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sexta-feira, 3 de outubro de 2025

ACREDITE SE QUISER

UMA MEIA-VERDADE BEM CONTADA PODE LEVAR ALGUÉM A CULPAR O INOCENTE E APLAUDIR O MENTIROSO.

Acreditar no que bem entender é, em última instância, exercer o direito de livre arbítrio. Seja para abraçar a ideia de uma Terra plana como quem segura um mapa mal dobrado, seja para negar veementemente qualquer possibilidade de vida extraterrestre, mesmo diante de uma avalanche de relatos de OVNIs, esse direito inalienável de pensar bobagens com convicção permite que bocórios patológicos coexistam em paz, cada qual em sua bolha, orbitando certezas que desafiam a gravidade da lógica. 

 

Argumentar com quem renunciou à lógica é como medicar defuntos. No fim das contas, talvez o maior mistério do universo não seja se há vida lá fora, mas como o livre arbítrio continua sendo usado para negar o óbvio com tanto entusiasmo. No romance Contato, o astrofísico Carl Sagan anotou que "ausência de evidência não é evidência de ausência". Segundo o cientista, se não existir ninguém além de nós, o universo é um imenso desperdício de espaço.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O PSDB nasceu de uma costela do PMDB e alcançou seus 15 minutos de fama graças ao sucesso do Plano Real, que ensejou a vitória de FHC sobre Lula em 1994 e 1998 (sempre no primeiro turno). Mas deitou na cama, deixou a esquerda criar asas e perdeu a presidência para o PT em 2002. O sonho de voltar ao poder em 2010 poderia ter se concretizado se o tucanos tivessem se empenhado mais, mas tucano que é tucano mija no corredor sempre que há mais de um banheiro na casa e acha que brigar entre si serve como treino para lutar contra os verdadeiros adversários. 

Depois de décadas como o maior partido de oposição aos governos corruptos de Lula e Dilma, o PSDB se tornou inútil como um casaco de peles sob o sol do Saara. Consenso entre os tucanos sempre foi raro como nota de US$ 1.000 em bolso de mendigo. Eles faziam reuniões e mais reuniões, mas nada ficava decidido. Com a derrota de Aécio Neves (2014), entraram em parafuso. Deixaram-se impregnar pelos interesses escusos do Congresso, deram as costas para a opinião pública e deixaram passar a oportunidade de resgatar a imagem de alternativa lógica para quem não suporta mais corruptos como os do PT, do PL e do Centrão. 

Em 2022, o partido amargou uma queda drástica no número de deputados federais eleitos (de 59 em 2002 para apenas 13 em 2022) e a perda de prefeituras em diversas capitais. Após 27 anos de governança no estado de São Paulo, não elegeu um sucessor em 2022 e, em 2024, perdeu todos os vereadores da Câmara Municipal da capital paulista. Hoje, enfrenta um processo de enfraquecimento e “desaparecimento” político marcado por perdas eleitorais expressivas. 

A perda da identidade política e de lideranças importantes, aliada a rupturas internas e o fim da federação com o Cidadania — que visava fortalecer ambos os partidos — foi desfeita em março de 2025, resultando em menos representação política e agravando ainda mais a crise de um partido cuja trajetória é associada à evolução da redemocratização pós-ditadura militar e à ordem constitucional imposta pela Carta Magna de 1988. Mas o ciúme e a disputa entre egos gigantescos resultaram em rachas e traições, e a busca por uma fusão — como a cogitada com o Podemos — expôs a dificuldade do tucanato em se organizar e apresentar propostas sólidas. Para piorar, o desaparecimento da sigla pode estimular uma polarização ainda mais intensa e perigosa entre a esquerda e uma extrema-direita conservadora, chegando mesmo a sinalizar o fim da “nova república”.

Sem os tucanos para fazer oposição civilizada ao PT e seus satélites, o PL e o Centrão assumiram o protagonismo — e o que já era ruim ficou pior. Os governadores de Goiás (Ronaldo Caiado), de Minas (Romeu Zema) e do Paraná (Ratinho Jr.) já se apresentam como pré-candidatos ao Planalto em 2026. Já o chefe do executivo paulista (Tarcísio de Freitas) não caga nem desocupa a moita, isto é, não sabe será candidato à Presidência ou se disputará novamente o Palácio dos Bandeirantes. 

A única postura digna com os potentados da política é a que teve Diógenes, que morava numa barrica, ao dizer a Alexandre, o Grande, quando este apeou de seu majestoso Bucéfalo: “De você não quero nada; só quero que saia da frente do Sol, pois está a me fazer sombra. Não me tire o que não pode me dar". 

 

Uma das teorias científicas mais fascinantes é a da existência de dimensões além das que conhecemos. Diversos estudos teóricos já apresentaram essa ideia para (tentar) explicar alguns mistérios da física, mas nenhum deles chegou a uma resposta definitiva. Não obstante, são justamente as perguntas mais intrigantes que impulsionam grandes descobertas, e novas descobertas vêm mudando o que sabemos sobre o universo quase como imagens a cada giro de um caleidoscópio. 
 
Segundo a Relatividade Geral — exaustivamente testada e comprovada em observações espaciais, tanto no universo macroscópico quanto no quântico —, vivemos em um Universo quadridimensional, sendo três dimensões espaciais e uma temporal. Para entender melhor como funcionariam as hipotéticas dimensões adicionais, imagine um mundo como uma folha de papel, onde os seres que habitam conseguem acessar a largura e o comprimento das coisas, mas não a altura delas. 

 

Se colocássemos uma caixa tridimensional nesse universo de papel, os seres que lá vivem a veriam como um quadrado bidimensional, e se falássemos com eles, eles ouviriam uma voz vindo do nada. Mas se um hipotético "cientista bidimensional" medisse a energia sonora nesse mundo bidimensional , ele notaria que parte da energia "sumiu" (na verdade, ela "vazou" para a terceira dimensão, à qual ele não tem acesso). 

 

No nosso Universo, o som se propaga em todas as direções. Não conseguimos ver a dimensão que existe hipoteticamente acima da nossa, medir a energia sonora nos permitiria descobrir se alguma coisa está "vazando" para uma quarta dimensão espacial. Os cientistas que fizeram essa experiência sempre encontraram a energia na mesma medida — o que significa que ela não "vaza" —, mas o fato de não haver evidências que sustentem a existência de uma dimensão espacial além das três que já conhecemos não afasta a possibilidade de existirem "micro dimensões".

 

De acordo com a Teoria das Cordas, todas as partículas (elétrons, quarks, bósons etc.) são formadas por "cordas vibrantes" menores que o núcleo atômico. O encontro de duas ou mais delas produz ondas estacionárias (mais ou menos como as notas musicais que produzimos quando dedilhamos um violão). Em 1995, durante a "segunda revolução das cordas", os físicos propuseram que cinco diferentes teorias das cordas seriam faces da Teoria de Tudo, que busca unificar todos os fenômenos físicos juntando a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica em uma única estrutura teórica. 
 
Em linhas gerais, essa teoria sugere que cada partícula é um minúsculo laço de corda, e que o universo tem onze dimensões que podem se propagar através do espaço-tempo. Para entender isso melhor, imagine uma pilha de panquecas recobertas com mel, na qual nosso Universo é a panqueca que fica sob todas as outras. O mel que escorre não nos deixa perceber existência das demais, mas isso não significa que elas não estão lá.
 
Teoria das Cordas é a solução matemática mais elegante criada até agora para esclarecer questões nebulosas, como da gravidade quântica. Uma de suas primeiras versões pressuponha a existência de 26 dimensões, mas não explicava a matéria bariônica, apenas os bósons. Outras versões foram propostas até desaguaram na Teoria M, que apresenta conceitos como supercordas e supersimetria e reduz o número de dimensões para onze — sete além das três espaciais e uma temporal que já conhecemos.
 
Uma analogia que facilita a compreensão da Teoria das Cordas usa como exemplo... uma corda — que para nós tem apenas uma dimensão. Quando andamos sobre ela, só podemos ir para frente ou para trás, mas formiga caminhando pela mesma corda pode também andar para os lados e contornar o diâmetro — ou seja, acessar a dimensão da profundidade. Se em vez da corda imaginarmos uma mangueira de jardim, teremos o interior do tubo como uma dimensão adicional que é inacessível para nós, mas não para água com que regamos o jardim.
 
A dificuldade em comprovar a existência de outras dimensões advém do fato de elas serem tão pequenas que nem mesmo toda a energia dos aceleradores de partículas consegue encontrar. Seria possível fazer esse teste aproximando duas partículas ao comprimento de Planck (cerca de um bilionésimo de um bilionésimo de um bilionésimo de metro), mas nem mesmo o LHC, que é o maior acelerador de partículas do mundo, consegue medir forças atrativas ou repulsivas em distâncias inferiores ao diâmetro de um próton (8,33 x 10
-16 m).
 
Se fossem constatados desvios (vazamentos) no comportamento esperado da força eletromagnética nos experimentos já realizados, o LHC os teria detectado, mas os resultados foram os mesmos previstos pelo Modelo Padrão, o que dispensa dimensões extras para explicá-los. O resultado poderia ser outro se os testes fossem feitos em escalas de 10
19 m até o número de Planck, mas eles exigiriam uma quantidade de energia muito superior à dos aceleradores de partículas. 

 

Enquanto nossa tecnologia não evoluir, não há como confirmar (nem descartar) a existência das dimensões superiores. Mas isso não torna a Teoria das Cordas menos tentadora. Além de funcionar lindamente na matemática, ela explica gravidade quântica num cenário que os cientistas chamam de universo holográfico, onde a própria ação da gravidade poderia gerar as demais forças naturais

 

Tudo isso é fascinante, sobretudo para os físicos teóricos que buscam a Teoria de Tudo — que, como dito parágrafos acima, busca unificar a gravidade a mecânica quântica. Como ainda não há evidências de que outras dimensões além das que conhecemos existem, resta aos cientistas procurar respostas em hipóteses mais fáceis de testar.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 6ª PARTE

MESMO OS FATALISTAS — SEGUNDO OS QUAIS TUDO É DETERMINADO DE ANTEMÃO E NADA PODE SER FEITO PARA MUDAR COISA NENHUMA — OLHAM PARA OS LADOS ANTES DE ATRAVESSAR A RUA.

Há tempos que os físicos tentam acomodar a Relatividade e a Mecânica Quântica num único modelo matemático. A Teoria das Cordas, a Teoria de Tudo e a Teoria M são sérias candidatas a esse papel. Esta última, que unifica cinco versões anteriores da Teoria das Cordas, postula que o Universo se desenrola em dez dimensões espaciais e uma temporal, onde membranas quadrimensionais servem de pontos de fixação para minúsculas 'cordas', cujos modos vibracionais moldam a estrutura do cosmos. As sete dimensões adicionais podem estar compactificadas em escalas da ordem do comprimento de Planck, dificultando sua detecção, que exigiria uma quantidade de energia muito maior do que a do Grande Colisor de Hádrons.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Sob orientação do novo chefe da Secom, Lula fez um pronunciamento em rede nacional na última segunda-feira. A boa notícia é que a lengalenga durou cerca de dois minutos. A má notícia é que vai haver repeteco a cada 15 dias, como se a fissura na popularidade do macróbio pudesse ser colada com saliva.
Pronunciamentos presidenciais em rede nacional costumam acontecer em datas festivas ou quando alguma medida emergencial ou de grande impacto do governo os justifica. Lula 3 vai mal das pernas, e papagaiar conquistas falaciosas entremeadas de "olha que legal" ou "é tudo de graça" não basta para ressuscitar
 o voto-gratidão de seus eleitores desiludidos, sem falar que ele não foi eleito para passar 4 anos malhando seu imprestável predecessor. 
No mais, a "Farmácia Popular" foi lançada há duas décadas, sucateada por Bolsonaro e recriada há dois anos. A novidade é que o número de remédios gratuitos subiu de 39 para 41. Mas a ministra da Saúde (demitida nesta terça-feira para dar lugar a Alexandre Padilha) já havia batido esse bumbo três semanas atrás. Já o "Pé-de-Meia" surgiu há mais de um ano, a partir de um projeto da deputada Tábata Amaral, e foi relançado dezenas de vezes pelo ministro da Educação, em sua turnê pelos estados.

Einstein teria dito que o Universo e a estupidez humana são infinitos (quanto ao Universo, ele ainda não estava 100% certo) e Nelson Rodrigues, que os idiotas vão dominar mundo (não pela capacidade, mas pela quantidade). Talvez isso explique por que a Teoria das Cordas e a Teoria M ainda sejam vistas como "pseudociência" por alguns cientistas renomados, enquanto outros buscam obstinadamente o "santo graal" das viagens no tempo. No fim das contas, ainda há esperança de um dia colhermos o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade.


O matemático Kurt Gödel postulou que as curvas temporais fechadas do tipo tempo, resultantes do movimento rotacional do Universo, permitiriam que uma nave voltasse à Terra antes da partida sem contrariar a relatividade. Para entender isso melhor, imagine o espaço-tempo como um rio que corre para o mar ao mesmo tempo em que gira em grandes redemoinhos e a nave como um barco que, pego por um desses redemoinhos, dá uma volta completa e retorna ao ponto de partida. Stephen Hawking, por sua vez, disse que as leis da física conspirar para inviabilizar as tais curvas temporais.  

Após viver dois meses no fundo de uma caverna, sem ter como medir o tempo — sua única fonte de luz era a lâmpada de mineração usada para cozinhar, ler e escrever um diário pessoal —, o cientista francês Michel Siffre constatou que seus ciclos passaram a ser de 48 horas ao invés de 24. O experimento deveria durar 30 dias, mas o pesquisador só deixou a caverna depois de 2 meses — que lhe pareceram menos de um, pois seu tempo psicológico ficou reduzido à metade do tempo cronológico. Suas anotações deram origem ao livro Beyond Time, lançado em 1964.
  
Refém das limitações impostas pela ciência no alvorecer do século XX, Einstein introduziu a constante cosmológica em suas equações. Quando Hubble descobriu que o Universo estava em expansão, o pai da relatividade disse que havia cometido seu maior erro. Décadas depois, os cientistas resgataram a constante cosmológica e a associaram à energia escura (um dos grandes mistérios da física moderna) para explicar como a expansão do cosmos está acelerando, e o maior erro de Einstein se tornou um dos pilares do modelo cosmológico atual.
 
Einstein acreditava que a mecânica quântica era incompleta e que devia existir uma teoria subjacente com variáveis ocultas que explicasse os fenômenos de maneira determinística. Ele criticou a interpretação probabilística da mecânica quântica e chamou o entrelaçamento quântico de ação fantasmagórica à distância. Mas a verdadeira beleza da ciência não está nas respostas, e sim nas novas perguntas que cada resposta suscita. Ademais, não há nada como o tempo para passar: a viagem que Pedro Álvares Cabral levou 44 dias para fazer em1500 é feita atualmente em cerca de 10 dias por mar e em menos de 10 horas por ar.

Continua...

sábado, 27 de setembro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 48ª PARTE — A FÍSICA ALÉM DO VISÍVEL

SABER O QUE SE SABE E SABER QUE NÃO SE SABE O QUE NÃO SE SABE: EIS O VERDADEIRO SABER.


Existem na natureza quatro forças fundamentais. A fraca, a forte e a eletromagnética são descritas com sucesso pelo Modelo Padrão da física, funcionando por meio de partículas intermediadoras chamadas bósons (como o fóton no caso da força eletromagnética), mas a gravidade continua sendo um enigma.


Embora esteja presente em todo o universo observável, a gravidade parece não se manifestar em escalas extremamente pequenas — por exemplo, entre partículas subatômicas. Nos átomos e moléculas, os componentes se atraem principalmente por meio da força eletromagnética, mas a gravidade, por ser muito mais fraca, é insignificante nesse nível. No entanto, em escalas maiores — como entre planetas, estrelas e galáxias — ela domina completamente.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Uma das dificuldades para alcançar a cura da neurose é o fato de o neurótico cultivar o mal que o aflige. A democracia brasileira se comporta como um neurótico típico: age como se não sofresse com a perturbação que a atormenta ou, quando não, apaixona-se por ela. Essa paixão se manifesta em sucessivos acordos que, a pretexto de curar, prolongam a neurose nacional.

Em 2016, sem saber que estava sendo gravado por um delator, o então senador Romero Jucá, vírus político da cepa do centrão, disse que a oligarquia política precisava costurar um grande acordo para "estancar a sangria" provocada pela cruzada anticorrupção, “com o Supremo, com tudo". Decorridos apenas nove anos, verifica-se que "efeito Caju” não só prevaleceu como consolidou o processo de restauração perpétua da neurose.

Arma-se um novo acordo chamado por Michel Temer, amigo e correligionário de Jucá, de "pacto republicano". Coisa a ser costurada "de comum acordo com o Supremo e com o Executivo" para estancar a sangria do golpismo por meio de um projeto de anistia rebatizada de dosimetria.

O acordão antevisto por Jucá resultou na institucionalização da malversação de verbas públicas, que agora vazam impunes, em catadupas, através de emendas parlamentares. 

Alega-se que a redução das penas da lei que pune os crimes contra a democracia produzirá uma ansiada "pacificação" política, mas, se isso fosse verdade, o ativista de extrema-direita Charlie Kirk não teria sido assassinado nos Estados Unidos, pois Donald Trump, logo que retornou à Casa Branca, anistiou todos os condenados pela invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021. 

Aqui, como lá, o mais provável é que a atenuação das penas sirva de estímulo à perversão antidemocrática. De acordão em acordão, a democracia brasileira parece condenada a morrer na praia de suas neuroses.

Recentemente, cientistas conseguiram detectar a força gravitacional entre duas pequenas esferas de ouro com 1 milímetro de diâmetro e massa de 92 miligramas, separadas por apenas 40 milímetros. O experimento, de altíssima precisão, confirmou mais uma vez a validade das previsões da Teoria da Relatividade Geral, mas colisores de partículas, como Large Hadron Collider, ainda não detectaram qualquer indício de que a gravidade atue entre partículas subatômicas, cujas interações continuam sendo explicadas pelas outras três forças fundamentais.
 
Esse descompasso entre o Modelo Padrão e a teoria de Einstein representa uma das questões mais intrigantes da física moderna: como unificar a teoria da gravidade com a mecânica quântica? Uma possível resposta seria a chamada gravidade quântica — que explicaria como a gravidade se comporta nas menores escalas possíveis —, e uma das propostas mais discutidas é a existência do gráviton — partícula hipotética responsável por transmitir a gravidade, assim como o fóton transmite o eletromagnetismo —, cuja existência nenhum experimento conseguiu comprovar (até agora).
 
Outra hipótese, mais ousada e matematicamente robusta, é a Teoria das Cordas — segundo a qual as partículas fundamentais são pequenas "cordas" vibrantes cuja frequência de vibração determina o tipo de partícula. Uma das primeiras versões dessa teoria exigia 26 dimensões para funcionar, o que a tornava impraticável para descrever a matéria comum. Com o tempo, surgiram versões mais sofisticadas, como a Teoria M, que propõe 11 dimensões, sendo quatro conhecidas (três espaciais e uma temporal) e sete adicionais, compactadas em escalas minúsculas.
 
Se essas dimensões extras realmente existem, por que não conseguimos detectá-las? A explicação mais bem aceita é que elas estão "enroladas" ou compactadas em uma escala da ordem da comprimento de Planck (~1,6 x 10³ metros), que é muito menor do que o diâmetro de um próton. O problema é que nenhum acelerador de partículas atual possui energia suficiente para investigar essa escala — o LHC, por exemplo, consegue sondar interações em torno de 10¹ metros, o que ainda está muito distante da escala de Planck.
 
Mesmo assim, os físicos tentam detectar sinais indiretos dessas dimensões extras buscando desvios no comportamento de forças conhecidas, como a eletromagnética, quando duas partículas são colocadas em proximidade extrema. Até agora, no entanto, todos os experimentos no LHC confirmaram com precisão as previsões do Modelo Padrão, sem nenhuma anomalia que exigisse dimensões adicionais para ser explicada.
 
Apesar disso, a Teoria das Cordas ainda é uma candidata promissora, pois oferece uma estrutura matemática consistente para descrever a gravidade quântica. Em algumas versões, a própria gravidade emergiria do comportamento das cordas em dimensões ocultas. Esse conceito levou ao desenvolvimento da hipótese do universo holográfico — segundo a qual toda a realidade tridimensional seria uma projeção de processos que ocorrem em dimensões superiores. É como se vivêssemos numa espécie de "superfície" em quatro dimensões, enquanto as verdadeiras leis da física estariam escritas em um plano de dimensões mais elevadas.
 
Essas ideias são fascinantes, sobretudo para os físicos teóricos que buscam a chamada Teoria de Tudo — uma formulação que unifique as quatro forças fundamentais da natureza. Não obstante, enquanto não surgirem evidências empíricas que sustentem essas hipóteses, resta aos cientistas continuar explorando alternativas mais facilmente testáveis, com a esperança de um dia desvendar a gravidade quântica e, com ela, completar o nosso entendimento do universo.

Continua...

sábado, 24 de janeiro de 2026

DE VOLTA À TEORIA DAS CORDAS

TUDO É CRIADO PRIMEIRO NA MENTE E DEPOIS NA REALIDADE. TUDO QUE SE CONSEGUE IMAGINAR É REAL.

Segundo a Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, vivemos em quatro dimensões: três espaciais e uma temporal. Todas as observações, tanto no universo macroscópico quanto no quântico, também indicam que estamos limitados a isso, mas o que seria da ciência sem as perguntas intrigantes que, muitas vezes, impulsionam grandes descobertas e até mesmo revoluções?

Uma metáfora famosa usada para explicar as dimensões adicionais é imaginar um mundo com apenas duas dimensões espaciais, como uma folha de papel. Os seres que vivem nesse universo podem acessar largura e comprimento, mas não a altura. Do mesmo modo, se existisse outra dimensão acima da nossa, não poderíamos vê-la, mas poderíamos detectá-la medindo as energias de nossa própria dimensão.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Crivado de críticas pelas decisões esdrúxulas que vem tomando no âmbito do inquérito sobre o Banco Master, Dias Toffoli age como se considerasse não ter feito nada de errado na condução do caso. O problema é que nada vai se tornando uma expressão que ultrapassa tudo à medida que vão se acumulando no noticiário revelações que tornam a conduta supostamente irrepreensível do ministro em matéria-prima para investigação.

Alvo de uma batida de busca e apreensão da PF na semana passada, o pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, o banqueiro falido do Master, comprou por meio de um fundo de investimentos parte de um resort luxuoso que pertencia a dois irmãos do magistrado, que, aliás, é assíduo frequentador do resort.

O negócio foi comprado posteriormente pelo advogado Paulo Humberto Costa, que atua para a J & F — grupo da família Batista, outra beneficiária de decisões de Toffoli. 

Como se não bastasse o fato de Toffoli continuar frequentando o empreendimento, a empresa de seus tem como sede uma casa humilde situada na cidade paulista de Marília, onde mora a família de José Eugênio Dias Toffoli. Demais disso, Cássia Pires Toffoli, cunhada do ministro, negou à reportagem do Estadão que seu marido tenha sido sócio do resort paranaense frequentado pelo contraparente, em flagrante contraste com os registros oficiais.

Expostas no noticiário em ritmo de conta-gotas, as revelações constrangem o STF, inquietam a PF e animam um pedido de CPI no Congresso. Pressionado a devolver o caso à primeira instância do Judiciário, onde o escândalo do Master tramitava antes de ser içado para nossa mais alta Corte, Toffoli resiste à ideia, desafiando o interesse público, a lógica e o esforço do ministro Edson Fachin, presidente de turno do Tribunal, para colocar de pé um Código de Conduta capaz de acomodar as togas nos trilhos da ética.

Em nosso universo tridimensional, as ondas sonoras se espalham omnidirecionalmente, ou seja, para todos os lados, na forma de uma bolha, e dependem da energia cinética para se deslocarem até chegar aos nossos ouvidos. Podemos medir as energias para descobrir se alguma coisa está "vazando" para uma quarta dimensão espacial, mas os cientistas testaram essa possibilidade e concluíram que a energia emitida não "vaza", já que sempre é encontrada na medida certa. 

Nada indica (pelo menos até agora) que exista uma dimensão espacial extra do tamanho das três que já conhecemos, mas as microdimensões embasam a famosa Teoria das Cordas — segundo a qual as partículas fundamentais são pequenas "cordas" vibrantes cuja frequência de vibração determina o tipo de partícula. O "xis" da questão é a gravidade, que está presente em todo o universo observável, mas parece não funcionar em escalas muito pequenas, ou seja, entre as partículas. Os átomos, por exemplo, se atraem por meio da força eletromagnética, e não pela gravidade. 

Os cientistas vêm testando a gravidade em escalas cada vez menores, chegando à incrível marca de detectar a força gravitacional de duas esferas de ouro de 1 milímetro e peso de 92 miligramas, separadas por 40 milímetros, e os resultados mostraram que Einstein estava certo. Mas os experimentos em colisores de partículas ainda não encontraram sinais de força gravitacional entre as partículas subatômicas, que estão unidas pelas demais três forças.

Para unificar o Modelo Padrão de partículas e a Relatividade Geral, os físicos tentam descobrir onde está a gravitação quântica — sem essa unificação, a compreensão do universo continua incompleta. 

Uma das propostas mais populares para essa unificação é uma partícula gravitacional chamada Gráviton, ainda não detectada e, portanto, não confirmada. Outra hipótese, menos convencional — apesar de sua grande popularidade graças a divulgadores científicos famosos como Stephen Hawking — é a Teoria das Cordas.

Muitos cientistas apostam nessa teoria porque ela funciona maravilhosamente bem na matemática, onde é descrita como a solução mais elegante já criada para responder questões incômodas, incluindo a gravidade quântica. 

Uma das primeiras versões dessa teoria precisava de 26 dimensões, mas já era interessante o suficiente para ser levada adiante. O problema é que havia limitações, como a falta de uma explicação para a matéria bariônica — ela explicava apenas os bósons, como fótons, por exemplo.

Outras versões foram propostas até chegarmos à mais completa já feita: a Teoria M. Nela, são apresentados conceitos como supercordas e supersimetria, que reduzem a quantidade de dimensões necessárias para 11, sem precisar alterar o Modelo Padrão. Significa que precisamos encontrar 7 dimensões superiores, já que conhecemos 4 delas — 3 espaciais e 1 temporal.

Conclui no post da próxima segunda-feira.

quinta-feira, 15 de junho de 2023

MULTIVERSO E UNIVERSOS PARALELOS... CONTINUAÇÃO

O ESTUDO DA METAFÍSICA CONSISTE EM PROCURAR, NUM QUARTO ESCURO, UM GATO PRETO QUE NÃO ESTÁ LÁ.


Na cultura popular, "universos paralelos" são "outros mundos" que (supostamente) existem para além do universo convencional. À luz da ciência, porém, esse termo é usado pelos pesquisadores da Teoria das Cordas — segundo a qual vivemos em uma realidade onde tudo é formado por minúsculas "cordas vibrantes", menores que o núcleo atômico, que diferem entre si pela forma e pela frequência. Os modos vibracionais, também chamados de harmônicos, surgem quando duas ou mais ondas se encontram em um mesmo ponto, produzindo ondas estacionárias — da mesma forma que produzimos notas musicais quando tocarmos um violão). 

Observação: Em linhas (bem) gerais, podemos resumir a ópera dizendo que todas as partículas (quarks, elétrons e até mesmo os bósons) são produzidas por diferentes oscilações das cordas, e que o universo tem mais dimensões do que as quatro que conhecemos (altura, largura, profundidade e tempo). 
 
Durante a segunda revolução das cordas, em 1995, os físicos propuseram que cinco diferentes teorias das cordas seriam na verdade faces da Teoria-M, ou
 "teoria de tudo— a maioria dos físicos e cosmólogos são movidos sonha em encontrar uma descrição simples do universo que possa explicar tudo. 

A "teoria de tudo" propõe que cada partícula é um minúsculo laço de corda e que o universo tem onze dimensões (sete além das quatro conhecidas), chamadas de "brana" (abreviação para membrana), que podem se propagar através do espaço-tempo de acordo com as regras da mecânica quântica. Como nosso universo é uma membrana 3 + 1 dimensional (três dimensões de espaço +1 de tempo) e estamos "presos" dentro de um espaço 10 + 1 dimensional, não somos capazes de perceber as dimensões extras. 

Observação: Para entender melhor, imagine uma pilha de panquecas recheadas com mel. É como se nosso universo existisse em uma dessas panquecas, e as demais estivessem “por cima” da nossa. O mel nos impede de perceber a existência das outras panquecas, o que não quer dizer que elas não estejam lá. 

Outras branas quadrimensionais podem existir dentro de um espaço de onze dimensões, e o choque entre uma brana em dimensões superiores com a nossa seria uma maneira interessante de explicar o que motivou o Big Bang.
 
Tudo isso pode parecer coisa de filme de ficção científica, mas é bom lembrar que inúmeros cientistas foram alvo de zombaria por seus pares até que o tempo provou que eles estavam certos. Bons exemplos são o "pai da desinfecção", o criador da imunoterapia, o descobridor do sistema heliocêntrico e o proponente de deriva continental, entre tantos outros.
 
Continua...

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

BIG BANG, BIG CRUNCH E TEORIA DAS CORDAS

SE AS PALAVRAS CAUSAM MAL ENTENDIDOS, IMAGINE O QUE O SILÊNCIO É CAPAZ DE FAZER.

A análise de dados do Sloan Digital Sky Survey revelou que a distribuição e a forma das galáxias contraria a ideia de que elas seriam dispostas aleatoriamente no espaço, e essa descoberta tem importantes implicações para o Modelo Cosmológico e a Teoria da Inflação Cósmica.


Uma das teorias mais fascinantes sobre a origem do nosso universo sugere que o Big Bang pode ter surgido da singularidade de um buraco negro, formado em um universo anterior que sofreu um colapso total (Big Crunch). Ainda é um mistério se esse universo predecessor era similar ao nosso ou fazia parte de um multiverso. Seguindo essa lógica, poderíamos estar vivendo em um ciclo infinito de expansões e contrações cósmicas.

Um aspecto preocupante da expansão atual do universo é que sua aceleração crescente poderia, teoricamente, desencadear um fenômeno conhecido como "estado de decaimento de vácuo falso", que, uma vez iniciado, poderia se propagar na velocidade da luz e alterar a estrutura fundamental do universo como o conhecemos.

O conceito de "vácuo metaestável" é fundamental para entender esse fenômeno. Tanto a matéria quanto os campos quânticos buscam estados de menor energia — uma forma de estabilidade. Nos campos quânticos, esse estado de menor energia é chamado de "estado de vácuo". O campo de Higgs, famoso por conferir massa às partículas elementares através da interação com o bóson de Higgs (popularmente conhecido como "partícula de Deus"), mantém esse vácuo em um estado metaestável.

Esta metaestabilidade nos apresenta dois cenários possíveis: ou nosso universo continuará existindo por bilhões de anos, ou o campo de Higgs já está iniciando seu processo de decaimento. No segundo caso, uma "bolha" de transformação se expandiria quase na velocidade da luz, provocando uma transição para um universo com características diferentes. As consequências poderiam variar desde uma mudança radical em tudo que conhecemos até uma alteração mais sutil, como uma modificação na massa dos neutrinos.

ObservaçãoOs neutrinos são sutis e difíceis de detectar. Até recentemente, achava-se que eles não tinham massa, mas novas detecções demonstraram que eles podem oscilar entre si conforme se movem — e se podem mudar enquanto viajam pelo espaço, é porque têm alguma massa.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O discurso lido por Lula para os outros líderes do Brics mostrou que sua viagem à Rússia, cancelada após a queda no banheiro do Alvorada, teria sido um desperdício de verbas públicas. Por tudo o que disse e também pelo que silenciou, os sete minutos de videoconferência pareceram de bom tamanho. 
Beneficiado pela ausência, o petista fritou Nicolás Maduro sem tocá-lo, transferindo ao profissionalismo do Itamaraty o manuseio da frigideira que deixou bem passada a pretensão do tirante de integrar a Venezuela ao bloco. Mesmo assim, a palavra palavra democracia não constou do discurso remoto — e nem poderia: além de fundadores como China e Rússia, incorporaram-se ao grupo em 2023 outras aberrações antidemocráticas como Irã e Arábia Saudita, e outras inconveniências estão por vir. 
No gogó, Lula restringiu-se às platitudes de sempre. Coisas como o pedido de paz na Ucrânia e na Faixa de Gaza, o apelo a favor da revitalização do multilateralismo, a defesa do uso de moedas alternativas ao dólar, a cobrança do calote ambiental de US$ 100 bilhões imposto pelos países ricos às nações pobres... Nada que não pudesse ser dito desde Brasília. 
Até bem pouco, o Brics era uma junção de países que surgiu do nada e rumava para lugar nenhum, mas se tornou uma associação de nações que, a pretexto de representar o chamado Sul Global, serve de fachada para a China, com o aval da Rússia, recorrer a todos os estratagemas para atingir os seus subterfúgios comerciais na briga particular que trava com União Europeia e, sobretudo, Estados Unidos. 
O Brasil assume a presidência rotativa do Brics no ano que vem, quando então Lula poderá tentar retirar do bloco a aparência de um puxadinho diplomático a serviço da China.

Há muito que se tenta conciliar o Big Crunch com o universo que conhecemos hoje. Segundo a Teoria das Cordas, tudo é formado por "cordas vibrantesmenores que o núcleo atômico, que diferem entre si pela forma e pela frequência. Os modos vibracionais surgem quando duas ou mais ondas se encontram num mesmo ponto, produzindo ondas estacionárias — da mesma forma como produzimos notas musicais quando dedilhamos as cordas de um violão. Essa teoria ainda não foi comprovada experimentalmente, mas já dizia Carl Sagan que "a ausência de evidências não é evidência de ausência".

Em 1995, foi proposto que cinco diferentes Teorias das Cordas seriam na faces da "Teoria de Tudo", que busca unificar todas as forças fundamentais da natureza num único modelo matemático. Assim, cada partícula seria um minúsculo laço de corda numa membrana 3 + 1 dimensional (três dimensões de espaço mais uma de tempo), mas, como estamos "presos" dentro de um espaço 10 + 1 dimensional, não percebemos as dimensões extras. 
 
ObservaçãoPara entender melhor, imagine uma pilha de panquecas recheadas com mel e que nosso universo esta numa dessas panquecas; o mel nos impede de perceber as outras panquecas, mas isso não significa que elas não estão lá. 

Outra teoria interessante é a do multiverso. Nesse contexto, um universo branco teria buracos bancos capazes de cuspir qualquer coisa, e o Big Bang seria na verdade um buraco branco que vomitou tudo que foi engolido por um buraco negro de um universo paralelo ao nosso. Assim, todos os universos existentes seriam semelhantes e teriam buracos negros e buracos brancos.

Talvez isso lhe pareça enredo de filme de ficção, mas vale lembrar que cientistas como o "pai da desinfecção", o criador da imunoterapia, descobridor do sistema heliocêntrico e o proponente de deriva continental foram tachados de "malucos", até que o tempo provou que eles estavam certos.