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quinta-feira, 16 de julho de 2026

CURIOSIDADES SOBRE ALBERT EINSTEIN

O QUE NOS DEFINE NÃO É A FORMA COMO NOS LEVANTAMOS DEPOIS DA QUEDA, MAS O QUE FAZEMOS PARA NÃO CAIR DE NOVO. 

Além de ser um dos maiores gênios da história da humanidade, Albert Einstein eternizou pérolas de sabedoria popular, entre as quais: “a vida é como andar de bicicleta; para manter o equilíbrio, você precisa continuar em movimento.”


O brocardo consta de uma carta enviada a seu filho Edward em 1930, quando o cientista passava por um momento conturbado, e embora não tenha ligação com um possível slogan motivacional, a metáfora pode ser aplicada em vários aspectos da vida.


A moral da história é que as pessoas devam continuar avançando, ainda que de forma lenta, pois o equilíbrio é encontrado enquanto o movimento segue, e não quando é paralisado. Ainda assim, Em última análise, a ideia é que dar pequenos passos no dia a dia é fundamental para recuperar a confiança, mesmo diante de situações das mais adversas.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Mais um movimento vomitativo tabuleiro político-eleitoral: Alexandre de Moraes proibiu o presidiário Jair Bolsonaro de receber visitas de seu primogênito, também conhecido como "Bolsonarinho" e pré-candidato à presidência desta pobre banânia — ainda mais pobre por ter como alternativa ao rebento do refugo da escória da humanidade a reeleição de um macróbio eneadáctilo, também conhecido como "o desempregado que deu certo". 

A proibição imposta pelo ministro vai até depois do primeiro turno das eleições, e se deve ao fato de Bobi Filho ter descumprido a medida cautelar que proíbe Bibo Pai de usar redes sociais, diretamente ou por terceiros, ao divulgar uma carta segundo a qual Flávio é"porta-voz" do pai e o candidato escolhido para representá-lo politicamente.

Moraes alegou que o filho do pai usou "expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto", classificou sua conduta como "instrumento de promoção política", enviou a decisão para o procurador-geral e mandou o Ministério Público Eleitoral apurar se o episódio configura propaganda eleitoral antecipada, além de dar prazo de 48 horas para os advogados do ex-presidente se manifestarem..

A carta em questão foi lida pelo pré-candidato durante transmissão nas redes sociais e também compartilhada em foto após uma visita ao pai. De acordo como o magistrado, a afirmação de que o documento era "imperdível" e "um recado muito importante" que seu pai queria transmitir aos brasileiros mostra que o aspirante a golpista sabia da divulgação nas plataformas, o que também configura desrespeito à medida cautelar.

O advogado da pré-campanha de zero um, Tracy Reinaldet, afirmou em nota que a decisão é ilegal e inconstitucional, e que a equipe tomará medidas para revertê-la, "sempre respeitando as instituições". Também em nota à imprensa, o coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho, declarou que a proibição é uma "clara interferência no jogo político" e uma tentativa de deixar Bolsonaro incomunicável.

Para Moraes, o filho do pai usou seu direito de visita para divulgar a carta nas redes sociais, o que configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita. Disse ainda que o pré-candidato "é reincidente em sua conduta desrespeitosa às decisões judiciais" e citou o episódio em que ele transmitiu uma chamada de áudio do pai a manifestantes na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 2025.


Einstein não usava meias por considerá-las desnecessárias. Seu cabelo desgrenhado — que se tornou um símbolo de “cientista maluco” — era mantido assim porque ele desprezava os barbeiros. Entre outras excentricidades, era apaixonado por música clássica e carregava seu violino — apelidado carinhosamente de “Lina” — por onde quer que fosse. Curiosamente, até ouvir as obras de Mozart, ele abominava as aulas de violino incentivadas pela mãe, que era uma talentosa pianista.


O futuro gênio começou a falar aos 6 anos de idade. Diferentemente do que reza a lenda, não era mau aluno nem foi reprovado em matemática. Autodidata desde pequeno, não se interessava pela escola de seu tempo e execrava a pedagogia militarista e autoritária do Ginásio Luitpold, em Munique, onde cursou o equivalente ao nosso ensino fundamental. 


O famoso “pau” que levou aconteceu quando Einstein tinha 16 anos — dois a menos do que a idade média dos candidatos a uma vaga na Escola Politécnica de Zurique. Apesar de os exames de matemática e física terem impressionado a banca examinadora, suas provas de humanas foram uma negação. Mas acabou sendo aceito dois anos depois e se notabilizou pelas teorias da Relatividade Restrita (1905), da Relatividade Geral (1915) e do Efeito Fotoelétrico (1905), que reformularam os conceitos de tempo, espaço, gravidade e natureza da luz.


Em 1924, o físico visitou o Rio de Janeiro. Embora tenha reconhecido e agradecido pessoalmente o trabalho dos pesquisadores brasileiros, seus relatos íntimos revelam que ele menosprezava os interlocutores e culpava o clima tropical pelos costumes, que considerava inferiores. Em uma das passagens mais emblemáticas de seu diário, ele anotou: “Sou uma espécie de elefante branco para eles, e eles, uma espécie de macacos para mim.” Em outra, porém, escreveu: “A miscelânea de povos nas ruas é deliciosa: portugueses, índios, negros e tudo no meio, de modo vegetal e instintivo, dominado pelo calor.”


Observação: O físico usou o termo “índios” como símbolo de selvageria e inferioridade, mas ficou tão impressionado com o trabalho do general Cândido Rondon que chegou a recomendá-lo ao Prêmio Nobel da Paz. Por outro lado, suas anotações deixaram clara a ideia de uma suposta superioridade europeia — e também sua impaciência com o costume brasileiro dos grandes discursos elogiosos, que considerava enfadonhos.


Einstein casou-se em segundas núpcias com uma prima e prometeu à primeira mulher o valor do Prêmio Nobel de Física que viria a ganhar dali a dois anos — pelo efeito fotoelétrico, não pela relatividade. Em 1939, alertou o então presidente americano (Franklin D. Roosevelt) sobre a possibilidade de a Alemanha desenvolver bombas atômicas por meio da fissão de urânio.


A partir de então, os EUA criaram o Projeto Manhattan, responsável pela produção das bombas nucleares lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945. Anos depois, arrependeu-se de ter enviado a carta — em entrevista à revista Newsweek, afirmou que, se soubesse que os alemães não conseguiriam desenvolver uma bomba atômica, ele não teria feito nada.


Einstein morreu em 18 de abril de 1955, três anos depois de recusar o convite para ser o segundo presidente de Israel. Devido a seu ativismo político e origem alemã, o FBI manteve um arquivo de 1.427 páginas sobre ele. Seu cérebro foi roubado durante a autópsia pelo patologista Thomas Harvey, que pretendia estudá-lo para tentar entender sua genialidade.

terça-feira, 14 de julho de 2026

E VIVA O POVO BRASILEIRO

OS BRASILEIROS NÃO SABEM VOTAR, E QUANDO VOTAM, NÃO SE LEMBRAM EM QUEM VOTARAM. 

Devidamente despida do glamour fantasioso atribuído pelos livros didáticos, a Proclamação da República foi um golpe de Estado político-militar que pôs fim à monarquia constitucional parlamentarista do Império, apeou do trono D. Pedro II e implementou o presidencialismo republicano como forma de governo.

Ao longo de 136 anos de história republicana, dos 36/39 brasileiros que chegaram à Presidência pelo voto popular, eleição indireta, linha sucessória ou golpe de Estado (o número depende de como se contam interinos, juntas militares e mandatos não-consecutivos), oito, a começar pelo primeiro — Deodoro da Fonseca —, foram de alguma maneira apeados do poder, e não houve nenhum que pudesse ser considerado "estadista" — lembrando que estadistas governam pensando nas próximas gerações, enquanto os populistas pensam exclusivamente nas próximas eleições.


Observação: Talvez Rui Barbosa ou o Barão do Rio Branco pudessem ser considerados como tal, mas nenhum deles presidiu o Brasil. Em contrapartida, populistas vicejaram como ervas daninhas.


Em 1960, o populista demagogo e cachaceiro Jânio Quadros derrotou o candidato governista, Marechal Henrique Teixeira Lott, e o ex-governador de São Paulo, Adhemar de Barros, tornando-se o primeiro presidente desta banânia a ocupar o então recém-inaugurado Palácio do Planalto. Mas sua renúncia, menos de 6 meses depois da posse, pavimentou o caminho para o golpe de estado de 64, que culminou com a deposição do então presidente João Goulart e a posse do marechal Humberto de Alencar Castello Branco, dando início a uma ditadura militar que se estendeu por 21 anos, comandada pelos generais Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo, nessa ordem. 


Em 1968, o “linha-dura” Costa e Silva decretou o AI-5, produzindo um elenco de ações arbitrárias de efeitos duradouros que prevaleceram durante o período mais repressivo do governo militar. Em 1974, Geisel deu início ao processo de abertura que, dali a 11 anos, poria termo ao regime de exceção com a eleição (indireta) de Tancredo Neves, que venceu o candidato dos militares Paulo Maluf por 480 votos a 180. 


Em janeiro de 1985, o então presidente da Câmara Ulysses Guimarães — que chegou a ser cogitado para disputar o Planalto pelo PMDB, mas foi preterido pela chapa “mista” formada com o PFL de José Sarney — entregou a Tancredo o programa denominado Nova República, que previa eleições diretas em todos os níveis, educação gratuita, congelamento de preços da cesta básica e dos transportes, entre outras benesses.


O fim da ditadura não foi uma “consequência natural do espírito democrático” de Geisel e Figueiredo e tampouco transcorreu sem turbulências e acidentes de percurso. O processo só foi concluído graças às manifestações populares pró-diretas, que reuniram milhões de pessoas na Candelária, no Vale do Anhangabaú e na Praça da Sé, com faixas, cartazes e camisetas onde se lia a inscrição “EU QUERO VOTAR PARA PRESIDENTE”.


Observação: Nos movimentos pró-diretas, pugnava-se pela aprovação da emenda constitucional Dante de Oliveira, que visava restaurar o direito às eleições diretas, suspenso pelos militares. No dia da votação, exatos 20 anos depois do golpe, uma manobra de bastidores tirou da Câmara 112 deputados. Apesar do clamor das ruas, a emenda foi rejeitada — ou seja, o povo foi traído mais uma vez pela classe política.


Em 1985, com a esperança e os ânimos redobrados, os brasileiros ansiavam pela chegada do dia 15 de março — data prevista para a posse do primeiro presidente civil depois de 21 anos e a volta dos militares às casernas. Mas o que deveria ser a festa da democracia se transformou em luto nacional: Tancredo foi internado 12 horas antes da cerimônia de posse e morreu 38 dias e 7 cirurgias depois. 


Após algumas discussões jurídicas sobre a possibilidade de Ulysses Guimarães, então presidente da Câmara, ser guindado ao Planalto, prevaleceu o entendimento de que o rebotalho do coronelismo nordestino José Sarney, vice na chapa de Tancredo, deveria ser empossado. E foi o que aconteceu, para o bem e para o mal.


Ao contrário do que escreveu Karl Marx, a história nem sempre se repete como farsa; às vezes, ela reproduz fielmente o passado. Na eleição direta de 1989 — a primeira para presidente desde 1960 —, 22 candidatos (entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola) disputaram o Planalto, mas a récua de muares que insiste em fazer a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez, por curiosidade, escalou para o segundo turno Lula, o desempregado que deu certo, e Collor, o caçador de marajás de mentirinha. E o resto é história recente.


Prestes a completar 81 anos, o macróbio petista busca seu quarto mandato, tendo como principal adversário filho do ex-presidente golpista que os cegos mentais tratam por "mito", mas na verdade não passa de um combo de mau militar e parlamentar medíocre aspirante a golpista.


Sobre o desgoverno Lula, a reprovação popular apontada pelos institutos de pesquisa dizem tudo. Já o primogênito do refugo da escória da humanidade enfrenta dois adversários inesperados: no Brasil, ele é mastigado por um movimento autofágico da madrasta; nos EUA, vive a síndrome da ameaça de um novo tarifaço de 25% do pseudoaliado Donald Trump.


A despeito da promessa de pacificar o país, o filhote de sacripanta não consegue sequer obter um armistício com Micheque, além de acenar com uma relação privilegiada com a Casa Branca, sem se dar conta de que a calopsita alaranjada não quer aliados, mas vassalos.


Fugindo do apelido de Tariflávio, o filho do pai endereçou nova carta a Washington — desta vez para o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o temível USTR —, na qual anotou que novas tarifas dariam "uma vitória política" ao governo Lula. Em vez de pedir a reversão das tarifas, rogou que a punição seja adiada para "depois das eleições". Ou seja, além de legitimar a natureza política da sanção mostrou-se preocupado com sua campanha, não com os exportadores brasileiros.


Rápido como o raio que o parta, o xamã petista recorreu às redes sociais para acusar a quadrilha, digo, a família Bolsonaro de entreguista. Escreveu que pedir o adiamento da sanção é coisa de "traidores da pátria", pois "não há qualquer justificativa para tarifaço agora ou depois".


Ao oscilar entre a autofagia e a trumpfobia, Bolsonarinho gira como um parafuso espanado em torno de problemas que ele próprio criou. Fornecendo material para o adversário, torna-se um caso raro de líder da oposição à sua própria candidatura.


E viva o povo brasileiro.

quinta-feira, 18 de junho de 2026

NEWTON E A RELIGIÃO

A RELIGIÃO É O QUE FAZ A HUMANIDADE ACREDITAR QUE O SOFRIMENTO É UMA VIRTUDE.

Reza a lenda que o famoso episódio da maçã levou o matemático, físico, astrônomo, alquimista, teólogo e escritor Isaac Newton a concluir que uma força exercida pela Terra "puxa" os objetos em direção ao solo. 

Verdade ou não, as célebres leis de Newton descrevem um mundo que não diferencia o passado do futuro, embora uma das características mais evidentes seja a direcionalidade do tempo. Além disso, no livro Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, publicado em 1687, ele esclareceu uma série de questões, mas trouxe novos problemas que intrigam os cientistas até hoje.

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Têm sido frequentes as notícias sobre a justificada preocupação do governo com o crescimento da oposição nas pesquisas de intenção de votos, mas no ambiente palaciano não se compreende as razões para tal e, de maneira contraditória, se busca emplacar a ideia de que a eleição pode ser resolvida no primeiro turno em favor do candidato à reeleição..
Ou esses autores querem enganar alguém, ou estão empenhados em enganar a si mesmos. 
Os governistas não entendem por que os benefícios sociais e a retórica do presidente não têm o mesmo efeito de antes, e tampouco se conformam com o fato de escândalos de corrupção caírem no colo do Planalto, sendo que gente do governo anterior teve participação até maior. Mas bastaria uma leitura desprovida de miopia deliberada para esclarecer as dúvidas. 
No primeiro caso, os leitores compreenderiam que o personagem Lula cansou. Não renovou o texto nem a cenografia de um repertório dos anos 1980 que passou por algumas adaptações, mas tenta vender a saga do desempregado que deu certo, mas com a plumagem do migrante vindo do Nordeste, que viu no sindicalismo uma oportunidade e venceu como presidente da República.
O macróbio fala a linguagem do povo simples, compreende suas dificuldades porque já sofreu com elas. Ignora, contudo, que essa conversa colava com os pais (quiçá, os avós), mas não emociona os filhos mais interessados em se afastar desse tipo de identificação. No capítulo dos escândalos, o descolamento só seria possível se não houvesse ninguém da atual gestão enroscado no Banco Master e nas fraudes do INSS, e caso os hoje oposicionistas já não tivessem sido aliados de governos do PT. Ajudaria também se o partido não tivesse estrelado o mensalão e o petrolão e, com isso, perdido o tal do lugar de fala da época em que pregava a ética da política.
Como se vê, não é um mistério difícil de se desvendar. Basta querer enxergar para compreender.

Newton costuma ser lembrado por ter descrito a gravidade e ajudado a consolidar a física moderna. Mas ele também se dedicou intensamente ao campo religioso, pois via a natureza como um caminho para compreender a ação de Deus na história. Além de professor e membro da Royal Society, o britânico foi um estudioso da Bíblia e de textos sagrados, cronologias e debates doutrinários. Registros indicam que ele investigou a Trindade, a natureza de Cristo e a história da Igreja — e por divergir das posições oficiais de sua época, manteve parte de seus escritos teológicos em sigilo, embora buscasse conciliar análise histórica, leitura rigorosa das Escrituras e raciocínio lógico.

Sua crença em um universo ordenado sustentava a ideia de que fenômenos físicos podiam ser descritos por leis gerais. Para ele, a regularidade dos movimentos planetários era evidência de uma organização racional do cosmos, compatível com um propósito divino. Em seus estudos teológicos, aplicou métodos semelhantes aos usados na ciência, comparando traduções, calculando períodos históricos e buscando coerência interna. Assim, o mesmo espírito analítico presente na mecânica, na óptica e na matemática aparecia em sua leitura das Escrituras e da história.

Ao tratar a teologia como um campo de investigação sistemática, Newton utilizou procedimentos próximos ao “método científico” para buscar padrões, relações temporais e estruturas lógicas nos textos sagrados, aproximando o estudo da Bíblia de uma pesquisa histórica e crítica. Nesse processo, algumas práticas se destacavam como centrais em sua abordagem religiosa e intelectual conjunta.

Entre os aspectos mais comentados de sua religiosidade está o interesse por profecias apocalípticas. Em manuscritos publicados séculos depois, o cientista sugere que trechos de Daniel e do Apocalipse apontariam para um marco em torno do ano de 2060. Essa previsão, formulada no contexto religioso dos séculos XVII e XVIII, não descreve o fim absoluto da existência, mas o encerramento de uma era histórica e o início de uma nova fase de paz — ele via a história como organizada em ciclos divinos, reconstruídos por meio de análise minuciosa das Escrituras.

A religião moldou o modo como Newton encarava a pesquisa científica, reforçando a expectativa de encontrar regularidade nas leis da natureza e sentido na história humana. Sua fé em um Deus racional sustentava a confiança em um cosmos inteligível. Hoje, embora sejam mais lembrados pelas contribuições à física clássica, seus manuscritos teológicos mostram que ele dedicou grande parte do tempo à interpretação bíblica, e por isso permanece como exemplo de um período em que ciência e fé caminharam entrelaçadas na busca de compreensão do mundo natural e espiritual

No fim das contas, Newton mostrou que o universo obedece a leis matemáticas rigorosas, mas, curiosamente, deixou para a humanidade a tarefa de decidir se deve obedecer às leis da física ou às interpretações humanas do divino.

A gravidade puxa todos os corpos para o chão, mas a fé puxa mentes para direções bem menos previsíveis.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — CONSCIÊNCIA EXPANDIDA E CONEXÃO UNIVERSAL

O FATO DE NÃO VERMOS A ÁRVORE CAIR NÃO SIGNIFICA QUE ELA NÃO CAIU. 

Os estados de iluminação que tanto buscamos — como a consciência expandida, a conexão universal, o despertar espiritual e a genialidade criativa — parecem privilégios de mentes raras, mas talvez todos tenhamos essas capacidades e a química cerebral as bloqueia.
CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Tanto Bolsonaro em 2018 quanto Lula em 2022 pegaram em lanças para defender o fim da reeleição. Mas bastou serem eleitos para enfiar as promessas onde a luz não bate e. O capetão mandrião se deu mal: além de não conseguir se reeleger, está cumprindo pena por tentativa de golpe de Estado. Já o desempregado que deu certo quer porque quer o quarto mandato, embora o terceiro tenha sido ainda pior do que os anteriores. Para isso, lançou 11 medidas populistas que somam R$ 143,7 bilhões neste ano eleitoral.

Segundo levantamento feito pela Folha, boa parte do pacote de bondades — R$ 76,2 bilhões — garante aumento de linhas de crédito para pessoas físicas (caminhoneiros, microempreendedores individuais, estudantes do Fies) e empresas de diferentes setores da economia, como habitação, indústria e agronegócio. Outros R$ 32 bilhões representam subsídios e renúncia fiscal para financiar a redução de combustíveis resultante da guerra no Irã, além de R$ 15,2 bilhões do FGTS para socorrer os endividados e R$ 5,3 bilhões para o programa eleitoreiro Gás do Povo.

Para bancar o Desenrola 2, o governo anunciou um aporte de até R$ 15 bilhões no fundo administrado pelo Banco do Brasil que garante o pagamento das dívidas renegociadas pelos bancos em caso de calote. Novas medidas também estão no forno e devem beneficiar pessoas que estão em dia com o pagamento dos empréstimos, mas têm dívidas com custo muito alto, além de trabalhadores informais, taxistas e motoristas de aplicativos, que são grupos de eleitores em que Lula e o PT enfrentam mais resistência.

Das 11 medidas listadas pela reportagem, uma delas permite o uso de arrecadação extra com alta do petróleo para subsidiar a redução dos preços das gasolina e etanol, mas ainda não tem valor estimado e depende de aprovação de projeto de lei enviado ao Congresso. No caso do pacote de subvenção para diesel, gás de cozinha, biodiesel e o querosene de aviação, o governo adotou o Imposto de Exportação de petróleo instituído em março para compensar o custo da medida.

Como disse alguém mais sábio, a diferença entre o estadista e o populista é que o primeiro governa pensando no futuro do país, enquanto o segundo governa de olho na próxima eleição. 

Vade retro, camarilha de imprestáveis.

As substâncias alucinógenas produzem uma reação em cadeia de perturbações neurológicas que desregulam a serotonina e causam déficits cognitivos, instabilidade emocional ou surtos psicóticos permanentes. O Oráculo de Delfos inalava gases do Monte Parnaso para prever o futuro; os astecas consultavam "espíritos do porvir" com peiote; os egípcios usavam mandrágora e lótus azul para vislumbrar o dia seguinte; e Castañeda, Burroughs, McKenna, Huxley e Leary seguiram o mesmo caminho químico em busca da expansão mental.
Meditadores acessam isso sem drogas, focando a mente até o corpo "evaporar", deixando uma consciência deslocalizada. Muitos atingem sonhos lúcidos, onde controlam o sonho consciente. Esses sonhos, reconhecidos há séculos, ganharam validação empírica nos anos 1970 com Stephen LaBerge. Nele, o sonhador sinaliza aos pesquisadores com movimentos oculares pré-combinados, provando consciência fora do corpo adormecido.
William James, pai da psicologia americana, alertava: um único corvo branco basta para derrubar a tese de que todos são pretos. Pesquisadores como Harold PuthoffRussell Targ e Edwin May, entre outros, revelaram anomalias em física de plasma, matemática não linear e consciência não-local. Seus livros — Mentes sem BarreirasPercepções RemotasO Sétimo SentidoCognição Anômala e Magia Verdadeira — desafiam o paradigma.
No orgasmo — universalmente visto como o pico de prazer — o mundo corpóreo some em êxtase, dissipando preocupações, dores e medos. Poetas o chamam de "pequena morte", ecoando a separação corpo-mente que as experiências de quase morte elevam à irrefutabilidade. Milhares de ressuscitados descrevem cenas precisas — cirurgias com olhos vendados, conversas de médicos, prantos de parentes — enquanto clinicamente mortos. Hipóxia cerebral? Alma em êxodo? Vislumbre de outra existência? 
As EQMs revelam a morte como libertação física e fusão com o todo. Se a consciência é extracerebral, como os noéticos defendem, ela abandona o corpo e se reintegra ao universal. A questão é que precisamos morrer para ver a verdade, e aí não voltamos para contarDaqui a séculos, cientistas podem rir de nossos dilemas sobre consciência não-local como rimos das teorias medievais de combustão — ou confirmar que estávamos certos.
De relatos antigos a experimentos modernos, uma certeza emerge: a morte não é o fim abrupto, mas uma porta entre véus que nos convida a viver com mais intensidade, questionando se o "eu" que carregamos é prisioneiro ou passageiro de carne e osso. Talvez as EQMs sejam o universo sussurrando: "Você é mais do que pensa — e a prova virá."
E se, em vez de temer o desconhecido, usássemos essas histórias como bússola? Cultivar meditação, empatia e curiosidade pode nos aproximar dessa consciência expandida aqui e agora, adiando o "quase" para um "de fato" sereno. 
A árvore caiu; cabe a nós ouvir o eco.
Continua...

segunda-feira, 30 de março de 2026

AS QUERELAS DO BRASIL

EXISTEM APENAS DOIS TIPOS DE PESSOAS: AS QUE CONCORDAM COMIGO E AS QUE ESTÃO ERRADAS.


A polarização na política sempre existiu, mas nunca foi tão desbragada quanto nas duas últimas disputas presidenciais. Depois que a "abertura lenta, gradual e segura" pôs fim a três décadas de jejum de urna, os brasileiros voltaram a escolher seu presidente.


Embora o cardápio da eleição solteira de 1989 listasse 22 postulantes — entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola —, o eleitorado tupiniquim, que repete a cada pleito o que Pandora fez uma única vez, enviou para o segundo turno um caçador de marajás demagogo e populista e um ex-metalúrgico populista e demagogo. 


Lula concorreu à Presidência em 1989, 1994 e 1998, foi eleito em em 2002 e reeleito em 2006, a despeito do escândalo do Mensalão. Em 2010, transformou uma nulidade em "gerentona de araque" para manter aquecida a poltrona que ele pretendia reconquistar em 2014, mas o "poste" gostou da brincadeira e insistiu em disputar a reeleição. Por motivos que agora não vêm ao caso, o criador se resignou a apoiar a criatura, que afundou o país e foi impichada em 2016 (pelo conjunto da obra; as folclóricas "pedaladas fiscais" foram apenas um pretexto para penabundar a incompetente insolente e arrogante). 


Com a deposição da "mulher sapiens", Michel Temer passou de vice titular, mas seu prometido ministério de notáveis se revelou de uma notável confraria de corruptos. O primeiro a cair foi Romero Jucá, com apenas uma semana no cargo. Na sequência, demitiram-se — ou foram demitidos — Fabiano Silveira, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, entre outros ministros e assessores presidenciais investigados na Justiça ou acusados de corrupção por delatores na Lava-Jato


Para encurtar a história, quando a conversa de alcova nada republicana que manteve nos porões do Jaburu, em maio de 2017, com o dono da JBS, Temer pensou em renunciar, mas foi demovido da ideia pelo deputado Carlos Marun, seu fiel escudeiro, que também se encarregou de comprar votos das marafonas da Câmara em número suficiente para salvar o presidente das flechadas de Janot


Observação: O patético hipopótamo dançarino foi o relator da CPI da JBS, embora tivesse recebido R$ 103 mil em doações do frigorífico e sido acusado de beneficiar uma empresa de software em contratos de R$ 16,6 milhões.


Acabou que o chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil concluiu seu mandato-tampão como um "pato manco" e transferiu a faixa presidencial para o combo de mau militar e parlamentar medíocre que derrotou o títere de Lula — que não tinha o mesmo carisma que o titereiro —, tornou-se o pior mandatário desde Tomé de Souza e foi sentenciado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.


Observação: Temer chegou a ser preso em março de 2019, mas foi solto dias depois por ordem do desembargador Ivan Athié, do TRF-2 — que ficou afastado do cargo durante sete anos por suspeitas de corrupção.


A polarização esteve presente em todos os capítulos da nossa história, mas o quadro se agravou quando o Planalto passou a ser disputado pelo PT e pelo PSDB. Ainda assim, as campanhas eram relativamente civilizadas, pois mortadelas e coxinhas se tratavam como adversários políticos, não como inimigos figadais. Nas duas últimas disputas pelo Planalto, no entanto, o antagonismo exacerbado impediu que uma candidatura alternativa competitiva se consolidasse. 


Em 2018, Ciro Gomes acabou em terceiro lugar, com míseros 3,04% dos votos válidos no segundo turno. Em 2022, Henrique Mandetta, João Dória, Sérgio Moro, Eduardo Leite, Aldo Rebelo, Luciano Bivar e André Janones desistiram antes do início da corrida eleitoral. Simone Tebet ficou em terceiro lugar, com 4,16% dos votos. Soraya Thronicke, Sofia Manzano, Vera Lúcia e Padre Kelmon obtiveram resultados inexpressivos.


Como era esperado, a disputa ficou entre Lula e Bolsonaro, e o desempregado que deu certo venceu o mandrião aspirante a golpista pela menor diferença de votos desde a redemocratização (menos de 2%). Durante a campanha, o ex-presidiário "descondenado" tripudiou: "Agora quem acabou foi o PSDB". Em resposta, os tucanos disseram que o PT passou anos tentando reescrever a história, semeando o ódio, perseguindo adversários, dividindo a sociedade e montando uma usina de fake news.


No debate promovido pela Band em outubro de 2022, o Lula vociferou que "nomear amigo e companheiro para o Supremo é retrocesso" (referindo-se a Nunes Marques e André Mendonça, indicados por Bolsonaro). Eleito, indicou seu ministro da Justiça, Flávio Dino, e seu advogado particular Cristiano Zanin — e ainda teve o desplante de negar a relação de amizade com o causídico, que esteve em seu casamento com Janja e a quem chamou de "amigo" em entrevista à BandNews


Faltando pouco mais de seis meses para o primeiro turno das próximas eleições, o alto nível de rejeição popular ao xamã do PT e ao sobrenome Bolsonaro animou alguns partidos com a possibilidade de finalmente romper a polarização. O PSD de Gilberto Kassab apresentou três governadores como potenciais postulantes, mas Ratinho Jr — o mais competitivo dos três — desistiu de última hora.


A despeito da fama de bom gestor, de uma administração aprovada por cerca de 80% dos paranaenses e apoio de várias lideranças, Ratinho Jr voltou atrás, movido por uma conjunção de fatores, incluindo as investigações sobre a venda da subsidiária de telecomunicações da Copel e as conexões com Nelson Tanure —suposto sócio oculto de Vorcaro nas traficâncias do Master. Mas a filiação de Sérgio Moro ao PL também pesou: até então, o governador paranaense achava que faria seu sucessor com facilidade, mas o ex-herói nacional já aparece como franco favorito nas pesquisas. 


Os índices de desaprovação do governo federal e o derretimento da popularidade de Lula sugerem que ele é "bananeira que deu cacho", mas engana-se quem pensa que o pontifex maximus da Petelândia é carta fora do baralho. Segundo as pesquisas, cerca de 33% dos entrevistados não se declaram petistas nem bolsonaristas, 26% não votaram no em Lula nem em Bolsonaro na eleição passada — ou votaram e se arrependeram, —, 27% escolheram o macróbio mas não se identificam como de esquerda, e 18% dos que votaram no "mito" dos anencéfalos não se reconhecem como de direita.


Somados, esses grupos representam 71% do total de votos, e, pelo menos em tese, podem ser conquistados por qualquer candidato — o núcleo duro da polarização é formado por apenas 11% e 18% de esquerdistas e direitistas convictos, respectivamente, de modo que existe espaço para uma candidatura de terceira via.


Os extremos fazem barulho nas redes sociais, pautam a cobertura da mídia, alimentariam o algoritmo. Há “avenida enorme” para uma candidatura de centro (não confundir com o Centrão adesista) neste ano, mas cabe aos interessados priorizar a defesa da democracia, a reorganização dos programas sociais e um plano de desenvolvimento centrado nas novas tecnologias e novas relações de trabalho.


A questão é que quase todo tema polêmico — como a “taxa das blusinhas”, a PEC da Segurança Pública e até a CPMI do INSS — se torna refém da polarização no Congresso. Ainda não se sabe o que o PSD pretende fazer nas áreas da economia e da segurança pública. O MDB, dividido como sempre em alas, se preocupa mais com querelas paroquiais e a disputa para a Câmara dos Deputados — cujo resultado é decisivo para a divisão dos bilionários fundos eleitoral e partidário. Já o PSDB, que governou o país por dois mandatos com FHC, perdeu quadros, capilaridade nacional e capacidade de dialogar com o eleitorado. 


Observação: Geraldo Alckmin, que foi quatro vezes governador de São Paulo pelo PSDB, disputou a Presidência em 2006 — e foi derrotado por Lula no segundo turno — e em 2018 — quando amargou um vexatório quarto lugar. Apesar de ter dito que eleger o petista era o mesmo que reconduzir um criminoso à cena do crime, filiou-se ao PSB para concorrer à vice na chapa encabeçada pelo ex-adversário — talvez achando que essa seria sua única de aboletar na poltrona mais cobiçada do Palácio do Planalto. Só que faltou combinar com O Ceifador, sem falar que que o diabo detesta concorrência.


A maioria dos analistas políticos estima que a eleição deste ano será decidida pelos eleitores considerados independentes. No escrete eleitoral de Lula, nunca houve uma preocupação com a hipótese de uma candidatura de centro ganhar corpo a ponto de chegar ao segundo turno, mas, há apreensão com a possibilidade de os escândalos de corrupção sob investigação — especialmente do caso do Banco Master e da roubalheira contra aposentados e pensionistas do INSS — alterarem esse cenário.


Flávio Bolsonaro trabalha para que o centro e a direita não apresentem concorrentes — além de sugerir Ratinho Jr como seu vice, o filho do pai mandou emissários sondarem Ronaldo Caiado e Romeu Zema para o posto. Contrariando a tradição familiar de verborragia, o senador das rachadinhas tem economizado nas palavras, deixando Lula se desgastar sozinho com os problemas da administração federal. Nos últimos dias, defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública — ideia que foi sugerida por petistas, mas rejeitada por Lula


Na semana passada, Xandão autorizou a prisão domiciliar humanitária para o atual presidiário mais famoso desta banânia por um prazo inicial de 90 dias. Mesmo obrigado a usar tornozeleira eletrônica e proibido de acessar redes sociais e de gravar áudios ou vídeos, o condenado estará mais à vontade para ajudar na organização da campanha do primogênito, que tenta se vender com a roupagem de "moderado".


Resumo da ópera: No início deste século, ainda predominava a crença de que, na democracia, os moderados prevalecem — e moderam os radicais. Houve até quem acreditasse na possibilidade de juntar os melhores quadros do PT e do PSDB para contribuir com um governo capaz de modernizar o país. Hoje, mesmo os quadros reconhecidamente ponderados se mantêm abrigados sob os guarda-chuvas da polarização para continuarem relevantes no xadrez político, e, em determinadas situações, os extremistas estão conseguindo radicalizar os moderados.


Caberá ao eleitor decidir qual caminho irá seguir, e a exemplo do que ocorreu nas últimas campanhas, o caminho do centro continua acidentado e sem uma liderança clara.