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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 71ª PARTE

WE ARE ALL TIME TRAVELERS, YESTERDAY'S GONE, TOMORROW NEVER COMES, THE FUTURE HAS ALREADY HAPPENED.

 

Talvez o tempo seja apenas uma ilusão emergente — uma percepção derivada de mudanças na posição e nos estados das partículas —, o que permite negar sua existência sem afrontar a causalidade. 


Einstein definiu o Universo como um bloco quadridimensional contendo todo o espaço e o tempo simultaneamente, sem um “agora” especial. Suas equações relativísticas descrevem o espaço-tempo como uma entidade única e maleável, curvada pela presença de massa e energia. Essa premissa é aceita pela comunidade científica, mas a aparente incompatibilidade entre a relatividade e a mecânica quântica suscita dúvidas quanto à solidez de sua teoria, pois a gravidade é a única das quatro forças elementares que não se aplica ao mundo das partículas.


A mecânica quântica lida com forças e partículas em escalas microscópicas, onde o eletromagnetismo e as forças forte fraca são descritos por teorias quânticas bem estabelecidas. Mas a gravidade resiste a essa quantização, e sua incompatibilidade com a relatividade geral se evidencia em singularidades como as que habitam o interior dos buracos negros, onde a gravidade se torna extremamente intensa em uma escala minúscula.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Tarcísio de Freitas acha que é uma coisa, mas sua reputação indica que ele já virou outra coisa devido à submissão a Bolsonaro, um líder preso que o submete a uma realidade muito parecida com a de uma mulher da ficção criada por Josué Guimarães.

Essa mulher da literatura sofria de uma doença que a fazia diminuir diariamente de tamanho. Seus parentes serravam os pés das mesas e das cadeiras, rebaixando os móveis para que ela não percebesse o que lhe acontecia. No caso de Tarcísio, o criador tenta disfarçar o encolhimento da criatura reduzindo a rendição ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro a um gesto de gratidão.

Na semana passada, Bolsonaro serrou os pés da cadeira de Tarcísio quando, em visita à Papudinha, o vassalo assumiu formalmente com seu amo e senhor o compromisso com de restringir sua ambição política em 2026 à disputa pela reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Atento ao movimento, Kassab serrou as pernas da mesa de Tarcísio, e como não conseguiu convencer o chefe a abraçar o desafio de elevar a própria estatura na corrida pelo Planalto, intensificou a articulação para o lançamento de um presidenciável alternativo da direita, que será escolhido numa lista tríplice que inclui Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.

Acorrentado a Bolsonaro, Tarcísio abriu mão de construir uma candidatura conservadora de viés democrático em contraposição ao radicalismo bolsonarista. Na véspera da capitulação da Papudinha, dividiu a mesa de almoço da ala residencial do Bandeirantes com Carlos Bolsonaro, que obteve o aval do pai e dos irmãos para visitar o governador, a quem se referiu como "eterno ministro", eufemismo para subordinado permanente do ex-chefe.

Mantido o processo de encolhimento, Tarcísio logo terá que substituir a cama do palácio por uma caixa de fósforos.

  

Enquanto a física quântica sugere que o espaço-tempo tem uma estrutura granular em níveis extremamente pequenos, a relatividade o trata como um continuum suave. Essa divergência estimulou a busca por uma teoria unificadora, como a teoria das cordas, que propõe novas formas de entender espaço-tempo e gravidade em escalas. 


Sustentar que o tempo não é necessário para explicar a gravidade — e, consequentemente, o espaço — implica a conclusão de que ele é um conceito inventado para explicar eventos simples, como o alvorecer, o anoitecer e outros vinculados ao calendário. Mas será que somos uma simples aleatoriedade no Universo, que flui indiferente à passagem das horas no relógio? Se todo o Universo pode ser explicado através das partículas fundamentais, por que a gravidade foge à regra? Supondo que exista alguma "partícula fundamental da gravidade", como o espaço e tempo podem estar intrinsecamente relacionados? 


Mesmo que o tempo não exista, que as horas, os dias, enfim, o que entendemos por "passar do tempo" seja mera convenção, a causalidade sugere que a existência de tudo — incluindo nós mesmos — estava pré-determinada desde o Big Bang. Como bem observou Stephen Hawking, se a evolução do Universo desde o plasma de quark-glúon até a formação de vida foi definida por uma cadeia de causas e consequências, o cosmos dar origem à matéria, às estrelas, aos planetas e às formas de vida era inevitável. 


Seja na foice de Cronos, nas notas de uma canção melancólica, nas reflexões dos filósofos, nas equações da física ou nas experiências íntimas de cada um de nós, o tempo permanece um enigma que nos escapa. Linear ou circular, absoluto ou relativo, real ou ilusório — ele é ao mesmo tempo prisão e liberdade. É o que tudo consome, mas também o que possibilita mudança, criação, recordação e futuro. Talvez seu maior facínio esteja justamente aí: mais do que um objeto de estudo, ele é a própria condição de nossa experiência de ser.

 

Mas e se o tempo não for aquilo que passa, mas aquilo que nos atravessa?


Continua...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

DE VOLTA À TEORIA DAS CORDAS (CONTINUAÇÃO)

TIME HEALS ALL WOUNDS, BUT LEAVES ALL SCARS

Dimensões extras podem ser melhor explicadas com o uso de metáforas como a da corda, que, para nós, têm apenas uma dimensão — a largura. Se andarmos sobre ela, poderemos ir para frente e para trás, mas uma formiguinha poderá ir também para os lados e até contornar o diâmetro da corda, acessando a dimensão da profundidade. 

Se substituirmos nossa hipotética corda por uma mangueira de jardim, o interior do tubo representa uma dimensão ainda mais escondida e inacessível para nós, mas não para a água. No entanto, se essas dimensões realmente existem, por que ainda não foram detectadas? Seria por serem tão pequenas que nem toda a energia dos colisores de partículas consegue encontrar?

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

A proximidade de Daniel Vorcaro com a banda mercantilista da política é muito parecida com aquelas festinhas de amasso dos velhos tempos, nas quais os parceiros dançavam de rostinho colado. A diferença é que no bolero do Master com os políticos não tem música; a coreografia se desenrola no silêncio dos bastidores.

Na última sexta-feira, agentes federais visitaram endereços de gestores do Rioprevidência, puxando o fio de uma meada que começa no Rio, passa por prefeituras de São Paulo e vai até o Amapá. O rolo envolve 18 fundos previdenciários de estados e municípios. Juntos, compraram quase R$2 bilhões em letras financeiras podres do Master.

No Rio, a caixa registradora dos servidores estaduais foi entregue ao União Brasil, presidido por Antonio Rueda, um amigo de Vorcaro. A entidade adquiriu R$970 milhões em letras financeiras podres do banco. Coube ao Amprev, fundo dos servidores do Amapá, o segundo maior mico: R$400 milhões. Ali, a caixa registradora era gerenciada por um apadrinhado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, outro chegado de Vorcaro.

O novo desdobramento do escândalo chegou às manchetes horas depois da divulgação de uma nota em que o atual presidente do Supremo, dando de ombros para a vinculação dos irmãos de Dias Toffoli com o banco falido num resort situado no Paraná, afirmou que o colega de toga vem "atuando na regular supervisão judicial" do inquérito.

Embora reconheça o direito da imprensa à crítica, Fachin enxergou nas revelações do noticiário uma tentativa de constranger o Supremo. Anotou que "o primitivismo da pancada", quando endereçado a ministros do STF, "erra de endereço". 

Essa tática de confundir a crítica a magistrados com ameaças ao Supremo é um velho hábito da corporação das togas. Os ministros não são a instituição, e misturar o joio com o trigo demonstra que o bolero do Master com as instâncias do Poder ainda vai longe.

Nas pegadas da liberação da nota de Fachin, veio à luz o teor do depoimento prestado por Vorcaro em 30 de dezembro do ano passado. A certa altura, ele disse à PF ter conversado mais de uma vez com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a operação que levou o BRB, banco estatal de Brasília, a enterrar R$12 bilhões no Master.

Procurado, Ibaneis soou esquisito. "Fui convidado para um almoço na casa dele [Vorcaro], organizado por um amigo em comum. Mas não o conhecia. Entrei mudo e saí calado."

A casa a que se refere Ibaneis é uma mansão às margens do Lago Paranoá. Foi comprada por Vorcaro por R$36 milhões. Tornou-se palco de reuniões do banqueiro ostentação com hierarcas da política. Gente como o senador Ciro Nogueira, chefão do PP, ex-chefe da Casa Civil de Bolsonaro. Ou Antônio Rueda, o mandachuva do União Brasil cujos aliados davam as cartas no Rioprevidência.


Usando um colisor de partículas, os cientistas "dividem" os prótons, revelando os quarks que os compõem e as interações de campos. Isso permite criar partículas potencialmente novas — desde que haja energia o suficiente para colidir os prótons. O maior colisor do mundo — o Large Hadron Collider — é capaz de medir as forças atrativas ou repulsivas entre partículas, mas em uma escala da ordem de 10⁻¹⁸ metros, menor que o diâmetro de um próton (lembrando que o número de Planck é tão menor que nem vale a pena pensar nisso). 

Havendo desvios (vazamentos) no comportamento esperado da força eletromagnética nesses experimentos, o LHC os teria detectado, mas todos os resultados foram os mesmos previstos pelo Modelo Padrão, tornando desnecessárias teorias adicionais ou dimensões extras para explicá-los. 

Na Teoria das Cordas, a gravitação atua nessas dimensões ocultas, onde supostamente está o gráviton. Os cientistas se referem a esse cenário como universo holográfico, no qual vivemos apenas sobre uma superfície produzida pela atuação das forças nas dimensões adicionais. A própria atuação da gravidade nessas dimensões minúsculas poderia gerar as demais três forças naturais.

Tudo isso é fascinante para os físicos teóricos, que buscam uma Teoria de Tudo capaz de harmonizar a gravidade com a mecânica quântica. Mas enquanto não houver evidências de que existem outras dimensões, eles terão de buscar respostas em hipóteses mais fáceis de testar.

sábado, 24 de janeiro de 2026

DE VOLTA À TEORIA DAS CORDAS

TUDO É CRIADO PRIMEIRO NA MENTE E DEPOIS NA REALIDADE. TUDO QUE SE CONSEGUE IMAGINAR É REAL.

Segundo a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, vivemos em quatro dimensões: três espaciais e uma temporal. Todas as observações, tanto no universo macroscópico quanto no quântico, também indicam que estamos limitados a isso, mas o que seria da ciência sem as perguntas intrigantes que, muitas vezes, impulsionam grandes descobertas e até mesmo revoluções?

Uma metáfora famosa usada para explicar as dimensões adicionais é imaginar um mundo com apenas duas dimensões espaciais, como uma folha de papel. Os seres que vivem nesse universo podem acessar largura e comprimento, mas não a altura. Do mesmo modo, se existisse outra dimensão acima da nossa, não poderíamos vê-la, mas poderíamos detectá-la medindo as energias de nossa própria dimensão.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Crivado de críticas pelas decisões esdrúxulas que vem tomando no âmbito do inquérito sobre o Banco Master, Dias Toffoli age como se considerasse não ter feito nada de errado na condução do caso. O problema é que nada vai se tornando uma expressão que ultrapassa tudo à medida que vão se acumulando no noticiário revelações que tornam a conduta supostamente irrepreensível do ministro em matéria-prima para investigação.

Alvo de uma batida de busca e apreensão da PF na semana passada, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o banqueiro falido do Master, comprou por meio de um fundo de investimentos parte de um resort luxuoso que pertencia a dois irmãos do magistrado, que, aliás, é assíduo frequentador do resort.

O negócio foi comprado posteriormente pelo advogado Paulo Humberto Costa, que atua para a J & F — grupo da família Batista, outra beneficiária de decisões de Toffoli. 

Como se não bastasse o fato de Toffoli continuar frequentando o empreendimento, a empresa de seus tem como sede uma casa humilde situada na cidade paulista de Marília, onde mora a família de José Eugênio Dias Toffoli. Demais disso, Cássia Pires Toffoli, cunhada do ministro, negou à reportagem do Estadão que seu marido tenha sido sócio do resort paranaense frequentado pelo contraparente, em flagrante contraste com os registros oficiais.

Expostas no noticiário em ritmo de conta-gotas, as revelações constrangem o STF, inquietam a PF e animam um pedido de CPI no Congresso. Pressionado a devolver o caso à primeira instância do Judiciário, onde o escândalo do Master tramitava antes de ser içado para nossa mais alta Corte, Toffoli resiste à ideia, desafiando o interesse público, a lógica e o esforço do ministro Edson Fachin, presidente de turno do Tribunal, para colocar de pé um Código de Conduta capaz de acomodar as togas nos trilhos da ética.

Em nosso universo tridimensional, as ondas sonoras se espalham omnidirecionalmente, ou seja, para todos os lados, na forma de uma bolha, e dependem da energia cinética para se deslocarem até chegar aos nossos ouvidos. Podemos medir as energias para descobrir se alguma coisa está "vazando" para uma quarta dimensão espacial, mas os cientistas testaram essa possibilidade e concluíram que a energia emitida não "vaza", já que sempre é encontrada na medida certa. 

Nada indica (pelo menos até agora) que exista uma dimensão espacial extra do tamanho das três que já conhecemos, mas as microdimensões embasam a famosa Teoria das Cordas — segundo a qual as partículas fundamentais são pequenas "cordas" vibrantes cuja frequência de vibração determina o tipo de partícula. O "xis" da questão é a gravidade, que está presente em todo o universo observável, mas parece não funcionar em escalas muito pequenas, ou seja, entre as partículas. Os átomos, por exemplo, se atraem por meio da força eletromagnética, e não pela gravidade. 

Os cientistas vêm testando a gravidade em escalas cada vez menores, chegando à incrível marca de detectar a força gravitacional de duas esferas de ouro de 1 milímetro e peso de 92 miligramas, separadas por 40 milímetros, e os resultados mostraram que Einstein estava certo. Mas os experimentos em colisores de partículas ainda não encontraram sinais de força gravitacional entre as partículas subatômicas, que estão unidas pelas demais três forças.

Para unificar o Modelo Padrão de partículas e a Relatividade Geral, os físicos tentam descobrir onde está a gravitação quântica — sem essa unificação, a compreensão do universo continua incompleta. 

Uma das propostas mais populares para essa unificação é uma partícula gravitacional chamada Gráviton, ainda não detectada e, portanto, não confirmada. Outra hipótese, menos convencional — apesar de sua grande popularidade graças a divulgadores científicos famosos como Stephen Hawking — é a Teoria das Cordas.

Muitos cientistas apostam nessa teoria porque ela funciona maravilhosamente bem na matemática, onde é descrita como a solução mais elegante já criada para responder questões incômodas, incluindo a gravidade quântica. 

Uma das primeiras versões dessa teoria precisava de 26 dimensões, mas já era interessante o suficiente para ser levada adiante. O problema é que havia limitações, como a falta de uma explicação para a matéria bariônica — ela explicava apenas os bósons, como fótons, por exemplo.

Outras versões foram propostas até chegarmos à mais completa já feita: a Teoria M. Nela, são apresentados conceitos como supercordas e supersimetria, que reduzem a quantidade de dimensões necessárias para 11, sem precisar alterar o Modelo Padrão. Significa que precisamos encontrar 7 dimensões superiores, já que conhecemos 4 delas — 3 espaciais e 1 temporal.

Conclui no post da próxima segunda-feira.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 63ª PARTE

QUEM SORRI SEM PARAR NÃO É ALEGRE — É FALSO.

No que tange  à consciência humana — talvez o maior de todos os mistérios —, a pergunta que não quer calar é: como nossa mente, presumivelmente irreversível, consegue criar uma experiência tão definitivamente direcionada do tempo? 

Alguns neurocientistas sugerem que a consciência pode ser vista como um “processo de integração de informações” que opera numa direção temporal específica, e que nossa sensação de “fluxo” do tempo seria um subproduto da forma como o cérebro processa e armazena memórias. Outros especulam que ela pode ter uma relação especial com o colapso das funções de onda quântica, e que cada “momento” consciente corresponde a uma escolha quântica que define nossa realidade específica entre infinitas possibilidades paralelas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nem tudo na política é bandidagem. Mas não é fácil distinguir os políticos ruins dos muito piores, já que todos os gatunos ficam pardos à medida que a política vai se tornando um outro ramo do crime organizado. Aliás, não há organizações criminosas no Brasil; o Brasil é uma organização criminosa.

A aprovação do projeto de lei que reduz as penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado não apaga o caráter casuístico da matéria, a deslavada troca de interesses entre governo e oposição, o atropelo do regimento e a falsidade da alegação de que o gesto marcaria o início da pacificação entre as correntes radicalizadas do país.

Visando modificar decisões do Supremo — que ainda vai examinar o caso —, o Congresso alterou a lei de execuções penais para beneficiar pessoas condenadas. Salta aos olhos que a intenção atendeu a interesses de um grupo político de oposição, mas com apoio do governo — cujo cinismo promete veto.

O Senado fez uma leitura marota do conceito de emenda de redação e ignorou os alertas de senadores mais responsáveis sobre os defeitos do texto. Houve um toma lá dá cá negociado na noite anterior à votação, mediante o qual a oposição garantiria votos para o aumento de fontes de arrecadação no valor de R$20 bilhões.

Não há argumento pacificador capaz de se sustentar ante a seguinte clareza: não existe paridade de condições entre agressor e agredido. Os condenados desferiram ataques dos quais a institucionalidade se defendeu.

Nenhum sinal de arrependimento da parte dos agressores, admissão de culpa ou de compromisso de não repetirem os atos de grave desobediência civil. Ao contrário, reivindicam o perdão como prova de que nada fizeram de errado. Portanto, podem fazer de novo sem que nada de mais grave lhes aconteça, pois sempre haverá uma condescendência à espreita para perdoá-los em nome de uma paz que não virá enquanto prevalecer a lógica da guerra entre os que não têm ferramentas nem disposição para depor as armas e construir ambiente propício a diálogos baseados em preceitos de natureza republicana.

O saudoso Ulysses Guimarães, também conhecido como “Sr. Diretas”, costumava dizer: “Acha esse congresso ruim? Espere para ver o próximo". Lula, dizendo-se indignado, promete vetar, mas o veto pode ser natimorto se considerarmos que o placar foi 48 votos a 25 no Senado e de 291 a 148, na Câmara, e que derrubá-lo demanda maioria simples (41 e 257 votos, respectivamente). Resumo da ópera: ficou mais barato dar golpe graças ao Congresso

Os senadores fizeram uma mudança no texto que deveria levar a questão de volta à Câmara, mas tricotou-se nos bastidores um acordão com o Supremo, com tudo, e é difícil acreditar que Lula — que nunca sabe de nada — e o Planalto não soubessem de toda essa movimentação. 

Nem bem o país deu uma demonstração de maturidade política ao condenar um ex-presidente e generais que tentaram abolir de forma violenta o Estado democrático de direito, parlamentares gestam, parem e aprovam projeto de lei que mitiga os efeitos da decisão. Por essas e outras, a vergonha que eu tinha de ser brasileiro se transformou em nojo. Os vândalos do 8 de janeiro têm de acertar contas à Justiça, mas se tivesse que escolher entre sua anistia e a de centenas de seus seguidores, Bolsonaro daria uma banana para a massa e construiria a narrativa de que faria esse sacrifício, em nome do país.

Somado a questões de saúde, mais esse descalabro me leva a repensar se vale a pena continuar escrevendo sobre política aqui no blog.


Se essas teorias estiverem corretas, talvez estejamos “viajando no tempo” de formas sutis que ainda não compreendemos. Cada decisão consciente, cada observação quântica, cada momento de percepção pode ser uma forma de navegação temporal microscópica — não por meio de grandes saltos dramáticos, mas através de infinitas escolhas que moldam nosso caminho no espaço-tempo.

 

Talvez a viagem no tempo não exija necessariamente máquinas impossíveis ou energia cósmica, mas sim uma compreensão mais profunda de como nossa consciência interage com a estrutura quântica da realidade — transformando-nos, não em turistas temporais, mas em arquitetos conscientes da própria trajetória através do mistério que chamamos de tempo.

 

Observação: Nos capítulos 60 e 61, selecionei quatro exemplos — entre centenas de casos estranhos — que, no mínimo, dão o que pensar. É possível que sejam meras teorias da conspiração, mas isso não muda o fato de que viajar no tempo seja uma possibilidade real — ainda inalcançável, é verdade, mas, como bem disse o poeta, "não há nada como o tempo para passar".

 

Ainda que assim não fosse, cientistas acreditam que a chave para as viagens temporais pode estar em estruturas teóricas chamadas cordas cósmicas — fios invisíveis ao olho nu, mas com a massa de milhares de estrelas. As informações são da BBC, que entrevistou o professor Ken Olum, da Tufts University, David Chernoff, da Universidade Cornell, e J. Richard Gott, da Universidade de Princeton — todas nos Estados Unidos.

 

Supõe-se que as tais cordas cósmicas sejam extremamente finas, apresentem formatos variados — longos tubos que se estendem ao infinito ou laços fechados sobre si mesmos — e percam energia gradualmente ao emitir ondas gravitacionais enquanto vibram. As do primeiro tipo, conhecidas como supercordas cósmicas, baseiam-se na Teoria das Cordas — segundo a qual as partículas fundamentais do Universo seriam, na verdade, cordas vibrantes — e poderiam estar espalhadas pelo cosmos, fornecendo pistas sobre a estrutura do Universo e, possivelmente, sobre o segredo das viagens no tempo. As do segundo tipo seriam um legado das primeiras fases do cosmos, formadas durante uma transição cósmica inicial, que teria deixado “cicatrizes” semelhantes às rachaduras que surgem quando a água congela.

 

Segundo o físico teórico J. Richard Gott, se duas cordas cósmicas se movessem próximas à velocidade da luz, poderiam criar um loop no espaço-tempo, funcionando como um buraco de minhoca e abrindo uma passagem teórica para o passado ou o futuro. A questão é que detectá-las é um desafio imenso: por serem incrivelmente densas, elas deveriam distorcer o espaço-tempo ao redor, produzindo um efeito de lente gravitacional capaz de duplicar a imagem de galáxias, mas estudos recentes sugerem que elas podem ser menos densas do que se imaginava, o que as torna ainda mais difíceis de identificar.

 

Uma abordagem alternativa para localizá-las seria observar o fenômeno de microlente gravitacional em estrelas individuais. Caso uma corda cósmica passe diante de uma estrela, poderia dobrar temporariamente seu brilho, criando pistas para sua identificação. Esse método pode vir a ser crucial para encontrar tais estruturas e, quem sabe, desvendar o segredo das viagens no tempo livres de paradoxos.

 

Se essas pistas forem confirmadas, talvez estejamos mais próximos do que imaginamos de transformar a ficção científica em ciência aplicada. Até lá, as cordas cósmicas permanecem invisíveis, mas não necessariamente ausentes — como ensinou Carl Sagan, "ausência de evidência não é evidencia de ausência — aguardando o momento certo para revelar se são apenas curiosidades teóricas ou portais silenciosos para outros pontos no tempo.  


Por último, mas não menos importante: muitos fenômenos que parecem impossíveis no mundo macroscópico tornam-se plausíveis no universo subatômico da física quântica, onde sistemas podem ser manipulados para simular a passagem do tempo de formas distintas, como demonstrado por um estudo recente da Academia Austríaca de Ciências e da Universidade de Viena. Claro que essa manipulação quântica do tempo não equivale a viagens temporais, e sim à alteração de estados quânticos que permitem a evolução de fótons para estados anteriores — um fenômeno conhecido como "translação temporal".

Ainda que tenha limitações para objetos maiores, essa técnica permite fazer um sistema envelhecer mais rapidamente em comparação aos seus pares, realocando "anos" de um grupo de sistemas para outro. Assim, mesmo que foco não seja viajar no tempo, a manipulação quântica do tempo pode vir a ser parte fundamental do desenvolvimento da computação quântica e de futuras tecnologias. 

Continua...

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

ACREDITE SE QUISER

UMA MEIA-VERDADE BEM CONTADA PODE LEVAR ALGUÉM A CULPAR O INOCENTE E APLAUDIR O MENTIROSO.

Acreditar no que bem entender é, em última instância, exercer o direito de livre arbítrio. Seja para abraçar a ideia de uma Terra plana como quem segura um mapa mal dobrado, seja para negar veementemente qualquer possibilidade de vida extraterrestre, mesmo diante de uma avalanche de relatos de OVNIs, esse direito inalienável de pensar bobagens com convicção permite que bocórios patológicos coexistam em paz, cada qual em sua bolha, orbitando certezas que desafiam a gravidade da lógica. 

 

Argumentar com quem renunciou à lógica é como medicar defuntos. No fim das contas, talvez o maior mistério do universo não seja se há vida lá fora, mas como o livre arbítrio continua sendo usado para negar o óbvio com tanto entusiasmo. No romance Contato, o astrofísico Carl Sagan anotou que "ausência de evidência não é evidência de ausência". Segundo o cientista, se não existir ninguém além de nós, o universo é um imenso desperdício de espaço.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O PSDB nasceu de uma costela do PMDB e alcançou seus 15 minutos de fama graças ao sucesso do Plano Real, que ensejou a vitória de FHC sobre Lula em 1994 e 1998 (sempre no primeiro turno). Mas deitou na cama, deixou a esquerda criar asas e perdeu a presidência para o PT em 2002. O sonho de voltar ao poder em 2010 poderia ter se concretizado se o tucanos tivessem se empenhado mais, mas tucano que é tucano mija no corredor sempre que há mais de um banheiro na casa e acha que brigar entre si serve como treino para lutar contra os verdadeiros adversários. 

Depois de décadas como o maior partido de oposição aos governos corruptos de Lula e Dilma, o PSDB se tornou inútil como um casaco de peles sob o sol do Saara. Consenso entre os tucanos sempre foi raro como nota de US$ 1.000 em bolso de mendigo. Eles faziam reuniões e mais reuniões, mas nada ficava decidido. Com a derrota de Aécio Neves (2014), entraram em parafuso. Deixaram-se impregnar pelos interesses escusos do Congresso, deram as costas para a opinião pública e deixaram passar a oportunidade de resgatar a imagem de alternativa lógica para quem não suporta mais corruptos como os do PT, do PL e do Centrão. 

Em 2022, o partido amargou uma queda drástica no número de deputados federais eleitos (de 59 em 2002 para apenas 13 em 2022) e a perda de prefeituras em diversas capitais. Após 27 anos de governança no estado de São Paulo, não elegeu um sucessor em 2022 e, em 2024, perdeu todos os vereadores da Câmara Municipal da capital paulista. Hoje, enfrenta um processo de enfraquecimento e “desaparecimento” político marcado por perdas eleitorais expressivas. 

A perda da identidade política e de lideranças importantes, aliada a rupturas internas e o fim da federação com o Cidadania — que visava fortalecer ambos os partidos — foi desfeita em março de 2025, resultando em menos representação política e agravando ainda mais a crise de um partido cuja trajetória é associada à evolução da redemocratização pós-ditadura militar e à ordem constitucional imposta pela Carta Magna de 1988. Mas o ciúme e a disputa entre egos gigantescos resultaram em rachas e traições, e a busca por uma fusão — como a cogitada com o Podemos — expôs a dificuldade do tucanato em se organizar e apresentar propostas sólidas. Para piorar, o desaparecimento da sigla pode estimular uma polarização ainda mais intensa e perigosa entre a esquerda e uma extrema-direita conservadora, chegando mesmo a sinalizar o fim da “nova república”.

Sem os tucanos para fazer oposição civilizada ao PT e seus satélites, o PL e o Centrão assumiram o protagonismo — e o que já era ruim ficou pior. Os governadores de Goiás (Ronaldo Caiado), de Minas (Romeu Zema) e do Paraná (Ratinho Jr.) já se apresentam como pré-candidatos ao Planalto em 2026. Já o chefe do executivo paulista (Tarcísio de Freitas) não caga nem desocupa a moita, isto é, não sabe será candidato à Presidência ou se disputará novamente o Palácio dos Bandeirantes. 

A única postura digna com os potentados da política é a que teve Diógenes, que morava numa barrica, ao dizer a Alexandre, o Grande, quando este apeou de seu majestoso Bucéfalo: “De você não quero nada; só quero que saia da frente do Sol, pois está a me fazer sombra. Não me tire o que não pode me dar". 

 

Uma das teorias científicas mais fascinantes é a da existência de dimensões além das que conhecemos. Diversos estudos teóricos já apresentaram essa ideia para (tentar) explicar alguns mistérios da física, mas nenhum deles chegou a uma resposta definitiva. Não obstante, são justamente as perguntas mais intrigantes que impulsionam grandes descobertas, e novas descobertas vêm mudando o que sabemos sobre o universo quase como imagens a cada giro de um caleidoscópio. 
 
Segundo a Relatividade Geral — exaustivamente testada e comprovada em observações espaciais, tanto no universo macroscópico quanto no quântico —, vivemos em um Universo quadridimensional, sendo três dimensões espaciais e uma temporal. Para entender melhor como funcionariam as hipotéticas dimensões adicionais, imagine um mundo como uma folha de papel, onde os seres que habitam conseguem acessar a largura e o comprimento das coisas, mas não a altura delas. 

 

Se colocássemos uma caixa tridimensional nesse universo de papel, os seres que lá vivem a veriam como um quadrado bidimensional, e se falássemos com eles, eles ouviriam uma voz vindo do nada. Mas se um hipotético "cientista bidimensional" medisse a energia sonora nesse mundo bidimensional , ele notaria que parte da energia "sumiu" (na verdade, ela "vazou" para a terceira dimensão, à qual ele não tem acesso). 

 

No nosso Universo, o som se propaga em todas as direções. Não conseguimos ver a dimensão que existe hipoteticamente acima da nossa, medir a energia sonora nos permitiria descobrir se alguma coisa está "vazando" para uma quarta dimensão espacial. Os cientistas que fizeram essa experiência sempre encontraram a energia na mesma medida — o que significa que ela não "vaza" —, mas o fato de não haver evidências que sustentem a existência de uma dimensão espacial além das três que já conhecemos não afasta a possibilidade de existirem "micro dimensões".

 

De acordo com a Teoria das Cordas, todas as partículas (elétrons, quarks, bósons etc.) são formadas por "cordas vibrantes" menores que o núcleo atômico. O encontro de duas ou mais delas produz ondas estacionárias (mais ou menos como as notas musicais que produzimos quando dedilhamos um violão). Em 1995, durante a "segunda revolução das cordas", os físicos propuseram que cinco diferentes teorias das cordas seriam faces da Teoria de Tudo, que busca unificar todos os fenômenos físicos juntando a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica em uma única estrutura teórica. 
 
Em linhas gerais, essa teoria sugere que cada partícula é um minúsculo laço de corda, e que o universo tem onze dimensões que podem se propagar através do espaço-tempo. Para entender isso melhor, imagine uma pilha de panquecas recobertas com mel, na qual nosso Universo é a panqueca que fica sob todas as outras. O mel que escorre não nos deixa perceber existência das demais, mas isso não significa que elas não estão lá.
 
Teoria das Cordas é a solução matemática mais elegante criada até agora para esclarecer questões nebulosas, como da gravidade quântica. Uma de suas primeiras versões pressuponha a existência de 26 dimensões, mas não explicava a matéria bariônica, apenas os bósons. Outras versões foram propostas até desaguaram na Teoria M, que apresenta conceitos como supercordas e supersimetria e reduz o número de dimensões para onze — sete além das três espaciais e uma temporal que já conhecemos.
 
Uma analogia que facilita a compreensão da Teoria das Cordas usa como exemplo... uma corda — que para nós tem apenas uma dimensão. Quando andamos sobre ela, só podemos ir para frente ou para trás, mas formiga caminhando pela mesma corda pode também andar para os lados e contornar o diâmetro — ou seja, acessar a dimensão da profundidade. Se em vez da corda imaginarmos uma mangueira de jardim, teremos o interior do tubo como uma dimensão adicional que é inacessível para nós, mas não para água com que regamos o jardim.
 
A dificuldade em comprovar a existência de outras dimensões advém do fato de elas serem tão pequenas que nem mesmo toda a energia dos aceleradores de partículas consegue encontrar. Seria possível fazer esse teste aproximando duas partículas ao comprimento de Planck (cerca de um bilionésimo de um bilionésimo de um bilionésimo de metro), mas nem mesmo o LHC, que é o maior acelerador de partículas do mundo, consegue medir forças atrativas ou repulsivas em distâncias inferiores ao diâmetro de um próton (8,33 x 10
-16 m).
 
Se fossem constatados desvios (vazamentos) no comportamento esperado da força eletromagnética nos experimentos já realizados, o LHC os teria detectado, mas os resultados foram os mesmos previstos pelo Modelo Padrão, o que dispensa dimensões extras para explicá-los. O resultado poderia ser outro se os testes fossem feitos em escalas de 10
19 m até o número de Planck, mas eles exigiriam uma quantidade de energia muito superior à dos aceleradores de partículas. 

 

Enquanto nossa tecnologia não evoluir, não há como confirmar (nem descartar) a existência das dimensões superiores. Mas isso não torna a Teoria das Cordas menos tentadora. Além de funcionar lindamente na matemática, ela explica gravidade quântica num cenário que os cientistas chamam de universo holográfico, onde a própria ação da gravidade poderia gerar as demais forças naturais

 

Tudo isso é fascinante, sobretudo para os físicos teóricos que buscam a Teoria de Tudo — que, como dito parágrafos acima, busca unificar a gravidade a mecânica quântica. Como ainda não há evidências de que outras dimensões além das que conhecemos existem, resta aos cientistas procurar respostas em hipóteses mais fáceis de testar.

sábado, 27 de setembro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 48ª PARTE — A FÍSICA ALÉM DO VISÍVEL

SABER O QUE SE SABE E SABER QUE NÃO SE SABE O QUE NÃO SE SABE: EIS O VERDADEIRO SABER.


Existem na natureza quatro forças fundamentais. A fraca, a forte e a eletromagnética são descritas com sucesso pelo Modelo Padrão da física, funcionando por meio de partículas intermediadoras chamadas bósons (como o fóton no caso da força eletromagnética), mas a gravidade continua sendo um enigma.


Embora esteja presente em todo o universo observável, a gravidade parece não se manifestar em escalas extremamente pequenas — por exemplo, entre partículas subatômicas. Nos átomos e moléculas, os componentes se atraem principalmente por meio da força eletromagnética, mas a gravidade, por ser muito mais fraca, é insignificante nesse nível. No entanto, em escalas maiores — como entre planetas, estrelas e galáxias — ela domina completamente.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Uma das dificuldades para alcançar a cura da neurose é o fato de o neurótico cultivar o mal que o aflige. A democracia brasileira se comporta como um neurótico típico: age como se não sofresse com a perturbação que a atormenta ou, quando não, apaixona-se por ela. Essa paixão se manifesta em sucessivos acordos que, a pretexto de curar, prolongam a neurose nacional.

Em 2016, sem saber que estava sendo gravado por um delator, o então senador Romero Jucá, vírus político da cepa do centrão, disse que a oligarquia política precisava costurar um grande acordo para "estancar a sangria" provocada pela cruzada anticorrupção, “com o Supremo, com tudo". Decorridos apenas nove anos, verifica-se que "efeito Caju” não só prevaleceu como consolidou o processo de restauração perpétua da neurose.

Arma-se um novo acordo chamado por Michel Temer, amigo e correligionário de Jucá, de "pacto republicano". Coisa a ser costurada "de comum acordo com o Supremo e com o Executivo" para estancar a sangria do golpismo por meio de um projeto de anistia rebatizada de dosimetria.

O acordão antevisto por Jucá resultou na institucionalização da malversação de verbas públicas, que agora vazam impunes, em catadupas, através de emendas parlamentares. 

Alega-se que a redução das penas da lei que pune os crimes contra a democracia produzirá uma ansiada "pacificação" política, mas, se isso fosse verdade, o ativista de extrema-direita Charlie Kirk não teria sido assassinado nos Estados Unidos, pois Donald Trump, logo que retornou à Casa Branca, anistiou todos os condenados pela invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. 

Aqui, como lá, o mais provável é que a atenuação das penas sirva de estímulo à perversão antidemocrática. De acordão em acordão, a democracia brasileira parece condenada a morrer na praia de suas neuroses.

Recentemente, cientistas conseguiram detectar a força gravitacional entre duas pequenas esferas de ouro com 1 milímetro de diâmetro e massa de 92 miligramas, separadas por apenas 40 milímetros. O experimento, de altíssima precisão, confirmou mais uma vez a validade das previsões da Teoria da Relatividade Geral, mas colisores de partículas, como Large Hadron Collider, ainda não detectaram qualquer indício de que a gravidade atue entre partículas subatômicas, cujas interações continuam sendo explicadas pelas outras três forças fundamentais.
 
Esse descompasso entre o Modelo Padrão e a teoria de Einstein representa uma das questões mais intrigantes da física moderna: como unificar a teoria da gravidade com a mecânica quântica? Uma possível resposta seria a chamada gravidade quântica — que explicaria como a gravidade se comporta nas menores escalas possíveis —, e uma das propostas mais discutidas é a existência do gráviton — partícula hipotética responsável por transmitir a gravidade, assim como o fóton transmite o eletromagnetismo —, cuja existência nenhum experimento conseguiu comprovar (até agora).
 
Outra hipótese, mais ousada e matematicamente robusta, é a Teoria das Cordas — segundo a qual as partículas fundamentais são pequenas "cordas" vibrantes cuja frequência de vibração determina o tipo de partícula. Uma das primeiras versões dessa teoria exigia 26 dimensões para funcionar, o que a tornava impraticável para descrever a matéria comum. Com o tempo, surgiram versões mais sofisticadas, como a Teoria M, que propõe 11 dimensões, sendo quatro conhecidas (três espaciais e uma temporal) e sete adicionais, compactadas em escalas minúsculas.
 
Se essas dimensões extras realmente existem, por que não conseguimos detectá-las? A explicação mais bem aceita é que elas estão "enroladas" ou compactadas em uma escala da ordem da comprimento de Planck (~1,6 x 10³ metros), que é muito menor do que o diâmetro de um próton. O problema é que nenhum acelerador de partículas atual possui energia suficiente para investigar essa escala — o LHC, por exemplo, consegue sondar interações em torno de 10¹ metros, o que ainda está muito distante da escala de Planck.
 
Mesmo assim, os físicos tentam detectar sinais indiretos dessas dimensões extras buscando desvios no comportamento de forças conhecidas, como a eletromagnética, quando duas partículas são colocadas em proximidade extrema. Até agora, no entanto, todos os experimentos no LHC confirmaram com precisão as previsões do Modelo Padrão, sem nenhuma anomalia que exigisse dimensões adicionais para ser explicada.
 
Apesar disso, a Teoria das Cordas ainda é uma candidata promissora, pois oferece uma estrutura matemática consistente para descrever a gravidade quântica. Em algumas versões, a própria gravidade emergiria do comportamento das cordas em dimensões ocultas. Esse conceito levou ao desenvolvimento da hipótese do universo holográfico — segundo a qual toda a realidade tridimensional seria uma projeção de processos que ocorrem em dimensões superiores. É como se vivêssemos numa espécie de "superfície" em quatro dimensões, enquanto as verdadeiras leis da física estariam escritas em um plano de dimensões mais elevadas.
 
Essas ideias são fascinantes, sobretudo para os físicos teóricos que buscam a chamada Teoria de Tudo — uma formulação que unifique as quatro forças fundamentais da natureza. Não obstante, enquanto não surgirem evidências empíricas que sustentem essas hipóteses, resta aos cientistas continuar explorando alternativas mais facilmente testáveis, com a esperança de um dia desvendar a gravidade quântica e, com ela, completar o nosso entendimento do universo.

Continua...