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domingo, 29 de março de 2026

DE VOLTA AO NHOQUE DA SORTE

EM POLÍTICA, A COMUNHÃO DE ÓDIOS É QUASE SEMPRE A BASE DAS AMIZADES.  


A dica de hoje não é inédita — eu a repito quase sempre que o dia 29 do mês cai num domingo, mesmo porque a audiência do blog é rotativa. Dito isso, vamos ao que interessa.


A simpatia do "NHOQUE DA SORTE" remonta ao século IV. Reza a lenda que o médico cristão Pantaleão de Nicomédia  — que seria canonizado em 1602 pelo papa Clemente VIII — se disfarçou de andarilho e bateu à porta de uma família humilde.


Mesmo enfrentando dificuldades, o dono da casa acolheu o visitante e dividiu com ele o jantar da família, que ficou reduzido a sete grãos de nhoque por pessoa. Depois que ele partiu, a dona da casa encontrou moedas de ouro sob os pratos — daí a tradição de comer nhoque todo dia 29 para atrair sorte e prosperidade.


Para seguir o ritual, coloque uma nota de dinheiro sob o prato, coma os primeiros sete grãos de nhoque em pé, com o prato nas mãos, pedindo que a sorte e o dinheiro nunca faltem. Feito isso, sente-se à mesa, deguste o restante da massa e guarde o dinheiro na carteira até o dia 29 do mês seguinte, quando então você deve gastá-lo preferencialmente na compra alguns dos insumos que usará para repetir a receita. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Como dizia o Conselheiro Acácio — personagem do romance O Primo Basílio, de Eça de Queiroz — o problema das consequências é que elas vem sempre depois. Davi Alcolumbre está sofrendo as consequências de ter adiado por quatro meses a ascensão de André Mendonça ao STF. O ministro acumula atualmente um poder comparável ao exercido até bem pouco pelo "xerife" Alexandre de Moraes, e determinou que Alcolumbre lesse em até 48h o requerimento para prorrogar a CPMI do INSS. Isso irritou o presidente do Senado, que a qualificou decisão de "interferência grave".

Instalar e atuar em CPIs é um direito ida minoria legislativa previsto na Constituição. Havendo objeto de investigação e número suficiente de apoiadores, não cabe aos chefes da Câmara e do Senado bloquear investigações parlamentares. No caso em tela, houve um pedido de prorrogação e apoiadores em número suficiente para que ele fosse aceito. Alcolumbre não quis implementar, e o presidente da Corte, Edson Fachin, marcou para quinta-feira o julgamento em plenário da decisão.

Os votos de Flávio Dino e Alexandre de Moraes foram determinantes para consolidar a maioria contrária à prorrogação — defenderam que a extensão do funcionamento de uma CPMI deve seguir estritamente os ritos previstos no Congresso Nacional, sem possibilidade de intervenção que substitua decisões políticas internas do Legislativo.

O julgamento sobre a prorrogação da CPI do INSS teve como pano de fundo o escândalo do finado Banco Master. No entanto, em vez de favorecer o esforço pluripartidário para abafar a exposição das conexões de Vorcaro na Praça dos Três Poderes (incluindo o STF), a tese que prevaleceu no plenário — de que a Constituição assegura à minoria legislativa o direito à instalação de comissões parlamentares de inquérito, mas a prorrogação automática das CPIs — surtirá efeito inverso.

Na véspera, a oposição havia protocolado um mandado de segurança para obrigar o presidente do Senado a desengavetar uma CPI exclusiva para o caso Master. Agora, em respeito à sua própria jurisprudência, o STF terá de acolher o pedido da oposição, e Nunes Marques, relator do mandado de segurança e um dos que votaram contra a prorrogação da CPI do INSS, deverá expedir uma liminar determinando que Davi Alcolumbre cumpra o texto constitucional. O escândalo do Master tornou-se um dinossauro na sala. E dinossauros não cabem embaixo do tapete.

 

Se quiser economizar tempo e trabalho, compre os nhoques no supermercado; se preferir fazer como se faziam nossas avós, os ingredientes são os seguintes:

 

— 8 batatas Asterix;

— 2 gemas;

— 1 xícara (chá) de farinha de trigo.

— Sal refinado;

— Farinha de trigo para polvilhar a bancada.

 

Lave e descasque as batatas, corte-as em pedaços e reserve. Encha uma panela com água suficiente para cobrir as batatas e aqueça-a em fogo alto. Assim que a água ferver, despeje ½ colher (sopa) de sal na água, coloque as batatas e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos. Quando elas estiverem macias, passe-as pelo espremedor (ou amasse-as com um garfo), deixe amornar, adicione 2 colheres (chá) de sal e ¼ de xícara (chá) de farinha de trigo e use as mãos para misturar.


Quando obtiver uma massa homogênea, junte as gemas, amasse bem, adicione o restante da farinha (aos poucos) e continue amassando por mais um ou dois minutos. Ao final, lave as mãos e modele uma bolinha. Se ela não grudar, é porque a massa está no ponto de enrolar. 


Encha três quartos de uma panela com água e leve ao fogo alto. Enquanto espera ferver, unte uma assadeira com manteiga (ou margarina), espalhe um pouco de farinha sobre a mesa ou o tampo da pia, faça rolinhos de massa com cerca de 1 cm de diâmetro e corte-os em pedaços de 2 cm cada. 

 

Coloque de 15 a 20 nhoques por vez na água fervente e retire-os com uma escumadeira à medida que eles subirem à superfície. Repita o processo com os nhoques restantes e, ao final, acomode-os na assadeira e reserve.  


Dica: Se quiser finalizar mais tarde ou no dia seguinte, mergulhe os nhoques cozidos numa tigela com água e cubos de gelo antes de transferir para a assadeira, cubra com filme plástico e deixe no refrigerador até a hora de usar. Se for servi-los com molho quente, mergulhe-os rapidamente em água fervente ou doure-os numa frigideira com azeite.

 

Para o molho ao sugo, você vai precisar de:

 

— 2 colheres (sopa) de azeite de oliva virgem;

— 3 dentes de alho picados;

— 1/2 kg de tomates Débora maduros, mas firmes;

— 2 cebolas grandes cortadas em cubos;

— 10 folhinhas de manjericão e um raminho de louro fresco;

— Sal e pimenta-do-reino. 

 

Lave os tomates, retire a pele e as sementes e cozinhe-os em fogo médio (sem óleo e sem temperos) por aproximadamente 15 minutos, mexendo de vez em quando para não grudar. Ao final, bata-os no liquidificador e reserve. Em outra panela, refogue o alho e a cebola no azeite, junte a polpa de tomate, o louro e metade das folhinhas de manjericão, e cozinhe em fogo baixo por cerca 30 minutos (sem tampar a panela).


Quando apurar, retire o louro e o manjericão, acerte o sal e e a pimenta, despeje o molho sobre os nhoques, leve ao forno a 150ºC para aquecer, polvilhe parmesão ralado, decore com as folhas de manjericão que sobraram e sirva em seguida. Talvez você não fique rico, mas dificilmente sairá da mesa insatisfeito.

Bom apetite e buona fortuna.

domingo, 3 de agosto de 2025

CARNE MOÍDA: UM CORINGA NA COZINHA

VOCÊ SE TORNA ETERNAMENTE RESPONSÁVEL POR AQUILO QUE CATIVA.

Carne moída na cozinha é como coringa no jogo de canastra: além de ser a base do quibe cru, do steak tartare, do rocambole de carne e do clássico molho à bolonhesa, ela também serve para rechear pastéis, tortas, panquecas, pimentões… e por aí vai.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Réus por tentativa de golpe de Estado têm alegado que documentos e registros de mensagens de incentivo a um levante eram cogitações individuais sem consequências práticas — uma estratégia de defesa válida, mas de difícil digestão para quem tem dois neurônios funcionais e ainda mais improvável de ser engolida pelos ministros do STF. 

Não tendo havido golpe, não houve crime, argumentam os pensadores — que, se pensaram, logo existiram como articuladores de uma intentona. Mas há abundância de provas de que a coisa foi além de elucubrações golpistas, mesmo porque os que se imputavam a condição de meros teóricos deram-se àquelas conjecturas de dentro do Palácio do Planalto e cercanias, com aval do então presidente da República. 

Pegos com a boca na botija, os autores da trama agora alegam terem feito considerações inofensivas. Resta convencerem a Justiça de que não foram altamente ofensivas à saúde democrática do Brasil.


Para refogar a carne sem que ela libere muita água, o ideal é dividi-la em porções menores e temperar apenas no final do processo. Mas vamos por partes, como diria o Chico Picadinho.

Aqueça bem uma frigideira larga e de fundo grosso, regue com um fio de azeite, adicione uma porção da carne (ainda sem tempero), espalhe bem e deixe fritar até que a água evapore e a carne comece a dourar, formando aquela crostinha saborosa. Só então você deve mexer, para que fique dourada por igual. Ao final, reserve e repita o processo com as demais porções.

Na mesma frigideira, refogue cebola, alho, tomate e pimentão previamente picados. Acrescente uma colher de extrato de tomate e deixe cozinhar, sem mexer, por 3 a 4 minutos, ou até que o extrato caramelize e escureça, potencializando o sabor. Devolva a carne à frigideira, misture bem e tempere com sal, pimenta e as especiarias de sua preferência — cominho, páprica, pimenta-calabresa ou noz-moscada são ótimas opções.

Aumente o fogo, adicione um pouco de vinho tinto e cozinhe por cerca de 3 minutos, até que o álcool evapore completamente. Acrescente algumas folhas de louro e cozinhe por mais alguns minutos, para apurar o sabor. Descarte o louro, salpique salsinha ou cebolinha verde picadas, misture bem e sirva com arroz ou use como base para molhos, recheios e outras preparações.

Observação: Se você mexer a carne antes de ela selar, o líquido liberado impedirá a formação da desejada crosta dourada. Outro erro comum é juntar a cebola, o alho e o sal antes de selar a carne, pois isso fará com que ela solte ainda mais líquido e acabe cozinhando no vapor, em vez de fritar.

Se quiser uma carne moída mais soltinha e sequinha, escolha cortes com menos gordura, como patinho ou coxão mole. Já para preparações mais suculentas, cortes com um pouco mais de gordura, como o acém, são ideais.

DICAS: Clique aqui para acessar a postagem que ensina a fazer quibes (crus, fritos e de bandeja), aqui para aprender a fazer steak tartare, aqui para conferir uma receita de almôndegas e aqui para saber como preparar delicioso molho à bolonhesa, que vai bem com massas em geral (macarrão, nhoque, lasanha) e deixa o bife à parmegiana ainda mais saboroso.

domingo, 29 de dezembro de 2024

NHOQUE SEM GLÚTEN

RICO NÃO É QUEM ACUMULA DINHEIRO, MAS QUEM O TEM E SABE GASTAR.

 

Hoje é dia 29, dia 29 é dia de nhoque da sorte (confira os detalhes nesta postagem), mas nhoque feito com farinha de trigo contém glúten, que garante estrutura e flexibilidade à massa, mas pode causar inflamação no intestino de pessoas que têm intolerância ou doença celíaca.

Por ser feita da semente de uma planta chamada Fagopyrum esculentum, a farinha de trigo sarraceno não contém glúten, sendo uma alternativa interessante à farinha de trigo tradicional — lembrando que farinha de arroz e amido de milho também não contêm glúten.
 
Para servir 4 pessoas, você vai precisar de:
 
— 500g de batatas (Asterix, de preferência);
— 1 xícara (chá) de farinha de arroz;
— ½ xícara (chá) de amido de milho;
— 1 ovo;
— 1 colher (chá) de sal.
 
Lave e cozinhe as batatas (com a casca) em água fervente até ficarem macias. Escorra, espere amornar, descasque e amasse com um garfo ou passe por espremedor, transfira para uma tigela, adicione a farinha de arroz, o amido de milho, o ovo, o sal, e misture bem misturado — primeiro com espátula, depois usando as mãos. 
 
Divida a massa em pequenas porções e, numa superfície enfarinhada, enrole cada uma delas, formando cordões com cerca de 2 cm de diâmetro. Corte os cordões em pedaços de aproximadamente 2cm e pressione levemente o garfo sobre cada um deles para obter o formato clássico do nhoque.  
 
Ferva bastante água numa panela grande, adicione uma colher (sopa) de sal e coloque os nhoques aos poucos. Quando eles subirem para a superfície, transfira-os para um bowl com água e gelo (para interromper o cozimento, evitando que a massa amoleça demais).
 
Escorra os nhoques e coloque-os numa travessa, aqueça o molho de sua preferencia, despeje por cima, misture delicadamente e polvilhe queijo ralado à vontade (parmesão não contém glúten). 

Dicas

1) Amassar e descascar a batata ao mesmo tempo usando uma peneira facilita a remoção da casca e deixa o purê bem fininho; 

2) Deixar a batata esfriar antes de misturar a massa com o ovo evita que este cozinhe no calor daquela. 

3) Use somente a gema para evitar que a clara deixe a massa mole demais.

Bom apetite.

domingo, 17 de novembro de 2024

NEM SÓ DE MACARRÃO VIVEM OS MOLHOS

CONSERTE AS GOTEIRAS ENQUANTO O TEMPO ESTÁ FIRME.

 
O sabor da macarronada, do nhoque, do rondelle e de outros tipos de massa depende diretamente do molho, mas nem só de massa "vive" o molho. Dito isso, veremos como preparar almôndegas —ou polpette, como os italianos se referem a essas bolas de carne temperada servidas "al pomodoro", ou seja, com molho de tomate. 

Você vai precisar de:
 
- ½ kg de patinho moído;
- 1 cebola média picada;
- 3 dentes de alho;
- 1 ovo
- ½ xícara (chá) de queijo parmesão ralado fino;
- ¼ de xícara (chá) de farinha de rosca;
- 6 raminhos de salsa;
- Sal e pimenta-do-reino moída na hora a gosto;
- Azeite.
 
O preparo é simples:
 
  • Misture a carne moída com ¾ da cebola, 2 dentes de alho e a salsinha picados e tempere com sal e pimenta a gosto. 
  • Quebre o ovo num copo ou xícara (assim você não perde a receita se ele estiver estragado), transfira para a tigela com a carne e os temperos e misture com as mãos por cerca de 2 minutos;
  • Faça uma bola de carne e arremesse-a contra a tigela algumas vezes (o choque evita que as almôndegas se desmanchem durante a fritura), adicione o queijo ralado e a farinha de rosca e amasse novamente para incorporar.
  • Unte as mãos com óleo ou azeite e enrole porções da massa não menores que bolas de pingue-pongue nem maiores que bolas de tênis, coloque-as numa travessa e reserve.
  • Aqueça uma colher (chá) de azeite numa panela ou frigideira de borda alta, esmague os dentes de alho restantes com com sal até formar uma pasta e, usando uma colher de pau ou de silicone, misture essa pasta ao azeite na panela.
  • Coloque as almôndegas uma ao lado da outra (sem amontoar), doure-as por cerca de 5 minutos (virando as bolinhas de vez em quando, para que fiquem douradas por igual), transfira-as para uma travessa forrada com papel-toalha e repita o processo com as demais almôndegas (se necessário, acrescente um pouco mais de azeite).
  • Coloque um pouco de água na frigideira e raspe bem para "deglaçar" (ou seja, diluir e transformar em molho os resíduos da fritura que ficaram grudados no fundo da panela).
  • Adicione o molho de tomate (receita nesta postagem), deixe cozinhar em fogo médio até ferver, retorne as almôndegas douradas à frigideira com o molho, baixe o fogo e deixe cozinhar por mais 6 minutos, polvilhe com parmesão ralado e decore com folhinhas de manjericão.
Aproveitando o embalo, segue uma variação que é muito popular na Alemanha, onde esses bolinhos de carne são chamados de Frikadellen, Bulette, Fleischklöpse, Fleischpflanzerl, Klops, Fleischküchle, Hacktätschli, Beefsteak, Brisolette, Faschierte Laibchen, Fleischlaberl, conforme a região: 

Misture ½ kg de carne moída, 1 cebola cortada em cubinhos, 4 ovos inteiros, ½ maço de cebolinha, sal, pimenta-do-reino, orégano, páprica doce e molho de pimenta a gosto, ½ maço de cebolinha picada e farinha de rosca, faça bolinhos pequenos, frite-os em óleo bem quente, virando de todos os lados para dourar por igual, e sirva com mostarda escura.


Se alguém botar defeito nessas delícias, é porque esse alguém tem problemas de paladar. Nada que um bom otorrino não resolva. 
 
Bom proveito.

domingo, 29 de setembro de 2024

NHOQUE DA SORTE

SABEMOS QUE VIVEMOS TEMPOS ESTRANHOS QUANDO OS FATOS SE CALAM PARA NÃO OFENDER AS VERSÕES E OS SÁBIOS SILENCIAM PARA NÃO CONSTRANGER A ESTUPIDEZ.

A dica de hoje não é inédita aqui no Blog, mas a audiência é rotativa, hoje é domingo, 29, e domingo é dia de sugestões culinárias e dia 29 é dia de "nhoque da sorte". 
 
Essa simpatia remonta ao século IV. Reza a lenda que um médico cristão conhecido como Pantaleão de Nicomédia (que foi canonizado em 1602 pelo papa Clemente VIII) disfarçou-se de andarilho faminto e bateu à porta de uma família humilde. Mesmo com poucas provisões, a família acolheu o suposto mendigo e dividiu com ele o nhoque que seria seu jantar. A divisão rendeu sete nhoques para cada um. Depois que o visitante partiu, a família encontrou moedas de ouro debaixo dos pratos, daí a tradição de comer nhoque todo dia 29 para ter sorte e prosperidade. 
 
Para seguir o ritual, você deve colocar uma nota de dinheiro sob prato, comer os primeiros sete nhoques em pé, fazendo um pedido para que a sorte e o dinheiro nunca faltem, e depois sentar-se à mesa e degustar o nhoque com o molho de sua preferência. Ao final, guarde o dinheiro na carteira até o dia 29 do mês seguinte e gaste-o na compra dos ingredientes que serão usados para repetir a receita.
 
Você pode comprar os nhoques no supermercado (e economizar tempo e trabalho) ou fazê-los em casa, como nossas avós. Os ingredientes são os seguintes:
 
— 8 batatas Asterix;
— 2 gemas;
— 1 xícara (chá) de farinha de trigo.
— Sal refinado;
— Farinha de trigo para polvilhar a bancada.
 
Descasque e corte as batatas em pedaços, coloque-os numa panela, cubra com água e leve ao fogo alto. Quando a água ferver, adicione ½ colher (sopa) de sal, baixe o fogo e deixe cozinhar por cerca de 20 minutos. Quando 
elas estiveres macias, passe-as pelo espremedor, deixe amornar, adicione 2 colheres (chá) de sal e ¼ de xícara (chá) de farinha de trigo e use as mãos para misturar.
 
Quando a massa estiver homogênea, acrescente as gemas, amasse bem, adicione o restante da farinha (aos poucos) e continue amassando por mais um ou dois minutos. Lave as mãos e modele uma bolinha; se ela não grudar, a massa estará no ponto de enrolar. 
 
Encha três quartos de uma panela com água e leve ao fogo alto. Enquanto espera a água ferver, unte uma assadeira (ou refratário) com óleo ou manteiga, polvilhe a mesa ou o tampo da pia com farinha, faça rolinhos com cerca de 1 cm de diâmetro e corte-os em pedaços de 2 cm cada. 
 
Mergulhe de 15 a 20 nhoques por vez na água fervente; quando eles flutuarem, retire com uma escumadeira, transfira para a assadeira untada, repita o processo com os demais nhoques e reserve. 
 
DicaSe quiser finalizar mais tarde ou no dia seguinte, mergulhe os nhoque cozidos numa tigela com água e gelo antes de transferir para a assadeira untada, cubra com filme plástico e deixe no refrigerador até a hora de usar. Para servir com um molho quente, mergulhe os nhoques rapidamente em água fervente ou doure-os numa frigideira com azeite.
 
Para o molho ao sugo, você vai precisar de:
 
— 2 colheres (sopa) de azeite de oliva virgem;
— 3 dentes de alho picados;
— 1/2 kg de tomates Débora maduros, mas firmes;
— 2 cebolas grandes cortadas em cubos;
— 10 folhinhas de manjericão e um raminho de louro fresco;
— Sal e pimenta-do-reino. 
 
Lave os tomates, retire a pele e as sementes e cozinhe em fogo médio (sem óleo e sem temperos) por aproximadamente 15 minutos, mexendo de vez em quando para não grudar. Ao final, bata no liquidificador e reserve. 
 
Em outra panela, refogue o alho e a cebola no azeite, junte a polpa de tomate, acrescente o louro e metade das folhinhas de manjericão e cozinhe em fogo baixo por cerca 30 minutos (sem tampar a panela). 
 
Quando apurar, retire o louro e o manjericão, acerte o ponto do sal e da pimenta, despeje o molho sobre os nhoques, leve a assadeira ao forno a 150ºC para aquecer, polvilhe com parmesão ralado, decore com as folhas de manjericão que você não usou e sirva em seguida.
 
Bom apetite e buona fortuna.

domingo, 15 de setembro de 2024

VAMOS DE MACARRONADA?

O MELHOR TEMPERO É A FOME.

Consta que Marco Polo trouxe o macarrão da China para a Itália no século XIII, mas há indícios de que os sicilianos já consumiam uma forma primitiva desse tipo de massa séculos antes da viagem do explorador veneziano. 

Controvérsias à parte, a "pastasciutta" se tornou a peça chave da dieta dos italianos e foi trazida para o Brasil no início dos anos 1900, juntamente com o queijo, o vinho e outros produtos típicos, e não demorou a ser produzida nos "bairros italianos" de algumas cidades das regiões sul e sudeste. 

Mais adiante, a produção de massas (macarrão, lasanha, nhoque, rondelle, ravioli, capelete etc.) passou de artesanal a industrial, e o consumo, antes limitado aos nati e oriundi, se disseminou entre os brasileiros, que logo as combinaram com ingredientes locais para criar pratos saborosos e baratos. 

Pastifícios como Adria, Renata e Petybon oferecem pasta de "grano duro" (feita com uma espécie de trigo de grãos mais duros, que é responsável pela consistência "al dente" e pela cor dourada e brilhante do macarrão cozido), de boa qualidade, mas que não ombreiam com as melhores marcas italianas. 
 
Pastasciutta sem molho é como pastel sem recheio ou pizza sem cobertura. Molhos ao sugo e à bolonhesa não ornam com estômagos sensíveis, mas basta remover a pele e as sementes dos tomates para reduzir sua acidez (lembrando que a
 pele sai mais facilmente se você, fizer um corte em "X" no topo dos tomates, fervê-los por alguns minutos e mergulhá-los em água gelada).

Adicionar açúcar ao molho mascara a acidez do tomate, mas deixa a pasta doce e potencializa o risco de caramelização. Fermento e bicarbonato de sódio também funcionam, mas amargam e comprometem a textura do molho — e mesmo se aplica ao vinho doce, ao ketchup, ao azeite e à manteiga, que não só adocicam o molho como aumentam seu potencial calórico. 

Dito isso, minha dica é cozinhar uma cenoura descascada junto com o molho e retirá-la ao final do processo — a cenoura "quebra" a acidez do tomate sem alterar o sabor do molho, e deixa o molho mais encorpado se for ralada e incorporada aos demais ingredientes

Para preparar o molho:

- Aqueça azeite em fogo médio, baixe o fogo, refogue alho, cebola e manjericão bem picadinhos por 2 ou 3 minutos;

- Tempere com sal e pimenta. junte os tomates sem pele e sem sementes (amassados com um garfo ou batidos no liquidificador), aumente o fogo para médio e cozinhe por 5 minutos, mexendo de tempos em tempos para não deixar grudar. 

- Coloque o macarrão (cozido al dente e devidamente escorrido) na panela do molho, misture bem com uma colher de pau (ou de silicone), transfira para uma travessa e sirva em seguida. 

Observação: A massa "al dente" (cozida, mas levemente resistente à mordida) aumenta a saciedade, ou seja, faz com que o corpo a digira mais lentamente. Isso se aplica tanto a massas de grano tenro como de grano duro.

O tempo de cozimento varia conforme o tipo e formato da massa — as frescas cozinham mais depressa que as secas, e as longas levam menos tempo que as curtas. Em média, 10 minutos são suficientes, mas veremos isso melhor no post do próximo domingo, que tratará também dos molhos.

sexta-feira, 29 de setembro de 2023

SUPERSTIÇÕES

YO NO CREO EN BRUJAS, PERO QUE LAS AY, LAS AY.

Passados 7 anos da cassação de Dilma e depois que a Justiça Federal confirmou o arquivamento de uma ação contra ela por improbidade administrativa, a petralhada e o sumo pontífice da seita do inferno voltaram a contestar o impeachment. Em agosto, Lula afirmou que a sua cria foi "absolvida", que o Brasil lhe "deve desculpas" e que é preciso discutir como ela poderá ser reparada por ter sido julgada "por uma coisa que nunca aconteceu"  como se já não bastasse acomodar mulher sapiens na presidência do Brics, com salário de quase R$ 300 mil por mês. Como dizia meu avô, "não se deve mexer em merda seca"  ou seja, revolver problemas resolvidos ou que não têm solução. No último dia 15, Rosa Weber votou contra as ações, argumentando que o impeachment é um processo eminentemente político, que o STF não deve interferir na decisão do Senado e que não há como determinar, sete anos depois, que os parlamentares refaçam a votação sobre a cassação dos direitos políticos da impichada. Os demais ministros seguiram esse entendimento, e o julgamento foi encerrado no último dia 22.

Poucas coisas conseguem unir o ser humano em uma única crença como as superstições. Tem quem acredite que o número 13 é sinônimo de azar, quem use amuletos para se proteger do mau-olhado, quem foge de gatos pretos e evita passar debaixo de escadas, e por aí vai. Por mais que saibam que essas crendices sejam irracionais, as pessoas preferem acreditar nelas a dar chance ao azar. 
 
As superstições advêm de nosso desejo de controlar todos os aspectos da vida — até aqueles que não dependem de nós. Em situações associadas a algo importante (como um casamento ou uma entrevista de emprego, por exemplo), rituais e amuletos criam a falsa sensação de que algo foi feito em prol de um desfecho positivo. É comum relacionarmos acontecimentos aleatórios a alguma causa e criarmos mecanismos que organizem as informações. 

Quando não há uma explicação clara aparente, nosso cérebro faz uma associação que não é 100% racional, dando azo às superstições. Em outras palavras, o medo do desconhecido suscita dúvidas e incertezas — que geram angústia e sofrimento —, e as associações dão às pessoas a falsa sensação de controle. E mesmo sabendo que esse controle é ilusório, elas continuam acreditando, porque é sempre melhor pingar do que secar.
 
Embora não tenham poderes mágicos, as superstições são úteis quando influenciam positivamente a forma como agimos. Seguir um ritual nos leva a acreditar que tudo sairá bem — nada muito diferente do velho efeito placebo
É comum os vemos jogadores realizarem determinados movimentos antes da partida, mas é preciso ter em mente que a superstição traz conforto, mas o TOC não produz alívio.  

Não há nada de mais em usar a "camisa da sorte" durante o jogo do "time do coração" nem em pular sete ondas na passagem de ano, por exemplo. Eu não me considero supersticioso, mas tenho cá minhas crendices (como disse o criador de D. QuixoteYo no creo en brujas, pero que las hay, las hay), e uma simpatia de que gosto muito é o "gnocchi della fortuna ". 

Reza a lenda que, numa noite de 29 de dezembro do século IV d.C., São Pantaleão se vestiu de mendigo e bateu à porta da casa de uma família pobre e numerosa, que fez questão de dividir o jantar com o desconhecido, mesmo tendo de servir penas sete grãos de nhoque para cada pessoa. Depois de agradecer a hospitalidade, o santo se foi. Ao tirar a mesa, a família encontrou moedas de ouro sob os pratos. 

Para fazer essa simpatia se o trabalho de cozinhar as batatas, preparar a massa e cortá-la em gominhos, cozinhe 500 g de massa fresca de nhoque em água fervente. Quando os gominhos subirem, retire-os com uma escumadeira e reserve (n
ão deixe de ler as instruções impressas na embalagem, já que alguns produtos precisam ser cozidos em água fervente e outros podem ser misturados ao molho, levados ao forno e servidos em seguida). 

Você pode degustar seu nhoque à bolonhesa, no alho e óleo ou com molho branco. Eu prefiro o meu ao sugo. Para fazer o molho como nos tempos da vovó, você vai precisar de:
 
— 2 colheres (sopa) de azeite de oliva virgem;
— 3 dentes de alho;
— 1/2 kg de tomates maduros;
— 2 cebolas grandes;
— 10 folhinhas de manjericão,
— 2 folhinhas de louro fresco;
— Sal e pimenta a gosto.
 
Bata os tomates no liquidificador, coe, refogue em azeite com as cebolas raladas e os dentes de alho (picados ou esmagados) e acrescente o sal, a pimenta, o louro e parte das folhas de manjericão (devidamente picadas). Quando o molho apurar, despeje-o sobre os nhoques cozidos, decore com as folhinhas de manjericão que sobraram, polvilhe com queijo parmesão ralado, espere gratinar e sirva. 

A simpatia manda comer os primeiros sete grãos em pé, depois colocar o prato sobre uma nota de dinheiro (o valor fica a seu critério), sentar-se à mesa e aproveitar a refeição. Ao final, deve-se guardar a nota na carteira até o dia 29 do mês seguinte, e então gastá-la na compra de algum ingrediente que será usada para repetir a receita.


Bom apetite e buona fortuna.