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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

AVISO AOS NAVEGANTES

COMPUTADOR SEGURO É COMPUTADOR DESLIGADO.

Existem registros (teóricos) de programas capazes de se autorreplicar desde meados do século passado, mas o termo "vírus" só passou a ser usado para designá-los na década de 1980, quando um pesquisador chamado Fred Cohen embasou sua tese de doutorado nas semelhanças entre os vírus biológicos e os eletrônicos.


No alvorecer da computação pessoal, os vírus exibiam mensagens e sons engraçados ou obscenos, mas logo se tornaram nocivos — a propósito, vale lembrar que um vírus, em si, não é necessariamente destrutivo, e um programa destrutivo, em si, não é necessariamente um vírus. Mais adiante, a popularização da Internet entre usuários domésticos levou os cibercriminosos a elegerem o correio eletrônico (notadamente os anexos de email) como meio de transporte para seus códigos maliciosos, e com o passar do tempo os malwares (vírus, trojans, keyloggers, spywares e afins) passaram de algumas dezenas a muitos milhões.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Lula jogou Alckmin na frigideira num dia — "tem um papel a cumprir em São Paulo"— e diminuiu o fogo da fritura dois dias depois —"sempre digo que na minha vida as coisas só acontecem porque Deus quer, e Alckmin é uma dessas coisas." Alheia ao vaivém retórico, a banda lulista do MDB conversa sobre a ocupação da vice de Lula como se Alckmin já fosse versa.

Em entrevista ao Globo, o ministro dos Transportes Renan Filho soltou sua língua da coleira. Disse que Lula "está verificando qual é a melhor aliança que amplia a possibilidade de reeleição” e se referiu à vaga de Alckmin como uma oportunidade em aberto: "haverá um novo debate sobre isso." 

O filho de Renan avalia que a pulverização da direita e a saída de Tarcísio de Freitas da corrida presidencial levam água para esse moinho. Sem rodeios, declarou que o eventual acerto de Lula com o MDB inclui "a composição da chapa" presidencial. 

Tanta desenvoltura deixou irritados os aliados de Alckmin. Um dirigente do PSB, partido do vice, ironizou a articulação de Lula com o MDB: puxada de tapete não é coisa de Deus, sobretudo quando atinge uma pessoa leal como o Alckmin; a última vez que Lula enfiou o MDB numa chapa presidencial deu em Michel Temer e no impeachment da Dilma."


Atualmente, qualquer dispositivo inteligente — de PCs a carros autônomos — está na mira do cibervigaristas, mas os smartphones são mais visados porque carregam fotos, senhas, localização, documentos digitais, acesso a bancos e redes sociais etc. Boas suítes de segurança reúnem antimalware, firewall, antispyware, gerenciador de senhas, controle parental e VPN, utilizam heurística, machine learning e inteligência artificial para identificar ameaças desconhecidas — inclusive em dispositivos móveis, IoT, servidores em nuvem e ambientes corporativos híbridos.


Esses pacotes costumam oferecer mais recursos nas versões comerciais (shareware) do que nas gratuitas (freeware), mas, eles são como coletes à prova de balas: protegem contra muitos tiros, mas não contra todos, e não impedem a vítima de abrir a porta para o atirador. Ou seja, nenhum deles é 100% idiot proof, mesmo porque, quando se trata de segurança, os usuários são o elo mais frágil da corrente. Mal comparando, esses softwares 


No âmbito dos desktops e notebooks, o Windows abocanha 70% de seu segmento de mercado (contra os 15,5% do macOS), o que o torna o alvo preferido dos cibercriminosos. E o mesmo raciocínio se aplica ao Android, que é mais visado do que o iOS devido ao código aberto e presença em cerca de 80% dos smartphones ativos. 


Conforme eu mencionei em diversas oportunidades, os aplicativos são os maiores responsáveis pela infecção dos sistemas móveis. Instalar os programinhas somente de fontes confiáveis (a Google Play Store e as lojas dos fabricantes de smartphones no caso do Android, e da App Store no caso do iOS) reduz os riscos, mas não garante 100% de segurança. Diversos aplicativos infectados já burlaram a vigilância do Google e da Apple, e o phishing continua fazendo vítimas, seja por email, por SMS ou por telefone. 


Em um mundo hiperconectado, nenhum software de segurança substitui o bom senso. Informar-se, desconfiar e proteger-se continuam sendo as melhores medidas protetivas de que dispomos. Adotá-las não significa ficar protegido por uma muralha intransponível, mas ignorá-las é procurar sarna para se coçar.


O Google tem emitido alertas frequentes para que usuários desinstalem imediatamente aplicativos que rastreiam dados silenciosamente e infectam dispositivos com malware, como cavalos de Troia bancários e adwares. Em fevereiro de 2026, novas ameaças que se disfarçam de plataformas populares como WhatsApp, Discord e YouTube foram identificadas tentando espionar usuários de Android


Aplicativos de jogos e entretenimento como Theft Auto Mafia, Cute Pet House, Creation Magic World, Amazing Unicorn Party, Open World Gangsters e Sakura Dream Academy devem ser excluídos imediatamente. O malware DroidLock, descoberto recentemente, pode bloquear a tela para exigir resgate (ransomware), gravar áudio e até apagar dados do dispositivo. Frequentemente encontrados em utilitários e ferramentas de personalização, o Trojan Anatsa e o Joker roubam credenciais bancárias e inscrevem usuários em serviços pagos à sua revelia. 


Aplicativos como NS Chat e Equifa VPN foram detectados na Play Store usando permissões excessivas para acessar localização e contatos enquanto executavam atividades maliciosas em segundo plano. No Brasil, uma ação recente derrubou mais de 20 serviços de streaming ilegal, como My Family Cinema, TV Express e Eppi Cinema, devido a riscos de segurança e pirataria. 


Por essas e outras, fique atento aos seguintes sinais de que um aplicativo pode estar comprometendo seu aparelho: aumento repentino no uso de dados móveis ou bateria que descarrega muito mais rápido do que o normal; lentidão ou travamento do dispositivo sem motivo aparente; propagandas que aparecem fora de aplicativos ou que simulam ícones do sistema para se esconder; e aplicativos com nomes genéricos como Speed Boost, System Clean ou 4G Update, que costumam servir de fachada para malwares. 


Utilize regularmente o Google Play Protect (acessível pelas configurações da Play Store) para escanear apps nocivos instalados e remova os que lhe parecerem suspeitos. Se um app não permitir a desinstalação, verifique em Configurações > Segurança > Administração do dispositivo e cancele a permissão de acesso administrativo antes de tentar novamente.

Boa sorte.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VPNs

MAIS VALE UMA PALAVRINHA ANTES QUE DOIS PALAVRÕES DEPOIS.

A navegação anônima (ou privada) está longe de ser um "manto de invisibilidade" como o de Harry Potter, mas evita que o histórico e as informações inseridas em formulários sejam salvos e apaga os cookies ao final da sessão. Ela é útil para burlar a limitação de artigos com acesso gratuito em determinados sites, fazer pesquisas sem receber toneladas de anúncios de produtos semelhantes e evitar que o(a) parceiro(a) descubra que você visitou sites “pouco recomendáveis”, mas não chega aos pés do Tor Browser e das VPNs, que utilizam canais de dados criptografados e mantêm o IP oculto dos sites visitados.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Depois de cortar o cabelo, um padre perguntou quanto devia e o barbeiro respondeu que não cobraria nada, que era “um serviço para o Senhor". Na manhã seguinte, havia 12 livros de oração e uma nota de agradecimento do religioso defronte à barbearia.. Dias depois, um policial federal cortou a barba, perguntou quanto devia e o barbeiro tornou a dizer que não era nada, que considerava o corte um serviço para a comunidade". Na manhã seguinte, havia uma dúzia de rosquinhas e uma nota de agradecimento assinada pelo policial. Passados mais alguns dias, um deputado cortou o cabelo, perguntou quanto devia e ouviu do barbeiro que se tratava de um serviço para o país e que nada cobraria do parlamentar. Na manhã seguinte, três dúzias de senadores faziam fila diante da. barbearia…

As extensões de VPN atuam de forma semelhante aos aplicativos de VPN, mas seus efeitos se limitam ao navegador em que foram instaladas. Isso significa que uma extensão desenvolvida para o Chrome não protege os dados de navegação no Edge ou no Firefox, por exemplo. Já os apps completos de VPN protegem os dados tanto no navegador quanto em outros aplicativos — e até no próprio sistema operacional.

Existem diversas opções de VPN gratuitas, mas não existe almoço grátis. Ou seja, se você não está pagando por um produto, é porque você é o produto. 

Essa máxima se aplica à maioria dos serviços de Internet, mas especialmente às VPNs, pois manter uma rede de servidores espalhada pelo mundo e lidar com o tráfego criptografado de milhões de usuários custa caro.

Em maio de 2024, o FBI desmantelou uma botnet conhecida como 911 S5, que abrangia 19 milhões de endereços IP exclusivos em mais de 190 países. Seus criadores usaram vários serviços de VPN gratuitos como isca. Os usuários que instalaram esses aplicativos tiveram seus dispositivos transformados em servidores proxy, usados para atividades ilícitas pelos verdadeiros clientes da botnet — tornando-se cúmplices involuntários de ataques cibernéticos, lavagem de dinheiro, fraudes em massa e por aí afora. 

Estima-se que os criadores da botnet tenham lucrado quase US$ 100 milhões no período em que a rede esteve em operação, enquanto os prejuízos das vítimas confirmadas somaram bilhões de dólares.

Após a publicação do relatório, os aplicativos de VPN infectados foram removidos do Google Play, mas continuaram (e continuam) circulando sob diferentes nomes na popular loja alternativa APKPure. Caso você não queira ou não possa contratar um serviço pago, ao menos verifique as avaliações feitas por usuários do produto que você tem em vista. 

A Kaspersky VPN Secure Connectiondisponível como uma compra independente ou como parte de nossas assinaturas Kaspersky Plus e Kaspersky Premium, promete alta velocidade de conexão e proteção adicional contra phishing e outras ameaças, além de oferecer um período de avaliação gratuita de 30 dias para você testar o produto antes de você formalizar a compra. 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

DE VOLTA À GUERRA DOS NAVEGADORES

NAVEGAR É PRECISO, MAS CONVENCER O INTERNAUTA A MUDAR DE NAVEGADOR É UMA BATALHA TRAVADA NÃO NO CÓDIGO, MAS NA PERCEPÇÃO. 

Em meio à Guerra Fria, o Departamento de Defesa dos EUA criou a Advanced Research Projects Agency Network, cujo objetivo era criar um sistema de comunicação descentralizado e resistente a ataques. 


Inicialmente, o acesso à ARPANET ficou restrito ao uso militar e acadêmico, mas logo se estendeu a instituições governamentais, grandes corporações e, mais adiante, ao público em geral, sobretudo por meio de provedores como AOL, CompuServe e Prodigy.


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Ano eleitoral é sempre cheio de prognósticos quase sempre desmentidas pelos fatos, carrascos da reputação de adivinhos. Quem, em janeiro de 1989, cravaria que em dezembro a batalha final seria travada entre dois novatos no meio de duas dezenas de candidatos experientes tanto nas lides da ditadura quanto na trincheira de oposição ao regime? Mas Collor bateu Lula, deixando no ora veja gente como Ulysses Guimarães, Mário Covas, Paulo Maluf, Leonel Brizola e mais 16 outros concorrentes.

Cinco anos e um impeachment depois, seria eleito o ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, que começou a campanha com ínfimos índices de intenção de votos nas pesquisas, mas derrotou Lula no primeiro turno e repetiu o feito em 1998.

O tucano de plumas vistosas não conseguiu emplacar o sucessor no ano de 2002, que se iniciou com apostas em Roseana Sarney, cuja candidatura derreteu junto com a exibição de fotos de dinheiro apreendido no escritório do marido. No rebuliço político do mensalão, a reeleição parecia impossível, mas Lula não apenas conseguiu, como elegeu e reelegeu Dilma, que acabou impedida em 2016.

No início de 2018, o inexpressivo deputado do baixo clero Jair Bolsonaro era piada, o centro ainda apostava em Aécio Neves (PSDB) e ninguém sonhava que Lula seria preso para em 2022 voltar ao poder. Como se vê, vaticínios na política são produtos perecíveis.

 

A popularização da Internet entre os usuários domésticos se deveu em grande parte ao surgimento de navegadores amigáveis, como o Navigator, que foi lançado em 1994 pela Netscape Communications Corporation. Em 1995, a Microsoft criou o Internet Explorer, disponibilizou-o como parte de pacotes adicionais do Windows 95 e, mais adiante, integrou-o ao Windows 98. Graças a essa estratégia, o IE desbancou o rival e a manteve a liderança até maio de 2012, quando foi finalmente superado pelo Google Chrome.


Em julho de 2015, após esgotar todas as tentativas de revitalizar o IE, a empresa criou o Edge e o integrou-o ao Windows 10, que disponibilizou gratuitamente para usuários de máquinas compatíveis que rodavam versões 7 SP1 e 8.1 do sistema. Dessa vez, porém, a estratégia não funcionou. Muitos usuários ficaram incomodados com insistência da empresa em “empurrar” o software — “Dê uma chance ao Microsoft Edge”, lia-se em uma caixa de diálogo exibida de forma insistente — e com a dificuldade de configurar o Chrome como navegador padrão na nova versão do sistema. 

 

Apesar de ser inovador sob diversos aspectos, o Edge rodava somente no Windows 10 — ou seja, não era compatível nem mesmo com as versões anteriores do sistema. A baixa adesão desmotivou os desenvolvedores parceiros a criar extensões (plugins) para ele, desestimulando ainda mais sua popularização. A Microsoft adicionou suporte às versões anteriores do Windows e outras plataformas, inclusive móveis, e tentou criar um ecossistema saudável de extensões para o Edge, mas não funcionou, e a solução foi criar uma nova versão “do zero” baseada no Projeto Chromium (que serve de base para o Opera, o Vivaldi e o próprio Chrome, entre outros). 

 

O Edge Chromium, lançado em 2020, é compatível com outras plataformas — como Android e iOS —, possui sua própria loja de complementos e aceita extensões da Chrome Web Store. Ainda assim, aparece em terceiro lugar no ranking de navegadores do StatCounter Global Stats, com apenas 4,5% de participação, atrás do Google Chrome (65%) e do Apple Safari (18%), que, vale lembrar, só roda no macOS e no iOS. O Mozilla Firefox ocupa a quarta posição, com 3%, seguido pelo Opera, com 2%, apesar de ser o único dos cinco navegadores que oferece VPN integrada gratuita.

 

A Microsoft vem tentando reduzir a migração de usuários do Edge para o rival. Em ocasiões anteriores, foram testadas pesquisas exibidas durante o download do Chrome e até mudanças no Edge que dificultavam encontrar o link de instalação do concorrente. Agora a abordagem é usar mensagens publicitárias diretamente nos resultados de busca.


Quem abrir o Edge e buscar pelo Chrome no Bing verá um aviso promocional com a frase “All you need is right here” (tudo que você precisa está aqui) destacando as qualidades do navegador da Microsoft, bem como uma tabela comparando os dois navegadores. Entre outros argumentos, a empresa afirma que “o Edge roda na mesma tecnologia que o Chrome, com a confiança adicional da Microsoft”, e oferece atalhos rápidos para serviços populares como YouTube, WhatsApp e Instagram.

 

O Edge recebeu diversas melhorias nos últimos anos. Ficou mais rápido, ganhou ferramentas integradas de IA e continuará recebendo suporte após o fim do ciclo de vida do Windows 10. Ainda assim, muitos usuários continuam preferindo o Chrome, e a intenção da Microsoft é convencê-los a usar o navegador nativo destacando semelhanças técnicas e reforçando a ideia de segurança por estar dentro do ecossistema da empresa. No entanto, práticas como essa podem produzir efeito oposto ao desejado se as pessoas enxergarem a ação não como sugestão, e sim como forma de pressão.

 

No fim das contas, a disputa entre navegadores não se resume a desempenho ou recursos, mas à confiança do usuário — e essa, como a história mostra, não se conquista com insistência, mas com consistência.

sábado, 4 de outubro de 2025

DE VOLTA À (IN)SEGURANÇA DIGITAL

COMPUTADOR SEGURO É COMPUTADOR DESLIGADO.

Existem registros (teóricos) de programas capazes de se autorreplicar desde meados do século passado, mas o termo "vírus" só passou a ser usado para designá-los nos anos 1980, quando um pesquisador chamado Fred Cohen embasou sua tese de doutorado nas semelhanças entre os vírus biológicos e os eletrônicos (mais detalhes na sequência Antivírus - A História).

 

No alvorecer da computação pessoal, os "vírus" exibiam mensagens e sons engraçados ou obscenos, mas logo se tornaram "nocivos" — lembrando que um vírus, em si, não é necessariamente destrutivo, e um programa destrutivo, em si, não é necessariamente um vírus.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Podendo contribuir para endireitar a direita, Tarcísio de Freitas prefere se firmar como um outro Bolsonaro. Outros políticos ralam para realizar o sonho de poder, mas o governador de São Paulo sua a camisa para realizar os seus pesadelos. Após nova visita ao criador, a criatura repetiu que não disputará o Planalto em 2026 — mera cantiga para dormitar bovinos, já que sua estratégia é engolir todos os sapos até que o ex-presidente golpista e futuro hóspede da Papuda o aponte como herdeiro político. E isso inclui tratar o chefe da organização criminosa do golpe como coitadinho, defender a anistia, esbofetear o STF, oferecer a outra face a Eduardo, orar com Michelle e sorrir sempre que Flávio disser "estaremos juntos".

Gratidão política é uma coisa, cumplicidade é outra coisa. Tarcísio confunde pacificação com amnésia. Não apaga apenas os crimes contra a democracia, passa a borracha também nos cadáveres da pandemia, na boiada ambiental, no racismo, no machismo e num interminável etecétera. 

Tarcísio ainda deseja a Presidência, mas se tornou um caso raro de “descandidato” que fez opção preferencial pela autodesqualificação. A questão não é se ele será candidato, mas se merece ser.  


Quando a ArpaNet dos tempos da Guerra Fria virou Internet e o acesso foi estendido ao público em geral, os cibercriminosos deixaram de infectar disquetes de joguinhos — cujo número de vítimas eles podiam contar nos dedos — e elegeram o email como meio de transporte para seus códigos maliciosos — até porque todo internauta tem pelo menos um endereço eletrônico.

Paralelamente, os "malwares" (softwares maliciosos em geral, como vírus, worms, trojans, spywares etc.) passaram de algumas dezenas a muitos milhões (não se sabe ao certo quantos existem, já que novas versões surgem todos os dias e cada empresa de segurança digital usa metodologias próprias para classificá-las).

Os vírus atuais não causam tanto alvoroço como o Brain e o Chernobyl casaram em sua época, mas não sumiram. Na verdade, eles evoluíram, diversificaram seus alvos e se tornaram mais discretos, já que o objetivo dos cibercriminosos passou a ser roubar dados, sequestrar sistemas e enganar as vítimas induzindo-as a clicar em links suspeitos, instalar apps duvidosos no computador ou no celular, enfim... 

Qualquer dispositivo inteligente está na mira dos crackers. Os smartphones são mais visados porque carregam fotos, senhas, localização, documentos digitais, acesso a bancos e redes sociais etc. Assim, os invasores descobrem facilmente com quem as vítimas falaram, onde estiveram e o que compraram, além de usarem o número do celular invadido para aplicar fraudes via WhatsApp ou SMS.

O primeiro antivírus foi criado por John McAfee para combater o Brain — vírus paquistanês que infectava IBM PCs e compatíveis. Com a popularização da Internet e a diversificação das pragas, essas ferramentas, antes reativas, passaram a oferecer proteção em tempo real, visando evitar a infecção em vez de tratá-la a posteriori.

Apesar de ter criado o primeiro antivírus, McAfee achava essas ferramentas inúteis porque as soluções desenvolvidas para burlar sua proteção eram mais criativas e avançadas — e trocava de celular a cada duas semanas. 

ObservaçãoQuando era programador da NASA, McAfee passava as manhãs bebendo whisky, consumindo grandes quantidades de cocaína e vendendo o excedente para os colegas. Foi expulso da Northeast Louisiana State University por transar com uma de suas alunas. Depois de vender a McAfee Associates para a Intel (em 2011, por US$ 7,7 bilhões), ele criou uma empresa de cigarros, uma companhia de distribuição de café e um serviço de táxi marítimo. Foi preso por traficar drogas em Belize e, suspeito de ter assassinado um vizinho, fugiu para a Guatemala, de onde foi extraditado para os EUA, e morreu em 2021.

Boas suítes de segurança reúnem antimalware, firewall, antispyware, gerenciador de senhas, controle parental e VPN, utilizam heurística, machine learning e inteligência artificial para identificar ameaças desconhecidas — inclusive em dispositivos móveis, IoT, servidores em nuvem e ambientes corporativos híbridos — e oferecem mais recursos nas versões shareware (comerciais) do que nas gratuitas, mas nenhuma delas é 100% idiot proof — até porque a engenharia social faz do usuário o elo mais frágil da corrente. 

Mesmo com IA e proteção em tempo real, nenhum pacote de segurança consegue impedir que alguém clique em um link fraudulento ou forneça dados sensíveis a um golpista convincente. Por outro lado, o fato de a proteção ser insuficiente não a torna dispensável (ruim com ela, pior sem ela). Mal comparando, essas ferramentas são como coletes à prova de balas: protegem contra muitos tiros, mas não contra todos, e não impedem a vítima de abrir a porta para o atirador.

O Windows é o alvo preferido dos cibercriminosos porque abocanha 70% de seu segmento de mercado (contra os 15,5% do macOS), daí a oferta de ferramentas de proteção ser maior para ele do que para os concorrentes. E o mesmo raciocínio se aplica ao Android, mais visado que o iOS devido a seu código aberto e por estar presente em 80% dos smartphones ativos.

Se você acha que celular não precisa de proteção porque os sistemas móveis vem reforçando suas barreiras, convém rever seus conceitos. Diversos aplicativos infectados já burlaram a vigilância da Google Play Store e da Apple Store, e o phishing continua fazendo vítimas — seja por email, por SMS ou por telefone. Os golpes mudam de nome, mas objetivo é sempre o mesmo: convencer os incautos a entregarem informações, dinheiro ou acesso através mensagens falsas de bancos, alertas de "entrega pendente", promoções imperdíveis ou pedidos de ajuda de "amigos" pelo WhatsApp. Tudo com aparência legítima e escrita convincente. 

Em um mundo hiperconectado, nenhum software de segurança substitui o bom senso. Informar-se, desconfiar e proteger-se continuam sendo as melhores medidas protetivas de que dispomos. Adotá-las não significa ficar 100% seguro, mas ignorá-las é procurar sarna para se coçar... e encontrar.

Continua...

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

PORNOGRAFIA X SEGURANÇA — FINAL

METADE DE MIM É TÃO INSUPORTÁVEL QUE A OUTRA METADE NÃO AGUENTOU E FOI EMBORA.

Segurança absoluta é história da Carochinha, seja no mundo físico, seja no virtual. Na Internet, as ameaças vão desde violações de dados e marqueteiros invasivos a malwares, bisbilhoteiros e cibercriminosos que monitoram nossas atividades para os mais variados fins. 

A boa notícia, por assim dizer, é que algumas medidas simples reduzem consideravelmente os riscos. 

1) Reveja as configurações de privacidade nas redes sociais. Mantidas no modo padrão, elas expõem seus dados para Deus e o mundo (veja como alterá-las no Facebook, X, LinkedIn e Snapchat).

 

2) Google Docs, OneDrive, Dropbox e demais serviços de armazenamento em nuvem são inadequados para guardar listas de senhas, documentos e outros dados sensíveis — a menos que os arquivos sejam previamente criptografados. 


3) Histórico, cookies, cache e outras informações coletadas pelos navegadores ficam visíveis para os rastreadores online e são usadas por empresas de marketing para refinar a exibição de anúncios. O Google não só coleta dados via Search, Chrome, Gmail, YouTube e localização, como permite que empresas parceiras rastreiem os usuários.  


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ciro Nogueira, copresidente da federação partidária União Brasil-PP e Tecelão do Centrão, disse quase tudo numa postagem de rede social: "Por mais que tenhamos divergências, não podemos ser cabo eleitoral de Lula (...) já está passando de todos os limites a falta de bom senso na direita (... ) ou nos unificamos ou vamos jogar fora uma eleição ganha outra vez."

O senador disse quase tudo porque anotou coisas definitivas sem definir muito bem as coisas nem dar nome aos bois, embora seu desabafo seja inspirado “em dois bovinos”: as ações de Bobi Filho nos EUA e a inação de Bibo Pai, que resiste à pressão para transferir o que restou de seu espólio político para o quindim do Centrão.

Ouvindo-se Ciro nas entrelinhas, o que ele quis dizer foi o seguinte: Desde o tarifaço de Trump — articulado por Dudu — os erros da direita empurraram Lula para sua zona de conforto. Não bastasse o empenho do filho do pai contra empresas, trabalhadores e autoridades do Brasil, ele continua pegando em lanças pela anistia "ampla, geral e irrestrita" e, pior, se apresenta como contraponto ao sonho de Tarcísio de chegar ao Planalto. 

Levando o cinismo às fronteiras do paroxismo, Bobi Filho dá de ombros para o fato de que está com o mandato a prêmio na Câmara — se não for cassado pela indecorosa condição de traidor da pátria, terá o mandato passado na lâmina por excesso de faltas — e ignora a evidência de que a denúncia da PGR pelo crime de coação converteu-o numa inelegibilidade esperando na fila do Supremo para acontecer.

Tarcísio, que soava nos bastidores inconformado com os ataques que recebe de Eduardo e conformado com a relutância de Bibo Pai em lhe transferir o legado de votos da ultradireita, passou a repetir sob os refletores que está propenso a disputar em 2026 não o Planalto, mas a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.

Cultivando a pretensão de se tornar candidato a vice-presidente da República numa chapa encabeçada por Tarcísio — daí o ímpeto repentino que levou Ciro Nogueira, que fingia que o óbvio não era o óbvio, a enxergar a obviedade de que os erros da direita livraram Lula do incômodo de lidar com os tropeços do seu governo. 

Atento à mudança dos ventos, Gilberto Kassab, o dono do PSD, leva à vitrine da sucessão os planos C e D da direita, reitera a intenção de apoiar Tarcísio se ele optar por trocar a provável reeleição em São Paulo pela incerteza das urnas federais, mas realça que as alternativas presidenciais de seu partido são os governadores  Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul.

Observador privilegiado da cena política, Hugo Motta, o presidente da Câmara pupilo de Ciro Nogueira, profetizou na última sexta-feira: "Nós temos pela primeira vez o presidente da República três vezes eleito desde a redemocratização do país, já caminhando para a sua quarta eleição, já em processo de reeleição."

Que Deus se apiede do Brasil, já que um povo que vota nesse tipo de gente não merece misericórdia.


4) A navegação privada é útil para burlar limitações de acesso gratuito em determinados sites e fazer pesquisas sem ser soterrado por anúncios, por exemplo, mas não oculta o endereço IP nem impede que o provedor/administrador da rede saiba que a pessoa “navegou por águas pouco recomendáveis” ou buscou informações sobre um novo emprego, também por exemplo. 


5) Usar o Tor Browser combinado com um serviço de VPN no Windows, macOS, Linux e Android e Onion Browser no iOS pode ser uma boa ideia para navegar na Deep/Dark Web, já que a lentidão do "roteamento onion” lembra a jurássica internet discada. Então, se você precisa de privacidade mas não abre mão de velocidade, substitua o Chrome pelo Mozilla Firefox no PC e pelo Firefox Focus no celular (Android ou iOS) e instale um combo de segurança responsável — como o Kaspersky Internet Security.  


6) Usar senhas fracas é como trancar a porta e deixar a chave na fechadura. Para não ter de memorizar dúzias de combinações com 12 ou mais letras, números e caracteres especiais, instale um gerenciador de senhas — e decore apenas a senha-mestra.

 

7) Programas mensageiros utilizam protocolos de criptografia, mas a maioria desembaralha as mensagens que chegam ao provedor e as armazena em texto puro. No WhatsApp, no Signal e no Wire, a criptografia de ponta a ponta que somente os interlocutores tenham acesso ao conteúdo das mensagens. Esse recurso também está presente no Telegram, mas limitada aos "Chats Secretos".


8) Não revele às pessoas mais do que elas precisam saber. Noivados são rompidos, amizades desfeitas, casamentos acabam em divórcio (nem sempre de forma amigável). Se for inevitável compartilhar seu e-mail e telefone com webservices, lojas online e redes sociais, criar um endereço eletrônico descartável e usar um número de telefone separado evita toneladas de spam e ligações automáticas.

 

9) Serviços de delivery precisam saber a localização exata do telefone para entregar o pedido ao cliente, mas muitos apps solicitam essa e outras permissões para fins de marketing ou coisa pior. E mesmo se dá com extensões de navegadores. Para revisar as permissões, clique aqui se seu celular for Android e aqui se for iPhone

 

10) Utilize senha ou autenticação biométrica para bloquear seu celular e configure as notificações para que não sejam exibidas na tela quando o aparelho estiver bloqueado  (veja como fazer isso no Android e no iOS). Jamais forneça credenciais de login, senhas, dados de cartões de crédito e que tais usando uma rede Wi-Fi pública, pois qualquer pessoa mal-intencionada na mesma rede pode tentar bisbilhotar seu aparelho. 

 

Boa sorte — você vai precisar.