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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

NOVIDADES NO GMAIL

QUANTO MAIS VOCÊ CONHECE UM TEXTO, MENOS VOCÊ O LÊ.


O conceito de correio eletrônico surgiu em meados dos anos 1960, mas a versão aprimorada por Ray Tomlinson em 1971 foi a primeira capaz de enviar mensagens entre diferentes nós conectados à ARPANET — que mais adiante daria origem à Internet.

 

Uma vez que as mensagens chegavam ao destinatário em poucos segundos — enquanto as cartas tradicionais levavam dias ou semanas, conforme a distância —, o e-mail logo se tornou o webservice mais popular entre os internautas, sobretudo quando se tornou capaz de transportar arquivos digitais como anexos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Faltando menos de um mês para o primeiro turno das eleições, um relatório da Polícia Federal deflagrou uma crise sem precedentes que atinge em cheio alguns dos princípios mais caros ao sistema judicial. Em meio às investigações sobre as fraudes do Banco Master, foram encontradas mensagens que revelaram a existência de relações aparentemente impróprias entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mentor e protagonista de um dos maiores escândalos financeiros da história do país.

Vieram a público detalhes inéditos da contratação pelo banco do escritório de advocacia da mulher do ministro por 129 milhões de reais, bem como que, ao ser informado (não se sabe como nem por quem) de que a polícia estava na iminência de prendê-lo, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país, pediu ajuda para bloquear “as maldades” contra ele e ainda deixou transparecer que ambos contavam com a camaradagem do PGR e do diretor da Polícia Federal. Não se sabe o que o magistrado respondeu, pois as mensagens dele nos diálogos foram enviadas com o recurso de visualização única.

Ao tomar conhecimento do teor das mensagens, o ministro relator do caso, André Mendonça, requisitou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que convocasse o plenário para discutir uma eventual autorização para investigar o colega — um procedimento correto diante da gravidade do que havia sido descoberto. Inconformado com a iniciativa. Moraes acusou Mendonça de usurpar atribuições da polícia, de atuar com parcialidade e de abusar de sua autoridade, além de pedir autorização para investigar Mendonça — e usou o notório inquérito das fake news, uma aberração jurídica que tramita no Supremo há mais de sete anos, para abrigar relatórios de inteligência que levantavam dúvidas sobre a imparcialidade de Mendonça e sugeriam, entre outras barbaridades, que existiria um conluio religioso entre ele e o AGU, Jorge Messias. 

Os relatórios, repassados ao ministro por Andrei Rodrigues, diretor da PF, eram apócrifos, algumas das inferências eram classificadas como de “baixa confiança” e, a certa altura, os autores sugeriam que a comprovação dos fatos autorizava “monitoramento e coleta dirigida”.

Na terça-feira, 8, Mendonça afastou do cargo o delegado Andrei Rodrigues. suspeito de vazar propositalmente informações que visavam embaralhar o trabalho de apuração e proteger algumas pessoas. Os relatórios de inteligência que pousaram no gabinete de Moraes reforçaram essa convicção — Andrei é próximo de Moraes e, como ele, teria interesse em impedir o avanço da apuração sobre as conexões de Vorcaro. O motivo seria a autoproteção.

No despacho que afastou o delegado, Mendonça afirmou que foi espionado de maneira ilegal pela Polícia Federal.

Vamos ver que bicho dá.


Num primeiro momento — e durante muito tempo, diga-se —, os neófitos ostentavam orgulhosamente endereços eletrônicos com seus nomes e sobrenomes, mas à medida que a privacidade se tornou uma preocupação, usar esses endereços é como entregar, numa salva de prata, informações pessoais aos cibercriminosos.


Ainda assim, muita gente mantém em uso suas conta de email de antanho, quanto mais não seja porque seu endereço serve para acessar redes sociais, lojas virtuais, aplicativos financeiros e uma série de webservices, e alterá-lo pode ser tão problemático quanto mudar o número do celular.


A boa notícia é que o Google vem liberando gradualmente uma atualização que permite aos usuários do Gmail alterar o prefixo do endereço (a parte que antecede @gmail.com) sem perder suas compras na Play Store, o acesso a arquivos armazenados no Drive e no Fotos, os logins em aplicativos bancários, lojas virtuais e sites de terceiros que usam o login simplificado do Google como base de acesso.


Realizar a modificação é um procedimento simples, que pode ser feito por meio do painel de informações pessoais da conta Google, em qualquer navegador ou aplicativo móvel. Uma vez atualizado, o sistema vincula automaticamente o endereço anterior como e-mail alternativo, garantindo que todas as mensagens enviadas ao nome antigo continuem chegando normalmente à nova caixa de entrada.


A opção já está disponível no Brasil, mas impõe algumas restrições — entre as quais a criação de novos endereços somente uma vez a cada 12 meses e limitada a três alterações por conta (totalizando quatro endereços diferentes ao longo do tempo). Uma vez criado o novo e-mail — cujo domínio (a porção que fica à direita do "@") deve ser o mesmo (gmail.com) —, não é possível excluí-lo, mas pode-se reverter o endereço principal para o original a qualquer momento — lembrando que a mudança consome uma das três alterações disponibilizadas pela plataforma.


A novidade está sendo distribuída aos poucos e pode não estar disponível imediatamente para todos os perfis. Contas corporativas ou escolares (gerenciadas pelo Google Workspace) dependem de liberação dos administradores do sistema.


Para verificar a disponibilidade, acesse a página de configurações de e-mail da conta do Google (myaccount.google.com/google-account-email) e, no menu à esquerda, clique em "Informações pessoais". Na seção "Email", clique em "Email da Conta do Google". Se a opção "Alterar email da Conta do Google" estiver visível, o recurso já está ativo para o seu perfil.


Observação: Não deixe de fazer um backup dos seus dados, pois a mudança pode redefinir configurações de aplicativos terceiros e/ou afetar conexões ativas do Chrome Remote Desktop. Usuários de Chromebook devem verificar as instruções específicas do sistema operacional. Eventos de agenda criados antes da migração continuarão exibindo o e-mail antigo.

Tomadas as devidas precauções, digite seu novo nome de usuário — lembrando que o sistema não aceita termos que já estejam em uso por outras contas ou que pertençam a contas excluídas no passado — e clique em "Alterar email", confirme em "Sim, alterar email" e siga as instruções em tela para concluir o processo.

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 118ª PARTE

EM CASA DE ENFORCADO NÃO SE FALA EM CORDA.

Vimos que encontrar uma “teoria de tudo”, capaz de explicar todas as forças da natureza e reconciliar a relatividade geral com a mecânica quântica, seria o equivalente científico do Santo Graal, da Pedra Filosofal e do mapa do tesouro descobertos na mesma escavação arqueológica.


A física moderna trata elétrons, quarks e outras partículas como pontos sem estrutura interna, em contraste com a antiga ideia de que a matéria fosse composta por partículas fundamentais indivisíveis. Mas a Teoria das Cordas propõe algo radicalmente diferente. Segundo ela, as partículas fundamentais não seriam pontos, e sim minúsculas cordas unidimensionais vibrando em frequências diferentes.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Não é institucionalmente saudável o engajamento de candidatos na defesa e no ataque a juízes supremos. Do jeito que a coisa vai mal na cena política, dá vontade de dormir agora para só acordar em 2030.Um traço comum entre implicados e citados nos escândalos em tela é o fato de se sentirem autorizados a não dar explicações ao público que os sustenta nos respectivos postos com votos e impostos.

Alguns estão sendo cobrados pelo presidente do STF a fazê-lo com prazos determinados. Outros se escoram no aconselhamento de estrategistas políticos para evitar dar munição aos adversários e aguardar a poeira baixar com o fim das disputas eleitorais.

O pior que pode acontecer é um daqueles acertos não escritos adiar o enfrentamento das suspeitas para depois das eleições a fim de alegadamente não deixar o ambiente mais tumultuado do que já está. A segunda pior coisa já acontece: candidatos a cargos eletivos engajados nas fileiras de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Um, o demônio a ser expurgado; outro, o "ungido do Senhor". Paulo Gonet, no papel de autoengavetador na PGR, ainda não encontrou defensores.

O terceiro mal que espreita e acirra a crise é a atuação de magistrados na exposição da refrega interna, como fez o ministro Flávio Dino ao confrontar publicamente a manifestação de Edson Fachin em defesa do fim do inquérito sem-fim das fake news. Além de ferir a autoridade da presidência da corte, Dino oficializa a divisão do tribunal em torcidas semelhantes àquelas que degradam a cena política.

Se já transitávamos pelo terreno da desesperança e do desagrado com a disputa entre dois candidatos repudiados e concorrentes que não inspiram como alternativa, agora pisamos no pântano da distorção total: o Supremo em litígio com juízes no centro da refrega política servindo à orientação de votos.Só se viu algo parecido em algum lugar algum entre aqueles em que a normalidade está em vigor para além das aparências e formalidades. 

Uma solução haverá de ter, ainda que leve tempo e requeira a condução de outros personagens que não os atuais em cena. Francamente, dá vontade de dormir e acordar em 2030.


Assim como uma corda de violão produz notas distintas dependendo da forma como vibra, essas cordas microscópicas produziriam diferentes partículas: uma vibração corresponderia a um elétron; outra, a um quark; outra, a um fóton; e assim por diante. Em vez de um universo feito de “bolinhas” fundamentais, teríamos um universo construído a partir de padrões de vibração.


A grande promessa dessa teoria é unificar todas as forças da natureza em uma única estrutura matemática, já que ela não só consegue descrever naturalmente partículas e forças quânticas, como também inclui algo extremamente importante: uma partícula compatível com o gráviton, o hipotético mediador quântico da gravidade. Em outras palavras, ela parece oferecer um caminho para reconciliar a gravidade de Einstein com o mundo quântico.


Mas nem tudo são flores: a teoria só funciona matematicamente se o universo tiver mais dimensões do que percebemos no cotidiano — dez ou onze dimensões, conforme a versão. Se percebemos apenas três dimensões espaciais e uma temporal, seria porque as hipotéticas dimensões extras estariam compactadas em escalas microscópicas, enroladas sobre si mesmas como pequenos tubos ou formas geométricas extremamente diminutas.


Nessa visão, em cada ponto do nosso espaço tridimensional haveria, “dobrado” sobre si mesmo, um espaço adicional de várias dimensões, tão pequeno que nenhum microscópio ou acelerador atual conseguiria sondá‑lo. A forma exata dessas dimensões escondidas — muitas vezes modeladas por estruturas matemáticas chamadas variedades de Calabi‑Yau — poderia determinar quais partículas e forças existem, como se a geometria invisível do cosmos fosse a partitura que rege a sinfonia das interações fundamentais.


À medida que a teoria foi sendo desenvolvida, os físicos perceberam que não havia apenas uma versão de Teoria das Cordas, mas cinco versões diferentes, todas matematicamente consistentes. Essa aparente “proliferação de teorias” levou à conjectura de que todas seriam apenas faces distintas de uma teoria mais profunda e abrangente, batizada de M‑theory — o “M” já foi interpretado como “membrana”, “mãe” ou simplesmente “mistério”.


Na M‑theory, em vez de apenas cordas unidimensionais, entram em cena objetos de dimensões maiores, chamados branas: membranas bidimensionais, “peles” tridimensionais e assim por diante. Nosso próprio universo poderia ser uma brana de dimensão elevada flutuando em um espaço de onze dimensões, com as partículas e forças que conhecemos confinadas a essa “membrana cósmica”, enquanto a gravidade, mais tímida, se espalharia também pelo “volume” extra‑dimensional.


Se isso for verdade, efeitos ligados às dimensões extras — como pequenas fugas de gravidade para fora da nossa brana ou interações com outras branas — poderiam, em princípio, deformar o espaço‑tempo de maneiras exóticas. Em cenários ainda especulativos, colisões entre branas, túneis através de dimensões adicionais ou geometrias mais complexas poderiam abrir espaço para atalhos cósmicos, buracos de minhoca estabilizados e, quem sabe, formas de “navegar” pelo tempo tão estranhas quanto as próprias equações que as permitem.


Trata‑se de uma teoria matematicamente elegante, que inspirou avanços importantes na física teórica, embora ainda não haja evidências experimentais diretas de que essas cordas ou branas realmente existam, já que as escalas de energia necessárias para observá‑las seriam muito maiores do que as alcançadas pelos aceleradores de partículas atuais. Isso faz com que a teoria seja admirada por muitos físicos e criticada por outros, que a consideram fruto de filosofia especulativa.


Roger Penrose, por exemplo, não esconde seu ceticismo: para ele, uma teoria que multiplica dimensões e universos possíveis sem produzir previsões claras e testáveis corre o risco de se afastar da física e se aproximar demais da matemática pura. Em sua visão, seguir empilhando hipóteses elegantes sem confrontá‑las decisivamente com a realidade pode ser um desvio de rota na busca por uma descrição realmente profunda do cosmos.


Mesmo sem confirmação experimental, a ideia central da teoria é fascinante. Ela sugere que a diversidade do universo não nasce de partículas fundamentalmente diferentes, mas de diferentes modos de vibração de uma mesma entidade básica. De certo modo, é como descobrir que toda a matéria do cosmos é, no fundo, uma espécie de música microscópica tocada em cordas invisíveis.


Quando os físicos tentam quantizar a gravidade usando partículas pontuais, as equações produzem infinidades matemáticas difíceis de controlar. As cordas, por terem extensão espacial, suavizariam essas divergências. Não obstante, uma teoria científica precisa fazer previsões testáveis, e há quem diga que a Teoria das Cordas e suas extensões “podem ser brilhantes demais para o nosso microscópio”, ao menos por enquanto.


Continua…

segunda-feira, 7 de setembro de 2026

SERÁ POSSÍVEL ENVIAR SINAIS PARA O PASSADO?

O UNIVERSO PODE SER INFINITO, MAS A MENTE HUMANA DESENHA SEUS LIMITES.

Ao revisitar as equações relativísticas publicadas por Albert Einstein no início do século XX, pesquisadores chegaram a uma conclusão que parece saída de ficção científica: em certos universos, seria possível enviar mensagens para o passado.


A ideia abre espaço para imaginar conversas em tempo real com outras formas de vida sencientes — caso existam —, independentemente da distância. Em outras palavras, as equações do físico alemão revelam atalhos secretos pelos quais sinais podem atravessar o cosmo.


Curiosamente, isso não depende da mecânica quântica nem do famoso “emaranhamento fantasmagórico” entre partículas, mas nasce da física clássica, na versão relativística apresentada em 1905. Einstein, aliás, sempre foi cético em relação a certos aspectos da mecânica quântica. É fascinante perceber que suas próprias ideias sobre a relatividade restrita podem produzir fenômenos semelhantes à “ação à distância” que tanto o intrigava. Por outro lado, convém esclarecer: enviar sinais para o passado não significa inverter a seta do tempo. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Alexandre de Moraes ligou o botão do foda-se. Incapaz de refutar as suspeitas, passou a operar no modo desespero e a se mostrar capaz de tudo para matar as provas que o ligam a Daniel Vorcaro. Sem despir a toga, comporta-se como qualquer investigado em apuros: cola em André Mendonça a pecha de juiz parcial.

Suprema ironia: Moraes enfiou Mendonça no inquérito das fake news — aquele que Dias Toffoli abriu há quase oito anos, a pretexto de investigar os inimigos da suprema corte. Acusa-o de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. Sustenta que o colega atua como investigador, direciona investigações e se mete até na negociação de delações.

O objetivo primordial de Moraes está mal disfarçado atrás de uma expressão técnica. Ele insinua que houve "quebra da cadeia de custódia das provas". Usa em causa própria o bordão preferido de investigados indefensáveis. Serve para semear tumulto em inquéritos, para colher futuras nulidades processuais.

Com sua vingança, Moraes realiza o pesadelo da perda de autoridade. Realiza também o sonho de autoridades e políticos comprados por Vorcaro. 

A história mostra que a implosão de inquéritos conduz a acordos que restauram a imoralidade. A diferença é que agora as provas não são as únicas vítimas. O produto final é o cadáver do próprio Supremo.


A física descreve futuro e passado de forma simétrica, embora nossa experiência humana os diferencie. Assim, o fenômeno não altera nossa vivência temporal, mas pode permitir, por exemplo, que um sinal enviado da Terra ao meio-dia chegue a Proxima Centauri antes mesmo desse horário.


Quem assistiu à trilogia “De Volta para o Futuro” pode pensar em paradoxos, mas os cientistas garantem: não se trata de universos paralelos nem da interpretação de muitos mundos da mecânica quântica. É pura relatividade. Ainda assim, o debate sobre múltiplos universos permanece vivo, especialmente quando se discute a energia escura — esse valor incrivelmente pequeno que desafia explicações em um universo único.


Alguns físicos acreditam que apenas a hipótese de muitos mundos pode dar conta desse mistério. Outros a consideram absurda. Mas descartar de plano seria precipitado: se um fenômeno não puder ser explicado em um único universo, talvez seja preciso recorrer a essa teoria. Mas é importante não confundir ciência com espiritualidade: a física pode dialogar com a filosofia, mas não deve ser usada como base para crenças místicas. O livre-arbítrio, por exemplo, continua em debate entre filósofos e físicos, e a balança parece pender para a ideia de que não existe.


Einstein dizia que a distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão persistente. Essa afirmação é tão filosófica quanto científica. E mostra como física e filosofia podem se encontrar — ainda que muitos físicos resistam a esse diálogo. Outras ideias especulativas sugerem regiões do cosmos onde o tempo corre na direção oposta. Já as mais convencionais imaginam o Big Bang como um início altamente ordenado, seguido pelo aumento da entropia. Mas por que o começo foi tão ordenado?


Essa pergunta desafia a física há décadas. A teoria das cordas, que busca unir a mecânica quântica à gravidade, pode fornecer a resposta, mas ainda carece de comprovação experimental. E o mesmo vale para qualquer teoria que tente conciliar os dois pilares da física moderna: a quântica, precisa no micromundo das partículas, e a relatividade geral, precisa no macromundo das estrelas e galáxias. Já o Modelo Padrão continua a explicar com precisão os dados dos aceleradores de partículas, mas ainda há mistérios: não sabemos o que é a matéria escura, responsável pela maior parte da gravidade do universo, nem a energia escura, que acelera sua expansão.


Esses enigmas mostram que a física está longe de ser um edifício completo. E talvez isso seja sua maior beleza: sempre haverá perguntas em aberto, sempre haverá vertigens de perspectiva. Como disse Niels Bohr, quem não fica chocado ao aprender mecânica quântica pela primeira vez é porque não a entendeu.

A física nos arranca o chão e nos mostra que, sob a superfície, existe um mundo radicalmente diferente daquele que experimentamos no cotidiano. É nesse abismo de possibilidades que mora a verdadeira aventura intelectual: compreender que o tempo, o espaço e até o passado podem ser muito mais maleáveis do que ousamos imaginar.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 114ª PARTE

QUEM PENSA DEMAIS NO FUTURO NÃO TEM TEMPO DE VIVER O PRESENTE.

Vimos que a ciência em geral e a tecnologia em especial evoluíram significativamente nos últimos 200 anos, e mesmo assim os cientistas ainda não conseguem explicar a natureza do tempo, afirmar com certeza se ele realmente existe e tampouco esclarecer o que são as experiências de quase-morte e o déjà-vu, entre outros "mistérios". 


Também como vimos, viajar para o futuro é apenas uma questão de tempo (sem trocadilho). Isso porque os efeitos da dilatação temporal só são expressivos em velocidades próximas à da luz (cerca de 1,08 bilhão de km/h), e a sonda mais veloz que a Nasa lançou até agora atingiu "apenas" 0,064% dessa velocidade. Assim, uma viagem de ida até Proxima Centauri, que fica a 4,2 anos-luz do nosso sistema solar (1 ano-luz = 9,5 trilhões de km), levaria cerca de 6,5 mil anos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O circo do Supremo pegou fogo. André Mendonça riscou o fósforo ao expor detalhes das relações promíscuas de Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes. Os vínculos estão estampados em relatório de 218 páginas da Polícia Federal. Num prenúncio do que está por vir, Moraes bateu boca com Mendonça a portas fechadas na segunda-feira. 

O Supremo vive uma crise inédita. Coisa jamais vista nos 135 anos de existência do tribunal. Por muito menos, Xandão já teria decretado a prisão cautelar de Alexandre de Moraes. Já fez isso com inúmeros investigados de menor influência, sob a alegação de que poderiam comprometer investigações. Junto com o mandado de prisão, expediria uma ordem de busca e apreensão do celular do contato supremo de Vorcaro.

Mendonça deseja que o plenário do Supremo decida, em sessão pública, se Moraes deve ser investigado. Se abafar o caso, como fez com a venda do resort de Toffoli para o Master, o tribunal pode ser carbonizado junto com Moraes num processo de impeachment no Senado em 2027.

Mendonça levantou o tapete. O PGR Paulo Gonet opinou pela anulação da imundície sob o pretexto de "dupla nulidade": a Polícia Federal e a Procuradoria não pediram a vassoura. E o plenário do Supremo não autorizou a faxina nas relações de Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro.

A coisa se encaminha para mais um acobertamento de rotina. Mas a turma do abafa precisará responder a uma pergunta singela: "E a sujeira?". O que fazer com as mensagens endereçadas a Moraes? Com o pedido de proteção? Com os apelos para que intercedesse junto aos chefes da PF, da PGR e do BC? Com a pergunta de Vorcaro a Moraes sobre se deveria sair do país pouco antes de ser preso?

Gonet aparece no relatório que Mendonça encomendou à PF como parte do detrito. Numa mensagem, manda um advogado amigo dizer a Vorcaro que está "com saudade". Confirma presença num evento patrocinado pelo banqueiro mafioso em Londres: "Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan". Pede a inclusão do filho, Pedro Gonet, no convescote.

Mendonça é evangélico, não santo. A 32 dias da eleição presidencial, maneja seletivamente os ventiladores do caso Master. A ventania não chega com a mesma intensidade à crina bolsonarista de Dark Horse. Mas o rigor processual de Gonet ignora outras flexibilidades do Supremo.

Aberto por Dias Toffoli sem o aval da PGR, o inquérito das fake news é conduzido por Moraes há quase oito anos. A liberalidade metodológica, quando é muita, acaba engolindo os donos. O tapete do Supremo ficou pequeno. O resort vendido por Toffoli ao cunhado de Vorcaro já vaza pelas bordas. Com Moraes, o excesso tende a tornar tudo insignificante, exceto a pergunta: "E a sujeira?"


Por outro lado, estudos matemáticos sugerem que um hipotético viajante do tempo que entrasse numa curva temporal fechada e retornasse ao passado poderia seguir caminhos diferentes sem alterar o resultado de suas ações. Isso porque quaisquer mudanças nos acontecimentos criariam linhas de tempo alternativas, paralelas à original, a partir do ponto de mudança. 


A existência de uma LTA para cada decisão tomada tornaria a viagem ao passado factível, pois eliminaria paradoxos temporais como o do Avô. Todavia, essa teoria ainda não foi comprovada experimentalmente, e sem múltiplos universos e LTAs, o efeito borboleta poderia gerar um loop infinito de causas e efeitos.  


Hoje é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã. Quando dobramos à direita em vez de à esquerda numa encruzilhada do hoje, desencadeamos uma sucessão de consequências que se espalham no amanhã como as ondas produzidas por uma pedra na superfície de um lago. Isso sem falar que as viagens no tempo só fazem sentido se o tempo realmente existir e for como uma estrada pela qual podemos avançar numa velocidade constante, acelerar, desacelerar e até mesmo parar.


Voltando agora às incompatibilidades entre a física clássica e a mecânica quântica (mais detalhes no capítulo anterior), Einstein já sonhava encontrar uma forma de acomodar ambas numa mesma equação matemática capaz de explicar todas as partículas, todas as forças fundamentais e, quem sabe, o próprio espaço e o próprio tempo. Mas nem ele nem quem mais perseguiu essa solução tiveram sucesso até agora. 


Desde as mais priscas eras, a humanidade procura algum tipo de unidade fundamental — os filósofos gregos buscavam o elemento primordial, os alquimistas, a substância universal, e por aí vai. O tempo passou, o método mudou e as ferramentas evoluíram, mas os físicos modernos continuam perseguindo uma equação capaz de descrever a realidade inteira. E a pergunta continua surpreendentemente parecida: existe uma regra fundamental escondida por trás da diversidade do Universo, ou será que estamos diante de uma realidade complexa demais para caber em uma única explicação?


Foi nesse contexto que surgiu uma proposta tão ousada quanto controversa: e se elétrons, quarks e todas as demais partículas fundamentais não fossem pontos sem dimensão, e sim minúsculas cordas vibrando em diferentes frequências, como as cordas de um violão cósmico? A ideia soa bizarra, mas está longe de ser a parte mais estranha dessa história.


Durante uma palestra, o físico Carlo Rovelli — um dos “pais” da teoria da gravidade quântica em loop — esticou uma corda de uma ponta a outra do palco, pendurou uma caneta no meio e disse: “É aqui que estamos; à direita fica o futuro e à esquerda, o passado". Depois de uma breve pausa, ele acrescentou: “Só que isso é tão errado quanto afirmar que a Terra é plana.”


A gravidade quântica em loop busca compatibilizar a relatividade geral e a mecânica quântica. Nesse contexto, a ideia de que o espaço seja um recipiente vazio e contínuo dá lugar a uma visão bastante diferente. Segundo essa hipótese, o espaço seria formado por estruturas elementares extremamente pequenas, algo semelhante a "pacotinhos" de espaço, da mesma forma que a luz é formada por fótons. Isso significa que as coisas não existem dentro de um espaço preexistente, mas sim umas em relação às outras, e o espaço não seria um palco imóvel onde os acontecimentos ocorrem, mas algo que emerge das próprias relações entre os objetos físicos.


Se essa interpretação estiver correta, então o tempo também deixa de ser uma linha reta pela qual tudo flui do passado para o futuro. Em vez disso, passado, presente e futuro podem ser apenas maneiras humanas de organizar uma realidade muito mais complexa do que nossa experiência cotidiana sugere.


Para entender a teoria da gravidade quântica, devemos pôr de lado a ideia de que um gigantesco relógio cósmico marca o tempo do Universo. Um ano corresponde ao tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do Sol, e nosso conceito de “ano” só faz sentido em nosso planeta — em Saturno, por exemplo, um ano corresponde a 29,5 anos terrestres. 


Como se vê, nosso conceito de tempo pouco tem a ver com as leis do Universo como um todo. Newton dizia não ser possível medir o “tempo verdadeiro”, mas que assumir sua existência ajudava a descrever vários fenômenos da natureza. Séculos depois, Einstein postulou que cada objeto do Universo tem seu próprio tempo, só que o tempo como o concebemos não funciona numa escala muito pequena — como a escala quântica. 


As coisas mudam apenas umas em relação às outras; no nível fundamental, o tempo não existe, e viajar para o passado só faz sentido se admitirmos sua existência. Mas talvez a causalidade não seja tão absoluta quanto imaginamos, e se ela for uma tapeçaria tecida com fios de múltiplas possibilidades, como fica o observador nesse bordado quântico?


Para não estender demais este capítulo, achei por bem abordar a Teoria das Cordas e que tais na próxima postagem. Até lá. 


Continua…

quarta-feira, 20 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PROFECIAS E VATICÍNIOS

NA CIÊNCIA, O CRÉDITO VAI PARA QUEM CONVENCE O MUNDO DE UMA IDEIA, NÃO PARA QUEM A TEVE PRIMEIRO.  


Não há final de ano sem que programas de TV de quinta categoria entrevistem paranormais que invariavelmente antecipam "a morte de um artista famoso”, sabedores de que as palavras “artista” e “famoso” dão margem a múltiplas interpretações. Todavia, a despeito da evolução da ciência nos últimos séculos, um sem-número de pessoas que reputamos inteligentes continua a consultar cartomantes, quiromantes, videntes e afins.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


"Dark Horse" — nome do filme sobre a trajetória política do ex-presidente golpista e ora presidiário — já era sinal de mau agouro, pois significa "azarão", "vencedor improvável", mas ninguém imaginava que o Judiciário mandaria prender Lula, durante a pré-campanha eleitoral de 2018.

Na Bíblia, o terceiro cavaleiro do Apocalipse aparece montado num cavalo negro, com uma balança na mão, e anuncia fome e miséria (Ap 6,5-6). Contra "fome e miséria" de políticos e autoridades, ninguém melhor que Vorcaro nos últimos tempos, mas até o momento nenhum deles havia sido flagrado pedindo dinheiro a Daniel Vorcaro. Flávio Rachadinha inaugurou a lista, pedindo ao dono do Master R$ 134 milhões, alegadamente para a cinebiografia do pai. Pelo menos R$ 61 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025, em seis operações da Entre Investimentos, empresa ligada ao grupo Master, para o Havengate Development Fund LP, fundo registrado no Texas administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

A operação contou com intermediários como Thiago Miranda, sócio-fundador do Portal Leo Dias, que participou das negociações. Fabiano Zettel, cunhado e principal operador financeiro de Vorcaro, organizava os repasses, e o deputado cassado e foragido Dudu Bananinha aparece nas conversas em 21 de março de 2025, sugerindo "alternativas para facilitar o envio dos recursos aos EUA".

Vorcaro foi preso pela Polícia Federal tentando deixar o país em 18 de novembro de 2025, no dia seguinte ao "estarei contigo sempre" de Flávio. O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central no dia seguinte, com rombo estimado em R$ 50 bilhões no FGC (Fundo Garantidor de Créditos). Na época, a situação do Master não era segredo para ninguém em Brasília. A CVM investigava movimentações atípicas desde 2022, e o Banco Central emitiu ultimato a Vorcaro em 2024, com prazo de 180 dias para reestruturação do Master. O próprio Vorcaro assinou em novembro daquele ano documento ao BC assumindo os problemas, com prazo final para correção em maio de 2025, exatamente o período em que as seis transferências para o Texas foram concluídas. 

Nas conversas, Flávio reconhece que "Daniel estava passando por momentos difíceis". O Ministério Público Federal havia requisitado à PF, ainda em 2024, o início de investigações criminais do Master por emissão de títulos falsos. No ano seguinte, Brasília, estava careca de saber quem era Daniel Vorcaro.

Também merece atenção o valor — R$ 134 milhões — solicitados para uma produção com anjos caídos de Hollywood e um time B ou C nos créditos. Para um filme com time modesto em termos artísticos, com poucas pretensões além da propaganda política para convertidos, produtoras bolsonaristas nacionais fariam tudo por 10% desse valor, mesmo incluindo o cachê de Jim Caviezel. "Ainda Estou Aqui", vencedor do Oscar, teve um custo estimado em R$ 45 milhões, e "O Agente Secreto", pouco mais da metade desse valor. A conta não fecha.

Mário Frias, deputado bolsonarista do PL, roteirista e produtor executivo do filme, divulgou nota oficial afirmando que "dentre os mais de uma dezena de investidores que compõem o quadro de financiadores do longa-metragem Dark Horse, não consta um único centavo proveniente do sr. Daniel Vorcaro, do Banco Master ou de qualquer outra empresa sob o seu controle societário".

Resta saber onde foram parar os mais de R$ 60 milhões repassados

Alguns oportunistas que vivem há anos do bolsonarismo já começaram a se distanciar de Flávio, lembrando o adágio que os ratos são sempre os primeiros a pular de um barco que afunda. Ainda é cedo para prever o que acontecerá nas próximas horas ou dias, mas o estrago é inegável. E sabe-se lá o que ainda está para surgir durante as investigações.

Até o momento, a surpresa é saber que um filme com jeito de documentário do Brasil Paralelo custou mais que uma festa de Vorcaro com Coldplay e isso, por si só, já é um escândalo que merece investigação rigorosa.

Cavalo negro, simbolicamente, nunca é portador de boas notícias. No folclore brasileiro, "Dark Horse" é a mula sem cabeça.


Nostradamus, sacerdotes do Oráculo de Delfos, astrólogos maias e afins foram venerados como semideuses, mas usaram e abusaram de ambiguidades e indeterminações para tornar suas chances de erro tão desprezíveis quanto as dos horoscopistas de almanaque, que embrulham no vistoso papel dos mapas astrais mensagens como cuide melhor da saúde, evite investimentos arriscados, aguarde novidades no campo sentimental, e por aí afora.


Dono de uma pena vocacionada a vaticínios macabros e apocalípticos, Michel de Nostradama (1503-1566) se notabilizou pela suposta capacidade de prever o futuro. Contrariando as conclusões tendenciosas que os arautos do apocalipse extraíram de suas Centúrias, o astrólogo francês não previu a Revolução Francesa, a ascensão de Hitler, o desmoronamento das torres gêmeas, o fim mundo na virada do milênio (nem em 21/12/2012) ou a coroação do rei Charles III e sua renúncia.


Nostradamus também não vaticinou a pandemia da Covid-19 — esse boato nasceu de uma publicação feita pelo cartunista argentino Cristian Dzwonik, criador do satírico Gato Gaturro. A mensagem original, postada na página do cartunista nas redes sociais, foi rotulada como FAKE NEWS pelo Facebook após ter sido desmentida por agências internacionais. Falando em redes sociais, elas foram a maior benesse para os serviços de inteligência desde que a Igreja Católica inventou a confissão, mas isso é uma outra conversa e fica para uma outra vez.


Alguns dos versos de Nostradamus contêm referências chocantes a supostos acontecimentos futuros, mas vale lembrar que o os escreveu de forma prolífica, cifrada e ambígua, como que visando acomodar as mais variadas versões dos fatos. Mesmo assim, entra ano, sai ano, milhões de pessoas se equipam para sobreviver a chuvas de meteoros, colisões com asteroides, inversões da polaridade terrestre e outros cataclismos oriundos de interpretações tendenciosas de profecias chinfrins feitas por quem ouviu o galo cantar sem saber onde.


Observação: Reza a lenda que, quando seu galo de estimação desapareceu, um alfaiate carioca do século XVIII ofereceu uma recompensa a quem o encontrasse. De olho na gratificação, um aprendiz afirmou ter ouvido a ave cantar, mas não soube dizer onde, e acabou demitido. A partir de então, a expressão "ouvir o galo cantar sem saber onde" tornou-se sinônimo de falar sobre sobre algo sem conhecer os detalhes ou o contexto.


A facilidade para encontrar verdades pessoais em afirmações genéricas é conhecida como "efeito Barnum" — assim chamado por causa dos "testes de personalidade" usados por P. T. Barnum para convencer os espectadores de circo a acreditarem que ele possuía poderes paranormais. Em decorrência dessa "característica", milhões de pessoas supostamente esclarecidas juram que somos todos descendentes de Adão e Eva, em que pesem os indícios científicos acachapantes da evolução.


Tampouco faltam cegos mentais que se refutam a enxergar a esfericidade da Terra — coisa que Aristóteles descobriu no século III a.C. e cuja circunferência Eratóstenes calculou a partir da diferença das sombras em duas cidades próximas — a despeito das milhares de fotos tiradas do espaço e até da Lua.


Continua...