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segunda-feira, 15 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — DOGMAS VERSUS CIÊNCIA

QUANDO SE ENTREGA A CHAVE DO GALINHEIRO ÁS RAPOSAS, PERDE-SE O DIREITO DE RECLAMAR DO SUMIÇO DAS GALINHAS.

Vimos que fé e ciência não são mutuamente excludentes quando mantidas cada qual no seu quadrado. 
Enquanto os dogmas pedem fé inquestionável, a ciência busca evidências e procura comprová-las por meio de experimentos. A interpretação literal da Bíblia alimenta o criacionismo, que ignora o conhecimento acumulado nos últimos séculos. Assim, os "fiéis" acreditam — entre outras falácias e delírios — que Deus iniciou a criação do mundo e de tudo o que nele existe às 9h00 da manhã do dia 23 de outubro de 4004 a.C. conforme o bispo irlandês James Ussher anotou em "The Annals of the World".

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Todo economista sério conhece a solução: reformas estruturais, cortes de despesas, privatizações, redução drástica do tamanho do Estado. O melhor programa social é o trabalho, e isso depende de um ambiente mais competitivo, com menos burocracia e insegurança jurídica, menores taxas de juros, mão de obra mais qualificada e infraestrutura decente. Investir nisso, no entanto, é intolerável para a esquerda, que vive dos votos dos mais pobres e ignorantes.

A velha imprensa precisa parar de achar que o PT erra tentando acertar. O petismo aposta na desgraça econômica justamente porque ela produz dependência estatal. É por isso que o lulismo sempre promove esse populismo explosivo. Quebrar o país para se manter no poder é a estratégia política da esquerda.

Infelizmente, a alternativa ao quarto mandato do macróbio eneadáctilo continua sendo — pelo menos até o momento — o filho do golpista presidiário. Em 2018 e 2022, a tão sonhada terceira via tentou furar a bolha da polarização, mas não conseguiu. E dificilmente conseguirá desta vez, já que, em vez de se unirem, os demais pré-candidatos guerreiam entre si. A exemplo da récua de muares que atende por eleitorado, os "candidatos alternativos" emulam Pandora a cada eleição. A diferença é que a primeira mulher criada pelos deuses da mitologia grega abriu a caixa que guardava todos os males — doenças, misérias, inveja, ódio e a morte — uma única vez, e o fez movida não pela incompetência, mas pela curiosidade.

Insistir no mesmo erro esperando obter um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço.


Para a ciência, a evolução das espécies e a formação de estrelas e planetas ocorreram ao longo de 13,8 bilhões de anos. Nosso sistema solar surgiu há 5 bilhões de anos, e a Terra, há 4,54 bilhões de anos. A família dos Hominídeos despontou há 20 milhões de anos, o gênero Homo, há 2,5 milhões de anos, e o Homo sapiens, há 300 mil anos. Não se trata de conjecturas, mas de estimativas baseadas em descobertas arqueológicas e no estudo de ossos e crânios encontrados por paleontólogos.

As religiões deveriam oferecer conforto espiritual e respostas a questões como o propósito e o sentido da vida, mas o literalismo resulta na negação de descobertas científicas como a evolução e o aquecimento global, entre outras questões vitais para o futuro da humanidade.

Antes de chegarem ao papiro, os conceitos contidos nos primeiros textos védicos foram transmitidos oralmente durante séculos e preservados mediante métodos mnemônicos de recitação cruzada, onde cada sílaba tinha uma entonação matemática precisa. Quando esses textos foram finalmente compilados, o mundo viu nascer uma das maiores bibliotecas do pensamento humano.

Lamentavelmente,, a tradição oral védica sobreviveu quase intacta por milênios graças à memória rigorosa, ao passo que os registros físicos foram destruída por incêndios, enchentes e outras catástrofes naturais, ou então se tornaram reféns de governantes despóticos e líderes religiosos mais preocupado com a manutenção do poder institucional do que com a busca da verdade, para quem o conhecimento da plebe ignara era uma ameaça à nova ordem, e destruir os textos era a maneira de "desmemoriar" a população para facilitar a dominação.

Na Índia, a Grande Biblioteca de Nalanda foi queimada no século XII por invasores — reza a lenda que a quantidade de manuscritos era tão vasta que a biblioteca queimou por três meses seguidos. A Biblioteca de Alexandria é, talvez, o símbolo máximo dessa tragédia cultural — uma lenta agonia causada por uma conjunção de fatores, entre os quais os conflitos geopolíticos — que resultaram em sucessivas guerras pelo poder —, o fanatismo e a intolerância.

Com a ascensão do cristianismo como religião oficial do Império Romano, o conhecimento contido em Alexandria foi visto como "pagão" e perigoso — e destruído pela "negligência" de governantes que pararam de financiar os estudiosos e a manutenção dos rolos (sem investimento, os escribas pararam de copiar os textos antigos, e papiro, por ser um material orgânico, apodrece se não for cuidado).

Com o desaparecimento de milhares de rolos, perderam-se as obras completas de Aristarco de Samos — que já propunha o heliocentrismo 1.800 anos antes de Copérnico —, textos de Sófocles, Eurípides e Ésquilo, bem como mapas antigos e registros de navegação que poderiam ter antecipado a era das descobertas em séculos. Foi como se a humanidade tivesse sofrido uma amnésia coletiva: o que os Vedas salvaram através do som, Alexandria perdeu no silêncio das cinzas.

Mas o mais revoltante é que muitos dos que destruíram essas bibliotecas o fizeram em nome de uma "religião", embora certamente carecessem da "fé" que busca a verdade e respeita a criação intelectual. Se um texto antigo oferecia uma visão que não exigia intermediários ou que contrastava com a convenção social estabelecida, era rotulado como herético ou perigoso. Assim, em nome do poder ou de uma suposta "pureza" da fé, variações regionais dos textos foram destruídas com vistas à imposição de uma versão única que servisse ao status quo.

O dano causado pela perda de nossa "infância intelectual" em fogueiras de vaidade e ignorância é tão lamentável quanto irreparável. O pouco que restou foi recuperado por meio da arqueologia e da filologia. No caso dos Vedas, a tradição oral acabou sendo a "nuvem de backup" mais segura da antiguidade: enquanto o papiro queimava e a tinta desbotava, o som e a métrica eram passados de mestre para discípulo, sobrevivendo onde a pedra e o papel falharam.

É ingenuidade achar que o apagamento da memória decorre apenas de causas naturais — na maioria das vezes ele é perpetrado por quem detém o poder —, e o mesmo fenômeno de controle que vitimou Alexandria se repetiu de forma ainda mais insidiosa na sistematização da Bíblia. O que hoje o senso comum aceita como uma unidade indivisível é, em essência, o resultado de uma curadoria política e arbitrária realizada por "religiosos" poderosos, que se autoconcederam o poder de decidir o que era sopro divino e o que era "conhecimento nocivo". A pretexto de proteger os fiéis de heresias, esses editores da fé filtraram a pluralidade das experiências espirituais primitivas e descartaram textos que ofereciam uma visão de transcendência direta, sem a necessidade de pedágios institucionais.

O que foi sacrificado não foram meros pergaminhos, mas a própria liberdade do pensamento em busca do sagrado. Ao canonizar uma versão e demonizar as outras, as lideranças inescrupulosas não só moldaram uma religião; como também criaram um cerco intelectual: aquilo que ia contra o establishment ou empoderava o indivíduo fora das amarras da convenção social foi rotulado como apócrifo e condenado ao esquecimento. 

Assim, a "pureza" da fé tornou-se o álibi perfeito para uma das maiores operações de silenciamento da história, garantindo que o mapa nunca fosse maior do que o território permitido pelo palácio. No entanto, quando se entrega às raposas a chave do redil perde-se o direito de reclamar do sumiço das ovelhas.


Continua…

sábado, 30 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE PSICOTRÔNICA, RELIGIÃO E CIÊNCIA NOÉTICA

O HOMEM TEME O QUE NÃO COMPREENDE — E MAIS AINDA O QUE COMPREENDE PROFUNDAMENTE.

Vimos que a Psicotrônica — como os russos chamavam suas primeiras pesquisas envolvendo fenômenos paranormais — pode ser considerada a precursora daquilo que hoje se convencionou chamar de ciência noética, e que, durante a Guerra Fria, a URSS e os EUA teriam investido somas vultosas nesse campo.


Fala-se que a CIA mordeu a isca da desinformação russa e "correu atrás do próprio rabo com ciências marginais", como o projeto Stargate, que buscava desenvolver uma técnica conhecida como “visualização remota”, na qual pessoas em estado de transe profundo projetam a consciência para além do corpo visando observar eventos à distância. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Segundo a mitologia grega, Pandora foi criada por Hefesto e Palas Atena a mando de Zeus, que queria castigar Prometeu por roubar o fogo dos deuses e dá-lo aos homens. Depois de ganhar um dom de cada divindade de Olimpo, Pandora recebeu de Zeus uma caixa que jamais deveria ser aberta e a missão de seduzir o irmão de Prometeu, que, encantado com a formosura da moça e ignorando as advertências do irmão sobre aceitar presentes do deus dos deuses, tomou Pandora como esposa. 

Mas ao criar a mulher, Deus criou também a curiosidade. E a curiosidade levou Pandora a abrir a caixa e libertar todos os males que recaíram sobre a humanidade. A esperança ficou presa no fundo da caixa para nos ajudar a enfrentar as adversidades, mesmo que o mal muitas vezes vença o bem. E foi assim que "abrir a Caixa de Pandora" se tornou uma metáfora para ações que desencadeiam consequências maléficas e irreversíveis.

Revisito essa fábula por três motivos: 1) sempre gostei de mitologia; 2) muita gente usa essa metáfora sem saber sua origem; 3) insistir no erro esperando produzir um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço. 

Em momentos distintos da ditadura, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o perigo de misturar brasileiros com urnas em eleições presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas o tempo provou que eles estavam certos: a cada dois anos, os eleitores tupiniquins fazem nas urnas, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade. E como ensinou o Conselheiro Acácio (personagem do romance O Primo Basílio), as consequências vêm sempre depois. 

Ao acompanhar o golpe de Estado que levou Napoleão III ao poder, Karl Marx concluiu que a história acontece como tragédia e se repete como farsa. Já o Barão de Itararé dizia que político brazuca é um sujeito que vive às claras, aproveita as gemas e não despreza as cascas, e o saudoso maestro Tom Jobim, que o Brasil não é para principiantes. E com efeito. 

Em 2018, nenhum dos 13 postulantes ao Planalto empolgava, mas por que se arriscar a acertar com Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Henrique Meirelles ou João Amoedo quando se podia errar com certeza escalando Bolsonaro e o bonifrate do então presidiário Lula para o segundo turno? Em 2022, as opções eram ainda menos atraentes, mas, de novo: por que correr o risco de acertar votando em Simone Tebet, Felipe D'Avila ou mesmo Ciro Gomes (situações desesperadoras justificam medidas desesperadas) quando se podia errar com certeza despachando Lula e Bolsonaro para o 2º turno?

Em ambos os pleitos a fatídica polarização fez com que tanto a merda quanto as moscas permanecessem as mesmas. A diferença é que em 2018 a parcela minimamente pensante do eleitorado foi levada a apoiar Bolsonaro para evitar que o país fosse presidido por um fantoche do presidiário, e em 2022 essa mesma parcela se viu forçada a embarcar na falaciosa "Frente Democrática" capitaneada pelo ex-presidiário "descondenado" para evitar mais 4 anos (ou sabe-se lá quantos) sob a batuta do refugo da escória da humanidade.

Há males que tempo cura, males que vêm para pior e males que pioram com o passar do tempo. Lula 3.0 é uma reedição piorada das versões 1 e 2, e como nada é tão ruim que não possa piorar, o macróbio cogita disputar a reeleição em 2026 (que os deuses nos livrem tanto dessa desgraça quanto da volta do aspirante a golpista encarnado em seu abominável primogênito).

As consequências da inconsequência do eleitorado tupiniquim são lamentadas todos os dias, inclusive por quem abriu a Caixa de Pandora achando que estava escolhendo o menor de dois males - o que se justifica quando e se não há outra opção. E tanto em 2018 quanto em 2022 havia alternativas; só não viu quem não quis ou não conseguiu porque sofre do pior tipo de cegueira que existe.

Einstein achava que o Universo e a estupidez humana eram infinitos, mas salientou que, quanto ao
Universo, ele ainda não tinha 100% de certeza. Alguns aspectos de suas famosas teorias não sobreviveram à passagem do tempo, mas sua percepção da infinitude da estupidez humana merece ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta. 


O conceito básico da visualização remota tem mais de sete mil anos. Os antigos sumérios registraram suas "viagens às estrelas" — experiências místicas fora do corpo nas quais a mente ia até as estrelas para observar mundos distantes. Supõe-se que alucinógenos como o ópio e o ácido lisérgico foram largamente utilizados para induzir estados alterados de consciência. De textos antigos como Rigue Veda e Mistérios de Elêusis até o clássico As Portas da Percepção, de Aldous Huxley, grandes autores sugeriram que substâncias psicodélicas poderiam expandir a consciência  — lembrando que essas sensações fora do corpo são um reflexo da realidade sem filtros, não de alucinações. Mas isso é outra conversa.


A habilidade fundamental de um visualizador remoto é a capacidade de induzir uma experiência fora do corpo, mas a questão é que pouquíssimas pessoas conseguem ter essas experiências espontaneamente — com a possível exceção dos epiléticos, mas isso também é outra conversa. Interessa dizer que vida após a morte é uma convenção criada pelas religiões para mitigar o medo da finitude e manter o "rebanho" na rédea curta com a promessa de recompensar os bons e punir os maus. 


Qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem ou assando lentamente em um espeto. A possibilidade de existir um ser superior é plausível — desde que não seja o deus vingativo dos pastores papa-dízimo e dos padres pedófilos. Todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa e uma fantasia para sectários de outros credos.


Mesmo as crenças mais estúpidas têm fiéis seguidores e fanáticos dispostos a defendê-las com unhas e dentes, embora elas sejam como um golpe de seguro: os fiéis pagam o prêmio e não têm como reclamar quando descobrem que a empresa que levou seu dinheiro não existe. No fim das contas, viemos do mistério e ao mistério retornaremos; caso exista algo além, dificilmente será o deus das igrejas.


Fiz uma pesquisa no Google e fiquei perplexo com a quantidade de vertentes religiosas. Católicos, metodistas, episcopalianos, mórmons, anglicanos, luteranos, presbiterianos, adventistas do sétimo dia, ortodoxos gregos, quacres, muçulmanos, budistas, judeus, hindus, etc., todos alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso, mas muitos foram construídas sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que eles pregam.


Romanos atiraram cristãos aos leões; cristãos mutilaram e queimaram hereges; Hitler sacrificou milhões de judeus ao falso deus da pureza racial; outros milhões de seres humanos foram eletrocutados, enforcados, esquartejados e envenenados... tudo em nome de um deus.


A promessa de que o Céu nos espera e que lá tudo fará sentido nos é impingida desde a infância na versão segundo a qual Papai Noel traz presentes para as crianças bem-comportadas e deixa as malcriadas a ver navios. Mais adiante, a falácia passa a ser "céu para os bons, inferno para os maus". Mas o paraíso é a cenoura, e o inferno, a vara. Padres, pastores. rabinos e afins ameaçam os pequenos com o fogo eterno por roubarem uma bala ou mentirem, mas não existe prova alguma disso, apenas uma certeza cega de que tudo tem um propósito.


A morte é a única certeza que temos na vida, porém o que acontece depois — se realmente existir um "depois" — intriga a humanidade desde as mais priscas eras. Os católicos acreditam que os bons vão para o Céu e os pecadores, para o Inferno, e os espíritas, que os maus reencarnam para evoluir espiritualmente. Entre os judeus, cada grupo tem sua própria versão do que seria a vida após a morte, e por aí segue o desfile de crenças, que é tão variado quanto o das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.


A perspectiva da vida eterna vem sendo explorada desde sempre por proselitistas que alegam falar em nome de um deus cuja existência conseguem provar, embora soem convincentes — afinal, o sucesso do vigarista depende da capacidade de ludibriar as vítimas, como bem ilustra a origem do termo conto do vigário. No entanto, é fundamental não confundir fé com religião: ainda que elas andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé sem ser religioso quanto seguir uma religião sem ter fé (apenas por tradição familiar ou convenção social). 


A fé individual independe de rituais, hierarquias ou dogmas. Ela surge movida por experiências profundas e pessoais — como um momento inesperado de conexão com a existência —, e se desenvolve sem a necessidade de intermediários ou tradições rígidas. Já a religião deveria servir para "religar" o homem a Deus, mas cada vertente define "Deus" à sua maneira.


Os primeiros textos védicos remontam a 1500 a.C., mas os conceitos que eles encerram foram transmitidos oralmente durante séculos. A frase "este é meu corpo", que Cristo teria dito na Última Ceia, é repetida até hoje durante a Eucaristia. Quando "lavou as mãos", Pilatos deixou clara a ligação entre religião e política — aliás, Igreja e Estado foram as duas faces da mesma moeda até a Revolução Francesa, e velhos vícios e maus hábitos são difíceis de erradicar.


Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. O Seder de Pessach e a comunhão são adaptações litúrgicas de uma prática observada nos chimpanzés. Ainda que as religiões tenham perdido muito da empatia de antanho, fenômenos complexos se desenvolvem a partir de começos simples, e tudo o que fazemos é influenciado por nossa história biológica e cosmológica.


Ao longo da História, Cristo, Buda, Maomé, Krishna e outros ícones religiosos deixaram mensagens para determinados povos em determinadas épocas, mas em vez de levarem à unidade, ao amor e ao bem de todos, essas mensagens foram deturpadas para atender a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam para manipular seus semelhantes. 


Há fortes evidências de que o Universo surgiu há 13,8 bilhões de anos e o homo sapiens, há cerca de 300 mil anos — a partir da evolução de outros primatas, e não de Adão e Eva. O Velho Testamento foi transmitido oralmente até 1200 a.C., quando as lendas e tradições que o compõem foram compiladas por Moisés durante sua longa jornada pelo deserto do Sinai em busca da terra supostamente prometida por Jeová a Abraão e seus descendentes. 


Observação: Talvez o sol escaldante explique por que o autor do Pentateuco retratou o Criador como uma entidade rancorosa e vingativa, tão diferente da imagem vendida nas igrejas, templos, mesquitas e sinagogas por padres, pastores, imãs e rabinos que, em vez de oferecer orientação e conforto espiritual aos fiéis, ameaçam-nos com a "danação eterna".

 

As religiões são como os vaga-lumes: precisam da escuridão para brilhar e são úteis para os poderosos, que lhes dão ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos, e portanto é fundamental questionar as crenças enraizadas, pois somente a partir da reflexão que se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda.


A possibilidade de existir um ente superior é admissível, mas como acreditar num "criador" que concede livre-arbítrio às criaturas, promete recompensar os "bons" com a vida eterna num inverossímil "paraíso celestial" e punir os "maus" com o fogo eterno num hipotético inferno comandado por um "anjo caído"?

 

A rigidez das religiões perpetua tradições e práticas que raramente resistem ao questionamento crítico, enquanto a fé resultante de experiências espirituais e emocionais leva as pessoas a acreditarem em algo que não lhes foi enfiado goela abaixo por dogmas religiosos. A flexibilidade faz com que a fé se adapte aos valores e interpretações de cada um, e sua relação com a religião é ainda mais intrigante quando se questiona a natureza da divindade. 


A ciência não invalida a fé — ela a expande. Mas a complexidade do Universo pode ser contemplada e apreciada sem uma explicação esotérica. Ao afirmar que somos poeira das estrelas, o astrofísico Carl Sagan descortinou um vasto Universo sem uma figura divina. Ainda assim, a fé (não confundir com as religiões) pode ser definida como uma admiração pelo Universo, uma disposição para o questionamento, uma abertura ao desconhecido, uma busca por novas respostas, um modo de honrar o mistério da existência. 


Einstein dizia que "o mistério é a fonte de toda verdadeira arte e ciência". Spinoza e outros grandes pensadores viam no Universo uma ordem tão majestosa que, mesmo sem acreditar em um deus pessoal, sentiam-se conectados a uma força criadora e consideravam a busca pelo conhecimento um ato quase espiritual.


A busca pelo autoconhecimento mostra que a espiritualidade desvinculada das religiões pode ser uma maneira de nos conectarmos com o mundo sem a necessidade de um conjunto de crenças formais. Nesse contexto, a fé se torna uma prática interior, uma jornada de descoberta pessoal que aceita as incertezas da existência.


Enquanto as religiões tradicionais impõem normas e rituais rígidos, a espiritualidade pessoal se ajusta aos valores e necessidades de cada um. Meditação, contemplação da natureza ou mesmo o simples exercício de gratidão são maneiras de alinhar a vida com uma ordem maior. Uma fé íntima e universal, que respeita o mistério sem se prender às religiões formais nem enjeitar as tradições, aceita respostas parciais, valoriza o caminho, celebra o mistério e dá um sentido mais original à espiritualidade. 


Continua…

sábado, 11 de abril de 2026

LULA E O PÊNDULO DE FOUCAULT

REELEGER LULA OU ELEGER FLÁVIO BOLSONARO É COMO ESCOLHER ENTRE X-BOSTA E BAURU DE MERDA EM VEZ DE IR COMER EM OUTRO BOTEQUIM.

Com a aproximação das eleições, surge uma pergunta que, para ser respondida sem medo de errar, só mesmo aguardando o apito final e a decisão do VAR. Mas pode-se emular um exercício de futurologia dando uma resposta disfarçada de palpite triplo: ganha fulano por causa disso, mas sicrano pode ganhar por causa daquilo, sem falar que a terceira (!?) pode romper a polarização. Previsão mais precisa que essa, só mesmo consultando a cigana do parquinho ou o horóscopo da revista de fofocas.


Fazer prognósticos calcados em pesquisas de intenção de voto é arriscado, sobretudo quando as abordagens são feitas com seis meses de antecedência. Aliás, Magalhães Pinto dizia que "política é como nuvem" (você olha e elas estão de um jeito; olha de novo e elas já mudaram), e Ciro Gomes, que "eleição é filme e pesquisa é frame". Na melhor das hipóteses, os institutos de pesquisa oferecem um "instantâneo" do humor do eleitorado num determinado momento — isso se admitirmos que 2 mil gatos pingados refletem o pensamento de 150 milhões de eleitores. Na pior, considerando que cada pesquisa chega a custar milhão de reais, é comum os resultados ornarem com a preferência dos contratantes. 


Em 2018, todas as pesquisas davam de barato que Dilma seria a senadora mais votada — e ela ficou em 4º lugar —; que Bolsonaro perderia de qualquer adversário no segundo turno — e ele venceu o bonifrate de Lula por uma diferença de quase 12 milhões de votos —; e que Eduardo Suplicy seria reeleito — e ele foi defenestrado após 27 anos de Senado. Na disputa pelo Planalto, Geraldo Alckmin obteve menos de 5% dos votos, e Marina Silva, 1%. No Nordeste — tido como o solo sagrado onde o demiurgo de Garanhuns realizaria o milagre da ressurreição —, o PT teve 10 milhões de votos a menos que em 2014, e perdeu em cinco das sete capitais da região.


De certeza, mesmo, só a vocação inata que o eleitor brasileiro tem de repetir a cada pleito, por ignorância, o que Pandora fez um única vez, por curiosidade. Mas é consenso entre analistas políticos que a esquerda dividem ⅔ do eleitorado, e que os cerca de 50 milhões de "isentões" funcionam como fiel da balança em pleitos polarizados, quando é preciso escolher o candidato "menos pior" 


Em Il Pêndulo di Foucault, do italiano Umberto Eco, três intelectuais inventam uma teoria da conspiração que, de tão perfeita, começa como brincadeira e termina como crença — primeiro para eles, depois para os outros. A versão brasileira entrou em cartaz quando a aberração que postula a reeleição emitiu um garrancho verbal traduzido pelos filólogos de plantão como "ainda não decidi se serei candidato".


A dúvida virou tese ao cabo de poucas horas, e dias depois a tese já se tornara narrativa. Agora, já temos enredo, elenco de apoio e um roteiro que segue um padrão quase didático: alguém lembra a idade, outro puxa os arroubos da primeira-dama, um terceiro esgrime os dados de um instituto de pesquisa chinfrim, e um quarto invoca o humor do mercado.


Com os pontos criados, basta ligá-los para dar à luz um "Plano B" — uma criatura fascinante que ninguém confirma, que tem nome, cronograma e lógica interna que todo mundo descreve em detalhes, mas que não tem comprovação fora das conversas de botequim que a sustentam. Não obstante, como bem observou Eco, nem toda especulação é delírio. Política é risco, cálculo e contingência. A hipótese hoje improvável de Lula não disputar existe como possibilidade porque existe como variável real. No fim das contas, o problema não é a hipótese, mas a velocidade com que ela vira certeza.


Ainda segundo Eco, quando o padrão parece convincente, a prova vira detalhe e a ausência de confirmação passa a ser interpretada como parte do segredo. Se ninguém admite, é porque é sigiloso. Se ninguém confirma, é porque está sendo preparado. A teoria se fecha e, uma vez fechada, conforta.


A questão é que Lula, mais que candidato, é um eixo organizador do sistema político. Sua saída bagunçaria alianças, embaralharia estratégias e reduziria a previsibilidade da eleição, mas não produziria a vitória automática do filho rachadista do pai golpista — pelo contrário: sem o molusco no páreo, o sobrenome Bolsonaro pode perder tração, e como a política brasileira adora um vácuo, não é difícil imaginar o surgimento de um novo "salvador".


Na tão desejável quanto quimérica hipótese de a terceira via prosperar e o segundo turno ser disputado pelo ex-presidiário mais famoso do Brasil ou pelo primogênito do atual presidiário mais famoso desta banânia contra um "outsider", talvez um novo Cacareco — falo do rinoceronte que foi eleito vereador em Sampa no pleito de 1959 — ou um novo Macaco Tião — como o que obteve 400 mil votos na eleição para prefeito do Rio de Janeiro em 1988 —, ou mesmo minha finada cachorrinha teriam chances reais de vitória. 


Voltando à vomitativa realidade, se Lula pendurasse as chuteiras, as alternativas naturais do PT e seus satélites seriam Haddad ou Camilo Santana — este sempre lembrado como alternativa discreta. Ao fim e ao cabo, pode não haver plano algum — apenas um político macróbio, populista, com a data de validade vencida que governa olhando pelo retrovisor, mas, mesmo farto dos rituais palacianos, não abre mão dos salamaleques do poder. 


Por outro lado, como ensinou Eco, a realidade costuma ser simples demais para competir com uma boa teoria. Então, e se Lula desistir?


Triste Brasil

sexta-feira, 10 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — COINCIDÊNCIAS LITERÁRIAS OU EVIDÊNCIAS DE PREMONIÇÃO?

QUEM NUNCA MUDA DE DIREÇÃO ACABA EXATAMENTE ONDE PARTIU. 

Coincidências literárias não constituem evidências de premonição, mas causa espécie o fato de o livro Futility, or the Wreck of the Titan ter sido publicado anos antes da tragédia do Titanic e as “similitudes” jamais terem sido satisfatoriamente explicadas. 


Baseado num pesadelo vívido sobre um transatlântico insubmersível chamado Titan, que colidiu com um iceberg e naufragou ao cruzar o Atlântico, o escritor americano Morgan Robertson descreveu minuciosamente a construção do navio, a rota, o acidente e outras semelhanças impressionantes, como o tamanho do casco, o número de botes salva-vidas, a velocidade e o mês do acidente.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


As campanhas eleitorais para o Planalto estão prests a começar, e tudo indica que a parcela minimamente esclarecida do eleitorado precisará ingerir doses cavalares de Dramin para suportar o cheiro sem vomitar. 

O busílis da questão não é a má qualidade dos candidatos, mas a péssima qualidade dos eleitores — ignorantes que repetem a cada pleito o que Pandora fez uma única vez. 

Polarização política sempre existiu, mas jamais foi tão exacerbada quanto nas duas últimas campanhas presidenciais. Quando PT e PSDB eram a bola da vez, 'mortadelas' e 'coxinhas' se comportavam como adversários. Hoje, bolsonaristas e petistas agem como inimigos figadais. Para piorar, mesmo com o cardápio do segundo turno restrito a X-bosta ou frapê de merda, os eleitores/comensais, cegos como toupeiras, recusam-se a mudar de boteco. 

No último final de semana, o campo bolsonarista ganhou novos contornos com embates internos envolvendo Flávio, Eduardo e Nikolas Ferreira. Por alguma razão incerta e não sabida, a choldra bolsonarista gasta mais tempo e energia falando mal de si mesma do que Lula trombeteando o 'sucesso' de sua terceira gestão. 

Em vídeo postado nas redes, o pré-candidato das rachadinhas, panetones e mansões milionárias pediu "racionalidade" depois que o irmão 'Bananinha' voltou a bater em Nikolas Ferreira abaixo da linha do intelecto e a madrasta tomou o partido do adversário do enteado.

Além de advertir que "todo mundo sai perdendo" nesse tipo de arranca-rabo doméstico e realçar que o "inimigo" está do outro lado, o postulante da biografia rachadinha teve o desplante de receitar um versículo bíblico: "Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor lhes perdoou". Num instante em que ele cresce nas pesquisas posando de moderado, os céus parecem avisar aos eleitores que o pior pecado que se pode cometer diante do bolsonarismo boçal é o excesso de moderação.


Leonardo da Vinci concebeu seu "parafuso aéreo" 500 anos antes da construção do primeiro helicóptero, eJúlio Verne escreveu Vinte Mil Léguas Submarinas quase um século antes de o primeiro submarino nuclear ser construído. Isso nos leva a pensar se não assiste razão ao escritor canadense Robin Sharma quando diz que tudo é criado duas vezes — primeiro na mente e depois na realidade —, ou se Pablo Picasso não estava certo quando afirmou que tudo que se consegue imaginar é real. 


A experiência humana atual é bastante limitada quando comparada com o que de fato poderia ser. Às vezes, basta uma mudança de perspectiva para revelar a verdade. Muitas descobertas científicas — como a heliocentricidade, a esfericidade da Terra, a radioatividade, o Universo em expansão e a epigenética — foram consideradas absurdas até serem comprovadas, mas o simples fato de não conseguirmos imaginar como uma coisa poderia ser verdade não significa que não observamos essa coisa sendo verdade. 


Os gregos antigos descobriram que a Terra era redonda milhares de anos antes de Isaac Newton explicar como a gravidade faz com que os oceanos permaneçam no lugar. A Noética ainda está engatinhando no aprendizado de como a consciência não-local funciona, mas suas teorias oferecem respostas para uma série de fenômenos incompreensíveis à luz do entendimento convencional. 


Pode parecer impossível colocar todo o conhecimento do mundo dentro de um recipiente do tamanho de um baralho de cartas, mas essa informação está contida “dentro” de um smartphone. Dizer que o aparelho simplesmente acessa as informações a partir de bancos de dados espalhados mundo afora vai ao encontro do que afirmam os noéticos sobre a consciência não-local. 


Nosso cérebro representa cerca de 2% de nosso peso, embora contenha cerca de 86 bilhões de neurônios que geram trilhões de sinapses. Embora ele consiga armazenar milhões de gigabytes de dados, sua capacidade de acumular informações é tão limitada quanto a de um celular armazenar todas as músicas do mundo. Diante dessa impossibilidade física, talvez o cérebro funcione como uma antena espantosamente avançada, que “escolhe” quais sinais específicos quer receber da nuvem de consciência global que já existe.


Isso parece ficção científica, mas vale lembrar que diversas tradições espirituais — como o Campo Akáshico, a Mente Universal, a Consciência Cósmica e o Reino de Deus, entre outras — defendem a existência de uma consciência universal. A Noética harmoniza com algumas das crenças religiosas mais antigas, mas é sustentada por descobertas em áreas como a física de plasmas, a matemática não-linear e a antropologia da consciência. 


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