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quarta-feira, 24 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A ENGENHARIA EXTRATERRESTRE

TALENTOS OCULTOS NÃO VALEM NADA.


Para o advogado do diabo, dizer que se tanta gente avistou discos voadores é porque há discos voadores é um argumento lógico tão fraco quanto sustentar que tanta gente acredita em Papai Noel porque Papai Noel existe.

Ignorar sistematicamente o que tanta gente — inclusive pilotos militares sob juramento — afirma ter visto também não é ciência, mas sim dogma com jaleco branco. Mas o fato é que a História está coalhada de indícios de visitas de seres extraterrestres, tanto em priscas eras quanto atualmente.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Amigo e líder de Lula no Senado, Jaques Wagner é apontado como "beneficiário central" de "vantagens econômicas" de integrantes do Master. Isso inclui um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de aeronaves e até ingresso para o camarote de show internacional em Los Angeles. Coisa de R$ 63,3 mil. Por uma trapaça do azar, o petismo e seu xamã ficaram inibidos de sapatear sobre uma promessa descumprida por Flávio Bolsonaro.

No dia 19 de maio, após reunião com as bancadas federais do PL, o filho de Bolsonaro disse ter feito uma encomenda ao fundo americano que recebeu a verba pedida por ele a Daniel Vorcaro e à produtora brasileira do filme Dark Horse. Deveriam apresentar, em até 30 dias, uma prestação de contas com o detalhamento das despesas com o filme. O prazo que o rival de Lula se autoconcedeu venceu exatamente nesta quinta-feira, mesmo dia em que a PF sacudiu o coreto do líder petista.

Em vez de exibir a prometida escrituração dos R$ 61 milhões que mordeu de Vorcaro a pretexto de financiar a cinebiografia do pai, o filho sentiu-se à vontade para agir como um macaco que senta no próprio rabo para falar mal da cauda dos outros. Acomodado sobre seus vícios, o rival de Lula declarou: "O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com uma operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida..."

Ao recusarem duas ofertas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, a PF e a PGR instalaram em Brasília uma espécie de câmara de descompressão. Jaques Wagner estava entre os políticos que respiravam aliviados. Animou-se a contestar no Senado, na terça-feira, reportagem da Veja que atribuiu a Vorcaro revelações sobre os negócios do Master com o PT baiano.

Estufando o peito como uma segunda barriga, o líder petista discursou: "Já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da (Polícia) Federal que encontrou algo sobre o meu comportamento". Decorridas menos de 48 horas, o senador obteve uma amostra do que foi descoberto sobre ele. Para complicar, a novidade veio ornamentada pela imagem do dinheiro apreendido.

Em entrevista, Jaques Wagner disse ter recebido telefonema de solidariedade de Lula. Anunciou: "Eu continuo na liderança até que o presidente peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso." Toda crise tem um preço. Lula parece ignorar uma obviedade: quem regateia paga mais caro. A sorte foi traiçoeira com Lula. Ele percorrerá a campanha à reeleição mancando, com o espinho do Master enfiado no pé esquerdo.


A construção das pirâmides de Gizé e Stonehenge chamam a atenção por sua conexão com fenômenos astronômicos importantes e pelo desafio enfrentado por seus "construtores", que dispunham apenas cinzéis, marretas, rampas de madeira, cordas, polias e outras ferramentas rudimentares. Isso deu azo a teorias da conspiração sobre o uso de tecnologias inexistentes à época e, por conseguinte, a especulações acerca de uma suposta ajuda de alienígenas. 

O mesmo raciocínio se aplica às Linhas de Nazca, a Puma Punku,, aos Moais da Ilha de Páscoa, à fortaleza inca de Sacsayhuamán, a Teotihuacán, ao Templo de Júpiter, e por aí afora. Igualmente difícil é explicar são os tapetes voadores e as cavernas repletas de tesouros que se abriam por comando de voz — como o célebre Abre-te Sésamo — retratados nos Contos das Mil e Uma Noites, lembrando que aviões e edifícios com portas automáticas só surgiram dali a 4 mil anos. Ou a imaginação dos "escritores das Arábias" era mais prodigiosa do que a dos autores de ficção científica contemporâneos, ou essas "fantasias" retratavam coisas que eles já conheciam.

Os deuses das mitologias grega e nórdica habitavam lugares acima das nuvens — o Monte Olimpo e Asgard, respectivamente. Textos cuneiformes dos antigos assírios descrevem divindades vindas das estrelas que viajavam em barcos celestiais. Os sumérios desenvolveram o sistema sexagesimal que usamos até hoje em relógios e bússolas, e foram capazes de prever eclipses solares e lunares com precisão suficiente para orientar calendários agrícolas e cerimônias religiosas. Seus deuses eram associados a estrelas e planetas numa época em que sequer se cogitava a existência de sistemas solares, e eram retratados como seres com estrelas na cabeça ou cavalgando esferas aladas.

Carruagens com rodas cuspindo fogo foram descritas tanto nos apócrifos de Abraão quanto nos de Moisés, como aponta Erich von Däniken em Eram os deuses astronautas? — livro rotulado como "pseudociência" por acadêmicos, mas que vendeu mais de 80 milhões de cópias mundo afora — e a Teoria dos Antigos Astronautas, que inspirou a bem-sucedida série Alienígenas do Passado, produzida pelo History Channel.

Perto de Bagdá, foi descoberto em 1936 um artefato de dois mil anos que experimentos modernos demonstraram ser capaz de gerar mais de 1,4 volts de eletricidade — potência suficiente para eletrodeposição de metais. A arqueologia oficial hesita em confirmar seu uso como bateria, mas a hesitação, ela mesma, é sugestiva.

Textos do Mahabharata descrevem uma arma chamada Brahmastra, cujos efeitos — luz cegante equivalente a dez mil sóis, explosão devastadora, terra que se torna estéril por gerações, cabelos e unhas que caem nos sobreviventes — são suficientemente precisos para que Oppenheimer, ao assistir ao primeiro teste nuclear em 1945, tenha citado espontaneamente o Bhagavadgita. Coincidência literária ou memória de algo que de fato aconteceu?

Não se nega que muitas teorias da conspiração permeiam o assunto, mas algumas proposições de Von Däniken, mesmo que não comprovadas, contam com defensores ilustres, como o russo Zecharia Sitchin — que contribuiu para difundir o tema com sua interpretação de textos antigos do Oriente Médio — e o britânico Graham Hancock, que dá continuidade às teorias seguindo a linha de argumentação do pesquisador suíço, embora a considere incompleta.

Com base na obra de Homero, Heinrich Schliemann pavimentou a descoberta de Tróia. No apogeu da civilização maia (entre 250 e 900 d.C.), grandes cidades, pirâmides e praças majestosas foram erguidas em plena floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize. Teóricos da conspiração atribuem esse prodígio ora a alienígenas, ora a habitantes do continente perdido de Atlântida.

Em Stonehenge Decoded, o astrônomo Gerald Hawkins estima que a estrutura foi erguida no período neolítico, quando as Ilhas Britânicas eram habitadas por povos considerados atrasados em relação a seus contemporâneos mediterrâneos.

Não se sabe o destino das bibliotecas de Jerusalém e de Pérgamo, nem quantos segredos se perderam com as destruições em massa dos livros históricos, astronômicos e filosóficos ordenadas pelo imperador chinês Shih-Huang, por Hitler e por Mao Tsé-Tung. Um alfarrábio contendo "toda a ciência da antiguidade" foi destruído pelo imperador inca Pachacuti, e milhões de volumes pertencentes a Ptolomeu I Sóter foram incinerados por ordem do califa Omar sob a alegação de que afrontavam o Alcorão.

O que se perdeu nessas fogueiras, não se sabe, mas sabe-se que a história do conhecimento humano não é uma linha reta ascendente — é um arquipélago de ilhas separadas por mares de silêncio.

Continua...

terça-feira, 23 de junho de 2026

ONDE ALGUNS VEEM CORDAS, OUTROS VEEM UM ESPAÇO-TEMPO FEITO DE FRACTAIS.

QUANTO MAIS AMPLIAMOS O UNIVERSO, MENOS SÓLIDO ELE NOS PARECE.

Segundo a física Astrid Eichborn, quando reduzimos a escala de observação a níveis extremos, as leis da física clássica simplesmente deixam de funcionar. 

Se ampliarmos o celular que está exibindo esta postagem, a tela, aparentemente lisa, se dissolverá em uma rede de pixels e moléculas. Se ampliarmos ainda mais a imagem, veremos os átomos — estruturas em que nuvens de elétrons vibram ao redor de núcleos atômicos. Se o zoom continuar, mergulharemos no interior desses núcleos, onde prótons e nêutrons parecerão gigantescos, quase como sistemas solares compostos por quarks ligados por intensos campos de força.

A partir desse ponto, as próprias forças fundamentais começarão a mudar de comportamento. O eletromagnetismo e a força fraca tornar-se-ão mais intensos, ao passo que a força forte enfraquecerá. Durante algum tempo, essas mudanças seguirão padrões relativamente bem compreendidos, que os físicos conseguem descrever com bastante precisão. Até deixarem de conseguir.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Lula é um excelente compositor. Compõe com todo mundo. Mas poucos desfrutam de sua amizade. Numa galeria de amigos, o macróbio colocaria o retrato de Jaques Wagner sob a melhor luz, mas a Polícia Federal ofereceu ao senador uma rara oportunidade de demonstrar que o apreço do presidente é correspondido. Investigado no inquérito sobre o Master — que fincou estacas nos três poderes — deveria se desligar imediatamente da função de líder do governo no Senado.Juridicamente, Jaques Wagner tem direito ao benefício da dúvida, mas, politicamente, uma dúvida criminal não é a melhor conselheira para um presidente da República. Em condições normais, afastar o investigado da liderança do governo seria conveniente. Em meio a uma guerra eleitoral, o afastamento é um incontornável preço a pagar. Regateando, o petismo pagará mais caro. E barateará as críticas a Flávio Bolsonaro por pedir dinheiro a Daniel Vorcaro.

Quando ampliamos a realidade a escalas cada vez menores — ou, equivalentemente, energias cada vez maiores —, as leis estabelecidas da física tendem a perder seu poder explicativo. A gravidade, praticamente irrelevante na escala atômica, passa a se comportar de maneira errática, e aí entramos no reino de Planck, onde a física pede licença para sair da sala. Em outras palavras: ninguém sabe ao certo o que está acontecendo — mas as hipóteses são maravilhosamente sofisticadas.

A aparente falha da física de partículas nessa escala sugere que o universo pode ser composto não por partículas pontuais, mas por cordas e membranas vibrantes. Alguns cientistas sustentam que nessas escalas extremas o próprio espaço-tempo deixa de ser contínuo e passa a apresentar uma estrutura formada por laços. Mas alguns pesquisadores exploram uma possibilidade diferente.

Em 1976, Steven Weinberg propôs que, ao ampliar suficientemente a escala de observação, chegamos a um ponto em que as regras da física simplesmente pararam de mudar, a intensidade das forças se estabiliza e a gravidade volta a fazer sentido.

Eichborn tornou-se uma das principais pesquisadoras a investigar essa hipótese — conhecida como segurança assintóticaAo longo da última década, ela e seus colaboradores fizeram progressos significativos na tentativa de demonstrar que as leis quânticas deixam de evoluir na escala de Planck, exatamente como Weinberg suspeitava, como também conseguiram conectar a física desse regime extremo com fenômenos que podem ser estudados em escalas muito mais acessíveis.

A abordagem utilizada para descrever a maioria das forças da natureza é a teoria quântica de campos, que pressupõe que o universo está repleto de campos quânticos ondulantes que se manifestam como partículas pontuais. Essas partículas se movem através de um espaço-tempo contínuo e interagem por meio de forças. O problema é que, quando tentamos tratar a gravidade quântica exatamente da mesma maneira — como um campo quântico flutuante — a teoria deixa de funcionar.

Em linhas gerais, para uma força bem compreendida como o eletromagnetismo, é necessário considerar flutuações do campo em todas as escalas. Em vez de desaparecerem à medida que ampliamos o zoom, essas flutuações manifestam-se como partículas virtuais com energias cada vez maiores. Nesse caso, a intensidade da força muda, mas o arcabouço teórico continua funcionando até a gravidade entrar em cena. Aí a situação se complica. 

Como Albert Einstein demonstrou em suas equações relativísticas, a gravidade está ligada à própria estrutura do espaço-tempo; quando tentamos quantizá-la da mesma forma que fazemos com as outras forças, as flutuações se tornam problemáticas: em distâncias extremamente pequenas, partículas virtuais de alta energia passam a interagir de maneiras que a teoria não consegue descrever.

Algo novo parece acontecer nessas escalas, e há basicamente três grandes linhas de pensamento sobre o que esse “algo novo” poderia ser. Uma possibilidade é a teoria quântica de campos simplesmente deixar de funcionar — situação em que os objetos fundamentais deixariam de ser pontos e passariam a ser cordas microscópicas vibrantesOutra possibilidade é o espaço-tempo não ser contínuo — um copo d’água parece contínuo à primeira vista, mas sabemos que ele é composto por átomos discretos. E a ideia de que o mesmo ocorre com o espaço-tempo é explorada na chamada gravidade quântica em loop

Uma terceira hipótese é a essência da segurança assintótica. Segundo essa linha de raciocínio, campos, partículas e espaço-tempo continuam existindo, mas a estrutura do universo, quando observada em escalas extremamente pequenas, passa a apresentar uma espécie de autossimilaridade, lembrando um fractal. A intensidade das forças — inclusive a gravidade — deixa de variar indefinidamente e passa a seguir as mesmas regras de interação entre partículas.

Se esse regime autossimilar realmente existir, as flutuações do espaço-tempo e dos demais campos podem se tornar estáveis o suficiente para que a boa e velha teoria quântica de campos continue sendo utilizada para fazer previsões — mesmo em energias extremamente altas. E simetrias são extremamente comuns na natureza — o próprio espaço-tempo possui diversas simetrias fundamentais; não existem direções privilegiadas, lugares especiais ou momentos absolutos, apenas escalas privilegiadas.

O mundo se apresenta de formas diferentes para os seres humanos, para as bactérias e para os elétrons, mas, no nível mais fundamental da realidade, é possível que nem mesmo essas escalas sejam especiais — talvez o infinitamente pequeno seja apenas o infinitamente grande visto de muito perto.

Se a teoria quântica de campos nunca falhou em laboratório, uma maneira de torná-la preditiva em todas as escalas é justamente introduzir essa simetria de escala. Para verificar se isso é possível, os físicos utilizam algo semelhante a um microscópio matemático, que constrói representações matemáticas dos campos e de suas interações, calcula como essas interações mudam à medida que se aumenta o “zoom” energético e procura um ponto fixo, onde essa evolução simplesmente deixa de ocorrer.

Grande parte da comunidade científica tem investigado inicialmente o caso mais simples: um espaço-tempo vazio, contendo apenas gravidade pura. Alguns pesquisadores simplificam ainda mais o problema considerando apenas flutuações quânticas do espaço e ignorando temporariamente as flutuações do tempo. Esses cenários foram analisados em centenas de trabalhos teóricos, e muitos deles indicam de forma bastante robusta a existência de um ponto fixo onde as constantes físicas deixam de evoluir.

Em um de seus primeiros estudos, Eichborn incluiu todos os campos de matéria e força conhecidos e concluiu que o ponto fixo ainda aparecia — mesmo nesse cenário mais complexo. Posteriormente, análises mais completas mostraram que o ponto fixo permanece mesmo quando se consideram diversas formas adicionais de interação entre os campos conhecidos.

Outra maneira de testar a ideia consiste em inverter o raciocínio: em vez de procurar matematicamente um ponto fixo nos modelos, parte-se da hipótese de que ele existe e pergunta-se quais seriam suas consequências observáveis no mundo macroscópico. Curiosamente, essa hipótese parece forçar o universo a se parecer muito com o universo que realmente observamos.

Em 2009, Mikhail Shaposhnikov e Christof Wetterich mostraram que, ao se afastar de um ponto fixo desse tipo, a massa do bóson de Higgs tende a aumentar. Num universo sem esse ponto fixo, as massas das partículas poderiam assumir praticamente qualquer valor. Já na presença dele, surge uma interação muito específica entre a gravidade e a força eletrofraca, restringindo os valores possíveis de certas massas fundamentais.

Em outras palavras, um universo com simetria de escala fundamental poderia explicar por que as propriedades das partículas elementares são exatamente aquelas que observamos. Isso não significa, naturalmente, que a segurança assintótica resolva todos os mistérios da física. A massa do próton observada é compatível com a existência de um ponto fixo, mas também poderia ser dezenas de vezes maior sem violar a teoria. Até onde sabemos, nenhuma propriedade conhecida das partículas contradiz a segurança assintótica — o que significa que ela permanece uma possibilidade em aberto. Mas vários modelos populares de matéria escura parecem entrar em tensão com essa ideia. Algumas versões simples de partículas massivas de interação fraca, certos candidatos semelhantes a áxions e modelos de matéria escura ultraleve parecem menos compatíveis com um universo fundamentalmente autossimilar.

Os experimentalistas continuam avançando, e muitos dos experimentos atuais podem acabar funcionando, indiretamente, como testes da própria segurança assintótica. É perfeitamente possível, no entanto, que essa abordagem não seja incompatível com outras teorias de gravidade quântica. Na escala mais fundamental da realidade, talvez existam cordas, laços ou estruturas ainda mais exóticas. Mas, ao nos afastarmos dessas escalas extremas, entramos em um regime onde as leis da física mudam tão lentamente que o universo parece operar em torno de um ponto fixo. Se isso for verdade, diferentes teorias de gravidade quântica que consideramos rivais passam a ser maneiras distintas de olhar para a mesma física profunda.

Na pesquisa em gravidade quântica, afinal de contas, ser humilde é sempre uma boa ideia.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

DESCOBERTOS 27 NOVOS EXOPLANETAS POTENCIALMENTE CIRCUMBINÁRIOS

QUEM PROCURA ACHA E QUEM INSISTE ACHA MAIS DEPRESSA.

De acordo com o Gênesis, Deus criou o mundo e o que mais nele existe em seis dias, viu que tudo era bom (!?) e descansou no sétimo — melhor faria o Senhor das Esferas se aproveitasse a folga para consultar um oftalmologista, mas isso é outra conversa.

Consta que o primeiro livro do Pentateuco foi escrito por Moisés, o líder dos judeus errantes, durante sua interminável (40 anos) peregrinação pelo deserto do Sinai em busca de Canaã, e que o arcebispo irlandês James Ussher, preciso como um cuco suíço, anotou em The Annals of the World que o Senhor das Esferas iniciou sua obra às 9h de 23 de outubro de 4004 a.C. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O lançamento da candidatura de Sérgio Moro ao governo do Paraná converteu-se numa antiapoteose. Ao dividir o palanque com o filho do golpista, o ex-juiz da Lava-Jato e Deltan Dallagnol, antigo garoto prodígio da força tarefa de Curitiba, consolidaram a percepção de que na política nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe.

Bolsonarinho e o Marreco de Maringá trocaram afagos. O filho do pai vestia uma camiseta na qual se lia: "Curitiba prendeu. Brasília soltou", numa alusão à sentença de Moro que levou Lula à cadeia, posteriormente anulada pelo Supremo. Derramou-se em elogios ao ex-juiz: "É um símbolo de combate à corrupção, símbolo de seriedade, que vai ter a independência de montar um time forte, com uma Assembleia forte, para fazer o melhor pelo Paraná".

Em retribuição, Moro enalteceu a decisão do governo Trump de classificar PCC e CV como terroristas: "Foi extraordinário. Ele [Flávio] conseguiu convencer o governo norte-americano a dar esse passo importante." E aproveitou para elogiar a suposta atuação do "mito" preso no combate às facções criminosas à época em que desgovernou o país.

Moro esqueceu de lembrar — ou lembrou de esquecer — que deixou o governo Bolsonaro acusando o então chefe de aparelhar a Polícia Federal para blindar a família contra investigações. Em janeiro de 2022, numa entrevista ao Flow Podcast, o desafeto disse que Bolsonaro "tem lá investigação da família dele, rachadinha, ele tem medo também que a investigação chegue nele. e aí ele chegou a partir de determinado momento do mandato dele e começou: 'Olha, tem que enfraquecer o combate à corrupção'."

Na mesma entrevista, o ex-herói que se converteu em vergonha nacional se referiu diretamente ao primogênito do refugo da escória da humanidade: "Teve uma decisão do Supremo que beneficiou o filho do presidente. (...) O problema é que essa liminar parava todas as investigações de lavagem de dinheiro no país. Parava tudo. E o presidente não queria que a gente mexesse nisso. Ele me falou assim: 'Moro, se você não vai ajudar, não atrapalhe'."

Meses depois, o Marreco de Maringá daria um cavalo de pau, incorporando-se à malsucedida caravana de Bolsonaro na sucessão presidencial de 2022. Agora, associa-se ao rebento do rebotalho num instante em que a imagem do neoaliado já não está apenas rachadinha. Os vínculos financeiros obscuros do presidenciável do clã Bolsonaro transformaram a antiga fenda num rombo de dimensões insondáveis.

Deltan Dallagnol frequentou o palanque do ex-parceiro na Lava-Jato como coadjuvante do escárnio. Sua candidatura ao Senado é uma dúvida jurídica. Teve o mandato de deputado federal cassado pelo TSE em 2023. Os adversários sustentam que está inelegível.

Alheio à controvérsia, Dallagnol fustigou sua adversária petista: "Precisamos trabalhar intensamente para que Gleisi Hoffmann não vire senadora no Paraná. Precisamos derrotar o PT porque [é o partido] líder máximo dos maiores esquemas de corrupção que o país já viu." Disse isso ao lado de Flávio Bolsonaro. Sem corar.

Moro e Dallagnol atribuem ao Supremo o sepultamento da Lava-Jato, mas a morte é anterior a si mesma, começa bem antes do funeral. A República de Curitiba começou a morrer no final de 2018, quando Moro trocou o altar da 13ª Vara pelo serpentário de Brasília. Em março de 2021, numa entrevista ao UOL, o ex-procurador disse que, como ministro da Justiça, Moro "poderia ter maiores chances de influenciar a história". De fato, foi grande a influência do então subordinado de Bolsonaro. Moro virou a página da história. Para trás.

Com a Vaza-Jato e seus diálogos tóxicos, os ex-paladinos de Curitiba jogaram terra em cima de si mesmos. Forneceram material para a abertura da cela de Lula e a condenação de Moro como juiz suspeito. Hoje, irmanados à imoralidade que permeia a política, Moro e Dallagnol enfeitam com sua incoerência a lápide que ajudaram a acomodar sobre o esforço anticorrupção que diziam encarnar.  Essa dupla patética não só fica de quatro como também se vira do avesso por Flávio Bolsonaro.

Embora seja redundante discorrer sobre o sem-número de eventos ocorridos há dezenas de milhares de anos, quando, segundo Ussher, os criacionistas e as religiões abraâmicas, o mundo ainda não havia sido criado, não custa lembrar que o esqueleto parcial de uma fêmea de Australopithecus Afarensis de 3,2 milhões de anos — batizada de Lucy em homenagem à música dos Beatles — foi encontrado em 1974 pelo paleontólogo Donald Johanson no deserto de Afar, na Etiópia. Ou seja: os bípedes já rondavam a Terra 530 vezes o tempo que o mundo existe nas contas de Ussher.

Outros exemplos dignos de nota são o desenho abstrato da Caverna Blombos, na África do Sul, cuja idade é estimada em 73 mil anos; as pinturas rupestres de Sulawesi (67,8 mil anos), na Indonésia; o templo Göbekli Tepe, na Turquia (11,5 mil anos); e o crânio de uma mulher, apelidada de Luzia (mais de 11 mil anos), encontrado no sítio arqueológico de Lapa Vermelha, na região de Lagoa Santa (MG), em 1975 — ou seja, havia gente acampada em Minas Gerais mais de 9 mil anos antes de Deus, na agenda de Ussher, ter criado qualquer coisa. 

Com base no modelo cosmológico baseado na Teoria do Big Bang, o Universo surgiu há quase 14 bilhões de anos, nosso sistema solar, há 4,6 bilhões anos. Embora consigamos avistar a olho (em condições ideais) algo entre 2,5 mil e 3 mil estrelas em cada metade visível da esfera celeste, estima-se que o Universo observável contenha mais de 100 bilhões de galáxias, as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões. Nem todos esses dez sextilhões de "sóis" são orbitados, mas presume-se que haja tantos planetas quanto estrelas na Via Láctea.

Depois que o primeiro exoplaneta foi descoberto, há cerca de 30 anos, milhares deles foram sendo observados orbitando não apenas “sóis” semelhantes ao nosso, mas também anãs vermelhas e estrelas de nêutrons ultradensas. Graças aos telescópios espaciais Kepler e Tess, a NASA Exoplanet Archive já confirmou a existência de 6.291 exoplanetas, e outros 7.900 candidatos aguardam confirmação (para explorar dados detalhados de cada um desses mundos, acesse o Painel de Descobertas da NASA).

Observação: Com lançamento previsto para 2027, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman fará novas descobertas de exoplanetas usando uma variedade de métodos. A Missão ARIEL, da Agência Espacial Europeia, cujo lançamento está previsto para 2029, observará atmosferas de exoplanetas se concentrando em suas nuvens e neblinas.

Astrônomos descobriram recentemente 27 novos potenciais planetas circumbinários — que orbitam duas estrelas, como o fictício planeta deserto Tatooine, do universo Star Wars. O anúncio foi feito em maio, no dia conhecido como o "Dia Star Wars" pelos fãs da saga.

Até então, apenas 18 planetas circumbinários haviam sido oficialmente identificados no Universo, e os recém-descobertos estão a distâncias que variam de 650 a 18 mil anos-luz da Terra, embora mais da metade das estrelas do Universo existem em um sistemas binários ou mesmo com um número ainda maior de estrelas. Potencialmente, estamos perdendo muitos sistemas, pois achar novos planetas é como tentar encontrar uma vela ao lado de um poste de luz.

No entanto, em vez de identificar planetas orbitando sistemas binários por meio da observação de seu trânsito, os pesquisadores se concentram na oscilação no brilho de estrelas que eclipsam umas às outras. Usando esse método, foram identificados 36 sistemas binários - num total de 1.590 cujo comportamento só poderia ser explicado pela presença de um terceiro corpo, entre os quais têm grandes chances de ser massas planetárias. 

Em tese, um planeta como Tatooine poderia existir no exato ponto entre as órbitas das duas estrelas — que não é nem muito quente, nem muito frio. Vale lembrar que, quando o primeiro filme da saga Star Wars foi lançado, não se tinha conhecimento da existência de exoplanetas.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — PROFECIAS E PAREIDOLIA

SÓ NÃO CONSEGUE EXPLICAR ALGO DE FORMA SIMPLES QUEM NÃO ENTENDEU O QUE PRETENDE EXPLICAR. 

Nossa mente, avessa a mudanças, vive nos pregando peças. Em grande medida, isso se deve ao fato de que, nos tempos de antanho, diferenciar amigos de inimigos rapidamente era uma questão de sobrevivência. Assim, nosso cérebro desenvolveu a tendência de identificar padrões familiares — especialmente rostos — em estímulos aleatórios ou ambíguos.


A questão que esse mecanismo — conhecido como pareidolia — dispara mesmo quando não há rosto algum nas nuvens, nas chamas de uma lareira, na superfície da Lua, na torrada queimada, e assim por diante, fazendo-nos enxergar coisas que não existem. Os exemplos mais famosos incluem a "Face de Marte" (uma formação rochosa fotografada pela NASA em 1976 que parecia um rosto humano gigante), o rosto de Cristo em cascas de árvore, manchas de umidade em paredes e fotografias aéreas de plantações ou relevos. 


De certo modo, esse mesmo mecanismo nos leva a "confirmar" profecias vagas como as de Nostradamus ou encontrar mensagens pessoais em horóscopos genéricos. Em suma, é a mesma engrenagem do efeito Barnum, só que operando no plano visual.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A proposta de delação de Daniel Vorcaro decepcionou os investigadores, mas a prisão de Henrique Vorcaro, pai do dono do falecido Banco Master, tem potencial para mudar esse quadro.

Espera-se que a chegada do patriarca do clã Vorcaro ao sistema prisional transforme o filho num delator bem mais fluente e menos sovina — com disposição para levantar a blindagem que ainda oferece a parte de seus contatos e devolver os bilhões acumulados por meio da criminalidade.

Henrique Vorcaro foi preso preventivamente sob a acusação de ameaçar adversários da máfia comandada pelo filho. Trata-se de um desdobramento do pedaço do inquérito que desbaratou o funcionamento do grupo denominado "A Turma", no qual Vorcaro encomendava a um "Sicário", no escurinho do Zap, uma agressão a jornalista, "um sacode" em ex-funcionários e a intimidação de desafetos.

A atuação do novo preso não se restringiu ao departamento de intimidação do Master. Segundo a PF, foi numa conta do pai que Vorcaro escondeu dos seus credores e de suas vítimas R$ 2,2 bilhões. De resto, Henrique Vorcaro está vinculado a mais de 50 empreendimentos que se conectaram com o ecossistema do Master. Seu filho talvez se anime a tentar incluir o pai entre os premiados de uma delação mais caudalosa.


Partículas entrelaçadas mudam de polaridade quando uma delas é alterada, independentemente de ambas estarem no mesmo recinto ou a quilômetros de distância — cientistas chineses realizaram o mesmo experimento usando satélites e comprovaram que elas se mantinham conectadas mesmo quando separadas por milhares de quilômetros. Mesmo assim, continuamos aceitando a premissa relativística segundo a qual nada se move mais depressa do que a luz do vácuo.


A mecânica quântica trata do comportamento da matéria e da energia em escalas muito pequenas — átomos e partículas subatômicas, mas a quantidade de informações necessárias para mapear e reconstruir um ser vivo envolveria mais informação do que todos os computadores que existem atualmente são capazes de armazenar, bem como rearranjar todos os átomos, célula por célula, em um processo que levaria centenas de milhares de bilhões de anos. 


A tecnologia de que dispomos está tão distante dessa realidade quanto cruzar o Atlântico por ar em cerca de 3 horas estava quando Pedro Álvares Cabral e sua trupe levaram 44 dias para vir de Portugal até o que viria a ser o litoral sul da Bahia. Por outro lado, vale lembrar que uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida pelo Google para atuar como colaborador virtual em pesquisas científicas e biomédicas resolveu em 48 horas um problema que cientistas do Imperial College London demoraram uma década para solucionar, além de sugerir quatro outras soluções plausíveis, incluindo uma que sequer havia sido considerada pelos pesquisadores.


Sabe-se há décadas que o pensamento humano, quando focado, é capaz de alterar a química corporal do indivíduo, mas o conceito de cura ainda é visto com ceticismo, considerado vudu e objeto de escárnio por parte da comunidade médica — que parece acreditar com fervor que somos todos descendentes de Adão e Eva, a despeito dos indícios científicos acachapantes da evolução. 


Não faltam pessoas supostamente esclarecidas que refutam a esfericidade da Terra (coisa que Aristóteles descobriu no século III a.C.), cuja circunferência Eratóstenes calculou no século II a.C. a partir da diferença das sombras em duas cidades próximas, sem falar nas milhares de fotos tiradas do espaço e até da Lua.


Continua…

terça-feira, 17 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 85ª PARTE

O PRESENTE É APENAS UMA ILUSÃO.

Segundo a teoria da relatividade de Einstein, se pensarmos no espaço-tempo como uma estrutura única que se expande continuamente, então o Big Bang foi o início de tudo e o indicativo de como será o fim. Mas onde há um físico teórico existe uma possibilidade elegante que os físicos experimentais podem ou não comprovar, e alguns negam a existência do tempo escorando-se na incompatibilidade da relatividade com a mecânica quântica.

Ao contrário das outras três forças da natureza descritas pelo Modelo Padrão (forte, fraca e eletromagnética), a gravidade parece viver em um reino próprio. E se todo o universo pode ser explicado por meio das partículas fundamentais (bósons, quarks e fótons, por exemplo), por que a gravidade é uma exceção?

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Os investigadores do início do século 20 gastavam sola de sapato para entrevistar testemunhas e dispunham de poucas ferramentas científicas para auxiliá-los. Mais adiante, surgiram pequenas revoluções na forma de análise de DNA e outras técnicas forenses sofisticadas, mas nada supera o advento dos smartphones — que estão para as investigações como a confissão e as redes sociais para a Igreja Católica. 

Um caso emblemático é o da invasão à praça dos Três Poderes no fatídico 8 de Janeiro, é outro é o celular do Vorcaro, que já derrubou o Maquiavel de Marília da relatoria do caso Master, enlameou a imagem de Xandão e promete fazer mais estragos. Mas é preciso distinguir a ordem jurídica — que, em tese, lida com fatos objetivos e exige que a culpa dos suspeitos seja demonstrada para que eles sofram condenação — da ordem política — na qual os juízos são instantâneos. Nesta, pelo menos dois togados já foram tragados pelo caso Master, causando um prejuízo irreparável para a reputação do STF.

Nada clarifica mais a mente do que a ausência de alternativas. O pedaço da República que se vendeu ao Master já não se pergunta se, mas quando o preso vai virar delator e apontar para o alto, entregando os contatos que conseguiu seduzir num pedaço da engrenagem que André Mendonça chamou de "altos escalões da República". A recompensa não pode incluir nada que se pareça com um perdão: afora os trovões já extraídos das nuvens de um celular de Vorcaro, oito aparelhos continuam na fila da perícia..

Num cenário dos sonhos, todos os pesadelos da República do Master tornariam os contatos do preso em frequentadores de uma colônia de nudismo. Nessa hipótese, sua eventual delação e a consequente premiação seriam desnecessárias. Mas o Brasil está na bica de assistir a um espetáculo de nudismo que ninguém pediu, que ninguém quer ver, e que já não espanta mais ninguém.

Em junho do ano passado, 58% dos entrevistados pelo Datafolha disseram ter vergonha dos ministros do Supremo. Decorridos nove meses, Bolsonaro e os oficiais daquilo que ele chamava de "minhas Forças Armadas" foram parar na cadeia, mas uma nova pesquisa trouxe duas notícias sobre o Supremo.

A má notícia é que não há notícia boa, e a ruim é que a maioria dos entrevistados considera o Supremo a instituição mais enroscada no escândalo Master — é mais do que o índice de comprometimento atribuído ao governo federal (21%) e ao Congresso (17,9%). Para piorar, 44% dos entrevistados disseram estar propensos a enviar para o Senado candidatos comprometidos com o impeachment de magistrados. Quer dizer: a deposição de togas vai deixando de ser tabu à medida que o desgaste pessoal de Moraes e Toffoli corrói a imagem do STF. 

A situação da corte se ajusta à célebre metáfora de Hegel, sobre a Coruja de Minerva, que só voa quando o crepúsculo chega. Em outras palavras, as pessoas só compreendem o tempo em que vivem quando ele já se esgotou. E em certas situações incertas, quem mata o tempo comete suicídio.


Os cientistas tentam explicar esse fenômeno buscando na mecânica quântica uma partícula fundamental da qual a gravidade surge como a luz surge dos fótons, e um dos candidatos mais prováveis é o gráviton — que, se realmente existir, seria o responsável pela mediação da força gravitacional. 


Outras possibilidades são a Teoria das Cordas — segundo a qual a gravidade é resultante do espaço-tempo feito de pixels, como uma tela formada por um sem-número de minúsculos pontos — e a Gravidade Quântica em Loop (LQG) — segundo a qual o espaço-tempo seria composto por uma série de loops entrelaçados, cada um com cerca de um trilionésimo de trilionésimo de trilionésimo de metro.


A relatividade geral já foi comprovada incontáveis vezes — inclusive por uma sonda da NASA que observou a gravidade distorcer o espaço-tempo ao redor do nosso planeta —, ao passo que essas teorias seguem no campo da especulação. No entanto, se uma partícula fundamental da gravidade realmente existir, a maneira como a ciência tenta explicar o espaço-tempo precisará ser revista.


Newton descreveu a gravidade como uma força de atração entre dois corpos, e Einstein, como a deformação que objetos supermassivos causam no espaço-tempo. Se a hipótese dos grávitons ou dos loops gravitacionais for confirmada, a independência da gravidade em relação ao espaço-tempo será um problema, já nosso futuro é baseado no conceito de passagem do tempo expresso pelos relógios e calendários.


Se o tempo não é necessário para explicar a gravidade e, consequentemente, o espaço, então ele não passa de uma invenção humana criada para explicar eventos simples, como o amanhecer e o anoitecer, as fases da Lua e as quatro estações. E da feita que planejamos o futuro com base nas escolhas que fizemos no passado, o que chamamos de arbítrio seria uma aleatoriedade que flui no cosmos como as ondas de um mar, indiferente à passagem das horas, dias, meses, anos, etc.


Mesmo que isso se confirme, ainda restará o princípio da causalidade (não confundir com casualidade) — segundo o qual as causas sempre precedem as consequências. Porém, ao contrário do que sugere a relatividade, a história do cosmos passaria a ser uma questão de causa e efeito, reações em cadeia, partículas decaindo e formando átomos desde o início dos tempos — ou do espaço, o que dá no mesmo.

 

Nesse contexto, o arbítrio ainda seria um conceito real, pois poderíamos reconstruir um sistema com base em causas e consequências — embora não nos relógios e nos calendários, já que as horas e os dias seriam mera convenção. E essa percepção nos levaria à conclusão de que nossa existência está pré-determinada desde o Big Bang


Como disse Stephen Hawking, se tudo o que existe é um efeito em cascata de causas e consequências, então o plasma de quark-glúon dos primeiros instantes do Universo já estava destinado a evoluir para a matéria estruturada, dando origem às estrelas, aos planetas e a formas de vida como a nossa. Mas vale frisar que essa visão pré-determinista não coaduna com a mecânica quântica; alguns cientistas propõem inclusive que em vez de surgir de uma lógica de causa e efeito para se formar, o cosmos moldou as leis da natureza conforme evoluiu.


Embora pareça meramente filosófico, esse embate envolve a física moderna e está vinculado às próximas descobertas em aceleradores de partículas como o Grande Colisor de Hádrons (LHC). 


Enfim, quem viver verá.


Continua…

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 72ª PARTE

TIME AND TIDE WAIT FOR NO MEN.

Poucas ideias na ciência moderna remodelaram nossa compreensão da realidade de forma mais profunda do que o espaço-tempo — prevista na Teoria da Relatividade de Albert Einstein


Algumas descrições tratam essa estrutura da realidade como um mapa completo de todos os eventos — passados, presentes e futuros —, enquanto outras a descrevem como um campo que se curva e se dobra em resposta à gravidade. Mas o que realmente significa dizer que o espaço-tempo existe? Que tipo de coisa é? Uma estrutura, uma substância ou uma metáfora?


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O assunto já deu no saco — não tanto quanto os queixumes de Bolsonaro et caterva, vale destacar — mas vamos lá. No caso Master, o certo e o errado foram substituídos pelo que serve e o que não serve, o que convém ou não aos interesses individuais de autoridades do mais alto escalão. O ministro Fachin, presidente de turno do STF, aderiu ao certo ao esclarecer que vai rodar a toga doa a quem doer, mas acha errado fazer qualquer juízo sobre Toffoli, achando melhor dizer que a "tendência" é o imbróglio ser devolvido à primeira instância.

Lula, o ex-condenado que pleiteia o quarto mandato presidencial, viu serventia eleitoreira em esculachar do palanque o banqueiro Daniel Vorcaro e seu desfalque, mas acha que uma CPI daria palco para a oposição e, portanto, não serviria a seu projeto de reeleição (devido às visitas de Vorcaro ao Planalto, o contrato dele com a família Lewandowski e suas conexões com o PT da Bahia).

Flávio Bolsonaro, por sua vez, vibrou nas redes sociais com a marcha de Nikolas sobre Brasília, mas evitou aderir à pressão do "menino de ouro do bolsonarismo" para que Alcolumbre destrave a CPI, pois seria o mesmo que bater bumbo sob o telhado de vidro da banda Master do Centrão, cutucando potenciais aliados como Ciro Nogueira e Antonio Rueda.

Desde que explodiu no noticiário como escândalo financeiro, o caso Master prenunciava uma tempestade política, e a migração das trovoadas das planilhas de investimento para os aplicativos de mensagens de suspeitos e cúmplices segue um padrão meteorológico, criando as nuvens carregadas que levam à instabilidade atmosférica e à precipitação dos grandes temporais.
A corrupção no Brasil também sofre períodos de condensação. Aconteceu na fase do Collorgate, anões do orçamento, compra de votos da reeleição, mensalão, petrolão, orçamento secreto... A conjuntura roça agora mais um desses períodos de bandalheira concentrada: tomado pela agenda de contatos, Vorcaro construiu conexões que vão do petismo ao bolsonarismo e travessou seus interesses nos três poderes. Perdeu-se o recato. Estavam todos tão certos de que nada os atingiria que esqueceram de maneirar. A PF cuida agora de separar lobby de crime.
Num cenário ideal, o inquérito sobre as fraudes financeiras do Master escorregaria da mesa de Dias Toffoli para a primeira instância. E o Supremo, também submetido aos raios e trovoadas do Master, passaria a cuidar dos enrolados que dispõem de foro especial. Frequentam o palco eleitoral de 2026 como indiciamentos esperando na fila para acontecer.


Essas questões não são apenas filosóficas. Elas estão no âmago da física moderna e moldam tudo, desde como entendemos a relatividade geral até como imaginamos as viagens no tempo, os multiversos e as nossas origens. Mas a linguagem que usamos para descrevê-las é frequentemente vaga, metafórica e profundamente inconsistente. 


O filósofo austro-britânico Ludwig Wittgenstein alertou certa vez que os problemas filosóficos surgem quando a linguagem sai de férias. A física pode ser um excelente exemplo disso: ao longo do último século, palavras familiares como tempo, existir e atemporal foram reaproveitadas em contextos técnicos sem examinar o significado que carregam na linguagem cotidiana. Isso levou a uma confusão generalizada sobre o que esses termos realmente significam.

 

Na filosofia da física, particularmente em uma visão conhecida como eternalismo, a palavra atemporal é usada literalmente, pois dá a ideia de que o tempo não flui nem passa, que todos os eventos ao longo do tempo são igualmente reais dentro de uma estrutura quadridimensional conhecida como Universo em bloco. De acordo com essa visão, toda a história do Universo já foi traçada, atemporalmente, na estrutura do espaço-tempo — nesse contexto, atemporal significa que o próprio Universo não perdura nem se desenvolve em nenhum sentido real; não há devir, não há mudança, há apenas um bloco dentro do qual toda a eternidade existe atemporalmente. Mas se tudo o que acontece ao longo da eternidade é igualmente real e todos os eventos já estão lá, o que realmente significa dizer que o espaço-tempo existe? 


Para entender essa questão, é preciso examinar uma diferença conceitual fundamental: a distinção estrutural entre existência e ocorrênciaExistência é um modo de ser, e ocorrência, de acontecer. Imagine que há um elefante ao seu lado. Você provavelmente diria “este elefante existe”, e poderia descrevê-lo como um objeto tridimensional que existe. Em contrapartida, imagine um elefante puramente tridimensional que aparece na sala por um instante e desaparece como um fantasma. Esse elefante não existe realmente no sentido comum, ele simplesmente acontece.

 

Um elefante existente perdura ao longo do tempo, e o espaço-tempo cataloga cada momento de sua existência como uma linha de universo quadridimensional — o caminho de um objeto através do espaço e do tempo ao longo de sua vida. Já o elefante imaginário que acontece é apenas uma fatia espacial desse tubo; um momento tridimensional. Agora, aplique essa distinção ao próprio espaço-tempo. O que significa, nesse contexto, existir no mesmo sentido em que o elefante existe? O espaço-tempo perdura? Tem seu próprio conjunto de momentos “agora”? Ou é apenas a variedade de todos os eventos que acontecem ao longo da eternidade — algo que ocorre, uma estrutura descritiva para relacionar esses eventos?

 

O eternalismo trata todo o espaço-tempo como uma estrutura existente e considera a passagem do tempo uma ilusão. Mas essa ilusão é impossível se todo o espaço-tempo ocorre num único instante. Para recuperar a ilusão de que o tempo passa dentro dessa estrutura, o espaço-tempo quadridimensional teria de existir da mesma forma que o elefante tridimensional — cuja existência é descrita pelo próprio espaço-tempo


Se imaginarmos que todos os eventos ao longo da história do Universo “existem” dentro do Universo em bloco, então poderíamos perguntar: quando o próprio bloco existe? Se não se desenrola nem muda, ele existe atemporalmente? Se sim, então estamos sobrepondo outra dimensão do tempo a algo que deveria ser atemporal no sentido literal. 

 

Para entender isso melhor, imagine uma estrutura de cinco dimensões, sendo três espaciais e duas temporais. O segundo eixo temporal permite dizer que o espaço-tempo quadridimensional existe exatamente da mesma forma que normalmente pensamos que um elefante na sala existe dentro das três dimensões do espaço que nos rodeiam — que catalogamos como espaço-tempo quadridimensional.

 

Nesse ponto, estamos saindo da física estabelecida, que descreve o espaço-tempo apenas através de quatro dimensões. Mas isso nos leva a outro problema: não temos uma maneira coerente de falar sobre o que significa a existência do espaço-tempo sem reintroduzir o tempo por uma porta conceitual que a física não reconhece. É como tentar descrever uma música que existe de uma só vez — sem jamais ser tocada, ouvida ou desdobrada no tempo — ou querer saber o que existe ao norte do Polo Norte.

 

Continua...