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sexta-feira, 19 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE OVNIs UAPs E AFINS

AUSÊNCIA DE EVIDÊNCIA NÃO É EVIDÊNCIA DE AUSÊNCIA. 

No entendimento de Newton, "o tempo absoluto, verdadeiro e matemático, sem relação a nada de exterior, escoa uniformemente e se chama duração". Kant, por seu turno, via o tempo como a estrutura pela qual percebemos nossos próprios estados mentais. Já segundo as equações relativísticas de Einstein, tempo e espaço formam uma única estrutura, e a dilatação do tempo decorre tanto da velocidade quanto da gravidade.

Sectários das religiões abraâmicas e criacionistas acreditam no Gênesis e no bispo irlandês James Ussher, segundo os quais Deus criou o mundo e tudo que nele existe em sete dias contados a partir das 9h da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C. 

Dar por verdadeiras essas bobagens em pleno século XXI é tão ridículo quanto acreditar que a Terra é plana — mas Saramago não disse que a pior cegueira é a mental, e Einstein, que o Universo e a estupidez humana são infinitos? 

De acordo com o modelo cosmológico padrão, que é a melhor explicação científica disponível para o surgimento do cosmos, tudo começou com o Big Bang há 13,8 bilhões de anos. A partir de então, o Universo vem se expandindo em todas as direções — pelas estimativas mais recentes, essa "bolha" tem 46.5 bilhões de anos-luz de raio (cerca de 440 sextilhões de quilômetros).

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Quando disse que os idiotas dominariam o mundo (não pela capacidade, mas pela quantidade), Nelson Rodrigues esqueceu que boa parte dele pertence ao imprestáveis. Falando nessa escumalha, Dudu "Bananinha" Bolsonaro virou réu por articular sanções dos Estados Unidos para intimidar ministros do Supremo e está na bica de ser condenado. 

O julgamento vai revirar um baú que inclui a revogação dos vistos de oito togas, as sanções da Lei Magnitsky e o tarifaço de 50% de Trump contra exportações do Brasil, revogado posteriormente, e a condenação vai doer na campanha do irmão mais velho, cuja visita à Casa Branca levou a calopsita alaranjada a ameaçar o Brasil com novo tarifaço. 

Nada é certo neste mundo, a não ser a mania do clã Bolsonaro de morder qualquer desejo sem antes se certificar de que não tem um anzol oculto. A família do mito digere tudo o que vem de Trump, das iscas aos anzóis, mesmo sabendo que não vão lhes fazer bem. 

Ainda sobre imprestáveis, a calopsita alaranjada enfrenta a crise dos 'Três Ps'. Faltam-lhe paz, prudência e popularidade. EUA e Irã anunciaram ter chegado a um acordo preliminar a ser assinado nesta sexta-feira, mas nem por isso o conflito desaparecerá no Oriente Médio, a sensatez brilhará em Washington e o alarme da impopularidade será desligado na Casa Branca.

A obscuridade é denunciada pela ausência de detalhes. Seria arriscado descartar imprevistos até o momento da assinatura, e ainda mais temerário desconsiderar o risco de novo curto-circuito nos 60 dias previstos para o arremate do acordo.

A precariedade do arranjo foi realçada por Israel ao realizar na segunda-feira novo ataque contra o Líbano. Netanyahu está preso aos compromissos de Trump por grilhões de barbante, e o acerto é incerto, de resto, porque o Irã não parece disposto a erradicar seu programa nuclear — principal pretexto para o início da guerra.

Seduzido por Netanyahu, o chefe da Casa Branca arrastou os Estados Unidos para a guerra imaginando que conquistaria o troféu de uma mudança de regime no Irã. Descobriu que há males que vêm para pior. O assassinato do aiatolá Ali Khamenei deflagrou uma transição da teocracia sanguinolenta para o poder militarizado, submetido às conveniências da temível Guarda Revolucionária.


Se comprimíssemos toda a história do Universo em um único ano — o famoso "calendário cósmico" de Carl Sagan —, toda a história humana registrada caberia nos últimos 10 segundos do dia 31 de dezembro. Considerando que a vida humana média é de 80 anos, isso representa uma proporção de aproximadamente 1 para 170 milhões em relação à idade do Universo — daí o tempo astronômico ser incomensuravelmente maior do que aquele que experimentamos no cotidiano.

Nosso sistema solar se formou há cerca de 5 bilhões de anos, e a Terra, aproximadamente 500 milhões de anos depois. Os dinossauros foram extintos há cerca de 66 milhões de anos, no limite entre os períodos Cretáceo e Paleogeno, provavelmente em consequência do impacto de um asteroide na região do atual México (cratera de Chicxulub).

Falamos em milhões, bilhões e trilhões com a naturalidade de quem não tem a menor ideia do que essas grandezas significam. A título de contextualização, 66 milhões de anos correspondem a aproximadamente 2 quatrilhões de segundos. Como contar em voz alta de zero a um milhão demoraria cerca de 23 dias, chegar a um bilhão levaria entre 153 e 230 anos — a estimativa varia porque, embora um bilhão de segundos corresponda a pouco mais de 31 anos, os números se tornam progressivamente mais longos de pronunciar, além do que as pessoas precisam dormir, comer e satisfazer outras necessidades fisiológicas, e isso limitaria a contagem a cerca de 16 horas por dia.

A Solar Parker Probe — sonda espacial mais veloz já lançada pela NASA — alcançou 692 mil km/h (cerca de 0,064% da velocidade da luz) no final de 2024, impulsionada pela gravidade solar. Vale destacar que a luz se propaga no vácuo a aproximadamente 300 mil km/s, e que essa é a velocidade limite no Universo — segundo Einstein, nada contendo massa pode atingir essa velocidade, pois, à medida que um objeto acelera, sua massa aumenta, tendendo ao infinito conforme se aproxima da velocidade da luz. 

Ainda assim, a velocidade da sonda retrocitada permitiria ir da Terra a Netuno em menos de 9 meses — uma façanha notável, considerando que a Voyager II demorou 12 anos e a New Horizons, 8,5 anos para percorrer distâncias comparáveis.

Concluída esta introdução, a pergunta que se impõe é: se os demais planetas do nosso sistema solar e suas respectivas luas são inabitados, como explicar os avistamentos de UAPs (Unidentified Aerial Phenomena) que não podem ser catalogados como balões meteorológicos, drones, ilusões de óptica ou projetos secretos desenvolvidos pelos EUA, Rússia ou China?

Continua…

quarta-feira, 17 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — OS DEZ (OU QUINZE?) MANDAMENTOS

PER ASPERA AD ASTRA.

O fato de a Bíblia ser uma compilação de lendas e relatos fantásticos não diminui sua influência, mas é importante não confundir mitos com evidências factuais.


O literalismo religioso leva à aceitação de dogmas e crenças arcaicas em detrimento de descobertas científicas, o que dá razão, cada qual à sua maneira, a dois iconoclastas do século XX: a Einstein, que teria afirmado não ter certeza sobre a infinitude do universo, mas estar convicto da infinitude da estupidez humana; e a Saramago, cujo romance premiado com o Nobel sugere que o pior tipo de cegueira é a mental.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Daniel Vorcaro foi tirado do isolamento do presídio federal de Brasília no pressuposto de que colaboraria com a Justiça, mas suas duas propostas de delação foram rejeitadas. 

Instado a decidir onde vai enfiar o preso, o relator da encrenca, ministro André Mendonça, terá que desagradar a alguém, pois ninguém quer hospedar o ex-banqueiro em Brasília.

No momento, Vorcaro está trancado numa sala especial da Superintendência da PF em Brasília — mesma em que ficou Bolsonaro —, mas a PF requisitou sua transferência para uma cela comum. Ele poderia ser devolvido ao presídio federal, mas seus gestores alegam que a unidade foi concebida para isolar chefes de facções criminosas, não presos temporários.

Chamado de Papudinha, o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF seria uma alternativa, mas ele abriga o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, subornado por Vorcaro, que negocia um acordo de delação, e o comando do presídio alega informalmente que não consegue garantir a ausência de contato entre corrupto e corrompido.

André Mendonça percebe que tirar gênios da garrafa é mais fácil do que colocá-los de volta. No limite, pode manter Vorcaro sob os cuidados da PF, autorizando a realocação do preso numa cela convencional, no mesmo prédio. Só não faria sentido enviar o ex-quase-futuro-delator para a prisão domiciliar, como deseja a defesa.

A conferir.


O conhecimento é uma ferramenta e, como tal, seu impacto está nas mãos do usuário. Experimentos heterodoxos — parte deles publicados em periódicos revisados por pares, parte ignorados pelo establishment científico — sugerem que o crescimento de plantas, o comportamento de animais em cativeiro e até processos celulares podem responder à presença e à intenção humanas de maneiras que nossos modelos ainda não explicam satisfatoriamente.


Se o mantra "a mente domina a matéria" é mais do que uma frase de efeito extraída dos livros de autoajuda é uma questão em aberto — sobretudo quando a física quântica demonstra que, no mundo subatômico, a simples intenção de observar uma partícula altera seu comportamento. Se esse princípio opera apenas na escala do elétron ou ressoa em níveis maiores da realidade é algo que a ciência ainda não comprovou.


Controlar o "verdadeiro poder do pensamento" exige treinamento, e a história sugere que pouquíssimos indivíduos se tornaram verdadeiros mestres nisso — e esse pode ser o elo perdido entre a ciência moderna e o misticismo antigo. A história abençoou a humanidade com Buda, Jesus, Maomé e outras mentes profundamente iluminadas, cuja compreensão dos mistérios espirituais e intelectuais pode superar muito do que hoje chamamos de entendimento. No entanto, os livros mais estudados do mundo são justamente os menos compreendidos.


Einstein e Hawking foram gênios modernos reverenciados por seus pares, mas quase ninguém lê Ptolomeu, Pitágoras e Arquimedes — apesar de seu conhecimento científico ser impressionante. Os antigos egípcios dominavam na prática princípios que a ciência ocidental levaria milênios para formalizar — como se o conhecimento fosse uma roda que a humanidade insiste em reinventar. E o trabalho dos primeiros alquimistas era suficientemente sofisticado para ser considerado precursor do que hoje chamamos de química.


Toda cultura tem seu próprio livro sagrado — para os cristãos, a Palavra é a Bíblia; para os muçulmanos, o Alcorão; para os judeus, a Torá; e assim por diante. No fundo, todos guardam estruturas semelhantes e sobreviveram a tantas turbulências ao longo de milênios graças a suas alegorias, simbolismos e parábolas — que escondem, segundo seus intérpretes mais atentos, um vasto acervo de conhecimentos até hoje incompreendidos, já que a linguagem usada pelos profetas para compartilhar seus segredos seria deliberadamente cifrada.


O que hoje chamamos de Bíblia — mais especificamente o Novo Testamento — consolidou quatro evangelhos canônicos: os de Mateus, Marcos, Lucas e João. Mas isso está longe de ser o quadro completo. Nos primeiros séculos do cristianismo, circularam dezenas de evangelhos apócrifos — entre os quais os de Tomé, Filipe, Maria Madalena e Judas. Em outras palavras, o cristianismo primitivo era mais plural do que a versão "oficial" que chegou até nós.


O Evangelho segundo Marcos diz: "A vós é dado saber os mistérios… mas… todas essas coisas se dizem por parábolas." Os Provérbios advertem que as palavras dos sábios são "enigmas". O Evangelho de João anuncia: "Falarei em parábolas… e direi coisas ocultas", enquanto Coríntios afirma que as parábolas têm duas camadas de significado.


Não por acaso, os monges cristãos estudaram incansavelmente as Escrituras, e os místicos e cabalistas judeus se debruçaram sobre o Velho Testamento durante séculos. O matemático, físico, astrônomo, alquimista e teólogo Isaac Newton — descrito por seus contemporâneos como um "filósofo natural" — escreveu mais de um milhão de palavras na tentativa de decifrar o verdadeiro significado das Escrituras.


Sir Francis Baconque era rosa-cruz e escreveu A Sabedoria dos Antigos — esteve envolvido no projeto da Bíblia King James em que medida exatamente, os historiadores ainda debatem, mas ficou tão convencido de que as Escrituras continham um significado cifrado que criou seus próprios códigos, estudados até hoje. Até mesmo o poeta iconoclasta William Blake sugeriu em seus versos que devemos ler nas entrelinhas: "Nós dois lemos a Bíblia dia e noite, mas tu lês negro onde eu leio branco."


Ao contrário das tábuas com os mandamentos, a formação do cânon não caiu do céu: foi um longo processo que envolveu debates teológicos, disputas políticas e interesses institucionais. Segundo o Êxodo 19–20 e 31–34, o Deus do Velho Testamento entregou a Moisés duas tábuas de pedra com os dez mandamentos. Mas uma anedota clássica do humor judaico, encenada por Mel Brooks no filme History of the World, Part I (1981), condensa com ironia cirúrgica toda a arbitrariedade desse processo: Moisés desce do Monte Sinai carregando três tábuas e anuncia solenemente: "O Senhor, Deus de Israel, deu-vos estes quinze..." — e aí uma das tábuas escorrega e se despedaça no chão — "...dez mandamentos!"

O texto bíblico alimenta essa imaginação porque narra de fato a quebra das tábuas: quando Moisés desce o monte e encontra o povo adorando o Bezerro de Ouro, ele as arremessa com raiva (Êxodo 32:19). Depois, Deus manda esculpir um segundo par (Êxodo 34), que seria a versão guardada na Arca da Aliança.


Ou seja, há de fato duas versões das tábuas na narrativa bíblica — o que torna a piada de Brooks ainda mais inteligente, pois brinca com um elemento que já está no texto original. Continua…

segunda-feira, 1 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE RELIGIÃO X CIÊNCIA

COSTUMAMOS ACHAR QUE O PIOR VAI ACONTECER PORQUE, QUANDO NÃO ACONTECE, O QUE É RUIM NOS PARECE RAZOÁVEL.


Como vimos no capítulo anterior, a possibilidade de existir um “ser superior” é plausível. No entanto, entre admitir essa hipótese e acreditar num 'criador' que distribui livre-arbítrio, recompensa os virtuosos e pune os pecadores, estende-se um abismo conceitual cuja travessia exige um considerável exercício de fé. Até porque qualquer pessoa minimamente inclinada ao questionamento refutaria a promessa de passar a eternidade tocando harpa num paraíso celestial ou assando no braseiro de um suposto “anjo caído”. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, em vigor há quase quatro meses, vem dificultando o gerenciamento da crise provocada pelos áudios e mensagens trocados entre Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro sobre o repasse de R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse”.

Desde 29 de janeiro, por decisão de Moraes, o ex-presidiário do mensalão e dono do PL, Valdemar Costa Neto, está proibido de se encontrar com o ex-presidente golpista, que está cumprindo 27 anos e três meses de prisão em regime temporariamente domiciliar.

Segundo aliados, o presidente do PL prefere Michelle a Flávio, mas nunca vai admitir em público e nem contrariar Bolsonaro, pois foi o capital eleitoral do ex-presidente quem lhe deu a maior parte da bancada e, portanto, dos fundos públicos aos quais seu partido tem direito.

Como os dois não podem conversar, Bolsonaro só tem acesso a informações sobre o cenário político pela imprensa, pelos filhos e pela mulher, Michelle, que não se dão bem e na prática disputam o espólio político de Jair.

Mesmo considerando que seria muito difícil o refugo da história da humanidade desistir da candidatura do filho em favor da mulher, lideranças do PL acreditam que ele poderia mudar de avaliação se pudesse discutir o caso em detalhes com aliados de confiança.

Para integrantes da legenda, Moraes “segue usando sua caneta para impedir comunicações e estratégias do PL”, o que em momentos críticos como o atual pode ser fatal para a direita. O impacto do escândalo já se reflete nas pesquisas eleitorais, como revelou o Datafolha no dia 22, ao apontar que Lula superou numericamente o adversário nas simulações de segundo turno (47% a 43%) na esteira do caso “Dark Horse”. No levantamento anterior, com a maioria das entrevistas realizadas antes do escândalo vir à tona, os dois estavam tecnicamente empatados, com 45%.

Antes de entrar na mira de Moraes e ser proibido de se encontrar com Bolsonaro, Valdemar chegou a atuar em parceria com o ministro do STF, que o chamou de “grande parceiro da Justiça Eleitoral” numa audiência reservada na sede do Tribunal Superior Eleitoral.

Pelo visto, a parceria não existe mais.


Questionar crenças enraizadas é fundamental. Somente pela reflexão se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda. Ainda assim, religiões de diferentes tradições continuam a apresentar tais narrativas como certezas inquestionáveis — embora elas raramente sobrevivam intactas a um escrutínio crítico. No espírito filosófico de Aristóteles, duvidar é o primeiro passo rumo à compreensão. Muito antes dele, Homero e Horácio já insinuavam que o desejo de permanecer na memória coletiva advém do medo inevitável da morte. Séculos depois, Platão ensinou no Mito da Caverna que a sabedoria começa quando ousamos desconfiar das sombras que tomamos por realidade.


Toda religião é verdade absoluta para quem a professa e mera fantasia para sectários de outras crenças. Em pleno século XXI, doutrinas improváveis continuam a mobilizar multidões dispostas a defender rituais e liturgias como se delas dependesse o equilíbrio do Universo. A história, porém, demonstra que convicções sobrevivem menos pela força das evidências e mais pelo conforto emocional que oferecem.


No Brasil — e em tantos outros lugares — ideias desacreditadas há séculos continuam sendo impulsionadas por desinformação, algoritmos complacentes e comunidades digitais fechadas em si mesmas. O terraplanismo talvez seja o exemplo mais emblemático. Ao observar eclipses lunares e mudanças na posição das estrelas conforme a latitude, Aristóteles concluiu há mais de 2 mil anos que a Terra era esférica — o que foi posteriormente confirmada por fotografias orbitais, satélites artificiais e missões espaciais.


Em Ensaio sobre a cegueira, o escritor português José Saramago ensinou que o pior tipo de cegueira é a mental, pois impede as pessoas de enxergar o que está diante delas. Sob essa perspectiva, a Terra plana deixa de ser apenas um equívoco científico para revelar a extraordinária capacidade humana de abraçar teorias estapafúrdias que a realidade insiste em contradizer — afinal, aceitar que a Terra é redonda requer apenas observação.


Deixando de lado essa e outras teses negacionistas, é curioso observar que, escudados durante séculos num ceticismo arrogante, luminares de alto coturno tratam as ciências antigas como superstições ignorantes. Todavia, após avançar às cegas pela história, a comunidade científica se deparou com uma encruzilhada há muito sugerida por textos antigos, calendários primitivos e até pelas estrelas.


Aos olhos dos não iniciados, as descobertas da ciência noética se confundem com prodígios de magia. Mas mito e magia se tornam realidade quando consideramos o potencial ainda não explorado da mente humana. Segundo os pesquisadores noéticos, o pensamento, quando adequadamente direcionado, é capaz de interagir com sistemas físicos mensuráveis.


Não se trata de truques de salão destinados a impressionar plateias crédulas, mas de investigações conduzidas sob condições controladas, cujos resultados sugerem uma interação entre a consciência e a matéria que, se confirmada em toda a sua extensão, indica que nossos pensamentos não só interpretam o mundo físico como participam dele, produzindo efeitos que alcançam até o domínio subatômico.


Talvez nossa mente não seja apenas uma espectadora da realidade, mas também — e sobretudo — sua principal arquiteta.


Continua…

terça-feira, 19 de maio de 2026

COMO LIMPAR A TELA DOS ELETROELETRÔNICOS

PARA RESOLVER OS PROBLEMAS DOS OUTROS, TODO MUNDO TEM SABEDORIA DE SOBRA.

A poeira e a gordura dos dedos maculam a tela de celulares, monitores e televisores. Para fazer a limpeza, recomenda-se usar panos de microfibra — que são macios, não soltam fiapos nem arranham a tela —, evitar solventes à base de aguarrás ou Thinner, limpa-vidros (como Vidrex) e produtos à base de amônia (como Ajax) ou cloro (como Cândida e outras águas sanitárias). 

O mesmo vale para desinfetantes, limpadores em aerossol e polidores de metais (como Kaöl ou Brasso). No caso do álcool, use somente o isopropílico, que não contém água e é menos agressivo.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Em abril de 2020 eu escrevi que o número de apoiadores de primeira hora que questionavam a sanidade mental de Bolsonaro vinha crescendo na mesma velocidade com que seus desafetos se multiplicavam. Dentre os aliados mais notórios que já haviam abandonado o barco, destacava-se o ex-amigo de fé, irmão e camarada Gustavo Bebianno, que era um arquivo vivo da campanha do futuro golpista e estava trabalhando no livro "Uma eleição improvável" (sobre os bastidores da eleição de Bolsonaro) quando morreu subitamente em decorrência de um enfarte.
Filho de um empresário que, nos tempos de vacas gordas, fazia questão de mandá-lo para a Europa, Bebianno cursou Direito na PUC-RJ e fez mestrado em Finanças pela Universidade de Illinois (EUA). Bolsonaro, cujo pai sustentava a família obturando e extraindo dentes (embora jamais tivesse estudado odontologia), cursou a AMAN e serviu nos grupos de artilharia de campanha e paraquedismo.
Em 1986, aos 31 anos de idade, Bolsonaro publicou um artigo em que reclamava do soldo — que lhe rendeu 15 dias de prisão disciplinar. No ano seguinte, voltou à carga com um plano de explodir bombas de baixa potência em quartéis e academias (também como forma de protesto contra os baixos salários dos militares) e acabou sendo excluído do quadro da Escola de Oficiais, mas foi absolvido das acusações pelo Superior Tribunal Militar. Ainda assim, sua carreira no Exército terminou ali.
Em 1988, após deixar a caserna pela porta lateral, Bolsonaro elegeu-se vereador. Dois anos depois, foi um dos deputados federais mais votados no Rio de Janeiro. Ao longo dos 27 anos no baixo clero da Câmara, aprovou 2 míseros projetos e colecionou dezenas de processos.
Em 2014, o advogado Gustavo Bebianno passou a enviar emails de cumprimentos ao deputado Jair Bolsonaro, de quem se declarava fã devido a seu “patriotismo”. Em 2017, ao saber que o então pré-candidato ao Planalto estaria num clube de golfe no Rio, correu para encontrá-lo, levando consigo cópias impressas dos emails (que jamais foram respondidos) como prova da antiguidade de sua admiração. Mais adiante, defendeu seu ídolo em diversos processos sem cobrar um tostão. Foi ele quem levou Bolsonaro para o PSL em março de 2018, quem coordenou sua campanha presidencial e quem presidiu o partido durante as eleições. De acordo com o empresário Paulo Marinho, que abrigou em sua casa o comitê de campanha, houve três grandes responsáveis pela vitória do capetão: Bebianno, o publicitário Marcos Carvalho e o esfaqueador inimputável Adélio Bispo de Oliveira, nessa ordem. O resto é folclore.
Valendo-se da condição de convalescente da facada que levou a um mês do segundo turno do pleito de 2018, Bolsonaro se recusou a participar dos debates — que inevitavelmente exporiam seu acachapante despreparo. Mesmo assim, a récua de muares desprovida de neurônios deu de ombros para os demais postulantes ao Planalto e enviou para o embate final o refuto da escória da humanidade e o preposto do demiurgo de Garanhuns (lembrando que o xamã petista teve a candidatura cassada por estar cumprindo pena em Curitiba). Assim, restou à parcela pensante do eleitorado — que teria votado no próprio Belzebu para impedir a volta do PT apoiar um sujeito tosco, polêmico, oportunista, populista, parlapatão, admirador confesso dos anos de chumbo da ditadura militar e defensor de opiniões "peculiares", digamos assim, sobre tudo e todos. Como era de esperar, essa sumidade se tornaria um mandatário impopular aos olhos de seus governados, um pária aos olhos do mundo e o alvo preferido de uma imprensa que não o suportava — e o sentimento era mútuo. Como todo populista que se preza, Bolsonaro contava com séquito de fanáticos fiéis que o seguiam cegamente — os “bolsomínions”, que somavam cerca 30% do eleitorado e agiam como os militantes esquerdopatas, só que com a polaridade político-ideológica invertida.
Voltando a Bebianno, em reconhecimento pelos bons serviços prestados pelo então amigo e admirador, Bolsonaro nomeou-o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, mas demitiu-o cerca de 40 dias depois, “envenenado” pelas intrigas urdidas pelo "pitbull" Carlos Bolsonaro, que sempre se roeu de ciúmes da amizade do pai com o assessor. E assim teve início o que viria a ser uma longa lista de auxiliares que se converteram em desafetos nos meses subsequentes — entre os quais Alexandre Frota, Joice Hasselmann, o General Santos Cruz e Sérgio Moro — e foram prontamente atacados e tratados como comunistas, antipatriotas e traidores pela súcia de convertidos que, acometidos de cegueira mental, bebiam as palavras do Messias que não miracula. Mais adiante, Bebianno lançou sua pré-candidatura à prefeito do Rio de Janeiro, mas morreu em 14 de março de 2020, aos 56 anos, quando estava em seu sítio em Petrópolis — consta que ele passou mal, sofreu uma queda e foi a óbito. Seu corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal de Teresópolis e o laudo apontou infarto fulminante..
Ao ser demitido, Bebianno disse ter "amor" e "afeto" por Bolsonaro e declarou não ter dúvida de que seu governo “seria um sucesso”. Pouco antes de morrer, reconheceu que devia desculpas ao país por ter viabilizado a candidatura do ex-chefe, que, segundo ele, se tornara arrogante, autoritário e excessivamente influenciado pelos filhos “mimados e soberbos”. Em entrevistas, afirmou que o capetão demonstrava “traços de psicopatia” e que tratava as pessoas como meros capachos. Sua morte gerou especulações nas redes sociais, mas não surgiram evidências concretas que contrariassem a conclusão médica.
“Um dia o Brasil saberá quem Bolsonaro realmente é", disse Bebianno. Vindo de alguém que conviveu intensamente com o dejeto em forma de gente durante a campanha e no início do governo, a declaração ganhou forte repercussão, passou a ser frequentemente lembrada por críticos e ex-aliados e acabou adquirindo um tom quase profético. Para muitos, foi um alerta de alguém que conheceu de perto o funcionamento do núcleo bolsonarista e saiu profundamente decepcionado.


A limpeza deve ser feita com os aparelhos desligados. Monitores e televisores devem ser desconectados da tomada e limpos somente depois que esfriarem, de modo a evitar que o calor crie manchas difíceis de remover. Comece passando um pano de microfibra seco sobre toda a superfície da tela — em movimentos suaves e circulares, sem aplicar pressão. Para remover marcas de dedos ou gordura, umedeça o pano com água filtrada ou destilada (sem encharcar), faça a limpeza e dê acabamento com um pano seco.


Jamais borrife água ou outro líquido diretamente na tela. Evite usar papel toalha, panos ásperos, esponjas ou camisetas velhas, e jamais pressione o display com força durante a limpeza, pois isso pode danificar os pixels ou causar manchas permanentes.

 

Boa faxina.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE VIDA ALIENÍGENA E OVNIs

A FILOSOFIA É COMPOSTA DE RESPOSTAS INCOMPREENSÍVEIS PARA QUESTÕES INSOLÚVEIS.

Aprendia-se nos meus tempos de estudante que nosso sistema solar era formado por nove planetas, que Júpiter era o maior deles e tinha 12 luas, e que Saturno era o único com anéis e era orbitado por nove satélites. Mas não há nada como o tempo para passar.

Em 2006, Plutão foi rebaixado à categoria de objeto transnetuniano, e hoje se sabe que Urano e Netuno também têm anéis; que Júpiter possui 95 satélites, e Saturno, 27. Suspeita-se, inclusive, da existência de um nono planeta nos confins do Sistema Solar, além da órbita de Netuno — a algo entre 400 e 800 unidades astronômicas do Sol — e que sua translação dure algo entre 10 mil e 20 mil anos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Enquanto os pretendentes do PT e do PL figuram nas pesquisas como favoritos na eleição presidencial, a vida real impõe desafios às posições hoje de ponta de Lula e de Flávio Bolsonaro nas intenções de votos. O ponto de convergência nas dificuldades é a rejeição a ambos.

Cada qual atrai razões para tanto desagrado, mas a diferença principal entre eles é que o petista não tem concorrência à esquerda e a substantiva parcela do eleitorado que repudia a reeleição dele é insuficiente para lhe tomar a vaga no segundo turno. Tal hipótese só seria viável — embora improvável — caso prosperasse a ideia de uma desistência em função do derretimento da candidatura.

Já Flávio Bolsonaro — chamado por Haddad de "bolsonarinho", num inspirado lance para marcá-lo como filhote do bolsonarismo — enfrenta resistências internas e externas, além de ser refém da própria vulnerabilidade. E aqui não se trata só do passivo de rachadinhas, condecoração de miliciano, empréstimo camarada do Banco de Brasília para compra de mansão na capital. O filho do pai enfrenta concorrência no campo da direita, no qual perde em experiência administrativa para Romeu Zema e Ronaldo Caiado, e em lastro político para Renan Santos e Aldo Rebelo.

Ao rol de fragilidades acrescentem-se um Tarcísio de Freitas distante, uma Michelle descontente, evangélicos reticentes, agronegócio hesitante e um contingente de candidatos, lideranças e militantes de direita relativamente indiferentes à campanha.

Por essas e muitas outras circunstâncias que surgirão ao longo da campanha, nada é garantido para o Bolsonarinho, cujo único capital — o sobrenome — ele mesmo se esforça para renegar em parte, na vestimenta de moderado e vacinado.

Até não muito tempo atrás, eu tinha vergonha da política brasileira. Hoje, tenho nojo!


A existência desse "planeta fantasma" explicaria as órbitas incomuns de certos objetos transnetunianos extremos. As principais evidências vêm da análise das órbitas de corpos do Cinturão de Kuiper e da Nuvem de Oort, mas a baixa luminosidade, a vasta área do céu que precisa ser monitorada e a presença de outros objetos distantes tornam sua detecção direta extremamente difícil.


Outra suposição digna de nota é a de que Encélado — a sexta maior lua de Saturno — seja potencialmente habitável. Ela despertou o interesse dos cientistas em 2008, depois que o analisador de poeira cósmica da sonda Cassini foi atingido por partículas de gelo provenientes de um oceano de água líquida que fica sob a casca do satélite. 


Os pesquisadores reconstruíram os sinais e identificaram uma grande variedade de moléculas contendo carbono, nitrogênio e oxigênio, associadas a processos químicos complexos em ambiente aquoso. Posteriormente, um estudo publicado na revista Nature Astronomy reforçou essa conclusão ao demonstrar que as tais moléculas orgânicas se originam diretamente do oceano, apontando para um ambiente potencialmente habitável.

 

A existência de elementos básicos para a vida em Encélado não significa que homenzinhos verdes — como a ficção dos anos 1950 e 1960 retratava os “marcianos” — habitam outros planetas do Sistema Solar, mas instiga os cientistas a investigar como a vida pode surgir em condições diferentes das da Terra, em ambientes que seriam inviáveis para os seres humanos.


Na astronomia, a zona habitável é apelidada de Cachinhos Dourados, numa alusão ao conto infantil em que a protagonista rejeita o mingau do bebê urso (doce demais) e o do papai urso (salgado demais), mas aceita o da mamãe ursa (que estava “no ponto certo”). Nessa região o planeta recebe de sua estrela uma quantidade de energia semelhante à que a Terra recebe do Sol, o que lhe assegura temperaturas compatíveis com a presença de água líquida em sua superfície.


Embora não haja (ainda) provas cabais da existência de civilizações alienígenas avançadas, não faltam evidências de que vimos sendo visitados por seres extraterrestres desde tempos imemoriais — entre outros exemplos, cito as pirâmides de Gizé, Stonehenge, os Moais da Ilha de Páscoa, o Templo de Júpiter e as Linhas de Nazca. Isso sem falar no sem-número de relatos de avistamentos OVNIs (ou UAPs) que reforça a tese de que, num universo com raio de 46,5 bilhões de anos-luz, 2 trilhões de galáxias, 200 sextilhões de estrelas e o dobro disso em planetas, a inexistência de vida fora da terra seria um enorme desperdício de espaço (como bem observou o cientista planetário Carl Sagan no livro Contato).


Observação: O acrônimo UFO — de unidentified flying object — deu lugar a UAP — de unidentified anomalous phenomena —, mas a explicação oficial ainda é a mesma na maioria dos casos, ou seja, que a origem dos objetos voadores não identificados não é necessariamente extraterrestre. Até recentemente, os OVNIs (ou UFOs, ou UAPs) eram classificados oficialmente como fenômenos atmosféricos mal interpretados ou alucinações coletivas fomentadas por teorias da conspiração, mas, aos poucos, o entendimento das autoridades mudou.


Há quem diga que indícios e evidências não são provas, que tudo isso não passa de coincidência cósmica, que esses números são meras estimativas indiretas baseadas em observações e modelos cosmológicos. A existência de naves alienígenas acidentadas jamais foi confirmada oficialmente, mas tampouco se conseguiu explicar a capacidade de pairar no ar como helicópteros e acelerar a velocidades hipersônicas desses objetos, que parecem ser muito mais avançados que qualquer coisa construída neste planeta.


Einstein teria dito que "o Universo e a estupidez humana são infinitos", José Saramago, que "o pior tipo de cegueira é a mental", e o detetive fictício Sherlock Holmes, que "quando se elimina o impossível, o que sobra, por mais improvável que seja, deve ser a verdade". Em outras palavras argumentar com quem renunciou à lógica é o mesmo que dar remédio a um defunto. 


Em 1947, o Roswell Army Air Field reconheceu que um "disco voador" havia caído na área rural da cidade de Roswell, no Novo México (EUA). Um segundo comunicado à imprensa, porém, dizia tratar-se de um balão meteorológico. O episódio transformou a cidade em ícone da ufologia, e a Area 51, em palco de teorias conspiratórias envolvendo naves e seres alienígenas. 


Entre os anos de 1948 e 1968, o Projeto Blue Book identificou 1.268 relatos de UFOs, dos quais 701 permanecem envoltos em mistério. O mesmo se aplica a 143 dos 144 avistamentos que o Pentágono registrou nas últimas duas décadas. Em 2010, dezenas de oficiais norte-americanos avistaram objetos não identificados pairando sobre silos de mísseis nucleares na Base Aérea de Malmstrom, em Montana. O ex-capitão Robert Salas relatou ter ficado a poucos metros de uma nave vermelha, brilhante, que flutuava acima do portão da frente da instalação. No Brasil, o caso Trindade, a Operação Prato e o ET de Varginha são exemplos emblemáticos de contatos imediatos de diversos graus


Em 2017, um ex-diretor do AATIP entregou ao The New York Times vídeos gravados por caças da Marinha em 2004, 2014 e 2015; num deles, que ficou conhecido como Incidente Nimitz, via-se claramente um objeto oval sem asas nem propulsores visíveis executar manobras impossíveis do ponto de vista aerodinâmico. Em abril de 2025, o Telescópio Espacial James Webb detectou na atmosfera do planeta K2-18b impressões digitais químicas de dois gases — sulfeto de dimetila e dissulfeto de dimetila — que na Terra são produzidos exclusivamente por organismos vivos, principalmente vida microbiana como o fitoplâncton marinho.


Observação: Os pesquisadores foram cuidadosos em não anunciar a descoberta de vida propriamente dita, mas classificaram o achado como uma potencial "bioassinatura" — um indicador de processo biológico. Vale notar que K2-18b está a 124 anos-luz da Terra, o que torna a descoberta ainda mais eloquente.


Em Marte, o rover Perseverance da NASA encontrou em um antigo leito fluvial uma formação rochosa batizada de "Cheyava Falls", cujas análises químicas sugerem que o planeta vizinho pode ter sido o lar de micróbios antigos. A rocha contém moléculas orgânicas à base de carbono, minerais como a vivianita e estruturas em forma de anel que, bilhões de anos atrás, poderiam ter sido forjadas pela vida. Essa descoberta foi descrita como a melhor evidência de vida antiga em Marte encontrada até agora.

Em setembro de 2023, a NASA publicou seu Relatório Final sobre UAPs, reconhecendo que "muitas testemunhas com credibilidade, entre as quais aviadores militares, relataram ter visto objetos que não reconheceram no espaço aéreo dos Estados Unidos". Embora o relatório não conclua formalmente pela existência de vida extraterrestre, a Agência não descarta a possibilidade de "potencial tecnologia alienígena desconhecida operando na atmosfera da Terra".

Na audiência histórica de julho de 2023 no Congresso — a primeira em mais de 50 anos sobre o tema —, David Grusch, ex-oficial de inteligência dos EUA, declarou sob juramento que "não estamos sozinhos, e as autoridades dos Estados Unidos estão escondendo evidências", afirmando que o governo americano possui veículos alienígenas "intactos e parcialmente intactos". Já o comandante David Fravor, veterano da Marinha, descreveu o objeto que avistou em 2004 como "muito superior a qualquer coisa" existente naquela época, hoje, ou que se pretenda desenvolver nos próximos dez anos — e revelou que o incidente jamais foi investigado oficialmente.


Em 2017, o objeto interestelar 'Oumuamua — cujo nome havaiano significa "mensageiro de longe que chega primeiro" — atravessou o Sistema Solar em trajetória altamente hiperbólica, deixando a comunidade científica perplexa. O astrônomo Avi Loeb, de Harvard, argumentou que ele poderia ter atingido altas velocidades a partir de uma vela solar criada por uma civilização extraterrestre — uma hipótese polêmica, mas formulada por um cientista com 30 anos de carreira na Ivy League e centenas de artigos publicados.


O enredo ganhou novo capítulo em julho de 2025, quando um terceiro objeto interestelar — o 3I/ATLAS — foi detectado se aproximando do Sistema Solar a cerca de 217.000 km/h, vindo da direção da constelação de Sagitário. Loeb argumentou que um objeto daquele tamanho dificilmente teria uma origem aleatória: "Não é como se esses objetos estivessem flutuando em todas as direções. Este objeto mirou no sistema solar interno."


É fato que NASA colocou astronautas na Lua e enviou sondas para o espaço interestelar, mas nenhuma tecnologia desenvolvida até agora permitiu cruzar o cosmos a velocidades próximas à da luz ou criar atalhos no espaço-tempo que permitam percorrer milhões ou bilhões de quilômetros numa questão de minutos (ao menos até onde sabemos). Em última análise, basta manter a mente aberta para admitir a possibilidade de existirem civilizações mais desenvolvidas que a nossa e extraterrestres viajando pelo cosmos em busca de outros mundos.


Curiosamente, milhões de pessoas, em pleno século XXI, ainda acreditam que a Terra é plana e negam qualquer possibilidade de vida extraterrestre, mesmo quando confrontadas com a avalanche de fotos que comprovam a esfericidade do planeta e o sem-número relatos de OVNIs que sugerem o contrário. 


Não se nega a esses bocórios o direito de viver dentro de suas bolhas, orbitando certezas que desafiam a gravidade da lógica. Afinal, pode-se derrotar 40 sábios com um único argumento, mas 400 argumentos não bastam para convencer um idiota daquilo que lhe salta aos olhos. 


Continua…