Mostrando postagens classificadas por data para a consulta diretas já. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta diretas já. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE OS PLANETAS "EXTERNOS" DO SISTEMA SOLAR

A VERDADEIRA DESCOBERTA NÃO CONSISTE EM PROCURAR NOVAS PAISAGENS, MAS EM OLHAR AS QUE JÁ EXISTEM COM NOVOS OLHOS.

Saturno, sexto planeta por ordem de afastamento do Sol, primeiro em número de satélites (274 até agora) e segundo em tamanho — foi batizado com o nome do deus do tempo da mitologia romana devido a sua translação, que dura intermináveis 29,4 anos terrestres. Por outro lado, seu dia é o segundo mais curto dos 8 planetas (10 horas e 32 minutos terrestres), e sua temperatura média é de -125 °C.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Em campanha aberta desde março, Ronaldo Caiado demorou quatro meses para encontrar um discurso. Antes, atacava Lula e poupava seu principal adversário. Com a candidatura oficializada pelo PSD neste domingo, falou grosso contra o petista e o filho do rebotalho:: "Quem rouba com a mão esquerda ou quem rouba com a mão direita é ladrão". Tarde demais.

Com voz de barítono, Caiado soa desde o rodapé das pesquisas. No Datafolha divulgado na semana passada, apareceu com irrisórios 4%, empatado tecnicamente com Romeu Zema e com o estreante Renan Santos, ambos com 3%. Nesse contexto, o ajuste no discurso é mais desespero do que estratégia.

O novo Caiado se apresenta como "galo de terreiro", do tipo que briga apenas "pelo que interessa". Ele agora se refere ao filho do pai como um "frango de granja". À primeira dificuldade, "chama o papai" e lê "uma carta dele" — como quem "come uma raçãozinha" ou "toma um antibiótico."

Na largada, Caiado soava como um bolsonarista alternativo. Negligenciava a tentativa de golpe, prometendo a anistia do capitão como seu primeiro ato na Presidência, e relevava as debilidades morais do filho do "mito" preso. Era como se apostasse num milagre às avessas. Precisou errar para perceber que, entre o genérico e o original, o eleitor de direita preferiria o frango do capitão ao galo de um terreiro imaginário.


Saturno se notabilizou pelo vistoso conjunto de anéis, formado por fragmentos de gelo e poeira cósmica, que chega a 280 mil quilômetros de largura e tem apenas algumas centenas de metros de espessura, mas, ainda assim, é mais largo e brilhante do que os anéis de Júpiter, Urano e Netuno. Algumas luas saturnianas moldam e alimentam esses anéis — caso de Prometeu e Pandora, que usam sua gravidade para "pastorear" os detritos, mantendo as bordas dos anéis do planeta limpas e definidas.

Supunha-se que pelo menos Encéladus seria quente o bastante para ter água líquida na superfície — e onde existe água pode existir vida — e que Réia tinha anéis. Mas a água de Encéladus fica sob a subsuperfície e é mantida pelo calor gerado pela fricção gravitacional. A sonda Cassini confirmou isso ao detectar enormes jatos de vapor d'água sendo expelidos de seu polo sul, e suas observações fotográficas diretas derrubaram a hipótese da existência de anéis em torno da Réia ou de qualquer outra lua saturniana. 

Titã é o único satélite do Sistema Solar com atmosfera densa — composta principalmente de nitrogênio, como a da Terra primitiva. Tem chuva, rios e mares, só que de hidrocarbonetos, e líquidos na superfície, embora sejam lagos de metano, não de água. Em certos aspectos, é o mundo conhecido que mais se parece com a Terra de bilhões de anos atrás.
Se compararmos a Terra a uma moeda de 5 centavos, Saturno seria do tamanho de uma bola de voleibol. A despeito do núcleo rochoso, ele é composto basicamente por hélio e hidrogênio. Sua densidade média é inferior à da água, o que significa, em tese, que ele flutuaria em um oceano grande o bastante para contê-lo. 

Urano foi batizado com o nome do deus grego do firmamento devido a sua cor azulada, resultante do metano presente na atmosfera. Ele é cerca de 14 vezes maior que a Terra, mas sua translação leva 84 anos terrestres e seu dia tem 17 horas e 14 minutos. Sua rotação retrógrada, semelhante à de Vênus, e seu eixo inclinado em relação ao plano orbital, fazem com que ele pareça girar de lado, criando estações extremas que duram impressionantes 21 anos e temperatura média de -215 °C. 
Na superfície, os ventos chegam a atingir 900 km/h. Nos solstícios, enquanto um hemisfério recebe luminosidade por todo o período, o outro mergulha na escuridão completa por cerca de 21 anos terrestres. No entanto, sua estrutura interna ainda é um mistério. Das 29 luas descobertas até agora, 4 podem ter oceanos com dezenas de quilômetros de profundidade. 

Apesar de não gerar hidrogênio metálico devido a sua massa e pressão mais baixas, Urano possui um campo magnético significativo, comparável ao da Terra, além de seu próprio sistema de anéis, embora menos espetaculares que os de Saturno. Suas cinco maiores luas são Miranda, Ariel, Umbriel, Titânia e Oberon — nomes de personagens das obras de William Shakespeare e Alexander Pope, o que é uma singularidade entre todos os planetas do Sistema Solar. Vale destacar que a existência de água congelada já foi detectada em algumas de suas luas.

Continua…

sexta-feira, 17 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A NATUREZA DO TEMPO E A TEORIA DE TUDO

OCULTAR SEU PASSADO É O MESMO QUE FECHAR A JANELA DA SUA VIDA.

Talvez não seja o tempo que passa por nós, mas nós que passamos por ele como grãos de areia entre as câmaras de uma ampulheta, e talvez a forma como o sentimos seja uma construção da nossa mente. 

A coisa fica ainda mais complicada quando deixamos a psicologia e focamos o campo da física: em algumas teorias modernas, como a da Gravitação Quântica em Loop, o tempo simplesmente não aparece nas equações fundamentais.

Para compreender isso melhor, devemos ter em mente que a Relatividade Geral diz respeito aos corpos gigantescos do Universo, como estrelas e planetas, enquanto a física quântica é a base da física nuclear e trata do universo das partículas menores do que os prótons e os elétrons. 

Curiosamente, as equações de Einstein não afrontam a física quântica e vice-versa: ambas coexistem sem se contradizerem formalmente, embora não se juntem numa teoria unificada. É como se a natureza tivesse duas explicações diferentes para seu funcionamento e nenhuma deles estivesse errada. Em outras palavras, mesmo que elas se expressem em idiomas diferentes, ambas pareçam dizer a verdade.

Observação: Para explicar esse aparente contrassenso, o físico italiano Carlo Rovelli compara a natureza a um velho rabino que, consultado por dois homens para resolver uma disputa, deu razão a ambos — e quando sua mulher ponderou que os dois não poderiam ter razão ao mesmo tempo, ele disse que ela também estava certa.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Políticos, quando hesitam em embarcar numa canoa ou ameaçam desembarcar dela, fazem-no porque vislumbram no horizonte a possibilidade de naufrágio. 

Projetos com presumida taxa alta de sucesso atraem adesões por gravidade. Foi assim que a direita aderiu pragmaticamente aos governos do PT, até abandonar o partido no governo Dilma Rousseff 2, e foi assim também que Jair Bolsonaro conseguiu transformar sua inicialmente desacreditada candidatura à Presidência num êxito eleitoral que deu nome a um movimento.

O chamado bolsonarismo, contudo, dá sinais de fragilidade na ausência do chefe. Ao contrário do petismo, que se manteve vivo mesmo com a prisão de Luiz Inácio da Silva, em 2018, e na ausência de postulantes a substitutos a ponto de ir pela quinta vez ao Palácio do Planalto em 2022, a corrente se dispersa sob a administração dos herdeiros.

O atrito com Michelle é só o gesto mais atrativo, do ponto de vista da intriga midiática. Outros menos chamativos têm significado político que indica franca indisposição da direita — seja ela extrema ou moderada — com a candidatura de Flávio Bolsonaro.


Os cientistas apreciam teorias elegantes, simples e funcionais, e talvez por isso essa aparente incompatibilidade entre os dois maiores pilares da física os estimule a buscar um terceiro, que escore ambos os campos de estudo. E é aí que surge a Teoria das Cordas, segundo a qual o mundo quântico é formado por minúsculos filamentos de energia — cordas unidimensionais que, vibrando em diferentes frequências, correspondem a diferentes partículas, assim como as cordas de um violão produzem diferentes notas musicais.


Essa teoria se apresenta como a candidata mais promissora para o papel de conciliadora, pois visa conectar todos os fenômenos naturais sob uma mesma descrição com uma elegância matemática extraordinária. É fato que os detratores dessa teoria torcem o nariz para a ideia de um mundo infinitamente pequeno que comporte as tais cordas. Aliás, esse antagonismo rendeu até briga no seriado The Big Bang Theory —, e que a gravidade quântica em loop dissolve essa tensão, já que não pretende ser uma Teoria de Tudo, e sim entender o Big Bang e o interior dos buracos negros — o que, convenhamos, não é pouco.


Tanto a Teoria das Cordas quanto a Teoria da Gravidade Quântica em Loop são apenas sugestões de visão de mundo. Além de não existir uma tecnologia que permita um tira-teima, a tensão entre os dois tipos de física não existe na Gravidade Quântica em Loop, que combina Relatividade Geral e Mecânica Quântica sem utilizar qualquer outra hipótese além dessas duas teorias devidamente reescritas para se tornarem compatíveis.


A Relatividade Geral sustenta que o espaço não é uma caixa rígida e inerte, como um recipiente em que jogamos as coisas, e sim um campo dinâmico e maleável — um imenso molusco em que estamos imersos, capaz de se comprimir e se retorcer na presença de massa e energia, e através do qual se propagam a luz e as ondas de rádio que chegam aos nossos olhos e ouvidos. Já a mecânica quântica define o universo como uma estrutura granular formada por pequenos pacotinhos (quanta), como os fótons que compõem a luz. A diferença é que os fótons vivem no espaço, enquanto os tais pacotinhos são eles próprios o espaço.


De acordo com o físico italiano o Carlo Rovelli, o espaço como recipiente amorfo das coisas desaparece da física com a gravidade quântica; as coisas (quanta) não habitam o espaço, e sim uma os arredores da outra — o espaço é o tecido de suas relações de vizinhança. Daí se depreende que, numa escala muito pequena, o espaço não é algo contínuo, mas tem como limite o limite dos pacotinhos que o formam.


A física teórica ditou o rumo dos experimentos durante décadas, mas, de um tempo a esta parte, ficou mais difícil apresentar uma nova hipótese que explique de maneira convincente questões que seguem em aberto. A própria história da física mostra que muitas teorias perderam força, enquanto outras foram colocadas de lado e retomadas tempos depois. Um bom exemplo é o Modelo de Huygens, segundo o qual a luz era onda, que foi o mais aceito Einstein explicar o efeito fotoelétrico, segundo o qual a luz se comporta tanto como onda quanto como partícula.


Mesmo tendo perdido um pouco de seu encanto, a Teoria das Cordas continua sendo a base da Teoria M, que busca unificar a Relatividade, que descreve o macrocosmo, e a Física Quântica, que remete ao universo microscópico das partículas subatômicas, bem como acomodar todos os fenômenos conhecidos sob o guarda-chuva de uma estrutura matemática elegante e universal. Mais que uma mudança de paradigma, ela é uma expansão ambiciosa do que entendemos por tempo e espaço, e parte de seu fascínio vem da capacidade de explicar a gravidade dentro de um arcabouço quântico (através de uma hipotética partícula chamada "gráviton").


Observação: Para essa teoria funcionar, é preciso que o universo tenha sete ou oito dimensões além das três espaciais e uma temporal, tão minúsculas que sejam impossíveis de detectar. Não obstante, se essa teoria estiver correta, então o Universo não é apenas mais estranho do que imaginamos, mas mais estranho do que podemos imaginar.


A Teoria das Cordas inclui ingredientes que combinam com descobertas experimentais recentes, como a ideia de que cada partícula tem um “parceiro” supersimétrico. No entanto, a despeito de sua beleza matemática, ela peca pela falta de evidências experimentais à luz da tecnologia atual: além de não termos como medir as dimensões extras, as energias necessárias para testar o modelo em questão estão muito além do alcance de qualquer acelerador de partículas existente ou previsto para os próximos anos.


A evolução dessa teoria abriu espaço para a Teoria M, e conceitos dela derivados vêm influenciando outras áreas da física teórica, como os estudos sobre buracos negros, a holografia e até as redes quânticas. Mesmo sem provas experimentais diretas, as cordas continuam sendo uma das possibilidades mais atraentes da física teórica. Se será testável um dia é uma questão que segue em aberto. Mas experimentos em gravidade quântica, avanços na detecção de partículas e até mesmo observações astronômicas de alta precisão podem fornecer pistas indiretas para confirmar ou refutar aspectos da teoria.


Ao fim e ao cabo, a física é como um farol no mar escuro da ignorância; a Teoria das Cordas pode não ser a luz final, mas ilumina muitos caminhos possíveis.

Continua…

terça-feira, 14 de julho de 2026

E VIVA O POVO BRASILEIRO

OS BRASILEIROS NÃO SABEM VOTAR, E QUANDO VOTAM, NÃO SE LEMBRAM EM QUEM VOTARAM. 

Devidamente despida do glamour fantasioso atribuído pelos livros didáticos, a Proclamação da República foi um golpe de Estado político-militar que pôs fim à monarquia constitucional parlamentarista do Império, apeou do trono D. Pedro II e implementou o presidencialismo republicano como forma de governo.

Ao longo de 136 anos de história republicana, dos 36/39 brasileiros que chegaram à Presidência pelo voto popular, eleição indireta, linha sucessória ou golpe de Estado (o número depende de como se contam interinos, juntas militares e mandatos não-consecutivos), oito, a começar pelo primeiro — Deodoro da Fonseca —, foram de alguma maneira apeados do poder, e não houve nenhum que pudesse ser considerado "estadista" — lembrando que estadistas governam pensando nas próximas gerações, enquanto os populistas pensam exclusivamente nas próximas eleições.


Observação: Talvez Rui Barbosa ou o Barão do Rio Branco pudessem ser considerados como tal, mas nenhum deles presidiu o Brasil. Em contrapartida, populistas vicejaram como ervas daninhas.


Em 1960, o populista demagogo e cachaceiro Jânio Quadros derrotou o candidato governista, Marechal Henrique Teixeira Lott, e o ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, tornando-se o primeiro presidente desta banânia a ocupar o então recém-inaugurado Palácio do Planalto. Mas sua renúncia, menos de 6 meses depois da posse, pavimentou o caminho para o golpe de estado de 64, que culminou com a deposição do então presidente João Goulart e a posse do marechal Humberto de Alencar Castello Branco, dando início a uma ditadura militar que se estendeu por 21 anos, comandada pelos generais Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, nessa ordem. 


Em 1968, o “linha-dura” Costa e Silva decretou o AI-5, produzindo um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros que prevaleceram durante o período mais repressivo do governo militar. Em 1974, Geisel deu início ao processo de abertura que, dali a 11 anos, poria termo ao regime de exceção com a eleição (indireta) de Tancredo Neves, que venceu o candidato dos militares Paulo Maluf por 480 votos a 180. 


Em janeiro de 1985, o então presidente da Câmara Ulysses Guimarães — que chegou a ser cogitado para disputar o Planalto pelo PMDB, mas foi preterido pela chapa “mista” formada com o PFL de José Sarney — entregou a Tancredo o programa denominado Nova República, que previa eleições diretas em todos os níveis, educação gratuita, congelamento de preços da cesta básica e dos transportes, entre outras benesses.


O fim da ditadura não foi uma “consequência natural do espírito democrático” de Geisel e Figueiredo e tampouco transcorreu sem turbulências e acidentes de percurso. O processo só foi concluído graças às manifestações populares pró-diretas, que reuniram milhões de pessoas na Candelária, no Vale do Anhangabaú e na Praça da Sé, com faixas, cartazes e camisetas onde se lia a inscrição “EU QUERO VOTAR PARA PRESIDENTE”.


Observação: Nos movimentos pró-diretas, pugnava-se pela aprovação da emenda constitucional Dante de Oliveira, que visava restaurar o direito às eleições diretas, suspenso pelos militares. No dia da votação, exatos 20 anos depois do golpe, uma manobra de bastidores tirou da Câmara 112 deputados. Apesar do clamor das ruas, a emenda foi rejeitada — ou seja, o povo foi traído mais uma vez pela classe política.


Em 1985, com a esperança e os ânimos redobrados, os brasileiros ansiavam pela chegada do dia 15 de março — data prevista para a posse do primeiro presidente civil depois de 21 anos e a volta dos militares às casernas. Mas o que deveria ser a festa da democracia se transformou em luto nacional: Tancredo foi internado 12 horas antes da cerimônia de posse e morreu 38 dias e 7 cirurgias depois. 


Após algumas discussões jurídicas sobre a possibilidade de Ulysses Guimarães, então presidente da Câmara, ser guindado ao Planalto, prevaleceu o entendimento de que o rebotalho do coronelismo nordestino José Sarney, vice na chapa de Tancredo, deveria ser empossado. E foi o que aconteceu, para o bem e para o mal.


Ao contrário do que escreveu Karl Marx, a história nem sempre se repete como farsa; às vezes, ela reproduz fielmente o passado. Na eleição direta de 1989 — a primeira para presidente desde 1960 —, 22 candidatos (entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola) disputaram o Planalto, mas a récua de muares que insiste em fazer a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade, escalou para o segundo turno Lula, o desempregado que deu certo, e Collor, o caçador de marajás de mentirinha. E o resto é história recente.


Prestes a completar 81 anos, o macróbio petista busca seu quarto mandato, tendo como principal adversário filho do ex-presidente golpista que os cegos mentais tratam por "mito", mas na verdade não passa de um combo de mau militar e parlamentar medíocre aspirante a golpista.


Sobre o desgoverno Lula, a reprovação popular apontada pelos institutos de pesquisa dizem tudo. Já o primogênito do refugo da escória da humanidade enfrenta dois adversários inesperados: no Brasil, ele é mastigado por um movimento autofágico da madrasta; nos EUA, vive a síndrome da ameaça de um novo tarifaço de 25% do pseudoaliado Donald Trump.


A despeito da promessa de pacificar o país, o filhote de sacripanta não consegue sequer obter um armistício com Micheque, além de acenar com uma relação privilegiada com a Casa Branca, sem se dar conta de que a calopsita alaranjada não quer aliados, mas vassalos.


Fugindo do apelido de Tariflávio, o filho do pai endereçou nova carta a Washington — desta vez para o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o temível USTR —, na qual anotou que novas tarifas dariam "uma vitória política" ao governo Lula. Em vez de pedir a reversão das tarifas, rogou que a punição seja adiada para "depois das eleições". Ou seja, além de legitimar a natureza política da sanção mostrou-se preocupado com sua campanha, não com os exportadores brasileiros.


Rápido como o raio que o parta, o xamã petista recorreu às redes sociais para acusar a quadrilha, digo, a família Bolsonaro de entreguista. Escreveu que pedir o adiamento da sanção é coisa de "traidores da pátria", pois "não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois".


Ao oscilar entre a autofagia e a trumpfobia, Bolsonarinho gira como um parafuso espanado em torno de problemas que ele próprio criou. Fornecendo material para o adversário, torna-se um caso raro de líder da oposição à sua própria candidatura.


E viva o povo brasileiro.

sábado, 11 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — ATÉ ENTRE PLANETAS HÁ OS DO CONTRA

O TEMPO CURA FERIDAS, MAS DEIXA CICATRIZES.


A polarização na política existe desde sempre, mas nunca foi tão nefasta quanto de um tempo a esta parte, com lulopetistas e bolsonaristas defendendo seus bandidos de estimação nas disputas presidenciais travadas entre o bonifrate de Lula em 2018 — e próprio xamã petista em 2022 — contra Jair Bolsonaro.

Tendo o canhestro Fernando Haddad como adversário, o misto de mau militar, parlamentar medíocre e messias que não miracula tornou-se o "mito" da direita radical e foi guindado ao Planalto por uma caterva de descerebrados com capacidade cognitiva comparável à de uma ameba.

Em 2022, o cenário se inverteu: O demiurgo de Garanhuns venceu o capetão golpista por uma vantagem inferior a 2% dos votos válidos — a menor desde a redemocratização e a volta das eleições presidenciais diretas — e assim conquistou sua terceira (e queira Deus derradeira) passagem pelo Planalto. Bolsonaro, por sua vez, cumpre 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado (não mais na Papudinha, já que simulou toda sorte de comorbidades para ser autorizado a cumprir prisão domiciliar em sua mansão em Brasília — um santo remédio, considerando que desde então não se ouviu dizer que o mandrião quase sufocou com o próprio vômito ou teve crises de soluço).

Depois de concluir seu segundo mandato, o camelô de empreiteiras e fabricante de postes foi alvo de duas dúzias de processos — a maioria por corrupção. Apesar de ter sido condenado a mais de 20 anos de reclusão nos casos do triplex no Guarujá e do sítio em Atibaia (decisões transitadas em julgado no STJ), o molusco eneadáctilo deixou sua cela VIP e voltou ao tabuleiro político-eleitoral na esdrúxula condição de "descondenado" — graças a uma sucessão de decisões teratológicas do STF.

Já a divisão entre "esquerda" e "direita" remonta a 1789, quando o rei Luís XVI convocou os "Estados Gerais" para discutir a crise financeira que assolava a França. O evento se transformou numa Assembleia Nacional Constituinte, na qual os deputados alinhados com o monarca sentavam-se à direita e os que defendiam a limitação do poder real, à esquerda. Em outras palavras, um simples "acidente de localização" fez com que aqueles que apoiam o status quo sejam vistos como "de direita", e os que desejam mudanças, como "de esquerda".

Vale salientar que as correntes de pensamento e ideologias diferentes que preenchem o espaço entre os dois extremos do espectro político-ideológico são tantas quanto os tons de cinza separam o preto do branco na paleta de cores — sendo o branco a soma de todas as cores do espectro visível e o preto, o resultado da ausência da luz.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Dada a incapacidade notória de prever o efeito de seus atos, Jair Bolsonaro & filhos acabam quase sempre prisioneiros da camisa de 11 varas que produzem com o que falam. Ou por outra: a exemplo dos peixes, essa escumalha morre pela boca.

O pater familias  perdeu a reeleição porque passou quatro anos falando e fazendo absurdos sem medir consequências. O primogênito vai pelo mesmo caminho da inconsequência, cujo exemplo mais recente é a tentativa vã de se livrar da jactância do irmão batendo no peito e diante do tarifaço de Donald Trump ao Brasil, dizendo: "Fui eu".

É um fardo que bolsonarinho carregará na campanha a presidente por completa falta de percepção de que aquilo significava um posicionamento contrário aos interesses do Brasil, o que obviamente permitiria ao governo ir ao revide e tirar proveito político/eleitoral.

Da mesma forma não se apagará a imagem do riso de escárnio do primogênito do refugo da escória da humanidade em reação à pergunta do repórter do site The Intercept sobre suas relações com Daniel Vorcaro, horas antes da divulgação do áudio em que pede que o então banqueiro já encalacrado na Justiça pague o restante dos milhões prometidos para financiar o filme "Dark Horse".

Difícil remover a marca do cinismo e da mentira tatuada à própria testa naquela negativa logo desmentida. E como parecer convincente na defesa do Pix, depois de Dudu Bananinha tê-lo comparado ao Zelle americano e dito que poderia ser posto na mesa de negociações com os EUA?

A pauta do combate ao crime encontra obstáculos nas homenagens passadas a milicianos e alianças recentes com a camarilha de políticos fluminenses presos, investigados e/ou inelegíveis. 

Impossível dar o dito pelo não dito, quando não se sabe o que diz, não se mede a relevância das palavras, não se dispõe de tirocínio para antever resultados nem habilidade para administrar as sequelas.

Em contraponto, a madrasta Michelle — Firmo de nascimento e Bolsonaro por adoção — como vimos, tem roteiro bem pensado, frieza e, sobretudo, visão estratégica.


Curiosamente, também entre os planetas há dois esquerdistas (ou "do contra"), que divergem dos outros seis, embora orbitem o Sol no mesmo sentido da rotação solar — herdada do sentido de rotação do movimento angular do disco de gás e poeira formado 4,6 bilhões de anos atrás. Se tomarmos o polo norte visto de cima como referência, o Sol gira no sentido anti-horário, e seis dos planetas também giram em torno do próprio eixo nessa mesma direção — as exceções são Vênus e Urano, que têm “rotação retrógrada”. 

Para Vênus, não existe uma explicação definitiva, apenas hipóteses. Uma delas é que o planeta tenha sofrido uma ou mais colisões catastróficas que alteraram o sentido de sua rotação. Diferentemente da Terra, que ganhou um satélite a partir de sua colisão (a Lua), Vênus teria absorvido a massa desses asteroides e invertido o sentido de sua rotação em função da força do impacto. Outra hipótese, mais fundamentada e apresentada ainda na década de 1980, é que o astro está sendo “puxado” e “empurrado” ao mesmo tempo por duas forças diferentes.

O jeito como Vênus gira hoje é o resultado desse cabo de guerra: por um lado, o Sol o puxa com sua gravidade, criando pequenas deformações no planeta (como marés), que vão desacelerando a rotação e tentando fazê-lo ficar sempre com o mesmo lado voltado para o Sol. Por outro, sua atmosfera extremamente densa, aquecida pelo Sol, cria “ondas” gigantes e gera um tipo de empurrão contínuo que acontece no sentido contrário ao dos outros planetas, daí a rotação retrógrada. Como resultado dessas duas forças, a rotação de nosso vizinho mais próximo é extremamente lenta (um dia venusiano dura mais de 243 dias terrestres) e no sentido oposto da maioria dos planetas.

ObservaçãoA distância média entre a Terra e Marte é de 225 milhões de quilômetros. Dependendo do ponto em que os dois planetas estão em suas órbitas em torno do Sol, essa distância varia de 54,6 milhões a 401 milhões de quilômetros. Vênus fica a cerca de 40 milhões de quilômetros da Terra, e Mercúrio, a 58 milhões. Como essas distâncias mudam conforme o ponto onde cada um está em sua órbita, Vênus pode ficar a 41 milhões de quilômetros da Terra, e Mercúrio, a 57 milhões. Em qualquer caso, Marte estará sempre mais distante.

O segundo caso é menos complexo, mas também ainda não há consenso definitivo. A inclinação axial de Urano (97,77°) faz seu eixo de rotação ficar quase paralelo ao plano orbital. Na prática, o planeta “rola” em torno do Sol (em comparação, a inclinação axial da Terra é de 23,4°). A explicação mais provável (e ainda assim, apenas uma hipótese) é que um grande objeto deve ter colidido e "derrubado o planeta" de lado. Quando isso aconteceu, pedaços de matéria foram ejetados e se acumularam gradualmente, formando as 29 luas que orbitam Urano.

Pesquisas recentes sugerem que Urano pode ter sofrido não apenas um, mas dois impactos massivos no início de sua história, o que explicaria tanto seu ângulo axial extremo como a órbita equatorial de suas luas (elas giram ao redor do planeta no mesmo plano do equador dele, o que é curioso, já que Urano está deitado). Os autores desse estudo argumentam que, se houvesse ocorrido apenas um impacto, as luas de Urano orbitariam em sentido retrógrado — o contrário do que se observa. Segundo alguns modelos, apenas com múltiplos impactos gigantes seria possível explicar por que Urano manteve suas luas se movendo na direção correta.

Enfim, há mistérios que serão desvendados e mistérios que jamais serão conhecidos.

Continua...

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 63ª PARTE

QUEM SORRI SEM PARAR NÃO É ALEGRE — É FALSO.

No que tange  à consciência humana — talvez o maior de todos os mistérios —, a pergunta que não quer calar é: como nossa mente, presumivelmente irreversível, consegue criar uma experiência tão definitivamente direcionada do tempo? 

Alguns neurocientistas sugerem que a consciência pode ser vista como um “processo de integração de informações” que opera numa direção temporal específica, e que nossa sensação de “fluxo” do tempo seria um subproduto da forma como o cérebro processa e armazena memórias. Outros especulam que ela pode ter uma relação especial com o colapso das funções de onda quântica, e que cada “momento” consciente corresponde a uma escolha quântica que define nossa realidade específica entre infinitas possibilidades paralelas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nem tudo na política é bandidagem. Mas não é fácil distinguir os políticos ruins dos muito piores, já que todos os gatunos ficam pardos à medida que a política vai se tornando um outro ramo do crime organizado. Aliás, não há organizações criminosas no Brasil; o Brasil é uma organização criminosa.

A aprovação do projeto de lei que reduz as penas dos condenados por tentativa de golpe de Estado não apaga o caráter casuístico da matéria, a deslavada troca de interesses entre governo e oposição, o atropelo do regimento e a falsidade da alegação de que o gesto marcaria o início da pacificação entre as correntes radicalizadas do país.

Visando modificar decisões do Supremo — que ainda vai examinar o caso —, o Congresso alterou a lei de execuções penais para beneficiar pessoas condenadas. Salta aos olhos que a intenção atendeu a interesses de um grupo político de oposição, mas com apoio do governo — cujo cinismo promete veto.

O Senado fez uma leitura marota do conceito de emenda de redação e ignorou os alertas de senadores mais responsáveis sobre os defeitos do texto. Houve um toma lá dá cá negociado na noite anterior à votação, mediante o qual a oposição garantiria votos para o aumento de fontes de arrecadação no valor de R$20 bilhões.

Não há argumento pacificador capaz de se sustentar ante a seguinte clareza: não existe paridade de condições entre agressor e agredido. Os condenados desferiram ataques dos quais a institucionalidade se defendeu.

Nenhum sinal de arrependimento da parte dos agressores, admissão de culpa ou de compromisso de não repetirem os atos de grave desobediência civil. Ao contrário, reivindicam o perdão como prova de que nada fizeram de errado. Portanto, podem fazer de novo sem que nada de mais grave lhes aconteça, pois sempre haverá uma condescendência à espreita para perdoá-los em nome de uma paz que não virá enquanto prevalecer a lógica da guerra entre os que não têm ferramentas nem disposição para depor as armas e construir ambiente propício a diálogos baseados em preceitos de natureza republicana.

O saudoso Ulysses Guimarães, também conhecido como “Sr. Diretas”, costumava dizer: “Acha esse congresso ruim? Espere para ver o próximo". Lula, dizendo-se indignado, promete vetar, mas o veto pode ser natimorto se considerarmos que o placar foi 48 votos a 25 no Senado e de 291 a 148, na Câmara, e que derrubá-lo demanda maioria simples (41 e 257 votos, respectivamente). Resumo da ópera: ficou mais barato dar golpe graças ao Congresso

Os senadores fizeram uma mudança no texto que deveria levar a questão de volta à Câmara, mas tricotou-se nos bastidores um acordão com o Supremo, com tudo, e é difícil acreditar que Lula — que nunca sabe de nada — e o Planalto não soubessem de toda essa movimentação. 

Nem bem o país deu uma demonstração de maturidade política ao condenar um ex-presidente e generais que tentaram abolir de forma violenta o Estado democrático de direito, parlamentares gestam, parem e aprovam projeto de lei que mitiga os efeitos da decisão. Por essas e outras, a vergonha que eu tinha de ser brasileiro se transformou em nojo. Os vândalos do 8 de janeiro têm de acertar contas à Justiça, mas se tivesse que escolher entre sua anistia e a de centenas de seus seguidores, Bolsonaro daria uma banana para a massa e construiria a narrativa de que faria esse sacrifício, em nome do país.

Somado a questões de saúde, mais esse descalabro me leva a repensar se vale a pena continuar escrevendo sobre política aqui no blog.


Se essas teorias estiverem corretas, talvez estejamos “viajando no tempo” de formas sutis que ainda não compreendemos. Cada decisão consciente, cada observação quântica, cada momento de percepção pode ser uma forma de navegação temporal microscópica — não por meio de grandes saltos dramáticos, mas através de infinitas escolhas que moldam nosso caminho no espaço-tempo.

 

Talvez a viagem no tempo não exija necessariamente máquinas impossíveis ou energia cósmica, mas sim uma compreensão mais profunda de como nossa consciência interage com a estrutura quântica da realidade — transformando-nos, não em turistas temporais, mas em arquitetos conscientes da própria trajetória através do mistério que chamamos de tempo.

 

Observação: Nos capítulos 60 e 61, selecionei quatro exemplos — entre centenas de casos estranhos — que, no mínimo, dão o que pensar. É possível que sejam meras teorias da conspiração, mas isso não muda o fato de que viajar no tempo seja uma possibilidade real — ainda inalcançável, é verdade, mas, como bem disse o poeta, "não há nada como o tempo para passar".

 

Ainda que assim não fosse, cientistas acreditam que a chave para as viagens temporais pode estar em estruturas teóricas chamadas cordas cósmicas — fios invisíveis ao olho nu, mas com a massa de milhares de estrelas. As informações são da BBC, que entrevistou o professor Ken Olum, da Tufts University, David Chernoff, da Universidade Cornell, e J. Richard Gott, da Universidade de Princeton — todas nos Estados Unidos.

 

Supõe-se que as tais cordas cósmicas sejam extremamente finas, apresentem formatos variados — longos tubos que se estendem ao infinito ou laços fechados sobre si mesmos — e percam energia gradualmente ao emitir ondas gravitacionais enquanto vibram. As do primeiro tipo, conhecidas como supercordas cósmicas, baseiam-se na Teoria das Cordas — segundo a qual as partículas fundamentais do Universo seriam, na verdade, cordas vibrantes — e poderiam estar espalhadas pelo cosmos, fornecendo pistas sobre a estrutura do Universo e, possivelmente, sobre o segredo das viagens no tempo. As do segundo tipo seriam um legado das primeiras fases do cosmos, formadas durante uma transição cósmica inicial, que teria deixado “cicatrizes” semelhantes às rachaduras que surgem quando a água congela.

 

Segundo o físico teórico J. Richard Gott, se duas cordas cósmicas se movessem próximas à velocidade da luz, poderiam criar um loop no espaço-tempo, funcionando como um buraco de minhoca e abrindo uma passagem teórica para o passado ou o futuro. A questão é que detectá-las é um desafio imenso: por serem incrivelmente densas, elas deveriam distorcer o espaço-tempo ao redor, produzindo um efeito de lente gravitacional capaz de duplicar a imagem de galáxias, mas estudos recentes sugerem que elas podem ser menos densas do que se imaginava, o que as torna ainda mais difíceis de identificar.

 

Uma abordagem alternativa para localizá-las seria observar o fenômeno de microlente gravitacional em estrelas individuais. Caso uma corda cósmica passe diante de uma estrela, poderia dobrar temporariamente seu brilho, criando pistas para sua identificação. Esse método pode vir a ser crucial para encontrar tais estruturas e, quem sabe, desvendar o segredo das viagens no tempo livres de paradoxos.

 

Se essas pistas forem confirmadas, talvez estejamos mais próximos do que imaginamos de transformar a ficção científica em ciência aplicada. Até lá, as cordas cósmicas permanecem invisíveis, mas não necessariamente ausentes — como ensinou Carl Sagan, "ausência de evidência não é evidencia de ausência — aguardando o momento certo para revelar se são apenas curiosidades teóricas ou portais silenciosos para outros pontos no tempo.  


Por último, mas não menos importante: muitos fenômenos que parecem impossíveis no mundo macroscópico tornam-se plausíveis no universo subatômico da física quântica, onde sistemas podem ser manipulados para simular a passagem do tempo de formas distintas, como demonstrado por um estudo recente da Academia Austríaca de Ciências e da Universidade de Viena. Claro que essa manipulação quântica do tempo não equivale a viagens temporais, e sim à alteração de estados quânticos que permitem a evolução de fótons para estados anteriores — um fenômeno conhecido como "translação temporal".

Ainda que tenha limitações para objetos maiores, essa técnica permite fazer um sistema envelhecer mais rapidamente em comparação aos seus pares, realocando "anos" de um grupo de sistemas para outro. Assim, mesmo que foco não seja viajar no tempo, a manipulação quântica do tempo pode vir a ser parte fundamental do desenvolvimento da computação quântica e de futuras tecnologias. 

Continua...

terça-feira, 1 de julho de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — CAPÍTULO ESPECIAL: AINDA SOBRE OS BURACOS DE MINHOCA

LIBERDADE SEM LEIS É ANARQUIA; LEIS SEM LIBERDADE É TIRANIA.

De acordo com o princípio da incerteza de Heisenberg, o vácuo é um espaço onde pares de partículas virtuais surgem e se aniquilam continuamente. Em escalas próximas ao chamado comprimento de Planck (10³³ cm), o próprio tecido do espaço-tempo é uma "espuma quântica borbulhante", onde as flutuações quânticas fazem com que buracos de minhoca menores que um átomo surjam e desapareçam quase imediatamente, tornando-os intransponíveis e, portanto, imprestáveis para viagens macroscópicas ou comunicação.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Na política, o espelho é uma lente de aumento onde o Poder se enxerga grandioso. O diabo é que autoridades cheias de si ficam vazias quando filtradas pela retina da sociedade. Recém-saídos da tentativa de golpe, 58% dos entrevistados pelo Datafolha disseram ter vergonha dos ministros do Supremo e dos deputados federais, 59%, dos senadores e 56%, e do presidente da República (56%). Alguns sonham com a volta da ditadura; outros lamentam o pesadelo de uma democracia vazia, tomada pela corrupção. A vergonha pode ser boa se forçar a consciência do eleitor a se coçar e ruim se for usada mais uma vez como pretexto para meter os pés pelas mãos.


Teoria das Cordas é uma forte a unificar a relatividade geral — que descreve a gravidade e o universo em grande escala — com a mecânica quântica — que descreve o universo microscópico. Algumas de suas formulações preveem a existência de dimensões espaciais além das três que percebemos, onde buracos de minhoca conectariam diferentes "D-branas" (objetos multidimensionais postulados pela teoria). No entanto, a exemplo dos próprios buracos de minhoca, essa e outras especulações carecem de evidências experimentais.
 
A possibilidade teórica de buracos de minhoca atravessáveis conectarem pontos distantes no espaço em diferentes momentos no tempo afronta o princípio da causalidade e dá margem a incongruências temporais — como o célebre paradoxo do avô
Diante dessas complexidades, Stephen Hawking propôs a conjectura da proteção cronológica, segundo a qual as leis fundamentais da física conspiram para impedir viagens ao passado em escalas macroscópicas, prevenindo, assim, a ocorrência de paradoxos.

Observação: Nunca é demais lembrar que não existem evidências observacionais diretas que confirmem a existência dos buracos de minhoca, que nossa capacidade tecnológica atual ainda não permite criar e/ou manipular essas estruturas em laboratório e que a observação de fenômenos naturais capazes de indicar sua presença é extremamente complexa. 


O astrofísico português João Rosa propôs em um artigo que a chamada gravidade híbrida generalizada-Palatini permitiria a criação de buracos de minhoca atravessáveis. Para contornar a exigência de energia negativa, ele sugeriu que as entradas dos túneis fossem estruturadas em camadas, como cascas de cebola duplas e finas, feitas de matéria comum. Já o professor de física da Universidade de Connecticut Ron Mallet acredita ser possível usar um laser para produzir uma curvatura no espaço-tempo, atravessar esse "túnel" e voltar ao passado ou avançar para o futuro. Ambos reconhecem que há desafios significativos a serem superados e reconhecem que suas propostas precisam ser amplamente debatidas e testadas, mas não restam dúvidas de que se trata de um passo importante na busca por soluções.

 
Após comparar modelos de buracos negros e de buracos de minhoca atravessáveis com base na polarização da luz emitida por um disco de acreção,
 pesquisadores da Universidade de Sófia, na Bulgária, concluíram que alguns objetos atualmente classificados como buracos negros podem ser buracos de minhoca disfarçados. Lentes gravitacionais intensas e a detecção de radiação que atravessasse a "garganta" dos "túneis cósmicos" poderiam fornecer assinaturas características, mas detectar esses efeitos exigiria avanços significativos na sensibilidade e resolução dos instrumentos astronômicos.

 
Simulações em computadores quânticos que exploram a dinâmica dos buracos de minhoca atravessáveis não provam a existência de tais estruturas, mas ajudam a testar os limites das teorias e a entender melhor as interações entre gravidade e informação quântica. A grande dificuldade é distinguir suas assinaturas das de outros objetos — como buracos negros —, sem falar nas vastas distâncias cósmicas que dificultam observações detalhadas. Assim, os buracos de minhoca permanecem como uma das ideias mais cativantes e desafiadoras da física moderna. 


A conjectura da proteção cronológica de Hawking sugere que as próprias leis da física conspiram para impedir paradoxos temporais. contrariando a possibilidade de viajar no tempo rumo ao passado, levando-nos a questionar os limites de nossas teorias atuais e a imaginar novas possibilidades. Mas disse alguém mais sábio que "o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário".

 
Seja como portais para outros mundos, seja como meras curiosidades matemáticas, os buracos de minhoca nos lembram da vastidão do desconhecido e da incessante busca humana por compreender o cosmos em sua totalidade. Enquanto a ficção científica os abraça com entusiasmo, a ciência avança com cautela, passo a passo, na esperança de um dia comprovar que eles não são apenas um sonho fascinante.


Continua...