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segunda-feira, 30 de março de 2026

AS QUERELAS DO BRASIL

EXISTEM APENAS DOIS TIPOS DE PESSOAS: AS QUE CONCORDAM COMIGO E AS QUE ESTÃO ERRADAS.


A polarização na política sempre existiu, mas nunca foi tão desbragada quanto nas duas últimas disputas presidenciais. Depois que a "abertura lenta, gradual e segura" pôs fim a três décadas de jejum de urna, os brasileiros voltaram a escolher seu presidente.


Embora o cardápio da eleição solteira de 1989 listasse 22 postulantes — entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola —, o eleitorado tupiniquim, que repete a cada pleito o que Pandora fez uma única vez, enviou para o segundo turno um caçador de marajás demagogo e populista e um ex-metalúrgico populista e demagogo. 


Lula concorreu à Presidência em 1989, 1994 e 1998, foi eleito em em 2002 e reeleito em 2006, a despeito do escândalo do Mensalão. Em 2010, transformou uma nulidade em "gerentona de araque" para manter aquecida a poltrona que ele pretendia reconquistar em 2014, mas o "poste" gostou da brincadeira e insistiu em disputar a reeleição. Por motivos que agora não vêm ao caso, o criador se resignou a apoiar a criatura, que afundou o país e foi impichada em 2016 (pelo conjunto da obra; as folclóricas "pedaladas fiscais" foram apenas um pretexto para penabundar a incompetente insolente e arrogante). 


Com a deposição da "mulher sapiens", Michel Temer passou de vice titular, mas seu prometido ministério de notáveis se revelou de uma notável confraria de corruptos. O primeiro a cair foi Romero Jucá, com apenas uma semana no cargo. Na sequência, demitiram-se — ou foram demitidos — Fabiano Silveira, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, entre outros ministros e assessores presidenciais investigados na Justiça ou acusados de corrupção por delatores na Lava-Jato


Para encurtar a história, quando a conversa de alcova nada republicana que manteve nos porões do Jaburu, em maio de 2017, com o dono da JBS, Temer pensou em renunciar, mas foi demovido da ideia pelo deputado Carlos Marun, seu fiel escudeiro, que também se encarregou de comprar votos das marafonas da Câmara em número suficiente para salvar o presidente das flechadas de Janot


Observação: O patético hipopótamo dançarino foi o relator da CPI da JBS, embora tivesse recebido R$ 103 mil em doações do frigorífico e sido acusado de beneficiar uma empresa de software em contratos de R$ 16,6 milhões.


Acabou que o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil concluiu seu mandato-tampão como um "pato manco" e transferiu a faixa presidencial para o combo de mau militar e parlamentar medíocre que derrotou o títere de Lula — que não tinha o mesmo carisma que o titereiro —, tornou-se o pior mandatário desde Tomé de Souza e foi sentenciado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.


Observação: Temer chegou a ser preso em março de 2019, mas foi solto dias depois por ordem do desembargador Ivan Athié, do TRF-2 — que ficou afastado do cargo durante sete anos por suspeitas de corrupção.


A polarização esteve presente em todos os capítulos da nossa história, mas o quadro se agravou quando o Planalto passou a ser disputado pelo PT e pelo PSDB. Ainda assim, as campanhas eram relativamente civilizadas, pois mortadelas e coxinhas se tratavam como adversários políticos, não como inimigos figadais. Nas duas últimas disputas pelo Planalto, no entanto, o antagonismo exacerbado impediu que uma candidatura alternativa competitiva se consolidasse. 


Em 2018, Ciro Gomes acabou em terceiro lugar, com míseros 3,04% dos votos válidos no segundo turno. Em 2022, Henrique Mandetta, João Dória, Sérgio Moro, Eduardo Leite, Aldo Rebelo, Luciano Bivar e André Janones desistiram antes do início da corrida eleitoral. Simone Tebet ficou em terceiro lugar, com 4,16% dos votos. Soraya Thronicke, Sofia Manzano, Vera Lúcia e Padre Kelmon obtiveram resultados inexpressivos.


Como era esperado, a disputa ficou entre Lula e Bolsonaro, e o desempregado que deu certo venceu o mandrião aspirante a golpista pela menor diferença de votos desde a redemocratização (menos de 2%). Durante a campanha, o ex-presidiário "descondenado" tripudiou: "Agora quem acabou foi o PSDB". Em resposta, os tucanos disseram que o PT passou anos tentando reescrever a história, semeando o ódio, perseguindo adversários, dividindo a sociedade e montando uma usina de fake news.


No debate promovido pela Band em outubro de 2022, o Lula vociferou que "nomear amigo e companheiro para o Supremo é retrocesso" (referindo-se a Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Bolsonaro). Eleito, indicou seu ministro da Justiça, Flávio Dino, e seu advogado particular Cristiano Zanin — e ainda teve o desplante de negar a relação de amizade com o causídico, que esteve em seu casamento com Janja e a quem chamou de "amigo" em entrevista à BandNews


Faltando pouco mais de seis meses para o primeiro turno das próximas eleições, o alto nível de rejeição popular ao xamã do PT e ao sobrenome Bolsonaro animou alguns partidos com a possibilidade de finalmente romper a polarização. O PSD de Gilberto Kassab apresentou três governadores como potenciais postulantes, mas Ratinho Jr — o mais competitivo dos três — desistiu de última hora.


A despeito da fama de bom gestor, de uma administração aprovada por cerca de 80% dos paranaenses e apoio de várias lideranças, Ratinho Jr voltou atrás, movido por uma conjunção de fatores, incluindo as investigações sobre a venda da subsidiária de telecomunicações da Copel e as conexões com Nelson Tanure —suposto sócio oculto de Vorcaro nas traficâncias do Master. Mas a filiação de Sérgio Moro ao PL também pesou: até então, o governador paranaense achava que faria seu sucessor com facilidade, mas o ex-herói nacional já aparece como franco favorito nas pesquisas. 


Os índices de desaprovação do governo federal e o derretimento da popularidade de Lula sugerem que ele é "bananeira que deu cacho", mas engana-se quem pensa que o pontifex maximus da Petelândia é carta fora do baralho. Segundo as pesquisas, cerca de 33% dos entrevistados não se declaram petistas nem bolsonaristas, 26% não votaram no em Lula nem em Bolsonaro na eleição passada — ou votaram e se arrependeram, —, 27% escolheram o macróbio mas não se identificam como de esquerda, e 18% dos que votaram no "mito" dos anencéfalos não se reconhecem como de direita.


Somados, esses grupos representam 71% do total de votos, e, pelo menos em tese, podem ser conquistados por qualquer candidato — o núcleo duro da polarização é formado por apenas 11% e 18% de esquerdistas e direitistas convictos, respectivamente, de modo que existe espaço para uma candidatura de terceira via.


Os extremos fazem barulho nas redes sociais, pautam a cobertura da mídia, alimentariam o algoritmo. Há “avenida enorme” para uma candidatura de centro (não confundir com o Centrão adesista) neste ano, mas cabe aos interessados priorizar a defesa da democracia, a reorganização dos programas sociais e um plano de desenvolvimento centrado nas novas tecnologias e novas relações de trabalho.


A questão é que quase todo tema polêmico — como a “taxa das blusinhas”, a PEC da Segurança Pública e até a CPMI do INSS — se torna refém da polarização no Congresso. Ainda não se sabe o que o PSD pretende fazer nas áreas da economia e da segurança pública. O MDB, dividido como sempre em alas, se preocupa mais com querelas paroquiais e a disputa para a Câmara dos Deputados — cujo resultado é decisivo para a divisão dos bilionários fundos eleitoral e partidário. Já o PSDB, que governou o país por dois mandatos com FHC, perdeu quadros, capilaridade nacional e capacidade de dialogar com o eleitorado. 


Observação: Geraldo Alckmin, que foi quatro vezes governador de São Paulo pelo PSDB, disputou a Presidência em 2006 — e foi derrotado por Lula no segundo turno — e em 2018 — quando amargou um vexatório quarto lugar. Apesar de ter dito que eleger o petista era o mesmo que reconduzir um criminoso à cena do crime, filiou-se ao PSB para concorrer à vice na chapa encabeçada pelo ex-adversário — talvez achando que essa seria sua única de aboletar na poltrona mais cobiçada do Palácio do Planalto. Só que faltou combinar com O Ceifador, sem falar que que o diabo detesta concorrência.


A maioria dos analistas políticos estima que a eleição deste ano será decidida pelos eleitores considerados independentes. No escrete eleitoral de Lula, nunca houve uma preocupação com a hipótese de uma candidatura de centro ganhar corpo a ponto de chegar ao segundo turno, mas, há apreensão com a possibilidade de os escândalos de corrupção sob investigação — especialmente do caso do Banco Master e da roubalheira contra aposentados e pensionistas do INSS — alterarem esse cenário.


Flávio Bolsonaro trabalha para que o centro e a direita não apresentem concorrentes — além de sugerir Ratinho Jr como seu vice, o filho do pai mandou emissários sondarem Ronaldo Caiado e Romeu Zema para o posto. Contrariando a tradição familiar de verborragia, o senador das rachadinhas tem economizado nas palavras, deixando Lula se desgastar sozinho com os problemas da administração federal. Nos últimos dias, defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública — ideia que foi sugerida por petistas, mas rejeitada por Lula


Na semana passada, Xandão autorizou a prisão domiciliar humanitária para o atual presidiário mais famoso desta banânia por um prazo inicial de 90 dias. Mesmo obrigado a usar tornozeleira eletrônica e proibido de acessar redes sociais e de gravar áudios ou vídeos, o condenado estará mais à vontade para ajudar na organização da campanha do primogênito, que tenta se vender com a roupagem de "moderado".


Resumo da ópera: No início deste século, ainda predominava a crença de que, na democracia, os moderados prevalecem — e moderam os radicais. Houve até quem acreditasse na possibilidade de juntar os melhores quadros do PT e do PSDB para contribuir com um governo capaz de modernizar o país. Hoje, mesmo os quadros reconhecidamente ponderados se mantêm abrigados sob os guarda-chuvas da polarização para continuarem relevantes no xadrez político, e, em determinadas situações, os extremistas estão conseguindo radicalizar os moderados.


Caberá ao eleitor decidir qual caminho irá seguir, e a exemplo do que ocorreu nas últimas campanhas, o caminho do centro continua acidentado e sem uma liderança clara. 

sexta-feira, 4 de julho de 2025

PALAVRAS E EXPRESSÕES QUE DEMANDAM ATENÇÃO — FINAL

DINHEIRO SÓ NÃO TRAZ FELICIDADE PARA QUEM NÃO SABE O QUE FAZER COM ELE.

 

Enquanto — Use somente enquanto (e não enquanto que).

 

Em que pese — Modernamente, essa locução dispensa a preposição a e o verbo concorda com o sujeito (em que pesem seus bons argumentos, mantenho meu ponto de vista). A regência clássica, com preposição e o verbo invariável, ainda é usada quando a expressão trata de pessoas (em que pese aos bolsonaristas, o "mito" não passa de um golpista). 

 

Estória — Por influência do inglês story, a palavra estória foi proposta para designar narrativa de ficção. Em 1943, a Academia Brasileira de Letras decidiu que história deve ser usada tanto para narrativas reais quanto fictícias.

 

Etc. — O termo etc. é a abreviação da locução latina et coetera, que significa e outras coisas. Recomenda-se que seja seguido de ponto e precedido por vírgula (militares, diplomatas, etc.), como fazem bons autores. No Português do Dia a Dia, do professor Sérgio Nogueira Duarte da Silva, consta que o uso da vírgula é facultativo, que não se deve usar o conectivo e antes, e que, caso o termo finalize uma frase, o ponto final não deve ser duplicado. Tampouco se usa etc. para pessoas (já foram presos Lula, Temer etc.) nem seguido de reticências.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Até onde minha memória alcança, o Brasil jamais teve um presidente que despertasse genuíno orgulho em seu povo, e tampouco teve um povo que não repetisse a cada eleição o que Pandora fez uma única vez. Mas a pior safra de mandatários veio com a redemocratização. Tanto é que foi preciso tirar Lula da prisão para impedir a mais que provável reeleição de Bolsonaro. Aliás, quem vota nesse tipo de gente não é vítima, é cúmplice. Mas isso é conversa para outro hora.

Missão dada, missão cumprida: o ex-presidiário "descondenado" venceu o pior mandatário desde Tomé de Souza por menos de 2% dos votos válidos, mas sua terceira gestão vai de mal a pior, como demonstram os índices de rejeição popular — os mais altos de toda a sua trajetória política. Só não se pode dizer que a emenda foi pior que o soneto porque, ao menos em tese, nada seria pior do que manter no poder o refugo da escória da humanidade. No entanto, como que se espelhando em seu antigo "poste" — que "fez o diabo" para se reeleger em 2014 —, Lula resolveu quebrar a economia em nome de um quarto mandato. 

Depois que o Congresso barrou o decreto presidencial que aumentava o IOF para bancar sua gastança populista e eleitoreira, o governo recorreu ao STF. “Se eu não for ao Judiciário, não governo mais”, vociferou o caga-raiva, acusando nas entrelinhas deputados e senadores de usurparem uma prerrogativa que caberia exclusivamente ao chefe do Executivo. 

Em tempos anteriores, Executivo e Legislativo divergiam. Agora, nem se falam mais. Lula acusa Hugo Motta de descumprir sua palavra — algo impensável e inaceitável em termos políticos, mesmo que o presidente da Câmara tenha levado ao plenário a questão do IOF e imposto ao governo uma derrota humilhante. Para piorar, ao contrário de Rodrigo Pacheco, que costumava servir de contrapeso às investidas de Arthur Lira contra o Planalto, Alcolumbre se associou a Motta para puxar o tapete de Lula a quatro mãos.

A verdade é que a normalidade nas relações entre Executivo e Legislativo deixou de existir há muito tempo. Hoje, dono de suas próprias emendas orçamentárias, cada deputado se sente livre para dar uma banana ao governo — e ao próprio partido: até os líderes de bancada têm dificuldades em falar por seus pares. É como se houvesse 513 partidos na Câmara e mais 81 no Senado. E, no meio desse caos, um presidente enfraquecido tenta governar com base no gogó, no improviso e em decisões judiciais sob medida, como aquela que o "descondenou" e reabilitou politicamente. E o povo que se exploda. Afinal, quem semeia ventos colhe tempestades.


Pronomes demonstrativos:

 

Aquele — Indica algo ou alguém afastado espacial e/ou temporalmente do falante e do ouvinte (aquele dia foi inesquecível), mas pode se usado para designar indivíduo cujo nome se ignora ou que não se possa ou deva nomear (aquele é um caso sério de político corrupto) e se referir a pessoa ou coisa genericamente mencionada (mulher boa é aquela que menos exige). Nos casos em que há dois antecedentes no discurso, refere-se ao primeiro — por oposição a este, que designa o mais próximo (pai e filho conhecem o seu ofício, aquele mais que este).

 

Esse — Designa pessoa ou coisa afastada do emissor da mensagem e próxima a seu receptor (essa cadeira está quebrada, sente-se na outra) ou algo ou alguém não diretamente ligado ou próximo, mas que o emissor pressupõe ser do conhecimento do receptor (esses políticos de hoje só sabem roubar). Pode também designar o que já foi antes mencionado (repouso e boa alimentação, esse é sempre um bom conselho), ser empregado junto a aposto de um termo já referido recentemente (Bolsonaro, esse grande golpista, vai acabar na cadeia), ou com referência a um tempo relativamente distante no passado ou no futuro, mas que foi referido anteriormente (passada essa hora de maior movimento, o trânsito fica uma beleza).

 

Este — Indica o que está próximo ao falante, no espaço, no tempo ou no discurso (este copo aqui é meu). Com substantivos que denotam tempo, indica o tempo presente ou o mais recente, se a frase é passada, ou o primeiro que virá, se a frase é futura (esta noite meus amigos virão à minha casa). Combinado com aquele ou esse, serve para fazer referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas, indicando a última (Lula e Bolsonaro não devem disputar a próxima eleição, este por estar inelegível e aquele por estar muito velho).

 

Isso — Substitui o nome de algo que está afastado do falante e mais perto do ouvinte, ou de algo passado, mas relativamente recente, ou que foi mencionado antes (deixe-me ver isso que você tem nas mãos; isso foi ontem, hoje as coisas mudaram).

 

Isto — Indica algo que se acha mais perto de quem fala, ou, temporalmente, que é recente (tirem isto da minha frente!)

 

Face a — A expressão tradicional em português é em face de, mas não existe impedimento quanto ao uso da expressão em questão, já abonada pelos melhores dicionários e gramáticos.

 

Fazer as vezes de — Sem crase (embora fosse terceiro-secretário, fazia as vezes de chefe da missão).

 

Futuro do subjuntivo — Erros nesse tempo verbal são comuns, já que na maioria dos casos a conjugação é idêntica ao infinitivo (se eu quiser, se ela gostar, etc.). Mas há exceções (se o tempo se mantiver firme, e não se manter; se ninguém intervier, e não intervir, etc.) Via de regra, os infinitivos admitem tanto próclise quanto ênclise, mas o futuro do subjuntivo não é um infinitivo, de modo que são erradas construções como se ela não aceitá-lo (a única forma possível é se ela não o aceitar).

 

No caso dos verbos abundantes (como gastar, ganhar, aceitar, eleger, pagar, etc.), usa-se o particípio regular com os verbos ter e haver e o irregular com os verbos ser e estar (tinha ganhado, foi ganho; tinha aceitado, foi aceito, etc.) Alguns gramáticos sustentam que, com os verbos ter e haver, ambos os particípios são admissíveis. Note que isso não se aplica ao verbo chegar (jamais algo como ele tinha chego cedo).

 

Grosso modo — Significa aproximadamente, em geral, e deve ser grafado em itálico (por ser uma locução latina) e sem a preposição a. 

 

Há... atrás — Evite a redundância usando há dez anos ou dez anos atrás. A forma híbrida (há dez anos atrás) pode até ser admissível na linguagem oral, mas deve ser evitada na escrita formal. 

 

Informar — É possível informar alguém de algo ou informar algo a alguém (as mudanças foram informadas a todos; todos foram informados das mudanças).

 

Importa notar / importa assinalar — Expressões que, a exemplo de vale notarcumpre ressaltar, etc., nada acrescentam ao sentido do texto, razão pela qual devem ser evitadas.

 

Implicar — No sentido de acarretar, é transitivo direto (o combate à corrupção implica a adoção de medidas drásticas), mas a variante implicar em também ocorre, inclusive na norma culta.

 

Mais bem, mais mal — Antes de particípio, use as formas mais bem e mais mal (mais bem acabado, mais malsucedido, em vez de melhor acabado, pior sucedido.

 

Mandado / mandatoMandado é ordem (mandado de segurança) e mandato é poder (mandato parlamentar).

 

Nem — Conjunção aditiva que significa tampouco e dispensa a conjunção e (não houve danos estruturais nem estéticos). Note que ela pode preceder as locuções adverbiais nem mesmo, nem sequer e nem ao menos.

 

O fato de o, de a, de ele — O Acordo Ortográfico em vigor reafirma o preceito da gramática normativa que recomenda não ligar a preposição (por exemplo, “de”) a palavras que se lhe sigam quando antecedidas de verbo no infinitivo: "O fato de o país (e não "do país) ter crescido a taxas elevadas no período..."; "O fato de eles (e não "deles") ainda não terem respondido à consulta..."; etc.

 

Obedecer — Rege a preposição "a": Obedecer a alguém ou a alguma coisa (obedecer-lhe). "O parecer obedeceu à lógica"; todos lhe obedecem, etc. 

 

Outrossim – Advérbio em desuso, quando cabível, substitua por "do mesmo modo" ou "igualmente".

 

Parêntese — Usar nessa forma: um parêntese, os parênteses.

 

Pedir — A regência tradicional é pedir algo a alguém ("pediu ao assessor o relatório da reunião") ou pedir a alguém que faça alguma coisa ("pediu a todos que fizessem silêncio"). Portanto, evite usar a forma "pedir para".


Por conta de — Embora o uso dessa locução com o sentido de "por causa de" ser extremamente comum na fala e na escrita jornalística, ele ainda é considerado impróprio (ou pelo menos inadequado) do ponto de vista normativo. No entanto, essa prática está tão disseminada que muitos dicionários e manuais de estilo já admitem, embora com ressalvas em textos formais, acadêmicos ou jornalísticos de alto padrão. Portanto, para manter a elegância e a correção, prefira sempre por causa de ao indicar motivo e deixe por conta de para contextos financeiros ou de responsabilidade.

 

Precisar — É transitivo indireto: quem precisa, precisa de alguma coisa. Com verbos no infinitivo, a preposição pode ser dispensada: "precisamos agir com rapidez". 

 

Preferir — A regência culta tradicional admite apenas a preposição "a": "preferir uma coisa a outra". Vale o mesmo para o adjetivo preferível: "Isto é preferível àquilo."

 

Responder — Rege a preposição "a": "responder a uma mensagem" (e não "responder uma mensagem").

 

"Se" como indeterminador do sujeito  — Quando o pronome "se" é usado como indeterminador do sujeito, o verbo se mantém no singular: "Na Grécia antiga adorava-se a vários deuses"; “precisa-se de empregados"; "não se deu ouvidos às queixas". Apenas com verbos transitivos diretos é possível empregar o "se" como apassivador, o que permite conjugações como: "ouviram-se críticas", "nunca se viram tantos títulos"; "vendem-se casas", etc. Sem embargo, tanto as construções com "se" apassivador quanto aquelas com "se" indeterminador ("ouviu-se críticas" ou "ouviram-se críticas") têm emprego na norma culta.

 

Ter a ver / ter que ver – Ambas as expressões são corretas e podem ser usadas com o sentido de "ter relação com", "estar relacionado com", "dizer respeito a". Note que as expressões "nada há ver" e "nada haver" são inadmissíveis.

 

Ter de / ter que — Ambas as construções existem e são admitidas na norma culta; pode-se dizer indiferentemente "temos de enfrentar o problema" ou "temos que enfrentar o problema".

 

Tratar-se de — É sempre usado com sujeito indeterminado e, portanto, invariável: "Trata-se de opiniões, não de fatos". 

 

Todo, todo o – A diferenciação que se tentou criar entre as duas formas não existe na gramática tradicional nem tem respaldo na história ou nos usos da língua. Portanto, tanto faz usar "todo mundo" ou "todo o mundo", lembrando que no plural (como em "todas as pessoas") é preciso manter o artigo. 

 

Visar — É transitivo direto no sentido de validar, autenticar (um documento). Exemplo: "Visou o passaporte". Com o sentido de “objetivar”, é transitivo indireto e rege a preposição "a": "as providências visavam ao interesse dos alunos". Antes verbos no infinitivo, a preposição é dispensável ("visam reunir o maior número de assinaturas").

 

Vir a — A preposição usual é “a” (vir ao Brasil), embora, como com “chegar” e “ir”, também ocorra modernamente com a preposição “em” ("ele nunca tinha vindo aqui em casa"). Quando ao verbo "vir" se segue outro verbo, a preposição “a” é de rigor entre os dois verbos, com em "isso poderia vir a prejudicar as relações...", lembrando que em casos assim a locução "vir a" é dispensável ("isso poderia prejudicar..."). 

 

Zero — Use no singular, mesmo com o substantivo no plural ("zero graus", "zero chances", etc.) 

 

Fontes: Manual de redação oficial e diplomática do Itamaraty e Manual de comunicação da Secom do Senado Federal.