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quarta-feira, 11 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 83ª PARTE

O FUTURO JÁ ACONTECEU?

Há quem considere os casos de Fentz, Carlssin, Titor e do hipster de 1941 (vide capítulos anteriores) como evidências de viagens no tempo, e as pirâmides de Gizé e Stonehenge como provas da visita de alienígenas cuja tecnologia permitiu atravessar galáxias a velocidades superluminais e usar os buracos de minhoca como atalhos cósmicos. Para os céticos, nada disso prova coisa alguma, mas mentes obstinadas podem ser montanhas intransponíveis.


Em Ensaio sobre a cegueira, o Nobel de Literatura José Saramago escreveu que a cegueira é uma questão privada entre as pessoas e os olhos com que elas nasceram, e que a pior cegueira é a mental.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Na última sexta-feira, o ministro Alexandre de Moraes divulgou nota argumentando que os arquivos encontrados no celular de Daniel Vorcaro e repassados à CPMI do INSS indicavam que as mensagens de visualização única atribuídas a ele foram na verdade enviadas ao banqueiro por outro interlocutor. Ato contínuo, a Globo divulgou um texto informando que os softwares usados pela PF permiteM afirmar com certeza que o diálogo se deu entre o dono do Banco Master e o magistrado. 

Durante o fim de semana, o ministro negou que teria visitado a casa de Vorcaro na Bahia. Na manhã do dia 9, sua esposa divulgou detalhes sobre o contrato que manteve com o banco até novembro do ano passado, quando o BC decidiu por sua liquidação. O texto cita supostas reuniões e a elaboração de documentos que justificariam os R$ 3,6 milhões mensais pagos mensalmente ao escritório de advocacia da família do ministro. 

Entre os políticos, os desdobramentos do caso deram à luz a máxima segundo a qual “jantar não é crime”. O receio é que qualquer um que tenha tido contato com Vorcaro se torne radioativo, mesmo sem ter recebido dinheiro ou vantagens.

Sobre a cabeça de Lula paira a quebra de sigilo de Lulinha e a percepção da população de que o STF atua de forma política para beneficiar o petista.

Quanto a Moraes, dá-se de barato que, pelo menos de momento, não se cogita seu afastamento. O magistrado costuma reagir quando pressionado, e tem armas para tal: o inquérito das fake news, a apuração contra servidores da Receita e até a ADPF das Favelas e a recente apuração contra servidores da Receita Federal e do Coaf. Uma das estratégias será desacreditar as informações, sustentando que o vazamento foi seletivo e recortado para criar uma narrativa contra ele e o STF.

Atendendo à defesa de Vorcaro, André Mendonça determinou a abertura de uma investigação sobre quem repassou os dados à imprensa. A ofensiva tende a gerar repercussões, especialmente no Congresso, onde um grupo formado por parlamentares bolsonaristas e do Centrão já está com Moraes na alça de mira, e outro pode apoiar medidas contra vazamentos visando frear as investigações.

O fato é que reputação de Moraes subiu no telhado. Embora ele tente se desvencilhar das mensagens, a crise está posta, e se antes as críticas se concentravam em decisões controversas, agora elas ultrapassam a esfera jurídica e focam possíveis relações não republicanas do togado.

O presidente da CPMI do INSS, Carlos Viana, ficou de convocar o ministro Flávio para explicar por que suspendeu as quebras de sigilo fiscal e bancário de Lulinha. Se aprovado, o gesto será interpretado no STF como uma afronta num momento de tensão entre os Poderes. Em outra frente, as relações entre Alcolumbre e Lula estão estremecidas, devido, sobretudo, ao avanço das investigações da PF no caso Master.

O vazamento de mensagens do celular de Vorcaro e os boatos de delação fortalecem a tese de que a crise dificilmente transcorrerá sem  baixas no mundo político. Dirigentes partidários da oposição e do Centrão, já preparam uma vacina para o que vier nos próximos vazamentos, num movimento de defesa da classe política. Segundo suas insolências, jantar não é crime, amizade não significa corrupção e ter contato salvo, então, não significa absolutamente nada. Mas o temor é de uma “epsteinização” do caso: qualquer um que tenha tido contato com Vorcaro vai se tornar radioativo, mesmo que não tenha recebido dinheiro ou vantagens.

Ainda é cedo para avaliar o estrago que isso fará na campanha de quem foi citado e dos que ainda virão a sê-lo, já que as investigações devem adentrar o período eleitoral e contaminar as disputas. Uma das estratégias dos envolvidos no imbróglio será desacreditar as informações, sustentando que o vazamento foi seletivo e recortado para criar uma narrativa contra ele e atingir o Supremo.

O ministro André Mendonça determinou à Polícia Federal que abra investigação sobre quem repassou os dados à imprensa, atendendo a pedido da defesa de Vorcaro. O eleitorado, majoritariamente ignorante, talvez não compreenda a teia de fraudes e títulos podres do banco Master, mas sabe que a etiqueta que resume o caso é a de corrupção.


Talvez seja por isso que as religiões perduraram milênios — a despeito do manancial de indícios que contradizem seus preceitos, crenças e dogmas — e milhões de pessoas ainda acreditam que Deus criou o mundo em 4004 a.C. e que todos os seres humanos descendem de Adão e Eva — embora haja evidências científicas acachapantes da idade do Universo e da evolução natural.


A ciência evoluiu muito nos últimos séculos, mas ainda não consegue explicar a natureza do tempo nem se é ele que passa ou se somos nós que passamos por ele e o dobramos com as decisões que adiamos e os caminhos que não tomamos. Para viajar no tempo — o fruto mais cobiçado e ainda não alcançado da árvore da relatividade — seria preciso superar inúmeros obstáculos, mas nunca é demais lembrar que Cabral levou 44 dias para cruzar o Atlântico e “descobrir” o Brasil, e menos de 500 anos depois o Concorde fazia a mesma viagem pelo ar em cerca de três horas.


Quiçá viajar no tempo seja apenas uma questão de tempo. A chave pode estar nos buracos de minhoca, nas cordas cósmicas, nos loops temporais, no multiverso e na teoria dos muitos mundos, entre outras possibilidades. Isso pode parecer roteiro de filme de ficção científica, mas o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário. Ademais, a ausência de evidência não é evidência de ausência, e desafiar os limites é o único caminho para superá-los.


Acontecimentos inexplicáveis como os mencionados nos capítulos anteriores levam água ao moinho dos teóricos da conspiração. Há quem considere os casos de Fentz, Carlssin, Titor e do Hipster de 1941 como evidências de viagens no tempo, e as pirâmides de Gizé e Stonehenge, como provas da visita de alienígenas cuja tecnologia permite viagens intergalácticas a velocidades superluminais e uso de buracos de minhoca como atalhos cósmicos. Para os céticos, nada disso prova coisa nenhuma, mas mentes obstinadas podem ser montanhas intransponíveis. 

Dizem que o futuro é um território ainda por vir. Mas e se ele já tivesse acontecido, e nós, distraídos, estivéssemos apenas tentando alcançá-lo? Quiçá o segredo não esteja em viajar pelo tempo, mas em perceber que o tempo sempre viajou por nós, dobrando memórias, adiando sonhos, reinventando passados. No fim das contas, o relógio não marca as horas: ele as fabrica. E nós, confiantes, seguimos acreditando que somos os condutores, embora seja o tempo que nos carrega pela coleira das horas..

Talvez as viagens no tempo aconteçam o tempo todo, só que sem aviso, sem passaporte e, claro, sem reembolso. Afinal, o tempo é o único viajante que nunca se perde… e ainda ri de quem tenta alcançá-lo.

Continua...

sábado, 28 de fevereiro de 2026

O PAÍS DO FUTURO QUE NUNCA CHEGA

BRASIL, UM PAÍS DE TOLOS

A coisa vai de bem a melhor nesta republiqueta de bananas.

No STF, Dias Toffoli finalmente deixou a relatoria do caso Master, mas o imbróglio não deixou o escolhido de Lula, em 2009, para ocupar a vaga de Menezes Direito, embora ornassem o currículo do Maquiavel de Marília duas reprovações seguidas em concursos para juiz de primeira instância em São Paulo.

André Mendonça, o ministro terrivelmente evangélico que Bolsonaro acomodou na vaga de Marco Aurélio Mello, ora acumula a relatoria dos dois escândalos mais rumorosos da República (o roubo das aposentadorias do INSS e as fraudes do Master). Na contramão do antecessor, ele mandou Davi Alcolumbre franquear à CPI o acervo do celular de Daniel Vorcaro, permitindo à PF prosseguir com as investigações.

Exemplo de corporativismo, o ninho de togas se uniu para livrar o colega Toffoli do impedimento, e ainda criticou duramente a PF — sem a qual jamais teria encerrado o caso Marielle Franco (fosse com oito ou com oitenta anos de atraso).  

O julgamento dos mentores foi como a radiografia que expõe as células de um tumor já em metástase. Na cobertura da “orcrim” estavam um conselheiro do TCE-RJ e um deputado federal cassado; abaixo deles, um ex-chefe da Polícia Civil e policiais militares. Mas as condenações não são a cura, e sim parte do tratamento, já que, no banco dos réus, o sujeito oculto era o próprio Estado infiltrado por criminosos.

Na capital fluminense, crime e política operam em regime de coalizão. A doença evoluiu da contaminação para a fusão: quando não concorrem diretamente, os milicianos e os traficantes tornam-se sócios; quando não concorrem, elegem representantes na Câmara Municipal, na ALERJ e no Congresso, indicam prepostos para cargos públicos — inclusive na segurança. Para saber como o câncer evolui, basta olhar o que acontece no México.

Há em Brasília dois tipos de políticos: os que temem o enrosco e os que vivem de desgastar os enroscados. Numa escala de zero a dez, a hipótese de uma combinação como essa terminar bem marca menos onze.

Com as bênçãos do pai presidiário, o ex-deputado das rachadinhas, dos panetones e das mansões milionárias amealhou parte do eleitorado bolsonarista e votos da direita mais ampla, aparecendo tecnicamente empatado com Lula na maioria das pesquisas. 

Eleições altamente polarizadas costumam ser decididas pelos “isentões” (ou “nem-nens”), que não têm bandido de estimação. Em 2018, o misto de mau militar e parlamentar medíocre derrotou o bonifrate do então presidiário mais famoso do Brasil por 13% dos votos válidos. Em 2022, já solto, descondenado e reabilitado politicamente, Lula venceu Bolsonaro pela diferença irrisória de 1,76%.

A polarização desembarcou em Pindorama junto com Cabral e esteve presente em todos os capítulos da nossa história. O quadro se agravou com a rivalidade entre mortadelas e coxinhas, que atravessou décadas até 2002, quando Fernando Henrique não conseguiu emplacar José Serra seu sucessor e entregou “de bandeja” a presidência para Lula, derrotado antes por Collor em 1989 e pelo próprio FHC em 1994 e 1998.

Em 2010, o desempregado que deu certo declarou que a disputa seria “nós contra eles”, acirrando esquerda e direita. Depois de escolher Dilma para manter aquecida a poltrona que pretendia voltar a disputar em 2014, falou em “extirpar” o DEM (atual União Brasil) da política tupiniquim. Durante a campanha da pupila, retomou o ramerrão vomitativo do “nós contra eles” e rebateu acusações de incompetência que a nefelibata da mandioca vinha colecionando.

Em 2016, após o segundo impeachment da Nova República, Lula chamou o vice Michel Temer de “golpista” e vociferou que “a direita raivosa cresce quando os jovens rejeitam a política”. Em 2018, quando o TRF-4 aumentou a pena do camelô de empreiteiras no caso do triplex para 12 anos e 1 mês, a estrelinha vermelha Gleisi Hoffmann — codinomes “coxa” e “amante” nas planilhas da Odebrecht — vaticinou que “para prender Lula seria preciso matar muita gente”. Mas ninguém morreu, noves fora as mais de 700 mil vítimas da Covid durante a gestão negacionista do capetão genocida. 

Lula teve as férias compulsórias interrompidas após míseros 580 dias quando o STF anulou seus processos a pretexto da incompetência territorial da 13ª Vara Federal — tese escatológica que já havia sido rejeitada uma dezena de vezes pela própria Corte. Na pré-campanha de 2022, com a cara de pau que Deus lhe deu, desdenhou dos antigos adversários: “agora quem acabou foi o PSDB”. Os tucanos reagiram dizendo que o PT passara anos tentando reescrever a história, semeando ódio, perseguindo adversários, dividindo a sociedade e montando uma usina de fake news. 

Posteriormente e com a mesma cara de pau, Bolsonaro “lamentou” o 8 de janeiro, atribuiu o vandalismo a uma armadilha da esquerda e afirmou que os ataques às sedes dos Poderes não configuraram tentativa de golpe. O palanque ambulante respondeu dizendo que o rival era um presidente sem controle emocional, desmoralizado pela quantidade de mentiras contadas durante a campanha, que inventou aquilo tudo e ainda fugiu porque não teve coragem de participar.

Todo fato tem pelo menos três versões: a sua, a minha e a verdadeira. Também são três os tipos de polarização: na ideológica, diverge-se sobre programas políticos; na social, as diferenças socioeconômicas dividem; na afetiva, até a imagem ou o som da voz do adversário provoca reações viscerais. 

Basta lembrar a última gestão Vargas, quando situação e oposição não dialogavam, não se reconheciam nem autorizavam a existência uma da outra. Em 1954, o suposto “suicídio” do tirano baixou a fervura, mas não impediu que a polarização crescesse até desaguar no golpe de 1964 — que Bolsonaro tentou reprisar em 2022, sem sucesso, por falta de apoio das Forças Armadas.

Nada de bom resulta de um cenário em que desavenças e violência política continuam crescendo. Um passo necessário — ainda que insuficiente — para recolocar o Brasil nos eixos é drenar a intolerância do discurso político. Mas só Deus e o diabo sabem quando — e se — isso acontecerá. Até lá, o parteiro do Brasil Maravilha e o mito dos descerebrados continuarão empenhados numa repugnante desumanização mútua e esmerdeando-se ao estendê-la aos apoiadores dos respectivos rivais.

Enquanto a régua de muares insistir em fazer, a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez com sua caixa uma única vez, por curiosidade, será mais fácil nevar no inferno do que um país assim dar certo.

Triste Brasil.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A ROLEX É MESMO TUDO ISSO?

EXISTEM FAKE NEWS QUE PARECEM FATOS E FATO QUE PARECEM FAKE NEWS.

Uma matéria publicada pelo portal O Antagonista sob o título “ROLEX É TUDO ISSO MESMO?” inspirou esta postagem. Primeiro, porque sempre fui apaixonado por relógios (a propósito, sugiro ler a sequência iniciada nesta postagem); segundo, porque minha humilde coleção inclui um Rolex Oyster Perpetual GMT-Master automático e um Omega Seamaster Diver 300M (Goldeneye 007) movido à quartzo.

No jargão da relojoaria, o mecanismo interno do relógio se chama calibre, e o anel que circunda o mostrador, bisel (ou catraca, se for rotativo). A proteção que recobre o mostrador atende por cristal, e as funções acessórias (como calendário, fases da lua etc.), por complicação. O botão lateral que serve para dar corda e acertar a hora e o calendário é conhecido como coroa, e o tempo durante o qual o mecanismo permanece funcionando sem precisar de corda, como reserva de marcha.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Os alertas da ministra Cármen Lúcia soaram mais alto do que a bateria da Acadêmicos de Niterói. "A festa de Carnaval não pode ser fresta para ilícitos", avisou ela na semana passada.

Janja foi substituída na última hora por Fafá de Belém, e o carro alegórico em que a primeira-dama desfilaria foi precedido por uma ala de passistas adornada por um estandarte em que se lia: "Solte sua Janja".

A letra do samba-exaltação glorificou Lula e enalteceu sua agenda, mas não pediu voto. O verso sobre "13 noites e 13 dias" falou da migração da família Silva para São Paulo, mas não mencionou que o número identifica o PT na urna. O refrão com o slogan das campanhas foi tratado como manifestação cultural, não eleitoral, e Bolsonaro foi retratado na avenida como um palhaço vestido de presidiário, mas não houve menção a Flávio, primogênito e candidato do "mito" encarcerado.

Da Sapucaí, a guerra retórica transferiu-se para as redes sociais, onde o bolsonarismo prevaleceu sobre o petismo em visualizações e o tom foi predominantemente negativo para o pré-candidato à reeleição — daí o empenho do Planalto em reduzir os danos.

Lula e o PT não foram punidos pela Justiça Eleitoral, mas a Acadêmicos de Niterói terminou a apuração mais de dois pontos atrás da penúltima colocada e disputará a Série Ouro em 2027. Paralelamente, a mais recente pesquisa Quaest deu conta de que 57% do eleitorado acham que o petista não merece um quarto mandato.

Pelo visto, a homenagem que resultou no rebaixamento da Escola pode retirar votos do homenageado no minoritário bloco dos eleitores independentes, vistos como decisivos no tira-teima das urnas de 2026.


O movimento mecânico é considerado o estado da arte da alta relojoaria suíça e envolve centenas de peças minúsculas que trabalham em harmonia a despeito da gravidade, do magnetismo e das variações de temperatura. Já o mecanismo a quartzo — que revolucionou a relojoaria na década de 1960 — é composto basicamente de um circuito eletrônico e uma bateria.


O quartzo (dióxido de silício) é largamente utilizado em construções (na forma de areia) e na fabricação do vidro (de janelas, garrafas, etc.). Suas propriedades piezoelétricas fazem-no vibrar 32.768 vezes por segundo e captada por eletrodos e "interpretada" por um circuito integrado (CI). 


Nos modelos mecânicos, a chamada "mola principal" é enrolada quando "damos corda ao relógio" e libera energia conforme se distende. A quantidade de energia acumulada movimenta a "roda de balanço" e faz o mecanismo funcionar.


Os relógios automáticos não deixam de ser movidos à corda, pois seus marcadores de tempo são basicamente os mesmos dos modelos manuais. A diferença é que o movimento natural do pulso aciona uma roda de balanço, gera a energia que é acumulada pelo tambor e movimenta as engrenagens que acionam os ponteiros e mudam a data no calendário.


É possível dar corda na maioria dos mecanismos manuais girando a coroa no sentido horário — mas convém tomar cuidado para não forçar a mola além desse ponto, pois o conserto irá custar muito mais que uma simples troca da bateria nos modelos a quartzo.


A certificação COSC (Controle Oficial Suíço de Cronômetros) admite uma variação de -4/+6 s/dia para mecanismos à corda (manual ou automática), de modo que 3 minutos para mais ou para menos por mês estão dentro da "normalidade". Já a Rolex considera normal uma variação de -2/+2 segundos por dia — coisa que meu Omega leva leva cerca de um ano para acumular.


Tecnicamente, um segundo corresponde a 1/60 do minuto e tem 1.000 milissegundos ou 0,0166667 minutos, mas essa definição prática não leva em conta as complexidades envolvidas na definição científica do segundo, que são baseadas em transições atômicas e padrões de frequência.


Em 1967, a 13ª CGPM definiu o segundo como a duração de 9.192.631.770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133. Em 1997, acrescentou-se que essa definição se refere a um átomo de césio em repouso, a uma temperatura de zero grau Kelvin, e em 2019 fixou-se o valor numérico da frequência de transição hiperfina do césio (ΔνCs) como sendo exatamente 9.192.631.770 Hz — base para todos os relógios atômicos modernos.


Com manutenção adequada, meu Rolex GMT-Master II pode funcionar perfeitamente por décadas a fio, ao passo que o Omega Seamaster à quartzo depende de componentes eletrônicos que se degradam e tendem a se tornar impossíveis de substituir com o tempo.


É por isso que relógios de grife mecânicos mantêm seu valor e os melhores modelos à quartzo depreciam como qualquer outro eletrônico. Ademais, as trocas de bateria tornam a caixa permeável a água e/ou poeira quando o relojoeiro não substitui o-ring (anel de vedação) por um novo antes de recolocar a tampa. 


A certificação Superlative Chronometer vem do tempo em que a precisão mecânica era crucial (navegação, aviação, mergulho profissional). Hoje, ela tem mais a ver com tradição e excelência em manufatura — ou seja, a fama não vem da precisão absoluta (superada pelo quartzo há 50 anos), mas da complexidade técnica, durabilidade secular, valor como objeto de arte mecânica e símbolo de status. 


No fim das contas, as obras de arte da Rolex e outras grifes renomadas podem até atrasar ou adiantar alguns segundos por dia, mas jamais perdem a pose. Já os Omega e outros modelos da alta relojoaria movidos a quartzo primam pela pontualidade, mas perdem a aura a nobreza que muita gente ainda insiste em confundir com precisão.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

TRISTE BRASIL

De tão recorrente, o vitimismo político se tornou um padrão nesta banânia.

De D. Pedro I, forçado a abdicar em 1831, ouvimos que “abria mão do cargo para "que o Brasil sossegasse".

Em 1954, Vargas tirou a própria vida (se é que não foi “suicidado”) e deixou uma carta melodramática afirmando que "saía da vida para entrar na História”.

Em 1961, Jânio Quadros afirmou que "forças terríveis o levaram a renunciar”. Vice do demagogo cachaceiro, João 'Jango' Goulart denunciou uma trama em que "não o deixavam governar" e foi apeado pelo golpe militar de 64.

Collor disse que caiu por conta de "um complô articulado por interesses contrariados"; Dilma, que foi vítima de uma "farsa"; Temer, que havia "uma conspiração contra seu governo". Lula, que ficou preso por 580 dias, pariu a seguinte pérola: "Eu sou uma jararaca; eles tentaram me matar e não conseguiram".


Em que pese esse passado de ressentimentos e lamúrias de imperadores e presidentes, ninguém foi tão constante na vitimização como Bolsonaro, seus familiares e seguidores. Além de requentar, amplificar e instrumentalizar ad nauseam a facada que levou às vésperas das eleições de 2018, o aspirante a tiranete perorou que "deu o sangue pelo país", numa tentativa de transformar um atentado em evento messiânico e idólatra.


No clássico "Purificar e Destruir", Jacques Sémelin anotou que muitos dos regimes mais autoritários e sanguinários da história foram justificados por uma violência redentora e restauradora contra inimigos da pátria que impedia o povo de atingir seu potencial.


No populismo, o povo é sempre trabalhador, moral, altivo, o verdadeiro representante da alma mais pura da nação, herdeiro legítimo dos bons tempos que construíram o país, e “eles”, os conspiradores que minavam os fundamentos da pátria como cupins.


A única saída para curar essa doença social era identificar os inimigos do povo e depois prender, exilar e matar. Não que os ditadores gostassem de violência. Eles a evocavam como um mal necessário para a restauração da ordem e passava a ser aceita como parte de uma guerra justa, legítima defesa, motivada por uma ira santa, patriotismo e sacrifício dos verdadeiros patriotas que sonham restaurar o passado glorioso que foi roubado por "eles".


Quanto mais crimes demandados pelos líderes do movimento, mais o vitimismo servia como justificativa moral e espiritual para os carrascos convocados naquela missão cívica. Mas a democracia pressupõe alternância de poder e é do jogo que grupos políticos distintos tenham vitórias e derrotas, entrem e saiam do poder.


Como ensinou Roger Scruton, a democracia é o regime em que os derrotados na eleição aceitam ser governados pelo grupo adversário e vão para a oposição em paz, desejando boa sorte a quem venceu e mostrando que o país está acima daquela disputa que se encerra. 


A lógica autoritária e tribal não reconhece adversários legítimos, apenas inimigos a serem destruídos. Toda disputa é existencial, e o destino da nação está sempre naquela disputa pelo poder que não admite derrota. Se o fim é a salvação do povo, todo meio é legítimo na luta, mesmo os mais violentos e arbitrários. E a maneira mais eficiente de convencer um cidadão comum a cometer atos criminosos, como invadir e vandalizar prédios públicos, é fazer com que ele acredite que ele é vítima, e que, naquela disputa, é matar ou morrer.


Foi essa lógica que alimentou o núcleo de desinformação da trama golpista bolsonarista — e funcionou por anos como central de produção de fantasias persecutórias, instigando e radicalizando parte da população contra as instituições, as urnas, as pesquisas e "eles".


Nenhum movimento político no país levou o vitimismo e o conspiracionismo tão longe quanto o bolsonarismo. Em 2018, ainda no hospital, Bolsonaro afirmou em rede nacional: "Eu, pelo que eu vejo nas ruas, não aceito resultado das eleições diferente da minha eleição". Três anos depois, diante de pastores, completou: "Só saio [da presidência] preso, morto ou com a vitória". "Não tenho ambição pelo poder, tenho obsessão pelo Brasil", repetia. "Deus me colocou aqui, e somente Deus me tira daqui". Depois da prisão, mais vitimismo: "Estou sendo humilhado. Não tem nada de concreto. Isso é perseguição".


Quando foi derrubado por um golpe militar, D. Pedro II tinha à mão todo o prestígio necessário para incendiar o país e provocar o caos. Muitos correligionários se ofereceram para pegar em armas e defender seu reinado, mas ele partiu sem vitimismo, sem bravata, sem transformar sua dor em chantagem. Aceitou o exílio com serenidade. Saiu como estadista, não como coitado — e nunca foi superado. Jamais teremos mais um brasileiro como D. Pedro II, mas poderíamos ter ao menos um mínimo de compostura.


Bolsonaro precisa de remédio que ofereça democracia, não de psiquiatra. Não existe droga química contra o fascismo. O remédio é a política, o exercício da democracia até onde ela deve e pode alcançar, que é fazer a defesa de si mesma. E para isso é preciso às vezes prender pessoas que cometem crimes.


Os advogados do ex-presidente insistem que seu cliente precisa ficar em casa para ter uma assistência permanente, eventualmente com aparelhos, etc., que na cadeia ele não teria. Mas a pergunta é: cadê o imbrochável, incomível e imorrível, para quem a Covid não passava de uma gripezinha mixuruca? Que estaria saudável para enfrentar uma campanha eleitoral, mas que vai morrer se ficar numa cela da Papuda?


Bolsonaro sempre foi contra punir fake news, porque mentir não é crime. Na esteira desse raciocínio, fingir demência também não é.


Inspirado em um artigo de Alexandre Borges

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

MAIS SUTILEZAS DO WHATSAPP

AS PESSOAS VEEM AS PINGAS QUE VOCÊ TOMA, MAS NÃO VEEM OS TOMBOS QUE VOCÊ LEVA. 

Dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, a Meta foi responsável por 60% de todas as receitas de apps sociais em 2024. O TikTok disputa com Instagram, YouTube e ChatGPT o topo do ranking dos aplicativos mais baixados mundialmente, mas vale lembrar que o ChatGPT é um chatbot de IA, enquanto o TikTok se encaixa melhor como uma plataforma de entretenimento baseada em algoritmos do que como uma rede social no sentido clássico.

 

O WhatsApp nasceu como um aplicativo de mensagens instantâneas — algo como uma versão multimídia do SMS —, mas incorporou características de rede social e hoje reúne quase 3 bilhões de usuários em mais de 100 países (170 milhões só no Brasil). Como ele é atualizado constantemente, poucas pessoas conhecem algumas funções úteis que facilitam desde transferências via Pix até a organização de mensagens em listas específicas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A segurança pública será protagonista na campanha para a próxima eleição, mas da maneira como vem sendo abordada no impacto da operação no Rio ela não tem a menor chance de ser o vetor de unificação nacional necessário ao enfrentamento efetivo dessa calamidade.

Traído pelo cacoete ideológico e injustificado desconhecimento da realidade (na frase sobre traficantes vítimas de usuários), Lula vem pisando em ovos — como geralmente acontece com quem fala do não deve — mas uma resposta além da declaração protocolar em rede social terá de ser dada à sociedade em algum momento.

Dada sua tendência a impulsos oratórios inapropriados, o petista fará um bem a si mesmo se ouvir os bons conselhos, organizar as ideias, tiver algo consistente a oferecer e, sobretudo, medir as palavras antes de se manifestar a respeito. O argumento de que não é prudente levar o tema para dentro do Palácio do Planalto está com prazo de validade vencido. 

Com o discurso de que a força bruta é o melhor remédio, a oposição — ou direita, como se queira chamar — fala bem aos ouvidos do público farto da violência, não obstante seja um palavrório sem eficácia. E a leniência tampouco dá conta do recado cruento — como se vê no Rio há mais de 40 anos, desde que Leonel Brizola proibiu a polícia de subir os morros e a elite passou a glamorizar a bandidagem — e no país como um todo, com governos pós-redemocratização evitando o tema para não serem confundidos com repressores contaminados pelos ecos da ditadura.

Pois a conta chegou e é de um presidente de esquerda a difícil tarefa de carregar a bandeira da segurança sem dividir ainda mais a nação, porque o inimigo é outro.

 

Na hora de pagar a compra no supermercado ou a conta do restaurante, você pode fazer a transferência via Pix diretamente pelo WhatsApp — ou seja, sem precisar abrir o app do banco. Após cadastrar uma conta com chave Pix e criar um PIN específico, basta digitar o valor da transferência, confirmar os dados do destinatário — que também deve ter o Pix habilitado na plataforma — e autorizar o processo com a senha ou biometria. Concluída a operação, uma notificação de confirmação aparece na tela do bate-papo.

 

Para criar lembretes de eventos (entre outras utilidades), você pode até usar o Toki AI, mas é mais simples recorrer ao recurso nativo do WhatsApp. No iOS, toque no ícone "+"; no Android, no clipe de papel. Depois, selecione "Evento", adicione o nome, a data e o horário de início, inclua uma descrição, informe o horário de término, o local e, se quiser, permita o compartilhamento do lembrete com outros convidados. A funcionalidade é ótima para organizar aniversários, encontros entre amigos ou lembrar consultas médicas, por exemplo.

 

Para quem se preocupa com privacidade, o mensageiro da Meta permite o envio de áudios de visualização única, além de fotos e vídeos temporários — evitando que as mensagens possam ser encaminhadas ou reproduzidas novamente. Para gravar um áudio nesse modo, toque no ícone do microfone, deslize para cima para ativar o modo "mãos livres" e toque no símbolo "1", que aparece acima do botão de envio.

 

Outra função prática é o escaneamento de documentos, que transforma qualquer papel em PDF com boa qualidade e pronto para compartilhamento — sem a necessidade de apps externos. No iPhone, toque no ícone "+", e no Android, no clipe de papel. Depois, selecione "Documento", toque em "Escanear Documento", aponte a câmera para a folha, ajuste as margens, toque em "Manter Escaneamento" e, por fim, em "Salvar". O arquivo será enviado ao destinatário, mas também pode ser salvo no seu celular.

 

Embora a maioria dos smartphones traga um app de anotações, muita gente acaba deixando esse recurso de lado. Uma solução mais prática é cadastrar o número de seu próprio celular no WhatsApp e enviar para si mesmo mensagens, fotos, áudios e links. Assim, o acesso ao que importa fica mais rápido e sempre à mão.


Se você gosta de firulas, vai gostar de saber que uma atualização recente do WhatsApp liberou mais de 20 cores diferentes e 30 opções de papel de parede para personalizar conversas individuais ou em grupo. Para acessar a função, abra uma conversa, toque no nome do contato (ou grupo) e selecione a opção "Tema da Conversa". Também é possível fazer o ajuste pelas configurações do aplicativo, aplicando a mudança de forma geral.

Outra novidade é o recurso "Imaginar", que permite à Meta AI criar ilustrações ou fotos realistas a partir de descrições de texto. Para usar o recurso, abra o mensageiro, acesse um chat e, no canto inferior da tela, toque no ícone de "+", no iOS, ou no clipe de papel, no Android, e selecione "Imagens de IA".

Se quiser usar imagens prontas, basta escolher uma das categorias disponíveis, selecionar a imagem desejada e tocar na seta verde para enviá-la ao contato. Para criar suas próprias imagens, toque novamente, digite as características desejadas na caixa de texto, escolha uma das opções geradas e toque no botão de envio. Se quiser salvá-la na galeria, toque na imagem e depois em "Salvar foto". Já para animar a imagem, toque em "Animar" e confira o resultado.

Como se viu, quem usa o WhatsApp somente para mandar bom-dia com florzinha, reclamar da vida em grupos de família ou encaminhar fake news com entusiasmo juvenil está subutilizando um dos apps mais versáteis da atualidade.