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terça-feira, 17 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 85ª PARTE

O PRESENTE É APENAS UMA ILUSÃO.

Segundo a teoria da relatividade de Einstein, se pensarmos no espaço-tempo como uma estrutura única que se expande continuamente, então o Big Bang foi o início de tudo e o indicativo de como será o fim. Mas onde há um físico teórico existe uma possibilidade elegante que os físicos experimentais podem ou não comprovar, e alguns negam a existência do tempo escorando-se na incompatibilidade da relatividade com a mecânica quântica.

Ao contrário das outras três forças da natureza descritas pelo Modelo Padrão (forte, fraca e eletromagnética), a gravidade parece viver em um reino próprio. E se todo o universo pode ser explicado por meio das partículas fundamentais (bósons, quarks e fótons, por exemplo), por que a gravidade é uma exceção?

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Os investigadores do início do século 20 gastavam sola de sapato para entrevistar testemunhas e dispunham de poucas ferramentas científicas para auxiliá-los. Mais adiante, surgiram pequenas revoluções na forma de análise de DNA e outras técnicas forenses sofisticadas, mas nada supera o advento dos smartphones — que estão para as investigações como a confissão e as redes sociais para a Igreja Católica. 

Um caso emblemático é o da invasão à praça dos Três Poderes no fatídico 8 de Janeiro, é outro é o celular do Vorcaro, que já derrubou o Maquiavel de Marília da relatoria do caso Master, enlameou a imagem de Xandão e promete fazer mais estragos. Mas é preciso distinguir a ordem jurídica — que, em tese, lida com fatos objetivos e exige que a culpa dos suspeitos seja demonstrada para que eles sofram condenação — da ordem política — na qual os juízos são instantâneos. Nesta, pelo menos dois togados já foram tragados pelo caso Master, causando um prejuízo irreparável para a reputação do STF.

Nada clarifica mais a mente do que a ausência de alternativas. O pedaço da República que se vendeu ao Master já não se pergunta se, mas quando o preso vai virar delator e apontar para o alto, entregando os contatos que conseguiu seduzir num pedaço da engrenagem que André Mendonça chamou de "altos escalões da República". A recompensa não pode incluir nada que se pareça com um perdão: afora os trovões já extraídos das nuvens de um celular de Vorcaro, oito aparelhos continuam na fila da perícia..

Num cenário dos sonhos, todos os pesadelos da República do Master tornariam os contatos do preso em frequentadores de uma colônia de nudismo. Nessa hipótese, sua eventual delação e a consequente premiação seriam desnecessárias. Mas o Brasil está na bica de assistir a um espetáculo de nudismo que ninguém pediu, que ninguém quer ver, e que já não espanta mais ninguém.

Em junho do ano passado, 58% dos entrevistados pelo Datafolha disseram ter vergonha dos ministros do Supremo. Decorridos nove meses, Bolsonaro e os oficiais daquilo que ele chamava de "minhas Forças Armadas" foram parar na cadeia, mas uma nova pesquisa trouxe duas notícias sobre o Supremo.

A má notícia é que não há notícia boa, e a ruim é que a maioria dos entrevistados considera o Supremo a instituição mais enroscada no escândalo Master — é mais do que o índice de comprometimento atribuído ao governo federal (21%) e ao Congresso (17,9%). Para piorar, 44% dos entrevistados disseram estar propensos a enviar para o Senado candidatos comprometidos com o impeachment de magistrados. Quer dizer: a deposição de togas vai deixando de ser tabu à medida que o desgaste pessoal de Moraes e Toffoli corrói a imagem do STF. 

A situação da corte se ajusta à célebre metáfora de Hegel, sobre a Coruja de Minerva, que só voa quando o crepúsculo chega. Em outras palavras, as pessoas só compreendem o tempo em que vivem quando ele já se esgotou. E em certas situações incertas, quem mata o tempo comete suicídio.


Os cientistas tentam explicar esse fenômeno buscando na mecânica quântica uma partícula fundamental da qual a gravidade surge como a luz surge dos fótons, e um dos candidatos mais prováveis é o gráviton — que, se realmente existir, seria o responsável pela mediação da força gravitacional. 


Outras possibilidades são a Teoria das Cordas — segundo a qual a gravidade é resultante do espaço-tempo feito de pixels, como uma tela formada por um sem-número de minúsculos pontos — e a Gravidade Quântica em Loop (LQG) — segundo a qual o espaço-tempo seria composto por uma série de loops entrelaçados, cada um com cerca de um trilionésimo de trilionésimo de trilionésimo de metro.


A relatividade geral já foi comprovada incontáveis vezes — inclusive por uma sonda da NASA que observou a gravidade distorcer o espaço-tempo ao redor do nosso planeta —, ao passo que essas teorias seguem no campo da especulação. No entanto, se uma partícula fundamental da gravidade realmente existir, a maneira como a ciência tenta explicar o espaço-tempo precisará ser revista.


Newton descreveu a gravidade como uma força de atração entre dois corpos, e Einstein, como a deformação que objetos supermassivos causam no espaço-tempo. Se a hipótese dos grávitons ou dos loops gravitacionais for confirmada, a independência da gravidade em relação ao espaço-tempo será um problema, já nosso futuro é baseado no conceito de passagem do tempo expresso pelos relógios e calendários.


Se o tempo não é necessário para explicar a gravidade e, consequentemente, o espaço, então ele não passa de uma invenção humana criada para explicar eventos simples, como o amanhecer e o anoitecer, as fases da Lua e as quatro estações. E da feita que planejamos o futuro com base nas escolhas que fizemos no passado, o que chamamos de arbítrio seria uma aleatoriedade que flui no cosmos como as ondas de um mar, indiferente à passagem das horas, dias, meses, anos, etc.


Mesmo que isso se confirme, ainda restará o princípio da causalidade (não confundir com casualidade) — segundo o qual as causas sempre precedem as consequências. Porém, ao contrário do que sugere a relatividade, a história do cosmos passaria a ser uma questão de causa e efeito, reações em cadeia, partículas decaindo e formando átomos desde o início dos tempos — ou do espaço, o que dá no mesmo.

 

Nesse contexto, o arbítrio ainda seria um conceito real, pois poderíamos reconstruir um sistema com base em causas e consequências — embora não nos relógios e nos calendários, já que as horas e os dias seriam mera convenção. E essa percepção nos levaria à conclusão de que nossa existência está pré-determinada desde o Big Bang


Como disse Stephen Hawking, se tudo o que existe é um efeito em cascata de causas e consequências, então o plasma de quark-glúon dos primeiros instantes do Universo já estava destinado a evoluir para a matéria estruturada, dando origem às estrelas, aos planetas e a formas de vida como a nossa. Mas vale frisar que essa visão pré-determinista não coaduna com a mecânica quântica; alguns cientistas propõem inclusive que em vez de surgir de uma lógica de causa e efeito para se formar, o cosmos moldou as leis da natureza conforme evoluiu.


Embora pareça meramente filosófico, esse embate envolve a física moderna e está vinculado às próximas descobertas em aceleradores de partículas como o Grande Colisor de Hádrons (LHC). 


Enfim, quem viver verá.


Continua…

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

ACABOU MAIS UM CARNAVAL

O SOL QUE DESPONTA TEM QUE ANOITECER.

Tecnicamente, o Carnaval termina hoje, mas, dependendo da cidade onde se está e de com quem se fala, a folia começou bem antes da última sexta-feira e — como algumas ressacas-mãe — vai até daqui a alguns dias.


Coisas do Brasil, onde o ano só começa de fato após o Rei Momo — personagem da mitologia grega que originalmente representava a ironia e o sarcasmo, mas que foi adaptado pelos foliões e transformado num dos principais símbolos do Carnaval — devolver a coroa e o cetro para o presidente de plantão.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nada de autocontenção ou de autocorreção. Para blindar Toffoli, o Supremo fez opção preferencial pela autocombustão. Os ministros rodaram as togas contra a PF e atribuíram a Toffoli (quem mais?) a perfídia do vazamento das conversas mantidas a portas fechadas.

Juiz lendário da Suprema Corte dos Estados Unidos, Louis Brandeis ensinou que a luz do Sol é o melhor detergente. E alguma coisa está muito errada quando ministros supremos se aborrecem mais com a claridade do que com o escuro.

Nunes Marques desqualificou o relatório em que a PF expôs as relações promíscuas entre Toffoli e Vorcaro. Gilmar afirmou que a corporação "quis revidar", pois ficou abespinhada com decisões tomadas por Toffoli como relator do caso Master. Atribuiu-se a Moraes, sem aspas, a avaliação segundo a qual os agentes tiveram um comportamento sujo ao investigar Toffoli. O próprio Toffoli considerou o relatório nulo, e foi seguido por Zanin. Fux e Mendonça levaram a mão ao fogo pelo colega. Em suma, ficou entendido que, para a maioria dos magistrados, a palavra da PF é um "nada", um "lixo", um "revide", "tudo nulo".

Fachin precisa submeter o relatório da PF ao teste da luz do Sol — senão por dever institucional, ao menos por piedade dos brasileiros. Quem financia a bilheteria pagando os salários dos magistrados tem o direito de conhecer o enredo ensaiado nos bastidores do picadeiro.

Antes da chegada do relatório às mãos do presidente da Corte, Toffoli perambulava pelo noticiário seminu. Ao assumir o controle, impôs sigilo absoluto às investigações e imiscuiu-se no trabalho dos procuradores. Depois que a PF entregou o documento, migrou dos fundões do seu gabinete para a vitrine, e ficou com os glúteos à mostra para quem passa defronte da fachada do STF.

A estátua de Themis — aquela senhora de pedra que guarda a entrada do prédio — não vê nem ouve, mas os ministros que frequentam o plenário dentro da Corte não deveriam fechar os olhos e os ouvidos para as emboscadas da sorte.

Os fatos não deixam de existir porque os ministros os ignoram. Constrangido pelas relações esmiuçadas pela PF, Toffoli foi compelido a admitir que é sócio da empresa Maridt e que vendeu uma participação no resort Tayayá para o fundo Arleen, cujo gestor é o pastor Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

Toffoli alegou que as cotas de sua empresa no resort foram transferidas para a pirâmide do Master em 2021, mas não explicou por que a PF encontrou no celular de Vorcaro mensagens de maio de 2024 cobrando de Zettel pagamentos pendentes da transação do Tayayá. Numa delas, Vorcaro revela-se irritado com a demora nos pagamentos ao resort: "Cara, me deu um puta problema. Onde tá a grana?". E Zettel: "No fundo dono do Tayayá. Transfiro as cotas dele". Vorcaro pede esclarecimentos sobre o montante e Zettel expõe as cifras: "Pagamos 20 milhões lá atrás. Agora mais 15 milhões."

Quer dizer: Toffoli tem 35 milhões de razões para fugir e uma investigação criminal esboçada no relatório da PF como incontornável, mas o STF lhe ofereceu blindagem na reunião secreta de quinta-feira. Entre uma pancada e outra na PF, fabricou-se nesse encontro uma saída, "a pedido", da relatoria. A pantomima foi ornamentada com um comunicado oficial muito parecido com um escudo, no qual suas excelências descartaram a suspeição e, numa demonstração de apoio ao colega, enalteceram os "altos interesses institucionais" e a "dignidade do eminente magistrado". Todo brasileiro ficou desobrigado de fazer sentido depois da divulgação desse informe.

Tomado pela coreografia, o STF finge que o óbvio não é óbvio e desconsidera a hipótese de autorizar a PF a investigar Toffoli. Os ministros parecem ignorar que, na época em que as palavras ainda tinham algum significado, a "dignidade" que atribuem a Toffoli era uma expressão comparável à virgindade. Perdeu está perdida. Não dá segunda safra.


Para os católicos, a Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma. O Carnaval ocorre exatamente 47 dias antes da Páscoa, que é uma data móvel — celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia que ocorre depois do equinócio de primavera no Hemisfério Norte —, daí o Carnaval mudar de dia a cada ano, mas situando-se sempre entre 4 de fevereiro e 9 de março. 


A missa das cinzas — tradição que foi seguida religiosamente (sem trocadilho) até meados do século passado — ainda é prestigiada pelas indefectíveis beatas e uns poucos católicos tradicionalistas (ao menos nos grandes centros urbanos). No ritual em questão, as cinzas produzidas pela queima dos ramos de palmeiras ou oliveiras e abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior são misturadas com água benta e usadas pelo padre ou celebrante para “desenhar” uma cruz na fronte dos fiéis, que são convidados a refletir sobre o dever da conversão e a fragilidade da vida humana. 


Interessa dizer que o Carnaval é a época em que as pessoas mais esquecem objetos em táxis e em veículos de transporte por aplicativo. Também nessa época os furtos e roubos de smartphones crescem assustadoramente devido às inevitáveis aglomerações e ao hábito dos sem-noção de fazer ou atender ligações e, principalmente, de tirar selfies com seus aparelhos sem adotar as devidas precauções.


Seguros para smartphones não são exatamente uma novidade, mas algumas empresas vêm oferecendo modalidades mais flexíveis, com cobertura por prazos curtos. Muitas não cobram multas por rescisão antecipada do contrato, não estipularem carência nem franquia para o reembolso e não criam empecilhos na hora de indenizar as vítimas de furtos simples (prejuízo que a maioria das seguradoras não costuma cobrir). Além disso, o reembolso costuma ser feito num prazo bem menor que o limite estabelecido pela SUSEP.


Observação: Da mesma forma que cada pessoa possui um número de CPF, cada celular é identificado individualmente pelo IMEI, que vem impresso na carcaça do aparelho (nos modelos em que a bateria é removível ele costuma ficar sob a dita-cuja) e na embalagem original. Esse número consta obrigatoriamente da nota fiscal de compra e pode ser visualizado no display do próprio aparelho — basta teclar o comando *#06#.


Levantamentos divulgados por secretarias de segurança pública mostram que, apenas durante os dias oficiais da festa, milhares de aparelhos mudam de dono sem cerimônia, sobretudo em blocos de rua, desfiles e grandes concentrações. Assim, se seu aparelho for furtado ou roubado, registre um boletim de ocorrência — o que pode ser feito também pelas delegacias eletrônicas — e bloqueie o aparelho junto à operadora usando o número de IMEI, de modo a impedir sua reutilização com outro chip. 


Vale também recorrer aos serviços de localização e bloqueio remoto — oferecidos pelos próprios sistemas operacionais —, que travam o telefone e apagam seus dados à distância. Igualmente importante é trocar imediatamente as senhas de aplicativos bancários, redes sociais e serviços de pagamento, já que, para muitos, o smartphone funciona como carteira, cofre e identidade digital. Algumas iniciativas oficiais, como plataformas governamentais de bloqueio integrado, também dificultam a revenda e o reaproveitamento desses aparelhos no mercado paralelo.


No fim das contas, a Quarta-feira de Cinzas chega para todos — inclusive para quem acorda sem o celular. Nesse momento, mais do que penitência, o que se exige é informação, rapidez e um pouco menos de confiança na boa-fé alheia. Depois que o confete é varrido e a serpentina vira lixo, o que sobra não é só a ressaca: sobra também a conta.


No Brasil, o Carnaval acaba na Quarta-feira de Cinzas, mas para quem perdeu o celular, a penitência costuma durar bem mais que quarenta dias.



Boa sorte.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

NOMOFOBIA, SPAM, PHISHING E SPOOFING

AS MÍDIAS SOCIAIS DERAM O DIREITO DE FALA À LEGIÃO DE IMBECIS QUE ATÉ ENTÃO SÓ FALAVAM NOS BARES, DEPOIS DE UMA TAÇA DE VINHO, SEM CAUSAR DANOS À COLETIVIDADE. 

A telefonia móvel celular surgiu em meados do século passado, mas só começou a se tornar popular no final da década de 70. No Brasil, a privatização das Teles (em 1998, durante a segunda gestão do presidente Fernando Henrique) acelerou a expansão da tecnologia no país, rompendo com décadas de monopólio estatal e introduzindo a competição entre operadoras que democratizou o uso dos aparelhos. 

Curiosamente, a tecnologia que prometia liberdade de movimento e comunicação acabou criando uma nova forma de dependência. Depois que os telefones móveis evoluíram para “microcomputadores de bolso”, concentrando funções que antes estavam distribuídas em diversos dispositivos e espaços (como banco, câmera, biblioteca, escritório, entretenimento), muitos usuários passaram a sofrer de “nomofobia” — de no-mobile + fobos —, ou seja, a “ansiedade patológica” que acomete as pessoas que se veem privadas de seus dispositivos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Condenado por invadir os sistemas do CNJ e plantar mandados falsos de prisão e de soltura, Walter Delgatti Neto, também conhecido como “o hacker de Araraquara”, passou para o regime semiaberto. Já sua comparsa, Carla Zambelli, continua detida na Itália, para onde fugiu em meados do ano passado.

Depois de dois adiamentos a pedido da defesa, a Corte de Apelação de Roma remarcou para o próximo dia 20 o julgamento do pedido de extradição da fujona. Vale lembrar que, diante do risco de fuga, seus pedidos de liberdade provisória e de prisão domiciliar foram negados.

O Ministério Público italiano deu parecer favorável à extradição, já que os crimes pelos quais Zambelli foi condenada são considerados comuns, e não políticos. Se perder na Corte de Apelação, ela ainda pode recorrer à Corte de Cassação ou mesmo ser beneficiada por uma decisão do governo italiano — hipótese remota, ao menos neste momento, pois nada indica que a primeira-ministra Giorgia Meloni esteja disposta a comprar essa briga para favorecer alguém que o próprio Bolsonaro acusou de ter contribuído para sua derrota em 2022.

Resumo da ópera: quem executou a fraude já vislumbra a porta de saída, enquanto a mentora intelectual aposta em recursos quase infinitos e na confusão institucional para adiar seu encontro com a prisão em regime fechado. Todavia, salvo intervenção política, o desfecho tende a ser menos cinematográfico do que a fuga e mais banal do que os discursos da caterva bolsonarista.

A conferir.

 

Outras consequências da evolução dos celulares foram a “inversão de hierarquia” (os smartphones, que eram complementares aos computadores convencionais, passaram a ser os dispositivos principais, relegando desktops e notebooks a funções específicas); o progressivo “desaparecimento” dos orelhões (símbolos urbanos que hoje são quase relíquias) e dos terminais fixos nas residências; e o desinteresse dos leitores do blog por artigos que focam o ambiente Windows — daí o número crescente de postagens sobre o sistema Android e aparelhos Samsung e Motorola, líderes de vendas no Brasil.

 

Concluído este (não tão) breve preâmbulo, passemos ao que interessa: golpistas, cibervigaristas e assemelhados vêm se valendo do “spoofing” para praticar toda sorte de fraudes, entre as quais se destacam: 


1) o golpe do falso banco, em que a ligação parece vir do número oficial da instituição, e o suposto atendente pede senhas ou dados confidenciais; 


2) os golpes da Receita Federal, dos Correios, da CNH e outros em que criminosos se passam por agentes públicos para exigir pagamentos indevidos; 


3) o falso suporte técnico, no qual alguém se apresenta como funcionário de empresas como Microsoft ou Apple, alegando que há um problema em seu computador e solicitando acesso remoto; 


4) phishing por SMS, no qual mensagens de texto que imitam notificações bancárias ou promoções e trazem links maliciosos que podem instalar malwares no celular.

 

Somente no primeiro semestre de 2024, os brasileiros receberam uma média de 26 chamadas não identificadas por mês, das quais 51% eram “spam” — mensagens em massa com conteúdo publicitário — e 13%, tentativas de fraude. Apesar de sofisticado, o “spoofing” — técnica de engenharia social que busca enganar uma rede ou pessoa fazendo-a acreditar que a fonte de uma informação espúria é confiável — pode ser combatido com a adoção de algumas medidas simples, entre as quais: 

 

1) Desconfie de ligações inesperadas do banco ou de um órgão público pedindo dados (desligue e retorne através dos canais oficiais da instituição); 


2) Jamais compartilhe senhas ou códigos por telefone; 


3) Use serviços de bloqueio de chamadas no telefone fixo (como o do Procon e o Não Me Perturbe); configure o app Telefone do celular para bloquear spam — ou utilize aplicativos como RoboKiller e Nomorobo


4) Jamais siga links recebidos por SMS, WhatsApp ou emails (se for necessário acessar o site, pesquise o endereço oficial e digite-o manualmente na caixa de endereços do navegador); 


5) Evite divulgar seu número de telefone em redes sociais ou cadastros desnecessários; 


6) Desconfie de mensagens que criam pressão temporal (como “sua conta será bloqueada hoje”); 


7) No caso de golpes envolvendo parentes, ligue diretamente para a pessoa antes de qualquer outra coisa.

Segundo o blog da McAfee, os estelionatários utilizam softwares e serviços de Voice over Internet Protocol (VoIP), que permitem configurar o número que aparece no identificador de chamada de modo a levar a vítima a acreditar que está recebendo uma ligação de seu banco, da Receita Federal ou até mesmo de um familiar.


Se suspeitar de que forneceu dados a um criminoso, mude imediatamente suas senhas, ative autenticação em duas etapas em contas sensíveis, avise a instituição falsificada para que possa alertar outros clientes e registre um boletim de ocorrência (BO) em uma delegacia, de preferência especializada em crimes cibernéticos.

 

Boa sorte. 

sábado, 13 de dezembro de 2025

DE VOLTA DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 61ª PARTE

ORA (DIREIS) OUVIR ESTRELAS! CERTO PERDESTE O SENSO!

Às vezes, basta uma imagem antiga para acender o fósforo da dúvida e alimentar a chama da imaginação. O que você veria se pudesse espiar o passado por uma fresta no tempo? Um mundo estranho, silencioso e preto-e-branco? Algo que não deveria estar lá — uma figura deslocada, um gesto familiar, um artefato impossível? 


O Hipster do Passado tornou-se um dos memes mais fascinantes sobre viagens no tempo. Tudo começou em 2010, quando o Museu Virtual de Baskerville, na Colúmbia Britânica, disponibilizou online uma coleção de fotografias históricas. Numa delas — uma imagem em preto e branco datada de novembro de 1941 — vê-se um homem usando óculos escuros modernos, camiseta com estampa aparentemente contemporânea e um corte de cabelo no estilo hipster dos anos 2000.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Alexandre de Moraes — o terror dos criminosos travestidos de políticos — decretou pela segunda vez a perda do mandato de Carla Zambelli, anulando a votação em que nossos conspícuos deputados desafiaram o veredicto do STF. Manda quem pode, obedece quem tem juízo, diz um ditado no qual conviria ao presidente da Camarilha Federal prestar atenção. 

Ante a condenação de uma parlamentar à pena de prisão, Hugo Motta deveria providenciar o ato formal de Zambelli — que está presa na Itália, aguardando a extradição. No caso de Alexandre Ramagem — que chamou Xandão de “rei do Brasil” e “descontrolado” ao comentar a decisão do ministro de anular a votação da Câmara dos Deputados que havia mantido a parlamentar no cargo.

Não tem sido fácil para o presidente da Câmara ser Hugo Motta e manter um mínimo de compostura. Deveria procurar uma gota de amor-próprio no fundo do poço. Se encontrar, talvez apresse também o expurgo de Dudu "Bananinha" Bolsonaro dos quadros da Câmara.


O flagrante contraste com os trajes típicos da década de 1940, usados pelas demais pessoas que aparecem na foto, suscitou hipóteses de que se tratava de um viajante temporal que voltara aos anos 1940 e fora fotografado durante o evento. Mas logo surgiram explicações mais prosaicas: os óculos escuros já existiam na época; a camiseta poderia ser apenas uma peça casual daqueles tempos; o corte de cabelo, embora incomum, não seria impossível — e assim por diante.

 

O próprio museu tentou desmistificar as teorias e contextualizar a fotografia historicamente, mas o mistério do Hipster do Passado permanece, evidenciando tanto a fascinação coletiva com a possibilidade de viajar no tempo quanto a tendência humana de buscar o extraordinário no comum.

 

Outro caso que alimentou teorias conspiratórias sobre viagens temporais é o Mistério do Celular. Em 2010, ao assistir aos extras do DVD de O Circo (1928), de Charlie Chaplin, o cineasta irlandês George Clarke reparou numa mulher caminhando com a mão no ouvido, aparentemente conversando com alguém. "Ela está claramente falando com alguém — não há outra explicação além da viagem no tempo", disse ele num vídeo que logo acumulou milhões de visualizações.

 

A cena realmente é intrigante. A mulher caminha naturalmente, com um objeto junto ao ouvido, fazendo movimentos que parecem familiares a qualquer pessoa do século XXI. Mas será que estamos vendo o que realmente está acontecendo?

 

Dez anos depois do filme de Chaplin, outro "anacronismo temporal" foi capturado num filme promocional da empresa DuPont. A certa altura, uma funcionária aparece caminhando pelo local com algo próximo ao ouvido, aparentemente falando ao telefone — como fazemos hoje com um celular. A qualidade da imagem torna o caso ainda mais desconcertante, e o gesto, ainda mais inequívoco. Mas como seria possível alguém "falar ao telefone" enquanto caminha por uma fábrica em 1938?

 

A ciência sabe muito — mas não sabe tudo. Sabe, por exemplo, que o cérebro é uma máquina de reconhecimento de padrões extremamente sofisticada — e às vezes excessivamente criativa —, mas ainda não consegue explicar satisfatoriamente as EQMs (experiências de quase morte) nem o déjà vu (a estranha sensação de já ter vivenciado uma situação pela qual a pessoa nunca passou). A dúvida gera a incerteza que move o moinho das teorias sobre experiências vividas em outra encarnação, lapsos entre planos de existência, e por aí vai.

 

Talvez a "pareidolia tecnológica" explique esses casos. Esse fenômeno — que já foi considerado sintoma de psicose — nos leva a ver animais em nuvens ou o rosto de Cristo em qualquer coisa: de manchas na parede a torradas e caranguejos. No livro "The Demon-Haunted World", o astrofísico Carl Sagan anotou que a hiperpercepção facial resulta de uma necessidade evolutiva de reconhecer rostos — mas isso é outra conversa. 

 

Nosso cérebro, condicionado por décadas de uso de telefones, tende a interpretar determinados gestos e posições como "falar ao telefone", mas talvez a mulher no filme de Chaplin estivesse usando um aparelho auditivo portátil (essa tecnologia começou a ser desenvolvida nos anos 1920), com dor de dente (o gesto de levar a mão ao ouvido é uma reação comum), ou simplesmente protegendo o ouvido do frio ou do vento. Falar sozinho ou gesticular enquanto se caminha são comportamentos banais desde que o mundo é mundo, e outras possibilidades incluem dispositivos experimentais, equipamentos de trabalho (fones de ouvido ou proteção auricular eram comuns em ambientes industriais) ou algum acessório não relacionado a telefonia. No entanto, como dizia um sargento que conheci nos anos 1970, "explica, mas não justifica."

 

Esses casos se juntam a outros "mistérios" similares, nos quais imagens antigas permitem múltiplas interpretações — levando-nos a projetar nosso mundo tecnológico onde ele não existe, ou a procurar evidências que confirmem teorias extraordinárias. Mas nada disso muda o fato de que as viagens no tempo são uma possibilidade real, embora nossa tecnologia ainda não nos permita colher o fruto mais desejado da árvore da relatividade.

 

Talvez a verdadeira magia não esteja na possibilidade de viajar no tempo, mas na capacidade infinita da mente humana de encontrar mistérios e conexões onde menos se espera. Então, na próxima vez que você vir algo “impossível” em uma foto antiga, lembre-se: às vezes, o maior mistério não está na imagem — mas no espelho.


Continua...