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sexta-feira, 19 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE OVNIs UAPs E AFINS

AUSÊNCIA DE EVIDÊNCIA NÃO É EVIDÊNCIA DE AUSÊNCIA. 

No entendimento de Newton, "o tempo absoluto, verdadeiro e matemático, sem relação a nada de exterior, escoa uniformemente e se chama duração". Kant, por seu turno, via o tempo como a estrutura pela qual percebemos nossos próprios estados mentais. Já segundo as equações relativísticas de Einstein, tempo e espaço formam uma única estrutura, e a dilatação do tempo decorre tanto da velocidade quanto da gravidade.

Sectários das religiões abraâmicas e criacionistas acreditam no Gênesis e no bispo irlandês James Ussher, segundo os quais Deus criou o mundo e tudo que nele existe em sete dias contados a partir das 9h da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C. 

Dar por verdadeiras essas bobagens em pleno século XXI é tão ridículo quanto acreditar que a Terra é plana — mas Saramago não disse que a pior cegueira é a mental, e Einstein, que o Universo e a estupidez humana são infinitos? 

De acordo com o modelo cosmológico padrão, que é a melhor explicação científica disponível para o surgimento do cosmos, tudo começou com o Big Bang há 13,8 bilhões de anos. A partir de então, o Universo vem se expandindo em todas as direções — pelas estimativas mais recentes, essa "bolha" tem 46.5 bilhões de anos-luz de raio (cerca de 440 sextilhões de quilômetros).

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Quando disse que os idiotas dominariam o mundo (não pela capacidade, mas pela quantidade), Nelson Rodrigues esqueceu que boa parte dele pertence ao imprestáveis. Falando nessa escumalha, Dudu "Bananinha" Bolsonaro virou réu por articular sanções dos Estados Unidos para intimidar ministros do Supremo e está na bica de ser condenado. 

O julgamento vai revirar um baú que inclui a revogação dos vistos de oito togas, as sanções da Lei Magnitsky e o tarifaço de 50% de Trump contra exportações do Brasil, revogado posteriormente, e a condenação vai doer na campanha do irmão mais velho, cuja visita à Casa Branca levou a calopsita alaranjada a ameaçar o Brasil com novo tarifaço. 

Nada é certo neste mundo, a não ser a mania do clã Bolsonaro de morder qualquer desejo sem antes se certificar de que não tem um anzol oculto. A família do mito digere tudo o que vem de Trump, das iscas aos anzóis, mesmo sabendo que não vão lhes fazer bem. 

Ainda sobre imprestáveis, a calopsita alaranjada enfrenta a crise dos 'Três Ps'. Faltam-lhe paz, prudência e popularidade. EUA e Irã anunciaram ter chegado a um acordo preliminar a ser assinado nesta sexta-feira, mas nem por isso o conflito desaparecerá no Oriente Médio, a sensatez brilhará em Washington e o alarme da impopularidade será desligado na Casa Branca.

A obscuridade é denunciada pela ausência de detalhes. Seria arriscado descartar imprevistos até o momento da assinatura, e ainda mais temerário desconsiderar o risco de novo curto-circuito nos 60 dias previstos para o arremate do acordo.

A precariedade do arranjo foi realçada por Israel ao realizar na segunda-feira novo ataque contra o Líbano. Netanyahu está preso aos compromissos de Trump por grilhões de barbante, e o acerto é incerto, de resto, porque o Irã não parece disposto a erradicar seu programa nuclear — principal pretexto para o início da guerra.

Seduzido por Netanyahu, o chefe da Casa Branca arrastou os Estados Unidos para a guerra imaginando que conquistaria o troféu de uma mudança de regime no Irã. Descobriu que há males que vêm para pior. O assassinato do aiatolá Ali Khamenei deflagrou uma transição da teocracia sanguinolenta para o poder militarizado, submetido às conveniências da temível Guarda Revolucionária.


Se comprimíssemos toda a história do Universo em um único ano — o famoso "calendário cósmico" de Carl Sagan —, toda a história humana registrada caberia nos últimos 10 segundos do dia 31 de dezembro. Considerando que a vida humana média é de 80 anos, isso representa uma proporção de aproximadamente 1 para 170 milhões em relação à idade do Universo — daí o tempo astronômico ser incomensuravelmente maior do que aquele que experimentamos no cotidiano.

Nosso sistema solar se formou há cerca de 5 bilhões de anos, e a Terra, aproximadamente 500 milhões de anos depois. Os dinossauros foram extintos há cerca de 66 milhões de anos, no limite entre os períodos Cretáceo e Paleogeno, provavelmente em consequência do impacto de um asteroide na região do atual México (cratera de Chicxulub).

Falamos em milhões, bilhões e trilhões com a naturalidade de quem não tem a menor ideia do que essas grandezas significam. A título de contextualização, 66 milhões de anos correspondem a aproximadamente 2 quatrilhões de segundos. Como contar em voz alta de zero a um milhão demoraria cerca de 23 dias, chegar a um bilhão levaria entre 153 e 230 anos — a estimativa varia porque, embora um bilhão de segundos corresponda a pouco mais de 31 anos, os números se tornam progressivamente mais longos de pronunciar, além do que as pessoas precisam dormir, comer e satisfazer outras necessidades fisiológicas, e isso limitaria a contagem a cerca de 16 horas por dia.

A Solar Parker Probe — sonda espacial mais veloz já lançada pela NASA — alcançou 692 mil km/h (cerca de 0,064% da velocidade da luz) no final de 2024, impulsionada pela gravidade solar. Vale destacar que a luz se propaga no vácuo a aproximadamente 300 mil km/s, e que essa é a velocidade limite no Universo — segundo Einstein, nada contendo massa pode atingir essa velocidade, pois, à medida que um objeto acelera, sua massa aumenta, tendendo ao infinito conforme se aproxima da velocidade da luz. 

Ainda assim, a velocidade da sonda retrocitada permitiria ir da Terra a Netuno em menos de 9 meses — uma façanha notável, considerando que a Voyager II demorou 12 anos e a New Horizons, 8,5 anos para percorrer distâncias comparáveis.

Concluída esta introdução, a pergunta que se impõe é: se os demais planetas do nosso sistema solar e suas respectivas luas são inabitados, como explicar os avistamentos de UAPs (Unidentified Aerial Phenomena) que não podem ser catalogados como balões meteorológicos, drones, ilusões de óptica ou projetos secretos desenvolvidos pelos EUA, Rússia ou China?

Continua…

quarta-feira, 17 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — OS DEZ (OU QUINZE?) MANDAMENTOS

PER ASPERA AD ASTRA.

O fato de a Bíblia ser uma compilação de lendas e relatos fantásticos não diminui sua influência, mas é importante não confundir mitos com evidências factuais.


O literalismo religioso leva à aceitação de dogmas e crenças arcaicas em detrimento de descobertas científicas, o que dá razão, cada qual à sua maneira, a dois iconoclastas do século XX: a Einstein, que teria afirmado não ter certeza sobre a infinitude do universo, mas estar convicto da infinitude da estupidez humana; e a Saramago, cujo romance premiado com o Nobel sugere que o pior tipo de cegueira é a mental.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Daniel Vorcaro foi tirado do isolamento do presídio federal de Brasília no pressuposto de que colaboraria com a Justiça, mas suas duas propostas de delação foram rejeitadas. 

Instado a decidir onde vai enfiar o preso, o relator da encrenca, ministro André Mendonça, terá que desagradar a alguém, pois ninguém quer hospedar o ex-banqueiro em Brasília.

No momento, Vorcaro está trancado numa sala especial da Superintendência da PF em Brasília — mesma em que ficou Bolsonaro —, mas a PF requisitou sua transferência para uma cela comum. Ele poderia ser devolvido ao presídio federal, mas seus gestores alegam que a unidade foi concebida para isolar chefes de facções criminosas, não presos temporários.

Chamado de Papudinha, o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF seria uma alternativa, mas ele abriga o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, subornado por Vorcaro, que negocia um acordo de delação, e o comando do presídio alega informalmente que não consegue garantir a ausência de contato entre corrupto e corrompido.

André Mendonça percebe que tirar gênios da garrafa é mais fácil do que colocá-los de volta. No limite, pode manter Vorcaro sob os cuidados da PF, autorizando a realocação do preso numa cela convencional, no mesmo prédio. Só não faria sentido enviar o ex-quase-futuro-delator para a prisão domiciliar, como deseja a defesa.

A conferir.


O conhecimento é uma ferramenta e, como tal, seu impacto está nas mãos do usuário. Experimentos heterodoxos — parte deles publicados em periódicos revisados por pares, parte ignorados pelo establishment científico — sugerem que o crescimento de plantas, o comportamento de animais em cativeiro e até processos celulares podem responder à presença e à intenção humanas de maneiras que nossos modelos ainda não explicam satisfatoriamente.


Se o mantra "a mente domina a matéria" é mais do que uma frase de efeito extraída dos livros de autoajuda é uma questão em aberto — sobretudo quando a física quântica demonstra que, no mundo subatômico, a simples intenção de observar uma partícula altera seu comportamento. Se esse princípio opera apenas na escala do elétron ou ressoa em níveis maiores da realidade é algo que a ciência ainda não comprovou.


Controlar o "verdadeiro poder do pensamento" exige treinamento, e a história sugere que pouquíssimos indivíduos se tornaram verdadeiros mestres nisso — e esse pode ser o elo perdido entre a ciência moderna e o misticismo antigo. A história abençoou a humanidade com Buda, Jesus, Maomé e outras mentes profundamente iluminadas, cuja compreensão dos mistérios espirituais e intelectuais pode superar muito do que hoje chamamos de entendimento. No entanto, os livros mais estudados do mundo são justamente os menos compreendidos.


Einstein e Hawking foram gênios modernos reverenciados por seus pares, mas quase ninguém lê Ptolomeu, Pitágoras e Arquimedes — apesar de seu conhecimento científico ser impressionante. Os antigos egípcios dominavam na prática princípios que a ciência ocidental levaria milênios para formalizar — como se o conhecimento fosse uma roda que a humanidade insiste em reinventar. E o trabalho dos primeiros alquimistas era suficientemente sofisticado para ser considerado precursor do que hoje chamamos de química.


Toda cultura tem seu próprio livro sagrado — para os cristãos, a Palavra é a Bíblia; para os muçulmanos, o Alcorão; para os judeus, a Torá; e assim por diante. No fundo, todos guardam estruturas semelhantes e sobreviveram a tantas turbulências ao longo de milênios graças a suas alegorias, simbolismos e parábolas — que escondem, segundo seus intérpretes mais atentos, um vasto acervo de conhecimentos até hoje incompreendidos, já que a linguagem usada pelos profetas para compartilhar seus segredos seria deliberadamente cifrada.


O que hoje chamamos de Bíblia — mais especificamente o Novo Testamento — consolidou quatro evangelhos canônicos: os de Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas isso está longe de ser o quadro completo. Nos primeiros séculos do cristianismo, circularam dezenas de evangelhos apócrifos — entre os quais os de Tomé, Filipe, Maria Madalena e Judas. Em outras palavras, o cristianismo primitivo era mais plural do que a versão "oficial" que chegou até nós.


O Evangelho segundo Marcos diz: "A vós é dado saber os mistérios… mas… todas essas coisas se dizem por parábolas." Os Provérbios advertem que as palavras dos sábios são "enigmas". O Evangelho de João anuncia: "Falarei em parábolas… e direi coisas ocultas", enquanto Coríntios afirma que as parábolas têm duas camadas de significado.


Não por acaso, os monges cristãos estudaram incansavelmente as Escrituras, e os místicos e cabalistas judeus se debruçaram sobre o Velho Testamento durante séculos. O matemático, físico, astrônomo, alquimista e teólogo Isaac Newton — descrito por seus contemporâneos como um "filósofo natural" — escreveu mais de um milhão de palavras na tentativa de decifrar o verdadeiro significado das Escrituras.


Sir Francis Baconque era rosa-cruz e escreveu A Sabedoria dos Antigos — esteve envolvido no projeto da Bíblia King James em que medida exatamente, os historiadores ainda debatem, mas ficou tão convencido de que as Escrituras continham um significado cifrado que criou seus próprios códigos, estudados até hoje. Até mesmo o poeta iconoclasta William Blake sugeriu em seus versos que devemos ler nas entrelinhas: "Nós dois lemos a Bíblia dia e noite, mas tu lês negro onde eu leio branco."


Ao contrário das tábuas com os mandamentos, a formação do cânon não caiu do céu: foi um longo processo que envolveu debates teológicos, disputas políticas e interesses institucionais. Segundo o Êxodo 19–20 e 31–34, o Deus do Velho Testamento entregou a Moisés duas tábuas de pedra com os dez mandamentos. Mas uma anedota clássica do humor judaico, encenada por Mel Brooks no filme History of the World, Part I (1981), condensa com ironia cirúrgica toda a arbitrariedade desse processo: Moisés desce do Monte Sinai carregando três tábuas e anuncia solenemente: "O Senhor, Deus de Israel, deu-vos estes quinze..." — e aí uma das tábuas escorrega e se despedaça no chão — "...dez mandamentos!"

O texto bíblico alimenta essa imaginação porque narra de fato a quebra das tábuas: quando Moisés desce o monte e encontra o povo adorando o Bezerro de Ouro, ele as arremessa com raiva (Êxodo 32:19). Depois, Deus manda esculpir um segundo par (Êxodo 34), que seria a versão guardada na Arca da Aliança.


Ou seja, há de fato duas versões das tábuas na narrativa bíblica — o que torna a piada de Brooks ainda mais inteligente, pois brinca com um elemento que já está no texto original. Continua…

segunda-feira, 1 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE RELIGIÃO X CIÊNCIA

COSTUMAMOS ACHAR QUE O PIOR VAI ACONTECER PORQUE, QUANDO NÃO ACONTECE, O QUE É RUIM NOS PARECE RAZOÁVEL.


Como vimos no capítulo anterior, a possibilidade de existir um “ser superior” é plausível. No entanto, entre admitir essa hipótese e acreditar num 'criador' que distribui livre-arbítrio, recompensa os virtuosos e pune os pecadores, estende-se um abismo conceitual cuja travessia exige um considerável exercício de fé. Até porque qualquer pessoa minimamente inclinada ao questionamento refutaria a promessa de passar a eternidade tocando harpa num paraíso celestial ou assando no braseiro de um suposto “anjo caído”. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, em vigor há quase quatro meses, vem dificultando o gerenciamento da crise provocada pelos áudios e mensagens trocados entre Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro sobre o repasse de R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse”.

Desde 29 de janeiro, por decisão de Moraes, o ex-presidiário do mensalão e dono do PL, Valdemar Costa Neto, está proibido de se encontrar com o ex-presidente golpista, que está cumprindo 27 anos e três meses de prisão em regime temporariamente domiciliar.

Segundo aliados, o presidente do PL prefere Michelle a Flávio, mas nunca vai admitir em público e nem contrariar Bolsonaro, pois foi o capital eleitoral do ex-presidente quem lhe deu a maior parte da bancada e, portanto, dos fundos públicos aos quais seu partido tem direito.

Como os dois não podem conversar, Bolsonaro só tem acesso a informações sobre o cenário político pela imprensa, pelos filhos e pela mulher, Michelle, que não se dão bem e na prática disputam o espólio político de Jair.

Mesmo considerando que seria muito difícil o refugo da história da humanidade desistir da candidatura do filho em favor da mulher, lideranças do PL acreditam que ele poderia mudar de avaliação se pudesse discutir o caso em detalhes com aliados de confiança.

Para integrantes da legenda, Moraes “segue usando sua caneta para impedir comunicações e estratégias do PL”, o que em momentos críticos como o atual pode ser fatal para a direita. O impacto do escândalo já se reflete nas pesquisas eleitorais, como revelou o Datafolha no dia 22, ao apontar que Lula superou numericamente o adversário nas simulações de segundo turno (47% a 43%) na esteira do caso “Dark Horse”. No levantamento anterior, com a maioria das entrevistas realizadas antes do escândalo vir à tona, os dois estavam tecnicamente empatados, com 45%.

Antes de entrar na mira de Moraes e ser proibido de se encontrar com Bolsonaro, Valdemar chegou a atuar em parceria com o ministro do STF, que o chamou de “grande parceiro da Justiça Eleitoral” numa audiência reservada na sede do Tribunal Superior Eleitoral.

Pelo visto, a parceria não existe mais.


Questionar crenças enraizadas é fundamental. Somente pela reflexão se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda. Ainda assim, religiões de diferentes tradições continuam a apresentar tais narrativas como certezas inquestionáveis — embora elas raramente sobrevivam intactas a um escrutínio crítico. No espírito filosófico de Aristóteles, duvidar é o primeiro passo rumo à compreensão. Muito antes dele, Homero e Horácio já insinuavam que o desejo de permanecer na memória coletiva advém do medo inevitável da morte. Séculos depois, Platão ensinou no Mito da Caverna que a sabedoria começa quando ousamos desconfiar das sombras que tomamos por realidade.


Toda religião é verdade absoluta para quem a professa e mera fantasia para sectários de outras crenças. Em pleno século XXI, doutrinas improváveis continuam a mobilizar multidões dispostas a defender rituais e liturgias como se delas dependesse o equilíbrio do Universo. A história, porém, demonstra que convicções sobrevivem menos pela força das evidências e mais pelo conforto emocional que oferecem.


No Brasil — e em tantos outros lugares — ideias desacreditadas há séculos continuam sendo impulsionadas por desinformação, algoritmos complacentes e comunidades digitais fechadas em si mesmas. O terraplanismo talvez seja o exemplo mais emblemático. Ao observar eclipses lunares e mudanças na posição das estrelas conforme a latitude, Aristóteles concluiu há mais de 2 mil anos que a Terra era esférica — o que foi posteriormente confirmada por fotografias orbitais, satélites artificiais e missões espaciais.


Em Ensaio sobre a cegueira, o escritor português José Saramago ensinou que o pior tipo de cegueira é a mental, pois impede as pessoas de enxergar o que está diante delas. Sob essa perspectiva, a Terra plana deixa de ser apenas um equívoco científico para revelar a extraordinária capacidade humana de abraçar teorias estapafúrdias que a realidade insiste em contradizer — afinal, aceitar que a Terra é redonda requer apenas observação.


Deixando de lado essa e outras teses negacionistas, é curioso observar que, escudados durante séculos num ceticismo arrogante, luminares de alto coturno tratam as ciências antigas como superstições ignorantes. Todavia, após avançar às cegas pela história, a comunidade científica se deparou com uma encruzilhada há muito sugerida por textos antigos, calendários primitivos e até pelas estrelas.


Aos olhos dos não iniciados, as descobertas da ciência noética se confundem com prodígios de magia. Mas mito e magia se tornam realidade quando consideramos o potencial ainda não explorado da mente humana. Segundo os pesquisadores noéticos, o pensamento, quando adequadamente direcionado, é capaz de interagir com sistemas físicos mensuráveis.


Não se trata de truques de salão destinados a impressionar plateias crédulas, mas de investigações conduzidas sob condições controladas, cujos resultados sugerem uma interação entre a consciência e a matéria que, se confirmada em toda a sua extensão, indica que nossos pensamentos não só interpretam o mundo físico como participam dele, produzindo efeitos que alcançam até o domínio subatômico.


Talvez nossa mente não seja apenas uma espectadora da realidade, mas também — e sobretudo — sua principal arquiteta.


Continua…

sábado, 30 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE PSICOTRÔNICA, RELIGIÃO E CIÊNCIA NOÉTICA

O HOMEM TEME O QUE NÃO COMPREENDE — E MAIS AINDA O QUE COMPREENDE PROFUNDAMENTE.

Vimos que a Psicotrônica — como os russos chamavam suas primeiras pesquisas envolvendo fenômenos paranormais — pode ser considerada a precursora daquilo que hoje se convencionou chamar de ciência noética, e que, durante a Guerra Fria, a URSS e os EUA teriam investido somas vultosas nesse campo.


Fala-se que a CIA mordeu a isca da desinformação russa e "correu atrás do próprio rabo com ciências marginais", como o projeto Stargate, que buscava desenvolver uma técnica conhecida como “visualização remota”, na qual pessoas em estado de transe profundo projetam a consciência para além do corpo visando observar eventos à distância. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Segundo a mitologia grega, Pandora foi criada por Hefesto e Palas Atena a mando de Zeus, que queria castigar Prometeu por roubar o fogo dos deuses e dá-lo aos homens. Depois de ganhar um dom de cada divindade de Olimpo, Pandora recebeu de Zeus uma caixa que jamais deveria ser aberta e a missão de seduzir o irmão de Prometeu, que, encantado com a formosura da moça e ignorando as advertências do irmão sobre aceitar presentes do deus dos deuses, tomou Pandora como esposa. 

Mas ao criar a mulher, Deus criou também a curiosidade. E a curiosidade levou Pandora a abrir a caixa e libertar todos os males que recaíram sobre a humanidade. A esperança ficou presa no fundo da caixa para nos ajudar a enfrentar as adversidades, mesmo que o mal muitas vezes vença o bem. E foi assim que "abrir a Caixa de Pandora" se tornou uma metáfora para ações que desencadeiam consequências maléficas e irreversíveis.

Revisito essa fábula por três motivos: 1) sempre gostei de mitologia; 2) muita gente usa essa metáfora sem saber sua origem; 3) insistir no erro esperando produzir um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço. 

Em momentos distintos da ditadura, Pelé e o general Figueiredo alertaram para o perigo de misturar brasileiros com urnas em eleições presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas o tempo provou que eles estavam certos: a cada dois anos, os eleitores tupiniquins fazem nas urnas, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade. E como ensinou o Conselheiro Acácio (personagem do romance O Primo Basílio), as consequências vêm sempre depois. 

Ao acompanhar o golpe de Estado que levou Napoleão III ao poder, Karl Marx concluiu que a história acontece como tragédia e se repete como farsa. Já o Barão de Itararé dizia que político brazuca é um sujeito que vive às claras, aproveita as gemas e não despreza as cascas, e o saudoso maestro Tom Jobim, que o Brasil não é para principiantes. E com efeito. 

Em 2018, nenhum dos 13 postulantes ao Planalto empolgava, mas por que se arriscar a acertar com Geraldo Alckmin, Álvaro Dias, Henrique Meirelles ou João Amoedo quando se podia errar com certeza escalando Bolsonaro e o bonifrate do então presidiário Lula para o segundo turno? Em 2022, as opções eram ainda menos atraentes, mas, de novo: por que correr o risco de acertar votando em Simone Tebet, Felipe D'Avila ou mesmo Ciro Gomes (situações desesperadoras justificam medidas desesperadas) quando se podia errar com certeza despachando Lula e Bolsonaro para o 2º turno?

Em ambos os pleitos a fatídica polarização fez com que tanto a merda quanto as moscas permanecessem as mesmas. A diferença é que em 2018 a parcela minimamente pensante do eleitorado foi levada a apoiar Bolsonaro para evitar que o país fosse presidido por um fantoche do presidiário, e em 2022 essa mesma parcela se viu forçada a embarcar na falaciosa "Frente Democrática" capitaneada pelo ex-presidiário "descondenado" para evitar mais 4 anos (ou sabe-se lá quantos) sob a batuta do refugo da escória da humanidade.

Há males que tempo cura, males que vêm para pior e males que pioram com o passar do tempo. Lula 3.0 é uma reedição piorada das versões 1 e 2, e como nada é tão ruim que não possa piorar, o macróbio cogita disputar a reeleição em 2026 (que os deuses nos livrem tanto dessa desgraça quanto da volta do aspirante a golpista encarnado em seu abominável primogênito).

As consequências da inconsequência do eleitorado tupiniquim são lamentadas todos os dias, inclusive por quem abriu a Caixa de Pandora achando que estava escolhendo o menor de dois males - o que se justifica quando e se não há outra opção. E tanto em 2018 quanto em 2022 havia alternativas; só não viu quem não quis ou não conseguiu porque sofre do pior tipo de cegueira que existe.

Einstein achava que o Universo e a estupidez humana eram infinitos, mas salientou que, quanto ao
Universo, ele ainda não tinha 100% de certeza. Alguns aspectos de suas famosas teorias não sobreviveram à passagem do tempo, mas sua percepção da infinitude da estupidez humana merece ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta. 


O conceito básico da visualização remota tem mais de sete mil anos. Os antigos sumérios registraram suas "viagens às estrelas" — experiências místicas fora do corpo nas quais a mente ia até as estrelas para observar mundos distantes. Supõe-se que alucinógenos como o ópio e o ácido lisérgico foram largamente utilizados para induzir estados alterados de consciência. De textos antigos como Rigue Veda e Mistérios de Elêusis até o clássico As Portas da Percepção, de Aldous Huxley, grandes autores sugeriram que substâncias psicodélicas poderiam expandir a consciência  — lembrando que essas sensações fora do corpo são um reflexo da realidade sem filtros, não de alucinações. Mas isso é outra conversa.


A habilidade fundamental de um visualizador remoto é a capacidade de induzir uma experiência fora do corpo, mas a questão é que pouquíssimas pessoas conseguem ter essas experiências espontaneamente — com a possível exceção dos epiléticos, mas isso também é outra conversa. Interessa dizer que vida após a morte é uma convenção criada pelas religiões para mitigar o medo da finitude e manter o "rebanho" na rédea curta com a promessa de recompensar os bons e punir os maus. 


Qualquer pessoa minimamente esclarecida deveria refutar a ideia de passar a eternidade tocando harpa numa nuvem ou assando lentamente em um espeto. A possibilidade de existir um ser superior é plausível — desde que não seja o deus vingativo dos pastores papa-dízimo e dos padres pedófilos. Todas as religiões são a verdade sagrada para quem as professa e uma fantasia para sectários de outros credos.


Mesmo as crenças mais estúpidas têm fiéis seguidores e fanáticos dispostos a defendê-las com unhas e dentes, embora elas sejam como um golpe de seguro: os fiéis pagam o prêmio e não têm como reclamar quando descobrem que a empresa que levou seu dinheiro não existe. No fim das contas, viemos do mistério e ao mistério retornaremos; caso exista algo além, dificilmente será o deus das igrejas.


Fiz uma pesquisa no Google e fiquei perplexo com a quantidade de vertentes religiosas. Católicos, metodistas, episcopalianos, mórmons, anglicanos, luteranos, presbiterianos, adventistas do sétimo dia, ortodoxos gregos, quacres, muçulmanos, budistas, judeus, hindus, etc., todos alegam ter linha direta com o Todo-Poderoso, mas muitos foram construídas sobre sangue e ossos dos que se recusaram a aceitar a ideia de Deus que eles pregam.


Romanos atiraram cristãos aos leões; cristãos mutilaram e queimaram hereges; Hitler sacrificou milhões de judeus ao falso deus da pureza racial; outros milhões de seres humanos foram eletrocutados, enforcados, esquartejados e envenenados... tudo em nome de um deus.


A promessa de que o Céu nos espera e que lá tudo fará sentido nos é impingida desde a infância na versão segundo a qual Papai Noel traz presentes para as crianças bem-comportadas e deixa as malcriadas a ver navios. Mais adiante, a falácia passa a ser "céu para os bons, inferno para os maus". Mas o paraíso é a cenoura, e o inferno, a vara. Padres, pastores. rabinos e afins ameaçam os pequenos com o fogo eterno por roubarem uma bala ou mentirem, mas não existe prova alguma disso, apenas uma certeza cega de que tudo tem um propósito.


A morte é a única certeza que temos na vida, porém o que acontece depois — se realmente existir um "depois" — intriga a humanidade desde as mais priscas eras. Os católicos acreditam que os bons vão para o Céu e os pecadores, para o Inferno, e os espíritas, que os maus reencarnam para evoluir espiritualmente. Entre os judeus, cada grupo tem sua própria versão do que seria a vida após a morte, e por aí segue o desfile de crenças, que é tão variado quanto o das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.


A perspectiva da vida eterna vem sendo explorada desde sempre por proselitistas que alegam falar em nome de um deus cuja existência conseguem provar, embora soem convincentes — afinal, o sucesso do vigarista depende da capacidade de ludibriar as vítimas, como bem ilustra a origem do termo conto do vigário. No entanto, é fundamental não confundir fé com religião: ainda que elas andem de mãos dadas, tanto é possível ter fé sem ser religioso quanto seguir uma religião sem ter fé (apenas por tradição familiar ou convenção social). 


A fé individual independe de rituais, hierarquias ou dogmas. Ela surge movida por experiências profundas e pessoais — como um momento inesperado de conexão com a existência —, e se desenvolve sem a necessidade de intermediários ou tradições rígidas. Já a religião deveria servir para "religar" o homem a Deus, mas cada vertente define "Deus" à sua maneira.


Os primeiros textos védicos remontam a 1500 a.C., mas os conceitos que eles encerram foram transmitidos oralmente durante séculos. A frase "este é meu corpo", que Cristo teria dito na Última Ceia, é repetida até hoje durante a Eucaristia. Quando "lavou as mãos", Pilatos deixou clara a ligação entre religião e política — aliás, Igreja e Estado foram as duas faces da mesma moeda até a Revolução Francesa, e velhos vícios e maus hábitos são difíceis de erradicar.


Toda sociedade tem uma religião, toda religião tem um propósito social e toda cerimônia religiosa tem um ritual. O Seder de Pessach e a comunhão são adaptações litúrgicas de uma prática observada nos chimpanzés. Ainda que as religiões tenham perdido muito da empatia de antanho, fenômenos complexos se desenvolvem a partir de começos simples, e tudo o que fazemos é influenciado por nossa história biológica e cosmológica.


Ao longo da História, Cristo, Buda, Maomé, Krishna e outros ícones religiosos deixaram mensagens para determinados povos em determinadas épocas, mas em vez de levarem à unidade, ao amor e ao bem de todos, essas mensagens foram deturpadas para atender a interesses escusos daqueles que detêm o poder e o utilizam para manipular seus semelhantes. 


Há fortes evidências de que o Universo surgiu há 13,8 bilhões de anos e o homo sapiens, há cerca de 300 mil anos — a partir da evolução de outros primatas, e não de Adão e Eva. O Velho Testamento foi transmitido oralmente até 1200 a.C., quando as lendas e tradições que o compõem foram compiladas por Moisés durante sua longa jornada pelo deserto do Sinai em busca da terra supostamente prometida por Jeová a Abraão e seus descendentes. 


Observação: Talvez o sol escaldante explique por que o autor do Pentateuco retratou o Criador como uma entidade rancorosa e vingativa, tão diferente da imagem vendida nas igrejas, templos, mesquitas e sinagogas por padres, pastores, imãs e rabinos que, em vez de oferecer orientação e conforto espiritual aos fiéis, ameaçam-nos com a "danação eterna".

 

As religiões são como os vaga-lumes: precisam da escuridão para brilhar e são úteis para os poderosos, que lhes dão ares de verdade para ludibriar os menos esclarecidos, e portanto é fundamental questionar as crenças enraizadas, pois somente a partir da reflexão que se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda.


A possibilidade de existir um ente superior é admissível, mas como acreditar num "criador" que concede livre-arbítrio às criaturas, promete recompensar os "bons" com a vida eterna num inverossímil "paraíso celestial" e punir os "maus" com o fogo eterno num hipotético inferno comandado por um "anjo caído"?

 

A rigidez das religiões perpetua tradições e práticas que raramente resistem ao questionamento crítico, enquanto a fé resultante de experiências espirituais e emocionais leva as pessoas a acreditarem em algo que não lhes foi enfiado goela abaixo por dogmas religiosos. A flexibilidade faz com que a fé se adapte aos valores e interpretações de cada um, e sua relação com a religião é ainda mais intrigante quando se questiona a natureza da divindade. 


A ciência não invalida a fé — ela a expande. Mas a complexidade do Universo pode ser contemplada e apreciada sem uma explicação esotérica. Ao afirmar que somos poeira das estrelas, o astrofísico Carl Sagan descortinou um vasto Universo sem uma figura divina. Ainda assim, a fé (não confundir com as religiões) pode ser definida como uma admiração pelo Universo, uma disposição para o questionamento, uma abertura ao desconhecido, uma busca por novas respostas, um modo de honrar o mistério da existência. 


Einstein dizia que "o mistério é a fonte de toda verdadeira arte e ciência". Spinoza e outros grandes pensadores viam no Universo uma ordem tão majestosa que, mesmo sem acreditar em um deus pessoal, sentiam-se conectados a uma força criadora e consideravam a busca pelo conhecimento um ato quase espiritual.


A busca pelo autoconhecimento mostra que a espiritualidade desvinculada das religiões pode ser uma maneira de nos conectarmos com o mundo sem a necessidade de um conjunto de crenças formais. Nesse contexto, a fé se torna uma prática interior, uma jornada de descoberta pessoal que aceita as incertezas da existência.


Enquanto as religiões tradicionais impõem normas e rituais rígidos, a espiritualidade pessoal se ajusta aos valores e necessidades de cada um. Meditação, contemplação da natureza ou mesmo o simples exercício de gratidão são maneiras de alinhar a vida com uma ordem maior. Uma fé íntima e universal, que respeita o mistério sem se prender às religiões formais nem enjeitar as tradições, aceita respostas parciais, valoriza o caminho, celebra o mistério e dá um sentido mais original à espiritualidade. 


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