parecer muito longe, mas, na escala astronômica, a constelação de Ophiuchus fica em nosso "quintal cósmico". O buraco negro mais distante descoberto até agora fica a 13,1 bilhões de anos-luz da Terra. Considerando que o Big Bang ocorreu há 13,8 bilhões de anos, ele é quase tão antigo quanto o próprio Universo.


De acordo com a teoria da inflação cósmica, o Universo dobrou sucessivamente de tamanho milhares de vezes em cerca de 10-36 segundos, produziu um cosmos homogêneo e plano e criou as quatro forças fundamentais, o tempo e o espaço. O diâmetro do universo observável é de 93 bilhões de anos-luz, e continua se expandindo. Não sabemos se ele é finito ou se replica em universos paralelos e forma um "multiverso", com diversas versões de nós mesmos.


Na visão dos criacionistas e seguidores das religiões abraâmicas, Deus criou o mundo e tudo que existe nele em seis dias. Já o pastor James Ussher, preciso como um cuco suíço, explica em seu livro The Annals of the World que o Criador deu início à sua obra às 9 horas da manhã do dia 23 de outubro de 4004 a.C., e que desde então todas as espécies criadas jamais sofreram qualquer alteração. 


Escorada na Relatividade, a teoria clássica do Big Bang sustenta que tudo começou com uma singularidade, mas um artigo publicado no Journal of High Energy Physics sugere que essa singularidade é uma ilusão matemática (os autores se embasaram num estudo que Karl Schwarzschild publicou em 1916 sobre buracos negros — que foi contestado mais adiante pelo astrônomo Arthur Eddington).


A hipótese de existirem regiões do espaço com força gravitacional suficiente para "capturar" a própria luz foi levantada pela primeira vez no século XVIII e ratificada pelas equações de Einstein, que forneceram a base para o entendimento atual dos buracos negros, mas foi somente em 2019 que o Event Horizon Telescope capturou a imagem de um exemplar no centro da galáxia M87, tornando real o que até então era uma possibilidade teórica. 


Sabe-se que os buracos negros crescem à medida que "se alimentam" e encolhem conforme perdem pequenas quantidades de energia (radiação Hawking), mas a física clássica falha em explicar a singularidade — um ponto em que Einstein previu densidade infinita. Como suas conclusões não são completas sem a gravidade quântica, teorias como a das cordas e a da gravidade quântica em loop tentam unificar a relatividade geral e a mecânica quântica, mas ainda estão em desenvolvimento. Até o momento não há evidências que confirmem ou refutem a existência de uma singularidade inicial, mas se uma dessas teorias for comprovada, teremos uma descrição do Big Bang que não envolva a singularidade. 


A matemática pode fornecer várias maneiras de modelar o universo nascituro, e algumas equações sugerem que a singularidade pode ser evitada. Isso depende de suposições específicas sobre a natureza do espaço-tempo e a maneira como os efeitos quânticos se manifestam. Einstein publicou suas equações no início do século passado, mas falhou em descrever o comportamento do espaço-tempo em escalas extremamente pequenas, nas quais os efeitos quânticos se tornam significativos e a presença de singularidades sugere a necessidade de uma abordagem mais completa, que inclua a gravidade quântica. 


Em 1995, propôs-se que cinco diferentes teorias das cordas seriam na verdade faces da Teoria de Tudo, que busca conciliar a relatividade geral (que funciona muito bem em escalas grandes, como planetas, estrelas e galáxias) com a mecânica quântica (que explica o comportamento da matéria e da energia em escala subatômica, como átomos e partículas fundamentais). 


Não é incomum que teorias aparentemente contraintuitivas ou meramente especulativas sejam comprovadas a posteriori, a partir de novas evidências e métodos experimentais. Exemplos disso incluem a própria relatividade, que revolucionou nossa compreensão do universo no século XX. A física está em constante evolução, e novas descobertas podem nos aproximar de uma resposta definitiva. Portanto, é saudável manter um ceticismo fundamentado, acompanhar os avanços na área e ver como essas teorias se desenvolvem.


Continua

terça-feira, 21 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 97ª PARTE — TEORIAS DAS CORDAS, DE TUDO E "M"

O TEMPO CURA TODAS AS FERIDAS, MAS NÃO APAGA AS CICATRIZES.

Há muito que os físicos tentam acomodar a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica em um único modelo matemático, e as teorias das Cordas, de Tudo e M são sérias candidatas a esse papel.


De acordo com Einstein, o espaço é composto por três dimensões — comprimento, largura e profundidade —, e o tempo não é uma constante, mas uma quarta dimensão. À luz dessa premissa, vivemos constantemente entre o presente e o passado.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Quando a presunção do direito à força prevalece sobre a força do direito, surgem as críticas, que são proporcionais ao excesso de rigor e à ausência de transparência. Se não quiser ser vidraça, o ministro Alexandre de Moraes precisa parar de fornecer pedras. Aliás, talvez valesse a pena trocar os juízes por um algoritmo de IA.

Em abono a essa tese, o jornalista Hélio Schwartsman. pondera que os algoritmos são mais baratos e consistentes do que os magistrados de carne e osso, além de serem menos susceptíveis à corrupção do que o Judiciário brasileiro, com ministros supremos enrolados no escândalo do Master, penduricalhos sob os holofotes da imprensa e venda de sentenças no STJ, entre outras histórias pouco edificantes. Sem falar que as mesmas pessoas e instituições que acertam num caso podem errar em outros. Some-se a isso o menor custo das IAs, a invulnerabilidade dos computadores à corrupção e paixões como ganância, relações de amizade, amor, etc.

Mesmo em países onde os custos do Judiciário são menores e os magistrados não frequentam o noticiário político ou policial diuturnamente, enfatiza-se a superioridade das IAs — não porque os algoritmos são particularmente bons na tarefa, mas porque os humanos são péssimos.


Alguém que vai de casa à padaria da esquina — ou à galáxia mais próxima — tem quatro coordenadas (três espaciais e uma temporal) para se guiar. Quanto mais rápido esse alguém avança nas dimensões espaciais, menos progride na dimensão temporal.


Em outras palavras, quanto mais depressa nos deslocamos pelo espaço (lembrando que o limite teórico é a velocidade da luz, representada pela letra "c" e equivalente a 299.792.458 m/s), mais devagar o tempo passa para nós. Se viajássemos com a velocidade da luz, o tempo pararia de passar, se a superássemos, chegaríamos a nosso destino “antes da partida" — devido à dilatação do tempo (para entender melhor, confira o que diz o paradoxo dos gêmeos).


Corpos celestes supermassivos — como os buracos negros — curvam o espaço-tempo como uma folha de papel dobrada ao meio encurta a distância entre a margem superior e a inferior, como foi detalhado ao longo desta sequência. Assim, uma espaçonave que atravessasse um buraco de minhoca, chegaria numa questão de segundos a um ponto a milhares ou milhões de anos luz, neste ou em outro universo, no presente ou em outro momento da linha do tempo  


As equações relativísticas e a física clássica admitem a existência dos buracos de minhoca, mas supõe-se que eles surgem e se desfazem numa fração de segundo. No entanto, uma física além do chamado Modelo Padrão da Física de Partículas pressupõe a existência de buracos de minhoca grandes e seguros o bastante para serem atravessados. Além disso, Einstein ensinou que o impossível é apenas uma questão de tempo; Carl Sagan, que a ausência de evidências não é evidência de ausência, e Arthur C. Clarke, que desafiar os limites é a única maneira de superá-los.


Se o Universo for realmente um holograma, o Princípio Holográfico não só explicaria inconsistências entre a física quântica e a gravidade de Einstein como proporcionaria uma base sólida para a Teoria das Cordas, que permite derivar toda informação presente no modelo padrão. E uma física além do modelo padrão admite a existência de buracos de minhoca grandes e seguros o suficiente para ser atravessados.


Vale lembrar que há duas vertentes da Teoria das Cordas. Uma sugere que o Universo tem 11 dimensões e a outra, que são pelo menos 26. Três dessas dimensões são espaciais, uma é temporal e as demais estão relacionadas com as perturbações espaciais e temporais produzidas pelas oscilações das cordas, que dão origem a fenômenos elétricos, magnéticos e nucleares.


No fim das contas, talvez o Universo seja mais estranho do que supomos ou mais simples do que conseguimos aceitar. Entre dobrar o espaço, esticar o tempo e esconder dimensões extras em cada canto da realidade, é possível que o maior desafio seja simplesmente entender o óbvio — ou, quem sabe, admitir que ainda estamos olhando tudo isso pelo lado errado da dobra.


Continua…