terça-feira, 27 de maio de 2025

O PAÍS DA CORRUPÇÃO — 8ª PARTE

LASCIATE OGNI SPERANZA VOI CH'ENTRATE!

Para assegurar a independência do Ministério Público Federal em relação ao Executivo, a Constituição de 1988 condicionou a destituição do PGR à aprovação do Senado. Assim, prestar vassalagem a presidente que o indicou não fazia parte das atribuições de Augusto Aras. No entanto, seduzido pela promessa (jamais cumprida) de uma vaga no STF, o antiprocurador lambeu as botas de Bolsonaro até dezembro de 2022 — e estaria lambendo as de Lula se não tivesse sido preterido por Paulo Gonet.

 

Ao longo de 79 fases, a Lava-Jato contabilizou 1.450 mandados de busca e apreensão, 211 conduções coercitivas, 132 mandados de prisão preventiva e 163 de temporária. Foram colhidos materiais e provas que embasaram 130 denúncias contra 533 acusados e geraram 278 condenações (sendo 174 nomes únicos), num total de 2.611 anos de pena. Foram propostas 38 ações civis públicas e 735 pedidos de cooperação internacional, e mais de R$ 4,3 bilhões foram recuperados por meio de 209 acordos de colaboração e 17 de leniência.

 

Tudo ia bem até que os procuradores cometeram o "pecado mortal" de mirar dois ministros do STF e um parlamentar rachadista que, coincidentemente, era filho do presidente da República. A partir de então, o ministro Gilmar Mendes passou de defensor a crítico ferrenho da força-tarefa e articulador do fim da prisão em 2ª instância. Paralelamente, o procurador que nada encontrava porque não procurava disparou o tiro de misericórdia na operação que expôs as entranhas pútridas dos governos petistas e trancafiou no xilindró bandidos travestidos de executivos das maiores empreiteiras do país e políticos ímprobos do mais alto escalão do governo federal.

 

A pá de cal foi gentilmente fornecida pelo site esquerdista Intercept Brasil, com o vazamento seletivo de mensagens roubadas dos celulares de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outros procuradores por uma quadrilha de hackers capiaus. No entanto, ainda que sugerisse uma colaboração explícita entre quem acusava e quem deveria julgar com imparcialidade, o material espúrio não foi periciado pela PF, já que "provas" obtidas criminosamente carecem de valor legal. Mesmo assim, Moro passou de herói nacional a "juiz parcial", e Lula, de presidiário a inquilino do Planalto (pela terceira vez), onde agora busca concluir a demolição da economia — iniciada no 1º mandato de sua pupila e interrompida pelo processo de impeachment.

 

Ao embarcar numa canoa que deveria saber furada, Moro iniciou um périplo pelos nove círculos do inferno. A exemplo de Aras, deixou-se seduzir pela promessa (jamais cumprida) de uma vaga no STF, e assim trocou 22 anos de magistratura por um efêmero ministério no governo daquele que viria a ser o pior mandatário desde Tomé de Souza. Pode-se acusá-lo de ter sido ingênuo (para dizer o mínimo), mas não de condenar Lula motivado por "ambições políticas". Primeiro, porque a sentença foi proferida em julho de 2017, quando ninguém levava a sério a possibilidade de Bolsonaro ser eleito presidente; segundo, porque o petista foi preso por determinação do TRF-4, que não só ratificou a condenação como aumentou a pena em um terço.

 

Observação: Durante os 580 dias de férias compulsórias na carceragem da PF em Curitiba, sempre que alguém lhe perguntava se estava bem, o pontifex maximus da seita do inferno respondia: "Só vou ficar bem quando foder o Moro".

 

As coisas poderiam ter tomado outro rumo se Moro continuasse engolindo sapos depois da folclórica reunião interministerial em que Bolsonaro ameaçou trocar o superintendente da PF antes que "alguma sacanagem fodesse sua família ou um amigo". Na coletiva de imprensa que convocou para anunciar seu desembarque do governo, ele acusou o presidente de interferir politicamente na PF — a revelação desse segredo de Polichinelo resultou na abertura de um inquérito para apurar os fatos, mas tudo acabou em pizza quando o ministro Celso de Mello se aposentou.

 

Como juiz federal, Moro enquadrou poderosos em processos de grande repercussão, como o escândalo do Banestado, a Operação Farol da Colina e a Operação Fênix, e condenou figuras do alto escalão da política e do empresariado, como Lula, José Dirceu, Sergio Cabral e Emílio e Marcelo Odebrecht. Em 2018, sua imagem de herói nacional ajudou o mau militar e parlamentar medíocre a se passar por inimigo da corrupção e conquistar o apoio da classe média. Como ministro, foi traído por Bolsonaro; ao deixar o governo atirando, passou de ídolo a traidor na visão dos bolsonaristas — para os lulopetistas, ele sempre foi tido como algoz de seu amado líder.

 

Como aspirante à inquilino do Planalto, Moro se filiou ao Podemos, migrou para o União Brasil e foi sabotado por Luciano Bivar — que fingiu interesse em disputar a Presidência para tirá-lo do jogo, como já o havia tirado do Podemos. Candidato a deputado federal por São Paulo, elegeu-se senador pelo Paraná. A despeito de ter escapado da cassação, sua apagada atuação parlamentar ombreia com a de Bolsonaro (que aprovou míseros dois projetos em quase 3 décadas como deputado do baixo-clero). Refém do personagem que criou na Lava-Jato e do político pouco habilidoso que demonstrou ser, vem colhendo os frutos do que plantou ao trocar o certo pelo duvidoso. 


Na Divina Comédia, Dante percorre o inferno e o purgatório guiado pelo poeta Virgílio, e o paraíso, pela mão de sua amada Beatriz. Na política, cada um precisa fazer seu caminho, e o ex-juiz entrou nessa sem guia. Mas a questão que se coloca é: como estaria o Brasil se o establishment não tivesse conspirado para o aborto de seu voo de galinha?  The answer, my friend, is blowing in the wind — ou num universo paralelo: segundo a Interpretação de Muitos Mundostoda decisão ou evento quântico que ocorre no nosso se desdobra em múltiplas realidades, cada uma com um desfecho diferente.

Moro ingressou na política embrulhado na bandeira do combate à corrupção. Mesmo com voz de pato e trocando “cônjuge” por “conje”, “comigo” por “com mim” e “depredaram” por “depredraram”, talvez ele se saísse melhor como presidente do que como ministro — até porque a prometida carta branca era “para inglês ver”; o que Bolsonaro queria era um vassalo que dançasse conforme a música que ele tocasse, e via o ex-juiz como um potencial adversário, alguém que no futuro poderia ameaçar seu projeto de poder.  

Quando foi abatido no voo de galinha rumo ao Planalto, Moro mirou a Câmara Federal e acertou o Senado. Sua migração entre partidos escancara a falta de apoio político — um problema grave no presidencialismo de coalizão. A judicialização da política durante a Lava-Jato deixou sequelas: parte da população ainda o vê como herói; outra, como justiceiro seletivo. Seu apoio à reeleição do presidente que o obrigou a engolir sapos e beber a água da lagoa foi um escárnio, e sua atuação como parlamentar revelou-se irrelevante.

É provável que Moro fosse menos desastroso que Bolsonaro ou Lula. Seu governo provavelmente teria uma abordagem mais pragmática, com foco em reformas estruturais em vez de populismo. Mesmo sem o carisma do xamã petista ou a conexão emocional do refugo da escória da humanidade com seu "gado", o ex-juiz poderia conquistar o apoio dos antipetistas não-bolsonaristas — mas correria o risco de se tornar refém do Centrão e repetir os vícios que sempre criticou.

Enquanto Lula acumulou feitos sociais (ainda que nitidamente populistas e eleitoreiros) e Bolsonaro reavivou uma extrema-direita que estava no armário desde o fim da ditadura, a força de Moro estaria na promessa de normalidade institucional — algo frágil em um país com demandas urgentes por emprego e serviços básicos como educação, saúde e segurança. 

Moro teria vantagens técnicas sobre Bolsonaro e simbólicas sobre Lula, mas sua inabilidade política e o peso de suas contradições limitariam seu alcance. Seria um presidente imperfeito, mas menos nocivo à democracia que o capetão e menos vulnerável a escândalos que o macróbio petista. Sua gestão dificilmente resolveria os problemas estruturais do país, mas talvez evitasse os extremos dos últimos anos. Numa era de opções ruins, “menos pior” pode ser o máximo que a política oferece — e, nesse critério rasteiro, Moro se beneficiaria do fracasso alheio.

Observação: diante das opções impostas por cegos mentais em 2018 e 2022, até Ciro Gomes teria sido uma escolha mais lúcida para quebrar a polarização. Mas o cearense de Pindamonhangaba concorreu à Presidência quatro vezes (1998, 2002, 2018 e 2024) e não chegou ao segundo turno em nenhuma delas.

Continua...

segunda-feira, 26 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 29ª PARTE

NÃO ESTÁ MORTO O QUE PODE EM ETERNO JAZER; EM ESTRANHOS ÉONS, ATÉ A MORTE PODE MORRER.

A construção de uma base lunar facilitaria a exploração de Marte e outros planetas do Sistema Solar.


Como a gravidade na Lua é aproximadamente um sexto da terrestre, o lançamento de espaçonaves exigiria menos energia (ou seja, menos combustível). Mas haveria problemas significativos, como os altos níveis de radiação e outros efeitos ambientais adversos a que os astronautas estariam sujeitos durante sua permanência no satélite.

 

Em Marte, a atmosfera é rarefeita, empoeirada e composta basicamente por dióxido de carbono. As tempestades de poeira duram meses e a temperatura média na superfície do planeta é de -63°C. A baixa gravidade (38% da terrestre) permite saltos mais altos e movimentos ágeis, mas o traje de 130kg dificulta a locomoção. A perda de densidade óssea é semelhante à que ocorre em ambientes de microgravidade, e os astronautas precisarão contar com suprimentos e medicamentos suficientes para a estada no planeta, sem falar que a viagem de volta terá de ser planejada meticulosamente.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Algumas páginas da história não devem ser viradas, mas arrancadas. Lula foi preso em 2018, mas voltou ao Planalto graças à desastrosa passagem de Bolsonaro. 

Inelegível até 2030 e provavelmente condenado antes do final do ano pelos crimes de tentativa de golpe e organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio público e deterioração de patrimônio tombado, Bolsonaro insiste em sua falaciosa candidatura em 2026,  e direita demorar a escolheu quem o substituirá .

O governador Tarcísio de Freitas já deu nome aos bois: PL, PP, União Brasil, PSD, Republicanos e Podemos formarão uma frente anti-Lula. Sua fala agradou o centrão, mas irritou Bolsonaro — como se a criatura cantasse Raul Seixas ao criador: "Sou a mosca que pousou na sua sopa". 

Ciro Nogueira amenizou: "O Brasil pode chamar Tarcísio de presidente em breve, agora ou em 2030", e o ex-presidiário do mensalão e dono do PL, Valdemar Costa Neto, cravou: "Bolsonaro é quem vai decidir o candidato. Ele é o dono dos votos." 

No fim, a mosca e a sopa são a mesma coisa: Tarcísio parece boiar no caldo bolsonarista, mas está afogado nele. Se quiser avançar, terá que afinar com Bolsonaro — e prometer o indulto. 

Triste Brasil.

 

É importante não confundir baixa gravidade com microgravidade. A Estação Espacial Internacional (ISS), que orbita a Terra a cerca de 400 km de altitude e 28 mil km/h, está num estado de "queda livre contínua", já que sua velocidade tangencial permite manter essa trajetória sem jamais atingir o solo. Como os astronautas e todos os objetos dentro da estação "caem juntos", a microgravidade causa a impressão de que eles estão flutuando.

 

O limite entre a atmosfera terrestre e o espaço sideral é chamado de Linha de Kármán e "fica" a 100 km acima do nível do mar. A partir dessa altitude, a atmosfera se torna tão rarefeita que qualquer aeronave comum perderia a sustentação — daí as naves espaciais não terem nenhum tipo de asa. Mas não se trata de limite físico absoluto, até porque a atmosfera terrestre não "termina" abruptamente aos 100 km: a ISS orbita a Terra a 400 km de altitude, mas ainda dentro da termosfera, onde há traços de atmosfera suficientes para causar algum arrasto.

 

O fogo também se comporta de maneira diferente num ambiente de microgravidade: as chamas assumem um formato esférico e a combustão ocorre de maneira mais lenta e uniforme, podendo inclusive persistir de forma "silenciosa", sem labaredas visíveis. Como o calor e fumaça se distribuem todas as direções, fica difícil detectar e debelar um eventual incêndio — em 1997, os tripulantes do módulo Mir levaram cerca de 15 minutos para um incêndio causado por um vazamento numa válvula de oxigênio.

 

Num passado distante, Marte apresentou condições ambientais semelhantes às terrestres, com rios de água líquida e clima "habitável", com uma atmosfera densa o bastante para proteger a superfície do planeta da radiação solar, mas seu campo magnético enfraqueceu e atmosfera esvaneceu — daí os cientistas estudarem o passado marciano para entender o que pode ocorrer com a Terra no futuro.

 

Voltando ao ponto central desta postagem, problemas causados pela exposição à microgravidade e à radiação cósmica galáctica (GCR) foram detectados pela primeira vez no final dos anos 1960, durante o projeto Apollo. Atualmente, os cientistas buscam entender melhor os efeitos que viagens longas e missões com anos de duração podem causar nos rins e em outros órgãos viscerais — além da perda de massa óssea, enfraquecimento do coração e da visão, alguns astronautas apresentaram aumento generalizado de cálculos renais decorrentes da exposição aos ventos solares e à GCR proveniente do espaço profundo.

 

Para que as missões espaciais sejam relativamente seguras, os cientistas precisam descobrir como o sistema imunológico dos astronautas é afetado. Uma equipe de pesquisadores de mais de 40 instituições em cinco continentes analisou dados fisiológicos, anatômicos e bimoleculares de missões na órbita baixa da Terra realizadas por humanos e roedores na ISS. Os camundongos submetidos a doses de GCR equivalentes a expedições a Marte durante 1,5 e 2,5 anos revelaram mudanças nos dados genéticos relacionados aos linfócitos T — responsáveis por funções imunológicas —, que podem resultar em doenças autoimunes e infecções que persistiram mesmo depois que cobaias voltam à gravidade normal.

 

Continua...

domingo, 25 de maio de 2025

SOBRE O CHURRASCO NOSSO DE CADA DOMINGO

CADA UM TECE COMO LHE APETECE

Quando ainda era candidato a um inusitado terceiro (e queira Deus derradeiro) mandato, certo ex-presidiário descondenado prometeu "devolver a picanha e a cervejinha à mesa dos brasileiros". Acabou que a carne, o café, os ovos, os azeites, os laticínios e outros gêneros alimentícios ficaram ainda mais caros. 


Mesmo assim, o pseudo-parteiro do Brasil maravilha segue candidatíssimo à reeleição — como se seus índices de aprovação  não fossem os piores de toda sua trajetória política —, e quem nao abre mão do churrasquinho de domingo é obrigado a comprar mais linguiça e substituir os cortes nobres por outros "menos caros", como e o caso da fraldinha.

 

Churrasco como manda o figurino deve ser regado a caipirinha e muita cerveja gelada. Mas a mistura de cerveja com churrasco não só resulta numa "bomba calórica" como também estufa o estômago e eleva os índices de colesterol no sangue. Remover a capa de gordura antes de grelhar deixa a carne seca, e retirá-la no prato não resolve o problema do colesterol, devido ao alto índice de gordura entremeada nas carnes vermelhas. Esse "marmoreio" não é facilmente visível, mas é rico em LDL (o "mau colesterol" presente nas gorduras saturadas). Mal comparando, é como a ressaca, que só se evita abrindo mão da caipirinha, da cerveja, do vinho, do uísque e de qualquer outra bebida alcoólica. 

 

Por falar em vinho, os tintos combinam bem com carne vermelha, mas o álcool resultante da fermentação da uva pode inibir temporariamente o funcionamento da enzima AMPK, que é importante para o metabolismo celular. Já a cerveja, os refrigerantes e a água gaseificada tendem a causar desconforto abdominal (quando não azia e refluxo) devido à presença do gás carbônico. 

 

Segundo um estudo publicado na Elsevier, o processo de metabolização e digestão do álcool, quando consumido com alimentos de origem animal, pode produzir ésteres etílicos de ácidos graxos, comprometendo a barreira intestinal e permitindo a passagem de toxinas para a corrente sanguínea. Por outro lado, o consumo ocasional de churrasco e cerveja (ou qualquer outra bebida alcoólica) não causa problemas sérios à saúde, embora o álcool reduza temporariamente a produção de enzimas digestivas, tornando a digestão mais lenta e aumentando momentaneamente os níveis de colesterol no sangue. 


Em suma, quem tem problemas com colesterol alto deve evitar essa combinação com frequência. Quanto às calorias, 100 ml de álcool puro contém aproximadamente 700 kcal — quase o dobro contido em 100 g de açúcar. Da feita que caipirinha é basicamente uma mistura de álcool e açúcar com uma pequena parte de suco de limão, faça as contas.

 

De acordo com os especialistas, suco de uva integral e chá gelado são ricos em antioxidantes e ajudam a neutralizar os componentes tóxicos formados durante o preparo do churrasco, Sucos de limão, abacaxi, laranja e maracujá também ajudam na digestão, e a água de coco, que tem alto poder de hidratação, ajuda a balancear o excesso de sódio no churrasco.

 

Fica a sugestão. No mais, cada um tece como lhe apetece. 

sábado, 24 de maio de 2025

BLOQUEANDO ANÚNCIOS INVASIVOS NO GOOGLE CHROME

NÃO VÁ AONDE NÃO TE QUEREM NEM VÁ AMIÚDE AONDE ÉS BEM-VINDO.


A Internet teve origem na ARPANET, que foi desenvolvida pelo Departamento de Defesa dos EUA durante a Guerra Fria. Inicialmente concebida para uso militar, a rede foi gradativamente estendida a instituições acadêmicas, órgãos governamentais e grandes corporações. 


Com o avanço da tecnologia e a crescente demanda por comunicação global, ela se tornou acessível ao público em geral, primeiro através de serviços como AOL, CompuServe ou Prodigy, que ofereciam conteúdo num espaço delimitado e mais algumas portas de saída que permitiam aos internautas mais arrojados um acesso mais amplo. Mas a popularização veio com o surgimento dos browsers (navegadores).   


Em meados dos anos 1990, os poucos internautas domésticos que havia usavam o Netscape Navigator. Mais adiante, a Microsoft licenciou o código do Spyglass Mosaic, criou o Internet Explorer, incluiu-o no Windows 95 Plus! e o promoveu a componente nativo do festejado Windows 98. Em 1997, o IE destronou o Navigator e liderou o mercado até meados de 2012, quando foi superado pelo Google Chrome


Atualmente, os principais navegadores se equivalem em desempenho e recursos, mas o programa do Google é o preferido de 66% dos internautas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


No dia em que o ex-comandante da Aeronáutica confirmou ao STF a tramoia golpista de Bolsonaro, o secretário de Estado dos EUA afirmou à Comissão de Relações Exteriores da Câmara que Alexandre de Moraes pode ser enquadrado na chamada "Lei Magnitsky", que o proibiria, entre outras coisas, de entrar naquele país. Eduardo Bolsonaro — que está no Texas, sustentado pelo pai, com o propósito de cavar punições a "Xandão" —, puxou a comemoração do bolsonarismo nas redes, como se coubesse ao Tio Sam o papel de xerife global. 

Tanto Bolsonaro pai quanto os extremistas que o apoiam sabem que, mesmo que Moraes fosse proibido de entrar nos EUA, não haveria chance de o Supremo ceder à pressão, até porque não se trataria de uma agressão a um juiz em particular, mas ao Judiciário como um todo. Demais disso, se uma punição acontecesse, seria um óbvio ataque à soberania brasileira. O jogo do ex-presidente só pode prosperar na crise, na bagunça, na arruaça. Prova disso é a proposta de anistia aos golpistas que ele defende, mesmo sabendo ser inconstitucional. 

Com o depoimento devastador de Batista Júnior, o plano homicida de golpe de Estado padece de excesso de provas. Não havendo no ordenamento jurídico tupiniquim resposta possível para salvar os criminosos, os devotos do capetão, que já cantaram o Hino Nacional para pneu e enviaram sinais de celular para alienígenas, agora apelam ao "Império do Norte". 

O complexo de vira-lata rosna sabujice, ressentimento e vigarice.

 

Como publiquei uma longa sequência sobre navegadores entre 6 de maio e 16 de junho de 2020, seria redundante descer a detalhes, mesmo porque o mote desta postagem é a ferramenta nativa do Chrome que permite bloquear anúncios invasivos no PC e em smartphones. O recurso é ativado nas configurações do navegador e barra anúncios indesejados, como pop-ups e vídeos com reprodução automática. Embora não remova todas as formas de publicidade exibidas nos sites, ele proporciona uma navegação mais agradável.

 

Para configurá-lo no PC, abra o menu de opções do Chrome (clique no ícone de três pontos, no canto superior direito da tela), selecione Configurações > Privacidade e segurança (na guia no canto esquerdo da tela) > Mais configurações de conteúdo > Anúncios invasivos e, na seção Comportamento padrão, marque a opção A publicidade é bloqueada em sites que mostram anúncios invasivos ou enganosos.

 

No celular, abra o Chrome, toque no botão de três pontos, role a tela até o final, toque em Configurações > Configurações do site > Anúncios invasivos e ative a chave ao lado dessa opção para bloquear todas as publicidades que sejam invasivas ou denunciadas como enganosas.

 

Para desativar anúncios personalizados do Google, acesse as configurações de sua Conta Google e, na Central de Anúncios, desmarque a opção de anúncios personalizados. Também é possível encontrar na Google Play Store extensões para o Chrome (como uBlock Origin, Privacy Badger e AdGuard AdBlocker) e navegadores alternativos (como Opera, Brave Browser, etc.).

 

Observação: o Chrome para Android não suporta, oficialmente, o uso de extensões. O AdGuard for Android oferece bloqueio de anúncios em todo o sistema, inclusive dentro de apps e jogos, mas isso na versão paga (a gratuita bloqueia anúncios apenas no navegador). 

sexta-feira, 23 de maio de 2025

O PAÍS DA CORRUPÇÃO — 7ª PARTE

ARGUMENTAR COM QUE RENUNCIOU À LÓGICA É COMO DAR REMÉDIO A DEFUNTO.

Dilma jamais foi capaz de juntar sujeito e predicado numa frase que fizesse sentido. No funeral do papa, disse que "Francisco era um papa religioso". Como era esperado, o disparate viralizou, e como não poderia deixar de ser, logo surgiram as explicações: 

"Ela disse que o papa era religioso na acepção da palavra "religare", ou seja, que ele unia, ligava as pessoas", lecionou um explicador — que ainda teve o desplante de classificar a usina de garranchos verbais como uma das maiores mulheres da história deste país.

Num de seus tropeços mais recentes, a mulher sapiens afirmou que "o Sul Global conta também com países do Norte". Os aliados se apressaram a dizer que é isso mesmo, que o Sul Global tem países do Norte — mas a pergunta que se coloca é: por que essa senhora sempre se expressa de forma tão confusa?

Aparentemente, o problema não é apenas cognitivo, embora os elevados conhecimentos econômicos da dita-cuja tenham levado o Brasil à depressão, mas sim de oratória — e um político sem oratória não é nada, ou, pelo menos, não deveria ser. 

Velhos vícios são inimigos acastelados que só a morte expurga. Nem bem o deputado Eduardo Cunha deu sinal verde para o impeachment de Dilma, o PT levou aos lábios o trombone do golpe. Mas como falar em golpe quando o "golpeado" tem direito à mais ampla defesa e o julgamento do processo no Senado é acompanhado pelo STF? Golpe, mesmo, foi a tramoia urdida pelos esquerdistas e chancelado pelos então presidentes do Congresso e do Supremo, que evitou a cassação dos direitos políticos da impichada.

Como se fosse pouco, assim que se aboletou no trono pela terceira vez, Lula disse que era preciso encontrar uma maneira de reparar a injustiça sofrida pela nefelibata da mandioca em 2016 — chegou-se a cogitar uma devolução simbólica do mandato, como o Congresso fez em 2013 com João “Jango” Goulart, que foi destituído pelo golpe de 64. Acabou que madame ganhou sobrevida política como presidenta do "Banco dos BRICS" (com salário anual de meio milhão de dólares).

Observação: Nesta quinta-feira, Dilma foi reconhecida como anistiada política pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania em razão de tortura e perseguição que sofreu durante a ditadura militar, além de receber uma indenização de R$ 100 mil e um pedido de perdão, feito em nome do Estado brasileiro pela presidente da Comissão. 

Lula e a patuleia ignara alegam que Dilma foi inocentada das pedaladas fiscais, mas o que o TRF-1 fez foi manter o arquivamento da ação de improbidade administrativa sem resolução de mérito. Na realidade distorcida do macróbio, sua protegida foi julgada por "uma coisa que não aconteceu" — como se o impeachment não tivesse sido bem fundamentado juridicamente e chancelado pelo Supremo.

O art. 52 da Constituição Cidadã dispõe que cabe ao Senado processar e julgar presidente e vice-presidente da República por crimes de responsabilidade, e que a condenação implica a perda do cargo e a inabilitação por oito anos para o exercício de função pública. Collor renunciou horas antes do julgamento para evitar a cassação, mas ficou inelegível por 8 anos. Dilma foi julgada e condenada, mas, estranhamente, preservou seus direitos políticos.

Lula escolheu Dilma para manter aquecida a poltrona que pretendia reassumir dali a quatro anos porque não teve peito para levar adiante o "golpe via emenda constitucional" que lhe garantiria um terceiro mandato. e Dirceu e outras estrelas do alto escalão petista estavam no xilindró. Mesmo sem ser política ou ter capacidade para gerir o que quer que fosse, ela tomou gosto pelo poder, e ao "fazer o diabo" para se reeleger, pariu a maior crise econômica da história deste país. Ela foi defenestrada pelo conjunto da obra — as folclóricas “pedaladas fiscais” foram apenas um detalhe. 

Ao afirmar que não sabia do aparelhamento das estatais, da promiscuidade com empreiteiras, dos superfaturamentos milionários e das escaramuças no Orçamento com fins eleitorais, Dilma insulta a inteligência alheia; ao negar os desvios ocorridos na Petrobras, escarnece dos brasileiros; e ao manter Graça Foster na presidência da estatal, a despeito de a roubalheira ter ocorrido durante sua gestão, demonstra que aprendeu com Lula que corrupção só acontece na oposição.

Em sua fase mais delirante, a Rainha Má desfilava com bolsas das grifes Hermès e Vuitton. Quando viajava ao exterior, hospedava-se nos melhores hotéis, frequentava os mais finos restaurantes e se empanturrava de bombons Chocopologie e chocolates Delafee (recobertos com fios de ouro 24K). Se estivesse de dieta, mordia um pedacinho e jogava o resto no lixo. 

O Brasil se retroalimenta da corrupção. Negociações entre Executivo e Legislativo existem na maioria das democracias, mas as negociatas feitas no Brasil são absolutamente delirantes. Talvez isso se deva, em parte, ao fato de nossa Constituição ser eminentemente parlamentarista, e o voto do esclarecidíssimo eleitorado no plebiscito de 1993 ter enfunado as velas do presidencialismo de cooptação.

Como pode dar certo um país onde, desde o ""suicídio" de Getúlio Vargas, o Congresso ora chantageia o Executivo, ora lhe é subserviente?

quinta-feira, 22 de maio de 2025

META AI

DURANTE MILHÕES DE ANOS, A HUMANIDADE VIVEU EXATAMENTE COMO OS ANIMAIS. ENTÃO ACONTECEU ALGUMA COISA QUE DESENCADEOU O PODER DA IMAGINAÇÃO.

Meta AI foi lançada oficialmente em outubro de 2023 e integrada aos principais aplicativos da empresa (como WhatsApp, Instagram, Facebook e Messenger). Ela oferece desde sugestões para o jantar a respostas para perguntas de alta indagação científica, e é capaz de criar conteúdo visual, mas ainda comete erros e "alucinações" na geração de imagens e textos. 


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Ao tentar adiar o início dos depoimentos das testemunhas, os advogados de Bolsonaro e de outros réus do chamado "núcleo crucial" da trama golpista tentaram adiar o início dos depoimentos das testemunhas, mas Moraes manteve o cronograma — no total serão ouvidas 82 testemunhas até o dia 2 de junho — e passou uma carraspana no ex-comandante do Exército Freire Gomes: "Ou o senhor falseou a verdade na Polícia Federal ou está falseando a verdade aqui". 

Baptista Júnior, ex-chefe da Aeronáutica, afirmou à PF que Freire Gomes ameaçou prender Bolsonaro e que Garnier ofereceu apoio. Mesmo após levar um sabão de Moraes, continuou soando como se desejasse salvar o amigo Garnier da guilhotina: "Ele disse que estava com o presidente, a intenção do que ele quis dizer com isso não me cabe". Baptista Júnior e Freire Gomes testemunharam as mesmas conversas golpistas de Bolsonaro. A menos que um deles apresente um atestado provando que sofre de amnésia, pode-se intuir que alguém está torturando a verdade.  

Por enquanto, não surgiu nas defesas orais e escritas dos encrencados um mísero argumento capaz de rebater as evidências colecionadas pela PF. Bolsonaro se diz vítima de "perseguição política", quando na verdade é perseguido pelas provas reunidas a partir da delação do seu ex-ajudante de ordens e corroboradas por um general e um brigadeiro que comandavam o Exército e a Aeronáutica. Quer dizer: o aglomerado que Bolsonaro chamava de "Minhas Forças Armadas" tornou-se fornecedor de chaves de cadeias. 

Xandão trabalha com um cronograma não declarado que prevê a prolação das sentenças entre os meses de setembro e outubro, e até aqui, para desassossego dos réus, é acompanhado em suas decisões pela unanimidade da 1ª Turma.


Para iniciar uma conversa com o assistente da Meta, toque no círculo azul e roxo (ele aparece tanto na aba de conversas individuais quanto em grupos), pergunte ou solicite alguma coisa, como "sugira uma receita de strogonoff" ou "crie uma imagem de um pôr do sol na praia". Em grupos, digitando @MetaAI, a assistente responde diretamente na conversa, de modo que todos os participantes possam interagi com ela.


Use o comando "imagine" para descrever cenários — como “um gato lendo jornal” ou “uma nave espacial atravessando um buraco de minhoca” — e receba as imagens solicitadas, que podem ser aprimoradas caso não correspondam exatamente ao que você imaginava. Para obter melhores resultados, seja o mais específico possível nas suas descrições e pedidos.

Com mais de 120 milhões de usuários de WhatsApp no Brasil, segundo estimativas recentes, a MetaAI tem potencial para alcançar uma audiência massiva. Empresas e pequenos empreendedores já vêm explorando o recurso para criar conteúdo promocional ou esclarecer dúvidas de clientes, o que indica que a ferramenta pode transformar até mesmo a comunicação comercial dentro do WhatsApp.

A competição com outras inteligências artificiais, como o ChatGPT, da OpenAI, e o Gemini, do Google, representa um desafio — mas também uma oportunidade para a Meta se destacar. Afinal, sua integração ao WhatsApp é apenas o começo de uma transformação mais ampla. Assim como os smartphones, as assistentes virtuais tendem a se integrar ao nosso cotidiano, e os avanços tecnológicos prometem novas funcionalidades, ampliando ainda mais as possibilidades de interação com a inteligência artificial.

quarta-feira, 21 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 28ª PARTE

NA PRÁTICA A TEORIA É OUTRA

 

Ainda que viajar no tempo seja hipoteticamente possível, a tecnologia atual não permite construir naves capazes de atingir velocidades próximas à da luz, impedindo que os astronautas fruam dos benefícios da dilatação do tempo


Além disso, o aumento relativístico da massa exigiria uma quantidade virtualmente infinita de energia para continuar acelerando, a simples chegada dos viajantes ao passado produziria paradoxos temporais, e não se sabe como o corpo dos astronautas reagiria a uma viagem a mais de um bilhão de quilômetros por hora.


A maior velocidade que seres humanos suportaram até hoje foi de 11,08 km/s (ou 39.897 km/h), durante a reentrada da cápsula da Apollo 10 na atmosfera terrestre — 5,7% dos 693 mil km/h que a Parker Solar Probe alcançou em dezembro passado, equivalente a 0,0643% da velocidade da luz. Mas o maior desafio fisiológico não é a velocidade em si, mas a aceleração necessária para alcançá-la. 


Num avião, depois que nossas costas são empurradas contra o encosto da poltrona durante a decolagem, a sensação é de repouso, mesmo a mais 800 km/h. Da mesma forma, os astronautas sofreriam os efeitos da aceleração, não da velocidade constante, mas o caminho até uma velocidade próxima à da luz poderia ser fatal. Em tese, poder-se-ia manter uma aceleração gradual e constante, mas se isso se prolongasse pelo tempo necessário para acelerar até quase 300 mil km por segundo seria extremamente longo, e o corpo humano certamente se ressentiria dos efeitos dessa aceleração.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A 1ª Turma do STF considerou inconstitucional a manobra da Câmara que interrompeu a ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem. Alegando que a decisão foi uma "violação direta e frontal aos preceitos fundamentais da separação de Poderes" e da "imunidade parlamentar formal", o presidente da Câmara recorreu ao plenário. 

Em qualquer democracia, e a brasileira não é exceção, o Legislativo não tem direito de passar por cima da Constituição. Era do conhecimento de todos os que votaram a favor da suspensão da ação penal que as chances de tal aberração prosperar são próximas de zero

Para que o Brasil se vacine contra novas tentativas de golpe, os denunciados pelo que aconteceu em 2022 e 2023 devem ser julgados, e os culpados condenados. Promover a cizânia entre Poderes é um desserviço à democracia. 

Permanências muito longas no espaço — como a dos astronautas que retornaram à Terra em meados de março passado após quase nove meses na Estação Espacial Internacional — tendem a causar perda de densidade óssea e muscular, diminuição do tamanho do coração, sono irregular, enfraquecimento do sistema imunológico e impactos na saúde mental (para saber mais, clique aqui). Assim, além de submeter os astronautas a um programa de reabilitação que dura até 45 dias, a NASA vem buscando maneiras de minimizar os efeitos da exposição prolongada à microgravidade, radiação cósmica e outras condições ambientais adversas. 

Numa viagem da Terra à Lua, a distância média de 384.400 km  — que as missões Apollo faziam em 3 dias e as sondas modernas fazem em menos de 24 horas — não seria o problema. A questão é o tempo que os astronautas teriam de permanecer no satélite para construir de uma base que sirva de "trampolim" para a exploração de Marte e outros planetas do Sistema Solar.  

 

A água congelada existente nas calotas polares da Lula ser convertida em oxigênio e hidrogênio para combustível, e uma base lunar permitiria não só armazenar equipamentos e alimentos como testar tecnologias e sistemas num ambiente de baixa gravidade antes de enviar missões tripuladas ao planeta vermelho, que as sondas espaciais levam de 128 a 333 dias para alcançar. 

 

O programa Artemis da NASA visa retomar as viagens tripuladas à Lua e estabelecer uma presença sustentável no satélite. A ESA e a CNSA também têm investido em missões lunares, mas a agência norte-americana foi a única até agora a enviar missões tripuladas à Lua — que continua sendo o corpo celeste mais distante alcançado pela homem. Mas as viagens tripuladas a Marte vem sendo planejadas há décadas, e a SpaceX divulgou recentemente que tenciona levar humanos até lá até 2054.

 

Considerando a duração da viagem de ida e volta e duas semanas no planeta vermelho, os astronautas passariam mais de um ano fora da Terra. Além de contornar os efeitos da microgravidade e dos altos níveis de radiação do espaço, é preciso melhorar a eficiência de combustíveis para sustentar o empreendimento e garantir o retorno seguro da tripulação. A Rússia vem desenvolvendo um motor elétrico de plasma — que funciona a partir do empuxo gerado pela aceleração de partículas altamente ionizadas — que promete reduzir o tempo de viagem a menos de dois meses. 

 

Continua...