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sexta-feira, 22 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 106ª PARTE — UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL

TUDO PARECE IMPOSSÍVEL ATÉ QUE SEJA FEITO.

Como foi dito ao longo dos mais de 100 capítulos desta sequência sobre viagens no tempo, o fruto mais cobiçado da árvore da relatividade ainda não foi colhido porque exige viajar a uma velocidade próxima à da luz ou transpor um buraco de minhoca atravessável.


Para levar qualquer partícula com massa à velocidade máxima possível no Universo, um grupo de cientistas propôs uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra" — estrutura teórica que poderia transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. O problema é que a quantidade de energia negativa necessária, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos esbarram num empecilho elementar: ainda não sabemos produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades de energia negativa.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Um senador pedindo dinheiro ao operador de escandalosa fraude financeira, a quem trata de "irmão", é tudo menos uma transação corriqueira "de um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai". A conversa abre o baú de esqueletos com potencial de mudar o rumo desta eleição, pois evidencia a relação de proximidade de um candidato a presidente com um personagem cujos golpes envolvem dinheiro público, a quem ele cobra colaboração para a produção de uma peça de propaganda milionária, a ser usada em sua campanha eleitoral.
Não há nada de privado nisso. Há, sim, o flagrante de agressão ao interesse público no qual se inscreve, além do descrito acima, o fato de o pretendente a comandar a nação ter mentido aos correligionários e, sobretudo, aos que até agora o indicavam como favorito nas pesquisas de intenções de votos. O impacto negativo na candidatura está posto, faltando apenas medir a extensão do estrago para esclarecer se o filho do golpista consegue se livrar do enrosco, se terá de sair de cena da disputa presidencial ou se prosseguirá mesmo tendo de arrastar essa corrente.
A rapidez com que companheiros do PL consideraram o tiro como mortal, a reação fragiliza a retaguarda do candidato e cria um rombo na estratégia de defesa já prejudicada pela negativa inicial seguida pelo desmentido nos áudios. Sendo o destino moleque travesso, o pai que lhe assegura ascensão com o capital do sobrenome o coloca na contingência de um tombo fatal.


Vale relembrar que a massa aumenta com a velocidade, torna-se infinita na velocidade da luz (representada pela letra "c" e equivalente a cerca de 1,08 bilhão de km/h) e requer energia igualmente infinita para continuar acelerando. Os efeitos da dilatação do tempo só são sensíveis em velocidades próximas a "c". A 99,999% dessa velocidade, um corpo fica 224 vezes mais pesado; a 99,99999999%, o aumento é de 70 mil vezes; a 99,999999999999999999981%, um segundo no referencial do viajante equivale a 2,5 anos no tempo terrestre, como bem demonstra o paradoxo dos gêmeos


Em um cenário mais moderado, chegar a nossa vizinha estelar mais próxima, que dista 4,37 anos-luz da Terra, viajando a 99,9999999% de "c" levaria mais de 4 anos terrestres, mas, no referencial dos astronautas, teriam transcorrido menos de duas horas. Mas a nova proposta de motor de dobra que redesenha a bolha espaço-temporal reacendeu o debate sobre viagens com velocidades próximas a "c".


A proposta envolve uma nova arquitetura para um motor de dobra — ideia associada há décadas ao sonho de reduzir distâncias entre estrelas — que não faz a nave ultrapassar localmente o limite imposto pela física moderna, mas tenta mover a região ao redor dela, comprimindo o espaço à frente e expandindo o espaço atrás.


Assinado pelo engenheiro aeroespacial Harold “Sonny” White e pelos coautores Jerry Vera, Andre Sylvester e Leonard Dudzinski, ligados à Casimir, Inc., o estudo descreve “bolhas de dobra cilíndricas com interior plano para nacelas” e foi publicado na revista Classical and Quantum Gravity. A principal mudança do novo modelo está na geometria da bolha de dobra — em vez de concentrar a energia exótica em um único anel circular ao redor da nave, a proposta organiza essa energia em segmentos tubulares separados, posicionados ao redor da fuselagem como naceles. Os autores analisam configurações com dois, três ou quatro segmentos espaçados em torno da bolha, visando manter o interior da espaçonave calmo e plano enquanto a parte externa realiza o trabalho de distorcer o espaço-tempo.


A comparação com a ficção científica aparece de forma inevitável, especialmente pela semelhança com as nacelas gêmeas da USS Enterprise. Harold White afirmou ao The Debrief que essa semelhança “não é meramente estética”, reforçando a tentativa de aproximar a matemática da dobra espacial de algo mais palpável para a engenharia. O ponto central, no entanto, continua sendo transformar equações consistentes em algo fisicamente possível. O modelo refina a arquitetura da bolha, mas ainda depende de condições que a ciência atual não consegue reproduzir em escala útil para uma espaçonave.


Como dito acima, a física moderna não admite que uma nave com massa seja simplesmente acelerada até superar a velocidade da luz. Quanto mais perto um objeto chega desse limite, maior é a energia necessária para continuar acelerando, sem que essa exigência se estabilize. Mas os conceitos de propulsão de dobra buscam uma saída diferente. A nave não seria empurrada como um foguete comum, mas carregada por uma bolha que altera a geometria do espaço ao seu redor. 


A lógica pode ser comparada a uma esteira rolante de aeroporto, na qual a pessoa sobe e, mesmo sem andar mais rápido do que todos ao redor, chega antes porque a superfície sob seus pés também está em movimento. Na proposta de dobra espacial, essa “esteira” seria o próprio espaço-tempo. A região à frente da nave seria comprimida, enquanto a região atrás dela se expandiria, permitindo que a bolha avançasse sem que a espaçonave dentro dela ultrapassasse localmente a velocidade da luz. Esse tipo de abordagem remonta à proposta de 1994, frequentemente citada como o documento métrico sobre propulsão de dobra. Desde então, o maior desafio tem sido conciliar a elegância matemática com limitações físicas extremamente rígidas.


Um dos pontos que chama atenção no novo artigo é o foco na habitabilidade da bolha. Não basta mover uma espaçonave pelo espaço-tempo; uma missão tripulada também precisa garantir que a região interna não submeta os astronautas a distorções gravitacionais perigosas, como as associadas às chamadas forças de maré. Em escala extrema, elas poderiam criar efeitos muito mais severos do que as marés oceânicas observadas na Terra, tornando inviável a presença humana dentro da nave. Por isso, os autores defendem uma condição de “planicidade interior”: a cabine permanece matematicamente plana em termos de espaço-tempo, ainda que a estrutura externa da bolha esteja altamente distorcida.


Essa estabilidade é fundamental para navegação, relógios, suporte à vida e funcionamento normal das leis físicas dentro da espaçonave. Mesmo sendo uma proposta teórica, ela mira uma exigência que qualquer sistema real precisaria enfrentar. No entanto, o maior entrave para qualquer motor de dobra é a energia negativa.. Ela aparece em quantidades mínimas em configurações quânticas muito específicas, mas ampliá-la para o tamanho de uma espaçonave está muito além das capacidades atuais. A crítica não é apenas tecnológica. Uma análise de 1997 de Michael J. Pfenning e L. H. Ford aplicou limites quânticos às bolhas de dobra e concluiu que a energia negativa teria de ser comprimida em uma camada extremamente fina, com exigências totais de energia consideradas fisicamente inalcançáveis.


Também permanece aberta a questão de saber se o universo fornece massa negativa ou energia negativa em uma forma utilizável. O astrofísico Avi Loeb, da Universidade de Harvard, argumentou que a energia do vácuo associada à expansão cósmica é tão diluída que nem mesmo um cubo com cerca de 19 quilômetros de lado seria suficiente para manter uma lâmpada de 100 watts acesa por um minuto inteiro. Ele também escreveu que, até onde se sabe, nenhuma física conhecida pode dar origem a um objeto com massa negativa. Esse ponto torna a distância entre a teoria da velocidade da luz e uma nave real ainda mais ampla.


Ainda que o problema da energia seja resolvido, uma bolha de dobra ainda precisa ser iniciada, guiada e interrompida com segurança. Uma análise técnica posterior aponta que, em casos superluminais, a tripulação poderia enfrentar um “problema de horizonte”, ficando incapaz de criar ou controlar a bolha de dentro dela. Outro risco está no comportamento da bolha ao atravessar partículas no espaço. Um estudo de 2012 sugeriu que partículas poderiam ficar presas e acumuladas, liberando energia intensa quando a bolha desacelerasse perto do destino. Esse tipo de efeito transforma a ideia de atalho cósmico em um problema de segurança, já que a bolha não precisa apenas chegar rápido; ela tem de evitar danos à nave, à tripulação e ao ambiente próximo ao ponto de chegada.


A distância entre os métodos atuais e uma viagem próxima à velocidade da luz continua enorme. Loeb observa que foguetes humanos ainda não chegaram a 0,1% de "c", o que mantém a estrela mais próxima a milênios de viagem com a tecnologia de que dispomos atualmente. O impacto mais realista desses estudos, no curto prazo, está em transformar ideias de propulsão de dobra em perguntas testáveis, e um dos desafios é descobrir como detectar uma minúscula distorção artificial do espaço-tempo em laboratório, mesmo em escalas microscópicas.


Também existem pesquisas paralelas buscando alternativas à energia negativa. Erik Lentz propõe soluções de dobra espacial no estilo sóliton usando energia positiva, enquanto outros pesquisadores investigam motores de dobra físicos mais lentos que a luz como ponto de partida mais plausível. Nenhuma dessas abordagens chegou perto de um projeto concreto, mas elas mantêm ativo o debate sobre o que a relatividade geral permite e sobre o que a natureza realmente tolera.


O prazo para que esse tipo de física se transforme em tecnologia útil permanece incerto. Sabine Hossenfelder já apontou que ideias abstratas podem levar “talvez 1.000 ou 5.000 anos” para se tornarem ferramentas práticas, caso isso algum dia aconteça. No estágio atual, a velocidade da luz segue como uma fronteira muito mais teórica do que tecnológica para a exploração espacial. 


A nova proposta melhora a forma de pensar a bolha de dobra, mas o salto entre matemática, energia negativa, controle seguro e viagem real ainda permanece imenso.


Continua...

sábado, 25 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 99ª PARTE — DE VOLTA AOS BURACOS NEGROS

SE A VIDA É UM BURACO, SÃO PAULO É CHEIO DE VIDA.

Os buracos negros foram previstos no início do século passado e permaneceram no campo das teorias até 2019, quando foram publicadas as imagens que Event Horizon Telescope capturou, dois anos antes, do M87*. 

Indícios de um buraco negro localizado na constelação Cygnus foram observados em 1964, mas não havia uma única imagem direta até as fotos do M87* serem divulgadas, comprovando de forma cabal a existência desses corpos celetstes. 

A existência dos buracos de minhoca ainda não foi comprovada experimentalmente. Acredita-se que eles fiquem nas imediações ou nas profundezas de alguns buracos negros e funcionem como atalhos cósmicos, encurtando a distância entre dois pontos do espaço-tempo — não necessariamente no mesmo universo nem na mesma linha temporal. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Assim como Lula não pode dizer que foi “inocentado” das acusações que o levaram à cadeia no âmbito da Lava-Jato — porque seus processos foram anulado a pretexto de uma questão de competência territorial o ministro Fachin já havia rejeitado pelos menos dez vezes —, Flávio Bolsonaro também não foi “inocentado” das "RACHADINHAS" — até porque ele não chegou sequer foi julgado, também graças a filigranas jurídicas. 

O primogênito do refugo da escória da humanidade considera legítimo que policiais mafiosos se juntem para cobrar de moradores de favelas pelo serviço de segurança pelos quais eles já recebem salário do Estado.. Como no caso das “rachadinhas”, o ex-deputado dos panetone e das mansões de 6 milhões, hoje senador e pré-candidato ao Planalto, negou qualquer relação com milicianos, dizendo-se vítima de “falsas narrativas”. 

Nem o molusco canceroso, nem o filho do golpista. O Brasil clama por um presidente sério, experiente e de reputação ilibada, não por um macróbio ex-condenado por corrupção nem de um "rachadista" desprovido de vergonha na cara e sem experiência administrativa que lhe permita sequer presidir uma assembleia de condomínio da periferia.


Uma hipotética espaçonave que atravessasse um buraco de minhoca levaria alguns segundos para fazer uma viagem que, em linha reta pelo cosmos, demoraria séculos ou milênios, mesmo com a velocidade da luz (1.079.252.848,8 km/h). Por outro lado, considerando que o buraco negro mais próximo descoberto até agora — Gaia BH1 — fica a mais de 15 trilhões de quilômetros, chegar até ele viajando com a velocidade da luz levaria cerca de 1.600 anos. Já com a sonda espacial mais veloz lançada até agora — Parker Solar Probe — que, alcançou 692 mil km/h, a mesma viagem levaria cerca de 2,5 milhões de anos.  


Numa definição simplista, mas adequada aos propósitos desta abordagem, a “gravidade” é uma distorção no espaço-tempo causada por qualquer objeto massivo. Quanto mais massivo for o objeto, maior será sua gravidade. Foguetes e sondas espaciais conseguem vencer o campo gravitacional da Terra e ganhar o espaço sideral, mas a atração exercida pelo horizonte de eventos dos buracos negros é tamanha que nem mesmo a luz consegue escapar. E quanto maior a massa do buraco negro, mais curvado o espaço-tempo e, consequentemente, mais dilatado o tempo propriamente dito.

 

Nas imediações dos buracos negros, os ponteiros dos relógios avançam mais devagar do que a milhares ou milhões de quilômetros de distância. É o que se vê no filme Interestelar: enquanto os astronautas passam um ano nas proximidades de um buraco negro, oitenta anos transcorrem na Terra. 


Em tese, seria possível viajar para o futuro aproximando-se de um buraco negro — mantendo uma distância segura de seu horizonte de eventos — permanecer por lá por um tempo e retornar à Terra em algum momento do futuro. Mas voltar ao passado é bem mais complicado. 

 

Os físicos acreditam que os buracos negros distorcem o tempo a ponto de criar uma curva fechada do tipo tempo, que levaria ao momento em que o buraco negro foi criado. Ou seja, os astronautas entrariam nessa “máquina do tempo” no presente e sairiam no passado. No entanto, se nosso hipotético buraco negro tivesse sido criado depois do período Jurássico, de nada adiantaria entrar por ele para saborear um suculento filé de brontossauro na boa companhia de Fred Flintstone.

 

Entrar em um buraco negro para encontrar o loop temporal implica cruzar o horizonte de eventos e sair dele para chegar ao passado. Para que isso fosse possível, seria preciso viajar mais rápido que a luz, e, até onde se sabe, nada pode superar a velocidade com que os fótons se propagam no vácuo. Além disso, a aproximação do horizonte de eventos causaria um efeito chamado “espaguetificação”, que espirala os átomos do corpo do viajante rumo ao vazio.


Observação: A busca por uma forma de viajar à velocidade da luz ganhou novo fôlego com um artigo científico que propõe uma versão redesenhada da chamada "bolha de dobra" — estrutura teórica que poderia transportar uma espaçonave por meio da distorção do espaço-tempo. A nova proposta de motor de dobra que redesenha a bolha espaço-temporal reacendeu o debate sobre viagens com a velocidade máxima que qualquer objeto que contenha massa pode se deslocar no espaço. O problema é que a necessidade de energia negativa, os riscos de controle e os prazos estimados em até milhares de anos mantêm a tecnologia limitada por um obstáculo central: a humanidade ainda não sabe produzir os ingredientes físicos exigidos pelo modelo, especialmente grandes quantidades de energia negativa.

 

A despeito de haver diversas teorias conspiratórias envolvendo viajantes do tempo, ninguém se deslocou para o passado ou para o futuro e voltou para contar a história. Mesmo assim, saber se tal façanha é ou não possível fascina os cientistas, a exemplo das recentes descobertas de como “quadrar os números” pode livrar as viagens ao passado dos paradoxos. 

 

teoria da relatividade admite a existência de loops de tempo nos quais um evento pode estar tanto no passado quanto no futuro — ou seja, o espaço-tempo pode se adaptar para evitar paradoxos. Imagine um viajante do tempo que retorna ao passado para impedir que uma virose se espalhe. 


Se a missão for bem-sucedida, não haveria nenhuma virose que exigisse a volta do viajante ao passado para eliminar. Talvez o vírus escapasse de outra maneira, por uma rota diferente ou por um método diferente, mas isso removeria o paradoxo. Por outro lado,, independentemente do que o viajante fizesse, a disseminação da doença não seria interrompida. 

 

Esse exemplo aborda processos determinísticos (não-aleatórios) em um número arbitrário de regiões nocontinuumespaço-tempo, e demonstra como as curvas fechadas do tipo tempo podem se encaixar nas regras do livre-arbítrio e da física clássica. 


Outra abordagem admite a possibilidade das viagens no tempo e sustenta que as ações dos viajantes não criam paradoxos (cada resultado ocorre numa linha de tempo diferente, evitando que o “presente” dos viajantes seja alterado). Como a matemática confirma essa possibilidade, essa premissa não é mera ficção científica.

 

Estudos da mecânica quântica sugerem que multiversos paralelos ao nosso podem existir no mesmo espaço-tempo, e que, à medida que se realiza um experimento quântico com diferentes resultados possíveis, cada resultado ocorre em um universo paralelo. Outra teoria sobre o multiverso sustenta que nosso Universo é uma bolha, e que existem inúmeros universos-bolha semelhantes a ele, imersos em um mar energizado e em eterna expansão. Mas vale destacar que nenhuma dessas teorias conseguiu prever com precisão em que tipo de universo estamos inseridos.

 

Dobrar o espaço-tempo para voltar ao passado continua sendo o fruto mais cobiçado — e ainda inalcançado — da “árvore da relatividade”. As máquinas do tempo que os cientistas conceberam até o presente momento existem apenas como cálculos em uma página. Mas não há nada como o tempo para passar, e um dia, quem sabe... 

 

As viagens no tempo são tratadas com ceticismo por boa parte da comunidade científica, mas a história está repleta de exemplos de pioneiros que foram ridicularizados por suas ideias até que o tempo provasse que eles estavam certos. Foi assim com Nicolau Copérnico, que desafiou o geocentrismo, com Joseph Lister, que revolucionou a medicina com a desinfecção, e com Alfred Wegener, que propôs a teoria da deriva continental, entre tantos outros. 


Como teria dito Einstein, "o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário". 


Continua...

terça-feira, 21 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 97ª PARTE — TEORIAS DAS CORDAS, DE TUDO E "M"

O TEMPO CURA TODAS AS FERIDAS, MAS NÃO APAGA AS CICATRIZES.

Há muito que os físicos tentam acomodar a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica em um único modelo matemático, e as teorias das Cordas, de Tudo e M são sérias candidatas a esse papel.


De acordo com Einstein, o espaço é composto por três dimensões — comprimento, largura e profundidade —, e o tempo não é uma constante, mas uma quarta dimensão. À luz dessa premissa, vivemos constantemente entre o presente e o passado.


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Quando a presunção do direito à força prevalece sobre a força do direito, surgem as críticas, que são proporcionais ao excesso de rigor e à ausência de transparência. Se não quiser ser vidraça, o ministro Alexandre de Moraes precisa parar de fornecer pedras. Aliás, talvez valesse a pena trocar os juízes por um algoritmo de IA.

Em abono a essa tese, o jornalista Hélio Schwartsman. pondera que os algoritmos são mais baratos e consistentes do que os magistrados de carne e osso, além de serem menos susceptíveis à corrupção do que o Judiciário brasileiro, com ministros supremos enrolados no escândalo do Master, penduricalhos sob os holofotes da imprensa e venda de sentenças no STJ, entre outras histórias pouco edificantes. Sem falar que as mesmas pessoas e instituições que acertam num caso podem errar em outros. Some-se a isso o menor custo das IAs, a invulnerabilidade dos computadores à corrupção e paixões como ganância, relações de amizade, amor, etc.

Mesmo em países onde os custos do Judiciário são menores e os magistrados não frequentam o noticiário político ou policial diuturnamente, enfatiza-se a superioridade das IAs — não porque os algoritmos são particularmente bons na tarefa, mas porque os humanos são péssimos.


Alguém que vai de casa à padaria da esquina — ou à galáxia mais próxima — tem quatro coordenadas (três espaciais e uma temporal) para se guiar. Quanto mais rápido esse alguém avança nas dimensões espaciais, menos progride na dimensão temporal.


Em outras palavras, quanto mais depressa nos deslocamos pelo espaço (lembrando que o limite teórico é a velocidade da luz, representada pela letra "c" e equivalente a 299.792.458 m/s), mais devagar o tempo passa para nós. Se viajássemos com a velocidade da luz, o tempo pararia de passar, se a superássemos, chegaríamos a nosso destino “antes da partida" — devido à dilatação do tempo (para entender melhor, confira o que diz o paradoxo dos gêmeos).


Corpos celestes supermassivos — como os buracos negros — curvam o espaço-tempo como uma folha de papel dobrada ao meio encurta a distância entre a margem superior e a inferior, como foi detalhado ao longo desta sequência. Assim, uma espaçonave que atravessasse um buraco de minhoca, chegaria numa questão de segundos a um ponto a milhares ou milhões de anos luz, neste ou em outro universo, no presente ou em outro momento da linha do tempo  


As equações relativísticas e a física clássica admitem a existência dos buracos de minhoca, mas supõe-se que eles surgem e se desfazem numa fração de segundo. No entanto, uma física além do chamado Modelo Padrão da Física de Partículas pressupõe a existência de buracos de minhoca grandes e seguros o bastante para serem atravessados. Além disso, Einstein ensinou que o impossível é apenas uma questão de tempo; Carl Sagan, que a ausência de evidências não é evidência de ausência, e Arthur C. Clarke, que desafiar os limites é a única maneira de superá-los.


Se o Universo for realmente um holograma, o Princípio Holográfico não só explicaria inconsistências entre a física quântica e a gravidade de Einstein como proporcionaria uma base sólida para a Teoria das Cordas, que permite derivar toda informação presente no modelo padrão. E uma física além do modelo padrão admite a existência de buracos de minhoca grandes e seguros o suficiente para ser atravessados.


Vale lembrar que há duas vertentes da Teoria das Cordas. Uma sugere que o Universo tem 11 dimensões e a outra, que são pelo menos 26. Três dessas dimensões são espaciais, uma é temporal e as demais estão relacionadas com as perturbações espaciais e temporais produzidas pelas oscilações das cordas, que dão origem a fenômenos elétricos, magnéticos e nucleares.


No fim das contas, talvez o Universo seja mais estranho do que supomos ou mais simples do que conseguimos aceitar. Entre dobrar o espaço, esticar o tempo e esconder dimensões extras em cada canto da realidade, é possível que o maior desafio seja simplesmente entender o óbvio — ou, quem sabe, admitir que ainda estamos olhando tudo isso pelo lado errado da dobra.


Continua…

quinta-feira, 16 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 95ª PARTE — O FRUTO MAIS COBIÇADO DA ÁRVORE DA RELATIVIDADE

NÃO FOSSE POR THOMAS EDISON, AINDA ESTARÍAMOS VENDO TV À LUZ DE VELAS. 

As viagens no tempo são o fruto mais cobiçado — e ainda não alcançado — da “árvore da relatividade”. O assunto ganhou destaque depois que H. G. Wells publicou A Máquina do Tempo, em 1895, e passou a ser explorado por escritores e roteiristas de ficção científica que, por alguma razão, atribuem aos buracos negros o papel de atalho cósmico que cabe aos buracos de minhoca (detalhes nesta postagem).

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O presidente do PT, Edinho Silva, admitiu que a nova pesquisa do Datafolha não é favorável a Lula, mas tratou de minimizar o estrago, ressaltando que se trata do "retrato do momento". Ciro Gomes disse certa vez que pesquisas representam um frame do filme eleitoral. A metáfora é elegante, mas a sequência recente de levantamentos não mostra um quadro isolado — mostra um curta-metragem, e ele é tóxico para Lula.
No outro extremo do tablado político-ideológico, o primogênito do atual presidiário mais famoso desta republiqueta de bananas cresceu dez pontos desde dezembro, enquanto o molusco eneadáctilo caiu seis. Num cenário de segundo turno, a vantagem de quinze pontos do petista no fim de 2025 virou empate técnico em março e, na sondagem deste fim de semana, seu adversário mais provável aparece com leve dianteira numérica — 46% a 45%. Dentro de erro, tecnicamente, mas as margens de erro não votam, e tendências, sim.
Edinho afirmou que o resultado do Datafolha reflete o aumento do "sentimento antissistema" associado a denúncias de corrupção que acabam sendo atribuídas ao governo. Segundo ele, cabe ao governo explicar que as investigações partem dele próprio — argumento que pressupõe um eleitor disposto a ouvir explicações de quem ele já decidiu não acreditar — e foi às redes sociais para orientar a militância a divulgar obras do governo e reforçar que painho determinou a apuração dos casos recentes. É a estratégia da transparência seletiva: mostrar o que interessa, esconder o que incomoda, torcer para que ninguém note a diferença.
Para o desassossego crescente de Lula, o balão de Flávio cresce cheio de gás — embora vazio de ideias. O rebento do refugo da escória da humanidade prometeu divulgar um programa de governo, mas, até aqui, nada. Ficou também de anunciar o nome do seu futuro ministro da Fazenda, mas desistiu. Aparentemente, a estratégia é ocupar espaço sem oferecer alvo — o que, diga-se, funciona melhor do que deveria numa democracia que se preze.
Em 2022, Bolsonaro e seus aliados desprezavam o Datafolha com escárnio ensaiado. O que valia, diziam, era o Datapovo. Agora, o filho do pai aposta mais em redes sociais do que em conteúdo programático — misturou no Instagram os dados da pesquisa com o "Funk do Zero Um", cuja letra pede respeito à "patente do novo capitão". É o bolsonarismo em sua forma mais pura: a ausência de substância elevada à categoria de identidade. Funciona porque o eleitor que ele busca não quer propostas — quer pertencimento. E pertencimento não precisa de ministro da Fazenda.
O macróbio que postula a reeleição aposta que a experiência de três gestões e a comparação com a (indi)gestão de seu antecessor lhe renderão mais quatro anos no Planalto. É uma aposta razoável — ou seria, se o eleitor médio guardasse memória linear dos últimos anos. Mas o eleitor médio não é um arquivo; é um termômetro. E o que ele mede agora não é o passado de Lula, mas o presente — o preço da cesta básica, o custo do aluguel, a sensação difusa de que as coisas não estão bem e de que o governo, qualquer governo, tem alguma responsabilidade nisso.
Lula tem menos de seis meses para mostrar que nada contribui tanto para trazer de volta os velhos maus tempos quanto a memória fraca do eleitor. O problema é que a memória, desta vez, pode estar mais longa do que ele gostaria — e o filme, ao que tudo indica, ainda não chegou ao fim.


De certo modo, viajamos para o futuro do dia em que nascemos até o instante em que exalamos nosso último suspiro. Até onde se sabe, ninguém ainda conseguiu viajar pelo tempo como nos filmes como De volta para o futuro, Interestelar e Tudo em todo lugar ao mesmo tempo, por exemplo. Mas isso não muda o fato de que a possibilidade é matematicamente viável — inclusive para o passado, uma vez que o conceito de “tempo negativo” deixou de ser mera especulação depois que pesquisadores da Universidade de Toronto demonstraram sua existência física de forma tangível


Em tese, bastaria embarcar numa espaçonave e acelerar a 99,99999999999% da velocidade da luz (designada pela letra "c" e equivalente a 1,08 bilhão de km/h) para percorrer, numa questão de minutos, milhares ou milhões de anos-luz (um ano-luz corresponde a 9,46 trilhões de quilômetros). Em razão da dilatação temporal (prevista por Einstein na Relatividade Geral) e do fator de Lorentz, o tempo passaria 707.000 vezes mais devagar na nave, e a distância até nossa vizinha Proxima Centauri se reduziria a alguns milhões de quilômetros. Note que não há contradição, apenas diferentes medições do mesmo evento, pois a covariância de Lorentz faz com que cada observador veja os ponteiros do relógio do outro se moverem mais devagar.


Apesar de ter evoluído mais, nos últimos 150 anos, do que da descoberta do fogo até a revolução industrial, nossa tecnologia ainda não permitiu a construção de naves capazes de alcançar velocidades próximas à da luz. A sonda espacial mais veloz lançada pela NASA até agora mal atingiu 700 mil km/h. Essa velocidade permite ir a Marte em 13 dias e atingir a heliopausa em pouco mais de um ano, mas uma viagem até nossa vizinha Próxima Centauri, que fica a 4,2 anos-luz, demoraria mais de 6 mil anos.


Outra maneira de viajar até outra galáxia — neste ou em outro universo, no presente ou em outro ponto da linha do tempo — seria atravessar um buraco de minhoca — dobra teórica que se forma no tecido do espaço-tempo nas proximidades do horizonte de eventos (ou nas profundezas) de alguns buracos negros. Como o exemplar mais próximo fica a 1,6 mil anos-luz da Terra, uma viagem até lá na velocidade máxima alcançada pela sonda mais rápida lançada pela NASA até o momento (692 mil km/h) demoraria cerca de 2,5 milhões de anos.


Mas não custa lembrar que a esquadra de Cabral levou 44 dias para cruzar o Atlântico em 1500, coisa que o Concorde fazia 500 anos depois em menos de 3 horas. Que um engenheiro da NASA chamado David Burns vem desenvolvendo um acelerador helicoidal de íons capaz de gerar empuxo relativístico sem combustível — a ideia viola o princípio da conservação do momento linear, mas, se vingar, pode mudar o futuro das viagens espaciais.


Outra ideia promissora é a bolha de Alcubierre, que dobra o espaço-tempo ao redor da nave para "surfar" mais rápido que a luz sem violar as leis da física. O problema é que ela exige energia negativa ou matéria exótica, cuja existência ainda não foi confirmada. Também se cogita construir uma Esfera de Dyson, usar feixes de laser para impulsionar velas ultraleves a 20% da velocidade da luz (não parece grande coisa, mas daria para ir até Alpha Centauri em pouco mais de 20 anos) e reatores como o ITER e o SPARC, que replicam o funcionamento das estrelas para gerar energia limpa e praticamente ilimitada.


O sonho de atravessar um buraco de minhoca e sair na Roma Antiga permanece no território da ficção científica, mas a luz e a gravidade não são as únicas maneiras de contornar a tirania do tempo. A maioria das propostas nesse sentido é meramente especulativa — como foi um dia o helicóptero projetado pelo polímata Leonardo da Vinci —, mas a história ensina que tanto a arte imita a vida quanto a vida imita a arte, e que a ficção de hoje pode ser a ciência de amanhã.


Continua…