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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM… (CONTINUAÇÃO)

QUANDO O RELÓGIO BATE 13 VEZES…

Devido à imensidão do cosmos, os cientistas medem as distâncias em unidades astronômicas (UA) e anos-luz. Uma UA equivale à distância média entre a Terra e o Sol — que varia de 149,5 milhões de km no ponto mais próximo da estrela a 152,1 milhões no ponto mais distante — e um ano-luz corresponde à distância que os fótons percorrem no vácuo em um ano — que é de aproximadamente 9,5 trilhões de km.


Para ter uma ideia do que isso significa, se pudéssemos dirigir um carro a 100 km/h sem parar, demoraríamos mais de 10 milhões de anos para percorrer um único ano-luz. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Flávio Rachadinha pede dinheiro a Daniel Vorcaro, nega tudo ao ser descoberto, confirma o que negara após a explosão do áudio, promete prestar contas em 30 dias e se desobriga de prestar esclarecimentos quando os repórteres o questionam 90 dias depois: "Vocês vão parar no tempo?" Enquanto o filho do presidiário despistava — "É o Lula que tem que prestar contas" — o ministro do Supremo Flávio Dino abria à Polícia Federal as pistas recolhidas pela Polícia Civil paulista na produtora do filme Dark Horse.

O filho do refugo da escória da humanidade diz que Karina Gama, que produziu a cinebiografia do aspirante a golpista, já prestou contas — referindo-se a uma perícia anexada ao inquérito que corre em São Paulo. Contratados pela própria produtora, os peritos sustentam que o filme custou R$ 75 milhões — mais do que os R$ 61 milhões mordidos de Vorcaro. O diabo é que não foram exibidos recibos nem notas fiscais.

A apenas 40 dias do primeiro turno, candidato que mata o tempo comete suicídio. O filho do pai demora a perceber, mas político que se enrola nos detalhes normalmente se perde no essencial: perto da urna, todo fato consumado vira fato consumido. 

A demora no fornecimento de explicações empurra o Dark Horse para bem pertinho das urnas.


Segundo Einstein e o modelo cosmológico baseado na Teoria do Big Bang, a velocidade da luz (expressa pela letra "c") é limite máximo universal — ou seja, ela não pode ser alcançada por nenhum objeto que contenha massa, pois acelerar uma ínfima partícula de massa até a velocidade da luz exigiria uma quantidade infinita de energia. 


A 99,999% da velocidade da luz, um corpo aumenta de peso 224 vezes; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes. A 99,999999999999999999981% de "c", um segundo equivale a 2,5 anos no tempo terrestre — ilustrando o efeito extremo da dilatação do tempo, como ilustra o paradoxo dos gêmeos. Em um cenário mais moderado, a 99,9999999% de "c", uma viagem de ida até Proxima Centauri, que fica a 4,2465 anos-luz de nós, levaria 4 anos terrestres, mas não duraria mais de duas horas no referencial dos astronautas.


A luz se propaga pelo cosmos a 299.792 km/s — ou 1,08 bilhão de km/h — e leva cerca de 8 minutos para vir do Sol à Terra. Já a luz de Proxima Centauri, que é nossa vizinha cósmica mais próxima, leva mais de 4 anos para chegar até nós. Por outro lado, a sonda mais veloz lançada pela NASA até agora alcançou respeitáveis 692 mil km/h (0,0643% da velocidade da luz). Com essa velocidade pode-se ir à Lua em meia hora, a Marte em 15 dias e aos confins do Sistema Solar em pouco menos de 3 anos, mas uma viagem à Proxima Centauri levaria cerca de 6,6 mil anos.


Uma vez que a dilatação do tempo só é expressiva em velocidades próximas à da luz e a expectativa média de vida dos seres humanos é de 80 anos, missões tripuladas continuam restritas à nossa vizinhança imediata. Mas não há nada como o tempo para passar, e o impossível só é impossível enquanto alguém não duvidar e provar o contrário. Basta lembrar que a esquadra de Cabral demorou 44 dias para vir de Lisboa até a costa sul do que viria ser o Estado da Bahia e que, 500 anos depois, o supersônico Concorde atravessava o Atlântico em pouco mais de três horas. 


A história da tecnologia mostra que aquilo que uma geração considera impossível não raro se torna banal para as gerações seguintes. Em 1865, Júlio Verne descreveu uma viagem tripulada à Lua (errando por apenas 20 milhas o local exato do lançamento do Saturno V, que levou a Apollo 11 ao nosso satélite em 20 de julho de 1969). Com a tecnologia atual, as naves mais rápidas são capazes de ir à Lua em cerca de três dias e a Marte entre seis e nove meses, mas uma viagem até Proxima Centauri demoraria 70 mil anos com a sonda Voyager 1 — que já rompeu a barreira do Sistema Solar — e cerca de 6,6 mil anos com a Parker Solar Probe. Nesse entretempo, civilizações inteiras nasceriam, floresceriam e desapareceriam. 


Pode-se dizer que a velocidade da luz é uma prisão perpétua escrita nas leis fundamentais do universo. Os fótons se movem com a velocidade da luz porque são partículas de luz. Já a energia necessária para acelerar um objeto massivo se torna infinita à medida que sua velocidade se aproxima da velocidade da luz, e como não existe energia infinita disponível no universo observável, é impossível alcançar exatamente esse limite.


Os neutrinos são "partículas-fantasmas" teorizadas nos anos 1930 pelo físico austríaco Wolfgang Pauli e, logo após e com mais precisão, pelo italiano Enrico Fermi, que podem se deslocar a velocidades muito próximas de "c". Como eles raramente interagem com a matéria, sua detecção é baseada no choque de uma quantidade ínfima com os átomos, que pode ser registrado por detectores ultrassensíveis. Estima-se que existam 10 bilhões de neutrinos para cada elétron existente no universo, mas, assim como os elétrons e outras partículas elementares, eles são tratados pelos modelos atuais como entidades puntiformes, sem tamanho interno detectável.


Os táquions, por sua vez, seriam partículas superluminais — ou seja, que já nascem além da barreira da velocidade da luz e não podem desacelerar até "c". Sua existência segue no campo das teorias, mas a relatividade especial não exclui completamente sua possibilidade matemática, embora nenhuma evidência experimental de sua existência tenha sido encontrada.


Talvez a verdadeira beleza da ciência não esteja nas respostas, mas nas novas perguntas que essas respostas suscitam. Os físicos ainda não conseguiram conciliar a física clássica e a mecânica quântica, mas a metáfora proposta pela física teórica Sabine Hossenfelder reformula a visão tradicional da velocidade da luz como limite absoluto e a coloca entre dois regimes distintos de movimento: num deles, as partículas superluminais habitam um domínio próprio da física, e no outro, elas habitam o nosso. 


A simetria entre esses regimes indica que a relatividade especial não proíbe explicitamente a existência de objetos superluminais, embora uma eventual transição entre os dois domínios viole o princípio da causalidade. Já o conceito do cone de luz atua como um "organizador da causalidade": enquanto os objetos subluminais estariam restritos a interações dentro do futuro e do passado causalmente conectados, os superluminais ficariam numa região "desconectada" do espaço-tempo convencional, resultando em interações exóticas ou paradoxos temporais, dependendo da interpretação.


Continua…

terça-feira, 25 de agosto de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 110ª PARTE

O TEMPO NÃO PARA NO PORTO, NÃO APITA NA CURVA, NÃO ESPERA NINGUÉM.

Vimos que viajar para o passado é matematicamente possível, mas esbarra em problemas como as limitações da nossa tecnologia, a possibilidade de deformações criadas no espaço-tempo — que poderiam causar um raio de radiação capaz de destruir a espaçonave e o próprio espaço-tempo — e os paradoxos temporais — como o famoso paradoxo do avô.


Isso sem falar no risco de apanhar doenças infecciosas potencialmente letais, nos perigos ambientais — como exposição ao chumbo e outros materiais que na época não eram considerados perigosos — e nas chances (nada desprezíveis) de ser escravizado, enforcado ou queimado vivo.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A crise que assombra Lula se agrava com a devastadora revelação de que Lulinha foi “destinatário de pagamentos” oriundos do contrato milionário que uma empresa de tecnologia obteve no governo do seu pai graças à sua interferência direta. 

Diálogos recuperados pela PF da lobista Roberta Luchsinger apontam que os pagamentos eram de Cléber Ribas de Oliveira, da 3Structure, dona de contratos com Dataprev e Ministério do Desenvolvimento Social, além de mostrarem Roberta pedindo dinheiro para “despesas de Lulinha” e cobrando pagamentos citando o filho do macróbio que, pelo mal de nossos pecados, quer porque quer o quarto mandato (para piorar, seu adversário mais competitivo é Flávio Rachadinha, primogênito do refugo da escória da humanidade).

Tem mensagem de Lulinha também: “Emite a NF pro Cleber”, que pagou ao menos R$ 2,5 milhões à lobista, que, em troca, abriu as portas do governo. Lulinha reconheceu que ela “cuidava” de suas finanças e discutia viagens caras sem “dim dim nem origem”.

Indícios de sociedade oculta e tráfico de influência investigados pela PF fragilizam mortalmente o governo e reforçam a pressão pela CPI do Lulinha. A PGR argumenta que os três inquéritos envolvendo o menino prodígio deveriam baixar para a primeira instância, mas o ministro André Mendonça decidiu mantê-los no STF. Na avaliação de experientes magistrados de tribunais superiores, Mendonça, cuidadoso como é, não adotaria essa decisão se não houvesse indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado — aliás, tem muita autoridade com fôro, mas poucas com "filho prodígio". 

Mandar o caso Lulinha para primeira instância já tinha virado campanha de parte da mídia ligada ao governo, que visa blindar Lula, mas a minuta do contrato de R$ 626 milhões entregue a Marcola reforçaria a suspeita de que o presidente sabia das negociações do canabidiol.


Guardadas as devidas proporções, o mesmo se aplica a viagens para o futuro — que, para começo de conversa, não é necessariamente melhor do que o presente. Por um lado, o avanço tecnológico facilitou nossa vida como o concreto e a logística facilitaram a vida dos antigos romanos, mas por outro o século XX foi marcado por conflitos globais terríveis, e o Império Romano colapsou. Assim, quem viajasse para os séculos XXII ou XXIII provavelmente encontraria um mundo dividido, com vastas regiões em péssimas condições — devido ao aquecimento global —, ou mesmo um planeta vazio, destruído por algum colapso misterioso. Em tese, o futuro pode apresentar tantos perigos quanto o passado, sem falar que temos informações confiáveis sobre o passado, mas nada sabemos sobre o porvir. 


Mas a pergunta que se coloca é: o que exatamente acontece se alguém voltar no tempo e mudar a história? Será que o futuro realmente irá mudar, ou será que essas mudanças impedirão o viajante de retornar ao passado? Se mudar o passado cria outras linhas temporais, qual versão da história fica valendo? Será que o viajante ficará preso numa linha alternativa, sem poder retornar ao presente de onde saiu, ou não conseguirá mudar a história porque as mudanças que ele implementar já fazem parte da história? 


Isso sem falar nos problemas de identidade que podem acontecer no caso de duas ou mais linhas do tempo coexistirem simultaneamente. Será que haverá duas ou mais versões do viajante existindo ao mesmo tempo, como irmãos gêmeos dividindo os mesmos documentos? E se um deles comete um crime e deixa seu DNA na cena para o outro ser preso em seu lugar? São muitas as perguntas e poucas as respostas — a rigor, o que se tem são meras especulações baseadas em teorias pendentes de comprovação. 


Comecemos examinando o problema à luz da interpretação quântica segundo a qual, cada vez que uma decisão ocorre, o universo se divide em ramos, todos igualmente reais. Aplicada às viagens no tempo, essa premissa sugere que qualquer interferência no passado não alteraria a história, pois criaria uma nova ramificação. Tomando como exemplo o paradoxo do avô (vide capítulo anterior), o viajante que mata o próprio avô não apaga a si mesmo: simplesmente deriva para uma linha onde nunca nasceu, enquanto o ramo original continua intacto. A questão é que ele ficaria preso nesse ramo alternativo, sem acesso à linha de onde partiu.


À luz da teoria da proteção cronológica (vide capítulo anterior), as leis da física conspiram para impedir paradoxos, tornando as viagens ao passado impossíveis na prática. Nesse cenário, o multiverso nem entra em cena, e a questão se resolve antes. Já segundo o princípio da autoconsistência de Novikov (também abordado no capítulo anterior), o viajante pode voltar ao passado, mas só consegue fazer o que já estava previsto para acontecer. Nesse caso, a história é um bloco fechado, sem ramificações. Não há duas versões do viajante, apenas uma, encaixada num loop consistente.


De acordo com a teoria do multiverso cosmológico, os universos paralelos não são criados por decisões quânticas, mas existem independentemente, como bolhas num oceano inflacionário. Nesse cenário, viajar no tempo equivale a saltar entre essas bolhas — mas aí o "passado" visitado não seria o passado do viajante, e sim o passado de outro universo estruturalmente semelhante, e qualquer mudança ficaria confinada a essa bolha alheia.


Na interpretação dos muitos mundos, se o viajante e seu duplo coexistem no mesmo ramo por algum tempo, eles se tornam indivíduos distintos com histórias divergentes a partir do ponto de bifurcação — mas com DNA idêntico, impressões digitais idênticas, e provavelmente memórias coincidentes até certo ponto. O direito penal contemporâneo não tem categoria para isso, pois seria o caso mais extremo imaginável de gêmeos idênticos — em relação aos quais, a Justiça também tem dificuldades.


A questão é que essas teorias não foram comprovadas experimentalmente — e não se sabe quando o serão, já que operam em escalas ou condições inacessíveis à tecnologia atual. A interpretação dos muitos mundos, por exemplo, é matematicamente elegante, mas produz ramos do universo que, por definição, jamais interagem com o nosso — o que a torna, na prática, cientificamente escorregadia. O multiverso cosmológico enfrenta o mesmo problema: as bolhas vizinhas estão além de qualquer horizonte observável. Novikov é internamente consistente, mas depende de uma visão do tempo como um bloco rígido que contradiz nossa intuição de que o futuro está em aberto.


O que todas essas teorias têm em comum é a tentativa de salvar a lógica diante de um fenômeno que, se existisse, a fulminaria. São, de certo modo, grades instaladas antes de a janela ser aberta — precauções teóricas contra um problema prático que ainda não sabemos como enfrentar. Por enquanto, o viajante do tempo é um personagem de ficção científica, e talvez seja melhor que continue assim, mesmo porque a história já é complicada o suficiente sem que ninguém volte para editá-la.


Mas a pergunta persiste, incômoda e fascinante: se o tempo é, como sugere a relatividade geral, uma dimensão do espaço-tempo e não um rio que corre numa única direção, então a possibilidade de percorrê-lo em sentidos distintos existe, sendo inclusive o fruto mais cobiçado — mas ainda não alcançado — da árvore da relatividade. Não obstante, o que é inalcançável hoje pode ser trivial amanhã. Veja que a esquadra de Cabral levou 44 dias para cruzar o Atlântico em 1500, e 500 anos depois o Concorde já fazia a mesma viagem por ar em pouco mais de três horas.


A ciência ainda não sabe responder a essas e outras questões, mas a ficção científica respondeu à sua maneira, com resultados às vezes surpreendentemente rigorosos. Todavia, até que as coisas mudem, o viajante do tempo continuará fazendo o que sempre fez: existir apenas na imaginação — que, convenhamos, é o único lugar onde ele nunca encontra paradoxos —, e o tempo, fazendo o que sempre fez: correr em uma única direção, indiferente às nossas teorias, aos nossos paradoxos e aos nossos desejos de voltar atrás.


Continua...

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 108ª PARTE

TEMOS DUAS MÁQUINAS DO TEMPO: AS MEMÓRIAS, QUE NOS LEVAM AO PASSADO, E OS SONHOS, QUE NOS LEVAM AO FUTURO.

Nossa novela sobre viajar no tempo foi interrompida no capítulo 106 (22 de maio) e deu lugar à sequência "Mistérios da Meia-Noite", cujo capítulo mais recente foi ao ar em 14 de agosto.

Volto agora ao tema não para brindar o leitor com a tão esperada conclusão, pois o máximo que se pode fazer com assuntos dessa complexidade é especular. Talvez isso frustre aqueles que acompanharam todos os capítulos da novela esperando um final feliz, mas, como disse alguém mais sábio, alguns mistérios jamais serão revelados. 

Claro que isso não muda o fato de que viajar no tempo é o fruto mais cobiçado — e ainda inalcançado — da árvore da relatividade. Além disso, descartar a ideia sob o pretexto de que ela não passa de ficção científica é pura desinformação (ou ignorância, tanto faz), mesmo porque viajar no tempo é uma possibilidade matemática. Só não conseguimos fazê-lo na prática porque nossa tecnologia não evoluiu a ponto de permitir a construção de espaçonaves capazes de atingir velocidades suficientes para tornar expressivos os efeitos da dilatação do tempo.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ao colecionar troféus do Centrão, Lula ganha palanques e tempo de TV na eleição e constrói base no Congresso e governabilidade, em caso de vitória. Mas foi assim que o Mensalão, o Petrolão e os escândalos de Lula 1 e 2 começaram.

Ciro Nogueira passou os últimos quatro anos xingando Lula, dia sim, outro também. Davi Alcolumbre usou seu poder inquestionável no Senado para detonar pautas-bombas contra o governo e a reeleição. Hugo Motta, como biruta de aeroporto, seguiu os ventos para lá e para cá. Nenhum deles foi ou é aliado de Lula, nenhum trabalha de graça nem brinca em serviço. 

Os ajustes regionais pesam, especialmente para Nogueira e Motta, que são do Nordeste, o bolsão petista do País, mas isso é apenas parte da história. A audácia, a gula e o perigo do Centrão, seus partidos e líderes vão muito além das suas próprias eleições.

A partir daí, voltamos ao Mensalão, ao Petrolão e à defunta Lava-Jato, que começaram justamente quando, sem base sólida no Congresso, o macróbio eneadáctilo se jogou nos braços de adversários não ideológicos, só pragmáticos, dispostos a tudo, para compensar a fragilidade do PT e da esquerda. Isso tem custo, e alto. 

Quem paga, como sempre, é o contribuinte: em nome da governabilidade, para salvar a própria pele, o mandato e seu nome nas futuras urnas, sua insolência abriu os cofres e deu a Petrobras, como bolo fatiado, para os neo-aliados, que podem ir para um lado ou para outro, à custa de uma falsa “neutralidade”.

O eterno demiurgo de Garanhuns salvou o mandato e o apoio no Congresso, mas quase implodiu a Petrobras, a maior, mais rica e mais simbólica estatal deste país, e, via de consequência, não só feriu gravemente sua biografia, a história do PT, a credibilidade da esquerda, como também amargou 580 dias na prisão.

Foi nessa terra arrasada que floresceu o absurdo: a eleição de Jair Bolsonaro, que, aliás, foi bem mais cirúrgico do que o antecessor para se livrar das garras do Congresso à custa do erário. Deu o “coração” do governo a Ciro Nogueira, lavou as mãos e liberou geral as emendas parlamentares, sem limite, controle e fiscalização, enquanto desfrutava do jet ski e divulgava Cloroquina para a covid.

Em favor do ex-presidiário candidato à reeleição, diga-se que o sistema não deixa alternativas, ou o presidente cede ao Congresso e dá um jeito de fazer maioria, ou cai. Simples assim. Petistas e aliados batem na tecla de que Lula não roubou para si nem enriqueceu com o Petrolão; “entrou no jogo da autossobrevivência”.

Em 2027, o novo presidente, seja ele quem for, encontrará um País não apenas polarizado politicamente, mas ameaçado na economia e na frente externa, com uma crise fiscal asfixiante, inimiga de investimentos, políticas públicas e crescimento, e com os avisos de Donald Trump de que pretende intervir no Brasil e na região – algo que ganha contornos reais a cada dia. A pergunta é: como enfrentar crise interna e ameaça externa, com o Supremo jogando a credibilidade pela janela e... sem maioria no Congresso?

Para conquistar essa maioria, mesmo precariamente, sem garantias, é preciso entregar não só os anéis, mas também os dedos para o Centrão. Mas torçamos para que não seja novamente a Petrobras, ainda mais com a descoberta de petróleo na Margem Equatorial.


Num carro a 180 km/h, a dilatação do tempo é imperceptível. Já os relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra a 14 mil km/h adiantam 38 microssegundos por dia, tornando o efeito mensurável. A velocidades próximas à da luz, um segundo no referencial do viajante equivale a anos, décadas ou séculos no tempo terrestre (como bem ilustra o paradoxo dos gêmeos). Vejamos isso melhor.


A alta velocidade orbital faz os relógios atômicos dos satélites atrasarem 7 microssegundos por dia em relação aos da Terra, enquanto a dilatação gravitacional do tempo resultante do campo gravitacional mais fraco na altitude dos satélites faz os relógios adiantarem 45 microssegundos por dia. Pelo mesmo motivo os relógios andam mais devagar ao nível do mar do que no topo do Everest — fato comprovado por relógios atômicos posicionados a alturas diferentes, mesmo quando a diferença é de apenas alguns milímetros. 


Tudo somado e subtraído, o resultado é de +38 µs/dia, que é compensado mediante o pré-ajuste dos relógios atômicos dos satélites GPS para rodarem a 10,22999999543 MHz em vez de 10,23 MHz exatos. Embora essa variação só seja percebida por aparelhos altamente sofisticados, numa hipotética espaçonave a 99,9999999% da velocidade da luz a dilatação do tempo reduziria milhares de anos terrestres a poucos segundos, tornando viagens de centenas ou milhares de anos-luz praticamente instantâneas (no referencial dos ocupantes da espaçonave).


Os cientistas ainda não chegaram a um consenso sobre as viagens ao passado (avançar no tempo é bem menos problemático). Uma corrente afirma que elas esbarram nas leis da natureza e da física, enquanto a outra sustenta que o maior problema é a limitação tecnológica, e que isso será superado em algum momento. 


Um dos principais problemas de voltar no tempo são os famosos paradoxos lógicos — no do avô, citado de passagem linhas acima, se alguém retorna ao passado e mata o próprio avô antes que ele se case com sua avó, esse alguém não teria nascido e, consequentemente, não poderia voltar no tempo para matar seu antepassado. Então, a menos que o assassinato do avô criasse uma bifurcação temporal e o viajante passasse a existir numa linha do tempo paralela, ele estaria destruindo sua própria linha do tempo.


Mas o assunto está longe de ser pacífico. Há quem afirme que a conjectura de proteção cronológica inviabiliza qualquer retorno a um ponto do passado e impede que uma curva fechada do tipo tempo leve de volta ao ponto de partida, ou que, segundo o princípio de autoconsistência, qualquer evento capaz de gerar um paradoxo ou criar inconsistências no Universo tem probabilidade zero de ocorrer, de maneira que uma viagem ao passado só poderia acontecer se ela não alterasse o presente.


Na física clássica, conhecer as condições iniciais permite calcular com precisão a trajetória de uma bala ou o movimento dos planetas, mas a teoria do caos, aplicada ao estudo de sistemas dinâmicos, mostra que pequenas perturbações podem crescer exponencialmente, tornando previsões de longo prazo inviáveis — fenômeno conhecido como efeito borboleta. 


Não obstante, alguns estudos demonstram que um viajante do tempo que entrasse numa curva rumo ao passado poderia seguir caminhos diferentes sem alterar o resultado de suas ações. Como qualquer tentativa de mudar o que já aconteceu criaria uma linha de tempo alternativa à linha original a partir do ponto de mudança — e a própria chegada ao passado já seria uma mudança —, o viajante se materializaria numa nova linha do tempo, onde nada que ele fizesse mudaria o curso da história na sua linha do tempo original. 


Se cada decisão que tomamos cria uma linha do tempo alternativa, é possível voltar ao passado sem criar paradoxos como o do Avô. Mas essa é apenas mais uma entre muitas teorias que, embora matematicamente plausíveis, carecem de comprovação experimental. Sem múltiplos universos e linhas do tempo alternativas, um loop infinito de causas e efeitos seria criado, da mesma forma que uma pedra jogada num lago cria ondas concêntricas em direção à margem.

 

Tudo parece se acomodar numa inexorável linha do tempo, mas uma das muitas esquisitices da mecânica quântica é a possibilidade de uma mesma partícula estar em dois lugares simultaneamente. Nesse caso, causa e efeito coexistem; o "evento A" pode ser a causa do "evento B" e, ao mesmo tempo, consequência do evento que ele próprio causou. Esse fenômeno, chamado de superposição e ilustrado pelo experimento conhecido como Gato de Schrödinger, ressalta a estranheza do comportamento das partículas em nível quântico, onde a realidade só "se define" quando é observada. 


Da feita que a natureza não está obrigada a obedecer aos postulados da teoria que tenta explicá-la, uma seta do tempo que aponta sempre na mesma direção não passa de um pressuposto. Talvez seja preciso deixar a prancheta de lado e buscar na natureza algum indício de uma superposição de eventos que revogue o princípio da causalidade (o Conselheiro Acácio que coloque as barbichas de molho).

 

Convém ter em mente que viajar para o passado só faz sentido quando admitimos a existência do tempo e o comparamos a uma estrada pela qual se pode avançar em velocidade constante, acelerar, desacelerar e até mesmo parar. Mas a causalidade pode não ser tão absoluta quanto imaginamos, e se a realidade for uma tapeçaria tecida com fios de múltiplas possibilidades, como fica o observador nesse bordado quântico?


Continua…

sexta-feira, 24 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A TEORIA DE TUDO E OS RELÓGIOS ATÔMICOS

NÃO FAÇA DA VIDA UM RASCUNHO, POIS VOCÊ PODE NÃO TER TEMPO DE PASSÁ-LA A LIMPO.

Enquanto a relatividade geral descreve a gravidade como uma curvatura do espaço-tempo, a mecânica quântica governa o mundo macroscópico e a Teoria M busca unificar tudo na mesma equação matemática. 

Segundo essa teoria — que é considerada por muitos uma candidata à Teoria de Tudo —, o tempo deixa de ser um ingrediente básico do universo e, assim como a temperatura da água, que surge do movimento coletivo de bilhões de moléculas, assoma somente em sistemas formados por muitas partículas que interagem entre si.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

As indefinições na formação de chapas na abertura do período das convenções partidárias tiveram destaque no noticiário, mas não são elas os problemas reais das candidaturas. As questões de fato complicadas são as fragilidades que assolam as campanhas, cada qual à sua maneira. Embora gigantesco, o desafio de Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos é um só: crescer para chegar ao segundo turno. Já os dois que, em tese, estão lá por indicação das pesquisas, têm muitos obstáculos pela frente. As rejeições atingem ambos, mas os obstáculos do molusco eneadáctilo são menores que os do rachadista dos panetones, filho do mico golpista de araque — mas ainda assim difíceis de transpor.

A lista começa pelo governo mal avaliado, que se reflete na resistência do pessoal da frente ampla de 2022 em repetir a adesão que garantiu a vitória no olho mecânico. Envereda pelo medo da repetição, agora sem o fator da esperança que motivou o eleitorado em outras ocasiões. A dificuldade encontra forte barreira nos palanques em São Paulo e Minas Gerais, os maiores colégios eleitorais. À falta de opções, sobrou ao PT marcar posição com candidaturas próprias, cujo êxito não é impossível, mas extremamente difícil e com potencial de impactar negativamente a reeleição do presidente.

O cardápio de embaraços ao (ainda) candidato do PL é mais extenso e parrudo. Inclui as relações com Daniel Vorcaro e possíveis novas revelações, desconfiança da qual decorre o dado da pesquisa Quaest de que só 25% das pessoas acreditam na vitória do filho do pai.

As tribulações se expressam nas hesitações da direita e no consequente aperto para fazer alianças; aparecem no pragmático corpo mole de Tarcísio de Freitas (Republicanos), passam pelo palanque cheio de ligações criminosas no Rio e encontram poderoso revés no atrito com a madrasta Michelle, vista como a mulher mais poderosa do país em que a maioria do eleitorado é de mulheres.


Embora pareça contraintuitiva, essa ideia é sustentada por modelos matemáticos extremamente rigorosos e levada a sério por inúmeros físicos teóricos. Mas a questão é que, caso não exista no nível mais fundamental da realidade, então o tempo não passa de uma ilusão construída por nosso cérebro para organizar o caos que nos cerca. Alguns filósofos acreditam que ele deixa de fazer sentido quando não existe uma consciência capaz de percebê-lo, ao passo que outros argumentam que é tão real quanto o espaço e existe independentemente de qualquer observador.

Esse debate, que está longe de chegar a um consenso, atravessa tanto a filosofia quanto a física moderna. Mas é no mundo concreto do dia a dia que entra a fascinante experiência dos relógios atômicos, que, por serem baseados na frequência com que os elétrons do césio-133 mudam de nível de energia (9.192.631.770 vezes por segundo), podem levar mais de um bilhão de anos para atrasar ou adiantar um único segundo.

Se dois relógios atômicos idênticos fossem posicionados lado a lado, ambos marcariam exatamente a mesma hora. Mas bastaria um deles ser colocado sobre um móvel ou levado para o andar de cima da casa para que esse sincronismo deixasse de existir. Em outras palavras, se o tempo fosse como algo universal e absoluto, igual para tudo e para todos, esses relógios permaneceriam sincronizados para sempre, independentemente de onde estivessem ou de como se movessem. Como isso não acontece, resta saber o que eles medem, já que não conseguem se manter sincronizados quando submetidos a condições ligeiramente diferentes.

Uma das respostas possíveis é a inexistência de um tempo único, em que cada objeto, sistema ou relógio tem seu próprio ritmo moldado pelo ambiente, movimento e posição no espaço. Como a ideia de uma infinidade de tempos diferentes — um para cada relógio, pessoa, objeto — é difícil de administrar e cheia de paradoxos, a conclusão a que alguns físicos chegaram é a de que o tempo, como quantidade universal, simplesmente não existe.

Segundo o paradoxo dos gêmeos — um dos experimentos mentais mais famosos da física moderna — dois irmãos univitelinos começam a história exatamente no mesmo lugar, mas um embarca em uma nave capaz de viajar a velocidades próximas à da luz e o outro permanece na Terra. Quando se reencontram, percebem que o gêmeo que permaneceu na Terra está mais velho do que o irmão viajante, donde se conclui que o tempo depende da velocidade com que cada um se move e do ambiente gravitacional em que está inserido.

Voltando aos relógios atômicos, se dois dispositivos idênticos forem colocados em ambientes diferentes, eles passarão a marcar tempos diferentes, pois o que eles estão medindo não é um tempo universal, mas sua duração moldada pelo movimento e pela posição no espaço-tempo. Um relógio no cume de uma montanha — onde a gravidade é ligeiramente menor do que ao nível do mar — adianta cerca de 80 microssegundos por dia em relação a outro posicionado no litoral.

Esse fenômeno afeta diretamente algumas tecnologias que usamos todos os dias, como o GPS do celular: se os efeitos das dilatações temporal e gravitacional não fossem levados em conta, os cálculos de posição acumulariam erros que logo chegariam a vários quilômetros. Mas a pergunta é: so tempo não é absoluto, o que muda em nossa compreensão do universo?

A resposta fica para o próximo capítulo.

quarta-feira, 22 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE A NATUREZA DO TEMPO

o tempo é lento demais para os que esperam, rápido demais para os que temem, longo demais para os que lamentam, curto demais para os que celebram e eterno para os que amam. 

Para entender melhor a essência do tempo é preciso abandonar a ideia de que o espaço é um “recipiente que contém as coisas” e o tempo, uma linha pela qual os acontecimentos fluem do passado para o presente e deste para o futuro (mais detalhes nesta postagem).

Einstein já havia sugerido que o tempo e o espaço formam um todo único — o “espaço-tempo” — e que o tempo varia conforme a velocidade com que o observador se move e a atração gravitacional que atua sobre ele.

Se não percebemos isso, é porque os relógios que usamos no dia a dia não são precisos o bastante. Mos relógios atômicos dos satélites GPS que orbitam a Terra adiantam 38,4 µs/dia (+45,6 µs/dia por conta da gravidade menor e −7,2 µs/dia graças à velocidade maior), tornando esse efeito mensurável.

Observação: Em velocidades próximas à da luz, a dilatação do tempo se torna extrema — a pouquíssimo menos de "c", um segundo para o viajante equivale a anos para quem ficou na Terra (como bem demonstrado pelo paradoxo dos gêmeos).

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Para entender melhor a teoria da gravidade quântica, é preciso abandonar a ideia segundo a qual existe um gigantesco relógio cósmico que marca o tempo do Universo, mesmo porque um dia é o tempo que a Terra leva para dar uma volta em torno do próprio eixo, e um ano, o tempo que ela leva para dar uma volta completa em torno do Sol. Esse "dia" de 24 horas e esse “ano” de 365 dias e 6 horas só fazem sentido para os terráqueos — em Plutão, por exemplo, a translação leva 248 anos terrestres.

Nosso conceito de tempo é uma convenção que pouco tem a ver com as leis do Universo como um todo. Cada objeto do Universo possui um tempo próprio. Se na Terra, em altitudes diferentes, o tempo varia, imagina em Marte ou em Proxima Centauri. Séculos antes de Einstein publicar suas famosas equações relativísticas, Newton já havia dito que não é possível medir o “verdadeiro” tempo, mas, assumir sua existência permitiria descrever vários fenômenos da natureza. Mas na escala quântica o tempo como o conhecemos não funciona.

O espaço é um campo e o Universo é um sem-número de campos quânticos que não habitam o espaço-tempo, já que são o próprio espaço-tempo. Da mesma forma que os fótons se comportam tanto como partículas quanto como ondas, o espaço-tempo é formado por quanta de gravidade, e assim como os fótons medeiam a interação entre as ondas de luz, esse quanta possibilita a interação entre espaço e tempo.

Segundo o físico Carlo Rovelli, o preço conceitual pago para entender a teoria da gravidade quântica em loop é a renúncia à ideia de espaço e tempo como estruturas gerais para enquadrar o mundo. Talvez a dificuldade em entender o conceito se deva ao fato de que é praticamente impossível pensar em um mundo sem tempo e sem espaço, pois essa ideia coloca em xeque a própria realidade — e daí para o niilismo é um pulo. Mas para compreender o mundo pode ser preciso contrariar nossa própria intuição.

Uma das maiores contribuições da gravidade quântica em loop é a visão de mundo que ela oferece: por definir que existe um limite para o espaço e o tempo, a tensão entre a relatividade geral e a mecânica quântica não existe mais. Não é preciso entender o que se passa em um universo infinitamente pequeno, onde as leis de Einstein não se aplicam, mesmo porque os quanta de gravidade eliminam a ideia de espaço contínuo.

Por outro lado, é preciso ter em mente que tanto a teoria da gravidade quântica em loop quanto a teoria das cordas são tentativas de explicar o mundo. Como vários conceitos clássicos da ciência, elas carecem de comprovação experimental, mas nem por isso devem ser subvalorizadas. Vale lembrar que até serem confirmadas (em 2016), as ondas gravitacionais não passavam de especulações, e o mesmo vale para o bóson de Higgs e para as ondas eletromagnéticas.

Na física, quando uma teoria não pode ser comprovada, alternativas continuam sendo avaliadas; teorias são aceitas, ajustadas ou descartadas conforme evidências experimentais. Não se pode afirmar taxativamente que uma teoria seja absolutamente correta ou incorreta, já que não temos acesso a todos os níveis de informação. Mas quanto mais aprendemos de forma interdisciplinar, melhor compreendemos as coisas, e quanto mais desvendamos o mundo, mais descobrimos coisas a desvendar.

Parafraseando Rovelli: a única coisa realmente infinita no Universo é a nossa ignorância.

Continua…