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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 118ª PARTE

EM CASA DE ENFORCADO NÃO SE FALA EM CORDA.

Vimos que encontrar uma “teoria de tudo”, capaz de explicar todas as forças da natureza e reconciliar a relatividade geral com a mecânica quântica, seria o equivalente científico do Santo Graal, da Pedra Filosofal e do mapa do tesouro descobertos na mesma escavação arqueológica.


A física moderna trata elétrons, quarks e outras partículas como pontos sem estrutura interna, em contraste com a antiga ideia de que a matéria fosse composta por partículas fundamentais indivisíveis. Mas a Teoria das Cordas propõe algo radicalmente diferente. Segundo ela, as partículas fundamentais não seriam pontos, e sim minúsculas cordas unidimensionais vibrando em frequências diferentes.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Não é institucionalmente saudável o engajamento de candidatos na defesa e no ataque a juízes supremos. Do jeito que a coisa vai mal na cena política, dá vontade de dormir agora para só acordar em 2030.Um traço comum entre implicados e citados nos escândalos em tela é o fato de se sentirem autorizados a não dar explicações ao público que os sustenta nos respectivos postos com votos e impostos.

Alguns estão sendo cobrados pelo presidente do STF a fazê-lo com prazos determinados. Outros se escoram no aconselhamento de estrategistas políticos para evitar dar munição aos adversários e aguardar a poeira baixar com o fim das disputas eleitorais.

O pior que pode acontecer é um daqueles acertos não escritos adiar o enfrentamento das suspeitas para depois das eleições a fim de alegadamente não deixar o ambiente mais tumultuado do que já está. A segunda pior coisa já acontece: candidatos a cargos eletivos engajados nas fileiras de Alexandre de Moraes e André Mendonça. Um, o demônio a ser expurgado; outro, o "ungido do Senhor". Paulo Gonet, no papel de autoengavetador na PGR, ainda não encontrou defensores.

O terceiro mal que espreita e acirra a crise é a atuação de magistrados na exposição da refrega interna, como fez o ministro Flávio Dino ao confrontar publicamente a manifestação de Edson Fachin em defesa do fim do inquérito sem-fim das fake news. Além de ferir a autoridade da presidência da corte, Dino oficializa a divisão do tribunal em torcidas semelhantes àquelas que degradam a cena política.

Se já transitávamos pelo terreno da desesperança e do desagrado com a disputa entre dois candidatos repudiados e concorrentes que não inspiram como alternativa, agora pisamos no pântano da distorção total: o Supremo em litígio com juízes no centro da refrega política servindo à orientação de votos.Só se viu algo parecido em algum lugar algum entre aqueles em que a normalidade está em vigor para além das aparências e formalidades. 

Uma solução haverá de ter, ainda que leve tempo e requeira a condução de outros personagens que não os atuais em cena. Francamente, dá vontade de dormir e acordar em 2030.


Assim como uma corda de violão produz notas distintas dependendo da forma como vibra, essas cordas microscópicas produziriam diferentes partículas: uma vibração corresponderia a um elétron; outra, a um quark; outra, a um fóton; e assim por diante. Em vez de um universo feito de “bolinhas” fundamentais, teríamos um universo construído a partir de padrões de vibração.


A grande promessa dessa teoria é unificar todas as forças da natureza em uma única estrutura matemática, já que ela não só consegue descrever naturalmente partículas e forças quânticas, como também inclui algo extremamente importante: uma partícula compatível com o gráviton, o hipotético mediador quântico da gravidade. Em outras palavras, ela parece oferecer um caminho para reconciliar a gravidade de Einstein com o mundo quântico.


Mas nem tudo são flores: a teoria só funciona matematicamente se o universo tiver mais dimensões do que percebemos no cotidiano — dez ou onze dimensões, conforme a versão. Se percebemos apenas três dimensões espaciais e uma temporal, seria porque as hipotéticas dimensões extras estariam compactadas em escalas microscópicas, enroladas sobre si mesmas como pequenos tubos ou formas geométricas extremamente diminutas.


Nessa visão, em cada ponto do nosso espaço tridimensional haveria, “dobrado” sobre si mesmo, um espaço adicional de várias dimensões, tão pequeno que nenhum microscópio ou acelerador atual conseguiria sondá‑lo. A forma exata dessas dimensões escondidas — muitas vezes modeladas por estruturas matemáticas chamadas variedades de Calabi‑Yau — poderia determinar quais partículas e forças existem, como se a geometria invisível do cosmos fosse a partitura que rege a sinfonia das interações fundamentais.


À medida que a teoria foi sendo desenvolvida, os físicos perceberam que não havia apenas uma versão de Teoria das Cordas, mas cinco versões diferentes, todas matematicamente consistentes. Essa aparente “proliferação de teorias” levou à conjectura de que todas seriam apenas faces distintas de uma teoria mais profunda e abrangente, batizada de M‑theory — o “M” já foi interpretado como “membrana”, “mãe” ou simplesmente “mistério”.


Na M‑theory, em vez de apenas cordas unidimensionais, entram em cena objetos de dimensões maiores, chamados branas: membranas bidimensionais, “peles” tridimensionais e assim por diante. Nosso próprio universo poderia ser uma brana de dimensão elevada flutuando em um espaço de onze dimensões, com as partículas e forças que conhecemos confinadas a essa “membrana cósmica”, enquanto a gravidade, mais tímida, se espalharia também pelo “volume” extra‑dimensional.


Se isso for verdade, efeitos ligados às dimensões extras — como pequenas fugas de gravidade para fora da nossa brana ou interações com outras branas — poderiam, em princípio, deformar o espaço‑tempo de maneiras exóticas. Em cenários ainda especulativos, colisões entre branas, túneis através de dimensões adicionais ou geometrias mais complexas poderiam abrir espaço para atalhos cósmicos, buracos de minhoca estabilizados e, quem sabe, formas de “navegar” pelo tempo tão estranhas quanto as próprias equações que as permitem.


Trata‑se de uma teoria matematicamente elegante, que inspirou avanços importantes na física teórica, embora ainda não haja evidências experimentais diretas de que essas cordas ou branas realmente existam, já que as escalas de energia necessárias para observá‑las seriam muito maiores do que as alcançadas pelos aceleradores de partículas atuais. Isso faz com que a teoria seja admirada por muitos físicos e criticada por outros, que a consideram fruto de filosofia especulativa.


Roger Penrose, por exemplo, não esconde seu ceticismo: para ele, uma teoria que multiplica dimensões e universos possíveis sem produzir previsões claras e testáveis corre o risco de se afastar da física e se aproximar demais da matemática pura. Em sua visão, seguir empilhando hipóteses elegantes sem confrontá‑las decisivamente com a realidade pode ser um desvio de rota na busca por uma descrição realmente profunda do cosmos.


Mesmo sem confirmação experimental, a ideia central da teoria é fascinante. Ela sugere que a diversidade do universo não nasce de partículas fundamentalmente diferentes, mas de diferentes modos de vibração de uma mesma entidade básica. De certo modo, é como descobrir que toda a matéria do cosmos é, no fundo, uma espécie de música microscópica tocada em cordas invisíveis.


Quando os físicos tentam quantizar a gravidade usando partículas pontuais, as equações produzem infinidades matemáticas difíceis de controlar. As cordas, por terem extensão espacial, suavizariam essas divergências. Não obstante, uma teoria científica precisa fazer previsões testáveis, e há quem diga que a Teoria das Cordas e suas extensões “podem ser brilhantes demais para o nosso microscópio”, ao menos por enquanto.


Continua…

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ESTRELAS QUE ENGOLIRAM PLANETAS

NENHUM TELESCÓPIO ALCANÇA A DISTÂNCIA DE UM PENSAMENTO DETERMINADO.

Uma questão que intriga os cientistas é se existem buracos negros capazes de engolir galáxias inteiras.


Embora não haja consenso, a opinião dominante é de que essa possibilidade é desprezível, e a razão é basicamente uma questão de escala e de mecânica orbital.


Mesmo os buracos negros mais colossais, com massas bilhões de vezes superiores à massa solar, são minúsculos quando comparados às galáxias que os hospedam (algo como 0,1% a 0,5% da massa do bojo de sua galáxia). Isso já dá uma pista de como a hierarquia de escalas é desproporcional, embora o fator decisivo seja orbital.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Noutros tempos, o 7 de Setembro era o sagrado Dia da Independência. Sob Bolsonaro, a data tornou-se alerta de golpe. Hoje, virou comício. Mas não deve mexer significativamente nos ponteiros das pesquisas.

Lula acionou clarins gastos, que ele toca desde o ano passado. Na noite de domingo, num discurso transmitido em rede nacional, disse que "defender a independência é defender a soberania" e que o Brasil "não será colônia de ninguém". 

Espelhando-se no pai, Flávio Bolsonaro apimentou o ato convocado para a Avenida Paulista e adicionou ao "fora Lula" o "fora Moraes". Atira pedras no magistrado sob um telhado de vidro. Pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro — valor da mesma magnitude dos R$ 131 milhões do contrato firmado entre o Master e o escritório de Viviane Barci, a mulher de Moraes.

Nos gráficos das pesquisas eleitorais, as linhas que representam candidatos rivais são como mandíbulas de jacaré. Quando a diferença aumenta, a boca se abre. Quando diminui, ela se fecha. Nas sondagens mais recentes, o molusco macróbio e o primogênito do refugo da escória da humanidade aparecem estatisticamente empatados no segundo turno. Mas a visão de ambos sobre a força eleitoral do 7 de Setembro pode ser apenas ilusão de ótica; o jacaré não deve bocejar. Talvez nem soluce.

A campanha de Lula é assombrada pelo espírito do Curupira — figura lendária do folclore brasileiro, o Curupira é um moleque que vive na floresta, tem os cabelos avermelhados e os pés virados para trás. Entre maio e julho, o petista abriu oito pontos de vantagem sobre o rival na simulação de segundo turno da Quaest. Desde então, só deu marcha à ré. A distância caiu para zero. No levantamento desta segunda-feira, 7 de Setembro, os dois aparecem empatados em 41%. O jacaré fechou a boca.

Lula recua com dois espinhos nos pés: endividamento e corrupção. O percentual de eleitores que dizem ter muitas dívidas (28%) voltou ao patamar de maio, mês em que foi lançado o Desenrola 2. Desde a semana passada, a menção à corrupção como maior problema do país saltou seis pontos — de 14% para 20%. O tema só perde para a violência no ranking das preocupações do eleitor.

Não bastasse o efeito Lulinha, o candidato ao quarto mandato agora receia ser atingido por estilhaços da vidraça de Alexandre de Moraes. Entrementes, fingindo que não pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, Bolsonarinho ajustou seu bordão, colando no "fora Lula" um "fora Moraes".

A síndrome do Curupira corrói também o índice de avaliação de Lula. Em julho, o saldo entre sua aprovação e a desaprovação estava positivo em um ponto percentual. Agora, está sete pontos no vermelho. A 26 dias do primeiro turno, é uma péssima notícia para quem reivindica uma re-re-re-reeleição.


A grande maioria das estrelas de uma galáxia segue órbitas estáveis e de longa duração em torno do centro galáctico, e o mesmo vale para a maior parte do gás e da poeira interestelar — exceto, claro, pela fração que está sendo ativamente perturbada, em colisão, ou caindo em direção ao centro por perda de momento angular (que é uma fração pequena, mas não nula). Por outro lado, a gravidade não é uma força de "sucção" — ela rege órbitas. Para algo cair num buraco negro, esse algo precisa perder momento angular, e isso normalmente exige um evento dissipativo (colisão, atrito com gás, perturbação gravitacional de outra estrela) que retire energia orbital. Sem isso, a matéria simplesmente continua girando, possivelmente por bilhões de anos.


Os buracos negros supermassivos surgem durante fusões entre galáxias, quando dois buracos negros centrais eventualmente coalescem, somando massas — mas isso ainda está longe de "engolir uma galáxia". Mesmo cenários dramáticos, como o destroçamento de uma estrela que se aproxima demais (os chamados tidal disruption events), afetam objetos isolados, não a galáxia como um todo.


Os buracos negros supermassivos engordam por dois caminhos, nenhum deles parecido com o de um predador faminto. O primeiro é o acréscimo paciente de gás, que espirala lentamente disco adentro — processo capaz de acender um núcleo galaticamente ativo, ou até um quasar, mas que mal arranha a quantidade de matéria disponível na galáxia. O segundo se dá nas fusões entre galáxias, quando os buracos negros centrais de cada uma, depois de uma dança gravitacional que pode levar éons, acabam coalescendo e somando suas massas. De qualquer forma, isolados ou combinados, esses processos seguem a anos-luz de distância de qualquer coisa parecida com "engolir uma galáxia inteira


Por outro lado, existe uma exceção teórica de prazo extremamente longo: em uma escala de tempo muito além da idade atual do universo (estimativas especulativas falam em 1019 - 1020 anos), e interações gravitacionais cumulativas poderiam, em princípio, ejetar a maior parte das estrelas de uma galáxia ou fazê-las espiralar para o centro — um processo de "relaxamento" dinâmico de longuíssimo prazo. Mas isso é qualitativamente diferente de um buraco negro "puxando" tudo para si de forma ativa; é mais um efeito coletivo e gradual do sistema como um todo, e permanece no campo da extrapolação teórica.


Concluído esse (não tão) breve preâmbulo, passamos ao tema central desta postagem, que tem a ver com uma nova técnica desenvolvida por cientistas da USP que identifica estrelas que engoliram planetas. Além disso, segundo os pesquisadores, sistemas solares estáveis como o nosso talvez sejam menos comuns do que se imaginava, o que impacta o surgimento de vida complexa.


O estudo analisou um sistema binário formado por duas estrelas muito semelhantes entre si — chamadas HD 129171 e HD 129209 — ambas com características físicas, químicas e de atividade magnética semelhantes às do nosso Sol. Em princípio, estrelas binárias como essas deveriam apresentar praticamente a mesma composição química, pois nasceram ao mesmo tempo e da mesma nuvem molecular (aglomerados de poeira e gás que funcionam como berçários estelares). Não obstante, os pesquisadores encontraram diferenças significativas entre elas.


Os cientistas já suspeitavam que algumas estrelas poderiam incorporar planetas ou fragmentos planetários, mas o diferencial do novo trabalho foi demonstrar pela primeira vez que diferenças na abundância de berílio em estrelas binárias podem funcionar como marcadores confiáveis desse processo.


A estrela HD 129171 apresenta enriquecimento em elementos refratários — ou seja, que normalmente condensam em estado sólido e constituem planetas rochosos. Isso sugere fortemente que ela engoliu material planetário ao longo de sua evolução. 


O berílio possui uma característica importante: ele não é fabricado no “coração” das estrelas ao longo de sua evolução. Por isso, a assinatura desse elemento na luz que a estrela emite indica a presença de material rochoso – como restos de planetas – supostamente "engolido" muito tempo depois de ela ter se formado.


A maioria dos elementos químicos têm sua origem na nucleossíntese primordial — a formação dos primeiros núcleos atômicos nos minutos iniciais logo após o Big Bang — ou na nucleossíntese estelar — o processo de fusão nuclear que ocorre no interior das estrelas ao longo de suas vidas —, mas o berílio e o boro surgem principalmente por um processo chamado ‘espalação cósmica’, no qual partículas de alta energia fragmentam núcleos mais pesados, como carbono, nitrogênio e oxigênio, produzindo elementos mais leves. O lítio também é produzido principalmente por espalação, embora uma quantidade ínfima tenha surgido na nucleossíntese primordial e possa surgir também, em circunstâncias especiais, em alguns tipos de estrelas.


Para realizar o estudo, a equipe utilizou dados obtidos com o espectrógrafo UVES, instalado no Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, no Chile. As observações mostraram que a HD 129171 possui abundância significativamente maior de elementos refratários – como ferro, magnésio, silício, cálcio e titânio – em comparação com sua companheira HD 129209. Além disso, a estrela apresenta excesso tanto de lítio quanto de berílio — padrão compatível com a ingestão equivalente a mais de 11 vezes a massa da Terra de material rochoso. Esse material pode ter vindo de um único grande planeta ou da soma de vários corpos menores, mas, no caso de estrelas semelhantes ao Sol, a mistura interna é tão eficiente que a assinatura química final não permite distinguir esses cenários.


Os cientistas também discutiram os mecanismos dinâmicos capazes de levar planetas a cair em suas estrelas hospedeiras, entre os quais as interações gravitacionais entre planetas, perturbações produzidas por estrelas companheiras e processos de migração orbital. Uma implicação importante do estudo diz respeito à possível raridade de sistemas solares estáveis, como o nosso, com planetas gigantes em órbitas externas quase circulares e planetas rochosos em órbitas internas estáveis. Além desses sistemas não surgirem com frequência, poucos análogos de Júpiter em órbitas comparáveis à do gigante gasoso do nosso sistema solar foram observados até agora.


Sistemas binários são muito comuns na Via Láctea. Estimativas atuais indicam que aproximadamente metade das estrelas da nossa galáxia possui uma companheira gravitacional, e como ambas se formam praticamente ao mesmo tempo e a partir da mesma nuvem molecular, diferenças químicas entre elas constituem um forte indício de que processos posteriores – como a ingestão de planetas – alteraram sua composição original.


Isso pode ter implicações diretas para a existência de vida complexa, que não só precisaria de bilhões de anos para surgir e evoluir, como também o planeta teria que permanecer em uma órbita suficientemente estável para sobreviver a perturbações gravitacionais importantes. 


Resumo da ópera: Se as diferenças químicas observadas em estrelas binárias fossem causadas por heterogeneidades na nuvem primordial que lhes deu origem, isso exigiria revisão de modelos atualmente aceitos sobre formação estelar. Os resultados obtidos pela equipe favorecem, porém, a hipótese de ingestão planetária.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE OS PLANETAS "EXTERNOS" DO SISTEMA SOLAR

A VERDADEIRA DESCOBERTA NÃO CONSISTE EM PROCURAR NOVAS PAISAGENS, MAS EM OLHAR AS QUE JÁ EXISTEM COM NOVOS OLHOS.

Saturno, sexto planeta por ordem de afastamento do Sol, primeiro em número de satélites (274 até agora) e segundo em tamanho — foi batizado com o nome do deus do tempo da mitologia romana devido a sua translação, que dura intermináveis 29,4 anos terrestres. Por outro lado, seu dia é o segundo mais curto dos 8 planetas (10 horas e 32 minutos terrestres), e sua temperatura média é de -125 °C.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Em campanha aberta desde março, Ronaldo Caiado demorou quatro meses para encontrar um discurso. Antes, atacava Lula e poupava seu principal adversário. Com a candidatura oficializada pelo PSD neste domingo, falou grosso contra o petista e o filho do rebotalho:: "Quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão". Tarde demais.

Com voz de barítono, Caiado soa desde o rodapé das pesquisas. No Datafolha divulgado na semana passada, apareceu com irrisórios 4%, empatado tecnicamente com Romeu Zema e com o estreante Renan Santos, ambos com 3%. Nesse contexto, o ajuste no discurso é mais desespero do que estratégia.

O novo Caiado se apresenta como "galo de terreiro", do tipo que briga apenas "pelo que interessa". Ele agora se refere ao filho do pai como um "frango de granja". À primeira dificuldade, "chama o papai" e lê "uma carta dele" — como quem "come uma raçãozinha" ou "toma um antibiótico."

Na largada, Caiado soava como um bolsonarista alternativo. Negligenciava a tentativa de golpe, prometendo a anistia do capitão como seu primeiro ato na Presidência, e relevava as debilidades morais do filho do "mito" preso. Era como se apostasse num milagre às avessas. Precisou errar para perceber que, entre o genérico e o original, o eleitor de direita preferiria o frango do capitão ao galo de um terreiro imaginário.


Saturno se notabilizou pelo vistoso conjunto de anéis, formado por fragmentos de gelo e poeira cósmica, que chega a 280 mil quilômetros de largura e tem apenas algumas centenas de metros de espessura, mas, ainda assim, é mais largo e brilhante do que os anéis de Júpiter, Urano e Netuno. Algumas luas saturnianas moldam e alimentam esses anéis — caso de Prometeu e Pandora, que usam sua gravidade para "pastorear" os detritos, mantendo as bordas dos anéis do planeta limpas e definidas.

Supunha-se que pelo menos Encéladus seria quente o bastante para ter água líquida na superfície — e onde existe água pode existir vida — e que Réia tinha anéis. Mas a água de Encéladus fica sob a subsuperfície e é mantida pelo calor gerado pela fricção gravitacional. A sonda Cassini confirmou isso ao detectar enormes jatos de vapor d'água sendo expelidos de seu polo sul, e suas observações fotográficas diretas derrubaram a hipótese da existência de anéis em torno da Réia ou de qualquer outra lua saturniana. 

Titã é o único satélite do Sistema Solar com atmosfera densa — composta principalmente de nitrogênio, como a da Terra primitiva. Tem chuva, rios e mares, só que de hidrocarbonetos, e líquidos na superfície, embora sejam lagos de metano, não de água. Em certos aspectos, é o mundo conhecido que mais se parece com a Terra de bilhões de anos atrás.
Se compararmos a Terra a uma moeda de 5 centavos, Saturno seria do tamanho de uma bola de voleibol. A despeito do núcleo rochoso, ele é composto basicamente por hélio e hidrogênio. Sua densidade média é inferior à da água, o que significa, em tese, que ele flutuaria em um oceano grande o bastante para contê-lo. 

Urano foi batizado com o nome do deus grego do firmamento devido a sua cor azulada, resultante do metano presente na atmosfera. Ele é cerca de 14 vezes maior que a Terra, mas sua translação leva 84 anos terrestres e seu dia tem 17 horas e 14 minutos. Sua rotação retrógrada, semelhante à de Vênus, e seu eixo inclinado em relação ao plano orbital, fazem com que ele pareça girar de lado, criando estações extremas que duram impressionantes 21 anos e temperatura média de -215 °C. 
Na superfície, os ventos chegam a atingir 900 km/h. Nos solstícios, enquanto um hemisfério recebe luminosidade por todo o período, o outro mergulha na escuridão completa por cerca de 21 anos terrestres. No entanto, sua estrutura interna ainda é um mistério. Das 29 luas descobertas até agora, 4 podem ter oceanos com dezenas de quilômetros de profundidade. 

Apesar de não gerar hidrogênio metálico devido a sua massa e pressão mais baixas, Urano possui um campo magnético significativo, comparável ao da Terra, além de seu próprio sistema de anéis, embora menos espetaculares que os de Saturno. Suas cinco maiores luas são Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon — nomes de personagens das obras de William Shakespeare e Alexander Pope, o que é uma singularidade entre todos os planetas do Sistema Solar. Vale destacar que a existência de água congelada já foi detectada em algumas de suas luas.

Continua…

sexta-feira, 17 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A NATUREZA DO TEMPO E A TEORIA DE TUDO

OCULTAR SEU PASSADO É O MESMO QUE FECHAR A JANELA DA SUA VIDA.

Talvez não seja o tempo que passa por nós, mas nós que passamos por ele como grãos de areia entre as câmaras de uma ampulheta, e talvez a forma como o sentimos seja uma construção da nossa mente. 

A coisa fica ainda mais complicada quando deixamos a psicologia e focamos o campo da física: em algumas teorias modernas, como a da Gravitação Quântica em Loop, o tempo simplesmente não aparece nas equações fundamentais.

Para compreender isso melhor, devemos ter em mente que a Relatividade Geral diz respeito aos corpos gigantescos do Universo, como estrelas e planetas, enquanto a física quântica é a base da física nuclear e trata do universo das partículas menores do que os prótons e os elétrons. 

Curiosamente, as equações de Einstein não afrontam a física quântica e vice-versa: ambas coexistem sem se contradizerem formalmente, embora não se juntem numa teoria unificada. É como se a natureza tivesse duas explicações diferentes para seu funcionamento e nenhuma deles estivesse errada. Em outras palavras, mesmo que elas se expressem em idiomas diferentes, ambas pareçam dizer a verdade.

Observação: Para explicar esse aparente contrassenso, o físico italiano Carlo Rovelli compara a natureza a um velho rabino que, consultado por dois homens para resolver uma disputa, deu razão a ambos — e quando sua mulher ponderou que os dois não poderiam ter razão ao mesmo tempo, ele disse que ela também estava certa.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Políticos, quando hesitam em embarcar numa canoa ou ameaçam desembarcar dela, fazem-no porque vislumbram no horizonte a possibilidade de naufrágio. 

Projetos com presumida taxa alta de sucesso atraem adesões por gravidade. Foi assim que a direita aderiu pragmaticamente aos governos do PT, até abandonar o partido no governo Dilma Rousseff 2, e foi assim também que Jair Bolsonaro conseguiu transformar sua inicialmente desacreditada candidatura à Presidência num êxito eleitoral que deu nome a um movimento.

O chamado bolsonarismo, contudo, dá sinais de fragilidade na ausência do chefe. Ao contrário do petismo, que se manteve vivo mesmo com a prisão de Luiz Inácio da Silva, em 2018, e na ausência de postulantes a substitutos a ponto de ir pela quinta vez ao Palácio do Planalto em 2022, a corrente se dispersa sob a administração dos herdeiros.

O atrito com Michelle é só o gesto mais atrativo, do ponto de vista da intriga midiática. Outros menos chamativos têm significado político que indica franca indisposição da direita — seja ela extrema ou moderada — com a candidatura de Flávio Bolsonaro.


Os cientistas apreciam teorias elegantes, simples e funcionais, e talvez por isso essa aparente incompatibilidade entre os dois maiores pilares da física os estimule a buscar um terceiro, que escore ambos os campos de estudo. E é aí que surge a Teoria das Cordas, segundo a qual o mundo quântico é formado por minúsculos filamentos de energia — cordas unidimensionais que, vibrando em diferentes frequências, correspondem a diferentes partículas, assim como as cordas de um violão produzem diferentes notas musicais.


Essa teoria se apresenta como a candidata mais promissora para o papel de conciliadora, pois visa conectar todos os fenômenos naturais sob uma mesma descrição com uma elegância matemática extraordinária. É fato que os detratores dessa teoria torcem o nariz para a ideia de um mundo infinitamente pequeno que comporte as tais cordas. Aliás, esse antagonismo rendeu até briga no seriado The Big Bang Theory —, e que a gravidade quântica em loop dissolve essa tensão, já que não pretende ser uma Teoria de Tudo, e sim entender o Big Bang e o interior dos buracos negros — o que, convenhamos, não é pouco.


Tanto a Teoria das Cordas quanto a Teoria da Gravidade Quântica em Loop são apenas sugestões de visão de mundo. Além de não existir uma tecnologia que permita um tira-teima, a tensão entre os dois tipos de física não existe na Gravidade Quântica em Loop, que combina Relatividade Geral e Mecânica Quântica sem utilizar qualquer outra hipótese além dessas duas teorias devidamente reescritas para se tornarem compatíveis.


A Relatividade Geral sustenta que o espaço não é uma caixa rígida e inerte, como um recipiente em que jogamos as coisas, e sim um campo dinâmico e maleável — um imenso molusco em que estamos imersos, capaz de se comprimir e se retorcer na presença de massa e energia, e através do qual se propagam a luz e as ondas de rádio que chegam aos nossos olhos e ouvidos. Já a mecânica quântica define o universo como uma estrutura granular formada por pequenos pacotinhos (quanta), como os fótons que compõem a luz. A diferença é que os fótons vivem no espaço, enquanto os tais pacotinhos são eles próprios o espaço.


De acordo com o físico italiano o Carlo Rovelli, o espaço como recipiente amorfo das coisas desaparece da física com a gravidade quântica; as coisas (quanta) não habitam o espaço, e sim uma os arredores da outra — o espaço é o tecido de suas relações de vizinhança. Daí se depreende que, numa escala muito pequena, o espaço não é algo contínuo, mas tem como limite o limite dos pacotinhos que o formam.


A física teórica ditou o rumo dos experimentos durante décadas, mas, de um tempo a esta parte, ficou mais difícil apresentar uma nova hipótese que explique de maneira convincente questões que seguem em aberto. A própria história da física mostra que muitas teorias perderam força, enquanto outras foram colocadas de lado e retomadas tempos depois. Um bom exemplo é o Modelo de Huygens, segundo o qual a luz era onda, que foi o mais aceito Einstein explicar o efeito fotoelétrico, segundo o qual a luz se comporta tanto como onda quanto como partícula.


Mesmo tendo perdido um pouco de seu encanto, a Teoria das Cordas continua sendo a base da Teoria M, que busca unificar a Relatividade, que descreve o macrocosmo, e a Física Quântica, que remete ao universo microscópico das partículas subatômicas, bem como acomodar todos os fenômenos conhecidos sob o guarda-chuva de uma estrutura matemática elegante e universal. Mais que uma mudança de paradigma, ela é uma expansão ambiciosa do que entendemos por tempo e espaço, e parte de seu fascínio vem da capacidade de explicar a gravidade dentro de um arcabouço quântico (através de uma hipotética partícula chamada "gráviton").


Observação: Para essa teoria funcionar, é preciso que o universo tenha sete ou oito dimensões além das três espaciais e uma temporal, tão minúsculas que sejam impossíveis de detectar. Não obstante, se essa teoria estiver correta, então o Universo não é apenas mais estranho do que imaginamos, mas mais estranho do que podemos imaginar.


A Teoria das Cordas inclui ingredientes que combinam com descobertas experimentais recentes, como a ideia de que cada partícula tem um “parceiro” supersimétrico. No entanto, a despeito de sua beleza matemática, ela peca pela falta de evidências experimentais à luz da tecnologia atual: além de não termos como medir as dimensões extras, as energias necessárias para testar o modelo em questão estão muito além do alcance de qualquer acelerador de partículas existente ou previsto para os próximos anos.


A evolução dessa teoria abriu espaço para a Teoria M, e conceitos dela derivados vêm influenciando outras áreas da física teórica, como os estudos sobre buracos negros, a holografia e até as redes quânticas. Mesmo sem provas experimentais diretas, as cordas continuam sendo uma das possibilidades mais atraentes da física teórica. Se será testável um dia é uma questão que segue em aberto. Mas experimentos em gravidade quântica, avanços na detecção de partículas e até mesmo observações astronômicas de alta precisão podem fornecer pistas indiretas para confirmar ou refutar aspectos da teoria.


Ao fim e ao cabo, a física é como um farol no mar escuro da ignorância; a Teoria das Cordas pode não ser a luz final, mas ilumina muitos caminhos possíveis.

Continua…

terça-feira, 14 de julho de 2026

E VIVA O POVO BRASILEIRO

OS BRASILEIROS NÃO SABEM VOTAR, E QUANDO VOTAM, NÃO SE LEMBRAM EM QUEM VOTARAM. 

Devidamente despida do glamour fantasioso atribuído pelos livros didáticos, a Proclamação da República foi um golpe de Estado político-militar que pôs fim à monarquia constitucional parlamentarista do Império, apeou do trono D. Pedro II e implementou o presidencialismo republicano como forma de governo.

Ao longo de 136 anos de história republicana, dos 36/39 brasileiros que chegaram à Presidência pelo voto popular, eleição indireta, linha sucessória ou golpe de Estado (o número depende de como se contam interinos, juntas militares e mandatos não-consecutivos), oito, a começar pelo primeiro — Deodoro da Fonseca —, foram de alguma maneira apeados do poder, e não houve nenhum que pudesse ser considerado "estadista" — lembrando que estadistas governam pensando nas próximas gerações, enquanto os populistas pensam exclusivamente nas próximas eleições.


Observação: Talvez Rui Barbosa ou o Barão do Rio Branco pudessem ser considerados como tal, mas nenhum deles presidiu o Brasil. Em contrapartida, populistas vicejaram como ervas daninhas.


Em 1960, o populista demagogo e cachaceiro Jânio Quadros derrotou o candidato governista, Marechal Henrique Teixeira Lott, e o ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, tornando-se o primeiro presidente desta banânia a ocupar o então recém-inaugurado Palácio do Planalto. Mas sua renúncia, menos de 6 meses depois da posse, pavimentou o caminho para o golpe de estado de 64, que culminou com a deposição do então presidente João Goulart e a posse do marechal Humberto de Alencar Castello Branco, dando início a uma ditadura militar que se estendeu por 21 anos, comandada pelos generais Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, nessa ordem. 


Em 1968, o “linha-dura” Costa e Silva decretou o AI-5, produzindo um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros que prevaleceram durante o período mais repressivo do governo militar. Em 1974, Geisel deu início ao processo de abertura que, dali a 11 anos, poria termo ao regime de exceção com a eleição (indireta) de Tancredo Neves, que venceu o candidato dos militares Paulo Maluf por 480 votos a 180. 


Em janeiro de 1985, o então presidente da Câmara Ulysses Guimarães — que chegou a ser cogitado para disputar o Planalto pelo PMDB, mas foi preterido pela chapa “mista” formada com o PFL de José Sarney — entregou a Tancredo o programa denominado Nova República, que previa eleições diretas em todos os níveis, educação gratuita, congelamento de preços da cesta básica e dos transportes, entre outras benesses.


O fim da ditadura não foi uma “consequência natural do espírito democrático” de Geisel e Figueiredo e tampouco transcorreu sem turbulências e acidentes de percurso. O processo só foi concluído graças às manifestações populares pró-diretas, que reuniram milhões de pessoas na Candelária, no Vale do Anhangabaú e na Praça da Sé, com faixas, cartazes e camisetas onde se lia a inscrição “EU QUERO VOTAR PARA PRESIDENTE”.


Observação: Nos movimentos pró-diretas, pugnava-se pela aprovação da emenda constitucional Dante de Oliveira, que visava restaurar o direito às eleições diretas, suspenso pelos militares. No dia da votação, exatos 20 anos depois do golpe, uma manobra de bastidores tirou da Câmara 112 deputados. Apesar do clamor das ruas, a emenda foi rejeitada — ou seja, o povo foi traído mais uma vez pela classe política.


Em 1985, com a esperança e os ânimos redobrados, os brasileiros ansiavam pela chegada do dia 15 de março — data prevista para a posse do primeiro presidente civil depois de 21 anos e a volta dos militares às casernas. Mas o que deveria ser a festa da democracia se transformou em luto nacional: Tancredo foi internado 12 horas antes da cerimônia de posse e morreu 38 dias e 7 cirurgias depois. 


Após algumas discussões jurídicas sobre a possibilidade de Ulysses Guimarães, então presidente da Câmara, ser guindado ao Planalto, prevaleceu o entendimento de que o rebotalho do coronelismo nordestino José Sarney, vice na chapa de Tancredo, deveria ser empossado. E foi o que aconteceu, para o bem e para o mal.


Ao contrário do que escreveu Karl Marx, a história nem sempre se repete como farsa; às vezes, ela reproduz fielmente o passado. Na eleição direta de 1989 — a primeira para presidente desde 1960 —, 22 candidatos (entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola) disputaram o Planalto, mas a récua de muares que insiste em fazer a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade, escalou para o segundo turno Lula, o desempregado que deu certo, e Collor, o caçador de marajás de mentirinha. E o resto é história recente.


Prestes a completar 81 anos, o macróbio petista busca seu quarto mandato, tendo como principal adversário filho do ex-presidente golpista que os cegos mentais tratam por "mito", mas na verdade não passa de um combo de mau militar e parlamentar medíocre aspirante a golpista.


Sobre o desgoverno Lula, a reprovação popular apontada pelos institutos de pesquisa dizem tudo. Já o primogênito do refugo da escória da humanidade enfrenta dois adversários inesperados: no Brasil, ele é mastigado por um movimento autofágico da madrasta; nos EUA, vive a síndrome da ameaça de um novo tarifaço de 25% do pseudoaliado Donald Trump.


A despeito da promessa de pacificar o país, o filhote de sacripanta não consegue sequer obter um armistício com Micheque, além de acenar com uma relação privilegiada com a Casa Branca, sem se dar conta de que a calopsita alaranjada não quer aliados, mas vassalos.


Fugindo do apelido de Tariflávio, o filho do pai endereçou nova carta a Washington — desta vez para o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o temível USTR —, na qual anotou que novas tarifas dariam "uma vitória política" ao governo Lula. Em vez de pedir a reversão das tarifas, rogou que a punição seja adiada para "depois das eleições". Ou seja, além de legitimar a natureza política da sanção mostrou-se preocupado com sua campanha, não com os exportadores brasileiros.


Rápido como o raio que o parta, o xamã petista recorreu às redes sociais para acusar a quadrilha, digo, a família Bolsonaro de entreguista. Escreveu que pedir o adiamento da sanção é coisa de "traidores da pátria", pois "não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois".


Ao oscilar entre a autofagia e a trumpfobia, Bolsonarinho gira como um parafuso espanado em torno de problemas que ele próprio criou. Fornecendo material para o adversário, torna-se um caso raro de líder da oposição à sua própria candidatura.


E viva o povo brasileiro.