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domingo, 21 de agosto de 2022

MINHAS DESPEDIDAS DO DIOGO


"Quantas vezes me despedi do Diogo?" Foi a pergunta que fiz a mim mesmo logo depois que ele decidiu dar outro tempo no jornalismo e deixar de escrever em O Antagonista e nesta Crusoé. A primeira vez foi quando ele viajou para fazer o último ano do colegial nos Estados Unidos. Tínhamos 16 anos. Lembro que, na noite anterior à sua partida, desci até a portaria do prédio em que morava (não tínhamos telefone) para ligar para ele. Eu disse que seria seu amigo para sempre e ele me respondeu que também seria meu amigo para sempre, e assim acabou sendo. Por meio do Diogo, eu também entrevira uma São Paulo muito diferente da minha: não só mais rica, como mais moderna, mais inteligente, mais culta, mais artística, mais elegante.
 
A segunda despedida foi quando tínhamos 19 anos. Após um ano e meio torturando-se no curso de economia da PUC, enquanto morava num apartamento no centro de São Paulo, em cuja sala pichara a frase De omnibus dubitandum est (tudo é motivo de dúvida), título de um livro de Soeren Kierkegaard, o Diogo se mandou para Londres, para estudar na London School of Economics. Essa primeira temporada em Londres foi fundamental na sua formação intelectual. Em vez de estudar economia, ele fez um curso intensivo de literatura com Ivan Lessa, londrino de adoção desde que se autoexilara do que chamava de Bananão. Um ano e meio depois, o Diogo voltou para o Brasil, juntamente com a então namorada, que fora para Londres com ele.
 
Entre os 20 anos e os 22 anos, o Diogo morou em São Paulo, num sobradinho na Bela Vista. Foi nessa época que o seu pai o obrigou a dar expediente na agência de propaganda dele, onde o Diogo não fazia nada e, durante algum tempo, eu o ajudei nessa tarefa gratificante. Para passar o tempo, ele inventou simular um paredão de tênis na sala de trabalho, usando uma régua como raquete e uma bolinha de borracha. Depois que eu peguei o jeito da coisa e passei a vencer todas as partidas, não deixando a bolinha cair, ele desistiu do jogo.
 
Talvez as sucessivas derrotas para mim no simulacro de paredão de tênis tenham contribuído para que o Diogo voltasse a morar em Londres, em 1984, a nossa terceira despedida. Ele voltaria no ano seguinte. O seu novo endereço era um apartamento num pombal perto do sobradinho onde vivera. Nos fins de semana, jogávamos War. O lado mais divertido era roubar exércitos e territórios da futura mãe do meu primeiro filho (ela ganhava de todo jeito). Nesse período, o Diogo conheceu o Gore Vidal, que visitava o Brasil e precisava de um Virgílio para guiá-lo neste inferno. O escritor americano, encantado com o bonitão inteligente, disse ao meu amigo que ele ainda seria presidente do Brasil. 
 
Pouco antes, eu convidara o Diogo para fazer uma resenha de um livro de Vladimir Nabokov, a ser publicada na Folha de S. Paulo, onde eu começara a trabalhar. Otavio Frias Filho, que dirigia o jornal, adorou a resenha — que dizia que o Brasil não merecia Nabokov — e sugeriu que ele escrevesse um texto para o Folhetim, o então caderno dominical de cultura da Folha. O Diogo escreveu um texto engraçadíssimo sobre a Rede Globo, mas Otavio Frias Filho concluiu que era melhor não publicar. Acho que a candidatura a presidente da República já havia morrido ali.
 
Aos 25 anos, o Diogo resolveu mudar-se para Veneza, cidade natal de um colega italiano que, ao contrário dele, completara a London School e com quem fizera amizade. Era o lugar ideal para escrever livros, julgou o Diogo, acertadamente. Foi a nossa quarta despedida. Em Veneza, ele se separou finalmente da brasileira com quem namorava desde havia muito (a mesma moça que o acompanhara a Londres) e se casou com a Anna.
 
No começo da década de 2000, o Diogo foi viver no Rio de Janeiro, por causa do Tito, aconselhado por médicos que acharam a cidade ideal para que o então menino de três anos se desenvolvesse melhor. Foi no Rio que nasceu o Nico. Em 2010, desconsolado com a vitória de Dilma Rousseff, ele encerrou a sua participação como colunista da Veja, onde eu também trabalhava, e voltou para Veneza, naquela que foi a nossa quinta despedida.
 
Depois que fundamos O Antagonista e a Crusoé, o nosso contato diário se intensificou a tal ponto que, quando o revi em junho na Grécia, não parecia que fazia três anos que não nos encontrávamos pessoalmente. O fim da participação dele no site e na revista é como se fosse a nossa sexta despedida. Não incluo aqui as ocasiões em que nos despedimos quando nos vimos em viagens. Estou falando de despedidas que implicaram grandes mudanças.
 
Faz mais de 44 anos que eu sou amigo para sempre do Diogo e ele é o meu amigo para sempre. Mas esse sempre é repleto de despedidas, com ele sempre indo e eu sempre ficando.
 
E eu vou ficando, e ficando, e ficando. O Diogo é a medida da minha imobilidade e de todas as coisas que consegui e não consegui.

Texto de Mario Sabino 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O TEMPO E O SUICÍDIO QUÂNTICO

QUANDO O RELÓGIO BATE TREZE VEZES.

Ainda que o tempo seja uma invenção criada por nossos antepassados para facilitar a compreensão do mundo, o nascimento inaugura uma viagem rumo a um futuro que nunca chega (hoje é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã). Envelhecer é inexorável e a morte é a única certeza que temos nesta vida, mas viver para sempre é um sonho antigo.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA 


Se nunca houve reviravolta entre os dois turnos, nunca a distância do primeiro para o segundo lugar foi tão pequena. A dúvida é se o presidente terá força e discernimento suficientes para corrigir os erros a tempo de ganhar.

O desempenho da direita impressionou, mas não o suficiente para consolidar a impressão de que a eleição esteja resolvida, de que Jair Bolsonaro esteja indultado e de que os golpistas estejam anistiados.

É verdade que não há registro de virada do segundo sobre o primeiro colocado de um turno a outro, mas também é fato que nunca a distância foi tão estreita — menos de dois pontos percentuais —, dianteira que a oposição tem motivo para comemorar, mas que o governo tem condição de inverter nas próximas três semanas se souber disputar com competência os cerca de 8% dados aos demais candidatos.

Posta a bola no chão, fica a lição de que a subestimação do adversário é péssima conselheira. Isso valeu para Lula, que desde o início menosprezou a oponente, e vale agora para Flávio, que será imprudente se desdenhar da capacidade de reação de Lula, decorrente do susto.

O choque de realidade ficou evidente no semblante de decepção dos aliados e na aparente calma da manifestação do molusco logo após a confirmação do resultado do primeiro turno: ele mediu palavras e procurou se ater aos limites da normalidade, a fim de ganhar tempo e não se precipitar sobre o que fazer.


Na Grécia Arcaica (séculos VII e VI a.C), acreditava-se que a água de um rio que nascia no Monte Olimpo tornava os homens imortais. Em 1513, Ponce de León partiu de Porto Rico em busca da lendária Fonte da Juventude e descobriu a Flórida, mas morreu sem jamais ter encontrado a tal fonte. Em 1932, quando a expectativa de vida dos norte-americanos era de 59,7 anos, Walter B. Pitkin publicou seu livro de autoajuda Life begins at forty (A vida começa aos quarenta).


Segundo a mitologia grega, Urano, temendo ser destronado pelos filhos, devolvia-os ao útero de Gaia. Até que um dia, cansada de gerar para perder, a deusa escondeu Cronos e lhe pediu que, quando crescesse, castrasse o pai. Cronos atendeu ao pedido da mãe, mas passou a devorar a própria cria. O ciclo só foi interrompido quando Réia, sua esposa, escondeu Zeus e lhe pediu que obrigasse o pai a regurgitar seus irmãos. Zeus não só cumpriu a missão como derrotou Cronos numa guerra que durou dez anos, tornando-se o deus dos deuses.


Urano, Cronos, Kairós e Saturno — a versão romana de Cronos — são tão reais quanto o céu, o purgatório e o inferno dos católicos, mas há na mitologia grega uma distinção fundamental: Enquanto Cronos representa o tempo cronológico, linear e mensurável, Kairós é associado ao tempo da experiência, do acontecimento e do instante significativo. Por convenção, o tempo que rege nossas vidas é o de Cronos, que o relógio mede, que os calendários registram, que transforma segundos em minutos, minutos em horas, horas em dias, meses e anos. 


Essa lógica nos leva a tratar o tempo como algo mensurável e manejável — um recurso a ser administrado, otimizado e explorado, quase sempre a serviço do trabalho, do consumo e da vida acelerada que naturalizamos no cotidiano —, mas outras formas de compreender e viver o tempo persistem entre povos tradicionais, originários, indígenas, africanos e do sul global. 


Nessas cosmovisões, em vez de se comportar como uma flecha que avança inexoravelmente para a frente, o tempo pode ser cíclico, circular ou espiral, pois nem o passado está morto, nem o futuro é um alvo fixo, nem o presente é apenas um ponto de passagem. O tempo cronológico foi adotado como padrão universal por colonizar o presente, capturar o passado e comprometer o futuro. Na era das métricas, notificações e algoritmos, Cronos deixou de ser apenas uma abstração para se tornar um sistema de controle íntimo, automático e permanente. 


No fim das contas, Cronos venceu, não como mito, mas como método. Ele já não empunha uma foice, mas um relógio digital. Não reina no Olimpo, mas rege os calendários, as metas, os prazos e as notificações. Não precisa mais devorar os filhos; basta convencê-los de que estão sempre atrasados. E nós, acreditando dominá-lo, seguimos oferecendo aquilo que ele sempre exigiu: nossa própria vida, em parcelas mensais.


Entre 1960 e 2014, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou de 48 para 74,6 anos. Aubrey de Grey — co-fundador da SENS — acredita ser possível viver por séculos sem sofrer os transtornos da velhice, mas poucas pessoas colhem mais de 100 margaridas dos jardins da existência e quase ninguém aceita o passar do tempo com serenidade. Aos 93 anos, chamado a escolher a palavra mais bonita da língua portuguesa, o poeta Manoel de Barros — que dizia prezar insetos mais que aviões — escolheu "criança", talvez por ter envelhecido com brilho, beleza e arte. 


A experiência que vem com a idade nos ensina a escolher entre o que vale ficar e o que pode partir. É na maturidade que o mundo deixa de ser promessa e passa a ser memória; que o coração, cansado de batalhas inúteis, começa a buscar apenas aquilo que o sustenta; que o corpo, companheiro fiel por décadas, começa a falhar em pequenos sinais — um joelho que reclama, uma visão que pede auxílio, uma dor que se instala sem convite.


A idade ensina a negociar com limites, respeitar fronteiras internas e aceitar que há ritmos que não voltam. A solidão visita com frequência os que envelhecem em silêncio: amigos partem, amores se transformam, lares se esvaziam e a memória vira companhia — às vezes, consolo; às vezes, ferida. 


Diz-se que a delícia da velhice está num café sem pressa, num fim de tarde em silêncio, na alegria simples de estar, que há uma delícia profunda em olhar para trás e reconhecer a própria trajetória, os afetos preservados, os erros superados, os recomeços possíveis, e que envelhecer é aprender a dizer não sem culpa, a escolher com mais clareza, a valorizar a presença de quem ficou.


Mas nem todos aceitam a velhice filosoficamente, como frisou Ruy Castro na crônica Melhor idade é a puta que te pariu, que merece ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta.


Continua…

sábado, 15 de junho de 2019

GREVE GERAL - EM CASA ONDE FALTA PÃO, TODOS GRITAM E NINGUÉM TEM RAZÃO


A pretexto de protestar contra a reforma da Previdência, partidos políticos opositores ao governo Bolsonaro e centrais sindicais ligadas ao PT e seus satélites convocaram uma greve geral. Mais uma vez, a população foi usada como massa de manobra (ou como “idiotais úteis”, parafraseando nosso insigne presidente) pelos vagabundos de sempre e com os motivos e os métodos de sempre: boicotar reformas necessárias e atacar gente séria para defender bandidos, usando de terrorismo, violência, obstrução de vias em dia útil e por aí afora.

Seguindo o MBL:  Brasil: onde sindicato faz greve pra pobre continuar se aposentando aos 65 anos e ganhando salário mínimo enquanto o patrão se aposenta 10 anos mais cedo ganhando 5 vezes mais. Fora que sindicato apoia o político picareta lá em Brasília que vai se aposentar ganhando R$ 30 mil. É muita palhaçada. Milhões de desempregados e a esquerda tem a incrível ideia de uma greve para ninguém trabalhar. Que picaretagem.

A “greve geral” só não foi um fiasco total porque seus fomentadores são bons de articulação e ótimos para criar confusão e atrapalhar o país. Ninguém fora do nicho vermelho ainda leva a sério essas pautas esquerdistas. Como bem lembrou Rodrigo Constantino, “o PT é o partido que mais tem aposentadorias especiais, enquanto finge atuar pelos mais pobres, uma quadrilha de privilegiados e marginais que querem viver à custa do povo trabalhador”.

Como sempre, os inconformados com a democracia fazem o melhor que sabem: em lugar de encaminhar suas reivindicações pelos meios próprios da política institucional, preferem apelar para a bagunça. Como sempre, a estratégia é paralisar parte do transporte público, impedindo os brasileiros de chegar a seus locais de trabalho. Assim, os profissionais do caradurismo contabilizam os que não querem fazer greve como “grevistas”, sem mencionar que, programando a greve para uma sexta-feira, muitos “grevistas” aproveitam para discutir alegremente a reforma da Previdência na mesa no boteco, valendo-se dessa oportuna “happy hour” proporcionada pelos sindicatos.

Sem força parlamentar suficiente para inviabilizar a reforma da Previdência no voto, os irresponsáveis, como sempre liderados pelo PT, pretendem ganhar no grito — e na base da mistificação. Em sua conclamação à greve, o partido do presidiário diz que é preciso empreender “todos os esforços para dizer não ao fim da aposentadoria” e que “não aceita a destruição do sistema de proteção social e da Previdência pública no Brasil”. Já o PSOL diz que a reforma da Previdência é “enganação” e “tende a excluir milhões de trabalhadoras e trabalhadores da possibilidade de ter uma proteção no futuro porque estabelece tempos de contribuição impossíveis de serem cumpridos”.

Nada disso é verdadeiro, lembra Augusto Nunes. Mas é perda de tempo argumentar com partidos e militantes conhecidos por falsear a realidade para proteger os interesses das corporações que representam, em especial a dos funcionários públicos. Sempre que se fala em reforma da Previdência, essas corporações movem seus exércitos para sabotá-la, já que qualquer reforma digna do nome deve, em primeiro lugar, atacar os privilégios do funcionalismo em relação aos aposentados do setor privado.

Os pobres, que o PT e seus satélites dizem defender ao hostilizar a reforma da Previdência, são justamente os mais prejudicados pelas atuais regras. Ademais, é essa parcela da população que mais padece em razão da enorme dificuldade do Estado de prestar serviços básicos, como saúde, educação, transporte e segurança pública, porque os recursos para esses fins são consumidos na cobertura do rombo previdenciário e em benesses para o funcionalismo.

Os pobres padecem também porque esses mesmos recursos drenados por aposentadorias precoces e por uma máquina pública inchada poderiam ser usados em investimentos para impulsionar o crescimento econômico e, como consequência, gerar as vagas tão necessárias para reduzir a chaga do desemprego e do subemprego, que hoje atinge mais de 40 milhões de brasileiros. Mas é evidente que os “grevistas” de hoje não estão nem remotamente preocupados com essa gente, que lhes serve somente como cínico pretexto para seus propósitos corporativos e políticos.

Felizmente os truques e engodos desses oportunistas há tempos enganam só os tolos — e hoje, quando muito, vão causar alguns transtornos no trânsito de algumas capitais e na vida de quem quer apenas trabalhar, mas não deverão atrapalhar a evolução da reforma da Previdência. E é bom que fique claro: para que a crise seja afastada de vez e que o País retome o caminho do desenvolvimento, em benefício de todos os brasileiros, essa reforma é apenas o começo.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM… (FINAL)

WE ARE ALL TIME TRAVELERS.

Se o futuro é uma possibilidade e o passado é uma lembrança, então o único estado de coisas que realmente existe é o presente. Mas como afirmar isso se a própria existência do tempo não é uma unanimidade entre os filósofos e cientistas?

Na visão do cosmólogo Carlo Rovelli, o tempo não é uma e linha reta pela qual as coisas fluem do passado para o futuro, mas uma variável resultante do aumento da entropia do cosmos ao longo dos últimos 13,8 bilhões de anos. 

Segundo o metafísico J. M. E. McTaggart, é possível atestar a inexistência do tempo usando somente o pensamento lógico e um baralho de cartas. 

A Grande Pirâmide de Gizé foi erguida no presente do faraó Queóps, que para nós significa 4,5 mil anos atrás. Se a realidade depende do ponto de vista do observador, então o presente não é uma data fixa no calendário, e um ponto de vista objetivo deve excluir o presente, o passado e o futuro. Esse mesmo raciocínio se aplica quando alguém diz "eu" — se esse pronome designa sempre a pessoa que fala, então ele não existe objetivamente, da mesma forma que "aqui" e "lá".

Se, assim como o espaço, que compreende apenas relações entre lugares (afastamento/proximidade), o tempo comporta somente relações entre acontecimentos mensuráveis (anterioridade/posterioridade), uma descrição objetiva do mundo não comporta presente, passado e futuro.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Lula já se definiu como "metamorfose ambulante" — talvez “metástase fosse uma definição mais adequada, mas isso é outra conversa. 

Na última quinta-feira, discursando num evento do PCdoB, o molusco ensinou que a esquerda precisa "acreditar que o deputado é importante", lançando uma profusão de candidatos ao Legislativo. Passados apenas quatro dias, fez exatamente o oposto do que lecionou ao nomear Boulos para um ministério palaciano.

Na prática, ele condenou o deputado a permanecer em seu governo até o final, tirando das urnas o maior puxador de votos da esquerda — que chegou à Câmara com pouco mais de 1 milhão de votos — 55 mil a mais que Carla Zambelli e 259 mil a mais que Eduardo Bolsonaro. 

No discurso da semana passada, Lula ensinou que PT, PCdoB, PDT, PSB e também o PSOL, partido de

Em tese, o macróbio não precisaria puxar o tapete do PSOL para usufruir das conexões sociais de Boulos. Sua incorporação à caravana da reeleição não estava condicionada à obtenção de uma poltrona de ministro, mas o gesto sinalizou para os partidos aliados que ele continua cultivando um tipo muito peculiar de parceria: “todos no mesmo barco e cada um por si”.

Se, à luz da Teoria da Relatividade, dois acontecimentos simultâneos deixam de sê-lo quando um observador está parado e o outro, em movimento, então nem o presente nem o futuro são absolutos, pois variam de acordo com a posição do observador. Uma mesa ou uma cadeira são reais do ponto de vista físico, já que são objetos formados por átomos, elétrons e quarks. Mas nem tudo o que existe no mundo segue as leis da física clássica. 

Mesmo que não existam no mundo real, o passado e o futuro nos parecem tão reais quanto a mesa ou a cadeira, já que o presente delimita o que deixou de ser real de um lado (o passado) e o que ainda não é real (o futuro). No entanto, a metáfora do “rio do tempo” (vide capítulos anteriores) rejeita o paralelismo entre o "aqui" e o "presente", posto que este não pode ser subjetivo no mesmo sentido que aquele. 

Quando estamos aqui e vamos a algum lugar, esse lugar passa a ser nosso "aqui", e o lugar de onde saímos, nosso "lá". Mas isso não se aplica ao "agora", já que o presente nos é imposto, o passado está fora do nosso alcance. Já avançar rumo ao que consideramos como futuro não só é possível como necessário, mas não depende de nós, e sim da realidade do tempo.

Explicando melhor: a decisão de ir a um lugar no espaço depende de cada um de nós, mas é o tempo que determina o que acontece antes e depois, organizando os fatos de forma irreversível. Isso significa que podemos nos mover pelo espaço, mas não podemos controlar o fato de o presente acontecer agora e depois virar passado, que acontece conforme a ordem do tempo. É por isso que temos a impressão de que o tempo se desloca em relação a nós, de que ele está sempre em movimento, queiramos ou não.

Como vimos nos capítulos anteriores, as metáforas do rio do tempo e do trem do tempo têm cada qual seus defensores e detratores. Os partidários da primeira acreditam no presente, e os partidários da segunda acham que o presente é apenas uma ilusão subjetiva. Mas não dá para dizer quem está certo: por um lado, o que acontece agora nunca aconteceu e, portanto, é objetivamente real; por outro, dizemos que uma coisa acontece agora porque somos contemporâneos dela, e o que se nos apresenta como passado ou futuro é tão objetivamente real quanto o que é presente para nós.

Na imagem do trem do tempo os acontecimentos estão ligados entre si por relações imutáveis de simultaneidade, anterioridade e posterioridade, mas a descrição realista do mundo é inexoravelmente atemporal. O Natal de 2024 aconteceu antes do Réveillon de 2025, que precedeu ao Carnaval, à Páscoa e ao Dia das Crianças. Isso era verdadeiro no passado, é verdadeiro agora e continuará sendo verdadeiro para sempre — tão atemporalmente verdadeiro quanto o fato de dois e dois serem quatro tanto hoje como ontem. Mas como pode haver tempo se nada muda? 

Não faz sentido falar em mudanças se não se pode distinguir o que é do que foi e do que será, se tudo é fixo, imutável, invariável. Para quem vê o mundo de fora — ou seja, do ponto de vista eternalista de um Deus onisciente, que abarca tudo num único olhar —, o tempo não existe: se não estamos no mundo e pensamos fora dele, não há que falar em passado, em futuro, e tampouco em tempo.

Por outro lado, pensar em mudanças nos leva a mergulhar de novo no rio do tempo e admitir que tudo muda o tempo todo: o que é futuro se torna presente, e o presente se torna passado. Mas se há presente no mundo, e se ele não é somente uma ilusão devida à nossa posição na história, então o passado não é real, já que o presente cessa tão logo se torna passado. E o futuro é ainda menos real, pois sequer chegou a ser real. No entanto, se há somente o presente, como explicar as mudança? 

Um ser consciente do estado do mundo, mas que não tivesse memória do passado nem imaginação do futuro, saberia tudo da realidade presente, mas nada veria mudar. Para dizer que uma coisa muda, é preciso poder dizer que ela não era o que passou a ser. Mas a memória do passado e a imaginação do futuro não são características do mundo, e sim da nossa consciência. Num mundo em que o presente é real, ele é o único a existir, e isso nos leva a outra negação do tempo.

A imagem do trem do tempo nos permite pensar a realidade das relações entre os acontecimentos sem presente, passado nem futuro, na medida em que implica uma visão eternalista que não exclui o tempo. Em contrapartida, a imagem do rio nos permite pensar a realidade do presente, mas exclui a realidade do passado e do porvir, impondo uma visão presentista que nos impede igualmente de pensar o tempo.

Ainda que o tempo não seja somente uma ilusão — o que se admite apenas por amor à argumentação —, é impossível encerrá-lo num conceito sem esbarrar em dificuldades insuperáveis ou em contradições. E mesmo que o presente não seja uma ilusão, é impossível dizer se ele existe fora de nós ou por nós, se depende do mundo ou de nossa consciência. Já o futuro é, dos três modos da temporalidade, aquele que tem menos existência, seja por ainda não ser, seja por mudar o tempo todo.

Vivemos necessariamente no presente. O passado e o futuro não existem, o que existe é um presente relativo ao passado — a memória —, um presente relativo ao presente — a percepção — e um presente relativo ao futuro — a expectativa. Para a consciência, porém, há somente o presente, pois o passado não é senão a memória presente do passado, e o futuro não é senão a imaginação presente do futuro.

Por esse prisma, o futuro não difere do passado ou do presente — que também mudam o tempo todo —, mas existe somente em nossa imaginação, pois varia em função do nosso presente, que é o hoje, não o ontem nem o amanhã. Por acharmos o futuro demasiado lento e ao apressarmos seu curso, esquecemo-nos do passado, mas, imprudentes que somos, não pensamos no único tempo que nos pertence, sonhamos com o que não existe mais e evitamos refletir sobre o único que subsiste. Assim, em vez de vivermos, esperamos viver.

Quando nos lembrarmos desse presente no futuro, ele será o passado que traremos de volta ao presente, ou seja, outro presente. Mas viver no presente exige inevitavelmente considerar o futuro — ou seja, ver a água do futuro fluir em torno de nós. Para estarmos aqui, devemos olhar adiante, para além de nós, e a todo instante ver e prever o porvir. Viver no presente é querer, é desejar, é esperar outra coisa que não é o presente, é projetar-se no futuro. Por isso sabemos que morreremos um dia, embora nos seja difícil imaginar isso, e por pensamos que a morte é somente o nada, a ausência de consciência, temos medo de partir desta vida demasiado cedo, quando ainda estamos vivos, de ficar do mundo enquanto ele continua a avançar sem nós, que continuamos a desejar no presente outro futuro, pois viver é estar voltado sempre para o futuro imediato de nossas intenções, ainda que distante das nossas aspirações.

Talvez a imagem do rio seja ilusória, mas é uma ilusão vital. O futuro é seguramente uma ilusão, já que existe apenas em função da nossa imaginação, em nossos temores, esperanças, medos e desejos. Até porque só o presente existe, e é nele que vivemos, mesmo que não seja ele que nos faça viver. Se nos ocupássemos somente do que o presente nos dá, não viveríamos: apenas sobreviveríamos sem finalidade, sem memória nem desejo, sem qualquer razão para viver. 

Estamos condenados a viver no presente, mas dele nos libertamos pela imaginação do futuro que não existe, mas que nos faz existir, dando sentido à nossa existência. Um futuro que não é mais o que era, que está sempre por se reinventar. 

Essa é a verdadeira definição da liberdade humana.

quinta-feira, 12 de março de 2026

MELHOR IDADE É A PQP

PIOR QUE ENVELHECER, SÓ MESMO MORRER JOVEM

O nascimento dá início a uma viagem rumo a um futuro que nunca chega (o hoje é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã), mas termina quando exalamos nosso derradeiro suspiro.


Não sabemos se o tempo realmente existe ou é apenas uma invenção criada por nossos antepassados para facilitar a compreensão do mundo, mas sabemos que envelhecer é inexorável — em última análise, a morte é a única certeza que temos na vida.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Não são apenas os erros que arruinam um magistrado, mas o modo como ele reage depois de cometê-los. Como se nada tivesse sido descoberto sobre ele, Dias Toffoli cogita participar do julgamento em que a Segunda Turma decidirá se avaliza a prisão de Vorcaro e três comparsas, decretada por André Mendonça.

Armou-se no Supremo um teatro para que Toffoli deixasse a relatoria do inquérito "a pedido", ou seja, sem a pecha da suspeição. Agora, sua excelência sinaliza aos colegas que vai exercitar sua "dignidade" no julgamento sobre a prisão de Vorcaro. É possível que ele lave a própria suspeição votando a favor da tranca, mas o teor do voto importa menos do que o respeito à lógica e às regras. Quem comete um erro e não o corrige está cometendo outro erro. Ou o Supremo amarra o guizo em algumas togas, ou fará da desmoralização de certos magistrados um processo de carbonização da supremacia do tribunal.


Viver para sempre é um sonho antigo. Na Grécia Arcaica (século VIII a.C. e século VI a.C.), acreditava-se que a água de um rio que nascia no Monte Olimpo tornava os homens imortais. Em 1513, Ponce de León partiu de Porto Rico em busca da lendária Fonte da Juventude e descobriu a Flórida, mas morreu oito anos depois sem jamais ter encontrado a tal fonte. 


Em 1932, quando a expectativa de vida dos norte-americanos era de 59,7 anos, Walter B. Pitkin publicou seu livro de autoajuda Life begins at forty. Entre 1960 e 2014, a expectativa de vida dos brasileiros aumentou de 48 para 74,6 anos. Aubrey de Grey — co-fundador da SENS — acredita que é possível viver por séculos sem sofrer os transtornos da velhice, mas bem poucas pessoas colhem mais de 100 margaridas dos jardins da existência. 


Ainda que a experiência siga as pegadas da maturidade, dizer que a “reta de chegada” é a melhor parte da “viagem” não passa de cantilena para dormitar bovinos, e chamar a terceira idade — fase da vida que começa aos 60 e termina quando as luzes da ribalta se apagam — de "melhor idade" — expressão cunhada por um "influencer" infectado pelo vírus da positividade tóxica, borrifada nas redes sociais por "idioters" e replicada pelos meios de comunicação — é ignorar pérolas de sabedoria como vecchiaia è bruta. 


Aos 93 anos, chamado a escolher a palavra mais bonita da língua portuguesa, o poeta Manoel de Barros — que dizia prezar insetos mais que aviões — escolheu "criança", talvez por ter envelhecido com brilho, beleza e arte. “Penso que envelhecer é atravessar uma fronteira invisível, que ninguém nos avisa exatamente quando ela chega; apenas percebemos que o tempo passou a caminhar não mais à frente, mas ao nosso lado, impaciente, silencioso, quase cúmplice”, disse ele.


Nem todo mundo envelhece, e aqueles que envelhecem nem sempre aceitam o passar do tempo com serenidade. Mas a experiência que vem com a idade nos ensina a escolher entre o que vale ficar e o que pode partir. Aliás, é na maturidade que o mundo deixa de ser promessa e passa a ser memória; o coração, cansado de batalhas inúteis, começa a buscar apenas aquilo que o sustenta; o corpo — esse companheiro fiel por décadas — começa a falhar em pequenos sinais — um joelho que reclama, uma visão que pede auxílio, uma dor que se instala sem convite.


A idade nos ensina a negociar com limites, a respeitar fronteiras internas, a aceitar que há ritmos que não voltam. A solidão visita com frequência os que envelhecem em silêncio: amigos partem, amores se transformam, lares se esvaziam e a memória vira companhia — às vezes, consolo; às vezes, ferida. 


Dizem que a delícia da velhice está num café sem pressa, num fim de tarde em silêncio, na alegria simples de estar. Que há uma delícia profunda em olhar para trás e reconhecer a própria trajetória, os afetos preservados, os erros superados, os recomeços possíveis. Que envelhecer é aprender a dizer não sem culpa, a escolher com mais clareza, a valorizar a presença de quem ficou. Mas nem todos (bem poucos, na verdade), recebem a velhice filosoficamente, como frisou Ruy Castro na crônica Melhor idade é a puta que te pariu, que merecia ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta. Confira:


A voz em Congonhas anunciou: Clientes com necessidades especiais, crianças de colo, melhor idade, gestantes e portadores do cartão tal terão preferência, etc.. Num rápido exercício intelectual, concluí que, não tendo necessidades especiais nem sendo criança de colo, gestante ou portador do dito cartão, só me restava a "melhor idade" - algo entre os 60 anos e a morte.


Para os que ainda não chegaram a ela, "melhor idade" é quando você pensa duas vezes antes de se abaixar para pegar o lápis que deixou cair e, se ninguém estiver olhando, chuta-o para debaixo da mesa. Ou, tendo atravessado a rua fora da faixa, se arrepende no meio do caminho porque o sinal abriu e agora precisa correr para salvar a vida. Ou quando o singelo ato de dar o laço no pé esquerdo do sapato equivale, segundo o João Ubaldo Ribeiro, a uma modalidade olímpica.


Privilégios da "melhor idade" são o ressecamento da pele, a osteoporose, as placas de gordura no coração, a pressão subindo como placar de basquete americano, a falência dos neurônios, as baixas de visão e audição, a falta de ar, a queda de cabelo, a tendência à obesidade e as disfunções sexuais. Ou seja, nós, da "melhor idade", estamos com tudo, e os demais podem ir lamber sabão.


Outra característica da "melhor idade" é a disponibilidade de seus membros para tomar as montanhas de Rivotril, Lexotan e Frontal que seus médicos lhe receitam e depois não conseguem retirar. Outro dia, bem cedo, um jovem casal cruzou comigo no Leblon. Talvez vendo em mim um pterodáctilo da clássica boemia carioca, o rapaz perguntou: Voltando da farra, Ruy? Respondi, eufórico: Que nada! Estou voltando da farmácia! E esta é, de fato, uma grande vantagem da "melhor idade": você extrai prazer de qualquer lugar a que ainda consiga ir. 


Primeiro, a aposentadoria é pouca e você tem que continuar a trabalhar para melhorar as coisas. Depois vem a condução. Você fica exposto no ponto do ônibus com o braço levantado esperando que algum motorista de ônibus te dê uns 60 anos. A análise é rápida, leva uns 20 metros. Quando ele para, vem a discussão se você tem mais de 60 ou não.


Dias atrás entrei no ônibus e fui dizendo: Sou deficiente. O motorista me olhou de cima a baixo e perguntou: Que deficiência você tem? Eu respondi: Sou broxa"! Ele deu uma gargalhada e eu entrei. Logo apareceu alguém para me indicar um remédio. Algumas mulheres curiosas ficaram me olhando e rindo... Eu disse bem baixinho para uma delas: Uma mentirinha que me economizou R$3,00, não fica triste não.


Fui até o Arpoador ver o pôr do sol. Subi na pedra, mas velho tem mais dificuldade. E tem sempre alguém que quer ajudar a subir: Dá a mão aqui, senhor! Hum, dá a mão é o cacete, penso, mas o que sai é um risinho meio sem graça. Sento na pedra para olhar a paisagem, mas a pedra é dura, e velho já perdeu a bunda; quando senta, sente os ossos em cima da pedra e tem de trocar de posição a toda hora. E para ver a paisagem não pode deixar de levar os óculos, senão nada vê. Resolvo ficar de pé para economizar os ossos da bunda e logo passa um idiota e diz: O senhor está muito na beira pode ter uma tontura e cair. Resmungo entre dentes: Só se cair em cima da sua mãe, mas dou um risinho e digo que está tudo bem.


A merda do sol está demorando a descer, então eu é que vou descer, meus pés já estão doendo e o sol nada. Vou pensando - enquanto desço e o sol não: Voltar de metrô é mais rápido. Já no metrô, me encaminho para a roleta dos idosos, e lá está um puto de um guarda que fez curso sabe Deus em que faculdade, mas tem olho crítico e consegue saber a idade de todo mundo. Ele olha sério para mim, segura a roleta e diz: O senhor não tem 65 anos, precisa pagar a passagem. A esta altura do campeonato eu já me sinto com 90, mas, quando ele me reconhece mais moço, me irrompe um fio de alegria e vou todo serelepe comprar o ingresso.


Durante o trajeto, não fui suficientemente rápido para me sentar nos lugares que esvaziavam. Com os pés doendo, fico em pé, já nem lembrando se o sol baixou ou não. Só quero chegar em casa e tirar os sapatos. E aliviar a ligeira dor de barriga se prenuncia. 


Lá pelo centro da cidade, eu me segurando, dou de olhos com uma menina de uns 25 anos que me encarava... Me senti o máximo. Me aprumei todo, estufei o peito, fiz força no braço para o bíceps crescer e a pelanca ficar mais rígida, fiquei uns 3 dias mais jovem. Quando ela ameaçou falar alguma coisa, meu coração palpitou. É agora... Joguei um olhar 32 (aquele olhar de Zé Bonitinho), e ela pegou na minha mão e disse: O senhor me parece tão cansado, não quer se sentar?


Melhor Idade??? Melhor idade é a puta que te pariu!

terça-feira, 18 de junho de 2019

A GREVE GERAL — MAIS DO MESMO



A pretexto de protestar contra a reforma da Previdência, partidos políticos opositores ao governo e centrais sindicais ligadas ao PT e seus satélites convocaram uma greve geral para a última sexta-feira. Mais uma vez, a população foi usada como massa de manobra (ou “idiotais úteis”, como disse nosso insigne presidente em outra oportunidade) pelos vagabundos de sempre e com os motivos e os métodos de sempre: boicotar reformas necessárias e atacar gente séria para defender bandidos, valendo-se de terrorismo, violência, obstrução de vias em dia útil, quebra-quebras, e por aí afora.

Segundo o MBL: Brasil: onde sindicato faz greve pra pobre continuar se aposentando aos 65 anos e ganhando salário mínimo enquanto o patrão se aposenta 10 anos mais cedo ganhando 5 vezes mais. Fora que sindicato apoia o político picareta lá em Brasília que vai se aposentar ganhando R$ 30 mil. É muita palhaçada. Milhões de desempregados e a esquerda tem a incrível ideia de uma greve para ninguém trabalhar. Que picaretagem.

A tal greve geral só não foi um fiasco total porque seus fomentadores são bons de articulação e ótimos para criar confusão e atrapalhar o país. Fora do nicho vermelho, porém, quase ninguém mais leva a sério essas pautas esquerdistas. Segundo Rodrigo Constantino: “O PT é o partido que mais tem aposentadorias especiais, enquanto finge atuar pelos mais pobres; uma quadrilha de privilegiados e marginais que querem viver à custa do povo trabalhador.”

Como é de praxe, os inconformados com a democracia preferem apelar para a bagunça em vez de encaminhar suas reivindicações pelos meios próprios da política institucional. Como sempre, a estratégia é paralisar parte do transporte público, de modo a impedir os cidadãos de chegar ao trabalho e, assim, contabilizar os que não querem fazer greve como “grevistas”. Isso sem mencionar que, com a greve para uma sexta-feira, a adesão aumenta com a participação dos “grevistas” que, valendo-se dessa oportuna “happy hour” proporcionada pelos sindicatos, discutem alegremente a reforma da Previdência nas mesas dos botecos, valendo-se dessa oportuna.

Sem força parlamentar suficiente para obstruir a reforma da Previdência no voto, os irresponsáveis, invariavelmente liderados pelo PT, tentam ganhar no grito — e na base da mistificação. Em sua conclamação à greve, o partido do presidiário diz que é preciso empreender “todos os esforços para dizer não ao fim da aposentadoria” e que “não aceita a destruição do sistema de proteção social e da Previdência pública no Brasil”. Já o PSOL diz que a reforma da Previdência é “enganação” e “tende a excluir milhões de trabalhadoras e trabalhadores da possibilidade de ter uma proteção no futuro porque estabelece tempos de contribuição impossíveis de serem cumpridos”.

Nada disso é verdadeiro, como salienta o jornalista Augusto Nunes. Mas é perda de tempo argumentar com partidos e militantes conhecidos por falsear a realidade para proteger os interesses das corporações que representam, em especial a dos funcionários públicos. Sempre que se fala em reforma da Previdência, essas corporações movem seus exércitos para sabotá-la, já que qualquer reforma digna do nome deve, em primeiro lugar, atacar os privilégios do funcionalismo em relação aos aposentados do setor privado. 

Os pobres, que o PT e seus satélites dizem defender ao hostilizar a reforma da Previdência, são justamente os mais prejudicados pelas atuais regras. Ademais, é essa parcela da população que mais padece em razão da enorme dificuldade do Estado de prestar serviços básicos, como saúde, educação, transporte e segurança pública, porque os recursos para esses fins são consumidos na cobertura do rombo previdenciário e em benesses para o funcionalismo. Os pobres padecem também porque esses mesmos recursos drenados por aposentadorias precoces e por uma máquina pública inchada poderiam ser usados em investimentos para impulsionar o crescimento econômico e, como consequência, gerar as vagas tão necessárias para reduzir a chaga do desemprego e do subemprego, que hoje atinge mais de 40 milhões de brasileiros. Mas é evidente que os “grevistas” de hoje não estão nem remotamente preocupados com essa gente, que lhes serve somente como cínico pretexto para seus propósitos corporativos e políticos.

Felizmente os truques e engodos desses oportunistas há tempos enganam só os tolos. Quando muito, causam alguns transtornos no trânsito de algumas capitais e na vida de quem quer apenas trabalhar. E é bom que fique claro: para que a crise seja afastada de vez e que o País retome o caminho do desenvolvimento, em benefício de todos os brasileiros, essa reforma é apenas o começo.

Com Augusto Nunes

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

POWERTOYS PARA O WINDOWS 10


A AUSÊNCIA DA EVIDÊNCIA NÃO SIGNIFICA EVIDÊNCIA DA AUSÊNCIA.

O Windows sempre foi extremamente personalizável, e continua sendo. Todavia, as configurações avançadas não são intuitivas nem podem ser encontradas nos submenus da interface do sistema. Para preencher essa lacuna, a Microsoft criou o Editor do Registro (mais conhecido como regedit).

Usar o regedit para manipular o importante banco de dados dinâmico que o Windows consulta a cada inicialização, altera durante a sessão e salva, com as respectivas alterações, sempre que é encerrado é um passeio no parque para geeks e companhia e uma Caixa de Pandora para maioria dos usuários domésticos comuns. Alterações indevidas no Registro podem comprometer a estabilidade do computador, ou mesmo impedi-lo de reiniciar. Daí a empresa de Redmond não facultar seu acesso via Menu Iniciar, Painel de Controle ou Ferramentas Administrativas do Windows; para convocá-lo, é preciso teclar Win+R para abrir o menu Executar, digitar regedit na caixa ao lado de Abrir: e clicar em OK.

OBSERVAÇÃO: Jamais altere qualquer parâmetro do Registro sem antes criar um ponto de restauração e um backup da chave do Registro que será manipulada. Para criar um ponto de restauração no Windows 10, digite criar ponto na caixa de pesquisas da Barra de Tarefas, clique na opção Criar ponto de restauração ― Painel de controle. Na tela seguinte, clique no botão Criar, dê ao novo ponto o nome desejado, torne a clicar em Criar, aguarde a conclusão do processo, confirme e encerre. Para criar um backup do Registro, digite regedit na caixa de pesquisas da Barra de Tarefas, clique em regedit (executar comando) e em Sim na caixa de diálogo que é exibida em seguida. Na tela do Editor, abra o menu Arquivo e selecione a opção Exportar. Em “Intervalo de exportação”, marque TODOS para efetuar backup de todo o Registro ou clique em RAMIFICAÇÃO SELECIONADA e digite o nome da chave que você deseja exportar (recomendável). Dê então um nome ao arquivo, indique o local onde quer salvá-lo (Área de Trabalho, por exemplo) e clique em Salvar. Caso queira desfazer as modificações mais adiante, dê um clique direito sobre o arquivo de backup (que é salvo com a extensão .REG), escolha a opção Mesclar e confirme a restauração.

Para quem não gosta de viver perigosamente, as ferramentas de Tweak são sopa no mel, pois permitem editar o Registro facilmente e com segurança, além de oferecerem diversas possibilidades de configuração, resumos explicativos e comandos executáveis mediante simples cliques do mouse e reduzirem significativamente as possibilidades de danos no sistema, pois permitem desfazer facilmente as alterações. 

O saudoso Windows XP contava com o Windows PowerToys (da própria Microsoft), que incluía o excelente Tweak-UI. Mas o XP não é mais suportado, e o app não foi reescrito para as edições posteriores. Para preencher essa lacuna no Win10, eu costumava indicar o freeware Ultimate Windows Tweaker 4 for Windows (para mais informações e download, clique aqui), mas descobri que existe uma edição revista e atualizada do velho PowerToys desenvolvida especificamente para essa edição do sistema. O número de ferramentas é bastante limitado (na comparação como o leque que era disponibilizado para o XP), mas a forma de instalação é a mesma: basta baixar o os arquivos de instalação e executá-los no computador.

Interessado? Então faça o download faça o download da opção mais recente (com extensão MSI) e proceda à instalação normalmente. Ao final, você terá o FancyZones e o Guia de Atalhos rodando no seu PC. Vamos aos detalhes:

O FancyZones é uma solução para quem deixa muitas janelas de programas abertas ao mesmo tempo e precisa otimizar o uso do espaço do monitor. Ele permite criar zonas onde as janelas deverão ficar ativas. Para utilizá-lo, você deve clicar no item PowerToys que será adicionado à lista de programas do menu Iniciar e clicar no ícone que será exibido na área de notificação (junto ao relógio do sistema) Na janela que se abre em seguida, selecione FancyZones e clique em Edit zones. Feito isso, selecione o layout que você deseja usar para as suas janelas de programas e repare que, ao movimentar uma janela, basta pressionar a tecla Shift e arrastar o programa para a área desejada para que o Windows a redimensione automaticamente.

A segunda ferramenta do novo PowerToys (Guia de Atalhos)não é recurso novo como o FancyZones, mas somente uma referência para usar melhor os atalhos do Windows 10 que utilizam a tecla "Win" (aquela que exibe o logo do Windows). Assim, para saber quais são os atalhos e funções que ela oferece, basta mantê-la pressionada até que uma janela com os atalhos seja exibida (lembrando que, para isso, o PowerToys deve estar em execução).