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sábado, 31 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 70ª PARTE

TIME AND TIDE WAIT FOR NO MEN.

Desde as mais priscas eras, o tempo se apresenta ora como um deus implacável, ora como um fluxo sereno, ora como uma ilusão. Na mitologia grega, Cronos usa sua foice para castrar seu pai, Urano, que aprisionava os filhos por receio de ser destronado, e passa a devorar os seus


Trata-se de uma metáfora cruel, em que o tempo surge como uma força que tudo consome, destruindo sem concessões pai e filho, criação e criador. Não por acaso, a iconografia ocidental transformou a foice de Cronos na imagem tradicional da morte ceifadora.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Pelo andar das carruagens, Flávio Bolsonaro terá que brigar com um candidato do seu próprio campo ideológico por uma vaga no segundo turno para se consolidar como um anti-Lula oficial. No melhor estilo Marcola, Fernandinho Beira-Mar e Cia. Ltda.,, Bolsonaro produziu de dentro da cadeia uma briga autofágica da direita por território e vem tratando facções do Centrão como drones operados por controle remoto desde a Papudinha.

Noutros tempos, o fardo do divisionismo era carregado pela esquerda. A falta de opção faz de Lula um fator de união desse segmento. Na outra ponta, Bolsonaro impõe seu estilo canibal ao conservadorismo brasileiro.

A primeira novidade da sucessão de 2026 surgiu em dezembro de 2025, quando Zero Um disse ter sido escolhido pelo pai como candidato do PL ao Planalto. Decorridos quase dois meses, Tarcísio de Freitas foi à Papudinha para ouvir dos lábios do criador que seu sonho presidencial foi pelos ares.

A segunda novidade surgiu dias atrás, com o desembarque de Ronaldo Caiado no PSD. Sua chegada afunilou a articulação do partido de Kassab para oferecer uma opção ao eleitorado conservador. Vai à urna Ratinho Júnior, Caiado ou Eduardo Leite — o que estiver mais musculoso nas pesquisas até abril —, e o pior é que o eleitorado medíocre, desinformado e mal-ajambrado baterá os cascos em apoio a esse tipo de gente.

 

Enquanto poemas, músicas como Dust in the Wind e pinturas traduzem a inevitável transitoriedade da vida, Proust devolve ao presente aquilo que o passado parecia ter devorado, como na célebre cena da Madeleine, e o cinema faz do tempo um personagem central, tanto nas narrativas fragmentadas de Amnésia quanto nos paradoxos temporais de Interestelar, que transforma em drama humano a dilatação di tempo prevista por Einstein.

 

Na filosofia, Santo Agostinho sintetiza sua angústia na frase: “Se ninguém me pergunta, eu sei o que é; mas se me perguntam, já não sei responder” — para ele, presente e futuro só existem dentro da consciência, como memória, atenção e expectativa. Séculos depois, Henri Bergson distingue entre o tempo mensurável da ciência e a duração subjetiva da vida, fluida e elástica, enquanto Martin Heidegger faz do tempo a condição fundamental da existência.

 

Mas é na ciência moderna que o tempo se torna questão de medição e de leis. Newton falava de um “tempo absoluto”, invisível mas necessário para ordenar os movimentos do mundo. Essa noção foi revolucionada por Einstein, que demonstrou com suas equações relativísticas que não somos viajantes imóveis em um rio inexorável, e sim habitantes de um tecido cósmico onde espaço e tempo formam uma única realidade. A partir daí, tornou-se possível compreender que o tempo não é igual para todos.

 

Devido às dilatações do tempo e da gravidade, o relógio anda mais devagar para quem se move em altas velocidades ou habita regiões onde a atração gravitacional é mais intensa. Um minuto numa espaçonave viajando a uma velocidade próxima à da luz equivale a milhares de anos terrestres, e um minuto no topo do Monte Everest corresponde a 60,000000000058 segundos no nível do mar — uma diferença de míseros 58 nanossegundos, mas mensurável com relógios atômicos de alta precisão.

 

Na cosmologia, o tempo como o conhecemos nasceu com o Big Bang — especular sobre o que havia antes dele faz tanto sentido quanto perguntar o que existe ao norte do Polo Norte. Alguns físicos sugerem que o tempo pode não ser uma dimensão primordial, e sim uma propriedade emergente das relações entre partículas e energias, ao passo que outros chegam a questionar se ele existe de fato ou é apenas uma ilusão fabricada por nossa mente para ordenar as mudanças que percebemos.

 

Nossos antepassados começaram a medir o tempo quando notaram que as fases da Lua e a mudança das estações influenciavam o comportamento dos animais — uma questão vital para quem vivia da caça e da pesca. Em meados do terceiro milênio a.C., os sumérios criaram o primeiro calendário lunar, e os egípcios, um modelo solar com 365 dias divididos em 12 meses de 30 dias, mais 5 dias ao final do ano para completar o ciclo. O calendário juliano foi criado em 46 a.C., e o gregoriano — utilizado atualmente em 168 países — em 1582 d.C. 

 

De acordo com a causalidade (não confundir com casualidade), o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e o que acontece hoje influencia o que acontecerá amanhã. Como esse princípio dá ao Universo uma direção única, a possibilidade de voltar no tempo põe a ciência em xeque. Mas em algumas interpretações da física — como a da gravidade quântica — o tempo se resume a uma dimensão secundária que surge da interação entre eventos e partículas, sem existir como entidade independente. No entanto, se causa e efeito estão relacionados pela ordem dos eventos, e não pela passagem do tempo em si, então o tempo é ilusório e a causalidade pode se manter através dessas relações ordenadas.


Continua...

sábado, 17 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 67ª PARTE

YO NO CREO EM BRUJAS, PERO QUE LAS HAY, LAS HAY!

Os OOPArts — acrônimo de Out Of Place Artefacts — costumam ser apontados como indícios da existência de viajantes do tempo, e poucos causaram tanto alvoroço quanto uma combinação de anel e relógio encontrada por arqueólogos na China, em 2008, no interior de uma tumba da dinastia Ming que estava selada havia mais de 400 anos. 


No mostrador do artefato que não poderia estar ali, os ponteiros marcavam 10h06 e a caixa exibia a inscrição “Swiss”. A notícia logo se espalhou e dividiu opiniões: para os entusiastas do insólito, tratava-se de uma “prova irrefutável” da passagem de um viajante do tempo. Para os céticos, a ausência de relatórios arqueológicos sérios, publicações acadêmicas e imagens confiáveis — além de uma única foto desfocada que circulou pela internet — sugeriam fraude. O episódio permanece envolto em mistério, servindo como combustível para debates entre curiosos, cientistas e alimentando teorias da conspiração.

 

Pinturas e murais retratando sacerdotes maias com o punho à frente do rosto — como fazemos atualmente quando conferimos notificações em nossos smartwatches — levam água aos moinhos da conspiração — quando mais não seja, porque os primeiros smartwatches só foram lançados em 2015. Mas os céticos atribuem a postura dos sacerdotes a um gesto ritual, e argumentam que o cérebro humano é programado para reconhecer padrões mesmo onde eles não existem.

 

Observação: A tendência de atribuir formas familiares a estímulos ambíguos é conhecida como pareidolia. Quando confrontado com imagens vagas ou simbólicas, nosso cérebro preenche as lacunas com referências do presente, levando-nos a enxergar coelhos, dragões ou castelos nas nuvens, ver astronautas em pinturas rupestres e capacetes espaciais em máscaras cerimoniais. Como dizem os espanhóis, yo no creo em brujas, pero que las hay, las hay. 

 

Um indivíduo de cabelos desalinhados, óculos escuros de armação grossa e cardigã aberto sobre uma camiseta estampada se destaca da multidão numa foto tirada durante a reabertura da ponte South Fork, em British Columbia (Canadá), em 1941. Para os conspirólogos, o Hipster de 1941 e outra pessoa que é vista na foto duas filas adiante, segurando o que parece ser uma câmera portátil moderna, são viajantes do tempo. Para os céticos, óculos escuros eram vendidos nos anos 1920, camisetas com logotipos esportivos já existiam e a Kodak fabricava câmeras portáteis desde os anos 1930. A imagem — que faz parte da exposição “Their Past Lives Here” — teve sua autenticidade comprovada por especialistas, e os trajes, nitidamente anacrônicos, foram considerados compatíveis com os anos 1940. E eu sou o coelhinho da Páscoa.

 

Outro caso emblemático: no início dos anos 2000, um internauta chamado John Titor alegou ter vindo de 2036 em busca de um computador IBM 5100 — necessário, segundo ele, para depurar programas antigos e evitar o Efeito 2038. O modelo em questão foi lançado em 1975 e retirado do mercado em 1982, de modo que a alegação do suposto viajante do tempo fazia sentido. Além disso, a Big Blue reconheceu que uma unidade dotada de uma rara interface — que permitiria ao programador acessar todos os códigos da empresa — desapareceu misteriosamente de seus depósitos. 

 

Visando tornar sua narrativa menos inverossímil, Titor detalhou seus deslocamentos temporais e fez revelações sobre o futuro. Segundo ele, o CERN descobriria as bases para a viagem no tempo em 2001, e as máquinas do tempo, criadas para transportar pequenos objetos, seriam adaptadas para coisas grandes e seres humanos. Chegou mesmo a postar desenhos esquemáticos do projeto e uma foto de sua máquina — que chamou de "unidade de deslocamento no tempo de massa estacionária alimentada por duas singularidades duplamente positivas girando no topo". 

 

A “guerra civil” profetizada para 2004 não aconteceu, a exemplo da Terceira Guerra Mundial — que, segundo Titor, teria início em 2015 e dividiria EUA em cinco países. Mas a doença da vaca louca aporrinhou pecuaristas nos anos seguintes, e a China realmente mandou um homem ao espaço em 2003. Após discorrer durante meses sobre a política norte-americana e assuntos como saúde e tecnologia, o suposto viajante do tempo desapareceu dos fóruns em março de 2001, deixando uma frase misteriosa ("traga uma lata de gasolina com você quando seu carro morrer na estrada") e miríades de perguntas sem respostas. 

 

Em 2009, o jornal britânico Daily Telegraph publicou que Titor era uma ficção criada pelos irmãos Larry e John Haber. Um detetive norte-americano encontrou um registro de marca com o nome de "John Titor Foundation", onde Larry figurava como presidente, mas cuja sede não passava de uma caixa postal no estado da Flórida (EUA).

 

Para os teóricos da conspiração, as previsões não falharam, apenas deram a abertura temporal para que Titor conseguisse corrigi-las a tempo de não ocorrerem. Ele próprio avisou que alguns eventos poderiam não acontecer, pois o "modelo Everett-Wheeler da física quântica" estava certo: sua viagem ao passado criaria duas linhas do tempo — a original, vivida por ele, e outra, paralela, surgida após sua viagem ao passado. Vale lembrar que a “Interpretação de muitos mundos” postula que todo resultado possível de uma decisão quântica ocorre em um "universo paralelo" — de acordo com o "paradoxo do avô", se voltasse ao passado e matasse o próprio avô, o neto se tornaria uma pessoa diferente em outra linha temporal que não a dele (já que não poderia existir na dele). 

 

Talvez tudo isso não passe de uma fraude, mas, se for, quem a criou sabia muito bem do que estava falando. Até hoje ninguém reconheceu ser o autor da brincadeira, e muitas questões levantadas por Titor jamais foram esclarecidas. Demais disso, cada um pode acreditar no que bem entender, da autoproclamada “absolvição” de Lula à narrativa segundo a qual Bolsonaro é um ex-presidente de mostruário que vem sendo perseguido injustamente por Alexandre de Moraes e seus pares no STF. Felizmente, com exceção de Luiz Fux, os integrantes da Primeira Turma da Corte não se deixaram iludir pelo canto da sereia, como prova a condenação do “mito” dos descerebrados a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes contra o Estado Democrático de Direito. Mas isso é outra conversa.

 

Nada alimenta mais as especulações temporais do que obras faraônicas como as pirâmides de Gizé, erguidas a partir de milhões de blocos de até 80 toneladas, encaixados com precisão milimétrica e alinhados com os pontos cardeais e a Constelação de Orion por um povo que dispunha de simples cinzéis e prosaicos ábacos. Como não poderia deixar de ser, essa implausibilidade deu azo a teorias de ajuda extraterrestre, tecnologias perdidas, ou — por que não? — visitantes do futuro. E o mesmo raciocínio vale para Stonehenge, na Inglaterra, com seus megálitos gigantescos transportados por dezenas de quilômetros e alinhados ao solstício.

 

Em Machu Picchu, no Peru, e em sítios como Sacsayhuamán, blocos de pedra irregulares se encaixam com tamanha precisão que nem uma lâmina de barbear passa entre eles. Explicações existem: trabalho humano intensivo, técnicas engenhosas de escavação, polimento e transporte. Mas não convencem aqueles para quem é mais sedutor acreditar que alguém trouxe uma furadeira quântica do futuro para dar uma mãozinha.

 

A literatura antiga também guarda descrições que parecem ter brotado de mentes com visão privilegiada do futuro. Basta lembrar de Sherazade e os Contos das 1.001 Noites, com tapetes que voam, gênios que habitam lâmpadas mágicas, cavernas com portas de pedra se abrem por comandos de voz, enfim, prodígios tecnológicos que somente seriam inventados dali a milhares de anos.

 

Segundo a Navalha de Ockham — ou princípio da parcimônia —, sempre que há múltiplas explicações possíveis para o mesmo fato deve-se escolher a que apresenta o menor número possível de variáveis e hipóteses com relações lógicas entre si. Na esteira desse raciocínio, a explicação mais racional é que a ficção sempre antecipou tecnologias — Júlio Verne imaginou submarinos e viagens à Lua séculos antes de elas se tornarem realidade. No entanto, quando a previsão vem de milênios atrás, a tentação de interpretá-la como “memória do futuro” fica ainda maior.

 

Todos esses exemplos sugerem que a maioria de nós tende a enxergar padrões, a reinterpretar o passado com lentes modernas e a acreditar em histórias que reforçam nosso desejo de escapar das amarras do tempo. Talvez a maioria das “provas” não resista a uma investigação séria, mas a versão fantasiosa é mais divertida de contar. Entre “os egípcios trabalharem duro durante décadas” e “um viajante do tempo trazer um laser portátil para cortar pedras”, a segunda versão rende mais cliques e muito mais histórias para contar.


Continua…

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

WHATSAPP: COMO LIBERAR ESPAÇO E CRIAR IMAGENS COM IA

O SEGREDO É A ALMA DO NEGÓCIO.

O WhatsApp nasceu como uma versão multimídia do SMS, incorporou características de rede social e hoje reúne quase 3 bilhões de usuários em mais de 100 países (170 milhões só no Brasil), sendo largamente utilizado para troca de mensagens, fotos e vídeos. 

A questão é que os dados armazenados comprometem o desempenho de aparelhos com pouco espaço interno (menos de 128 GB), não só, mas também porque os arquivos permanecem gravados na memória do dispositivo após a exclusão das mensagens. Felizmente, há maneiras eficazes de liberar espaço. 

O próprio WhatsApp permite apagar mídias antigas na seção Armazenamento e Dados, mas você pode fazer a faxina pelo gerenciador de arquivos (Google Files ou equivalente). Basta localizar a pasta WhatsApp e excluir o conteúdo das subpastas Media e Sent.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

"Semana difícil para a cidade, boa para o prefeito", escreveu o jornalista Fábio Behrend em sua coluna no Bom Dia São Paulo. Com efeito: Ricardo Nunes enfrentou uma semana desafiadora, mas articulou uma proibição velada de transporte por moto via aplicativo, lidou rapidamente com uma greve de motoristas de ônibus e aproveitou a indignação popular após vendaval para criticar a Enel pela lentidão nos reparos e confrontar o governo federal, ganhando atenção positiva. Em outras palavras, um ex-vereador inexpressivo vai marcando como prefeito um estilo que o colocará em disputas maiores.

Se seu celular estiver com pouco espaço, acesse as configurações do mensageiro, desative o download automático de mídias e configure para que somente os contatos selecionados possam enviar arquivos. Se o problema persistir — e seu aparelho suportar —, instale um cartão de memória e recorra a aplicativos de terceiros, como CCleaner e Avast Cleanup, disponíveis na Google Play Store (as versões pagas são mais eficientes e custam pouco).

Outra opção é usar serviços de armazenamento em nuvem, como o Google Drive. Mas talvez esteja mesmo na hora de aposentar o aparelho velho de guerra e investir em um modelo mais robusto — com pelo menos 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento. Se o orçamento permitir, melhor ainda será optar por 16 GB e 512 GB, respectivamente.

Falando em WhatsApp, a criação de imagens com inteligência artificial é uma dúvida recorrente entre os usuários. A Meta lançou sua IA no fim de 2023 e a incorporou ao WhatsApp, Facebook e Instagram. Com o recurso integrado ao app, é possível gerar imagens — e até fotos realistas — em poucos segundos, a partir de descrições de texto e sem precisar instalar softwares de terceiros. Os resultados podem ser enviados diretamente em conversas e salvos na galeria do celular para uso posterior.

O processo é simples: abra o WhatsApp, acesse um chat, toque no ícone de + (na parte inferior esquerda da tela) e selecione Imagens de IA. Você pode usar imagens em alta resolução já disponibilizadas pelo app: basta escolher uma categoria, selecionar a foto desejada e tocar em Send, no canto direito, para enviá-la ao contato.

Para criar suas próprias imagens com o recurso Imaginar, volte à seção Imagens de IA, toque em Descreva uma imagem, digite as características desejadas, pressione Enter, escolha o resultado que melhor traduz o que você imaginou e toque em Send. Para salvar, abra a imagem, toque no ícone de compartilhamento (quadrado com seta para cima) e selecione Salvar.

Divirtam-se.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

HORA DE TROCAR O COMPUTADOR?

HÁ MALES QUE VÊM PARA O BEM E MALES QUE VÊM PARA PIOR.

Com o fim do suporte ao Windows 10 e as exigências de hardware do Windows 11, a hora de substituir o velho PC de guerra pode ser agora. Para não ser pego no contrapé pela obsolescência programada, tenha em mente que:


O processador principal — também chamado de CPU e tido como o cérebro do computador — define a velocidade de resposta e a capacidade de executar tarefas simultâneas. Chips como o Intel Core Ultra 5 e o AMD Ryzen 5 atendem bem à maioria dos usuários, mas quem precisa de mais desempenho deve optar pelas versões Ultra 7, Ryzen 7, Ultra 9 e Ryzen 9, que são voltadas ao uso mais intenso.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A Primeira Turma do STF definiu nesta terça-feira (18) as penas dos nove réus do Núcleo 3 que foram condenados pela trama golpista ocorrida durante o governo de Jair Bolsonaro. Paralelamente, segue em cartaz o último capítulo do processo contra os réus do núcleo principal.

Dois espetáculos não cabem no mesmo palco — ou no mesmo evento histórico —, mas o show da democracia tem que continuar, e a contagem regressiva para as condenações definitivas e irrecorríveis impõe às Forças Armadas o lançamento do ritual da desonra de Bolsonaro, seus aliados de farda (Braga Netto, Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira) e um almirante (Almir Garnier).

Os cinco membros do estado-maior do golpe precisam perder as patentes e ser expulsos também da folha de aposentados, mas, ainda que sejam punidos com rigor máximo pelo Superior Tribunal Militar, Bolsonaro e seus aliados de farda serão declarados "mortos fictos", e seus vencimentos passarão a ser pagos a familiares.

Há cerca de 600 defuntos de papel nas FFAA., com esposas, companheiras e filhas embolsando cerca R$25 milhões por ano, e tudo indica que a remuneração de zumbis golpistas por meio de familiares será mais uma afronta a quem paga impostos para sustentar essa aberração.


As unidades de processamento neural dos chips de última geração aceleram tarefas de IA, oferecem recursos sofisticados e consomem menos energia — o que é fundamental para usuários de notebooks. Se o orçamento estiver apertado, uma ou duas gerações de atraso não serão problema, desde que você evite modelos de entrada.


Notebooks com gabinete de alumínio ou liga de magnésio são preferíveis aos de plástico por serem mais leves, resistentes e por dissiparem melhor o calor. Teclados bem espaçados, com teclas de toque suave, reduzem o cansaço em longas digitações. A conexão Wi-Fi 6E garante internet rápida e estável, enquanto o Bluetooth 5.3 facilita o uso de fones, mouses e outros acessórios sem fio. Se você costuma usar o portátil em trânsito, priorize uma bateria com autonomia superior a seis horas.


Todo dispositivo computacional utiliza memória RAM (também chamada de física ou primária) para abrir aplicativos e arquivos. Com 16GB, é possível rodar vários programas ao mesmo tempo (multitarefa) sem que o sistema fique lento ou trave. 8GB mal dão conta de tarefas básicas, como navegar na internet, gerenciar e-mails e assistir a vídeos — mas vale lembrar que existem diferentes tipos de RAM, sendo a DDR5 a mais nova e rápida.


Os HDDs e os SSDs representam a memória secundária (ou de massa) do computador, onde o sistema operacional, os aplicativos e todos os arquivos criados e salvos pelo usuário são armazenados de forma persistente (não confundir com permanente). Com drives de memória flash, a máquina liga mais rápido e os aplicativos abrem instantaneamente — investimento que vale cada centavo. Os SSDs NVMe são mais rápidos que os SATA, e 512 GB costumam ser suficientes para guardar documentos, fotos, vídeos e programas. Já quem trabalha com arquivos grandes pode precisar de 1 TB ou mais.


A GPU (Unidade de Processamento Gráfico) é responsável por gerar as imagens exibidas na tela. A maioria das máquinas modernas traz placas de vídeo integradas (onboard), que usam parte da RAM principal como memória de vídeo. Modelos com placas de vídeo dedicadas (offboard) têm sua própria memória e são muito mais eficientes, mas tendem a custar mais caro. As GPUs dedicadas são ideais para quem precisa de desempenho gráfico avançado, mas aumentam o consumo de energia e o preço final do aparelho — e de nada adianta pagar mais por uma GPU mais potente se a ideia é navegar na internet e assistir a vídeos.


Quanto à tela, modelos com tecnologia IPS oferecem cores precisas e bons ângulos de visão, enquanto o OLED proporciona melhor contraste e tons de preto mais profundos. A resolução mínima recomendada é a Full HD (1.920 × 1.080) — QHD e 4K exibem imagens mais nítidas, mas a diferença dificilmente compensa o aumento no consumo de energia. No que tange à taxa de atualização, 60Hz são suficientes para o uso geral e 120Hz para gamers e profissionais. Já um brilho acima de 300 nits garante boa visibilidade mesmo sob luz direta.


Quando os primeiros laptops surgiram, recomendava-se não usá-los plugados na tomada o tempo todo, de modo a não comprometer a vida útil das baterias de Níquel-Cádmio. Isso mudou com os íons/polímeros de lítio, que não sofrem do efeito memória (redução da capacidade de armazenamento que as baterias antigas apresentavam quando eram recarregadas antes de se esgotarem totalmente). Com a bateria em 100% e o carregador conectado, os notebooks modernos passam a ser alimentados diretamente pela energia da tomada, de modo que a bateria não “vicia”. Ainda assim, notebooks e celulares desligam automaticamente quando o nível de carga atinge cerca de 5%. Se e quando for preciso “recalibrar” a bateria, carregue-a a 100%, deixe-a descarregar completamente e torne a carregá-la.


Adicionalmente:


Evite comer ou beber durante o uso do notebook, pois há risco de derramar líquidos nas frestas do teclado integrado e danificar os componentes internos.


Usar o portátil no colo, na cama ou sobre almofadas também é prejudicial, já que a obstrução das saídas de ventilação pode causar superaquecimento.


Pegar o aparelho pela tela pode causar danos significativos, pois a pressão excessiva compromete o display e a estrutura do gabinete — o certo é manusear a máquina pela base e usar uma mochila adequada para transportá-la.


Para limpar a tela e o gabinete do note, use um pano seco de microfibra ou 100% algodão (mais detalhes nesta postagem).


Mantenha o sistema, os aplicativos e os drivers sempre atualizados, evite abrir arquivos e baixar programas de fontes desconhecidas e proteja o aparelho com uma suíte de segurança confiável.


A Black Friday está chegando. Embora os maus comerciantes aumentem os preços antes de aplicar os descontos, quem pesquisar em sites como Zoom e Buscapé e acompanhar o histórico de preços e verificar se o desconto é real pode economizar um bom dinheiro.


Boas compras.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

DO TELEFONE DE D. PEDRO AO CELULAR (FINAL)

O PAPAGAIO COME O MILHO E O PERIQUITO LEVA A FAMA. 

A lógica segundo a qual "quanto mais funções o celular oferecer, melhor ele será" é uma meia-verdade: alguns recursos avançados impressionam na ficha técnica, mas oferecem pouca ou nenhuma utilidade prática no dia a dia.

Telas com taxa de atualização de 144 Hz ou superior, sensor de profundidade, resolução QuadHD, zoom digital de 100x, câmeras macro de 2 MP e gravação em 8K são bons exemplos de chamarizes publicitários com benefícios reais bastante limitados para a maioria dos usuários.

Observação: a diferença entre as resoluções QuadHD e Full HD é praticamente imperceptível a olho nu, especialmente em telas de 6 a 7 polegadas, que dominam o mercado. Além disso, o QuadHD consome mais bateria e exige mais do chip gráfico, já que operar nessa resolução demanda processamento visual extra. 

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Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, as ruas roncaram três vezes. A maior mobilização ocorreu no último sábado, quando milhões de pessoas levaram sua insatisfação ao meio-fio, nos 50 estados americanos, com o slogan No kings (sem reis).

Na contramão da declaração de independência e da ratificação da constituição americana, Trump implantou em poucos meses uma monarquia particular, onde reina uma insensatez que desafia o mundo e os Estados Unidos. O desafio do mundo é sobreviver à irracionalidade, o da sociedade americana é detê-la.

O primeiro reinado de Trump foi um ensaio. Bem equipado, Trump 2º sentiu-se liberado para exorbitar. A campanha eleitoral foi um prenúncio do que estava por vir. Quando um tiro triscou sua orelha num comício, ele soou messiânico: "Deus poupou minha vida por um motivo. Esse motivo foi salvar nosso país." Meses depois, no discurso da vitória, esboçou o caráter monárquico de sua nova administração: "Os Estados Unidos nos deram um mandato poderoso e sem precedentes. Vou governar com um lema simples: promessas feitas, promessas mantidas."

O que Trump disse, com outras palavras, foi mais ou menos o seguinte: "não conquistei o poder autocrático pela força; foi com a permissão do eleitorado que voltei à Casa Branca a despeito de ter sido condenado por dezenas de crimes e acusado de dezenas de outros cujos julgamentos foram paralisados pela vontade popular."

Cumprindo rigorosamente o que havia prometido, a calopsita alaranjada proporciona aos EUA um estilo autoritário de governo jamais visto nos quase 250 anos de história do país. Faz isso escorada na vontade da maioria do eleitorado americano, que exerceu com a máxima plenitude o direito de construir o seu próprio caminho para o inferno.

Embora pujantes, os protestos não devem deter o monarca laranja — em declaração à Fox News, sua emissora de estimação, sua alteza ironizou: "estão se referindo a mim como um rei. Eu não sou um rei". 

O lero-lero trumpista trata os atos como erupções de “ódio à América”, mas o asfalto revela-se o melhor antídoto contra a monarquia de Trump, e o fato de a efervescência sinalizar que a democracia ainda pulsa nos Estados Unidos já é um bom começo. Ou recomeço.

Mesmo para quem usa o celular como câmera fotográfica, o zoom digital de 100x (ou superior) encarece o aparelho sem entregar fotos melhores. Ao contrário do zoom óptico — que aproxima a imagem por meio da lente —, o recurso apenas "estica" os pixels, resultando em perda de qualidade, ruído e baixa definição. 

O mesmo vale para telas de 144 Hz: embora a taxa de atualização influencie na fluidez da imagem — quanto maior o número, mais suave tende a ser a reprodução de vídeos, jogos e animações —, os ganhos se tornam praticamente imperceptíveis a partir de 120 Hz.

O sensor de profundidade, usado para criar o efeito de fundo desfocado no modo retrato, tem perdido relevância: muitos celulares atuais conseguem reproduzir esse efeito (muitas vezes com qualidade superior) apenas com software e Inteligência Artificial. Assim, na hora de escolher um novo aparelho, priorize uma boa câmera principal em vez de lentes auxiliares que funcionam apenas como sensor de profundidade.

Já as câmeras macro servem para fotografar objetos muito próximos, o que pode ser útil para entusiastas de fotografia. No entanto, se a lente tiver resolução de apenas 2 MP, as fotos serão de baixa qualidade, com muito ruído e pouca nitidez. Muitos modelos já oferecem a função macro na própria câmera principal, com o auxílio da IA; caso a presença de uma lente dedicada seja importante para você, verifique se ela tem, no mínimo, 5 MP, o necessário para garantir fotos aproximadas com boa qualidade.

Por fim, a gravação de vídeos em 8K oferece maior definição, mas também consome mais bateria e espaço de armazenamento. Além disso, ainda são poucos os televisores e monitores compatíveis com essa resolução. O 4K, formato mais utilizado atualmente, atende bem à maioria das necessidades. A diferença de nitidez entre vídeos gravados em 4K e 8K costuma ser pequena — ao contrário da diferença de preço, que pode ser bem significativa.

Como dinheiro não dá em árvores, priorize características que realmente fazem diferença no uso diário, como processador, memória RAM, armazenamento interno e capacidade da bateria.

Boas compras.

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 41ª PARTE

O TEMPO NÃO PARA NO PORTO, NÃO APITA NA CURVA, NÃO ESPERA NINGUÉM. 

Colher o "fruto mais cobiçado da árvore da relatividade" exige saber o que é e como funciona o "tempo" — que os dicionaristas definem como "período sem interrupções no qual os acontecimentos ocorrem". Assim, se o hoje é o amanhã de ontem e o ontem de amanhã, e se as causas precedem as consequências, então o que aconteceu dita as regras do que acontecerá. 


É certo que avançamos para o futuro do momento em que nascemos até nosso último suspiro — se continuamos avançando nas vidas futuras, como sustentam os que acreditam em reencarnação, ou ao longo de toda a eternidade, como dizem os que creem em vida eterna, ninguém ainda voltou para contar. 


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Na política, a diferença entre a genialidade e a estupidez é que a genialidade tem limites. Eduardo Bolsonaro não sofre de insanidade; apaixonou-se por ela, aproveita cada segundo desse convívio e é plenamente correspondido: segundo a embaixada dos Estados Unidos no Brasil, Xandão usurpou o poder ditatorial ao ameaçar desafetos e seus familiares com prisão e outras penalidades. 

"Para quem ainda não entendeu”, explica o filho do pai, “os Estados Unidos estão dispostos a ir às últimas consequências para destruir todos os obstáculos ao resgate da harmonia entre os Poderes." Faltou definir "ultimas consequências", mas o que o rebento do refugo da escória da humanidade quis dizer foi mais ou menos o seguinte: "a iminente condenação de papai atiçará a fúria Trump, que não hesitará em decretar o Juízo Final para o bem do Brasil".

Segundo o Datafolha, 89% dos brasileiros avaliam que o tarifaço de Trump trará prejuízos para a economia, 77% acham que suas finanças pessoais serão afetadas, e 57% condenam a interferência dos EUA na Justiça brasileira. Traduzindo o que diz a pesquisa, "se a estupidez matasse, os políticos que defendem as sanções de Trump deveriam colocar pontes de safena no cérebro, e os que se acorrentam a Bolsonaro — como o governador paulista Tarcísio de Freitas — deveriam cagar ou sair da moita." 

A esta altura, matar o tempo equivale a cometer suicídio.


O romance A Máquina do Tempo — publicado por H.G. Wells em 1895 — inaugurou o conceito de uma tecnologia capaz de nos levar a outros pontos da linha temporal. A ideia, revolucionária para a época, já suscitava dilemas filosóficos e sociais, como as implicações morais de alterar o curso dos acontecimentos e a alienação do ser humano diante de um futuro incontrolável.


Supõe-se que um retorno ao passado produza mudanças que criariam um "novo presente" — como explica o célebre paradoxo do avô. Em última análise, o simples desembarque de um hipotético viajante no passado já alteraria o fluxo dos acontecimentos. Ou não.


Kip Thorne — laureado com o Nobel de Física em 2017 por seus estudos sobre ondas gravitacionais — e outros astrofísicos renomados acreditam ser possível viajar para o passado sem criar paradoxos. Não ao "nosso passado", mas a um passado alternativo de um universo paralelo. Segundo eles, se o espaço-tempo pode ser curvado, distorcido e expandido, então pode se desdobrar em múltiplas versões coexistentes. Nesse cenário, em vez de inviabilizar o próprio nascimento matando o avô, o viajante do tempo criaria uma nova ramificação da realidade para acomodar aquele evento — ideia que se alinha à interpretação dos muitos mundos.

 

Já o Princípio da Autoconsistência, formulado pelo físico russo Igor Novikov em 1980, sustenta que eventos causados por viagens no tempo devem ser consistentes com o passado já existente, preservando a lógica e a história tal como conhecemos. Se alguém tentasse matar o próprio avô, algo impediria o ato, pois o passado desse alguém está "selado", ou seja, escrito de maneira consistente com o presente do qual esse alguém partiu.

 

Einstein definiu o Universo como um bloco quadridimensional que contém todo o espaço e o tempo simultaneamente, sem um "agora" especial. Segundo Julian Barbour, o Universo tem dois lados, e o tempo corre simultaneamente nos dois sentidos. Se nada mudasse, o tempo ficaria parado, pois tempo é mudança. Mas se o que vemos acontecer não é o tempo, e sim a mudança, então o tempo não existe. E ainda existisse, o Universo está se expandindo em todos os lugares, de modo que não faria sentido ele fluir numa única direção. Ademais, o que determina a passagem do tempo não é o aumento da entropia, e sim o aumento da complexidade sem limites de tempo ou de espaço.

 

Roger Penrose, conhecido por suas contribuições à cosmologia e à compreensão da gravidade, afirma que Big Bang criou um "universo espelho", onde o tempo e a matéria se movem em direções opostas, retrocedendo em direção ao "momento zero". Carlo Rovelli, que se notabilizou por seus estudos sobre a gravidade quântica em loop, sustenta que a hipótese de o espaço ser um recipiente amorfo das coisas desaparece da física com a gravidade quântica. E se o espaço não é um "recipiente que contém as coisas", então o tempo não é uma linha reta pela qual as coisas fluem como uma sucessão de acontecimentos formados por passado, presente e futuro. 

 

Observação: Em 2012, Rovelli iniciou uma palestra dizendo que o tempo não existe. Em sua visão, ao invés de ser uma medida cronológica como a usada nos calendários, o tempo é na verdade uma variável resultante da crescente entropia do cosmo ao longo de seus quase 14 bilhões de anos de existência. Em A Ordem do Tempo, ele explora as concepções que a humanidade já teve acerca desse elemento crucial da realidade, de Newton, que teorizava duas formas de tempo, e Einstein, para quem o espaço-tempo resultaria de deformações do campo gravitacional até o atual estágio das pesquisas.

 

Para entender a teoria da gravidade quântica em loop, é preciso renunciar à ideia de espaço e tempo como estruturas gerais para enquadrar o mundo, mas compreender o mundo exige contrariar a nossa própria intuição: se realmente existe um limite para o espaço e o tempo, então a relatividade geral e a mecânica quântica deixam de brigar uma com a outra. 

 

A exemplo da Teoria das Cordas, a gravidade quântica em loop carece de comprovação experimental. Mas vale lembrar que tanto as ondas gravitacionais quanto o bóson de Higgs e as ondas eletromagnéticas permaneceram décadas no campo das teorias até sua existência ser provada.

 

Para atestar a irrealidade do tempo usando o pensamento lógico e um baralho, o matemático britânico J.M.E. McTaggart dividiu as cartas em duas pilhas, ordenou-as cronologicamente na primeira e aleatoriamente na segunda, e concluiu que a noção de tempo linear (como na primeira pilha) não basta para capturar a realidade dos eventos, e que sem a ordem temporal (na segunda pilha) eles ainda existem, embora não haja "antes" nem "depois". Num segundo experimento, ele introduziu uma terceira pilha cartas para demonstrar que, mesmo que se tente classificar os eventos em termos de passado, presente e futuro (como na segunda pilha), a realidade dos eventos (terceira pilha) independe dessa categorização. 


Se o tempo é um processo que precisa de tempo para acontecer, é preciso tempo para descrever o tempo. E se essa circularidade viola a lógica, então o tempo não existe de verdade. Mas possibilidade de o tempo não existir tornaria a vida muito sem graça — não teríamos aniversários nem réveillons para celebrar, nem datas como o Natal, o Dia das Mães, o Dia dos Pais, entre outras que se repetem ano após ano. Também seria difícil compreender o processo de envelhecimento. 


Sem o tempo, os eventos não teriam uma ordem definida, e tudo pareceria acontecer ao mesmo tempo — ou talvez nada acontecesse de fato, já que causa e efeito perderiam o sentido. Como perceberíamos mudanças, conquistas, amadurecimento? Como distinguiríamos passado, presente e futuro? Nossa memória e nossas expectativas deixariam de ter propósito, e até a própria noção de história se desfaria.


No livro Tempo: O Sonho de Matar Chronos, o físico italiano Guido Tonelli explica que o tempo é um elemento material que "ocupa o universo inteiro, que vibra, oscila e se deforma". Se dois astronautas viajassem em direção a um buraco negro supermassivo, um deles mantivesse a nave a uma distância segura do fenômeno e o outro cruzasse o "horizonte de eventos", o tempo pareceria continuar passando normalmente para este, mas um sinal de rádio que ele enviasse para o colega fora buraco negro levaria uma eternidade para ser recebida. Em outras palavras, o tempo flui diferente em diferentes regiões do Universo, e apenas tecnicidades nos impedem de dobrá-lo a nosso favor.

 

Voltando à questão dos paradoxos temporais, um evento capaz de alterar o passado e provocar uma inconsistência no Universo tem zero chance de ocorrer. De acordo com a conjectura da proteção cronológica — proposta por Stephen Hawking em 1992 — as leis da física obstam o surgimento de curvas fechadas do tipo tempo, impedindo que algo volte a um ponto do passado e continue se movendo até chegar novamente ao ponto de partida. Um dos mecanismos sugeridos para essa "conspiração" é a necessidade de energia negativa para estabilizar os buracos de minhoca. 

 

Na trilogia De Volta para o Futuro, o paradoxo do avô é o motor dramático da trama; em Dark, o tempo é apresentado como um ciclo fechado, onde causas e consequências se retroalimentam, alinhando-se à ideia de autoconsistência; em Interestelar vemos como a dilatação temporal pode tornar décadas num planeta em meros minutos dentro de uma nave; e obras como Rick and Morty e Tudo em todo lugar ao mesmo tempo exploram — com humor ou caos —,a ideia de múltiplos mundos e realidades paralelas coexistentes com a nossa.

 

Segundo a física teórica Lisa Randall, não se consegue provar definitivamente uma teoria; o que se consegue é validá-la empiricamente e excluir as alternativas que não se sustentam. Essa natureza provisória do conhecimento científico nos conduz a uma reflexão fascinante: quanto mais desvendamos o mundo, mais descobrimos que ainda muito por desvendar. Como bem observou Rovelli, "a única coisa realmente infinita no Universo é nossa ignorância".


Talvez nenhum de nós ainda caminhe entre os vivos quando a primeira máquina do tempo for finalmente construída, mas a ideia nos leva a questionar o que é real, o que é possível e até onde vai o poder das leis físicas. Se o tempo for apenas uma construção mental, então nossa noção de destino, memória e identidade pode estar baseada em algo ilusório, e o verdadeiro "viajante do tempo" pode ser o próprio pensamento humano, que se move livremente entre passado, presente e futuro — mesmo quando o corpo permanece inexoravelmente preso ao agora.


Continua...