domingo, 23 de abril de 2017

PRIMEIRAMENTE, FORA LULA! ― Ricardo Noblat

Quem foi Marcelo Odebrecht? O mandachuva do país durante o reinado do PT? O chefe de uma sofisticada organização criminosa? Ou o “bobo da corte” afinal preso e forçado a delatar?
E Lula, quem foi? O primeiro operário a chegar ao poder? O maior líder popular da História? Ou o presidente que fez da corrupção uma política de Estado?

Marcelo será esquecido. Luiz Inácio Odebrecht da Silva, jamais.

Em dezembro de 1989, poucos dias após a eleição do presidente Fernando Collor de Melo, o deputado Ulysses Guimarães, ex-condestável do novo regime, almoçava no restaurante Piantella, em Brasília, quando entrou a cantora Fafá de Belém, amiga de Lula.

― Como vai Lula? ― perguntou Ulysses. Fafá, que passara ao lado dele o domingo da sua derrota para Collor, respondeu:

Lula ficou muito chateado, mas começamos a beber e a comer, os meninos foram para a piscina e ele acabou relaxando. Ulysses quis saber:

― Tem piscina na casa de Lula?

― Tem, mas a casa é de um compadre dele, o advogado Roberto Teixeira.

Ulysses calou-se. Depois comentou com amigos:

― O mal de Lula é que ele parece gostar de viver de obséquios.

Na mosca! Lula viveu de obséquios. Vive. O dinheiro não o atrai. A rotina da política, tampouco. O conforto e as facilidades, sim. Terceiriza a missão de obtê-las. O poder sempre o fascinou. E para conquistá-lo e mantê-lo, mandou às favas todos os escrúpulos que não tinha. Os que o cercam em nada se surpreenderam com a figura que emerge das delações dos executivos da Odebrecht. É um pragmático, oportunista, que se revelou um farsante. Emilio, o patriarca dos Odebrecht, decifrou Lula muito antes de ele subir a rampa do Palácio do Planalto. Conquistou-o com conselhos e dinheiro. Perdeu nas vezes em que ele foi derrotado. Recuperou o que perdeu e saiu com os bolsos estufados quando Lula e Dilma governaram. Chamava-o de “chefe”. Emílio era o chefe.

Nos oito anos da presidência do ex-operário que detestava macacão e sonhava com gravatas caras, o país conviveu com o Lula que pensava conhecer e, sem o saber, também com Luiz Inácio Odebrecht da Silva, só conhecido por Emílio e alguns poucos. “Cuide do meu filho”, um dia Lula pediu a Emílio. Que retrucou: “Cuide do meu também”. Emílio cuidou de Fábio. Lula, de Marcelo.
De Lula cuidaram Emílio e Marcelo, reservando-lhe uma montanha de dinheiro em conta especial para satisfazer-lhe todas as vontades. Lula retribuiu com decisões governamentais que fizeram a Odebrecht crescer muito mais do que a Microsoft em certo período. A Odebrecht pagou a Lula, e Lula pagou a Odebrecht, com a mesma moeda – recursos públicos. Quem perdeu com isso?
A Odebrecht ganhou mais dinheiro à custa de Lula do que ele à custa dela, mas Lula foi mais esperto. Criou seu próprio banco, administrado pela empreiteira. E quando precisava sacar, outros o faziam em seu nome. Imagina não ter deixado impressões digitais nas negociatas em que se meteu. A polícia já identificou muitas. E outras serão identificadas antes do seu depoimento em Curitiba.

Corrupção mata. Mata sonhos, esperanças, alucinações. Mata o passado, o presente e compromete o futuro. Mata também de morte morrida à falta de saneamento, hospitais, escolas, segurança pública. A impunidade mata tanto ou mais.

A hora e a vez são da Justiça. E ela será julgada pelo que fizer ou deixar de fazer.

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sábado, 22 de abril de 2017

AS DELAÇÕES BOMBÁSTICAS E O CASO DA CHAPA

Há poucos dias, a bola da vez no estapafúrdio cenário político tupiniquim era o tão aguardado julgamento da chapa Dilma-Temer pelo TSE. Agora, depois que a suspensão do sigilo da Delação do Fim do Mundo abalou Bangu, digo, abalou Brasília, os holofotes vêm focando nos depoimentos dos delatores, que, ouvidos da boca dos ditos-cujos, com direito e episódios de inequívoco escárnio, tornam-se ainda mais revoltantes. Mas tudo isso já foi coberto em outras postagens, além de estar na mídia 25 horas por dia, 8 dias por semana, de modo que vamos deixar esse assunto de lado por alguns minutos e voltar ao processo de cassação da infausta chapa ― mais um caso típico de “parto da montanha”, ou, em bom português, de muito peido e pouca bosta.  

A tão aguardada audiência terminou minutos depois que começou, porque os ministros acharam que seria preciso dar ainda mais uns dias para os advogados de Dilma apresentarem sua defesa, e, para garantir que nada aconteça, resolveram que as partes podem também convocar novas testemunhas ― que sabe Adão e Eva e a Serpente. Enfim, adiaram tudo novamente e o caso, que ninguém já levava a sério, descambou de vez para a palhaçada.

A assinatura oficial dessa obra de autoria coletiva que soma esforços de juristas, políticos e partidos ― e que o jornalista J.R. GUZZO definiu como uma das peças mais notáveis do acervo em exibição no Museu de Horrores do Estado brasileiro, com seu Tribunal Superior Eleitoral, os 27 tribunais regionais e mais de 20.000 funcionários e funções desconhecidas em qualquer democracia bem sucedida do mundo, onde jamais se julgou necessário criar uma “justiça eleitoral” para fazer eleições ― é da Justiça Eleitoral, que está examinando o caso desde o final de 2014.

O “delito” sub judice é um fenômeno, na medida em que poderia tornar “inelegível” uma chapa que foi eleita há mais de dois anos, deporia de novo do cargo uma presidanta que já foi deposta e mandaria para a rua o presidente atual, cujo mandato termina já no ano que vem. E como se isso não bastasse, o relator da patranha julgou necessário escrever um relatório de 1032 páginas (!) ― mais que isso, só a Bíblia.

Mais uma vez, como vem acontecendo nos últimos 500 anos, “prevaleceu o bom-senso”, como observou um dos marechais de campo da tropa política de Brasília. E quando a gente ouve uma figura pública dizer que prevaleceu o bom-senso, podemos ter certeza de que nos estão batendo a carteira.
O que prevaleceu, mesmo, foi o interesse de cada um. Ninguém gosta do presidente, ou diz que não gosta, mas todos querem que ele fique. O PT finge que está em guerra contra o governo; nas ruas, a militância grita “Fora, Temer”, mas nas conversas para valer, os chefes do partido dizem “Fica, Temer”. O PSDB, que começou a ação para anular a chapa Dilma-Temer, reduziu sua cobrança pela metade: como Dilma já foi, quer que Temer fique. O senador Renan Calheiros, o cangaceiro das Alagoas, se transformou de vinho em água e todo dia requisita os jornalistas para dizer-lhes que agora é um homem de oposição, aliado de coração do ex-presidente Lula e inimigo figadal de Michel Temer.

Ninguém, enfim, quer o que diz ― nem o TSE quer julgar coisa alguma. Estão todos pensando, apenas, em como tirar proveito do que pode acontecer em 2018, e em permanecer fora da cadeia até lá. É o Circo Marambaia. E se você não percebeu quem os políticos, ministros de tribunais, gênios dos partidos etc. escolheram para fazer o papel de palhaço nesse picadeiro, olhe-se no espelho.

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sexta-feira, 21 de abril de 2017

A RESPONSABILIDADE DE LULA ― EDITORIAL DO ESTADÃO

Há quem veja nas delações da Odebrecht e nas centenas de inquéritos delas decorrentes, tanto no Supremo Tribunal Federal como na primeira instância, a confirmação de que toda a política nacional está corrompida. A disseminação da corrupção seria de tal ordem que já não teria muita serventia a identificação dos culpados. Com leves variações de tons, todos os políticos seriam igualmente culpados. Ou, como desejam alguns, todos seriam igualmente inocentes.

Como corolário desse duvidoso modo de ver as coisas – como se a deformação da política tivesse pouca relação com a atuação desonesta de pessoas concretas –, há quem entenda que as descobertas mais recentes da Lava-Jato desfazem a impressão, tão forte nas primeiras etapas da operação, de que Lula e sua tigrada tiveram uma participação especial na corrupção no País. Eles seriam tão somente um elo a mais na corrente histórica de malfeitos. A responsabilidade por tanta roubalheira caberia, assim querem fazer crer, ao sistema político.

Longe de relativizar a responsabilidade do PT na crise ética da política, as revelações sobre os ilícitos da Odebrecht, delatados por seus diretores e executivos, confirmam e reforçam o papel deletério de Lula na política nacional. Seu papel foi decisivo e central para o abastardamento da vida política brasileira. Foi ele o autor intelectual e material do vil assassinato do interesse público nos dias que vivemos.

A corrupção levada a cabo nos anos do PT no governo federal não é mera continuidade de um sistema corrupto. Há um antes e um depois de Lula na corrupção nacional, capaz até de assustar Emílio Odebrecht. “O pessoal dele (de Lula) estava com a goela muito aberta. Estavam passando de jacaré para crocodilo”, disse o presidente do conselho de administração da empreiteira, em relato por escrito à Procuradoria-Geral da República.

É evidente que já existia corrupção antes de Lula da Silva chegar à Presidência da República. A novidade trazida pelo ex-sindicalista foi a transformação de todos os assuntos estatais em negócio privado. Sem exagero na expressão, Lula da Silva pôs o Estado à venda. A Odebrecht e outras empresas envolvidas no escândalo apenas compraram – sem nenhuma boa-fé – o que havia sido colocado na praça.

Ao perceber que todos os assuntos relativos ao governo federal poderiam gerar-lhe benefícios, pessoais ou ao Partido dos Trabalhadores, Lula da Silva procedeu como de costume e desandou a negociar. Com alta popularidade e situação econômica confortável – o País desfrutava então das reformas implementadas no governo anterior e das circunstâncias favoráveis da economia internacional –, Lula não pôs freios aos mais escusos tipos de acordo que sua tigrada fazia em seu nome, em nome do governo e em nome do partido, como restou provado no mensalão e no petrolão.

Lula da Silva serviu-se do tradicional discurso de esquerda, de ampliação da intervenção do Estado na economia, para gerar novas oportunidades de negócio à turma petista. São exemplos desse modo de proceder as políticas de conteúdo nacional e da participação obrigatória da Petrobras nos blocos de exploração do pré-sal. Aquilo que era apresentado como defesa do interesse nacional nada mais era, como ficaria evidente depois, que uma intencional e bem articulada ampliação do Estado como balcão de negócios privados.

Lula não inventou a corrupção, mas criou uma forma bastante insólita de fazer negócios escusos. Transformou a bandalheira em política de Estado. Com isso, corruptos, velhos e novos, tiveram ganhos nos anos petistas que pareciam não ter limites. Não foi por acaso nem por patriotismo, por exemplo, que o governo petista estimulou as empreiteiras a expandir sua atuação para novas áreas, como a exploração de petróleo. Assim, incluía-se mais uma oportunidade ao portfólio de negociatas da tigrada de Lula.

Todos os inquéritos abertos a partir das delações da Odebrecht merecem especial diligência. Seria equívoco não pequeno, no entanto, achar que o envolvimento de tanta e diversificada gente nas falcatruas de alguma forma diminui a responsabilidade de Lula da Silva pelo que aí está. A magnitude dos ilícitos descobertos pela Lava-Jato, da Odebrecht e de tantas outras empresas e pessoas, só foi possível graças à determinação de Lula da Silva de pôr o Estado à venda. Não lhe neguemos esse mérito.

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quinta-feira, 20 de abril de 2017

AINDA SOBRE O DESLIGAMENTO DO COMPUTADOR (3ª PARTE)

REFORMA POLÍTICA FEITA POR POLÍTICOS CORRUPTOS, QUE DEVERIAM ESTAR NUM REFORMATÓRIO, É UMA PIADA RUIM DEMAIS.

Voltando rapidamente à anatomia dos HDDs, a carcaça (ou câmara) que abriga os pratos giratórios, braços, cabeças de leitura/gravação e demais componentes internos não é fechada à vácuo, mas selada após uma providencial injeção de ar totalmente estéril. Os pratos giram em altas velocidades (alguns modelos operam a mais de 10.000 RPM), e não é difícil imaginar o estrago um grão de poeira poderia causar se, a essa velocidade, colidisse com as delicadas cabeças eletromagnéticas.

Mas não é só. O ar permite a geração do turbilhonamento necessário para as cabeças eletromagnéticas manterem-se micrometricamente afastadas da superfície dos discos. Embora diversos autores (dentre os quais se inclui este humilde escriba) procurem facilitar a compreensão desse tema comparando os HDDs às antigas vitrolas, é importante deixar claro que, para reproduzir o conteúdo dos bolachões, a agulha toca fisicamente a espiral criada no vinil durante a gravação, pois é assim que ela capta as vibrações que são amplificadas e reproduzidas pelos alto falantes sob a forma de som. Nos discos rígidos, em vez de uma espiral, existe um conjunto de trilhas concêntricas (detalhes na postagem anterior), e as cabeças não tocam a superfície dos pratos.

Observação: Nos drives antigos, quando o PC estava desligado, as cabeças de leitura e gravação repousavam sobre a superfície dos pratos, o que podia resultar em arranhões que danificariam trechos das trilhas e tornariam ilegíveis os dados neles gravados. Mas os modelos fabricados de 2000 para cá passaram a recuar os braços para uma “área de repouso”, reduzindo significativamente a possibilidade de danos nos pratos ou nas cabeças eletromagnética, embora continue valendo o que eu disse no parágrafo de abertura do primeiro capítulo desta sequência, sobre aparelhos elétricos e eletroeletrônicos “sofrerem” mais no instante em que são ligados (embora apagões inesperados e desligamentos inadequados sejam ainda mais perigosos para o disco rígido do computador).

Segundo a Energy Star, a vida útil média de um HDD moderno é de 40 mil ciclos de ligar e desligar. Considerando que isso equivale a 109 anos ligando e desligando o PC uma vez por dia, mesmo que fosse submetido a 10 boots diários, 7 dias por semana, o drive funcionaria por cerca de 10 anos, e é bem provável que você troque seu computador por um novo bem antes disso.

Como tudo neste mundo, o PC e seus componentes têm vida útil limitada, sobretudo as peças que integram partes móveis, como o HDD, as ventoinhas, o exaustor da fonte de alimentação, etc. Daí se infere que deixar a máquina ligada o tempo todo para prevenir “consequências nocivas” da inicialização pode não ser uma boa ideia. Além do stress contínuo, do excesso de calor, do desgaste mais acelerado das peças móveis e do impacto na fatura de energia elétrica, não desligar o PC implica em prolongar indefinidamente uma mesma sessão do Windows, o que fatalmente irá impactar negativamente o desempenho e a estabilidade do sistema.

Desligar o aparelho interrompe o fornecimento de energia elétrica, esvazia os buffers e descarrega o conteúdo das memórias voláteis, além de proporcionar um desejável “refresh” ao sistema e aplicativos. Além disso, protege o aparelho de eventuais apagões, sobretensões e outros distúrbios da rede elétrica (além de economizar energia). Por outro lado, fazê-lo constantemente obriga o usuário a amargar aqueles “intermináveis” minutos que a máquina leva para dar o boot, carregar o Windows e ficar pronta para uso. Daí ser importante conhecer as alternativas que o próprio sistema oferece em suas opções de desligamento. Devido ao feriado de Tiradentes, falaremos delas na próxima semana; abraços e até lá.

OS DELATADOS E SEU CORAL ANGELICAL

Se já está difícil aturar os vídeos da Delação do Fim do Mundo que os telejornais vêm exibindo com irritante ― mas compreensível insistência, dada a importância de cientificar a população do “comportamento pouco republicano” de seus conspícuos representantes ―, pior é ouvir a corja de delatados entoando, como uma singela legião de anjos, um coral bem ensaiado de protestos de inocência que não passa de mera cantilena para dormitar bovinos. Dizer que os colaboradores mentiram é a resposta padrão. Só que não se sustenta, até porque acusações levianas invalidariam os acordos de colaboração e resultariam na suspensão dos respectivos benefícios.

A veiculação dos depoimentos dos delatores, sobretudo de Emílio e Marcelo Odebrecht, desmonta de maneira cabal o velho e batido ramerrão cantado em prosa e verso por por Lula, pelo PT e pela imprestável militância vermelha, que ainda tentam vender a aleivosia de que tudo não passa de um plano para prejudicar... Lula, o PT e a PQP. Claro não faltam discípulos da finada Velhinha de Taubaté, que continuam dão ouvidos a semelhante asnice. Mesmo depois da torrente de merda com que a mãe de todas as delações cobriu não só o comandante máximo da ORCRIM e respetiva corriola, mas também políticos das mais diversas ideologias e colorações partidárias ― dentre os quais 39 deputados federais, 42 senadores, 8 ministros de Estado e 3 governadores, sem mencionar outros nove governadores e três ex-presidentes da República (que não serão investigados no Supremo, mas em instâncias inferiores da Justiça). Dos ex-presidentes da República que ainda caminham no mundo dos vivos, nenhum ficou fora da lista! Uma coisa impressionante!  

Detalhe: Embora haja 35 partidos oficialmente registrados na Justiça Eleitoral ― e mais 56 pedidos de registro aguardam a decisão do TSE ― a maioria não tem a menor expressividade, serve apenas para garantir uma fatia do fundo partidário (que anda na casa dos R$ 860 milhões provenientes de nossos suados impostos) e para vender a agremiações maiores seu tempo no horário gratuito no rádio e na TV (que o povo também banca, pois as emissoras são contraprestadas com isenção fiscal).  

Claro que só teremos uma ideia dos malfeitos imputados a cada delatado depois que cada inquérito for analisado. No entanto, a extensão da lista, que desmoralizou de vez a política brasileira, demonstra claramente que a solução será reinventar o jogo político, quiçá mediante a convocação de uma Constituinte ― ideia que já vem sendo defendida por juristas, sociólogos, cientistas políticos e distinta companhia. Nesse entretempo, até faz sentido o que dizem alguns delatados, sobre a indevida presunção de culpa de que vêm sendo alvo todos os figurantes desse “rascunho do mapa do inferno” (talvez pelo motivo errado, mas ainda assim faz sentido). Culpado, mesmo, o sujeito só será considerado depois de condenado por sentença judicial transitada em julgado.

Observação: Numa visão simplista, tudo começa com a investigação ― situação em que os indícios contra o investigado não vão muito além da possibilidade de culpa; caso a investigação reúna elementos suficientes para que a ação siga adiante, o dito-cujo é promovido a indiciado; se o Ministério Público entender que a acusação se sustenta, ele passa a denunciado, e a denúncia é encaminhada para a instância da Justiça que tem competência para apreciá-la. Caso o magistrado aceite a denúncia, o processo é aberto e o denunciado passa formalmente à condição de réu. Após a produção de provas, realização de diligências, oitiva de testemunhas e depoimentos pessoais das partes, a instrução processual é encerrada e os autos ficam conclusos para sentença. Prolatada a decisão, as partes podem recorrer à instância superior, e assim sucessivamente, até esgotar todas as possibilidades de recurso em Direito admitidas, quando então o réu, se condenado, passa a cumprir a pena que lhe foi imputada.

Por hoje é só. Vamos continuar acompanhado os desdobramentos desse monumental e vergonhoso imbróglio, e torcer para que os culpados sejam exemplarmente punidos. Lula lá!

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quarta-feira, 19 de abril de 2017

AINDA SOBRE O HDD E O DESLIGAMENTO DO COMPUTADOR (CONTINUAÇÃO)

UMA CRIANÇA NÃO É UM ADULTO EM MINIATURA, MAS TEM MUITO ADULTO POR AÍ QUE MAIS PARECE UMA CRIANÇA GRANDE.

A resposta para a pergunta que eu deixei em aberto no post anterior é: Depende. Vai interromper o trabalho por alguns minutos ― para ir ao banheiro, por exemplo? Deixe o computador ligado. Vai almoçar? Coloque a máquina em standby (na lista do menu Iniciar, clique na opção Suspender). Encerrou por hoje e só vai usar o computador amanhã? Hibernar pode ser melhor do que Desligar ― lembrando sempre que o sistema tende a ficar mais “pesado” quando é usado por dias a fio sem uma “revigorante” reinicialização.

Observação: Embora não seja o escopo deste artigo, vale lembrar também que você pode configurar sua senha de logon no Windows para ser exigida quando o sistema volta do descanso de tela, do standby ou da hibernação, de maneira a inibir a ação dos bisbilhoteiros de plantão, conforme, aliás, a gente já viu em outras postagens.

Antes de prosseguir, vale relembrar alguns pontos importantes, começando pelo o número de inicializações que um HDD é capaz de suportar ― que não é infinito, mas vem aumentando ao longo dos anos. Hoje em dia, é mais comum o computador se tornar obsoleto bem antes que o drive dê sinais de exaustão. Claro que acidentes acontecem; um surto de energia (causado por um relâmpago que atinge a rede elétrica, por exemplo) pode causar danos irreversíveis, sem mencionar que reinicializações resultantes de “apagões” inesperados podem acarretar problemas em nível de software (perda de dados, corrupção de arquivos, etc.). Nos portáteis, existe também o risco de choques físicos ― quedas, impactos, etc. ―, daí os drives de estado sólido (SSD, baseados em memória flash e sem partes móveis) serem mais comuns nessa plataforma do que nos desktops, mas isso é uma outra história (que eu contei nesta postagem).

Para quem não tem o saudável hábito de seguir os links que eu incluo nos meus textos (uma evolução fantástica em relação à mídia impressa, onde era preciso recontar as mesmas histórias inúmeras vezes), ou não sabe que as palavras ou frases sublinhadas e grafadas em azul remetem a outras webpages ― e, portanto, não estão aí para enfeitar, mas para esclarecer pontos importantes ―, segue um breve resumo:

O HDD eletromecânico é composto por uma câmara selada (carcaça), em cujo interior um ou mais pratos (discos) giram em alta velocidade em torno de seu eixo, mediante a ação de um motor. A leitura/gravação dos dados é feita por minúsculas cabeças eletromagnéticas (heads) posicionadas na extremidade de braços (arms) controlados por um atuador. Essas cabeças alteram a polaridade das moléculas de óxido de ferro do revestimento metálico que recobre os partos, gerando sinais elétricos que a placa lógica interpreta como imensos conjuntos de bits zero e um, que são os arquivos digitais.

Durante o processo de fabricação, os drives dão formatados fisicamente, quando então as superfícies dos pratos são “divididas” em trilhas, setores e cilindros. As trilhas são faixas concêntricas numeradas da borda para o centro e divididas em (milhões de) setores de 512 bytes. Quando o drive conta com dois ou mais pratos, o cilindro corresponde ao conjunto de trilhas de mesmo número existente nos vários pratos (o cilindro 1 é formado pela trilha 1 de cada face de cada disco, o cilindro 2, pela trilha 2, e assim por diante). O primeiro setor – conhecido como setor de boot, setor zero, trilha zero ou MBR – abriga o gerenciador de boot, as tabelas de alocação de arquivos usadas na formatação lógica (feita pelo próprio usuário quando da instalação do sistema) das partições inicializáveis e outros dados inerentes à inicialização do computador. Note que setor e cluster são coisas diferentes: o primeiro é a menor unidade física do HDD, ao passo que o segundo, geralmente formado por um conjunto de setores, é a menor unidade lógica que o SO é capaz de acessar

Já os SSDs não têm motor, discos, nem quaisquer outras peças móveis. Seus componentes básicos são a memória flash ― onde os dados são armazenados como na RAM, o que torna o processo de leitura e gravação muito mais veloz ― e o controlador, que gerencia o cache de leitura e gravação de arquivos, criptografa informações, mapeia trechos defeituosos da memória, e por aí afora. Sua adoção vem sendo feita de forma gradativa, notadamente em máquinas mais caras, até porque o preço do gigabyte nesse tipo de memória é bem maior que nos HDDs convencionais.

Observação: Existem também os drives híbridos, que combinam uma unidade SSD de pequena capacidade com um HDD convencional e proporcionam desempenho melhor a preço menor. A memória flash funciona como cache, armazenando e garantindo acesso rápido aos arquivos utilizados com maior frequência (sistema e aplicativos), enquanto os discos magnéticos se encarregam dos demais dados (músicas, vídeos e arquivos pessoais). O processo é transparente e automático, e tanto o usuário quanto o SO "enxergam" o conjunto como se ele fosse um drive comum.

Continuamos na próxima, pessoal. Até lá.

MONTESQUIEU NÃO CHEGOU AO BRASIL 

O Brasil é um país estranho. Já completamos o primeiro trimestre e nada, de fato, ocorreu na política nacional — além, obviamente, das estarrecedoras revelações que vieram a público com a suspensão do sigilo da “Lista de Fachin”. Lula continua solto, posando de salvador da pátria, e Dilma, vomitando seus estapafúrdios discursos mundo afora, ora em portunhol capenga, ora num hilário arremedo de francês de galinheiro.  

Em suma, tudo passa pelo Judiciário. É como se os outros dois poderes — Executivo e Legislativo — fossem apenas meros apêndices da estrutura de poder. Nunca na história recente da democracia brasileira este desequilíbrio esteve tão evidente. Juízes, desembargadores e ministros ocupam o primeiro plano da cena política. São os atores principais. Abandonaram os autos dos processos. Ocupam os microfones com naturalidade. Discursam como políticos. Invadem competências de outros poderes, especialmente do Legislativo. No caso do Supremo Tribunal Federal, a situação é ainda mais grave. Aproveitando-se da inércia do Congresso Nacional, o STF legisla como se tivesse poder legal para tal, interpreta a Carta Magna de forma ampliada, chegando até a preencher supostas lacunas constitucionais. Assumiu informalmente poderes constituintes e sem precisar de nenhum voto popular. Simplesmente ocupou o espaço vazio.

O projeto criminoso de poder petista ao longo de 13 anos destruiu a institucionalidade produzida pela Constituição de 1988. Cabe registrar que até então não tínhamos um pleno funcionamento das instituições. Contudo, havia um relativo equilíbrio entre os poderes e um respeito aos limites de cada um. Mas este processo acabou sendo interrompido pelo PT.

O petrolão foi apenas uma das faces deste projeto que apresou a estrutura de Estado. E que lá permanece. Depois de quase um ano da autorização para a abertura do processo do impeachment, pouco ou nada foi feito para despetizar a máquina governamental. Pedro Parente, quando assumiu a presidência da Petrobras, afirmou que havia uma quadrilha na empresa. Porém, o tempo passou e nada foi apresentado. O que sabemos sobre a ação do PT e de partidos asseclas na empresa deveu-se à ação da Justiça. Foram efetuadas investigações internas? Funcionários foram punidos? Os esquemas de corrupção foram eliminados? A empresa buscou ressarcimento do assalto que sofreu? Como explicar que bilhões foram desviados da Petrobras e seus gestores não foram sequer processados?

Se a nova direção da Petrobras foi omissa, o mesmo se aplica a um dos pilares do projeto criminoso de poder petista, o BNDES. Foi um assalto. Empréstimos danosos ao interesse público foram concedidos sem qualquer critério técnico. Bilhões foram saqueados e entregues a grupos empresariais sócios do PT. Porém, até o momento, Maria Silvia Bastos Marques não veio a público expor, ainda que sucintamente, a situação que encontrou ao assumir a presidência do banco. E os empréstimos a Cuba? E às republicas bolivarianas? E para as ditaduras da África negra?

Não é possível entender o silêncio das presidências da Petrobras e do BNDES. Por que não divulgam a herança maldita que receberam? Desinteresse? Medo? Não é politicamente conveniente? Por que os brasileiros só tomaram — e continuam tomando — conhecimento das mazelas da Petrobras e do BNDES através dos inquéritos e processos judiciais? Por que os presidentes, ex-diretores e demais responsáveis não foram processados pelos novos gestores?

Se o Executivo continua refém da velha ordem, o mesmo se aplica ao Legislativo. O Congresso Nacional se acostumou ao método petista de governar. Boa parte dos parlamentares foram sócios da corrupção. Receberam milhões de reais indiretamente do Estado. Venderam emendas constitucionais, medidas provisórias, leis e até relatórios conclusivos de comissões parlamentares de inquéritos. Tudo foi mercantilizado. E os congressistas participantes do bacanal da propina lá continuam. Desta forma, diversamente de outros momentos da nossa história (1961, 1964 e 1984-85), o Congresso não tem voz própria na maior crise que vivemos. Quais deputados e senadores poderão se transformar em atores à procura de uma solução política? Quem tem respeitabilidade? Quem fala em nome da nação?

Tanto no Executivo como no Legislativo a velha ordem se mantém com apenas pequenas alterações. Colaboradores ativos do petismo, sócios entusiasmados do maior saque estatal da nossa história, ocupam importantes postos nos dois poderes. Há casos, como o de Leonardo Picciani, que seriam incompreensíveis a algum analista estrangeiro que não conhecesse a hipocrisia da política brasileira. O deputado votou contra a abertura do processo do impeachment e, mesmo assim, foi premiado com o cargo de ministro do novo governo. Boa parte da base parlamentar que sustentou os governos criminosos do PT agora apoia Michel Temer, sem, em momento algum, ter efetuado alguma autocrítica.

É justamente devido às contradições dos outros dois poderes que o Judiciário acabou invadindo o espaço que constitucionalmente não é o seu. Isto não significa que opere sem divergências. Pelo contrário. Basta recordar os constantes atritos entre os responsáveis pela Lava-Jato e alguns ministros do STF, o que também não é recomendável.

O que é inquestionável é o desequilíbrio entre os poderes. Mais ainda, a supremacia do Judiciário. É um desserviço ao Estado democrático de Direito o enorme poder dos juízes, também porque, mas não apenas por isso, sequer receberam um voto popular. E continuam incólumes ao controle democrático. O que diria o Barão de Montesquieu de tudo isso?

Postagem criada com base em texto do historiador Marco Antonio Villa.

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terça-feira, 18 de abril de 2017

SOBRE O SUPOSTO DESGASTE PREMATURO DO COMPUTADOR EM DECORRÊNCIA DE FREQUENTES DESLIGAMENTOS E AS DEMAIS OPÇÕES DE DESLIGAMENTO DO WINDOWS

O MERCOSUL É A UNIÃO ENTRE O BOM GOSTO E A SOBRIEDADE DOS BRASILEIROS, A HONESTIDADE DOS PARAGUAIOS, A ALEGRIA DOS URUGUAIOS, A SIMPLICIDADE E HUMILDADE DOS ARGENTINOS E A SINCERIDADE DOS CHILENOS.

É incontestável que qualquer dispositivo elétrico ou eletroeletrônico “sofra mais” no momento em que é ligado ― por isso que é mais comum uma lâmpada queimar no instante em que a acendemos do que simplesmente se apagar “do nada”, minutos ou horas depois de acesa (embora isso também possa ocorrer, naturalmente). No caso do PC, todos os componentes são sensíveis, em menor ou maior grau, a variações e surtos de tensão, mas o HDD (sigla para disco rígido, que, no idioma do Tio Sam, é chamado de Hard Disk Drive) sempre foi o mais susceptível.

Por se tratar de um dispositivo eletromecânico, o disco rígido tem partes móveis, como os atuadores, que movem as minúsculas cabeças de leitura e gravação ao longo de toda a superfície dos pratos ― que por sua vez giram milhares de vezes por minuto em torno de um eixo acionado por um motor ―  para “ler e escrever” os bits que compõem os arquivos digitais mediante a inversão de polaridade das moléculas de uma camada de óxido de ferro que... bem, podemos economizar tempo e espaço se você acessar o resumo que eu apresentei a respeito nesta postagem.

Mesmo os PCs do final do século passado podiam ser ligados e desligados milhares e milhares de vezes antes de o HDD “pifar”. Claro que nada é eterno, muito menos a vida útil desse componente, mas era mais comum o computador se tornar obsoleto e ser substituído antes de o disco rígido apresentar problemas de funcionamento, a menos, naturalmente, que fosse fulminado por um pico de tensão ou danificado por um apagão inesperado na rede elétrica ― daí a importância de a gente usar um no-break ou, no mínimo, um estabilizador de tensão de boa qualidade, como você pode conferir nesta postagem.

Novas tecnologias tornaram os HDDs mais resistentes a impactos e solavancos (que castigam mais os computadores portáteis que os de mesa, mas enfim...), além de menos suscetíveis aos inevitáveis “distúrbios” da rede elétrica. Todavia, continua valendo a recomendação de jamais desligar o computador puxando o cabo energia da tomada, e sim abrir o menu Iniciar e clicar em Desligar. Dessa forma, o sistema encerrará adequadamente os aplicativos, processos e serviços, finaliza a sessão e só então cortará o fornecimento de energia, prevenindo a corrupção de arquivos e eventuais danos físicos no disco rígido.

Observação: De uns tempos a esta parte, passou a ser possível desligar o computador com segurança através do botão de power (tanto nos notebooks quanto nos desktops). Todavia, convém tomar cuidado para não o manter pressionado por mais tempo do que o necessário, pois, ao cabo de 5 segundos, o desligamento será feito “na marra”, como se o cabo de energia fosse desconectado da tomada. Essa opção deve ser reservada para ocasiões extremas, quando um travamento severo do sistema impede que ele seja desligado pelas vias convencionais.

Enfim, o que me levou a essas considerações preambulares foi a velha dúvida sobre o que é mais conveniente: desligar o computador durante intervalos curtos, como na hora do almoço ou do lanche da tarde, por exemplo, ou mesmo no final do dia, para não amargar os “intermináveis” minutos que a máquina levará para ficar pronta para uso na manhã seguinte. No entanto, como este texto já se alongou demais, o resto vai ter de ficar para o próximo post. Até lá.

PONDO OS PINGOS NOS IS

A “Delação do Fim do Mundo” deu origem à “Lista de Janot”, que resultou na “Lista de Fachin”, que caiu como uma bomba no Congresso. Menos pela divulgação dos nomes dos envolvidos ― que já eram conhecidos devido a diversos vazamentos ― e mais pela nova dimensão que o levantamento do sigilo dos depoimentos de Marcelo Odebrecht e de outros ex-diretores do Grupo vêm dando aos fatos, que são ainda mais estarrecedores quando ouvidos da boca dos delatores.

É certo que só teremos uma ideia do real tamanho desse imbróglio depois que cada inquérito for analisado, mas é igualmente certo que, pelo que veio a público até agora, nosso sistema político não tem como se sustentar por muito mais tempo. Isso é ponto pacífico. Por outro lado, convocar eleições “diretas já”, como defendem alguns, não é a solução.

Não que o atual governo seja grande coisa. O fato de vir produzindo resultados, notadamente no âmbito da Economia, chega a ser espantoso, considerando que Temer carece de respaldo popular, está cercado de ministros investigados por práticas pouco republicanas e é dependente de um Congresso que não passa de um covil de corruptos comandado por “Botafogo” e “Índio” ― apelidos pelos quais figuram conhecidos os presidentes da Câmara e do Senado nas planilhas espúrias do departamento de propina da Odebrecht. E são essas lamentáveis figuras, nessa mesma ordem, que responderão interinamente pela presidência da Banânia se a chapa Dilma-Temer for cassada antes do final do mandato de Michel Temer.

Alimentar esperanças de o país melhorar com a deposição do atual presidente seria o mesmo que escrever a Papai Noel e ficar esperando resposta. Rodrigo Maia e Eunício Oliveira são investigados por corrupção passiva e lavagem de dinheiro; Temer só escapou de um inquérito para chamar de seu porque seu cargo lhe confere imunidade provisória. Como dizem os americanos, BETTER THE DEVIL YE KEN THAN THE DEVIL YE DON'T (melhor ficar com o diabo que conhecemos do que o que não conhecemos, numa tradução livre).

E ainda que o povo tomasse vergonha e exigisse o afastamento imediato de todos os ministros, senadores, deputados e governadores sob suspeita ― não se trata de fazer pré-julgamento, mas de exigir um mínimo de moralidade, até porque todos os que investigados que, comprovadamente, não tivessem nada a ver com o peixe seriam prontamente reconduzidos a seus cargos, como acontece em democracias mais civilizadas ―, quem herdaria a coroa e o cetro seria a ministra Cármen Lúcia. Não se nega que ela vem fazendo um bom trabalho à frente do STF, mas daí a achar que se daria bem na presidência da República, num cenário como o atual, é o mesmo que acreditar na Fada do Dente.

A despeito de Temer ter sido conivente com as patifarias praticadas pela anta vermelha ― e de ter flanado confortavelmente no vácuo da sacripanta quando era vice-presidente da Banânia, beneficiando-se dos recursos milionários que propiciaram a reeleição da chapa em 2014 ―, em vez de sairmos às ruas gritando “Fora Temer”, deveríamos, isso sim, apoiar seu governo e torcer para que ele realmente consiga aprovar as reformas impopulares, mas indispensáveis, que são o primeiro passo na longa e espinhosa caminhada rumo ao crescimento do qual o PT nos desviou na última década, por conta de seu ominoso projeto de poder.

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segunda-feira, 17 de abril de 2017

PARCERIA ENTRE A SSP SP E A ANATEL AGILIZA BLOQUEIO DE CELULARES ROUBADOS

TIRANDO A MULHER, O RESTO É PAISAGEM.

Visando reduzir furtos e roubos de celulares (estima-se que mais de 1.000.000 de aparelhos sejam subtraídos por ano, no Brasil, mas o número pode ser bem maior, já que muitas pessoas não registram queixa na polícia), o governador Geraldo Alckmin anunciou, no último dia 20, uma parceria entre a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e a Anatel, visando agilizar o bloqueio dos aparelhos subtraídos e, consequentemente, desestimular os receptadores, que substituem o SIM CARD e em seguida revendem o produto do ato ilícito a consumidores desavisados ou igualmente desonestos. 

Doravante, a Polícia Civil poderá bloquear os aparelhos no momento em que o respectivo boletim de ocorrência for registrado, sem precisar recorrer às operadoras ― até então, era preciso solicitar os bloqueios caso a caso. Isso não só propicia maior agilidade no cancelamento das estações móveis, mas também permite o redirecionamento dos agentes atualmente responsáveis pelo bloqueio de IMEIs para outras tarefas policiais.  

Observação: O IMEI está para o celular assim como o número da carteira de identidade está para os cidadãos. Todo aparelho é identificado por um código exclusivo, que deve ser informado à polícia no momento em que o usuário dá parte à polícia do furto ou roubo ― caso de perda, não ficou bem claro se o próprio usuário poderá solicitar o cancelamento à operadora ou se terá de registrar um boletim de ocorrência para que isso seja feito pela autoridade policial).

O IMEI vem impresso na carcaça do celular, sob a bateria, bem como na etiqueta colada na embalagem original, além de constar da nota fiscal. No entanto, você pode visualizá-lo na tela do próprio aparelho, bastando digitar no teclado o código *#06#. Faça isso o quanto antes, anote o número numa caderneta ou agenda e guarde em lugar seguro. Tomara que você não precise usar, mas, se precisar, é melhor ter.

A LISTA DE FACHIN E O PORCO ALADO

Congresso Nacional ficou às moscas, na tarde da última terça-feira, depois que a divulgação da Lista de Fachin o atingiu como uma bomba ― o que não deixa de ser curioso, pois a seleta confraria de delatados já sabia que sua batata estava assando. Aliás, o nome de boa parte do dos políticos envolvidos em maracutaias com a Odebrecht já era de conhecimento público, pois os vazamentos vinham ocorrendo desde a homologação da “Delação do Fim do Mundo” pela ministra Carmem Lucia.

Na verdade, o que a (tão esperada por uns e tão temida por outros, dependendo do lado do balcão em que se está) suspensão do sigilo sobre os inquéritos nos dá é a exata dimensão da participação de cada um dos 98 investigados ― ao todo, Janot havia encaminhado 320 pedidos ao Supremo, que resultaram em 83 aberturas de inquérito, 211 declínios de competência para outras instâncias da Justiça e 7 arquivamentos. Sem nomes inesperados, o que chama a atenção é a proporção de senadores: 24, quase 30% do total de 81, contra 39 deputados, menos de 10% dos 513. Somados, esses alvos são mais que suficientes para paralisar o Congresso, inclusive a votação da reforma da Previdência.

A lista atinge todo o mundo político, até os presidentes da Câmara e do Senado ― Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, respectivamente. Nem Michel Temer escapou, embora não deva ser alvo de um inquérito devido à “imunidade provisória” que o cargo lhe confere. Sobrou para todo mundo, de próceres petistas que já haviam sido condenados no mensalão e no petrolão ― como José Dirceu e José Genoino ― aos presidentes dos principais partidos políticos ― Aécio Neves, do PSDB, e Romero Jucá, do PMDB, que encabeçam o ranking com 5 inquéritos cada.

Impressiona a cantilena dos denunciados, que, invariavelmente, repudiam as acusações. Claro que não seria de se esperar que eles assumissem publicamente os malfeitos que lhes são imputados. Nessa hora, independente do partido a que pertencem, todos são discípulos aplicados do grão-mestre ― a autodeclarada alma viva mais honesta da galáxia, que, somados aos 5 processos em que já era réu, os novos pedidos de inquérito elevam o placar a 12. E, cá entre nós, a tese esposada pela esmagadora maioria dos investigados, de que os delatores mentem deslavadamente, não convenceria nem mesmo a finada Velhinha de Taubaté! De acordo com o procurador Deltan Dallagnol, desde o início da Lava-Jato, há 3 anos, nenhum delator mentiu. Alguns omitiram, mas mentir, ninguém mentiu. E nessa coisa imensa da Odebrecht, nem o maior ficcionista imaginaria uma história assim, com o esquema detalhado do jeito que foi. 

Há uma clara evidência de que este sistema, do jeito que está montado, acabou. Temos que começar tudo de novo, mas como fazê-lo com o Congresso que aí está? Ou com o próximo que será eleito? A saída aponta para uma Assembleia Nacional Constituinte, composta por um time suprapartidário que não tenha mandato parlamentar e que seja impedido de se candidatar nas próximas eleições.

Outra solução, bem mais simples, seria os eleitores simplesmente não comparecerem às urnas em 2018. Em peso. Em peso. Mas isso está fora de cogitação. Seria mais fácil um porco criar asas.

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