quinta-feira, 8 de maio de 2025

PARA O BEM OU PARA O MAL...

... NÃO HÁ NADA COMO O TEMPO PARA PASSAR.

Até onde se sabe, tudo que existe no Universo (incluindo o próprio Universo) tem começo, meio e fim. Em última análise, a morte é a única certeza que temos na vida. E começamos a morrer no exato instante em que nascemos.


Lula nasceu no agreste pernambucano, conheceu o pai aos cinco anos, veio para São Paulo num caminhão pau de arara com a mãe e uma penca de irmãos, foi engraxate, vendeu laranjas, amendoim, trabalhou numa tinturaria, diplomou-se torneiro mecânico pelo Senai, foi dirigente sindical, fundou o PT e, após três tentativas inexitosas, elegeu-se presidente da República por dois mandatos. Depois que deixou o Planalto, colecionou duas dúzias de processos criminais, foi condenado duas vezes por corrupção e lavagem de dinheiro, “descondenado” por uma decisão teratológica do STF e, graças ao antibolsonarismo, tornou a ser eleito presidente desta banânia. Agora, aos 79 anos, a despeito de ter prometido pendurar as chuteiras no final do atual mandato e de estar amargando os maiores índices de rejeição de sua trajetória política, o macróbio quer porque quer disputar a reeleição no ano que vem, mesmo .


Carioca de nascimento, Fernando Collor construiu sua carreira política em Alagoas, derrotou Lula na eleição solteira de 1989 e se tornou o primeiro presidente eleito pelo voto popular da “Nova República”. Seu envolvimento no famigerado “Esquema PC” resultou no processo de impeachment que o levou a renunciar horas antes do julgamento. Mas o Senado o condenou mesmo assim, e ele ficou inelegível por oito anos. Mais adiante, já como senador por Alagoas, rapinou os cofres da BR Distribuidora e foi sentenciado a oito anos e dez meses de reclusão. Por ter 75 anos, sofrer de Parkinson, apneia grave e transtorno bipolar, ganhou o direito de cumprir a pena em prisão domiciliar depois de passar menos de uma semana numa "hospedaria especial" em Maceió.


Bolsonaro nasceu no município paulista de Campinas, ingressou na AMAN, formou-se em Educação Física e tornou-se mestre em saltos pela Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro. Em 1986, ganhou projeção nacional ao publicar na revista Veja o artigo “O salário está baixo”, que lhe rendeu 15 dias de prisão administrativa. No ano seguinte, a mesma revista noticiou que ele e o também capitão Fábio Passos da Silva pretendiam “explodir bombas em várias unidades da Vila Militar, da Academia Militar das Agulhas Negras (...) e em vários quartéis”. Uma sindicância autorizada pelo então ministro do Exército concluiu que os insurretos deveriam ser expulsos, mas o STM acolheu a tese da defesa e a expulsão não aconteceu. 


Bolsonaro passou para a reserva, elegeu-se vereador e, na sequência, foi deputado federal por sete mandatos e perambulou por oito partidos antes de se amancebar com o ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto. Ao longo de 27 anos como deputado do baixo clero, aprovou míseros dois projetos e recebeu míseros quatro votos quando disputou a presidência da Câmara. Em 2018, foi guindado ao Planalto graças a uma extraordinária conjunção de fatores (que eu detalhei em outras oportunidades). Mas seu projeto de governo nunca foi além de blindar a si e a seus rebentos, evitar o impeachment e se reeleger em 2022. Quando não conseguiu, partiu para o "plano B" golpista que havia urdido com seus cúmplices... e deu com os burros n'água porque não conseguiu o apoio incondicional das FFAA


Hoje, aos 70 anos, inelegível até 2030, réu por tentativa de golpe e alvo de outras investigações, o "mito" dos anencéfalos insiste em dizer que voltará a disputar a Presidência em 2026. Mas tudo indica que ele será julgado e condenado muito antes disso, ainda que confiar na Justiça tupiniquim seja como acreditar em horóscopo.


Resumo da ópera


Lula foi “descondenado” sob o pretexto de uma estranha incompetência territorial da 13ª Vara de Curitiba (tese que o próprio ministro Fachin havia rejeitado anteriormente em pelo menos dez oportunidades), e a prescrição impediu que os processos fossem reiniciados na JF de Brasília. 


Collor foi impichado, condenado em 2023, preso no final do mês passado e mandado para casa (uma mansão de R$ 9 milhões na orla de Maceió) por motivo de saúde, embora tenha dito na audiência de custódia, com um sorriso irônico nos lábios, que não tomava nenhum medicamento de uso contínuo. 


Maluf respondeu a mais de 50 processos e foi condenado diversas vezes. Depois de empurrar a prisão com a barriga por mais de 20 anos, foi trancafiado na Papuda em dezembro de 2017, mandado para casa poucos meses depois (por “razões humanitárias”) e cumpriu prisão domiciliar até maio de 2023, quando então sua pena foi extinta com base no indulto natalino concedido por Bolsonaro. Aos 93 anos, deve estar morrendo de rir dos idiotas que ainda acreditam na Justiça desta banânia.


Quanto a Bolsonaro, fazer qualquer prognóstico à luz do que foi dito até aqui seria arriscado. A aversão do diabo à concorrência explica por que, para algumas pessoas, velhice não significa estar com um pé na cova. A exemplo de Maluf e do ex-presidente José Sarney, também nonagenário (e que já se retirou da vida pública), o "trio assombro" sairá de cena, cada um a seu modo, ainda que não a seu gosto.


Lula escapou de um câncer na laringe e se recuperou de uma hemorragia intracraniana (decorrente de um prosaico tombo no banheiro, enquanto supostamente aparava as unhas dos pés). A saúde de Collor supostamente inspira cuidados que o sistema prisional tupiniquim não tem condições de prover. Bolsonaro foi vítima de um atentado a faca em 2018 e desde então passou por sete cirurgias (nenhuma delas no SUS). Visando a uma eventual prisão domiciliar, o malacafento tem dito que a próxima operação pode ser fatal, mas também diz que disputará o Planalto no ano que vem.


A carreira política de Collor acabou, não importa quantos anos ele permaneça encastelado em sua mansão. Bolsonaro somará mais alguns anos (ou décadas) de inelegibilidade quando — e se — for condenado pelo STF. Quanto a Lula, talvez o inesperado faça uma surpresa. Até o momento, tudo indica que o macróbio não tenciona largar o osso, mas nada indica que eventual reeleição sejam favas contadas. No feriado do Dia do Trabalhador de 2024, discursando para os gatos pingados que apareceram para prestigiá-lo, a autoproclamada alma viva mais honesta do Brasil disse que a atual gestão está sendo ainda melhor que as anteriores. As pesquisas de opinião discordam, mas o ególatra acha que suas mazelas, da volta da corrupção à escalada da inflação, não passam de um "problema de comunicação". 


Como Steve Jobs — versão revista e atualizada do Flautista de Hamelin —, Lula tenta criar um campo de distorção da realidade para iludir o eleitorado. Mas ele está velho, e seu pífaro, desafinado. Temendo um novo fiasco de público e de crítica neste 1º de maio (sobretudo em meio ao escândalo do INSS), escusou-se de participar ao vivo e em cores das festividades sindicais em São Bernardo do Campo (município da Grande São Paulo que é considerado “berço do PT”).


Crer na "justiça divina" talvez mitigasse o sentimento de revolta que acomete os cidadãos que pagam impostos escorchantes e veem seu dinheiro descer pelo ralo da corrupção. Todavia, à luz de como a humanidade vem se comportando ultimamente, a impressão que se tem é a de que o Criador (supondo que exista um Criador) jogou a toalha e deixar o barco correr.


A única certeza que nos resta — além da morte e dos impostos — é a de que, para o bem ou para o mal, não há nada como o tempo para passar.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 25ª PARTE

TEM MUITA TESTA OLEOSA POR AÍ SE ACHANDO MENTE BRILHANTE.
 

Enquanto as religiões se apegam a dogmas milenares, a ciência parte do possível para explorar o impossível e, por meio de experimentos, converte dúvidas em descobertas.


À medida que a fronteira entre o imaginado e o comprovado se expande, incertezas viram convicções, e o que era verdade ontem pode deixar de sê-lo amanhã.


Einstein demonstrou que o impossível é apenas uma questão de tempo; Carl Sagan, que a ausência de evidências não é evidência de ausência; e Arthur C. Clarke, que desafiar limites é o único caminho para superá-los. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Sob uma ótica estritamente política, o país virou uma espécie de centro terapêutico para tratar as neuroses de Bolsonaro.

Bolsonaro teve alta hospitalar no domingo, mas continua na UTI da política. Em casa, ele evolui da dieta líquida para a alimentação pastosa; no Congresso e no Supremo, continua mastigando o pão que o diabo amassou. 

Segundo os médicos, o paciente logo voltará à "vida normal"; politicamente, até os aliados avaliam que ele será condenado à prisão antes do final do ano.

Numa entrevista de porta de hospital, o capetão atacou Alexandre de Moraes e convocou os devotos para mais uma manifestação pró-anistia, desta vez em Brasília. Mas o ataque se torna um esporte inútil para quem não dispõe de defesa. 

Já não há ato em favor da anistia capaz de deter no Congresso o avanço do projeto de lei que abre a cela da multidão do 8 de janeiro sem retirar o ex-presidente golpista e seus cúmplices do rumo da tranca.

Curiosamente, a saúde de Bolsonaro interessa aos aliados, que o querem como cabo eleitoral, e aos rivais, que o querem saudável para que seja preso. 

Viagens no tempo são um tema recorrente na ficção desde 1895, quando H.G. Wells publicou A Máquina do Tempo. Durante décadas, a ideia foi rejeitada pelos cientistas, mas bastaram 104 anos para a Apollo 11 transformar em realidade o que Júlio Verne teorizou (profetizou?) em 1865, no romance de ficção Da Terra à Lua. E a história está repleta de casos semelhantes.

Apesar de toda a evolução tecnológica havida nos últimos séculos, ainda não foi possível transformar uma espaçonave em máquina do tempo, já que isso exigiria alcançar a velocidade da luz — que, segundo a teoria da relatividade e a física moderna, é o limite máximo permitido no Universo. A possibilidade de viajar para o futuro é admitida há décadas pela maioria dos físicos teóricos, mas nem tudo que é matematicamente possível pode ser realizado na prática.

Antes da relatividade (especial e geral), o tempo era considerado absoluto e universal. Mas Einstein demonstrou que a duração entre dois eventos depende do movimento do observador — o que é ilustrado magistralmente pelo famoso paradoxo dos gêmeosNos voos comerciais, a dilatação do tempo é da ordem de nanossegundos, mas os relógios atômicos confirmam experimentalmente que o movimento tem, de fato, um impacto mensurável na passagem do tempo. 

Observação: Em grandes aceleradores de partículas, múons podem ser acelerados a velocidades próximas à da luz, e seus decaimentos ocorrem em "câmera lenta", ratificando as previsões de Einstein. Em outras palavras, viajar para o futuro — ainda que em frações ínfimas — é um fato comprovado.

Outra forma de alterar a passagem do tempo é por meio da gravidade: quanto mais intensa ela é, mais devagar o tempo flui. No nível do mar, a força gravitacional é maior do que no cume do Everest e, portanto, os relógios andam ligeiramente mais devagar. A diferença é mínima, mas já foi medida em experimentos nos quais pesquisadores posicionaram relógios atômicos extremamente precisos em diferentes altitudes. E o mesmo princípio se aplica ao sistema GPS, cujos satélites precisam corrigir constantemente os efeitos da dilatação temporal para manter a precisão.

Na superfície de uma estrela de nêutrons, a força gravitacional é extrema, e o tempo flui cerca de 30% mais lentamente em relação à Terra. Já em um buraco negro, o tempo praticamente congela em relação a um observador externo. Mas voltar ao passado é um desafio muito maior. 

Em 1948, o matemático e físico Kurt Gödel apresentou uma solução para as equações da relatividade geral que descrevia um universo em rotação, onde se poderia viajar ao passado — e, consequentemente, no tempo, já que espaço e tempo são indissociáveis — percorrendo um caminho fechado no espaço. Embora seja considerada apenas como uma curiosidade matemática, já que não há evidências de que nosso Universo esteja girando, essa ideia mostrou que a relatividade geral, por si só, não proíbe explicitamente a viagem ao passado, mas o problema está em encontrar um meio prático de fazer isso acontecer, a despeito dos efeitos relativísticos que impactam o tempo, o espaço e a massa — sem falar nos paradoxos temporais.

Os buracos de minhoca foram teorizada por Einstein, mas sua existência ainda não foi comprovada experimentalmente. Acredita-se que eles encurtem a distância entre dois pontos, neste ou em outro universo, no presente ou em outro momento da linha do tempo. O problema é que a rapidez com que eles aparecem e desaparecem os torna inatravessáveis. Alguns cientistas acreditam que seria possível estabilizá-los com uma infusão de energia negativa produzida por meios quânticos — como o chamado Efeito Casimir —, já que a energia negativa os impediria de atingir densidade infinita — ou quase infinita — e se transformarem em buracos negros.

Em 1974, o físico, matemático e cosmólogo Frank Tipler calculou que um cilindro maciço e infinitamente comprido, girando em torno de si mesmo a velocidades próximas à da luz, permitiria vislumbrar o passado — puxada em torno dele, a luz descreveria trajetórias fechadas no espaço-tempo.

Em meados dos anos 1980, um dos cenários mais plausíveis para a existência de uma máquina do tempo foi baseado no conceito dos buracos de minhoca e em conformidade com a teoria da relatividade geral, que estabelece que a gravidade distorce tanto o espaço quanto o tempo. Em teoria, esses atalhos no tecido do espaço-tempo poderiam conectar dois pontos distantes no espaço e no tempo. 

A proposta ganhou destaque com os trabalhos do físico Kip Thorne e colaboradores, que demonstraram a possibilidade de estabilizar um buraco de minhoca utilizando matéria exótica com energia negativa, tornando viável, em princípio, a criação de um percurso temporal fechado. Em 1991, o escritor e astrofísico Richard Gott sugeriu que cordas cósmicas — estruturas extremamente finas e densas que teriam se formado nos primeiros instantes após o Big Bang — também poderiam criar distorções significativas no espaço-tempo. 

Se essas cordas se movessem a velocidades próximas à da luz e passassem uma pela outra em ângulos específicos, elas poderiam gerar uma configuração que permitisse voltar no tempo. A hipótese é altamente especulativa, mas também se apoia na relatividade geral e contribui para o campo das possíveis soluções matemáticas para as chamadas curvas fechadas de tipo tempo — trajetórias que retornam ao próprio passado.

Um buraco de minhoca foi usado por Carl Sagan no romance Contato (1985) — o filme baseado no livro também é muito bom. Incentivados por Sagan, Thorne e seus colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia verificaram se esses atalhos cósmicos poderiam existir sem violar as leis da física e concluíram que eles poderiam se comportar como buracos negros — só que, em vez de aprisionar a matéria, permitiriam um trajeto entre diferentes regiões do espaço-tempo.

Continua...

terça-feira, 6 de maio de 2025

O BRASIL DA CORRUPÇÃO — CONTINUAÇÃO

UM PALHAÇO QUE SE MUDA PARA UM PALÁCIO NÃO SE TORNA REI, MAS O PALÁCIO SE TORNA UM CIRCO.

 

A maior operação anticorrupção da nossa história começou em 2009. O nome Lava-Jato foi escolhido porque a casa de câmbio ValorTur, dos doleiros investigados, ficava no Posto da Torre, no centro de Brasília.


O posto tinha 16 bombas e 85 funcionários, vendia 50 mil litros de combustíveis por dia (e cobrava por uma quantidade maior do que a colocada no carro dos clientes), abrigava lojas de conveniência e alimentação, borracharia, oficina mecânica, lavanderia, mas não um lava-rápido.

 

Na primeira fase ostensiva, deflagrada em 17 de março de 2014, a PF cumpriu 81 mandados de busca e apreensão, 18 de prisão preventiva, 10 de prisão temporária e 19 de condução coercitiva em 17 cidades de 6 estados e no DF. O filme Polícia Federal — A Lei é para todos retrata bem o início da operação; a série O Mecanismo é mais rica em detalhes, mas troca os nomes dos envolvidos (inclusive da própria Polícia Federal, que passa a se chamar Polícia Federativa) e apresenta os fatos de uma forma mais romanceada.

 

No final de 2015, o ministro Teori Zavascki autorizou a abertura de 21 inquéritos contra 50 parlamentares, caciques políticos e afins, dando origem à primeira "Lista de Janot". Mais adiante, outros 180 inquéritos foram abertos. Os acordos de leniência da Odebrecht e de delação premiada de 77 executivos do grupo ficaram conhecidos como a Delação do Fim do Mundo, mas o mundo acabou para o ministro-relator, que morreu num acidente aéreo às vésperas de homologar a megadelação. Cármen Lúcia, então presidente do STF, tomou a tarefa para si, e Edson Fachin — indicado por Dilma para o lugar de Joaquim Barbosa, que havia se aposentado em 2014 — assumiu a relatoria dos processos da Lava-Jato na Corte. 

 

Em 2019, por 6 votos a 5, o STF proibiu a prisão em segunda instância. A decisão foi catastrófica para a Lava-Jato, cuja eficácia dependia de delações premiadas, conduções coercitivas, prisões preventivas e perspectiva concreta de cumprimento da pena. Mas foi sopa no mel para chicaneiros estrelados, que prorrogam indefinidamente o trânsito em julgado das condenações de quem pode bancar seus honorários milionários, e para Lula, que havia colecionado duas dúzias de processo criminais depois de deixar o Planalto.


Em 12 de julho de 2017, Lula foi sentenciado 9 anos e 6 meses de reclusão no processo envolvendo o triplex do Guarujá. Em março do ano seguinte, o TRF-4 aumentou a pena para 12 anos e 1 mês e determinou a prisão do petista, que se entregou em 7 abril de 2018, após produzir um fabuloso espetáculo midiático defronte ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. 


Em 8 de novembro de 2019, menos de 24 depois da decisão teratológica do STF, o então presidiário mais famoso desta banânia deixou sua cela VIP, subiu num palanque improvisado por apoiadores e rasgou o verbo contra a Lava-Jato, a PF, o MPFMoro e o TRF-4. (Durante seus 580 na prisão, sempre que um visitante lhe perguntava se estava bem, a resposta era a mesma: "Só vou ficar bem quando eu foder com o Moro").


Quando foi solto, Lula já havia sido condenado 12 anos e 11 meses no caso do sítio de Atibaia. Mais adiante, o TRF-4 aumentou a pena para 17 anos e 1 mês e o STJ a reduziu para 8 anos e 10 meses. A despeito de os dois processos terem transitado em julgado, Fachin se escorou numa suposta incompetência territorial — que ele próprio havia rejeitado em pelo menos dez ocasiões anteriores — e determinou que as ações fossem reiniciadas do zero na Justiça Federal do DF


O plenário do STF não só avalizou a decisão teratológica de Fachin por 8 votos a 3, como formou maioria de 7 a 4 para pregar no ex-juiz Moro a pecha de parcial. Em virtude da prescrição  perda da pretensão punitiva estatal por decurso do prazo previsto em lei —, os processos não foram reiniciados


Observação: Em abril de 2025, durante uma sessão da 5ª Turma do STJ, foi mencionado que já haviam sido julgados 433 recursos relacionados ao processo do triplex, dos quais 408 eram pedidos de habeas corpus. Em relação ao caso do sítio, no entanto, eu não consegui encontrar o número exato de recursos.


Em 2016, a troca comando resultante do impeachment de Dilma foi como uma lufada de ar fresco numa catacumba: depois de 13 anos, 4 meses e 12 dias ouvindo garranchos verbais de um semianalfabeto e frases desconexas de uma destrambelhada que não conseguia juntar sujeito e predicado numa frase que fizesse sentido, ter no Planalto um inquilino que não só sabia falar, mas até usava mesóclises, pareceu um refrigério. 


Temer conseguiu reduzir a inflação, baixar a Selic e aprovar a PEC do Teto dos Gastos e a Reforma Trabalhista, mas prometeu um "ministério de notáveis" que se revelou uma notável agremiação de corruptos. Em maio de 2017, uma conversa de alcova gravada à sorrelfa por certo moedor de carne bilionário só não o derrubou porque a tropa de choque capitaneada pelo deputado Carlos Marun comprou votos das marafonas da Câmara para escudá-lo das "flechadas de Janot". Assim, o vampiro que tinha medo de fantasmas terminou seu mandato-tampão como "pato manco". 

 

Em 2019, já sem a proteção do escudo presidencial e denunciado por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, Temer foi preso preventivamente na PF do Rio, mas saiu menos de uma semana depois, amparado por uma decisão monocrática do desembargador Ivan Athié (que ficou afastado da magistratura por 7 anos, acusado de venda de sentenças e formação de quadrilha, mas foi reintegrado por decisão do STF, que trancou a ação criminal). 

 

Durante a campanha de 2018, Bolsonaro prometeu combater implacavelmente a corrupção e os corruptos; dois anos depois, quando Sergio Moro já havia deixado o ministério da Justiça (acusando o chefe de interferir politicamente na autonomia da PF), o "mito" dos descerebrados disse que "acabou" com a Lava-Jato porque "não tem mais corrupção no governo". 


Ao longo de 79 fases, a Lava-Jato contabilizou 1.450 mandados de busca e apreensão, 211 conduções coercitivas, 132 mandados de prisão preventiva e 163 de temporária. Foram colhidos materiais e provas que embasaram 130 denúncias contra 533 acusados e geraram 278 condenações (sendo 174 nomes únicos), num total de 2.611 anos de pena. Foram propostas 38 ações civis públicas e 735 pedidos de cooperação internacional, e mais de R$ 4,3 bilhões foram recuperados por meio de 209 acordos de colaboração e 17 de leniência.

 

Continua...

segunda-feira, 5 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 24ª PARTE

A GRANDE DIFERENÇA ENTRE A GENIALIDADE E A ESTUPIDEZ É QUE A GENIALIDADE TEM LIMITES.

Para aceitar novas hipóteses sobre a natureza da realidade, precisamos abandonar a visão de que tudo gira em torno de nós. 

Multiverso de Nível 4 propõe que os multiversos de níveis anteriores integrem uma única estrutura matemática infinita, com pelo menos quatro dimensões (três espaciais e uma temporal), geometrias distintas e leis físicas completamente diferentes das que conhecemos. Já a Teoria dos Multiversos nos desloca de qualquer posição central ou privilegiada, deixando claro que nosso universo — e nós mesmos — não somos especiais.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O Gênesis não conta, mas, ao ser acusado de favorecer a porção de terra que se tornaria o Brasil, Deus respondeu: “Esperem para ver o povinho de merda que eu vou colocar ali.” Essa passagem pouco conhecida fornece pistas valiosas para quem se pergunta se este país tem jeito. Afinal, esperar o quê de um eleitorado que repete a cada dois anos, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez por curiosidade? Um povo despreparado até para votar em assembleia de condomínio tende a ser ludibriado por qualquer demagogo — e o demagogo que mente melhor vence as eleições.
Em momentos distintos da ditadura militar, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o risco de misturar brasileiros e urnas em pleitos presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas como contestá-los, se lutamos tanto por eleições diretas e elegemos Collor, Lula, Dilma e Bolsonaro?
Todo mundo mente, mas o problema é quando o mentiroso acredita nas próprias mentiras. Confrontado com o mensalão e, mais adiante, com o petrolão, Lula disse que “não sabia de nada”. E um presidente que não sabe o que está acontecendo bem debaixo de suas barbas ou é conivente, ou é incompetente.
Em 2022, a cinco dias do segundo turno, Lula prometeu que, se eleito, seria presidente de um mandato só. Mal se aboletou no trono e já deixou claro que pretende disputar a reeleição.
No final do ano passado, com a popularidade em queda e uma hemorragia cerebral, ventilou que dependeria do cenário político e de sua saúde. Passado o susto, prometeu cumprir as promessas que não honrou — e passou a fazer novas, mirando um horizonte que vai muito além do fim do seu mandato. Em fevereiro, produziu a seguinte pérola: “Quando terminar o meu mandato, vocês vão dizer: ‘Lulinha, Lulinha, fica, porque nós precisamos de um presidente que goste de nós’”, disse.
Em abril, o petista capitaneou o evento “O Brasil dando a volta por cima”, orquestrado pelo marqueteiro Sidônio Palmeira para vender a ideia de que, nos primeiros dois anos, foi preciso reconstruir o que Bolsonaro destruiu. Prometeu que, até 2030 (não por acaso o último ano de um eventual quarto mandato), todas as crianças brasileiras estarão alfabetizadas até o segundo ano. Discursando na inauguração de um campus da Universidade Federal Fluminense, disse que “precisou um torneiro mecânico sem diploma universitário governar este país para ser o presidente que mais fez universidades na história”.
Visando conquistar a simpatia da classe média, o mandatário de meio-expediente mascateia medidas populistas como a isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil mensais e a ampliação da faixa de renda do “Minha Casa, Minha Dívida”, além de assumir a paternidade de programas eleitoreiros como o Bolsa Família, Mais Médicos e Samu. Age como candidato, não como presidente. Usa dinheiro público para tentar se reeleger. Nos últimos meses, esteve quatro vezes em Minas Gerais e viajou para São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Pará — todos estados entre os dez maiores colégios eleitorais do país.
Internamente, os líderes de esquerda não trabalham com outra opção que não seja Lula. Mesmo no PT, onde várias correntes se digladiam pelo comando do partido em julho, o candidato é Lula. Mas querer nem sempre é poder — sobretudo quando o que se quer é o poder. 
Nas pesquisas para o segundo turno, ele aparece atrás de Bolsonaro, da ex-primeira-dama e do governador bolsonarista de São Paulo, além de ostentar a maior rejeição: 51,9% dos entrevistados disseram que não votariam nele de jeito nenhum, e 57,4% desaprovam seu governo.
Lula deve anunciar oficialmente o que todo mundo já sabe em julho, logo após a eleição interna do PT. Até lá, terá de pegar em lanças para mudar o humor do eleitorado. E de nada adianta citar o PIB e outros dados macroeconômicos quando a alta no preço dos alimentos leva o povo à inevitável conclusão de que o país piorou.

Dentro da comunidade científica, alguns defendem que um extraordinário equilíbrio cósmico levou o Big Bang a produzir um universo ajustado às condições necessárias para nossa existência, enquanto outros sustentam que existem inúmeros universos físicos e que nós habitamos aquele cujas leis permitiram o surgimento da vida. Muitos argumentam que não há como comprovar a existência de um número infinito de universos-bolha, já que, por definição, eles seriam independentes do nosso. No entanto, detectá-los talvez seja apenas uma questão de tempo; afinal, a ciência já derrubou inúmeras barreiras antes, e não há razão para acreditarmos que essa seja intransponível.

Algumas teorias encontram maior aceitação, mas, como bem disse Carl Sagan sobre a busca por vida extraterrestre, "ausência de evidência não é evidência de ausência". Muito do que era ficção há um ou dois séculos se tornou realidade, e o mesmo pode acontecer com ideias que hoje nos parecem especulativas. A história da ciência está repleta de exemplos de pioneiros ridicularizados em sua época, como Nicolau Copérnico, que desafiou o geocentrismo, Joseph Lister, que revolucionou a medicina com a desinfecção, e Alfred Wegener, que propôs a teoria da deriva continental. 
Todos foram desacreditados até que o tempo provasse que estavam certos.

Estudos sobre a mecânica quântica sugerem que multiversos paralelos ao nosso podem existir no mesmo espaço-tempo, e que, à medida que se realiza um experimento quântico com diferentes resultados possíveis, cada resultado ocorre em um universo paralelo. Outra teoria sobre multiversos sustenta que nosso universo é uma bolha, e que existem inúmeros universos-bolha semelhantes, imersos em um mar energizado e em eterna expansão.

Nenhuma dessas teorias conseguiu prever com precisão em que tipo de universo estamos inseridos, mas todas elas sugerem que devemos manter a mente aberta.

Continua...

domingo, 4 de maio de 2025

TRANSFORME SEU CHURRASCO NUMA EXPERIÊNCIA GASTRONÔMICA ÚNICA

ANARQUIA NÃO É DESORDEM, DESORDEM É UM CONGRESSO DE LADRÕES QUE ROUBAM O PRÓPRIO POVO.
 
Churrasco sem caipirinha é heresia. Já basta a gente abrir mão da picanha, que, malgrado as promessas de Lula, continua custando os olhos da cara. Mas isso é outra conversa. O assunto desta postagem é o uso de bebidas para deixar a carne mais macia e suculenta — prática cada vez mais comum entre os churrasqueiros de fundo de quintal. E a protagonista dessa técnica é outra paixão nacional: a cachaça. 

O alto teor alcoólico da branquinha ajuda a quebrar as fibras da carne, realçar os temperos, potencializar os aromas e preservar a suculência, garantindo um churrasco memorável, e suas propriedades naturais dão um toque especial ao sabor e complementam os demais ingredientes da marinada. Mas o verdadeiro segredo está em como preparar a carne antes de levá-la à grelha

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Beneficiário de uma impunidade de 33 anos desde que foi penabundado do Planalto, Collor permaneceu na cadeia por menos de uma semana. Em pleno feriado do Dia do Trabalhador, Alexandre de Moraes acatou o parecer da PGR e presenteou o condenado com uma "prisão domiciliar humanitária", arrastando uma tornozeleira eletrônica no conforto do lar.

Nos anos 70, durante uma aula de direito penal, um colega perguntou ao professor por que somente os pobres iam para a cadeia no Brasil, e ouviu dele a seguinte resposta: Porque os ricos contratam Frederico Marques, e os pobres contratam você, caso seja aprovado no exame da OAB. 

O ministro Gilmar Mendes — que foi voto vencido no julgamento que condenou Collor a oito anos e dez meses de cadeia no âmbito da falecida Lava-Jato — ajudou a compor a maioria que, em 2016, aprovou a prisão dos réus depois da condenação em segunda instância. Ao proferir seu voto, disse que a presença de "ilustres visitantes" melhoraria as cadeias e destacou que já havia até chuveiro elétrico nos cárceres de Curitiba. Mais adiante, porém, pegou em lanças para defender a volta do status quo ante e o fim da maior operação anticorrupção da história desta banânia.

Em 2023, quando já havia sepultado a Lava Jato — com lápide fornecida pela suspeição de Sergio Moro —, o STF julgou inconstitucional a situação das prisões brasileiras e ordenou a elaboração de um plano capaz de civilizar as cadeias — que foi homologado pelo próprio Supremo no final do ano passado e ganhou o nome de "Pena Justa".

Collor poderia ter sido um bom começo, mas se tornou um triste fim. Três décadas atrás, ele se vangloriava no Planalto de ter "aquilo roxo". Há dez anos, quando foi denunciado, vendia saúde. Agora, aos 75 anos, pode ficar preso porque sofre de doença de Parkinson, apneia grave do sono e bipolaridade. Moraes poderia exigir a qualificação de uma unidade prisional, mas optou por enviar o desqualificado para casa.


Na picanha, o sal grosso é tempero suficiente, mas maminha, contrafilé e miolo da alcatra ficam mais macios e saborosos depois de marinar por algumas horas numa mistura de vinagre ou suco de limão, azeite, sal, pimenta-do-reino ou calabresa, cebola, alho, orégano e ervas finas. Já a cachaça suaviza fibras mais rígidas, atenua a gordura e cria um equilíbrio interessante entre o sabor natural da carne e os temperos utilizados — desde que você use cachaça de boa qualidade, de preferência branca, que tem sabor mais neutro e equilibrado, e não exagere na quantidade, ou o sabor da bebida irá predominar sobre o da carne.
 
Para preparar uma marinada perfeita, lave e seque bem um vidro com tampa (como os de palmito ou maionese), coloque a cachaça, o azeite, o alho esmagado, cheiro-verde picado, ervas frescas (como alecrim ou tomilho) e um toque de sal grosso, feche bem e agite por alguns segundos, até que os ingredientes fiquem bem misturados. 

Acomode a carne em uma vasilha, adicione o molho, massageie por alguns minutos, transfira para um saco de marinada (ou para uma vasilha plástica com tampa) e deixe na geladeira de véspera, virando a carne de tempos em tempos (se for deixar marinar por menos tempo, assegure-se de que a carne fique totalmente coberta pelo molho).
 
Com com uma boa marinada, o corte que você escolher para substituir a picanha pode transformar seu churrasco em uma experiência gastronômica única, mas para isso a carne deve ser assada corretamente. 

Para saber se o braseiro está no ponto, estenda a mão sobre ele a cerca de dois palmos de distância e conte até cinco. Se o calor obrigá-lo a tirar a mão no quatro ou no três, coloque a carne para assar. 

Cortes menores devem ficar a cerca de 20 cm da brasa, peças inteiras a pelo menos 40 cm, e a costela, a 70 cm (isso vale tanto para o preparo no espeto quanto na grelha).
 
Cupim, costela e outras carnes mais duras precisam assar por mais tempo do que picanha, maminha, fraldinha e outros cortes mais macios, que podem (e devem) ser servidos malpassados. Já as carnes de frango e de porco precisam ser bem-passadas. 
 
Tão importante quanto as características de cada corte e a preferência dos comensais é não deixar que a carne asse por tempo demais, não só para evitar que ela perca a maciez e a suculência, como para inibir o aumento da concentração de HPA (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos) e APA (Aminas Policíclicas Aromáticas), que, na proteína esturricada, enseja o aparecimento de células cancerígenas.

 

Bom apetite!

sábado, 3 de maio de 2025

NOVIDADES DA OpenAI

SUPORTAR A DOR É FÁCIL, EXCETO QUANDO É A GENTE QUE A SENTE.

 

Depois de implementar um motor de busca dentro do ChatGPT, a OpenAI vem considerando a criação de seu próprio navegador com IA integrada, e se aproximando da Samsung, que é um dos maiores parceiros comerciais do Google

No final do ano passado, a OpenAI lançou uma funcionalidade que permite substituir o Google Search pelo ChatGPT como motor de busca no Chrome. Além de listar links, a ferramenta oferece respostas mais didáticas e completas com a adição de fontes de referência. 

Para instalar a extensão do ChatGPT no Chrome, clique no ícone de três pontos no canto superior direito do navegador, selecione Extensões, clique em Acessar a Chrome Web Store, digite ChatGPT search na barra de busca da loja de extensões, selecione a opção em questão, clique em Usar no Chrome e confirme instalação. Feito isso, faça as buscas normalmente na barra de endereços ou solicite tarefas simples, como a elaboração de roteiros de viagem ou traduções de texto, e confira os resultados, que aparecem diretamente na interface do ChatGPT.
 
A eficiência do ChatGPT como motor de busca varia de acordo com o tipo de consulta. Para pesquisas mais objetivas, como comparações entre conceitos, a ferramenta é mais eficaz doque o Google Search, mas consultas que exigem busca por sites na web tendem a ser mais bem atendidas pelos motores de busca tradicionais.