quinta-feira, 27 de março de 2025

TRAVA ZAP

FANÁTICO É AQUELE QUE NÃO CONSEGUE MUDAR DE OPINIÃO E NÃO ACEITA MUDAR DE ASSUNTO.

 

Trava Zap é um tipo de mensagem maliciosa disseminada pelo WhatsApp que combina milhares de caracteres aleatórios. O objetivo é travar o mensageiro — ou o próprio celular, já que o app usa toda a memória do dispositivo para tentar processar e ler a mensagem. 

De certo modo, isso faz lembrar os vírus de computador dos tempos de antanho, que pregavam sustos nos usuários produzindo sons estranhos, exibindo mensagens engraçadas/obscenas ou travando o computador. Para piorar, não é difícil de encontrar várias versões desse tipo de programa malicioso na Web, muitas vezes disfarçadas de ferramentas inofensivas. Mas vale destacar que baixar e compartilhar esse tipo de software pode expor o próprio usuário a riscos, como golpes e malwares escondidos.

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Xandão não deixou dúvidas quanto à conversão de Bolsonaro e os sete cúmplices incluídos no "núcleo crucial" da denúncia da Procuradoria da República em réus. Didático, ele injetou na transmissão ao vivo da sessão um vídeo com replay do quebra-quebra de 8 de janeiro e das ações terroristas que eletrificaram Brasília nos dias que antecederam a posse de Lula — na véspera, ele já havia exibido farto material expondo os dados que reuniu para se defender dos ataques que sofre nas redes bolsonaristas. Enfático, chamou de "narrativa mentirosa" a tese segundo a qual o Supremo estaria condenando velhinhas com bíblia na mão, que passeavam num domingo ensolarado pela sede dos Poderes. Assertivo, mostrou que, das 497 condenações imposta aos vândalos, metade teve penas inferiores a três anos de cadeia, substituídas por penas alternativas, que apenas 43 receberam castigos superiores a 17 anos, que as mulheres são 32% dos condenados e os idosos, menos de 9%. 

Assim, a 5 dias do 61º aniversário do golpe de 64, um ex-presidente da República enroscado num atentado à democracia dessa magnitude desce ao banco dos réus com seus comparsas, que foram seduzidos pela sublevação falhada do capitão golpista. Entre eles há três generais (Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira), um almirante (Almir Garnier), um tenente-coronel (Mauro Cid), um ex-ministro da Justiça (Anderson Torres) e um ex-chefe da Abin (Alexandre Ramagem). É imperativo, portanto, punir com todo o rigor da lei o alto-comando da organização criminosa que acionou o que a ministra Cármen Lúcia chamou de "máquina de desmontar a democracia." 

Do ponto de vista político, o chefe do golpe ficou mais próximo da cadeia, e direita brasileira ganhou razões adicionais para se qualificar. Aguardemos, pois, os próximos capítulos dessa novela, que prometem ser emocionantes.


O impacto do Trava Zap mensagem pode variar de um simples travamento temporário, que pode ser resolvido simplesmente reiniciando o WhatsApp, ao comprometimento do dispositivo como um todo — situação que obriga o usuário a reiniciar o celular ou, em casos extremos, restaurar as configurações de fábrica.
 
Se você for alvo dessa praga e o WhatsApp travar, a primeira coisa a fazer e tentar reabrir o aplicativo, excluir a mensagem e bloquear o remetente. Se o programa continue travado, acesse as configurações do aparelho e limpe o cache do WhatsApp. Vale também tentar acessar o WhatsApp Web pelo navegador, já que algumas mensagem travam o celular mas não afetam o acesso pelo computador. Se conseguir, exclua a mensagem e bloqueie o contato. 
 
Se nada disso funcionar, desinstale e reinstale o WhatsApp. Se o aparelho estiver completamente travado, force o desligamento ou espere a bateria acabar (a maioria dos smartphones desliga automaticamente quando o nível de carga cai a 5%).
 
A título de prevenção: 1) Jamais abra mensagens suspeitas — se receber um texto com caracteres estranhos e sem sentido, evite abrir, mesmo que o remetente seja uma pessoa conhecida; se for desconhecido, bloqueie o contato; 2) impeça que desconhecidos adicionem você em grupos — no WhatsApp, toque em Configurações > Privacidade > Grupos e ative a opção Meus Contatos; 3) atualize o WhatsApp regularmente e mantenha backups. 

 

O Trava Zap se enquadra na categoria de fraude eletrônica, conforme o art. 171 da Lei nº 14.155/2021. Se você for vítima desse tipo de ataque, registre um boletim de ocorrência em uma delegacia especializada em crimes cibernéticos e busque a orientação de um advogado para tomar as medidas legais cabíveis

quarta-feira, 26 de março de 2025

PREVISÕES E MAIS PREVISÕES

FUJA DOS POBRES ENRIQUECIDOS E DOS RICOS EMPOBRECIDOS.

 
O mundo avançou mais nos últimos dois séculos do que desde a invenção da roda até Revolução Industrial. Ainda estamos longe do futuro à la The Jetsons, onde carros voadores, faxineiras-robôs e férias em Marte fazem parte do cotidiano, mas já temos telefones celulares, relógios inteligentes e televisores com telas ultrafinas. Robôs de aparência humanóide — como a Rosinha do desenho — estão sendo desenvolvidos, e aspiradores autônomos dividem espaço com os convencionais nas prateleiras das lojas de eletrodomésticos. Quanto a carros voadores, o Genesis X1 e modelos da empresa de mobilidade aérea urbana Eve, da Embraer, devem estar disponíveis no ano que vem.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Ontem, após rejeitar as preliminares levantadas pelas defesas, a primeira turma do STF suspendeu a sessão e adiou para as 9h30 de hoje a decisão de promover Bolsonaro e outros sete denunciados a réus.
Na segunda-feira, depois de rejeitar o pedido de suspeição de Moraes, Dino e Zanin, o ministro Nunes Marques teve uma recaída de bolsonarite aguda e interrompeu o julgamento da deputada Carla Zambelli quando o placar era de 4 a 0 pela condenação a 5 anos e 3 meses de prisão por perseguição armada em outubro de 2022 (Zanin e Toffoli anteciparam seus votos, formando maioria pela condenação da parlamentar).
O pedido de vista chegou ao STF em 1997, de carona com o deputado Nelson Jobim, que ganhou a suprema toga do então presidente FHC. Em tese, sua finalidade é dar mais tempo aos magistrados para estudar os autos, mas na prática ele serve para obstruir a votação e adiar uma decisão uma decisão contrária ao entendimento do ministro que recorre a esse estratagema.
Pelo regimento interno do STF, a devolução dos autos deve ser feita até a segunda sessão subsequente à do pedido de vista, mas ninguém se atém a isso. Na maioria das vezes, o autor do pedido só devolve o processo quando vislumbra a possibilidade de um ou mais colegas mudarem o voto, ou quando a maioria formada já não faz mais diferença. O ministro Ayres Britto, aposentado em 2012, alcançou a marca de 76 pedidos de vista, dos quais 70 não haviam sido devolvidos quando ele deixou o tribunal.
O que o ministro-tubaína fez foi empurrar com a barriga uma condenação inevitável, o que só faz sentido se a intenção for não "contaminar" o julgamento da admissibilidade da denuncia contra Bolsonaro et caterva por tentativa de golpe de estado e outros crimes. Não sei se foi esse o caso, mas a mim me parece um bom palpite.

No desenho, o jetpack era o sonho de consumo dos telespectadores mirins, mas a tecnologia já existe  — em 2021, a JetPack Aviation vendeu unidades para militares de um país do sudeste asiático. No campo das viagens espaciais, um estudo científico que tomou como base o voo dos albatrozes sugere que é possível aproveitar os ventos gerados pelo Sol para alcançar até 2% da velocidade da luz, permitindo que espaçonaves ultrapassem os limites do Sistema Solar — como já fizeram as sondas Voyager, lançadas pela NASA em 1977, que já alcançaram o espaço interestelar.
 
Nem todas as previsões feitas em filmes de ficção, como a trilogia De Volta para o Futuro, se concretizam (vale a pena conferir 13 pisadas na bola  da saga criada em 1989, que previu como seria o mundo dali a 26 anos), mas mantos de invisibilidade — como o usado por Harry Potter (criação de J.K. Rowling) — não só foram desenvolvidos a partir de metamateriais que fazem a luz contornar o objeto coberto, como também vêm sendo constantemente aprimorados.
 
Quando a Apollo 11 alunissou (1969), previu-se que, em poucos anos, as viagens interplanetárias seriam corriqueiras. Mas até agora, o que conseguimos foram robôs em Marte e sondas explorando os confins do Sistema Solar — o que, convenhamos, não é pouco. Em 1995, a BBC veiculou o programa Tomorrow's World, onde pensadores renomados especulavam sobre os avanços tecnológicos das três décadas seguintes. Um desses episódios contou com o astrofísico Stephen Hawking, que afirmou que poderíamos esperar "grandes mudanças" para 2025.
 
Com uma frase tão vaga, fica difícil errar (daí o sucesso de cartomantes, videntes e horoscopistas de tabloides, que fazem previsões genéricas, como "aquarianos devem cuidar da saúde", "librianos precisam evitar investimentos arriscados" ou "piscianos terão novidades no campo sentimental"). Mas a equipe do Tomorrow’s World foi mais longe, prevendo que, até o ano 2000, a web estaria sob o controle de "barões empresariais" e grandes bancos. Embora a internet tenha permanecido de acesso livre, os maiores espaços e sites são propriedade de poucas corporações, que controlam os algoritmos e o que os usuários podem acessar. 
 
A mineração espacial, que era considerada uma grande indústria para 2025, ainda não aconteceu, e tampouco as viagens do Reino Unido para a Índia em 40 minutos, mas óculos de realidade virtual, alto-falantes inteligentes como a Alexa e até hologramas estão cada vez mais presentes. Filmes distópicos ambientados em 2025 frequentemente retratam desastres e tragédias ecológicas. Future Hunters (1986) descreve a Terra como um grande deserto. Mesmo que essa previsão apocalíptica não tenha se concretizado, a ONU estima que até 2045, 135 milhões de pessoas serão deslocadas devido à desertificação. 

Talvez o filme de ficção que mais se aproxima da realidade de 2025 seja Ela (2013), que abordou a relação crescente da sociedade com inteligências artificiais conversacionais. Hoje, já existem assistentes virtuais e chatbots que servem como companhia para muitas pessoas, seja por carência, entretenimento ou pura conveniência.
 
Continua...

terça-feira, 25 de março de 2025

ENTRE DEUSES E TOGADOS

ALEA JACTA EST.

Asgard, o equivalente nórdico do Monte Olimpo da mitologia grega, liga-se Midgard, o reino dos mortais, por Bifrost, a ponte do arco-íris. Lá, num um majestoso salão com 540 portas, fica Hlidskialf, o trono mágico de onde o todo-poderoso Odin observa tudo que acontece nos nove mundos.

 

Num certo planetinha azul, encravada no Planalto Central de uma republiqueta de almanaque, fica a mitológica Brasília da Fantasia. No extremo leste de seu Plano Piloto, as sedes do Executivo federal, do Legislativo e do Judiciário dividem a Praça dos Três Poderes


Até o início do século XIX, nossa republiqueta de bananas não tinha uma corte suprema. Com a vinda da família real portuguesa para o Rio de Janeiro, foi criada a Casa da Suplicação do Brasil, mas a função de suprema corte só se solidificou em 1829, com a criação do Supremo Tribunal de Justiça, que passou a se chamar Supremo Tribunal Federal em 1890, nas pegadas da Proclamação da República.

 

O STF ocupa uma área de 14.000 m2 (100 dos quais reservados para a sala do presidente da Corte). Seus 11 membros, chamados de ministros, são indicados pelo presidente da República e aprovados no Senado por maioria simples (41 dos 81 votos possíveis). O cargo não é vitalício, mas a aposentadoria só é compulsória quando o semideus togado completa 75 anos.

 

Diferentemente das imagens da deusa Têmis que decoram fóruns e tribunais mundo afora, a estátua de pedra erigida diante do STF está sentada. Como as demais, tem os olhos vendados e uma espada na mão, mas sua balança foi roubada por um deputado que, graças ao foro privilegiado, ainda não foi julgado. Em nossa corte suprema, uma decisão tanto pode demorar duas horas quanto vinte anos, a depender do ministro que a toma e de quem ela favorece — vide o caso de Collor, que foi condenado a mais de oito anos de prisão em 2023 e continua livre, leve e solto graças a sucessivos embargos procrastinatórios. É a prova provada de que, conforme o nível de renda, poder e influência, criminosos condenados não vão para a prisão ou a deixam pela porta da frente arrotando inocência.

 

Passados dois séculos, o STF rescende ao bolor dos tempos do Império, com seus paramentos, rapapés, salamaleques, linguagem empolada e votos repletos de citações em latim. Manter essa máquina gigantesca funcionando custa mais de R$ 1 bilhão por ano aos "contribuintes". Some essa exorbitância aos R$ 6 bilhões anuais gastos com o STJ e o TST, acrescente os salários e mordomias dos senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais, prefeitos e vereadores, e a dinheirama que vasa pelo ladrão da corrupção, e você entenderá  por que um país que arrecada quase R$ 3 trilhões por ano não tem dinheiro para investir em Saúde, Educação, Segurança etc.

 

Além do papel de corte constitucional, cabe ao STF processar parlamentares, ministros de Estado, presidentes e outros detentores de foro privilegiado, bem como julgar recursos extraordinários contra decisões de outros tribunais. Os magistrados deveriam ser técnicos, impessoais e apartidários, mas tomaram gosto pela política — e quem consegue poder político não abre mão dele facilmente — e, a exemplo de 90% dos brasileiros, sucumbiram à polarização.

 

Essa sucumbência ficou evidente em 2019, quando, por 6 votos a 5, o tribunal mudou seu entendimento sobre o cumprimento antecipado da pena após a confirmação da condenação por um juízo colegiado, pavimentando o caminho para "a volta do criminoso à cena do crime" (como disse Geraldo Alckmin em 2021, quando ainda não cogitava disputar a vice-presidência na chapa encabeçada pelo xamã petista).

 

O mesmo se deu em 2021, quando, por 8 votos a 3, o tribunal anulou as condenações impostas a Lula com base na incompetência territorial da 13ª Vara de Curitiba — mal comparando, foi como determinar a soltura de um criminoso preso em flagrante pela Guarda Civil Metropolitana sob o pretexto de que a prisão caberia à Polícia Militar. Mas daí a dizer que o STF interferiu no resultado da eleição presidencial de 2022 e que o capetão vem sendo perseguido por "Xandão" e seus pares vai uma longa distância.

 

Dá-se de barato que Bolsonaro será promovido a réu entre hoje e amanhã. Ainda que a decisão coubesse ao plenário, não haveria garantias de que Kássio Nunes Marques e André Mendonça votariam a favor daquele que cobriu seus ombros com a suprema toga. O "ministro tubaína", que o ex-presidente considerava 10% dele no STF, votou com a maioria que indeferiu os pedidos de afastamento de Moraes, Dino e Zanin do julgamento da denúncia. O voto do "ministro-pastor" não reverteu a goleada, mas evitou a unanimidade. Em última análise, Mendonça ganhou a toga por serviços prestados previamente, ao passo que Marques mostrou que esperar fidelidade a posteriori é como contar com o ovo no cu da galinha.

 

Enquanto a 1ª Turma do STF decide se aceita ou não a denúncia contra Bolsonaro et caterva, partidos do Centrão já descartam o "mico" como possível candidato à presidência em 2026 e relutam em embarcar no pedido de urgência da votação da anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8/1. E ainda que a proposta passasse na Câmara, o Senado certamente a barraria. Seus advogados sabem que as chances de absolvição são as mesmas de um pároco de aldeia ser ungido papa, de modo que fazem o possível para poluir a sentença com suspeitas de perseguição política. 

 

Bolsonaro chegará ao banco dos réus ainda algemado à tese da perseguição — uma fabulação que reduz tudo a uma sedutora versão de complô do sistema e da imprensa sensacionalista. Mas tudo o que salta aos olhos — indícios, documentos, mensagens, áudios e vídeos — não pode ser um conjunto de anomalias da lei das probabilidades conspirando contra um pobre inocente e seus seguidores ingênuos. Em off, ele diz a aliados que seu maior "receio" é ser surpreendido por acordos subterrâneos costurados à margem da viagem de Lula ao Japão. 

 

Com os atuais presidentes da Câmara e do Senado e seus antecessores integrando a comitiva presidencial, o projeto de anistia, apoiado com vigor pela direita bolsonarista e combatido energicamente pelos partidos de esquerda, continuará cozinhando em banho-maria. E ainda que assim não fosse, não há garantias de que eventual aprovação favoreça o ex-presidente, já que o Supremo pode considerar o projeto inconstitucional. Sem falar que ele não afetaria a inelegibilidade decorrente das prováveis condenações no STF, cujas penas podem chegar a 46 anos. 

 

Quanto ao andamento da denúncia do golpe "com a velocidade da luz", vale lembrar que no caso do tríplex do Guarujá, que resultou na prisão de Lula em abril de 2018, foram 11 meses entre o indiciamento feito pela PF e a condenação pelo então juiz Sérgio Moro. No mesmo ritmo, o destino de Bolsonaro estará selado em outubro. 


Alea jacta est

segunda-feira, 24 de março de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 11ª PARTE

É O INSTINTO DO ABUSO DO PODER QUE DESPERTA TANTA PAIXÃO PELO PODER.

Publicadas na obra Philosophiae Naturalis Principia Mathematica em 1667, as leis da dinâmica de Newton explicam por que as maçãs caem das árvores e a Terra gira em torno do Sol, e, por não distinguirem passado ou futuro, funcionam tão bem de trás para a frente quanto de frente para trás, sugerindo que, teoricamente, qualquer evento poderia ser revertido. No entanto, o cotidiano não reflete essa reversibilidade, como evidencia um vaso quebrado que não se reconstrói. 

A chave para entender por que o futuro é diferente do passado foi abordada por Ludwig Boltzmann no século XIX, quando a ciência ainda engatinhava e a teoria segundo a qual tudo é feito de minúsculas partículas (átomos) ainda estava sendo discutida. Segundo o físico austríaco, o conceito de entropia (detalhes nesta postagem) descreve a tendência do universo de se mover de um estado de baixa entropia (organizado) para alta entropia (desordenado), o que explicaria a irreversibilidade dos processos.

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A primeira turma do STF começa a decidir amanhã se promove Bolsonaro a réu. Para tentar se livrar da prisão, o ex-presidente promoveu uma manifestação na praia de Copacabana — que reuniu menos de 2% do público previsto — e seu filho Eduardo se licenciou da Câmara Federal para denunciar nos EUA os "abusos" cometidos pelo STF. Nos bastidores, porém, o que se fala não é se o capetão será condenado, mas a quantos anos e quando ele começará a cumprir a pena. 
A exemplo do que o PT fez em 2018, quando Lula foi preso pela Lava-Jato, o "mito" tenta emplacar a narrativa de que  será um preso político. O plano é semelhante ao ataque às urnas em 2022, com a diferença de que o objetivo atual é convencer o Brasil e o mundo que seu julgamento é um jogo de cartas marcadas. 
Enquanto o filho do pai busca apoio de congressistas trumpistas para "revelar ao mundo” o que considera um estado de exceção no Brasil, aliados do clã buscam organizar visitas de integrantes de organismos internacionais e acionar o Tribunal Penal Internacional contra os supostos abusos do STF. O efeito prático é nulo, pois a corte internacional não tem poder de reverter uma decisão do judiciário tupiniquim. 
Num ambiente altamente polarizado — 51% dos brasileiros declara ser contra anistiar os presos pelo vandalismo do 8 de janeiro — a estratégia deixa os ministros numa situação pouco confortável.  
Bolsonaro sabe que dificilmente escapará de uma condenação, independentemente do número de convertidos que trotarão até a Avenida Paulista no próximo dia 6, para ver seu mito, já então convertido em réu, criticar o STF por, entre outras coisas, manter o caso na  Turma para acelerar os trâmites. 
No processo do mensalão — que envolveu 40 autoridades —, foram cerca de 5 anos entre o recebimento da denúncia e o julgamento que a corte usou praticamente todo o segundo semestre de 2012 para concluir. A defesa deve insistir que a decisão fique a cargo dos 11 ministros, mas o relator da encrenca e o atual presidente so tribunal são contra, e os ministros com mais tempo de casa ainda se recordam quão árduo foi julgar o mensalão em plenário.
 
Boltzmann sugeriu que o Universo experimentou inicialmente um estado de baixa entropia, mas não conseguiu explicar como isso teria sido possível. Segundo a teoria do Big Bang, tudo que existe hoje se formou a partir de uma partícula incrivelmente quente e densa, que se expandiu rapidamente. Esse conceito evoluiu, e teorias modernas, como a de Sean Carroll sobre "universos bebês" emergindo de um "universo-mãe", sugerem que a entropia é globalmente alta, mesmo que partes do Universo possam ter baixa entropia. De acordo com a teoria das cordas, existem múltiplos universos, cada qual regido por leis físicas próprias.
 
A premissa de que a seta do tempo que aponta do passado para o futuro não é uma certeza universal. Experimentos demonstraram que a reversibilidade do tempo pode ocorrer 
em escalas microscópicas, ainda que a interação entre partículas tenda a criar uma irreversibilidade em escalas mais complexas, nas quais a experiência do tempo irreversível se deve à tendência do Universo à desordem (aumento da entropia).
 
Inúmeras evidências sugerem que a reversibilidade do tempo é possível em sistemas quânticos. A reversão poderia ocorrer em condições extremas, como em universos paralelos, ou por manipulação de partículas subatômicas. Tanto a teoria das cordas quanto experimentos de partículas admitem viagens no tempo para o passado, desde que haja condições adequadas para reverter a entropia ou manipular as leis que regulam a passagem do tempo.
 
Entre os experimentos quânticos que exploram a reversibilidade, o entrelaçamento quântico é um dos mais fascinantes. Trata-se de 
um estado em que as partículas se tornam intrinsecamente conectadas, e o estado de uma não pode ser descrito independentemente do estado da outra, inobstante a distância que as separa. Descrito por Einstein como "ação fantasmagórica à distância", esse fenômeno parecia violar o princípio segundo o qual a velocidade da luz é o limite máximo universal.

ObservaçãoPesquisadores do Caltech demonstraram o entrelaçamento quântico entre dois diamantes macroscópicos distantes um quilômetro um do outro, conforme artigo publicado na prestigiada revista Physical Review Letters. A possibilidade de objetos macroscópicos exibirem comportamento quântico desafia nossa intuição sobre o mundo físico e atenua a linha divisória entre o mundo quântico e o clássico, mas ainda há desafios significativos a superar antes que estas aplicações se tornem realidade.
 
O Teorema de Bell (1964) foi fundamental para testar a validade da mecânica quântica. Nele, o físico irlandês desenvolveu desigualdades matemáticas que permitiram a experimentação de fenômenos que, de outra forma, seriam inacessíveis. Experimentos subsequentes, como os do físico francês Alain Aspect, demonstraram que o entrelaçamento quântico realmente ocorre, e que a informação poderia ser transmitida de maneira não-local e instantânea.
 
Em 1993, o físico americano Charles Bennett e outros cientistas propuseram uma forma de teletransporte quântico utilizando entrelaçamento. Não se trata do teletransporte que se vê nos filmes de ficção, e sim da transferência de informações de estado quântico entre partículas. Mas esse fenômeno tem implicações diretas na reversibilidade, já que a informação que "viaja" instantaneamente pode ser vista como um tipo de reversibilidade de estados quânticos.
 
Vale destacar que, em nível quântico, a reversibilidade não significa "voltar no tempo" como vemos na ficção, mas à capacidade de recuperar informações perdidas em um sistema fechado. A possibilidade de, sob determinadas condições, os sistemas quânticos poderem ser manipulados para retornar a um estado anterior levanta questões sobre como o universo funciona e até onde a reversibilidade é possível — uma linha de pesquisa que se conecta diretamente com teorias de viagens no tempo.
 
Continua... 

domingo, 23 de março de 2025

PICANHA — MITOS E VERDADES

QUEM VIVE DE ESPERANÇA MORRE EM JEJUM.

 

A volta da picanha à mesa dos brasileiros — uma das promessas de campanha de Lula — era mito: o preço da rainha dos churrascos continua tão indigesto quanto a terceira gestão do macróbio, cuja aprovação vem despencando até mesmo entre seus eleitores mais cativos. 
 
Deixando de lado as costumeiras más escolhas dos eleitores (que repetem a cada pleito o que Pandora fez uma única vez), a picanha é cercada por mitos e controvérsias, seja no que tange à qualidade — que varia de um frigorífico para outro — seja em relação ao preparo — há quem prefira assá-la inteira, quem prefira grelhá-la em pedaços, cortada em bifes, enfim... 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Defender o indefensável não é tarefa fácil. Sem uma defesa crível, Bolsonaro et caterva tentam mover montanhas para atingir seus objetivos (não raro escusos). 
Quando cobriu os ombros subservientes de Kássio Nunes Marques com a suprema toga, o aspirante a tiranete e futuro réu dispensou os pudores, chegando mesmo a dizer que escolheu o desembargador piauiense "com quem tomou muita tubaína") para ter "10% da corte", a despeito de os títulos de "pós-doutor" em Direito Constitucional pela Universidade de Messina e a pós-graduação em contratação pública pela Universidad de La Coruña serem, respectivamente, um ciclo um ciclo de palestras e um curso de extensão de cinco dias. 
Ainda assim, em seu penúltimo voto, o ministro "10%" deixou o padrinho 100% insatisfeito ao integrar a maioria que indeferiu os pedidos de suspeição apresentados pelas defesas, visando afastar Moraes, Dino e Zanin do julgamento da denúncia. Como se viu, nem mesmo a toga que o capetão trata como "gorjeta" comprou a tese da defesa. 
Na época em que indicou o "terrivelmente evangélico" André Mendonça para o Supremo, Bolsonaro refez as contas: "Agora são dois ministros que representam 20% daquilo que gostaríamos que fosse decidido e votado", disse. Errou na matemática — duas de onze togas correspondem a 18% —, mas logrou êxito parcial: o apadrinhado rejeitou o afastamento de Zanin, mas foi terrivelmente leal padrinho ao votar pela suspeição de Moraes e Dino, evitando, assim, a unanimidade. 
Ex-ministro da Justiça e pastor evangélico, Mendonça credenciou-se à toga por serviços prestados previamente, mas Nunes Marques demonstrou que a fidelidade a posteriori é menos garantida.
 
É importante manter a capa de gordura enquanto a carne estiver assando — pode-se retirá-la antes de servir ou deixar essa decisão a critério de cada comensal. Vale lembrar que outros cortes, como o cupim e o bife ancho, possuem maiores quantidades de marmoreio (tipo de gordura que não dá para remover) e nem por isso são menos apreciados. 

Picanha se tempera com sal grosso, lecionam os palpiteiros de plantão, mas o fato de esse corte dispensar outros temperos e marinadas não significa que você não os possa usar. Se preferir ficar com o sal grosso, aplique-o pouco antes de levar a carne à churrasqueira. Usar abacaxi como amaciante pode deixar a picanha molenga e menos saborosa; se for preparar uma marinada com abacaxi, não deixe a carne em contato com o líquido por mais de 30 minutos. E lembre-se: o jeito certo de cortar carne é no sentido contrário das fibras, que na picanha ficam do lado oposto ao da capa de gordura.
 
Assim como fazem os maus políticos, o bom churrasqueiro deve dourar a picanha por fora e "esconder" seu interior vermelho e sangrento. Selar a carne ajuda a criar uma crosta saborosa e preservar sua suculência, mas é preciso esperar que o braseiro atinja a temperatura adequada para alcançar o ponto desejado de maneira uniforme. 

Por outro lado, muito tempo de grelha pode ressecar a carne, deixando-a sem sabor (o ideal é servi-la ao ponto ou malpassada). 
 
A picanha é a queridinha do churrasco brasileiro, mas pode ser assada no forno, grelhada na frigideira em bifes, e até preparada na airfryer.
 
Bom apetite. 

sábado, 22 de março de 2025

DE VOLTA ÀS SENHAS

SEGREDO ENTRE TRÊS, SÓ MATANDO DOIS.

Embora existam outras formas de autenticação mais sofisticadas e até mais seguras, as senhas continuam sendo largamente utilizadas para desbloquear a tela do celular, acessar o webmail, as redes sociais e por aí afora. 

A impressão digital é mais segura do que o reconhecimento facial, mas perde longe para um PIN de seis dígitos combinado com uma segunda camada de segurança (2FA), e memória fraca deixou de ser desculpa depois que alguém inventou o gerenciador de senhas 

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Assim que soube que o PT pediu ao STF a apreensão de seu passaporte, o deputado Eduardo Bolsonaro — apelidado de Dudu Bananinha pelo general Hamilton Mourão — homiziou-se na cueca de Donald Trump.
Bibo Pai, que no gogó é um democrata insuspeitado, trata Bobi Filho como herói da resistência, finge que a proposta de anistia visa abrir as celas dos "pobres coitados" do 8 de janeiro, mas, na prática, ele está predestinado à cadeia, e a anistia que tramita na Câmara é um projeto em benefício próprio.
A PGR foi contra o pedido de apreensão do passaporte e Moraes acabou de demolir o moinho de vento que o "herói da resistência" finge combater. Se sua fuga serve para alguma coisa, é para iluminar a hipocrisia bolsonarista. Sob a presidência da deputado bolsonarista Felipe Barros, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara foi convertida em palco para expor a teatralidade do autoexílio do filho do pai. Em entrevista ao jornal Valor, Barros informou que conversará semanalmente com o fujão para ajustar a agenda da comissão a suas conveniências e lhe oferecer suporte institucional. 
Nesse circo, a Comissão fica no papel de bumbo da desqualificação, reservando ao brasileiro que financia o espetáculo o figurino de bobo.

 

O uso de senha é uma prática mais antiga do que costumamos imaginar: segundo o Antigo Testamento, o termo "xibolete" (do hebraico שבולת, que significa "espiga") funcionava como palavra passe para identificar um grupo de indivíduos. No âmbito da TI, as senhas se popularizaram depois que o MIT criou o Compatible Time-Sharing System (CTSS) e a ArpaNet adotou o login com nome de usuário e senha de acesso.

Quando o correio eletrônico surgiu, uma combinação de 4 algarismos era suficiente, mas a necessidade de uma autenticação segura cresceu com a popularização do e-commerce e do netbanking. Hoje, mesmo senhas como S#i2to&Ø6Da*&%# só oferecem proteção confiável quando combinadas com uma segunda camada de proteção.

Essa segunda camada pode ser um número de identificação pessoal (PIN), a resposta a uma "pergunta secreta", um padrão específico e pressionamento de tela, uma senha de seis dígitos gerada por um token de hardware ou por um aplicativo instalado no smartphone (que vale para um único acesso e expira em menos de 1 minuto), um padrão biométrico etc. A maioria dos webservices suporta o 2FA, mas não o habilita por padrão (a quem interessar possa, o site Two Factor Auth ensina a configurar essa função). 

Chaves de segurança físicas ou digitais, FIDO2Blockchain e outras soluções inovadoras devem se tornar padrão em breve, e autenticação via dados comportamentais promete tornar o processo de login praticamente "invisível". Até lá, continuaremos dependentes das senhas e dos gerenciadores — ruim com eles, pior sem eles, pois amizades se desfazem, namoros terminam, noivados são rompidos, casamentos acabam em divórcio, enfim, segredo entre três, só matando dois.
 
Observação: Para mais dicas sobre senhas, acesse a página da McAfee ou o serviço MAKE ME A PASSWORD; para testar a segurança de suas senhas, acesse CENTRAL DE PROTEÇÃO E SEGURANÇA DA MICROSOFT ou o site HOW SECURE IS MY PASSWORD.

Continua...