Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta TEORIA DAS CORDAS. Ordenar por data Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por relevância para a consulta TEORIA DAS CORDAS. Ordenar por data Mostrar todas as postagens

terça-feira, 18 de agosto de 2026

SOBRE A TEORIA DAS CORDAS

AUSÊNCIA DE EVIDÊNCIA NÃO É EVIDÊNCIA DE AUSÊNCIA. 


Albert Einstein sonhava com uma "Teoria de Tudo", que juntasse o eletromagnetismo e a gravidade (as forças nucleares forte e fraca só foram descobertas mais tarde), mas morreu sem conseguir realizar seu sonho.


Mais adiante, diversos físicos — entre os quais John Schwarz, Michael Green e Yoichiro Nambu — desenvolveram o conceito da Teoria das Cordas, que combina a relatividade geral (que explica o comportamento de grandes corpos como planetas e estrelas) com a mecânica quântica (voltada para a explicação de partículas subatômicas).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A nova rodada da Quaest mostra que a vantagem de Lula sobre Bolsonaro encolheu: apenas três pontos no cenário de segundo turno. O empate técnico é um prenúncio do que está por vir. Faltam 50 dias para a eleição. Serão dias violentos.

O filho de capetão voltou ao patamar que ostentava em maio, antes da explosão do caso Dark Horse. A recuperação não pode ser atribuída às ideias do candidato do PL, que são poucas e confusas. Ele readquiriu forças graças às vulnerabilidades do adversário.

Os mimos do sócio do Master para Jaques Wagner, líder de Lula no Senado, dividiram o noticiário com a mordida de Flávio Bolsonaro no bolso de Daniel Vorcaro. Lulinha passou a estrelar três inquéritos. O eleitor soube que Marcola, chefe de gabinete do presidente, recebeu dinheiro da lobista do Careca do INSS.

A campanha começou formalmente neste domingo. A plateia pode imaginar o que fariam os candidatos se não precisassem se controlar. Coisas envolvendo machadinhas, arames sob as unhas e óleo quente no ouvido. Até a eleição de outubro, a política tende a ser mais violenta que luta de MMA. As acusações se sobrepõem aos projetos.


Surgida no fim da década de 1920, a mecânica quântica dividiu os físicos entre os que queriam estudá-la e os que preferiam continuar a desvendar os mistérios dos grandes corpos do universo usando a relatividade geral de Einstein. A questão é que os conceitos da relatividade não se aplicam ao mundo subatômico e vice-versa. E é aí que entra a Teoria das Cordas, segundo a qual todas as coisas do universo são compostas por filamentos de energia que vibram como as cordas de um violão, criando cada qual um som diferente e produzindo uma coisa diferente na natureza. À luz dessa premissa, o universo seria uma grande sinfonia gerada a partir da vibração dessas cordas. 


Durante muito tempo, acreditou-se que o átomo (palavra grega para 'indivisível') era a menor unidade da matéria. No início do século XX, Ernest Rutherford demonstrou que o átomo possui um pequeno núcleo central cercado por elétrons. Mais tarde, descobriu-se que os prótons e os nêutrons são formados por partículas menores ainda: os quarks, enquanto os elétrons pertencem a outra família de partículas fundamentais conhecida como léptons.


Hoje, acredita-se que os seis tipos diferentes de quarks e os seis tipos diferentes de léptons sejam as partículas fundamentais da matéria. Os quarks nunca aparecem isolados na natureza — sua existência é inferida por observações indiretas — enquanto os léptons podem ser detectados experimentalmente. Daí os defensores da Teoria das Cordas proporem que quarks, léptons e demais partículas não sejam fundamentais, mas manifestações diferentes de minúsculas cordas vibrantes.


Dada a dificuldade de provar a existência de algo tão minúsculo, os físicos mais céticos acham que a Teoria das Cordas não passa de uma espécie de golpe de marketing. Já o físico iraniano Cumrun Vafa, da Universidade Harvard — um dos mais influentes no campo — rebate as acusações: “muito do esforço humano vem de tentar compreender as coisas primeiro; se focarmos apenas nos experimentos, vamos perder um cenário muito maior”. Para ele, o fato de não ter nada em laboratório para mostrar não tira o mérito da teoria — na qual Leonard e Sheldon, da série The Big Bang Theory, também acreditam. 


“Haters gonna hate”, dizem os físicos que defendem a Teoria das Cordas. Mas o xis da questão é que, diferentemente do que Einstein imaginava, as versões mais modernas dessa teoria não veem o universo como um espaço-tempo de quatro dimensões (altura, profundidade, largura e tempo), mas sim com 11 dimensões — as outras sete que não conseguimos enxergar estão ali, ocultas à nossa percepção, e as vibrações das cordas nessas dimensões geram tanto os fótons — partículas que compõem não só a luz como também o eletromagnetismo — quanto os grávitons — partículas hipotéticas que surgiriam numa descrição quântica da gravidade.


Apesar de ainda não ter sido confirmada experimentalmente, a Teoria das Cordas impressiona muitos físicos pela elegância e pela simetria de suas formulações matemáticas. Seus defensores veem nisso um indício de que ela possa estar apontando para algo profundo sobre a estrutura do universo; seus críticos respondem que, sem evidências experimentais, beleza matemática não basta para transformar uma hipótese em realidade.


Como disse Carl Sagan, "ausência de evidência não é evidência de ausência". 


Mas também não é evidência de presença.

sexta-feira, 17 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A NATUREZA DO TEMPO E A TEORIA DE TUDO

OCULTAR SEU PASSADO É O MESMO QUE FECHAR A JANELA DA SUA VIDA.

Talvez não seja o tempo que passa por nós, mas nós que passamos por ele como grãos de areia entre as câmaras de uma ampulheta, e talvez a forma como o sentimos seja uma construção da nossa mente. 

A coisa fica ainda mais complicada quando deixamos a psicologia e focamos o campo da física: em algumas teorias modernas, como a da Gravitação Quântica em Loop, o tempo simplesmente não aparece nas equações fundamentais.

Para compreender isso melhor, devemos ter em mente que a Relatividade Geral diz respeito aos corpos gigantescos do Universo, como estrelas e planetas, enquanto a física quântica é a base da física nuclear e trata do universo das partículas menores do que os prótons e os elétrons. 

Curiosamente, as equações de Einstein não afrontam a física quântica e vice-versa: ambas coexistem sem se contradizerem formalmente, embora não se juntem numa teoria unificada. É como se a natureza tivesse duas explicações diferentes para seu funcionamento e nenhuma deles estivesse errada. Em outras palavras, mesmo que elas se expressem em idiomas diferentes, ambas pareçam dizer a verdade.

Observação: Para explicar esse aparente contrassenso, o físico italiano Carlo Rovelli compara a natureza a um velho rabino que, consultado por dois homens para resolver uma disputa, deu razão a ambos — e quando sua mulher ponderou que os dois não poderiam ter razão ao mesmo tempo, ele disse que ela também estava certa.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Políticos, quando hesitam em embarcar numa canoa ou ameaçam desembarcar dela, fazem-no porque vislumbram no horizonte a possibilidade de naufrágio. 

Projetos com presumida taxa alta de sucesso atraem adesões por gravidade. Foi assim que a direita aderiu pragmaticamente aos governos do PT, até abandonar o partido no governo Dilma Rousseff 2, e foi assim também que Jair Bolsonaro conseguiu transformar sua inicialmente desacreditada candidatura à Presidência num êxito eleitoral que deu nome a um movimento.

O chamado bolsonarismo, contudo, dá sinais de fragilidade na ausência do chefe. Ao contrário do petismo, que se manteve vivo mesmo com a prisão de Luiz Inácio da Silva, em 2018, e na ausência de postulantes a substitutos a ponto de ir pela quinta vez ao Palácio do Planalto em 2022, a corrente se dispersa sob a administração dos herdeiros.

O atrito com Michelle é só o gesto mais atrativo, do ponto de vista da intriga midiática. Outros menos chamativos têm significado político que indica franca indisposição da direita — seja ela extrema ou moderada — com a candidatura de Flávio Bolsonaro.


Os cientistas apreciam teorias elegantes, simples e funcionais, e talvez por isso essa aparente incompatibilidade entre os dois maiores pilares da física os estimule a buscar um terceiro, que escore ambos os campos de estudo. E é aí que surge a Teoria das Cordas, segundo a qual o mundo quântico é formado por minúsculos filamentos de energia — cordas unidimensionais que, vibrando em diferentes frequências, correspondem a diferentes partículas, assim como as cordas de um violão produzem diferentes notas musicais.


Essa teoria se apresenta como a candidata mais promissora para o papel de conciliadora, pois visa conectar todos os fenômenos naturais sob uma mesma descrição com uma elegância matemática extraordinária. É fato que os detratores dessa teoria torcem o nariz para a ideia de um mundo infinitamente pequeno que comporte as tais cordas. Aliás, esse antagonismo rendeu até briga no seriado The Big Bang Theory —, e que a gravidade quântica em loop dissolve essa tensão, já que não pretende ser uma Teoria de Tudo, e sim entender o Big Bang e o interior dos buracos negros — o que, convenhamos, não é pouco.


Tanto a Teoria das Cordas quanto a Teoria da Gravidade Quântica em Loop são apenas sugestões de visão de mundo. Além de não existir uma tecnologia que permita um tira-teima, a tensão entre os dois tipos de física não existe na Gravidade Quântica em Loop, que combina Relatividade Geral e Mecânica Quântica sem utilizar qualquer outra hipótese além dessas duas teorias devidamente reescritas para se tornarem compatíveis.


A Relatividade Geral sustenta que o espaço não é uma caixa rígida e inerte, como um recipiente em que jogamos as coisas, e sim um campo dinâmico e maleável — um imenso molusco em que estamos imersos, capaz de se comprimir e se retorcer na presença de massa e energia, e através do qual se propagam a luz e as ondas de rádio que chegam aos nossos olhos e ouvidos. Já a mecânica quântica define o universo como uma estrutura granular formada por pequenos pacotinhos (quanta), como os fótons que compõem a luz. A diferença é que os fótons vivem no espaço, enquanto os tais pacotinhos são eles próprios o espaço.


De acordo com o físico italiano o Carlo Rovelli, o espaço como recipiente amorfo das coisas desaparece da física com a gravidade quântica; as coisas (quanta) não habitam o espaço, e sim uma os arredores da outra — o espaço é o tecido de suas relações de vizinhança. Daí se depreende que, numa escala muito pequena, o espaço não é algo contínuo, mas tem como limite o limite dos pacotinhos que o formam.


A física teórica ditou o rumo dos experimentos durante décadas, mas, de um tempo a esta parte, ficou mais difícil apresentar uma nova hipótese que explique de maneira convincente questões que seguem em aberto. A própria história da física mostra que muitas teorias perderam força, enquanto outras foram colocadas de lado e retomadas tempos depois. Um bom exemplo é o Modelo de Huygens, segundo o qual a luz era onda, que foi o mais aceito Einstein explicar o efeito fotoelétrico, segundo o qual a luz se comporta tanto como onda quanto como partícula.


Mesmo tendo perdido um pouco de seu encanto, a Teoria das Cordas continua sendo a base da Teoria M, que busca unificar a Relatividade, que descreve o macrocosmo, e a Física Quântica, que remete ao universo microscópico das partículas subatômicas, bem como acomodar todos os fenômenos conhecidos sob o guarda-chuva de uma estrutura matemática elegante e universal. Mais que uma mudança de paradigma, ela é uma expansão ambiciosa do que entendemos por tempo e espaço, e parte de seu fascínio vem da capacidade de explicar a gravidade dentro de um arcabouço quântico (através de uma hipotética partícula chamada "gráviton").


Observação: Para essa teoria funcionar, é preciso que o universo tenha sete ou oito dimensões além das três espaciais e uma temporal, tão minúsculas que sejam impossíveis de detectar. Não obstante, se essa teoria estiver correta, então o Universo não é apenas mais estranho do que imaginamos, mas mais estranho do que podemos imaginar.


A Teoria das Cordas inclui ingredientes que combinam com descobertas experimentais recentes, como a ideia de que cada partícula tem um “parceiro” supersimétrico. No entanto, a despeito de sua beleza matemática, ela peca pela falta de evidências experimentais à luz da tecnologia atual: além de não termos como medir as dimensões extras, as energias necessárias para testar o modelo em questão estão muito além do alcance de qualquer acelerador de partículas existente ou previsto para os próximos anos.


A evolução dessa teoria abriu espaço para a Teoria M, e conceitos dela derivados vêm influenciando outras áreas da física teórica, como os estudos sobre buracos negros, a holografia e até as redes quânticas. Mesmo sem provas experimentais diretas, as cordas continuam sendo uma das possibilidades mais atraentes da física teórica. Se será testável um dia é uma questão que segue em aberto. Mas experimentos em gravidade quântica, avanços na detecção de partículas e até mesmo observações astronômicas de alta precisão podem fornecer pistas indiretas para confirmar ou refutar aspectos da teoria.


Ao fim e ao cabo, a física é como um farol no mar escuro da ignorância; a Teoria das Cordas pode não ser a luz final, mas ilumina muitos caminhos possíveis.

Continua…

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 119ª PARTE

O TEMPORA, O MORES…

O otimista é um ingênuo e o pessimista, um chato; melhor mesmo é ser um realista esperançoso, que reconhece os fatos, inclusive os desagradáveis, não fecha os olhos diante de estatísticas desfavoráveis e resultados preocupantes, mas tampouco transforma probabilidades em certezas. 


Entretanto, existe uma diferença enorme entre dizer "a situação é complicada" e dizer "está tudo perdido", pois a primeira frase descreve um cenário; a segunda decreta um destino.


Essa postura é muito próxima do método científico: em vez de partirem do pressuposto de que tudo vai dar certo ou vai dar errado, os pesquisadores formulam hipóteses, reúnem evidências, reveem conclusões quando surgem novos dados e seguem investigando enquanto a resposta não é conhecida.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ganhar a eleição já no primeiro turno é a meta de todos os candidatos. Sonho quase impossível, considerando que, das últimas nove disputas presidenciais, só duas foram decididas na etapa inicial — em 1994 e 1998 —, e isso porque FHC surfou no ocasional fator da unidade nacional em torno do combate à inflação e da estabilidade econômica. Em 2002, a eleição do macróbio que ora postula o quarto mandato — e cujos garranchos verbais milhões de brasileiros não suportam mais ouvir — introduziu na cena o antagonismo materializado no conceito do "nós contra eles", cuja continuidade se traduziu na reação do "eles contra nós" e tornou o debate político refém de duas forças políticas conduzidas pela afeição ou rejeição da maioria dos brasileiros. Essa dinâmica reduziu a possibilidade de construção de consensos mínimos e minou a probabilidade de as eleições presidenciais serem resolvidas na primeira etapa. Lula não conseguiu liquidar logo a fatura, mesmo quando estava nos píncaros da popularidade. É de se imaginar que tenha sido vítima do próprio veneno ao jogar na divisão, apostando na hipótese de a maioria se perfilar ao lado dele. Os índices de mais de 80% de aprovação ao fim do segundo mandato não se traduziram em apoio suficiente para repetir o feito de FHC, que apostou num projeto coletivo de economia estável enquanto Lula se apoiou no culto à própria personalidade. Insistiu nessa toada no terceiro mandato, a despeito das evidências de fadiga dessa matéria-prima, subestimou a oposição aos seus planos de continuidade eterna, dentro e fora do universo político. Agora, apresenta-se ao presidente um dilema. O molusco eneadáctilo se vê como grande líder, mas não lidera uma saída para a crise institucional, arrisca-se a encerrar a carreira com uma derrota vexaminosa para o herdeiro do golpista condenado. E, se ganhar, não está apto a oferecer ao Brasil nada além da promessa de "fazer mais" do mesmo.

Em qualquer dos cenários, o que se vê adiante é estrada escura e um caminho deserto.


Mutatis mutandis, a mesma premissa embasa esta série, até porque em vez de afirmar que viajar no tempo é possível ou impossível, prefiro convidar o leitor a acompanhar o que a física realmente diz, distinguindo fatos, hipóteses e especulações: em última análise, uma postura de curiosidade disciplinada, não de crença, na qual o otimista aposta sem olhar as cartas, o pessimista desiste antes do embaralhar, e o realista esperançoso joga sabendo que pode ganhar ou perder, e só descobrirá o resultado se permanecer na mesa.


Não há aqui qualquer pretensão de oferecer receitas para a felicidade ou frases de efeito, mas apenas uma constatação bem-humorada sobre a condição humana: vivemos sem garantias, porém com escolhas. E, enquanto houver escolhas, sempre fará sentido seguir em frente.


Feitas essas considerações, voltemos à nossa viagem, começando por dizer que, até aqui, tratamos o universo como um palco composto por três dimensões espaciais e uma temporal — um modelo que, durante mais de um século, descreveu com extraordinária precisão praticamente tudo o que observamos. Mas e se ele estiver incompleto? E se existirem outras dimensões ocultas de nossos sentidos, tão pequenas que passam despercebidas?


Embora possam soar como ficção científica, essas possibilidades estão no coração de uma das mais ousadas construções da física moderna: a Teoria das Cordas, que nasceu da tentativa de unificar todas as forças fundamentais da natureza, mas exige algo que desafia profundamente nossa intuição: a existência de dimensões adicionais do espaço. Segundo ela, todas as coisas do universo são compostas por filamentos de energia que vibram como as cordas de um violão, criando diferentes modos de vibração que supostamente correspondem às diversas partículas fundamentais da natureza.


Nessa analogia, o universo seria uma gigantesca sinfonia, na qual cada 'nota' daria origem a uma partícula diferente, mas dificuldade de provar a existência de algo tão minúsculo divide a comunidade científica: alguns pesquisadores consideram a Teoria das Cordas a candidata mais promissora à tão sonhada teoria de tudo, enquanto outros argumentam que, sem previsões passíveis de verificação experimental, ela corre o risco de permanecer mais próxima de uma elegante construção matemática do que de uma teoria física propriamente dita.


Vale ressaltar que, enquanto a Relatividade Geral descreve o universo em quatro dimensões (três espaciais e uma temporal), a Teoria das Cordas exige dimensões adicionais para que sua estrutura matemática permaneça consistente. Nas versões atuais da Teoria das Supercordas, são necessárias dez dimensões, e em sua formulação mais abrangente, conhecida como Teoria M, esse número sobe para onze, sendo sete ocultas à nossa percepção, cujas diferentes formas de vibração corresponderiam, entre outras partículas, aos fótons — partículas da luz — e aos grávitons, partículas hipotéticas que surgiriam numa descrição quântica da gravidade.


A Teoria das Cordas impressiona os físicos pela elegância, pela simetria de suas formulações matemáticas e por apontar para algo profundo sobre a estrutura do universo. No entanto, nosso primeiro impulso é reagir com incredulidade. Afinal, basta olhar ao redor para percebermos que vivemos em um universo com três dimensões espaciais, às quais o tempo assoma como uma quarta dimensão. Onde, então, estariam as dimensões adicionais? E se elas realmente existem, por que não conseguimos percebê-las?


A resposta começa por uma constatação curiosa: nossos sentidos não são árbitros absolutos da realidade. Durante milênios, acreditamos que a Terra era imóvel, que o Sol girava ao seu redor e que o espaço e o tempo eram absolutos. Cada uma dessas certezas acabou sendo revista à medida que novas observações e teorias ampliaram nossa compreensão do universo. Não seria a primeira vez que a natureza se revelaria mais complexa do que nossa intuição permitia imaginar.


É justamente aí que entra uma das analogias mais conhecidas da física teórica. Imagine uma formiga caminhando sobre uma longa mangueira de jardim. Vista de muito longe, a mangueira parece apenas uma linha. Para quem a observa à distância, existe apenas uma direção possível: para frente ou para trás. A formiga, entretanto, enxerga uma realidade diferente. Além de avançar ao longo da mangueira, ela pode contorná-la, caminhando em torno de sua circunferência. Em outras palavras, a formiga percebe uma dimensão que passa despercebida ao observador distante.


Segundo a Teoria das Cordas, algo semelhante poderia acontecer conosco. As dimensões adicionais não seriam grandes extensões ocultas em algum lugar do cosmos, mas dimensões extraordinariamente pequenas, "enroladas" sobre si mesmas — tão diminutas que escapam completamente à nossa percepção e aos instrumentos atualmente disponíveis. É por isso que, embora vivamos imersos nelas, temos a impressão de existir em apenas três dimensões espaciais.


Essa ideia recebeu o nome de compactificação. Em termos simples, significa que certas dimensões não desapareceram nem deixaram de existir; apenas permanecem compactadas em escalas tão minúsculas que, para todos os efeitos práticos, tornam-se invisíveis.


Se isso já parece difícil de imaginar, as dimensões extras são apenas o começo. No próximo capítulo, veremos que algumas versões da Teoria das Cordas abrem caminho para algo ainda mais surpreendente: outros universos coexistindo ao lado do nosso.


Continua…

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 118ª PARTE

EM CASA DE ENFORCADO NÃO SE FALA EM CORDA.

Vimos que encontrar uma “teoria de tudo”, capaz de explicar todas as forças da natureza e reconciliar a relatividade geral com a mecânica quântica, seria o equivalente científico do Santo Graal, da Pedra Filosofal e do mapa do tesouro descobertos na mesma escavação arqueológica.


A física moderna trata elétrons, quarks e outras partículas como pontos sem estrutura interna, em contraste com a antiga ideia de que a matéria fosse composta por partículas fundamentais indivisíveis. Mas a Teoria das Cordas propõe algo radicalmente diferente. Segundo ela, as partículas fundamentais não seriam pontos, e sim minúsculas cordas unidimensionais vibrando em frequências diferentes.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Não é institucionalmente saudável o engajamento de candidatos na defesa e no ataque a juízes supremos. Do jeito que a coisa vai mal na cena política, dá vontade de dormir agora para só acordar em 2030.Um traço comum entre implicados e citados nos escândalos em tela é o fato de se sentirem autorizados a não dar explicações ao público que os sustenta nos respectivos postos com votos e impostos.

Alguns estão sendo cobrados pelo presidente do STF a fazê-lo com prazos determinados. Outros se escoram no aconselhamento de estrategistas políticos para evitar dar munição aos adversários e aguardar a poeira baixar com o fim das disputas eleitorais.

O pior que pode acontecer é um daqueles acertos não escritos adiar o enfrentamento das suspeitas para depois das eleições a fim de alegadamente não deixar o ambiente mais tumultuado do que já está. A segunda pior coisa já acontece: candidatos a cargos eletivos engajados nas fileiras de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Um, o demônio a ser expurgado; outro, o "ungido do Senhor". Paulo Gonet, no papel de autoengavetador na PGR, ainda não encontrou defensores.

O terceiro mal que espreita e acirra a crise é a atuação de magistrados na exposição da refrega interna, como fez o ministro Flávio Dino ao confrontar publicamente a manifestação de Edson Fachin em defesa do fim do inquérito sem-fim das fake news. Além de ferir a autoridade da presidência da corte, Dino oficializa a divisão do tribunal em torcidas semelhantes àquelas que degradam a cena política.

Se já transitávamos pelo terreno da desesperança e do desagrado com a disputa entre dois candidatos repudiados e concorrentes que não inspiram como alternativa, agora pisamos no pântano da distorção total: o Supremo em litígio com juízes no centro da refrega política servindo à orientação de votos.Só se viu algo parecido em algum lugar algum entre aqueles em que a normalidade está em vigor para além das aparências e formalidades. 

Uma solução haverá de ter, ainda que leve tempo e requeira a condução de outros personagens que não os atuais em cena. Francamente, dá vontade de dormir e acordar em 2030.


Assim como uma corda de violão produz notas distintas dependendo da forma como vibra, essas cordas microscópicas produziriam diferentes partículas: uma vibração corresponderia a um elétron; outra, a um quark; outra, a um fóton; e assim por diante. Em vez de um universo feito de “bolinhas” fundamentais, teríamos um universo construído a partir de padrões de vibração.


A grande promessa dessa teoria é unificar todas as forças da natureza em uma única estrutura matemática, já que ela não só consegue descrever naturalmente partículas e forças quânticas, como também inclui algo extremamente importante: uma partícula compatível com o gráviton, o hipotético mediador quântico da gravidade. Em outras palavras, ela parece oferecer um caminho para reconciliar a gravidade de Einstein com o mundo quântico.


Mas nem tudo são flores: a teoria só funciona matematicamente se o universo tiver mais dimensões do que percebemos no cotidiano — dez ou onze dimensões, conforme a versão. Se percebemos apenas três dimensões espaciais e uma temporal, seria porque as hipotéticas dimensões extras estariam compactadas em escalas microscópicas, enroladas sobre si mesmas como pequenos tubos ou formas geométricas extremamente diminutas.


Nessa visão, em cada ponto do nosso espaço tridimensional haveria, “dobrado” sobre si mesmo, um espaço adicional de várias dimensões, tão pequeno que nenhum microscópio ou acelerador atual conseguiria sondá‑lo. A forma exata dessas dimensões escondidas — muitas vezes modeladas por estruturas matemáticas chamadas variedades de Calabi‑Yau — poderia determinar quais partículas e forças existem, como se a geometria invisível do cosmos fosse a partitura que rege a sinfonia das interações fundamentais.


À medida que a teoria foi sendo desenvolvida, os físicos perceberam que não havia apenas uma versão de Teoria das Cordas, mas cinco versões diferentes, todas matematicamente consistentes. Essa aparente “proliferação de teorias” levou à conjectura de que todas seriam apenas faces distintas de uma teoria mais profunda e abrangente, batizada de M‑theory — o “M” já foi interpretado como “membrana”, “mãe” ou simplesmente “mistério”.


Na M‑theory, em vez de apenas cordas unidimensionais, entram em cena objetos de dimensões maiores, chamados branas: membranas bidimensionais, “peles” tridimensionais e assim por diante. Nosso próprio universo poderia ser uma brana de dimensão elevada flutuando em um espaço de onze dimensões, com as partículas e forças que conhecemos confinadas a essa “membrana cósmica”, enquanto a gravidade, mais tímida, se espalharia também pelo “volume” extra‑dimensional.


Se isso for verdade, efeitos ligados às dimensões extras — como pequenas fugas de gravidade para fora da nossa brana ou interações com outras branas — poderiam, em princípio, deformar o espaço‑tempo de maneiras exóticas. Em cenários ainda especulativos, colisões entre branas, túneis através de dimensões adicionais ou geometrias mais complexas poderiam abrir espaço para atalhos cósmicos, buracos de minhoca estabilizados e, quem sabe, formas de “navegar” pelo tempo tão estranhas quanto as próprias equações que as permitem.


Trata‑se de uma teoria matematicamente elegante, que inspirou avanços importantes na física teórica, embora ainda não haja evidências experimentais diretas de que essas cordas ou branas realmente existam, já que as escalas de energia necessárias para observá‑las seriam muito maiores do que as alcançadas pelos aceleradores de partículas atuais. Isso faz com que a teoria seja admirada por muitos físicos e criticada por outros, que a consideram fruto de filosofia especulativa.


Roger Penrose, por exemplo, não esconde seu ceticismo: para ele, uma teoria que multiplica dimensões e universos possíveis sem produzir previsões claras e testáveis corre o risco de se afastar da física e se aproximar demais da matemática pura. Em sua visão, seguir empilhando hipóteses elegantes sem confrontá‑las decisivamente com a realidade pode ser um desvio de rota na busca por uma descrição realmente profunda do cosmos.


Mesmo sem confirmação experimental, a ideia central da teoria é fascinante. Ela sugere que a diversidade do universo não nasce de partículas fundamentalmente diferentes, mas de diferentes modos de vibração de uma mesma entidade básica. De certo modo, é como descobrir que toda a matéria do cosmos é, no fundo, uma espécie de música microscópica tocada em cordas invisíveis.


Quando os físicos tentam quantizar a gravidade usando partículas pontuais, as equações produzem infinidades matemáticas difíceis de controlar. As cordas, por terem extensão espacial, suavizariam essas divergências. Não obstante, uma teoria científica precisa fazer previsões testáveis, e há quem diga que a Teoria das Cordas e suas extensões “podem ser brilhantes demais para o nosso microscópio”, ao menos por enquanto.


Continua…

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

ACREDITE SE QUISER

UMA MEIA-VERDADE BEM CONTADA PODE LEVAR ALGUÉM A CULPAR O INOCENTE E APLAUDIR O MENTIROSO.

Acreditar no que bem entender é, em última instância, exercer o direito de livre arbítrio. Seja para abraçar a ideia de uma Terra plana como quem segura um mapa mal dobrado, seja para negar veementemente qualquer possibilidade de vida extraterrestre, mesmo diante de uma avalanche de relatos de OVNIs, esse direito inalienável de pensar bobagens com convicção permite que bocórios patológicos coexistam em paz, cada qual em sua bolha, orbitando certezas que desafiam a gravidade da lógica. 

 

Argumentar com quem renunciou à lógica é como medicar defuntos. No fim das contas, talvez o maior mistério do universo não seja se há vida lá fora, mas como o livre arbítrio continua sendo usado para negar o óbvio com tanto entusiasmo. No romance Contato, o astrofísico Carl Sagan anotou que "ausência de evidência não é evidência de ausência". Segundo o cientista, se não existir ninguém além de nós, o universo é um imenso desperdício de espaço.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O PSDB nasceu de uma costela do PMDB e alcançou seus 15 minutos de fama graças ao sucesso do Plano Real, que ensejou a vitória de FHC sobre Lula em 1994 e 1998 (sempre no primeiro turno). Mas deitou na cama, deixou a esquerda criar asas e perdeu a presidência para o PT em 2002. O sonho de voltar ao poder em 2010 poderia ter se concretizado se o tucanos tivessem se empenhado mais, mas tucano que é tucano mija no corredor sempre que há mais de um banheiro na casa e acha que brigar entre si serve como treino para lutar contra os verdadeiros adversários. 

Depois de décadas como o maior partido de oposição aos governos corruptos de Lula e Dilma, o PSDB se tornou inútil como um casaco de peles sob o sol do Saara. Consenso entre os tucanos sempre foi raro como nota de US$ 1.000 em bolso de mendigo. Eles faziam reuniões e mais reuniões, mas nada ficava decidido. Com a derrota de Aécio Neves (2014), entraram em parafuso. Deixaram-se impregnar pelos interesses escusos do Congresso, deram as costas para a opinião pública e deixaram passar a oportunidade de resgatar a imagem de alternativa lógica para quem não suporta mais corruptos como os do PT, do PL e do Centrão. 

Em 2022, o partido amargou uma queda drástica no número de deputados federais eleitos (de 59 em 2002 para apenas 13 em 2022) e a perda de prefeituras em diversas capitais. Após 27 anos de governança no estado de São Paulo, não elegeu um sucessor em 2022 e, em 2024, perdeu todos os vereadores da Câmara Municipal da capital paulista. Hoje, enfrenta um processo de enfraquecimento e “desaparecimento” político marcado por perdas eleitorais expressivas. 

A perda da identidade política e de lideranças importantes, aliada a rupturas internas e o fim da federação com o Cidadania — que visava fortalecer ambos os partidos — foi desfeita em março de 2025, resultando em menos representação política e agravando ainda mais a crise de um partido cuja trajetória é associada à evolução da redemocratização pós-ditadura militar e à ordem constitucional imposta pela Carta Magna de 1988. Mas o ciúme e a disputa entre egos gigantescos resultaram em rachas e traições, e a busca por uma fusão — como a cogitada com o Podemos — expôs a dificuldade do tucanato em se organizar e apresentar propostas sólidas. Para piorar, o desaparecimento da sigla pode estimular uma polarização ainda mais intensa e perigosa entre a esquerda e uma extrema-direita conservadora, chegando mesmo a sinalizar o fim da “nova república”.

Sem os tucanos para fazer oposição civilizada ao PT e seus satélites, o PL e o Centrão assumiram o protagonismo — e o que já era ruim ficou pior. Os governadores de Goiás (Ronaldo Caiado), de Minas (Romeu Zema) e do Paraná (Ratinho Jr.) já se apresentam como pré-candidatos ao Planalto em 2026. Já o chefe do executivo paulista (Tarcísio de Freitas) não caga nem desocupa a moita, isto é, não sabe será candidato à Presidência ou se disputará novamente o Palácio dos Bandeirantes. 

A única postura digna com os potentados da política é a que teve Diógenes, que morava numa barrica, ao dizer a Alexandre, o Grande, quando este apeou de seu majestoso Bucéfalo: “De você não quero nada; só quero que saia da frente do Sol, pois está a me fazer sombra. Não me tire o que não pode me dar". 

 

Uma das teorias científicas mais fascinantes é a da existência de dimensões além das que conhecemos. Diversos estudos teóricos já apresentaram essa ideia para (tentar) explicar alguns mistérios da física, mas nenhum deles chegou a uma resposta definitiva. Não obstante, são justamente as perguntas mais intrigantes que impulsionam grandes descobertas, e novas descobertas vêm mudando o que sabemos sobre o universo quase como imagens a cada giro de um caleidoscópio. 
 
Segundo a Relatividade Geral — exaustivamente testada e comprovada em observações espaciais, tanto no universo macroscópico quanto no quântico —, vivemos em um Universo quadridimensional, sendo três dimensões espaciais e uma temporal. Para entender melhor como funcionariam as hipotéticas dimensões adicionais, imagine um mundo como uma folha de papel, onde os seres que habitam conseguem acessar a largura e o comprimento das coisas, mas não a altura delas. 

 

Se colocássemos uma caixa tridimensional nesse universo de papel, os seres que lá vivem a veriam como um quadrado bidimensional, e se falássemos com eles, eles ouviriam uma voz vindo do nada. Mas se um hipotético "cientista bidimensional" medisse a energia sonora nesse mundo bidimensional , ele notaria que parte da energia "sumiu" (na verdade, ela "vazou" para a terceira dimensão, à qual ele não tem acesso). 

 

No nosso Universo, o som se propaga em todas as direções. Não conseguimos ver a dimensão que existe hipoteticamente acima da nossa, medir a energia sonora nos permitiria descobrir se alguma coisa está "vazando" para uma quarta dimensão espacial. Os cientistas que fizeram essa experiência sempre encontraram a energia na mesma medida — o que significa que ela não "vaza" —, mas o fato de não haver evidências que sustentem a existência de uma dimensão espacial além das três que já conhecemos não afasta a possibilidade de existirem "micro dimensões".

 

De acordo com a Teoria das Cordas, todas as partículas (elétrons, quarks, bósons etc.) são formadas por "cordas vibrantes" menores que o núcleo atômico. O encontro de duas ou mais delas produz ondas estacionárias (mais ou menos como as notas musicais que produzimos quando dedilhamos um violão). Em 1995, durante a "segunda revolução das cordas", os físicos propuseram que cinco diferentes teorias das cordas seriam faces da Teoria de Tudo, que busca unificar todos os fenômenos físicos juntando a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica em uma única estrutura teórica. 
 
Em linhas gerais, essa teoria sugere que cada partícula é um minúsculo laço de corda, e que o universo tem onze dimensões que podem se propagar através do espaço-tempo. Para entender isso melhor, imagine uma pilha de panquecas recobertas com mel, na qual nosso Universo é a panqueca que fica sob todas as outras. O mel que escorre não nos deixa perceber existência das demais, mas isso não significa que elas não estão lá.
 
A Teoria das Cordas é a solução matemática mais elegante criada até agora para esclarecer questões nebulosas, como da gravidade quântica. Uma de suas primeiras versões pressuponha a existência de 26 dimensões, mas não explicava a matéria bariônica, apenas os bósons. Outras versões foram propostas até desaguaram na Teoria M, que apresenta conceitos como supercordas e supersimetria e reduz o número de dimensões para onze — sete além das três espaciais e uma temporal que já conhecemos.
 
Uma analogia que facilita a compreensão da Teoria das Cordas usa como exemplo... uma corda — que para nós tem apenas uma dimensão. Quando andamos sobre ela, só podemos ir para frente ou para trás, mas formiga caminhando pela mesma corda pode também andar para os lados e contornar o diâmetro — ou seja, acessar a dimensão da profundidade. Se em vez da corda imaginarmos uma mangueira de jardim, teremos o interior do tubo como uma dimensão adicional que é inacessível para nós, mas não para água com que regamos o jardim.
 
A dificuldade em comprovar a existência de outras dimensões advém do fato de elas serem tão pequenas que nem mesmo toda a energia dos aceleradores de partículas consegue encontrar. Seria possível fazer esse teste aproximando duas partículas ao comprimento de Planck (cerca de um bilionésimo de um bilionésimo de um bilionésimo de metro), mas nem mesmo o LHC, que é o maior acelerador de partículas do mundo, consegue medir forças atrativas ou repulsivas em distâncias inferiores ao diâmetro de um próton (8,33 x 10
-16 m).
 
Se fossem constatados desvios (vazamentos) no comportamento esperado da força eletromagnética nos experimentos já realizados, o LHC os teria detectado, mas os resultados foram os mesmos previstos pelo Modelo Padrão, o que dispensa dimensões extras para explicá-los. O resultado poderia ser outro se os testes fossem feitos em escalas de 10
⁻19 m até o número de Planck, mas eles exigiriam uma quantidade de energia muito superior à dos aceleradores de partículas. 

 

Enquanto nossa tecnologia não evoluir, não há como confirmar (nem descartar) a existência das dimensões superiores. Mas isso não torna a Teoria das Cordas menos tentadora. Além de funcionar lindamente na matemática, ela explica a gravidade quântica num cenário que os cientistas chamam de universo holográfico, onde a própria ação da gravidade poderia gerar as demais forças naturais. 

 

Tudo isso é fascinante, sobretudo para os físicos teóricos que buscam a Teoria de Tudo — que, como dito parágrafos acima, busca unificar a gravidade a mecânica quântica. Como ainda não há evidências de que outras dimensões além das que conhecemos existem, resta aos cientistas procurar respostas em hipóteses mais fáceis de testar.