segunda-feira, 27 de março de 2017

AINDA SOBRE A AGONIA DOS ANTIVÍRUS - FINAL

O FATO MAIS FUNDAMENTAL SOBRE AS IDEIAS DA ESQUERDA POLÍTICA É QUE ELAS NÃO FUNCIONAM. PORTANTO, NÃO DEVEMOS FICAR SURPRESOS AO ENCONTRAR A ESQUERDA CONCENTRADA NAS INSTITUIÇÕES ONDE AS IDEIAS NÃO TÊM DE TRABALHAR PARA SOBREVIVER.

Conforme eu venho comentando nas últimas postagens, os antivírus estão desacreditados, havendo até quem os considere obsoletos e até inúteis, mas quando se trata de segurança, é sempre melhor pingar do que secar.

Como eu também já disse, além da opinião polêmica de John McAfee ― que é visto por uns como um gênio da computação e por outros como um doido varrido ―, há que se levar em conta o que diz gente “mais centrada”, como Brian Dye e Ted Schlein. O primeiro, que é vice-presidente da Symantec, calcula que o índice de proteção dos antivírus atuais não chega a 50%. O segundo, um dos criadores do Norton, diz que os antivírus são “necessários, mas ineficientes”.

Eu, particularmente, acredito que os desenvolvedores de aplicativos de segurança não vão abrir mão facilmente do filão que eles representam, e com alguns aprimoramentos ― como heurística, análise comportamental na nuvem e outros que tais ―, tornarão o peixe novamente atraente para os consumidores sem precisar recorrer a penduricalhos úteis (como limpadores de arquivos, atualizadores de aplicativos, módulos para criação de backups, etc.), mas que fogem à finalidade precípua das ferramentas de segurança propriamente ditas.

Em última análise, os antivírus são necessários, mas insuficientes. Na verdade, há muito tempo que é assim. Por mais diligentes que sejam essas ferramentas, elas não são idiot proof, ou seja, capazes de protegê-lo de si mesmo, de evitar que você tome decisões erradas. Por isso, o futuro delas depende em grande medida de aprimorar seu canal de comunicação com o usuário, de maneira a aprender com ele e, concomitantemente, ensiná-lo a se proteger.

Então, não ser que você seja um hacker habilidoso, que conheça profundamente os meandros usados pelas pragas digitais em seus ataques, ou que seja experiente o bastante para abandonar a plataforma Windows e usar o Linux (não porque não existe vírus para essa plataforma, pois isso é mito, mas sim porque quem tem habilidade para dominar os sistemas operacionais abertos saberá igualmente neutralizar qualquer tipo de ataque e/ou desfazer facilmente seus efeitos), ou que use o PC apenas offline (para redigir textos, jogar Paciência ou realizar outra atividade qualquer que dispense conexão com a internet), você precisa de uma suíte de segurança. E ponto final.

Alguns dos antivírus mais bem avaliados pela crítica especializada: Kaspersky, Bitdefender, F-Secure, ESET, Norton/Symantec. Clique nos links, avalie as características dos produtos disponíveis, compare os preços e condições de pagamento, faça a sua escolha e boa sorte.

O CASTIGO VEM A CAVALO

Na última quarta-feira (22), o ministro do TSE Herman Benjamin encaminhou a seus pares o relatório parcial sobre a ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer por abuso de poder político e econômico. No documento, constam trechos dos depoimentos dos 77 da Odebrecht, com destaque para o de Marcelo Odebrecht, que se encontram sob segredo de Justiça. Como era de se esperar, boa parte das informações “sigilosas” vazou para a imprensa.

O ministro Gilmar Mendes, presidente do TSE, culpou integrantes do Ministério Público Federal pelo “vazamento seletivo” e acenou com uma possível anulação de provas “obtidas legalmente, mas divulgadas ilegalmente”. Em resposta, o Procurador Geral de República classificou as acusações de disenteria verbal: “É uma mentira, que beira a irresponsabilidade, afirmar que realizamos, na PGR, coletiva de imprensa para 'vazar' nomes da Odebrecht. Só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios, mas, infelizmente, com meios para distorcer fatos e desvirtuar instrumentos legítimos de comunicação institucional”, disse Rodrigo Janot no discurso mais contundente de sua carreira à frente do MPF.

Como dizia o poeta, não há nada como o tempo para passar. Na última sexta-feira, novas informações sigilosas chegaram ao conhecimento da imprensa, desta feita vazadas por integrantes do próprio TSE, cujo atual presidente é... o ministro Gilmar Mendes, que manteve o discurso ―"deploro vivamente, seriamente, e exijo que façamos a investigação desse vazamento agora lamentavelmente ocorrido. Acho que isso fala mal das instituições. É como se o Brasil fosse o país de trambiques, de infrações. Assim como nós não podemos praticar vazamentos aqui, ninguém pode fazê-lo, nem procuradores, nem juízes, nem ninguém" ―, mas, diante do problema no seu próprio quintal, baixou o facho quanto a uma possível anulação de provas (como diz um velho ditado, quem tem telhado de vidro não joga pedras no do vizinho).

A celeuma parece estar longe do final. Deltan Dallagnol, procurador do MPF e coordenador da Lava-Jato, criticou a tese defendida pelo ministro (de que as delações cujo conteúdo tenha vazado podem ser anuladas). Na sua visão, ainda que os vazamentos sejam condenáveis, "a ideia de anular provas não tem pé nem cabeça, e afirmar que colaborações são ilícitas porque houve vazamentos posteriores significa rasgar a lei e os livros". Cá entre nós, bastaria acabar com esse “segredo de Polichinelo” e dar nomes aos bois para pôr fim nos “indesejáveis vazamentos seletivos”, mas parece que, no Judiciário, nenhum gênio chegou a essa singela conclusão.

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domingo, 26 de março de 2017

E O QUE VOCÊS FIZERAM JUNTOS?

No editorial da revista IstoÉ desta semana, o jornalista Carlos José Marques fala sobre a alma viva mais honesta do Brasil e sua estrambótica pupila e sucessora ― para conferir, clique aqui ―, inspirado no qual eu escrevi o texto a seguir:

Dilma e Lula continuam insultando a inteligência dos brasileiros. Enquanto o comandante máximo da ORCRIM elege como picadeiro para suas intrujices o banco dos réus e palanques nos cafundós do nordeste (tradicional reduto petista devido à profusão de eleitores menos favorecidos do ponto de vista socioeconômico e, portanto, menos esclarecidos), sua pupila e sucessora faz um tour pela Europa e elege os grandes salões para praticar seu francês de galinheiro em pronunciamentos que fazem corar de vergonha não só seus compatriotas, mas também platéia nativa que se dá ao trabalho de aparecer para ouvi-la desfiar uma coletânea de asnices, tais como atribuir a maior crise da história do Brasil à sua deposição, e esta, ao “golpe desfechado pelos traidores contra uma presidenta eleita democraticamente pelo voto popular”. Foi nauseante ouvir essa senhora perorar asnices baseadas em sua tortuosa linha de raciocínio, deturpar os fatos,  reconhecer que o caos econômico, político e moral que nos aflige se deve às escolhas erradas que ela e sua imprestável equipe de assessores levaram a efeito nos 5 anos 4 meses e 12 dias em que estiveram à frente do governo. A mulher chegou mesmo a dizer literalmente: “vocês acham que alguém investe em um país em que parte da oposição pede o impeachment da presidenta? Eles [os responsáveis pelo impeachment] construíram algo irresponsável, a insegurança do Brasil. Hoje a economia se deteriora”.

Sobre essa estapafúrdia pantomima: Não foi “parte da oposição” que gerou o seu impeachment. A quase totalidade do Congresso, apoiada por milhões de brasileiros que foram às ruas ― em maioria ensurdecedora, cujos panelaços e buzinaços não deixariam negar ―, que afastou a anta vermelha do poder por obra e graça de improbidades administrativas notórias. Mas ela parece ter deletado da memória os números devastadores de PIBs negativos sob sua gestão, os 12 milhões de trabalhadores que empurrou para o desemprego, os repiques da inflação, o descontrole nas contas públicas, a destruição das empresas e o caos, fruto de suas inconsequentes escolhas. A pergunta é: com seu habitual “modo de negação”, Dilma pretende enganar a quem? Na Suíça, que prima pela rigidez de princípios e qualidade de vida, disse a estocadora de vento, para assombro geral: “duvido que vão continuar chamando o PT de corrupto daqui para frente”. E ainda falou em risco de adiamento das eleições do ano que vem e ameaça de mudanças de regras para condenar Lula.

Difícil saber de onde essa senhora tira as ilações com que difama o Brasil, afronta a democracia, escarnece das instituições e tripudia da inteligência alheia (e só poderia ser da alheia, pois inteligência, ao que parece, é um dos muitos atributos que faltam à ex-grande-chefa-toura-sentada. Mas, convenhamos: embora esteja longe de superar o mestre, o pouco que aprendeu, ela aprendeu com o melhor. Senão vejamos:

Na primeira audiência em que depôs como réu por tentar atrapalhar investigações da Lava-Jato, Lula fez da sessão um espetáculo. Disse ser vítima de perseguição, tripudiou de indagações, atribuiu à intriga da oposição os favores que teria ganho em um triplex, nas reformas do sítio (que não é dele) e nos gordos dividendos recebidos por palestras a empresas que, em troca, lhe pediam favores pouco republicanos. Afirmou que não existe organização criminosa no PT ― trata-se apenas de uma definição de juízes da mais alta corte, o que o ofende ―, negou qualquer influência na indicação daqueles que saquearam as empresas do Estado, fez troça quando indagado sobre seus rendimentos ― põe aí R$ 50 mil; afinal, com a profusão de amigos a socorrê-lo quando precisa, ele não saberia mesmo dizer de onde vem seu sustento e reclamou de levantar todo dia com medo de ser preso.
O molusco abjeto não reconhece seus malfeitos. A seu ver, bom seria mesmo se tudo isso fosse esquecido.

Dias após o interrogatório, como se nada tivesse acontecido, lá estava ele novamente no palanque, rinchando contra a reformas da Previdência ― como se o rombo no caixa do Estado não tivesse crescido espantosamente em pouco mais de uma década de PT no poder. Valem mesmo as promessas eleitoreiras a arrebanhar massa de manobra para colocá-lo mais uma vez no comando da farra. Lula aspira ao papel de “salvador da pátria” contra o “governo ilegítimo”. Não toma jeito. E a culpa de quem ainda acredita nele.
Sua insolência é ré em cinco ações penais, duas das quais na 13ª Vara Federal de Curitiba, a cargo do juiz Sérgio Moro, e outras mais estão por vir, a julgar pelo que já vazou acerca dos pedidos de abertura de inquérito que Janot encaminhou ao ministro Fachin, atual relator da Lava-Jato no STF.

ObservaçãoLista de Janot, segundo o jornalista José Simão, não é lista, é excesso de bagagem. Aliás, diz o “Macaco Simão” que a Lava-Jato agora se chama Lava-Rabo (entenda porque neste vídeo; dura poucos minutos, mas vale cada segundo).   

Em recente entrevista a Ricardo Boechat, no jornal da Band News, o procurador Deltan Dallagnol, um dos principais operadores da Lava-Jato, disse que pelo menos uma dessas ações deverá ser julgada ainda neste semestre (confira a íntegra aqui ou assista a uma versão resumida seguindo este link).

Torçamos para que não demore. Afinal, já está mais do que na hora.

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sábado, 25 de março de 2017

LADROAGEM NO SÃO FRANCISCO CONFIRMA: LULA É O PAI DA CRIANÇA (Ou: Quem sai aos seus não degenera; Ou: O fruto nunca cai muito longe do pé)

TODA NULIDADE TEM OUTRA, AINDA MAIOR, QUE A ADMIRA.

No dia 10 de março, Michel Temer inaugurou o eixo leste da transposição das águas do Rio São Francisco. Enciumado, Lula baixou por lá no último domingo para reivindicar a paternidade da obra. Na discurseira que abrilhantou mais um comício ilegal, garantiu que é o pai da transposição. A mãe é Dilma Rousseff, esclareceu.

Nem precisa perder tempo com exame de DNA. Pelo menos cinco marcas de nascença confirmam aos berros que o filhote é a cara de Lula:

1. CRONOGRAMA VIGARISTA: Em 2007, quando as obras começaram, o então presidente jurou que seriam concluídas em 2010. Na conta de quem deve ser debitado o atraso de sete anos?

2. ORÇAMENTO FALSIFICADO: O custo original do projeto foi orçado em R$ 8,5 bilhões (em dinheiro de hoje). A gastança subiu para R$ 9,6 bilhões. Ninguém explicou até agora a diferença multimilionária.

3. SUPERFATURAMENTO: Apenas em licitações, o Tribunal de Contas da União já identificou um sobrepreço que vai chegando a R$ 720 milhões. Quem embolsou a fortuna?

4. INDENIZAÇÕES ILEGAIS: Só em desapropriações, o TCU calculou em 2012 que as indenizações totalizavam R$ 69 milhões, quantia que ultrapassa amplamente limites fixados como referência pelo Incra.

5. DESVIO DE VERBAS: As obras envolveram 90 empreiteiras. Ninguém sabe dizer por que foram tantas. A Delta, a OAS e a Galvão Engenharia lideraram um grupo de empresas (todas atoladas no Petrolão) que engoliu mais de R$ 200 milhões em dois lotes das obras do eixo leste.

No palavrório de domingo, o candidato a Dom Pedro III repetiu que Michel Temer não tem nada a ver com a obra que inaugurou. Cabe a Lula, portanto, esclarecer os casos de polícia em que se meteu às margens do São Francisco. O pai da transposição é também o parteiro da ladroagem fluvial.

Com Augusto Nunes em Veja.com

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sexta-feira, 24 de março de 2017

AINDA SOBRE A OBSOLESCÊNCIA DO ANTIVÍRUS (Parte 3)

A POLÍTICA É SIMPLESMENTE UMA FARSA DOS CORRUPTOS.

Ruim com eles, pior sem eles: embora não garanta 100% de eficiência, o uso do antivírus é fundamental ― sem essa camada de proteção, mesmo mantendo o sistema e os aplicativos atualizados, usando senhas fortes e tomando os devidos cuidados com sites links e anexos de email suspeitos, nenhum internauta navegaria ileso por muito tempo. Traçando um paralelo com a segurança no trânsito, atravessar a rua pela faixa de pedestres não elimina os riscos de ser atropelado, mas torna-os significativamente menores.

Felizmente, não faltam opções de antivírus e suítes de segurança para download na Web, tanto shareware quanto freeware (para saber mais sobre distribuição de software, leia esta postagem). E a despeito de não garantirem proteção total ― e nem serem idiot proof a ponto de proteger o usuário de si mesmo ―, eles são a solução que temos e teremos até que uma alternativa melhor desponte no horizonte. Então, obsoletos ou não, com os dias contados ou não, os antimalwares e afins continuam indispensáveis (para mais detalhes, clique aqui e aqui).

Observação: Claro que existem soluções radicais, como o Deep Freeze Standard, cujo modus operandi lembra de certa maneiro o filme Feitiço do Tempo no qual um repórter meteorológico mal-humorado (Bill Murray) cobre pela quarta vez consecutiva uma festa interiorana (Dia da Marmota), é obrigado a pernoitar na cidadezinha devido a uma nevasca e acaba revivendo a cada manhã o mesmo dia da festa, como se o tempo tivesse deixado de passar. Trata-se (o aplicativo, não o filme) de uma versão mais sofisticada da restauração do sistema do Windows, mas que, em vez de agir por demanda do usuário, cria uma “imagem congelada” das definições e configurações do computador e as recarrega a cada boot. O problema é que, além blindar o sistema contra a ação danosa de códigos maliciosos e desfazer eventuais alterações levadas a efeito pelo usuário (ou usuários, se houver mais que um), o programinha desfaz eventuais atualizações, reconfigurações e instalações de aplicativos, torna inócua a criação de novos arquivos e impede a edição dos preexistentes. Em outras palavras, tudo volta a ser a ser como antes sempre o computador é reiniciado.

Se você não está satisfeito com seu arsenal de segurança ― ou se a licença está para vencer ―, confira a seguir algumas opções que vale a pena conhecer. Mas lembre-se de que é possível testar a segurança oferecida pelo aplicativo que você utiliza com o EICAR (detalhes nesta postagem). Também nesse caso seria ilusão imaginar que o resultado seja inquestionável, mas vale a curiosidade. Dito isso, vamos ao que interessa.

Por anos a fio o AVG e o AVAST disputaram focinho a focinho (ou instalação a instalação, melhor dizendo) a preferência dos internautas, notadamente entre as opções freeware, embora também sejam disponibilizados em versões comerciais (para saber mais sobre distribuição de software, leia esta postagem). Mas a AVAST encampou a AVG, e ainda que produtos de ambas as marcas continuem coexistindo no mercado ― tanto para PC quanto para MAC e mobile ―, a tendência é de que a marca AVG acabe desaparecendo. 

Tempo houve também em que antivírus gratuitos eram oferecidos apenas com interface em inglês (e na língua natal da empresa desenvolvedora; aliás, os russos produzem excelentes ferramentas de segurança), mas a maioria deles já inclui o português (às vezes com sotaque lusitano) na lista de idiomas disponíveis. Sorte nossa, pois de nada adianta ter um antivírus e não compreender o que significam as mensagens que ele exibe quando identifica algo suspeito. Se, mesmo com informações em português, muita gente se confunde a ponto de autorizar uma ação que deveria impedir ― ou simplesmente clica em qualquer coisa que feche a “incomodativa” caixa de diálogo ―, a tendência de fazer besteira é ainda maior quando existe a barreira do idioma.

Outra boa notícia é que, de uns tempos a esta parte, as suítes de segurança ― que, além do antivírus propriamente dito, costumam integrar aplicativos de firewall, antispyware e outras funções interessantes ― passaram a ser disponibilizadas gratuitamente, embora os fabricantes bloqueiam alguns recursos (como a atualização automática das definições de vírus, a varredura em segundo plano sem intermediação do usuário, o suporte 24/7 por telefone e outras facilidades) como estratégia para estimular o usuário a licenciar o produto.

Dando por findo este preâmbulo, cumpre salientar que a Microsoft nunca obteve grande sucesso com as ferramentas de segurança que resolveu desenvolver, de modo que a maior vantagem do Defender, que é um componente nativo do Windows, é dispensar o acréscimo de uma ferramenta de terceiros. Para alguns analistas, se combinado com o Windows Firewall, o programinha fornece proteção satisfatória, sobretudo nas encarnações mais recentes, tanto na proteção em tempo real quanto na verificação por demanda. Eu, particularmente, acho que ele é um excelente quebra-galho, mas nada além disso.

O Avira Free Antivirus é uma ótima alternativa gratuita, pois oferece proteção abrangente contra a maioria das ameaças e conta com o Protection Cloud. Mediante a análise de arquivos desconhecidos feita “na nuvem”, essa tecnologia provê proteção em tempo real contra ameaças zero day ataques que se valem de falhas de segurança recém-descobertas e, portanto, não documentadas ou corrigidas ―, além de identificar malwares contra os quais ainda não existe vacina (ou, no jargão da segurança digital, cuja “assinatura” ainda não é conhecida). Mesmo assim, eu não deixaria de conferir (nesta página) os recursos adicionais oferecidos pelas opções pagas do Avira, cujos preços vão de R$ 39,99 a R$ 96,99.

O Avast Free Antivirus também é gratuito e igualmente eficiente. A versão 2016 trouxe alguns aprimoramentos, como o escaneamento inteligente, que aumenta ainda mais o nível de proteção. Mas não deixe de visitar o site da Avast para conferir as soluções pagas que o fabricante oferece. Os preços são palatáveis, o pagamento pode ser parcelado, e você ainda escolhe se quer licenciar o produto por 1 ou 2 anos, contratar a renovação automática e/ou estender a proteção para outro PC, smartphone ou tablet.

Eu uso o Avast Internet Security Premier na minha máquina de trabalho, mas fiquei tão bem impressionado com o Avast Antivírus Nitro Update que resolvi mantê-lo no meu note. Segundo o fabricante, essa opção foi projetada para melhorar a velocidade, o tempo de reinicialização, a agilidade dos downloads e o desempenho do computador com Windows 10, além de contar com o navegador SafeZone, que isola as sessões de navegação para proteger a privacidade do internauta. Ainda de acordo com a mãe da criança, o Nitro reduz em 11%, em média, o tempo de boot em relação às versões anteriores do Avast Antivírus que já se destacavam por ser leves e rápidas. Para economizar ciclos de processamento da CPU, a ferramenta mantém parte do processo de identificação e análise de ameaças na nuvem, reduzindo em 50% o impacto sobre a performance do sistema (em comparação com o Windows Defender).

O resto fica para a próxima, pessoal.


QUEM PRECISA DO PT?


Não o Brasil, segundo o escritor e historiador Marco Antonio Villa, para quem é “incompreensível” que a constante violação de leis ainda não tenha levado à suspensão do registro partidário dessa facção criminosa e à prisão de seu comandante. Reza o artigo 28 da lei 9096, de 19 de setembro de 1995, que regulamenta o funcionamento dos partidos políticos:

O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o qual fique provado:
I – ter recebido ou estar recebendo recursos financeiros de procedência estrangeira;
II – estar subordinado a entidade ou governo estrangeiros;
III – não ter prestado, nos termos desta Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral;
IV – que mantém organização paramilitar
”.

No mínimo, o PT violou os incisos I e III, o que nos leva à pergunta: por que até hoje o TSE não tomou nenhuma providência? Cabe lembrar às suas excelências que omissão também é crime.
Ainda segundo Villa, o PT é incorrigível. Mais ainda seu chefe, Luís Inácio Lula da Silva, “o comandante máximo da organização criminosa”, de acordo com o Ministério Público Federal. Não reconhecem nenhum dos crimes cometidos contra o Brasil. Pelo contrário, insistem que nada fizeram que violasse a lei. Pior: dizem agora que o Brasil precisa do PT e de Lula. Precisa?

Desde a posse de Lula na Presidência da República, a 1º de janeiro de 2003, durante longos treze anos e cinco meses, o Palácio do Planalto foi transformado em escritório central de uma organização criminosa. De lá partiram ordens que possibilitaram organizar o maior desvio de recursos públicos da história da humanidade, o petrolão. A bem da verdade, o petrolão foi o ápice da corrupção orquestrada pelo PT, mas outros esquemas criminosos foram estabelecidos, como o que ficou conhecido como mensalão, alvo da Ação Penal 470. Isso, vale registrar, do que conhecemos até o momento. E, a julgar pela criatividade delituosa de Lula e seus acólitos, não causará estranheza se o País ficar estarrecido com revelações de novos escândalos.

O Brasil precisa é de verdadeiros partidos políticos, com funcionamento democrático, enraizados na sociedade e que tenham ideologia. Partido é parte, não é o todo. A não ser, excepcionalmente, nas ditaduras de partido único. Na democracia, o partido elabora uma visão de mundo, busca o bem comum e não o saque do Estado, como fez o PT.

Para completar: diz Sérgio Pardellas, em artigo publicado na revista IstoÉ, para não se tornar um inocente útil, é bom você saber que:

PT nunca gostou de Dilma; aturou-a enquanto lhe convinha e, no fim, torceu por sua queda.

PT não quer derrubar Temer, pois prefere que seu governo desembarque no ano eleitoral chamuscado, carregando o peso das reformas impopulares (como a da Previdência e a Trabalhista).

PT sabe muito bem que não houve golpe ― como tampouco houve em 1992, quando os petistas tramaram e apoiaram a deposição de Collor.

Lula nunca foi de esquerda ― e nem se declarou como tal; o próprio Dirceu o considerava acima de tudo um conservador.

PT é tão de esquerda quanto o PSDB ― foi Lula quem criou essa dicotomia, pois os tucanos são essencialmente de esquerda, embora o partido possua correntes conservadoras. Quem considera o PSDB de esquerda não entende patavina de política.

Volto amanhã com mais considerações sobre a alma viva mais honesta do Brasil. Até lá. 

E como hoje é sexta-feira:




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quinta-feira, 23 de março de 2017

AINDA SOBRE A OBSOLESCÊNCIA DO ANTIVÍRUS (Parte 2)

CONSCIÊNCIA É COMO VESÍCULA, A GENTE SÓ SE PREOCUPA COM ELA QUANDO DÓI.

Se quiser saber mais sobre a história do antivírus, siga este link e leia a sequência de três postagens que eu publiquei a propósito há alguns anos. Talvez muita coisa tenha mudado desde então, mas as informações conceituais continuam plenamente válidas.

Voltando a John McAfee, que considera o antivírus obsoleto, o cara pode ser um gênio, mas também é doido de pedra. Filho de um suicida, ele chegou a trabalhar como programador para a NASA, mas consumia grandes quantidades de cocaína, vendia o excedente a colegas de trabalho, dormia sobre a mesa e passava as manhãs bebendo whisky. Foi expulso da Northeast Louisiana State University por transar com uma de suas alunas, e da Univac de Bristol, no Tennessee, depois de ser flagrado vendendo maconha. Em 1986, quando soube que dois paquistaneses haviam criado aquilo que poderia ser considerado o primeiro vírus de computador, JM fundou a McAfee Associates, pensando, inicialmente, em desenvolver ferramentas antivírus e distribuí-las gratuitamente. Mas o sucesso foi tamanho que, em 1991, todas as maiores empresas dos EUA usavam seu programa (pelo qual já era cobrada uma pequena taxa de licenciamento, que lhe rendia US$ 5 milhões por ano).

Em pouco tempo, o valor da McAfee Associates alcançou impensáveis US$ 80 milhões, e John passou a figurar entre os grandes nomes da indústria tecnológica nos anos 90. Em 2011, ele vendeu a companhia para a Intel por US$ 7,7 bilhões. No ano seguinte, fundou uma fábrica de cigarros, uma companhia de distribuição de café e um serviço de táxi marítimo. Mais adiante, foi preso por criar um exército privado e traficar drogas em Belize; solto sob fiança, voltou a morar em companhia de cinco mulheres (com idades entre 17 e 20 anos). Suspeito do assassinato de um vizinho, JM fugiu para a Guatemala, de onde foi extraditado para os EUA. No ano passado, já como CEO da MGT Capital Investments, resolveu mudar o nome da companhia para John McAfee Global Technologies, contrariando o contrato celebrado com a Gigante dos microchips por ocasião da venda de sua empresa (o imbróglio aguarda decisão judicial).

Para alguns, McAfee é um homem perigoso, um dos chefes de um cartel de drogas na América Central. Para outros, é apenas alguém que perdeu contato com a realidade e tenta convencer os outros de seus delírios. Em seu blog oficial, ele alimenta histórias mirabolantes, como a de que é líder de um grupo de espiões que descobriu uma célula terrorista do Hezbollah em plena América Central. No início do ano, em entrevista concedida ao site de tecnologia Tecmundo, afirmou que “deveríamos jogar fora nossos smartphones”, pois eles podem ser hackeados, independente da marca, do modelo e dos aplicativos de segurança instalados para protegê-los. E o pior é que faz sentido. Semanas atrás, o Wikileaks vazou arquivos confidenciais da CIA que revelam a existência de ferramentas de espionagem sofisticadas, capazes de quebrar a criptografia de sistemas operacionais e obter acesso remoto a computadores, smartphones, automóveis, e até Smart TVs (voltaremos a esse assunto numa futura postagem).

McAfee afirma que os antivírus são inúteis porque se baseiam numa tecnologia ultrapassada, que as soluções desenvolvidas pelos crackers para burlar a proteção são bem mais criativas e avançadas, e que usa celulares sem GPS. Se, por algum motivo, precisa acessar a Internet a partir de um smartphone, ele compra um aparelho (da Samsung), que troca por um novo a cada duas semanas.
Mas não é só esse desvairado que acredita na morte eminente dos antivírus. Brian Dye, vice-presidente da Symantec ― uma das mais conceituadas empresas de segurança digital do mundo ― compartilha da mesma opinião. Para ele, se os antivírus não são totalmente inúteis, no mínimo são insuficientes.

De acordo com um estudo da FireEye, 82% dos malwares desaparecem por completo depois de uma hora. Em média, 70% só existem uma vez. Assim, os gigantescos bancos de dados dos fabricantes dos antivírus são cemitérios de malwares que jamais afetarão os usuários. Daí a popularização da heurística na detecção de softwares mal-intencionados, que permite identificá-los a partir de seu comportamento, mas que, em contrapartida, consomem muitos recursos e apresentam resultados difíceis de interpretar.

Talvez os antivírus tenham se transformado em coisas monstruosas e lentas. Ao longo dos anos, foram adicionando às suas janelas uma grande quantidade de funções extras, como cópias de segurança ou limpadores de arquivos ― recursos úteis, mas que nada têm a ver com a proteção antimalware; são apenas uma estratégia de marketing para aliciar os consumidores e convencê-los da utilidade das ferramentas.

A conclusão fica para a próxima postagem. Até lá.

RODRIGO JANOT E A DISENTERIA VERBAL DE GILMAR MENDES

Depois que a Folha divulgou uma suposta “coletiva em off” para vazar seletivamente nomes de políticos que figuram na “Lista de Janot”, o grandiloquente ministro Gilmar Mendes teceu críticas incisivas aos procuradores. 
No pronunciamento mais contundente desde que assumiu a Procuradoria Geral da República, Rodrigo Janot rebateu: “Não vi uma só palavra de quem teve uma disenteria verbal a se pronunciar sobre essa imputação do palácio do planalto, congresso nacional e supremo tribunal federal. só posso atribuir tal ideia a mentes ociosas e dadas a devaneios. mas, infelizmente, com meios para distorcer fatos e instrumentos legítimos de comunicação institucional”. Ainda que não tenha citado Mendes nominalmente, o PGR não deixou dúvidas sobre quem era o alvo das suas críticas.

Disse Janot que magistrado preferiu atacar o Ministério Público e omitir, de forma deliberada, as menções ao uso do off no Palácio, no Congresso e no Supremo, que a informação de que houve uma coletiva para a divulgação de uma lista de políticos investigados é mentirosa, que Mendes estaria tentando nivelar todas as autoridades ao atribuir aos procuradores conduta que, na prática, seria dele, qual seja chamar jornalistas para conversas reservadas e divulgar informações sigilosas.

Ainda assim, meus amigos, em projeção mental, alguns tentam nivelar todos a sua decrepitude moral e para isso acusam-nos de condutas que lhes são próprias, socorrendo-se, não raras vezes, da aparente intangibilidade proporcionada pela posição que ocupam no estado” — completou Janot. E não deixou por menos: “procuramos nos distanciar dos banquetes palacianos. Fugimos dos círculos de comensais que cortejam desavergonhadamente o poder público e repudiamos a relação promíscua com a imprensa”, em patente reprovação à suposta conduta promíscua do ministro, que estaria participando com frequência de jantares no Palácio do Planalto.

A bola está com o ministro. Aguardemos, pois, o próximo lance.

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quarta-feira, 22 de março de 2017

ANTIVÍRUS ― NÃO DÁ PARA NÃO USAR. SERÁ MESMO?


A POLÍTICA BRASILEIRA É LAMENTÁVEL. NÃO SE ENCONTRA UM POLÍTICO HONESTO; AQUELES QUE O SÃO, RARAMENTE CHEGAM AO PODER, E SE CHEGAM, OU SUCUMBEM À CORRUPÇÃO OU SÃO DESTRUÍDOS PELOS CORRUPTOS. 


O termo malware designa qualquer software malicioso, aí incluído o tradicional vírus eletrônico ― programa capaz de se autorreplicar, criado experimentalmente em meados do século passado, mas que só começou a incomodar no final dos anos 1980 e a se disseminar mais expressivamente com a popularização do uso doméstico da internet (clique aqui para mais detalhes).

De uns tempos a esta parte, as pragas que se celebrizaram por apagar arquivos e danificar os PCs das vítimas (em nível de software) deram lugar a variações como o spyware, que monitora os hábitos de navegação dos internautas, capturam dados confidenciais ― senhas bancárias, informações de login, números de cartões de crédito, etc. ― e os enviam para os crackers de plantão fazerem a festa.

Nesse cenário pouco alvissareiro, o antivírus é indispensável, certo? Há controvérsias, como veremos no desenrolar desta matéria. Antes, porém, vale relembrar que malwares não são entes misteriosos ou prodígios de magia negra, mas programinhas como outros quaisquer, só que escritos para executar ações maliciosas ou criminosas. Eles são classificados de acordo com seus objetivos e modus operandi (vírus, worms, trojans, spywares, ransomwares, etc.), mas não surgem do nada ou são transmitidos pelo ar, como os vírus biológicos ― de certa forma, alguns malwares até são, se considerarmos a possibilidade de propagação através de redes wireless (tipo Wi-Fi, Bluetooth, etc.), mas isso já é outra história. Seja como for, é preciso ter sempre em mente que, na maioria das vezes, a infecção só acontece mediante a participação ― ainda que involuntária ― das próprias vítimas, daí eu dizer que não existe programa de segurança “idiot proof” o bastante para proteger o usuário de si mesmo. 
     
Observação: As modalidades de ataque já foram contempladas em outras postagens (sugiro reler a sequência que eu publiquei a partir do último dia 16), mas convém ter em mente que o correio eletrônico, os programas mensageiros e as redes sociais são as formas mais utilizadas como meio de transporte para os códigos maliciosos (quanto mais popular for um sistema, aplicativo ou webservice, tanto maior será a tendência de ele ser explorado pelos cibervigaristas).

O Windows é o sistema operacional mais usado em todo o mundo. Segundo a StatCounter Global Stats, ele detém 84,14% da preferência dos usuários ― contra 11,6% do OS X e 1,53% das distribuições Linux ―, o que o torna um alvo atraente para a bandidagem. Todavia, ao contrário da crença popular, existem, sim, pragas que afetam o OS X, da Apple, e as distribuições Linux (não fosse assim, não haveria programas antivírus destinados especificamente a essas plataformas).

Na opinião da maioria dos analistas, é extremamente arriscado navegar nas águas turvas da Web sem um arsenal de defesa responsável, composto de um bom antivírus, um aplicativo de firewall e um antispyware. Mas esse entendimento não é unânime. Para o fundador da McAfee Associates, criador de um dos primeiros antivírus comerciais, usar antivírus não faz a menor diferença. Tudo bem, John McAfee é doido de pedra, mas Brian Dye, vice-presidente da Symantec ― renomada fabricante de programas de segurança digital ― os antivírus, se não chegam a ser totalmente inúteis, são, no mínimo, insuficientes. E agora, José?

Amanhã eu conto o resto. Até lá. 

GOVERNO X POLÍCIA FEDERAL: QUEM TEM CARNE FRACA?

Entre ministros do governo que cercam o presidente Michel Temer, o mínimo que se ouve é que a Polícia Federal deu um tiro no pé e produziu grave estrago na imagem do país, tanto aqui dentro quanto ― e principalmente ― lá fora. Por ora, o governo não dá bola para teorias conspiratórias que circulam a respeito nas redes sociais, mas não só ― também entre políticos. A mais insistente delas sugere que a Polícia Federal e o Ministério Público agiram a serviço de interesses internacionais inconformados com a posição do Brasil no ranking dos maiores exportadores de carne do mundo ― o que soa a absurdo. 

O entendimento que prevalece no governo é o de que a Polícia Federal e o Ministério Público, embalados pelo sucesso da Operação Lava-Jato, limitaram-se a aplicar na Carne Fraca os mesmos métodos de investigação que até aqui haviam dado certo. O erro foi não se socorrer de especialistas em saúde sanitária para evitar disparates do tipo “papelão misturado à carne” ou de ácido impróprio usado para conservar ou conferir melhor aparência às peças de carne para venda. De resto, as conclusões tiradas o foram a partir de apenas dois laudos periciais. Pouca coisa por enquanto.

Blairo Maggi, Ministro da Agricultura, escolhido para defender a indústria de carne e bater de frente na Polícia Federal cumpriu o papel a contento até ontem, mas exorbitou ao ameaçar pagar na mesma moeda a decisão do governo chileno de suspender a importação de carne brasileira. E o pior foi dizer que contava para isso com o aval do presidente da República (pura bazófia, porque tal disposição não combina com o estilo ameno e negociador de Temer, sem mencionar que não foi só o Chile que impôs restrições à importação de carne brasileira, mas também a China e países da Comunidade Econômica Europeia).

A prudência recomenda a Temer e seus ministros evitarem um confronto aberto com a Polícia Federal e o Ministério Público ― instituições bem avaliadas pelos brasileiros e que guardam segredos que poderão atingir ainda mais políticos do núcleo do Governo Federal. Aliás, um já foi atingido por um disparo de advertência: Osmar Serraglio, Ministro da Justiça, que, doravante, terá como um dos órgãos subordinados ao seu ministério uma Polícia Federal com munição suficiente para causar-lhe sérios danos. Ligado à bancada ruralista no Congresso, Serraglio foi pego chamando um dos presos da Carne Fraca de “grande chefe” e interferindo a favor de um frigorífico do Paraná sujeito a fiscalização.

Vamos aguardar os novos desdobramentos.

Obs.: Texto criado a partir de um artigo de Ricardo Noblat, publicado em O Globo na última terça-feira. 

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terça-feira, 21 de março de 2017

SOBRE ANEXOS SUSPEITOS E LINKS... (CONCLUSÃO)

O HOMEM TEM A SUA VONTADE, MAS A MULHER TEM O SEU JEITO.

Nem só de anexos mal-intencionados se valem os vigaristas digitais em seus golpes. Muitas mensagens de scam não trazem arquivos anexados, mas links no corpo de texto, o que pode ser ainda mais perigoso, até porque não dá para fiscalizá-los com o antivírus como eu sugeri fazer, no post anterior, com os arquivos suspeitos. Para complicar, é difícil diferenciar links legítimos dos maliciosos, já que o endereço pode estar “mascarado” ― ou seja, ele aponta para uma página Web “legítima”, mas na verdade leva a um site sequestrado pela bandidagem (ou especialmente criado pelos vigaristas), onde o simples acesso pode infectar seu sistema (exemplo: você vê http://www.seubanco.com.br/, mas é redirecionado para http://www.qualquercoisa.com.br/).

Observação: Sempre que for acessar o site do seu Banco, digite o URL diretamente na caixa de endereços do navegador.

Também com a ajuda da engenharia social (detalhes nos capítulos anteriores), os estelionatários buscam induzir suas vítimas a erro, oferecendo links que supostamente remetem a vídeos engraçados, notícias chocantes, promoções imperdíveis ou botões de “Curtir”, por exemplo, mas que na verdade são projetados para facilitar o roubo de informações ou outra ação igualmente desonesta. Como os anexos maliciosos, esses links costumam vir em mensagens de email ― até mesmo de amigos, parentes ou conhecidos das vítimas, pois um computador infectado pode distribuí-los “por conta própria” para todos os endereços de email que encontrar pela frente ―, embora também sejam disseminados em salas de chat virtual, por mensagens instantâneas, em propagandas veiculadas na Web e até mesmo em resultados de pesquisas em serviços de buscas, apenas para citar alguns exemplos comuns.

Via de regra, ao pousar o cursor do mouse sobre um link clicável (mas sem clicar), você consegue visualizar o endereço real para onde ele aponta. Só que esse endereço também pode ser capcioso ― por exemplo: https://www.youtobe.com/watch?v=bdKIDaig_7w (repare no “o” que eu grafei em vermelho para chamar a atenção).
Observação: Se você usuário do Mozilla Firefox, pode ser uma boa ideia instalar as extensões Long URL please ― que substitui a maior parte dos URLs encurtados pelos originais, facilitando a identificação do destino ― e o URL Tollpit ― que mostra o destino de um link quando você passar o mouse sobre ele.  

Mas o mais indicado mesmo é recorrer a um analisador de links, isto é, um site (ou um complemento para o navegador) que analisa os links e as páginas a que eles remetem, para identificar possíveis ameaças ocultas. Dentre as várias opções disponíveis, sugiro o URLVOID, que checa os endereços com vários serviços ao mesmo tempo e exibem os resultados rapidamente.

Outro “complicador” é o link encurtado, muito popular entre usuários do Twitter ― que limita as mensagens a míseros 140 caracteres, boa parte dos quais é consumida pela inserção dos URLs “por extenso”. Só que essa prática se popularizou também em Blogs, Webpages e até na mídia impressa (como sabem que lê as publicações da Editora Abril, por exemplo), comprometendo ainda mais a segurança dos internautas, já que, depois de abreviados (http://zip.net/bntFJp, por exemplo) com o auxílio de serviços como Goo.gl, Bitly, TiniUrl e Zip.Link, dentre outros, os URLs deixam de oferecem qualquer indício que permita identificar seu “endereço real”, mesmo quando pousamos o ponteiro do mouse sobre eles. Nesse caso, minha sugestão é recorrer ao SUCURI, que funciona tanto com links encurtados quanto normais.

No que os serviços sugeridos exigem que você introduza no campo de buscas do site o link que deseja consultar, e é mais fácil copiar e colar o endereço do que digitá-lo caractere por caractere. Para não correr o risco de abri-lo por engano, dê um clique direito sobre ele e, no menu suspenso, escolha a opção Copiar atalho, Copiar Link ou Copiar endereço do link (o nome varia conforme o navegador). Em seguida, posicione o ponteiro dentro da caixa de busca, dê outro clique direito e selecione a opção Colar (ou simplesmente pressione o atalho Ctrl+V).

Observação: Sites como ExpandMyURL, Knowurl e LongUrl (apenas para citar os mais populares) convertem links encurtados em convencionais e, em alguns casos, informam também se a página é segura. Dependendo do serviço usado no encurtamento do link, você pode obter mais informações introduzindo o URL reduzido na barra de endereços do navegador, acrescentando um sinal de adição (+) e teclando Enter.

Adicionalmente: Instale e mantenha atualizada uma boa suíte de segurança (que ofereça ao menos um antivírus e um firewall, embora um antispyware também seja bem-vindo). Outra dica instalar o McAfee WebAdvisor, que é gratuito e muito bom. Caso você não queira instalar mais um programinha no seu PC, uma alternativa é se socorrer com o serviço online SiteAdvisor, também da McAfee. Basta introduzir o endereço suspeito no campo de buscas da página e clicar no botão Ir.

Era isso, pessoal. Espero ter ajudado.

DE VOLTA AO FORO PRIVILEGIADO

O jornal O Estado de São Paulo publicou, semanas atrás, que mais de 50 investigados na Lava-Jato têm contra si inquéritos em trâmite no STF, embora não ocupem funções que lhes garanta a famigerada prerrogativa de foro. Dessa seleta confraria fazem parte os ex-presidentes Lula (que, quando o assunto é corrupção, tem presença garantida), Dilma e José Sarney, além de Paulo Bernardo (marido da senadora petralha Gleisi Hoffmann), Caroline Collor (esposa do ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Mello) e Nelson Júnior e Cristiano (filhos do deputado paranaense Nelson Meurer).

Sarney ficou de fora da primeira instância por dividir inquérito com outros parlamentares do PMDB com foro privilegiado; Lula e Dilma são investigados juntamente com ministros os ministros do STJ Marcelo Navarro e Francisco Falcão ― a ação contra os ex-presidentes petistas inclui também dois ex-ministros de seus governos, quais sejam Aloizio Mercadante e José Eduardo Cardozo. A justificativa, de acordo com a reportagem, é que existe entre todos uma acusação ampla, de formação de quadrilha, que perpassa os investigados em todos os quatro processos penais decorrentes da Lava-Jato que tramitam no STF. Outras ex-autoridades que têm processos em trâmite no Supremo, mesmo que também em outras instâncias, são o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e até o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto.

A “Lista de Janot”, divulgada extraoficialmente no último dia 14, inclui mais de 100 políticos com foro privilegiado, dentre os quais figuram pelo menos seis ministros do governo Temer e os presidentes da Câmara e do Senado. Mais detalhes virão a público quando o ministro Edson Fachin, que herdou a relatoria dos processos da Lava-Jato no Supremo, suspender o segredo da lista em breve, atendendo ao pedido do próprio Janot (espera-se que ele o faça já na semana que vem).

Observação: O foro especial por prerrogativa de função ― esse é o nome correto do que chamamos comumente de foro privilegiado ― foi instituído durante o regime militar e ampliado pela Constituição de 1988 para proteger o exercício de função ou mandato público, ou seja, para evitar a pressão de políticos sobre juízes locais contra adversários. Destarte, o “benefício” cessa no exato momento em que o beneficiado deixa de exercer o cargo que o garante. No entanto, se o indivíduo já responde a processo quando se elege deputado federal, por exemplo, o processo é remetido ao Supremo; findo o mandato, caso ainda não tenha sido julgada, ação volta para a instância de origem, mas torna a ser enviada para o STF se o político for reeleito. Hoje, passados quase 30 anos, o instituto é criticado por prolongar processos que envolvem parlamentares e contribuir para a prescrição (situação em que a demora para o julgamento obriga o Judiciário a arquivar a ação).

Não é de hoje que se discute a extinção ― ou pelo menos a limitação ― deste foro especial, que abrange mais de 45 mil ocupantes de cargos públicos ― prefeitos, secretários de governo, juízes, promotores e outras autoridades cujas ações tramitam em instâncias superiores ao primeiro grau da Justiça. Só no STF tramitam atualmente cerca de 500 processos, dentre os quais 357 investigações e 103 ações penais. No mês passado, o ministro Luís Roberto Barroso decidiu submeter ao plenário da Corte uma proposta para restringir o foro, que ainda precisa ser pautada pela ministra Cármen Lúcia. Foi o bastante para Rodrigo Maia ― que, vale lembrar, também figura na “Lista de Janot” ― dizer que é preciso aguardar uma decisão do Supremo antes de pautar qualquer iniciativa legislativa sobre a questão. Mas, cá entre nós, considerando a quantidade de parlamentares que integram a lista da PGR, dificilmente uma votação na Câmara conseguiria apoiadores suficientes para modificar as regras do jogo.

Observação: Na Câmara, existem menos 14 propostas ― a mais antiga de 2005 ― para retirar o foro de deputados e senadores, que passariam a ser processados por juiz de primeira instância, mas está parada na CCJ, à espera da designação de um relator. Outras quatro propostas semelhantes foram juntadas a essa e têm tramitação conjunta. Duas outras, de 2007, mantêm o foro apenas para os chamados crimes de responsabilidade ― aqueles estritamente ligados ao exercício do mandato ― e uma delas está pronta para ser votada no plenário da Casa. Existem ainda propostas em tramitação para mudanças menos drásticas: uma mantém no STF a análise de denúncia ou queixa-crime contra deputados e senadores; recebida a denúncia, os autos seriam remetidos à Justiça Federal ou comum, a quem caberá processar e julgar a causa. Outra prevê a criação de vara especializada da Justiça Federal para julgar as infrações penais de parlamentares, ministros do STF e ministros do Executivo, além dos crimes de responsabilidade cometidos por ministros do Executivo e de membros dos tribunais superiores. Mas também há textos que ampliam o foro privilegiado no STF, estendendo-o para o defensor público-geral federal, membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público.

Na avaliação do relator da Lava-Jato no Supremo, o foro privilegiado é incompatível com o princípio republicano. “Eu, já de muito tempo, tenho subscrito uma visão crítica do chamado foro privilegiado por entendê-lo incompatível com o princípio republicano, que é o programa normativo que está na base da Constituição brasileira”, afirmou Fachin. Ainda segundo ele, caberá ao STF decidir se pode restringir o instituto ou se eventuais mudanças devem ser realizadas pelo Congresso. “Eu, na Corte de modo geral, tenho me inclinado por uma posição de maior contenção do tribunal, mas nós vamos examinar a proposta e no momento certo vamos debater”, afirmou o ministro.

Desde 2001, quando o STF passou a julgar parlamentares sem necessidade de autorização do Congresso, mais de 60 prescrições ocorreram. Enquanto um tribunal de primeira instância leva cerca de uma semana para receber uma denúncia, na Corte o mesmo procedimento (que promove o acusado à condição de réu) demora, em média, 565 dias. Recentemente, numa proposta interna para reduzir o alcance do foro, o ministro Barroso afirmou que o mecanismo se tornou um “mal” para o STF e para o país. Primeiro, por tratar-se de uma reminiscência aristocrática, não republicana, que dá privilégio a alguns, sem um fundamento razoável; segundo, porque cortes Constitucionais, como o STF, não foram concebidas nem estruturadas para funcionar como juízos criminais de 1º grau; terceiro, por ser causa frequente de impunidade, porque dele resulta maior demora na tramitação dos processos e permite a manipulação da jurisdição do Tribunal.

No Senado, tramitam pelo menos quatro PECs visando limitar o foro privilegiado. Dessas, a que está em estágio mais avançado extingue a prerrogativa nos casos em que as autoridades ― presidente, senadores e deputados, entre outras ― cometem crimes comuns, como roubo e corrupção, por exemplo. “Hoje, o foro especial é visto pela população como privilégio odioso, utilizado apenas para proteção da classe política ― que já não goza de boa reputação ―, devido aos sucessivos escândalos de corrupção”, disse o relator da proposta. O texto já foi aprovado pela CCJ e está pronto para ser analisado no plenário, mas não há consenso entre os líderes partidários para que seja colocado em votação.
Enquanto isso, viva o povo brasileiro!

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