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quinta-feira, 7 de maio de 2026

GANHANDO ESPAÇO NO CELULAR SEM DESINSTALAR APLICATIVOS

TUDO É FÁCIL PARA QUEM SABE.

A telefonia móvel começou a ser desenvolvida em meados do século passado, quando os Laboratórios Bell (EUA) criaram um sistema interligado por antenas (chamadas de “células”, daí o termo “celular”) e a sueca Ericsson apresentou o Mobile Telephony A, que pesava 40 kg e precisava ser acomodado no porta-malas dos carros. 


Em 1973, a americana Motorola lançou o DynaTAC 8000X, que media 25 cm x 7 cm e pesava cerca de 1 kg. Em 1979, a telefonia celular entrou em operação no Japão e na Suécia; em 1983, a americana AT&T implantou uma tecnologia na cidade de Chicago — que não prosperou devido ao gigantismo dos aparelhos e à baixa autonomia da bateria (que durava 30 minutos, mas levava mais de 10 horas para recarregar).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ser picado pela mosca azul e comprar a PEC da Reeleição não tornou Fernando Henrique menos parecido com um estadista (talvez o único da história desta republiqueta bananeira), mas seu mea culpa tardio não reverteu os efeitos nefastos do ato: da mesma forma que as flechas não voltam ao arco, as cagadas não voltam ao ânus do cagão, mesmo que, em alguns casos, devessem lhe ser enfiadas goela abaixo. Mas isso é outra conversa.

Durante a campanha de 2022, a exemplo do que fez Bolsonaro em 2018, Lula prometeu acabar com o instituto da reeleição. Bolsonaro entrou para a história como o primeiro presidente que não conseguiu se reeleger, e Lula, como o primeiro a conquistar o terceiro mandato.

Embora devesse pendurar as chuteiras chulezentas, Lula quer porque quer o quarto mandato (que Deus, o diabo ou ambos nos livrem dessa desgraça). Com a popularidade descendo pelo ladrão (sem trocadilho), o molusco de nove dedos tem feito o impossível para reconquistar o apoio da recua de muares que se contrapõe ao gado bolsonarista.

Rodeado por dois grupos desde que o Senado o humilhou, o demiurgo de Garanhuns é aconselhado pela turma do "vai pra cima" a retaliar Davi Alcolumbre — artífice da derrota histórica imposta ao xamã petista pela rejeição da indicação de Béssias para o STF — e pela turma do "deixa disso" a agir com calma e prudência para não botar fogo no pouco que resta de governabilidade palaciana.    

Lula segue a cartilha segundo a qual não há problema tão grande que não caiba no dia seguinte — dias depois da derrota inédita, sinalizou que não tardaria a tirar da cartola outro nome para o Supremo. Os operadores mais exaltados do governo querem que o pato-manco constranja Alcolumbre com a indicação de uma jurista negra, ao passo que os contemporizadores avaliam que ele deveria negociar o nome com o próprio Alcolumbre. 

Submetido à divisão interna, o pai dos pobres, mãe dos ricos e camelô de empreiteiros corre o risco de gastar mais tempo e energia falando do que enfrentando o problema. Ainda não se sabe qual será a solução, mas, como o capetão-golpista durante a pandemia de Covid, não existe nada tão ruim que não possa piorar.


O telefone celular desembarcou no Brasil em meados dos anos 1980, mas só se popularizou depois da privatização das TELES — até então, habilitar uma linha era trabalhoso, demorado e caro, faltavam células (antenas), sobravam “áreas de sombra”, o preço das ligações era proibitivo e o usuário era cobrado até pelas chamadas recebidas. Mas não há nada como o tempo para passar.


A livre concorrência propiciou a venda de aparelhos a preços subsidiados, a gratuidade nas ligações entre números da mesma operadora e as linhas “pré-pagas”. Com o lançamento do Apple iPhone, os fabricantes concorrentes tornaram seus produtos capazes de acessar a Internet e rodar aplicativos, e assim os telefoninhos inteligentes se tornaram verdadeiros microcomputadores de bolso.


A exemplo dos desktops e notebooks, os smartphones são controlados por um sistema operacional (Android ou iOS, embora haja outros menos expressivos) e precisam de fartura de memória RAM e espaço interno para funcionar adequadamente. 


A escolha da marca e modelo é uma questão de preferência pessoal, mas a configuração recomendada inclui um processador veloz de última ou penúltima geração, entre 8 GB e 12 GB de memória RAM e 256 GB a 512 GB de armazenamento interno (lembrando que o SO e os apps pré-instalados ocupam boa parte desse espaço) e bateria de 5 mil mAh ou superior.


Observação: Se você planeja ficar com o celular por 3 anos ou mais, escolha um modelo com 512 GB, já que as atualizações futuras do sistema e o cache dos aplicativos crescem exponencialmente ao longo do tempo. 


Quanto mais memória e espaço interno tiver o aparelho, mais caro ele será. Alguns modelos baseados no Android permitem ampliar a capacidade de armazenamento via cartão de memória, mas remendo é sempre remendo. Existem aplicativos que se propõem a recuperar espaço, mas a maioria deles simplesmente automatiza a limpeza do cache dos aplicativos (que o usuário pode fazer manualmente se souber o caminho das pedras).


No caso do Android, um recurso disponibilizado pela Play Store arquiva parte dos aplicativos pouco utilizados, reduzindo em até 60% o espaço que eles ocupam. Os ícones continuam sendo exibidos e, quando necessário, restauram os apps automaticamente em poucos segundos. 


Esse recurso é ideal quando se tem pouco espaço disponível, pois dispensa o usuário de remover os aplicativos ociosos e reinstalá-los manualmente quando e se precisar deles. Para ativá-lo, toque no ícone da Play Store, depois na sua foto de perfil, vá em Configurações, selecione Geral, habilite a opção Arquivar apps automaticamente e reinicie o celular.

terça-feira, 28 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 100ª PARTE

A BUROCRACIA É A ARTE DE CONVERTER O FÁCIL EM DIFÍCIL POR MEIO DO INÚTIL

Quando se trata dos buracos negros, uma questão intrigante é se a singularidade — ponto no espaço-tempo em que as leis da física não se aplicam — é ou não capaz de "engolir" uma galáxia inteira.

Na região fronteiriça desses corpos celestes, que se convencionou chamar de horizonte de eventos, a força gravitacional é tamanha que nem a luz consegue escapar. Isso mantém a singularidade oculta, mas muita coisa visível acontece enquanto "o glutão se alimenta", começando pela "espaguetificação" da matéria.

Para entender isso melhor, encha uma pia com água, destampe o ralo, pingue algumas gotas de corante e repare no fio colorido que espirala em direção ao centro do ralo antes de descer por ele. O aumento da temperatura durante esse processo gera anéis luminosos concêntricos — chamados de discos de acreção — que podem ser observados por telescópios sofisticados. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Os filhos de Bolsonaro decidiram dançar a coreografia da autofagia na antessala da sucessão. Distribuem dentadas em aliados que, segundo seus critérios, demoram a arregaçar as mangas pela candidatura presidencial do senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias. Na penúltima mordida, o vereador Jair Renan se juntou a um influenciador bolsonarista — Junior Japa — para fustigar Nikolas Ferreira nas redes sociais. O deputado mordeu de volta: "Se juntar a capacidade cognitiva dessa dupla, não alcança a de uma toupeira cega". Sem mencionar os irmãos, Flávio anotou que não é necessário 'pressionar' ninguém ou 'me defender' de pessoas que também querem um Bolsonaro de novo no Planalto.
A mensagem chega quando Carlos Bolsonaro anunciou que faria um "levantamento de membros do PL que não divulgam a candidatura" do irmão. No mês passado, Eduardo Bolsonaro intensificou a guerrilha familiar ao chamar Nikolas de "versão caricata de si mesmo". Em fevereiro, Eduardo já havia mordido o deputado e a madrasta Michelle, levando Nikolas a insinuar que o agressor precisa de tratamento.
Ironicamente, o incêndio no parquinho bolsonarista cresce junto com o ponteiro de Flávio nas pesquisas, que degusta um empate técnico com seu principal adversário em cenários de segundo turno. Para manter o viés de alta, Flávio se autoimpôs o desafio de atrair o eleitor independente.
Enquanto a famiglia Bolsonaro se consolida como um desafio a Charles Darwin — Flávio tenta convencer o país de que é um exemplar moderado da sua dinastia, enquanto os irmãos oferecem material para um estudo sobre a regressão da espécie bolsonarista — o PT aprovou três documentos inusitados. Um deles — o manifesto — se dedica a suavizar os outros dois — a tática eleitoral e as diretrizes para o programa do quarto mandato do macróbio eneadáctilo. Juntos, os textos do PT expõem planos que o governo do PT não foi capaz de realizar.
Na tática eleitoral e no programa de governo, o PT trata o Banco Central como bode expiatório. Defende juros de um dígito sem tratar do desequilíbrio fiscal. No manifesto, o bode sai da sala. O BC não é sequer mencionado — com Campos Neto na chefia, o lero-lero valia por um desabafo; com juros a 14,75% e Gabriel Galípolo no comando, nem isso (vale lembrar que, no governo Dilma, o PT cortou os juros para um dígito na marra. Deu em inflação, recessão e mais juros).
No manifesto, o PT defende a reforma política e eleitoral, com o fim das emendas orçamentárias impositivas, e prega a taxação da jogatina eletrônica das bets. No programa de governo fala até em proibir o jogo do tigrinho. Faltou lembrar que o cassino do celular foi impulsionado pelo governo Lula 3, no pressuposto de que renderia bilhões ao Tesouro por meio de licenças e tributos. Deu no endividamento das famílias e no mau humor do eleitor com o governo.
Na tática eleitoral, o PT rosna para o Supremo. Prega a reforma do sistema de Justiça para "superar a lógica neoliberal" que infesta a maioria das sentenças do Judiciário e para exterminar a "promiscuidade entre juízes e empresários". No manifesto, surge uma reforma do Judiciário água com açúcar, visando a "autocorreção" e o "fortalecimento do Estado de Direito". A menção ao Master, incluída em versões anteriores, sumiu dos textos.
Desde que chegou ao poder, em 2003, o petismo fala em reformar a política. Nos dois primeiros reinados, o molusco comprou apoio congressual com mensalão e petrolão. Sob Dilma, as emendas começaram a se tornar impositivas. Em 2022, Lula prometeu abolir o orçamento secreto, adotado sob Bolsonaro. Eleito, nem tentou.
Somando-se o tempo de Presidência de Lula e Dilma, o PT dá as cartas no Planalto há mais de 17 anos e oito meses. É mais fácil o partido consolidar a percepção de que ficou fora de moda do que a ideia de que virou antissistema do dia para a noite. Resta a Lula um consolo: na oposição, o único contraponto competitivo é Flávio Bolsonaro, uma novidade com aroma de naftalina.

Os buracos negros se tornam supermassivos devorando as estrelas mais próximas, mas, devido a limitações impostas pela dinâmica orbital e pela distribuição da matéria, não conseguem engolir galáxias inteiras .Por outro lado, sua extraordinária força gravitacional é tamanha que distorce o tecido do espaço-tempo e influencia estrelas e outros objetos, permitindo que eles sejam observados. Foi assim que os astrônomos descobriram Sagitário A* no centro da Via Láctea 


Observação: um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Arizona (EUA) concluiu que buracos negros supermassivos ativos, com bilhões de vezes a massa do Sol, podem interferir não apenas em suas próprias galáxias, mas também em sistemas vizinhos, a milhões de anos-luz de distância. Essa radiação intensa aquece ou dispersa o gás interestelar, impedindo que ele esfrie e colapse para formar novas estrelas.


Quando o colapso de uma estrela resulta num buraco negro, sua massa e, consequentemente, sua força gravitacional permanecem as mesmas da estrela antes do colapso. Nosso Sol não tem massa suficiente para se tornar um buraco negro, mas, supondo que isso ocorresse, as órbitas dos planetas, cometas e asteroides continuariam iguais. 


Nosso sistema solar está a confortáveis 26 mil anos-luz do buraco negro supermassivo Sagittarius A*, no centro da Via Láctea, mas estrelas como S2 orbitam tranquilamente seu horizonte de eventos. O exemplar mais próximo conhecido é Gaia BH1, que fica a cerca de 14,8 quatrilhões de km da Terra. Detalhe: mesmo na velocidade da luz, uma viagem até lá levaria 1.560 anos. 


Isso pode parecer muito longe, mas, na escala astronômica, a constelação de Ophiuchus fica em nosso "quintal cósmico". O buraco negro mais distante descoberto até agora fica a 13,1 bilhões de anos-luz da Terra. Considerando que o Big Bang ocorreu há 13,8 bilhões de anos, ele é quase tão antigo quanto o próprio Universo.


De acordo com a teoria da inflação cósmica, o Universo dobrou sucessivamente de tamanho milhares de vezes em cerca de 10-36 segundos, produziu um cosmos homogêneo e plano e criou as quatro forças fundamentais, o tempo e o espaço. O diâmetro do universo observável é de 93 bilhões de anos-luz, e continua se expandindo. Não sabemos se ele é finito ou se replica em universos paralelos e forma um "multiverso", com diversas versões de nós mesmos.


Na visão dos criacionistas e seguidores das religiões abraâmicas, Deus criou o mundo e tudo que existe nele em seis dias. Já o pastor James Ussher, preciso como um cuco suíço, explica em seu livro The Annals of the World que o Criador deu início à sua obra às 9 horas da manhã do dia 23 de outubro de 4004 a.C., e que desde então todas as espécies criadas jamais sofreram qualquer alteração. 


Escorada na Relatividade, a teoria clássica do Big Bang sustenta que tudo começou com uma singularidade, mas um artigo publicado no Journal of High Energy Physics sugere que essa singularidade é uma ilusão matemática (os autores se embasaram num estudo que Karl Schwarzschild publicou em 1916 sobre buracos negros — que foi contestado mais adiante pelo astrônomo Arthur Eddington).


A hipótese de existirem regiões do espaço com força gravitacional suficiente para "capturar" a própria luz foi levantada pela primeira vez no século XVIII e ratificada pelas equações de Einstein, que forneceram a base para o entendimento atual dos buracos negros, mas foi somente em 2019 que o Event Horizon Telescope capturou a imagem de um exemplar no centro da galáxia M87, tornando real o que até então era uma possibilidade teórica. 


Sabe-se que os buracos negros crescem à medida que "se alimentam" e encolhem conforme perdem pequenas quantidades de energia (radiação Hawking), mas a física clássica falha em explicar a singularidade — um ponto em que Einstein previu densidade infinita. Como suas conclusões não são completas sem a gravidade quântica, teorias como a das cordas e a da gravidade quântica em loop tentam unificar a relatividade geral e a mecânica quântica, mas ainda estão em desenvolvimento. Até o momento não há evidências que confirmem ou refutem a existência de uma singularidade inicial, mas se uma dessas teorias for comprovada, teremos uma descrição do Big Bang que não envolva a singularidade. 


A matemática pode fornecer várias maneiras de modelar o universo nascituro, e algumas equações sugerem que a singularidade pode ser evitada. Isso depende de suposições específicas sobre a natureza do espaço-tempo e a maneira como os efeitos quânticos se manifestam. Einstein publicou suas equações no início do século passado, mas falhou em descrever o comportamento do espaço-tempo em escalas extremamente pequenas, nas quais os efeitos quânticos se tornam significativos e a presença de singularidades sugere a necessidade de uma abordagem mais completa, que inclua a gravidade quântica. 


Em 1995, propôs-se que cinco diferentes teorias das cordas seriam na verdade faces da Teoria de Tudo, que busca conciliar a relatividade geral (que funciona muito bem em escalas grandes, como planetas, estrelas e galáxias) com a mecânica quântica (que explica o comportamento da matéria e da energia em escala subatômica, como átomos e partículas fundamentais). 


Não é incomum que teorias aparentemente contraintuitivas ou meramente especulativas sejam comprovadas a posteriori, a partir de novas evidências e métodos experimentais. Exemplos disso incluem a própria relatividade, que revolucionou nossa compreensão do universo no século XX. A física está em constante evolução, e novas descobertas podem nos aproximar de uma resposta definitiva. Portanto, é saudável manter um ceticismo fundamentado, acompanhar os avanços na área e ver como essas teorias se desenvolvem.


Continua

terça-feira, 17 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 85ª PARTE

O PRESENTE É APENAS UMA ILUSÃO.

Segundo a teoria da relatividade de Einstein, se pensarmos no espaço-tempo como uma estrutura única que se expande continuamente, então o Big Bang foi o início de tudo e o indicativo de como será o fim. Mas onde há um físico teórico existe uma possibilidade elegante que os físicos experimentais podem ou não comprovar, e alguns negam a existência do tempo escorando-se na incompatibilidade da relatividade com a mecânica quântica.

Ao contrário das outras três forças da natureza descritas pelo Modelo Padrão (forte, fraca e eletromagnética), a gravidade parece viver em um reino próprio. E se todo o universo pode ser explicado por meio das partículas fundamentais (bósons, quarks e fótons, por exemplo), por que a gravidade é uma exceção?

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Os investigadores do início do século 20 gastavam sola de sapato para entrevistar testemunhas e dispunham de poucas ferramentas científicas para auxiliá-los. Mais adiante, surgiram pequenas revoluções na forma de análise de DNA e outras técnicas forenses sofisticadas, mas nada supera o advento dos smartphones — que estão para as investigações como a confissão e as redes sociais para a Igreja Católica. 

Um caso emblemático é o da invasão à praça dos Três Poderes no fatídico 8 de Janeiro, é outro é o celular do Vorcaro, que já derrubou o Maquiavel de Marília da relatoria do caso Master, enlameou a imagem de Xandão e promete fazer mais estragos. Mas é preciso distinguir a ordem jurídica — que, em tese, lida com fatos objetivos e exige que a culpa dos suspeitos seja demonstrada para que eles sofram condenação — da ordem política — na qual os juízos são instantâneos. Nesta, pelo menos dois togados já foram tragados pelo caso Master, causando um prejuízo irreparável para a reputação do STF.

Nada clarifica mais a mente do que a ausência de alternativas. O pedaço da República que se vendeu ao Master já não se pergunta se, mas quando o preso vai virar delator e apontar para o alto, entregando os contatos que conseguiu seduzir num pedaço da engrenagem que André Mendonça chamou de "altos escalões da República". A recompensa não pode incluir nada que se pareça com um perdão: afora os trovões já extraídos das nuvens de um celular de Vorcaro, oito aparelhos continuam na fila da perícia..

Num cenário dos sonhos, todos os pesadelos da República do Master tornariam os contatos do preso em frequentadores de uma colônia de nudismo. Nessa hipótese, sua eventual delação e a consequente premiação seriam desnecessárias. Mas o Brasil está na bica de assistir a um espetáculo de nudismo que ninguém pediu, que ninguém quer ver, e que já não espanta mais ninguém.

Em junho do ano passado, 58% dos entrevistados pelo Datafolha disseram ter vergonha dos ministros do Supremo. Decorridos nove meses, Bolsonaro e os oficiais daquilo que ele chamava de "minhas Forças Armadas" foram parar na cadeia, mas uma nova pesquisa trouxe duas notícias sobre o Supremo.

A má notícia é que não há notícia boa, e a ruim é que a maioria dos entrevistados considera o Supremo a instituição mais enroscada no escândalo Master — é mais do que o índice de comprometimento atribuído ao governo federal (21%) e ao Congresso (17,9%). Para piorar, 44% dos entrevistados disseram estar propensos a enviar para o Senado candidatos comprometidos com o impeachment de magistrados. Quer dizer: a deposição de togas vai deixando de ser tabu à medida que o desgaste pessoal de Moraes e Toffoli corrói a imagem do STF. 

A situação da corte se ajusta à célebre metáfora de Hegel, sobre a Coruja de Minerva, que só voa quando o crepúsculo chega. Em outras palavras, as pessoas só compreendem o tempo em que vivem quando ele já se esgotou. E em certas situações incertas, quem mata o tempo comete suicídio.


Os cientistas tentam explicar esse fenômeno buscando na mecânica quântica uma partícula fundamental da qual a gravidade surge como a luz surge dos fótons, e um dos candidatos mais prováveis é o gráviton — que, se realmente existir, seria o responsável pela mediação da força gravitacional. 


Outras possibilidades são a Teoria das Cordas — segundo a qual a gravidade é resultante do espaço-tempo feito de pixels, como uma tela formada por um sem-número de minúsculos pontos — e a Gravidade Quântica em Loop (LQG) — segundo a qual o espaço-tempo seria composto por uma série de loops entrelaçados, cada um com cerca de um trilionésimo de trilionésimo de trilionésimo de metro.


A relatividade geral já foi comprovada incontáveis vezes — inclusive por uma sonda da NASA que observou a gravidade distorcer o espaço-tempo ao redor do nosso planeta —, ao passo que essas teorias seguem no campo da especulação. No entanto, se uma partícula fundamental da gravidade realmente existir, a maneira como a ciência tenta explicar o espaço-tempo precisará ser revista.


Newton descreveu a gravidade como uma força de atração entre dois corpos, e Einstein, como a deformação que objetos supermassivos causam no espaço-tempo. Se a hipótese dos grávitons ou dos loops gravitacionais for confirmada, a independência da gravidade em relação ao espaço-tempo será um problema, já nosso futuro é baseado no conceito de passagem do tempo expresso pelos relógios e calendários.


Se o tempo não é necessário para explicar a gravidade e, consequentemente, o espaço, então ele não passa de uma invenção humana criada para explicar eventos simples, como o amanhecer e o anoitecer, as fases da Lua e as quatro estações. E da feita que planejamos o futuro com base nas escolhas que fizemos no passado, o que chamamos de arbítrio seria uma aleatoriedade que flui no cosmos como as ondas de um mar, indiferente à passagem das horas, dias, meses, anos, etc.


Mesmo que isso se confirme, ainda restará o princípio da causalidade (não confundir com casualidade) — segundo o qual as causas sempre precedem as consequências. Porém, ao contrário do que sugere a relatividade, a história do cosmos passaria a ser uma questão de causa e efeito, reações em cadeia, partículas decaindo e formando átomos desde o início dos tempos — ou do espaço, o que dá no mesmo.

 

Nesse contexto, o arbítrio ainda seria um conceito real, pois poderíamos reconstruir um sistema com base em causas e consequências — embora não nos relógios e nos calendários, já que as horas e os dias seriam mera convenção. E essa percepção nos levaria à conclusão de que nossa existência está pré-determinada desde o Big Bang


Como disse Stephen Hawking, se tudo o que existe é um efeito em cascata de causas e consequências, então o plasma de quark-glúon dos primeiros instantes do Universo já estava destinado a evoluir para a matéria estruturada, dando origem às estrelas, aos planetas e a formas de vida como a nossa. Mas vale frisar que essa visão pré-determinista não coaduna com a mecânica quântica; alguns cientistas propõem inclusive que em vez de surgir de uma lógica de causa e efeito para se formar, o cosmos moldou as leis da natureza conforme evoluiu.


Embora pareça meramente filosófico, esse embate envolve a física moderna e está vinculado às próximas descobertas em aceleradores de partículas como o Grande Colisor de Hádrons (LHC). 


Enfim, quem viver verá.


Continua…