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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

LEMBRA DELE?

A CIÊNCIA DESENHA A ONDA E A POESIA A ENCHE DE ÁGUA.

A geração Y mal se lembra de como era viver sem telefones celulares, e a geração Z sequer cogita dessa possibilidade (ou seja, de que fosse possível viver sem os diligentes aparelhinhos). Da geração X — assim considerados os nascidos entre 1960 e 1980 —, um ou outro ainda se recorda dos orelhões de ficha, mas só os Baby Boomers — como este que vos escreve — vivenciaram a “experiência” de pedir uma ligação interurbana à telefonista e esperar horas até que a chamada fosse completada.

Reminiscências à parte, muita gente não sabe que a telefonia móvel começou a ser testada durante a Segunda Guerra Mundial (em trens militares alemães), antes mesmo de os Laboratórios Bell (nos EUA) desenvolverem um sistema de alta capacidade, interligado por diversas antenas (chamadas de “células”, donde o termo “celular”).

A sueca Ericsson lançou seu Mobilie Telephony A no final dos anos 1950 — uma geringonça que pesava 40 kg e tinha de ser acomodada no porta-malas dos carros —, mais ou menos na mesma época em que os russos criaram o "Altay" (serviço nacional de telefonia móvel civil para carros que, duas décadas mais tarde, funcionava em apenas trinta cidades da União Soviética).

A americana Motorola apresentou seu DynaTAC 8000X em 1973, mas o aparelho era grande, pesado e desajeitado. Em 1979, a telefonia móvel celular entrou em operação no Japão e na Suécia; em 1983, a AT&T criou uma tecnologia específica, usada pela primeira vez na cidade de Chicago (EUA), mas que não se popularizou devido ao tamanho e peso avantajados dos aparelhos e autonomia da bateria que mal chegava a 30 minutos (e levava 10 horas para recarregar).

Embora a "nova" tecnologia e os primeiros "tijolões" tenham desembarcado no Brasil em meados dos anos 1980, foi somente depois da privatização das TELES (em 1998) que seu uso começou a se popularizar. Primeiro, porque até então habilitar uma linha era um processo trabalhoso, demorado e caro, o sinal era limitado pela escassez de células (antenas) e as ligações custavam os olhos da cara (num primeiro momento, até as chamadas recebidas era tarifadas). Mas a livre concorrência entre as operadoras produziu bons frutos.

Aparelhos a preços subsidiados, redução significativa no custo das ligações e, mais adiante, planos pré-pagos e gratuidade nas chamadas entre clientes da mesma operadora “democratizaram” o uso dos telefoninhos, que encolhiam de tamanho enquanto cresciam em recursos e funções. Até que o visionário Steve Jobs, então CEO da Apple, revolucionou o mercado com o lançamento do iPhone, obrigando a concorrência a adequar seus “dumbphones” (dumb = burro) ao novo conceito de “smartphone” (smart = inteligente; phone). 

Assim, o que era bom ficou melhor — e maior, já que a miniaturização deixou de fazer sentido em aparelhos que, em última análise, eram microcomputadores ultraportáteis. (Para saber mais sobre a evolução dos celulares e smartphones, clique aqui e acesse o primeiro capítulo da sequência que eu publiquei sobre o tema há poucos meses).

Engana-se quem pensa que o primeiro celular capaz de se conectar à Internet foi o iPhone. Onze anos antes do pequeno notável da Apple, o Nokia 9000 Communicator já oferecia essa funcionalidade — ainda que a limitasse aos habitantes da Finlândia. Na mesma época, a RIM (Research In Motion) lançou o Inter@ctive Pager 850, que permitia enviar emails e acessar serviços por meio da conexão WAP.

Lançado em 2001, o RIM 957 Wireless Handheld vinha com processador Intel 386 de 32-bit e 5 MB de memória interna (e custava US$ 500). No ano seguinte, o BlackBerry 5810 já oferecia conexão GSM e, além de fazer ligações, enviava/recebia SMS e dispunha de navegador de Internet. 

Na sequência vieram o BlackBerry 6710 — com 8 MB de memória e bateria para 4 dias de uso sem precisar recarregar —, o 6210 — com 16 MB de memória flash e conexão USB —, o 7320 com display colorido e jogos embarcados no sistema —, o 8700 — primeiro smartphone da marca com conectividade EDGE (também conhecida como "2.75G", com uma capacidade de banda de até 236 Kbps) — e o 8800 lançado em 2007, com GPS, Bluetooth e display de 2,5” e 65 mil cores.

Em 2009 a empresa lançou o BlackBerry Curve 8530 — primeiro modelo a contar com trackpad óptico, conexão 3G, Wi-Fi, GPS, Bluetooth e câmera traseira de 2 MP. Mais adiante vieram, pela ordem, o BlackBerry Torch 9800 — com sistema operacional BlackBerry 6 e teclado físico em slide (retrátil). 

Em 2011 foi a vez do BlackBerry Curve 9380 — que rodava o BlackBerry 7 e contava com tecnologia NFC e câmera de 5 megapixels e teclado virtual — e do BlackBerry Bold 9900 — com processador de 1.2 GHz, touchscreen e teclado QWERTY físico — e, em 2012, do BlackBerry Z10, com tela de 4,2” e resolução de 1.280 x 768 pixels.

Continua...

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

LEMBRA DELE? (FINAL)

A EFICIÊNCIA É MAIS IMPORTANTE QUE O ESTILO.

Recapitulando: a telefonia celular remonta a meados de século passado, mas o iPhone foi o divisor de águas entre os dumbphones de até então e os smartphones de a partir de então, ainda que não tenha sido o primeiro celular a oferecer acesso à Internet.

Em 1996, o 9000 Communicator, da Nokia, já oferecia essa funcionalidade. mas somente na Finlândia. Já primeiros pagers e handhelds da RIM — como o Inter@ctive Pager 850, que você vê na ilustração ao lado — , lançados mais ou menos na mesma época, enviavam emails e acessavam serviços via conexão WAP. Mas não eram smartphones.

Noves fora executivos e profissionais liberais da velha-guarda, que ainda guardam (se me perdoam o trocadilho) boas lembranças dos gadgets de alta produtividade fabricados pela RIM, pouca gente se lembra que essa empresa canadense era referência em telefonia móvel muito antes do lançamento do iPhone, do iOS, do Android e do malsinado Windows Phone.

Observação: A companhia só trocou o nome RIM pelo que vinha usando para batizar seus gadgets em 2013, conforme anúncio feito por seu CEO durante o lançamento do smartphone BlackBerry 10.

Os primeiros pagers mensageiros da canadense tinham formato de flip e de concha. A partir da terceira geração, eles incorporaram o icônico teclado QWERTY, e foi devido à semelhança das teclas físicas com a casca de uma amora silvestre (blackberry, em inglês) que eles ganharam o nome da frutinha. O status de telefone foi conquistado com o lançamento do BlackBerry 5810, que reunia num único dispositivo as funções de telefone celular e de agenda eletrônica, além de ter conectividade GSM, internet móvel 2G e plataforma baseada em Java. Curiosamente, ele não dispunha de microfone e autofalante embutidos, razão pela qual era preciso usar fones de ouvido para ouvir e falar.

BlackBerry 957 foi lançado em 2000 com design mais vertical, para ser usado com uma só mão. A série iniciada no ano seguinte — pelo BlackBerry 7210, um dos modelos mais icônicos da marca — já exibia imagens em cores no display. O Pearl 8100, que integrava trackball no topo do teclado (para facilitar a navegação) e contava com câmera digital e funções multimídia, foi o primeiro modelo a reproduzir entre usuários domésticos o sucesso alcançado no uso corporativo.

A empresa chegou a cravar 80 milhões de usuários — em sua maioria empresários, executivos e assemelhados, que surfavam no “status de pessoa ocupada” emprestada pelos aparelhinhos da marca —, mas aí a Apple lançou o iPhone e o Google, o Android. A RIM contra-atacou com o BlackBerry 8800 — que dispunha de GPS, 64 MB de memória interna e tela de 2,5” — e o Storm 9500 — primeiro modelo da marca com tela sensível ao toque. No entanto, a oferta pífia de apps (comparada à fartura da Apple Store e do Google Play), problemas com o touchscreen e uma pane geral no sistema da empresa (que ficou fora de operação durante dias) abalou a confiança dos usuários.

A canadense tentou reverter o quadro com o Blackberry Passport e o tablet PlayBook, mas se o visual do smartphone encantou os consumidores, seu preço estratosférico os afugentou, e o tablet foi um fiasco monumental, tanto de público quanto de crítica.

Em 2016, a BlackBerry anunciou que abandonaria o segmento de smartphones, mas ressurgiu das cinzas meses depois, quando a chinesa TCL Corporation licenciou a marca para usar em novos celulares. Agora, no mesmo mês em que essa parceria foi encerrada foi encerrada, veio o anúncio de que a marca voltará a disputar o mercado corporativo de smartphones no ano que vem, com modelos 5G produzidos em parceria com a empresa texana OnwardMobility (os aparelhos serão fabricados pela chinesa FIH Mobile). Ainda não há detalhes sobre quais e quantos modelos serão lançados, mas espera-se que tenham forte esquema de proteção e pelo menos um deles traga o clássico teclado físico QWERTY.

Smartphones (e tablets) são microcomputadores ultraportáteis extremamente versáteis, mas precisam "comer muito feijão" para aposentar notebooks e desktops — aplicações exigentes requererem mais poder de processamento e fartura de memória que os pequenos notáveis não são capazes de oferecer (pelo menos por enquanto), e telas de pequenas dimensões e teclados virtuais acanhados não combinam com a digitação de textos longos.

OnwardMobility  está apostando suas fichas no grande número de pessoas que a pandemia da Covid-19 colocou home office — e na possível “perpetuação” do home office no “novo normal”, mesmo depois que tivermos vacinas e, quiçá, medicamentos comprovadamente eficazes contra o Sars-CoV-2. E um celular cuja marca é sinônimo é segurança pode ter alta demanda. 

Apesar do iPhone e inúmeros modelos com sistema Android serem onipresentes nos ambientes empresariais, o teclado físico poderia facilitar sobremaneira a digitação de emails mais longos, por exemplo, coisa que é um teste de paciência em teclados virtuais e telas de vidro. 

A conferir.

terça-feira, 4 de maio de 2021

O SMARTPHONE E A BATERIA QUE NÃO DURA

PROMETER NÃO É DAR, MAS AOS TOLOS CONTENTAR.

Você deixa o celular carregando a noite toda, reduz o brilho da tela e o tempo de timeout, desativa o disparo automático do flash, desabilita as conexões sem fio, o serviço de GPS e os alertas sonoros/vibratórios, e mesmo assim a carga da bateria acaba antes do final da tarde. Aí lhe dá saudades do Motorola Razr V3 que você usava 15 anos atrás e só carregava a cada quatro ou cinco dias. Como se explica isso? A resposta, numa única frase, é a seguinte: a autonomia das baterias não acompanhou o aumento da gama de recursos e funções dos smartphones.

A bateria é o componente responsável por fornecer energia ao celular (ou notebook, tablet etc.). Numa definição simplista, “autonomia” é a capacidade de algo funcionar de forma independente (autônoma). Num automóvel, o termo remete à distância que o veículo é capaz de percorrer com um tanque de combustível; no smartphone (que é o mote desta postagem), o tempo durante o qual o aparelho se mantém operante sem que a bateria seja recarregada.

Em tese, quanto mais combustível o tanque armazenar, maior será a autonomia do veículo; por analogia, quando maior a amperagem da bateria — que é expressa em miliampere/hora (mAh) e não deve ser confundida com a “potência”, que é quantificada em joule ou watt/hora, mais espaçadas serão as recargas. Na prática, porém, a coisa nem sempre é assim.

Para entender melhor, suponhamos que dois veículos iguais partam de São Paulo com destino ao Rio de Janeiro, ambos com o tanque cheio e levando apenas o motorista. Um deles percorre os 400 km que separam as duas cidades em velocidade de cruzeiro e gasta ¾ do combistível para chegar ao destino. O outro faz o trajeto em velocidade máxima e precisa ser reabastecido à altura de Rezende (a 273 km do ponto de partida). Guardadas as devidas diferenças, o mesmo raciocínio se aplica ao celular: dois aparelhos de marca e modelo idênticos, quando utilizados por pessoas de perfis distintos, podem ter atuonomias sensivelmente diferentes.

Até o lançamento do iPhone, em 2007, o celular era basicamente um telefone sem fio de longo alcance (provido de agenda de contatos, calculadora, joguinhos e outras perfumarias, mas isso não vem ao caso para os efeitos desta abordagem). Dependendo da frequência e da duração das chamadas, passavam-se dias sem que fosse preciso recarregar a bateria. Depois da “promoção a smartphone” —  em última análise, um smartphone nada mais é que um computador pessoal ultraportátil, na medida em que é controlado por um sistema operacional e tem capacidade de acessar a Internet e rodar os mais diversos aplicativos — as recargas tornaram-se diárias, e olhe lá: quanto mais recursos e funções o gadget oferecer — e quanto mais intensamente eles forem utilizados —, maior será o consumo de energia e menor o intervalo entre as recargas.

No final da década de 1950, a sueca Ericsson lançou o Mobilie Telephony A, que pesava 40 kg e precisava ser acomodado no porta-malas dos carros. Sua autonomia era pífia (pouco mais de 30 minutos de conversação), mas a recarga levava cerca de 12 horas.

As baterias de níquel cádmio e hidreto metálico de níquel, usadas até meados da década retrasada, tinham baixa autonomia e estavam sujeitas ao “efeito memória” — se fossem recarregadas antes que toda a energia se esgotasse, elas perdiam a capacidade de armazenar carga. Já as baterias utilizadas atualmente, à base de íon-lítio (ou íon-polímero, em alguns casos), são menores, armazenam mais energia, duram mais e recarregam rapidamente até 80% de sua capacidade, evitando que o usuário fique sem usar o telefone por muito tempo.

Observação: A expressão “bateria de lítio” não designa uma única tecnologia, mas toda uma gama de produtos desenvolvidos a partir de diversas tecnologias de produção de materiais compostos, tais como LCO (Lítio-Óxido de Cobalto), LFP (Lítio-Ferro-Fosfato), NMC (Níquel-Magnésio-Cobalto), NCA (Níquel-Cobalto-Alumínio) e LTO (Lítio-Titânio). Todas proporcionam maior vida útil (em ciclos de carga e descarga) e mais rapidez na recarga, mas chegam a custar 5 a 6 vezes mais que as baterias chumbo-ácidas e o dobro das alcalinas de níquel-cádmio.

Independentemente da tecnologia, toda bateria tem sua vida útil limitada a um determinado número de ciclos (entre 300 e 600). Cada ciclo corresponde a uma descarga completa seguida de uma recarga completa. Recarregar a bateria pela metade duas vezes, ou um quarto quatro vezes, “mata” um ciclo — daí a teoria de que abreviar o intervalo entre as recargas é melhor que esperar o aparelho desligar automaticamente por falta de energia.

Não sei até que ponto essa teoria faz sentido, mas sei que mais dia, menos dia sua bateria deixará de armazenar carga e precisará ser substituída. Por outro lado, considerando que os fabricantes substituem smartphones de ponta por modelos ainda mais avançados em intervalos cada vez mais curtos, talvez você troque o aparelho bem antes de abrir o bateria dar sinais de fadiga.

Dada a profusão de funções e o uso intensivo dos smartphones, não é incomum precisamos fazer uma recarga no final do expediente para poder usar o aparelho na volta para casa, mesmo que tenhamos saído pela manhã com 100% de carga. Se isso acontece frequentemente com você, considere a possibilidade de adquirir um carregador “automotivo”, mas evite produtos genéricos, como os que são vendidos por ambulantes e marreteiros. Por serem de baixa qualidade, eles podem danificar a bateria, o telefone e até mesmo o circuito elétrico do veículo, sobretudo se forem ligados ao mesmo tempo que o ar-condicionado, o desembaçador do vigia traseiro ou outro acessório que cause um pico de tensão.

Curiosidades: A telefonia móvel celular é mais antiga do que se costuma imaginar; o iPhone, embora tenha sido o divisor de águas entre os dumbphones de até então e os smartphones de a partir de então, não foi o primeiro celular capaz de acessar a Internet; a despeito de terem funções semelhantes, pilhas e baterias são coisas diferentes.

Alguns lojistas desinformados recomendam uma carga inicial de 6, 8, 12 ou 24 horas antes de começar a usar o aparelho (o tempo de carga varia conforma a fase da lua ou a posição das estrelas no céu), bem como jamais recarregar a bateria enquanto ela não tiver "zerado “zerar”. Como se viu ao longo desta postagem, tudo isso é informação datada.

Em última análise, é preferível sair de casa com a bateria totalmente carregada do que ter de correr atrás de uma tomada no meio do caminho. Mas de nada adiante deixar o aparelho plugado ao carregador (e este à tomada) depois que a carga tiver sido completada. Carregadores de boa estirpe bloqueiam a passagem de corrente, evitando uma possível sobrecarga, mas cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém.

As baterias integram um pequeno chip controlador, destinado a gerenciar sua capacidade de carga. Normalmente, o aparelho desliga sozinho quando a reserva de energia fica abaixo de 5%. Isso se dá para que as recargas sejam feitas enquanto ainda houver energia remanescente (evitando danos à bateria). 

Às vezes, esse percentual deixa de ser “enxergado” pelo controlador, dando ao usuário a impressão de que a autonomia diminuiu. Para tirar a cisma, alguns especialistas sugerem recalibrar o controlador, o que consiste basicamente em usar o aparelho até que ele seja desligado automaticamente e, em seguida, recarregar totalmente a bateria. Isso nem sempre dá resultado, mas o que você tem a perder por tentar?

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

ANDROID INFECTADO? VEJA COMO RESOLVER

LAMENTAR O QUE NÃO TEMOS É DESPERDIÇAR O QUE POSSUÍMOS.

O primeiro celular capaz de acessar a Internet foi lançado pela Nokia em 1996, mas o recurso só funcionava na Finlândia, de modo que o iPhone, lançado pela Apple em 2007, é considerado o divisor de águas entre os dumbphones e os smartphones.

Depois de se tornarem verdadeiros PCs de bolso, os telefoninhos inteligentes passaram a substituir os modelos de mesa e portáteis na maioria das tarefas. No entanto, por serem comandados por um sistema operacional e rodarem os mais diversos aplicativos, eles também são vulneráveis à ação de malwares.

Por ser o sistema para PCs mais popular do planeta, o Windows é mais visado por cibercriminosos do que o macOS e as distribuições Linux. O mesmo vale para o Android, já que o código aberto, a presença em 80% dos celulares ativos no planeta e o ecossistema de apps muito maior que o da Apple o tornam o alvo preferencial dos cibercriminosos.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

No mesmo dia em que Flávio Dino disse que "anistiar crimes contra a democracia seria enviar a mensagem de que podem se repetir, seria um salvo-conduto", Hugo Motta reuniu o condomínio de líderes da Câmara para informar que só voltará a discutir o perdão dos golpistas na semana que vem, após as condenações. Síndico do Senado, Davi Alcolumbre articula uma versão lipoaspirada do mesmo vexame — em vez do perdão amplo e irrestrito, um ajuste na lei para reduzir as penas das sardinhas do 8 de janeiro —, mas evita mencionar que a lei beneficiaria também os tubarões do golpe. 

Deputados e senadores gostam de dizer que o Congresso é a casa do povo. Esquecem de lembrar que têm as mesmas obrigações de qualquer inquilino. As pesquisas indicam que a anistia não está no contrato. Como proprietário de uma fração do imóvel, todo eleitor deveria promover uma vistoria nos mandatos. Como dono da casa, o povo precisa providenciar os despejos.

Político que coloca anistia de golpista à frente da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 não merece ter o contrato renovado em 2026. A melhor maneira de fazer certos políticos trabalharem é evitar que sejam reeleitos.

Apesar do código proprietário, da instalação de apps limitada à App Store e da execução dos programas em sandboxes, o iOS não é uma fortaleza indevassável. Ainda assim, a Maçã não o equipa com uma ferramenta de segurança nativa nem recomenda o uso de soluções de terceiros. Considerando que a maioria dos ataques digitais usa engenharia social para ludibriar as vítimas — e que não existe celular "idiot proof" o bastante para proteger o usuário de si mesmo —, vale a pena contar com um antimalware com funções antiphishing e antitracking.

Observação: A oferta de apps de segurança para os sistemas da Apple é menor do que para Windows e Android, mas há boas opções (pagas e gratuitas), como Avira Mobile SecurityAvast MobileMcAfee Mobile SecurityTrendMicro Mobile Security Lookout. 

Se seu aparelho vem aquecendo anormalmente em standby, reiniciando aleatoriamente, travando sem motivo aparente ou consumindo muita carga da bateria, é hora de pôr as barbas de molho. Encontrar aplicativos que você não se lembra de ter instalado e ser bombardeado com anúncios suspeitos mesmo com os apps fechados são sinais de alerta que não devem ser ignorados.

Como é melhor prevenir do que remediar, baixe apps apenas da Play Store ou da loja oficial do fabricante do aparelho (se houver), e conceda apenas as permissões indispensáveis. Baixar arquivos APK de sites desconhecidos é uma das formas mais comuns de infectar o celular — além de abrir links suspeitos recebidos por SMS, e-mail ou redes sociais e deixar de atualizar o sistema e os apps.

Ao suspeitar de uma infecção, acesse as configurações do aparelho, toque em Apps (ou Aplicativos, ou algo parecido), em Ver todos os apps, e remova quaisquer programas que você não se recorda de ter instalado ou que pareçam suspeitos (uma pesquisa no Google ajuda a separar o joio do trigo). Feito isso, reinicie o aparelho e limpe o cache dos apps restantes. Se o problema persistir, limpe o armazenamento para restaurar as configurações-padrão do aplicativo e deletar arquivos de mídia —lembrando que isso apagará dados salvos como histórico, preferências e contas conectadas.

Se ainda não resolver, reinicie o celular no modo de segurança: pressione o botão Ligar/Desligar, toque e segure Desligar na telinha que aparecer, selecione Reiniciar em modo seguro e confirme. Caso o problema persista, desligue o celular e pressione simultaneamente os botões Diminuir volume e Ligar/Desligar. No menu que surgir, use o volume para selecionar Modo de recuperação e confirme. 

Quando o robô do Android com o ponto de exclamação aparecer, mantenha o botão Ligar/Desligar pressionado, toque uma vez no botão Aumentar volume e solte o botão Ligar/Desligar. No menu de recuperação, use o volume para localizar Limpar partição de cache e confirme. Ao final, selecione Reiniciar o sistema agora.

Se nem assim funcionar, tente um soft reset (reinicialização suave) antes de recorrer à restauração de fábrica. Se o celular for Samsung, pressione e segure Ligar/Desligar e Diminuir volume até reiniciar. Se for Motorola, segure Ligar/Desligar e Aumentar volume até o aparelho reiniciar. Persistindo o problema, faça backup dos arquivos importantes (fotos, mensagens, contatos etc.), acesse Configurações > Sistema > Avançado > Restaurar opções > Apagar todos os dados (redefinição de fábrica) e siga as instruções.

Observação: Se o aparelho não ligar corretamente ou o menu de configurações não abrir, carregue a bateria até pelo menos 30%, desligue o celular, pressione Ligar/Desligar e Diminuir volume juntos, use o volume para navegar até Wipe data/factory reset, confirme com Ligar/Desligar, selecione Factory data reset e, ao final, Reboot system now.

terça-feira, 15 de junho de 2021

USE MELHOR SEU SMARTPHONE

UMA COISA É QUERER APRENDER, OUTRA COISA É QUERER GARANTIAS DE QUE NÃO VAI ERRAR.

Diferentemente do que muitos imaginam, a telefonia móvel precedeu a Internet, o primeiro celular capaz de conectar a Rede Mundial de Computadores não foi o iPhone e a interface gráfica não foi inventada pela Microsoft ou pela Apple. E quem “nasceu” primeiro foi o ovo, não a galinha

Mas o iPhone foi um divisor de águas, pois transformou em computador pessoal ultraportátil o que até então era basicamente um telefone sem fio de longo alcance.

Num primeiro momento, os fabricantes investiram pesado na miniaturização do hardware, já que, ate o lançamento do iPhone, em 2007, a demanda dos usuários era por aparelhos cada vez menores. 

Os primeiros celulares vendidos no Brasil (no final dos anos 1980) eram “tijolões” pesados e desajeitados. Já o Motorola StarTAC (vide imagem), lançado em 1996, media apenas 94 x 55 x 19 milímetros (com a tampa fechada) e pesava míseras 88g (a título de comparação, uma caixa de fósforos comum mede 54 x 35 x 15 milímetros).

O iPhone obrigou a concorrência a se adequar à nova tendência de mercado, e assim os dumbphones de até então deram lugar aos smartphones, que mais adiante se tornariam (como de fato se tornaram) computadores pessoais ultraportáteis capazes também de fazer receber ligações telefônicas.

O aumento exponencial de funcionalidades tornou o smartphone indispensável para a maioria das pessoas — segundo o Centro de Tecnologia de Informação Aplicada da FGV, entre os 440 milhões de dispositivos computacionais em uso no Brasil, 53% são telefones celulares —, mas também contribuiu para interromper o processo de miniaturização e prejudicou a portabilidade (no sentido de acompanhar o usuário a toda parte), que é justamente o diferencial do smartphone em relação aos desktops e notebooks.

Grandes poderes implicam grandes responsabilidades”, disse tio Ben a Peter Parker. Por grandes responsabilidades, no caso, entenda-se uma tela de tamanho compatível com as novas funções, sobretudo depois que a tecnologia touchscreen e o teclado virtual se tornaram padrão de mercado.

Andar para cima e para baixo com um dispositivo do tamanho de uma tábua de carne é complicado. Levá-lo na mão é desconfortável — e perigoso: além do risco de queda, essa exposição chama a atenção dos amigos do alheio (smartphones top de linha chegam a custar mais de R$ 10 mil). 

Pendurar o aparelho no cinto ou no cós da calça era moda nos tempos de antanho, mas nem o hardware nem as capinhas dos modelos atuais integram a indispensável presilha. Na bolsa... bem, cada vez menos mulheres usam esse acessório no dia a dia. Ainda que assim não fosse, as notificações sonoras ficam inaudíveis e olhar a tela para conferir se chegou mensagem pelo WhatsApp torna-se mais complicado.  

Moçoilas (de todas as idades) andam com seus celulares emergindo do bolso traseiro da calça, como se isso não facilitasse a ação da bandidagem. Aliás, muitas “tanajuras” usam calças justíssimas para valorizar o derriére, o que não só chama ainda mais a atenção da bandidagem como submete o aparelho a uma pressão que ele não foi projetado para suportar. Afora a possibilidade de trincar a tela quando a dona do buzanfã se aboleta no assento do carro, no sofá de casa ou seja onde for sem tirar o aparelho do bolso. E colocá-lo no sutiã não é a solução, pois potencializa os riscos de câncer de mama.

Para os varões o cenário não é muito melhor. Levar o celular no bolso lateral implica o risco de a radiação eletromagnética inibir a produção de espermatozoides. Nas calças tipo “cargo”, o bolso próximo à coxa seria a solução ideal, não fosse o fato de manter o aparelho junto à coxa ou ao quadril pode enfraquecer os ossos, especialmente se essa prática se prolongar por anos a fio.   

Puérperas e baby-sitters jamais devem colocar o telefone no carrinho do bebê — segundo pesquisadores, a criança pode apresentar problemas comportamentais, como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Igualmente desaconselhável é dormir com ele sob o travesseiro. O fato de a tela se iluminar a cada mensagem recebida interfere na produção de melanina (hormônio que induz o sono), podendo, inclusive, causar tonturas e/ou dores de cabeça.

Recomenda-se falar ao celular com o aparelho afastado do rosto de 0,5 cm a 1,5 cm. Além de evitar a contaminação por bactérias, esse cuidado reduz a quantidade de radiação eletromagnética absorvida pela pele.

Por último, mas não menos importante: deixar a bateria na carga a noite não só reduz sua vida útil como pode provocar superaquecimento (e até explosão) caso o carregador não interrompa a passagem de corrente quando a carga estiver completa. 

Por falar nisso, se você precisar substituir o carregador original, opte por um modelo homologado pelo fabricante (jamais se deixe seduzir pelo preço convidativo dos dispositivos comercializados por ambulantes, camelôs e assemelhados).

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

ALÔ? HELLO? PRONTO? ESTÁ LÁ?

SE TODO MUNDO FALASSE SOMENTE DO QUE REALMENTE ENTENDE, O SILÊNCIO SERIA INSUPORTÁVEL.

Sabe-se que índios usavam tambores e sinais de fumaça para se comunicar, que Alexander Graham Bell registrou a primeira patente de um aparelho telefônico em 14 de março de 1876, e que D. Pedro II ficou tão encantado com a novidade que o Brasil se tornou o segundo país do mundo a ter telefone.

 

O que muitos não sabem (ou não se lembram) é que até o final dos anos 1990, quando FHC sepultou o abominável Sistema Telebras (criado pelos militares em 1972), as linhas telefônicas custavam os olhos da cara e demoravam anos para ser instaladas. No município paraense de Cachoeira do Arari, a espera era tamanha (15 anos) que alguns aderentes do famigerado "Plano de Expansão" da Telepará morreram antes de terem o gostinho de dar um telefonema


Até o final dos anos 1970, quando o DDD e o DDI foram implantados nacionalmente, fazer uma chamada interurbanas ou internacional exigia passar pela telefonista e esperar horas até a ligação ser completada, sem falar que as tarifas eram caríssimas. Mas não há nada como o tempo para passar. 

 

A telefonia móvel celular começou a ser testada experimentalmente no início do século passado, e os primeiros aparelhos para automóveis surgiram nos anos 1940. O Mobilie Telephony A, lançado pela sueca Ericsson na década seguinte, pesava 40 kg e era tão grande que precisava ser acomodado no porta-malas. Em 1973, a americana Motorola lançou o DynaTAC 8000X, que media 25 cm x 7 cm e pesava cerca de 1 kg. A "nova" tecnologia entrou em operação no Japão e na Suécia em 1979, mas o tamanho avantajado do hardware, a autonomia medíocre da bateria e o longo tempo de recarga desestimularam as vendas.

 

O primeiro celular vendido no Brasil foi Motorola PT-550 (um "tijolão" de 800 g). Os demais modelos dos anos 1990 eram igualmente grandes, desajeitados e caros. Habilitar uma linha era trabalhoso e custava os olhos da cara. A insuficiência de células (antenas) restringia o sinal às capitais e grandes centros urbanos, e a profusão de "áreas de sombra" limitava ainda mais o uso dos aparelhos. O preço das ligações era proibitivo e, para piorar o que já era ruim, pagava-se tanto pelas chamadas efetuadas quanto pelas recebidas. Mas, de novo, não há nada como o tempo para passar.

 

A privatização das Teles estimulou a concorrência entre as operadoras, que passaram a oferecer aparelhos subsidiados e planos com chamadas ilimitadas para qualquer parte do país e franquias de dados (nem sempre generosas) para acessar a Internet através de suas redes móveis. Assim, com mais celulares do que habitantes no Brasil, os "orelhões" desapareceram das esquinas e os usuários de linhas fixas minguaram. 

 

Até 2007, os aparelhos encolhiam e a gama de funções crescia a cada lançamento. Com o lançamento do iPhone, a Apple levou a concorrência a lançar seus smartphones, e com isso o que já era bom ficou melhor, só que maior: a a partir do momento em que os telefones móveis se tornaram computadores pessoais ultraportáteis, a miniaturização deixou de fazer sentido. 


Observação: Vale destacar que o primeiro telefone móvel capaz de acessar a Internet não foi o iPhone, mas o Nokia 9000 Communicator — lançado em 1996 —, mas a conexão só era possível na Finlândia.

 

Embora não haja nada como o tempo para passar, o espaço-tempo é uma espécie de pano de fundo para todos os fenômenos do Universo, onde o trânsito pelas três dimensões espaciais se dá por "vias de mão dupla". Até não muito tempo atrás, achava-se que a quarta dimensão — a do tempo — fosse uma via de mão única, mas, de novo, não há nada como o tempo para passar. 


Carlo RovelliGuido Tonelli e outros astrofísicos respeitados internacionalmente teorizam que a "seta do tempo" não precisa necessariamente apontar para o futuro. O que entendemos por tempo é na verdade um fluxo de eventos sucessivos; esse fluxo ocorrer numa direção preferencial, o ontem impõe restrições ao hoje, e o amanhã, que transforma o hoje em ontem, novos limites ao "novo presente" (aquele que chamamos de "futuro"). 


Deixando a física e a mecânica quântica de lado, parece que o tempo retrocedeu para a Nokia, que vem promovendo há alguns anos a volta dos "dumbphones" (dumb = burro), como ficaram conhecidos os aparelhos celulares de era "pré-iPhone" com o advento do "smartphone" (smart = inteligente). Sem sistema operacional que lhes capacitasse a rodar aplicativos, os primeiros celulares se limitavam a fazer e receber chamadas e SMS (mensagens de texto curtas). 


É fato que os dumbphones ganharam novos recursos ao longo do tempo (como relógio, despertador, calculadora, calendário, agenda e alguns joguinhos elementares), mas fato é que eles nunca chegaram ao pés de sues irmãos inteligentes. Por outro lado, uma gama de funções tão espartana prolongava significativamente a autonomia da bateria. Meu saudoso Motorola RAZR V3 (cuja imagem ilustra este post) passava quase uma semana longe da tomada. Mas não há nada como o tempo para passar.


A genialidade de Steve Jobs converteu um jegue num puro-sangue árabe, ou seja, um telefone móvel de longo alcance num dispositivo com 1001 utilidades que também serve para fazer e receber chamadas telefônicas. E o excesso de informação, decorrente do uso massivo do smartphone, ensejou a ressureição do dumbphoneAndar com um celular burro em pleno século 21 cheira a saudosismo, mas está de bom tamanho para quem precisa de um telefone móvel, não de um computador de bolso, ou que se "desintoxicar" das redes sociais. 


Os modelos da Nokia, cujo slogan é "dumb phone, smart choice" (telefone burro, escolha inteligente), dispõem de tela colorida, mas de baixa resolução, e teclado numérico analógico. E custam bem menos que seus irmãos espertos (cerca de R$ 300). Quem nunca teve um aparelho com teclado analógico vai estranhar o uso das teclas numéricas para escrever texto, mas, noves fora a tecla 1, cuja função secundária é ligar para o "correio de voz", as demais servem para escrever textos. Se você pressionar a tecla 2 uma vez num campo de texto, você obterá o número 2; pressionado-a duas vezes, a letra "a"; três vezes, a letra "b"; quatro vezes, a letra "c". As demais teclas inserem as demais letras do alfabeto e sinais gráficos que não estão impressos no teclado, como caracteres acentuados, cedilha e pontuação, bem como alternam letras maiúsculas e minúsculas. Caso você precise digitar duas letras iguais em sequência, faça um intervalo de 1 ou 2 segundos entre os toques.

 

A exemplo dos dumbphones antigos, os novos limitam a diversão fica a joguinhos simples  como o "jogo da cobrinha", cujo objetivo é coletar objetos na tela para ir crescendo sem esbarrar nas laterais. Enviar uma foto para um contato, só via Bluetooth. Mas o preço (baixo) e a autonomia (invejável) da bateria faz deles a solução ideal para quem quer ter um celular de backup ou usar viagens para falar o essencial com familiares e amigos. 


Quando compuseram NADA SERÁ COMO ANTES, em 1971, Milton Nascimento e Ronaldo não tinham como prever o advento dos celulares nem (muito menos) o renascimento das cinzas da Phoenix da telefonia móvel. Mas eu jamais trocaria meus Galaxy M23 e Moto g60 por um Nokia 105 NK093 Dual Chip com rádio FM, lanterna e joguinhos pré-instalados (R$ 142,80 na Amazon). Com a devida venia de quem pensa diferente, acho que quem vive de passado é museu. 

sexta-feira, 8 de abril de 2022

ESTA VAI PARA OS APPLEMANÍACOS

QUEM TOMA CONTA
DA CARTEIRA TEM O PODER.

O dia 9 de janeiro passado marcou o 15º aniversário do iPhone — considerando como data natalícia aquela em que o visionário Steve Jobs subiu no palco para apresentar o produto mais revolucionário da história da Apple —, que foi projetado para ser um computador em miniatura que o usuário poderia levar no bolso e acessar a qualquer momento.

O iPhone é fruto da metamorfose que transformou um telefone sem fio de longo alcance em microcomputador ultraportátil, mas não foi o primeiro aparelho celular com capacidade de acessar a Internet — como a interface gráfica não foi inventada pela Microsoft nem pela Apple —, mas obrigou concorrência a se adequar a uma nova tendência de mercado e os dumbphones de até então a ceder o lugar aos smartphones de a partir de então.


Observação: Onze anos antes do pequeno notável da Apple nascer, o Nokia 9000 Communicator já oferecia conexão com a Internet — ainda que a limitasse aos habitantes da Finlândia. Na mesma época, a RIM (Research In Motion) lançou o Inter@ctive Pager 850, que permitia enviar emails e acessar serviços por meio da conexão WAP.


O crescimento exponencial de recursos e funções tornou os diligentes telefoninhos indispensáveis para a maioria das pessoas, mas também contribuiu para interromper o processo de miniaturização do hardware, prejudicando, por tabela, a portabilidade dos celulares, que é justamente seu maior diferencial em relação aos notebooks e tablets. 


Vale lembrar que, num primeiro momento, os fabricantes buscaram minimizar o hardware — quando os dumbphones reinavam absolutos, a demanda dos usuários era por modelos cada vez menores. Se os primeiros celulares que desembarcaram no Brasil, lá pelo final dos anos 1980, eram “tijolões” pesados e desajeitados, o Motorola StarTAC, lançado em 1996, já era quase tão pequeno quanto uma caixa de fósforos e pesava apenas 88g. Mas os smartphones atuais precisam de telas compatíveis com a pluralidade de funções, sobretudo depois que a tecnologia touchscreen e o teclado virtual se tornaram padrão de mercado.


Andar para cima e para baixo com um dispositivo quase do tamanho de uma tábua de carne pode ser complicado. Carregá-lo na mão é desconfortável — e perigoso; além do risco de queda, essa exposição chama a atenção dos amigos do alheio. As capinhas vendidas atualmente já não dispõem do clipe que, nas de antigamente, permitia levar o telefone preso ao cinto ou ao cós da calça, e andar com ele no bolso nem sempre é a melhor solução, principalmente para as moçoilas que vestem calças justíssimas, que sujeitam o aparelho a um esforço que ele não foi projetado para suportar.


Steve Jobs não estava exagerando quando disse que, com o iPhone, a Apple estava “reinventando” o celular. Na prática, foi exatamente isso o que aconteceu. Em 2007, o mercado mobile era dominado por empresas como Nokia e BlackBerry, e ainda que o hardware fosse excelente (para a época), o software era difícil de usar. Com o iPhone, tudo isso mudou. 


A tela de 3,5 polegadas do primeiro modelo pode parecer minúscula atualmente, mas para os padrões de 2007 ele era “realmente grande”, como Jobs salientou na apresentação. E não só grande, mas também “multitoque”, pois fazer o movimento de pinça com os dedos aproximava as imagens, o que era realmente inovador. 


Mesmo assim, houve quem criticasse o iPhone por não ter conexão 3G (apenas EDGE, que muitos chamavam de “2.75G”, devido à capacidade de banda ser limitada a 236 Kbps). Mas a opinião ácida dos críticos não desestimulou os consumidores, que logo se apaixonaram pela novidade, levando os fabricantes concorrentes a adequar seus produtos às novas exigências do mercado. 


Em 2021, a Apple ficou em primeiro lugar no ranking das marcas mais valiosas do mundo e em janeiro deste ano ela se tornou a primeira empresa de capital aberto a atingir um valor de mercado de US$ 3 trilhões. Mesmo assim, a líder de vendas global entre as fabricantes de smartphones é a coreana SamsungApple e Xiaomi disputam a segunda colocação.


Continua...

sexta-feira, 19 de julho de 2019

RIR É O MELHOR REMÉDIO

AS PESSOAS BOAS DORMEM BEM À NOITE, MAS, DURANTE O DIA, AS PESSOAS MÁS SE DIVERTEM MUITO MAIS.

Oswaldo tirou o papel do bolso, conferiu a anotação e perguntou à balconista:

-Moça, vocês têm pendrive?

-Temos, sim.

-O que é um pendrive? Pode me esclarecer? Meu filho me pediu para comprar um.

-Bom, pendrive é um aparelho em que o senhor salva tudo o que tem no computador.

-Ah, é como um disquete...

-Não. No pendrive o senhor pode salvar textos, imagens e filmes. O disquete, que nem existe mais, só salva texto.

-Ah, tá bom. Vou querer.

-Quantos gigas?

-Hein?

-De quantos gigas o senhor quer o seu pendrive?

-O que é giga?

-É o tamanho do pen.

-Ah, tá. Eu queria um pequeno, que dê para levar no bolso sem fazer muito volume.

-Todos são pequenos, senhor. O tamanho, aí, é a quantidade de coisas que ele pode
arquivar.

-Ah, tá. E quantos tamanhos têm?

-Pode ter 2; 4; 8; 16 gigas...

-Hmmmm, meu filho não falou quantos gigas queria.

-Neste caso, o melhor é levar o maior.

-Sim, eu acho que sim. Quanto custa?

-Bem, o preço varia conforme o tamanho. A sua entrada é USB?

-Como?

-É que para acoplar o pen no computador, tem que ter uma entrada compatível.

-USB não é a potência do ar condicionado?

-Não, isso é BTU.

-Ah! É isso mesmo. Confundi as iniciais. Bom, sei lá se a minha entrada é USB.

-USB é assim ó: com dentinhos que se encaixam nos buraquinhos do computador. O outro tipo é este, mais tradicional, o senhor
só tem que enfiar o pino no buraco redondo. Seu computador é novo ou velho? Se for novo é USB.

-Acho que tem uns dois anos. O anterior ainda era com disquete. Lembra do disquete? Quadradinho, preto, fácil de carregar, quase não tinha peso. Meu primeiro computador funcionava com aqueles do tipo bolacha, grandões e quadrados. Era bem mais simples, não acha?

-Os de hoje nem têm mais entrada para disquete. Ou é CD ou pendrive.

-Que coisa! Bem, não sei o que fazer. Acho melhor perguntar ao meu filho.

-Quem sabe o senhor liga pra ele?

-Bem que eu gostaria, mas meu celular é novo, tem tanta coisa nele que ainda nem aprendi a discar.

-Deixa eu ver. Poxa, um smartphone! Este é bom mesmo! Tem Bluetooth, banda larga, touchscreen, câmera fotográfica, flash, filmadora, radio AM/FM, TV digital, micro-ondas...

-Blutufe? E micro-ondas? Dá orá cozinhar com ele?
-Não senhor. É que ele funciona no sub-padrão, por isso é muito mais rápido.

-E pra que serve esse tal de blutufe?

-É para o telefone se comunicar com outro, sem fio.

-Que maravilha! Essa é uma grande novidade! Mas os celulares já não se comunicam com os outros sem usar fio? Nunca precisei de fio para ligar para outro celular. Fio em celular, que eu saiba, é apenas para carregar a bateria...

-Não, já vi que o senhor não entende nada, mesmo. Com o Bluetooth o senhor passa os dados do seu celular para outro, sem usar fio. Lista de telefones, por exemplo.

-Ah! E antes precisava de fio?

-Não, tinha que trocar o chip.

-Hein? Ah, sim, o chip. E hoje não precisa mais chip...

-Precisa, sim, mas o Bluetooth é bem melhor.

-Legal esse negócio do chip. O meu celular tem chip?

-Sim, tem chip.

-E eu faço o quê com o chip?

-Se o senhor quiser trocar de operadora, portabilidade, o senhor sabe.

-Sei, sim, portabilidade, não é? Claro que sei. Não ia saber uma coisa dessas, tão simples? Imagino então que para ligar tudo isso, no meu celular, depois de fazer um curso de dois meses, eu só preciso clicar nuns duzentos botões...

-Nããão! É tudo muito simples, o senhor logo apreende. Quer ligar para o seu filho? Anote aqui o número dele. Isso. Pronto, agora é só o senhor apertar o botão verde...

Oswaldo segura o celular com a ponta dos dedos, temendo ser levado pelos ares, para um outro planeta:

-Oi filho, é o papai. Sim. Diz-me, filho, o seu pendrive é de quantos... Como é mesmo o nome? Ah, obrigado, quantos gigas? Quatro gigas está bom? Ótimo. E tem outra coisa, o que era mesmo? Nossa conexão é USB? É? Que loucura. Então tá, filho, papai está comprando o teu pendrive.

-Que idade tem seu filho?

-Vai fazer dez em março.

-Que gracinha...

-É isso moça, vou levar um de quatro gigas, com conexão USB.

-Certo, senhor. Embalagem pra presente?

No escritório, Oswaldo examina o pendrive, minúsculo, menor do que um isqueiro, capaz de gravar filmes... Olha desconfiado para o celular sobre a mesa. "Máquina infernal", pensa. “Eu preciso apenas de um telefone para fazer e receber chamadas, não de um aparelho tão complexo que somente especialistas saberão utilizar”. Em casa, ele entrega o pendrive ao filho e pede para ver como funciona. O garoto insere o aparelho e uma janelinha é exibida no monitor. Em seguida, o menino clica com o mouse e abre uma webpage em inglês. Seleciona umas palavras e um “heavy metal” infernal invade o quarto e os ouvidos de Oswaldo. Outro clique e a música termina. O garoto diz:

-Pronto, pai, baixei a música. Agora eu levo o pendrive para qualquer lugar e onde tiver uma entrada USB eu posso ouvir a música. No meu celular, por exemplo.

-Seu celular tem entrada USB?

-É lógico. O seu também.

-É? Quer dizer que eu posso gravar músicas num pendrive e ouvir pelo celular?

-Se o senhor não quiser baixar direto da internet...

Naquela noite, antes de dormir, Oswaldo deu um beijo na esposa e disse:

-Sabe que eu tenho Blutufe?

-Como é que é?

-Bluetufe. Não vai me dizer que não sabe o que é?

-Não enche, Oswaldo, deixa eu dormir.

-Meu bem, lembra como era boa a vida, quando telefone era telefone, gravador era gravador, toca-discos tocava discos e a gente só tinha que apertar um botão para as coisas funcionarem?

-Claro que lembro, Oswaldo. Hoje é bem melhor, né? Várias coisas numa só, até Bluetufe você tem. E conexão USB também. Que ótimo, Oswaldo, meus parabéns.

-Clarinha, com tanta tecnologia a gente envelhece cada vez mais rápido. Fico doente de pensar em quanta coisa existe por aí que nunca vou usar.

-Ué? Por quê?

-Porque eu aprendi a usar computador e celular e tudo o que sei já está ultrapassado.

-Por falar nisso, precisamos trocar nossa televisão.

-Por quê? Ela quebrou?

-Não. Mas não tem HD, SAP, PIP...

-E blutufe, a nova vai ter?

-Boa noite, Oswaldo, vai dormir que eu não aguento mais...

sexta-feira, 8 de maio de 2015

SMARTPHONES - INTERNET VIA 3G/4G - ARAPUCA DAS OPERADORAS

CINQUENTA ANOS ATRÁS, EU SABIA TUDO. HOJE, SEI QUE NADA SEI. A EDUCAÇÃO É A DESCOBERTA PROGRESSIVA DA NOSSA IGNORÂNCIA.

O minuto de ligação via rede celular no Brasil está entre os mais caros do mundo, segundo um levantamento feito no ano passado pela UIT (União Internacional de Telecomunicações, órgão ligado às Nações Unidas). O SINDITELEBRASIL contesta a metodologia, alegando que a pesquisa teria sido baseada no preço-teto homologado pela ANATEL, e não no preço médio praticado pelas operadoras (em torno de US$ 0,07 por minuto de ligação), embora reconheça que as empresas inflacionam as tarifas que submetem ao órgão regulador e depois oferecem as mais variadas “promoções” para manter a competitividade de seus serviços (tais como ligações gratuitas ou ilimitadas a preço fixo entre números da mesma rede, “pacotes” de torpedos, franquias de dados para navegação na Web, e por aí vai).

A despeito do desconforto proporcionado pelas telinhas dos smartphones, a navegação móvel cativa a clientela e contribui significativamente para encher as burras das operadoras. No entanto, seja por falta de infraestrutura que lhes permitia fazer frente à crescente demanda, seja para forçar os usuários a migrar para planos mais caros, as empresas mudaram as regras do jogo, primeiro estipulando franquias miseráveis, cujo consumo integral implicava na redução da velocidade de navegação, e, mais adiante, com a pura e simples suspensão do serviço (para mais detalhes, clique aqui e aqui).

Felizmente, na última segunda-feira a Justiça do Rio de Janeiro determinou que as operadoras mantenham o acesso à Internet móvel mesmo depois que o usuário esgote a franquia de dados contratada. Em caráter liminar, essa decisão é válida para todo o estado e alcança as quatro principais operadoras de telefonia celular ─ que, em sua defesa, alegam motivos técnicos para o bloqueio do sinal, embora o PROCON classifique a medida como "má-fé", pois os princípios que regem as relações de consumo asseguram ao consumidor informações claras e adequadas sobre os produtos e serviços, bem como o protegem contra publicidade enganosa e práticas comerciais desleais ou coercitivas.

Observação: O Rio não foi o primeiro Estado brasileiro a proibir esse acinte; anteriormente, o Maranhão e o Acre já haviam feito o mesmo. Tomara que os bons ventos espalhem esse fumus boni iuris pelos demais Estados da Federação, mas como estamos no Brasil, nunca se sabe...

Para adicionar um pouco de “cor pessoal” a esta postagem, segue um breve relato da minha experiência com a telefonia celular em solo tupiniquim, que remonta ao apagar das luzes do século passado, quando me tornei cliente da TELESP CELULAR e, mais adiante, da BCP:

Quando a TIM trouxe a tecnologia GSM para São Paulo, fui um de seus primeiros clientes, e assim permaneci até meados da década passada, quando migrei para a CLARO (vale mencionar que, nesse entretempo, usei também serviços da VIVO e da OI, embora como opções secundárias e por períodos relativamente curtos). Enfim, se, com a TIM, o único problema foi alguém tentar adquirir um plano usando meus dados cadastrais (a operadora bloqueou a transação e entrou em contato comigo no primeiro dia útil consecutivo), minha relação com a CLARO foi bem mais pródiga em adversidades, a começar pelo fato de o aparelho e o SIM Card, adquiridos via telemarketing, terem sido entregues em outro endereço, o uso indevido da linha ter gerado uma conta que me foi apresentada anos depois (perdi horas e horas pendurado na linha para convencer a empresa de que a cobrança era indevida). Outro perrengue digno de nota se deu em meados de 2012, quando troquei meu plano pós-pago por um Controle 50 e a partir daí comecei a receber duas contas (para resolver o problema foi preciso pedir socorro à ANATEL). Quando minha fatura passou de R$50 para R$53,90 (sem prévio aviso), descobri pelo site da empresa que meu plano tinha sido descontinuado e que o mais parecido era (e continua sendo) o Controle R$51,90.  Com efeito, as mensagens de texto (SMS), ligações de Claro para Claro e para telefones fixos e celulares de outras operadoras têm custos semelhantes, e a franquia mensal (R$31,90) também empata, mas o valor da fatura não bate e os R$0,99 por dia, que remetem ao uso da rede 4G, são debitados mesmo quando eu não utilizo o serviço.

O jeito será buscar esclarecimentos junto à dona CLARO, mas confesso que isso não me anima, pois é preciso muita sorte e um bocado de paciência para falar com um atendente que tenha boa vontade e capacidade para prestar um atendimento eficiente, e a maioria deles não sabe sequer o que está fazendo ali. Infelizmente.

Mas como hoje é sexta-feira:

As Cinquenta Sombras de Grey (versão alentejana).

Quatro alentejanos costumavam ir pescar sempre na mesma época, montando um acampamento para o efeito. Neste ano, a mulher do João bateu o pé e disse que ele não ia. Profundamente desapontado, João telefonou aos companheiros e disse-lhes que desta vez não podia ir porque a mulher não deixava.
Dois dias depois, os outros chegaram ao local do acampamento e, muito surpreendidos, encontraram lá o João à espera deles, com a sua tenda já armada.
- Atão, João, comé que conseguisti convencer a patroa a deixar-te viri?
- Bêm, a minha mulheri tên estado a ler "As Cinquenta Sombras de Grey" e, ontem à nôte, depois de acabar a última página do livro, arrastô-me para o quarto. Na cama, havia algemas e cordas! Mandô-me algemá-la e amarrá-la à cama e opois disse: Agora, faz tudo o que quiseres...
E Ê ... VIM PESCARI !

Bom final de semana a todos e até mais ler.