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quarta-feira, 26 de novembro de 2025

TRISTE BRASIL

De tão recorrente, o vitimismo político se tornou um padrão nesta banânia.

De D. Pedro I, forçado a abdicar em 1831, ouvimos que “abria mão do cargo para "que o Brasil sossegasse".

Em 1954, Vargas tirou a própria vida (se é que não foi “suicidado”) e deixou uma carta melodramática afirmando que "saía da vida para entrar na História”.

Em 1961, Jânio Quadros afirmou que "forças terríveis o levaram a renunciar”. Vice do demagogo cachaceiro, João 'Jango' Goulart denunciou uma trama em que "não o deixavam governar" e foi apeado pelo golpe militar de 64.

Collor disse que caiu por conta de "um complô articulado por interesses contrariados"; Dilma, que foi vítima de uma "farsa"; Temer, que havia "uma conspiração contra seu governo". Lula, que ficou preso por 580 dias, pariu a seguinte pérola: "Eu sou uma jararaca; eles tentaram me matar e não conseguiram".


Em que pese esse passado de ressentimentos e lamúrias de imperadores e presidentes, ninguém foi tão constante na vitimização como Bolsonaro, seus familiares e seguidores. Além de requentar, amplificar e instrumentalizar ad nauseam a facada que levou às vésperas das eleições de 2018, o aspirante a tiranete perorou que "deu o sangue pelo país", numa tentativa de transformar um atentado em evento messiânico e idólatra.


No clássico "Purificar e Destruir", Jacques Sémelin anotou que muitos dos regimes mais autoritários e sanguinários da história foram justificados por uma violência redentora e restauradora contra inimigos da pátria que impedia o povo de atingir seu potencial.


No populismo, o povo é sempre trabalhador, moral, altivo, o verdadeiro representante da alma mais pura da nação, herdeiro legítimo dos bons tempos que construíram o país, e “eles”, os conspiradores que minavam os fundamentos da pátria como cupins.


A única saída para curar essa doença social era identificar os inimigos do povo e depois prender, exilar e matar. Não que os ditadores gostassem de violência. Eles a evocavam como um mal necessário para a restauração da ordem e passava a ser aceita como parte de uma guerra justa, legítima defesa, motivada por uma ira santa, patriotismo e sacrifício dos verdadeiros patriotas que sonham restaurar o passado glorioso que foi roubado por "eles".


Quanto mais crimes demandados pelos líderes do movimento, mais o vitimismo servia como justificativa moral e espiritual para os carrascos convocados naquela missão cívica. Mas a democracia pressupõe alternância de poder e é do jogo que grupos políticos distintos tenham vitórias e derrotas, entrem e saiam do poder.


Como ensinou Roger Scruton, a democracia é o regime em que os derrotados na eleição aceitam ser governados pelo grupo adversário e vão para a oposição em paz, desejando boa sorte a quem venceu e mostrando que o país está acima daquela disputa que se encerra. 


A lógica autoritária e tribal não reconhece adversários legítimos, apenas inimigos a serem destruídos. Toda disputa é existencial, e o destino da nação está sempre naquela disputa pelo poder que não admite derrota. Se o fim é a salvação do povo, todo meio é legítimo na luta, mesmo os mais violentos e arbitrários. E a maneira mais eficiente de convencer um cidadão comum a cometer atos criminosos, como invadir e vandalizar prédios públicos, é fazer com que ele acredite que ele é vítima, e que, naquela disputa, é matar ou morrer.


Foi essa lógica que alimentou o núcleo de desinformação da trama golpista bolsonarista — e funcionou por anos como central de produção de fantasias persecutórias, instigando e radicalizando parte da população contra as instituições, as urnas, as pesquisas e "eles".


Nenhum movimento político no país levou o vitimismo e o conspiracionismo tão longe quanto o bolsonarismo. Em 2018, ainda no hospital, Bolsonaro afirmou em rede nacional: "Eu, pelo que eu vejo nas ruas, não aceito resultado das eleições diferente da minha eleição". Três anos depois, diante de pastores, completou: "Só saio [da presidência] preso, morto ou com a vitória". "Não tenho ambição pelo poder, tenho obsessão pelo Brasil", repetia. "Deus me colocou aqui, e somente Deus me tira daqui". Depois da prisão, mais vitimismo: "Estou sendo humilhado. Não tem nada de concreto. Isso é perseguição".


Quando foi derrubado por um golpe militar, D. Pedro II tinha à mão todo o prestígio necessário para incendiar o país e provocar o caos. Muitos correligionários se ofereceram para pegar em armas e defender seu reinado, mas ele partiu sem vitimismo, sem bravata, sem transformar sua dor em chantagem. Aceitou o exílio com serenidade. Saiu como estadista, não como coitado — e nunca foi superado. Jamais teremos mais um brasileiro como D. Pedro II, mas poderíamos ter ao menos um mínimo de compostura.


Bolsonaro precisa de remédio que ofereça democracia, não de psiquiatra. Não existe droga química contra o fascismo. O remédio é a política, o exercício da democracia até onde ela deve e pode alcançar, que é fazer a defesa de si mesma. E para isso é preciso às vezes prender pessoas que cometem crimes.


Os advogados do ex-presidente insistem que seu cliente precisa ficar em casa para ter uma assistência permanente, eventualmente com aparelhos, etc., que na cadeia ele não teria. Mas a pergunta é: cadê o imbrochável, incomível e imorrível, para quem a Covid não passava de uma gripezinha mixuruca? Que estaria saudável para enfrentar uma campanha eleitoral, mas que vai morrer se ficar numa cela da Papuda?


Bolsonaro sempre foi contra punir fake news, porque mentir não é crime. Na esteira desse raciocínio, fingir demência também não é.


Inspirado em um artigo de Alexandre Borges

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

MAIS SUTILEZAS DO WHATSAPP

AS PESSOAS VEEM AS PINGAS QUE VOCÊ TOMA, MAS NÃO VEEM OS TOMBOS QUE VOCÊ LEVA. 

Dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, a Meta foi responsável por 60% de todas as receitas de apps sociais em 2024. O TikTok disputa com Instagram, YouTube e ChatGPT o topo do ranking dos aplicativos mais baixados mundialmente, mas vale lembrar que o ChatGPT é um chatbot de IA, enquanto o TikTok se encaixa melhor como uma plataforma de entretenimento baseada em algoritmos do que como uma rede social no sentido clássico.

 

O WhatsApp nasceu como um aplicativo de mensagens instantâneas — algo como uma versão multimídia do SMS —, mas incorporou características de rede social e hoje reúne quase 3 bilhões de usuários em mais de 100 países (170 milhões só no Brasil). Como ele é atualizado constantemente, poucas pessoas conhecem algumas funções úteis que facilitam desde transferências via Pix até a organização de mensagens em listas específicas.


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A segurança pública será protagonista na campanha para a próxima eleição, mas da maneira como vem sendo abordada no impacto da operação no Rio ela não tem a menor chance de ser o vetor de unificação nacional necessário ao enfrentamento efetivo dessa calamidade.

Traído pelo cacoete ideológico e injustificado desconhecimento da realidade (na frase sobre traficantes vítimas de usuários), Lula vem pisando em ovos — como geralmente acontece com quem fala do não deve — mas uma resposta além da declaração protocolar em rede social terá de ser dada à sociedade em algum momento.

Dada sua tendência a impulsos oratórios inapropriados, o petista fará um bem a si mesmo se ouvir os bons conselhos, organizar as ideias, tiver algo consistente a oferecer e, sobretudo, medir as palavras antes de se manifestar a respeito. O argumento de que não é prudente levar o tema para dentro do Palácio do Planalto está com prazo de validade vencido. 

Com o discurso de que a força bruta é o melhor remédio, a oposição — ou direita, como se queira chamar — fala bem aos ouvidos do público farto da violência, não obstante seja um palavrório sem eficácia. E a leniência tampouco dá conta do recado cruento — como se vê no Rio há mais de 40 anos, desde que Leonel Brizola proibiu a polícia de subir os morros e a elite passou a glamorizar a bandidagem — e no país como um todo, com governos pós-redemocratização evitando o tema para não serem confundidos com repressores contaminados pelos ecos da ditadura.

Pois a conta chegou e é de um presidente de esquerda a difícil tarefa de carregar a bandeira da segurança sem dividir ainda mais a nação, porque o inimigo é outro.

 

Na hora de pagar a compra no supermercado ou a conta do restaurante, você pode fazer a transferência via Pix diretamente pelo WhatsApp — ou seja, sem precisar abrir o app do banco. Após cadastrar uma conta com chave Pix e criar um PIN específico, basta digitar o valor da transferência, confirmar os dados do destinatário — que também deve ter o Pix habilitado na plataforma — e autorizar o processo com a senha ou biometria. Concluída a operação, uma notificação de confirmação aparece na tela do bate-papo.

 

Para criar lembretes de eventos (entre outras utilidades), você pode até usar o Toki AI, mas é mais simples recorrer ao recurso nativo do WhatsApp. No iOS, toque no ícone "+"; no Android, no clipe de papel. Depois, selecione "Evento", adicione o nome, a data e o horário de início, inclua uma descrição, informe o horário de término, o local e, se quiser, permita o compartilhamento do lembrete com outros convidados. A funcionalidade é ótima para organizar aniversários, encontros entre amigos ou lembrar consultas médicas, por exemplo.

 

Para quem se preocupa com privacidade, o mensageiro da Meta permite o envio de áudios de visualização única, além de fotos e vídeos temporários — evitando que as mensagens possam ser encaminhadas ou reproduzidas novamente. Para gravar um áudio nesse modo, toque no ícone do microfone, deslize para cima para ativar o modo "mãos livres" e toque no símbolo "1", que aparece acima do botão de envio.

 

Outra função prática é o escaneamento de documentos, que transforma qualquer papel em PDF com boa qualidade e pronto para compartilhamento — sem a necessidade de apps externos. No iPhone, toque no ícone "+", e no Android, no clipe de papel. Depois, selecione "Documento", toque em "Escanear Documento", aponte a câmera para a folha, ajuste as margens, toque em "Manter Escaneamento" e, por fim, em "Salvar". O arquivo será enviado ao destinatário, mas também pode ser salvo no seu celular.

 

Embora a maioria dos smartphones traga um app de anotações, muita gente acaba deixando esse recurso de lado. Uma solução mais prática é cadastrar o número de seu próprio celular no WhatsApp e enviar para si mesmo mensagens, fotos, áudios e links. Assim, o acesso ao que importa fica mais rápido e sempre à mão.


Se você gosta de firulas, vai gostar de saber que uma atualização recente do WhatsApp liberou mais de 20 cores diferentes e 30 opções de papel de parede para personalizar conversas individuais ou em grupo. Para acessar a função, abra uma conversa, toque no nome do contato (ou grupo) e selecione a opção "Tema da Conversa". Também é possível fazer o ajuste pelas configurações do aplicativo, aplicando a mudança de forma geral.

Outra novidade é o recurso "Imaginar", que permite à Meta AI criar ilustrações ou fotos realistas a partir de descrições de texto. Para usar o recurso, abra o mensageiro, acesse um chat e, no canto inferior da tela, toque no ícone de "+", no iOS, ou no clipe de papel, no Android, e selecione "Imagens de IA".

Se quiser usar imagens prontas, basta escolher uma das categorias disponíveis, selecionar a imagem desejada e tocar na seta verde para enviá-la ao contato. Para criar suas próprias imagens, toque novamente, digite as características desejadas na caixa de texto, escolha uma das opções geradas e toque no botão de envio. Se quiser salvá-la na galeria, toque na imagem e depois em "Salvar foto". Já para animar a imagem, toque em "Animar" e confira o resultado.

Como se viu, quem usa o WhatsApp somente para mandar bom-dia com florzinha, reclamar da vida em grupos de família ou encaminhar fake news com entusiasmo juvenil está subutilizando um dos apps mais versáteis da atualidade. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 45ª PARTE — SETAS DO TEMPO: DA SIMETRIA QUÂNTICA À DESORDEM CÓSMICA

SE NÃO FOSSE A LUZ, NÃO EXISTIRIA SOMBRA.

Nossos antepassados começaram a contar o tempo quando perceberam padrões no amanhecer, no anoitecer, nas fases da Lua e nas mudanças sazonais. Há cerca de 5.000 anos, os egípcios criaram um calendário baseado na observação da estrela Sirius. Mais ou menos na mesma época, os sumérios dividiram o ano em 12 meses de 30 dias. Em 1582, o papa Gregório XIII substituiu o calendário solar que Júlio César implementou em 46 a.C. pelo modelo hoje adotado oficialmente por 189 dos 193 países-membros da ONU.

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Pelo andar da carruagem, Bolsonaro e outros 7 integrantes do núcleo crucial do golpe conhecerão suas penas na próxima sexta-feira. Até lá, haja antiácido, plasil e pantoprazol, pois o assunto continuará em destaque nos telejornais, assim como as manobras dos parlamentares bolsonaristas para pautar uma proposta de anistia que contemple também — e principalmente — o ex-presidente e seus asseclas de alto coturno.

Se a anistia fosse um filme, ele se chamaria "O Exterminador do Futuro". Na saga original, Schwarzenegger é enviado ao passado para matar a mãe de um líder revolucionário que incomoda o governo no presente — se o inimigo não nascer no passado, o problema deixa de existir no futuro. A proposta de anistia dos bolsonaristas segue a mesma lógica: enviar para o arquivo morto os inquéritos sobre fake news e milícias digitais, usados por Xandão como incubadoras, daria cabo de todos os problemas criminais de Bolsonaro et caterva. 

A proposta perdoaria todos aqueles que "tenham sido ou estejam sendo ou, ainda, eventualmente, possam vir a ser investigados, processados ou condenados" por crimes variados, inclui desde o complô golpista de Bolsonaro ao atentado à soberania nacional do filho Eduardo, passando pelo custeio de acampamentos de quartel e pelo quebra-quebra de 8 de janeiro.

A falta de limites do bolsonarismo ultrapassou todos os limites. Inclusive os do Centrão, pois o projeto apaga "todas as inelegibilidades já declaradas ou que venham a ser declaradas pela Justiça Eleitoral contra os anistiados. Bolsonaro, dodói e entristecido, voltaria a ser um presidenciável "imbrochável", estalando de novo. Tarcísio de Freitas, afilhado político do xamã golpista, estendeu a mão para a facção pró-anistia, mas descobriu que o bolsonarismo quer o braço, o tronco, a alma... 

A sorte é que o absurdo deve ser barrado — sob pena de todos os malfeitores se reunirem e mandarem um novo Schwarzenegger voltar 525 anos no tempo, aguardar na praia pela chegada da primeira caravela e exterminar Cabral e sua trupe.

Embora os relógios de sol e clepsidras tenham evoluído para sofisticados modelos atômicos, a ciência ainda não consegue explicar plenamente o que é o tempo. No século XVII, Isaac Newton comparou-o a uma flecha disparada de um arco, viajando em linha reta e velocidade constante. No  seu entender, a velocidade da luz podia variar, mas o tempo era constante e imutável em qualquer ponto do Universo.

Em 1905, Albert Einstein propôs que o tempo e o espaço são partes de uma única estrutura — o espaço-tempo. Segundo ele, com exceção da velocidade da luz, tudo é relativo no Universo, e a passagem do tempo varia conforme a velocidade do observador e a intensidade do campo gravitacional ao qual ele está submetido. Isso foi comprovado experimentalmente nos anos 1970, quando pesquisadores colocaram quatro relógios atômicos a bordo de aviões que deram a volta ao mundo, primeiro para o leste, depois para o oeste, e observaram um atraso de 59 nanossegundos e um avanço de 273 nanossegundos, respectivamente, em comparação com o padrão do Observatório Naval dos EUA.

De acordo com o astrônomo britânico Arthur Eddington, a "seta do tempo" aponta para o futuro quando a entropia aumenta e para o passado quando ela diminui. Até onde se sabe, a entropia só aumenta — ou seja, estruturas ordenadas perdem sua ordem, vasos de porcelana viram cacos e, por aí vai —, exceto nos sistemas quânticos, onde ela permanece constante quando tudo é deixado ao acaso. 

ObservaçãoOutra teoria sugere que o Universo “puxa” o tempo conforme se expande, e como o tempo e o espaço formam uma estrutura única, eventual reversão da expansão cósmica faria com que o espaço se contraísse e o tempo retrocedesse.

Ainda que as leis da física clássica sejam simétricas no tempo, os fenômenos termodinâmicos que observamos no cotidiano não são. Mas essa aparente contradição é resolvida quando se considera que o Universo começou num estado de entropia extremamente baixa, mas que vem aumentando sua desordem desde então. Mais que as próprias leis da física, esse ponto de partida incomum pode ser o verdadeiro responsável por termos uma seta do tempo. E como ninguém jamais viu os cacos de um vaso quebrado se rearranjarem espontaneamente, a experiência cotidiana reforça a ideia de que essa seta aponta somente para o futuro.

Se a seta do tempo aponta sempre da entropia menor (passado) para a maior (futuro), mesmo nos sistemas quânticos inicialmente ordenados, conclui-se que a entropia cresce até atingir um estado total de desordem. No entanto, segundo o físico John von Neumanna entropia de um sistema quântico não pode mudar, e se ela permanece sempre a mesma, não é possível saber se o tempo está correndo para frente ou para trás.


Essas considerações são irrelevantes ao lidar com sistemas quânticos elementares — como o átomo de hidrogênio, com um único elétron —, mas tornam-se cruciais quando se estuda sistemas com muitas partículas. Nestes casos, é preciso conciliar a teoria quântica com a termodinâmica, o que pode ser tão complicado quanto unificar a Relatividade e a Mecânica Quântica e combinar a gravidade com as outras três forças fundamentais da natureza. Por outro lado, talvez isso também seja apenas uma questão de tempo. 


Continua...

terça-feira, 29 de julho de 2025

LENDAS, MITOS E TEORIAS DA CONSPIRAÇÃO

O SUCESSO TEM MUITOS PAIS, MAS O FRACASSO É ORFÃO

Aprendemos na escola que Santos Dumont foi o "Pai da Aviação", criou o relógio de pulso e se suicidou ao ver sua invenção (o avião, não o relógio de pulso) ser usada para fins bélicos. No entanto, na maioria dos países dos 7 continentes (que eram cinco nos meus tempos de estudante) a invenção do avião é atribuída aos irmãos norte-americanos Wilbur e Orville Wright.

 

O inventor brasileiro ganhou projeção mundial em 1901, ao contornar a Torre Eiffel a bordo de um balão dirigível. Quando ele realizou o primeiro voo homologado pela Federação Aeronáutica Internacional com seu icônico 14-Bis, os irmãos Wright já haviam patenteado o Flyer e voado com ele dezenas de vezes. Chauvinistas inconformados alegavam que a engenhoca dependia de uma espécie de catapulta para decolar, mas os irmãos demonstraram que sua criação era capaz de decolar sem o auxílio de tais artifícios.


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A ideia de que Bolsonaro dirige os rumos da direita brasileira vai se tornando uma das ilusões mais persistentes da mitologia política contemporânea. Ele ainda projeta uma aparência de liderança — multiplicada pela presença de sua facção nas redes sociais —, mas seu poder efetivo é declinante. 

Aos poucos, o projeto de unificação das forças de direita em torno de uma hipotética candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas vai se dissipando. Diante da teimosia de Bolsonaro, que finge não estar inelegível, líderes conservadores tocam seus próprios planos. Depois de Ronaldo Caiado, primeiro líder de direita a se lançar na corrida presidencial, entrará na disputa Romeu Zema. Seu nome será lançado pelo partido Novo, em 16 de agosto. Ironicamente, a candidatura de Zema nascerá sob as barbas de Tarcísio, em São Paulo. 

Em política, quem não ambiciona o poder vira alvo. Mas quem só ambiciona o poder erra o alvo. Depois do golpe falhado, Bolsonaro tinha dois objetivos estratégicos: não ser preso e continuar dando a impressão de que comanda. Sua margem de manobra é mínima. 

Com o tarifaço de Trump ou sem ele, a condenação deve chegar em setembro. Enquanto finge que faz e acontece, o "mito" dos apatetados tenta se equilibrar em meio ao entrechoque das forças que disputam o seu espólio. Só que, ao invés de governá-las, ele começa a ser governado por elas — e se dar por satisfeito com a promessa de um futuro indulto.

 

Por estar com as mãos ocupadas controlando seus balões, Santos Dumont tinha dificuldade em ver as horas no relógio de bolso, e pediu ao amigo joalheiro Louis Cartier que adaptasse uma pulseira de couro ao maior relógio feminino de sua coleção. Mas isso não faz dele o inventor do relógio de pulso — na melhor das hipóteses, pode-se dizer que ele contribuiu para a adoção do acessório pelo público masculino. 

 

Acredita-se que o primeiro relógio de pulso tenha sido encomendado pela irmã de Napoleão Bonaparte ao relojoeiro Abraham-Louis Bréguet, ou criado pelos fundadores da relojoaria suíça Patek-Phillipe — embora haja registros de que Robert Dudley, 1º Conde de Leicester, presenteou a rainha Elizabeth I, em 1571, com um pequeno relógio de bolso atrelado a uma delicada pulseira de couro.

 

Santos Dumont foi encontrado morto em 23 de julho de 1932, no quarto 151 do Grande Hotel La Plage, em Guarujá (SP), mas a causa da morte no atestado de óbito foi posteriormente alterada para "parada cardíaca". A versão segundo a qual o uso bélico do avião levou-o a se matar não passa de uma lenda urbana consolidada durante o período getulista, e a história de que ele teria ficado inconsolável quando foi abandonado por Jorge Dumont Villares — um sobrinho com quem ele supostamente mantinha um relacionamento íntimo — permanece no campo da especulação. Até sua alegada homossexualidade é questionada por alguns biógrafos, que mencionam sua paixão pela socialite Yolanda Penteado e um affair com a cantora lírica Bidu Sayão.

 

Todo fato tem ao menos três versões — a sua, a minha e a verdadeira — e todos temos direito às nossas versões, mas não aos nossos próprios fatos. Quando as versões se sobrepõem aos fatos, surgem mitos, boatos e teorias da conspiração. Mitos são lendas criadas para explicar a origem do mundo e transmitir crenças sobre o desconhecido (o Gênesis é um bom exemplo), enquanto boatos são narrativas baseadas em informações não verificadas e transmitidas oralmente (até serem rebatizadas de fake news e disseminadas via aplicativos de mensagens e posts nas redes sociais). Já as teorias da conspiração associam eventos políticos ou sociais a esquemas secretos orquestrados por grupos poderosos — e o fato de carecerem de comprovação sustentável não as torna menos convincentes para quem quer acreditar.

 

Einstein ensinou que o Universo e a estupidez humana são infinitos; Saramago, que o pior tipo de cegueira é a cegueira mental. Aristóteles — e outros e outros filósofos gregos antes dele — concluíram que a Terra era esférica ao observar a sombra projetada sobre a Lua durante os eclipses lunares. No entanto, a despeito das milhares de fotos tiradas do espaço — e até da superfície lunar —, 8% dos brasileiros acreditam que a Terra é plana. 

 

Nos EUA, de 2% a 4% dos adultos defendem categoricamente o terraplanismo e 9% expressam dúvidas sobre a esfericidade do nosso planeta. A má notícia é que conteúdos terraplanistas geram três vezes mais engajamento nas redes sociais do que conteúdos científicos sobre o formato da Terra, e a péssima é que um em cada quatro americanos não sabe que a Terra gira em torno do Sol — vale lembrar que Copérnico propôs o heliocentrismo no século XVI, mas a Igreja Católica só aceitou oficialmente esse modelo no início do século XX.

 

Outra sandice que ainda persiste surgiu em 1969, a reboque da alunissagem da Apollo 11. Há várias versões, mas todas acusam a NASA de ter encenado a farsa na Área 51 — ou no deserto de Mojave, ou no Atacama. Segundo os conspiracionistas, os seis desembarques tripulados realizados entre 1969 e 1972 foram falsificados, e os doze astronautas jamais pisaram na Lua, a despeito de cinco das seis bandeiras americanas espetadas lá continuarem em pé — ironicamente, a deixada pela Apollo 11 foi derrubada pelo escapamento do foguete de decolagem.

 

A "tremulação" da bandeira espetada por Neil Armstrong, que leva água ao moinho dos teóricos da conspiração — pois "só seria possível se houvesse vento" —  decorreu do manuseio pelos astronautas, que introduziram uma haste na borda horizontal superior da bandeira para manter o pano estendido. Já a ausência de estrelas nas fotos deveu-se à configuração das câmeras, ajustadas para capturar a superfície lunar iluminada pelo Sol. As "sombras inexplicáveis", atribuídas ao uso de refletores, resultaram da combinação entre o solo acidentado e a perspectiva das fotos, e os supostos reflexos de "objetos estranhos" nos visores dos capacetes são perfeitamente compatíveis com o equipamento que os astronautas carregavam.
 
As missões Apollo foram acompanhadas por observadores independentes que verificaram as transmissões ao vivo e os sinais de rádio vindos da Lua. Além disso, 382 kg de rochas lunares foram analisados por cientistas de todo o mundo, e imagens de alta resolução feitas por sondas e telescópios modernos mostram claramente os locais de pouso — incluindo marcas dos módulos lunares e equipamentos deixados para trás na superfície.

 

Cerca de 400 mil pessoas (entre astronautas, engenheiros, técnicos, etc.) e centenas de empresas (como Lockheed e a Boeing) participaram, direta ou indiretamente, do projeto Apollo, e nenhuma prova concreta de fraude surgiu em 56 anos. A antiga URSS tinha tecnologia para rastrear foguetes e interceptar comunicações da NASA, e expor a suposta fraude seria uma vitória propagandística gigantesca durante a Guerra Fria. Seu silêncio, nesse contexto, é mais uma prova da veracidade da alunissagem.

 

Refletores a laser deixados na Lua continuam sendo usados por observatórios como o de Apache Point (EUA) para medir a distância Terra-Lua com precisão milimétrica. Mais de 40 países — incluindo a Rússia — analisaram amostras lunares e atestaram sua composição única (sem água, com isótopos de oxigênio inexistentes na Terra). Além disso, manter milhares de pessoas caladas por décadas exigiria subornos ou ameaças perpétuas — basta uma aposentadoria, um desligamento ou uma crise de consciência para desmoronar tudo.

 

Os negacionistas sustentam sua narrativa em supostas falhas ou inconsistências, argumentando, inclusive, que a tecnologia para enviar missões tripuladas à Lua era insuficiente para enviar missões tripuladas à Lua, e que o Cinturão de Van Allen, as erupções solares, o vento solar, as ejeções de massa coronal e os raios cósmicos tornariam tais viagens impossíveis. O astrônomo Phil Plait, autor do premiado blog "Bad Astronomy", tem um post específico em que desmascara não apenas o caso da bandeira, mas várias outras falaciosas repetidas por conspiracionistas. 

 

Mesmo assim, os teóricos da conspiração afirmam que tudo foi simulado, com a suposta participação do cineasta Stanley Kubrick. A maioria dessas teorias foi desconstruída pelos apresentadores do programa "MythBusters", que até usaram uma câmara de vácuo para desbancar as teorias. Mas o povo "do contra" não se convence: segundo eles, o programa é patrocinado pela NASA.

 

O físico David Grimes, da Universidade de Oxford (UK), concebeu uma equação levando em conta o número de conspiradores envolvidos (411 mil funcionários da NASA) e o tempo transcorrido desde o evento, e concluiu que alguém fatalmente teria dado com a língua nos dentes depois de 3,7 anos. Bill Kaysing (pai da teoria da fraude) jamais trabalhou na NASA — era redator técnico em uma contratante —, e Bart Sibrel (documentarista) pagou astronautas para "jurar sobre a Bíblia" — e levou um soco de Buzz Aldrin. Nenhum cientista, engenheiro ou astronauta envolvido jamais confirmou a fraude, mesmo diante de ofertas milionárias.

 

Pode-se levar um burro até o riacho, mas não se pode obriga-lo a beber. Da mesma forma, argumentar com quem acredita nessas patacoadas é como dar remédio a defunto. À luz da Navalha de Ockham — conceito filosófico segundo o qual, diante de várias explicações possíveis para um fenômeno, a mais simples costuma ser a correta — a alunissagem foi real porque a física, a política e a psicologia humana tornam a fraude virtualmente impossível. 

 

Enfim, cada um pode acreditar no que quiser. Se tanta gente ainda acredita que Lula foi absolvido e que Bolsonaro é um patriota de mostruário...

quarta-feira, 23 de julho de 2025

COMO CRIAR UMA LISTA DE REMETENTES CONFIÁVEIS NO GMAIL

PELA LÓGICA, NÃO DÁ PARA AGRADAR A TODOS; POR MIM, NÃO FAÇO A MENOR QUESTÃO DE AGRADAR A QUEM QUER QUE SEJA.

Aplicativos de mensagens como o WhatsApp e o Telegram substituem o correio eletrônico em diversas situações, mas isso não significa que o email tenha sido aposentado. 
 
A exemplo de outras plataformas de email, o Gmail filtra automaticamente conteúdos irrelevantes e possivelmente infestados de malwares, mantendo 99,9% (segundo a empresa) do junk mail na caixa de spam. Como esse filtro não é perfeito, sempre existe a possibilidade de mensagens importantes serem bloqueadas. Para evitar que isso aconteça, o serviço do Google permite criar uma lista de remetentes confiáveis. 


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A primeira coisa a fazer quando se cai num buraco é parar de cavar. Incrivelmente, o filho do pai faz exatamente o contrário ao afirmar que não renunciará ao mandato, chamar Moraes de "medíocre" e um delegado da PF de "cachorrinho". Já o pai do filho precisa sincronizar seu relógio com o Centrão. Para ele, definir um Plano B antes da hora é inaceitável para o Centrão, inaceitável é a demora em lançar a candidatura de Tarcísio de Freitas.

Depois de se recusar a expor sua tornozeleira — "não vou mostrar porque é uma humilhação" —, Bolsonaro arrastou o adereço pelos corredores da Câmara sob um coro de "mito, mito, mito". Como era de esperar, a cena se espalhou em perfis de aliados e de meios de comunicação nas redes sociais. Como também era de esperar, Xandão intimou a defesa do capetão a justificar o descumprimento da medida cautelar, sob pena de prisão preventiva.

Aos 70 anos, inelegível, doente quando lhe convém, com uma condenação por tentativa de golpe de Estado esperando para acontecer, proibido de usar as redes sociais e com um dos filhos homiziado na cueca de Trump, o "mito" despencou de sua realidade paralela e caiu na merda do mundo real. Nem Trump conseguiu salvá-lo — ao contrário, só piorou a situação. Só lhe resta sair de cena melancolicamente e arrastar a tornozeleira e a pecha de traidor da pátria até o STF selar seu destino.

Quando deixamos de olhar para a árvore e passamos a olhar a floresta, perguntamo-nos como foi possível o Brasil sobreviver quatro anos sob um governo insano, comandado por uma organização criminosa de militares e civis, cujo modus operandi foi esmiuçado nas mais de 500 páginas do relatório final em que o PGR pediu a condenação do capetão-golpista e seus cúmplices?

Em momentos distintos da ditadura militar, o general Ernesto Geisel qualificou Bolsonaro como "anormal e mau militar", e Pelé e o general Figueiredo alertaram para o perigo de misturar brasileiros com urnas em eleições presidenciais. Mas nenhum dos três fazia ideia da extensão do desastre que estava por vir.

Em 2021, o empresário Paulo Marinho — que transformou a própria casa em estúdio para a campanha bolsonarista de 2018 — revelou que o então presidente sabia que seria preso pelos crimes cometidos — e pelos que ainda cometeria até o fim do mandato — e planejava “virar a mesa”. Meses depois, farejando a derrota nas urnas, o sacripanta rosnou que só haveria eleições se houvesse voto impresso.

Durante sua passagem pelo Planalto, Bolsonaro incitou e participou pessoalmente de manifestações pró-ditadura, promoveu “motociatas”, cavalgou pela Esplanada dos Ministérios e articulou um desfile de tanques em frente ao Congresso —visando constranger parlamentares durante a votação da PEC do voto impresso. Sempre que foi ameaçado, fingiu recuar. Mas pau que nasce torto morre torto, e ele logo reencarnava o "anormal e mau militar" que, numa democracia séria, seria inexoravelmente apeado do cargo. Nesta republiqueta de bananas, porém, o antiprocurador-geral, o imperador da Câmara e o próprio STF fingiram não ver o que o pior mandatário desde Tomé de Souza fazia.

Antes de se tornar réu, o Messias que não miracula admitiu que se refugiaria em alguma embaixada se sua prisão preventiva fosse decretada — como realmente se homiziou na Embaixada da Hungria, em fevereiro do ano passado, quando teve o passaporte apreendido.

Mauro Cid montou um plano de fuga em slides e produziu fake news sobre hackers terem encontrado vulnerabilidades nas urnas. A célebre “minuta do golpe” foi apresentada aos comandantes, e o plano Punhal Verde e Amarelo impresso no Palácio do Planalto pelo general Mário Fernandes, então secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência. Agora, correndo o risco de aguardar em prisão preventiva seu julgamento e a provável condenado a mais de 40 anos de prisão, o aspirante a golpista ainda tem a audácia de falar em anistia e indulto!

A lambança bolsotrumpista — urdida pelo filho do pai que quase foi nomeado embaixador nos EUA por ter morado no Maine e fritado hambúrgueres numa rede de fast food que só servia frango frito — deixou a direita e a extrema-direita sem rumo, levando junto os possíveis substitutos do pai do filho em 2026. Como não poderia deixar de ser, essa pantomima tirou das cordas o despresidente de turno, que voltou a liderar todos os cenários nas pesquisas para as próximas eleições.

Triste Brasil.

 
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