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quarta-feira, 24 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — SOBRE A ENGENHARIA EXTRATERRESTRE

TALENTOS OCULTOS NÃO VALEM NADA.


Para o advogado do diabo, dizer que se tanta gente avistou discos voadores é porque há discos voadores é um argumento lógico tão fraco quanto sustentar que tanta gente acredita em Papai Noel porque Papai Noel existe.

Ignorar sistematicamente o que tanta gente — inclusive pilotos militares sob juramento — afirma ter visto também não é ciência, mas sim dogma com jaleco branco. Mas o fato é que a História está coalhada de indícios de visitas de seres extraterrestres, tanto em priscas eras quanto atualmente.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Amigo e líder de Lula no Senado, Jaques Wagner é apontado como "beneficiário central" de "vantagens econômicas" de integrantes do Master. Isso inclui um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, uso de aeronaves e até ingresso para o camarote de show internacional em Los Angeles. Coisa de R$ 63,3 mil. Por uma trapaça do azar, o petismo e seu xamã ficaram inibidos de sapatear sobre uma promessa descumprida por Flávio Bolsonaro.

No dia 19 de maio, após reunião com as bancadas federais do PL, o filho de Bolsonaro disse ter feito uma encomenda ao fundo americano que recebeu a verba pedida por ele a Daniel Vorcaro e à produtora brasileira do filme Dark Horse. Deveriam apresentar, em até 30 dias, uma prestação de contas com o detalhamento das despesas com o filme. O prazo que o rival de Lula se autoconcedeu venceu exatamente nesta quinta-feira, mesmo dia em que a PF sacudiu o coreto do líder petista.

Em vez de exibir a prometida escrituração dos R$ 61 milhões que mordeu de Vorcaro a pretexto de financiar a cinebiografia do pai, o filho sentiu-se à vontade para agir como um macaco que senta no próprio rabo para falar mal da cauda dos outros. Acomodado sobre seus vícios, o rival de Lula declarou: "O PT da Bahia acaba de ser implodido pela Polícia Federal com uma operação contra o líder do governo do PT no Senado Federal, Jaques Wagner. Isso é um alento de que a impunidade vai ser combatida..."

Ao recusarem duas ofertas de colaboração premiada de Daniel Vorcaro, a PF e a PGR instalaram em Brasília uma espécie de câmara de descompressão. Jaques Wagner estava entre os políticos que respiravam aliviados. Animou-se a contestar no Senado, na terça-feira, reportagem da Veja que atribuiu a Vorcaro revelações sobre os negócios do Master com o PT baiano.

Estufando o peito como uma segunda barriga, o líder petista discursou: "Já desafiei vários a me mostrarem qual foi a investigação da (Polícia) Federal que encontrou algo sobre o meu comportamento". Decorridas menos de 48 horas, o senador obteve uma amostra do que foi descoberto sobre ele. Para complicar, a novidade veio ornamentada pela imagem do dinheiro apreendido.

Em entrevista, Jaques Wagner disse ter recebido telefonema de solidariedade de Lula. Anunciou: "Eu continuo na liderança até que o presidente peça que eu me retire. Não acho que ele vai fazer isso." Toda crise tem um preço. Lula parece ignorar uma obviedade: quem regateia paga mais caro. A sorte foi traiçoeira com Lula. Ele percorrerá a campanha à reeleição mancando, com o espinho do Master enfiado no pé esquerdo.


A construção das pirâmides de Gizé e Stonehenge chamam a atenção por sua conexão com fenômenos astronômicos importantes e pelo desafio enfrentado por seus "construtores", que dispunham apenas cinzéis, marretas, rampas de madeira, cordas, polias e outras ferramentas rudimentares. Isso deu azo a teorias da conspiração sobre o uso de tecnologias inexistentes à época e, por conseguinte, a especulações acerca de uma suposta ajuda de alienígenas. 

O mesmo raciocínio se aplica às Linhas de Nazca, a Puma Punku,, aos Moais da Ilha de Páscoa, à fortaleza inca de Sacsayhuamán, a Teotihuacán, ao Templo de Júpiter, e por aí afora. Igualmente difícil é explicar são os tapetes voadores e as cavernas repletas de tesouros que se abriam por comando de voz — como o célebre Abre-te Sésamo — retratados nos Contos das Mil e Uma Noites, lembrando que aviões e edifícios com portas automáticas só surgiram dali a 4 mil anos. Ou a imaginação dos "escritores das Arábias" era mais prodigiosa do que a dos autores de ficção científica contemporâneos, ou essas "fantasias" retratavam coisas que eles já conheciam.

Os deuses das mitologias grega e nórdica habitavam lugares acima das nuvens — o Monte Olimpo e Asgard, respectivamente. Textos cuneiformes dos antigos assírios descrevem divindades vindas das estrelas que viajavam em barcos celestiais. Os sumérios desenvolveram o sistema sexagesimal que usamos até hoje em relógios e bússolas, e foram capazes de prever eclipses solares e lunares com precisão suficiente para orientar calendários agrícolas e cerimônias religiosas. Seus deuses eram associados a estrelas e planetas numa época em que sequer se cogitava a existência de sistemas solares, e eram retratados como seres com estrelas na cabeça ou cavalgando esferas aladas.

Carruagens com rodas cuspindo fogo foram descritas tanto nos apócrifos de Abraão quanto nos de Moisés, como aponta Erich von Däniken em Eram os deuses astronautas? — livro rotulado como "pseudociência" por acadêmicos, mas que vendeu mais de 80 milhões de cópias mundo afora — e a Teoria dos Antigos Astronautas, que inspirou a bem-sucedida série Alienígenas do Passado, produzida pelo History Channel.

Perto de Bagdá, foi descoberto em 1936 um artefato de dois mil anos que experimentos modernos demonstraram ser capaz de gerar mais de 1,4 volts de eletricidade — potência suficiente para eletrodeposição de metais. A arqueologia oficial hesita em confirmar seu uso como bateria, mas a hesitação, ela mesma, é sugestiva.

Textos do Mahabharata descrevem uma arma chamada Brahmastra, cujos efeitos — luz cegante equivalente a dez mil sóis, explosão devastadora, terra que se torna estéril por gerações, cabelos e unhas que caem nos sobreviventes — são suficientemente precisos para que Oppenheimer, ao assistir ao primeiro teste nuclear em 1945, tenha citado espontaneamente o Bhagavadgita. Coincidência literária ou memória de algo que de fato aconteceu?

Não se nega que muitas teorias da conspiração permeiam o assunto, mas algumas proposições de Von Däniken, mesmo que não comprovadas, contam com defensores ilustres, como o russo Zecharia Sitchin — que contribuiu para difundir o tema com sua interpretação de textos antigos do Oriente Médio — e o britânico Graham Hancock, que dá continuidade às teorias seguindo a linha de argumentação do pesquisador suíço, embora a considere incompleta.

Com base na obra de Homero, Heinrich Schliemann pavimentou a descoberta de Tróia. No apogeu da civilização maia (entre 250 e 900 d.C.), grandes cidades, pirâmides e praças majestosas foram erguidas em plena floresta tropical do México, da Guatemala e de Belize. Teóricos da conspiração atribuem esse prodígio ora a alienígenas, ora a habitantes do continente perdido de Atlântida.

Em Stonehenge Decoded, o astrônomo Gerald Hawkins estima que a estrutura foi erguida no período neolítico, quando as Ilhas Britânicas eram habitadas por povos considerados atrasados em relação a seus contemporâneos mediterrâneos.

Não se sabe o destino das bibliotecas de Jerusalém e de Pérgamo, nem quantos segredos se perderam com as destruições em massa dos livros históricos, astronômicos e filosóficos ordenadas pelo imperador chinês Shih-Huang, por Hitler e por Mao Tsé-Tung. Um alfarrábio contendo "toda a ciência da antiguidade" foi destruído pelo imperador inca Pachacuti, e milhões de volumes pertencentes a Ptolomeu I Sóter foram incinerados por ordem do califa Omar sob a alegação de que afrontavam o Alcorão.

O que se perdeu nessas fogueiras, não se sabe, mas sabe-se que a história do conhecimento humano não é uma linha reta ascendente — é um arquipélago de ilhas separadas por mares de silêncio.

Continua...

terça-feira, 26 de maio de 2026

O QUE CONECTAR PRIMEIRO, O CARREGADOR NA TOMADA OU O CELULAR NO CARREGADOR?

TUDO É FÁCIL QUANDO SE SABE. 

Mesmo as coisas mais simples têm ciência. Se até cozinhar ovos exige expertise, que dirá carregar a bateria do celular. Como esse procedimento se resume a inserir o carregador na tomada e o conector do cabinho no aparelho, pouca gente se preocupa com a sequência certa — que, aliás, não é mencionada claramente no manual do usuário. 


Segundo os pais da matéria, para manter o aparelho protegido de sobretensões (variações inesperadas da tensão para valores acima dos estabelecidos), conecte primeiro o carregador na tomada e só então plugue o cabo no celular. Para desligar, retire primeiro o cabo do celular e, em seguida, o carregador da tomada. Essa ordem evita que uma corrente reversa flua para o aparelho e cause danos aos componentes. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Jair Bolsonaro e filhos nunca foram chegados no batente nem se caracterizaram por terem boas ideias — a de enfrentar a pandemia a golpes de negacionismo custou ao chefe da quadrilha a reeleição, e a de montar uma rede de ilegalidades para ficar no poder levou-o à prisão. O projeto de criar um partido morreu antes de nascer, o que fez a turma da extrema se acoitar no PL que saiu de legenda mediana para o lugar de maior bancada na Câmara. A união vigorou como bênção até agora, mas se transformou em maldição e passou para a antessala da demolição depois que o presidiário decidiu fazer do primogênito candidato a presidente.

Pega de calças curtas pela intimidade de Flávio Bolsonaro com o "mermão" Daniel Vorcaro, a agremiação do ex-presidiário do mensalão Valdemar Costa Neto ficou vendida nas versões desencontradas e na incerteza do que pode vir por aí, podendo, inclusive, perder o bonde da Presidência e assistir ao que se desenha como um efeito dominó em sua área de influência. O prócer do aliado PP, Ciro Nogueira, já se foi. Outros integram a fila da beira do abismo.

As adversidades mais visíveis localizam-se nos três maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, os estilhaços têm potencial para atingir Tarcísio de Freitas, cuja percepção do risco se materializa na solidariedade bem mais ou menos que o governador empresta ao enroscado Flávio. Em Minas Gerais, o partido rivaliza com o PT na dificuldade de formação de palanque. Mas é no Rio de Janeiro, berçário político da grei Bolsonaro, que o PL fica pior na fita.

A Justiça não parece disposta a permitir que o presidente da ALERJ assuma o Palácio Guanabara para completar o mandato interrompido de Cláudio Castro que, pego como cúmplice nas falcatruas da Refit, perdeu qualquer condição de concorrer ao Senado. Nos demais estados, essa direita se divide entre o compasso de espera e os preparativos para o abandono do navio.

Que morram todos com a boca cheia de formiga.


Habitue-se também a deixar o telefone carregando por mais tempo que o necessário (o ideal é manter o nível de carga entre 20% e 80%). Os riscos de superaquecimento e explosão são desprezíveis quando a bateria e o carregador são originais ou homologados pelo fabricante do aparelho, pois um sistema inteligente interrompe a passagem de corrente quando a bateria está cheia. 


Igualmente recomendável é retirar o carregador da tomada quando ele estiver ocioso, pois mantê-lo ligado desnecessariamente gera o chamado "consumo fantasma", diminui a vida útil do dispositivo e aumenta o risco de acidentes. 


O consumo é extremamente baixo para um carregador original e certificado, mas o desgaste contínuo dos circuitos internos é real, pois o carregador é essencialmente um transformador de tensão — quando você o mantém na tomada, seus circuitos ficam permanentemente energizados e aquecem o transformador interno, sem falar nos danos causados por eventuais picos ou quedas de tensão da rede elétrica (comuns durante tempestades com raios).


Carregadores originais possuem sistemas de segurança avançados, porém o cenário muda com fontes de má qualidade ou fios danificados. Podem ocorrer superaquecimento e curto-circuitos, principalmente se o carregador ficar em locais abafados, isso sem falar no risco de choques elétricos caso crianças ou animais de estimação peguem ou mordam o cabo energizado.


Como dizia meu avô: "quem avisa amigo é".

terça-feira, 30 de julho de 2024

EXPLOSÃO DE CELULAR EM ELEVADOR

quem dá voz a burros não pode se queixar dos zurros.

Antes da Internet, a mídia controlava as massas; com o advento das redes sociais, os idiotas da aldeia, que antes só tinham direito à palavra na mesa do bar, agora têm mesmo direito de um Prêmio Nobel. A função precípua da imprensa é noticiar os fatos, mas o interesse do público por eventos negativos levou os editores a se valerem de manchetes chamativas e conteúdo sensacionalista para aumentar a circulação de seus pasquins. 

Em 1963, o Grupo Folha criou o jornaleco "Notícias Populares", que abusava de manchetes escandalosas (e não raro mentirosas) para vender seu peixe podre. Ele deixou circular 2001, mas excrescências policialescas como Cidade Alerta, Balanço Geral e Brasil Urgente não lhe ficam devendo nada quando se trata de explorar a sequidão sanguinária da escumalha que o Criador escalou para povoar esta banânia. 
 
Dias atrás, a explosão de um celular num elevador, que aconteceu em outubro de 2021, viralizou nas redes sociais como se ainda fosse possível sentir o cheiro da fumaça. Requentar notícias velhas e servi-las como novas não é novidade, e o "vale a pena ver de novo" foi largamente explorado por âncoras de programas de TV que são incapazes de encontrar o próprio rabo usando as mãos e uma lanterna.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Todo fato tem pelo menos três versões: a minha, a sua e a verdadeira. Maduro está podre, mas ainda não caiu do galho. A despeito de todas as pesquisas indicarem que Edmundo González Urrutia o venceria com 64% dos votos, Elvis Amoroso, chefe do Conselho Nacional Eleitoral e aliado de Maduro, anunciou a vitória do tiranete de merda (por 51,2% a 44,2%) quando 80% dos votos haviam sido apurados. Maduro se reelegeu, mas daí a ter sido reeleito vai uma boa distância. Segundo Maria Corina, líder da oposição, Urrutia obteve 70% dos votos

Gabriel Boric disse que o Chile não reconhecerá nenhum resultado "que não seja verificável" e Javier Milei, que a Argentina não vai reconhecer "outra fraude" (em resposta, Maduro chamou o argentino de "bicho covarde", "traidor da pátria" e "fascista e nazista"). Gonzalez-Olaecha declarou que o Peru não aceitará "a violação da vontade popular do povo venezuelano", e o ministro das Relações Exteriores da Colômbia pediu a contagem total dos votos e uma auditoria independente.

No discurso em rede nacional em que teceu elogios rasgados a seu terceiro mandato, o Sun Tzu de Atibaia não deu um pio sobre a "vitória" do déspotaO governo brasileiro afirmou que aguarda a divulgação dos dados e evitou reconhecer a vitória de Nicolás Maduro na eleição. Em nota, o Itamaraty destacou a importância de uma 'verificação imparcial dos resultados' e emitiu um alerta de segurança aos brasileiros na Venezuela, diante dos 'recentes acontecimentos' no país.

 Nas redes, adversários usam fotos e vídeos para criticar a proximidade entre Lula e Maduro. Segundo o assessor especial Celso Amorim, a votação transcorreu "com tranquilidade e sem incidentes", apesar das denúncias de que o CNE paralisou a transmissão de dados de diversos centros de votação, das testemunhas que foram impedidas de obter os boletins de urna que certificam os votos em cada centro, dos episódios de violência nas cidade de San Antonio del Táchira e Guásimos e das suspeitas de que um jovem tenha sido assassinado por disparos de um coletivo chavista. 

Antes do resultado ser anunciado, a vantagem de González sobre Maduro era de 20 a 35 pontos percentuais, mas nenhuma dessas pesquisas pôde ser divulgada dentro da VenezuelaMinutos após a divulgação do resultado, Maduro disse em discurso a apoiadores que sua reeleição foi o "triunfo da paz e da estabilidade". 

Então tá. E eu sou o coelhinho da Páscoa.


A alta densidade energética das baterias de íon-lítio torna-as potencialmente inflamáveis, e defeitos de fabricação, impactos e perfurações podem danificar as camadas internas de proteção e causar curtos-circuitos, incêndios e até explosões. No entanto, num universos de quase 8 bilhões de aparelhos, apenas 130 casos (0.0000017333%) foram documentados entre 2022 e 2023, e a maioria resultou de defeitos de fabricação — como os que ensejaram a explosão de várias unidades do Samsung Galaxy Note 7 em 2016.

 
Embora seja um dos maiores responsáveis pela venda de ventiladores e condicionadores de ar, o calor não anda de mãos dadas com a tecnologia. No interior de um veículo estacionado sob o sol num dia de muito calor, a temperatura pode ultrapassar 60°C. Isso é calor suficiente para acelerar a degradação química das baterias de íon de lítio (ou polímero de lítio, no caso do iPhone) e provocar a explosão de isqueiros descartáveis, mas para um celular pegar fogo ou explodir é preciso que a temperatura suba a 130°C. 
 
Os aparelho modernos integram um sensor térmico que os desliga automaticamente quando a temperatura interna da bateria atinge 50°C, bem como um sistema de segurança que interrompe a passagem de corrente quando a bateria está 100% carregada. No entanto, se nem as baterias originais estão livres de defeitos congênitos, o que dizer dos modelos de reposição genéricos  e de carregadores e cabos marca barbante, como os vendidos nos "melhores camelódromos do ramo"?
 
Como cautela e canja (não confundir com Janja) não fazem mal a ninguém, desligue o celular e remova a capinha antes de colocar o aparelho na carga. Baterias de íon ou polímero de lítio não estão sujeitas ao efeito memória e, portanto, não há benefício algum (antes pelo contrário) em descarregá-las totalmente. A primeira carga não precisa ser de 12 ou 24 horas (até porque o processo é interrompido automaticamente quando o nível de energia chega a 100%). A maioria dos smartphones vem com pelos 40% de carga e desliga automaticamente quando nível fica entre 10% e 5% (para prolongar a vida útil da bateria, os especialistas recomendam manter a carga entre 20% e 80%). Usar o telefone enquanto a bateria está carregado não causa danos, mas, mal comparando, é como abrir a torneira para encher a pia sem tapar totalmente o ralo. 
 
Plugar o carregador na tomada antes de introduzir o conector USB-C (ou micro-USB) no aparelho ajuda estabilizar a corrente, evitando picos de tensão. Ao final da recarga, recomenda-se remover o plugue USB do carregador, o plugue menor da portinha do telefone e o carregador da tomada, nessa ordem. Evite manter o carregador permanentemente conectado à tomada — o consumo em stand-by é insignificante, mas somado ao do relógio do micro-ondas, do modem, do roteador, dos decodificadores da TV por assinatura e dos televisores... enfim, faça as contas.
 
A tensão elétrica das nossas tomadas (corrente alternada) pode ser de 110V, 115V, 115~127V ou 220V, e os celulares operam com corrente contínua de 3,7V a 5V. A conversão da alta tensão fornecida pela tomada é um compromisso conjunto do carregador e de um chip que regula a quantidade de energia que a bateria pode receber. A potência dos carregadores convencionais varia de 5W a 10W, mas a dos carregadores rápidos chega a ser 8 vezes superior. Para descobrir a potência do carregador (que, por alguma razão, os fabricantes não informam), multiplique a voltagem pela amperagem (exemplo: um carregador de 9V e 1,67 mAh tem potência nominal de 15 Wh). 
 
ObservaçãoO miliampere/hora (submúltiplo do ampere/hora) corresponde à quantidade de carga elétrica transferida por uma corrente estável de 0,001 ampere durante uma hora. Não se trata da "potência" da bateria, que é expressa em Wh, mas de sua capacidade de fornecer energia (autonomia).
 
Boatos.org, que vem desmentindo notícias e correntes falsas no Brasil desde 2013, aponta que a maioria dos rumores relacionando carregadores de celular a ferimentos e mortes são "fake news". Mas explosões envolvendo baterias de íon de lítio, em 2016, ensejaram um recall mundial do Galaxy Note 7. No ano seguinte, a Samsung divulgou que o problema decorreu de falhas no isolamento de componentes fabricados por dois fornecedores.
 
Recarregue o celular em local aberto, ventilado e livre de umidade, e não manuseie o carregador com as mãos molhadas. Evite enrolar ou dobrar o cabinho do carregador — ele estiver danificado, compre um novo (fita isolante não resolve). Volto a lembrar que reiniciar o sistema operacional de tempos em tempos é fundamental para a saúde de qualquer dispositivo computacional — e o que são os smartphones senão microcomputadores ultraportáteis? —, pois esvazia a RAM, corrige erros de software e muito mais. 
 
Num mundo permanentemente conectado, uma breve pausa pode ser um respiro não só para os aparelhos, mas também para nossa mente. Então, por que não unir o útil ao agradável e aproveitar essa horinha de trégua para relaxar, tomar um café ou levar o cachorro para passear?

quarta-feira, 12 de junho de 2024

DICAS PARA MANTER O DESEMPENHO DO CELULAR NOS TRINQUES (FINAL)

O SILÊNCIO É UM AMIGO QUE NUNCA TRAI.

Todo aplicativo consome recursos e todo arquivo ocupa espaço. Instalar programas desnecessários e armazenar milhares de fotos e centenas de vídeos no celular resulta em lentidão, mesmo que o dispositivo disponha de 6GB de RAM e 256GB de armazenamento. 

Portanto, elimine o crapware, instale somente apps necessários e transfira para um pendrive ou HDD externo ou para a nuvem sua fototeca e sua filmoteca. Configure o sistema para suspender ou encerrar apps que não são usados com frequência e recorra a ferramentas de diagnóstico, como o Phone Doctor, para identificar e reparar os problemas mais comuns. 
 
Se seu orçamento o obrigar a comprar um smartphone com 4GB de RAM e 64GB de armazenamento, você pode possa emular memória com o RAM Plus, que é disponibilizado por alguns modelos Samsung e Xiaomi e permite usar parte da memória interna como "RAM virtual", e ampliar o armazenamento com um SD-Card
Existem dezenas de tipos desses cartões no mercado, mas nem todos são aceitos por todos os smartphones. Consulte o manual do seu aparelho (ou do aparelho que você pretende comprar) para saber se ele compatível com SDHC ou SDXC e quais das três principais classes de velocidade ele suporta (mais detalhes nesta postagem).  

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Vivo, Cazuza cantaria: "Brasil, mostra tua cara / Quero ver quem paga / Pra gente ficar assim / Brasil, qual é o teu negócio / O nome do teu sócio / Confia em mim." Explico: a PEC das Praias passou na Câmara sem alarde e subiu para o Senado, onde tem como relator o famoso senador das rachadinhas e mansões milionárias. Mas o presidente da Casa pisou no freio ao declarar que a votação não será pautada "da noite para o dia", e o feitiço da invencibilidade digital da direita bolsonarista acabou enfeitiçado na praia das redes. Desde então, o filho do pai desperdiça saliva em entrevistas e postagens. "Não tenho interesse pessoal nisso, não sou proprietário de área beneficiada, não estou levando dinheiro do Neymar nem do empreendimento que ele fará", disse FB ao Globo. 
Esforçando-se para dar um aroma social à empreitada, Zero Um alardeou que a PEC presentearia habitantes pobres da orla com títulos de propriedade e mencionou os moradores do Complexo da Maré e dos quilombolas da Restinga de Marambaia, no Rio. Mas o bolsonarismo deixou-o apanhando sozinho nas redes. Ainda que a milícia digital organize uma mobilização tardia, já não há força no universo capaz de deter a maledicência segundo a qual o que move o primogênito do aspirante a tiranete não é a Maré nem a Restinga, mas a ideia fixa do pai de criar "uma Cancún em Angra dos Reis. 
Zonzo, FB tem dificuldades para manter a língua na coleira. Na mesma entrevista, ele disse que a PEC não tem nada de agressivo às praias, que todo mundo gosta de ir a um resort em Cancún, em Miami, na Espanha, na Grécia, e que a ideia é fazer um troço pequeno no Brasil para tentar estimular empreendimentos. E fechou com chave de ouro dizendo que, para fazer empreendimento em Angra, Salvador, qualquer lugar de Alagoas, seguirá existindo toda uma burocracia ambiental. 
Deu para entender?
 
O Bluetooth é útil em diversas situações, mas pode causar interferências ou erros de emparelhamento. Se desligar e religar o recurso não resolver, reinicie o smartphone; se o problema persistir e o "modo detectável" estiver ligado, limpe o cache do Bluetooth; se mesmo assim não funcionar, reverter o aparelho às configurações de fábrica costuma solucionar esse e uma porção de outros problemas. 
 
Por ser ultraportátil, o celular está sujeito a impactos e quedas. Segundo a Lei de Murphy, se cair, vai quebrar. Capinhas e películas protegem o aparelho, mas não fazem milagres — clique aqui e aqui para saber quais modelos são mais indicados. Se a tela trincar ou rachar, você terá de substituí-la — o conserto custa caro e nada garante que as coisas voltam a ser como dantes no quartel de Abrantes.
 
A autonomia da bateria pesa tanto quanto a RAM e o armazenamento na escolha de um smartphone. Modelos
 "premium" trazem baterias de 6.000 mAh, mas quem usa intensamente o aparelho não está livre de fazer um "pit stop" entre as recargas. A boa notícia é que baterias de íons ou polímero de lítio não estão sujeitas ao famigerado efeito memória, podendo ser recarregadas a qualquer momento, e sempre se pode recorrer ao "carregamento rápido" e a softwares que otimizam o consumo energético (mais detalhes na sequência de postagem iniciada aqui). 
 
A potência dos carregadores rápidos chega a ser 8 vezes superior à dos convencionais, mas nem todo aparelho suporta essa tecnologia (consulte o manual o site do fabricante). E muitos dos que suportam vêm acompanhados de carregadores comuns. 

Observação: Para descobrir a potência do carregador, basta multiplicar a voltagem pela amperagem. Meu Galaxy M23 suporta um carregador de 25 W (9V x 1,67A), mas veio com um modelo de 15 W, que demora cerca de 90 minutos para levar a bateria de 20% a 100%.  
 
Evite deixar o celular na carga a noite toda. Os riscos de superaquecimento e explosão são desprezíveis quando a bateria e o carregador são originais ou homologados pelo fabricante do aparelho, já que um sistema inteligente interrompe a passagem de corrente quando a bateria está cheia. No entanto, seguro morreu de velho, de modo que não custa nada desligar o telefone, tirá-lo da capinha, recarregá-lo num local fresco e ventilado e, ao final, desconectar o carregador do telefone e da tomada, nessa ordem.
 
A autonomia informada pelos fabricantes é medida em "condições controladas" — com temperaturas em torno de 20-25°C, umidade do ar otimizada, sinal de rede estável, Wi-Fi, Bluetooth, e GPS desligados, brilho da tela inferior a 50% e usando apenas "aplicativos-padrão" —, que não refletem o que acontece no dia a dia. Mesmo assim, não é normal
 um aparelho relativamente novo precisar ser recarregado duas ou três vezes por dia. Antes de levar o dito-cujo a uma assistência técnica de confiança, experimente fazer o seguinte:
 
1 — Abra as configurações, toque em Bateria > Atividade da bateria, identifique os aplicativos que consomem mais energia, suspenda os que você acessa com frequência e desinstale os que nunca usa;
2 — Diminua o brilho da tela e o tempo de "timeout", ative os modos escuro e de economia de energia e reduza a quantidade de ícones na tela inicial;
3 — Desative o disparo automático do flash, a sincronização automática de fotos e vídeos, as conexões sem fio, o serviço de GPS e os alertas sonoros/vibratórios;
4 — Use papel de parede preto em telas AMOLED ou OLED, instale um antivírus responsável e mantenha o sistema e os apps atualizados (atualizações de software geralmente incluem otimizações de bateria). 

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

MELHOR PREVENIR DO QUE REMEDIAR... (QUARTA PARTE)

TODA PARTÍCULA QUE VOA SEMPRE ENCONTRA UM OLHO.

Quando baixamos a tampa do notebook sem desligá-lo, o hardware continua funcionando. Se o aparelho dispõe de disco rígido (eletromecânico), qualquer impacto — ou trepidação excessiva — pode resultar no surgimento de “bad blocks”. 

Ainda que os portáteis sejam projetados com vistas à mobilidade, não se deve movimentá-los demais durante o uso (modelos equipados com drives de memória sólida são menos sensível a esse problema, mas nem por isso devemos submetê-los a castigos severos).

Jamais segure o note pela tela, que é delicada e suscetível a danos causados pela pressão dos dedos. Pressionar o visor de cristal líquido pode fazer com que linhas de pixels ruins apareçam, e segurar o note com uma só das mãos, forçar as dobradiças da tampa (o certo é segurá-lo aberto e usar sempre as duas mãos).

Fontes de alimentação com conectores semelhantes podem operar com voltagens diferentes. Um carregador não homologado pelo fabricante do celular (ou do notebook) pode danificar o aparelho ou, em situações extremas, provocar a explosão da bateria. Se for preciso usar uma fonte “universal”, observe ao menos se, além do conector adequado, ela permite ajustar a voltagem para atender especificamente às exigências do seu dispositivo.

Como dito, smartphones (e tablets) foram projetados com vistas ao uso em trânsito, e o armazenamento interno, baseado em memória flash, tornam-nos menos sensíveis a vibrações ou impactos, mas nem por isso você deve tratar seu celular nas patas do coice. Aliás, o fato de levá-lo a toda parte aumenta o risco de quedas, ensopamento, exposição a temperaturas elevadas e que tais.

Mesmo que o aparelho seja “à prova d’água”, não é recomendável entrar com ele no mar (quando mais não seja devido à salinidade da água) ou na piscina (idem com relação ao cloro e outros produtos químicos usados no tratamento da água). Tampouco deve-se “esquecer” o telefoninho no porta-luvas quando se vai deixar o carro estacionado por horas a fio sob o sol causticante do verão. Quanto a tombos e impactos, a lei de Murphy não foi revogada. Se o celular achar de cair e o piso for 90% recoberto por carpete, a queda ocorrerá em algum ponto dos 10% de piso cru, e com a tela virada para baixo.

No tempo dos dumbphones, as capinhas dispunham de um clipe que se prendia ao cinto ou ao cós da calça, mas isso é coisa do passado. Não há problema em levar o smartphone no bolso, mas convém evitar o bolso traseiro da calça. Primeiro porque os aparelhos atuais são quase tão grandes quanto uma tábua de carne — e, com metade da carcaça exposta, o smartphone chama a atenção dos amigos do alheio. Segundo porque o risco de esquecer de tirar o dito-cujo do bolso antes de acomodar o buzanfã numa cadeira, poltrona etc. pode causar danos (não só, mas principalmente) ao display. E moçoilas que vestem calças 3 números abaixo de seu manequim para ressaltar o derrière voluptuoso nem precisam se sentar para expor o telefoninho a uma torção para a qual ele não foi projetado.

Outro detalhe que merece destaque é a autonomia da bateria — quanto maior a amperagem, melhor, pois maior será o intervalo entre as recargas. Considera-se adequada uma bateria que permita usar o celular durante um dia inteiro sem “pit stop”, e isso exige pelo menos 5.000 mAh. Menos que isso exige diminuir o brilho do display, desabilitar o alerta vibratório e as conexões Bluetooth, Wi-Fi, NFC, o GPS e outros recursos que não estiverem sendo utilizados, sob pena de ficar sem carga no meio do dia.  

Fechar aplicativos desnecessários e impedi-los de rodar em segundo plano também ajuda a poupar energia. No Android, basta tocar em Configurações > Bateria > Detalhes de uso e ativar a Economia de bateria (este roteiro foi baseado no Motorola G60, mas, de modo geral, vale para a maioria dos aparelhos, embora nomenclatura e caminhos possam variar um pouco).

Ao contrário da baterias de níquel-cádmio dos tempos de antanho, as atuais, à base de íon/polímero de lítio, não estão sujeitas ao “efeito memória”, de modo que podem ser recarregadas a qualquer momento. Aliás, não é preciso colocar o celular na carga após tirá-lo da caixa e esperar 8, 12 ou 24 horas para começar a utilizá-lo, como se recomendava antigamente.

Se você precisar sair e seu telefone estiver com pouca carga, os carregadores “TurboPower” (da Motorola) e assemelhados são sopa no mel, pois recarregam a bateria mais rapidamente do que os modelos convencionais — alguns minutos na tomada são suficientes para horas de uso, e a presença de chips e da ligação entre software e hardware permitem que o celular administre o carregamento de modo a não haver prejuízo para a vida útil da bateria.

Observação: De acordo Hélio Oyama, Diretor de Gerenciamento de Produtos da Qualcomm na América Latina, o carregamento rápido é um compromisso conjunto de hardware e software. O hardware, no próprio celular, recebe a energia e procede ao carregamento rápido da bateria inserida no smartphone, enquanto o software é responsável pela análise da necessidade (quantidade) de energia, pelo nível de carregamento da bateria, pelo nível de potência e por manter nos patamares adequados a corrente, a voltagem e a temperatura durante a recarga.

Continua...

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

MITO OU VERDADE? (FINAL)

QUEM TENTA FUGIR DA PRÓPRIA SOMBRA ACABA CAINDO DE CARA.

Recomenda-se não usar o celular enquanto a bateria estiver carregando e desconectar o carregador da tomada na iminência de um temporal. Aliás, essa dica vale para qualquer aparelho elétrico ou eletroeletrônico, dada a possibilidade de um raio atingir a rele elétrica, gerando uma sobretensão capaz de torrar os circuitos eletrônicos de eletrodomésticos e afins.

Conforme eu disse no post anterior, incêndios de smartphones e explosões de baterias podem acontecer, mas nem sempre pelos motivos que costumamos imaginar. Nove em dez eventos dessa natureza têm a ver com baterias e carregadores "xing-ling". Portanto, quando substituir esses componentes, dê preferência a peças de reposição originais ou, no mínimo, homologadas pelo fabricante. Evite usar adaptadores e conserte (ou mande consertar) tomadas com tomadas com mau contato.

Observação: Se você reparar que seu celular está "inchado" ou que alguma parte da tela levantou, desligue-o e procura uma assistência técnica. Nesse caso existe a possibilidade de componentes químicos da bateria vazarem e até causarem uma explosão. E fique de olho também na temperatura: se o aparelho estiver esquentando mais do que o normal procure um especialista (lembrando sempre que aquecimento moderando durante a recarga ou quando o aparelho é exigido a fundo, como durante a atualização de aplicativos, não deve ser motivo de preocupação).

Itens comprados pela Internet com origem nos EUA, China e Austrália, entre outros, foram conectados a redes elétricas de alta tensão e apresentaram isolamento insuficiente contra descargas elétricas. Carregadores genéricos nem sempre integram componentes da mesma qualidade dos usados nos originais, como fios com a resistência adequada à corrente recebida e sensores que interrompem a passagem de energia quando a bateria está totalmente carregada, como se fossem disjuntores.

A Apple, que tem como ponto alto a excelência de seus produtos, já criticou publicamente sites de vendas online por terem em seus catálogos artigos falsificados, que, em situações extremas, poderiam colocar vidas em risco. Em 2016, a organização britânica Trading Standards, que faz campanhas de conscientização sobre segurança do consumidor, testou 400 carregadores falsificados da Apple e constatou que 99,25% deles falharam em quesitos básicos de segurança.

De fato, não adianta de nada ter um ótimo celular com bateria de alta qualidade se seu carregador não consegue realizar as funções básicas de regular a tensão e entregar uma corrente estável e adequada para o dispositivo.

Observação: Os carregadores têm a função de transmitir para a bateria a energia que vai provocar reações químicas na peça e que, por sua vez, darão energia para o celular funcionar. Se houver oscilações e volume inadequado de energia chegando ao aparelho, a vida útil da bateria pode ser deteriorada. Usar carregadores falsificados ou danificados podem contribuir negativamente para isto.

A tensão elétrica das nossas tomadas (corrente alternada) pode ser 110V, 115V, 115~127V ou 220V, ao passo que os celulares operam em corrente contínua com valores entre 3,7 e 5 volts. A conversão da alta tensão fornecida pela tomada para a tensão adequada à bateria do telefone é um compromisso conjunto do carregador e de um chip conhecido como E75 e U2, que regula a quantidade de energia que a bateria pode receber. Carregadores modernos podem entregar maiores potências de forma segura, mas existe toda uma tecnologia por trás do sistema para garantir que não haja riscos de acidentes.

Se você reparar que a bateria do seu celular ora carrega em poucos minutos, ora passa a noite na carga e está com apenas metade de sua capacidade na manhã seguinte, fique esperto. E tenha em mente que cabos de baixa qualidade oferecem riscos de choque elétrico e incêndio em qualquer equipamento, e o celular não é exceção. Se o isolamento não for adequado, bastam algumas semanas de uso para os problemas começarem a surgir. E isolamentos ruins associados ao baixo controle na quantidade de energia fornecida por carregadores chinfrins podem causar incêndios por superaquecimento ou curtos-circuitos.

Fato é que há muita desinformação sobre o assunto, na medida em que a Internet e as mídias sociais promoveram idiotas da aldeia a portadores da verdade, dando voz a imbecis que até então falavam bobagens apenas no bar, sem causar danos à coletividade

O Boatos.org, que vem desmentindo notícias e correntes falsas no Brasil desde 2013, já provou que dezenas de rumores relacionando carregadores de celular a ferimentos e mortes eram "fake news". Por outro lado, explosões envolvendo baterias de celulares tomaram o noticiário em 2016 — dessa vez com produtos originais, levando a um recall em todo o mundo do Samsung Galaxy Note 7. No ano seguinte, a empresa divulgou que o problema estava no isolamento de determinados componentes internos fabricados por dois fornecedores.

Se o cabo do seu carregador estiver em más condições, substitua-o. Isolar com fita a parte danificada não resolve. Para prolongar sua vida útil, evite enrolá-lo, dobrá-lo e expô-lo a altas temperaturas. Igualmente importante é manter o celular em local aberto e ventilado enquanto a bateria estiver sendo recarregada. Nesse entretempo, o aquecimento do aparelho é normal, mas se você mantiver o smartphone debaixo do travesseiro, por exemplo, aí a porca torce o rabo.

Para evitar choques, não coloque o telefone para carregar em locais úmidos, como próximo a uma pia, banheira ou chuveiro. Também é importante não conectar ou desconectar o carregador com as mãos molhadas. 

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

MITO OU VERDADE?

QUEM ANDA NA CORDA BAMBA ÀS VEZES CAI

Celulares modernos usam baterias de íons de lítio (Li-Ion), que não estão sujeitas ao "efeito memória". Além de dispensarem ciclos completos de carga (para saber mais, clique aqui), elas interrompem a passagem da corrente elétrica quando a recarga se completa. Assim, você não precisa (e nem deve) esperar a bateria "zerar" ou o aparelho desligar automaticamente para colocá-lo na carga, nem — muito menos — deixá-lo carregando por 12 ou 24 horas de usá-lo pela primeira vez.

Baterias de íons de lítio funcionam com base em ciclos de carga que terminam quando 100% da energia é consumida e foram projetadas para suportar mais ciclos de carga mantendo 80% da capacidade original. Você pode, por exemplo, utilizar 60% da capacidade em um dia, recarregar a bateria totalmente e usar os 40% restantes no dia seguinte, perfazendo um ciclo completo a cada dois dias.

Também é possível — embora não seja recomendável — usar o aparelho durante a recarga. O risco de alguém morrer ou ficar seriamente ferido por uma explosão da bateria são tão remotas quanto as de acertar a Mega Sena acumulada, e em dois sorteios consecutivos.

É fato que casos graves relacionados com essa prática já foram registrados. Em 2013, uma aeromoça chinesa morreu eletrocutada quando saiu do banho para atender uma ligação em seu iPhone 5, que estava carregando (o causador da tragédia não foi o aparelho, mas a "burrice" de sua dona). No mês passado, um adolescente sofreu queimaduras graves pelo corpo ao ligar o carregador num local onde havia produtos químicos que ele estava manuseando (nesse caso, a perícia apurou que nem o celular nem o carregador apresentavam sinais de explosão).

Riscos de incêndio ou explosão envolvendo smartphones são pífios quando a bateria e o carregador são originais ou, no mínimo, de marcas homologados pelo fabricante do aparelho. Para que a bateria exploda, a temperatura precisa atingir 130°C; no interior de um carro estacionado sob o sol causticante do verão tupiniquim, o termômetro dificilmente passa de 60°C — calor suficiente para a gente se sentir numa sauna e até para o celular desligar automaticamente, mas não para a bateria explodir.

Por outro lado, usar o smartphone enquanto a bateria recarrega é como abrir a torneira para encher a pia da cozinha e não tampar o ralo. E a demora será maior ainda com um carregador veicular ou com a portinha USB do PC servindo de fonte de energia, já que a amperagem da rede elétrica do imóvel é bem maior.

Considerando que tanto o sistema operacional quanto os apps que rodam em segundo plano consomem energia mesmo com o celular em stand-by, e que todo dispositivo computacional precisa ser reiniciado de tempos em tempos — e o smartphone não é exceção —, por que não unir o útil ao necessário desligando dito-cujo antes de colocá-lo na carga?

ObservaçãoAtivar o modo avião reduz o consumo de energia, mas não elimina arquivos temporários nem limpa o cache de memória ou exclui “sobras” de apps que já foram encerrados mas não devolveram todo o espaço que ocupavam na RAM, entre outros benefícios proporcionados por um saudável reboot.

terça-feira, 15 de junho de 2021

USE MELHOR SEU SMARTPHONE

UMA COISA É QUERER APRENDER, OUTRA COISA É QUERER GARANTIAS DE QUE NÃO VAI ERRAR.

Diferentemente do que muitos imaginam, a telefonia móvel precedeu a Internet, o primeiro celular capaz de conectar a Rede Mundial de Computadores não foi o iPhone e a interface gráfica não foi inventada pela Microsoft ou pela Apple. E quem “nasceu” primeiro foi o ovo, não a galinha

Mas o iPhone foi um divisor de águas, pois transformou em computador pessoal ultraportátil o que até então era basicamente um telefone sem fio de longo alcance.

Num primeiro momento, os fabricantes investiram pesado na miniaturização do hardware, já que, ate o lançamento do iPhone, em 2007, a demanda dos usuários era por aparelhos cada vez menores. 

Os primeiros celulares vendidos no Brasil (no final dos anos 1980) eram “tijolões” pesados e desajeitados. Já o Motorola StarTAC (vide imagem), lançado em 1996, media apenas 94 x 55 x 19 milímetros (com a tampa fechada) e pesava míseras 88g (a título de comparação, uma caixa de fósforos comum mede 54 x 35 x 15 milímetros).

O iPhone obrigou a concorrência a se adequar à nova tendência de mercado, e assim os dumbphones de até então deram lugar aos smartphones, que mais adiante se tornariam (como de fato se tornaram) computadores pessoais ultraportáteis capazes também de fazer receber ligações telefônicas.

O aumento exponencial de funcionalidades tornou o smartphone indispensável para a maioria das pessoas — segundo o Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da FGV, entre os 440 milhões de dispositivos computacionais em uso no Brasil, 53% são telefones celulares —, mas também contribuiu para interromper o processo de miniaturização e prejudicou a portabilidade (no sentido de acompanhar o usuário a toda parte), que é justamente o diferencial do smartphone em relação aos desktops e notebooks.

Grandes poderes implicam grandes responsabilidades”, disse tio Ben a Peter Parker. Por grandes responsabilidades, no caso, entenda-se uma tela de tamanho compatível com as novas funções, sobretudo depois que a tecnologia touchscreen e o teclado virtual se tornaram padrão de mercado.

Andar para cima e para baixo com um dispositivo do tamanho de uma tábua de carne é complicado. Levá-lo na mão é desconfortável — e perigoso: além do risco de queda, essa exposição chama a atenção dos amigos do alheio (smartphones top de linha chegam a custar mais de R$ 10 mil). 

Pendurar o aparelho no cinto ou no cós da calça era moda nos tempos de antanho, mas nem o hardware nem as capinhas dos modelos atuais integram a indispensável presilha. Na bolsa... bem, cada vez menos mulheres usam esse acessório no dia a dia. Ainda que assim não fosse, as notificações sonoras ficam inaudíveis e olhar a tela para conferir se chegou mensagem pelo WhatsApp torna-se mais complicado.  

Moçoilas (de todas as idades) andam com seus celulares emergindo do bolso traseiro da calça, como se isso não facilitasse a ação da bandidagem. Aliás, muitas “tanajuras” usam calças justíssimas para valorizar o derriére, o que não só chama ainda mais a atenção da bandidagem como submete o aparelho a uma pressão que ele não foi projetado para suportar. Afora a possibilidade de trincar a tela quando a dona do buzanfã se aboleta no assento do carro, no sofá de casa ou seja onde for sem tirar o aparelho do bolso. E colocá-lo no sutiã não é a solução, pois potencializa os riscos de câncer de mama.

Para os varões o cenário não é muito melhor. Levar o celular no bolso lateral implica o risco de a radiação eletromagnética inibir a produção de espermatozoides. Nas calças tipo “cargo”, o bolso próximo à coxa seria a solução ideal, não fosse o fato de manter o aparelho junto à coxa ou ao quadril pode enfraquecer os ossos, especialmente se essa prática se prolongar por anos a fio.   

Puérperas e baby-sitters jamais devem colocar o telefone no carrinho do bebê — segundo pesquisadores, a criança pode apresentar problemas comportamentais, como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Igualmente desaconselhável é dormir com ele sob o travesseiro. O fato de a tela se iluminar a cada mensagem recebida interfere na produção de melanina (hormônio que induz o sono), podendo, inclusive, causar tonturas e/ou dores de cabeça.

Recomenda-se falar ao celular com o aparelho afastado do rosto de 0,5 cm a 1,5 cm. Além de evitar a contaminação por bactérias, esse cuidado reduz a quantidade de radiação eletromagnética absorvida pela pele.

Por último, mas não menos importante: deixar a bateria na carga a noite não só reduz sua vida útil como pode provocar superaquecimento (e até explosão) caso o carregador não interrompa a passagem de corrente quando a carga estiver completa. 

Por falar nisso, se você precisar substituir o carregador original, opte por um modelo homologado pelo fabricante (jamais se deixe seduzir pelo preço convidativo dos dispositivos comercializados por ambulantes, camelôs e assemelhados).