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quarta-feira, 6 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 102ª PARTE

TODOS NÓS VIAJAMOS NO TEMPO À VELOCIDADE DA LUZ, SÓ QUE QUASE NINGUÉM PERCEBE ISSO.

As Leis de Newton elucidaram diversas questões, mas também trouxeram consigo algumas estranhezas teóricas: pessoas que poderiam andar para trás, relógios que retrocederiam da tarde para a manhã e frutas que subiriam do chão de volta para os galhos das árvores. 

Curiosamente, as propostas do polímata britânico não diferenciam o passado do futuro, embora uma das características mais marcantes de nossa experiência cotidiana seja justamente a direcionalidade do tempo.

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Lula está careca de saber que ser político é engolir sapo sem ter indigestão, mas jamais lhe passou pela cabeça que o Senado rejeitaria seu indicado ao Supremo — coisa que não acontecia desde o governo de Floriano Peixoto, na Era Mesozóica desta republiqueta de bananas. 

Em outras palavras, por 42 votos a 34, os senadores atravessaram na traqueia de Lula não um sapo, mas um dinossauro, e o guindaram informalmente à condição de ex-presidente da República no exercício do cargo. 

Num instante em que o impeachment das togas sobe no palanque, os parlamentares enfiaram a deposição de togados supremos na agenda do Senado a ser empossado em 2027 e empurraram outro dinossauro goela abaixo do macróbio, ao derrubar seu veto ao projeto de lei da dosimetria. A dupla derrota se deveu a uma aliança estratégica de Alcolumbre com o Centrão.

Enrolado no escândalo do Master, o presidente do Congresso e os oligarcas dos partidos majoritários do Legislativo se juntaram ao bolsonarismo para enfraquecer Lula e o Supremo e barrar o avanço das investigações do falecido banco de Daniel Vorcaro.

A aliança, que envolveu um acordo para o sepultamento da CPI que investigaria o escândalo, foi urdida nas pegadas das pesquisas que expõem a impopularidade de Lula e o avanço da candidatura de seu principal adversário. Ficou entendido que a cúpula do centrão e Alcolumbre não só enxergam a derrota do petralha-mor na sucessão de 2026, mas também colocam um pé na canoa do filho do presidiário golpista.

Até pouco tempo atrás, eu tinha vergonha dos políticos (e, por que não dizer, do eleitorado) brasileiros. Hoje, tenho nojo!

Em A Ordem do Tempo, o físico Carlo Rovelli reflete sobre essa aparente indistinção entre passado e futuro. Segundo ele, a flecha do tempo aponta do passado para o futuro apenas quando nos afastamos do mundo microscópico em direção ao macroscópico. Isso não significa que o universo seja fundamentalmente orientado no espaço e no tempo, mas sim que percebemos os processos na direção em que a entropia aumenta — a única lei da física com forte direcionalidade temporal, característica que praticamente desaparece quando aplicada a sistemas muito pequenos.

Acreditamos que o passado se foi e que o futuro é incerto, ainda que possamos prever a posição dos astros em qualquer data futura, o dia e a hora do próximo eclipse lunar e a maioria dos efeitos de uma reação física ou química. Mas a concepção de tempo varia de uma cultura para outra: os Aymaras acreditam que o passado está à frente, por ser conhecido e visível, enquanto o futuro permanece às costas, por ser desconhecido e invisível. Já para povos como os Munduruku e os Pirahã, o tempo tende a ser percebido de maneira menos abstrata e linear, privilegiando um presente vivido de forma mais direta, com menor ênfase em projeções distantes no passado ou no futuro.

Não conseguimos prever o que acontecerá na semana que vem, mas não porque o futuro seja intrinsecamente incerto, e sim porque ele envolve uma quantidade de variáveis com as quais nem os computadores mais poderosos conseguem lidar. Já os videntes, cartomantes, quiromantes, astrólogos e horoscopistas contornam esse obstáculo fazendo previsões suficientemente ambíguas para jamais estarem completamente errados.

A maneira como percebemos o tempo e o espaço é, em grande parte, uma construção mental que nos ajuda a compreender o mundo ao nosso redor. Talvez o tempo não exista de forma estritamente linear, com começo, meio e fim, mas como uma dimensão adicional do universo — algo que o cinema tentou representar artisticamente no final do filme Interstellar. O fenômeno da dilatação temporal, segundo o qual o ritmo do tempo depende do referencial do observador, já foi comprovado experimentalmente com relógios atômicos instalados em aviões, satélites e sondas espaciais.

ObservaçãoUma maneira curiosa de visualizar esse fenômeno é imaginar que todos os objetos do universo se deslocam continuamente pelo espaço-tempo a uma velocidade total constante — equivalente à velocidade da luz. Quando estamos parados em relação a algo, praticamente toda essa “velocidade” ocorre na direção do tempo, razão pela qual envelhecemos normalmente. Mas, à medida que um objeto acelera no espaço, parte desse movimento deixa de ocorrer no tempo. Quanto mais rápido ele se desloca pelo espaço, mais lentamente avança no tempo. No limite da velocidade da luz, todo o movimento ocorreria no espaço e nenhum no tempo — o que ajuda a entender por que o tempo praticamente para para partículas que se aproximam dessa velocidade.

De acordo com a Teoria da Relatividade, o espaço e o tempo formam uma estrutura unificada — o chamado espaço-tempo — na qual o tempo desacelera à medida que a velocidade do observador aumenta. A 99,99999999999% da velocidade da luz, o fator de Lorentz faz com que os relógios da nave corram cerca de 707.000 vezes mais devagar que os da Terra. Não há contradição nisso: cada observador vê o relógio do outro como mais lento, uma consequência direta da simetria das equações relativísticas. Assim, os tripulantes de uma hipotética espaçonave viajando a velocidades próximas à da luz perceberiam o tempo passar muito mais lentamente do que aqueles que permaneceram na Terra — exatamente como ilustra o famoso Paradoxo dos Gêmeos.

Ainda segundo as equações de Einstein, nada que possua massa pode acelerar até a velocidade da luz (simbolizada por c), já que sua massa efetiva tenderia ao infinito, exigindo uma quantidade igualmente infinita de energia para continuar acelerando. A 99,99999999999% da velocidade da luz, nossa hipotética nave levaria cerca de 4,22 anos para chegar a Proxima Centauri na perspectiva de um observador na Terra, mas a viagem seria extremamente curta para os astronautas a bordo.

A NASA vem realizando experimentos a bordo da Estação Espacial Internacional para estudar os efeitos da microgravidade e da relatividade sobre o corpo humano e a percepção do tempo. Os astronautas orbitam a Terra a cerca de 28.000 km/h, a uma altitude aproximada de 400 km, completando uma volta ao redor do planeta a cada 90 minutos. Se permanecerem no espaço durante seis meses, retornam à Terra cerca de cinco milissegundos mais jovens do que estariam se tivessem permanecido no planeta.

Alguns estudos também indicam que a percepção humana de espaço e tempo pode sofrer alterações no ambiente orbital. Pesquisas publicadas em revistas científicas como Nature sugerem que astronautas podem apresentar mudanças na percepção de distância, profundidade e tamanho dos objetos enquanto estão em microgravidade, o que reforça a ideia de que nossa experiência do mundo depende fortemente das condições físicas e sensoriais em que vivemos.

Continua...

sexta-feira, 1 de maio de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 101ª PARTE — VELOCIDADE DA LUZ E DILATAÇÃO DO TEMPO

ANTIGAMENTE, A MÍDIA DOMINAVA AS MASSAS. COM O ADVENTO DAS REDES SOCIAIS, OS IDIOTAS GANHARAM VOZ E DOMINARAM A MÍDIA.  

Até meados do século XVII, acreditava-se que a luz viajava pelo espaço a uma velocidade infinita. Em 1676, observando a órbita dos satélites de Júpiter, o dinamarquês Ole Rømer estimou a velocidade da luz em 225.000.000 m/s — o valor exato é 299.792.458 m/s, mas só foi determinado cerca de 200 anos depois.


Em 1915, Einstein estabeleceu que a velocidade da luz (designada pela letra "c") representa o limite máximo no Universo, mas diversos físicos teóricos tentam provar que é possível alcançar velocidades "superluminais" sem violar as regras cósmicas. Se isso realmente se confirmar, estaremos prestes a colher o fruto mais cobiçado da árvore da Relatividade Geral, que é viajar no tempo.


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Ouvir ou assistir ao jornais falados e televisivos fica mais difícil a cada dia, e tudo indica que, se houver mudanças no curto prazo, deverá ser para pior, dado o início oficial das abjetas campanhas eleitorais dos vomitativos candidatos à Presidência (isso não exclui, governadores, senadores e deputados federais e estaduais, mas essa é uma é outra conversa). Dito isso, reforcemos nosso estoque de remédios contra enjoo e sigamos adiante.  

A magistratura brasileira se perde na mais elementar aritmética, à luz da qual, somando penduricalhos aos contracheques, os juízes dividiram o país entre a casta dos supersalários e a plebe ignara que paga a conta. 

Intimados pelo Supremo a subtrair parte das vantagens, suas excelências multiplicam as desculpas para descumprir a ordem. Na penúltima manobra, a associação dos magistrados brasileiros pediu novo prazo ao Supremo. Alegando que os tribunais estão "tendo dificuldades de compreender e operacionalizar o cumprimento da decisão", pede 30 dias de adiamento contados a partir do julgamento de recursos que sequer foram apresentados.

Pela Constituição, o maior contracheque da administração pública deveria ser de R$ 46,3 mil, mas, no ano passado, o salário médio da casta foi de R$ 81,5 mil, e vencimentos acima de R$ 100 mil viraram arroz de festa, embora a ordem do Supremo seja clara como água de bica: a partir deste mês de abril, nenhum juiz poderá receber mais do que R$ 78,8 mil.

O historiador Capistrano de Abreu (1853-1927) sugeriu que a Constituição tivesse apenas dois artigos: 1º - Todo brasileiro está obrigado a ter vergonha na cara; 2º - Revogam-se as disposições em contrário. Como isso parece ser impossível nesta banânia, talvez a alternativa seja fornecer uma boa calculadora à magistratura nacional.


Considerando que a sonda espacial mais rápida lançada pela NASA atingiu 692.000 km/h em dezembro de 2024, 1,08 bilhão de quilômetros por hora é uma velocidade vertiginosa, mas torna-se bem menos impressionante sob a óptica de um Universo que se estende para todos os lados por cerca de 440 sextilhões de quilômetros. 


Estima-se que o Universo tenha cerca de 13,77 bilhões de anos, 93 bilhões de anos-luz de diâmetro, e que esteja em constante expansão. Como essa expansão acontece a uma velocidade superior à da luz, determinadas regiões do espaço permanecerão eternamente isoladas. 


Embora se propaguem no vácuo a uma velocidade uniforme e constante, os fótons demoram 8 minutos e 13 segundos para percorrer os 150 milhões de quilômetros que separam o Sol da Terra, e 4,24 anos para alcançar Proxima Centauri, que se encontra a trilhões de quilômetros de distância do nosso sistema solar. Por outro lado, mesmo viajando em sua velocidade máxima, a sonda retrocitada demoraria 13.211 anos para fazer esse trajeto.


Se chegássemos a Proxima Centauri, poderíamos observar seus planetas bem de perto e descobrir mais sobre sua composição, bem como observar os objetos transnetunianos e a nuvem de Oort, enfim, descobrir o que existe em regiões que os telescópios não conseguem “enxergar”. Mas para isso é preciso encontrar maneiras de atingir velocidades próximas à da luz ou mesmo superiores, pois só assim poderemos fruir plenamente dos efeitos da dilatação do tempo


Físicos teóricos já propuseram algumas soluções, como os hipotéticos motores de dobra espacial — que esticam a estrutura do espaço-tempo em uma onda, fazendo com que o espaço adiante na nave se contraia e o espaço atrás dela se expanda, encurtando o caminho a ser percorrido. O detalhe — e o diabo mora nos detalhes — é que para dobrar uma pequena bolha no espaço seria preciso um tipo de energia com densidade negativa, o que exigria matéria negativa, que não é vendida no mercadinho da esquina.


Diante disso, um novo estudo propõe o uso de sólitons — um tipo de onda que mantém sua forma e energia enquanto se move a uma velocidade constante — que foram descritos pela primeira vez em 1834. Erik Lentz, autor do artigo, acredita que os sólitons possam resolver o problema da limitação de velocidade no espaço, mas para isso eles teriam que ser mais velozes do que a luz.


Havendo energia suficiente para a nossa hipotética nave, os sólitons poderiam funcionar como as bolhas de dobra espacial descritas antes, permitindo que a nave passasse pelo espaço-tempo protegida das forças extremas das marés (sem a qual os astronautas seriam seríamos espaguetificados). A boa notícia é que não seria preciso utilizar energia negativa, mas a má notícia é que a quantidade de energia comum exigida equivale a centenas de vezes a massa de Júpiter — coisa que nenhum reator nuclear disponível na Terra seria capaz de gerar. 


Para que essa solução se torne viável, será preciso descobrir como reduzir esse gasto de energia. Mas vale lembrar que o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário, e que desafiar os limites é a única maneira de superá-los. No alvorecer do século XVI, a esquadra de Cabral levou 44 dias para vir de Lisboa até o que seria futuramente o litoral sul da Bahia. Antes de ser aposentado em 2003, o supersônico Concorde já cruzava o Atlântico em cerca de três horas.

Observação: A título de curiosidade, as mensagens enviadas pela sonda Voyager 2, que está a mais de 18 bilhões de quilômetros da Terra, demoram 16 horas e meia para serem recebidas pela NASA. 

terça-feira, 21 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 97ª PARTE — TEORIAS DAS CORDAS, DE TUDO E "M"

O TEMPO CURA TODAS AS FERIDAS, MAS NÃO APAGA AS CICATRIZES.

Há muito que os físicos tentam acomodar a Teoria da Relatividade e a Mecânica Quântica em um único modelo matemático, e as teorias das Cordas, de Tudo e M são sérias candidatas a esse papel.


De acordo com Einstein, o espaço é composto por três dimensões — comprimento, largura e profundidade —, e o tempo não é uma constante, mas uma quarta dimensão. À luz dessa premissa, vivemos constantemente entre o presente e o passado.


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Quando a presunção do direito à força prevalece sobre a força do direito, surgem as críticas, que são proporcionais ao excesso de rigor e à ausência de transparência. Se não quiser ser vidraça, o ministro Alexandre de Moraes precisa parar de fornecer pedras. Aliás, talvez valesse a pena trocar os juízes por um algoritmo de IA.

Em abono a essa tese, o jornalista Hélio Schwartsman. pondera que os algoritmos são mais baratos e consistentes do que os magistrados de carne e osso, além de serem menos susceptíveis à corrupção do que o Judiciário brasileiro, com ministros supremos enrolados no escândalo do Master, penduricalhos sob os holofotes da imprensa e venda de sentenças no STJ, entre outras histórias pouco edificantes. Sem falar que as mesmas pessoas e instituições que acertam num caso podem errar em outros. Some-se a isso o menor custo das IAs, a invulnerabilidade dos computadores à corrupção e paixões como ganância, relações de amizade, amor, etc.

Mesmo em países onde os custos do Judiciário são menores e os magistrados não frequentam o noticiário político ou policial diuturnamente, enfatiza-se a superioridade das IAs — não porque os algoritmos são particularmente bons na tarefa, mas porque os humanos são péssimos.


Alguém que vai de casa à padaria da esquina — ou à galáxia mais próxima — tem quatro coordenadas (três espaciais e uma temporal) para se guiar. Quanto mais rápido esse alguém avança nas dimensões espaciais, menos progride na dimensão temporal.


Em outras palavras, quanto mais depressa nos deslocamos pelo espaço (lembrando que o limite teórico é a velocidade da luz, representada pela letra "c" e equivalente a 299.792.458 m/s), mais devagar o tempo passa para nós. Se viajássemos com a velocidade da luz, o tempo pararia de passar, se a superássemos, chegaríamos a nosso destino “antes da partida" — devido à dilatação do tempo (para entender melhor, confira o que diz o paradoxo dos gêmeos).


Corpos celestes supermassivos — como os buracos negros — curvam o espaço-tempo como uma folha de papel dobrada ao meio encurta a distância entre a margem superior e a inferior, como foi detalhado ao longo desta sequência. Assim, uma espaçonave que atravessasse um buraco de minhoca, chegaria numa questão de segundos a um ponto a milhares ou milhões de anos luz, neste ou em outro universo, no presente ou em outro momento da linha do tempo  


As equações relativísticas e a física clássica admitem a existência dos buracos de minhoca, mas supõe-se que eles surgem e se desfazem numa fração de segundo. No entanto, uma física além do chamado Modelo Padrão da Física de Partículas pressupõe a existência de buracos de minhoca grandes e seguros o bastante para serem atravessados. Além disso, Einstein ensinou que o impossível é apenas uma questão de tempo; Carl Sagan, que a ausência de evidências não é evidência de ausência, e Arthur C. Clarke, que desafiar os limites é a única maneira de superá-los.


Se o Universo for realmente um holograma, o Princípio Holográfico não só explicaria inconsistências entre a física quântica e a gravidade de Einstein como proporcionaria uma base sólida para a Teoria das Cordas, que permite derivar toda informação presente no modelo padrão. E uma física além do modelo padrão admite a existência de buracos de minhoca grandes e seguros o suficiente para ser atravessados.


Vale lembrar que há duas vertentes da Teoria das Cordas. Uma sugere que o Universo tem 11 dimensões e a outra, que são pelo menos 26. Três dessas dimensões são espaciais, uma é temporal e as demais estão relacionadas com as perturbações espaciais e temporais produzidas pelas oscilações das cordas, que dão origem a fenômenos elétricos, magnéticos e nucleares.


No fim das contas, talvez o Universo seja mais estranho do que supomos ou mais simples do que conseguimos aceitar. Entre dobrar o espaço, esticar o tempo e esconder dimensões extras em cada canto da realidade, é possível que o maior desafio seja simplesmente entender o óbvio — ou, quem sabe, admitir que ainda estamos olhando tudo isso pelo lado errado da dobra.


Continua…

quinta-feira, 16 de abril de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 95ª PARTE — O FRUTO MAIS COBIÇADO DA ÁRVORE DA RELATIVIDADE

NÃO FOSSE POR THOMAS EDISON, AINDA ESTARÍAMOS VENDO TV À LUZ DE VELAS. 

As viagens no tempo são o fruto mais cobiçado — e ainda não alcançado — da “árvore da relatividade”. O assunto ganhou destaque depois que H. G. Wells publicou A Máquina do Tempo, em 1895, e passou a ser explorado por escritores e roteiristas de ficção científica que, por alguma razão, atribuem aos buracos negros o papel de atalho cósmico que cabe aos buracos de minhoca (detalhes nesta postagem).

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O presidente do PT, Edinho Silva, admitiu que a nova pesquisa do Datafolha não é favorável a Lula, mas tratou de minimizar o estrago, ressaltando que se trata do "retrato do momento". Ciro Gomes disse certa vez que pesquisas representam um frame do filme eleitoral. A metáfora é elegante, mas a sequência recente de levantamentos não mostra um quadro isolado — mostra um curta-metragem, e ele é tóxico para Lula.
No outro extremo do tablado político-ideológico, o primogênito do atual presidiário mais famoso desta republiqueta de bananas cresceu dez pontos desde dezembro, enquanto o molusco eneadáctilo caiu seis. Num cenário de segundo turno, a vantagem de quinze pontos do petista no fim de 2025 virou empate técnico em março e, na sondagem deste fim de semana, seu adversário mais provável aparece com leve dianteira numérica — 46% a 45%. Dentro de erro, tecnicamente, mas as margens de erro não votam, e tendências, sim.
Edinho afirmou que o resultado do Datafolha reflete o aumento do "sentimento antissistema" associado a denúncias de corrupção que acabam sendo atribuídas ao governo. Segundo ele, cabe ao governo explicar que as investigações partem dele próprio — argumento que pressupõe um eleitor disposto a ouvir explicações de quem ele já decidiu não acreditar — e foi às redes sociais para orientar a militância a divulgar obras do governo e reforçar que painho determinou a apuração dos casos recentes. É a estratégia da transparência seletiva: mostrar o que interessa, esconder o que incomoda, torcer para que ninguém note a diferença.
Para o desassossego crescente de Lula, o balão de Flávio cresce cheio de gás — embora vazio de ideias. O rebento do refugo da escória da humanidade prometeu divulgar um programa de governo, mas, até aqui, nada. Ficou também de anunciar o nome do seu futuro ministro da Fazenda, mas desistiu. Aparentemente, a estratégia é ocupar espaço sem oferecer alvo — o que, diga-se, funciona melhor do que deveria numa democracia que se preze.
Em 2022, Bolsonaro e seus aliados desprezavam o Datafolha com escárnio ensaiado. O que valia, diziam, era o Datapovo. Agora, o filho do pai aposta mais em redes sociais do que em conteúdo programático — misturou no Instagram os dados da pesquisa com o "Funk do Zero Um", cuja letra pede respeito à "patente do novo capitão". É o bolsonarismo em sua forma mais pura: a ausência de substância elevada à categoria de identidade. Funciona porque o eleitor que ele busca não quer propostas — quer pertencimento. E pertencimento não precisa de ministro da Fazenda.
O macróbio que postula a reeleição aposta que a experiência de três gestões e a comparação com a (indi)gestão de seu antecessor lhe renderão mais quatro anos no Planalto. É uma aposta razoável — ou seria, se o eleitor médio guardasse memória linear dos últimos anos. Mas o eleitor médio não é um arquivo; é um termômetro. E o que ele mede agora não é o passado de Lula, mas o presente — o preço da cesta básica, o custo do aluguel, a sensação difusa de que as coisas não estão bem e de que o governo, qualquer governo, tem alguma responsabilidade nisso.
Lula tem menos de seis meses para mostrar que nada contribui tanto para trazer de volta os velhos maus tempos quanto a memória fraca do eleitor. O problema é que a memória, desta vez, pode estar mais longa do que ele gostaria — e o filme, ao que tudo indica, ainda não chegou ao fim.


De certo modo, viajamos para o futuro do dia em que nascemos até o instante em que exalamos nosso último suspiro. Até onde se sabe, ninguém ainda conseguiu viajar pelo tempo como nos filmes como De volta para o futuro, Interestelar e Tudo em todo lugar ao mesmo tempo, por exemplo. Mas isso não muda o fato de que a possibilidade é matematicamente viável — inclusive para o passado, uma vez que o conceito de “tempo negativo” deixou de ser mera especulação depois que pesquisadores da Universidade de Toronto demonstraram sua existência física de forma tangível


Em tese, bastaria embarcar numa espaçonave e acelerar a 99,99999999999% da velocidade da luz (designada pela letra "c" e equivalente a 1,08 bilhão de km/h) para percorrer, numa questão de minutos, milhares ou milhões de anos-luz (um ano-luz corresponde a 9,46 trilhões de quilômetros). Em razão da dilatação temporal (prevista por Einstein na Relatividade Geral) e do fator de Lorentz, o tempo passaria 707.000 vezes mais devagar na nave, e a distância até nossa vizinha Proxima Centauri se reduziria a alguns milhões de quilômetros. Note que não há contradição, apenas diferentes medições do mesmo evento, pois a covariância de Lorentz faz com que cada observador veja os ponteiros do relógio do outro se moverem mais devagar.


Apesar de ter evoluído mais, nos últimos 150 anos, do que da descoberta do fogo até a revolução industrial, nossa tecnologia ainda não permitiu a construção de naves capazes de alcançar velocidades próximas à da luz. A sonda espacial mais veloz lançada pela NASA até agora mal atingiu 700 mil km/h. Essa velocidade permite ir a Marte em 13 dias e atingir a heliopausa em pouco mais de um ano, mas uma viagem até nossa vizinha Próxima Centauri, que fica a 4,2 anos-luz, demoraria mais de 6 mil anos.


Outra maneira de viajar até outra galáxia — neste ou em outro universo, no presente ou em outro ponto da linha do tempo — seria atravessar um buraco de minhoca — dobra teórica que se forma no tecido do espaço-tempo nas proximidades do horizonte de eventos (ou nas profundezas) de alguns buracos negros. Como o exemplar mais próximo fica a 1,6 mil anos-luz da Terra, uma viagem até lá na velocidade máxima alcançada pela sonda mais rápida lançada pela NASA até o momento (692 mil km/h) demoraria cerca de 2,5 milhões de anos.


Mas não custa lembrar que a esquadra de Cabral levou 44 dias para cruzar o Atlântico em 1500, coisa que o Concorde fazia 500 anos depois em menos de 3 horas. Que um engenheiro da NASA chamado David Burns vem desenvolvendo um acelerador helicoidal de íons capaz de gerar empuxo relativístico sem combustível — a ideia viola o princípio da conservação do momento linear, mas, se vingar, pode mudar o futuro das viagens espaciais.


Outra ideia promissora é a bolha de Alcubierre, que dobra o espaço-tempo ao redor da nave para "surfar" mais rápido que a luz sem violar as leis da física. O problema é que ela exige energia negativa ou matéria exótica, cuja existência ainda não foi confirmada. Também se cogita construir uma Esfera de Dyson, usar feixes de laser para impulsionar velas ultraleves a 20% da velocidade da luz (não parece grande coisa, mas daria para ir até Alpha Centauri em pouco mais de 20 anos) e reatores como o ITER e o SPARC, que replicam o funcionamento das estrelas para gerar energia limpa e praticamente ilimitada.


O sonho de atravessar um buraco de minhoca e sair na Roma Antiga permanece no território da ficção científica, mas a luz e a gravidade não são as únicas maneiras de contornar a tirania do tempo. A maioria das propostas nesse sentido é meramente especulativa — como foi um dia o helicóptero projetado pelo polímata Leonardo da Vinci —, mas a história ensina que tanto a arte imita a vida quanto a vida imita a arte, e que a ficção de hoje pode ser a ciência de amanhã.


Continua…