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sexta-feira, 20 de março de 2026

ENTRE A CRUZ E A CALDEIRINHA

EDUCAI AS CRIANÇAS E NÃO PRECISAREIS PUNIR OS HOMENS.

O mercado de smartphones vive um cenário curioso. De um lado, as fabricantes anunciam atualizações de sistema que chegam a sete anos; de outro, o hardware dos aparelhos deixou de acompanhar o fôlego do software, sobretudo depois que o aumento no preço das memórias e processadores voltados para IA forçou as marcas a priorizar dispositivos intermediários com configurações chinfrins e acabamento cada vez mais simples.


A grande armadilha de 2026 é a potência: um smartphone topo de linha de 2022 ainda oferece mais desempenho que um bom intermediário de 2025 — aparelhos premium de dois anos atrás foram construídos com titânio ou alumínio reforçado, ao passo que os modelos médios de 2026 utilizam materiais mais simples para manter o preço competitivo diante da alta dos semicondutores.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Com as pesquisas de opinião evidenciando o desgaste que o escândalo do caso Master provocou na imagem do STF, o ex-presidiário "descondenado" que pugna por um quarto mandato presidencial no país do futuro que tem um imenso passado inglório pela frente tenta conter um dos principais focos da crise articulando nos bastidores a aposentadoria antecipada de Dias Toffoli — cujos ombros ele próprio cobriu com a suprema toga, em 2009, como forma de agradecer os "valiosos serviços prestados" ao PT. 
O Supremo não é a única instituição que terá problemas se Vorcaro abrir o bico. Mesmo porque uma eventual delação pode levar o escândalo para dentro do Palácio do Planalto, tendo em vista os contratos celebrados entre empresas ligadas ao Master e o governo da Bahia, então comandado pelo hoje ministro ministro Rui Costa — que diz ter “preocupação zero” com eventuais denúncias, mas não custa lembrar que Bolsonaro disse mais de uma vez que estava cagando para a CPI da Covid, e hoje cumpre pena na Papudinha.
Lulinha afirmou que está disposto a depor no inquérito que apura supostas irregularidades nos descontos do INSS. Seu advogado disse que "há zero chance" de prisão se ele retornar ao Brasil. As investigações sobre suas relações com o Careca do INSS podem dar em nada, mas nada virou um pepino que ultrapassa tudo na estratégia dos opositores do xamã petista, que podem usar as evidências que pesam contra o filho na campanha eleitoral do pai. 
Formado em biologia e tendo atuado como monitor do zoológico de São Paulo, o Ronaldinho dos negócios caprichou na escolha do nome da empresa que abriu em janeiro na Espanha: "Synapta" remete a um tipo específico de pepino-do-mar que tem o formato de serpente e frequenta as profundezas lodosas do Oceano Pacífico.
Lulinha, Lulão, aliados e advogados precisam sincronizar seus passos. Quando Bibo Pai disse que "se tiver filho meu metido nisso, será investigado", uma testemunha já havia cochichado para a PF a suspeita de que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil do Careca. A defesa só deu as caras quando veio a público que Lula depositou R$ 9,7 milhões na conta do filho . 
Os advogados admitiram que Lulinha viajou a Portugal na companhia do Careca e com as despesas pagas pagas por ele. Sobre a Synapta, ssustentam que a empresa se destina a "negócios futuros". Lula deveria considerar a hipótese de convidar seu rebento para ministrar um seminário no PT sobre a arte do empreendedorismo — um setor no qual o petismo tem dificuldades para prospectar votos.

No setor de câmeras, o marketing alardeia a alta resolução para esconder a falta de recursos ópticos reais — sem lentes telefoto dedicadas, os celulares dependem apenas do corte digital, o que gera imagens com ruído. Em outras palavras, um topo de linha antigo ainda entrega fotos superiores devido aos sensores maiores e processadores de imagem mais potentes.

A promessa de prolongar as atualizações também deve ser vista com cautela, pois nada garante que o hardware de um Moto G75, por exemplo, suporte o Android 19 de forma fluida em 2029, pois o excesso de recursos do sistema pode tornar a experiência lenta em componentes que já nasceram limitados.

Para quem busca o melhor custo-benefício, a recomendação técnica aponta para o mercado de seminovos ou recondicionados. Modelos como o iPhone 15 Pro, o Galaxy S24 Ultra ou o Motorola Edge 50 Ultra oferecem uma experiência de uso muito mais consistente do que os lançamentos médios atuais, além de manterem o suporte de segurança em dia e contarem com o desempenho necessário para rodar as inovações de software futuras sem engasgos.

Note que:


1 — Atualizar o Android é crucial para garantir a segurança e o acesso a novos recursos, mas a decisão depende do estado do aparelho e das prioridades de desempenho do usuário. 


2 — Para saber se há atualizações disponíveis, toque em Configurações e em Atualização de software (ou Sobre o telefone). Se houver, faça um backup de seus arquivos e garanta que o aparelho disponha de pelo menos 75% de bateria e conexão Wi-Fi. E tenha em mente que as atualizações costumam exigir vários gigabytes de armazenamento (memória interna do aparelho).


3 — Atualizações de segurança corrigem brechas e protegem os dados contra hackers e golpes, ao passo que upgrades de versão do sistema garantem que aplicativos modernos de bancos e redes sociais (como o WhatsApp) continuem funcionando. Mas se o aparelho for antigo, e o hardware, limitado, o sistema pode ficar lento e/ou a bateria pode durar menos após a atualização. 


4 — Grandes atualizações (como mudar do Android 15 para o 16) podem conter erros iniciais, razão pela qual é recomendável esperar alguns dias para ver relatos de outros usuários — como diz um velho ditado, os pioneiros são reconhecidos pela flecha espetada no peito.


Boa sorte.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

DE VOLTA AO SAUDOSISMO

TO REMIND THE PAST IS TO LIVE TWICE

 

Muitas pessoas ainda se lembram da época em que a informática era chamada de cibernética e os imensos mainframes, que ocupavam salas inteiras, mas tinham menos poder de processamento que as calculadoras de bolso atuais, atendiam por cérebros eletrônicos. Mas não há nada como o tempo para passar.


Um belo dia os PCs surgiram para resolver todos os problemas que a gente não tinha quando eles não existiam, e logo se tornaram tão comuns, nos lares de classe média, quanto os televisores e fornos de micro-ondas. Mas, de novo, não há nada como o tempo para passar.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A nota divulgada pelo gabinete de Toffoli para prestar contas sobre o caso Master é flácida e constrangedora. A flacidez decorre do fato de o texto dizer coisas definitivas sem definir muito bem as coisas, e o constrangimento de os os trechos mais relevantes não serem os esclarecimentos mal formulados, mas as respostas que Toffoli não foi capaz de fornecer.

No documento de 524 palavras não há uma mísera menção à transação em que os irmãos do ministro venderam por R$3 milhões parte de um resort no Paraná para o pastor e empresário Fábio Zettel, cunhado do dono Master, Daniel Vorcaro. Nada sobre a casa luxuosa que serve de hospedaria para Toffoli na área do resort paranaense. Nem sinal de esclarecimentos sobre a viagem de Toffoli em jatinho de um empresário amigo, para torcer pelo Palmeiras na final da Copa Libertadores contra o Flamengo na companhia do advogado de um dos executivos do Master investigados no escândalo.

Nos trechos em que as coisas não foram adequadamente definidas, faltou explicar por que o ministro ultrapassou os limites dos sapatos de magistrado, imiscuindo-se no trabalho da Polícia Federal. Num processo marcado por idas e vindas, Toffoli acelerou procedimentos da investigação, criando atritos com a PF ao marcar acareações antes da tomada dos depoimentos de investigados, ordenar à delegada do caso que fizesse a Daniel Vorcaro 80 perguntas elaboradas pelo seu gabinete, tentar trancar no Supremo material recolhido em batidas de busca e apreensão e selecionar por conta própria os peritos que analisarão as provas...

Desde que o processo subiu para o Supremo, a relatoria de Toffoli sofre questionamentos de membros do próprio tribunal, do Ministério Público, da PF e da imprensa. Na nota divulgada nesta quinta-feira, Toffoli admitiu pela primeira vez a hipótese de devolver o inquérito à primeira instância, de onde não deveria ter saído. O diabo é que ele afirma que só fará essa análise após o término das investigações, prorrogadas dias atrás por 60 dias, prolongando o final da novela que abre na imagem do Supremo fendas de difícil reparação.


O número de usuários de desktops e notebooks diminuiu significativamente depois que os smartphones permitiram acessar as redes sociais, gerenciar emails e fofocar pelo WhatsApp. Tanto é assim que a Geração Y (Millennialdomina tecnologias mais recentes, mas ignora funções básicas de informática no bom e velho PC, como formatar um documento no Word ou executar comandos simples, como Ctrl+C e Ctrl+V.

 

As primeiras matérias sobre TI que publiquei na mídia impressa tinham como tema a segurança digital, e a ideia central da Coleção Guia Fácil Informática era familiarizar os leitores com seus computadores, tanto em nível de hardware quanto de software. O mesmo deu com este blog, que eu criei em 2006 para embasar o volume Blogs & Websites da referida coleção — naquela época, publicações sobre microcomputadores, hardware e Windows vendiam feito pão quente na hora do jantar.


Bill Gates e Paul Allen fundarem a Microsoft em 1975 e criaram o Windows uma década depois, inicialmente como uma interface gráfica que rodava no MS-DOS. Esse cordão umbilical foi cortado em 1995, mas o desmame só se deu em 2001, com o lançamento do WinXP, que era baseado no kernel do WinNT


Observação: A título de curiosidade, os arquivos de instalação do MS-DOS e das edições 3.x do Windows cabiam em uns poucos disquetes de 1,44 MB. O Win95, já então um sistema semi-autônomo, foi disponibilizado tanto em disquetes (13 unidades) quanto em CD-ROM


Até o lançamento do Windows 95, a gente ligava o computador, aguardava a conclusão do boot (processo mediante o qual o BIOS checa as informações armazenadas no CMOS, realiza o POST, carrega o Windows e sai de cena), digitava "win" no prompt de comando, teclava Enter e esperava a máquina se tornar "operável".

 

Todo dispositivo computacional, seja de mesa, portátil ou ultraportátil, é comandado por um sistema operacional, que gerencia o hardware e o software, provê a interface de comunicação entre o usuário e a máquina e embasa a execução dos aplicativos e utilitários. 


O BIOS (sigla de Basic Input/Output System) é a primeira camada de software do computador. Assim que a máquina é ligada, ele realiza um autoteste de inicialização (POST, de power on self test), procura os arquivos de boot seguindo os parâmetros declarados no CMOS Setup), carrega o sistema na memória RAM (não integralmente, ou não haveria memória que bastasse) e exibe a tradicional tela de boas-vindas.

 

Observação: Do sistema operacional a um simples documento de texto, tudo é executado na RAM. Nenhum dispositivo computacional atual, seja uma simples calculadora de bolso ou um gigantesco mainframe corporativo, funciona sem uma quantidade (mínima que seja) dessa memória volátil e de acesso aleatório.  

 

O firmware do BIOS é gravado num chip de memória ROM (não volátil) integrado à placa-mãe. O CMOS (sigla de Complementary Metal-Oxide-Semiconductor) é um componente de hardware composto por um relógio permanente, uma pequena porção de memória volátil e uma bateria CR2032, destinada a evitar que os parâmetros do Setup se percam quando o computador é desligado. 


Os firmwares estão presentes em diversos equipamentos eletrônicos modernos, como celulares, fornos de micro-ondas, tablets, impressoras, lavadoras, etc. Os smartphones não precisam de uma bateria extra para manter configurações porque usam memórias não voláteis, como EEPROM ou flash NAND, para armazenar as configurações do sistema. Mesmo que  o aparelho fique meses desligado, esses dados continuam intactos. 


Antigamente, o nome "American Megatrends Inc." e uma série de informações técnicas textuais eram exibidos durante o boot, de modo que a gente podia acompanhar contagem da memória, a detecção de hardware etc. Mas todo projeto passa por atualizações ao longo do seu ciclo de existência, e o firmware do BIOS foi substituído pelo UEFI (sigla de Unified Extensible Firmware Interface), que é mais veloz e seguro, além de oferecer uma interface mais amigável.

 

Embora essa programação seja tida como imutável — por fornecer as mesmas informações sempre que o aparelho é ligado —, há situações em que é preciso atualizá-la, seja para tornar o aparelho mais rápido, estável e seguro, seja para incluir novas funcionalidades e ampliar sua vida útil. Alguns especialistas sugeriam ignorar as atualizações, já que upgrades malsucedidos são difíceis de reverter, e podem comprometer o funcionamento do computador — ou mesmo impedi-lo de executar o boot e carregar o sistema. Mas isso mudou depois que a atualização passou a ser disponibilizada pelo próprio Windows

 

Modems, roteadores e decoders de TV a cabo costumam ser mais amigáveis — geralmente, basta acessar a tela de configuração digitando o endereço de IP no navegador, localizar a opção de atualização de firmware, baixar a nova versão, dar alguns cliques e reiniciar o aparelho para validar o upgrade. 


Seja como for, não mexa em nada antes de ler e entender as instruções fornecidas no manual do aparelho ou no site do fabricante, e de ter certeza de que a versão do firmware é a correta. Em caso de dúvida, consulte o suporte técnico ou recorra a um profissional especializado.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

SOBRE O QUE VEM DEPOIS...

NA NATUREZA NADA SE CRIA, NADA SE DESTRÓI, TUDO SE TRANSFORMA. 

Tudo que existe no Universo é formado por partículas elementares, que se combinam de modo a criar qualquer coisa — de uma massa amorfa de moléculas a um ser vivo. 

Diante disso, o que entendemos por realidade é apenas um "visual" que o Universo escolheu para o imenso número de partículas que o compõem. 

Se tudo é basicamente energia, a vida em si é energia, e se a vida é energia, a morte não a destrói, apenas transforma. Mas transforma em quê, exatamente? 

Um Universo infinito com um número finito de combinações possíveis de partículas sugere a existência de universos paralelos. Como a imensa quantidade de matéria do Universo gera uma força gravitacional igualmente imensa, capaz de curvá-lo até deixá-lo esférico, vivemos numa superfície tridimensional inserida em uma esfera 4D.  Assim como um avião que voa rumo ao oeste por tempo suficiente acaba retornando ao ponto de partida, um viajante cósmico que seguir em linha reta pelo espaço por tempo suficiente acaba voltando a seu ponto de origem. Mas isso é outra conversa; a questão que se coloca é a finitude da vida. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

A despeito do mensalão, Lula se reelegeu em 2006, fez sua sucessora em 2010 e deixou o Planalto nos píncaros da popularidade. Também em 2006, o “poste” que o xamã petista fez eleger para prefeitar a capital paulista foi fragorosamente derrotado pelo “outsider” João Dória logo no primeiro turno — algo inédito desde a redemocratização.

Lula respondeu a duas dúzias de processos e foi condenado em dois a penas que, somadas, perfizeram mais de 20 anos de cadeia, mas deixou sua cela VIP na PF de Curitiba depois de míseros 580 dias e, graças a Jair Bolsonaro — o pior mandatário desde Tomé de Souza —, foi “descoordenado”, reabilitado politicamente e eleito para um inusitado terceiro mandato. 

Ministro da Fazenda desde o início da terceira gestão de Lula, Haddad — um dos piores prefeitos que Sampa já amargou — deve deixar o comando da pasta em fevereiro para colaborar com a campanha à reeleição de seu amo e senhor.

Haddad não chega a ser uma Dilma, mas jamais será um Palocci. Ele ajudou a conceber uma âncora fiscal — que só existiu para efeito de propaganda — e passou os últimos três anos tentando dourar a pílula do déficit, reafirmando um compromisso de equilíbrio das contas públicas que Lula e os números tratavam de desmoralizar diariamente. 

Se o Lula do primeiro mandato ainda se preocupava em dar ao mercado e aos investidores a impressão de que trataria as contas públicas com seriedade, o Lula do terceiro mandato pisou no acelerador dos gastos sem qualquer pudor. “Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema”, disse ele no final do ano passado.

Sob certos aspectos, o eterno bonifrate de Lula encerrará sua gestão como o ministro da Fazenda possível dentro de uma gestão petista com essas características. A despeito de seu esforço pela aprovação da reforma tributária sobre o consumo, Haddad foi incapaz de defender a segunda parte da reforma — que alteraria o Imposto de Renda —, sucumbindo aos imperativos populistas de Lula e protagonizando o constrangedor pronunciamento em rede de rádio e TV no qual foi obrigado a anunciar o plano eleitoreiro do presidente de isentar de IR quem ganha até R$ 5 mil. Foi talvez o ponto mais baixo de sua trajetória como ministro da Fazenda.

Vade retro! 

Viver para sempre é um sonho antigo. Os gregos acreditavam a água de um rio que nascia no Monte Olimpo tornava os homens imortais, mas não sobrou ninguém vivo para contar a história. Ponce de León partiu de Porto Rico em busca da lendária Fonte da Juventude, descobriu Flórida, mas morreu sem jamais encontrar o que perseguia. Graças à evolução da Ciência, nossa expectativa de vida, que era de 47,1 anos na década de 1950, aumentou para 73,4 anos em 2023, e deve alcançar 82,1 no final deste século. Ainda assim, a "lei" segundo a qual todo ser vivo nasce, cresce e morre ainda não foi revogada.
 
O gerontologista Aubrey de Grey afirma que o envelhecimento não é uma consequência biológica. Segundo ele, se a medicina se antecipasse aos danos celulares, seria possível vivermos por séculos sem os transtornos da velhice". Já o biogerontologista molecular João Pedro de Magalhães sustenta que a chave para a longevidade está na reescrita de nossos "softwares" genéticos. "Se conseguíssemos criar células resistentes ao câncer e imunes ao envelhecimento, nossa expectativa de vida aumentaria para mais de mil anos", diz ele. Mas parece que falar é mais fácil que fazer: a pessoa mais longeva da história — noves fora Matusalém, que, segundo a Bíblia, teria vivido 969 anos — foi a francesa Jeanne Calment, que morreu com 122 anos e 164 dias. 
 
Moisés anotou no Gênesis que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. O arcebispo irlandês James Ussher foi mais além: em "The Annals of the World", ele cravou o início da obra divina pontualmente às 9h00 da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C. Mas o que é a Bíblia senão um conjunto de mitos, lendas e tradições culturais transmitidos oralmente por várias gerações, até serem escritos em papiro, entre os séculos XV e XIII a.C.?
 
As narrativas que compõem o Gênesis não fornecem uma explicação científica ou histórica sobre o passado, mesmo porque os fatos não foram registrados em tempo real. Já a Ciência busca evidências, procura comprová-las por meio de experimentos e pode modificá-las à medida que novas descobertas surgem. Assim, dar por verdade absoluta o que diz a Bíblia é rejeitar todo o conhecimento que a Física, a Atronomia e a Biologia acumularam nos últimos séculos. 
 
Segundo o que as evidências científicas indicam, o Universo nasceu há 13,8 bilhões de anos, a partir de uma colossal liberação de energia e matéria. O gênero Homo surgiu há 2,5 milhões de anos, e o Homo Sapiens, há cerca de 300 mil anos. Não se trata de conjecturas, mas de estimativas baseadas em fósseis, datações radiométricas e estudos de ossos e crânios descobertos por arqueólogos e paleontólogos. Consequentemente, a fábula de Adão, Eva e a serpente tentadora não passa de mera cantiga para dormitar embalar bovinos. 
 
O risco de ignorar a Ciência fica evidente quando novas descobertas desafiam antigas crenças. Mesmo quando elas soam ousadas demais — como quando Copérnico deslocou o homem do centro do cosmos, Darwin refutou o criacionismo e Freud questionou a centralidade da mente humana sobre si mesma — a comprovação pode até tardar, mas raramente falha. Evidências são indícios que apontam para a ocorrência de fatos; fatos são os acontecimentos propriamente ditos; e provas são os meios usados para demonstrar que os fatos efetivamente ocorreram. 
 
Se uma evidência cientifica contradiz um "ensinamento" bíblico, a chance de erro é a mesma de uma árvore arrancar as raízes do solo e sair andando, mas há quem a rejeite "em nome da fé", embora o faça por cegueira mental. A questão é que ignorar os fatos não os torna menos verdadeiros. A realidade se impõe, gostemos dela ou não. Negar as evidências científicas para sustentar dogmas é como insistir que a Terra é plana enquanto se viaja de avião ao redor do globo.
 
Fé e religião costumam andar juntas, mas não se deve confundi-las. A fé é uma experiência subjetiva, uma crença íntima que pode existir independentemente de qualquer doutrina ou instituição. Já a religião envolve ritos, dogmas e uma estrutura organizacional. Muitas pessoas praticam uma religião por tradição familiar ou convenção social, enquanto outras cultivam uma fé pessoal sem seguir nenhuma religião.
 
Voltando à pergunta inicial, nosso nascimento marca o início de uma viagem rumo a um futuro que nunca chega — vivemos sempre no hoje, que é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã. Não sabemos sequer se o tempo existe realmente ou se foi inventado para facilitar nossa compreensão do mundo. A única certeza que temos na vida é a da inevitabilidade da morte, mas se tudo se resume basicamente a energia, então a "vida" pode ser um estado organizado e consciente dessa energia, e a morte, a dissipação desse arranjo.
 
No nível físico, os restos mortais se reintegram ao ciclo da natureza — átomos que um dia foram parte de estrelas e, noutro, formaram um vivente, voltam à terra, ao ar, ao oceano. Mas o que acontece com a consciência? Será ela um fenômeno emergente da organização da matéria que a morte do corpo funde ao tecido do universo ou apaga como a chama de uma vela? A Física sugere que informação não se perde, apenas se redistribui, mas tentar entender isso é descobrir que, na prática, a realidade pode ser ainda mais maluca do que imaginamos. 
 
Talvez o aspecto mais fascinante da Ciência não seja as respostas que oferece, mas as perguntas que se descortinam a partir dessas respostas. A busca pelo conhecimento e a exploração de incógnitas abrem caminho para novas descobertas e levantam hipóteses que são testadas e discutidas, e a carência de respostas leva a novas pesquisas visando a uma compreensão mais profunda do Universo. Em suma, a Ciência é um processo contínuo e as perguntas são o motor que a impulsiona.
 
Se a vida é energia organizada de forma complexa, a questão central passa a ser o que define essa organização e o que acontece quando ela se desfaz. Se a energia nunca desaparece, apenas muda de forma, a morte não a extingue, apenas a redistribui na forma de energia térmica, química, ou mesmo eletromagnética. Mas e a consciência? Será que ela é um simples epifenômeno do cérebro, um efeito colateral da atividade neural, um software rodando no hardware do corpo? Se for assim, ela se apaga quando o cérebro morre e fim de papo. Mas se ela for um tipo de padrão energético que sobrevive à morte biológica, então temos um enigma cuja solução deve estar em algum ponto entre a Ciência e a especulação filosófica. 
 
Pode ser que, ao fim e ao cabo, nossa existência seja um tipo de fractal energético que se rearranja infinitamente, ou um flash temporário de organização dentro do caos cósmico, como uma faísca que brilha por um instante antes de se apagar. Algumas correntes da física teórica, como a interpretação da mecânica quântica por Roger Penrose e Stuart Hameroff, sugerem que a consciência pode estar ligada a processos quânticos nos microtúbulos das células cerebrais. 
 
Talvez a informação da consciência possa ser transferida de alguma forma, mas para onde ela iria? Se espalharia pelo universo como uma onda dissipada? Se conectaria a um "campo" maior de informação? E se a realidade que percebemos for apenas um efeito da maneira como interagimos com essas partículas fundamentais? Seria a morte apenas uma mudança na interface, após a qual a "energia consciente" continuaria existindo de outra forma? 

The answer, my friend, is blowing in the wind.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

SOPA DE LETRAS

TER ESPERANÇA É BOM, MAS DEPENDER APENAS DELA É RUIM.

Quando meu avô trocou Abbasanta, na Sardenha, por Ubá, em Minas Gerais, os lavradores despertavam ao nascer do sol e se recolhiam quando ainda podiam encontrar a cama sem precisar de lamparinas ou candeeiros. Banho se tomava no riacho, e comida se fazia no fogão à lenha.

Durante os anos 1960 e o início da década seguinte, ouvi muitas vezes do meu avô que “saber não ocupa lugar”. Esse epigrama é uma meia-verdade, mas ele não sabia.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Um velho, um menino e um burro seguiam rumo à cidade. O menino ia montado no burro, e o velho, caminhando. Ao ouvirem algumas pessoas com quem cruzaram comentar que era um absurdo o velho caminhar enquanto o menino ia montado no burro, avô e neto trocaram de lugar. Mais adiante, ouviram de outros passantes que era inconcebível o velho obrigar a criança a caminhar enquanto ele ia confortavelmente aboletado no lombo do animal.

O velho decidiu que tanto ele quanto o neto caminhariam, mas outros passantes comentaram que eles eram dois idiotas por andarem quando dispunham de um burro para carregá-los. Diante disso, ambos montaram no burro, mas logo foram criticados por sobrecarregar o pobre animal.

O velho decidiu que ele e o neto carregariam o burro nos braços, mas perderam o equilíbrio ao atravessar a ponte e caíram no rio. Ambos se salvaram, mas o animal se afogou. 

Atribui-se a JFK a seguinte pérola: “Não conheço a fórmula do sucesso, mas a do fracasso é tentar agradar a todos ao mesmo tempo”. No fim, o burro não morreu por excesso de peso, mas por excesso de opinião. Isso vale também para ambientes polarizados, nos quais tentar agradar a todos não produz consenso — e sim desastre.

Se cada neurônio carregasse uma única lembrança, teríamos um sério problema de espaço. Mas as mais de 1 trilhão de conexões que nossos mais de 1 bilhão de neurônios são capazes de criar correspondem a cerca de 2,5 petabytes. Como 1 PB equivale a 1.000.000 de GB, esse latifúndio poderia conter a programação transmitida ininterruptamente por um canal de TV durante 300 anos, ou seja, é mais que suficiente para nossa expectativa de vida.

A memória dos PCs (tanto a física quanto a de massa) pode ser expandida por um upgrade. A nossa é mais parecida com a dos celulares, que permanecem com a configuração definida pelo fabricante ao longo de toda a vida útil do aparelho. Mas isso não significa que não possamos gastar alguns neurônios com “cultura inútil” (lembrando que conceitos como “útil” e “inútil” variam ao sabor da conjuntura).

Programas capazes de se autorreplicar remontam aos anos 1950, mas só passaram a atender por “vírus” nos anos 1980, depois que um pesquisador chamado Fred Cohen embasou sua tese de doutorado nas semelhanças entre vírus biológicos e digitais (mais detalhes na sequência Antivírus — A História).

Winchester” é o nome de uma empresa fundada em 1855 para fabricar rifles de repetição, mas passou a sinônimo de HDD (acrônimo de hard disk drive, ou “unidade de disco rígido”) depois que a IBM lançou um disco rígido capaz de armazenar 30 MB por unidade, numa referência ao popular rifle Winchester Modelo 30-30. Hardware (ferragem) tornou-se sinônimo do conjunto de componentes físicos que formam um PC (ou “micro”, como os primeiros computadores pessoais eram carinhosamente chamados pelos usuários).

Mais adiante, a popularização da Internet entre usuários domésticos levou aos dicionários termos como login, online, offline, boot, email, hacker, etc. Deletar (de delete) virou sinônimo de apagar; ícone, de representação gráfica de um programa ou arquivo; pendrive, de dispositivo portátil para armazenamento de dados; selfie, de fotografia tirada de si mesmo com o celular. E por aí segue a procissão.

As siglas são um capítulo à parte. Wi-Fi e USB “caíram na boca do povo”, mas outras continuam dando margem a dúvidas (sem falar que muitas pessoas ainda chamam o gabinete do computador de CPU — que na verdade é o processador principal — e confundem armazenamento com memória, talvez porque sejam expressos em múltiplos do byte).

Nove entre dez usuários de celulares sabem que SIM (Subscriber Identity Module) é o chip responsável por conectar o dispositivo à rede da operadora, e que GPS (Global Positioning System) é um sistema de localização via satélite. Mas poucos sabem que IMEI (International Mobile Equipment Identity) é o número exclusivo que identifica cada aparelho móvel no mundo; que NFC (Near Field Communication) é uma tecnologia de comunicação sem fio de curta distância, usada em pagamentos por aproximação; e que UFS (Universal Flash Storage) é um padrão de armazenamento mais rápido que o EMMC (embedded MultiMedia Card), que melhora significativamente o desempenho dos celulares.

Quase ninguém sabe que SoC (System on Chip) integra diversos componentes (como processador, GPU e memória) em um único chip, otimizando o consumo de energia e o desempenho, e que OTA (Over The Air) permite atualizações de software sem a necessidade de conexão física, facilitando a manutenção do sistema operacional.

Outras siglas que aparecem em manuais, configurações e especificações técnicas dos dispositivos móveis são PIN (Personal Identification Number), que é o código de segurança usado para desbloquear o chip SIM ou o próprio aparelho; e PUK (Personal Unblocking Key), que é código utilizado para desbloquear o SIM após erros consecutivos no PIN. OLED (Organic Light Emitting Diode) é uma tecnologia de tela que oferece cores mais vivas e maior eficiência energética; TFT (Thin Film Transistor) é um tipo de tela LCD (Liquid Cristal Display) comum em aparelhos de baixo custo; e UI (User Interface) é a interface gráfica do sistema operacional, responsável pela interação do usuário com o aparelho.

ROM (Read Only Memory) é a memória de massa (ou secundária) usada para armazenar de forma “persistente” o sistema operacional e os aplicativos; e RAM (Random Access Memory), a memória física (ou primária) onde os programas são carregados e as informações, processadas — desde o próprio sistema operacional até um simples documento de texto.

À medida que a tecnologia evolui, novas siglas surgem e passam a fazer parte do vocabulário dos usuários de dispositivos móveis. Compreender seu significado pode ser visto como “cultura inútil”, mas é fundamental para quem deseja acompanhar as inovações e utilizar os recursos disponíveis de maneira mais consciente e produtiva.

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

ESPAÇO NUNCA É DEMAIS

O QUE ABUNDA NÃO EXCEDE.

Os celulares nasceram como telefones sem fio de longo alcance, popularizaram-se no final do século passado, tornaram-se “inteligentes”(smart) depois que a Apple lançou o iPhone (em 2007) e se transformaram em microcomputadores pessoais ultraportáteis. 


Controlados por sistemas operacionais — Android ou iOS, na maioria dos casos — e capazes de rodar aplicativos como seus irmãos maiores, os smartphones precisam de memória RAM para funcionar. 


Desktops e notebooks são passíveis de upgrade de hardware, mas os smartphones nascem, vivem e morrem com a configuração definida pelo fabricante. À luz das exigências dos softwares atuais,  recomenda-se evitar modelos com menos de 6GB de RAM e128GB de armazenamento — tecnologia equivalente aos HDD/SSD dos computadores tradicionais, mas que utiliza memórias flash eMMC ou UFS otimizadas para dispositivos móveis. 


Se o preço não for um problema, opte por um dispositivo com 12 ou 16GB de RAM e 512GB ou 1TB de armazenamento, e assegure-se de que o fabricante ofereça ao menos 5 anos de atualizações do Android e outros tantos de patches de segurança. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Dudu Bananinha não concretizou o sonho da anistia, mas vem realizando gradativamente todos os seus pesadelos. Convertido em réu na última sexta-feira, vê seu futuro político mudar de postulante ao Planalto para candidato ao ostracismo, enquanto o pai vive a síndrome de ser hospedado na Papuda antes do final do ano. O julgamento da denúncia em plenário virtual termina no dia 25, mas a Primeira Turma do STF deve convertê-la em ação penal muito antes disso. Como o fruto não cai longe do pé, o filho do pai se apaixonou pela irracionalidade, chegando mesmo a chamar de "caça às bruxas" a abertura da ação penal em que é acusado de coagir a Justiça para obter a impunidade do progenitor no caso do complô do golpe, atacar Alexandre de Moraes e defender a anistia:

"Não vamos parar", declarou. "Vamos vencer", acrescentou, parecendo não ter noção de que a contagem regressiva para ingressar na fase do regime fechado, de a proposta de anistia estar no freezer e de já não se falar num projeto alternativo que reduzisse o tamanho da pena do ex-presidente aspirante a golpista.

Bananinha exerceu sua influência nos subúrbios da administração Trump com a sensação de que enfiava os dedos em favos de mel. A cada nova sanção da Casa Branca, lambia os dedos como se saboreasse o néctar dos deuses. Agora, foge das abelhas enquanto aguarda a cassação de seu mandato por excesso de faltas, a expulsão dos quadros da PF e mais que provável condenação, que o impedirá, inclusive, de disputar cargos eletivos. 

Ao dizer "vamos vencer" no vídeo que postou nesta sexta-feira, Dudu esqueceu de definir "vencer", demonstrando que sua paixão pela irracionalidade é integralmente correspondida.

 

Em alguns modelos, é possível ampliar o espaço interno com um cartão microSD e emular RAM via softwareO cartão de memória oferece mais espaço para guardar fotos, vídeos, músicas e documentos, além de poder ser transferido para outros dispositivos. Por outro lado, sua velocidade de leitura e gravação costuma ser inferior à da memória interna, o que impacta na instalação e execução de aplicativos e pode apresentar falhas ou corromper arquivos. 

 

A memória virtual ajuda em situações pontuais, mas o acesso é mais lento, e o ganho, limitado. Além disso, o uso contínuo gera ciclos extras de leitura e escrita no armazenamento, acelerando seu desgaste — sobretudo em aparelhos de entrada e em alguns intermediários, que tendem a integrar chips de memória mais baratos.

 

Tenha em mente que cerca de 10GB do armazenamento interno são consumidos pelo sistema operacional e pelos aplicativos pré-instalados — a maioria dos quais não pode ser removida —, e que o desempenho despenca quando o espaço livre fica abaixo de 10% a 15% do total, já que o sistema precisa de uma folga para gerenciar arquivos temporários, caches e processos em segundo plano. Se seu celular estiver com pouco espaço, considere a possibilidade de transferir arquivos volumosos (vídeos, áudios, fotos, músicas etc.) para o Google Drive ou outro serviço de armazenamento em nuvem. Se não for suficiente, desinstale todos os apps inúteis e interrompa os que não conseguir remover (como é o caso da maior parte do crapware pré-instalado pelo fabricante). 

 

Vale também ativar o Arquivamento Automático, que coloca em hibernação os aplicativos que rodam desnecessariamente em segundo plano, liberando recursos do sistema para as tarefas que realmente importam. Para habilitá-lo, abra o Google Play, toque no ícone do seu avatar (ou foto), acesse Configurações > Geral > Arquivar apps automaticamente e arraste o botão para a direita.

 

É possível liberar bastante espaço limpando o cache dos aplicativos. Basta tocar em Configurações > Apps e notificações > Informações do app, escolher o aplicativo desejado e, em Armazenamento e cache, acionar a opção Limpar cache. Para limpar o cache do Chrome, abra o navegador, toque nos três pontinhos > Histórico > Excluir dados de navegação > Imagens e arquivos em cache > Excluir dados.

 

O Google Files está presente nos aparelhos da linha Pixel e em alguns modelos Motorola, Nokia, Xiaomi e Realme. A Samsung o substitui pelo app Meus Arquivos, ao passo que a Huawei não oferece o Files nem uma alternativa própria que lhe faça as vezes. No entanto, sempre se pode acessar a Play Store e baixar o Google Files ou outro gerenciador de arquivos confiável.

 

Continua...

sábado, 15 de novembro de 2025

O MODO CORRETO DE DESINSTALAR APLICATIVOS — CONTINUAÇÃO

O QUE ABUNDA NÃO EXCEDE, MAS QUANDO É DEMAIS ENCHE.

Os aplicativos são responsáveis pela maioria das tarefas que o computador executa, mas ocupam espaço e consomem recursos preciosos (memória, processamento, bateria e dados). 


Ainda que os HDDs e SSDs atuais sejam verdadeiros latifúndios e os smartphones intermediários contem com 128 a 256 GB de armazenamento, instalar uma miríade de apps de pouca ou nenhuma utilidade não só prejudica o desempenho como abrem as portas para apps maliciosos e cibercriminosos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Formou-se em torno da COP-30 uma tempestade perfeita. Países em desenvolvimento, como Brasil, Índia e Indonésia, querem que as nações ricas elevem os repasses que deveriam financiar a transição climática de US$300 bilhões — jamais desembolsados — para US$1,3 trilhão. Trump e Xi Jinping, líderes dos países mais poluidores, não apareceram. A União Europeia, assediada pela guerra de Putin na Ucrânia, prioriza investimentos bélicos.

Há na praça dois tipos de perdedores ambientais: os bons perdedores e os que não conseguem fingir. Os primeiros continuam sustentando que nada pode ser mudado até ser enfrentado; os outros lamentam que nem tudo o que se enfrenta pode ser mudado. Diante da inevitabilidade do desastre, começam a considerar mais prioritário adaptar o mundo ao que está por vir.

 

Nos tempos de antanho, para instalar programas era preciso adquirir as respectivas mídias de instalação. Com a popularizado da Internet, basta baixar os apps dos sites dos respectivos desenvolvedores ou de repositórios de software, no caso dos PCs, ou,  da Google Play Store e das lojas próprias dos fabricantes, no caso de dispositivos Android, e da App Store no caso dos iPhones e iPads. Isso não assegura 100% de proteção contra malwares, mas reduz significativamente os riscos de infecção.

 

Versões vetustas do Windows ofereciam um utilitário nativo — Adicionar/Remover programas. Ele continua presente na versão atual do sistema (para acessá-lo, clique em Painel de Controle > Programas > Programas e Recursos), mas os celulares se tornaram verdadeiros microcomputadores de bolso, e a maioria das pessoas só se lembra do desktop ou do notebook quando a tarefa requer teclado e mouse físicos, telas maiores e hardware mais poderoso. Dito isso, vamos deixar os PCs de lado e focar os telefoninhos inteligentes.

 

Como vimos no capítulo anterior, os fabricantes smartphones Android engordam seus lucros pré-instalando vários aplicativos de utilidade duvidosa. Em teoria, tudo que não faz parte do sistema operacional pode ser descartado; na prática, porém, é mais fácil falar do que fazer. 

 

Para remover um app, acessamos Configurações > Apps > Mostrar todos os "x" apps (o "x" corresponde ao número de aplicativos instalados), selecionamos o item em questão e tocamos em Desinstalar. Se essa opção não estiver disponível (como ocorre com a maioria dos apps pré-instalados), tocamos em Interromper > Desativar . Isso impede que o app seja executado desnecessariamente em segundo plano e consuma recursos que fazem falta para os programinhas realmente necessários. 

 

Observação: É possível desinstalar esses apps teimosos mediante um processo conhecido como "root" (que significa raiz e foi emprestado do universo Linux). O Android é um sistema de código aberto, de modo que não existe qualquer impedimento legal. Por outro lado, fazê-lo pode anular a garantia e transformar o aparelho em "peso de papel", já que as chances de algo dar errado são consideráveis. Isso sem falar que o root potencializa o risco de arquivos importantes do sistema serem modificados ou excluídos acidentalmente, além de aumentar a vulnerabilidade a malwares.

 

Na maioria dos dispositivos Android é possível remover aplicativos instalados pelo usuário mantendo o dedo sobre o ícone e arrastando-o para a opção "Desinstalar" que é exibida na tela — o que é prático, mas pode deixar "restos" que fatalmente acabarão minando o desempenho do sistema. O mais indicado é tocar em Configurações > Apps > Mostrar todos os apps, selecionar o programinha em questão e, em Armazenamento e cache, tocar em "limpar cache", depois em "limpar dados", e então proceder à desinstalação tocando no ícone da lixeira (Desinstalar). Esse procedimento garante que nenhum arquivo temporário ou dado residual permaneça no sistema.

 

Adicionalmente, apps como o CCleaner e o Avast Cleaner, entre outros, ajudam a recuperar espaço no armazenamento e a manter o desempenho do celular "nos trinques" limpando o cache de todos os aplicativos de uma só vez e sugerindo outras medidas (como exclusão de arquivos duplicados, fotos de má qualidade, etc.). 


Fazer essa faxina manualmente é possível, mas demora e dá um bocado de trabalho quando se tem centenas de apps instalados no celular.