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domingo, 2 de agosto de 2026

PÃO AMANHECIDO FRESQUINHO OUTRA VEZ E VIVA O POVO BRASILEIRO!

SEGREDO ENTRE TRÊS, SÓ MATANDO DOIS.


Muita gente não abre mão do pão com manteiga no café da manhã, mas não tem tempo ou vontade de ir à padaria logo cedo.


Se você se encaixa nesse perfil e está farto de comer pão amanhecido ou aquecido na chama do fogão, seus problemas terminaram: a dica de hoje deixará seus pão com sabor e textura iguais às que ele tinha quando você o comprou. Para isso:


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


NÃO EXISTE POLÍTICO SANTO; PORTANTO, NÃO OS IDOLATRE!  


De acordo com os institutos de pesquisa de intenção de voto, o Brasil segue refém do eixo Lula/clã Bolsonaro. A tão sonhada terceira via, ora representada pelos "três erres" — Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos —, terá a mesma sorte que tiveram Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Guilherme Boulos e aberrações como Marina Silva, Vera Lúcia e José Maria Eymael em 2018, e Simone Tebet, Felipe D'Ávila, Soraya Thronicke, Ciro Gomes e aventureiros como Pablo Marçal, Roberto Jefferson, Sofia Manzano, Vera Lúcia, entre outros que morreram na praia em 2022. 

Supondo que não se trate de Síndrome de Estocolmo — resposta psicológica em que a vítima de um crime, abuso ou cárcere privado desenvolve um vínculo afetivo, simpatia ou lealdade por seu agressor —, a pergunta que se coloca é: como escapar desse círculo vicioso? Como pôr fim à polarização fomentada pelo fanatismo político se dois terços do eleitorado cultuam bandidos de estimação, obrigando os demais a votar em quem não querem para evitar a vitória de quem querem menos ainda?

É público e notório que uma parcela significativa dos brasileiros é formada por analfabetos funcionais e outros "luminares" que repetem, a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade. No entanto, se a perspectiva de o macróbio eneadáctilo conquistar o quarto mandato é assustadora, a da volta do clã Bolsonaro, ora representado pelo primogênito do capetão golpista, é aterradora.

Pela lógica, diante de um cardápio que se resume a suco de merda e sanduíche de bosta, quem tem um mínimo de bom senso muda de boteco. Mas não a récua de muares tupiniquins travestidos de eleitores parecem acreditar que insistir no erro acabará produzindo um acerto, da mesma forma que infinitos macacos digitando aleatoriamente por um tempo igualmente infinito acabarão reproduzindo as obras completas de Shakespeare. E isso não é de hoje.

Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após 29 anos de jejum de urna, havia 22 postulantes ao Planalto, entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola. Mas nossos esclarecidíssimos compatriotas preferiram escalar para o segundo turno um caçador de marajás de mentirinha e um desempregado que deu certo. É fato que essa desgraça se deve em parte à proliferação dos partidos políticos (atualmente 30, de acordo com o TSE), que se reproduziram feito coelhos no cio após a Lei Federal nº 6.767, de 20 de dezembro de 1979, extinguir o bipartidarismo da Arena e do MDB e restabelecer o pluripartidarismo no Brasil. 

Acabou que a profusão de partidos pouco identificáveis pelo eleitorado serviu apenas para dar vida mansa a um sem-número de vagabundos que se elegem para roubar e roubam para se reeleger. E como a demora em substituir setores sociais remanescentes do passado cria um vácuo onde novas lideranças não surgem e velhos políticos profissionais ditam as regras, as consequências foram deletérias. Considerando que o otimista é um tolo e o pessimista, um chato, o melhor é ser realista esperançoso, e, como tal, torcer para a eleição que se avizinha encerre esse processo em 2030, a partir de quando provavelmente viveremos o pós-Lula, e talvez outras figuras possam se colocar para a próxima eleição. Neste momento, porém, as duas grandes forças são o antipetismo e o antibolsonarismo. Qual das duas é a mais forte varia de acordo com o escândalo da vez, e escândalos envolvendo essa caterva não faltam. 

Depois de disputar e perder a Presidência para Collor em 1989 e para FHC em 1994 e 1998, Lula se elegeu em 2002 e conseguiu se reeleger em 2006, a despeito do Mensalão. Em 2010, visando manter a poltrona presidencial aquecida até poder voltar a ocupá-la, fez eleger uma ilustre desconhecida que pegou o gostinho pelo poder e quis porque quis disputar a reeleição em 2014. Para derrotar Aécio Neves, a nefelibata da mandioca quebrou o país. Por ser prepotente, arrogante e intransigente, foi afastada do cargo em maio e penabundada em agosto de 2016. E o resto é história recente.

A presidência da República é o cargo mais importante do sistema político brasileiro, e como bem disse o tio de Peter Parker (alter-ego do Homem-Aranha), grandes poderes implicam grandes responsabilidades. A polarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo precisa ser quebrada, mas todas as tentativas feitas até agora foram inexitosas. A diferença entre um estadista e um populista é que o primeiro governa para as futuras gerações e o outro visa às futuras eleições. 

Até onde minha memória alcança, esta banânia jamais foi presidida por um verdadeiro estadista. O que chegou mais perto disso foi FHC, que também foi o único a se eleger no primeiro turno. Mas ele foi picado pela mosca azul e moveu mundos e fundo$ para "comprar" a PEC da reeleição, e como quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, disputou o segundo mandato em 1998 e venceu novamente no primeiro turno.

Cerca de dois terços do eleitorado se dividem entre os que não tem certeza do que seu candidato pensa a respeito da maioria das questões de interesse nacional, mas "Deus me livre ser bolsonarista" ou "Deus me livre ser lulista ou petista", conforme o caso. Lula está com a data de validade vencida e desgoverna o Brasil como os olhos no retrovisor, mas quer porque quer o quarto mandato, mesmo sabendo que, para salvar o país da falência, ele — ou quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 — terá de desarmar a bomba que armou torrando bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando. Aliás, o roteiro dessa ópera bufa é muito parecido com a de que levou ao impeachment da nefelibata da mandioca em 2016.

De acordo com o Ipea, até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90% e até 2030, 94,1% do PIB. Para piorar, o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres. Para não mexer nos benefícios, seria necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública ou melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos — mediante a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. 

Observação: Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação. Caso contrário, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.

Para quem conheceu o legislativo antes de 2020, o formato em que as coisas funcionavam no tempo das sessões presenciais e do debate efetivo sabe o quanto elas mudaram de lá para cá. Tirando os três anos de pandemia, metade das sessões na Câmara Federal não tiveram a presencialidade desejada já que é muito mais fácil para suas excelências fazer tudo pelo celular. Então, o que se vê é um debate esvaziado, tanto no plenário quanto nas comissões. E a coisa só anda com a celeridade desejável quando envolve o orçamento secreto, as emendas PIX e o reajuste dos salários dos senhores parlamentares. Uma vergonha! 

O debate político é todo voltado para o curral, sobretudo com o advento das emendas — que jogam deputados e senadores para seus municípios, onde eles granjeiam votos e se transformam em vereadores federais. Para piorar, esse presidencialismo de coalizão (ou cooptação) enfraquece o Executivo e fortalece o Legislativo, que abocanha uma parcela substancial do orçamento e a utiliza de acordo com seus interesses locais (leia-se eleitoreiros).

Na política não há inocentes, só culpados. E isso inclui o eleitorado, já que maus políticos não brotam em seus gabinetes por geração espontânea. Vale relembrar a velha anedota segundo a qual Deus foi acusado de protecionismo durante a criação do Mundo, por favorecer a porção de terra que futuramente tocaria ao Brasil, e assim se pronunciou: "esperem para ver o povinho de merda que eu vou botar lá." Dito e feito.

Sir Winston Churchill dizia que a "democracia é a pior forma de governo à exceção de todas as outras", e que "o melhor argumento contra a democracia é cinco minutos de conversa com um eleitor mediano". Já o general Figueiredo (que era um sábio e não sabia) dizia que "um povo que não sabe sequer escovar os dentes não está preparado para votar".

A nefasta dicotomia político-ideológica semeada por Lula et caterva, regada pelos tucanos e adubada pelo capetão e seus soldadinhos de chumbo se alastrou pelo país afora, alcançando, inclusive, as cúpulas dos Poderes. Foi por isso que a parcela pensante do eleitorado apoiou o bolsonarismo boçal em 2018, já que a alternativa era a volta do lulopetismo corrupto. Deu no que deu, e quatro anos sob os desmandos de um anormal não bastaram para mudar o comportamento do eleitorado. Assim, teremos novamente eleições plebiscitárias e seremos obrigados mais uma vez a apoiar quem não queremos para evitar a vitória de quem queremos menos ainda. 

O jeito é torcer para que o imprevisto tenha voto decisivo na assembleia dos acontecimentos, e um dos dois “salvadores da pátria” saia de cena. Mas isso é apenas um exercício de futurologia baseado não em fatos, mas na esperança que acalentamos de um futuro melhor, a despeito de faltar ao Congresso probidade e vergonha na cara. Mas o que esperar de uma instituição composta em grande parte por investigados, denunciados e réus — e os que não se enquadram numa dessas categorias certamente viriam a se enquadrar se a alta cúpula do Judiciário não estivesse tomada por defensores atávicos da impunidade? Quando se dá a chave do galinheiro a uma raposa, e ela encarrega outras raposas de investigar o sumiço das galinhas… enfim, para bom entendedor meia palavra basta.

Nossas leis são criadas por políticos que se elegem para roubar, roubam para se reeleger e se escudam no nefasto foro especial por prerrogativa de função. Esqueça a história de que “todos são iguais perante a lei”. Sempre houve, há e continuará havendo “os mais iguais que os outros”. Presidente e vice, ministros de Estado, senadores e deputados federais só podem ser processados e julgados no STF, e as togas são rápidas como guepardos quando se trata de acolher pedidos de habeas corpus de seus bandidos de estimação, aumentar os próprios salários e conceder a si próprios toda sorte de mordomias, mas lerdos como cágados pernetas na hora de julgar ex-presidentes corruptos e sanguessugas aboletados no parlamento.

Fala-se muito da politização do Supremo, mas os ministros só agem quando são provocados. E são os próprios congressistas, descontentes com essa ou aquela situação, que pedem a interferência da Corte em assuntos que caberiam ao parlamento decidir. Foi assim com a instalação da CPI do Genocídio, que só seguiu adiante depois que uma liminar do hoje ex-minitro Barroso pôs fim à fleuma (também chamada de “mineirice”) do então presidente do Senado. E esse é só um exemplo.

Não quero dizer com isso o STF não erra. Erra, e muito, até porque suas excelências são seres humanos, embora alguns se julguem semideuses. Em dezembro de 1914, em aparte à um discurso do senador Pinheiro Machado, Ruy Barbosa disse que o Supremo pode se dar ao luxo de errar por último. Décadas depois, Nelson Hungria, príncipe dos criminalistas brasileiros, fez eco ao “Águia de Haia” dizendo que o STF tem “o supremo privilégio de errar por último”.

Não há democracia que funcione sem “toma-lá-dá-cá” se mais de 30 partidos disputam fatias de poder e verbas do Erário. E o apetite dessa escumalha é pantagruélico — haja vista o valor absurdo que foi estabelecido para o “fundão” eleitoral — dinheiro que é roubado de nós para ajudar a eleger quem vai nos roubar na próxima legislatura. E fodam-se os não sei quantos milhões de desempregados que não têm dinheiro sequer para uma refeição decente por dia. 

Gastar bilhões para eleger uma súcia de imprestáveis quando falta dinheiro para investir em segurança, saúde e educação é um escárnio. Mas a divisão do butim é feita levando em conta os votos para Câmara e Senado recebidos pelos partidos na eleição anterior. “É muita demagogia qualquer um chegar aqui e dizer que nós não vamos ter um fundo eleitoral público para financiamento das campanhas”, disse Arthur Lira quando era presidente da Câmara. E concluiu: "a única maneira que temos para evitar que tráfico, milícias e contraventores financiem e façam a má-gestão da política é com um financiamento público, claro e transparente.”

Então tá. 


Voltando à vaca fria:


1 — Abra a torneira e deixe cair água fria sobre o pão até a massa ficar empapada — caso seu pão seja uma baguete ou bengala, evite que o lado cortado fique muito molhado. 


2 — Acenda o forno, regule-o para 160 graus e coloque o pão encharcado para assar de 6 a 12 minutos, dependendo de quão molhado ele estiver. A água se tornará vapor quando o pão for aquecido, fazendo com que a casca fique crocante e o miolo, macio. 


Bom proveito.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE RELIGIÃO X CIÊNCIA

COSTUMAMOS ACHAR QUE O PIOR VAI ACONTECER PORQUE, QUANDO NÃO ACONTECE, O QUE É RUIM NOS PARECE RAZOÁVEL.


Como vimos no capítulo anterior, a possibilidade de existir um “ser superior” é plausível. No entanto, entre admitir essa hipótese e acreditar num 'criador' que distribui livre-arbítrio, recompensa os virtuosos e pune os pecadores, estende-se um abismo conceitual cuja travessia exige um considerável exercício de fé. Até porque qualquer pessoa minimamente inclinada ao questionamento refutaria a promessa de passar a eternidade tocando harpa num paraíso celestial ou assando no braseiro de um suposto “anjo caído”. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, em vigor há quase quatro meses, vem dificultando o gerenciamento da crise provocada pelos áudios e mensagens trocados entre Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro sobre o repasse de R$ 61 milhões para o filme “Dark Horse”.

Desde 29 de janeiro, por decisão de Moraes, o ex-presidiário do mensalão e dono do PL, Valdemar Costa Neto, está proibido de se encontrar com o ex-presidente golpista, que está cumprindo 27 anos e três meses de prisão em regime temporariamente domiciliar.

Segundo aliados, o presidente do PL prefere Michelle a Flávio, mas nunca vai admitir em público e nem contrariar Bolsonaro, pois foi o capital eleitoral do ex-presidente quem lhe deu a maior parte da bancada e, portanto, dos fundos públicos aos quais seu partido tem direito.

Como os dois não podem conversar, Bolsonaro só tem acesso a informações sobre o cenário político pela imprensa, pelos filhos e pela mulher, Michelle, que não se dão bem e na prática disputam o espólio político de Jair.

Mesmo considerando que seria muito difícil o refugo da história da humanidade desistir da candidatura do filho em favor da mulher, lideranças do PL acreditam que ele poderia mudar de avaliação se pudesse discutir o caso em detalhes com aliados de confiança.

Para integrantes da legenda, Moraes “segue usando sua caneta para impedir comunicações e estratégias do PL”, o que em momentos críticos como o atual pode ser fatal para a direita. O impacto do escândalo já se reflete nas pesquisas eleitorais, como revelou o Datafolha no dia 22, ao apontar que Lula superou numericamente o adversário nas simulações de segundo turno (47% a 43%) na esteira do caso “Dark Horse”. No levantamento anterior, com a maioria das entrevistas realizadas antes do escândalo vir à tona, os dois estavam tecnicamente empatados, com 45%.

Antes de entrar na mira de Moraes e ser proibido de se encontrar com Bolsonaro, Valdemar chegou a atuar em parceria com o ministro do STF, que o chamou de “grande parceiro da Justiça Eleitoral” numa audiência reservada na sede do Tribunal Superior Eleitoral.

Pelo visto, a parceria não existe mais.


Questionar crenças enraizadas é fundamental. Somente pela reflexão se alcança uma espiritualidade mais ampla e profunda. Ainda assim, religiões de diferentes tradições continuam a apresentar tais narrativas como certezas inquestionáveis — embora elas raramente sobrevivam intactas a um escrutínio crítico. No espírito filosófico de Aristóteles, duvidar é o primeiro passo rumo à compreensão. Muito antes dele, Homero e Horácio já insinuavam que o desejo de permanecer na memória coletiva advém do medo inevitável da morte. Séculos depois, Platão ensinou no Mito da Caverna que a sabedoria começa quando ousamos desconfiar das sombras que tomamos por realidade.


Toda religião é verdade absoluta para quem a professa e mera fantasia para sectários de outras crenças. Em pleno século XXI, doutrinas improváveis continuam a mobilizar multidões dispostas a defender rituais e liturgias como se delas dependesse o equilíbrio do Universo. A história, porém, demonstra que convicções sobrevivem menos pela força das evidências e mais pelo conforto emocional que oferecem.


No Brasil — e em tantos outros lugares — ideias desacreditadas há séculos continuam sendo impulsionadas por desinformação, algoritmos complacentes e comunidades digitais fechadas em si mesmas. O terraplanismo talvez seja o exemplo mais emblemático. Ao observar eclipses lunares e mudanças na posição das estrelas conforme a latitude, Aristóteles concluiu há mais de 2 mil anos que a Terra era esférica — o que foi posteriormente confirmada por fotografias orbitais, satélites artificiais e missões espaciais.


Em Ensaio sobre a cegueira, o escritor português José Saramago ensinou que o pior tipo de cegueira é a mental, pois impede as pessoas de enxergar o que está diante delas. Sob essa perspectiva, a Terra plana deixa de ser apenas um equívoco científico para revelar a extraordinária capacidade humana de abraçar teorias estapafúrdias que a realidade insiste em contradizer — afinal, aceitar que a Terra é redonda requer apenas observação.


Deixando de lado essa e outras teses negacionistas, é curioso observar que, escudados durante séculos num ceticismo arrogante, luminares de alto coturno tratam as ciências antigas como superstições ignorantes. Todavia, após avançar às cegas pela história, a comunidade científica se deparou com uma encruzilhada há muito sugerida por textos antigos, calendários primitivos e até pelas estrelas.


Aos olhos dos não iniciados, as descobertas da ciência noética se confundem com prodígios de magia. Mas mito e magia se tornam realidade quando consideramos o potencial ainda não explorado da mente humana. Segundo os pesquisadores noéticos, o pensamento, quando adequadamente direcionado, é capaz de interagir com sistemas físicos mensuráveis.


Não se trata de truques de salão destinados a impressionar plateias crédulas, mas de investigações conduzidas sob condições controladas, cujos resultados sugerem uma interação entre a consciência e a matéria que, se confirmada em toda a sua extensão, indica que nossos pensamentos não só interpretam o mundo físico como participam dele, produzindo efeitos que alcançam até o domínio subatômico.


Talvez nossa mente não seja apenas uma espectadora da realidade, mas também — e sobretudo — sua principal arquiteta.


Continua…

quinta-feira, 28 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA NOITE — DE VOLTA À PSICOTRÔNICA

NEM TUDO QUE RELUZ É OURO, NEM TUDO QUE BALANÇA CAI E NEM TUDO É O QUE PARECE.

A Psicotrônica — como os russos chamavam suas primeiras pesquisas envolvendo fenômenos paranormais, leitura da mente, percepção extrassensorial, controle do pensamento e estados alterados de consciência — é frequentemente apontada como uma espécie de precursora daquilo que hoje se convencionou chamar de ciência noética. 

Durante a Guerra Fria, a URSS teria investido somas vultosas nesse campo, numa iniciativa de caráter “neuromilitar” que orbitava conceitos como psicovigilância, manipulação cognitiva e outras ideias que, ainda hoje, parecem oscilar entre o laboratório e a ficção científica.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

O covarde nunca aproveita uma oportunidade. Na verdade, ele é a oportunidade que os outros aproveitam. 

Isolado no seu domicílio prisional, Bolsonaro se aproveita da covardia de Tarcísio, Caiado, Zema e Ratinho Júnior para manter a centralidade política que conquistou nos últimos oito anos. Na sucessão de 2026, paralisou o conservadorismo nacional, submetendo-o aos seus interesses — que não coincidem com o interesse nacional.

A última pesquisa Datafolha (no sentido de mais recente, embora bem poderia ser a última "literalmente", já que essas abordagens antecipadas prestam um desserviço ao influenciar a opinião de ameba da maioria do eleitorado) mostrou que as obscuras relações financeiras com Daniel Vorcaro corroeram a moderação cenográfica de Flávio Bolsonaro, mas não o retiraram da posição de principal representante do antipetismo — combustível que move as forças oposicionistas. O primogênito do "mito" preso continua sendo o anti-Lula mais competitivo da praça.

No primeiro turno, o filho do refugo da escória da humanidade aparece nove pontos atrás de Lula, mas numa hipotética segunda rodada ele estaria apenas quatro pontos atrás do macróbio petista. Com o escândalo do Master em movimento, a corrosão pode aumentar, mas é improvável que o primogênito do clã Bolsonaro perca os eleitores que se mantêm acorrentados ao pai — o que lhe garante um piso eleitoral de algo como 20% a 30% do eleitorado.

Ainda que o molusco eneadáctilo prevaleça sobre o filho do pai, o Brasil continuará convivendo com um estorvo condenado por atentar contra a democracia. Nessa hipótese, Bibo Pai conservaria intacto o título de principal líder da oposição, enquanto o PL manteria viva a perspectiva de obter uma polpuda bancada parlamentar. Em 2022, a despeito da vitória de Lula, o partido do ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto conquistou a maior bancada da Câmara e a mais vistosa caixa registradora do sistema partidário. 

Quer dizer: mesmo derrotado, Bolsonaro emergiria da sucessão de 2026 como vitorioso, porque a direita presumivelmente democrática deixou de aproveitar — por fidelidade tosca ou medo atávico — as oportunidades que a conjuntura ofereceu para a construção de um projeto conservador à margem da quadrilha Bolsonaro. Não foram poucas as chances: a pandemia, o ataque às urnas eletrônicas, o complô golpista, o tarifaço americano urdido por Dudu Bananinha, o lero-lero da anistia e um interminável etcétera.

Uma democracia genuína pressupõe o convívio entre diferentes. É essencial para a estabilidade democrática a existência de conservadores direita ou de centro com projetos nítidos de poder e de país. Isso não é coisa que se construa do dia para a noite, na base do improviso. Governadores autoproclamados moderados, cultivaram a ilusão de que um Bolsonaro inelegível e condenado passaria graciosamente o seu bastão para um deles, e se tornaram reféns de um preso que levou às urnas um herdeiro biológico cujos únicos projetos eram manter Vorcaro no armário e conservar a hegemonia do pai sobre uma direita que não teve a coragem de se endireitar.

Toda covardia política tem um preço, e quem usa o cinismo para regatear aumenta o custo.


Nos Estados Unidos, um projeto similar — batizado de Stargate — acabou se tornando um dos episódios mais constrangedores da história recente da CIA. Alvo de zombaria pública, o programa foi acusado de desperdiçar milhões em pseudociência, truques questionáveis e tentativas pouco ortodoxas de treinar algo próximo de “espiões psíquicos”. No fim das contas, há quem diga que a Agência apenas mordeu a isca de uma possível campanha de desinformação soviética e passou anos correndo atrás do próprio rabo — desta vez, guiada por ciências marginais que jamais entregariam o que prometiam.

O Stargate tentou desenvolver uma técnica de vigilância inédita, conhecida como “visualização remota”, na qual um indivíduo — o “visualizador” —, sentado em um ambiente controlado, entraria em estado de transe profundo para projetar sua consciência para além do próprio corpo, “materializando-a” em qualquer ponto do planeta com o objetivo de observar eventos à distância.

Apesar do histórico de fracassos e do constrangimento institucional, essas tentativas de explorar fenômenos mentais extraordinários não se limitavam ao campo da espionagem. Elas dialogavam, direta ou indiretamente, com áreas que hoje seriam classificadas como metafísica ou parapsicologia. E, de certo modo, com ideias muito mais antigas.

A noção de projeção da consciência, por exemplo, remonta ao Antigo Egito. Alguns intérpretes defendem que os dutos internos das pirâmides teriam sido projetados com inclinações específicas para permitir que o “Ka” dos faraós — frequentemente traduzido como “alma”, embora haja quem o entenda como uma espécie de “veículo” da consciência — pudesse viajar até as estrelas e retornar. Nesse contexto, o conhecimento adquirido nessas jornadas estaria associado à ideia de uma consciência capaz de operar de forma independente do corpo físico.

O conceito de uma entidade consciente incorpórea, aliás, atravessa culturas, religiões e épocas. Mas o fato de uma crença ser amplamente difundida não a transforma automaticamente em evidência científica. Para desacreditar a afirmação de que “todos os corvos são pretos”, basta a existência de um único corvo branco.

Ainda assim, algumas mentes respeitáveis — como Harold Puthoff, Russell Targ e Edwin May, entre outros — exploraram, em diferentes momentos, hipóteses relacionadas à possibilidade de uma consciência não local, transitando por áreas como a física de plasma, a matemática não-linear e a antropologia da consciência. O tema também ganhou espaço em obras populares que ajudaram a difundir essas ideias para além dos círculos acadêmicos.

A noção de uma mente separada do corpo, portanto, não é tão exótica quanto pode parecer à primeira vista. Milhões de praticantes de meditação relatam experiências em que, ao focar intensamente a atenção, o corpo físico parece “desaparecer”, restando apenas a percepção de uma consciência desancorada. Em alguns casos mais raros — e controversos —, praticantes avançados descrevem a sensação de deslocamento da própria consciência para fora do corpo.

Relatos semelhantes surgem também em contextos neurológicos específicos, como certos episódios epilépticos, bem como em experiências de quase morte (EQMs), nas quais indivíduos descrevem a sensação de observar o próprio corpo à distância, como se estivessem pairando sobre ele.

Os chamados “sonhos lúcidos” talvez sejam uma das manifestações mais intrigantes dessa fronteira entre consciência e percepção. Trata-se de um estado em que o indivíduo desperta dentro do próprio sonho e, consciente de que está sonhando, passa a interagir ativamente com o ambiente onírico. Durante muito tempo considerados apenas curiosidades subjetivas, os sonhos lúcidos começaram a ser estudados de forma mais sistemática a partir da década de 1970, especialmente graças ao trabalho do psicofisiologista Stephen LaBerge.

LaBerge demonstrou que indivíduos em estado de sonho lúcido são capazes de se comunicar com pesquisadores por meio de padrões específicos de movimentos oculares previamente combinados — uma evidência curiosa de que, mesmo imerso em uma realidade subjetiva, o cérebro mantém uma ponte mensurável com o mundo externo. Hoje, sabe-se que a indução desse estado pode ser facilitada por técnicas específicas, dispositivos de monitoramento do sono e até substâncias como a galantamine.

No caso das EQMs, os relatos são ainda mais impactantes. Muitos pacientes que passaram por estados críticos, com sinais vitais drasticamente reduzidos, descrevem experiências fora do corpo nas quais afirmam ter observado, com detalhes surpreendentes, o ambiente ao seu redor — incluindo ações e diálogos ocorridos durante procedimentos médicos, mesmo quando seus olhos estavam fechados ou cobertos.

A ciência, no entanto, ainda não chegou a um consenso sobre a origem dessas experiências. Para alguns pesquisadores, tratam-se de alucinações complexas provocadas por fatores como hipóxia cerebral, estresse extremo ou descargas neuroquímicas. Para outros, podem representar algo mais profundo — talvez um vislumbre de uma realidade que ainda não compreendemos.

O fato é que continuamos tateando no escuro quando o assunto é a natureza da consciência — e, sobretudo, da morte. Ao contrário de muitos outros mistérios da existência, este carrega uma peculiaridade incômoda: se a resposta existe, ela é invariavelmente revelada de forma individual… e irreversível.

No fim das contas, nossos últimos instantes de vida podem muito bem ser nossos primeiros momentos de verdade. Infelizmente, quando finalmente tivermos a resposta… já não haverá ninguém por perto para conferir se acertamos.

Continua…

segunda-feira, 30 de março de 2026

AS QUERELAS DO BRASIL

EXISTEM APENAS DOIS TIPOS DE PESSOAS: AS QUE CONCORDAM COMIGO E AS QUE ESTÃO ERRADAS.


A polarização na política sempre existiu, mas nunca foi tão desbragada quanto nas duas últimas disputas presidenciais. Depois que a "abertura lenta, gradual e segura" pôs fim a três décadas de jejum de urna, os brasileiros voltaram a escolher seu presidente.


Embora o cardápio da eleição solteira de 1989 listasse 22 postulantes — entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola —, o eleitorado tupiniquim, que repete a cada pleito o que Pandora fez uma única vez, enviou para o segundo turno um caçador de marajás demagogo e populista e um ex-metalúrgico populista e demagogo. 


Lula concorreu à Presidência em 1989, 1994 e 1998, foi eleito em em 2002 e reeleito em 2006, a despeito do escândalo do Mensalão. Em 2010, transformou uma nulidade em "gerentona de araque" para manter aquecida a poltrona que ele pretendia reconquistar em 2014, mas o "poste" gostou da brincadeira e insistiu em disputar a reeleição. Por motivos que agora não vêm ao caso, o criador se resignou a apoiar a criatura, que afundou o país e foi impichada em 2016 (pelo conjunto da obra; as folclóricas "pedaladas fiscais" foram apenas um pretexto para penabundar a incompetente insolente e arrogante). 


Com a deposição da "mulher sapiens", Michel Temer passou de vice titular, mas seu prometido ministério de notáveis se revelou de uma notável confraria de corruptos. O primeiro a cair foi Romero Jucá, com apenas uma semana no cargo. Na sequência, demitiram-se — ou foram demitidos — Fabiano Silveira, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, entre outros ministros e assessores presidenciais investigados na Justiça ou acusados de corrupção por delatores na Lava-Jato


Para encurtar a história, quando a conversa de alcova nada republicana que manteve nos porões do Jaburu, em maio de 2017, com o dono da JBS, Temer pensou em renunciar, mas foi demovido da ideia pelo deputado Carlos Marun, seu fiel escudeiro, que também se encarregou de comprar votos das marafonas da Câmara em número suficiente para salvar o presidente das flechadas de Janot


Observação: O patético hipopótamo dançarino foi o relator da CPI da JBS, embora tivesse recebido R$ 103 mil em doações do frigorífico e sido acusado de beneficiar uma empresa de software em contratos de R$ 16,6 milhões.


Acabou que o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil concluiu seu mandato-tampão como um "pato manco" e transferiu a faixa presidencial para o combo de mau militar e parlamentar medíocre que derrotou o títere de Lula — que não tinha o mesmo carisma que o titereiro —, tornou-se o pior mandatário desde Tomé de Souza e foi sentenciado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.


Observação: Temer chegou a ser preso em março de 2019, mas foi solto dias depois por ordem do desembargador Ivan Athié, do TRF-2 — que ficou afastado do cargo durante sete anos por suspeitas de corrupção.


A polarização esteve presente em todos os capítulos da nossa história, mas o quadro se agravou quando o Planalto passou a ser disputado pelo PT e pelo PSDB. Ainda assim, as campanhas eram relativamente civilizadas, pois mortadelas e coxinhas se tratavam como adversários políticos, não como inimigos figadais. Nas duas últimas disputas pelo Planalto, no entanto, o antagonismo exacerbado impediu que uma candidatura alternativa competitiva se consolidasse. 


Em 2018, Ciro Gomes acabou em terceiro lugar, com míseros 3,04% dos votos válidos no segundo turno. Em 2022, Henrique Mandetta, João Dória, Sérgio Moro, Eduardo Leite, Aldo Rebelo, Luciano Bivar e André Janones desistiram antes do início da corrida eleitoral. Simone Tebet ficou em terceiro lugar, com 4,16% dos votos. Soraya Thronicke, Sofia Manzano, Vera Lúcia e Padre Kelmon obtiveram resultados inexpressivos.


Como era esperado, a disputa ficou entre Lula e Bolsonaro, e o desempregado que deu certo venceu o mandrião aspirante a golpista pela menor diferença de votos desde a redemocratização (menos de 2%). Durante a campanha, o ex-presidiário "descondenado" tripudiou: "Agora quem acabou foi o PSDB". Em resposta, os tucanos disseram que o PT passou anos tentando reescrever a história, semeando o ódio, perseguindo adversários, dividindo a sociedade e montando uma usina de fake news.


No debate promovido pela Band em outubro de 2022, o Lula vociferou que "nomear amigo e companheiro para o Supremo é retrocesso" (referindo-se a Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Bolsonaro). Eleito, indicou seu ministro da Justiça, Flávio Dino, e seu advogado particular Cristiano Zanin — e ainda teve o desplante de negar a relação de amizade com o causídico, que esteve em seu casamento com Janja e a quem chamou de "amigo" em entrevista à BandNews


Faltando pouco mais de seis meses para o primeiro turno das próximas eleições, o alto nível de rejeição popular ao xamã do PT e ao sobrenome Bolsonaro animou alguns partidos com a possibilidade de finalmente romper a polarização. O PSD de Gilberto Kassab apresentou três governadores como potenciais postulantes, mas Ratinho Jr — o mais competitivo dos três — desistiu de última hora.


A despeito da fama de bom gestor, de uma administração aprovada por cerca de 80% dos paranaenses e apoio de várias lideranças, Ratinho Jr voltou atrás, movido por uma conjunção de fatores, incluindo as investigações sobre a venda da subsidiária de telecomunicações da Copel e as conexões com Nelson Tanure —suposto sócio oculto de Vorcaro nas traficâncias do Master. Mas a filiação de Sérgio Moro ao PL também pesou: até então, o governador paranaense achava que faria seu sucessor com facilidade, mas o ex-herói nacional já aparece como franco favorito nas pesquisas. 


Os índices de desaprovação do governo federal e o derretimento da popularidade de Lula sugerem que ele é "bananeira que deu cacho", mas engana-se quem pensa que o pontifex maximus da Petelândia é carta fora do baralho. Segundo as pesquisas, cerca de 33% dos entrevistados não se declaram petistas nem bolsonaristas, 26% não votaram no em Lula nem em Bolsonaro na eleição passada — ou votaram e se arrependeram, —, 27% escolheram o macróbio mas não se identificam como de esquerda, e 18% dos que votaram no "mito" dos anencéfalos não se reconhecem como de direita.


Somados, esses grupos representam 71% do total de votos, e, pelo menos em tese, podem ser conquistados por qualquer candidato — o núcleo duro da polarização é formado por apenas 11% e 18% de esquerdistas e direitistas convictos, respectivamente, de modo que existe espaço para uma candidatura de terceira via.


Os extremos fazem barulho nas redes sociais, pautam a cobertura da mídia, alimentariam o algoritmo. Há “avenida enorme” para uma candidatura de centro (não confundir com o Centrão adesista) neste ano, mas cabe aos interessados priorizar a defesa da democracia, a reorganização dos programas sociais e um plano de desenvolvimento centrado nas novas tecnologias e novas relações de trabalho.


A questão é que quase todo tema polêmico — como a “taxa das blusinhas”, a PEC da Segurança Pública e até a CPMI do INSS — se torna refém da polarização no Congresso. Ainda não se sabe o que o PSD pretende fazer nas áreas da economia e da segurança pública. O MDB, dividido como sempre em alas, se preocupa mais com querelas paroquiais e a disputa para a Câmara dos Deputados — cujo resultado é decisivo para a divisão dos bilionários fundos eleitoral e partidário. Já o PSDB, que governou o país por dois mandatos com FHC, perdeu quadros, capilaridade nacional e capacidade de dialogar com o eleitorado. 


Observação: Geraldo Alckmin, que foi quatro vezes governador de São Paulo pelo PSDB, disputou a Presidência em 2006 — e foi derrotado por Lula no segundo turno — e em 2018 — quando amargou um vexatório quarto lugar. Apesar de ter dito que eleger o petista era o mesmo que reconduzir um criminoso à cena do crime, filiou-se ao PSB para concorrer à vice na chapa encabeçada pelo ex-adversário — talvez achando que essa seria sua única de aboletar na poltrona mais cobiçada do Palácio do Planalto. Só que faltou combinar com O Ceifador, sem falar que que o diabo detesta concorrência.


A maioria dos analistas políticos estima que a eleição deste ano será decidida pelos eleitores considerados independentes. No escrete eleitoral de Lula, nunca houve uma preocupação com a hipótese de uma candidatura de centro ganhar corpo a ponto de chegar ao segundo turno, mas, há apreensão com a possibilidade de os escândalos de corrupção sob investigação — especialmente do caso do Banco Master e da roubalheira contra aposentados e pensionistas do INSS — alterarem esse cenário.


Flávio Bolsonaro trabalha para que o centro e a direita não apresentem concorrentes — além de sugerir Ratinho Jr como seu vice, o filho do pai mandou emissários sondarem Ronaldo Caiado e Romeu Zema para o posto. Contrariando a tradição familiar de verborragia, o senador das rachadinhas tem economizado nas palavras, deixando Lula se desgastar sozinho com os problemas da administração federal. Nos últimos dias, defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública — ideia que foi sugerida por petistas, mas rejeitada por Lula


Na semana passada, Xandão autorizou a prisão domiciliar humanitária para o atual presidiário mais famoso desta banânia por um prazo inicial de 90 dias. Mesmo obrigado a usar tornozeleira eletrônica e proibido de acessar redes sociais e de gravar áudios ou vídeos, o condenado estará mais à vontade para ajudar na organização da campanha do primogênito, que tenta se vender com a roupagem de "moderado".


Resumo da ópera: No início deste século, ainda predominava a crença de que, na democracia, os moderados prevalecem — e moderam os radicais. Houve até quem acreditasse na possibilidade de juntar os melhores quadros do PT e do PSDB para contribuir com um governo capaz de modernizar o país. Hoje, mesmo os quadros reconhecidamente ponderados se mantêm abrigados sob os guarda-chuvas da polarização para continuarem relevantes no xadrez político, e, em determinadas situações, os extremistas estão conseguindo radicalizar os moderados.


Caberá ao eleitor decidir qual caminho irá seguir, e a exemplo do que ocorreu nas últimas campanhas, o caminho do centro continua acidentado e sem uma liderança clara.