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domingo, 1 de março de 2026

COMPLEMENTOS QUE NÃO PODEM FALTAR NO CHURRASCO

A POLÍTICA É A CIÊNCIA DA CORRUPÇÃO.

Além das carnes suculentas, um bom churrasco inclui acompanhamentos que vão do clássico ao criativo. Bons exemplos são os molhos à campanha, vinagrete e chimichurri, mas alguns comensais não dispensam uma Salada Cesar cujas folhas crocantes, molho cremoso e lascas de parmesão ornam perfeitamente com carnes grelhadas.

Se você está entre aqueles que preferem farofa de ovo, derreta 100 g de manteiga numa frigideira, adicione meia cebola picada e 2 dentes de alho picados e refogue bem. Junte mais 100 g de manteiga e 6 ovos batidos, mexendo bem. Quando dourar, acrescente 150 g de farinha de mandioca fina e finalize com 1/2 xícara de cheiro-verde picado, sal e pimenta-do-reino a gosto.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Decorridos dois meses do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, o apoio de Tarcísio de Freitas continua sendo um compromisso de gogó. O governador de São Paulo condiciona nos bastidores seu empenho na campanha do filho do pai à formalização de um compromisso político que inclua o fim da reeleição.

Essa mesma promessa foi feita por Bolsonaro em 2018 e por Lula em 2022, mas ambos varreram-na para debaixo do tapete.

O instituto da reeleição foi embutido na Constituição Cidadã e aprovada no Congresso sob atmosfera vadia, com vozes de deputados pilhados numa fita estampando a compra de votos. Aprovada a PEC, Fernando Henrique se reelegeu em 1998; em 2020, com 23 anos de atraso, reconhecer que foi um erro, e hoje defende um mandato de cinco anos, sem reeleição.

Os operadores políticos da campanha bolsonarista esperam que a aliança com Tarcísio evolua do gogó para a concretização formal de um acordo, mas o êxito nas urnas contra um adversário que combina o carisma pessoal com o controle da máquina federal, é incerto.

Se a carbonização do sonho presidencial de Tarcísio serviu para alguma coisa, foi para reforçar a percepção de que, para os aliados da família Bolsonaro, a confiança cega é apenas um passo que antecede o arrependimento futuro.

O pão de alho é uma maneira saborosa de aproveitar pães franceses amanhecidos. Basta besuntá-los com uma pasta de alho, maionese, orégano, cheiro-verde picado ou outros temperos a gosto, polvilhar queijo provolone ralado, envolvê-los em papel-alumínio e levá-los à churrasqueira ou ao forno até que fiquem dourados e crocantes por fora, e macios por dentro.

Batatas ou polentas fritas também são excelentes acompanhamentos. Para fries sequinhas e crocantes como as do McDonald’s, o ideal é usar uma fritadeira elétrica industrial, mas você obtém bons resultados fritando-as em duas etapas. Numa panela de borda alta, aqueça o óleo a 120 °C–140 °C, coloque um punhado de batatas por vez (evitando que o óleo esfrie e elas grudem umas nas outras), retire-as antes que dourem, escorra-as numa peneira de metal e repita o processo com as demais. Ao final, aumente a temperatura para 180 °C, mergulhe as batatas “pré-fritas”, deixe-as atingir a cor desejada, torne a escorrer, salgue e sirva.

Observação: Polvilhar uma colher (sopa) de amido de milho sobre as batatas cruas e misturar até que fiquem levemente cobertas cria uma camada de proteção que evita o encharcamento. O resultado é ainda melhor se você as deixar de molho numa vasilha com água e duas colheres (sopa) de vinagre por 10 minutos, secá-las com um pano de prato e só então polvilhar o amido.

Para a polenta (calcule cerca de 80 g a 100 g por pessoa), dissolva 2 a 3 xícaras de fubá mimoso em um litro de água fria, mexa bem para não formar grumos, leve ao fogo médio e, quando começar a ferver, mexa sem parar por 10 a 15 minutos, até a polenta engrossar e começar a desgrudar do fundo da panela. Tempere com sal e pimenta e reserve. Em outra panela, refogue a cebola e o alho na manteiga até dourar levemente, misture esse refogado à polenta, despeje em um refratário untado com óleo, cubra e leve à geladeira por 4 a 6 horas ou até ficar bem firme. Na hora de degustar, você pode aquecer novamente, cortar em bastões  com a grossura de 1 dedo, empanar e fritar por imersão em gordura bem quente e grelhar, ou então degustá-la cremosa, com queijo ralado por cima. 

Para algumas pessoas, arroz branco, biro-biro, com alho ou dourado na manteiga são tão indispensáveis quando a linguiça, mas quando o acompanhamento rouba a cena é porque alguma coisa deu errado na grelha. 

Abusar da maionese de batata antecipa a sensação de saciedade, o que é útil quando a carne é pouca, mas frustrante para quem prefere picanha a salada russa. O mesmo vale para provolone grelhado (com orégano ou chimichurri seco), queijo coalho (pincelado com manteiga e ervas), queijo brie (envolto em papel-alumínio com alho assado ou mel), cebola em pétalas (direto na grelha) e alho inteiro assado (para espalhar no pão ou na carne).

No fim das contas, churrasco é menos sobre o que se serve e mais sobre não estragar o que já está bom.

Bom apetite.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

SOBRE O QUE VEM DEPOIS...

NA NATUREZA NADA SE CRIA, NADA SE DESTRÓI, TUDO SE TRANSFORMA. 

Tudo que existe no Universo é formado por partículas elementares, que se combinam de modo a criar qualquer coisa — de uma massa amorfa de moléculas a um ser vivo. 

Diante disso, o que entendemos por realidade é apenas um "visual" que o Universo escolheu para o imenso número de partículas que o compõem. 

Se tudo é basicamente energia, a vida em si é energia, e se a vida é energia, a morte não a destrói, apenas transforma. Mas transforma em quê, exatamente? 

Um Universo infinito com um número finito de combinações possíveis de partículas sugere a existência de universos paralelos. Como a imensa quantidade de matéria do Universo gera uma força gravitacional igualmente imensa, capaz de curvá-lo até deixá-lo esférico, vivemos numa superfície tridimensional inserida em uma esfera 4D.  Assim como um avião que voa rumo ao oeste por tempo suficiente acaba retornando ao ponto de partida, um viajante cósmico que seguir em linha reta pelo espaço por tempo suficiente acaba voltando a seu ponto de origem. Mas isso é outra conversa; a questão que se coloca é a finitude da vida. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

A despeito do mensalão, Lula se reelegeu em 2006, fez sua sucessora em 2010 e deixou o Planalto nos píncaros da popularidade. Também em 2006, o “poste” que o xamã petista fez eleger para prefeitar a capital paulista foi fragorosamente derrotado pelo “outsider” João Dória logo no primeiro turno — algo inédito desde a redemocratização.

Lula respondeu a duas dúzias de processos e foi condenado em dois a penas que, somadas, perfizeram mais de 20 anos de cadeia, mas deixou sua cela VIP na PF de Curitiba depois de míseros 580 dias e, graças a Jair Bolsonaro — o pior mandatário desde Tomé de Souza —, foi “descoordenado”, reabilitado politicamente e eleito para um inusitado terceiro mandato. 

Ministro da Fazenda desde o início da terceira gestão de Lula, Haddad — um dos piores prefeitos que Sampa já amargou — deve deixar o comando da pasta em fevereiro para colaborar com a campanha à reeleição de seu amo e senhor.

Haddad não chega a ser uma Dilma, mas jamais será um Palocci. Ele ajudou a conceber uma âncora fiscal — que só existiu para efeito de propaganda — e passou os últimos três anos tentando dourar a pílula do déficit, reafirmando um compromisso de equilíbrio das contas públicas que Lula e os números tratavam de desmoralizar diariamente. 

Se o Lula do primeiro mandato ainda se preocupava em dar ao mercado e aos investidores a impressão de que trataria as contas públicas com seriedade, o Lula do terceiro mandato pisou no acelerador dos gastos sem qualquer pudor. “Não tem macroeconomia, não tem câmbio: se tiver dinheiro na mão do povo, está resolvido o nosso problema”, disse ele no final do ano passado.

Sob certos aspectos, o eterno bonifrate de Lula encerrará sua gestão como o ministro da Fazenda possível dentro de uma gestão petista com essas características. A despeito de seu esforço pela aprovação da reforma tributária sobre o consumo, Haddad foi incapaz de defender a segunda parte da reforma — que alteraria o Imposto de Renda —, sucumbindo aos imperativos populistas de Lula e protagonizando o constrangedor pronunciamento em rede de rádio e TV no qual foi obrigado a anunciar o plano eleitoreiro do presidente de isentar de IR quem ganha até R$ 5 mil. Foi talvez o ponto mais baixo de sua trajetória como ministro da Fazenda.

Vade retro! 

Viver para sempre é um sonho antigo. Os gregos acreditavam a água de um rio que nascia no Monte Olimpo tornava os homens imortais, mas não sobrou ninguém vivo para contar a história. Ponce de León partiu de Porto Rico em busca da lendária Fonte da Juventude, descobriu Flórida, mas morreu sem jamais encontrar o que perseguia. Graças à evolução da Ciência, nossa expectativa de vida, que era de 47,1 anos na década de 1950, aumentou para 73,4 anos em 2023, e deve alcançar 82,1 no final deste século. Ainda assim, a "lei" segundo a qual todo ser vivo nasce, cresce e morre ainda não foi revogada.
 
O gerontologista Aubrey de Grey afirma que o envelhecimento não é uma consequência biológica. Segundo ele, se a medicina se antecipasse aos danos celulares, seria possível vivermos por séculos sem os transtornos da velhice". Já o biogerontologista molecular João Pedro de Magalhães sustenta que a chave para a longevidade está na reescrita de nossos "softwares" genéticos. "Se conseguíssemos criar células resistentes ao câncer e imunes ao envelhecimento, nossa expectativa de vida aumentaria para mais de mil anos", diz ele. Mas parece que falar é mais fácil que fazer: a pessoa mais longeva da história — noves fora Matusalém, que, segundo a Bíblia, teria vivido 969 anos — foi a francesa Jeanne Calment, que morreu com 122 anos e 164 dias. 
 
Moisés anotou no Gênesis que Deus criou o mundo em seis dias e descansou no sétimo. O arcebispo irlandês James Ussher foi mais além: em "The Annals of the World", ele cravou o início da obra divina pontualmente às 9h00 da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C. Mas o que é a Bíblia senão um conjunto de mitos, lendas e tradições culturais transmitidos oralmente por várias gerações, até serem escritos em papiro, entre os séculos XV e XIII a.C.?
 
As narrativas que compõem o Gênesis não fornecem uma explicação científica ou histórica sobre o passado, mesmo porque os fatos não foram registrados em tempo real. Já a Ciência busca evidências, procura comprová-las por meio de experimentos e pode modificá-las à medida que novas descobertas surgem. Assim, dar por verdade absoluta o que diz a Bíblia é rejeitar todo o conhecimento que a Física, a Atronomia e a Biologia acumularam nos últimos séculos. 
 
Segundo o que as evidências científicas indicam, o Universo nasceu há 13,8 bilhões de anos, a partir de uma colossal liberação de energia e matéria. O gênero Homo surgiu há 2,5 milhões de anos, e o Homo Sapiens, há cerca de 300 mil anos. Não se trata de conjecturas, mas de estimativas baseadas em fósseis, datações radiométricas e estudos de ossos e crânios descobertos por arqueólogos e paleontólogos. Consequentemente, a fábula de Adão, Eva e a serpente tentadora não passa de mera cantiga para dormitar embalar bovinos. 
 
O risco de ignorar a Ciência fica evidente quando novas descobertas desafiam antigas crenças. Mesmo quando elas soam ousadas demais — como quando Copérnico deslocou o homem do centro do cosmos, Darwin refutou o criacionismo e Freud questionou a centralidade da mente humana sobre si mesma — a comprovação pode até tardar, mas raramente falha. Evidências são indícios que apontam para a ocorrência de fatos; fatos são os acontecimentos propriamente ditos; e provas são os meios usados para demonstrar que os fatos efetivamente ocorreram. 
 
Se uma evidência cientifica contradiz um "ensinamento" bíblico, a chance de erro é a mesma de uma árvore arrancar as raízes do solo e sair andando, mas há quem a rejeite "em nome da fé", embora o faça por cegueira mental. A questão é que ignorar os fatos não os torna menos verdadeiros. A realidade se impõe, gostemos dela ou não. Negar as evidências científicas para sustentar dogmas é como insistir que a Terra é plana enquanto se viaja de avião ao redor do globo.
 
Fé e religião costumam andar juntas, mas não se deve confundi-las. A fé é uma experiência subjetiva, uma crença íntima que pode existir independentemente de qualquer doutrina ou instituição. Já a religião envolve ritos, dogmas e uma estrutura organizacional. Muitas pessoas praticam uma religião por tradição familiar ou convenção social, enquanto outras cultivam uma fé pessoal sem seguir nenhuma religião.
 
Voltando à pergunta inicial, nosso nascimento marca o início de uma viagem rumo a um futuro que nunca chega — vivemos sempre no hoje, que é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã. Não sabemos sequer se o tempo existe realmente ou se foi inventado para facilitar nossa compreensão do mundo. A única certeza que temos na vida é a da inevitabilidade da morte, mas se tudo se resume basicamente a energia, então a "vida" pode ser um estado organizado e consciente dessa energia, e a morte, a dissipação desse arranjo.
 
No nível físico, os restos mortais se reintegram ao ciclo da natureza — átomos que um dia foram parte de estrelas e, noutro, formaram um vivente, voltam à terra, ao ar, ao oceano. Mas o que acontece com a consciência? Será ela um fenômeno emergente da organização da matéria que a morte do corpo funde ao tecido do universo ou apaga como a chama de uma vela? A Física sugere que informação não se perde, apenas se redistribui, mas tentar entender isso é descobrir que, na prática, a realidade pode ser ainda mais maluca do que imaginamos. 
 
Talvez o aspecto mais fascinante da Ciência não seja as respostas que oferece, mas as perguntas que se descortinam a partir dessas respostas. A busca pelo conhecimento e a exploração de incógnitas abrem caminho para novas descobertas e levantam hipóteses que são testadas e discutidas, e a carência de respostas leva a novas pesquisas visando a uma compreensão mais profunda do Universo. Em suma, a Ciência é um processo contínuo e as perguntas são o motor que a impulsiona.
 
Se a vida é energia organizada de forma complexa, a questão central passa a ser o que define essa organização e o que acontece quando ela se desfaz. Se a energia nunca desaparece, apenas muda de forma, a morte não a extingue, apenas a redistribui na forma de energia térmica, química, ou mesmo eletromagnética. Mas e a consciência? Será que ela é um simples epifenômeno do cérebro, um efeito colateral da atividade neural, um software rodando no hardware do corpo? Se for assim, ela se apaga quando o cérebro morre e fim de papo. Mas se ela for um tipo de padrão energético que sobrevive à morte biológica, então temos um enigma cuja solução deve estar em algum ponto entre a Ciência e a especulação filosófica. 
 
Pode ser que, ao fim e ao cabo, nossa existência seja um tipo de fractal energético que se rearranja infinitamente, ou um flash temporário de organização dentro do caos cósmico, como uma faísca que brilha por um instante antes de se apagar. Algumas correntes da física teórica, como a interpretação da mecânica quântica por Roger Penrose e Stuart Hameroff, sugerem que a consciência pode estar ligada a processos quânticos nos microtúbulos das células cerebrais. 
 
Talvez a informação da consciência possa ser transferida de alguma forma, mas para onde ela iria? Se espalharia pelo universo como uma onda dissipada? Se conectaria a um "campo" maior de informação? E se a realidade que percebemos for apenas um efeito da maneira como interagimos com essas partículas fundamentais? Seria a morte apenas uma mudança na interface, após a qual a "energia consciente" continuaria existindo de outra forma? 

The answer, my friend, is blowing in the wind.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

DE VOLTA À GUERRA DOS NAVEGADORES

NAVEGAR É PRECISO, MAS CONVENCER O INTERNAUTA A MUDAR DE NAVEGADOR É UMA BATALHA TRAVADA NÃO NO CÓDIGO, MAS NA PERCEPÇÃO. 

Em meio à Guerra Fria, o Departamento de Defesa dos EUA criou a Advanced Research Projects Agency Network, cujo objetivo era criar um sistema de comunicação descentralizado e resistente a ataques. 


Inicialmente, o acesso à ARPANET ficou restrito ao uso militar e acadêmico, mas logo se estendeu a instituições governamentais, grandes corporações e, mais adiante, ao público em geral, sobretudo por meio de provedores como AOL, CompuServe e Prodigy.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ano eleitoral é sempre cheio de prognósticos quase sempre desmentidas pelos fatos, carrascos da reputação de adivinhos. Quem, em janeiro de 1989, cravaria que em dezembro a batalha final seria travada entre dois novatos no meio de duas dezenas de candidatos experientes tanto nas lides da ditadura quanto na trincheira de oposição ao regime? Mas Collor bateu Lula, deixando no ora veja gente como Ulysses Guimarães, Mário Covas, Paulo Maluf, Leonel Brizola e mais 16 outros concorrentes.

Cinco anos e um impeachment depois, seria eleito o ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, que começou a campanha com ínfimos índices de intenção de votos nas pesquisas, mas derrotou Lula no primeiro turno e repetiu o feito em 1998.

O tucano de plumas vistosas não conseguiu emplacar o sucessor no ano de 2002, que se iniciou com apostas em Roseana Sarney, cuja candidatura derreteu junto com a exibição de fotos de dinheiro apreendido no escritório do marido. No rebuliço político do mensalão, a reeleição parecia impossível, mas Lula não apenas conseguiu, como elegeu e reelegeu Dilma, que acabou impedida em 2016.

No início de 2018, o inexpressivo deputado do baixo clero Jair Bolsonaro era piada, o centro ainda apostava em Aécio Neves (PSDB) e ninguém sonhava que Lula seria preso para em 2022 voltar ao poder. Como se vê, vaticínios na política são produtos perecíveis.

 

A popularização da Internet entre os usuários domésticos se deveu em grande parte ao surgimento de navegadores amigáveis, como o Navigator, que foi lançado em 1994 pela Netscape Communications Corporation. Em 1995, a Microsoft criou o Internet Explorer, disponibilizou-o como parte de pacotes adicionais do Windows 95 e, mais adiante, integrou-o ao Windows 98. Graças a essa estratégia, o IE desbancou o rival e a manteve a liderança até maio de 2012, quando foi finalmente superado pelo Google Chrome.


Em julho de 2015, após esgotar todas as tentativas de revitalizar o IE, a empresa criou o Edge e o integrou-o ao Windows 10, que disponibilizou gratuitamente para usuários de máquinas compatíveis que rodavam versões 7 SP1 e 8.1 do sistema. Dessa vez, porém, a estratégia não funcionou. Muitos usuários ficaram incomodados com insistência da empresa em “empurrar” o software — “Dê uma chance ao Microsoft Edge”, lia-se em uma caixa de diálogo exibida de forma insistente — e com a dificuldade de configurar o Chrome como navegador padrão na nova versão do sistema. 

 

Apesar de ser inovador sob diversos aspectos, o Edge rodava somente no Windows 10 — ou seja, não era compatível nem mesmo com as versões anteriores do sistema. A baixa adesão desmotivou os desenvolvedores parceiros a criar extensões (plugins) para ele, desestimulando ainda mais sua popularização. A Microsoft adicionou suporte às versões anteriores do Windows e outras plataformas, inclusive móveis, e tentou criar um ecossistema saudável de extensões para o Edge, mas não funcionou, e a solução foi criar uma nova versão “do zero” baseada no Projeto Chromium (que serve de base para o Opera, o Vivaldi e o próprio Chrome, entre outros). 

 

O Edge Chromium, lançado em 2020, é compatível com outras plataformas — como Android e iOS —, possui sua própria loja de complementos e aceita extensões da Chrome Web Store. Ainda assim, aparece em terceiro lugar no ranking de navegadores do StatCounter Global Stats, com apenas 4,5% de participação, atrás do Google Chrome (65%) e do Apple Safari (18%), que, vale lembrar, só roda no macOS e no iOS. O Mozilla Firefox ocupa a quarta posição, com 3%, seguido pelo Opera, com 2%, apesar de ser o único dos cinco navegadores que oferece VPN integrada gratuita.

 

A Microsoft vem tentando reduzir a migração de usuários do Edge para o rival. Em ocasiões anteriores, foram testadas pesquisas exibidas durante o download do Chrome e até mudanças no Edge que dificultavam encontrar o link de instalação do concorrente. Agora a abordagem é usar mensagens publicitárias diretamente nos resultados de busca.


Quem abrir o Edge e buscar pelo Chrome no Bing verá um aviso promocional com a frase “All you need is right here” (tudo que você precisa está aqui) destacando as qualidades do navegador da Microsoft, bem como uma tabela comparando os dois navegadores. Entre outros argumentos, a empresa afirma que “o Edge roda na mesma tecnologia que o Chrome, com a confiança adicional da Microsoft”, e oferece atalhos rápidos para serviços populares como YouTube, WhatsApp e Instagram.

 

O Edge recebeu diversas melhorias nos últimos anos. Ficou mais rápido, ganhou ferramentas integradas de IA e continuará recebendo suporte após o fim do ciclo de vida do Windows 10. Ainda assim, muitos usuários continuam preferindo o Chrome, e a intenção da Microsoft é convencê-los a usar o navegador nativo destacando semelhanças técnicas e reforçando a ideia de segurança por estar dentro do ecossistema da empresa. No entanto, práticas como essa podem produzir efeito oposto ao desejado se as pessoas enxergarem a ação não como sugestão, e sim como forma de pressão.

 

No fim das contas, a disputa entre navegadores não se resume a desempenho ou recursos, mas à confiança do usuário — e essa, como a história mostra, não se conquista com insistência, mas com consistência.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

O HALLOWEEN E O SEGUNDO CAPÍTULO SOBRE NOTEBOOKS

DEUS É UMA CONSTRUÇÃO LUCRATIVA E AUTOSSUSTENTÁVEL DAS IGREJAS DO MUNDO.

A origem do Halloween é incerta. Acredita-se que tudo começou com o Samhain dos antigos celtas, que festejavam a passagem do ano em 31 de outubro. Posteriormente, visando atenuar o cheiro pagão da festa, o papa Gregório III mudou o Dia de Todos os Santos de 13 de maio para 1º de novembro, e o papa Gregório IV estendeu a observância do All Saints Day (1º de novembro) e do All Souls Day (2 de novembro) a todos os católicos, fortalecendo as celebrações católicas em oposição às práticas pagãs.

Por influência dos ingleses, todo 31 de outubro os americanos decoram suas casas e ruas com temas "assustadores", e crianças fantasiadas de bruxas, múmias, fantasmas e caveiras ameaçam pregar peças em quem lhes negar guloseimas. No Brasil, a data se popularizou a partir de filmes e, mais recentemente, da Internet — para o gáudio dos comerciantes que vendem doces, fantasias e decorações. Vale destacar que o Dia do Saci foi instituído como forma de valorizar nosso folclore e a figura do Saci-Pererê, mas a iniciativa foi tão bem-sucedida quanto a campanha de Bolsonaro à reeleição (detalhes nesta postagem).

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Quando o Windows 11 transformou meu Dell Inspiron Intel Core i7/1TB/8GB numa carroça, resolvi aposentá-lo e usar um desktop com CPU Intel quad-core i7-4790 3.6GHz, 32 GB de RAM DDR3 e SSD de 2 TB — um verdadeiro portento, mas que não atendia aos requisitos do novo sistema da Microsoft. Quando a máquina apresentou um problema cuja solução seria a troca da placa-mãe, eu a substituí por um Mac Pro e dei uma banana para o Windows.

Notebooks são ideais para quem precisa de mobilidade, mas também funcionam muito bem como computadores de mesa — basta conectá-los a um monitor e a um combo de teclado e mouse (cabeado ou wireless). Por outro lado, custam mais caro que desktops de configuração equivalente e, como a maioria dos recursos de hardware é integrada à placa-mãe, as possibilidades de upgrade se limitam à memória RAM e ao SSD — e, em alguns casos, ao processador.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Lula vive um dilema do tipo Dr. Jekyll e Mr. Hyde — personagens do romance Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, do escocês Robert Louis Stevenson, que também é autor de A Ilha do Tesouro.  

Na campanha de 2022, o então candidato sinalizou que não permitiria que o monstro ocupasse o corpo do médico para reivindicar outra reeleição. "Eleito, serei presidente de um mandato só", prometeu. Agora, alardeia até na Indonésia o desejo prematuro de obter um quarto mandato.

Lula não sabe como separar o médico do monstro. Até Janja deve ter dificuldades para saber quando está falando com o presidente ou com o candidato. Seu ministro do marketing, deveria mandar confeccionar dois broches, um com a letra 'P' e outro com a letra 'C'. No discurso de Jacarta, Lula usaria o broche de presidente, evitando passar pelo ridículo de dizer ao presidente indonésio coisas como "eu vou disputar um quarto mandato no Brasil", ou que chegou aos 80 anos "com a mesma energia" de quando tinha 30.

Noutros tempos, vigorava a ideia de que cargo eletivo era um calvário para o qual se era convocado pelos correligionários. Depois que FHC comprou a PEC da reeleição, admitir a volúpia pelo poder passou a ser sinal de franqueza. Mas Lula exagera no desprezo à etiqueta.

Ulysses Guimarães ensinava que "o Itamaraty só dá ou tira voto no Burundi" (uma minúscula república africana). No exercício da diplomacia presidencial, o Sun Tzu de Atibaia exagera ao levar sua candidatura para passear na Ásia. Políticos que não ambicionam o poder erram o alvo, mas aqueles que só ambicionam o poder viram alvo.


A obsolescência programada é um artifício usado pela indústria para estimular a troca de aparelhos por modelos de última geração, supostamente superiores, mesmo que os "velhos" estejam em boas condições de conservação e funcionamento. No entanto, de tempos em termos a evolução tecnológica nos obriga a substituir nossos dispositivos computacionais celulares e computadores por modelos novos, compatíveis com as exigências dos sistemas e programas atuais.


No caso dos PCs, máquinas com mais de cinco anos de uso não rodam o Windows 11, e o suporte ao Windows 10 foi encerrado no último dia 14. No caso dos smartphones, modelos de entrada com dois ou três anos de uso deixam de receber atualizações do sistema e patches de segurança, e mesmo quem não se preocupa com segurança acaba numa sinuca de bico: o WhatsApp deixou de rodar recentemente nas versões anteriores ao Android Lollipop (5.0) e em iPhones que "estacionaram" no iOS 12.5.7Nessa hora, é importante escolhermos um aparelho que atenda nossas necessidades, caiba em nosso orçamento e não se torne ultrapassado antes de terminarmos de pagá-lo.

Recentemente, a Samsung e a Motorola passaram a oferecer sete atualizações do Android para seus modelos premium e cinco para algumas versões intermediárias. Já os notebooks trazem o Windows 11 pré-instalado — alguns modelos mais baratos trazem apenas uma distro Linux ou sequer incluem sistema operacional, mas isso é outra conversa. Interessa dizer que um PC com mais anos de estrada dificilmente será compatível com o Windows 11, e continuar com a versão anterior significa deixar de receber correções de erros e atualizações de segurança.

Num mundo ideal, a maioria de nós compraria um computador novo a cada três ou quatro anos e trocaria de celular na metade desse tempo. O problema é que vivemos num país de terceiro mundo, com salários de quinto e a maior carga tributária do planeta, mas isso não muda o fato de que, mais ora, menos ora, a troca será inevitável. Se for o seu caso, a boa notícia é que o site da Amazon oferece diversos modelos com processadores de última geração, armazenamento em SSD, excelente custo-benefício e descontos expressivos.

O Dell Inspiron I15 é sopa no mel para quem não pode gastar muito. O processador Intel Core i3 de 12ª geração, combinado com 8GB de RAM e SSD de 512GB, garante um desempenho ágil no uso diário, com inicialização rápida e resposta imediata na multitarefa, e a tela de 15,6 polegadas Full HD com taxa de atualização de 120Hz oferece conforto visual, cores vivas e fluidez nas imagens. O preço baixou de R$3.199 para R$2.879, e pode ser parcelado em até dez vezes sem acréscimos.

Se você precisa de um notebook mais potente, mas acessível, o Lenovo IdeaPad Slim 3 15IRH10 integra processador Intel Core i5 de 13ª geração, 8GB de RAM DDR5, SSD de 512GB e e tela WUXGA de 15,3 polegadas. A bateria promete autonomia de 10 horas, e o carregamento rápido garante 2 horas de uso com apenas 15 minutos na tomada. O preço atual é de R$3.120, que também pode ser dividido em 10 parcelas mensais sucessivas.

O ASUS Vivobook 15 X1504VA-NJ1745W é um exemplo de equilíbrio entre desempenho e estilo. Equipado com CPU Intel Core i5 de 13ª geração, 16GB de RAM DDR, SSD de 512GB e tela Full HD de 15,6 polegadas, ele garante inicializações quase instantâneas, alto desempenho em tarefas de produtividade, navegação e até jogos leves, além de imagens nítidas. O modelo está em oferta na Amazon por R$2.969 (antes R$3.599), com parcelamento em até doze vezes.

Para quem deseja potência real, seja para jogos, edição de vídeos ou softwares pesados, o Lenovo LOQ-E traz o Intel Core i5-12450HX com NVIDIA GeForce RTX 3050, 8 GB de RAM, SSD de 512 GB e tela Full HD de 15,6 polegadas com taxa de atualização de 144Hz, além de teclado retroiluminado ABNT2 com bloco numérico, ideal para longas sessões de uso. Ele está disponível por R$4.299, com parcelamento em até dez vezes.

Continua...

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

MENTIRAS QUE SOAM VERDADEIRAS

É MELHOR UM FIM HORROROSO DO QUE UM HORROR SEM FIM.  

A maioria de nós já ouviu dizer que avestruzes enterram a cabeça na areia quando estão assustados, que preguiças são preguiçosas, que porcos são sujos, que golfinhos estão sempre sorrindo, que elefantes nunca esquecem, que Lula foi absolvido e que Bolsonaro foi condenado injustamente. Só que nada disso é verdade. 


No que tange aos avestruzes, as fêmeas colocam a cabeça no buraco que usam como ninho para virar os ovos várias vezes durante o dia — se realmente enterrassem a cabeça para não ver o perigo, como diz a lenda, as pobres aves morreriam asfixiadas. 


As preguiças se movem devagar porque seu metabolismo as obriga a economizar energia, e como não andam sobre as solas dos pés, mas se arrastam com suas longas garras, sua locomoção nas árvores e no solo é lenta e desajeitada. Por outro lado, elas se movem velozmente na água e dormem cerca de 10 horas por dia — bem menos que os gatos e outros animais domésticos.


Os porcos são animais naturalmente asseados. Eles defecam longe de onde comem, dormem e acasalam, mas, como não conseguem suar, refrescam-se chafurdando na lama — o que lhes dá a aparência de sujos. Por outro lado, é impossível manter-se limpo quando se vive confinado num chiqueiro pequeno, superlotado e imundo.


Os golfinhos são brincalhões e parecem sorrir porque o formato de suas mandíbulas cria essa ilusão. Mas são incapazes de mudar de expressão, e podem ser surpreendentemente desagradáveis e traiçoeiros, chegando a atacar outros mamíferos marinhos e até pessoas quando se sentem ameaçados.


Os elefantes possuem o maior cérebro entre os mamíferos terrestres. Seu lobo temporal — extremamente desenvolvido — permite memorizar cheiros, vozes, lugares, hierarquias, vínculos familiares e comandos de voz. Eles são capazes de reconhecer outros elefantes — e até humanos — após décadas de separação, bem como de manter relações complexas dentro da manada, que a matriarca conduz por rotas migratórias antigas, guiada por lembranças de locais com água e comida.


Assim como afirmar que “os elefantes não esquecem” é uma simplificação poética embasada na ciência, dizer que os eleitores brasileiros fazem, a cada dois anos, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez por curiosidade, é uma simplificação poética embasada na mitologia grega.


Celebrizada pelo jornalista Ivan Lessa, a máxima segundo a qual os brasileiros esquecem, a cada 15 anos, o que aconteceu nos últimos 15, ilustra a quintessência da falta de memória — ou de preparo — do nosso eleitorado. Aliás, em momentos distintos da ditadura, Pelé e o ex-presidente João Figueiredo alertaram para o risco de misturar brasileiros e urnas em eleições presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas como contestá-los, se lutamos tanto pelo direito de votar para presidente e elegemos gente como Lula, Dilma e Bolsonaro?


Em 135 anos de história republicana, 35 brasileiros foram alçados à Presidência pelo voto popular, eleição indireta, linha sucessória ou golpe de Estado. Em agosto de 1961, a renúncia de Jânio Quadros ladrilhou o caminho para o golpe de 1964, que depôs João “Jango” Goulart do Palácio do Planalto e deu início a duas décadas de ditadura militar.


Em 1989, depois de 29 anos sem votar para presidente e podendo escolher entre Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola — de um cardápio com mais de 20 postulantes — a plebe ignara preferiu despachar Collor e Lula para o segundo turno. O caçador de marajás de mentirinha derrotou o desempregado que deu certo por 683.920 a 215.177 votos válidos, provando que memória histórica e senso crítico não são pré-requisitos para exercer o direito de voto.


Collor foi empossado em março de 1990 e penabundado em dezembro de 1992. Em 1994, graças ao bem-sucedido Plano Real, Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda de Itamar Franco, elegeu-se presidente no primeiro turno. Picado pela “mosca azul”, comprou a PEC da Reeleição.


Como quem parte, reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, o tucano de plumas vistosas renovou seu mandato no ano seguinte — novamente no primeiro turno. Mas não há nada como o tempo para passar. Em 2002, sem novos coelhos para tirar da velha cartola, não conseguiu eleger seu sucessor: Lula derrotou José Serra por 61,27% a 38,73% dos votos válidos.


Em 2006, apesar do escândalo do mensalão, o petista venceu Geraldo Alckmin por 60,83% a 39,17% dos votos válidos. Em 2010, visando manter aquecida a poltrona que tencionava disputar dali a quatro anos, fez eleger um “poste” — Dilma Rousseff —, que pegou gosto pelo poder, fez o diabo para se reeleger, entrou em curto-circuito e foi desligada em 2016, pondo fim a 13 anos e fumaça de lulopetismo corrupto.


Com o impeachment da mulher sapiens, Michel Temer passou de vice a titular do cargo. Num primeiro momento, a troca de comando pareceu alvissareira. Depois de mais de uma década ouvindo garranchos verbais de um semianalfabeto e frases desconexas de uma destrambelhada que não sabia juntar sujeito e predicado, ter um presidente que sabia falar — até usando mesóclises — foi como uma lufada de ar fresco numa catacumba. Mas há males que vêm para o bem e bens que vêm para pior.


O prometido “ministério de notáveis” revelou-se uma notável agremiação de corruptos, e a “ponte para o futuro”, uma patética pinguela. Depois que sua conversa de alcova com Joesley Batista veio a lume, Temer pensou em renunciar, mas foi demovido por sua tropa de choque.


Escudado das flechadas de Janot pelas marafonas da Câmara, o nosferatu que tem medo de fantasma concluiu seu mandato-tampão como pato manco e transferiu a faixa para um mix de mau militar e parlamentar medíocre travestido de outsider antissistema, que se tornou o pior mandatário tupiniquim desde Tomé de Souza.


Para provar que era amigo do mercado e obter o apoio dos empresários, o estadista que sempre acreditou em Estado grande e intervencionista e lutou por privilégios para corporações que se locupletam do Estado há décadas, foi buscar Paulo Guedes..


Para provar que era inimigo da corrupção e obter o apoio da classe média, o deputado adepto das práticas da baixa política, amigo de milicianos, que em sete mandatos aprovou apenas dois projetos e passou por oito partidos diferentes, todos de aluguel, foi buscar Sérgio Moro. 


Para obter o apoio das Forças Armadas, o oficial de baixa patente, despreparado, agressivo e falastrão, condenado por insubordinação e indisciplina e enxotado da corporação, foi buscar legitimidade numa penca de generais saudosos da ditadura.


Bolsonaro obrigou Moro a reverter uma nomeação, tomou-lhe o Coaf, forçou-o a substituir um superintendente da PF e esnobou seu projeto contra a corrupção. O ex-juiz fingiu que não viu, tentou negociar e, por fim, desembarcou do governo para tentar salvar o pouco prestígio que lhe restava.


Bolsonaro desautorizou Guedes, interferiu em seu ministério, sabotou seus projetos e, com o Centrão, enterrou de vez a agenda econômica. A maneira como gerenciou a pandemia de Covid foi catastrófica. Os crimes comuns e de responsabilidade cometidos pelo aspirante a genocida só ficaram impunes graças à leniência de Rodrigo Maia e Arthur Lira, que presidiram a Câmara durante sua gestão, e à cumplicidade de Augusto Aras, seu antiprocurador-geral.


Bolsonaro jamais escondeu a admiração pela ditadura militar e a vocação para o autoritarismo. Em 2019, poucos meses após a posse, reconheceu que não nasceu para ser presidente, mas para ser militar, embora tenha passado menos anos no Exército do que na política e, ao longo de 27 anos no baixo clero da Câmara, tenha apresentado 172 projetos, relatado 73 e aprovado apenas dois.


Na eleição de 2014, ao ver o poste de Lula derrotar o neto corrupto de Tancredo, Bolsonaro resolveu disputar a Presidência “com a cara da direita”. Ignorado pelo PP, que apoiou a campanha de Dilma, lançou seu ultimato: “Ou o partido sai da latrina ou afunda de vez”. Graças à Lava-Jato, a sigla afundou de vez. Graças à sua pregação antipetista, Bolsonaro renovou seu mandato como deputado mais votado do Rio de Janeiro, saltando de 120,6 mil votos em 2010 para 464,5 mil em 2014.


Derrotado em 2022 graças à sua nefasta gestão, Bolsonaro pôs em marcha a tentativa de golpe que lhe rendeu a condenação a 27 anos e 3 meses de prisão, além do pagamento de multa e indenização. O acórdão publicado na terça-feira (22) abriu o prazo de cinco dias para a interposição de embargos de declaração e de 15 dias para embargos infringentes.


Os embargos de declaração servem apenas para pedir esclarecimentos sobre o texto do acórdão — nada de rediscutir o mérito. Já os embargos infringentes permitiriam um novo julgamento no plenário, mas o Supremo já decidiu em outros casos que eles só são admissíveis quando há pelo menos dois votos favoráveis à absolvição — condição que, adivinhe, não se aplica à condenação do ex-presidente. Ele cumpre prisão domiciliar desde agosto e pode ser enviado ao Complexo Penitenciário da Papuda antes do final do ano.


Há males que o tempo cura, males que vêm para pior e males que pioram com o passar dos anos. Lula 3.0 é uma reedição piorada das versões 1 e 2 e, como nada é tão ruim que não possa piorar, o macróbio quer, porque quer, disputar a reeleição em 2026 — para nossa alegria (risos nervosos).


Vale lembrar que o ministro Fachin tomou a decisão teratológica de anular as condenações de Lula em caráter eminentemente processual. Como o mérito não foi analisado, o ex-presidiário não foi absolvido. Em outras palavras, o ministro agiu como um delegado que manda soltar um criminoso porque ele foi preso em flagrante pela Guarda Civil Metropolitana, e não pela Polícia Militar. Mesmo assim, o macróbio eneadáctilo alega que foi inocentado — e sua claque amestrada acredita.


As consequências da inconsequência do eleitorado tupiniquim são lamentadas todos os dias, inclusive por quem abriu a Caixa de Pandora achando que estava escolhendo o menor de dois males — o que só se justificaria se não houvesse outra opção. Tanto em 2018 quanto em 2022 havia alternativas; só não viu quem não quis ou não conseguiu, porque sofre do pior tipo de cegueira, que é a mental.

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Reza uma velha (e filosófica) anedota que quando Deus estava distribuindo benesses e catástrofes naturais pelo mundo recém-criado, um anjo apontou para o que seria futuramente o Brasil e perguntou: Senhor, por que brindas essa porção de terra com clima ameno, praias e florestas deslumbrantes, grandes rios e belos lagos, mas não desertos, geleiras, vulcões, furacões ou terremotos? E o Criador respondeu: Espera para ver o povinho filho da puta que vou colocar lá.


Resumo da ópera:


Bolsonaro foi eleito em 2018 graças ao antipetismo, mas a emenda ficou pior que o soneto. Sua nefasta passagem pelo Planalto resultou na “descondenação” de Lula e culminou com seu terceiro mandato, que vem se revelando pior do que os anteriores. E a possibilidade de ele se reeleger é assustadoramente real, mesmo porque, ironicamente, seu maior cabo eleitoral é Bolsonaro — e seus filhos despirocados, claro.


Se Sérgio Moro não tivesse trocado a magistratura pelo ministério da Justiça no desgoverno do capetão, é possível que a Lava-Jato ainda estivesse ativa e operante, e Lula ainda estivesse cumprindo pena em Curitiba, na Papuda ou no diabo que o carregue. Tanto ele quanto Bolsonaro são cânceres que evoluíram para metástases e, portanto, se tornaram inoperáveis. Mais cedo ou mais tarde, a Ceifadora livrará o Brasil desse mal. Até lá, a abjeta polarização seguirá a todo vapor — a menos que uma “terceira via” surja e se consolide ao longo do ano que vem.


Políticos incompetentes e/ou corruptos que ocupam cargos eletivos não brotam nos gabinetes por geração espontânea; se estão lá, é porque foram eleitos por ignorantes polarizados, que brigam entre si enquanto a alcateia de chacais se banqueteia e ri da cara deles — e dos nossos, de brinde.


Einstein teria dito que o Universo e a estupidez humana são infinitos, mas salientou que, no tocante ao Universo, ele ainda não tinha 100% de certeza. Alguns aspectos de suas famosas teorias não sobreviveram à passagem do tempo, mas sua percepção da infinitude da estupidez humana deveria ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta e pendurada no hall de entrada do Congresso.


Não há provas de que boas ações produzam bons resultados. A lei do retorno é mera cantilena para dormitar bovinos, mas insistir no mesmo erro esperando produzir um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço, e más escolhas inevitavelmente geram péssimas consequências — como temos visto a cada eleição presidencial desde 2002.


Triste Brasil.