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segunda-feira, 26 de outubro de 2026

A VERDADE (AINDA) ESTÁ LÁ FORA — PARTE 3

O QUE É MAIS ASSUSTADOR? A IDEIA DE EXTRATERRESTRES EM MUNDOS ESTRANHOS OU A IDEIA DE QUE, EM TODO ESTE IMENSO UNIVERSO, NÓS ESTAMOS SOZINHOS?


Não existem provas cabais da existência de civilizações extraterrestres avançadas, conquanto não faltem relatos, objetos, fotografias, documentos e fenômenos que, ao longo da História, alimentaram a suspeita de que talvez não sejamos os únicos seres inteligentes a olhar para o céu. Mas aqui é preciso manter os pés no chão para não ser colocado dentro de um disco voador.


As Pirâmides de Gizé, Stonehenge, os Moais da Ilha de Páscoa, as Linhas de Nazca e outros monumentos da Antiguidade já foram apresentados como vestígios de uma suposta intervenção extraterrestre. A ideia é sedutora: nossos antepassados teriam recebido ajuda de visitantes vindos das estrelas para construir obras que, à primeira vista, parecem grandes demais, precisas demais ou misteriosas demais para sua época. O problema é que “misterioso” não significa necessariamente “extraterrestre”, sem falar que inexistem evidências arqueológicas aceitas pela comunidade científica de que qualquer dessas construções tenha sido erguida com auxílio de seres de outros mundos. Afirma-se, inclusive, que as sociedades humanas eram perfeitamente capazes de realizar obras monumentais por meio de engenharia, organização social, conhecimento astronômico e, principalmente, uma quantidade impressionante de trabalho humano, mas isso não torna as pirâmides menos extraordinárias — pelo contrário: talvez as torne ainda mais intrigantes.


Igualmente difícil é explicar tapetes voadores e cavernas repletas de tesouros que se abriam por comando de voz — como o célebre Abre-te Sésamo —, até porque aviões e edifícios com portas automáticas só surgiram dali a 4 mil anos. Ou a imaginação dos autores dos Contos das Mil e Uma Noites era mais prodigiosa do que a dos autores de ficção científica contemporâneos, ou suas "fantasias" retratavam coisas que eles já conheciam.


Os deuses das mitologias grega e nórdica habitavam lugares acima das nuvens — o Monte Olimpo e Asgard, respectivamente. Textos cuneiformes dos antigos assírios descrevem divindades vindas das estrelas que viajavam em barcos celestiais. Os deuses dos sumérios eram associados a estrelas e planetas numa época em que sequer se cogitava a existência de sistemas solares, além de serem retratados como seres com estrelas na cabeça ou cavalgando esferas aladas.


Carruagens com rodas cuspindo fogo foram descritas tanto nos apócrifos de Abraão quanto nos de Moisés. Perto de Bagdá, foi descoberto em 1936 um artefato de dois mil anos que experimentos modernos demonstraram ser capaz de gerar mais de 1,4 volts de eletricidade — potência suficiente para eletrodeposição de metais. A arqueologia oficial hesita em confirmar seu uso como bateria, mas a hesitação, ela mesma, é sugestiva.


Textos do Mahabharata descrevem uma arma chamada Brahmastra, cujos efeitos — luz cegante equivalente a dez mil sóis, explosão devastadora, terra que se torna estéril por gerações, cabelos e unhas que caem nos sobreviventes — são suficientemente precisos para que Oppenheimer, ao assistir ao primeiro teste nuclear em 1945, tenha citado espontaneamente o Bhagavadgita. Coincidência literária ou memória de algo que de fato aconteceu?


Não se nega que muitas teorias da conspiração permeiam o assunto, mas algumas proposições contam com defensores ilustres, como o russo Zecharia Sitchin e o britânico Graham Hancock. Mas não é só: com base na obra de Homero, Heinrich Schliemann pavimentou a descoberta de Tróia. No apogeu da civilização maia (entre 250 e 900 d.C.), grandes cidades, pirâmides e praças majestosas foram erguidas em plena floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize. Teóricos da conspiração atribuem esse prodígio ora a alienígenas, ora a habitantes do Continente perdido de Atlântida. Em Stonehenge Decoded, o astrônomo Gerald Hawkins estima que a estrutura foi erguida no período neolítico, quando as Ilhas Britânicas eram habitadas por povos considerados atrasados em relação a seus contemporâneos mediterrâneos.


A hipótese extraterrestre parece tão irresistível porque suscita uma questão perfeitamente legítima: talvez o Universo — com suas centenas de bilhões, senão trilhões, de galáxias, cada uma contendo bilhões de estrelas — seja grande demais para a nossa imaginação. 


Não se sabe o destino das bibliotecas de Jerusalém e de Pérgamo, nem quantos segredos se perderam com as destruições em massa dos livros históricos, astronômicos e filosóficos ordenadas pelo imperador chinês Shih-Huang, por Hitler e por Mao Tsé-Tung. Um alfarrábio contendo "toda a ciência da antiguidade" foi destruído pelo imperador inca Pachacuti, e milhões de volumes pertencentes a Ptolomeu I Sóter foram incinerados por ordem do Califa Omar. O que se perdeu nessas fogueiras não se sabe, mas sabe-se que a história do conhecimento humano não é uma linha reta ascendente, e sim um arquipélago de ilhas separadas por mares de silêncio.


Estimativas sobre a quantidade total de estrelas e planetas variam enormemente porque dependem de modelos e observações indiretas, mas foi justamente essa imensidão que inspirou uma das frases mais conhecidas associadas a Carl Sagan: “Se somos apenas nós, parece um terrível desperdício de espaço.” A ideia aparece em Contato, embora a formulação tenha raízes mais antigas e Sagan também tenha citado uma reflexão de Thomas Carlyle sobre a possibilidade de outros mundos habitados.


Em suma, a existência de vida fora da Terra não é uma fantasia absurda, mas uma hipótese científica perfeitamente legítima. O problema começa quando saltamos de “é provável que exista vida em algum lugar” para “eles estão aqui” — duas afirmações completamente diferentes.


Observação: O acrônimo UFO, de unidentified flying object, deu lugar, em boa parte do vocabulário oficial americano, a UAP, de unidentified anomalous phenomena. A mudança não é apenas cosmética: UAP é uma categoria mais abrangente e não pressupõe sequer que aquilo observado seja uma aeronave. Mas a explicação oficial continua sendo muito menos emocionante que a imaginada pelos ufólogos: um fenômeno não identificado não é, por definição, um fenômeno extraterrestre.


Durante décadas, muitos relatos foram explicados como aeronaves, balões, fenômenos meteorológicos, efeitos ópticos, erros de percepção, artefatos fotográficos ou outros acontecimentos perfeitamente terrestres. Outros permaneceram sem explicação satisfatória, de modo que a discussão continua viva. E poucos episódios contribuíram tanto para transformar a ufologia moderna em fenômeno cultural quanto o Caso Roswell.


Em julho de 1947, jornais do Novo México noticiaram que militares haviam recuperado, nas proximidades de Roswell, um objeto descrito inicialmente como um “disco voador”. Pouco depois, a versão oficial mudou: os destroços seriam de um balão. Décadas mais tarde, a cidade se transformou no grande símbolo da suposta ocultação de naves e corpos extraterrestres pelo governo americano, ainda que as investigações oficiais posteriores "não tenham encontrado evidências" de uma nave alienígena.


Segundo a Força Aérea americana, os destroços eram compatíveis com um projeto de balão de alta altitude conhecido como Mogul, utilizado para pesquisas e monitoramento. A mesma investigação apontou que os supostos “corpos alienígenas” associados ao caso provavelmente resultaram da mistura de diferentes acontecimentos ocorridos em anos posteriores, inclusive testes com bonecos antropomórficos lançados de balões.


Seja como for, o caso sobreviveu por quase oito décadas, suscitando teorias conspiratórias que misturam segredo militar, documentos desaparecidos, testemunhas tardias, versões conflitantes e supostos encobrimentos, sendo difícil separar o acontecimento original da mitologia construída em torno dele. No entanto, por mais que Roswell seja fascinante, fascínio não constitui prova. 


Mais adiante, apareceu a Área 51, que acabou se transformando em uma espécie de parque temático mundial da conspiração. Não há provas de que existam ETs escondidos por lá, mas, se existirem, eles escolheram um lugar bastante apropriado para não receber visitas.


Entre 1947 e 1969, a Força Aérea Americana (USAF) investigou milhares de relatos por meio dos projetos Sign, Grudge e, por fim, do famoso Blue Book. Foram registrados 12.618 avistamentos, dos quais 701 permaneceram classificados como “não identificados” quando o projeto foi encerrado. Parece muita coisa, mas há uma diferença fundamental entre dizer que os relatos permaneceram sem identificação e afirmar que se trata de naves extraterrestres. 


O governo não chegou a essa conclusão; ao contrário: sua posição oficial foi que não havia evidência de que os casos classificados como não identificados representassem veículos extraterrestres. E o famoso Relatório Condon, resultado de um estudo conduzido pela Universidade do Colorado — a pedido da própria Força Aérea — também não encontrou base científica suficiente para sustentar a hipótese extraterrestre como explicação para os fenômenos investigados. 


Em dezembro de 1969, as investigações foram encerradas, mas o céu continua lá e as pessoas continuam olhando para ele.


Continua...

quarta-feira, 1 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE OVNIs, UAPs E AFINS

A RAPOSA SEMPRE OUVE O TOQUE DA CORNETA E O LATIDO DOS CÃES.

Há inúmeros relatos de avistamentos de objetos voadores não identificados que os cientistas e governos ainda sabem explicar.


Até pouco tempo atrás, OVNIs — ou UFOs, ou ainda UAPs — eram rotulados como fenômenos atmosféricos mal interpretados ou alucinações coletivas alimentadas por teorias da conspiração. Mas isso não apaga as suspeitas de que visitas alienígenas à Terra sejam mais antigas do que imaginamos.


Projetos como o Mogul — balões metálicos para espionagem nuclear na Guerra Fria — esclarecem alguns casos, porém naves capazes de pairar como helicópteros e disparar a velocidades hipersônicas seguem sem explicações convincentes, e supostos acidentes com artefatos extraterrestres continuam sem solução — no mais das vezes, os órgãos oficiais se limitam a negá-los, a despeito de os indícios saltarem aos olhos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O caso Master derrubou o líder do governo no Senado, seis dias depois da operação da PF que teve Jaques Wagner como alvo.

A pré-campanha de Bolsonarinho, que poderia ter um momento positivo com o caso chegando ao PT, acabou tendo que lidar com problemas internos e correr para apagar o fogo acendido por um vídeo da madrasta Michelle com acusações contra o enteado.

Falando na famiglia do refugo da escória da humanidade, em depoimento sobre a apreensão de sua arma com um segurança, durante uma blitz, o ex-presidente e atual presidiário Jair Bolsonaro disse que não poderia ficar desarmado em seu domicílio prisional, pois tem "três mulheres em casa".

A insinuação de que não hesitaria em atirar contra eventuais agressores de Michelle, da filha e da enteada soou infundada — porque sua residência conta com vigilância integral e contínua da Polícia Penal do DF — e contraditória — porque a valentia do preso destoa do quadro de enfermidade crônica esgrimido pela defesa para reivindicar no Supremo a prorrogação do benefício da prisão domiciliar humanitária. Uma das consequências possíveis é a regressão do regime prisional, com o retorno do condenado ao cárcere. Quer dizer: usando a língua como gatilho, Bolsonaro atingiu o próprio pé.


Em 1947, o Roswell Army Air Field anunciou a queda de um "disco voador" no deserto do Novo México, mas se retratou em seguida, afirmando tratar-se de um balão meteorológico. O episódio eternizou a cidade como berço da ufologia e a Área 51 como epicentro de conspirações alienígenas.


Décadas depois, Bill Clinton ordenou investigação federal sobre "o que diabos rolava lá", e a CIA admitiu a base no deserto de Nevada — mas jurou que era só para aviões espiões.


Em 2010, dezenas de oficiais americanos avistaram UAPs sobre silos nucleares na Base Aérea de Malmstrom, Montana. O ex-capitão Robert Salas descreveu uma nave vermelha e brilhante flutuando a metros do portão. No Brasil, ícones como o caso Trindade (1958), a Operação Prato e o ET de Varginha marcam contatos imediatos de variados graus.


Observação: A classificação dos "contatos imediatos" vai de 1 a 8, mas somente os três primeiros graus têm aceitação científica ampla. Os contatos de 1º grau são avistamentos de um ou mais UAPs a menos de 180 m de distância; nos de 2º grau o objeto deixa evidências físicas no ambiente, como marcas de pouso, vegetação queimada, interferência em sistemas elétricos ou efeitos fisiológicos em testemunhas; os de 3º grau envolvem a observação de seres extraterrestres (humanóides, robôs, tripulantes) associados à nave; os de 4º grau incluem a abdução de seres humanos ou relatos de mudança na realidade/percepção (encontros "de sonho"); nos de 5º grau há comunicação bilateral, proativa e consciente entre seres humanos e extraterrestres; nos de 6º grau ocorre a morte de um humano ou animal durante o encontro; e nos de 7º grau há relatos associados à criação de seres híbridos (humanos/extraterrestres).


Radares não têm crença, não mentem nem sonham, mas a ufologia depende majoritariamente de testemunhos testados por seus próprios especialistas — o que gera mais perguntas. Como aponta a tese "Objetos intangíveis: ufologia, ciência e segredo", a ufologia pega carona na ciência, mas a censura por ignorar relatos que poderiam impulsioná-la.


A NASA levou humanos à Lua e sondas ao espaço interestelar, mas nenhuma tecnologia desenvolvida até agora permite atingir velocidades próximas à da luz. Os físicos trabalham atualmente com modelos teóricos que incluem buracos de minhoca e até universos paralelos — ideias tão ousadas quanto era, na época das grandes navegações, a possibilidade de cruzar o Atlântico sem cair da borda do mundo.


Relatórios recentes do Pentágono (como os do AARO em 2024/2025) admitem UAPs inexplicáveis, mas não reconhecem a existência de ETs. Todavia, não há nada como o tempo para passar: Em 1500, Cabral demorou 44 dias para vir de Lisboa ao litoral baiano, e em 2003 o supersônico Concorde fazia o mesmo por ar em cerca de 3 horas.


Talvez ainda estejamos na era das "caravelas da física temporal", mas quem sabe o "Concorde da cronologia" não surge nas próximas décadas...


Continua…

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 51ª PARTE (AINDA SOBRE OVNIS)

ONDE HÁ FUMAÇA HÁ FOGO.

Suspeitas de que alienígenas visitam a Terra não vêm de hoje (vide capítulo 40). Há inúmeros relatos de avistamentos de OVNIs — acrônimo de "objetos voadores não identificados" —, mas faltam argumentos convincentes de que se trata de balões meteorológicos, drones ou projetos desenvolvidos em segredo pelos EUA, Rússia ou China. 

 

Observação: O acrônimo UFO — de "unidentified flying object" — deu lugar a UAP — de "unidentified anomalous phenomena" —, mas a explicação oficial ainda é a mesma na maioria dos casos, ou seja, que não necessariamente têm origem extraterrestre. Até recentemente, os UAPs eram classificados oficialmente como fenômenos atmosféricos mal interpretados ou alucinações coletivas fomentadas por teorias da conspiração, mas, aos poucos, o entendimento das autoridades vem mudando (mais detalhes no capítulo anterior).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Quando um quer, dois brigam. Quando dois querem, aí mesmo é que o pau come. Ninguém sabe qual vai ser o resultado da próxima sucessão. Mas parece claro que a Presidência da República vai ser disputada em 2026 a paus e pedras. 

Os dois lados ruminam certas dúvidas, nenhuma delas certa. Lula subiu nas penúltimas pesquisas, mas não disparou. Os rivais estão zonzos, mas não morreram. A incerteza deveria conduzir ao diálogo, não à desavença.

A eleição presidencial ainda mora longe. O desalinho das contas nacionais mora ao lado. Seja quem for o eleito, terá que lidar com um buraco de mais de 92% de despesas obrigatórias consumindo todo quase todo o dinheiro arrecadado com impostos.

Se a briga prematura de governo e oposição serve para alguma coisa é para cavar um buraco ainda maior.

 

Eventos famosos, como o Projeto Mogul — que usava balões metálicos para espionagem — foram atribuídos a programas militares secretos. A existência de naves alienígenas acidentadas jamais foi confirmada oficialmente, mas tampouco se conseguiu explicar a capacidade de pairar no ar como helicópteros e acelerar a velocidades hipersônicas desses objetos, que parecem ser muito mais avançados que qualquer coisa construída neste planeta. 

 

O célebre Caso Roswell merece destaque especial. Em 1947, o Roswell Army Air Field reconheceu que um "disco voador" havia caído na área rural da cidade de Roswell, no Novo México (EUA). Num segundo comunicado à imprensa, a nova versão dizia tratar-se de um balão meteorológico. O episódio transformou a cidade em ícone da ufologia e a Area 51, em palco de teorias conspiratórias envolvendo naves e seres alienígenas. Décadas depois, Bill Clinton determinou uma investigação federal sobre "o que estava acontecendo lá", e a CIA finalmente reconheceu a existência da base militar no deserto de Nevada, mas assegurou que ela era usada apenas em projetos secretos de vigilância aérea. 

 

Em 2010, dezenas de oficiais norte-americanos avistaram objetos não identificados pairando sobre silos de mísseis nucleares na Base Aérea de Malmstrom, em Montana. O ex-capitão Robert Salas relatou ter ficado a poucos metros de uma nave vermelha, brilhante, que flutuava acima do portão da frente da instalação. No Brasil, o caso Trindade, a Operação Prato e o ET de Varginha são exemplos emblemáticos de contatos imediatos de diversos graus.

 

Radares não têm crença, mas, afora os documentos oficiais e fotografias de UAPs — que são alvo de escrutínio constante por meio de ferramentas de análise de imagens —, as evidências com que os ufólogos trabalham são, em sua maioria, testemunhos pessoais submetidos a testes de confiabilidade pelos próprios ufólogos, que não raro conduzem a novas perguntas. Segundo o autor da tese "Objetos intangíveis: ufologia, ciência e segredo", a ufologia toma emprestados elementos das diversas disciplinas científicas, mas utiliza seus próprios métodos e questiona a ciência por ignorar relatos sobre os avistamentos que teriam potencial para fazê-la "progredir". 

 

É fato que a NASA colocou astronautas na Lua e enviou sondas para o espaço interestelar. Mas também é fato que nenhuma tecnologia desenvolvida até agora permitiu cruzar o cosmos a velocidades próximas à da luz ou criar atalhos no espaço-tempo através dos quais seja possível percorrer milhões ou bilhões de quilômetros em questão de minutos (ao menos até onde sabemos). No entanto, já dizia o poeta que não há nada como o tempo para passar. Os físicos trabalham atualmente com modelos teóricos que incluem buracos de minhoca, dilatação temporal e até universos paralelos — ideias tão ousadas foi a possibilidade de cruzar o mar sem cair da borda do mundo durante as Grandes Navegações. Talvez ainda estejamos na era das caravelas da física temporal, mas quem sabe o que o "Concorde da cronologia" nos trará nos próximos séculos?

 

No livro Eram os Deuses Astronautas? (1968), Erich von Däniken oferece explicações intrigantes para diversos enigmas que a história não conseguiu elucidar. Segundo sua Teoria dos Antigos Astronautas, alienígenas visitam a Terra há milhares de anos, e foram tomados como "deuses" pelos antigos egípcios, gregos, maias e outros povos, como evidenciam pinturas e esculturas encontrada por arqueólogos. "Autores "sérios" como Pierre Houdin e Bob Brier atribuem ao trabalho do pesquisador suíço a pecha de “pseudociência”, mas talvez haja uma ponta de inveja nessa crítica, considerando que os livros do “pseudocientista” foram traduzidos para mais de 30 idiomas, venderam dezenas de milhões de cópias e inspiraram a popular série Alienígenas do Passado, do History Channel.

 

Cada um pode acreditar no que bem entender — da probidade da autoproclamada "alma viva mais honesta do Brasil" ao "patriotismo" do penúltimo inquilino do Palácio do Planalto; da planicidade da Terra à existência de seres reptilianos que habitam as profundezas do planeta. Eu, a exemplo de São Tomé (que só acreditou na ressureição de Cristo depois de ver e tocar em suas chagas), prefiro ver para crer. Entre narrativas religiosas que tentam explicar mistérios que as próprias religiões não entendem, e teorias baseadas em evidências levantadas pela ciência, eu prefiro estas àquelas. 

 

Entre os anos de 1948 e 1968, o Projeto Blue Book identificou 1.268 relatos de UFOs, dos quais 701 permanecem envoltos em mistério. E o mesmo se aplica a 143 dos 144 avistamentos que o Pentágono registrou nas últimas duas décadas. Um ex-diretor do AATIP — entregou ao The New York Times vídeos gravados por caças da Marinha em 2004, 2014 e 2015. Num deles, que ficou conhecido como Incidente Nimitz, um objeto oval sem asas nem propulsores visíveis executava manobras aparentemente impossíveis do ponto de vista aerodinâmico. 

 

Um relatório produzido pela ODNI catalogou 510 casos de UAPs. Dos 366 que foram investigados, 26 eram sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) ou drones, 163 eram balões ou "artefatos semelhantes a balões", meia dúzia foi considerada "desordem” (como pássaros, sacolas plásticas de compras flutuando no ar, e por aí vai) e 171 foram classificados como avistamentos de UAPs "não caracterizados e não atribuídos (sobretudo os que demonstram características de voo incomuns ou capacidades de desempenho que requerem análises mais aprofundadas).  

 

Em um episódio da série Unidentified com Demi Lovato, a própria apresentadora disse que foi abduzida por alienígenas. A modelo brasileira Isabeli Fontana relatou uma experiência inusitada durante a gravidez. Fábio Jr. contou à revista IstoÉ que viu duas naves pairando sobre seu carro. A ex-BBB Flávia Viana disse ter avistado um OVNI na cidade mineira de Três Pontas. O ator Rodrigo Andrade compartilhou em suas redes sociais um vídeo no qual um "objeto luminoso" acompanhou o avião em que ele viajava por cerca de 25 minutos — e que mudou de cor e de tamanho várias vezes antes de desaparecer. 

 

O jornalista e apresentador Amaury Jr contou que já avistou mais de 40 objetos esféricos e em forma de prato em sítio, no município paulista de Vinhedo. A cantora Elba Ramalho revelou ter sido "chipada" por extraterrestres enquanto dormia. Suzana Alves — mais conhecida como Tiazinha — filmou um OVNI na Marginal Pinheiros, em São Paulo, por cerca de 30 segundos. Tarcísio Meira contou que ele, a mulher e outras seis pessoas testemunharam quatro objetos voando em formação assimétrica que ficaram parados por cerca de um minuto antes de desaparecer. O cantor Xororó observou uma nave com uma luz bem forte quando dirigia por uma estrada do interior de São Paulo, e disse que teria parado e tentado um contato se sua mulher e os filhos não estivessem no carro com ele. 

 

Observação: Não sei se esses depoimentos são confiáveis, mas sei que passei por uma experiência semelhante à do sertanejo nos anos 1960, quando passava férias no sítio dos meus avós, numa bucólica cidadezinha do interior paulista. Um primo que estava comigo também viu a luz, que continuou sobre nós enquanto fugíamos em desabalada carreira, e então se tornou um pontinho no céu e desapareceu. Voltei ao sítio outras vezes em outros anos, mas nunca vi nada parecido. Reencontrei esse primo uma dezena de vezes nos últimos 60 anos, mas, curiosamente, nunca falamos no assunto.   

 

Durante uma conversa descontraída com alguns colegas do Los Alamos National Laboratory, em 1950, o físico italiano Enrico Fermi levantou a seguinte questão: "Onde está todo mundo?" Um quarto de século depois, em seu único livro de ficção — Contact —, o astrofísico Carl Sagan escreveu "The universe is a pretty big place. If it's just us, seems like an awful waste of space" (O universo é um lugar muito grande. Se somos só nós, parece um terrível desperdício de espaço). E com efeito. 

 

Em condições ideais (noite sem lua, com atmosfera limpa e seca e sem poluição luminosa), conseguimos avistar de 2.500 a 3.000 estrelas no céu noturno. Considerando que enxergamos apenas metade da esfera celeste de cada vez, o total de estrelas visíveis a olho nu fica entre 5.000 e 6.000, mas estima-se que existam cerca de 100 bilhões de galáxias no Universo, as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões. Nem todos esses dez sextilhões de "sóis" têm planetas girando a seu redor, mas boa parte deles é orbitada.

 

Depois que o primeiro exoplaneta foi avistado (há cerca de 30 anos), outros milhares foram sendo observados não só em sistemas solares semelhantes ao nosso, mas também orbitando anãs vermelhas e estrelas de nêutrons ultradensas. Em 2022, o Projeto TESS confirmou a existência de cerca de 5.000 exoplanetas — atualmente, entre confirmados e aguardando confirmação, são mais de 8.000. Somente na Via Láctea há centenas de bilhões de "mundos" sobre os quais quase nada sabemos. 


Observação: Há desde mundos pequenos e rochosos, como a Terra, e gigantes gasosos maiores que Júpiter, como os assim chamados “Júpiteres quentes” — corpos celestes com semelhanças físicas com Júpiter, mas que orbitam muito mais próximos de suas estrelas, donde sua natureza "quente". Há ainda as “superterras” — planetas rochosos maiores que a Terra —, os "mininetunos" — versões menores que o "nosso" Netuno —, planetas que orbitam duas estrelas ao mesmo tempo ou que giram em torno de restos colapsados de estrelas mortas. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, cujo lançamento está previsto para 2027, descobrirá novos exoplanetas, e Missão ARIEL, prevista para 2029, analisará as atmosferas dos exoplanetas com base em suas nuvens e neblinas.

 

Se formos um pouco mais além e consideramos que algumas hipotéticas civilizações sejam mais desenvolvidas que a nossa, como negar a possibilidade de extraterrestres viajarem pelo cosmos em busca de outros mundos? O surgimento de vida (da forma como a conhecemos) é um processo complexo, que precisa superar inúmeras barreiras, sobretudo quanto tomamos a Terra como exemplo de "planeta habitável típico". Por outro lado, se outras civilizações alcançaram um estágio de desenvolvimento semelhante ao nosso, por que não conseguimos detectar sinais de rádio ou de outro tipo de tecnologia alienígena avançada, como os que somos capazes de produzir?

 

Entre o silêncio das estrelas e o burburinho das teorias, o mistério persiste. E the answer, my friend, is blowing in the wind.

 

Continua...