sábado, 27 de maio de 2017

O BRASIL E A USINA DE PROCESSAMENTO DE ESGOTO


Michel Temer não conseguiu sequer atravessar a miserável pinguela que o levaria a vestir a faixa presidencial até o final do ano que vem. Chegou mesmo a montar um bom ministério e estava, afinal, começando a contabilizar bons resultados, mas não deu. E nem poderia, já que assumiu a presidência em D.O.A (dead on arrival, como dizem os relatórios hospitalares e policiais nos EUA). Chegou morto porque só sabe fazer política, agir e pensar para um Brasil em processo de extinção, onde presidentes da República recebem em palácio indivíduos à beira do xadrez, discutem com eles coisas que jamais deveriam ouvir e não chamam a polícia para levar ninguém preso. Seu governo não existe mais. A atual oposição ― até ontem governo ― do PT-esquerda não existe mais. Os políticos, como classe, não existem mais.

Como ficou claro há muito tempo, não se poderia mesmo esperar algo diferente. O Brasil de hoje é governado como uma usina de processamento de esgoto, onde entra merda por um lado e sai merda pelo outro. O que mais poderia sair? Entre a porta de entrada, que é aberta nas eleições, e a de saída, quando se muda de governo, a merda muda de aparência, troca de nome, recebe nova embalagem ― mas continua sendo merda.

Reprocessou-se o governo de Lula, deu no governo de Dilma; reprocessou-se o governo de Dilma, deu no de Temer. Não houve, de 2003 para cá, troca do material processado pela usina. Não houve alternância no poder, e isso inclui o moribundo governo Temer. Continuou igual, nos três, a compostagem de políticos “do ramo”, empreiteiras de obras públicas, escroques de todas as especialidades, fornecedores do governo, parasitas ideológicos, empresários declarados “campeões nacionais” por Lula, por Dilma e pelos cofres do BNDES.

Temer, na verdade, faz parte integral da herança que Lula deixou para os brasileiros. Tanto quanto Dilma, é pura criação do ex-presidente, e só chegou lá porque o PT o colocou na vice-presidência ― ou alguém acha que Temer foi colocado de vice na chapa de Dilma sem a aprovação do molusco? Ninguém votou nele, não se cansam de dizer desde que Temer assumiu o cargo, com o impeachment da anta vermelha. Com certeza: quem fez a escolha foi Lula, ninguém mais. Foi dele o único voto que Temer teve, e o único de que precisava.

Com o PMDB veio Michel Temer, mais Eduardo Cunha, Renan Calheiros, José Sarney e família, Romero Jucá, Eliseu Padilha, Eunício Oliveira, Geddel Vieira Lima, e daí para pior. Hoje são odiados nos discursos de Lula e do PT, mas ontem eram os melhores amigos e, principalmente, comparsas. E a eles vieram juntar-se os empresários “nacionalistas” de Lula e Dilma: os Joesley e Wesley Batista, os Emílio e Marcelo Odebrecht, os Eike Batista e tantos outros capitães da indústria que já foram, continuam sendo e em breve serão inquilinos do sistema penitenciário nacional. Juntos construíram a calamidade moral, econômica e administrativa que está aí, e com certeza vão tentar, de algum jeito, beneficiar-se da gosma constitucional hoje formada em torno do pós-Temer.

Essa gente toda, com Lula e o PT à frente e bilhões de reais atrás, nos deixou o seguinte país: um dos maiores empresários do Brasil ― e também um dos mais investigados por crimes cometidos em suas empresas ― entra na residência presidencial e, numa ação nos limites da bandidagem, grava pessoalmente uma conversa do pior nível com o presidente, e com isso, ao menos até agora, livra-se da cadeia, ganha uma soma não calculada de milhões e vira herói de folhetim, no papel de “justiceiro”.

O ex-presidente Lula oscila entre duas possibilidades: ir para a prisão ao para o Palácio do Planalto. Sua sucessora é trazida, por denúncia de pessoas íntimas, para o centro do lodaçal. Seu adversário nas últimas eleições, Aécio Neves, recebe malas de dinheiro vivo desses Joesley e Wesley que atiram para todo lado. O governo e o conjunto da vida pública passaram a depender integralmente de delegados de polícia, procuradores públicos e juízes criminais. O voto popular nunca valeu tão pouco: o político eleito talvez esteja no próximo camburão da Polícia Federal. Os sucessores mais diretos de Temer podem estar em breve a caminho do pelotão de fuzilamento; fazem parte da caçamba de dejetos e detritos que há na política brasileira de hoje.

Um país assim não pode funcionar ― não o tempo inteiro, como tem sido nos últimos anos. Trata-se de uma realidade que está mais que evidente há mais de três anos, quando a Lava-Jato passou a enterrar o Brasil Velho. Era um país que, enfim, começava a agonizar: pela primeira vez na história seus donos tinham encontrado pela frente a aplicação da Justiça ― ou, mais exatamente, o princípio de que a Lei tem de valer por igual para todos. Não acreditaram, e tentam não acreditar até hoje, que aquilo tudo estava mesmo acontecendo. O único Brasil possível, para eles, é o Brasil que tem como única função colocar a máquina pública a serviço de seus bolsos. 

Gente como Lula, Odebrecht, Joesley, empresários campeões, etc. simplesmente não entende a existência de pessoas como Sérgio Moro; eles têm certeza de que não há seres humanos que não possam ser comprados ou intimidados. E o resultado está aí: um país que não consegue mais ser governado, porque os governantes não conseguem mais esconder o que fazem, nem controlar a Justiça e a Lava-Jato, que a qualquer momento pode bater à sua porta.

Post criado com base no artigo “UM PAÍS INVIÁVEL”, de J.R. GUZZO

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sexta-feira, 26 de maio de 2017

DE OLHO NO WHATSAPP

SÓ MESMO UM DONO DE FRIGORÍFICO PARA DAR NOME AOS BOIS E FAZER A VACA IR PARA O BREJO!

Com mais de 1,2 bilhão de usuários no mundo e mais de 100 milhões só no Brasil, o WhatsApp vem sendo largamente utilizado na disseminação de notícias e informações falsas. 

Pensando nisso, o aplicativo publicou um breve guia para ajudar os usuários a se protegerem desse tipo de conteúdo. Dentre elas, o aplicativo recomenda redobrar a atenção para em mensagens com erros gramaticais, links desconhecidos, promoções, pedidos de compartilhamento de conteúdo e de envio de dados pessoais e mensagens “oficiais” do próprio serviço. Confira:


CURTAS, MAS RELEVANTES

Cabem embargos infringentes à decisão do STF que condenou Paulo Maluf a sete anos, nove meses e dez dias de prisão em regime fechado, mais multa, por crimes de lavagem de dinheiro e remessa ilegal de valores para contas no exterior. A decisão da 1ª Turma foi unânime ― inicialmente, foram 4 votos a 1, mas o ministro Marco Aurélio Mello acabou aderindo ao entendimento da maioria.

Os advogados do deputado tentarão converter o regime fechado em prisão domiciliar, já que Maluf nasceu em 1931, e a lei garante esse benefício a octogenários ― mas em caso de prisão preventiva, não de condenação por sentença transitada em julgado. Trata-se claramente de jus sperniandi; se vai colar, aí já é outra história.

Devido ao tempo transcorrido desde os crimes até o julgamento da ação, por pouco Maluf não sai livre leve e solto. A pena por lavagem de dinheiro prescreve em 16 anos, prazo que é reduzido à metade quando o réu tem mais de 70 anos de idade, mas, contrariando a tese da defesa de Maluf, os ministros entenderam que esse tipo de crime tem natureza permanente ― ou seja, só se interrompe quando o dinheiro escondido é descoberto, possibilitando o início das investigações (no caso do deputado, milhões de dólares teriam circulado em contas de membros de sua família, tanto na Suíça, quanto na Inglaterra e na Ilha de Jersey, e o prejuízo causado ao erário chega a US$ 1 bilhão).

Já perda do mandato parlamentar será determinada à Câmara depois que o STF julgar os embargos interpostos pela defesa, o que pode levar mais alguns meses.

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A defesa de Renato Duque apresentou à Lava-Jato uma fotografia dele com Lula, tirada no em 2012, desmentindo, portando, a versão falaciosa em que o petralha diz só ter conhecido Duque em 2104. Leia o que diz a Veja:
Instituto Lula

Renato Duque afirmou que Lula tinha total conhecimento do Petrolão, recebia propinas do esquema e era o comandante da estrutura criminosa. Duque disse que se reuniu três vezes com o petista para tratar de assuntos de interesse da quadrilha e, em pelo menos uma ocasião, discutiu a eliminação de provas que pudessem levar a Lava-Jato até o ex-presidente. Sentado diante de Sergio Moro, o petista negou as acusações e disse que nem sequer conhecia o ex-diretor da Petrobras quando esteve com ele no único encontro pessoal que tiveram, em julho de 2014, num hangar do Aeroporto de Congonhas. Em sua versão para a conversa, Duque disse ao magistrado que ouviu de Lula um pedido para eliminar contas de propina no exterior. Lula, por sua vez, disse que apenas apurava denúncias de corrupção envolvendo diretores da estatal. Em meio a essa guerra de versões, a foto apresentada por Duque é uma bomba. Ela prova que Lula conhecia Duque quando esteve com ele no hangar do aeroporto. Prova também que Duque já frequentava o Instituto Lula em meados de 2012, quando a fotografia foi tirada.
Como se vê, mentira tem perna curta, língua presa e um dedo a menos.

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Rodrigo Maia negou que tenha engavetado os 13 pedidos de impeachment protocolados contra o presidente da República depois que a delação da JBS veio à público.
Eu não posso avaliar uma questão tão grave como essa num drive-thru. Não é assim. Não é desse jeito. Quanto tempo se discutiu, se passou aqui a crise do governo Dilma? As coisas não são desse jeito”, afirmou o presidente da Câmara, na entrevista que concedeu à imprensa na quarta-feira, 24.

Maia afirmou que é preciso ter paciência. “Estão dizendo que eu engavetei. Não tomei decisão. Não é uma decisão que se tome da noite para o dia”, disse ele, além de reforçar que, como presidente da Câmara, não será instrumento para desestabilização do Brasil.

E como hoje é sexta-feira:

A petista caiu dura no chão da cozinha e foi pro céu. 

Chegando lá, encontrou com Deus, que 
imediatamente reconheceu o erro:
- Ih, minha filha, não era sua hora não! Houve algum erro aqui, vou te mandar de volta.
- Que bela surpresa, companheiro Deus! Mas, antes de ir, o Senhor poderia fazer a gentileza de me tirar uma dúvida?
-Claro, minha filha. É o mínimo que eu posso fazer para reparar esse equívoco.
- O Lula é mesmo culpado por corrupção?
- Ahaha! Mas é claro, minha filha! Alma mais suja não há! Eu mesmo, se tivesse que escolher,  votaria no Satanás e não no Lula.
Ressuscitada, a petista liga para a colega :
- Cumpanhêra! Tenho novidades escandalosas!
- Mas o que houve?!?!?
- Você não imagina quem a Globo comprou!

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quinta-feira, 25 de maio de 2017

MANUTENÇÃO PREVENTIVA COM O NORTON UTILITIES

O BRASIL ESTÁ DOMINADO POR FACÇÕES CRIMINOSAS. DOS PRESÍDIOS AOS PALÁCIOS.

manutenção preventiva pode ser feita mais facilmente com a ajuda de programinhas dedicados, geralmente reunidos em "pacotes" ― ou "suítes" ― que atuam sobre os principais gargalos de desempenho que surgem com o passar do tempo e o uso normal do computador.

Semanas atrás, eu falei brevemente sobre o Advanced System Care, o Wise Care 365 e o Steganos Tuning Pro; hoje, a bola da vez é o Norton Utilities, que usei por anos a fio, quando a suíte ainda se chamava Norton System Works e acompanhava o pacote Internet Security da Symantec.

Embora não seja oferecido em versão freeware, o NU pode ser avaliado gratuitamente por 30 dias ― tempo mais que suficiente para você “dar uma geral” em seu sistema. Para mais informações e download, basta seguir este link, apontar para Teste Grátis, clicar em Faça o download do produto e seguir as instruções do assistente de instalação. Para continuar usando o produto após o período de testes, é preciso adquirir uma licença (R$ 49) válida por prazo indeterminado e extensível a 3 PCs.

Compatível com todas as edições do Windows a partir do XP, de 32 ou 64 bits, esse “canivete suíço” da Symantec reúne numa interface bem organizada o Disk Doctor, que corrige problemas lógicos no disco rígido; o Norton UnErase, que recupera arquivos apagados acidentalmente; o Speed Disk, que desfragmenta e otimiza os arquivos no disco rígido; o Gerenciador de Inicialização, que otimiza o tempo de carregamento do sistema ― inibindo ou retardando a inicialização de aplicativos que “pegam carona” com o Windows; o Gerenciador de Serviços, que minimiza a perda de desempenho pela execução simultânea dos processos e serviços em segundo plano; o Monitor de Registro ― que notifica o usuário quando o Registro do Windows precisa ser reparado; e o Limpador do Disco ― que elimina rastros de navegação na Internet.

Observação: Alguns dos módulos do Norton Utilities operam através de ferramentas do próprio Windows, mas isso não desmerece a suíte: automatizando as rotinas de manutenção, ela facilita a realização de manutenções preventivo-corretivas por leigos e iniciantes, que, por desconhecimento ou desinteresse, não tirariam proveito dos recursos que o sistema fornece nativamente para esse fim.

SOBRE A CONVERSA CLANDESTINA E A RENÚNCIA DO PRESIDENTE

É mais fácil acreditar no Coelho da Páscoa do que nos pronunciamentos de Temer à nação.

Na última quinta-feira, 20 horas após o vazamento da delação da JBS e cia. ― que atinge nada menos que 1.829 políticos ―, o presidente classificou a abertura de inquérito contra ele de “território onde surgirão todas as explicações” e exigiu “investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro”. No sábado, o discurso já era outro: a gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos e, incluída no inquérito sem a devida e adequada averiguação, levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil”. No domingo, em entrevista à FOLHA, enquanto reafirmava sua decisão de não renunciar (se quiserem, me  derrubem), seus advogados atuavam nos bastidores para suspender o inquérito ― aquele de onde surgiriam todas as explicações, lembram-se? (mais adiante, mudaram de estratégia e desistiram do pedido, já que a possibilidade de serem atendidos era próxima de zero).

Ainda na quinta-feira, a renúncia chegou a ser dada como certa, mas a pressão de ministros e outros apoiadores ― e a perspectiva de perder a prerrogativa de foro ― levou o presidente a reconsiderar e partir para uma luta inglória, que só posterga o inevitável e produz efeitos deletérios na economia e na estabilidade política do país. Entrementes, pedidos de impeachment vão se acumulando ― resta saber o que Rodrigo Maia fará a respeito ― e novos fatos estarrecedores bombardeiam implacavelmente os escombros da imagem de Temer que ainda resistem.

A situação é insustentável. Sem respaldo popular, o presidente buscava apoio nos (volúveis) parlamentares e nos indicadores do mercado financeiro. Depois de quinta-feira, isso também se foi. Tudo que o mercado quer é uma solução rápida, mas o medo prestar contas à “República de Curitiba” e acabar como Eduardo Cunha não estimula FrankensTemer a tomar a atitude correta. Aliás, fatos como os revelados na delação da JBS ― ou a própria visita fortuita de Joesley ao Palácio do Jaburu ― bastariam para afastá-lo durante a apuração dos fatos, como ocorreria em qualquer país sério. Pensando bem, num país sério o presidente não esperaria ser afastado, fá-lo-ia de moto próprio ― e reassumiria o cargo sem constrangimento algum, se e quando as acusações fossem descartadas.

Em tese, o governo acabou, o presidente caiu. Meirelles passou incólume pelas delações de Joesley, e se a equipe econômica ficar, o mercado há de se acalmar e a vida seguirá adiante, ainda que com menos brilho até que se defina o que acontecerá a seguir. Cassação pelo TSE?  Impeachment pelo Congresso? Ambas essas saídas são possíveis à luz da Constituição. Mas levariam tempo, e tempo é artigo escasso quando cada dia de incertezas aumenta a instabilidade político-econômica.

Por hoje é só. E não é pouco.



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quarta-feira, 24 de maio de 2017

DE OLHO NO DESEMPENHO DO PC (PARTE VII)

EU CAVO, TU CAVAS, ELE CAVA, NÓS CAVAMOS, VÓS CAVAIS, ELES CAVAM. NÃO É BONITO E NEM RIMA, MAS É PROFUNDO…

Vistas e examinadas (e, espero eu, seguidas) as informações publicadas nas primeiras seis postagens desta sequência, cumpre agora concluir a novela, mas não sem antes relembrar (pois suponho ter dito isso em algum dos capítulos anteriores) que as suítes de manutenção de terceiros costumam proporcionar melhores resultados do que as limitadas ferramentas do Windows (que, basicamente, se resumem a eliminar arquivos desnecessários, corrigir erros na estrutura lógica do HD e desfragmentar os dados). 

De passagem, sugeri alguns utilitários para remoção de aplicativos ― que costumam funcionar melhor que o desinstalador nativo dos programinhas ou do próprio Windows e soluções para limpeza e desfragmentação do Registro ― etapa importante da manutenção preventivo-corretiva, mas para qual a Microsoft não disponibiliza uma ferramenta.

Embora eu já tenha publicado diversas avaliações de suítes de manutenção, tanto pagas quanto gratuitas, não me custa relembrar algumas opções interessantes:

CCleaner ― disponibilizado pela Piriform em versão paga ou gratuita (confira meu review nesta postagem).

IOBit Advanced System Care (para conferir minhas remissões a essa suíte, digite o nome dela no campo de buscas do Blog e pressione Enter) ― Da mesma forma que o CCleaner, o ASC é distribuído tanto como shareware quanto como freeware. Para usuários domésticos comuns, a versão gratuita é mais que suficiente, embora a paga ofereça mais recursos (note que é possível testar a opção gratuita e fazer o upgrade a qualquer tempo; para mais detalhes e download, clique aqui).

Glary Utilities ― Verdadeiro canivete suíço, a suíte integra um conjunto de ferramentas invejável, mesmo na modalidade gratuita (que não deixa a desejar, embora a paga tenha alguns recursos a mais). Tratei desse programa numa sequência de duas postagens, começando por esta aqui.

Era isso, pessoal. Até mais ler.

SOBRE A GRAVAÇÃO DA CONVERSA ENTRE TEMER E JOESLEY

É mais fácil acreditar na fada do dente do que nos pronunciamentos que Michel Temer fez à nação depois de uma amostra do conteúdo da delação de Joesley Batista e outros 6 executivos da JBS/J&F vir a público, na quarta-feira passada.

Em sua primeira fala, cerca de 20 horas depois do cataclismo, Temer classificou a investigação pedida por Janot e autorizada por Fachin de território onde surgirão todas as explicações” e exigiu “investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro”, além de negar as acusações e rechaçar a possibilidade de renúncia ― que, na sua avaliação, seria o mesmo que confessar a culpa. Dois dias mais tarde, em novo pronunciamento, o presidente disse que a “gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos” e que “incluída no inquérito sem a devida e adequada averiguação, [o áudio] levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil”. No domingo, em entrevista à FOLHA, ele voltou a afirmar que não vai renunciar (se quiserem, me derrubem), enquanto seus advogados trabalhavam febrilmente para suspender o inquérito ― aquele onde surgiriam todas as explicações, lembram-se? Na segunda-feira, no entanto, com base no laudo do pelo perito Ricardo Molina, a banca de advogados capitaneada por Antonio Claudio Mariz de Oliveira mudou a estratégia e desistiu do pedido de suspensão.

Ouvindo a longa explanação de Molina ― que atuou mais como advogado de defesa do que como perito ―, fica-se sabendo que: 1) a gravação é imprestável ― dada a existência de mais de 70 “pontos de obscuridade”; 2) o MPF é inocente e incompetente. Todavia, dois peritos ouvidos pelo Jornal Nacional chegaram à conclusão de que toda a gravação está intacta.

A ministra Cármen Lúcia determinou que o julgamento do pedido de suspensão do inquérito aberto, que a princípio ocorreria nesta quarta-feira (24), só seja realizado após a conclusão da perícia. Isso significa esperar que sejam periciados também o(s) gravador(es) utilizado(s) por Joesley ― não sei dizer por que foram usados dois aparelhos; segundo Molina, trata-se de artefatos fabricados a partir de um chipset chinês e vendidos no Mercado Livre por menos de R$ 30. Enquanto isso, pedidos de abertura de processo de impeachment contra Michel Temer se empilham na secretaria da Câmara dos Deputados. Eram 14 na tarde da última segunda-feira, nove dos quais foram protocolados após a furo de reportagem de Lauro Jardim. Espera-se que um novo pedido, da OAB, seja protocolado ainda nesta semana.

Um presidente só começa a falar em “renúncia” quando está no limiar do poder e o país, no limite máximo na escala das crises. Temer é o primeiro presidente do Brasil investigado por corrupção passiva, obstrução da Justiça e organização criminosa. Até a última quarta-feira, a Lava-Jato tinha diversas menções a ele em episódios suspeitos, mas não abriu investigação porque todas se referem a atos cometidos na época em que sua excelência ainda era vice. E a Constituição determina que um presidente da República só pode ser processado pelo que fez no exercício do cargo. Mas agora a história mudou.

Se o arquivo de áudio foi ou não manipulado, cabe aos peritos atestar ― e parece que dificilmente chegarão a um consenso a esse respeito. Molina, na coletiva que concedeu na noite da segunda-feira, fez questão de enfatizar que determinados “ruídos” e outros “efeitos” podiam ter sido adicionados à gravação, e que trechos da conversa poderiam ter sido editados. Sempre no condicional. Aliás, chegou mesmo a dizer que introduzir ruídos como os que havia detectado era “a coisa mais fácil do mundo”, e que só não demonstraria isso ali, ao vivo e em cores, porque não tinha o equipamento necessário.

Observação: Vale lembrar que voar também é a coisa mais fácil do mundo. Os pássaros que o digam. Eu até voaria para comprovar minha assertiva; só não o faço porque me faltam as asas.

Enfim, muito se discute a validade do tal arquivo de áudio, mas o fato é que o próprio Temer não contestou trechos da conversa que o comprometem, limitando-se apenas a dar desculpas esfarrapadas ― conforme, aliás, eu já comentei nos posts anteriores. Se ele vai renunciar, aí já é outra história. Mas sua queda é líquida e certa. Se através da cassação da chapa ou de outra maneira, aí também é outra história. O fato é que ele perdeu o apoio do Congresso, e como nunca teve suporte da população, a conclusão é óbvia. Então, o faz sentido especular a partir de agora é o que acontecerá depois que ele deixar o trono. Mas isso já é assunto para a próxima postagem.


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terça-feira, 23 de maio de 2017

DE OLHO NO DESEMPENHO DO PC (PARTE VI)

VOTO NULO E MOSTRO O MEU DESEJO SINCERO DE MUDANÇAS NA ATUAL POLÍTICA CORRUPTA, NÃO QUERO MAIS SER O PALHAÇO DO SISTEMA.

Já vimos que manter o desempenho do computador em níveis aceitáveis requer manutenções periódicas que, grosso modo, consistem em apagar arquivos inúteis, desinstalar programas desnecessários e desfragmentar os dados gravados no HD. Vimos também que o Windows conta com ferramentas nativas para essas tarefas básicas, embora os resultados sejam melhores com o uso de suítes de manutenção de terceiros, que oferecem uma gama mais ampla de recursos ― como um utilitário para limpeza e compactação do Registro, que a Microsoft fica devendo aos usuários do seu festejado sistema operacional, conforme eu mencionei de passagem anteriormente e sobre o qual voltarei a falar mais adiante.

Além de remover softwares desnecessários ou pouco utilizados (os assim chamados “inutilitários), é importante checar se os remanescentes inicializam junto com o sistema e, caso afirmativo, se esse comportamento se justifica. O antivírus e o firewall, por exemplo, precisam estar sempre ativos e operantes, mas o mesmo não se aplica a um editor de imagens que você raramente usa. Até porque qualquer programa em execução ocupa espaço na memória RAM e consome ciclos de processamento da CPU, e como esses recursos são limitados, não faz sentido desperdiçá-los.

Desenvolvedores conscientes permitam gerenciar a inicialização de seus programas de forma simples e intuitiva (geralmente incluindo essa opção no menu Ferramentas ou Configurações). Outros preferem oferecer essa possibilidade de configuração somente durante a instalação do programa (se você bobear, um abraço), e outros, ainda, simplesmente se autoconfiguram para pegar carona com o Windows ― e são justamente esses os que menos precisam permanecer rodando em segundo plano.

Para inibir a inicialização automática de um programa que não permita fazê-lo através da própria interface, valha-se do Utilitário de Configuração do Sistema: abra o menu Executar (tecle o atalho Windows+R), digite msconfig na caixa de diálogo respectiva e pressione Enter (no Windows 10, digitar o comando em questão na caixa de pesquisas da Cortana e clicar na opção correspondente produz o mesmo resultado). Na janelinha do utilitário, clique na aba Inicialização de Programas, desmarque as entradas referentes aos aplicativos que você deseja remover da lista de inicialização automática e reinicie o computador. Só tome cuidado para não modificar o comportamento do antivírus, do firewall ou de outro programa que precise realmente ser carregado junto com o sistema (para saber como utilizar o MS Config, clique aqui para acessar o post inicial de uma sequência que eu publiquei no final de 2014 ― embora a matéria seja baseada no Seven, as informações valem também para as encarnações mais recentes do Windows).

Observação: No Windows 10, a inicialização automática dos aplicativos deve ser gerenciada através da aba Inicializar do Gerenciador de Tarefas (para convocá-lo, dê um clique direito num ponto vazio da Barra de Tarefas e, no menu que se abre em seguida, selecione a opção respectiva).

MANIFESTAÇÕES POPULARES

Recomenda o bom-senso falar quando se deve falar e calar quando se deve calar. Na esteira desse valioso ensinamento, relembro a fábula de um pastorzinho, que, entediado por ter como companhia apenas as ovelhas, pôs-se a gritar SOCORRO! LOBO! como forma de atrair a atenção dos fazendeiros ― que o acudiram prontamente, mas voltaram a suas atividades assim que constataram que não havia lobo algum. O menino gostou da brincadeira e repetiu a dose no dia seguinte, no outro e no outro. Irritados, os fazendeiros deixaram de atendê-lo, e foi aí que o lobo resolveu atacar...

Mutatis mutandis, a fábula se aplica às manifestações populares que voltaram a eclodir no país desde 2013. Com a possível exceção das urnas ― que, lamentavelmente, o brasileiro ainda não aprendeu a usar ― elas são a melhor maneira de o povo expressar seu descontentamento, mas se convocados por dá cá aquela palha ― como tem ocorrendo ultimamente ―, perdem adesão e tornam-se ineficazes como forma de exercer pressão sobre o poder público.

No último domingo, protestos por conta do Apocalipse criado pela divulgação dos atos pouco republicanos de TemerAécio e companhia foram convocados pela CUT e outras agremiações ligadas ao PT e demais partidos de esquerda. É certo que eles acabaram acontecendo no DF e em mais 19 estados, mas é igualmente certo que a adesão da população foi inexpressiva, como na “greve geral” do último dia 28, que só teve alguma repercussão devido à paralisação dos transportes e bloqueios de logradouros públicos, que dificultaram ou impediram as pessoas de chegar a seus locais de trabalho.

No Acre, as passeatas reuniram cerca de 700 populares. Em Natal (RN) e em Manaus (AM), foram contabilizados 300 participantes, e em Brasília, 250 gatos-pingados. E isso pelos cálculos dos organizadores; as estimativas que a PM divulga nessas ocasiões costumam apontar números bem mais modestos. Em Sampa, segundo a CUT, 20 mil manifestantes ocuparam a Avenida Paulista, mas as imagens exibidas nos telejornais davam a impressão de que essa estimativa seja por demais “otimista” (sem mencionar que, aos domingos, a Paulista é fechada ao tráfego de veículos e usada como rua de lazer por pedestres, ciclistas, skatistas e distinta companhia. A adesão também foi pífia no Rio de Janeiro, como comprova a foto da orla de Copacabana que ilustra esta postagem. (Para detalhes sobre protestos em outros locais, siga este link).

Até a próxima (postagem, não manifestação).

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segunda-feira, 22 de maio de 2017

DE OLHO NO DESEMPENHO DO COMPUTADOR (PARTE V)

QUANDO TRÊS OU MAIS FONTES NEGAM A MESMA COISA USANDO AS MESMAS PALAVRAS, É PORQUE ESTÃO TODAS ENCOBRINDO A MESMA MENTIRA.

Retomando do ponto em que paramos no capítulo anterior, desde a versão 95 que o Windows integra um desfragmentador nativo, mas, até o lançamento do saudoso XP, usar esse recurso exigia uma paciência de Jó. Além do tempo que o processo levava, ou a gente recorria ao modo de segurança, ou encerrava todos os aplicativos, fechava todos os processos listados no Gerenciador de Tarefas (com exceção do EXPLORER e do SYSTRAY) e deixava o barco correr sem nem mesmo mover o mouse, sob pena de a ferramenta voltar ao início do disco, conferir tudo que já havia feito e só então retomar a desfragmentação do ponto em que havia parado. Em resumo, um saco.

Mas o Defrag melhorou bastante ao longo das novas versões do Windows, e há tempos que permite agendar a execução automática em segundo plano ― embora seja recomendável definir um horário em que o computador esteja ocioso; caso você comande o processo manualmente, procure fezê-lo no final do dia ou num domingo ― ou seja, quando você não precisar usar o computador, não só porque qualquer modificação no conteúdo do disco retarda o processo, mas também porque o sistema costuma ficar irritantemente lento durante a desfragmentação.

Note que a maioria das suítes de manutenção oferece desfragmentadores próprios, mais rápidos e até mais eficientes que o do Windows. Dentre outras programinhas já comentados no Blog (digite “desfragmentação” no campo de pesquisas para obter mais sugestões), você certamente vai gostar do Smart Defrag, que, além de rápido, oferece recursos adicionais, como desfragmentação off-line (feita durante a inicialização, de maneira a atuar sobre arquivos que ficam inacessíveis depois que o Windows está carregado), otimização (regravação dos arquivos do sistema no início do disco para acelerar o desempenho), consolidação do espaço livre, e por aí vai.

O Windows, em suas encarnações mais recentes, procura evitar que a fragmentação ocorra. Isso levou a Microsoft a automatizar o Defrag e suprimir o comando que permitia executá-lo no famigerado Windows Vista, mas a mudança não foi bem aceita e a empresa voltou a disponibilizá-lo no Seven. No Windows 10, você pode acessar o Defrag abrindo o menu Iniciar e expandindo as opções sob Ferramentas Administrativas, ou então abrir a pasta Computador, dar um clique direito no ícone do seu HD, clicar em Propriedades e, sob a aba Ferramentas, pressionar o botão Otimizar.

Muitos analistas defendem o uso do desfragmentador nativo do Windows. Segundo eles, a partir do Seven, a ferramenta ficou tão boa quanto as soluções de terceiros. Sem embargo desse detalhe, o importante é você desfragmentar seu disco a cada quinze dias (ou, se usa pouco o computador, uma vez por mês), não só reduzir a degradação do desempenho, mas também para evitar que processo demore muito para ser concluído.

É importante salientar que drives de estado sólido não devem ser desfragmentados. Isso porque, em vez utilizarem pequenas estruturas magnéticas para informar o valor de cada informação (tecnologia utilizada nos discos rígidos tradicionais), esses drives o fazem de maneira eletrônica. E ainda que suas células de memória flash suportem um número de leituras ilimitado, o mesmo não acontece com as operações de escrita. Assim, além de não trazer benefícios sensíveis, a desfragmentação dos SSDs tende a reduzir sua vida útil.

Por hoje é só. Até a próxima.

ADVOGADO DE TEMER QUER AFASTAMENTO DE MORO

Deu n’O Antagonista:

No jantar organizado pelo advogado de Aécio Neves para homenagear o advogado de Lula, os ataques mais violentos foram feitos pelo advogado de Michel Temer.

De acordo com a Folha, Antonio Cláudio Mariz de Oliveira disse que o juiz Sergio Moro tem de ser afastado da Lava-Jato: “Questiono suas condições para o nobre mister de julgar. Porque falta-lhe algo que não é condição intelectual, mas imparcialidade. Estou com muito medo do avanço do autoritarismo do judiciário”. Em seguida, atacou o ministro Fachin: “O açodamento do relator para apurar acusações baseadas em gravação por hora contestada e com prova capenga é inexplicável. Não se teve nenhum cuidado nem atenção com estabilidade do país, que está se recuperando na área econômica e social”.

Como eu costumo dizer, SE SONHOS FOSSEM CAVALOS, MENDIGOS CAVALGARIAM.

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domingo, 21 de maio de 2017

UM POÇO DE INCERTEZAS

UM POÇO DE INCERTEZAS

O terremoto de magnitude 10 da última quarta-feira, que teve como epicentro o Palácio da Alvorada e se espalhou rapidamente Brasil afora, deixou no chinelo a “Delação do Fim do Mundo” e colocou o governo na antessala do Apocalipse. Tudo começou com o furo de reportagem publicado em O Globo por Lauro Jardim, cuja pronta repercussão na mídia levou ao esvaziamento do Congresso e sitiou no Palácio do Planalto o presidente da República. Quase 24 horas depois, em sua primeira fala à nação, Temer classificou de clandestina a gravação da conversa entre ele e o dono da JBS num encontro à sorrelfa, tarde da noite, no Palácio do Jaburu ― segundo Joesley, foi preciso apenas baixar o vidro do carro e dizer que era o Rodrigo para ter o acesso à garagem liberado ― daí se pode inferir que clandestina foi a reunião, não a gravação.

Observação: A J&F Investimentos é uma holding criada em 1953 pela família Batista e que controla empresas como a JBS, Eldorado Celulose e outras. J, B, e S são as iniciais de José Batista Sobrinho, pai de Joesley e Wesley Batista (e de mais quatro filhos), mais conhecido como Zé Mineiro. Nos anos 1950, o patriarca dos Batista fundou, em Anápolis (GO), a Casa de Carnes Mineira, que deu origem a uma rede de açougues que se virou uma rede de frigoríficos, e que, com os ventos de cauda soprados pelo BNDES durante os governos petistas, aumentou seu faturamento de R$ 4,3 bilhões em 2006 para R$ 170 bilhões em 2016.

Durante a tal conversa, Joesley fala de sua situação como investigado, diz que está “segurando” dois juízes, que vem pagando mesada de R$ 50 mil ao procurador da República Ângelo Goulart Villela em troca de informações sigilosas sobre as operações Sépsis, Greenfield e Cui Bono, nas quais a JBS é investigada, e R$ 400 mil por mês ao doleiro Lucio Funaro, operador do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (presos na Lava-Jato), para garantir que ambos fiquem de bico calado.

Ao “ser informado” dos crimes do bilionário, Temer deveria ter determinado a pronta abertura de uma investigação, mas agiu como alguém que, numa inconsequente conversa de botequim, ouvisse um amigo discorrer sobre suas aventuras extraconjugais. Só isso (“só” é força de expressão) basta para enquadrá-lo por crime responsabilidade e embasar um pedido de impeachment. À guisa de justificativa, a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República divulgou nota afirmando o presidente não acreditou na veracidade das declarações de Joesley ― o empresário estava sendo objeto de inquérito e, portanto, parecia contar vantagem ―, que juízes e/ou membros do Ministério Público estivessem sendo cooptados, e que a gravação teria sido editada mais de 50 vezes. Mesmo assim, Janot determinou a prisão de Ângelo Villela e autorizou a abertura de um inquérito para investigar Michel Temer. Este último, por seu turno, diz que vai largar o osso, como deixou claro em seu segundo pronunciamento à nação. Se ele terá condições de continuar à frente do governo (boa parte da base aliada já começou a debandar, como ratos que abandonam o navio quando pressentem a iminência do naufrágio) ou se será expelido do cargo pelo TSE (que deve retomar o julgamento do pedido de cancelamento da chapa Dilma-Temer no próximo dia 6), aí são outros quinhentos.

Temer orientou sua tropa de choque a “partir para o enfrentamento”, a despeito de o STF ter autorizado a abertura de um inquérito para investigá-lo. A meu ver, isso deveria leva-lo a se afastar (ou ser afastado) do cargo até a conclusão das investigações ― como aconteceria em qualquer democracia que se preze. Mas não Temer, como não Dilma antes dele e nem Collor antes dela (é fato que o “caçador de marajás de araque” renunciou na véspera do julgamento do impeachment para preservar seus direitos políticos, o que não funcionou, pois ele acabou sendo cassado, mas isso já é outra história). Em vez disso, sua excelência resolveu atacar a credibilidade do depoimento de Joesley, mesmo não sendo capaz de apresentar argumentos que expliquem de maneira convincente sua conivência com os atos espúrios revelados durante a conversa clandestina no Jaburu. A julgar por sua retórica, falta pouco para o presidente cair no ridículo em que caíram antes dele a gerentona de araque ― que, além de incompetente, agora é acusada de saber da origem dos milhões que financiaram suas campanhas e de ter negociado pessoalmente parte das propinas ― e a alma viva mais honesta do Brasil ― que deve ser agraciada no mês que vem com sua primeira sentença no âmbito da Lava-Jato).

Temer disse na quinta-feira que a investigação pedida pelo Supremo será território onde surgirão todas as explicações, que não tem qualquer envolvimento com os fatos, que não renunciará à presidência e que exigirá investigação plena e muito rápida para os esclarecimentos ao povo brasileiro. “Esta situação de dubiedade ou de dúvida não pode persistir por muito tempo. Se foram rápidas nas gravações clandestinas, não podem tardar nas investigações e na solução respeitantemente a essas investigações”, arrematou o presidente. No sábado, porém, o discurso mudou: “A gravação clandestina foi manipulada e adulterada com objetivos nitidamente subterrâneos, e incluída no inquérito sem a devida e adequada averiguação, levou muitas pessoas ao engano induzido e trouxe grave crise ao Brasil.

Os especialistas que examinaram o arquivo de áudio não chegaram a um consenso sobre as supostas interrupções ou edições. Alguns atribuem a falha ao gravador, mas a maioria atesta que não há sinais de mudança na parte fundamental da gravação: quando Joesley diz que zerou suas pendências com Eduardo Cunha e ficou de bem com o ex-deputado preso em Curitiba, ouve-se a seguir o presidente incentivar, dizendo “isso tem que continuar, viu”.

Para o perito ouvido pelo Estadão, o mesmo ocorre na parte em que o Temer ouve Joesley dizer que está manipulando a Justiça. O presidente encaminhou a gravação para o serviço de inteligência da Presidência da República; a PGR informou que uma avaliação técnica concluiu que o áudio revela uma conversa lógica e coerente e que a gravação anexada ao inquérito do STF é exatamente a entregue pelo colaborador, e o ministro Edson Fachin determinou o encaminhamento do arquivo à perícia da Polícia Federal, que deverá apresentará a ele as respectivas conclusões. Sem embargo, diversos pontos da conversa que NÃO FORAM CONTESTADOS pelo presidente caracterizam crime de responsabilidade, o que já basta para embasar pedidos de impeachment contra ele. Até  tarde de sexta-feira, 8 pedidos já haviam sido protocolados na Câmara, e no sábado foi a vez da OAB, que aprovou por 25 votos a 1 o relatório que resultará no 9º pedido (isso se nenhum outro for protocolado antes). Resta saber o que fará o presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia, que mantém boas relações com Temer ― ou mantinha, pois não se sabe como elas ficarão daqui por diante.

Temer disse que o autor do grampo está livre e solto, passeando por Nova York, que o Brasil, que já tinha saído da mais grave crise econômica de sua história, vive agora dias de incerteza, que Joesley não passou nenhum dia na cadeia, não foi preso, não foi julgado, não foi punido e, pelo jeito, não será. De fato, diferentemente do que se viu em todos os acordos de colaboração firmados antes deste, os termos da delação dos Batista e outros seis executivos da JBS e J&F, já homologada pelo ministro Fachin, não só permitiram que eles deixassem o país como também os livraram de responder a inquéritos na esfera Penal ― o que é no mínimo estranho. Temer afirmou também que, prevendo os efeitos de sua delação na taxa de câmbio, Joesley comprou US$ 1 bilhão, e sabendo que a gravação também reduziria o valor das ações de sua empresa, vendeu-as antes da queda da bolsa. De fato, a JBS lucrou milhões e milhões de dólares em menos de 24 horas; nesse ponto o presidente está coberto de razão.

Peemedebistas, ministros e outros apoiadores afirmam que o presidente está tranquilo, que vai provar sua inocência, e blá, blá, blá. Mas não é isso que se vê nos raros momentos em que sua excelência dá o ar da graça ― ou da desgraça, melhor dizendo. Uma imagem exibida pela TV Globo durante o primeiro depoimento e reexibida exaustivamente nos telejornais mostra que a fisionomia do presidente denuncia um nervosismo que beira a dor física, e que ele só conseguiu disfarçar o tremor nas mãos entrelaçando firmemente os dedos. Outro detalhe digno de nota: na tarde de quinta-feira, Temer disse que a investigação pedida pelo Supremo Tribunal Federal será território onde surgirão todas as explicações. Se é assim, por que, então, apresentar àquela Corte um pedido de suspensão do inquérito?

O Brasil não precisa (e nem merece) de outro impeachment presidencial. Como dizem os americanos, BETTER THE DEVIL YE KEN, THAN THE DEVIL YE DON'T (numa tradução livre, “melhor ficar com o diabo que conhecemos do que com o que desconhecemos”). O afastamento de Temer levaria Rodrigo Maia ― mais um investigado na Lava-Jato ― a assumir interinamente a presidência e convocar eleições indiretas para o mandato tampão, e com o Congresso que aí está, recheado de réus, investigados ou parlamentares que estão em vias de sê-lo, isso seria uma temeridade. Mas é o que a Constituição determina e, portanto, o que terá de ser feito caso Temer renuncie ou seja cassado pelo TSE.

A propósito da interminável novela da cassação da chapa Dilma-Temer, até quinta-feira tinha-se como certo que um pedido de vistas resultaria em novo adiamento ― isso se os ministros não resolvessem deixar tudo como está, a pretexto de que ação perdeu o objeto quando Dilma foi penabundada. Nada do que veio à luz nos últimos dias ― e nem o que virá nos próximos ― deveria influenciar na decisão no TSE, mas, como bem disse o sempre eloquente presidente daquela Corte, os juízes não são de Marte. Para bom entendedor, meia palavra basta.

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