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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

O TEMPO PERGUNTOU AO TEMPO QUANTO TEMPO O TEMPO TEM... (FINAL)

QUE OS MISTÉRIOS PERMANEÇAM INSONDÁVEIS PARA QUE A BUSCA NUNCA TERMINE. 

Como vimos no capítulo anterior, a parte observável do universo contém cerca de dois trilhões de galáxias — as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões.


Nem todos esses sextilhões de "sóis" são orbitados, mas presume-se que haja tantos planetas quanto estrelas em nossa galáxia, e que a real extensão do cosmos além dessa região seja centenas, milhares ou até infinitas vezes maior do que a fração infinitesimal que conseguimos observar.


Quando as luzes da cidade e a poluição não atrapalham, conseguimos visualizar a olho nu cerca de 5 mil estrelas pertencentes à Via Láctea, a Andrômeda e às duas Nuvens de Magalhães. Entretanto, quando perscrutamos o céu com nossos telescópios espaciais mais poderosos, podemos ver cerca de 46,5 bilhões de anos-luz em todas as direções. Esse é o universo observável, ou seja, tudo que a luz teve tempo de alcançar desde sua criação, há 13,8 bilhões de anos.


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“É a economia, estúpido!” A frase cunhada em 1992 por James Carville, estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton, veste como uma luva nas eleições de outubro: segundo a última pesquisa Genial/Quaest, 82% das famílias estão endividadas e 69% dos entrevistados sentem seu poder de compra diminuído. Em que pesem escândalos e polarizações, muitos brasileiros vão votar com o bolso. Mas o que os principais candidatos a ocupar o Palácio do Planalto pretendem fazer com o nosso dinheiro?

Quarto candidato a ser sabatinado pela TV Globo, Lula questionou o uso de conversas telefônicas como evidência, mas adotou tom diferente ao falar do ex-chefe de gabinete — o Marcola —, investigado por sua relação financeira com a lobista Roberta Luchsinger. 

Nesse caso, o xamã petista afirmou que o ex-assessor agiu de forma “totalmente errada” ao receber valores da empresária e disse que, se ele cometeu irregularidades, terá de pagar por elas. No do filho, classificou como “ilações” as suspeitas envolvendo o menino de ouro e afirmou que ele terá de se defender das investigações. 

Na seara econômica, o molusco afirmou que a dívida pública, hoje acima de 80% do PIB, não o preocupa, e defendeu a condução fiscal de seu governo. Como se não bastasse, atribuiu parte do aumento da dívida aos juros elevados, afirmou ter herdado do governo Bolsonaro um déficit de 2,8% do PIB, e que espera encerrar este ano com superávit primário. Além disso, chamou a lobista Roberta Luchsinger de “pilantra” e negou qualquer relação com ela. Questionado sobre mensagens obtidas pela Polícia Federal, afirmou que as conversas não comprovam o uso de dinheiro público e colocou em dúvida seu valor como evidência. 

“O que um pilantra ou um cara qualquer pode fazer num telefone?”, disse. Para completar, declarou nunca ter visto ou conversado com Luchsinger e negou que ela tenha tido qualquer proximidade com ele. No entanto, apesar das negativas, a lobista tem em sua conta no Instagram pelo menos três fotos com ele, tiradas entre 2022 e 2023, as imagens causaram desconforto na equipe da campanha petista. 

O estadista de fancaria também saiu em defesa do senador petista Jaques Wagner ao comentar as suspeitas que envolvem o aliado no caso Banco Master, afirmando que não pode fazer política com base em “ilações” e disse confiar na honestidade do correligionário. Segundo ele, até agora não há comprovação de uma relação de Wagner com o Banco Master, mas que “Se ele cometeu um desvio, vai pagar o preço”, afirmou.

Dos 40 minutos de entrevista, 25 foram sobre corrupção, nos quais o macróbio eneadáctilo demonstrou não ter aprendido muito em relação ao passado. Garantiu que se algo ficar provado contra o filho e o ex-chefe de gabinete, eles terão que pagar. Mas as afirmações sensatas logo deram lugar à irritação, quando ele passou a comparar a situação do filho à Lava-Jato e a acusar a PF de vazar informações e a imprensa de divulgar mentiras. 

Acuado por denúncias que estouraram bem no início de sua campanha, precisou se amparar em seus governos anteriores e, de maneira menos focada, no futuro, para sobreviver aos questionamentos dos entrevistadores. 

A entrevista na Rede Globo mostrou que o ex-presidiário faz um mandato sem marcas e vive de uma era remota. Confira o que foi verdade, exagero ou simplesmente falso na sua sabatina.

A guerra mais sangrenta e decisiva para o resultado da eleição presidencial não se dará no horário eleitoral, nas redes sociais ou nos debates, mas no Supremo Tribunal Federal, onde tramitam os casos Dark Horse e Lulinha. O ritmo de cada um e as revelações produzidas daqui para a frente não definirão só quem tem mais chance de vitória numa eleição pautada pela rejeição, mas também com quem ficará o domínio do tribunal.


Algo em torno de 440 sextilhões de quilômetros pode parecer um infinito, até porque engloba bilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas. Mas a teoria da inflação cósmica sugere que o universo pode ser incomensuravelmente maior — segundo os modelos científicos mais aceitos, pelo menos 10²³ vezes maior que nossa esfera observável. Tudo o que vemos — todas as galáxias distantes, todos os quasares, toda a imensidão que nos faz sentir insignificantes — é literalmente nada comparado ao que existe além, de estruturas cósmicas inimagináveis até regiões com leis físicas diferentes. No entanto, devido à velocidade finita da luz e à expansão acelerada do Universo, nenhum sinal dessas regiões jamais nos alcançará.


Em outras palavras, isso significa que continuaremos dentro de uma bolha de informação limitada, presos a um horizonte de eventos informacionais e completamente cegos para a verdadeira escala da realidade. A despeito de já termos saído do planeta Terra e de estarmos cogitando fundar colônias na Lua e em Marte, é possível que jamais cheguemos a conhecer a vastidão real do cosmos: além de superar todos os obstáculos de velocidade, tempo e distância, ainda seria preciso lidar com um assassino silencioso embuçado no espaço interestelar, que está repleto de raios cósmicos e partículas subatômicas ejetadas por supernovas, buracos negros e outros eventos, que viajam a velocidades próximas à da luz.


Observação: Até não muito tempo atrás, pensava-se não ser possível transpor a Linha de Kármán — limite imaginário que fica a 100 km de altitude, considerado como "início do espaço" por ser o ponto onde atmosfera se torna rarefeita demais para a sustentação aerodinâmica de aeronaves comuns. É fato que o atrito das moléculas de ar contra a fuselagem a velocidades hipersônicas causa um calor extremo, o que exige escudos térmicos, como também é fato que lutar contra a atração gravitacional requer foguetes extremamente potentes, capazes de alcançar a velocidade de escape (40.320 km/h ou 11,2 km/s).


Na Terra, estamos protegidos pelo campo magnético e pela atmosfera, que desviam e absorvem a maior parte dessa radiação mortal. Como uma nave viajando pelo espaço não conta com essa proteção, os astronautas seriam bombardeados constantemente por radiação ionizante. Durante uma viagem de décadas ou séculos até a estrela mais próxima, mesmo com blindagem significativa, a exposição cumulativa à radiação causaria danos catastróficos ao DNA humano, levando a cânceres agressivos, falência de órgãos e morte prematura, e gerações inteiras de tripulantes nasceriam com mutações genéticas severas. E construir uma blindagem suficientemente espessa para proteger dessa radiação tornaria a nave tão massiva que seria praticamente impossível de acelerar.


Como se vê, além de nos manter longe das estrelas através da distância, o Universo borrifa o caminho até elas com veneno invisível e inevitável. Pode-se tentar cruzar o abismo, mas a jornada em si mataria os cosmonautas muito antes que eles chegassem a seu destino. Isso sem falar que não existe combustível que baste para acelerar uma nave blindada contra a radiação e manter sistemas de suporte de vida para gerações. 


Vale destacar que acelerar uma nave do tamanho de um ônibus espacial até 10% da velocidade da luz usando propulsão de fusão nuclear exige combustível equivalente a centenas de vezes a massa da própria nave. E para acelerar até 50% da velocidade da luz, a quantidade de combustível superaria a massa de planetas inteiros. Além disso, também é preciso desacelerar a nave quando ela chegar ao destino, o que significa carregar ainda mais combustível para desaceleração. 


A equação do foguete de Tsiolkovsky demonstra matematicamente que quanto mais combustível é adicionado, mais a massa total aumenta e mais combustível é necessário para acelerar, criando um ciclo vicioso. Em última análise, a quantidade de combustível excede toda a matéria disponível no sistema solar — mesmo que convertêssemos planetas inteiros em combustível, a quantidade seria insuficiente para enviar uma única nave em uma viagem interestelar.


Em face do exposto, fica evidente que o Universo não nos deu recursos sequer para explorar nossa própria vizinhança cósmica. E não estamos trancados apenas pelas leis da física, mas também pela escassez brutal de energia, o que pode tornar a comunicação interestelar matematicamente impossível.


Mesmo que, contra todas as probabilidades, conseguíssemos enviar uma nave tripulada a Próxima Centauri, e que, depois de estabelecer uma colônia, os astronautas tentassem se comunicar com a Terra, cada mensagem levaria 4,24 anos para chegar — ou seja, uma conversa simples, com uma pergunta e uma resposta, demoraria 8,5 anos. Diante disso, qualquer emergência, qualquer pedido de ajuda ou de informação crítica se tornaria irrelevante em função do tempo. Ou seja: se algo desse errado na colônia, todos morreriam antes que qualquer auxílio pudesse ser organizado na Terra.


Numa colônia em uma estrela a 100 anos-luz de distância, cada troca de mensagens levaria duzentos anos, e considerando que nenhuma civilização, cultura ou espécie biológica consegue manter coesão através de atrasos de comunicação medidos em gerações humanas, essa colônia se tornaria uma entidade completamente separada, sem conexão significativa com seu mundo natal. 


O fato de a velocidade da luz ser o limite universal não só nos impede de viajar livremente pelo cosmos como assegura que qualquer tentativa de construir uma civilização interestelar resulta na fragmentação instantânea e permanente dessa civilização em ilhas isoladas, incapazes de compartilhar conhecimento, cultura ou até mesmo linguagem. Mesmo que um dia consigamos sair, jamais poderemos manter contato com quem ficou para trás. Em outras palavras, estamos condenados não apenas ao isolamento físico, mas também ao isolamento informacional absoluto.


Podemos sonhar com as estrelas, podemos construir telescópios maiores e escrever equações mais elegantes, mas nada disso muda o fato de que somos prisioneiros — e não até desenvolvermos uma tecnologia melhor, mas para sempre.

O universo é vasto, antigo e indiferente, e nós, criaturas frágeis de carne e osso presas em um ponto azul pálido, jamais sairemos dessa jaula cósmica. 

Em face de todo o exposto, se você tivesse a chance de embarcar em uma nave interestelar sabendo que jamais veria a Terra novamente, que todos os seus entes queridos estariam mortos quando você chegasse a seu destino e se tornasse um fantasma do passado navegando pelo futuro, a pergunta é:


Você iria? 

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

AINDA SOBRE VÊNUS

AS NUVENS DO CÉU — O CÉU DO INFINITO EU DE NENHUM LUGAR.

Enquanto quase todos os planetas parecem obedecer à mesma coreografia cósmica, dois deles resolveram desafiar a regra: Vênus e Urano giram “ao contrário” dos demais — como engrenagens defeituosas num mecanismo celeste que deveria funcionar em perfeita harmonia.

Como vimos no post do último dia 5, seis dos oito planetas do nosso sistema solar orbitam o Sol no mesmo sentido da rotação da estrela, que é anti-horário — as exceções são Vênus e Urano, que têm "rotação retrógrada".

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Em desvantagem junto ao eleitorado feminino, o Plano A de Flávio Rachadinha era fechar um acordo com o PP e indicar a senadora Tereza Cristina para a vice. Deu errado. O Plano B era atrair o Republicanos e anunciar Daniela Marques, ex-presidente da Caixa, como número 2. Falhou. O Plano C era seduzir o Podemos e fazer da presidente do partido, Renata Abreu, a companheira de chapa. Novo malogro.

Abandonado pelas legendas do centrão, o filho do refugo da escória da humanidade descobriu que lhe faltava um plano de contingência. Obrigado a olhar para dentro do seu próprio partido, percebeu que lhe faltava no PL uma mulher de destaque. Improvisou um Plano D nas coxas e escolheu como candidato a vice um deputado de biografia mais que duvidosa.

O improviso foi realçado por uma postagem. Na noite da véspera, o escolhido, que havia informado nas redes sociais que disputaria uma vaga no Senado, foi empurrado para a cena nacional graças ao papel que exerceu como relator da CPI do INSS. Rejeitado pela comissão, seu relatório incluiu Lulinha no rol de indiciados. Seu papel na campanha será desgastar Lula, fustigando o primogênito do petista. As mulheres ficaram em segundo plano.

A escolha também desprezou uma questão essencial: a qualificação de quem poderá assumir a Presidência. Num país em que três vices assumiram o comando do país desde o fim da ditadura — Sarney, Itamar e Temer — é uma temeridade.


Para Urano, as hipóteses mais aceitas são: 1) a inclinação axial de 97,77° faz seu eixo de rotação ficar quase perpendicular ao plano orbital e "rolar" em torno do Sol; 2) a colisão com um grande objeto ter "derrubado" o planeta de lado e formado os 29 satélites que o orbitam a partir de pedaços de matéria ejetados, que foram se acumulando gradualmente.

Especula-se ainda que Urano pode ter sofrido mais de um impacto massivo no início de sua história, o que explicaria tanto seu ângulo axial quanto a órbita equatorial de suas luas — que giram em torno de Urano no mesmo plano do equador dele, o que é curioso, já que o planeta está "deitado".

No caso de Vênus, supõe-se que uma ou mais colisões com asteroides de grande porte alteraram seu sentido de rotação, ou que ele seja "puxado" pela gravidade solar e "empurrado" ao mesmo tempo por ondas gigantes, como num cabo de guerra, daí sua rotação ser não apenas retrógrada, mas também extremamente lenta — um dia venusiano dura 243 dias terrestres. Em contraste, sua órbita ao redor do Sol leva 225 dias terrestres. Isso significa que um dia é mais longo do que um ano — uma curiosidade sem paralelo no Sistema Solar. Isso sem mencionar que, devido à rotação invertida, o Sol nasce no oeste e se põe leste — um céu literalmente “ao contrário” do nosso.

Estar na superfície de Vênus seria como estar no fundo de um oceano muito, muito quente, com temperaturas superiores a 450 °C — calor suficiente para derreter chumbo. E o principal culpado não é o Sol, mas o efeito estufa descontrolado provocado pela densa atmosfera de dióxido de carbono, que retém o calor como um cobertor espesso ao redor do planeta. Além disso, a pressão atmosférica na superfície venusiana é cerca de 90 vezes maior do que a que experimentamos na Terra, equivalente à encontrada a 900 metros de profundidade nos oceanos terrestres.

Outro detalhe curioso: apesar de ser o segundo planeta a partir do Sol, Vênus é o mais quente em termos de temperatura média. Embora Mercúrio fique mais próximo do Sol, a ausência de atmosfera provoca variações brutais de temperatura (de 430 °C no lado iluminado a −180 °C no lado noturno), enquanto Vênus mantém a maior média térmica do Sistema Solar — 475 °C de forma constante, dia e noite, em qualquer ponto da superfície, como uma estufa perfeita e infernal.

Vênus é o astro mais brilhante do céu noturno depois da Lua, e por isso foi chamado de "Estrela da Manhã" ou "Estrela da Tarde" por diversas culturas ao longo da história — a depender de em qual parte de sua órbita se encontrava ao ser observado. Os maias chegaram a construir templos alinhados com seu movimento, tão importante era o planeta em sua cosmologia.

Visto da Terra, Vênus parece belo, sereno e brilhante, um farol delicado no céu noturno. Sob suas nuvens eternas, no entanto, esconde-se um verdadeiro apocalipse atmosférico em rotação lenta — uma lembrança cósmica de que aparência e realidade nem sempre orbitam juntas.

Como se vê, o Universo também sabe fazer propaganda enganosa.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE NOSSO SISTEMA SOLAR

DIANTE DA IMENSIDÃO DO COSMOS, SOMOS APENAS UM REFLEXOS NA JANELA DO UNIVERSO.

Depois que Plutão foi rebaixado a objeto transnetuniano (2006), nosso sistema solar ficou reduzido a 8 planetas, sendo quatro internos (os rochosos Mercúrio, Vênus, Terra e Marte) e quatro externos (os gasosos Júpiter, Saturno, Urano e Netuno). 

A União Astronômica Internacional batizou os planetas com nomes de divindades da mitologia romana. Mercúrio — o menor e mais próximo do Sol — ganhou o nome do deus associado ao comércio, às viagens e à eloquência (correspondente a Hermes, o mensageiro dos deuses na mitologia grega). Ele completa sua translação em 87 dias terrestres, mas leva 58 dias e 16 horas para girar em torno do próprio eixo. Ainda que tenha pouco mais de um terço do tamanho da Terra, pode ser visto nas primeiras horas da manhã ou logo após o pôr do Sol. 

Observação: Ainda que Marte seja tido e havido como nosso vizinho mais próximo, Mercúrio permanece a uma distância menor ao longo do tempo devido às dinâmicas das órbitas planetárias.

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Ex-fritador de hambúrgueres numa unidade da rede de fast-food Popeyes (que serve somente frango) no Maine, ex-escrivão da PF e ex-deputado federal, Eduardo "Bananinha" Bolsonaro poupou tempo à Justiça Eleitoral trocando a candidatura a uma vaga de suplente de senador por São Paulo pela de candidato imbatível ao ostracismo nos Estados Unidos.
Desde que se tornou um autoexilado, Bananinha vem colecionando revezes, incluindo uma condenação criminal por articular junto a autoridades dos Estados Unidos a imposição de sanções econômicas e políticas contra o Brasil, tentar intimidar o Judiciário e interferir no julgamento da ação penal que condenou seu pai por tentativa de golpe de Estado. Uma adversidade é acontecimento, duas, coincidência, três, aviso, quatro, destino, e o destino não mudou o filho do pai, apenas o desmascarou.
O filósofo Descartes concluiu: "Penso, logo existo". Cérebro do clã Bolsonaro, Bananinha interroga o espelho: "Por que é que eu penso? Para que diabos eu existo?" Mas não é só: enquanto investiga o déficit localizado entre suas orelhas, zero três é investigado no caso Dark Horse — a PF suspeita que parte dos R$ 61 milhões que Flávio Bolsonaro mordeu de Daniel Vorcaro financie o irmão nos Estados Unidos. 
Dudu nega. Diz que dispõe de uma "renda passiva". No português das ruas: não precisa trabalhar para viver. Pelo andar da carruagem, o fiduma terá um ostracismo dourado, sem o incômodo do suor.
 
Vênus, o segundo por ordem de afastamento do Sol, recebeu o nome da deusa do amor e da beleza (correspondente a Afrodite no panteão grego). Por ser visível a olho nu, os antigos achavam que se tratava uma estrela, e "a" batizaram de Vésper ("tarde" em latim.). Sua rotação, retrógrada como a de Urano, dura 243 dias terrestres, e sua translação, 224. Um dia venusiano é mais longo que seu próprio ano, e ainda que o tamanho, massa e composição química do planeta equivalham aos da Terra, a atmosfera densa, composta basicamente de dióxido de carbono, eleva a temperatura em sua superfície a mais de 400°C, e a pressão atmosférica a cerca de 90 vezes a da Terra.

Durante anos, acreditou-se que Vênus teria tido oceanos líquidos no passado e poderia ter mantido condições habitáveis, mas uma equipe da Universidade de Cambridge concluiu que o interior do planeta é seco demais para ter formado oceanos na superfície. A recente reanálise de dados da sonda Pioneer Venus levaram à conclusão de que as nuvens venusianas contém água em quantidades muito superiores às que se imaginavam, tornando plausível a existência de extremófilos. Ademais, a presença de gases como fosfina e amônia é difícil de ser explicada por processos puramente geológicos, levando a crer que a existência de vida microbiana nas camadas médias da atmosfera é plausível. 
 
Terceiro planeta por ordem de afastamento do Sol, a Terra foi chamada inicialmente de Gaia (nome da entidade titânica grega que representa a "Mãe Terra"). Até onde se sabe, trata-se do único planeta do Sistema Solar onde a vida surgiu e se desenvolveu. No entanto, considerando que algumas bactérias e outros organismos unicelulares são capazes de sobreviver no espaço sideral, há sementes de vida flutuando por toda a galáxia, o que torna viável a hipótese de a vida ter sido trazida por rochas que se desprenderam de Marte ou de suas duas luas.

A Terra fica na zona habitável do Sistema Solar — que os astrônomos chamam de "Cachinhos Dourados" numa alusão ao conto infantil homônimo, no qual a protagonista não gosta do mingau doce como o do bebê urso nem salgado como o do papai urso, mas "no ponto certo", como o da mamãe ursa. Mas isso não significa que não existam exoplanetas que abrigam formas de vida diferentes das que se desenvolveram por aqui, como sugerem os contatos do terceiro grau, nos quais os avistamentos envolvem não só os OVNIs, mas também seus tripulantes.

Diferentemente de Mercúrio, que não tem satélites, e de Marte, que tem dois, nosso planeta tem a Lua, que é responsável pelas marés e fundamental para a vida. Seu diâmetro é cerca de um quarto do da Terra, mas seu volume é 49 vezes menor e dia lunar dura 27,3 dias terrestres. Devido a um fenômeno conhecido como rotação sincronizada, o satélite leva exatamente o mesmo tempo para girar em torno de si mesmo e para orbitar a Terra (período chamado de mês sideral ou mês orbital). 

Devido a esse sincronismo, vemos sempre a mesma face lunar, daí ser comum falarmos em "lado escuro da Lua", quando na verdade ele é iluminado pelo Sol, apenas fica invisível para nós. Assim, o correto é dizer "face oculta da Lua", embora o célebre álbum The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd, ajudou a confundir o imaginário popular. Já o mês sinódico, como é chamado o período médio entre duas fases idênticas, como duas luas cheias consecutivas, e ligeiramente maior que o mês sideral, já que a Terra também se move ao redor do Sol durante esse intervalo. 

Marte é maior que Mercúrio e um pouco menor que Terra e Vênus. O nome do deus da guerra dos antigos romanos é uma alusão à sua cor avermelhada, resultante do óxido de ferro presente na atmosfera, que lembra o sangue derramado nas batalhas. A temperatura na superfície varia de -120 °C a 20 °C, conforme a região e a estação do ano, e as tempestades de poeira são comuns. Sua rotação leva 24,6 horas terrestres, com velocidade orbital de 24 km/s, e a translação, 687 dias terrestres. A origem de suas luas — Deimos e Phobos — é controversa: alguns cientistas acreditam que elas sejam asteroides capturados pela gravidade do planeta, enquanto outros atribuem sua formação a detritos lançados ao espaço pelo impacto de um meteoro gigante.

Existem projetos envolvendo a construção de uma cidade habitável em Marte, provavelmente na planície vulcânica Arcádia Planitia, mas Elon Musk reviu suas prioridades e resolveu construir uma base lunar, que ficaria pronta em menos de uma década, contra mais de 20 anos em Marte. Isso porque permanências muito longas no espaço causam perda de densidade óssea e muscular, diminuição do tamanho do coração, sono irregular, enfraquecimento do sistema imunológico e impactos na saúde mental dos astronautas. A NASA vem buscando maneiras de minimizar os efeitos da exposição prolongada à microgravidade, radiação cósmica e outras condições ambientais adversas, mas é mais fácil falar do que fazer. 

As missões Apollo percorriam a distância média entre a Terra e a Lua (384.400 km) em 3 dias; mas as sondas modernas fazem o mesmo trajeto em menos de 24 horas. O problema é o tempo que os astronautas teriam de permanecer no satélite para construir uma base que servisse de "trampolim" para a exploração de Marte e outros planetas do Sistema Solar. 

Uma viagem à Marte com a tecnologia disponível atualmente leva de 128 a 333 dias (a "oposição" entre os dois planetas ocorre a cada 26 meses, ao passo que a Lua fica mais próxima da Terra a cada 10 dias). Considerando o tempo de ida e volta e duas semanas de estada em solo marciano, os astronautas ficariam mais de um ano fora de casa. Mesmo assim, Mesmo assim, a SpaceX tenciona levar humanos até lá entre o final desta década e meados da próxima, e a Rússia vem desenvolvendo um motor elétrico de plasma que promete reduzir o tempo de viagem para menos de dois meses.

Mesmo que a prioridade de Musk passou a ser o projeto lunar, Marte continua sendo o destino final na visão da SpaceX, enquanto a Lua é o próximo passo concreto — mais rápido, mais iterável e mais atraente também para investidores.

Continua…

quarta-feira, 24 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A ENGENHARIA EXTRATERRESTRE

TALENTOS OCULTOS NÃO VALEM NADA.


Dizer que, se tanta gente avistou discos voadores, é porque existem discos voadores, é um argumento lógico tão fraco quanto sustentar que, se tanta gente acredita em Papai Noel, é porque Papai Noel existe.

Ignorar sistematicamente o que um sem-número de pessoas afirma ter visto — incluindo pilotos militares sob juramento — também não é ciência, e sim dogma com jaleco branco.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Amigo e líder de Lula no Senado, Jaques Wagner é apontado como "beneficiário central" de "vantagens econômicas" de integrantes do Master. Isso inclui um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de aeronaves e até ingresso para o camarote de show internacional em Los Angeles. Coisa de R$ 63,3 mil. Por uma trapaça do azar, o petismo e seu xamã ficaram inibidos de sapatear sobre uma promessa descumprida por Flávio Bolsonaro.

No dia 19 de maio, após reunião com as bancadas federais do PL, o filho de Bolsonaro disse ter feito uma encomenda ao fundo americano que recebeu a verba pedida por ele a Daniel Vorcaro e à produtora brasileira do filme Dark Horse. Deveriam apresentar, em até 30 dias, uma prestação de contas com o detalhamento das despesas com o filme. O prazo que o rival de Lula se autoconcedeu venceu exatamente nesta quinta-feira, mesmo dia em que a PF sacudiu o coreto do líder petista.

Em vez de exibir a prometida escrituração dos R$ 61 milhões que mordeu de Vorcaro a pretexto de financiar a cinebiografia do pai, o filho sentiu-se à vontade para agir como um macaco que senta no próprio rabo para falar mal da cauda dos outros. Acomodado sobre seus vícios, o rival de Lula declarou: "O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com uma operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida..."

Ao recusarem duas ofertas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, a PF e a PGR instalaram em Brasília uma espécie de câmara de descompressão. Jaques Wagner estava entre os políticos que respiravam aliviados. Animou-se a contestar no Senado, na terça-feira, reportagem da Veja que atribuiu a Vorcaro revelações sobre os negócios do Master com o PT baiano.

Estufando o peito como uma segunda barriga, o líder petista discursou: "Já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da (Polícia) Federal que encontrou algo sobre o meu comportamento". Decorridas menos de 48 horas, o senador obteve uma amostra do que foi descoberto sobre ele. Para complicar, a novidade veio ornamentada pela imagem do dinheiro apreendido.

Em entrevista, Jaques Wagner disse ter recebido telefonema de solidariedade de Lula. Anunciou: "Eu continuo na liderança até que o presidente peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso." Toda crise tem um preço. Lula parece ignorar uma obviedade: quem regateia paga mais caro. A sorte foi traiçoeira com Lula. Ele percorrerá a campanha à reeleição mancando, com o espinho do Master enfiado no pé esquerdo.


A História está repleta de indícios de visitas extraterrestres. As pirâmides de Gizé e Stonehenge, por exemplo, chamam a atenção por sua conexão com fenômenos astronômicos importantes e pelo desafio enfrentado por seus "construtores", que dispunham de prosaicos cinzéis, marretas, rampas de madeira, cordas, polias e outras ferramentas rudimentares. Como era de esperar, não faltam teorias da conspiração sobre o uso de tecnologias inexistentes à época e especulações sobre uma suposta ajuda alienígena. E o mesmo raciocínio se aplica às Linhas de Nazca, a Puma Punku,, aos Moais da Ilha de Páscoa, à fortaleza inca de Sacsayhuamán, a Teotihuacán, ao Templo de Júpiter, entre outros. 

Igualmente difícil é explicar são os tapetes voadores e as cavernas repletas de tesouros, que se abriam por comando de voz — como o célebre Abre-te Sésamo —, uma vez que aviões e edifícios com portas automáticas só surgiram dali a 4 mil anos. De duas uma: ou a imaginação dos autores dos Contos das Mil e Uma Noites era mais prodigiosa do que a dos autores de ficção científica contemporâneos, ou suas "fantasias" retratavam coisas que eles já conheciam.

Os deuses das mitologias grega e nórdica habitavam lugares acima das nuvens — o Monte Olimpo e Asgard, respectivamente. Textos cuneiformes dos antigos assírios descrevem divindades vindas das estrelas que viajavam em barcos celestiais. Os sumérios desenvolveram o sistema sexagesimal que usamos até hoje em relógios e bússolas, e foram capazes de prever eclipses solares e lunares com precisão suficiente para orientar calendários agrícolas e cerimônias religiosas. Seus deuses eram associados a estrelas e planetas numa época em que sequer se cogitava a existência de sistemas solares, e eram retratados como seres com estrelas na cabeça ou cavalgando esferas aladas.

Carruagens com rodas cuspindo fogo foram descritas tanto nos apócrifos de Abraão quanto nos de Moisés, como aponta Erich von Däniken em Eram os deuses astronautas? — livro rotulado como "pseudociência" por acadêmicos, mas que vendeu mais de 80 milhões de cópias mundo afora — e a Teoria dos Antigos Astronautas, que inspirou a bem-sucedida série Alienígenas do Passado, produzida pelo History Channel.

Perto de Bagdá, foi descoberto em 1936 um artefato de dois mil anos que experimentos modernos demonstraram ser capaz de gerar mais de 1,4 volts de eletricidade — potência suficiente para eletrodeposição de metais. A arqueologia oficial hesita em confirmar seu uso como bateria, mas a hesitação, ela mesma, é sugestiva.

Textos do Mahabharata descrevem uma arma chamada Brahmastra, cujos efeitos — luz cegante equivalente a dez mil sóis, explosão devastadora, terra que se torna estéril por gerações, cabelos e unhas que caem nos sobreviventes — são suficientemente precisos para que Oppenheimer, ao assistir ao primeiro teste nuclear em 1945, tenha citado espontaneamente o Bhagavadgita. Coincidência literária ou memória de algo que de fato aconteceu?

Não se nega que muitas teorias da conspiração permeiam o assunto, mas algumas proposições de Von Däniken, mesmo que não comprovadas, contam com defensores ilustres, como o russo Zecharia Sitchin — que contribuiu para difundir o tema com sua interpretação de textos antigos do Oriente Médio — e o britânico Graham Hancock, que dá continuidade às teorias seguindo a linha de argumentação do pesquisador suíço, embora a considere incompleta.

Com base na obra de Homero, Heinrich Schliemann pavimentou a descoberta de Tróia. No apogeu da civilização maia (entre 250 e 900 d.C.), grandes cidades, pirâmides e praças majestosas foram erguidas em plena floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize. Teóricos da conspiração atribuem esse prodígio ora a alienígenas, ora a habitantes do continente perdido de Atlântida.

Em Stonehenge Decoded, o astrônomo Gerald Hawkins estima que a estrutura foi erguida no período neolítico, quando as Ilhas Britânicas eram habitadas por povos considerados atrasados em relação a seus contemporâneos mediterrâneos.

Não se sabe o destino das bibliotecas de Jerusalém e de Pérgamo, nem quantos segredos se perderam com as destruições em massa dos livros históricos, astronômicos e filosóficos ordenadas pelo imperador chinês Shih-Huang, por Hitler e por Mao Tsé-Tung. Um alfarrábio contendo "toda a ciência da antiguidade" foi destruído pelo imperador inca Pachacuti, e milhões de volumes pertencentes a Ptolomeu I Sóter foram incinerados por ordem do califa Omar sob a alegação de que afrontavam o Alcorão.

O que se perdeu nessas fogueiras, não se sabe, mas sabe-se que a história do conhecimento humano não é uma linha reta ascendente — é um arquipélago de ilhas separadas por mares de silêncio.

Continua...

terça-feira, 23 de junho de 2026

ONDE ALGUNS VEEM CORDAS, OUTROS VEEM UM ESPAÇO-TEMPO FEITO DE FRACTAIS.

QUANTO MAIS AMPLIAMOS O UNIVERSO, MENOS SÓLIDO ELE NOS PARECE.

Segundo a física Astrid Eichborn, quando reduzimos a escala de observação a níveis extremos, as leis da física clássica simplesmente deixam de funcionar. 

Se ampliarmos o celular que está exibindo esta postagem, a tela, aparentemente lisa, se dissolverá em uma rede de pixels e moléculas. Se ampliarmos ainda mais a imagem, veremos os átomos — estruturas em que nuvens de elétrons vibram ao redor de núcleos atômicos. Se o zoom continuar, mergulharemos no interior desses núcleos, onde prótons e nêutrons parecerão gigantescos, quase como sistemas solares compostos por quarks ligados por intensos campos de força.

A partir desse ponto, as próprias forças fundamentais começarão a mudar de comportamento. O eletromagnetismo e a força fraca tornar-se-ão mais intensos, ao passo que a força forte enfraquecerá. Durante algum tempo, essas mudanças seguirão padrões relativamente bem compreendidos, que os físicos conseguem descrever com bastante precisão. Até deixarem de conseguir.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Lula é um excelente compositor. Compõe com todo mundo. Mas poucos desfrutam de sua amizade. Numa galeria de amigos, o macróbio colocaria o retrato de Jaques Wagner sob a melhor luz, mas a Polícia Federal ofereceu ao senador uma rara oportunidade de demonstrar que o apreço do presidente é correspondido. Investigado no inquérito sobre o Master — que fincou estacas nos três poderes — deveria se desligar imediatamente da função de líder do governo no Senado.Juridicamente, Jaques Wagner tem direito ao benefício da dúvida, mas, politicamente, uma dúvida criminal não é a melhor conselheira para um presidente da República. Em condições normais, afastar o investigado da liderança do governo seria conveniente. Em meio a uma guerra eleitoral, o afastamento é um incontornável preço a pagar. Regateando, o petismo pagará mais caro. E barateará as críticas a Flávio Bolsonaro por pedir dinheiro a Daniel Vorcaro.

Quando ampliamos a realidade a escalas cada vez menores — ou, equivalentemente, energias cada vez maiores —, as leis estabelecidas da física tendem a perder seu poder explicativo. A gravidade, praticamente irrelevante na escala atômica, passa a se comportar de maneira errática, e aí entramos no reino de Planck, onde a física pede licença para sair da sala. Em outras palavras: ninguém sabe ao certo o que está acontecendo — mas as hipóteses são maravilhosamente sofisticadas.

A aparente falha da física de partículas nessa escala sugere que o universo pode ser composto não por partículas pontuais, mas por cordas e membranas vibrantes. Alguns cientistas sustentam que nessas escalas extremas o próprio espaço-tempo deixa de ser contínuo e passa a apresentar uma estrutura formada por laços. Mas alguns pesquisadores exploram uma possibilidade diferente.

Em 1976, Steven Weinberg propôs que, ao ampliar suficientemente a escala de observação, chegamos a um ponto em que as regras da física simplesmente pararam de mudar, a intensidade das forças se estabiliza e a gravidade volta a fazer sentido.

Eichborn tornou-se uma das principais pesquisadoras a investigar essa hipótese — conhecida como segurança assintótica. Ao longo da última década, ela e seus colaboradores fizeram progressos significativos na tentativa de demonstrar que as leis quânticas deixam de evoluir na escala de Planck, exatamente como Weinberg suspeitava, como também conseguiram conectar a física desse regime extremo com fenômenos que podem ser estudados em escalas muito mais acessíveis.

A abordagem utilizada para descrever a maioria das forças da natureza é a teoria quântica de campos, que pressupõe que o universo está repleto de campos quânticos ondulantes que se manifestam como partículas pontuais. Essas partículas se movem através de um espaço-tempo contínuo e interagem por meio de forças. O problema é que, quando tentamos tratar a gravidade quântica exatamente da mesma maneira — como um campo quântico flutuante — a teoria deixa de funcionar.

Em linhas gerais, para uma força bem compreendida como o eletromagnetismo, é necessário considerar flutuações do campo em todas as escalas. Em vez de desaparecerem à medida que ampliamos o zoom, essas flutuações manifestam-se como partículas virtuais com energias cada vez maiores. Nesse caso, a intensidade da força muda, mas o arcabouço teórico continua funcionando até a gravidade entrar em cena. Aí a situação se complica. 

Como Albert Einstein demonstrou em suas equações relativísticas, a gravidade está ligada à própria estrutura do espaço-tempo; quando tentamos quantizá-la da mesma forma que fazemos com as outras forças, as flutuações se tornam problemáticas: em distâncias extremamente pequenas, partículas virtuais de alta energia passam a interagir de maneiras que a teoria não consegue descrever.

Algo novo parece acontecer nessas escalas, e há basicamente três grandes linhas de pensamento sobre o que esse “algo novo” poderia ser. Uma possibilidade é a teoria quântica de campos simplesmente deixar de funcionar — situação em que os objetos fundamentais deixariam de ser pontos e passariam a ser cordas microscópicas vibrantes. Outra possibilidade é o espaço-tempo não ser contínuo — um copo d’água parece contínuo à primeira vista, mas sabemos que ele é composto por átomos discretos. E a ideia de que o mesmo ocorre com o espaço-tempo é explorada na chamada gravidade quântica em loop. 

Uma terceira hipótese é a essência da segurança assintótica. Segundo essa linha de raciocínio, campos, partículas e espaço-tempo continuam existindo, mas a estrutura do universo, quando observada em escalas extremamente pequenas, passa a apresentar uma espécie de autossimilaridade, lembrando um fractal. A intensidade das forças — inclusive a gravidade — deixa de variar indefinidamente e passa a seguir as mesmas regras de interação entre partículas.

Se esse regime autossimilar realmente existir, as flutuações do espaço-tempo e dos demais campos podem se tornar estáveis o suficiente para que a boa e velha teoria quântica de campos continue sendo utilizada para fazer previsões — mesmo em energias extremamente altas. E simetrias são extremamente comuns na natureza — o próprio espaço-tempo possui diversas simetrias fundamentais; não existem direções privilegiadas, lugares especiais ou momentos absolutos, apenas escalas privilegiadas.

O mundo se apresenta de formas diferentes para os seres humanos, para as bactérias e para os elétrons, mas, no nível mais fundamental da realidade, é possível que nem mesmo essas escalas sejam especiais — talvez o infinitamente pequeno seja apenas o infinitamente grande visto de muito perto.

Se a teoria quântica de campos nunca falhou em laboratório, uma maneira de torná-la preditiva em todas as escalas é justamente introduzir essa simetria de escala. Para verificar se isso é possível, os físicos utilizam algo semelhante a um microscópio matemático, que constrói representações matemáticas dos campos e de suas interações, calcula como essas interações mudam à medida que se aumenta o “zoom” energético e procura um ponto fixo, onde essa evolução simplesmente deixa de ocorrer.

Grande parte da comunidade científica tem investigado inicialmente o caso mais simples: um espaço-tempo vazio, contendo apenas gravidade pura. Alguns pesquisadores simplificam ainda mais o problema considerando apenas flutuações quânticas do espaço e ignorando temporariamente as flutuações do tempo. Esses cenários foram analisados em centenas de trabalhos teóricos, e muitos deles indicam de forma bastante robusta a existência de um ponto fixo onde as constantes físicas deixam de evoluir.

Em um de seus primeiros estudos, Eichborn incluiu todos os campos de matéria e força conhecidos e concluiu que o ponto fixo ainda aparecia — mesmo nesse cenário mais complexo. Posteriormente, análises mais completas mostraram que o ponto fixo permanece mesmo quando se consideram diversas formas adicionais de interação entre os campos conhecidos.

Outra maneira de testar a ideia consiste em inverter o raciocínio: em vez de procurar matematicamente um ponto fixo nos modelos, parte-se da hipótese de que ele existe e pergunta-se quais seriam suas consequências observáveis no mundo macroscópico. Curiosamente, essa hipótese parece forçar o universo a se parecer muito com o universo que realmente observamos.

Em 2009, Mikhail Shaposhnikov e Christof Wetterich mostraram que, ao se afastar de um ponto fixo desse tipo, a massa do bóson de Higgs tende a aumentar. Num universo sem esse ponto fixo, as massas das partículas poderiam assumir praticamente qualquer valor. Já na presença dele, surge uma interação muito específica entre a gravidade e a força eletrofraca, restringindo os valores possíveis de certas massas fundamentais.

Em outras palavras, um universo com simetria de escala fundamental poderia explicar por que as propriedades das partículas elementares são exatamente aquelas que observamos. Isso não significa, naturalmente, que a segurança assintótica resolva todos os mistérios da física. A massa do próton observada é compatível com a existência de um ponto fixo, mas também poderia ser dezenas de vezes maior sem violar a teoria. Até onde sabemos, nenhuma propriedade conhecida das partículas contradiz a segurança assintótica — o que significa que ela permanece uma possibilidade em aberto. Mas vários modelos populares de matéria escura parecem entrar em tensão com essa ideia. Algumas versões simples de partículas massivas de interação fraca, certos candidatos semelhantes a áxions e modelos de matéria escura ultraleve parecem menos compatíveis com um universo fundamentalmente autossimilar.

Os experimentalistas continuam avançando, e muitos dos experimentos atuais podem acabar funcionando, indiretamente, como testes da própria segurança assintótica. É perfeitamente possível, no entanto, que essa abordagem não seja incompatível com outras teorias de gravidade quântica. Na escala mais fundamental da realidade, talvez existam cordas, laços ou estruturas ainda mais exóticas. Mas, ao nos afastarmos dessas escalas extremas, entramos em um regime onde as leis da física mudam tão lentamente que o universo parece operar em torno de um ponto fixo. Se isso for verdade, diferentes teorias de gravidade quântica que consideramos rivais passam a ser maneiras distintas de olhar para a mesma física profunda.

Na pesquisa em gravidade quântica, afinal de contas, ser humilde é sempre uma boa ideia.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PROFECIAS E PAREIDOLIA

SÓ NÃO CONSEGUE EXPLICAR ALGO DE FORMA SIMPLES QUEM NÃO ENTENDEU O QUE PRETENDE EXPLICAR. 

Nossa mente, avessa a mudanças, vive nos pregando peças. Em grande medida, isso se deve ao fato de que, nos tempos de antanho, diferenciar amigos de inimigos rapidamente era uma questão de sobrevivência. Assim, nosso cérebro desenvolveu a tendência de identificar padrões familiares — especialmente rostos — em estímulos aleatórios ou ambíguos.


A questão que esse mecanismo — conhecido como pareidolia — dispara mesmo quando não há rosto algum nas nuvens, nas chamas de uma lareira, na superfície da Lua, na torrada queimada, e assim por diante, fazendo-nos enxergar coisas que não existem. Os exemplos mais famosos incluem a "Face de Marte" (uma formação rochosa fotografada pela NASA em 1976 que parecia um rosto humano gigante), o rosto de Cristo em cascas de árvore, manchas de umidade em paredes e fotografias aéreas de plantações ou relevos. 


De certo modo, esse mesmo mecanismo nos leva a "confirmar" profecias vagas como as de Nostradamus ou encontrar mensagens pessoais em horóscopos genéricos. Em suma, é a mesma engrenagem do efeito Barnum, só que operando no plano visual.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A proposta de delação de Daniel Vorcaro decepcionou os investigadores, mas a prisão de Henrique Vorcaro, pai do dono do falecido Banco Master, tem potencial para mudar esse quadro.

Espera-se que a chegada do patriarca do clã Vorcaro ao sistema prisional transforme o filho num delator bem mais fluente e menos sovina — com disposição para levantar a blindagem que ainda oferece a parte de seus contatos e devolver os bilhões acumulados por meio da criminalidade.

Henrique Vorcaro foi preso preventivamente sob a acusação de ameaçar adversários da máfia comandada pelo filho. Trata-se de um desdobramento do pedaço do inquérito que desbaratou o funcionamento do grupo denominado "A Turma", no qual Vorcaro encomendava a um "Sicário", no escurinho do Zap, uma agressão a jornalista, "um sacode" em ex-funcionários e a intimidação de desafetos.

A atuação do novo preso não se restringiu ao departamento de intimidação do Master. Segundo a PF, foi numa conta do pai que Vorcaro escondeu dos seus credores e de suas vítimas R$ 2,2 bilhões. De resto, Henrique Vorcaro está vinculado a mais de 50 empreendimentos que se conectaram com o ecossistema do Master. Seu filho talvez se anime a tentar incluir o pai entre os premiados de uma delação mais caudalosa.


Partículas entrelaçadas mudam de polaridade quando uma delas é alterada, independentemente de ambas estarem no mesmo recinto ou a quilômetros de distância — cientistas chineses realizaram o mesmo experimento usando satélites e comprovaram que elas se mantinham conectadas mesmo quando separadas por milhares de quilômetros. Mesmo assim, continuamos aceitando a premissa relativística segundo a qual nada se move mais depressa do que a luz do vácuo.


A mecânica quântica trata do comportamento da matéria e da energia em escalas muito pequenas — átomos e partículas subatômicas, mas a quantidade de informações necessárias para mapear e reconstruir um ser vivo envolveria mais informação do que todos os computadores que existem atualmente são capazes de armazenar, bem como rearranjar todos os átomos, célula por célula, em um processo que levaria centenas de milhares de bilhões de anos. 


A tecnologia de que dispomos está tão distante dessa realidade quanto cruzar o Atlântico por ar em cerca de 3 horas estava quando Pedro Álvares Cabral e sua trupe levaram 44 dias para vir de Portugal até o que viria a ser o litoral sul da Bahia. Por outro lado, vale lembrar que uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Google para atuar como colaborador virtual em pesquisas científicas e biomédicas resolveu em 48 horas um problema que cientistas do Imperial College London demoraram uma década para solucionar, além de sugerir quatro outras soluções plausíveis, incluindo uma que sequer havia sido considerada pelos pesquisadores.


Sabe-se há décadas que o pensamento humano, quando focado, é capaz de alterar a química corporal do indivíduo, mas o conceito de cura ainda é visto com ceticismo, considerado vudu e objeto de escárnio por parte da comunidade médica — que parece acreditar com fervor que somos todos descendentes de Adão e Eva, a despeito dos indícios científicos acachapantes da evolução. 


Não faltam pessoas supostamente esclarecidas que refutam a esfericidade da Terra (coisa que Aristóteles descobriu no século III a.C.), cuja circunferência Eratóstenes calculou no século II a.C. a partir da diferença das sombras em duas cidades próximas, sem falar nas milhares de fotos tiradas do espaço e até da Lua.


Continua…