Mostrando postagens classificadas por data para a consulta dilatação do tempo. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens classificadas por data para a consulta dilatação do tempo. Ordenar por relevância Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

DE VOLTA À VELOCIDADE DA LUZ

AFIRMAÇÕES EXTRAORDINÁRIAS REQUEREM EVIDÊNCIAS EXTRAORDINÁRIAS. 

Em 1676, o astrônomo Ole Rømer observou um atraso de 22 minutos nos eclipses das luas de Júpiter e estimou a velocidade da luz em 225.000.000 m/s. O valor exato (299.792.458 m/s) só foi determinado em 1926, mas, por uma inexplicável coincidência, a latitude da grande pirâmide de Gizé, erguida entre 2600 e 2500 a.C., é 299.792°N — lembrando que nas coordenadas geográficas a diferença resultante de qualquer sequência numérica à direita da quarta é desprezível, sobretudo quando se trata de um monumento cuja base tem 60.000m2.


Os egípcios da Quarta Dinastia tinham conhecimentos avançados de matemática e geometria, dominavam a escrita, dispunham de um sistema decimal e de um calendário baseado na estrela Sirius, mas dificilmente teriam descoberto a velocidade da luz quase 5 mil anos antes de Rømer. E ainda que assim não fosse, eles a teriam registrado em côvados por segundo, já que o sistema métrico só seria criado em 1791.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


No topo da hierarquia do sistema de poder no Brasil encontram-se grandes grupos econômicos ligados ao sistema financeiro e organizações criminosas que, em diferentes níveis, exercem influência sobre a economia formal e o ambiente político. Nesse contexto, a alta cúpula do Judiciário desempenha um papel determinante ao garantir estabilidade jurídica e previsibilidade, enquanto o Legislativo produz normas que, na prática, preservam interesses específicos e limitam rupturas estruturais. 

Protegido por mecanismos legais e corporativos, o corpo burocrático do Estado atua prioritariamente para preservar privilégios próprios, incluindo remunerações e benefícios que ultrapassam o teto estabelecido pela Constituição.

Essa burocracia se torna resistente a reformas, reforçando a rigidez do sistema, elevando custos para a sociedade, reduzindo a eficiência da máquina pública e reforçando divisões ideológicas e sociais, em detrimento da formação crítica e do compromisso com a realidade. 

Políticas recorrentes de expansão de gastos públicos ampliam a pressão inflacionária e criam o ambiente propício para a elevação da taxa básica de juros, encarecendo o crédito, engessando a atividade produtiva e favorecendo a transferência de renda para o sistema financeiro, principal beneficiário de ciclos prolongados de juros elevados.

Lula se jacta de ser o santo padroeiro dos miseráveis, mas os maiores patamares de juros reais registrados nesta banânia desde o Plano Real ocorreram justamente nos governos do PT.


A física clássica se aplica ao mundo macro, onde tudo — de maçãs hipotéticas caindo sob a ação da gravidade a gigantes gasosos no espaço — funciona em três dimensões. Ou funcionava, já que Einstein acrescentou uma quarta dimensão (o tempo), criou o conceito de espaço-tempo e definiu a velocidade da luz — ou simplesmente "c", que é de 299.792.458 m/s no vácuo — como limite universal. De acordo com suas equações, nada pode viajar mas rápido que a luz, exceto o próprio Universo, que se expande a uma velocidade superluminal.

Ainda que corresponda a impressionantes 1,08 bilhão de quilômetros por hora, "c" perde impacto diante das distâncias cósmicas, ja que o diâmetro do Universo observável é de 93 bilhões de anos-luz (um ano-luz é a distância que a luz percorre em um ano, e equivale a cerca de 9.46 trilhões de quilômetros). Se imaginarmos o Universo como uma bolha, o raio dessa bolha aumenta um ano-luz por ano. Quanto mais distante estiver o ponto de origem da luz que observamos, mais antiga será a estrela que a emitiu, daí as estrelas mais distantes aparentarem ser mais antigas que o próprio Universo.


A luz leva 8 minuto e 13 segundos para vir do Sol à Terra, cerca de 1 segundo para ir da Terra à Lua e aproximadamente 100 mil anos para cruzar a Via Láctea. Como esse limite não se aplica à física quântica e de partículas, as correlações entre partículas entrelaçadas surgem de forma instantânea.


Outra curiosidade que envolve a luz é o fato de os fótons (partículas de luz) se comportarem tanto como onda eletromagnética quanto como partícula sem massa. Isso explica por que o valor de "c" é o mesmo para qualquer observador parado ou em movimento, embora o tempo passe mais devagar para quem se move do que para quem está parado.


Até onde a física atual alcança, superar "c" funciona como o regulador máximo do universo, determinando desde reações químicas até a evolução das estrelas e galáxias. Superar essa velocidade afrontaria a causalidade e geraria paradoxos temporais, na medida em que ela redefine o próprio tecido da realidade.


Relógios dos satélites que orbitam a Terra sofrem dilatação relativística — ínfima, é verdade — por causa da velocidade e ganham tempo porque o campo gravitacional é mais fraco numa altitude que varia de 160 km a 36.000 km  — o saldo é corrigido via GPS. Processos físicos desaceleram e o envelhecimento ocorre mais lentamente, não por ilusão ou defeito de medição, mas porque o tempo de fato passa mais devagar para quem está em movimento extremo.


A dilatação do tempo foi confirmada experimentalmente com relógios atômicos e partículas instáveis em aceleradores. À medida que um corpo se aproxima de "c", os efeitos relativísticos passam a dominar o comportamento do espaço, do tempo e da matéria. Na direção do movimento, distâncias encurtam-se para o viajante relativístico — uma viagem que parece levar anos-luz para quem observa da Terra pode durar dias, horas, ou mesmo segundos para quem está a bordo, pois o espaço à frente se comprime conforme a velocidade aumenta.


Segundo a Relatividade Especial, energia e massa são intercambiáveis, mas, à medida que a velocidade cresce, a energia cinética faz com que a massa relativística aumente. Ao se aproximar da velocidade da luz, essa massa tende ao infinito, exigindo uma quantidade igualmente infinita de energia para continuar acelerando. É por isso que partículas com massa jamais alcançam a velocidade da luz — não por falta de engenharia, mas por proibição física.


Não há tempo absoluto, apenas tempos locais, moldados pelo movimento, e a velocidade da luz funciona como o compasso que sincroniza — ou dessincroniza — todos os relógios do Universo.O paradoxo aparente é que, enquanto o viajante envelhece mais lentamente, o observador externo vê sua própria linha temporal seguir normalmente. Ambos estão corretos dentro de seus referenciais.


Tecnicamente, viajar próximo à velocidade da luz não equivale a “voltar no tempo”, mas a avançar mais devagar no próprio futuro — um truque elegante, porém inútil para quem pretende chegar ao churrasco antes que a carne esfrie. Já ir mais além e atingir velocidades superluminais pode, pelo menos em teoria, inverter a direção da seta do tempo, fazendo com que os ponteiros do relógio passem a “andar para trás”. Mas isso é conversa para uma outra vez.


Continua...

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 76ª PARTE

QUANDO VOCÊ ESTÁ NUM POÇO E O DESTINO LHE DÁ UMA CORDA, CABE A VOCÊ USÁ-LA PARA SUBIR OU SE ENFORCAR.  

Em outubro de 2020, astrônomos flagraram ao vivo uma estrela sendo transformada em "alimento" para um buraco negro, em um raro espetáculo de espaguetificação.


Esse fenômeno ocorre quando um objeto se aproxima do horizonte de eventos do buraco negro, onde a força gravitacional é tamanha nem a luz consegue escapar. Assim, a parte mais próxima da estrela é puxada com maior intensidade e se alonga em filamentos finos e extremamente compridos.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Três dias depois de dizer que as emendas parlamentares viraram um "sequestro", Lula mandou pagar um resgate de R$1,5 bilhão. Neste presidencialismo de cooptação, onde os parlamentares se apropriam de 22% da verba federal disponível para investimento, parte dessa dinheirama lubrifica campanhas e esquemas de corrupção, e a corrosão do orçamentária vira um sequestro das necessidades do povo pobre em nome da propensão dos oligarcas para usar o Erário como puxadinho privado.

No discurso em que fez pose de refém do sistema, Lula soou hipócrita quando instou sua claque a reagir. Isso porque a vala da farra do Orçamento submete o governo a um ritual pluripartidário, pós-ideológico e pré-falimentar.

Em 2022, o então candidato prometeu mudanças; eleito, nem tentou, e o Congresso enfiou no Orçamento de 2026 R$61 bilhões em emendas. 

Ainda não se viu nenhum parlamentar governista pegando em lanças para defender os cofres públicos.


Os buracos negros já foram fotografados e tiveram seus efeitos na passagem do tempo comprovados cientificamente, mas os buracos de minhoca — também chamados de Pontes Einstein-Rosen — continuam no reino das especulações. Supõe-se que estes funcionem como "atalhos" no espaço-tempo, conectando dois pontos distantes (neste ou em outro universo, no presente ou em outro ponto da linha do tempo).


Em tese, uma espaçonave que conseguisse atravessar um buraco de minhoca poderia percorrer milhares de anos-luz e chegar a galáxias remotas numa questão de segundos. No entanto, a distorção que essas "fendas" criam no espaço-tempo também poderiam centuplicar a duração de uma viagem da Terra a Marte, por exemplo, que a sonda Mars Insight fez em cerca de 6 meses. Mas os problemas não param por aí.


Esses "túneis" tendem a ser minúsculos e instáveis (ou seja, abrem e fecham numa fração segundo, o que os tornaria inatravessáveis). Ainda que assim não fosse, não sabe se eles atraem matéria por uma boca e a regurgitam pela outra ou se ambas as bocas engolem e nenhuma cospe — nesse caso, a matéria seria empurrada de uma extremidade para a outra num looping insano, até finalmente morrer no ponto central do "túnel".


A conexão dos buracos de minhoca com a física quântica foi proposta pela primeira vez em 2013, quando se especulou que eles seriam equivalentes ao emaranhamento. Essa ideia foi estendida anos depois aos hipotéticos buracos de minhoca — que a energia repulsiva negativa manteria abertos por tempo suficiente para torná-los atravessáveis. Tal processo foi chamado pelos pesqpuisadores de teletransporte quântico (para mais detalhes, clique aqui).


Nenhum buraco negro pode devorar uma galáxia inteira. Aliás, nem mesmo as estrelas mais próximas do centro galáctico são facilmente engolidas, o que é um alívio para nós, pois o Sistema Solar orbita a 26 mil anos-luz de Sagittarius A* — buraco negro supermassivo no coração da Via Láctea cujo alcance gravitacional é limitado demais para capturar toda a galáxia.


A atração gravitacional dos buracos negros advém do fato de eles terem a massa de uma estrela concentrada em um ponto minúsculo. Se o Sol se tornasse um buraco negro (o que é impossível por falta de massa), as órbitas planetárias, cometas e asteroides permaneceriam inalteradas — nada seria devorado.


Não se sabe ao certo o que aconteceria com quem cruzasse o horizonte de eventos de um buraco negro, mas sabe-se que a distorção do espaço-tempo causa a dilatação gravitacional do tempo, que altera radicalmente a percepção de espaço e tempo. Do exterior, um objeto caindo pareceria encolher ao se aproximar do horizonte de eventos, levando tempo infinito para cruzá-lo. Sua luz ficaria mais vermelha e escura — o desvio gravitacional para o vermelho —, e um relógio gigante desaceleraria, avermelharia e sumiria.


Para os ocupantes de uma nave indestrutível, nada disso seria notado — o relógio ticaria normalmente ao cruzar o horizonte —, mas, pela relatividade geral, o Princípio de Equivalência de Einstein os cegaria para sua localização exata, enquanto forças tidais os esticariam verticalmente e comprimiriam horizontalmente, como um espaguete.


Explosões estelares geram ondas de choque que formam novas estrelas, sistemas e buracos negros. Mesmo os supermassivos no centro galáctico já devoraram o que podiam e não crescem mais. Colisões galácticas podem criar buracos negros maiores, mas são raras: o universo expande, afastando galáxias. A Via Láctea e Andrômeda devem se fundir, mas seus buracos negros centrais dificilmente colidirão.


Os buracos negros ganham massa ao devorar matéria e encolhem lentamente devido à Radiação Hawking. Essa radiação se forma porque o espaço não é um vácuo, e sim um mar de partículas que surgem e desaparecem constantemente.


Se um par dessas partículas virtuais for criado arbitrariamente perto de um buraco negro, uma particula será puxada para dentro dele e a outra escapará para o espaço, roubando energia.


Como esse processo leva bilhões de anos para acontecer, buracos negros com dezenas ou centenas de vezes a massa do Sol continuarão existindo por muito, muito tempo. 


Continua…

sábado, 31 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 70ª PARTE

TIME AND TIDE WAIT FOR NO MEN.

Desde as mais priscas eras, o tempo se apresenta ora como um deus implacável, ora como um fluxo sereno, ora como uma ilusão. Na mitologia grega, Cronos usa sua foice para castrar seu pai, Urano, que aprisionava os filhos por receio de ser destronado, e passa a devorar os seus


Trata-se de uma metáfora cruel, em que o tempo surge como uma força que tudo consome, destruindo sem concessões pai e filho, criação e criador. Não por acaso, a iconografia ocidental transformou a foice de Cronos na imagem tradicional da morte ceifadora.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Pelo andar das carruagens, Flávio Bolsonaro terá que brigar com um candidato do seu próprio campo ideológico por uma vaga no segundo turno para se consolidar como um anti-Lula oficial. No melhor estilo Marcola, Fernandinho Beira-Mar e Cia. Ltda.,, Bolsonaro produziu de dentro da cadeia uma briga autofágica da direita por território e vem tratando facções do Centrão como drones operados por controle remoto desde a Papudinha.

Noutros tempos, o fardo do divisionismo era carregado pela esquerda. A falta de opção faz de Lula um fator de união desse segmento. Na outra ponta, Bolsonaro impõe seu estilo canibal ao conservadorismo brasileiro.

A primeira novidade da sucessão de 2026 surgiu em dezembro de 2025, quando Zero Um disse ter sido escolhido pelo pai como candidato do PL ao Planalto. Decorridos quase dois meses, Tarcísio de Freitas foi à Papudinha para ouvir dos lábios do criador que seu sonho presidencial foi pelos ares.

A segunda novidade surgiu dias atrás, com o desembarque de Ronaldo Caiado no PSD. Sua chegada afunilou a articulação do partido de Kassab para oferecer uma opção ao eleitorado conservador. Vai à urna Ratinho Júnior, Caiado ou Eduardo Leite — o que estiver mais musculoso nas pesquisas até abril —, e o pior é que o eleitorado medíocre, desinformado e mal-ajambrado baterá os cascos em apoio a esse tipo de gente.

 

Enquanto poemas, músicas como Dust in the Wind e pinturas traduzem a inevitável transitoriedade da vida, Proust devolve ao presente aquilo que o passado parecia ter devorado, como na célebre cena da Madeleine, e o cinema faz do tempo um personagem central, tanto nas narrativas fragmentadas de Amnésia quanto nos paradoxos temporais de Interestelar, que transforma em drama humano a dilatação di tempo prevista por Einstein.

 

Na filosofia, Santo Agostinho sintetiza sua angústia na frase: “Se ninguém me pergunta, eu sei o que é; mas se me perguntam, já não sei responder” — para ele, presente e futuro só existem dentro da consciência, como memória, atenção e expectativa. Séculos depois, Henri Bergson distingue entre o tempo mensurável da ciência e a duração subjetiva da vida, fluida e elástica, enquanto Martin Heidegger faz do tempo a condição fundamental da existência.

 

Mas é na ciência moderna que o tempo se torna questão de medição e de leis. Newton falava de um “tempo absoluto”, invisível mas necessário para ordenar os movimentos do mundo. Essa noção foi revolucionada por Einstein, que demonstrou com suas equações relativísticas que não somos viajantes imóveis em um rio inexorável, e sim habitantes de um tecido cósmico onde espaço e tempo formam uma única realidade. A partir daí, tornou-se possível compreender que o tempo não é igual para todos.

 

Devido às dilatações do tempo e da gravidade, o relógio anda mais devagar para quem se move em altas velocidades ou habita regiões onde a atração gravitacional é mais intensa. Um minuto numa espaçonave viajando a uma velocidade próxima à da luz equivale a milhares de anos terrestres, e um minuto no topo do Monte Everest corresponde a 60,000000000058 segundos no nível do mar — uma diferença de míseros 58 nanossegundos, mas mensurável com relógios atômicos de alta precisão.

 

Na cosmologia, o tempo como o conhecemos nasceu com o Big Bang — especular sobre o que havia antes dele faz tanto sentido quanto perguntar o que existe ao norte do Polo Norte. Alguns físicos sugerem que o tempo pode não ser uma dimensão primordial, e sim uma propriedade emergente das relações entre partículas e energias, ao passo que outros chegam a questionar se ele existe de fato ou é apenas uma ilusão fabricada por nossa mente para ordenar as mudanças que percebemos.

 

Nossos antepassados começaram a medir o tempo quando notaram que as fases da Lua e a mudança das estações influenciavam o comportamento dos animais — uma questão vital para quem vivia da caça e da pesca. Em meados do terceiro milênio a.C., os sumérios criaram o primeiro calendário lunar, e os egípcios, um modelo solar com 365 dias divididos em 12 meses de 30 dias, mais 5 dias ao final do ano para completar o ciclo. O calendário juliano foi criado em 46 a.C., e o gregoriano — utilizado atualmente em 168 países — em 1582 d.C. 

 

De acordo com a causalidade (não confundir com casualidade), o que aconteceu ontem impõe restrições ao que acontece hoje, e o que acontece hoje influencia o que acontecerá amanhã. Como esse princípio dá ao Universo uma direção única, a possibilidade de voltar no tempo põe a ciência em xeque. Mas em algumas interpretações da física — como a da gravidade quântica — o tempo se resume a uma dimensão secundária que surge da interação entre eventos e partículas, sem existir como entidade independente. No entanto, se causa e efeito estão relacionados pela ordem dos eventos, e não pela passagem do tempo em si, então o tempo é ilusório e a causalidade pode se manter através dessas relações ordenadas.


Continua...

sábado, 3 de janeiro de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 64ª PARTE

QUANTO MAIS LONGA A EXPLICAÇÃO, MAIOR A MENTIRA.

No ano 800 d.C., Tikal pulsava sob o sol, em meio à selva guatemalteca. Cem mil almas caminhavam entre pirâmides, templos e mercados. Nenhum sinal de chips, circuitos ou propulsores interplanetários — apenas pedra, suor e engenho humano. 


Se os deuses vieram das estrelas, por que demoraram tanto a ensinar o básico? Ou será que o verdadeiro milagre é o tempo e o que fazemos com ele? 

 

A tese de que os deuses mitológicos eram seres extraterrestres que transmitiram técnicas e conhecimentos avançados aos humanos primitivos não deixa de ser sedutora — como dizem os espanhóis, yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O conservadorismo nacional esperava chegar a janeiro de 2026 em triunfo. Se tudo corresse como planejado, os aliados adulariam Bolsonaro com o projeto de redução da sua pena, Tarcísio de Freitas compraria o apoio do aliado preso com a apólice do indulto e o centrão se unificaria em torno de um anti-Lula competitivo, cultivando o sonho de conquistar o Planalto e virar um centrãozão. Mas faltou combinar com os russos.

Aprovada na Câmara e no Senado, a proposta da dosimetria subiu para a mesa de Lula como matéria-prima para um veto esperando na fila para acontecer na simbólica data de 8 de janeiro. Com pavor de se tornar irrelevante, o ex-mito preferiu trocar a promessa de um indulto a prazo por uma cobrança à vista do apoio dos aliados à candidatura presidencial do primogênito Flávio.

A manobra aprisionou o centrão num cercadinho familiar, o sonho presidencial de Tarcísio apodreceu antes de amadurecer, e a direita chega ao Ano Novo zonza.

A nada negligenciável hipótese de uma pulverização das forças conservadoras favoreceria o projeto de reeleição de Lula, a despeito de a popularidade do presidente continuar no vermelho em todas as pesquisas de opinião.

 

Ao estabelecer os fundamentos da lógica e do pensamento científico, Aristóteles postulou que, diante de múltiplas hipóteses para um mesmo conjunto de evidências, a mais simples tende a ser a correta. Mas, como bem se diz, os sábios falam porque têm algo a dizer; os tolos, porque precisam dizer algo — e adoram o som da própria voz.

 

A Teoria da Relatividade Especial, publicada por Albert Einstein em 1905, introduziu o conceito de espaço-tempo. Dez anos depois, a Relatividade Geral expandiu esse conceito ao demonstrar que a gravidade não é uma força propriamente dita, mas a curvatura do espaço-tempo provocada pela presença de massa e energia. Segundo Einstein, viajar para o futuro é teoricamente possível, mas retornar ao passado envolve desafios complexos, como o célebre “paradoxo do avô”.

 

De acordo com o fenômeno da dilatação temporal, quanto mais rápido alguém se move, mais lentamente o tempo passa para ele em relação a um observador em repouso. O famoso “paradoxo dos gêmeos” ilustra isso com clareza: um astronauta que viajasse por um ano a uma velocidade próxima à da luz e retornasse à Terra teria envelhecido apenas alguns segundos, enquanto seus contemporâneos teriam comemorado dezenas de aniversários.

 

Na prática, os relógios internos dos satélites artificiais confirmam essa teoria, pois avançam 0,00447 segundo por dia em razão da velocidade com que orbitam a Terra e da menor gravidade a 20 mil km de altitude. Sem as devidas correções, os sistemas de GPS apresentariam erros de até 10 km por dia.

 

A curvatura extrema do espaço-tempo causada por objetos supermassivos pode dar origem aos buracos de minhoca — hipotéticos atalhos entre regiões distantes do Universo, ou mesmo entre diferentes momentos da linha temporal. Em tese, dobrar o espaço-tempo como se fosse uma folha de papel permitiria deslocamentos instantâneos entre dois pontos, seja no espaço, seja no tempo.

 

No entanto, criar e estabilizar um buraco de minhoca exigiria a manipulação de energia negativa ou exótica em escala cósmica — algo ainda não observado na prática. Especula-se que, se uma extremidade do buraco permanecesse na Terra e a outra fosse levada por uma nave em velocidade relativística, quem o atravessasse poderia emergir em um momento anterior ao início da viagem. Isso resolveria o paradoxo do avô: se o buraco só permitisse viagens a momentos posteriores à sua criação, não haveria como alterar os eventos que levaram à sua existência.

 

Segundo os princípios da mecânica quântica, o espaço-tempo está sujeito a variações de energia — inclusive negativa — que poderiam, em teoria, deformá-lo a ponto de permitir viagens temporais. Contudo, as flutuações quânticas são extremamente raras e efêmeras, o que torna sua exploração um desafio tecnológico colossal.

 

A viagem no tempo é o fruto mais cobiçado da árvore da Relatividade. Quando — e se — ele for colhido, surgirão dilemas filosóficos profundos sobre livre-arbítrio, determinismo e a própria natureza do tempo. Se for possível alterar o passado, como isso afetaria o presente e o futuro? E mais: a criação de tecnologias capazes de manipular o espaço-tempo teria implicações monumentais, não apenas para a exploração do cosmos, mas para a própria estrutura da realidade como a conhecemos.

 

As viagens no tempo alimentam a imaginação humana e a criatividade literária desde a publicação de A Máquina do Tempo (1895), mas sua realização prática continua sendo um desafio. A ciência oferece pistas teóricas e possibilidades fascinantes, mas alcançar esse sonho requer avanços profundos na física fundamental — e na engenharia capaz de dobrar o tecido do Universo.

 

Se um dia dominarmos o tempo, não será para corrigir erros do passado, mas para entender por que os cometemos. A viagem temporal não será um bilhete dourado para mudar destinos, mas um espelho cruel — revelando que, mesmo com todo o conhecimento do Universo, ainda somos reféns das escolhas que fazemos agora.

 

Continua...