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segunda-feira, 11 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — CONSCIÊNCIA EXPANDIDA E CONEXÃO UNIVERSAL

O FATO DE NÃO VERMOS A ÁRVORE CAIR NÃO SIGNIFICA QUE ELA NÃO CAIU. 

Os estados de iluminação que tanto buscamos — como a consciência expandida, a conexão universal, o despertar espiritual e a genialidade criativa — parecem privilégios de mentes raras, mas talvez todos tenhamos essas capacidades e a química cerebral as bloqueia.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Tanto Bolsonaro em 2018 quanto Lula em 2022 pegaram em lanças para defender o fim da reeleição. Mas bastou serem eleitos para enfiar as promessas onde a luz não bate e. O capetão mandrião se deu mal: além de não conseguir se reeleger, está cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado. Já o desempregado que deu certo quer porque quer o quarto mandato, embora o terceiro tenha sido ainda pior do que os anteriores. Para isso, lançou 11 medidas populistas que somam R$ 143,7 bilhões neste ano eleitoral.

Segundo levantamento feito pela Folha, boa parte do pacote de bondades — R$ 76,2 bilhões — garante aumento de linhas de crédito para pessoas físicas (caminhoneiros, microempreendedores individuais, estudantes do Fies) e empresas de diferentes setores da economia, como habitação, indústria e agronegócio. Outros R$ 32 bilhões representam subsídios e renúncia fiscal para financiar a redução de combustíveis resultante da guerra no Irã, além de R$ 15,2 bilhões do FGTS para socorrer os endividados e R$ 5,3 bilhões para o programa eleitoreiro Gás do Povo.

Para bancar o Desenrola 2, o governo anunciou um aporte de até R$ 15 bilhões no fundo administrado pelo Banco do Brasil que garante o pagamento das dívidas renegociadas pelos bancos em caso de calote. Novas medidas também estão no forno e devem beneficiar pessoas que estão em dia com o pagamento dos empréstimos, mas têm dívidas com custo muito alto, além de trabalhadores informais, taxistas e motoristas de aplicativos, que são grupos de eleitores em que Lula e o PT enfrentam mais resistência.

Das 11 medidas listadas pela reportagem, uma delas permite o uso de arrecadação extra com alta do petróleo para subsidiar a redução dos preços das gasolina e etanol, mas ainda não tem valor estimado e depende de aprovação de projeto de lei enviado ao Congresso. No caso do pacote de subvenção para diesel, gás de cozinha, biodiesel e o querosene de aviação, o governo adotou o Imposto de Exportação de petróleo instituído em março para compensar o custo da medida.

Como disse alguém mais sábio, a diferença entre o estadista e o populista é que o primeiro governa pensando no futuro do país, enquanto o segundo governa de olho na próxima eleição. 

Vade retro, camarilha de imprestáveis.

As substâncias alucinógenas produzem uma reação em cadeia de perturbações neurológicas que desregulam a serotonina e causam déficits cognitivos, instabilidade emocional ou surtos psicóticos permanentes. O Oráculo de Delfos inalava gases do Monte Parnaso para prever o futuro; os astecas consultavam "espíritos do porvir" com peiote; os egípcios usavam mandrágora e lótus azul para vislumbrar o dia seguinte; e Castañeda, Burroughs, McKenna, Huxley e Leary seguiram o mesmo caminho químico em busca da expansão mental.
Meditadores acessam isso sem drogas, focando a mente até o corpo "evaporar", deixando uma consciência deslocalizada. Muitos atingem sonhos lúcidos, onde controlam o sonho consciente. Esses sonhos, reconhecidos há séculos, ganharam validação empírica nos anos 1970 com Stephen LaBerge. Nele, o sonhador sinaliza aos pesquisadores com movimentos oculares pré-combinados, provando consciência fora do corpo adormecido.
William James, pai da psicologia americana, alertava: um único corvo branco basta para derrubar a tese de que todos são pretos. Pesquisadores como Harold PuthoffRussell Targ e Edwin May, entre outros, revelaram anomalias em física de plasma, matemática não linear e consciência não-local. Seus livros — Mentes sem BarreirasPercepções RemotasO Sétimo SentidoCognição Anômala e Magia Verdadeira — desafiam o paradigma.
No orgasmo — universalmente visto como o pico de prazer — o mundo corpóreo some em êxtase, dissipando preocupações, dores e medos. Poetas o chamam de "pequena morte", ecoando a separação corpo-mente que as experiências de quase morte elevam à irrefutabilidade. Milhares de ressuscitados descrevem cenas precisas — cirurgias com olhos vendados, conversas de médicos, prantos de parentes — enquanto clinicamente mortos. Hipóxia cerebral? Alma em êxodo? Vislumbre de outra existência? 
As EQMs revelam a morte como libertação física e fusão com o todo. Se a consciência é extracerebral, como os noéticos defendem, ela abandona o corpo e se reintegra ao universal. A questão é que precisamos morrer para ver a verdade, e aí não voltamos para contarDaqui a séculos, cientistas podem rir de nossos dilemas sobre consciência não-local como rimos das teorias medievais de combustão — ou confirmar que estávamos certos.
De relatos antigos a experimentos modernos, uma certeza emerge: a morte não é o fim abrupto, mas uma porta entre véus que nos convida a viver com mais intensidade, questionando se o "eu" que carregamos é prisioneiro ou passageiro de carne e osso. Talvez as EQMs sejam o universo sussurrando: "Você é mais do que pensa — e a prova virá."
E se, em vez de temer o desconhecido, usássemos essas histórias como bússola? Cultivar meditação, empatia e curiosidade pode nos aproximar dessa consciência expandida aqui e agora, adiando o "quase" para um "de fato" sereno. 
A árvore caiu; cabe a nós ouvir o eco.
Continua...

segunda-feira, 30 de março de 2026

AS QUERELAS DO BRASIL

EXISTEM APENAS DOIS TIPOS DE PESSOAS: AS QUE CONCORDAM COMIGO E AS QUE ESTÃO ERRADAS.


A polarização na política sempre existiu, mas nunca foi tão desbragada quanto nas duas últimas disputas presidenciais. Depois que a "abertura lenta, gradual e segura" pôs fim a três décadas de jejum de urna, os brasileiros voltaram a escolher seu presidente.


Embora o cardápio da eleição solteira de 1989 listasse 22 postulantes — entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola —, o eleitorado tupiniquim, que repete a cada pleito o que Pandora fez uma única vez, enviou para o segundo turno um caçador de marajás demagogo e populista e um ex-metalúrgico populista e demagogo. 


Lula concorreu à Presidência em 1989, 1994 e 1998, foi eleito em em 2002 e reeleito em 2006, a despeito do escândalo do Mensalão. Em 2010, transformou uma nulidade em "gerentona de araque" para manter aquecida a poltrona que ele pretendia reconquistar em 2014, mas o "poste" gostou da brincadeira e insistiu em disputar a reeleição. Por motivos que agora não vêm ao caso, o criador se resignou a apoiar a criatura, que afundou o país e foi impichada em 2016 (pelo conjunto da obra; as folclóricas "pedaladas fiscais" foram apenas um pretexto para penabundar a incompetente insolente e arrogante). 


Com a deposição da "mulher sapiens", Michel Temer passou de vice titular, mas seu prometido ministério de notáveis se revelou de uma notável confraria de corruptos. O primeiro a cair foi Romero Jucá, com apenas uma semana no cargo. Na sequência, demitiram-se — ou foram demitidos — Fabiano Silveira, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, entre outros ministros e assessores presidenciais investigados na Justiça ou acusados de corrupção por delatores na Lava-Jato


Para encurtar a história, quando a conversa de alcova nada republicana que manteve nos porões do Jaburu, em maio de 2017, com o dono da JBS, Temer pensou em renunciar, mas foi demovido da ideia pelo deputado Carlos Marun, seu fiel escudeiro, que também se encarregou de comprar votos das marafonas da Câmara em número suficiente para salvar o presidente das flechadas de Janot


Observação: O patético hipopótamo dançarino foi o relator da CPI da JBS, embora tivesse recebido R$ 103 mil em doações do frigorífico e sido acusado de beneficiar uma empresa de software em contratos de R$ 16,6 milhões.


Acabou que o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil concluiu seu mandato-tampão como um "pato manco" e transferiu a faixa presidencial para o combo de mau militar e parlamentar medíocre que derrotou o títere de Lula — que não tinha o mesmo carisma que o titereiro —, tornou-se o pior mandatário desde Tomé de Souza e foi sentenciado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.


Observação: Temer chegou a ser preso em março de 2019, mas foi solto dias depois por ordem do desembargador Ivan Athié, do TRF-2 — que ficou afastado do cargo durante sete anos por suspeitas de corrupção.


A polarização esteve presente em todos os capítulos da nossa história, mas o quadro se agravou quando o Planalto passou a ser disputado pelo PT e pelo PSDB. Ainda assim, as campanhas eram relativamente civilizadas, pois mortadelas e coxinhas se tratavam como adversários políticos, não como inimigos figadais. Nas duas últimas disputas pelo Planalto, no entanto, o antagonismo exacerbado impediu que uma candidatura alternativa competitiva se consolidasse. 


Em 2018, Ciro Gomes acabou em terceiro lugar, com míseros 3,04% dos votos válidos no segundo turno. Em 2022, Henrique Mandetta, João Dória, Sérgio Moro, Eduardo Leite, Aldo Rebelo, Luciano Bivar e André Janones desistiram antes do início da corrida eleitoral. Simone Tebet ficou em terceiro lugar, com 4,16% dos votos. Soraya Thronicke, Sofia Manzano, Vera Lúcia e Padre Kelmon obtiveram resultados inexpressivos.


Como era esperado, a disputa ficou entre Lula e Bolsonaro, e o desempregado que deu certo venceu o mandrião aspirante a golpista pela menor diferença de votos desde a redemocratização (menos de 2%). Durante a campanha, o ex-presidiário "descondenado" tripudiou: "Agora quem acabou foi o PSDB". Em resposta, os tucanos disseram que o PT passou anos tentando reescrever a história, semeando o ódio, perseguindo adversários, dividindo a sociedade e montando uma usina de fake news.


No debate promovido pela Band em outubro de 2022, o Lula vociferou que "nomear amigo e companheiro para o Supremo é retrocesso" (referindo-se a Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Bolsonaro). Eleito, indicou seu ministro da Justiça, Flávio Dino, e seu advogado particular Cristiano Zanin — e ainda teve o desplante de negar a relação de amizade com o causídico, que esteve em seu casamento com Janja e a quem chamou de "amigo" em entrevista à BandNews


Faltando pouco mais de seis meses para o primeiro turno das próximas eleições, o alto nível de rejeição popular ao xamã do PT e ao sobrenome Bolsonaro animou alguns partidos com a possibilidade de finalmente romper a polarização. O PSD de Gilberto Kassab apresentou três governadores como potenciais postulantes, mas Ratinho Jr — o mais competitivo dos três — desistiu de última hora.


A despeito da fama de bom gestor, de uma administração aprovada por cerca de 80% dos paranaenses e apoio de várias lideranças, Ratinho Jr voltou atrás, movido por uma conjunção de fatores, incluindo as investigações sobre a venda da subsidiária de telecomunicações da Copel e as conexões com Nelson Tanure —suposto sócio oculto de Vorcaro nas traficâncias do Master. Mas a filiação de Sérgio Moro ao PL também pesou: até então, o governador paranaense achava que faria seu sucessor com facilidade, mas o ex-herói nacional já aparece como franco favorito nas pesquisas. 


Os índices de desaprovação do governo federal e o derretimento da popularidade de Lula sugerem que ele é "bananeira que deu cacho", mas engana-se quem pensa que o pontifex maximus da Petelândia é carta fora do baralho. Segundo as pesquisas, cerca de 33% dos entrevistados não se declaram petistas nem bolsonaristas, 26% não votaram no em Lula nem em Bolsonaro na eleição passada — ou votaram e se arrependeram, —, 27% escolheram o macróbio mas não se identificam como de esquerda, e 18% dos que votaram no "mito" dos anencéfalos não se reconhecem como de direita.


Somados, esses grupos representam 71% do total de votos, e, pelo menos em tese, podem ser conquistados por qualquer candidato — o núcleo duro da polarização é formado por apenas 11% e 18% de esquerdistas e direitistas convictos, respectivamente, de modo que existe espaço para uma candidatura de terceira via.


Os extremos fazem barulho nas redes sociais, pautam a cobertura da mídia, alimentariam o algoritmo. Há “avenida enorme” para uma candidatura de centro (não confundir com o Centrão adesista) neste ano, mas cabe aos interessados priorizar a defesa da democracia, a reorganização dos programas sociais e um plano de desenvolvimento centrado nas novas tecnologias e novas relações de trabalho.


A questão é que quase todo tema polêmico — como a “taxa das blusinhas”, a PEC da Segurança Pública e até a CPMI do INSS — se torna refém da polarização no Congresso. Ainda não se sabe o que o PSD pretende fazer nas áreas da economia e da segurança pública. O MDB, dividido como sempre em alas, se preocupa mais com querelas paroquiais e a disputa para a Câmara dos Deputados — cujo resultado é decisivo para a divisão dos bilionários fundos eleitoral e partidário. Já o PSDB, que governou o país por dois mandatos com FHC, perdeu quadros, capilaridade nacional e capacidade de dialogar com o eleitorado. 


Observação: Geraldo Alckmin, que foi quatro vezes governador de São Paulo pelo PSDB, disputou a Presidência em 2006 — e foi derrotado por Lula no segundo turno — e em 2018 — quando amargou um vexatório quarto lugar. Apesar de ter dito que eleger o petista era o mesmo que reconduzir um criminoso à cena do crime, filiou-se ao PSB para concorrer à vice na chapa encabeçada pelo ex-adversário — talvez achando que essa seria sua única de aboletar na poltrona mais cobiçada do Palácio do Planalto. Só que faltou combinar com O Ceifador, sem falar que que o diabo detesta concorrência.


A maioria dos analistas políticos estima que a eleição deste ano será decidida pelos eleitores considerados independentes. No escrete eleitoral de Lula, nunca houve uma preocupação com a hipótese de uma candidatura de centro ganhar corpo a ponto de chegar ao segundo turno, mas, há apreensão com a possibilidade de os escândalos de corrupção sob investigação — especialmente do caso do Banco Master e da roubalheira contra aposentados e pensionistas do INSS — alterarem esse cenário.


Flávio Bolsonaro trabalha para que o centro e a direita não apresentem concorrentes — além de sugerir Ratinho Jr como seu vice, o filho do pai mandou emissários sondarem Ronaldo Caiado e Romeu Zema para o posto. Contrariando a tradição familiar de verborragia, o senador das rachadinhas tem economizado nas palavras, deixando Lula se desgastar sozinho com os problemas da administração federal. Nos últimos dias, defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública — ideia que foi sugerida por petistas, mas rejeitada por Lula


Na semana passada, Xandão autorizou a prisão domiciliar humanitária para o atual presidiário mais famoso desta banânia por um prazo inicial de 90 dias. Mesmo obrigado a usar tornozeleira eletrônica e proibido de acessar redes sociais e de gravar áudios ou vídeos, o condenado estará mais à vontade para ajudar na organização da campanha do primogênito, que tenta se vender com a roupagem de "moderado".


Resumo da ópera: No início deste século, ainda predominava a crença de que, na democracia, os moderados prevalecem — e moderam os radicais. Houve até quem acreditasse na possibilidade de juntar os melhores quadros do PT e do PSDB para contribuir com um governo capaz de modernizar o país. Hoje, mesmo os quadros reconhecidamente ponderados se mantêm abrigados sob os guarda-chuvas da polarização para continuarem relevantes no xadrez político, e, em determinadas situações, os extremistas estão conseguindo radicalizar os moderados.


Caberá ao eleitor decidir qual caminho irá seguir, e a exemplo do que ocorreu nas últimas campanhas, o caminho do centro continua acidentado e sem uma liderança clara. 

quinta-feira, 19 de março de 2026

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 86ª PARTE

AS RELIGIÕES SÃO O ÓPIO DO POVO.

Um dos mitos que circundam o mundo científico é o de que todo físico é ateu, mas na prática a coisa não é bem assim. Crer ou não crer jamais impediu cientistas notáveis de avançarem em suas descobertas.

Galileu (1564-1642) se viu forçado a renegar suas descobertas diante do tribunal da Inquisição, mas disse tempos depois que não concebia a ideia de que o mesmo Deus que nos deu inteligência, razão e bom senso nos proibiu de usá-los.

Newton (1643-1727), conhecido por sua castidade e religiosidade, dedicou-se a estudos teológicos e também à alquimia.

Quando perguntaram ao astrofísico Neil deGrasse Tyson se acreditava em Deus, ele respondeu com outra pergunta: Qual Deus, o Deus do Cristianismo, do Judaísmo, do Islã, os Deuses do Hinduísmo?


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Para Lula, a mais recente pesquisa Datafolha rima com o primeiro verso de Águas de Março: "É pau, é pedra, é o fim do caminho..." Entre os resultados obtidos no início de dezembro passado e os divulgados no último sábado, a vantagem do macróbio petista sobre o filho do golpista ora presidiário recuou de quinze pontos percentuais para apenas três. Graças a esse movimento — detectado também por outras pesquisas de institutos respeitáveis —, o senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias obteve no curto intervalo de três meses um relampejante empate técnico. Por outro lado, o Datafolha consolida a percepção segundo a qual o principal adversário do candidato ao quarto mandato é um fenômeno que os engenheiros chamam de fadiga do material.

Ao término do atual gestão, somando-se o tempo de Presidência de Lula e Dilma, o PT terá dado as cartas no Planalto por 17 anos e oito meses. Com um novo período de quatro anos, seriam mais de duas décadas no poder. Para desgáudio do molusco, um pedaço do eleitorado parece indagar aos seus botões: "Alguém ainda aguenta?"

Ironicamente, o xamã do partido dos trabalhadores que não trabalham idealizou uma disputa em que o "fato novo" da direita fosse o velho bolsonarismo ao preferir Flávio a Tarcísio — o apadrinhado do mito considerado mais duro de roer. Mas o desempregado que deu certo não imaginava que a transferência de votos do pai preso para o filho seria instantânea, nem que Zero Um seduzisse tão rapidamente um naco expressivo da direita não bolsonarista.

Ainda segundo o Datafolha, 46% dos eleitores declaram que jamais votariam em Lula, enquanto a aversão a Flávio soma 45%. Numa disputa que se prenuncia como apertada, os candidatos disputarão a tapa os votos dos "isentões" (ou "nem-nens"). Nesse contexto, a simultaneidade de três grandes escândalos — do Master, do assalto contra os aposentados e da farra das emendas orçamentárias — leva água para o monjolo da oposição, pois o eleitor tende a cultivar um sentimento vago e fluido contra "tudo o que está aí".

Num cenário onde as mazelas são suprapartidárias e o lodo se espalha pelo assoalho dos Três Poderes, a crítica às estruturas privilegia a ênfase na moralidade administrativa. A mochila de Flávio contém as mazelas golpistas do pai e a biografia rachadinha do filho, mas os tiros previsíveis do petismo serão respondidos com dois torpedos da oposição: a proximidade de Lula com um Supremo de supremacia alquebrada e a movimentação bancária milionária de Lulinha.

Se a campanha evoluir para um embate de paus e pedras, como parece previsível, o fator democrático que impulsionou o renascimento de Lula na vitória apertada de 2022 será diluído numa disputa do tipo sujos contra mal-lavados. Nessa hipótese, o Brasil estará mais distante dos versos que encerram a canção de Jobim: "São as águas de março fechando o verão / É a promessa de vida no teu coração".


O alemão Max Planck (1858-1947), que formulou a Lei da Radiação do Corpo Negro — marco fundamental no início da física quântica moderna — e foi laureado com Nobel de Física em 1918, vinha de uma família luterana cristã, foi diácono da Igreja de 1920 até sua morte e achava que Deus desempenhava um papel importante tanto na religião quanto na ciência, embora isso não significasse a mesma coisa para ambas e sim uma reverência diante de um Poder sobrenatural ao qual a vida humana é subordinada.


Werner Heisenberg (1901-1976) — laureado com o Nobel de Física por ter estabelecido o Princípio da Incerteza na mecânica quântica em 1927 e reconhecido como um dos pioneiros da mecânica quântica moderna — cresceu em uma família cristã luterana e era cristão fervoroso. Segundo ele, o primeiro gole do copo da ciência nos torna ateus, mas no fundo do copo, Deus está esperando por nós.


Einstein disse em uma de suas mais conhecidas manifestações que Deus é sutil, mas não malicioso, e não joga dados com o Universo. Ele era avesso às religiões demasiado radicais e institucionalizadas, mas cultivava uma profunda religiosidade. Certa vez, numa conversa com o polímata Rabindranath Tagore, ele reconheceu que, embora fosse judeu étnico, era fascinado pela figura de Jesus Cristo.


O físico britânico James Clerk Maxwell (1831-1879) unificou fenômenos elétricos e magnéticos por meio de equações diferenciais fundamentais para várias áreas da física. Suas descobertas embasaram o desenvolvimento da mecânica quântica e da relatividade, além de contribuírem significativamente para a teoria cinética dos gases e a engenharia elétrica moderna. Mas uma carta a um amigo na Trinity College, em Cambridge, revelou que ele somente superou suas fraquezas depois que se entregou a Deus.


Stephen Hawking (​​1942-2018) era declaradamente ateu e via o Universo regido apenas por leis físicas, sem a necessidade de uma intervenção divina. Em uma de suas declarações notáveis, ele disse que não havia evidências da existência de um Deus e que a ideia de um ser sobrenatural criador não era necessária para explicar o Universo.


Fato é que a maioria dos cientistas é avessa ao obscurantismo, à autoridade das igrejas e seitas que tentam impor suas regras e interpretações através de dogmas, impedindo os fiéis de questionar suas premissas. Mesmo porque a ciência só reconhece ou refuta algo de maneira definitiva após observações absolutamente conclusivas. Qualquer radicalismo, seja do lado da crença em Deus, seja do ateísmo mais renhido, não tem nada a ver com fazer ciência.


Em última análise, a história da ciência mostra que curiosidade intelectual, rigor metodológico e busca pela verdade não são incompatíveis com sentimentos de transcendência ou reverência diante do cosmos. O que atrapalha não é a fé em si, mas a imposição dogmática de "verdades" inquestionáveis — algo que pode vir tanto de religiões quanto de ideologias seculares.


Continua…