Mostrando postagens classificadas por data para a consulta conto do vigário. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta conto do vigário. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE PSICOTRÔNICA, RELIGIÃO E CIÊNCIA NOÉTICA

O HOMEM TEME O QUE NÃO COMPREENDE — E MAIS AINDA O QUE COMPREENDE PROFUNDAMENTE.

Vimos que a Psicotrônica — como os russos chamavam suas primeiras pesquisas envolvendo fenômenos paranormais — pode ser considerada a precursora daquilo que hoje se convencionou chamar de ciência noética, e que, durante a Guerra Fria, a URSS e os EUA teriam investido somas vultosas nesse campo.


Fala-se que a CIA mordeu a isca da desinformação russa e "correu atrás do próprio rabo com ciências marginais", como o projeto Stargate, que buscava desenvolver uma técnica conhecida como “visualização remota”, na qual pessoas em estado de transe profundo projetam a consciência para além do corpo visando observar eventos à distância. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Segundo a mitologia grega, Pandora foi criada por Hefesto e Palas Atena a mando de Zeus, que queria castigar Prometeu por roubar o fogo dos deuses e dá-lo aos homens. Depois de ganhar um dom de cada divindade de Olimpo, Pandora recebeu de Zeus uma caixa que jamais deveria ser aberta e a missão de seduzir o irmão de Prometeu, que, encantado com a formosura da moça e ignorando as advertências do irmão sobre aceitar presentes do deus dos deuses, tomou Pandora como esposa. 

Mas ao criar a mulher, Deus criou também a curiosidade. E a curiosidade levou Pandora a abrir a caixa e libertar todos os males que recaíram sobre a humanidade. A esperança ficou presa no fundo da caixa para nos ajudar a enfrentar as adversidades, mesmo que o mal muitas vezes vença o bem. E foi assim que "abrir a Caixa de Pandora" se tornou uma metáfora para ações que desencadeiam consequências maléficas e irreversíveis.

Revisito essa fábula por três motivos: 1) sempre gostei de mitologia; 2) muita gente usa essa metáfora sem saber sua origem; 3) insistir no erro esperando produzir um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço. 

Em momentos distintos da ditadura, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o perigo de misturar brasileiros com urnas em eleições presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas o tempo provou que eles estavam certos: a cada dois anos, os eleitores tupiniquins fazem nas urnas, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade. E como ensinou o Conselheiro Acácio (personagem do romance O Primo Basílio), as consequências vêm sempre depois. 

Ao acompanhar o golpe de Estado que levou Napoleão III ao poder, Karl Marx concluiu que a história acontece como tragédia e se repete como farsa. Já o Barão de Itararé dizia que político brazuca é um sujeito que vive às claras, aproveita as gemas e não despreza as cascas, e o saudoso maestro Tom Jobim, que o Brasil não é para principiantes. E com efeito. 

Em 2018, nenhum dos 13 postulantes ao Planalto empolgava, mas por que se arriscar a acertar com Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Henrique Meirelles ou João Amoedo quando se podia errar com certeza escalando Bolsonaro e o bonifrate do então presidiário Lula para o segundo turno? Em 2022, as opções eram ainda menos atraentes, mas, de novo: por que correr o risco de acertar votando em Simone Tebet, Felipe D'Avila ou mesmo Ciro Gomes (situações desesperadoras justificam medidas desesperadas) quando se podia errar com certeza despachando Lula e Bolsonaro para o 2º turno?

Em ambos os pleitos a fatídica polarização fez com que tanto a merda quanto as moscas permanecessem as mesmas. A diferença é que em 2018 a parcela minimamente pensante do eleitorado foi levada a apoiar Bolsonaro para evitar que o país fosse presidido por um fantoche do presidiário, e em 2022 essa mesma parcela se viu forçada a embarcar na falaciosa "Frente Democrática" capitaneada pelo ex-presidiário "descondenado" para evitar mais 4 anos (ou sabe-se lá quantos) sob a batuta do refugo da escória da humanidade.

Há males que tempo cura, males que vêm para pior e males que pioram com o passar do tempo. Lula 3.0 é uma reedição piorada das versões 1 e 2, e como nada é tão ruim que não possa piorar, o macróbio cogita disputar a reeleição em 2026 (que os deuses nos livrem tanto dessa desgraça quanto da volta do aspirante a golpista encarnado em seu abominável primogênito).

As consequências da inconsequência do eleitorado tupiniquim são lamentadas todos os dias, inclusive por quem abriu a Caixa de Pandora achando que estava escolhendo o menor de dois males - o que se justifica quando e se não há outra opção. E tanto em 2018 quanto em 2022 havia alternativas; só não viu quem não quis ou não conseguiu porque sofre do pior tipo de cegueira que existe.

Einstein achava que o Universo e a estupidez humana eram infinitos, mas salientou que, quanto ao
Universo, ele ainda não tinha 100% de certeza. Alguns aspectos de suas famosas teorias não sobreviveram à passagem do tempo, mas sua percepção da infinitude da estupidez humana merece ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta. 


O conceito básico da visualização remota tem mais de sete mil anos. Os antigos sumérios registraram suas "viagens às estrelas" — experiências místicas fora do corpo nas quais a mente ia até as estrelas para observar mundos distantes. Supõe-se que alucinógenos como o ópio e o ácido lisérgico foram largamente utilizados para induzir estados alterados de consciência. De textos antigos como Rigue Veda e Mistérios de Elêusis até o clássico As Portas da Percepção, de Aldous Huxley, grandes autores sugeriram que substâncias psicodélicas poderiam expandir a consciência  — lembrando que essas sensações fora do corpo são um reflexo da realidade sem filtros, não de alucinações. Mas isso é outra conversa.


A habilidade fundamental de um visualizador remoto é a capacidade de induzir uma experiência fora do corpo, mas a questão é que pouquíssimas pessoas conseguem ter essas experiências espontaneamente — com a possível exceção dos epiléticos, mas isso também é outra conversa. Interessa dizer que vida após a morte é uma convenção criada pelas religiões para mitigar o medo da finitude e manter o "rebanho" na rédea curta com a promessa de recompensar os bons e punir os maus. 


Qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem ou assando lentamente em um espeto. A possibilidade de existir um ser superior é plausível — desde que não seja o deus vingativo dos pastores papa-dízimo e dos padres pedófilos. Todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa e uma fantasia para sectários de outros credos.


Mesmo as crenças mais estúpidas têm fiéis seguidores e fanáticos dispostos a defendê-las com unhas e dentes, embora elas sejam como um golpe de seguro: os fiéis pagam o prêmio e não têm como reclamar quando descobrem que a empresa que levou seu dinheiro não existe. No fim das contas, viemos do mistério e ao mistério retornaremos; caso exista algo além, dificilmente será o deus das igrejas.


Fiz uma pesquisa no Google e fiquei perplexo com a quantidade de vertentes religiosas. Católicos, metodistas, episcopalianos, mórmons, anglicanos, luteranos, presbiterianos, adventistas do sétimo dia, ortodoxos gregos, quacres, muçulmanos, budistas, judeus, hindus, etc., todos alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso, mas muitos foram construídas sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que eles pregam.


Romanos atiraram cristãos aos leões; cristãos mutilaram e queimaram hereges; Hitler sacrificou milhões de judeus ao falso deus da pureza racial; outros milhões de seres humanos foram eletrocutados, enforcados, esquartejados e envenenados... tudo em nome de um deus.


A promessa de que o Céu nos espera e que lá tudo fará sentido nos é impingida desde a infância na versão segundo a qual Papai Noel traz presentes para as crianças bem-comportadas e deixa as malcriadas a ver navios. Mais adiante, a falácia passa a ser "céu para os bons, inferno para os maus". Mas o paraíso é a cenoura, e o inferno, a vara. Padres, pastores. rabinos e afins ameaçam os pequenos com o fogo eterno por roubarem uma bala ou mentirem, mas não existe prova alguma disso, apenas uma certeza cega de que tudo tem um propósito.


A morte é a única certeza que temos na vida, porém o que acontece depois — se realmente existir um "depois" — intriga a humanidade desde as mais priscas eras. Os católicos acreditam que os bons vão para o Céu e os pecadores, para o Inferno, e os espíritas, que os maus reencarnam para evoluir espiritualmente. Entre os judeus, cada grupo tem sua própria versão do que seria a vida após a morte, e por aí segue o desfile de crenças, que é tão variado quanto o das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.


A perspectiva da vida eterna vem sendo explorada desde sempre por proselitistas que alegam falar em nome de um deus cuja existência conseguem provar, embora soem convincentes — afinal, o sucesso do vigarista depende da capacidade de ludibriar as vítimas, como bem ilustra a origem do termo conto do vigário. No entanto, é fundamental não confundir fé com religião: ainda que elas andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé sem ser religioso quanto seguir uma religião sem ter fé (apenas por tradição familiar ou convenção social). 


A fé individual independe de rituais, hierarquias ou dogmas. Ela surge movida por experiências profundas e pessoais — como um momento inesperado de conexão com a existência —, e se desenvolve sem a necessidade de intermediários ou tradições rígidas. Já a religião deveria servir para "religar" o homem a Deus, mas cada vertente define "Deus" à sua maneira.


Os primeiros textos védicos remontam a 1500 a.C., mas os conceitos que eles encerram foram transmitidos oralmente durante séculos. A frase "este é meu corpo", que Cristo teria dito na Última Ceia, é repetida até hoje durante a Eucaristia. Quando "lavou as mãos", Pilatos deixou clara a ligação entre religião e política — aliás, Igreja e Estado foram as duas faces da mesma moeda até a Revolução Francesa, e velhos vícios e maus hábitos são difíceis de erradicar.


Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. O Seder de Pessach e a comunhão são adaptações litúrgicas de uma prática observada nos chimpanzés. Ainda que as religiões tenham perdido muito da empatia de antanho, fenômenos complexos se desenvolvem a partir de começos simples, e tudo o que fazemos é influenciado por nossa história biológica e cosmológica.


Ao longo da História, Cristo, Buda, Maomé, Krishna e outros ícones religiosos deixaram mensagens para determinados povos em determinadas épocas, mas em vez de levarem à unidade, ao amor e ao bem de todos, essas mensagens foram deturpadas para atender a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam para manipular seus semelhantes. 


Há fortes evidências de que o Universo surgiu há 13,8 bilhões de anos e o homo sapiens, há cerca de 300 mil anos — a partir da evolução de outros primatas, e não de Adão e Eva. O Velho Testamento foi transmitido oralmente até 1200 a.C., quando as lendas e tradições que o compõem foram compiladas por Moisés durante sua longa jornada pelo deserto do Sinai em busca da terra supostamente prometida por Jeová a Abraão e seus descendentes. 


Observação: Talvez o sol escaldante explique por que o autor do Pentateuco retratou o Criador como uma entidade rancorosa e vingativa, tão diferente da imagem vendida nas igrejas, templos, mesquitas e sinagogas por padres, pastores, imãs e rabinos que, em vez de oferecer orientação e conforto espiritual aos fiéis, ameaçam-nos com a "danação eterna".

 

As religiões são como os vaga-lumes: precisam da escuridão para brilhar e são úteis para os poderosos, que lhes dão ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos, e portanto é fundamental questionar as crenças enraizadas, pois somente a partir da reflexão que se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda.


A possibilidade de existir um ente superior é admissível, mas como acreditar num "criador" que concede livre-arbítrio às criaturas, promete recompensar os "bons" com a vida eterna num inverossímil "paraíso celestial" e punir os "maus" com o fogo eterno num hipotético inferno comandado por um "anjo caído"?

 

A rigidez das religiões perpetua tradições e práticas que raramente resistem ao questionamento crítico, enquanto a fé resultante de experiências espirituais e emocionais leva as pessoas a acreditarem em algo que não lhes foi enfiado goela abaixo por dogmas religiosos. A flexibilidade faz com que a fé se adapte aos valores e interpretações de cada um, e sua relação com a religião é ainda mais intrigante quando se questiona a natureza da divindade. 


A ciência não invalida a fé — ela a expande. Mas a complexidade do Universo pode ser contemplada e apreciada sem uma explicação esotérica. Ao afirmar que somos poeira das estrelas, o astrofísico Carl Sagan descortinou um vasto Universo sem uma figura divina. Ainda assim, a fé (não confundir com as religiões) pode ser definida como uma admiração pelo Universo, uma disposição para o questionamento, uma abertura ao desconhecido, uma busca por novas respostas, um modo de honrar o mistério da existência. 


Einstein dizia que "o mistério é a fonte de toda verdadeira arte e ciência". Spinoza e outros grandes pensadores viam no Universo uma ordem tão majestosa que, mesmo sem acreditar em um deus pessoal, sentiam-se conectados a uma força criadora e consideravam a busca pelo conhecimento um ato quase espiritual.


A busca pelo autoconhecimento mostra que a espiritualidade desvinculada das religiões pode ser uma maneira de nos conectarmos com o mundo sem a necessidade de um conjunto de crenças formais. Nesse contexto, a fé se torna uma prática interior, uma jornada de descoberta pessoal que aceita as incertezas da existência.


Enquanto as religiões tradicionais impõem normas e rituais rígidos, a espiritualidade pessoal se ajusta aos valores e necessidades de cada um. Meditação, contemplação da natureza ou mesmo o simples exercício de gratidão são maneiras de alinhar a vida com uma ordem maior. Uma fé íntima e universal, que respeita o mistério sem se prender às religiões formais nem enjeitar as tradições, aceita respostas parciais, valoriza o caminho, celebra o mistério e dá um sentido mais original à espiritualidade. 


Continua…

terça-feira, 24 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 88ª PARTE — CIÊNCIA X RELIGIÃO

A CIÊNCIA PODE EXPLICAR O UNIVERSO SEM A NECESSIDADE DE UM CRIADOR.

Depois de perder a esposa e o filho pequeno num acidente causado por um motorista embriagado, um pastor subiu ao púlpito e proferiu o sermão que lhe custou o emprego. Segue uma versão resumida da fala do religioso:


Em junho do ano passado, três pequenos tornados atingiram a cidade de May, no Oklahoma. Os danos materiais foram consideráveis, mas ninguém morreu. Quando os moradores se reuniram na igreja batista local para orar e cantar, um quarto tornado varreu a cidade, destruiu o templo, matou 41 pessoas e mutilou dezenas de outras, incluindo crianças. 


Em agosto, um homem saiu de barco com seus dois filhos e o cachorro da família pelo lago Winnipesaukee. Quando o animal caiu na água, os meninos pularam para salvá-lo e foram arrastados pela correnteza. O pai pulou atrás deles, mas acabou virando o barco. Todos se afogaram — exceto o cachorro, que conseguiu nadar até a margem. Em outubro, um furacão devastou Wilmington, na Carolina do Norte. Dez pessoas morreram, incluindo seis crianças que estavam na creche de uma igreja. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Indicado ao STF para ser "o ministro terrivelmente evangélico" que Bolsonaro havia prometido para a porção "religiosa" do seu eleitorado — uma escumalha que o fanatismo, a polarização e a cegueira mental impedem de ver as coisas como elas realmente são —, o pastor André Mendonça vestiu a suprema toga como patinho feio, mas ganhou nova plumagem ao ser agraciado pelo algoritmo da Corte com a relatoria simultânea dos dois inquéritos mais rumorosos desta banânia: o que investiga o assalto aos aposentados e o que apura as fraudes do falecido Banco Master.

Vale destacar que tanto o bolsonarismo quanto o lulopetismo são nefastos, funestos e prejudiciais para o país, e que o "mito" dos apedeutas descerebrados e o demiurgo de Garanhuns são pinga da mesma pipa, dois lados da mesma moeda… ou seja: a merda é a mesma; só mudam as moscas.

A iminente delação do ex-banqueiro que jantava com a República e ora se equipa para JANTAR A REPÚBLICA consolida uma mudança do eixo de poder no STF: as decisões mais explosivas passarão do gabinete de Moraes para o de Mendonça. E a transição tende a ser brusca, já que a merda que o caso Master jogou no ventilador acertou em cheio dois ministros da Corte (dou um doce a quem adivinhar seus nomes).

Levando a condição de cisne a sério, Mendonça terá de instar os investigadores a descobrir o que Vorcaro queria comprar quando firmou contrato de R$ 129 milhões com a banca advocatícia da família Moraes e quando pagou R$ 35 milhões à empresa de Toffoli pelas cotas de um resort.

Nesta sexta-feira, Mendonça declarou que "bom juiz não é estrela" e que não pretende ser "salvador de nada". Sete meses atrás, ele afirmou que "o bom juiz tem que ser reconhecido pelo respeito, não pelo medo". Dando-se por achado na época, Xandão rebateu: "Impunidade, omissão e covardia nunca deram certo na história para nenhum país do mundo".

Se o respeito e a coragem prevalecerem sobre o corporativismo, os magistrados terão a oportunidade de lavar a toga suja em casa. Pelo bem do Supremo e gáudio dos brasileiros de bem.


Anos antes, no Zaire, uma família de missionários que levava alimentos, remédios e o evangelho foi brutalmente assassinada — ou devorada por canibais, como sugeria a reportagem nas entrelinhas. Cristo, dizem, ascendeu aos céus em corpo e espírito. Nós, pobres mortais, ficamos aqui com pedaços de carne mutilada e uma única pergunta: Por quê? 


Leio a Bíblia desde sempre — primeiro no colo de minha mãe, depois na Juventude Metodista e na faculdade de teologia —, e afirmo que a resposta não está nas Escrituras. O que mais se aproxima dela é uma advertência de São Paulo: Não perguntem, irmãos, porque vocês não entenderão. E quando Jó questionou o próprio Deus, recebeu uma resposta ainda mais dura: Onde estavas tu quando eu fundava a Terra? 


Deus é nossa vara e nosso cajado, proclama o grande salmo, e nos guiará no Vale da Sombra da Morte. Outro salmo O descreve como refúgio e fortaleza. A religião deveria ser nosso conforto nas horas mais sombrias, mas o que diriam as pessoas que morreram na igreja de Oklahoma? E aquela família que se afogou tentando salvar seu cachorro? A Bíblia nos exorta a aceitar tudo com fé, como se a vida fosse uma piada cósmica, e o Céu, o lugar onde a moral da história será finalmente revelada.


Quando pesquisei sobre as várias vertentes religiosas, fiquei perplexo com a quantidade. Católicos, metodistas, episcopalianos, mórmons, anglicanos, luteranos, presbiterianos, adventistas do sétimo dia, ortodoxos gregos, quacres, muçulmanos, budistas, judeus, hindus, e por aí vai.


Todas alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso, mas muitas delas foram construídas sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que elas pregam. Romanos atiraram cristãos aos leões; cristãos mutilaram e queimaram hereges; Hitler sacrificou milhões de judeus ao falso deus da pureza racial; outros milhões de seres humanos foram eletrocutados, enforcados, esquartejados e envenenados... tudo em nome de um deus.


O que ganhamos com nossa fé? A promessa de que o Céu nos espera, e que lá, finalmente, tudo fará sentido? Desde a infância, nos ensinam sobre o Céu como recompensa e o Inferno como castigo. Céu, Céu, Céu!, repetem. Prometem o reencontro com nossos pais, o abraço de nossas mães falecidas. Mas o Paraíso é a cenoura, e o Inferno, a vara. Ameaçamos nossas crianças com o fogo eterno por roubarem uma bala ou mentirem, mas não existe prova alguma disso, apenas uma certeza cega de que tudo tem um propósito.


A religião é como um golpe de seguro: pagamos o prêmio e não temos como reclamar quando descobrimos que a empresa que levou nosso dinheiro não existe. Viemos do mistério e ao mistério retornaremos; se existe algo além, dificilmente será o deus das igrejas."


A morte é a única certeza que temos na vida, mas o que acontece depois — caso realmente exista um "depois" — intriga a humanidade desde os tempos mais antigos. Os católicos não acreditam em reencarnação; os bons vão para o Céu e os pecadores, para o Inferno (não deixe de ler esta anedota). Na visão dos espíritas, os maus reencarnam para evoluir espiritualmente. Quanto aos judeus, cada grupo tem sua versão do que seria a vida após a morte, e o desfile de crenças é tão variado quanto o desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.


A perspectiva da vida eterna vem sendo explorada desde sempre por proselitistas que alegam falar em nome de um deus cuja existência conseguem provar, embora soem convincentes — afinal, o sucesso do engodo depende da habilidade do enganador em manipular a fé alheia, como bem ilustra a origem do termo conto do vigário


Política e religião não são mutuamente excludentes, mas a influência da religião na política é nefasta. Alegando uma suposta interlocução divina, padres, pastores e outros "religiosos" (dentro ou fora dos parlamentos) exercem forte influência sobre a população, que, fragilizada pelo temor do fogo do inferno, se deixa manipular pelo proselitismo. O truque é velho como o diabo, mas funciona, pois oferece conforto diante das incertezas do porvir.


A fé individual não depende de rituais, hierarquias ou dogmas; ela surge espontaneamente, movida por experiências profundas e pessoais — como um momento inesperado de conexão com a existência — e se desenvolve sem a necessidade de intermediários ou tradições rígidas. Porém, em tempos de desconfiança nas instituições, muitas pessoas encontram na espiritualidade uma forma de se conectarem com uma força maior, enquanto outras veem a fé como uma confiança silenciosa em algo transcendente, uma aceitação do mistério que dispensa "explicações definitivas".

 

A ciência não invalida a fé — ela a expande. Mas a complexidade do Universo pode ser contemplada e apreciada sem uma explicação esotérica. Ao afirmar que somos poeira das estrelas, o astrofísico Carl Sagan descortinou um vasto Universo sem uma figura divina. Ainda assim, a fé (não confundir com religião) pode ser definida como uma admiração pelo Universo, uma disposição para o questionamento, uma abertura ao desconhecido, uma busca por novas respostas, um modo de honrar o mistério da existência. 


Einstein, Spinoza e outros grandes pensadores viam no Universo uma ordem tão majestosa que, mesmo sem acreditar em um deus pessoal, sentiam-se conectados a uma força criadora e consideravam a busca pelo conhecimento um ato quase espiritual. Einstein chegou a dizer que o mistério é a fonte de toda verdadeira arte e ciência.

 

A busca pelo autoconhecimento mostra que a espiritualidade desvinculada das religiões pode ser uma maneira de nos conectarmos com o mundo sem a necessidade de um conjunto de crenças formais. A fé, nesse contexto, se torna uma prática interior, uma jornada de descoberta pessoal que aceita as incertezas da existência.

 

Enquanto as religiões tradicionais impõem normas e rituais rígidos, a espiritualidade pessoal se ajusta aos valores e necessidades de cada um. Meditação, contemplação da natureza ou mesmo o simples exercício de gratidão são maneiras de alinhar a vida com uma ordem maior. Uma fé íntima e universal, que respeita o mistério sem se prender às religiões formais nem enjeitar as tradições, aceita respostas parciais, valoriza o caminho, celebra o mistério e dá um sentido mais original à espiritualidade.


Em outras palavras, uma confiança de que, mesmo sem respostas absolutas, nossa existência tem um propósito, mesmo que seja simplesmente tentar entender o insondável, se torna uma ligação com o que nos transcende que dispensa explicações dogmáticas. 


Continua…

domingo, 15 de fevereiro de 2026

PARA QUEM GOSTA DE CARNE

TUDO QUE COMEÇA COM RAIVA ACABA EM VERGONHA OU ARREPENDIMENTO.


A picanha era vendida como carne de segunda até meados da década de 1970, quando se tornou "rainha das churrascarias". Mas tanto ela quanto a maminha proporcionam excelentes resultados no forno ou na airfryer.


A alcatra e a fraldinha também são boas opções para um assado rápido, mas, qualquer que seja o corte, deve-se fatiá-lo no sentido contrário ao das fibras e assar com a capa de gordura virada para cima.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O Carnaval é uma ocasião em que a política e os políticos são tradicionalmente lembrados, mas raramente pelo lado positivo. Numa dessas exceções que confirmam a regra, a Acadêmicos de Niterói resolveu homenagear Lula contando a história do “menino pernambucano pobre, que enfrentou as dificuldades de um retirante fugindo da fome, engraxou sapatos na cidade grande, virou operário e dirigente sindical, fundou um partido político, enfrentou a ditadura, elegeu-se presidente da República, foi condenado por corrupção, preso, descondenado, reconduzido ao Planalto e fantasiado de respeitado líder mundial".

No primeiro de dois ensaios técnicos antes do desfile, foram projetadas nos telões da Sapucaí vídeos em que o Bolsonaro aparece vestido de presidiário, usando máscaras hospitalares e chorando. Se a ideia era ironizar, o objetivo não foi alcançado, mas se era polemizar, a agremiação ganhou sua primeira nota 10. 

O TCU não só intimou a liga que organiza o desfile, o Ministério da Cultura e a Embratur a dar explicações, como também recomendou a imediata suspensão dos repasses federais. Dos milhões recebidos pela agremiação, R$1 milhão provém da Embratur, R$3,3 milhões do governo do Rio, R$2 milhões da prefeitura carioca, R$4 milhões da prefeitura de Niterói e R$3 milhões dos direitos de imagem. 

O relator do caso deu prazo de quinze dias para as entidades apresentarem os documentos. Se for encontrada alguma irregularidade, os responsáveis podem ser punidos com multas e obrigados a devolver o dinheiro. A Embratur disse que apoia financeiramente o desfile, mas não interfere na escolha dos sambas-enredo..

Além do carro alegórico romanceando a transformação do operário em presidente, uma ala dedicada a Bolsonaro exibe uma escultura do palhaço Bozo, um vampiro que simboliza os anos que o Brasil ficou sem o PT e pessoas virando jacaré após receberem a vacina contra a Covid.

A Sapucaí já foi palco de exaltações póstumas a Getúlio e Juscelino, mas esta é a primeira vez que um presidente no exercício do mandato será homenageado no ano em que busca a reeleição. A folia da agremiação fez subir o tom das críticas ao TSE, que já vinha sendo acusado pela oposição de fazer vistas grossas à propaganda eleitoral antecipada de Lula — na corrida presidencial de 2022, a Corte Eleitoral puniu Bolsonaro e Braga Netto com a ilegibilidade por inflamarem manifestantes no desfile do Dia da Independência. 

Políticos representam fonte natural de inspiração para os carnavalescos em blocos, bailes e nos desfiles das escolas de samba. Em 2018, Michel Temer foi retratado pela Paraíso do Tuiuti como um “vampiro neoliberalista” que sugava o sangue dos brasileiros. Em 2020, a São Clemente apresentou o enredo O Conto do Vigário, no qual o humorista Marcelo, fantasiado de presidente da República, imitou armas com as mãos e reproduziu os trejeitos de Jair Bolsonaro.

A sátira política é uma das riquezas do Carnaval, mas quando o enredo dá margem a bajulação e proselitismo, o resultado é um samba desafinado.


Quem aprecia carne ao ponto ou malpassada deve selá-la em uma frigideira ou chapa de ferro fundido antes de levar ao forno. E como o forno cozinha a carne por calor indireto, cortes com gordura, colágeno ou osso funcionam melhor que cortes magros demais, que tendem a ressecar. O ideal é pré-aquecê-lo a 200 ~ 240 °C e assar as carnes mais duras por 30 a 60 minutos. O forno elétrico é uma alternativa para quem não dispõe do tradicional, mas não deixe de ler o manual do aparelho, pois alguns modelos assam mais rápido.


A costela fica deliciosa assada no forno ou cozida na pressão por horas a fio. O acém é famoso pelo colágeno, que se transforma em maciez quando assado lentamente em forno baixo, e o lagarto — corte magro que exige cozimento lento e controlado —, selado por fora, assado no forno e fatiado fino, rende um excelente rosbife caseiro.


Para quem aprecia carne suína, o pernil é uma ótima opção se a peça for marinada por 8 a 12 horas antes de ser assada lentamente no forno. Já o lombo é uma carne macia e saborosa, mas deve ser assada sempre com molho ou alguma cobertura.


Bom domingo de Carnaval.