quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

RENAN CONTINUA PRESIDENTE, MAS NÃO PODE SUBSTIUIR O PRESIDENTE


EM EDIÇÃO EXTRAORDINÁRIA:

Não acabou em pizza, mas numa salada russa com digitais do “chef” Michel Temer, cujo governo já vai mal das pernas, e a última coisa de que ele precisa é espichar ainda mais o perrengue entre o Legislativo e o Judiciário, que atingiu temperaturas altíssimas depois que o ministro Marco Aurélio Mello acolheu o pedido do partido Rede Sustentabilidade e apeou liminarmente Renan Calheiros da presidência do Senado.

Numa absurda inversão de valores ― embora não tão absurda para o Brasil, que é o rei dos contrassensos e das iniquidades ―, a liminar paralisou os trabalhos na Câmara Alta do Congresso Nacional. Era como se nada ali funcionasse sem a presença do senador alagoano ― réu no STF por crime de peculato e investigado em pelo menos mais 11 processos, oito dos quais no âmbito da Lava-Jato ―, que, para piorar, apoiado pela mesa diretora da Casa, resolveu simplesmente não acatar a decisão do Judiciário, como se sua deposição fosse uma opção, e não uma determinação da um ministro da nossa mais alta Corte de Justiça.

Vale lembrar que Temer tem urgência em aprovar a PEC dos gastos e a reforma da Previdência, já que o recesso parlamentar começa no próximo dia 20, e a substituição de Renan pelo petista Jorge Viana ser-lhe-ia, no mínimo, contraproducente. Assim, tramou-se nos bastidores um acordão (não confundir com “acórdão”) visando a uma solução meia-boca: tirar Renan da linha sucessória da presidência da República sem comprometer seu cargo de presidente do Senado e seu mandato de Senador. Como se substituir o presidente da República fosse uma prerrogativa pessoal de Renan, e não do cargo de presidente de qualquer uma das duas Câmaras do Congresso Nacional.

Já dava para sentir o cheiro da batata cozinhando no plenário do STF quando, contrariando a praxe, quem se pronunciou depois do relator foi o ministro Celso de Mello ― que, em situações normais, seria o penúltimo a votar (antecedendo a ministra Carmem Lucia, atual presidente da Corte). E na medida em que os votos de ambos os "Mello" divergiram em parte, os demais ministros sentiram-se confortáveis para acompanhar o decano e parir mais uma jabuticaba a pretexto da harmonia entre os poderes e sustentabilidade do Executivo.

O resultado pegou mal, o Supremo saiu desmoralizado e o povo, que torcia pela deposição de Renan, mais uma vez decepcionado. A boa notícia é que agora já podemos mudar de assunto, em que pese a possibilidade de novos desdobramentos, até porque o STF deverá decidir de uma vez se réus em ações penais podem ou não ocupar cargos que os coloquem na linha sucessória presidencial e, em se confirmando as previsões, Renan poderá perder também o mandato de senador (e a presidência da Casa, naturalmente). Além disso, o ministro Marco Aurélio ficou de encaminhar cópia do seu voto e documentos pertinentes à PGR, para que sejam investigados Renan e os demais senadores e membros da mesa diretora que se recusaram a receber a notificação judicial da liminar que apeava o alagoano da presidência da Casa. Janot já disse várias vezes que “não é admissível” um réu na presidência do Senado, e o ministro, que manter Renan na função seria um “deboche institucional”.

Quanto poder, presidente. Faço Justiça ao senador Renan Calheiros. Faço Justiça ao dizer que ele não me chamou de juizeco. Tempos estranhos, presidente, os vivenciados nessa sofrida república. Se diz que, sem ele, e a essa altura está sendo tomado como um salvador da Pátria amada, não teremos a aprovação de medidas emergenciais visando combater um mal maior, que é a crise econômica e financeira”, disse Marco Aurélio, num trecho do seu voto.

Se tivesse pedido a prisão de Renan quando este se recusou a cumprir a ordem judicial, Marco Aurélio teria evitado o conchavo entre os poderes em busca de uma “saída política”. Mas essa história já está ficando tão cansativa quanto a exploração, pela mídia, da fatalidade que dizimou o Chapecoense ― ou do crime, melhor dizendo, pois não há outra maneira de definir a decisão do piloto de percorrer 1605 milhas sem reabastecer uma aeronave com autonomia máxima de 1.600 milhas, e ainda declarar “falha técnica”, e não falta de combustível, quando pediu autorização para o pouso de emergência.

Falando em crimes e criminosos, o fotógrafo Ricardo Stuckert, que registra cada momento da vida de Lula desde 2003, recebeu do petralha sua mais recente missão: ficar em frente ao apartamento do petista às 5h da manhã, sempre que o chefe está em São Bernardo, para não perder as cenas de uma possível prisão.

Até mais ler.

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DICAS DA HORA

UM CHEFE QUE É CAPAZ DEVE FINGIR SER INCAPAZ; SE ESTIVER PRONTO, DEVE FINGIR-SE DESPREPARADO; SE ESTIVER PERTO DO INIMIGO, DEVE PARECER ESTAR LONGE.

Quer abrir um aplicativo sem tirar as mãos do teclado? Então, na caixa de pesquisas do Windows 10 (se ela não estiver visível, clique na pequena lente que aparece na extremidade esquerda da Barra de Tarefas), digite as primeiras letras do nome do programa (por exemplo, “chr” para o navegador Chrome) e tecle Enter.

Caso existam aplicativos fixos na Barra de Tarefas, use o atalho Windows+1 para abrir o primeiro, Windows+2 para o segundo, e assim por diante.

Se algum aplicativo se tornar instável inesperadamente, tente repará-lo ou reinstalá-lo. Se o próprio Windows se tornar instável e a Restauração do Sistema não funcionar ou não resolver o problema, experimente fazer logon com uma conta de usuário diferente (para criar uma nova conta no Windows 10, abra o Menu Iniciar, clique em Configurações > Contas > Família e outras pessoas > Adicionar outra pessoa a este PC. Na tela seguinte, clique em Não tenho as informações de entrada dessa pessoa. Na próxima tela, clique em Adicionar um usuário sem uma conta da Microsoft, preencha os campos, clique em Avançar, e pronto). Se isso recolocar o bonde nos trilhos, exclua a conta problemática e passe a usar a nova.

Observação: Conforme eu disse em outras postagens, criar uma segunda conta de usuário no computador, configurá-la com poderes limitados e usá-la no dia a dia é fundamental, pois requer uma senha de administrador para liberar qualquer ação mais invasiva (como a instalação de um aplicativo, por exemplo). Isso não só previne a desconfiguração acidental do sistema, mas também dispensa a trabalhosa reinstalação do Windows no caso de algum malware mais obstinado burlar a proteção do seu antivírus e infectar o sistema. Nesse caso, se um serviço online ― como o ESET Online Scanner ou o HouseCall , por exemplo ― não remover o invasor, você pode se logar com sua conta de administrador, excluir o perfil infectado, criar uma nova conta limitada e seguir adiante como se nada tivesse acontecido).


DORMIA A NOSSA PÁTRIA MÃE TÃO DISTRAÍDA, SEM PERCEBER QUE ERA SUBTRAÍDA EM TENEBROSAS TRANSAÇÕES

As camisetas amarelas voltaram às ruas no último domingo. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e mais duas centenas de municípios, houve manifestações de apoio à Operação Lava-Jato e repúdio ao pacote anticorrupção da forma como foi aprovado pela Câmara, na calada da madrugada da última quinta-feira.

Como no samba Vai Passar ― uma das letras mais inspiradas de Chico Buarque, da qual eu destaco o trecho “Dormia/A nossa pátria mãe tão distraída/Sem perceber que era subtraída/Em tenebrosas transações” ―, os parlamentares, na calada da madrugada do último dia 1º, desmantelaram o espírito higienizador do relatório que o deputado Onyx Lorenzoni havia elaborado com base nas medidas propostas pelo MPF e respaldadas por 2,5 milhões de assinaturas de populares.

Visando favorecer a si próprios e a outros envolvidos na Lava-Jato, suas insolências incluíram no texto emendas como a do deputado pedetista maranhense Weverton Rocha (vê lá se isso é nome que se apresente), que sujeita juízes e procuradores a processos por crime de responsabilidade caso atuem de forma “político-partidária” ou apresentem ações contra agentes públicos “de maneira temerária”.

O que seria, afinal, essa tal maneira temerária? Para os juízes e procuradores, a falta de um consenso a esse respeito permite interpretações ambíguas sejam usadas como ameaça contra aqueles que ousarem investigar “autoridades”. Para a ministra Carmem Lucia, presidente do STF, a democracia depende de poderes fortes e independentes, e “pode-se tentar calar o juiz, mas nunca se conseguiu nem se conseguirá calar a Justiça”.

Mas não é só. Além de agirem à sorrelfa, suas insolências o fizeram na madrugada em que o país ― e quiçá o resto do mundo ― estava estarrecido diante do trágico acidente que ceifou 71 vidas, aí incluídas as dos integrantes da Associação Chapecoense de Futebol, que voava em busca de sua primeira glória internacional. Isso sem mencionar que, duas semanas atrás, os mesmos deputados tentaram emplacar uma inconcebível anistia ao caixa 2 eleitoral, que só não seguiu adiante por conta, mais uma vez, da pressão popular, que levou Michel Temer a afirmar que vetaria essa emenda se ela fosse aprovada pela Câmara e pelo Senado.

Observação: Seis juristas ouvidos por VEJA afirmam que a emenda para criminalizar o abuso de autoridade é inconstitucional. Por tratar de temas do Judiciário, ela só poderia ser oferecida pelo STF, nunca por um parlamentar ― o que configura “vício de iniciativa”. 

O fato é que todo esse imbróglio deixa Temer (mais uma vez) entre a cruz e a caldeirinha e o afasta do ambicioso projeto de ser lembrado como o presidente que recolocou o país nos trilhos do crescimento. Não bastasse sua equipe de notáveis ter se revelado uma notável fonte de problemas ― 6 ministros foram trocados nos primeiros seis meses de governo, e mais uma dúzia deles ou é investigada judicialmente ou é citada na Lava-Jato ―, o perrengue mais recente (entre o amigo Geddel Marcelo Calero) não só forçou o desligamento de ambos os envolvidos como deixou periclitante a situação do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha.

Embora tenha cometido mais acertos do que erros na área econômica, o presidente vem perdendo o pouco de popularidade que conquistou, especialmente por se render a pressões do Congresso. Depois dos lamentáveis episódios protagonizado pela Câmara Federal e por Renan, na semana passada, Temer foi advertido de que deveria se preparar para um processo de impeachment caso vetasse o “passa moleque” dos parlamentares na Lava-Jato. Inicialmente levada na brincadeira, a bravata correu veloz no plenário. No grupo de WhatsApp de partidos da base aliada, comentava-se que vetar as medidas contra “abusos de autoridade” é comprar o bilhete de volta para casa.

Como se tudo isso não bastasse, o Executivo depende do Legislativo para aprovar a PEC dos gastos e a reforma da Previdência, o que torna ainda mais desconfortável a posição de Temer nessa absurda “guerra dos poderes”.

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

TV COM SUPORTE AO HDR. VALE A PENA?

SE NÃO É VANTAJOSO, NUNCA ENVIE SUAS TROPAS; SE NÃO LHE RENDE GANHOS, NUNCA UTILIZE SEUS HOMENS; SE NÃO É UMA SITUAÇÃO PERIGOSA, NUNCA LUTE UMA BATALHA PRECIPITADA.

O HDR (sigla de High Dynamic Range, ou Grande Alcance Dinâmico, em português) é um recurso relativamente comum em câmeras fotográficas digitais, inclusive de smartphones, que chega gora aos televisores com o propósito de aprimorar a experiência do usuário ao assistir a filmes, séries e outros conteúdos.

Conforme eu disse no post anterior, o 4K aprimora sobremaneira a exibição de imagens, proporcionando maior nitidez e brilho e menor variação de cores, ao passo que o HDR torna as imagens exibidas na tela da TV bem mais fiéis às que enxergamos no mundo real, ampliando sua gama de detalhes, enriquecendo as cores, produzindo brancos mais brilhantes, pretos mais escuros e tons de cinza mais bem definidos.

Em outras palavras, o conteúdo HDR em HDTVs HDR-compatíveis fica mais brilhante e mais escuro ao mesmo tempo; as diferenças entre o verde e o azul são mais nítidas, e as cores, mais profundas e vívidas, sem tons saturados e com detalhes finos em superfícies brilhantes mais “limpos”. Uma imagem do sol, por exemplo, tons amarelados e alaranjados bem definidos, você não verá apenas o borrão branco que é exibido pelos televisores com os padrões atuais.

Note que nem todos os aparelhos de TV de alta definição são capazes de reproduzir conteúdo em HDR, e nem todos os conteúdos são compatíveis com essa tecnologia. Em outras palavras, os ganhos proporcionados pelo HDR dependem de um compromisso conjunto da fonte do conteúdo e do aparelho de TV ― ou seja, de nada adianta investir pesado num televisor compatível com a tecnologia se o conteúdo a que você tem acesso não oferece a necessária contrapartida. Além disso, caso você pretenda assistir a filmes em discos Blu-ray gravados no novo formato, precisará comprar também um leitor ULTRA HD BLU-RAY ― como o Samsung UBD- K8500, por exemplo ―, que custa caro e é difícil de encontrar. 

Observação: O conteúdo HDR já está disponível em serviços de streaming como o Netflix (na série original Marco Polo, por exemplo), mas requer uma conexão de internet rápida e confiável ― se o fluxo não for bom, você não será capaz de ver o filme ou programa desejado em HDR, mesmo que ele esteja disponível e o seu televisor lhe ofereça suporte. Jogos de computador já apresentam essa tecnologia há algum tempo, e os consoles PS4 e Xbox One são capazes de aproveitar o HDR na reprodução de imagens de games desenvolvidos para tirar proveito do grande alcance dinâmico.

Televisores com suporte ao HDR são identificados por um selo criado para determinar padrões mínimos de qualidade e performance para TVs 4K. É possível encontrar modelos identificados tanto como HD Premium quanto como Dolby Visão, conforme o fabricante. O HDR10 é o padrão homologado pela Alliance UHD, enquanto que o Dolby Vision é um formato proprietário da Dolby. Embora os fabricantes de televisores, produtoras de conteúdo (como os Estúdios Disney, Fox e Warner) e serviços de streaming (como o Netflix) estejam apostando suas fichas no HDR, a prudência recomenda esperar essa tendência se firmar, para não correr o risco de investir pesado na “tecnologia errada” e depois se arrepender ― como aconteceu nos anos 1980, quando muita gente comprou VCRs BETAMAX e o formato que se tornou padrão de mercado foi o VHS, ou bem mais recentemente, com os televisores 3D.

A princípio, o HDR deverá ser mais comum em televisores LED, já que a tecnologia OLED ainda é refratária à implementação dessa técnica. Todavia, a LG já apresentou modelos OLED com HDR na CES 2016. Demais disso, embora o HDR esteja vinculado a TVs e monitores 4K, isso não significa que a indústria não possa integrá-lo a modelos com resolução Full HD, que são bastante procurados (e a integração da nova tecnologia nessas telas agregaria valor ao produto). Por outro lado, nenhum fabricante apresentou unidades com resolução 1080p e HDR na CES 2016, e como a feira não só antecipa lançamentos do ano todo, mas também aponta tendências para a indústria, a conclusão me parece óbvia.

Resumo da ópera: Melhor ir devagar com o andor, que o santo é de barro. Como eu costumo dizer, “os pioneiros são reconhecidos pela flecha espetada no peito”― pense nisso antes de abrir a carteira e sacar seu poderoso cartão de crédito.
Com conteúdo da OFICINA DA NET e do portal TECHTUDO

ENTRE IMBRÓGLIOS E QUIPROQUÓS.

O Planalto acompanhou apreensivo as manifestações do último domingo, e só respirou aliviado após constatar que o alvo dos protestos não era o chefe do Executivo, mas os presidentes da Câmara e do Senado. Mesmo assim, visando resguardar seu terno bem talhado dos respingos da caca, Temer tentou demover Renan Calheiros de avalizar as medidas anticorrupção aprovadas à sorrelfa pela Câmara na última quarta-feira ― o que, na avaliação da presidente do Supremo, agravaria ainda mais a crise entre os Poderes. Mas o presidente do Senado se manteve irredutível, e Temer preferiu não insistir, “em respeito à independência dos Poderes”.  

No final da tarde de ontem, porém, o senador alagoano foi apeado da presidência do Congresso por uma decisão monocrática de Marco Aurélio Mello. Resta agora saber se o plenário do STF manterá ou não a liminar do ministro.

Observação: No início do mês passado, durante o julgamento de uma ação movida pela Rede para impedir que réus em processos penais ocupem cargos que os coloquem na linha sucessória da presidência da República, Dias Toffoli pediu vistas do processo e obstruiu a votação quando 6 ministros já se haviam posicionado a favor proibição. Toffoli tem até o próximo dia 21 para devolver os autos, mas ninguém leva isso muito a sério no Supremo, e como o Judiciário entra em recesso véspera... Já viu, né?

Manter Renan na presidência do Senado contribui para a péssima imagem do Legislativo, até porque o senador é investigado em 12 inquéritos ― 8 dos quais no âmbito da Lava-Jato ― e réu em um deles, por crime de peculato (desvio de verba pública para uso pessoal). Rodrigo Maia, por seu turno, teve a imagem “arranhada” por avalizar a maracutaia tramada durante a madrugada do último dia 30, quando a qual a Câmara desconstruiu o relatório do deputado Onyx Lorenzoni e enxertou emendas revanchistas e espúrias de parlamentares no assim chamado “pacote anticorrupção”.

Tanto Renan quanto Maia são íntimos de Michel Temer, e uma crise em torno deste último preocupa especialmente o Planalto, na medida em que compete ao presidente da Câmara acolher ou rejeitar pedidos de impeachment contra o presidente da República. Ambos disseram achar legítimas as manifestações do último domingo ― pelo menos da boca para fora ―, e a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República salientou o comportamento exemplar dos manifestantes e a importância de os Poderes da República estarem sempre atentos às reivindicações da população. Mas a verdade é que a classe política quer ― e muito ― impor limites à atuação de juízes e procuradores, notadamente diante da temida Delação do Fim do Mundo.

Nesse cenário conturbado, tanto Temer quanto a nação estão entre a cruz e a caldeirinha, pois a PEC 241, pautada para votação na semana que vem, precisa ser aprovada. Se o petralha Jorge Viana aproveitar o afastamento de Renan para mudar a pauta do Senado e quebrar o Brasil, o PT vai apanhar novamente nas ruas e nas urnas, mas o maior perigo, neste momento, é Renan retomar o comando do Congresso e sair atirando para todos os lados.

Minutos atrás, Veja noticiou em seu site que Renan se recusou a assinar a notificação judicial que o informa de seu afastamento e costurou uma decisão em que a Mesa Diretora do Senado se recusa a cumprir, de forma imediata, a liminar do ministro Marco Aurélio. Uma segunda versão mais branda foi redigida em seguida, como se para não afrontar (ainda mais) o Judiciário e escancarar o embate institucional já colocado. Jorge Viana, primeiro vice-presidente e sucessor de Renan, só assinou o documento depois que ressalva de que “a Mesa não tomaria qualquer providência relativa ao cumprimento da decisão monocrática” foi retirada do texto.

Diante da turbulência provocada por esse monumental imbróglio, a primeira sessão de discussão da PEC dos Gastos, que estava prevista para esta terça-feira, acabou sendo suspensa. O plenário do STF deverá se pronunciar amanhã, mas, se em maio deste ano a nossa mais alta Corte suspendeu o mandato do réu Eduardo Cunha e o afastou da Presidência da Câmara porque ele estava obstruindo a Justiça, agora o réu Renan Calheiros, que tentava obstruir a Justiça na Presidência do Senado, também precisa ser afastado. Ou não?

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O ABACAXI DE TEMER ― E A ANGÚSTIA DA NAÇÃO BRASILEIRA

Como se não bastasse a herança maldita dos 13 anos de administração petista, o desemprego nas alturas, a inflação descontrolada e as perspectivas de crescimento do PIB sendo revistas (para baixo) mês após mês, Michel Temer precisa agora se preocupar em reconduzir Renan Calheiros à presidência do Congresso para aprovar sem percalços a PEC dos Gastos.

Marco Aurélio Mello justificou sua posição lembrando que o Supremo tinha decidido por maioria absoluta que um réu não poderia ocupar cargo na linha sucessória da Presidência ― leia a seguir um excerto de seu despacho:

Os seis ministros concluíram pelo acolhimento do pleito formalizado na inicial da arguição de descumprimento de preceito fundamental, para assentar não poder réu ocupar cargo integrado à linha de substituição do Presidente da República. O tempo passou, sem a retomada do julgamento. Mais do que isso, o que não havia antes veio a surgir: o hoje Presidente do Senado da República, senador Renan Calheiros, por oito votos a três, tornou-se réu, e mesmo diante da maioria absoluta já formada, continua na cadeira de presidente do Senado, ensejando manifestações de toda ordem, a comprometerem a segurança jurídica”. 

Embora Jorge Viana ― virtual sucessor de Renan na presidência do Senado ― tenha declarado publicamente que não vai se precipitar, fontes próximas a ambos dão conta de que, embora compreensivo dos riscos, o petralha, por puro revanchismo, pretende, sim, suspender a pauta de votações dos projetos de interesse do governo. Como se vê, o que menos preocupa nossa abjeta classe política são os interesses da Nação.

Resta saber agora como se posicionará o plenário do STF. Na avaliação de Reinaldo Azevedo, devemos torcer por Renan (ruim com ele, pior sem ele), pois depô-lo da presidência do Senado será entregar o comando ao PT: a menos de quatro meses do fim do mandato, não haverá nova eleição; Viana seguirá presidente até fevereiro, e, se quiser, poderá mudar da agenda quando faltam apenas nove dias para o recesso ― e já avisou que não se compromete com a votação da PEC 241. Em suma: ao tentar depor Renan, o ministro Marco Aurélio dá sobrevida à agenda do PT, que foi derrotada no Congresso, no tribunal e nas ruas.

Já para Merval Pereira, colunista político de O Globo, o governo tem maioria, Viana tem limites para adiar a votação e o regimento, para enquadrá-lo. Demais disso, mesmo podendo manobrar para adiar a votação da PEC, não combina com o senador ficar apenas 15 dias na presidência e bagunçar o país.


Vamos continuar acompanhando para ver quem tem razão.

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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

PENSANDO EM TROCAR SEU TELEVISOR? ENTÃO NÃO DEIXE DE LER ESTA POSTAGEM

É PRECISO ENTENDER PROFUNDAMENTE A ESSÊNCIA DE ALGUMA COISA PARA SE LIVRAR DAS PARTES NÃO ESSENCIAIS.

Foi-se o tempo em que escolher um televisor exigia apenas decidir entre as marcas, modelos e tamanhos disponíveis, e procurar uma loja que oferecesse o produto pelo menor preço e/ou com as melhores condições de pagamento. Hoje em dia, além dessas questões inarredáveis, é preciso também avaliar o formato da tela (plana, curva, flexível, etc.), a quantidade de portas USB/HDMI/RCA, os recursos oferecidos (a gama é maior nos modelos “smart”) e a resolução suportada (HD, FULL HD, K4, 8K, etc.).

Com relação à resolução, vale relembrar que o padrão FULL HD é plenamente satisfatório para você assistir à programação da TV aberta, por assinatura, e filmes em DVD e em streaming. Como o conteúdo no formato 4K (também conhecido como ULTRA HD) ainda é escasso, não vale a pena você trocar seu aparelho HD ou FULL HD apenas por conta desse diferencial. No entanto, caso já venha pensando em comprar um televisor novo ― afinal, o Natal está aí ―, talvez valha a pena gastar um pouco mais e fazer um “investimento para o futuro”.

No contexto desta postagem, o termo resolução remete à quantidade de linhas e colunas de pixels que formam as imagens. Atualmente, a maioria dos televisores suportam o HD, embora os fabricantes busquem aliciar os consumidores com telas “FULL HD” e “ULTRA HD”, mas é bom ter em mente que o preço cresce conforme a resolução aumenta, embora a marca, o modelo, o tamanho da tela e os recursos oferecidos também pesam nessa questão.

Nas TVs HD, os pixels são dispostos em 1.280 colunas e 720 linhas, resultando em imagens formadas por quase 1 milhão de pontos. Nas FULL HD, são 1.920 colunas e 1.080 linhas, o que praticamente dobra o número de pontos, e nas ULTRA HD, 3.840 colunas e 2.160 linhas geram quatro vezes mais pontos que a tecnologia convencional. Por outro lado, as diferenças são mais perceptíveis em telas de grandes dimensões, e, mesmo assim, quando você se posiciona mais próximo do aparelho.

Modelos Ultra HD (ou 4K) e 8K costumam ter telas grandes e preços salgados. O primeiro modelo 4K no mercado nacional ― uma LG de 84” lançada em março de 2013 ― custava absurdos R$ 45 mil. Seis meses depois, a mesma LG lançou uma versão com tela “menor” (65”) por R$ 25 mil. Conforme a fila andou, o preço caiu, e agora já é possível encontrar modelos com telas entre 40 e 50 polegadas por cerca de 10% desse valor. Aliás, o mesmo se deu com as TVs HD, que custavam mais de R$ 20 mil às vésperas da Copa de 2006, e hoje saem por pouco mais de R$1 mil. Com crise ou sem crise, a tendência é de queda e, como de costume, os pioneiros são reconhecidos pela flecha espetada no peito.

Note que, embora a nomenclatura 4K seja usada como sinônimo de ULTRA HD, o que ela designa, na verdade, é apenas uma das resoluções ULTRA HD (mais exatamente a resolução mínima, também conhecida como 2160p). Tecnicamente, o 8K também é uma resolução ULTRA HD, mas que tem 7680 colunas e 4320 linhas (4.320 pontos, daí os modelos que utilizam essa tecnológica trazerem a inscrição 4320p). Devido ao custo elevado de produção, o 8K ainda não é facilmente encontrado nas lojas, mas certamente virá a sê-lo dentro de algum tempo, daí eu dizer que comprar a “cereja do bolo” é investir no futuro. E como o preço dos aparelhos de topo de linha tende a cair conforme modelos com tecnologias mais sofisticados vão sendo lançados, a conclusão é óbvia.

Observação: O “p” das nomenclaturas 1080p, 2160p e 4320p vem de “progressive scan” (ou "varredura progressiva), e significa que as imagens são exibidas na tela “de uma só vez”. Para entender isso melhor, basta lembrar que as TVs antigas, “de tubo”, desenhavam as imagens de maneira “entrelaçada” ― ou seja, primeiro as linhas ímpares e depois as linhas pares ―, visando economizar largura de banda na transmissão. No entanto, como a varredura era feita em rápida sucessão, nosso cérebro se encarregava de “juntar” as imagens parciais, levando-nos a “enxergar” a imagem completa.

O que foi dito até aqui já foi discutido em outras oportunidades, mas resolvi revisitar o assunto por conta da tecnologia HDR (sigla em inglês para Aumento do Alcance Dinâmico), que vai ficar para a próxima postagem, que este texto já está longo demais. Abraços a todos e até lá.

DILMA E A DELAÇÃO DO FIM DO MUNDO

A Delação do Fim do Mundo deve jogar um caminhão de matéria fecal no ventilador e espalhar a aca por centenas de políticos, do presidente Michel Temer a seus deploráveis predecessores petistas, de ministros e ex-ministros a parlamentares e ex-parlamentares, de governadores e ex-governadores a funcionários do alto escalão de estatais e do próprio Executivo, enfim, por uma seleta confraria suprapartidária de (in)dignos representantes do povo brasileiro.

Ainda não se conhecem os detalhes dos 300 anexos que compõem a “mãe de todas as delações”, mas sabe-se que seu conteúdo é nitroglicerina pura. Segundo a Agência Estado, o Príncipe das Empreiteiras, que se relacionava diretamente com a impichada, já revelou que ela tinha total conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras e da distribuição de propinas à base aliada do governo. Alguém se surpreende?

Mesmo livrando a estocadora de vento de acusações mais graves, a delação de Marcelo Odebrecht deve comprovar sobejamente que a petralha se beneficiou diretamente do produto da corrupção, e que as propinas não só ajudaram a custear sua campanha eleitoral como lhe permitiram saciar o apetite pantagruélico dos rufiões da pátria e proxenetas do Parlamento que davam apoio a seu imprestável governo. Em outras palavras, Dilma cometeu crimes continuados de prevaricação, e por eles deverá ser processada e julgada como cidadã comum, na 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba. E de nada adianta ela alegar que não participou de nada, que não recebeu propina e que não tem contas no exterior, até porque Nestor Cerveró (lembra dele?) já havia declarado que a dita-cuja, então ministra da Casa Civil, sabia de tudo sobre a negociata da Refinaria de Pasadena.

Observação: A mulher sapiens já vinha sendo investigada no STF por obstrução da Justiça ― por nomear Marcelo Dantas para o STJ em troca da sua promessa de libertar altos executivos de empreiteiras envolvidas no Petrolão, dentre os quais (e especialmente) o próprio Marcelo Odebrecht, e por ter nomeado Lula para a Casa Civil, numa clara tentativa de lhe conceder prerrogativa de foro e tirá-lo do alcance da Lava-Jato e do juiz Sérgio Moro.

Resta saber quem vai em cana primeiro: Lula, Renan, Dilma? Façam suas apostas.

E.T. - No final da tarde de ontem, Renan foi apeado da presidência do Senado por uma decisão monocrática do ministro Marco Aurélio Mello. 
Cabe recurso ao plenário - que deverá se posicionar mesmo que o senador não o provoque, até porque a votação da ação que impede réus em processos penais de ocupar cargos que os coloquem na linha sucessória da presidência da República foi obstruída, no início do mês passado, por um pedido de vista do ministro Dias Toffoli. 
Agorinha há pouco (por volta do meio dia), foi dito que o STF deve julgar às 14h00 de amanhã a liminar do ministro Marco Aurélio. Já toffoli tem até o próximo dia 21 para devolver os autos do processo cujo julgamento seu pedido de vista obstruiu, mas como o recesso do Judiciário tem início no dia 20... 
Enfim, vamos ver no que dá mais esse imbróglio.

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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

USER SHARE DO WINDOWS 10 VOLTA A CRESCER

A TELEVISÃO MATOU A JANELA.

A meta que a mamãe Microsoft impôs a seu caçula ― de 1.000.000.000 de PCs ― está mais perto de ser alcançada. Dezessete meses depois do lançamento, o Ten marca presença em 26% dos computadores com Windows e em de 23% de todos os PCs do mercado (a diferença, segundo a Net Applications, se deve ao fato de 9% dos computadores pessoais existentes no planeta utilizarem outros sistemas operacionais que não o da festejada empresa de Redmond.

O crescimento da participação no mercado ― de 5% em novembro em relação ao mês anterior foi menor do que o registrado no ano no ano passado ― é considerado positivo à luz das retrações verificadas em setembro e outubro, quando o Ten apresentou queda de 0,4 pontos percentuais ― fato inédito desde seu lançamento, no apagar das luzes de julho de 2015.

A irlandesa StatCounter endossa os dados da Net Applications. Na sua avaliação, a usage share do Ten em novembro ficou em 26%, o que corresponde a um aumento de quase 6% em relação ao mês anterior.

Pena que o tão esperado update de aniversário tenha dado margem a tantos problemas. Aliás, depois de 3 tentativas inexitosas eu resolvi esperar a dona MS tornar a enviar os arquivos de atualização via Windows Update, já que forçar a instalação parece não ser uma boa ideia. E assim como eu, muita gente mais, pois gato escaldado tem medo e água fria, e em rio que tem piranha jacaré nada de costas.


A DELAÇÃO DA ODEBRECHT, RODRIGO MAIA, RENAN CALHEIROS,
MANIFESTAÇÕES POPULARES E OUTRAS QUESTÕES CORRELATAS

A assinatura do acordo de leniência da Odebrecht e da delação pessoal do presidente da empreiteira, Marcelo, do presidente do conselho de administração, Emílio, e de mais setenta e tantos altos executivos e ex-funcionários do grupo tirou o sono de muita gente que há décadas gravita em torno do Palácio da Alvorada, da Esplanada dos Ministérios, do Congresso Nacional e adjacências. Insones, esses proxenetas do parlamento urdem maracutaias na calada das madrugadas, como se viu por ocasião da votação do pacote das medidas anticorrupção, que só foi aprovado pela Câmara depois de o relatório do senador gaúcho Onyx Lorenzoni ser retalhado e acrescido de emendas espúrias, com o nítido objetivo de salvar o rabo sujo dos “nobres” parlamentares.

É bom que suas insolências tomem cuidado, pois o bom humor dos brasileiros está se esgotando. Prova disso foi a pressão popular que resultou na cassação de Eduardo Cunha, depois de um processo que se arrastou por longos 11 meses na comissão de ética da Câmara Federal. O deputado, agora cassado e sem prerrogativa de foro, está preso na carceragem da PF de Curitiba, onde dedica boa parte do tempo ao estudo dos seus processos ― não só o que tramita na 13ª Vara Federal do Paraná, mas também os de Brasília e do Rio de Janeiro.

Neste domingo, 4, a população voltou às ruas em mais de 200 municípios brasileiros, desta feita para protestar contra a Câmara Federal e contra o presidente do Senado, Renan Calheiros.
Para quem chegou há poucas horas de Marte, vale lembrar que, na calada da madrugada da última quarta-feira, aproveitando-se do torpor da sociedade diante da tragédia que matou um time de futebol inteiro, nossos conspícuos deputados desfiguraram o propósito original do que se convencionou chamar de pacote anticorrupção com a substituição de itens propostos pelo MP ― com o referendo da população ― por medidas emendas espúrias e claramente destinadas a salvar o rabo sujo dos parlamentares. Renan, por seu turno, tentou aprovar também no Senado, e a toque de caixa, a excrescência avalizada horas antes pela Câmara (felizmente, apenas 14 senadores apoiaram o presidente da Casa em mais essa aleivosia).

Renan é alvo de pelo menos 12 processos no STF, e se tornou réu em um deles (por peculato) na última quinta-feira. Só não foi apeado do cargo porque um pedido de vista do ministro Dias Toffoli obstruiu, em novembro, a votação da ação que visa impedir réus em processos penais de ocupar cargos que os coloquem na linha sucessória presidencial.

Observação: Um dia depois de Renan se tornar réu, o gabinete de Toffoli informou, em nota enviada à imprensa às 16h53, que “não recebeu os autos” do processo da linha sucessória e, por essa razão, “o prazo para devolução da vista ainda não se iniciou”. Segundo o gabinete de Toffoli, os autos do processo, sob relatoria de Marco Aurélio Mello, chegaram ao gabinete às 17h20. Melo, um dos seis ministros que já votaram pelo veto aos réus, votou pelo acolhimento da denúncia contra Renan pelos crimes de peculato, falsidade ideológica e uso de documentos falsos; Toffoli votou pela rejeição total da denúncia. Ainda segundo Mello, que se disse surpreso com a nota de Toffoli, “os ministros têm acesso automático antes mesmo de o processo ser liberado pelo relator para julgamento, e que isso é feito digitalmente, não dependendo, portanto, de deslocamento físico ou formal”. O prazo regimental para a devolução do pedido de vista de Toffoli se encerra no dia 21 de dezembro, mas, tradicionalmente, esses prazos não são cumpridos à risca pelos ministros.

Já o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia, escolhido por seus pares para preencher a vacância aberta pela deposição de Cunha, é filho do ex-prefeito do Rio César Maia, que foi condenado em agosto passado por improbidade administrativa. E como quem sai aos seus não degenera, o filho do pai abraçou o espírito de corpo de um parlamento que se vê acuado pelo Judiciário e pelo Ministério Público.

A ameaça que a Lava-Jato passou a representar para a maioria dos políticos resultou numa reação corporativista em que se deram os braços praticamente todos os partidos do país. Maia [o filho] tenta agradar a todos para garantir os votos necessários à sua reeleição, caso consiga viabilizar juridicamente sua candidatura (seu mandato tampão termina em 31 de janeiro p.f.). Não à toa, ele emprestou a mesa de sua sala de jantar por mais de quatro horas, na véspera da votação das medidas anticorrupção, para que deputados do PT, PCdoB, DEM, PP e outras siglas afins desconstruíssem o relatório do deputado Onyx Lorenzoni, seu colega de partido, e o resultado foi uma versão bastarda que manteve somente 2 dos itens originais e foi aprovada pelo plenário, por escandalosos 450 votos a 1, às 4h30min da última quarta-feira.

Enfim, costuma-se dizer que quando há corruptos no poder, o povo que os elegeu está bem representado. Então...

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domingo, 4 de dezembro de 2016

O SUPRASSUMO DA CARA DE PAU!

Durante a abertura dos debates sobre as polêmicas medidas contra abuso de autoridade, na manhã da última quinta-feira, Renan Calheiros disse candidamente que defende a Lava-Jato e considera “sagradas” as investigações força-tarefa, que contribuem para o fim da grande chaga da impunidade”. Mas não explicou por que teria tentado aprovar no Senado e em regime de urgência ― as medidas anticorrupção avalizadas horas antes pela Câmara, que, por 450 votos a 1, aprovou uma versão espúria do relatório do deputado gaúcho Onyx Lorenzoni, um dos poucos parlamentares aparentemente sintonizados com os anseios da nação. Felizmente, dos 58 senadores presentes, apenas 14 apoiaram o presidente da Casa, e assim a tramoia não prosperou. 

Observação: Há quem diga que a exclusão da anistia à prática do caixa 2 eleitoral do pacote tenha sido uma vitória, mas eu pergunto: até quando teremos de dar os anéis para não perder os dedos? Afinal, deputados e senadores nada mais são que servidores públicos eleitos para defender os direitos os interesses da população que foram eleitos para representar, e não para legislar em causa própria nem ― muito menos ― financiar suas campanhas com dinheiro público e se locupletar com propinas, negociatas e outras práticas espúrias e bem pouco republicanas.

O fato é que Renan e centenas de outros proxenetas do parlamento estão preocupados com a “delação do fim do mundo”, como vem sendo chamado o acordo de leniência da Odebrecht ― que, combinado com a colaboração premiada de mais de 77 executivos da empreiteira, deve atingir mais de uma centena de políticos, dentre os quais o presidente Temer, os ex-presidentes Lula e Dilma, ministros e ex-ministros de Estado, governadores e ex-governadores, senadores, deputados, e por aí vai.

A boa notícia é que, por 8 votos a 3, o plenário do STF aceitou a denúncia contra Renan (por peculato), que agora é réu em um dos 12 processos que tramitam contra ele naquela Corte (votaram a favor do senador os ministros Ricardo Lewandowski, Gilmar Mendes e Dias Toffoli).
Toffoli, vale lembrar, por ocasião julgamento da ação que impede réus em ação penal de ocupar cargos na linha sucessória da presidência da República, em novembro passado, pediu vistas do processo depois que seis ministros já haviam votado pela proibição (inclusive ele próprio), favorecendo Renan, que, na qualidade de presidente do Senado, assume a presidência na ausência de Temer e de Rodrigo Maia. Ainda não há data prevista para o julgamento ser retomado, até porque, como se sabe, as coisas no STF andam a passo de tartaruga.

Vale lembrar também que Toffoli foi citado no acordo de delação de Leo Pinheiro, suspenso por Rodrigo Janot depois que a revista Veja publicou a notícia. Segundo a reportagem, a proximidade entre o chefão da OAS e o ministro já era conhecida pela PF e havia sido revelada pela revista em maio do ano passado, e que uma equipe de engenheiros da empreiteira teria reparado infiltrações na mansão deste último (e arcado com o custo da obra).

Toffoli foi indicado para o STF por Lula, depois de ter advogado para o PT nas campanhas do petralha de 1998, 2002 e 2006 e, mais adiante, chefiado Advocacia-Geral da União. Por convicção ou gratidão, o ministro votou pela absolvição de Dirceu no processo do mensalão (alegando “insuficiência de provas”) e, no comando do TSE, deixou que ataques de Dilma a Aécio corressem soltos, embora tenha cerceado o tucano quando este tentou revidar no debate do SBT e dado à campanha de Dilma direito de resposta no site de VEJA quando esta publicou o depoimento em que o doleiro Alberto Youssef disse que Lula e Dilma sabiam de tudo do petrolão.

Toffoli e a grande-chefa-toura-sentada-ora-impichada não se bicavam, o que explica os melhores desempenhos do ministro na Corte, quando tentou impedir, sem sucesso, que Luis Roberto “Minha Posição” Barroso atropelasse o regimento interno da Câmara e o Poder Legislativo, anulando uma sessão e redefinindo arbitrariamente o rito de impeachment. Meses atrás, Toffoli chegou ao cúmulo de “passar por cima” de duas instâncias do Judiciário (TRF de SP e STJ) para conceder habeas corpus a Paulo Bernardo, como bem pontuou o jornalista Reinaldo Azevedo nesta postagem.

Por último, mas não menos importante: em nota divulgada na manhã da última sexta-feira, Cláudio Lamachia, presidente nacional da OAB, defendeu o imediato afastamento do senador de Renan da presidência do Senado. Veja o destaque a seguir:  

Com a decisão tomada pelo STF de tornar o presidente do Senado, Renan Calheiros, réu em processo sobre peculato, é necessário que ele se afaste imediatamente de suas funções de presidente do Senado e do Congresso Nacional, para que possa bem exercer seu direito de defesa sem comprometer as instituições que representa. Trata-se de zelo pelas instituições da República. Por este motivo, é preciso que o senador seja julgado de acordo com os ritos e procedimentos estabelecidos em lei, com acesso à ampla defesa e ao contraditório, mas sem que isso comprometa o cotidiano e os atos praticados pelo Senado Federal. Não se trata aqui de fazer juízo de valor quanto à culpabilidade, uma vez que o processo que o investiga não está concluído”.
Renan vai renunciar? Façam suas apostas.

Em tempo: 


O juiz Sérgio Moro deve tirar 30 dias de férias em janeiro ― ao menos no começo do ano, os investigados da Lava-Jato devem conseguir passar um mês sem sustos.
A popularidade do magistrado continua em alta: depois de proferir uma palestra na Maison de France, no último dia 29, ele teve de posar várias vezes para selfies com garçons, recepcionistas e a turma da cozinha que trabalhou no evento.

Hoje, 4, devem ocorrer manifestações em defesa da Lava-Jato em pelo menos 221 cidades do Brasil (segundo números do VemPraRua.net). O Instituto Ipsos  fez uma pesquisa para saber a opinião dos brasileiros sobre a força-tarefa e chegou à conclusão de que 96% acham que ela tem de continuar, custe o que custar. É provável que, se a pergunta fosse reformulada e feita tipo “você é a favor de Sergio Moro e contra os corruptos”, o resultado ficasse ainda mais perto dos 100%.

Nesse entretempo, os “cabecinhas-pequenas”, movidos pelo sites-mortadela, espalham alegremente (não seria desesperadamente?) seu besteirol comuna, dizem que Moro vai fugir do Brasil (não seria o Lula?), que o juiz é responsável pelo crash da nossa economia (não seria a Dilma?), que a Lava-Jato é urdida e patrocinada pela C.I.A. ― ou com o “governo imperialista americano”, como preferem os mais delirantes (não seria ignorantes?) ―, e por aí segue a cachoeira de asnices.

Enquanto ideias como essas grassarem e encontrarem ouvidos que as escutem e mentes que as absorvam sem remissão, nosso pobre país não passará de uma republiqueta de bananas.

A propósito: sabe como evitar que esses comunas morram afogados? É só atirar neles antes que caiam n’água.

Um ótimo domingo a todos. 

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sábado, 3 de dezembro de 2016

DILMA PARA O BEM DO BRASIL

Coisa que não falta no Brasil é palpiteiro. De futebol, então, todo mundo entende. Mas daí a aparecer alguém competente para treinar a seleção vai uma longa distância.

Na política, a coisa é ainda pior. Talvez porque o quadro político seja mais dramático que o futebolístico. Mas o que tem de gente que confunde alhos com bugalhos, defende quem não presta, presta vassalagem a quem não merece e polui as redes sociais com o que um amigo meu classifica como “bostagens” não está no gibi. 

No âmbito da economia, então, a coisa é gritante. Gente que está com a corda no pescoço, com o cheque especial estourado e o cartão de crédito bloqueado ousa ensinar o padre-nosso ao vigário. E como economia e política se fundiram (leia direito antes de pensar bobagem) numa crise sem precedentes, gerada e parida pela mulher sapiens -- também conhecida por “Janete”, como nossa cara ex-presidanta se identifica ao atender ligações de telemarketing ―, o que não falta é ex-ministro da Fazenda, do Planejamento, da Economia ― ou seja lá que nome tivesse a pasta quando o palpiteiro a comandou ― dando pitacos. Resolver os problemas do país, que é bom, nenhum deles resolveu (ou até resolveu, se pensarmos no Plano Real de FHC, mas isso é outra história).

Seja como for, alguns pitacos merecem cuidadosa reflexão, como o de Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda no governo Sarney. (Lembra do Plano Cruzado? Pois é! Só que o “pai” desse desatino foi Dilson Funaro; Maílson sucedeu a Bresser e sob seu comando amargamos o igualmente desditoso Plano Verão, que cortou três zeros da nossa moeda e a rebatizou de Cruzado Novo, mas isso também é outra história).

Em seu artigo na edição de Veja desta semana, Maílson pondera que, mesmo sem ter intenção, a ex-grande-chefa-toura-sentada-ora-impichada acabou prestando ― com enormes custos, ressalva o economista paraibano ― dois favores ao Brasil. Primeiro, ela provou que ideias fracassadas de política econômica não se tornaram virtuosas sob gestão petista. Segundo, ela acelerou o encontro com uma dura realidade fiscal, o que antecipou uma agenda da qual o país não escaparia, talvez quando as contas estivessem mais fragilizadas. Confira um excerto do texto:

Em seu tempo, Dilma ressuscitou ações cuja época havia passado ou que foram malsucedidas em outros momentos. Na verdade, a adoção de medidas ‘desenvolvimentistas’ equivocadas teve início com Lula. Foi ele quem degradou a autonomia e a qualidade profissional das agências reguladoras. A desastrosa lei sobre a exploração do petróleo do pré-sal foi obra essencialmente lulista. Isso nos fez perder tempo e oportunidades, e, ao obrigar a Petrobras a assumir as respectivas obrigações, impôs à estatal um insano endividamento. A corrupção institucionalizada na empresa começou no governo dele”.

Outro trecho lapidar: 

Dilma continuou a marcha da insensatez. Restabeleceu a regra de conteúdo nacional mínimo, em especial na exploração do pré-sal. Desprezou lições da história, as quais haviam provado que o protecionismo inconsequente inibe a adoção de tecnologias avançadas, o que prejudica a produtividade e o potencial do crescimento. Ela reintroduziu o controle de preços de combustíveis, causando enorme prejuízo à Petrobras e aos produtores de etanol (...) e desarticulou o setor elétrico, com efeitos negativos ainda não de todo absorvidos” (...) Em seu período, a economia teve o pior desempenho em mais de 100 anos. Doze milhões de brasileiros estão sem emprego (...) a renda per capita voltará ao nível de 2013 somente em 2024”.

E mais outro: 

A síntese dos equívocos de Dilma foi a Nova Matriz Econômica, fonte básica de enormes disfunções. Essa matriz abandonou uma política econômica sensata que nos havia assegurado estabilidade econômica e previsibilidade. (...) A gestão de Dilma acarretou uma combinação fatídica de queda do PIB, desemprego, redução de receitas tributárias, inflação e elevação da dívida pública. (...) Dilma levou o Brasil à beira do precipício, mas, como no velho ditado, há males que vêm para o bem (...) Ao levar ao extremo a insensatez de políticas fiscais suicidas, a ex-presidente retroagiu à irresponsabilidade inaugurada com a Constituição de 1988. Isso nos pôs diante da hora da verdade. Desse modo, ainda que por vias tortas, ela terminou por prestar favores ao país.

Como se vê, no fundo, beeeeeeeem no fundo, tudo sempre tem um lado bom. Mas daí a ter saudades dessa sacripanta vai uma boa distância. Vade retro, Satanás! 

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

AINDA SOBRE PENDRIVES...

NUM CASAMENTO, O IMPORTANTE NÃO É A ESPOSA, É A SOGRA. UMA ESPOSA LIMITA-SE A REPETIR AS QUALIDADES E OS DEFEITOS DA PRÓPRIA MÃE.

Embora a postagem da última quinta-feira tenha fechado a sequência sobre pendrives que eu iniciei no dia 17 de outubro, achei por bem aproveitar esta sexta-feira - dia em que sempre introduzo uma anedota no post do dia - para reproduzir um texto que acho muito legal. Infelizmente, não posso dar o devido crédito ao autor, pois não faço a menor ideia de quem seria o dito-cujo. Mas a maneira como ele ilustra a relação com a informática de quem nasceu antes dos anos 1990 é positivamente impagável. Antes, porém, reproduzo a postagem que publiquei ontem na minha comunidade de política:

VERGONHA NACIONAL

Panelaços pipocaram em São Paulo, Rio, Minas e Distrito federal na noite da última quarta-feira, em protesto contra a desfiguração das medidas anticorrupção, levada a efeito pela Câmara Federal na madrugada anterior.

Embora a anistia ao caixa 2 eleitoral tenha ficado de fora (debalde os esforços de alguns nobres parlamentares, que por pelo menos duas vezes tentaram incluí-la antes da votação da proposta no plenário), apenas 2 das10 medidas sugeridas originalmente pelo MPF, que respaldaram o relatório do deputado gaúcho Onyx Lorenzoni, foram integralmente mantidas. Itens como a criminalização do enriquecimento ilícito, a criação da figura do "reportante do bem" e o aumento do prazo de prescrição dos crimes acabaram cedendo espaço a outros, como a tipificação do crime de abuso de autoridade para magistrados e integrantes do Ministério Público, que foram alegremente adicionados e aprovados.

Observação: Entre a noite de terça e a madrugada de quarta-feria, todos os partidos orientaram suas bancadas a votarem a favor do projeto principal do pacote anticorrupção. Mas um total de 16 emendas (alterações) apresentadas por parlamentares foram analisadas ainda durante a madrugada e alteraram pontos sensíveis do projeto. Todas foram rejeitadas pelo relator da proposta na comissão especial, mas a maioria acabou sendo aprovada pelo plenário. Ao final da sessão, o deputado Lorenzoni desabafou: “O objetivo inicial do pacote era combater a impunidade, mas isso não vai acontecer porque as principais ferramentas foram afastadas. O combate à corrupção vai ficar fragilizado. E com um agravante, que foi essa intimidação dos investigadores”.

Como se não bastasse, o senador Renan Calheiros ― que é alvo de uma dúzia de ações em trâmite no STF e só ainda não se tornou réu devido à morosidade dessa Corte ― concitou seus pares a aprovar, em caráter de urgência, a maracutaia urdida e avalizada pela Câmara, dando um tapa na cara da população de bem e deixando claro que a velha política tenta se manter dominante, a despeito de uma cachoeira de denúncias indicarem que o modelo está completamente desmoralizado, caquético e falido. 

A intenção de Renan e de seus acólitos, muitos deles investigados na Lava-Jato, é constranger o Judiciário para atender a seus próprios interesses, ou, na avaliação da ministra Carmem Lucia, presidente do STF, “fulminar a democracia”. Nesse clima de fim de feira, onde os parlamentares tentam salvar o próprio rabo diante da ânsia por uma nova política expressa pela sociedade, somente a pressão popular pode impedir os avanços contra a democracia.
Procuradores da Lava-Jato já disseram que podem renunciar coletivamente caso a proposta de punição a magistrados e integrantes do Ministério Público por crime de abuso de autoridade seja aprovada no Senado e não seja vetada por Michel Temer ― que vive seu pior momento desde que assumiu a presidência com o impeachment de sua imprestável predecessora.

Na manhã de ontem, o juiz Sergio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato em primeira instância, e o ministro Gilmar Mendes, que integra o STF e preside o TSE, debateram no Senado o Projeto de Lei de Abuso de Autoridade (voltarei ao assunto oportunamente). 

Pelo andar da carruagem, não demora para que novas manifestações mobilizem a sociedade civil e levem milhões de pessoas novamente às ruas, até porque, sem pressão popular, as raposas continuarão tomando conta do galinheiro. Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos.  

Passemos agora à anedota:
Oswaldo tirou o papel do bolso, conferiu a anotação e perguntou à balconista:
-Moça, vocês têm pendrive?
-Temos, sim.
-O que é um pendrive? Pode me esclarecer? Meu filho me pediu para comprar um.
-Bom, pendrive é um aparelho em que o senhor salva tudo o que tem no computador.
-Ah, é como um disquete...
-Não. No pendrive o senhor pode salvar textos, imagens e filmes. O disquete, que nem existe mais, só salva texto.
-Ah, tá bom. Vou querer.
-Quantos gigas?
-Hein?
-De quantos gigas o senhor quer o seu pendrive?
-O que é giga?
-É o tamanho do pen.
-Ah, tá. Eu queria um pequeno, que dê para levar no bolso sem fazer muito volume.
-Todos são pequenos, senhor. O tamanho, aí, é a quantidade de coisas que ele pode arquivar.
-Ah, tá. E quantos tamanhos têm?
-Pode ter 2; 4; 8; 16 gigas...
-Hmmmm, meu filho não falou quantos gigas queria.
-Neste caso, o melhor é levar o maior.
-Sim, eu acho que sim. Quanto custa?
-Bem, o preço varia conforme o tamanho. A sua entrada é USB?
-Como?
-É que para acoplar o pen no computador, tem que ter uma entrada compatível.
-USB não é a potência do ar condicionado?
-Não, isso é BTU.
-Ah! É isso mesmo. Confundi as iniciais. Bom, sei lá se a minha entrada é USB.
-USB é assim ó: com dentinhos que se encaixam nos buraquinhos do computador. O outro tipo é este, mais tradicional, o senhor só tem que enfiar o pino no buraco redondo. Seu computador é novo ou velho? Se for novo é USB.
-Acho que tem uns dois anos. O anterior ainda era com disquete. Lembra do disquete? Quadradinho, preto, fácil de carregar, quase não tinha peso. Meu primeiro computador funcionava com aqueles do tipo bolacha, grandões e quadrados. Era bem mais simples, não acha?
-Os de hoje nem têm mais entrada para disquete. Ou é CD ou pendrive.
-Que coisa! Bem, não sei o que fazer. Acho melhor perguntar ao meu filho.
-Quem sabe o senhor liga pra ele?
-Bem que eu gostaria, mas meu celular é novo, tem tanta coisa nele que ainda nem aprendi a discar.
-Deixa eu ver. Poxa, um smartphone! Este é bom mesmo! Tem Bluetooth, banda larga, Touch Screen, câmera fotográfica, flash, filmadora, rádio AM/FM, TV digital, micro-ondas...
-Blutufe? E micro-ondas? Dá pra cozinhar com ele?
-Não senhor. É que ele funciona no sub-padrão, por isso é muito mais rápido.
-E pra que serve esse tal de blutufe?
-É para o telefone se comunicar com outro, sem fio.
-Que maravilha! Essa é uma grande novidade! Mas os celulares já não se comunicam com os outros sem usar fio? Nunca precisei de fio para ligar para outro celular. Fio em celular, que eu saiba, é apenas para carregar a bateria...
-Não, já vi que o senhor não entende nada, mesmo. Com o Bluetooth o senhor passa os dados do seu celular para outro, sem usar fio. Lista de telefones, por exemplo.
-Ah! E antes precisava de fio?
-Não, tinha que trocar o chip.
-Hein? Ah, sim, o chip. E hoje não precisa mais chip...
-Precisa, sim, mas o Bluetooth é bem melhor.
-Legal esse negócio do chip. O meu celular tem chip?
-Sim, tem chip.
-E eu faço o quê com o chip?
-Se o senhor quiser trocar de operadora, portabilidade, o senhor sabe.
-Sei, sim, portabilidade, não é? Claro que sei. Não ia saber uma coisa dessas, tão simples? Imagino então que para ligar tudo isso, no meu celular, depois de fazer um curso de dois meses, eu só preciso clicar nuns duzentos botões...
-Nããão! É tudo muito simples, o senhor logo apreende. Quer ligar para o seu filho? Anote aqui o número dele. Isso. Pronto, agora é só o senhor apertar o botão verde...
Oswaldo segura o celular com a ponta dos dedos, temendo ser levado pelos ares, para um outro planeta:
-Oi filho, é o papai. Sim. Diz-me, filho, o seu pen drive é de quantos... Como é mesmo o nome? Ah, obrigado, quantos gigas? Quatro gigas está bom? Ótimo. E tem outra coisa, o que era mesmo? Nossa conexão é USB? É? Que loucura. Então tá, filho, papai está comprando o teu pen drive.
-Que idade tem seu filho?
-Vai fazer dez em março.
-Que gracinha...
-É isso moça, vou levar um de quatro gigas, com conexão USB.
-Certo, senhor. Embalagem para presente?
No escritório, Oswaldo examina o pendrive, minúsculo, menor do que um isqueiro, capaz de gravar filmes... Olha desconfiado para o celular sobre a mesa. "Máquina infernal", pensa. “Eu preciso apenas de um telefone para fazer e receber chamadas, não de um aparelho tão complexo que somente especialistas saberão utilizar”. Em casa, ele entrega o pen drive ao filho e pede para ver como funciona. O garoto insere o aparelho e uma janelinha é exibida no monitor. Em seguida, o menino clica com o mouse e abre uma wepage em inglês. Seleciona umas palavras e um “heavy metal” infernal invade o quarto e os ouvidos
de Oswaldo. Outro clique e a música termina. O garoto diz:
-Pronto, pai, baixei a música. Agora eu levo o pendrive para qualquer lugar e onde tiver uma entrada USB eu posso ouvir a música. No meu celular, por exemplo.
-Seu celular tem entrada USB?
-É lógico. O seu também.
-É? Quer dizer que eu posso gravar músicas num pendrive e ouvir pelo celular?
-Se o senhor não quiser baixar direto da internet...
Naquela noite, antes de dormir, Oswaldo deu um beijo na esposa e disse:
-Sabe que eu tenho Blutufe?
-Como é que é?
-Blutufe. Não vai me dizer que não sabe o que é?
-Não enche, Oswaldo, deixa eu dormir.
-Meu bem, lembra como era boa a vida, quando telefone era telefone, gravador era gravador, toca-discos tocava discos e a gente só tinha que apertar um botão para as coisas funcionarem?
-Claro que lembro, Oswaldo. Hoje é bem melhor, né? Várias coisas numa só, até Blutufe você tem. E conexão USB também. Que ótimo, Oswaldo, meus parabéns.
-Clarinha, com tanta tecnologia a gente envelhece cada vez mais rápido. Fico doente de pensar em quanta coisa existe por aí que nunca vou usar.
-Ué? Por quê?
-Porque eu aprendi a usar computador e celular e tudo o que sei já está ultrapassado.
-Por falar nisso, precisamos trocar nossa televisão.
-Por quê? Ela quebrou?
-Não. Mas não tem HD, SAP, PIP...
-E blutufe, a nova vai ter?
-Boa noite, Oswaldo, vai dormir que eu não aguento mais...


Bom final de semana a todos.

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