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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

ESTRELAS QUE ENGOLIRAM PLANETAS

NENHUM TELESCÓPIO ALCANÇA A DISTÂNCIA DE UM PENSAMENTO DETERMINADO.

Uma questão que intriga os cientistas é se existem buracos negros capazes de engolir galáxias inteiras.


Embora não haja consenso, a opinião dominante é de que essa possibilidade é desprezível, e a razão é basicamente uma questão de escala e de mecânica orbital.


Mesmo os buracos negros mais colossais, com massas bilhões de vezes superiores à massa solar, são minúsculos quando comparados às galáxias que os hospedam (algo como 0,1% a 0,5% da massa do bojo de sua galáxia). Isso já dá uma pista de como a hierarquia de escalas é desproporcional, embora o fator decisivo seja orbital.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Noutros tempos, o 7 de Setembro era o sagrado Dia da Independência. Sob Bolsonaro, a data tornou-se alerta de golpe. Hoje, virou comício. Mas não deve mexer significativamente nos ponteiros das pesquisas.

Lula acionou clarins gastos, que ele toca desde o ano passado. Na noite de domingo, num discurso transmitido em rede nacional, disse que "defender a independência é defender a soberania" e que o Brasil "não será colônia de ninguém". 

Espelhando-se no pai, Flávio Bolsonaro apimentou o ato convocado para a Avenida Paulista e adicionou ao "fora Lula" o "fora Moraes". Atira pedras no magistrado sob um telhado de vidro. Pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro — valor da mesma magnitude dos R$ 131 milhões do contrato firmado entre o Master e o escritório de Viviane Barci, a mulher de Moraes.

Nos gráficos das pesquisas eleitorais, as linhas que representam candidatos rivais são como mandíbulas de jacaré. Quando a diferença aumenta, a boca se abre. Quando diminui, ela se fecha. Nas sondagens mais recentes, o molusco macróbio e o primogênito do refugo da escória da humanidade aparecem estatisticamente empatados no segundo turno. Mas a visão de ambos sobre a força eleitoral do 7 de Setembro pode ser apenas ilusão de ótica; o jacaré não deve bocejar. Talvez nem soluce.

A campanha de Lula é assombrada pelo espírito do Curupira — figura lendária do folclore brasileiro, o Curupira é um moleque que vive na floresta, tem os cabelos avermelhados e os pés virados para trás. Entre maio e julho, o petista abriu oito pontos de vantagem sobre o rival na simulação de segundo turno da Quaest. Desde então, só deu marcha à ré. A distância caiu para zero. No levantamento desta segunda-feira, 7 de Setembro, os dois aparecem empatados em 41%. O jacaré fechou a boca.

Lula recua com dois espinhos nos pés: endividamento e corrupção. O percentual de eleitores que dizem ter muitas dívidas (28%) voltou ao patamar de maio, mês em que foi lançado o Desenrola 2. Desde a semana passada, a menção à corrupção como maior problema do país saltou seis pontos — de 14% para 20%. O tema só perde para a violência no ranking das preocupações do eleitor.

Não bastasse o efeito Lulinha, o candidato ao quarto mandato agora receia ser atingido por estilhaços da vidraça de Alexandre de Moraes. Entrementes, fingindo que não pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, Bolsonarinho ajustou seu bordão, colando no "fora Lula" um "fora Moraes".

A síndrome do Curupira corrói também o índice de avaliação de Lula. Em julho, o saldo entre sua aprovação e a desaprovação estava positivo em um ponto percentual. Agora, está sete pontos no vermelho. A 26 dias do primeiro turno, é uma péssima notícia para quem reivindica uma re-re-re-reeleição.


A grande maioria das estrelas de uma galáxia segue órbitas estáveis e de longa duração em torno do centro galáctico, e o mesmo vale para a maior parte do gás e da poeira interestelar — exceto, claro, pela fração que está sendo ativamente perturbada, em colisão, ou caindo em direção ao centro por perda de momento angular (que é uma fração pequena, mas não nula). Por outro lado, a gravidade não é uma força de "sucção" — ela rege órbitas. Para algo cair num buraco negro, esse algo precisa perder momento angular, e isso normalmente exige um evento dissipativo (colisão, atrito com gás, perturbação gravitacional de outra estrela) que retire energia orbital. Sem isso, a matéria simplesmente continua girando, possivelmente por bilhões de anos.


Os buracos negros supermassivos surgem durante fusões entre galáxias, quando dois buracos negros centrais eventualmente coalescem, somando massas — mas isso ainda está longe de "engolir uma galáxia". Mesmo cenários dramáticos, como o destroçamento de uma estrela que se aproxima demais (os chamados tidal disruption events), afetam objetos isolados, não a galáxia como um todo.


Os buracos negros supermassivos engordam por dois caminhos, nenhum deles parecido com o de um predador faminto. O primeiro é o acréscimo paciente de gás, que espirala lentamente disco adentro — processo capaz de acender um núcleo galaticamente ativo, ou até um quasar, mas que mal arranha a quantidade de matéria disponível na galáxia. O segundo se dá nas fusões entre galáxias, quando os buracos negros centrais de cada uma, depois de uma dança gravitacional que pode levar éons, acabam coalescendo e somando suas massas. De qualquer forma, isolados ou combinados, esses processos seguem a anos-luz de distância de qualquer coisa parecida com "engolir uma galáxia inteira


Por outro lado, existe uma exceção teórica de prazo extremamente longo: em uma escala de tempo muito além da idade atual do universo (estimativas especulativas falam em 1019 - 1020 anos), e interações gravitacionais cumulativas poderiam, em princípio, ejetar a maior parte das estrelas de uma galáxia ou fazê-las espiralar para o centro — um processo de "relaxamento" dinâmico de longuíssimo prazo. Mas isso é qualitativamente diferente de um buraco negro "puxando" tudo para si de forma ativa; é mais um efeito coletivo e gradual do sistema como um todo, e permanece no campo da extrapolação teórica.


Concluído esse (não tão) breve preâmbulo, passamos ao tema central desta postagem, que tem a ver com uma nova técnica desenvolvida por cientistas da USP que identifica estrelas que engoliram planetas. Além disso, segundo os pesquisadores, sistemas solares estáveis como o nosso talvez sejam menos comuns do que se imaginava, o que impacta o surgimento de vida complexa.


O estudo analisou um sistema binário formado por duas estrelas muito semelhantes entre si — chamadas HD 129171 e HD 129209 — ambas com características físicas, químicas e de atividade magnética semelhantes às do nosso Sol. Em princípio, estrelas binárias como essas deveriam apresentar praticamente a mesma composição química, pois nasceram ao mesmo tempo e da mesma nuvem molecular (aglomerados de poeira e gás que funcionam como berçários estelares). Não obstante, os pesquisadores encontraram diferenças significativas entre elas.


Os cientistas já suspeitavam que algumas estrelas poderiam incorporar planetas ou fragmentos planetários, mas o diferencial do novo trabalho foi demonstrar pela primeira vez que diferenças na abundância de berílio em estrelas binárias podem funcionar como marcadores confiáveis desse processo.


A estrela HD 129171 apresenta enriquecimento em elementos refratários — ou seja, que normalmente condensam em estado sólido e constituem planetas rochosos. Isso sugere fortemente que ela engoliu material planetário ao longo de sua evolução. 


O berílio possui uma característica importante: ele não é fabricado no “coração” das estrelas ao longo de sua evolução. Por isso, a assinatura desse elemento na luz que a estrela emite indica a presença de material rochoso – como restos de planetas – supostamente "engolido" muito tempo depois de ela ter se formado.


A maioria dos elementos químicos têm sua origem na nucleossíntese primordial — a formação dos primeiros núcleos atômicos nos minutos iniciais logo após o Big Bang — ou na nucleossíntese estelar — o processo de fusão nuclear que ocorre no interior das estrelas ao longo de suas vidas —, mas o berílio e o boro surgem principalmente por um processo chamado ‘espalação cósmica’, no qual partículas de alta energia fragmentam núcleos mais pesados, como carbono, nitrogênio e oxigênio, produzindo elementos mais leves. O lítio também é produzido principalmente por espalação, embora uma quantidade ínfima tenha surgido na nucleossíntese primordial e possa surgir também, em circunstâncias especiais, em alguns tipos de estrelas.


Para realizar o estudo, a equipe utilizou dados obtidos com o espectrógrafo UVES, instalado no Very Large Telescope do Observatório Europeu do Sul, no Chile. As observações mostraram que a HD 129171 possui abundância significativamente maior de elementos refratários – como ferro, magnésio, silício, cálcio e titânio – em comparação com sua companheira HD 129209. Além disso, a estrela apresenta excesso tanto de lítio quanto de berílio — padrão compatível com a ingestão equivalente a mais de 11 vezes a massa da Terra de material rochoso. Esse material pode ter vindo de um único grande planeta ou da soma de vários corpos menores, mas, no caso de estrelas semelhantes ao Sol, a mistura interna é tão eficiente que a assinatura química final não permite distinguir esses cenários.


Os cientistas também discutiram os mecanismos dinâmicos capazes de levar planetas a cair em suas estrelas hospedeiras, entre os quais as interações gravitacionais entre planetas, perturbações produzidas por estrelas companheiras e processos de migração orbital. Uma implicação importante do estudo diz respeito à possível raridade de sistemas solares estáveis, como o nosso, com planetas gigantes em órbitas externas quase circulares e planetas rochosos em órbitas internas estáveis. Além desses sistemas não surgirem com frequência, poucos análogos de Júpiter em órbitas comparáveis à do gigante gasoso do nosso sistema solar foram observados até agora.


Sistemas binários são muito comuns na Via Láctea. Estimativas atuais indicam que aproximadamente metade das estrelas da nossa galáxia possui uma companheira gravitacional, e como ambas se formam praticamente ao mesmo tempo e a partir da mesma nuvem molecular, diferenças químicas entre elas constituem um forte indício de que processos posteriores – como a ingestão de planetas – alteraram sua composição original.


Isso pode ter implicações diretas para a existência de vida complexa, que não só precisaria de bilhões de anos para surgir e evoluir, como também o planeta teria que permanecer em uma órbita suficientemente estável para sobreviver a perturbações gravitacionais importantes. 


Resumo da ópera: Se as diferenças químicas observadas em estrelas binárias fossem causadas por heterogeneidades na nuvem primordial que lhes deu origem, isso exigiria revisão de modelos atualmente aceitos sobre formação estelar. Os resultados obtidos pela equipe favorecem, porém, a hipótese de ingestão planetária.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 117ª PARTE

A INCERTEZA QUE ESVOAÇA DESGRAÇA MAIS DO QUE A PRÓPRIA DESGRAÇA.

Vimos que a possibilidade de viajar no tempo é admissível à luz da física, mas não à luz da lógica: segundo a conjectura de proteção cronológica, o próprio universo impede ações que criem paradoxos ou alterem o futuro. 


Pode-se argumentar que isso não passa de teoria, mas a existência dos buracos negros, proposta no século XIX, permaneceu no campo das loterias até 2019, quando foi confirmada com a publicação das imagens do M87* que o Event Horizon Telescope havia capturado dois anos antes.


Observação: Einstein não foi o primeiro a propor a existência dos buracos negros, mas foi sua Teoria da Relatividade Geral que tornou o tema tão popular.


Vimos também que a ciência ainda não conseguiu explicar satisfatoriamente a queda das maçãs, o brilho das estrelas, o funcionamento dos átomos e o espaço-tempo, e que as duas teorias mais bem-sucedidas da história da física descrevem o universo de maneiras muito diferentes. De um lado está a relatividade geral, formulada por Einstein em 1915, que explica com precisão o macrocosmo, e do outro a mecânica quântica, que rege o comportamento das partículas elementares, dos átomos e das forças que atuam no microcosmo. A questão é que elas descrevem o universo de maneiras muito diferentes. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O ato de 7 de Setembro em Brasília virou um "palanque de constrangimentos" em meio à crise institucional no STF, visto que a comemoração do Dia da Independência reuniu os presidentes dos Três Poderes e expôs tensões entre autoridades. 

Todos os ministros da Corte foram convidados. No ano passado, eles não compareceram devido ao julgamento de Bolsonaro; neste, apenas Edson Fachin, presidente do Supremo, deu o ar de sua graça. 

Além de Lula e de Fachin, marcaram presença os presidentes da Câmara e do Senado. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, está às turras com o advogado-geral da União, Jorge Messias, mas ambos subiram, embora não se tenham cumprimentado.

Alcolumbre também está em pé de guerra com o chefe da PF, após seu nome ter sido suscitado em um relatório apócrifo da inteligência que serviu de base para o pedido de investigação do ministro André Mendonça pelo colega Alexandre de Moraes, que vivem uma guerra aberta devido ao caso Master.

O cenário reforçou o caráter excepcional do evento, ocorrido num momento em que o Supremo vive "uma crise institucional inédita", com contornos políticos em meio à disputa eleitoral na qual o molusco eneadáctilo tenta a reeleição. Aliás, houve uma assessoria jurídica para que não houvesse nenhuma extrapolação que pudesse ser depois motivo de ação na justiça eleitoral contra a campanha do xamã petista.


Na relatividade geral, a gravidade não é uma força convencional, mas uma deformação da própria geometria do espaço-tempo; na mecânica quântica, todas as interações são descritas em termos de partículas e campos quânticos sujeitos a probabilidades e flutuações aleatórias. O problema surge quando se tenta aplicar simultaneamente as duas teorias em ambientes extremos — como o interior de um buraco negro ou os instantes iniciais do Big Bang. Nesse contexto, as equações entram em conflito, como se dois mapas perfeitamente corretos da mesma cidade deixassem de coincidir quando colocados um sobre o outro.


Considerando que o universo é um só, seria de supor que uma única descrição fundamental explicasse todos os seus fenômenos. Como a natureza parece obedecer a duas coleções diferentes de regras dependendo da escala observada, os cientistas buscam desenvolver uma "Teoria de Tudo", que seja capaz de unificar todas as forças da natureza e explicar simultaneamente o mundo do infinitamente grande e do infinitamente pequeno.


A Teoria de Tudo seria o equivalente científico do Santo Graal, da Pedra Filosofal e do mapa do tesouro na mesma escavação arqueológica. Todavia, a despeito dos bilhões de dólares investidos e de algumas das mentes mais brilhantes da história envolvidas na busca, essa teoria ainda não foi encontrada. Mas isso não impediu os físicos de produzirem hipóteses extraordinárias em escala industrial, como veremos no próximo capítulo.


Antes de encerrar, relembro que as viagens no tempo são o fruto mais cobiçado (e ainda não alcançado) da árvore da relatividade, e que não faltam teorias sobre voltar no tempo como nos filmes de ficção científica. No entanto, faltam respostas para muitas perguntas sobre a verdadeira natureza do tempo: será que ele existe realmente ou é apenas um artifício criado quando nossos antepassados perceberam padrões no amanhecer e no anoitecer, nas fases da Lua e nas mudanças sazonais. Mal comparando, seria como aprender a dirigir automóveis quando existiam somente carroças de tração animal. 


Como bem observou o filósofo austro-britânico Ludwig Wittgenstein, os problemas filosóficos surgem quando a linguagem sai de férias. A física pode ser um excelente exemplo disso: ao longo do último século, palavras familiares como tempo, existir e atemporal foram reaproveitadas em contextos técnicos sem que se examinasse o significado que elas carregam na linguagem cotidiana, levando a uma confusão generalizada sobre o que esses termos realmente significam.

 

Na filosofia da física, particularmente em uma visão conhecida como eternalismo, a palavra "atemporal" dá a ideia de que o tempo não flui nem passa, que todos os eventos são igualmente reais dentro de uma estrutura quadridimensional conhecida como Universo em bloco. Mas se tudo o que acontece ao longo da eternidade é igualmente real e todos os eventos já estão lá, o que realmente significa dizer que o espaço-tempo existe? 


Para entender essa questão, é preciso ter em mente que "existência" é um modo de ser e "ocorrência", de acontecer. Imagine que há um elefante ao seu lado. Você provavelmente diria “o elefante existe”, e poderia descrevê-lo como um objeto tridimensional. Agora imagine um elefante puramente tridimensional que aparece na sala por um instante e desaparece como um fantasma. Esse elefante não existe realmente no sentido comum, mas simplesmente acontece.


Um elefante existente perdura ao longo do tempo, e o espaço-tempo cataloga cada momento de sua existência como uma linha de universo quadridimensional. Já o elefante imaginário que acontece é apenas uma fatia espacial desse tubo; um momento tridimensional. Mas e o espaço-tempo? Será que ele perdura, tem seu próprio conjunto de momentos “agora”, ou é apenas a variedade de todos os eventos que acontecem ao longo da eternidade?


Se imaginarmos que todos os eventos ao longo da história “existem” dentro do Universo em bloco, então poderíamos perguntar: quando o próprio bloco existe? Se não se desenrola nem muda, ele existe atemporalmente? Se sim, então estamos sobrepondo outra dimensão do tempo a algo que deveria ser atemporal no sentido literal. 

 

Para entender isso melhor, imagine uma estrutura de cinco dimensões, sendo três espaciais e duas temporais. Em tese, o segundo eixo temporal permite dizer que o espaço-tempo quadridimensional existe exatamente da mesma forma que normalmente pensamos que um elefante na sala existe dentro das três dimensões do espaço que nos rodeiam — que catalogamos como espaço-tempo quadridimensional. 


Nesse ponto, saímos da física estabelecida, que descreve o espaço-tempo apenas através de quatro dimensões e somos levados a outro problema: falar sobre o que significa a existência do espaço-tempo sem reintroduzir o tempo por uma porta conceitual que a física não reconhece é como tentar descrever uma música que existe de uma só vez — sem jamais ser tocada, ouvida ou desdobrada no tempo —, ou querer saber o que existe ao norte do Polo Norte.


OBSERVAÇÃO: Nosso blog — criado em 9 de setembro de 2006 para embasar a criação
do livro
BLOGS&WEBSITES da minha saudosa COLEÇÃO GUIA FÁCIL INFORMÁTICA
—, sopra hoje sua vigésima velinha. Todavia, tendo vista a conjuntura geral e as eleições de outubro em particular, não vejo motivo para grandes comemorações.


Continua...

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

DE VOLTA À INCONSISTÊNCIA DOS TEXTOS BÍBLICOS

QUANTO MAIS EXTRAORDINÁRIA FOR UMA ALEGAÇÃO, MAIS SÓLIDA DEVERÁ SER A EVIDÊNCIA QUE A SUSTENTA.

Toda cultura no mundo tem seu livro sagrado — a Bíblia para os cristãos, a Torá para os judeus, o Alcorão para os muçulmanos, e assim por diante.


Cada um é diferente do outro, mas todos são uma mistura de mitos, lendas e tradições orais acumuladas ao longo dos séculos, e nenhum deles oferece uma explicação científica ou histórica do passado. E nem poderia, pois literatura religiosa não é jornalismo e tampouco leva em conta o conhecimento acumulado nos últimos séculos em áreas como física, astronomia e biologia.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Lulinha e Marcola viraram duas goteiras tóxicas. Investigados pela Polícia Federal como traficantes de influência, o filho e o homem de confiança de Lula acumularam extravagâncias. Descobertas pelos investigadores, as estripulias vão corroendo o comitê da campanha à reeleição.

Ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola recebeu uma joia com diamantes de Roberta Luchsinger, a lobista do Careca do INSS. A peça foi comprada para o Dia das Mães. Custou R$ 9.000. A defesa diz que o valor é parte dos R$ 249 mil que Marcola pediu emprestado. Obviamente, Marcola não ouviu quando sua mãe rogou: "Cuidado com as companhias, meu filho".

Estrela de três inquéritos, Lulinha travou com a lobista Roberta diálogos sugestivos. Num deles, a amiga festejou a parceria: "Nosso nível tá outro. Nosso futuro é Suíça". Os investigadores detectaram encontros dos dois com Marcola e outro assessor do gabinete de Lula: Swedenberger Barbosa, o Berg.

O consolo dos operadores políticos de Lula é que a PF investiga também a mordida de Flávio Bolsonaro no bolso de Daniel Vorcaro. Pediu R$ 134 milhões. Levou R$ 61 milhões. A questão é saber de onde virá a última gota, aquela que fará o copo transbordar.


As religiões surgiram a partir do misticismo dos nossos antepassados mais remotos, que atribuíam tempestades, terremotos, eclipses e outros fenômenos naturais a forças sobrenaturais. Mas não se deve confundir religião com fé, pois tanto é possível ter fé e não ser religioso quanto seguir uma religião sem ter fé.


O propósito das religiões é "religar" o homem a Deus, mas cada vertente — cristã, budista, hinduísta, xamânica, espiritualista, gnóstica, etc. — define "Deus" à sua maneira, e em vez de levar à unidade, ao amor e ao bem de todos, atende a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam para manipular os menos esclarecidos.


Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. As religiões perderam muito da empatia que tinham nos tempos de antanho depois que tornaram uma cabine de pedágio para o céu. Todas elas são a verdade sagrada para quem as professa, mas não passam de fantasia para os fiéis das outras vertentes. Não há crença, por mais absurda que seja, que não tenha seguidores fanáticos, dispostos a pegar em lanças para defendê-las. 


Um sábio disse certa vez que a diferença entre o homem e Deus é que o homem esqueceu que é divino. Quando a Bíblia diz que devemos "construir nosso templo" e fazer isso "sem ferramentas e sem ruído", o sentido oculto expresso nas entrelinhas é de que se trata do nosso corpo: "Vós sois o tempo de Deus" (Coríntios 3:16). No entanto, grande parte do mundo religioso parece estar esperando um templo de tijolos — como prega a Profecia Messiânica — em vez do templo de nossas mentes.


As religiões sempre concitaram seus sectários a abraçar os conceitos de fé e crença que a ciência considera mera superstição. Mas vale lembrar que, a despeito de toda a evolução ocorrida nos últimos séculos, os cientistas ainda não sabem ao certo se o tempo existe ou se não passa de uma construção humana para colocar ordem no caos. E assim como o tempo, os "milagres" continuam sendo um mistério que desafia tanto a fé quanto a razão.


Entre outros fenômenos que os religiosos chamam de "milagres" e os cientistas não são capazes de explicar, cito a remissão espontânea de certos tipos de câncer, os relatos de pacientes que ficaram mais de 40 minutos sem sinais vitais e retomaram funções vitais sem intervenção médica direta, e o relicário com sangue de São Januário que se liquefaz todos os anos em Nápoles diante de milhares de fiéis.


Santa Teresa de Ávila e Santa Bernadete de Lourdes, mortas em 1582 e 1879, respectivamente, tiveram seus corpos exumados décadas ou séculos depois, e eles foram encontrados em estado de conservação surpreendente, sem sinais de decomposição ou odor, a despeito de não terem sido embalsamados. Em 1917, cerca de 70 mil pessoas relataram ter visto o sol girar em espiral e emitir luzes coloridas após uma aparição mariana — o fenômeno foi reconhecido pelo Vaticano, mas nunca explicado pela ciência.


Historicamente, todos os grandes avanços científicos começaram com uma ideia simples que ameaçou o status quo, e mentes medíocres sempre atacam o que não entendem. A esfericidade da Terra foi tachada de impossível e o heliocentrismo, de heresia, até que um dia o mundo se tornou redondo e o Sol passou a ser o centro do sistema solar. 


A ideia da existência de um ser superior é plausível, mas acreditar na versão rancorosa e vingativa do Velho Testamento é ridículo. Qualquer pessoa minimamente esclarecida rejeita a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem com os anjos ou assando lentamente em um espeto na churrasqueira de um anjo caído. 


O mesmo se aplica às narrativas sobre Moisés, que teria aberto o mar vermelho, tirado água de uma pedra a golpes de cajado e morrido sem poder entrar na terra prometida por Jeová a Abraão e seus descendentes, como castigo por não ter atribuído os "milagres" ao vaidoso Criador.


Observação: Moisés supostamente escreveu os cinco livros do Pentateuco (Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) durante sua longa caminhada pelo Deserto do Sinai. Curiosamente, o Deuteronômio narra sua morte, o que seria impossível se ele mesmo o tivesse escrito. Há também referências a reis de Israel em passagens do Gênesis, numa época em que a monarquia ainda não existia. Sem falar que o trajeto entre o Egito e Canaã, estimado em cerca de 450 quilômetros, poderia ser feito a pé em poucas semanas, o que torna implausíveis os 40 anos de peregrinação.


Sobre a Torre de Babel, a ideia de Deus ter feito uma espécie de "reset" nos indivíduos para que eles passassem a falar línguas diferentes é outro dos inúmeros absurdos que recheiam o Velho Testamento. A antropologia indica que idiomas são construções culturais desenvolvidas por seres humanos, e não criações instantâneas de entidades sobrenaturais. As narrativas bíblicas surgiram inicialmente de forma oral e só foram registradas muito tempo depois. Se a escrita hebraica ainda não estava consolidada, qual teria sido o sistema de escrita utilizado nas tábuas dos Dez Mandamentos? 


Observação: Segundo uma anedota clássica do humor judaico, Moisés desceu do Monte Sinai carregando três tábuas e anunciou solenemente: "O Senhor, Deus de Israel, deu-vos estes quinze..." — e aí uma das tábuas escorrega e se despedaça no chão — "...dez mandamentos!"


Voltando à fantasiosa narrativa do Êxodo, se a chegada à Canaã ocorreu por volta de 1210 a.C., após quarenta anos no deserto, a saída do Egito teria acontecido aproximadamente em 1250 a.C., durante o reinado de Ramsés II. Isso significa que Moisés teria cerca de 80 anos ao deixar o Egito e 120 ao morrer na região de Moabe. 


Abraão, segundo a cronologia bíblica tradicional, teria nascido por volta de 1812 a.C. e partido de Harã rumo a Canaã aos 75 anos de idade. A distância aproximada entre Harã e Canaã é de cerca de 680 quilômetros, apenas 230 quilômetros a mais do que a distância atribuída ao Êxodo, e a diferença de 230 km exigiria aproximadamente 5,1 dias a mais de caminhada.


Observação: Abraão teria vivido 175 anos, morrendo por volta de 1637 a.C. Entretanto, ao comparar essa cronologia com a data tradicional da chegada dos israelitas a Canaã, por volta de 1200 a.C., surge um inexplicável intervalo de mais de cinco séculos.


A reflexão que fica é que crenças antigas devem ser examinadas com o mesmo rigor aplicado a qualquer outro relato histórico. Linguística, arqueologia, antropologia e história oferecem ferramentas para investigar essas tradições.

Questionar não é negar automaticamente; é submeter afirmações à análise crítica e às evidências disponíveis. Entretanto, a força de uma crítica costuma aumentar quando ela se concentra nos argumentos e nas evidências, e não na capacidade intelectual de quem discorda.


No fim das contas, a questão não é escolher entre fé e razão como se fossem adversárias irreconciliáveis. É possível reverenciar o mistério sem abdicar do pensamento crítico — e questionar narrativas antigas sem desrespeitar quem nelas encontra conforto e sentido. O que não se pode é exigir que o mundo inteiro aceite como verdade literal aquilo que, à luz da linguística, da arqueologia e da história, se revela como metáfora, mito ou simplesmente ficção bem-intencionada. 


A fé que não sobrevive a perguntas não é tão sólida quanto parece. 

quinta-feira, 16 de julho de 2026

CURIOSIDADES SOBRE ALBERT EINSTEIN

O QUE NOS DEFINE NÃO É A FORMA COMO NOS LEVANTAMOS DEPOIS DA QUEDA, MAS O QUE FAZEMOS PARA NÃO CAIR DE NOVO. 

Além de ser um dos maiores gênios da história da humanidade, Albert Einstein eternizou pérolas de sabedoria popular, entre as quais: “a vida é como andar de bicicleta; para manter o equilíbrio, você precisa continuar em movimento.”


O brocardo consta de uma carta enviada a seu filho Edward em 1930, quando o cientista passava por um momento conturbado, e embora não tenha ligação com um possível slogan motivacional, a metáfora pode ser aplicada em vários aspectos da vida.


A moral da história é que as pessoas devam continuar avançando, ainda que de forma lenta, pois o equilíbrio é encontrado enquanto o movimento segue, e não quando é paralisado. Ainda assim, Em última análise, a ideia é que dar pequenos passos no dia a dia é fundamental para recuperar a confiança, mesmo diante de situações das mais adversas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Mais um movimento vomitativo tabuleiro político-eleitoral: Alexandre de Moraes proibiu o presidiário Jair Bolsonaro de receber visitas de seu primogênito, também conhecido como "Bolsonarinho" e pré-candidato à presidência desta pobre banânia — ainda mais pobre por ter como alternativa ao rebento do refugo da escória da humanidade a reeleição de um macróbio eneadáctilo, também conhecido como "o desempregado que deu certo". 

A proibição imposta pelo ministro vai até depois do primeiro turno das eleições, e se deve ao fato de Bobi Filho ter descumprido a medida cautelar que proíbe Bibo Pai de usar redes sociais, diretamente ou por terceiros, ao divulgar uma carta segundo a qual Flávio é"porta-voz" do pai e o candidato escolhido para representá-lo politicamente.

Moraes alegou que o filho do pai usou "expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto", classificou sua conduta como "instrumento de promoção política", enviou a decisão para o procurador-geral e mandou o Ministério Público Eleitoral apurar se o episódio configura propaganda eleitoral antecipada, além de dar prazo de 48 horas para os advogados do ex-presidente se manifestarem..

A carta em questão foi lida pelo pré-candidato durante transmissão nas redes sociais e também compartilhada em foto após uma visita ao pai. De acordo como o magistrado, a afirmação de que o documento era "imperdível" e "um recado muito importante" que seu pai queria transmitir aos brasileiros mostra que o aspirante a golpista sabia da divulgação nas plataformas, o que também configura desrespeito à medida cautelar.

O advogado da pré-campanha de zero um, Tracy Reinaldet, afirmou em nota que a decisão é ilegal e inconstitucional, e que a equipe tomará medidas para revertê-la, "sempre respeitando as instituições". Também em nota à imprensa, o coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, declarou que a proibição é uma "clara interferência no jogo político" e uma tentativa de deixar Bolsonaro incomunicável.

Para Moraes, o filho do pai usou seu direito de visita para divulgar a carta nas redes sociais, o que configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita. Disse ainda que o pré-candidato "é reincidente em sua conduta desrespeitosa às decisões judiciais" e citou o episódio em que ele transmitiu uma chamada de áudio do pai a manifestantes na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 2025.


Einstein não usava meias por considerá-las desnecessárias. Seu cabelo desgrenhado — que se tornou um símbolo de “cientista maluco” — era mantido assim porque ele desprezava os barbeiros. Entre outras excentricidades, era apaixonado por música clássica e carregava seu violino — apelidado carinhosamente de “Lina” — por onde quer que fosse. Curiosamente, até ouvir as obras de Mozart, ele abominava as aulas de violino incentivadas pela mãe, que era uma talentosa pianista.


O futuro gênio começou a falar aos 6 anos de idade. Diferentemente do que reza a lenda, não era mau aluno nem foi reprovado em matemática. Autodidata desde pequeno, não se interessava pela escola de seu tempo e execrava a pedagogia militarista e autoritária do Ginásio Luitpold, em Munique, onde cursou o equivalente ao nosso ensino fundamental. 


O famoso “pau” que levou aconteceu quando Einstein tinha 16 anos — dois a menos do que a idade média dos candidatos a uma vaga na Escola Politécnica de Zurique. Apesar de os exames de matemática e física terem impressionado a banca examinadora, suas provas de humanas foram uma negação. Mas acabou sendo aceito dois anos depois e se notabilizou pelas teorias da Relatividade Restrita (1905), da Relatividade Geral (1915) e do Efeito Fotoelétrico (1905), que reformularam os conceitos de tempo, espaço, gravidade e natureza da luz.


Em 1924, o físico visitou o Rio de Janeiro. Embora tenha reconhecido e agradecido pessoalmente o trabalho dos pesquisadores brasileiros, seus relatos íntimos revelam que ele menosprezava os interlocutores e culpava o clima tropical pelos costumes, que considerava inferiores. Em uma das passagens mais emblemáticas de seu diário, ele anotou: “Sou uma espécie de elefante branco para eles, e eles, uma espécie de macacos para mim.” Em outra, porém, escreveu: “A miscelânea de povos nas ruas é deliciosa: portugueses, índios, negros e tudo no meio, de modo vegetal e instintivo, dominado pelo calor.”


Observação: O físico usou o termo “índios” como símbolo de selvageria e inferioridade, mas ficou tão impressionado com o trabalho do general Cândido Rondon que chegou a recomendá-lo ao Prêmio Nobel da Paz. Por outro lado, suas anotações deixaram clara a ideia de uma suposta superioridade europeia — e também sua impaciência com o costume brasileiro dos grandes discursos elogiosos, que considerava enfadonhos.


Einstein casou-se em segundas núpcias com uma prima e prometeu à primeira mulher o valor do Prêmio Nobel de Física que viria a ganhar dali a dois anos — pelo efeito fotoelétrico, não pela relatividade. Em 1939, alertou o então presidente americano (Franklin D. Roosevelt) sobre a possibilidade de a Alemanha desenvolver bombas atômicas por meio da fissão de urânio.


A partir de então, os EUA criaram o Projeto Manhattan, responsável pela produção das bombas nucleares lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945. Anos depois, arrependeu-se de ter enviado a carta — em entrevista à revista Newsweek, afirmou que, se soubesse que os alemães não conseguiriam desenvolver uma bomba atômica, ele não teria feito nada.


Einstein morreu em 18 de abril de 1955, três anos depois de recusar o convite para ser o segundo presidente de Israel. Devido a seu ativismo político e origem alemã, o FBI manteve um arquivo de 1.427 páginas sobre ele. Seu cérebro foi roubado durante a autópsia pelo patologista Thomas Harvey, que pretendia estudá-lo para tentar entender sua genialidade.