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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

VIAGEM FANTÁSTICA — FINAL

DÊ-ME UMA ALAVANCA E UM PONTO DE APOIO E EU MOVEREI O MUNDO.

Depois de uma breve parceria, IBM e Microsoft buscaram cada qual à sua maneira desenvolver um sistema operacional que rompesse com as limitações do DOS, mas a estrela de Bill Gates brilhou mais forte: a arquitetura aberta se tornou padrão no mercado e o Windows, o SO para PCs mais popular em todo o mundo.


O Apple Macintosh foi criado para ter um sistema revolucionário, com interface gráfica, para o qual diversas empresas — inclusive a própria Microsoft — foram convidadas a desenvolver aplicativos. Contudo, a arquitetura fechada, o software proprietário e o preço elevado tornaram-no um “produto de nicho”.


Antes das edições NT e 95, o sistema operacional da Microsoft era o MS-DOS, e o Windows, apenas uma interface gráfica. No início dos anos 1990, Linus Torvalds lançou o Linux e abriu seu código para que outros programadores pudessem colaborar.


Observação: Linux não é Unix, mas um núcleo de sistema operacional que, combinado com o GNU, forma o GNU/Linux. Tanto o GNU quanto o Linux foram criados com o objetivo de serem mais simples que o Unix, mas compatíveis com a maioria dos aplicativos Unix, mas isso é outra conversa.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Ao levar finalmente um companheiro de chapa à vitrine, Flávio Rachadinha expôs ao país não um vice dos sonhos, mas o resultado dos seus piores pesadelos: o abandono do centrão, a ausência de alternativas, o descompromisso com as mulheres e o descaso institucional. 

Ao sapatear sobre as pretensões políticas de Tarcísio de Freitas, o ex-presidente golpista imaginou que o centrão cairia no colo de seu primogênito por gravidade. Deu em abandono. Bateram em retirada o PP de Tereza Cristina, o Republicanos de Daniela Marques e o Podemos de Renata Abreu. Restou o precário Plano D masculino.

O filho do pai tentou emendar a desfeita com as mulheres. Piorou o soneto. "Fiz duas filhas. Quando ficar velhinho, vou ter quem vai tomar conta de mim", disse. Imaginou enaltecer os bons sentimentos femininos. Tolice. Pela lei, o cuidado com os pais é dever dos filhos, sem distinção de sexo.

É temerária a escolha de um deputado às voltas com pedido de investigação por suspeita de estupro de vulnerável e com emendas vasculhadas pelo TCU. Como se fosse pouco, a escolha também desprezou o essencial: a qualificação de quem pode assumir a Presidência. Poucas vezes a escolha de um vice expôs tantos vícios. Isso levou o candidato das rachadinhas, panetones e mansões milionárias a gastar baldes de saliva para sinalizar que teria uma vice mulher — depois de pelo menos três tentativas inexitosas, ele escolheu um homem, mas continuou sorrindo em público. 

Quem sorri quanto tudo deu errado é porque já descobriu em quem pôr a culpa. O filho do refugo da escória da humanidade, a culpa é dos oligarcas do centrão. As mulheres cogitadas para compor a sua chapa estão fechadas com ele. "Quem não veio foram os caciques, os partidos". 

Não há melhor remédio para a culpa do que reconhecê-la. Mas a terceirização de responsabilidades é um hábito hereditário no clã Bolsonaro. Flávio esqueceu de lembrar — ou lembrou de esquecer — que os caciques do centrão estavam fechados com o projeto presidencial de Tarcísio de Freitas, e que seu pai, preso, preferiu enfiar a candidatura do primogênito goela abaixo dos aliados. Isolado, dedica-se agora a cuspir no prato em que o centrão não o deixou comer. Pode ser um bom desabafo, mas não adiciona um mísero segundo à propaganda de rádio e TV, e permite aos aliados retaliar dizendo que a única maneira de Flávio evitar as más companhias é nunca andar só.


Os principais sistemas usados atualmente em servidores, desktops e laptops são o Windows, o MacOS e as distribuições Linux. Nos smartphones e tablets, o Android (lançado pelo Google no final de 2007) lidera com larga vantagem sobre o Apple iOS (75% a 23%). Symbian, BlackBerry e Windows Mobile tiveram seus 15 minutos de fama, mas não passaram disso. Em 2013, a Microsoft chegou a comprar a finlandesa Nokia quando viu que empurrar seu sistema móvel para fabricantes de smartphones que já haviam optado pelo Android era perda de tempo, mas nem assim a coisa prosperou. 


Resumo da ópera: O computador levou milênios para evoluir do ábaco até os primeiros mainframes, mas poucas décadas bastaram para a computação pessoal se tornar realidade e encantar os consumidores domésticos — isso a despeito de os primeiros PCs custarem caro e não passarem de substitutos da máquina de escrever, da calculadora, do baralho de cartas e, mais adiante, dos consoles de videogame. A partir de então, em apenas 30 anos, a evolução tecnológica fez com que desktops e laptops diminuíssem de tamanho e de preço e seu poder de processamento e gama de recursos e funções crescesse em progressão geométrica. Daí foi um passo até surgirem os smartphones ― hoje tão “indispensáveis” que a gente se pergunta como conseguiu viver sem eles durante tanto tempo.


Fruto da genialidade de Steve Jobs, o iPhone, lançado em 2007, transformou em computador ultraportátil o que até então era um telefone sem fio de longo alcance. Com sistema operacional e uma profusão de aplicativos, a demanda energética dos pequenos notáveis cresceu para além da capacidade da bateria, e a autonomia passou a disputar com o tamanho da tela a característica mais valorizada pelos usuários. Segundo levantamentos recentes, há no Brasil mais celulares do que habitantes.


A computação quântica promete aposentar as máquinas binárias. Ela já vem sendo usada pela indústria automotiva em simulações que visam encontrar a melhor composição química para maximizar o desempenho das baterias de veículos elétricos, por exemplo. Fabricantes de aeronaves, como a Airbus, também a utilizam para traçar a melhor trajetória de decolagem e pouso que proporcione maior economia de combustível. Mas nem tudo são flores.


Computadores quânticos são volumosos, complexos e caríssimos. Para manter a estabilidade dos qubits (bits quânticos) é preciso manter as máquinas virtualmente congeladas — quanto mais próximas do zero absoluto, melhor —, tornando seu uso inviável no ambiente de negócio. A IBM oferece acesso via cloud a seus processadores quânticos desde 2016. A China investiu cerca de US$ 400 milhões em pesquisas quânticas, e os EUA pretendem investir bilhões nesse segmento. A Ford vem desenvolvendo em parceria com a Microsoft um projeto-piloto de pesquisa que se vale de uma tecnologia inspirada na computação quântica para simular a movimentação de milhares de veículos e reduzir os congestionamentos.

 

Observação: Quando os computadores quânticos se tornarem padrão de mercado, os modelos binários terminarão seus dias como peças de museu. Mas isso não acontecerá da noite para o dia. 


Os celulares desembarcaram no Brasil nos anos 1980. Os primeiros modelos eram volumosos e caríssimos (tanto o hardware quanto os planos oferecidos pelas famigeradas TELES), embora servissem mais como símbolo de status do que para fazer e receber chamadas. Mas não há nada como o tempo para passar: o lançamento do iPhone levou os demais fabricantes de celulares a promover seus dumbphones a smartphones pequenos e leves o bastante para caber no bolso da calça — e mais poderosos que os desktops de alguns anos atrás. 


Observação: Lançado em 1996, o Motorola StarTAC media apenas 94 x 55 x 19 milímetros (com a tampa fechada) e pesava menos de 100 gramas (para efeito de comparação, uma caixa de fósforos mede 54 x 35 x 15 milímetros). 


O aumento exponencial de funcionalidades contribuiu para interromper o processo de miniaturização dos celulares e prejudicou sua portabilidade — acompanhar o usuário a toda parte é justamente o diferencial dos smartphones em relação aos desktops e notebooks. No entanto, como ensinou tio Ben a Peter Parker, “grandes poderes implicam grandes responsabilidades" — o que significa, no caso dos smartphones, telas de tamanho compatível com as novas funções, sobretudo depois que a tecnologia touchscreen e o teclado virtual se tornaram padrão de mercado. 


A questão é que andar para cima e para baixo com um dispositivo do tamanho de uma tábua de carne é desconfortável e perigoso: além do risco de queda, a exposição chama a atenção dos amigos do alheio (lembrando que modelos top de linha custam mais de R$ 10 mil).


Pendurar o celular no cinto ou no cós da calça era moda nos tempos de antanho, mas nem o hardware nem as capinhas dos modelos atuais integram a indispensável presilha. Na bolsa... bem, cada vez menos mulheres usam esse acessório no dia a dia, e ainda que assim não fosse, as notificações sonoras ficariam inaudíveis e olhar a tela para conferir se chegou mensagem pelo WhatsApp tornar-se-ia mais complicado.  


Moçoilas (de todas as idades) andam com o aparelho emergindo do bolso traseiro da calça, como se isso não facilitasse a ação da bandidagem. Aliás, muitas “tanajuras” vestem calças justíssimas para valorizar o derriére, o que chama ainda mais a atenção da bandidagem e submete o celular a uma pressão que ele não foi projetado para suportar. Afora a possibilidade de trincar a tela quando a dona do buzanfã se aboleta no carro, no sofá ou seja lá onde for sem tirar o aparelho do bolso, e colocá-lo no sutiã não é a solução, pois potencializa os riscos de câncer de mama.


Para o consumidor masculino o cenário não é muito melhor. Levar o dispositivo no bolso lateral implica o risco de a radiação eletromagnética inibir a produção de espermatozoides. Nas calças tipo “cargo”, o bolso próximo à coxa seria a solução ideal, mas manter o aparelho junto à coxa ou ao quadril pode enfraquecer os ossos, especialmente se essa prática se prolongar por anos a fio.   


Puérperas e baby-sitters jamais devem colocar o telefone no carrinho do bebê — segundo pesquisadores, a criança pode apresentar problemas comportamentais, como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Igualmente desaconselhável é dormir com ele sob o travesseiro. O fato de a tela se iluminar a cada mensagem recebida interfere na produção de melatonina (hormônio que induz o sono), podendo, inclusive, causar tonturas e/ou dores de cabeça.


Cada vez mais usuários mantêm os olhos grudados na tela do smartphone mesmo quando estão no trabalho, na escola, no supermercado e durante almoços ou jantares com a família ou amigos, tanto em casa quanto em restaurantes. E a despeito do perigo, muita gente não resiste à tentação de trocar mensagens pelo WhatsApp no trânsito, enquanto estão dirigindo. Se for o seu caso, convém pisar no freio o quanto antes. Não é preciso abandonar o celular e voltar a viver na idade da pedra lascada; basta se nortear pelo bom senso. 


Evite levar o smartphone para a cama, quando por mais não seja, porque a luz da tela inibe os hormônios que regulam o sono. Se você depende do alarme para acordar de manhã, arrume um despertador “de verdade”. E se a primeira coisa que faz ao despertar é checar suas mensagens de WhatsApp, resista a essa tentação. Corte a barba, tome seu banho, vista-se e confira as novidades enquanto espera a água do café ferver, por exemplo.


Na hora do almoço, bata um papo descontraído com seus colegas de trabalho. Ignore o aviso de novas mensagens pelo menos até terminar a refeição (a menos que haja alguma pendência urgente). Em casa, procure conversar com os familiares por pelo menos uma hora sem ficar olhando a tela do aparelho. Se puder, desative os alertas sonoros e demais notificações. Elimine todos os apps supérfluos. Além de ganhar espaço na memória e melhorar o desempenho do gadget, você ganhará eficiência, tanto no trabalho quanto na execução de quaisquer outras tarefas.


No que tange à configuração ideal, o "melhor aparelho" é aquele que atende às suas necessidades por um preço que você pode pagar. Todavia, para evitar arrependimentos, opte por um modelo com 8 GB de memória RAM e 256 GB de armazenamento interno. A memória virtual proporciona alguma melhora no desempenho, notadamente quando muitos aplicativos são executados concomitantemente. 


Ainda assim, o desempenho da memória flash usada como armazenamento interno é muito inferior ao da RAM, o que resulta numa diminuição considerável na performance geral do sistema. Isso sem falar que o espaço alocado no armazenamento pode fazer falta em aparelhos de configuração espartana (com menos de 64 GB de memória interna). 

 

Na prática, a coisa funciona assim: se seu aparelho dispõe de 8 GB de RAM e 256 GB de armazenamento, ativar a memória virtual fará com que o sistema aloque uma determinada quantidade de espaço para expandir a RAM Ainda que não seja a melhor maneira de otimizar o desempenho do celular, fabricantes chinesas como Xiaomi e Realme vêm apostando nesse recurso há algum tempo, a exemplo da coreana Samsung, que introduziu esse recurso em alguns modelos. 


Smartphones com 6 GB de RAM física e outros 6 GB de memória virtual podem ser uma mão na roda, a despeito da diferença de desempenho entre as duas tecnologias de memória. Por outro lado, essa possibilidade é mais útil do que na plataforma PC, já que o upgrade de RAM física nos smartphones é inviável.

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

DO DESKTOP AO SMARTPHONE

NÃO SE SENTE FALTA DAQUILO QUE NUNCA SE TEVE. 

O Windows ainda lidera o mercado mundial de sistemas para PCs (com 72% de participação), ainda que esse protagonismo tenha perdido peso na vida cotidiana desde que as pessoas passaram a interagir mais com seus smartphones e a usar desktops e notebooks somente quando precisam de uma tela ampla, teclado e mouse físicos e mais poder de processamento e RAM do que os pequenos notáveis oferecem.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O Planalto até tentou, mas não conseguiu evitar que o relatório do PL Antifacção proposto pelo combo de deputado e esbirro do governador bolsonarista de São Paulo fosse aprovado na Câmara — o texto recebeu 370 votos a favor e apenas 110 contra, expondo, uma vez mais, a fragilidade do governo Lula no Congresso. Ainda assim, Hugo Motta barrou de ofício a proposta do bolsonarismo de equiparar facções criminosas ao terrorismo. Davi Alcolumbre já escolheu o senador Alessandro Vieira — em detrimento de Flávio Bolsonaro e de Sergio Moro — para relatar o projeto no Senado, a pretexto de evitar a “contaminação política” do projeto.

Paralelamente, a votação do Projeto de Lei Antifacção pela Câmara e a deflagração da terceira operação da PF em poucos meses com reflexos na classe política selam o divórcio litigioso entre o governo Lula e uma parcela poderosa do Centrão. Resta avaliar os efeitos desse afastamento — cada vez mais definitivo — no último ano de mandato do petista e nas eleições do ano que vem

Se endurecimento das penas fosse a solução mágica para combater o crime organizado, o Brasil seria um Éden da segurança há muito tempo. Mas a proliferação da criminalidade no Brasil mostra que falta um plano consistente para lidar com essas facções. 

Se a direita bolsonarista se balizasse pelo bom senso e colocasse o PL da segurança pública relatado pelo pupilo do governador bolsonarista de São Paulo acima das diferenças partidárias, ideológicas e eleitorais, o próprio Tarcísio elevaria a estatura da sua candidatura. No entanto, sua excelência prefere se rebaixar à politicagem e festejar como uma grande conquista um projeto que ainda vai passar pelo crivo do Senado e que está longe de ser uma solução.


Microsoft demorou a perceber que o mundo digital estava se tornando essencialmente móvel e que essa mobilidade ia além dos notebooks. Lançar o Windows Mobile quando o Android já soprava sua terceira velinha foi um exemplo clássico de timing errado, tentar “empurrar” a plataforma a fabricantes que haviam abraçado o robozinho verde não funcionou, e comprar a Nokia e criar os apps que os desenvolvedores parceiros não tinham interessem em fornecer foi a derradeira pá de cal em um sistema natimorto que não deixou saudades.

 

Lançado pelo Google em setembro de 2008, o Android domina 70% dos celulares ativos no planeta, enquanto o iOS — restrito ao hardware da maçã — responde por 28%. Embora haja “vida inteligente” em exoplanetas como KaiOS, Tizen, Ubuntu Touch, HarmonyOS e LineageOS, esses aliens são raros como moscas-brancas de olhos azuis.

 

Os produtos da Apple se destacam pela excelência, mas o preço (salgado) e a variedade (limitada) de modelos favorecem a concorrência, que oferece dispositivos “para todos os bolsos” — alguns por menos de R$ 1 mil. Não surpreende, portanto, que Samsung, Motorola, Xiaomi e Realme abocanhem 36%, 19%, 16% e 6% do mercado brasileiro, contra modestos 5% da marca da maçã. Mas isso não significa que o Android seja “melhor” que o sistema da maçã, apenas que o preço mais camarada e a versatilidade do código aberto o tornam mais atraente para uma fatia expressiva de consumidores.

 

Observação: A primeira logomarca da Apple exibia Sir Isaac Newton sentado sob uma macieira, mas Steve Jobs optou pela maçã colorida, que reinou até 1998. Depois vieram versões monocromáticas até chegar à maçã plana e minimalista (em preto, branco ou cinza), usada até hoje. Vale destacar que, em 1977, Rob Janoff conseguiu, com apenas um protótipo, criar um símbolo simples e indissociável da marca — façanha que muitas empresas levam anos (ou décadas) para alcançar.

 

O Google libera uma nova versão do Android a cada 12 meses (em média), mas cabe aos fabricantes parceiros definir quando e por quanto tempo seus aparelhos receberão atualizações do sistema e patches de segurança. Em muitos casos, o dispositivo fica preso à versão original ou recebe um único update — talvez por isso apenas 7% dos smartphones em uso rodem o Android 15, mas isso pode mudar, já que a Samsung ampliou para sete o número de atualizações de alguns Galaxy, no que foi seguida pela Motorola e pelo Google (com a linha Pixel).

 

De modo geral, um aparelho com Android 14 ou 13 — atualizado com os patches de segurança — está de bom tamanho para a maioria dos usuários, mas quem não abre mão dos recursos mais novos acaba trocando um celular em boas condições de funcionamento por um modelo estalando de novo. Mas isso é assinto para os próximos capítulos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

ANDROID INFECTADO? VEJA COMO RESOLVER

LAMENTAR O QUE NÃO TEMOS É DESPERDIÇAR O QUE POSSUÍMOS.

O primeiro celular capaz de acessar a Internet foi lançado pela Nokia em 1996, mas o recurso só funcionava na Finlândia, de modo que o iPhone, lançado pela Apple em 2007, é considerado o divisor de águas entre os dumbphones e os smartphones.

Depois de se tornarem verdadeiros PCs de bolso, os telefoninhos inteligentes passaram a substituir os modelos de mesa e portáteis na maioria das tarefas. No entanto, por serem comandados por um sistema operacional e rodarem os mais diversos aplicativos, eles também são vulneráveis à ação de malwares.

Por ser o sistema para PCs mais popular do planeta, o Windows é mais visado por cibercriminosos do que o macOS e as distribuições Linux. O mesmo vale para o Android, já que o código aberto, a presença em 80% dos celulares ativos no planeta e o ecossistema de apps muito maior que o da Apple o tornam o alvo preferencial dos cibercriminosos.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

No mesmo dia em que Flávio Dino disse que "anistiar crimes contra a democracia seria enviar a mensagem de que podem se repetir, seria um salvo-conduto", Hugo Motta reuniu o condomínio de líderes da Câmara para informar que só voltará a discutir o perdão dos golpistas na semana que vem, após as condenações. Síndico do Senado, Davi Alcolumbre articula uma versão lipoaspirada do mesmo vexame — em vez do perdão amplo e irrestrito, um ajuste na lei para reduzir as penas das sardinhas do 8 de janeiro —, mas evita mencionar que a lei beneficiaria também os tubarões do golpe. 

Deputados e senadores gostam de dizer que o Congresso é a casa do povo. Esquecem de lembrar que têm as mesmas obrigações de qualquer inquilino. As pesquisas indicam que a anistia não está no contrato. Como proprietário de uma fração do imóvel, todo eleitor deveria promover uma vistoria nos mandatos. Como dono da casa, o povo precisa providenciar os despejos.

Político que coloca anistia de golpista à frente da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 não merece ter o contrato renovado em 2026. A melhor maneira de fazer certos políticos trabalharem é evitar que sejam reeleitos.

Apesar do código proprietário, da instalação de apps limitada à App Store e da execução dos programas em sandboxes, o iOS não é uma fortaleza indevassável. Ainda assim, a Maçã não o equipa com uma ferramenta de segurança nativa nem recomenda o uso de soluções de terceiros. Considerando que a maioria dos ataques digitais usa engenharia social para ludibriar as vítimas — e que não existe celular "idiot proof" o bastante para proteger o usuário de si mesmo —, vale a pena contar com um antimalware com funções antiphishing e antitracking.

Observação: A oferta de apps de segurança para os sistemas da Apple é menor do que para Windows e Android, mas há boas opções (pagas e gratuitas), como Avira Mobile SecurityAvast MobileMcAfee Mobile SecurityTrendMicro Mobile Security Lookout. 

Se seu aparelho vem aquecendo anormalmente em standby, reiniciando aleatoriamente, travando sem motivo aparente ou consumindo muita carga da bateria, é hora de pôr as barbas de molho. Encontrar aplicativos que você não se lembra de ter instalado e ser bombardeado com anúncios suspeitos mesmo com os apps fechados são sinais de alerta que não devem ser ignorados.

Como é melhor prevenir do que remediar, baixe apps apenas da Play Store ou da loja oficial do fabricante do aparelho (se houver), e conceda apenas as permissões indispensáveis. Baixar arquivos APK de sites desconhecidos é uma das formas mais comuns de infectar o celular — além de abrir links suspeitos recebidos por SMS, e-mail ou redes sociais e deixar de atualizar o sistema e os apps.

Ao suspeitar de uma infecção, acesse as configurações do aparelho, toque em Apps (ou Aplicativos, ou algo parecido), em Ver todos os apps, e remova quaisquer programas que você não se recorda de ter instalado ou que pareçam suspeitos (uma pesquisa no Google ajuda a separar o joio do trigo). Feito isso, reinicie o aparelho e limpe o cache dos apps restantes. Se o problema persistir, limpe o armazenamento para restaurar as configurações-padrão do aplicativo e deletar arquivos de mídia —lembrando que isso apagará dados salvos como histórico, preferências e contas conectadas.

Se ainda não resolver, reinicie o celular no modo de segurança: pressione o botão Ligar/Desligar, toque e segure Desligar na telinha que aparecer, selecione Reiniciar em modo seguro e confirme. Caso o problema persista, desligue o celular e pressione simultaneamente os botões Diminuir volume e Ligar/Desligar. No menu que surgir, use o volume para selecionar Modo de recuperação e confirme. 

Quando o robô do Android com o ponto de exclamação aparecer, mantenha o botão Ligar/Desligar pressionado, toque uma vez no botão Aumentar volume e solte o botão Ligar/Desligar. No menu de recuperação, use o volume para localizar Limpar partição de cache e confirme. Ao final, selecione Reiniciar o sistema agora.

Se nem assim funcionar, tente um soft reset (reinicialização suave) antes de recorrer à restauração de fábrica. Se o celular for Samsung, pressione e segure Ligar/Desligar e Diminuir volume até reiniciar. Se for Motorola, segure Ligar/Desligar e Aumentar volume até o aparelho reiniciar. Persistindo o problema, faça backup dos arquivos importantes (fotos, mensagens, contatos etc.), acesse Configurações > Sistema > Avançado > Restaurar opções > Apagar todos os dados (redefinição de fábrica) e siga as instruções.

Observação: Se o aparelho não ligar corretamente ou o menu de configurações não abrir, carregue a bateria até pelo menos 30%, desligue o celular, pressione Ligar/Desligar e Diminuir volume juntos, use o volume para navegar até Wipe data/factory reset, confirme com Ligar/Desligar, selecione Factory data reset e, ao final, Reboot system now.

domingo, 14 de janeiro de 2024

ANDROID — APPS QUE SE DESTACARAM EM 2023

NÃO DIGA TUDO QUE SABE, NÃO FAÇA TUDO QUE PODE, NÃO CREIA EM TUDO QUE OUVE NEM GASTE TUDO QUE TEM.

Lula escalou seu velho amigo e correligionário Ricardo Lewandowski para substituir Flávio Dino no ministério da Justiça. O troca-troca só não foi literal porque Lewandowski foi substituído por Cristiano Zanin em abril do ano passado, quando se aposentou do STF, ao passo que Dino está preenchendo a vaga da ex-ministra Rosa Weber. 
Lewandowski disse que a segurança pública será sua prioridade, mas descobrirá em breve que, embora pertençam à mesma galáxia, Judiciário e Executivo são estruturas muito distintas, e perceberá que aterrissou na Esplanada como um alienígena. No planeta das togas, ele dava ordens e anotava no final dos despachos: "Cumpra-se". No Ministério da Justiça, seu primeiro grande desafio será cumprir uma ordem emanada do STF quando ele ainda era ministro da Corte: caberá a ele, como substituto de Dino, apresentar até abril p.f. as diretrizes para a civilização dos presídios
Ao pendurar a toga, o magistrado optou por aproveitar a aposentadoria para ganhar dinheiro. Tornou-se consultor da CNI e prestou serviços jurídicos à J&F. Na pasta da Justiça, mergulhará na política  um buraco negro habitado por três tipos de personagens: gente que faz, gente que manda fazer, e os alienígenas, que se limitam a perguntar o que está acontecendo. 
 
Se vivo fosse, Vinicius de Moraes definiria um smartphone sem aplicativos como um "barco sem mar", um "campo sem flor", uma "chama sem luz", um "jardim sem luar". Já a Microsoft, à luz da experiência que amargou com o aziago Windows Phone, poderia compará-lo a "um fiasco sem par". Não que o sistema fosse ruim — pelo contrário, ele era leve e muito rápido. O problema foi a empresa demorar a perceber que o mundo digital estava se tornando móvel e que essa mobilidade ia além dos laptops — ou seja, enquanto a concorrência apostava suas fichas no Android, ela continuava focada na plataforma PC.
 
Windows Mobile foi lançado em 2010, quando o Android já havia soprado sua terceira velinha. Três anos depois, ao se dar conta de que havia dormido no ponto e que tentar empurrar o SO para fabricantes de celulares que já haviam fechado com a concorrência era malhar em ferro frio, a Microsoft comprou a Nokia e, diante do desinteresse dos desenvolvedores em criar aplicativos para seu sistema, resolveu fazê-lo por conta própria. Mas aí já era tarde demais. E como nenhum produto sobrevive sem consumidores,  o Windows 10 Mobile foi devidamente sepultado.
 
Até não muito tempo atrás, o termo "programa" designava a qualquer software instalado num computador, do sistema operacional a um simples editor de texto. A reboque dos smartphones e tablets, surgiram novas e diferentes terminologias — que o lançamento do Windows 8 se encarregou de bagunçar, ao rebatizar os mesmos programas de antigamente como "apps da Windows Store", "apps universais" ou simplesmente "apps". 

Quando não havia dispositivos móveis, qualquer software pendurado no SO era chamado de "programa" ou de "aplicativo", embora o correto fosse "aplicativo de programa". Com o advento das lojas de apps do Android e iOS, o termo "app" se popularizou, ainda que "programa" seja o nome que se dá a um conjunto de instruções executas por um computador e "aplicativo", a uma porção de software que permite ao usuário comandar uma tarefa específica.
 
"Apps", "apps desktop" e "apps para smartphones/tablets" são coisas diferentes e incompatíveis entre si. De modo geral, tudo com que interagimos no dia a dia é app desktop — como o MS Office e o MS Outlook, que funcionam em sistemas operacionais legados (o que não ocorre no caso de apps Windows). Já um "app portátil" é um software que roda diretamente de um pendrive, de um HD externo ou da nuvem (sem que seja preciso instalá-lo no computador), e um app da Windows Store é um aplicativo instalável disponibilizado pela loja oficial da Microsoft

Atendem por "apps Windows" (ou "apps Universais") todos os aplicativos multiplataforma do ecossistema Windows — ou seja, que foram desenvolvidos com base na UWP (Universal Windows Platform), cuja finalidade é oferecer uma experiência de uso unificada em qualquer dispositivo com sistema operacional Windows

Observação
Apps desktop só rodam nas versões desktop do Windowsapps da Windows Store rodam nos Windows 8/8.110 e 11 e podem funcionar em outras plataformas; apps Windows (ou apps universais) rodam em todas as versões do sistema a partir do Win8. Note que apps Windows Phone só funcionavam na plataforma mobile e portanto não eram considerados "universais".
 
O Google Android é o sistema operacional móvel mais popular do planeta — daí a quantidade de apps disponíveis na Play Store ser gigantesca. Claro que nem todos são úteis (isso sem falar que o que é útil para você pode não ser útil para mim e vice-versa). Preferências pessoais à parte, o TREBEL se destacou no Brasil, em 2023, como "melhor aplicativo para o uso diário". Suas parcerias com diversos músicos e gravadoras dão acesso a uma vastíssima gama de faixas musicais que podem inclusive ser baixadas e ouvidas offline, sem custos adicionais nem interrupções publicitárias.
 
O ChatGPT ganhou o prêmio de Voto Popular em 2023 por suas múltiplas funcionalidades baseadas em IA fornecerem textos criativos, auxiliarem no aprendizado de idiomas e oferecerem respostas específicas a perguntas sobre temas os mais variados. Vale destacar que, ao longo do ano, o chatbot recebeu atualizações que ampliaram sua gama de funcionalidades, como a capacidade de ver, entender e criar imagens.
 
Reelsy Reel Maker foi eleito o App Mais Divertido do ano no Brasil. Ele oferece modelos prontos em diversas categorias — como moda, culinária e fitness — para a edição ágil de vídeos em redes sociais, além de permitir a adição de músicas para tornar os vídeos mais atrativos. Já o prêmio de Melhor App para Crescimento Pessoal da Play Store foi para o Desrotulando, que fornece detalhes nutricionais dos produtos alimentícios a partir dos respectivos códigos de barras e oferece dicas de especialistas, sugestões de substitutos saudáveis e ajuda na organização das refeições. 
 
Remodel AI ficou em primeiro lugar na categoria Melhor Tesouro Escondido. Ele facilita a remodelação de ambientes domésticos usando inteligência artificial para analisar imagens dos ambientes e sugerir renovações baseadas em designs arquitetônicos, incluindo novas disposições de paredes, paisagismo e pisos. O Lunos: Educação Financeira foi escolhido como o Melhor App para Fazer o Bem — ele orienta os usuários sobre gestão financeira pessoal com métodos simplificados, incluindo ferramentas para elaboração de orçamentos, questionários, módulos interativos de aprendizagem e conselhos para economizar dinheiro.
 
Outros apps que se destacaram no ano que passou foram o Bing para dispositivos móveis, da Microsoft — que potencializa as buscas usando o GPT-4 da OpenAI e cria efeitos visuais baseados em descrições textuais com o "Criador de imagens do Designer” e a tecnologia DALL-E 3 — e o navegador Opera para Android — que oferece diversas opções de personalização e recursos similares à versão desktop, incluindo VPN grátis, bloqueio de anúncios e gerenciamento de dados móveis, sem falar na assistente de inteligência artificial Aria, criada em colaboração com a OpenAI

No segmento de edição e design gráfico, o destaque foi o Canva, que oferece uma gama diversificada de ferramentas para projetos de design, incluindo apresentações, materiais impressos e postagens para redes sociais, e possui uma seção para criação de imagens e vídeos a partir de descrições textuais. 

sexta-feira, 6 de maio de 2022

A RESILIÊNCIA DA MICROSOFT

A SUPREMA ARTE DA GUERRA CONSISTE EM VENCER O INIMIGO SEM TER DE ENFRENTÁ-LO. 


Em 2013, visando dar sobrevida ao natimorto Windows Mobile, a Microsoft comprou a divisão mobile da Nokia. Quando o Windows Phone ocupava o segundo lugar no ranking dos sistemas operacionais para dispositivos móveis — atrás apenas do imbatível Android —, o Google e a Motorola lançaram a linha Moto G, que vendeu feito pão quente e condenou ao ostracismo concorrentes como Blackberry OSUbuntu PhoneFirefox OS e o próprio Windows Phone.


Fundada em 1865 para produzir papel, a Nokia logo diversificou suas atividades. Em 1982, ela lançou o celular Mobira Senator (para automóveis). Três anos depois, o Mobira Cityman 900 se tornaria seu primeiro telefone móvel totalmente portátil.


Embora não fosse ruim, o sistema da Microsoft não era bom o bastante para fazer frente ao iOS e ao Android. Para complicar, o fiasco de vendas do Windows Phone desestimulou os desenvolvedores parceiros, levando a própria Microsoft a criar aplicativos para ele. Mas aí já era tarde.


O "casamento" com a empresa finlandesa durou 18 meses e seus rebentos tornaram-se vagas lembranças — até 2020, quando os celulares da Nokia ressurgiram no mercado brasileiro em pareceria com a Multilaser. Mas isso é outra conversa.


Observação: A Nokia chegou a liderar o mercado global de celulares — numa época em que “androide” era apenas um robô com formas humanas e o Symbian reinava absoluto como sistema operacional móvel —, mas aí a Apple lançou o iPhone (2007) o Google, o sistema Android (2008). 


A resiliência da Microsoft também ficou evidente no segmento de navegadores. De olho no sucesso do Netscape Navigator, a empresa criou o Internet Explorer; para estimular sua adoção, embutiu o browser no Windows 95 (saiba mais sobre as guerras dos browsers na matéria que dividi em 21 capítulos não consecutivos e publiquei entre 6 de maio e 16 de junho de 2020). 


O Internet Explorer reinou absoluto até ser destronado pelo Google Chrome em meados de 2012. Quando finalmente se deu conta que seu browser estava irremediavelmente superado, a Microsoft o atualizou para a versão 11, lançou o Microsoft Edge e o promoveu a navegador nativo do Windows 10, esperando com isso reeditar o sucesso alcançado pelo IE duas décadas antes. 


O Win10 patinou um bocado antes de deslanchar, mas o Edge jamais decolou. Contribuíram para o fiasco a incompatibilidade do browser com outras plataformas e versões anteriores do próprio Windows (ele só rodava no Win10), a falta de extensões e a demora no lançamento de atualizações (que dependiam do Windows Update). 


Quando a ficha finalmente caiu, a Microsoft recriou o Edge do zero. Do programa antigo restou apenas o nome, mas acrescido da palavra Chromium — numa referência ao Projeto Chromium, que conferiu ao navegador compatibilidade com outras plataformas (aí incluídos os sistemas móveis Android e iOS) e com boa parte das extensões criadas para o Google Chrome. 


A estratégia rendeu bons frutos: O Edge Chromium já superou o Safari e se tornou o segundo navegador mais usado em desktops. Mas vai ter de comer muito feijão para desbancar o browser do Google (vide figura). 


No que concerne a dispositivos móveis, o Safari — navegador padrão do iPhone e do iPad — perde apenas para o Google Chrome. O Edge contabiliza mais de 10 milhões de downloads na Google Play Store e tem boa classificação na App Store. Se ele vai ou não superar os concorrentes, isso só o tempo dirá.