sexta-feira, 2 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 23ª PARTE

SE DEUS DESSE ASAS ÀS COBRAS, TIRAVA O VENENO.

 

O Multiverso de Nível 3, que é largamente explorado nos filmes de ficção científica, se baseia na Interpretação de Muitos Mundos da mecânica quântica, que é uma alternativa à mais tradicional Interpretação de CopenhaguePara facilitar o entendimento, vamos descomplicar a essência desses conceitos.

 

Proposta por Niels Bohr e Werner Heisenberg, a Interpretação de Copenhague sustenta que as partículas quânticas existem num estado de superposição (múltiplas possibilidades) até serem medidas, quando então o ato de observação as obriga a "escolher" um estado definido. Essa ideia sugere que, até a observação, as partículas permanecem num limbo, com suas possibilidades em aberto.

 

Já na Interpretação de Muitos Mundos, de Hugh Everett, em vez do "colapso" das possibilidades ao serem observadas, cada evento quântico cria uma ramificação do universo, e todas as possibilidades acontecem, mas em universos diferentes. Cada uma dessas realidades paralelas é a concretização das múltiplas possibilidades que, segundo a Interpretação de Copenhague, seriam "escolhidas" na observação, e a soma desses universos paralelos é descrita pelo Espaço de Hilbert, um espaço matemático que engloba todos os estados quânticos possíveis.

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Não se trata de ser de esquerda, de direita ou de centro, mas de ser a favor do Brasil. E parlamentar que defende orçamento secreto e emenda do relator e ameaça "paralisar votações" caso o pedido de urgência da PEC da impunidade não seja pautado deve ser defenestrado do Congresso, sob pena de continuarmos reféns de políticos fisiologistas, que tratam o país como um balcão de negócios.
Lula voou da prisão para o Planalto (com as bençãos do STF) porque podar as asas de Bolsonaro era fundamental. Mas reconduzir o criminoso à cena do crime (como disse o picolé de chuchu antes de se tornar candidato a vice-presidente na chapa do dito-cujo) era opcional.
Lula vem apanhando diariamente da opinião pública não catequizada e do minguado seguimento da imprensa que não sucumbiu à polarização. A surra é merecida porque não há outro culpado senão a própria “alma viva mais honesta deste país”, responsável pelo time de economistas irresponsáveis e ministros envolvidos direta ou indiretamente em corrupção, por adular e apoiar ditadores mundo afora, por se amancebar com a banda podre do Congresso e por permitira que a primeira-dama torre dinheiro dos brasileiros como se não houvesse amanhã. 
Durante a campanha, Lula prometeu pendurar as chuteiras ao final do terceiro mandato. Também prometeu "a volta da picanha e da cervejinha" à mesa dos mais pobres. No levantamento divulgado no início do mês, 71% dos entrevistados afirmaram que o petista não tem cumprido o que prometeu, e 56% disseram que desaprovam seu governo. A volta da inflação, a história mal contada do Pix e o anúncio do pacote fiscal levaram-no a beijar a lona, e três pancadas recentes — o apoio de deputados da base governista ao PL da impunidade, a recusa do deputado Pedro Lucas a assumir o Ministério das Comunicações e os mais R$ 6 bilhões rapinados de aposentados e pensionistas do INSS — quase o nocautearam.
O lulopetismo — criado nos anos 1980 a pretexto de moralizar a política não roubando e não deixando roubar — tornou-se sinônimo de administração corrupta, e agora conquista um novo "selo de qualidade" na matéria, enquanto seu xamã amarga índices de rejeição superiores a 50% nas pesquisas de opinião pública. 
Apesar disso (e de mais um pouco), Lula diz que pretende disputar a reeleição no ano que vem. Mas Bolsonaro diz o mesmo, embora esteja inelegível até 2030 e em via de ser condenado pelo STF por tramar um golpe de Estado fracassado. 
 
No experimento do gato de Schrödinger, um átomo decide o estado de um gato trancado dentro de uma caixa, que pode ser vivo ou morto. Na Interpretação de Copenhague, o gato está em superposição (vivo e morto ao mesmo tempo) até a abertura da caixa, e na Interpretação de Muitos Mundos, o universo se divide em dois ramos: num ramo, o gato vive; no outro, ele morre.
 
A existência de inúmeros universos paralelos parece absurda, mas não é mais incoerente do que uma partícula se comportar como onda e estar em vários locais ao mesmo tempo até ser observada, quando então muda de estado e "escolhe" um local para habitar. Se isso soa esquisito e confuso para você, seja bem-vindo ao clube. Aliás, Richard Feynman, ganhador do Nobel de Física em 1965, foi cirúrgico: "ninguém realmente compreende a mecânica quântica".

 

É importante destacar que a Interpretação de Muitos Mundos é apenas uma das interpretações da mecânica quântica, e que o debate científico sobre a natureza da realidade quântica continua. Cientistas que se opõem a essa teoria costumam se escorar na navalha de Occam — princípio filosófico segundo o qual a explicação mais simples tende a ser a correta. Segundo eles, seria muito complexo ter que adicionar infinitos universos paralelos para justificar a existência do nosso. Já o cosmólogo Sean Carroll, adepto da teoria dos Muitos Mundos, publicou em seu Blog que "não conseguimos ver outros mundos diretamente, mas eles não são adicionados à teoria, eles surgem automaticamente a partir da mecânica quântica".


Observação: O mais interessante é que a Interpretação de Muitos Mundos é apenas uma maneira diferente de olhar para os mesmos dados e os mesmos resultados, já que as equações que sustentam a existência desses universos já existem. 

 
No Multiverso de Nível 3, tudo o que pode acontecer de fato acontece, a partícula quântica nunca entra em colapso; em vez disso, ela ocupa todos os lugares, dando origem á infinitas realidades diferentes a cada segundo, que existem em um Espaço de Hilbert. 

 

Ainda segundo Carroll, se o formalismo prevê a existência de muitos mundos, devemos aceitar que a realidade que vivenciamos é uma fatia indescritivelmente fina de tudo, e que os cientistas devem formular a melhor descrição possível do mundo como ele é, e não forçar o mundo a se adequar a seus conceitos pré-concebidos.

Continua…

quinta-feira, 1 de maio de 2025

ANATEL VIA WHATSAPP

A ÚNICA COISA PERMANENTE É A MUDANÇA.

 

Visando facilitar o registro e acompanhamento de reclamações dos consumidores, a Anatel lançou um canal de atendimento via WhatsApp. Para usar o serviço — que é exclusivo para reclamações — basta adicionar o número 0800 61 0 1331 no aplicativo e iniciar uma conversa. 


Até a integração de outras atividades — como tirar dúvidas sobre serviços de telecomunicação —, os interessados podem usar o app da agência (disponível para Android e iOS), acessar o portal do consumidor pelo navegador ou ligar para 1331.


Observação: Dizem as más-línguas que Lula usou o novo serviço para reclamar que a falta de comunicação minou sua popularidade, mas parece que não foi atendido. 

 

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O ministro Carlos Lupi não demitiu o presidente do INSS nem quando o escândalo aflorou, e o Planalto só penabundou o encrencado depois que a PF bateu às portas da instituição. Estima-se que a maracutaia que gerou um prejuízo de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024 começou durante o governo de Michel Temer, cresceu sob Bolsonaro e explodiu com Lula 3.

 Em 2023, o problema foi levado ao Conselho Nacional da Previdência Social, presidido por Lupi, que não tomou providências e tampouco cumpriu a promessa de reduzir a fila de pedidos de benefícios. Em sua defesa, disse ter demitido um diretor que haveria retardado auditoria interna; que o INSS passou a exigir documentação mais rigorosa, incluindo biometria, para autorizar descontos nos benefícios de aposentados e pensionistas; que "não é fácil investigar"; e que a administração pública "é demorada".

Não faz sentido o responsável administrativo e político pelo descalabro continuar no ministério, mas Lula se fechou em copas. Talvez para evitar a repetição do fiasco do ano passado, ou porque os dirigentes do INSS permitiram que entidades sindicais entrassem na folha do instituto para assaltar os velhinhos, ele decidiu não participar ao vivo e em cores das festividades sindicais do Dia do Trabalhador. 

Lula demora a perceber, mas, embora o INSS tenha descido ao purgatório, seu governo não foi para o céu. E a temperatura no inferno tende a aumentar na proporção direta do tempo de permanência de Carlos Lupi na Esplanada. 

Lupi deveria chegar desempregado ao Dia do Trabalhador.


Para proteger os consumidores contra chamadas indesejadas, a Anatel criou o sistema Coleta de Dados, que obriga empresas a apresentar relatórios sobre chamadas, Também colocou no ar o site Qual empresa me ligou?, que revela o CNPJ de números desconhecidos, e a ferramenta Origem Verificada, que rastreia a origem das ligações.

 

Com o WhatsApp, o atendimento fica mais acessível e rápido. Como o aplicativo já faz parte do dia a dia de milhões de brasileiros, o novo canal aproxima a Anatel do cidadão, reduzindo a burocracia e trazendo mais dinamismo para resolver problemas.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

WINDOWS 10 — UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

OS POLÍTICOS SÃO A MENTIRA LEGITIMADA PELA VOTO POPULAR.

Quatro meses depois de anunciar o lançamento do Windows 11 e informar que o Windows 10 deixaria de receber suporte em 14 de outubro de 2025, a Microsoft começou a distribuir o upgrade para a versão pronta e acabada do novo sistema para usuários que rodassem o Ten em máquinas "elegíveis" ou que se dispusessem a comprar um computador novo, que viria com o Win11 pré-instalado ou poderia ser atualizado via Windows Update pelo próprio usuário.

Naquela ocasião, a empresa estimava que todos os aparelhos compatíveis estariam rodando o Win11 em meados de 2022, mas faltou combinar com os russos: o Win10 velho de guerra continua firme e forte, com 68% da preferência dos usuários, enquanto seu sucessor contabiliza 27%, e as versões 8.1, 7, Vista e XP somam 4,5%.

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Em 2015, a PGR denunciou Fernando Collor por surrupiar R$ 20 bilhões da BR Distribuidora. Em 2023, o STF o condenou a 8 anos e 10 meses de prisão, mas seus advogados conseguiram procrastinar o cumprimento da pena até a semana passada. 

Nesse entretempo, Gilmar Mendes (atual decano da Corte e verdadeira herança maldita de FHC) votou pela absolvição e, vencido, tentou reduzir a pena à metade. Exausto das manobras protelatórias da defesa, Alexandre de Moraes, relator da encrenca, determinou a prisão imediata do Rei Sol, que, a pedido, foi envidado para uma “hospedaria especial” em Maceió. 

Moraes submeteu seu despacho ao plenário, Gilmar esboçou um pedido de destaque, mas recuou. O placar chegou a 6 a 0 pela prisão, mas o "terrivelmente evangélico" André Mendonça divergiu e foi seguido por Gilmar, Fux e o ministro-tubaína Nunes Marques. Zanin, como costuma fazer em processos da Lava-Jato, se absteve de votar. A defesa apresentou um pedido de prisão domiciliar, que ora se encontra pendente de manifestação da PGR.

Collor foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura — e o primeiro a ser penabundado do cargo por impeachment. Sua trajetória errática e politicamente camaleônica incluiu alianças com Bolsonaro e com o PT. Em 2014, pediu votos para Dilma e até usou um trecho elogioso de Gleisi Hoffmann em sua propaganda. Em 2022, perdeu a disputa pelo governo de Alagoas com pífios 14% dos votos. Após sua prisão, o PRD o expulsou, seus aliados silenciaram e os líderes da legenda o descreveram como "distante da cúpula e irrelevante nas decisões". 

Sua prisão tardia e cercada de privilégios, representa o ocaso de um personagem que simbolizou tanto o colapso precoce da Nova República quanto a persistência das velhas práticas políticas. Já se ele vai realmente cumprir a pena, bem, eu não tenho bola de cristal, mas tampouco tenho memória de galinha. Para quem nao se lembra, em 2018 o TRF-4 aumentou de 8 para 12 anos a pena de Lula no processo do triplex e determinou sua prisão. Em 2019, numa votação apertada (6 votos a 5), o STF mudou seu entendimento sobre a "prisão em segunda instância", e Lula deixou sua cela VIP em Curitiba no dia seguinte, depois de 1 anos e 5 meses gozando da hospitalidade da PF em Curitiba. 

Em 2017, depois de procrastinar sua prisão por 4 décadas, Paulo Maluf — ex-prefeito da capital paulista (1969-1971; 1993-1996), ex-governador de São Paulo (1979-1982), candidato à Presidência em 1995 e 1989, ex-secretário dos Transportes, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, ex-vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, quatro vezes deputado federal, líder de cinco partidos políticos e réu em 70 processos — foi finalmente encarcerado na Papuda. Três meses depois, graças ao bom coração do eminente ministro Dias Toffoli — que foi presenteado por Lula com a suprema toga, mesmo tendo levado bomba duas vezes seguidas em concursos para juiz—, foi enviado para casa por "razões humanitárias" e permaneceu em prisão domiciliar até maio de 2023, quando teve a pena extinta com base no indulto natalino concedido por Bolsonaro.

Na visão de Toffoli, o turco ladrão, então com 87 anos, estava à beira do desencarne; hoje, aos 93, se ele realmente está morrendo, é de rir de quem acredita na justiça desta banânia. 


Em julho de 2015, quando deu à luz o Win10, a Microsoft previu que seu novo rebento ultrapassaria a marca de 1 bilhão de instalações em três anos. Apesar do upgrade gratuito, essa meta só foi alcançada em janeiro de 2020, quando faltavam menos de 2 anos para o lançamento oficial do Win11, que é mais exigente, em termos de hardware, e bem menos simpático que seu antecessor aos olhos dos usuários. 

Faltando menos de seis meses para o Win10 deixar de receber suporte e atualizações de segurança da Microsoft, manter o sistema em uso após o prazo final aumentará significativamente o risco de ser vítima de pragas digitais, cibercriminosos e assemelhados. 

No ambiente corporativo, máquinas desatualizadas podem facilitar ataques de ransomware, sequestro de dados, sabotagens e outros incidentes graves. E a solução vai além da simples compra de novas licenças ou realização de upgrades: é preciso avaliar a compatibilidade de hardware, a maturidade dos aplicativos que rodarão no novo sistema, as políticas de segurança e criptografia (como a exigência do TPM 2.0, por exemplo) e, principalmente, o treinamento e adaptação das equipes que usarão diariamente essas máquinas.

Sensível ao fato de que cerca de 240 milhões de computadores podem se tornar lixo eletrônico devido à incompatibilidade com o Win11, a Microsoft criou programas de suporte estendido. Mas eles custam dinheiro e são meros paliativos, já que não eliminam a necessidade da mudança sem a qual o aumento da insegurança pode minar a competitividade das empresas.

No âmbito doméstico, a solução é mais simples: quem tem um PC compatível e não migrou pode fazer o upgrade, e quem tem máquinas incompatíveis pode "forçar" a instalação do novo sistema ou migrar para o Linux, por exemplo — distribuições como o Ubuntu oferecem uma interface semelhante à do Windows, tornando o "reaprendizado" uma questão de dias ou semanas. O macOS é imbatível, mas só roda no hardware fabricado pela própria Apple, o que encarece a mudança (embora ela valha cada centavo).

Uma alternativa que a própria Microsoft oferece, ainda que discretamente, consiste em adotar uma versão do Win10 Enterprise, como a LTSC 2021, que é baseada na versão 21H2 do Windows 10 e deve receber suporte até janeiro de 2027. A IoT Enterprise LTSC 2021, também baseada na versão 21H2, se parece e funciona como o clássico sistema para desktop, embora existam diferenças pontuais em relação às edições Home ou Professional — nas versões LTSC, o usuário permanece com a versão básica (21H2, build 19044), recebendo apenas patches de segurança e estabilidade. No entanto, como não haverá novas versões importantes após a 22H2, isso não chega a ser um grande inconveniente.

Chaves de produto do Windows 10 Home ou Professional não funcionam para ativar uma edição Enterprise LTSCA adoção deve ser feita mediante um contrato de licença por volume (VLAs) para menos 5 estações de trabalho, mas é possível negociar licenças individuais com alguns revendedores. Embora existam fontes não oficiais e ferramentas de ativação circulando na Internet, seu uso viola os termos de licenciamento da Microsoft.

Migrar para uma versão Enterprise LTSC significa abrir mão da Microsoft Store, da Cortana, do OneDrive e de aplicativos pré-instalados como Weather, Mail ou Contacts. Mas o Windows Defender, o navegador Edge e acessórios clássicos, como o Bloco de Notas e o WordPad, continuam presentes. O processo de instalação é semelhante ao convencional. O sistema tenta se conectar a uma conta corporativa, mas também oferece a opção de criar uma conta local tradicional. 

A versão IoT usa o inglês americano como idioma padrão, enquanto a Enterprise LTSC oferece mais opções linguísticas. Mas ambas são soluções legítimas para quem deseja manter o Windows 10 em seu hardware atual por até sete anos após 14 de outubro.

terça-feira, 29 de abril de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 22ª PARTE

UM BARCO SEM COMANDANTE É UM BARCO À DERIVA.


Diversas teorias amplamente aceitas preveem a existência de fenômenos impossíveis de serem observados diretamente. A Relatividade Geral, por exemplo, previu a existência dos buracos negros décadas antes de eles serem avistados de fotografados, e descreveu matematicamente seu interior, embora nenhum buraco negro tenha sido acessado diretamente.

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Condenado em 2023 a oito anos e 10 meses de cana, Collor finalmente foi preso última sexta-feira. Visando converter o regime fechado em prisão domiciliar, sua defesa argumentara que, além de ser idoso, o ex-presidente padece de diversas comorbidades que exigem cuidados contínuos e acompanhamento médico especializado.
Não foi essa a impressão deixada pelo Rei Sol durante a audiência de custódia. Interrogado por videoconferência pelo juiz Rafael Henrique, da equipe de Alexandre de Moraes, ele demonstrou estar bem-disposto e chegou a exibir um leve sorriso. Ao ser questionado se tinha alguma doença ou fazia uso de medicação contínua, foi curto e grosso: "Não". Indagado se havia passado por exame de corpo de delito, relatou que uma enfermeira aferiu sua pressão e auscultou seu coração. "Se isso é corpo de delito, então foi feito", concluiu. 
Moraes atendeu ao pedido do réu e o enviou para uma hospedaria "especial" do presídio alagoano de Baldomero Cavalcanti de Oliveira, e determinou que a instituição informasse no prazo de 24 se dispõe de estrutura para garantir que o detento continue vendendo saúde. 
Talvez conviesse à defesa adicionar a amnésia em nova petição ao Supremo: somente um surto de falta de memória levaria um paciente de Parkinson, apneia grave e transtorno bipolar a dizer que não toma remédios.

A Teoria do Multiverso não é uma teoria isolada, mas uma consequência de abordagens como a Inflação Eterna e a Mecânica Quântica. Cientistas renomados — incluindo o saudoso Stephen Hawking — sustentam que os universos paralelos são plausíveis, e Max Tegmark foi além, classificando-os em quatro níveis.

O Multiverso de Nível 1 corresponde à porção do cosmos que ainda não conseguimos avistar porque os últimos 13,8 bilhões de anos foram insuficientes para que sua luz chegasse até nós. Se o universo é infinito, é razoável supor que existam incontáveis regiões idênticas à nossa, além da Esfera de Hubble, que se estende para todos os lados por 49 bilhões de anos-luz. 

A ideia de que tudo que está além desse limite pode ser considerado outro universo se torna ainda mais intrigante quando pensamos que, embora o universo possa ser infinito, as formas de organizar suas partículas são finitas. Assim, se viajássemos indefinidamente em linha reta, acabaríamos encontrando uma galáxia idêntica à Via Láctea, com um planeta igual à Terra e cópias exatas de cada um de nós. A existência desses clones não é apenas uma possibilidade, mas uma previsão matemática. 
 
O que chamamos de "realidade" é apenas a forma como cosmos organiza suas partículas em um dado momento. Esse princípio lembra o famoso teorema do macaco infinito: em um universo com combinações finitas de partículas, um número infinito de possibilidades inevitavelmente gera "universos-espelho". Como o Multiverso de Nível 1 segue as mesmas leis físicas e constantes cosmológicas do nosso Universo, ele poderia, pelo menos em tese, ser explorado quando (e se) nossa tecnologia assim o permitir.

O Multiverso de Nível 2 se baseia na Inflação Cósmica, um desdobramento da Inflação Eterna. Segundo Tegmark, a energia usada para expandir uma região em estado de inflação cria massa suficiente para que essa região continue crescendo sem perder densidade. Como esse processo é autossustentável, ele pode gerar universos inteiros a partir de quase nada. Isso significa que um espaço finito poderia abrigar inúmeros espaços infinitos.

Em resumo, o Multiverso de Nível 2 consiste em vários universos incomunicáveis, cada um infinito em si mesmo. Ainda que sua existência não possa ser provada experimentalmente, a teoria que o sustenta é parte do "pacote" da Inflação Eterna, e aceitar um implica aceitar o outro.

Continua...

segunda-feira, 28 de abril de 2025

O BRASIL DA CORRUPÇÃO

NÃO HÁ ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS NO BRASIL; O BRASIL É UMA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA.

A corrupção desembarcou em Pindorama travestida de nepotismo: na epístola em que comunicou o "achamento do Brasil", Pero Vaz de Caminha rogou ao rei de Portugal que intercedesse por seu genro, preso por roubo e degredado para a ilha de São Tomé, na África.

Não se sabe a duração do castigo imposto ao contraparente do escriba nem se o pedido foi atendido, mas sabe-se que a corrupção assola a política tupiniquim desde os tempos de antanho, e que os poderosos de hoje pouco diferem da elite colonial no tocante ao tráfico de influência, nepotismo, favorecimento e abuso de autoridade. Dito em português do asfalto, mudaram as moscas, mas a merda continua rigorosamente a mesma.

 

Mem de Sá, governador-geral do Brasil entre 1558 e 1572, foi acusado de enriquecimento ilícito. Os mercadores de escravos que saíam da África rumo ao Rio da Prata e paravam no Rio de Janeiro para abastecer tinham de pagar propina ao governador da capitania. Dom Lourenço de Almeida, que governou Minas Gerais entre 1720 e 1732, fez fortuna com ouro e diamantes extraídos à revelia da Coroa Portuguesa. Seu governo era auditado a cada três anos, mas ele subornava o responsável pela devassa.

No início do século XVII, a elite local controlava a política e a economia mineira, e, em contrapartida, ganhava do rei o direito à impunidade. As autoridades envolvidas na repressão ao contrabando praticavam contrabando e lucravam muito, pois Portugal fazia vista grossa — se a política da Coroa fosse implantada de forma inflexível, o Império não teria resistido. 


Como o que menos presta é o que mais dura, os políticos de hoje continuam praticando os mesmos atos espúrios que seus antepassados do século XVI. No entanto, seja hoje, seja no passado, a corrupção só pode existir com a conivência da sociedade. 


Houve corrupção no Brasil colonial, nos tempos do Império, na República Velha, na Era Vargas, na Segunda República, na ditadura militar — a ideia de que não houve corrupção durante os anos de chumbo é falsa; a repressão à imprensa impediu que os escândalos viessem à tona e mascarou os abusos do regime — e continua havendo na "Nova República". 


Sarney foi alvo de duas denúncias, mas o dito ficou pelo não dito. Collor foi acusado pelo irmão de envolvimento no "Esquema PC" e renunciou horas antes do julgamento de seu impeachment, mas ficou inelegível por 8 anos e só voltou à política nos anos 2000. No exercício do mandato de senador (2006-2022), assaltou os cofres da Petrobras Distribuidora. Apesar de ter sido condenado pelo STF8 anos de 10 meses de reclusão em 2023, só foi preso na madrugada da última sexta-feira.


Itamar Franco Fernando Henrique não foram acusados de envolvimento com corrupção, O grão-duque tucano comprou votos para aprovar a PEC da reeleição, mas o engavetador-geral Geraldo Brindeiro blindou suas penas vistosas.


 Lula, por sua vez, foi réu em duas dúzias de ações criminais, condenado em segunda instância a 12 anos e 1 mês de reclusão em 2018 e colocado numa cela VIP da PF em Curitiba e solto 580 dias depois, quando o STF proibiu (por 6 votos a 5) que criminosos condenados começassem a cumprir suas penas antes do trânsito em julgado da sentença condenatória. 


Como se não bastasse, uma curiosa epifania revelou ao ministro Edson Fachin  com mais de 5 anos de atraso — que a 13ª Vara Federal de Curitiba carecia de competência territorial para processar e julgar o petista, e tanto suas duas condenações (já transitadas em julgado no STJ) quanto os demais processos que tramitavam contra ele na JF do Paraná foram anulados. 


Em 2022, com as velas enfunadas por ventos antibolsonaristas, o ex-presidiário mais famoso da história desta banânia foi reconduzido ao Palácio do Planalto.


Em 2010, Lula escalou uma nulidade da qual ninguém ouvira falar para "manter o Brasil no rumo do desenvolvimento" até que ele pudesse voltar ao trono. A dita-cuja cuidou da economia do país como lidou com a contabilidade das duas lojinhas de quinquilharias importadas que levou à falência em 1996 — época em que a paridade entre o dólar e o real favorecia esse tipo de negócio.


Em 2016, a "presidanta" de araque foi impichada e se tornou ré por corrupção e lavagem de dinheiro. Mas como vivemos no país da impunidade, os processos contra ela foram arquivados; como vivemos no país da antimeritocracia, ela foi recompensada com a presidência do Banco dos Brics


Michel Temer passou de vice a titular com o impeachment da nefelibata da mandioca, mas seu governo capenga ruiu com a divulgação da conversa de alcova com o moedor de carne bilionário Joesley Batista. Ele cogitou de renunciar, mas mudou de ideia e, quase dois dias depois, porejando indignação, disse à nação que "a investigação pedida pelo STF seria o território onde surgiriam todas as explicações, e que não renunciaria. Ato contínuo, comprou votos para sepultar as denúncias, tornou-se refém dos deputados venais, terminou seu mandato-tampão como pato-manco e transferiu a faixa para Bolsonaro em janeiro de 2019. 


Sem o escudo do foro privilegiado, o vampiro do Jaburu se tornou réu em quatro processos e chegou a ser preso, mas foi libertado dias depois pelo então presidente da 1ª Turma do TRF-2 — que ficou afastado do cargo durante 7 anos, acusado de venda de sentenças e formação de quadrilha, mas a ação acabou trancada pelo STF. 


Observação: Segundo foi publicado na revista Exame em março de 2019, quando Temer foi preso, o único ex-mandatário da "Nova República" que não corria risco iminente de ir parar na cadeira era Fernando Henrique. Na época, Lula estava cumprindo pena em Curitiba, Sarney era alvo de duas denúncias, Collor respondia a sete inquéritos (e se tornara réu num deles em 2017), Dilma respondia por corrupção e lavagem de dinheiro e o Vampiro do Jaburu era tetra-réu (duas vezes no RJ, uma em SP e outra no DF).


Em 2021, discursando para a récua de convertidos no chiqueirinho do Alvorada, Bolsonaro destacou que não há nada tão ruim que não possa piorar. Para não deixar dúvidas, tentou dar golpe de Estado no final do ano seguinte. Se os ventos não mudarem, ele e seus asseclas serão condenados entre setembro e outubro e poderão passar o próximo Natal atrás das grades.

Os estratagemas usados pela velha elite colonial persistem até hoje nas práticas ilícitas daqueles que se dizem representantes do povo — como atestam o mensalão, o petrolão e o orçamento secreto (ou "emendas de relator"). Até 2019, apenas duas ações penais da Lava-Jato haviam sido julgadas no STF. Numa delas prevaleceu o entendimento de que os elementos eram "apenas indiciais" — e a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, e seu ex-marido foram absolvidos por 3 votos a 2.  Na outra, as togas condenaram o deputado Nelson Meurer, mas declararam a extinção de punibilidade do filho do parlamentar, alegando que a única conduta que geraria a sanção penal era de junho de 2008.

 

Em vista do número de parlamentares que arrastam pendências judiciais e transitam livremente pelos corredores do Congresso, a parcela pensante da população perdeu a confiança no Legislativo e passou a ver o Judiciário como tábua de salvação. 


Como alegria de pobre dura pouco, o STF formou maioria para exumar e ressuscitar uma jurisprudência que vigeu durante míseros 7 anos ao longo das últimas 8 décadas. Com o voto de Minerva de Dias Toffoli, então presidente da Corte, ficou decidido que condenados em segunda instância deveriam permanecer em liberdade até o trânsito em julgado de suas sentenças.

 

Com quatro instâncias e um formidável cardápio de recursos, apelos, embargos e toda sorte de chicanas criadas sob medida para impedir que condenações de poderosos transitem em em julgado, essa caterva só vai presa no Dia de São Nunca. E na improvável hipótese de um caso fugir à regra, sempre há um magistrado de bom coração que expede um alvará de soltura "por razões humanitárias" (como fez o ministro Dias Toffoli no caso de Paulo Maluf).

 

Nossas leis são criadas pelo Congresso Nacional, que é formado por 513 deputados federais e 81 senadores. Em 2017, nada menos que 238 parlamentares eram investigados ou respondiam a processos no STF. Quando se dá às raposas a chave do galinheiro, perde-se o direito de reclamar do sumiço das galinhas, mas o fato de sermos obrigados a conviver com essa dura realidade não significa que devamos aceitá-la passivamente. 


Lula não aceitava. Tanto é que fundou o PT para implementar "uma maneira diferente de fazer política". Mas faltou combinar com a quadrilha do mensalão. Quando a roubalheira da petralhada veio a público, José Dirceu, então braço direito do demiurgo de Garanhuns, disse em entrevista ao Roda-Viva: “Este é um governo que não rouba, não deixa roubar e combate a corrupção".

 

Pausa para as gargalhadas (ou para as lágrimas, a critério do freguês).

domingo, 27 de abril de 2025

ALTERNATIVAS PARA O CHURRASQUINHO NOSSO DE CADA DOMINGO

DEMÊNCIA É COMO A PSICOLOGIA DEFINE O QUE NÃO CONSEGUE EXPLICAR.

 

Sobra mês no fim do salário para a maioria dos brasileiros, e a "volta da picanha e da cervejinha" foi mais uma das muitas promessas de campanha que Lula não cumpriu. 

Considerando que as carnes nobres continuam custando os olhos da cara e que ninguém merece se entupir de salada de batata porque só tem linguiça e asinha de frango na churrasqueira, o jeito é recorrer a cortes mais baratos, mas que não decepcionam em suculência, sabor e maciez.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Penabundado do Planalto há 33 anos e condenado em 2023 a 8 anos e 10 meses de reclusão por assaltar R$ 20 milhões de um cofre da Petrobras durante as gestões de Lula e Dilma, Collor foi preso na madrugada desta sexta-feira. O roubo não existiria se o "Rei-Sol" não tivesse sido brindado anteriormente com duas grandes anistias. 

Após amargar a cassação política, o ex-presidente foi presenteado pelo STF com uma anistia de proporções amazônicas: o arquivamento da denúncia sobre a corrupção que maculou os dois anos e nove meses de sua execrável passagem pelo Planalto. residência corrupta. 

Um ano depois do impeachment, Lula, que havia chamado o adversário de "corrupto" na campanha de 1989, disse sobre o ex-rival: "Em vez de construir um governo, construir uma quadrilha como ele construiu, me dá pena, porque deve haver qualquer sintoma de debilidade no funcionamento do cérebro do Collor". No entanto, entregou ao ladrão débil mental a BR Distribuidora, sendo essa a segunda grande clemência concedida ao sacripanta.

Hoje, para livrar Collor da cadeira, o mesmo STF que anulou as condenações de Lula sacramentando a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro precisaria desfazer a si mesma. Gilmar Mendes suspendeu o julgamento da análise da ordem de prisão com um pedido de destaque quando o plenário virtual tinha os votos de Moraes e Dino pelo cumprimento imediato da pena, mas Fachin, Barroso e Cármen anteciparam os seus e seguiram o relator, de modo que o placar está em cinco a zero. 

Por uma ironia do destino, o sevandija collorido chega à prisão num instante em que fervilha na Câmara o debate sobre o projeto da anistia para o golpismo. Bolsonaro é um prepotente às voltas com uma impotência que retarda a votação da proposta. Interrompida tardiamente, a longa impunidade fez de Collor um mau exemplo, mas também um bom aviso: a reincidência revela o tamanho do abantesma que se esconde embaixo do lençol da anistia.

 
Churrasco pede linguiça, mas para os comensais beliscarem enquanto esperam a carne ficar pronta. A toscana custa em torno de R$ 22,00 o quilo. Para quem gosta, coração de frango não pode faltar, e sai por menos R$ 20 o quilo.

Sem embargo do que já foi sugerido em outros domingos, o coxão-mole provém da parte traseira do boi e é macio, suculento, bom para grelhar e custa metade do preço da picanha e do filé-mignon. O coxão-duro é uma opção acessível (cerca de R$ 40 o quilo), mas fica melhor assado no forno ou cozido na pressão. 

Já a costela de ripa ou de ponta de agulha são macias, suculentas, combinam carne e gordura na medida certa e custam entre R$ 17 e R$ 30 o quilo. Já o cupim, que é mais comum nas churrascarias do que nos churrascos domésticos, é uma carne fibrosa, caracterizada pela gordura entremeada, responsável pelo sabor acentuado e maciez, precisa ser assada por horas a fio (geralmente envolta em papel alumínio, para que seus sucos sejam retidos).
 
Se o orçamento permitir, prefira caipirinha de vodca à de pinga e cerveja Heineken à Itaipava. 
 
Bom churrasco.