sábado, 28 de junho de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 32ª PARTE — CAPÍTULO ESPECIAL: BURACOS DE MINHOCA


PERGUNTAR O QUE HAVIA ANTES DO BIG BANG É COMO PERGUNTAR O QUE HÁ AO NORTE DO POLO NORTE.

Nas histórias de Monteiro Lobato, uma pitada de "pó de pirlimpimpim" teletransporta os personagens de um lugar para outro. Nos filmes de ficção científica, uma pitada de criatividade relativística faz naves atravessarem galáxias numa fração de segundo, heróis sumirem num piscar de olhos e paradoxos temporais transbordarem de cada diálogo. 


Os roteiristas costumam retratar os buracos negros como portais para outras dimensões, embora os "verdadeiros atalhos cósmicos" sejam os buracos de minhoca — fenômenos ainda não comprovados experimentalmente, mas que supostamente surgem devido à curvatura do espaço-tempo resultante da atração gravitacional de estrelas supermassivas e colapsam quase instantaneamente. 
Para evitar que suas paredes colapsem sobre si mesmas e formem um buraco negro, seria preciso que uma forma exótica de matéria exercesse pressão negativa. 


ObservaçãoPara entender melhor esse conceito, pegue uma folha de papel A4, faça uma marca na margem superior e outra na margem inferior, dobre a folha ao meio e veja que, assim, as duas marcas podem ser trespassadas por um grampo ou alfinete. Da mesma forma, uma espaçonave que adentrasse um hipotético buraco de minhoca atravessável seria impulsionada em direção à saída com a velocidade da luz e desembocaria em outra galáxia — neste ou em outro universo, no presente ou em outro ponto da linha do tempo.


energia negativa é um tipo específico de efeito quântico, e matéria exótica é qualquer substância capaz de provocar repulsão gravitacional. Toda energia negativa é matéria exótica, mas nem toda matéria exótica depende exclusivamente de energia negativa. Já o termo singularidade gravitacional designa pontos onde as leis tradicionais da física não se aplicam. No centro dos buracos negros, por exemplo, ela possui densidade infinita, distorcendo o espaço-tempo de tal forma que, para escapar, seria necessário superar a velocidade da luz — o que é impossível segundo a relatividade.


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Na noite de quarta-feira, o desgoverno Lula foi pego de surpresa pela derrubada do decreto que aumentava as alíquotas do IOF. Ato contínuo, Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias e Fernando Haddad recorreram ao argumento — tão ridículo quanto eles próprios — de que Lula busca apenas fazer "justiça tributária". Não colou, a não ser, talvez, para uma militância de nicho: segundo levantamento da consultoria Bites, feito a pedido d’O Globo, a tentativa de emplacar a expressão “Congresso inimigo do povo” nas redes sociais teve repercussão pífia. Por outro lado, no mesmo dia em que as duas Casas derrubaram o decreto que aumentava a carga tributária, o Senado sacramentou o projeto da Câmara que eleva o número de deputados federais de 513 para 531 a partir das próximas eleições. 
Resumo da ópera: não há anjos no céu de Brasília. O Congresso pode até ser inimigo do povo — mas Lula, que conduz o país ao caos fiscal enquanto finge se preocupar com os mais pobres, não é muito diferente.

Diferentemente dos buracos negros, os buracos de minhoca ainda não foram avistados. Sua existência é baseada na Relatividade Geral, na mecânica quântica e na Teoria das Cordas. Segundo os físicos, se eles forem tão comuns quanto os buracos negros e apresentarem entradas com raios entre 100 e 10 milhões de quilômetros, detectá-los será apenas uma questão de tempo.

 
O buraco negro mais próximo da Terra — GAIA BH1 — fica a cerca de 1,5 mil anos-luz de distância. Movendo-se a 99% da velocidade da luz, uma espaçonave levaria cerca de 1.500 anos para chegar até ele. A dilatação do tempo tornaria a viagem praticamente instantânea no referencial dos astronautas, mas a tecnologia disponível atualmente não permite construir uma nave tão veloz. 


Ainda que assim não fosse, os intensos gradientes de maré próximos ao horizonte de eventos do buraco negro comprimiriam horizontalmente a nave e seus ocupantes e os esticariam verticalmente, num processo conhecido como espaguetificaçãoSupondo que a espaçonave fosse indestrutível, seus ocupantes perceberiam o tempo passar normalmente e cruzariam o horizonte de eventos em um tempo finito — que, para um observador externo, tenderia ao infinito —, mas não notariam qualquer mudança abrupta ao atravessar essa fronteira, conforme previsto pelo princípio da equivalência de Einstein.
 

Continua...

sexta-feira, 27 de junho de 2025

AINDA SOBRE EINSTEIN...

SE A VELHICE É UMA DOENÇA, ENTÃO A MORTE É A CURA.

Com sua famosa equação E = mc², o maior físico do século XX — senão de todos os tempos — facilitou o entendimento de conceitos como fusão e fissão nuclear. 


Curiosamente, o mesmo princípio que deu azo ao desenvolvimento das bombas atômicas que destruíram as cidades de Hiroshima e Nagasaki — fato determinante para o fim da Segunda Guerra Mundial — pavimentou o caminho para as usinas nucleares, que hoje respondem por uma parcela significativa da eletricidade gerada no mundo.


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Para governantes, pressão leva à pressa, e pressa apressa resultados. Em guerra contra o relógio, Lula pressiona sua equipe para acelerar a devolução dos bilhões roubados dos aposentados e pensionistas do INSS. Nesta semana, em audiência de conciliação no Supremo, o governo propôs reembolsar as vítimas em lotes quinzenais, a começar em 24 de julho. 

Candidatos não dão ponto sem nó. O pretexto de Lula é abreviar o sofrimento das vítimas da rapinagem, a maioria velhinhos pobres, mas o motivo real da pressa é se antecipar ao início da CPI que esmiuçará o escândalo no segundo semestre. 

Segundo o Datafolha, 50% dos entrevistados culpam Lula pelas fraudes e 41% culpam Bolsonaro. Na CPI, os aliados de ambos jogarão merda uns nos outros. A diferença é que Bolsonaro é candidato à cadeia, daí a pressa do petista.

 

Enquanto equacionava sua famosa Teoria de Relatividade Geral, Einstein concluiu que a gravidade fazia o cosmos se contrair ou expandir, contrariando a visão aceita na época de que o Universo era estático. Diante dessa aparente inconsistência, ele inseriu em suas equações uma "constante cosmológica" para neutralizar o impacto da gravidade. Mais adiante, quando surgiram evidências de que o Universo está em expansão, essa constante foi considerada seu maior erro. Posteriormente, porém, descobriu-se que a expansão do Universo está se acelerando, provavelmente devido a uma misteriosa "energia escura" que a tal constante pode ajudar a explicar.

 

O trabalho de Einstein — incluindo o artigo de 1905 que descreve a luz como composta por ondas e partículas — ajudou a estabelecer as bases para a Mecânica Quântica, que estuda o mundo bizarro e contraintuitivo das minúsculas partículas subatômicas. Diante do famoso paradoxo do Gato de Schrödinger — segundo o qual um gato dentro de uma caixa pode ser considerado simultaneamente vivo e morto até que alguém abra a tampa para verificar —, o físico alemão escreveu para o colega Max Born que "Deus não joga dados". 

 

Em seu artigo de 1935, escrito em pareceria com os cientistas Boris Podolsky e Nathan Rosen, ele argumentou que, se dois objetos em superposição fossem separados após terem sido conectados de alguma forma, a medição de um deles fixaria instantaneamente um valor para o outro — mesmo sem que este fosse observado. Embora concebido como uma refutação da superposição quântica, esse experimento mental abriu caminho para o desenvolvimento de uma ideia que ficaria conhecida como entrelaçamento quântico: a possibilidade de dois objetos se manterem conectados como um só, mesmo separados por grandes distâncias. Isso mostra que Einstein era brilhante até mesmo nas ideias que, à sua época, ele interpretava de forma equivocada.

 

Seu artigo "Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento" foi a pedra fundamental da Teoria da Relatividade Especial (ou restrita), que se escora em duas ideias centrais: 1) as leis da física são as mesmas para todos os observadores em movimento uniforme (princípio da relatividade); 2) a velocidade da luz no vácuo é a mesma para todos os observadores, independentemente do seu movimento em relação à fonte de luz. As consequências são contraintuitivas: eventos simultâneos para um observador podem não sê-lo para outro; relógios em movimento medem o tempo mais devagar; objetos ficam mais curtos na direção em que se deslocam; nada no Universo se move mais rápido que a luz; massa e energia são conceitos equivalentes, relacionados pela famosa equação E=mc2.

 

Se recuarmos no tempo até 1895, veremos que, com base no trabalho do físico holandês Hendrik Lorentz, o matemático francês Henri Poincaré publicou uma primeira formulação do princípio da relatividade: “é impossível determinar o movimento absoluto em relação ao éter; tudo o que podemos medir é o movimento relativo entre dois corpos”. Em 1905 — no mesmo mês em que Einstein submeteu seu artigo para publicação —, Poincaré divulgou um texto de cinco páginas no qual enunciava com clareza esse princípio. No entanto, sua contribuição acabaria esquecida, e Einstein receberia o crédito integral pela nova teoria — que ele generalizaria uma década depois, ao criar a Teoria da Relatividade Geral, incorporando o fenômeno da gravitação.

 

Em 4 maio de 1925, Einstein escreveu em seu diário: "Chegada ao Rio ao pôr do sol, com clima esplêndido. Em primeiro plano, ilhas de granito de formato fantástico. A umidade produz um efeito misterioso”. Ele já havia estado no Brasil por algumas horas, durante a parada do navio que o levava à capital argentina, em sua incursão de um mês e meio pela América do Sul — que incluiu também uma passagem por Montevideo, no Uruguai. O objetivo da viagem era divulgar e discutir sua recém-verificada Teoria da Relatividade com estudiosos sul-americanos e estreitar laços com as comunidades judaicas e alemãs, em meio à escalada de poder do Partido Nazista. 

 

Einstein passou sete dias no Rio de Janeiro, visitou instituições como a Fundação Oswaldo Cruz, o Museu Nacional e o Observatório Nacional, e fez duas grandes palestras públicas — uma na Academia Brasileira de Ciências e outra no Clube de Engenharia. Embora tenha reconhecido e agradecido pessoalmente o trabalho dos pesquisadores brasileiros, seus relatos íntimos revelam uma visão eurocêntrica sobre o país. Em certos momentos, ele demonstra desapreço pelos interlocutores e chega a "culpar" o clima tropical pelos costumes, que considerava inferiores. Em uma das passagens mais emblemáticas de seu diário, anotou: "Aqui sou uma espécie de elefante branco para eles, e eles são macacos para mim." Em outra, porém, escreveu: "A miscelânea de povos nas ruas é deliciosa: Portugueses, índios, negros e tudo no meio, de modo vegetal e instintivo, dominado pelo calor."

 

Einstein usou inúmeras vezes o termo "índios" como símbolo de selvageria e inferioridade, mas ficou tão impressionado com o trabalho do general Cândido Rondon, que chegou a recomendá-lo ao Prêmio Nobel da Paz. Por outro lado, suas anotações deixaram clara a ideia de uma suposta superioridade europeia — e também sua impaciência com o costume brasileiro dos grandes discursos elogiosos, que considerava enfadonhos. A última frase que escreveu antes de embarcar de volta para Europa, em 12 de maio, não poderia ser mais clara: "Longos discursos com muito entusiasmo e excessiva adulação, mas sinceros. Graças a Deus acabou. Finalmente livre, mas mais morto que vivo".

quinta-feira, 26 de junho de 2025

O ANEL DE EINSTEIN

O ERUDITO É UM DESCOBRIDOR DE FATOS QUE JÁ EXISTEM; O SÁBIO É UM CRIADOR DE VALORES QUE ELE FAZ EXISTIR.


Em mais uma confirmação impressionante das teorias de Einstein, o Telescópio Espacial Euclides identificou um anel de luz em torno da galáxia NGC 6505Conhecido como "lente gravitacional forte", esse fenômeno ocorre quando a luz de uma galáxia distante, distorcida pela gravidade de uma galáxia massiva mais próxima, passa a seguir trajetórias curvas. A descoberta não só ilustra perfeitamente um dos conceitos centrais da relatividade geral como abre novas oportunidades para o estudo da matéria escura.

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Na noite de ontem, por 41 votos a 33, o Senado chancelou o aumento do número de deputados federais de 513 para 531 a partir das eleições de 2026. Quando a Câmara aprovou essa excrescência, falou-se que o custo — R$ 64,4 milhões — seria absorvido pelo orçamento da própria Casa. Como cada novo deputado terá direito a uma cota de R$ 38 milhões em emendas orçamentárias, 18 novas cadeiras somam R$ 684 milhões em emendas, totalizando uma despesa extra de R$ 748,6 milhões por ano. Para tornar a desfaçatez mais palatável, o relator incluiu uma emenda que proíbe qualquer aumento de despesas, incluindo verbas de gabinetes e cotas parlamentares, passagens aéreas e auxílio moradia.
Na mesma noite, o Congresso derrubou o decreto presidencial de aumento de IOF. Desde a Constituição de 1988, isso só aconteceu duas vezes — em 1992 e 1989. Em todos os outros casos de PDLs que chegaram a ser votado, o governo recuou e revisou sua proposta. 
O decreto rejeitado ontem foi a terceira "mexida" no IOF feita pelo Executivo em menos de um mês. O pacote anunciado por Haddad aliviaria o caixa no curto prazo, mas não teria efeito sobre o crescimento explosivo das despesas obrigatórias,  país corre o risco de trocar fôlego imediato por um novo desequilíbrio mais adiante.
A decisão era bola cantada: às vésperas de deixar a presidência da Câmara, Arthur Lira sinalizou o que estava por vir: "Ninguém embarca em um navio se sabe que vai naufragar." Na noite de ontem o deputado Hugo Motta, pupilo e sucessor de Lira, tratou o governo Lula como um Titanic cujo comandante tem encontro marcado com um iceberg na sucessão de 2026.
Lula 3 nunca conseguiu formar uma base de apoio parlamentar consistente. Líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias vislumbrou na articulação um ensaio de desembarque dos partidos do centrão e legendas assemelhadas. O impeachment só não acontece porque interessa mais à oposição manter Lula sangrando até as próximas eleições. 
Com a derrubada do aumento do IOF, o Congresso submete o macróbio a um torniquete financeiro num instante em que Bolsonaro é pressionado nos bastidores a antecipar o apoio a uma candidatura alternativa para 2026. O queridinho do Centrão é Tarcísio de Freitas, do partido de Hugo Motta. Aos pouquinhos, o jogo sucessório vai ganhando uma prematura nitidez.


A qualidade da imagem capturada pelo Euclides revelou detalhes excepcionais, tornando-se uma das observações mais nítidas desse fenômeno já registradas. Quando o alinhamento é perfeito, a luz da galáxia de fundo forma um círculo quase completo ao redor da galáxia lente, resultando no assim chamado anel de Einstein (vide figura).

 

Embora a Teoria da Relatividade tenha revolucionado a compreensão que os cientistas tinham do universo, a descoberta que rendeu a Einstein o Prêmio Nobel de Física foi o efeito fotoelétrico — talvez porque a relatividade ainda era considerada muito controverso no início dos anos 1920. Ao contrário do que se costuma ouvir, ele não foi um estudante medíocre. Essa desinformação advém do fato de que a nota máxima nas escolas suíças era 6, e a mínima, 1. 


Observação: Einstein teve atritos com alguns professores por ser autodidata — aos 12 anos, já dominava a geometria euclidiana, e aos 15, cálculo diferencial e integral. Se não passou no exame de admissão do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique na primeira tentativa, foi por ser dois anos mais jovem que os outros candidatos e ter enfrentado dificuldades com idiomas e ciências humanas, mas ele sempre foi brilhante em matemática e física


Einstein previu a existência de ondas gravitacionais —geradas por eventos cósmicos cataclísmicos, como colisões entre buracos negros ou estrelas de nêutrons — em 1916, mas foi somente um século depois que um par de interferômetro localizados na superfície da Terra as detectou pela primeira vez. A existência dos buracos negros, inicialmente considerada absurda e sem suporte observacional, foi comprovada experimentalmente em 2019, quando o Event Horizon Telescope fotografou pela primeira vez um desses corpos celestes. Já pontes Einstein-Rosen (também conhecidas como buracos de minhoca) seguem no campo das especulações, mas os cientistas acreditam que, se elas possuírem entradas com raios entre 100 e 10 milhões de quilômetros e forem tão comuns quanto as estrelas, detectá-las é apenas uma questão de tempo. 


Para dizer que alguma coisa tem velocidade, é preciso dizer em relação a quê. A bordo de um avião com as janelas fechadas, a impressão que se tem é de estar parado. Do ponto de vista de quem está na aeronave, é o chão que está se movendo para trás a 900 km/h. Em outras palavras, percebemos nitidamente a aceleração e a desaceleração, mas não temos percepção de movimento quando nos movemos a uma velocidade constante. 


Segundo a relatividade especial (ou restrita, porque vale apenas para situações de velocidade constante, em que não há influência da gravidade nem qualquer outra forma de aceleração), quanto mais rápido alguém se desloca, mais devagar o tempo passa na percepção desse alguém (fenômeno conhecido como dilatação temporal). Ou seja, o espaço e o tempo se distorcem para que a velocidade da luz seja absoluta. Como s luz viaja à velocidade máxima do Universo e se desloca exclusivamente no espaço, da perspectiva dos fótons o tempo está parado (ou não existe).


Einstein descobriu que massa pode se transformar em energia e vice-versa, e que a quantidade de energia (E) contida em uma porção de matéria é igual à massa dessa matéria (m) multiplicada pelo quadrado da velocidade da luz (). O problema é que acelerar algo a uma velocidade próxima da luz exige uma quantidade absurda de energia — quanto mais rápido um corpo se move, mais sua massa aumenta e maior a quantidade de energia necessária para sua velocidade aumentar ainda mais. Na velocidade da luz, a massa tende ao infinito, exigindo uma quantidade igualmente infinita de energia para continuar a acelerar.

 

Se vivemos num "mundo newtoniano", onde os relógios marcam um certo horário, é porque nada ao nosso redor se move com rapidez suficiente para exibir efeitos relativísticos. A sonda espacial mais veloz lançada pela NASA até hoje alcançou 692 mil quilômetros por hora — uma velocidade impressionante, é verdade, mas que corresponde a míseros 0,064% da velocidade da luz.

 

Num gráfico cartesiano, um corpo a uma velocidade constante é representado por uma linha horizontal. Conforme esse corpo acelera, a linha se torna ascendente. Einstein percebeu que o tecido do espaço-tempo também se curva, e que, como em nosso hipotético gráfico, as curvas equivalem representam as acelerações, e aceleração e gravidade são curvas no grande gráfico da realidade. Parafraseando o físico John A. Wheeler, "O espaço-tempo diz à matéria como se mover e a matéria diz ao espaço-tempo como se curvar".


A gravidade estica o espaço e dilata o tempo. É por isso que os relógios dos satélites que orbitam a Terra atrasam aproximadamente 7 microssegundos por dia devido à velocidade de 14.000 km/h, mas adiantam cerca de 45 microssegundos por dia por causa da gravidade, que é menor a 20.000 km de altitude em relação à superfície. Esse mesmo efeito faz com que o centro da Terra, onde a gravidade é maior, seja 2,5 anos "mais jovem" que a superfície do planeta — diferença acumulada ao longo dos 4,5 bilhões de anos de existência terrestre.

 

Einstein dedicou seus últimos anos de vida à busca por uma "teoria de tudo", que acomode a relatividade geral e a mecânica quântica numa mesma equação matemática. Considerada o "Santo Graal" dos físicos, essa solução ainda não foi encontrada — mas também nesse caso pode ser apenas uma questão de tempo.


ObservaçãoA famosa foto de Einstein mostrando a língua foi tirada no dia 14 de março de 1951, no momento em que o físico deixava uma festa na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos. O fotógrafo Arthur Sasse, da agência United Press International, pediu-le que sorrisse, mas, por cansaço ou impaciência, ele resolveu mostrar a língua. Embora não tenha gostado da foto no início, o cientista acabou encomendando cópias para distribuir a amigos e colegas, A imagem se tornou um ícone cultural e foi leiloada por quase R$ 400 mil em 2017.


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quarta-feira, 25 de junho de 2025

SMARTPHONES: MEMÓRIA, ARMAZENAMENTO ETC. (CONTINUAÇÃO)

LEMBRE-SE DE CAVAR O POÇO MUITO ANTES DE SENTIR SEDE.

O conceito de lixeira do sistema foi introduzido pela Apple em 1982 e adotado pela Microsoft no Windows, cujo desenvolvimento teve início três anos depois.

Nos smartphones, no entanto, o ícone do cestinho não figura na tela inicial, de modo que o jeito é recorrer ao Files do Google — gerenciador de arquivos que vem instalado de fábrica em smartphones Android da Samsung, Motorola e Xiaomi, mas que também está disponível para download na Google Play Store — ou a aplicativos como o Google Fotos.

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Para intimidar opositores durante os anos de chumbo, os militares se inspiraram em um slogan que os Estados Unidos usaram na Guerra do Vietnã para fomentar nacionalismo e patriotismo, e cunharam o bordão "Brasil, ame-o ou deixe-o". Mas não contavam com a minha astúcia — como diria o Chapolin Colorado —, e o povo brasileiro, sempre pronto para fazer piada com a própria desgraça, transformou a ideia implícita da paródia tupiniquim — intimidar e silenciar os opositores do regime — em pura chacota, ao acrescentar à frase expressões como "o último feche a porta" (ou "apague a luz", conforme a versão). 

Moraes apagou a luz ao proibir a imprensa de acompanhar, ao vivo e em cores, as acareações entre Mauro Cid e o general Braga Netto, e entre o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-comandante do Exército Freire Gomes — ambas marcadas para ontem na 1ª Turma do STF. Tudo isso, note-se, apesar de ter permitido a transmissão ao vivo, pela TV Justiça, dos interrogatórios de Bolsonaro e seus cúmplices e dos depoimentos das testemunhas da tentativa de golpe. Acareações pedem luzes acesas, não portas fechadas. 

Se o governo não fosse tão perdulário, eu diria que, em tempos de economia criativa, apagar a luz virou regra, não exceção.

Para usar o Files, abra o app a partir da bandeja de aplicativos, acesse o menu no canto superior da tela, toque em Lixeira, selecione os arquivos que deseja apagar, toque em Excluir e confirme a ação tocando novamente em Excluir. No Fotos, acesse a aba Álbuns (no rodapé da tela), toque em Lixeira, pressione e segure as mídias que quer apagar, toque em Excluir (na parte inferior da tela) e, por fim, em Permitir para finalizar o processo.

Embora a exclusão manual dos arquivos não seja especialmente trabalhosa, é mais fácil recuperar espaço com a ajuda de ferramentas dedicadas, como o festejado CCleaner — lançado originalmente com o nome CrapCleaner — que possui versões gratuitas e pagas para Windows, macOS e Android

Além de limpar o cache dos aplicativos, pastas de downloads, histórico dos navegadores e conteúdos da área de transferência, o CCleaner também é capaz de desinstalar aplicativos inúteis ou supérfluos, mas vale destacar que ele não deixa o aparelho mais rápido, apenas ajuda a recuperar parte do desempenho perdido ao longo do tempo devido ao acúmulo de “lixo”.

Observação: Outro app semelhante, que faz basicamente o mesmo trabalho, é o Avast Cleanup.

Boa faxina!

terça-feira, 24 de junho de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 31ª PARTE

ÀS VEZES, ESTAMOS PRÓXIMOS DEMAIS DE ALGUMA COISA PARA PODER ENXERGÁ-LA. 

possibilidade de alguém vindo do futuro ter estado entre nós e deixado rastros levou dois físicos americanos a vasculhar a Internet em busca de indícios de viajantes do tempo. No artigo de 11 páginas em que relatam a experiência, eles descrevem a tentativa de identificar conteúdos que só poderiam ter sido publicados por quem tivesse conhecimento prévio de eventos ainda não ocorridos. 


Uma menção ao papa Francisco antes de 13 de março de 2013 sugere a ação de um visitante temporal, pois foi nessa data que o cardeal argentino Mario Bergoglio. eleito pontífice, adotou esse nome. Mas não foram encontradas quaisquer referências inequívocas a eventos futuros que pudessem ser atribuídas a visitantes temporais.


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A narrativa — palavra-chave da era trumpista — talvez tenha de encarar a realidade depois que a calopsita alaranjada fez o que nenhum de seus antecessores desde Jimmy Carter conseguiu: atacar de forma incisiva o Irã, cuja transformação em República Islâmica, em 1979, foi celebrada com queima de bandeiras americanas e a humilhante tomada de reféns na embaixada dos EUA em Teerã. 

Trump construiu sua carreira no populismo de direita prometendo manter os EUA longe de novos atoleiros — algo recorrente na história do país desde a Guerra do Vietnã, que o Iraque e o Afeganistão só reforçaram. Além de a interferência direta no conflito ser impopular, parte significativa de sua base criticou a ideia de um envolvimento mais direto. 

A ameaça iraniana de fechar o Estreito de Hormuz parece um caminho menos imediato para o confronto. Resta ver se os EUA responderão com fogo ao choque inflacionário global que a medida provocaria, diante do aumento previsível nos preços da energia. O discurso do “já acabou” revela a tentativa de Trump de sair do conflito sem se queimar demais com sua base — além de evitar o desgaste natural de uma guerra que pode sair de controle. Enfim, eleja um psicopata e seja bem-vindo ao hospício.

 

Os autores reconhecem que seus esforços talvez não tenham sido amplos o bastante para capturar todas as possíveis evidências e admitem a hipótese de eventuais viajantes do tempo não poderem — ou evitarem deliberadamente — deixar rastros duradouros, inclusive digitais. Outra possibilidade é que leis da física ainda desconhecidas impossibilitem a viagem no tempo ou qualquer forma de comunicação entre diferentes linhas temporais.

 

Em 2009, visando provar que a física conspira contra a viagem no tempo, Stephen Hawking organizou uma festa na Universidade de Cambridge e enviou o convite depois que o evento aconteceu, de modo que somente um viajante do tempo poderia comparecer à festa. No ano seguinte, no capítulo Viagem no tempo da série Into the Universe with Stephen Hawking, ele comentou: "Que lástima! Eu gosto de experiências simples e... champanhe. Então, combinei duas das minhas coisas favoritas para ver se a viagem do futuro para o passado é possível, mas ninguém apareceu". 

 

A teoria da relatividade admite que deformações no espaço-tempo como as causadas por buracos negros possibilitem viagens ao passado, mas elas podem gerar um campo de radiação tão intenso que destruiria a espaçonave e o próprio espaço-tempo a seu redor. Embora seja uma possibilidade fascinante, viajar no tempo levanta dilemas teóricos que desafiam a lógica, como o paradoxo do avô, colocando em xeque a consistência das linhas temporais.


Para contornar esse tipo de contradição, algumas teorias sugerem a existência de múltiplos universos ou linhas temporais paralelas, onde cada ação no passado cria uma nova realidade alternativa. Essas possibilidades são eminentemente teóricas, mas se respaldam na mecânica quântica e na interpretação dos muitos mundos — na ideia de multiverso desenvolvida por Hugh Everett nos anos 1950.

Quiçá por limitações tecnológicas, por autocensura dos supostos viajantes ou pelas próprias leis naturais que regem o cosmos, ainda não temos qualquer evidência concreta de que alguém tenha conseguido burlar o fluxo do tempo. Mas e se estivermos procurando no lugar errado? E se as provas que buscamos não estiverem escondidas em registros digitais nem nos paradoxos teóricos, mas nas pequenas anomalias do cotidiano, que simplesmente ignoramos?

Talvez o problema não esteja na ausência de viajantes do tempo, mas na nossa incapacidade de reconhecê-los. Afinal, como distinguir um forasteiro temporal de um gênio excêntrico, de um visionário fora do seu tempo... ou de alguém exatamente igual a nós?

Continua...

segunda-feira, 23 de junho de 2025

SMARTPHONES: MEMÓRIA, ARMAZENAMENTO E APPS NA RÉDEA CURTA

PODE-SE APRESENTAR A CULTURA A UM IDIOTA, MAS NÃO SE PODE OBRIGÁ-LO A PENSAR.

Depois que Steve Jobs lançou o icônico iPhone (2007), os demais fabricantes de celulares se apressaram a transformar seus dumbphones em smartphones. Na sequência, os pequenos notáveis se tornaram microcomputadores ultraportáteis, comandados por um sistema operacional sofisticado (Android em 70,8% e iOS em 28,4% dos aparelhos em uso) e capazes de rodar os mais diversos aplicativos.

 

Diferentemente dos computadores de mesa e portáteis, os telefoninhos inteligentes não suportam upgrades de memória — seja da RAM (memória principal ou "física"), seja da ROM (armazenamento interno). O iOS gerencia melhor a RAM do que o Android, e os aparelhos da Samsung, Motorola, Xiaomi e outros com o robozinho verde vêm apinhados de crapware. Então, ainda que dispositivos com 4 GB de memória custem menos, recomenda-se dispor de pelo menos 6 GB (sugiro 8 GB, ou 12 GB, se o bolso permitir). 


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A Câmara aprovou a ampliação do número de deputados federais de 513 para 531 a partir de 2026 — uma expansão que, longe de corrigir distorções históricas, as agrava. Alega-se que o custo — R$ 64,4 milhões — será absorvido pelo orçamento da própria Casa, mas cada novo deputado disporá de uma cota de R$ 38 milhões em emendas orçamentárias. Assim, com 18 novas cadeiras, teremos mais R$ 684 milhões em emendas, totalizando uma despesa extra de R$ 748,6 milhões por ano. 

A distorção atual remonta à ditadura militar, que fixou um piso de 8 e um teto de 70 deputados por estado, independentemente do tamanho real das populações representadas. Se a distribuição de cadeiras fosse realmente proporcional, São Paulo teria 111 deputados, e Roraima, apenas seis. 

Se for aprovado pelo Senado, o projeto afastará ainda mais os eleitores de seus representantes e perpetuará práticas políticas ineficientes: o voto de um eleitor roraimense continuará valendo quase oito vezes o de um eleitor paulista. 

Num momento de urgência fiscal, o Parlamento opta por aumentar os gastos com seus próprios membros, consumindo recursos que poderiam ser investidos em modernização legislativa ou em políticas públicas como saúde, segurança e educação. Em suma, um Parlamento mais caro e menos proporcional é um Parlamento mais distante da democracia que queremos.


Quanto ao armazenamento, modelos premium oferecem 512 GB ou 1 TB. A má notícia é que eles não são para qualquer bolso; a boa é que 256 GB são suficientes para a maioria dos usuários. Vale frisar que comprar um celular Android de 64 GB e dobrar esse espaço com um cartão microSD se tornou uma alternativa interessante com o lançamento da versão Marshmallow (6.0), que já permitia instalar e rodar aplicativos diretamente do cartão (embora nem todos os fabricantes ativassem esse recurso). No entanto, devido às limitações impostas pelas versões mais recentes do Android e à dificuldade em proteger aparelhos com slot extra contra água e poeira, os fabricantes vêm reduzindo significativamente a oferta de modelos que suportem cartões.


ObservaçãoModelos com 24 GB de RAM têm preços estratosféricos, donde a maioria das versões premium oferecer de 12 GB a 16 GB. No entanto, com a corrida de hardware avançado por IA, as exigências devem aumentar. A plataforma Snapdragon 8 Elite 2 deve entregar 100 TOPS (100 trilhões de operações por segundo) de desempenho de inteligência artificial, e o Dimensity 9500 promete oferecer performance semelhante.  Consequentemente, Devido a isso, as cinco principais marcas de celulares se preparam para reintroduzir modelos premium com 24 GB de memória RAM e 1 TB de armazenamento interno. Como o preço é proporcional à configuração... enfim, prepare o bolso. 

 

Quanto ao crapware, a maioria dos inutilitários pré-instalados pelos fabricantes não pode ser removida sem root, mas as Configurações do desenvolvedor (toque em Configurações > Sobre o telefone > Informações de software e sete vezes seguidas em Número de compilação) permitem explorar o Android mais a fundo. Exibido o pop-up de confirmação, localize a entrada Serviços em execução (ou Processos, conforme a versão do sistema), selecione o app que você quer encerrar, toque em Parar e confirme em OK. Feito isso, o programinha será encerrado e todos os serviços associados a ele, interrompidos.

 

Para desinstalar apps com privilégios de administrador, acesse Configurações > Segurança > App do administrador do dispositivo, localize o aplicativo em questão, selecione Desativar o app do administrador de dispositivo e desinstale o dito-cujo da maneira convencional. Para remover apps pré-instalados de fábrica sem rootear o aparelho, siga as instruções deste artigo; para desinstalar um ou vários aplicativos pela Google Play Store, toque no ícone da loja e no seu avatar, selecione Gerenciar aplicativos e dispositivos, toque sobre a memória apresentada do seu dispositivo, marque o(s) aplicativo(s) que você quer excluir, toque no ícone da lixeira e confirme a ação em Desinstalar.

 

Uma maneira mais rápida e muito menos trabalhosa é ativar o Arquivamento Automático, que identifica apps que não são usados com frequência, mas permanecem rodando em segundo plano, e os coloca em "hibernação", liberando recursos do sistema para as tarefas que realmente importam. Para ativar a ferramenta, acesse o Google Play, toque no ícone do seu avatar (ou foto), abra as Configurações, toque em Geral, localize a função Arquivar apps automaticamente e arraste o botãozinho para a direita.

 

É possível liberar um bocado de espaço limpando o cache do celular Android. Para isso, acesse as Configurações, toque em Apps e notificações > Informações do app e, na lista de aplicativos, toque em Armazenamento e cache e em Limpar cache. Para limpar o cache do Chrome, abra o navegador, toque no ícone dos três pontinhos > Histórico > Excluir dados de navegação > Imagens e arquivos em cache > Excluir dados.

O iPhone não possui uma função específica para limpar o cache dos aplicativos porque prioriza a gestão automática de recursos, incluindo o armazenamento temporário. Mas você pode "zerar" os apps desinstalando-os e reinstalando-os em seguida.