quarta-feira, 14 de maio de 2025

O BRASIL DA CORRUPÇÃO — 4ª PARTE: A DEMOCRACIA DOS IDIOTAS

OS INTELIGENTES APRENDEM COM A PRÓPRIA EXPERIÊNCIA; OS SÁBIOS APRENDEM COM A EXPERIÊNCIA DOS OUTROS, E OS IDIOTAS... OS IDIOTAS NUNCA APRENDEM.

Umberto Eco ensinou que a Internet promoveu os idiotas da aldeia a portadores da verdade; Tiago Paiva observou que só existem influencers porque existem "idioters"; e Nelson Rodrigues profetizou que os idiotas vão dominar o mundo — não pela capacidade, mas pela quantidade. 

Na Grécia Antiga, a palavra ηλίθιος designava os cidadãos que não se interessavam por assuntos públicos. Como ficar à margem da vida pública erva visto como sinal de ignorância, o termo ganhou a conotação negativa que nossos dicionários registram.
 
No início do século 20, os psicólogos franceses Alfred Binet e Theodore Simon calculavam o QI com base na capacidade das crianças de realizar tarefas como apontar para o nariz e contar moedas. Pessoas com QI abaixo de 70 eram consideradas "idiotas", e assim a palavra passou a ser usada em contextos jurídicos e psiquiátricos.
 
Em tese, os "idiotas" que não se interessam por política são governados por quem se interessa. Na prática, porém, existe o perigo de o idiota levar sua idiotice para a esfera pública e fazer como os eleitores brasileiros, que repetem a cada dois anos, por ignorância, o erro que a curiosidade levou Pandora a cometer uma única vez. 
 
A idiotice clássica consistia em ignorar a vida pública, mas a contemporânea é participar dela com tribalismo irracional e fé dogmática. José Saramago alertou que a pior cegueira é a mental, dos cegos que veem mas não enxergam. Nas redes, a polarização virou espetáculo: tanto à esquerda como à direita há mais briga de torcida do que debate, e essa polarização transformou o Brasil pós-ditadura num bestiário político. Senão vejamos:
 
Sarneyícone da oligarquia e da política de cabresto nordestina — deu início à farra da governabilidade fisiológica. 

Collor embrulhado no papel vistoso de "caçador de marajás" — revelou-se um farsante narcisista. 

Itamar é lembrado mais pelo topete — e pela foto icônica ao lado de uma modelo sem calcinha — do que por sua contribuição para o Plano Real. 

Fernando Henrique destoou, mas sucumbiu à vaidade do poder e vendeu a alma ao demônio da reeleição

Lula, o desempregado que deu certo, inaugurou a era da "narrativa acima dos fatos". 

Dilma, a gerentona de araque, lavou o país ao colapso econômico com frases tão herméticas quanto sua gestão.

Temer, o vampiro do Jaburu que encerrou a fase dos garranchos verbais, manteve a política no mesmo pântano de sempre.

Bolsonaro, o mix de mau militar e parlamentar medíocre, fez do negacionismo e do golpismo sua marca registrada.
 
Mancomunada com a cegueira mental, a polarização transformou esse desfile de desqualificados em santos de pés de barro (ou bandidos de estimação, como queiram) para suas torcidas. 

Os idiotas de direita gritam "volta, mito"; os idiotas de esquerda respondem com "viva, companheiro". Todos cegos. Cegos que veem, mas não enxergam.

Continua...

terça-feira, 13 de maio de 2025

DE VOLTA À OBSOLESCÊNCIA PROGRAMADA

SÓ AQUELES QUE SUPORTAM A LONGA NOITE VEEM O ALVORECER

Até não muito tempo atrás, as coisas eram feitas para durar. As pessoas "se casavam" com seus carros e usavam o mesmo fogão e a mesma geladeira por décadas a fio. Mas, como dizia o poeta, "não há nada como o tempo para passar". 

De uns tempos para cá, a obsolescência programada vem reduzindo significativamente a vida útil dos assim chamados "bens duráveis".


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A classe política é corporativista e fisiologista. Seus interesses vêm sempre antes dos interesses dos eleitores que eles deveriam representar. Assim, mesmo sendo repulsiva, a aprovação da aberração destinada a livrar Alexandre Ramagem do processo por tentativa de golpe de Estado não causa estranheza. Tampouco causa espécie o placar de 315 votos a 143 ter sido engrossado por deputados do Centrão — não para favorecer Bolsonaro, que tenta pegar carona no meio disso, mas de olho na impunidade que pode beneficiá-los no futuro. 

Num momento em que o STF trava uma batalha com o Congresso pela moralização das emendas parlamentares — e já avisou que será duro com quem for pego desviando recursos públicos por meio delas —, o recado foi claro: processos por roubalheira contra quem tem mandato não seguirão adiante.

Suas insolências até podem aprovar uma disposição inconstitucional, mas o Supremo pode — e deve — pôr ordem no galinheiro. Em conversas reservadas, os ministros afirmam que consideram o projeto inconstitucional, o que significa que dificilmente a iniciativa vai prosperar e travar a ação penal. 

Os inconformados poderão recorrer, mas, dá-se de barato que a 1ª Turma rejeitará o apelo por unanimidade: a Constituição assegura a deputados e senadores o direito de sustar processos penais contra seus pares, mas para crimes cometidos após a diplomação. Isso livraria Ramagem das acusações relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, mas não da tentativa de golpe, abolição violenta do Estado democrático de direito e organização criminosa.

Bolsonaro continuará réu, mas verá turbinada a mentira de que é um injustiçado — o que pode soar bem em algum país governado pela extrema direita, para onde ele resolva fugir a fim de não ser preso ao final do processo.

 

Para manter o estímulo ao consumo, os fabricantes lançam novas versões de seus produtos em intervalos cada vez menores e recorrem ao marketing para convencer os consumidores de que as novidades — muitas vezes triviais ou manifestamente inúteis — justificam a troca pelo modelo mais recente, supostamente superior. As lâmpadas, por exemplo, tiveram sua vida útil reduzida de três mil para mil horas, e alguns aparelhos parecem sair da fábrica programados para "pifar" assim que a garantia expira — e o conserto pode custar quase tanto quanto um aparelho novo.
 
Em virtude da evolução da tecnologia, esse artifício usado pela indústria para induzir ao consumo repetido se manifesta de forma ainda mais incisiva nos eletroeletrônicos. No caso específico dos celulares, aparelhos com menos de 4 GB de RAM e 128 GB de espaço interno já são considerados ultrapassados. Muitos modelos são aposentados não por suas configurações, mas pela política de atualização de software dos fabricantes — que, em tese, deveriam garantir maior longevidade aos aparelhos mais antigos, e não o contrário.

 

Com mais de 2 bilhões de usuários no mundo — e quase 150 milhões só no Brasil —, o WhatsApp deixou de funcionar recentemente em smartphones Android com versões anteriores à Lollipop (5.0); nos iPhones, modelos como o iPhone 5s, 6 e 6 Plus, que estacionaram no iOS 12.5.7, já não são suportados pelo aplicativo. Segundo a Meta, essa restrição visa permitir a incorporação de recursos mais avançados, como funcionalidades baseadas em inteligência artificial, que exigem hardware mais moderno. Mas não deixa de ser obsolescência programada disfarçada, já que obriga os usuários a aposentar aparelhos em boas condições de uso.

 

O Google lança uma nova versão do Android anualmente, mas são os próprios fabricantes (Samsung, Motorola, Xiaomi etc.) que decidem por quanto tempo seus aparelhos receberão atualizações do sistema e patches de segurança. Dependendo da marca e do modelo, o smartphone pode ficar desatualizado antes mesmo de o infeliz consumidor pagar a última prestação. Mas, de novo, não há nada como o tempo para passar.


Recentemente, a Samsung, que é líder em vendas de smartphones no Basil, resolveu ampliar seu ciclo de atualizações da linha Galaxy para até sete versões em alguns modelos, e foi seguida pela vice-líder Motorola. O Google fez o mesmo com o Pixel 8 e o Pixel 8 Pro (que não são vendidos oficialmente no Brasil, mas podem ser comprados de importadores independentes). Já a Xiaomi argumenta que a maioria dos consumidores troca de aparelho a cada três anos, e não vê sentido em ampliar o tempo de suporte.

 

Pesquisas indicam que apenas 7% de todos os smartphones Android em uso no mundo rodam a versão mais recente do sistema (15). No entanto, de um tempo para cá as novas versões focam mais a estabilidade e eficiência do que a introdução de novos recursos, e principal novidade — a inteligência artificial — pode ser implementada sem alterar a versão do sistema. Assim, ter um aparelho com Android 14 ou 13 e estar em dia com os patches de segurança já está de bom tamanho.

segunda-feira, 12 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 27ª PARTE

NUNCA TENHA CERTEZA DE NADA. A SABEDORIA COMEÇA COM A DÚVIDA.

 

As viagens no tempo são matematicamente viáveis, a Teoria da Relatividade admite a possibilidade de retornar ao passado, e o conceito de tempo negativo deixou de ser mera especulação depois que pesquisadores da Universidade de Toronto demonstraram sua existência física de forma tangível. Mesmo assim, muitos cientistas ainda rejeitam a ideia. 

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Lula fundou o PT em 1980 — a pretexto de "fazer política sem roubar nem deixar roubar" — disputou e perdeu o governo de São Paulo em 1982, elegeu-se deputado constituinte em 1986 e se recusou a assinar a Constituição Cidadã de 1988. Perdeu a Presidência para Collor em 1989 e para FHC em 1994 e 1998, mas venceu Alckmin em 2002 e Serra em 2006 e escalou a "mulher sapiens" para manter aquecido o trono que ele pretendia voltar a disputar em 2014, mas a cria  pegou gosto pelo poder, deu uma banana para o criador e “fez o diabo” para se reeleger.
Sem o escudo da Presidência, a autoproclamada alma viva mais honesta do Brasil colecionou dezenas de ações criminais, foi condenado em duas instâncias no caso do triplex e preso em abril de 2018. Quando o TSE indeferiu sua candidatura, ele escalou Haddad para representá-lo. Bolsonaro derrotou o bonifrate, mas se tornou o pior mandatário desde Tomé de Souza. Assim, Lula foi solto, "descondenado", reabilitado politicamente, e derrotou o capetão em 2022 com uma vantagem de 1,8% dos votos válidos.
Apesar da promessa de pendurar as chuteiras ao fim do terceiro mandato, o petista jamais desceu do palanque, A despeito do bordão "União e Reconstrução", ele vem destruindo a combalida economia tupiniquim com seu populismo eleitoreiro.
Em passado recente, Alckmin disse que "eleger Lula seria reconduzir o criminoso à cena do crime". Mas não há nada como o tempo para passar: o tucano se tornou o mais novo amigo de infância do ex-adversário e "voltou com ele à cena do crime" como vice-presidente. 
Haja cinismo!
 
Se o tempo pode realmente retroceder em certas condições, talvez o tecido do espaço-tempo seja mais maleável do que imaginamos. As leis da física atuam como uma espécie de salvaguarda contra os paradoxos temporais, como propôs Stephen Hawking na Conjectura da Proteção Cronológica, mas o próprio nome indica que se trata de uma "conjectura"; a única certeza é a consubstanciada por Sócrates na máxima: "só sei que nada sei".
 
Se a próxima geração de aceleradores de partículas for capaz de criar buracos de minhoca subatômicos que sobrevivam por tempo suficiente, partículas poderiam ser lançadas em círculos causais. Isso seria um vislumbre inicial de uma viagem no tempo como manda o figurino — ainda distante da ficção de H. G. Wells em A Máquina do Tempo, mas impactante o bastante para nos fazer repensar os limites da própria realidade.
 
Os buracos negros foram previstos no início do século passado e permaneceram nos campo das teorias até o
 Event Horizon Telescope fotografar o M87*, que fica a 55 milhões de anos-luz da Terra. Indícios de um buraco negro localizado na constelação Cygnus foram observados em 1964. mas até 2019 não havia uma única imagem direta desses corpos celestes que se formam a partir da colisão entre estrelas de nêutrons ou da explosão de estrelas supermassivas em supernovas, "engolem" planetas, estrelas e quaisquer outros objetos que se aproximam de seu horizonte de eventos e transformam tudo num pontinho infinitesimal com a mesma massa original, o que resulta numa atração gravitacional tão intensa que nem a luz consegue escapar. 
 
Observação: O termo singularidade costuma ser usado indevidamente como sinônimo de buraco negro, embora ela não seja o corpo celeste em si, e sim um ponto com densidade infinita que cria uma curva igualmente infinita no espaço-tempo — daí os buracos negros serem o melhor exemplo de locais onde a singularidade poderia existir. 
 
Os buracos de  minhoca ainda não fora avistados, mas acredita-se que funcionem como túneis, aproximando dois pontos do espaço-tempo (não necessariamente no mesmo universo nem na mesma linha do tempo), permitindo fazer em poucos segundos uma viagem que, em linha reta pelo cosmos, demoraria séculos ou milênios para fazer, mesmo na velocidade da luz. A possibilidade de viajar através deles ainda é um conceito puramente teórico, com muitos desafios a superar.
 
As equações relativísticas de Einstein
 descortinam propostas fascinantes, como a de que o Universo pode ter um “clone” às avessas repleto de buracos brancos e estrelas negras, mas também trouxeram um novo problema: conciliar a relatividade geral com a mecânica quântica. 
 
Não se sabe se os buracos de minhoca engolem matéria por uma boca e a regurgitam pela outra ou se ambas as bocas são capazes de "engolir", mas não de cuspir — caso em que a matéria seria empurrada para a boca de saída, puxada de volta para a boca de entrada e atraída novamente para o lado oposto num looping insano, até finalmente morrer no ponto central.
 
Continua... 

domingo, 11 de maio de 2025

FRALDINHA EM DOSE DUPLA

É IMPOSSÍVEL GUARDAR UM SEGREDO. QUANDO A BOCA SE CALA, FALAM AS PONTAS DOS DEDOS.

 

Um dos motivos da queda de popularidade de Lula é a inflação dos alimentos, que somou 162% nos últimos 12 anos. Só em 2024, os preços registraram uma alta média de 7,69%, superando a inflação oficial do país, que ficou em 4,83% (segundo o IPCA), e a tendência para os próximos meses é de alta.

Enquanto procura os "pilantras dos ovos", o petista leva os lábios ao trombone para avisar que o preço da carne baixou. Mas não é o que se vê quando se vai a um açougue ou supermercado. Quando eu redigi este post, o site do Extra anunciava picanha Bassi por R$ 89 o quilo, e filé mignon, maminha e coxão-mole por R$ 80, R$ 71,90 e R$ 48,90 o quilo, respectivamente. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Saramago ensinou que a pior cegueira é a mental, e a sabedoria popular, que não adianta trocar as rodas da carroça quando o problema é o burro. 
A reforma ministerial de Lula parece ter sido concebida por um cego — ou por um mandatário do século XIV, segundo a lógica das sesmarias e das capitanias hereditárias: os partidos conservam territórios na Esplanada mesmo que os prepostos anteriores tenham se revelado técnica ou moralmente incapazes. 
A petista Márcia Lopes confirmou que seria a nova chefe do Ministério das Mulheres antes que seu nome fosse formalizado, e foi empossada sem que Lula explicasse qual incapacidade motivou o afastamento de sua antecessora, a também petista Cida Gonçalves. 
No mês passado, quando o deputado Pedro Lucas, do União Brasil, se desnomeou ministro do Ministério das Comunicações dias depois de sua indicação vir a público, Lula manteve a pasta como feudo do mesmo partido. Isso depois de ter nomear Frederico Siqueira filho (réu por improbidade em Pernambuco) para o lugar de Juscelino Filho (denunciado ao STF por corrupção). Ambos são afilhados políticos do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. 
Acossado pelo escândalo do assalto contra os aposentados, Lula trocou seis por meia dúzia ao substituir Carlos Lupi, mandachuva do PDT, pelo segundo na hierarquia da pasta, Wolney Queiroz, que era deputado do mesmo partido. Ambos sabiam da fraude desde 2023 e pouco ou nada fizeram a respeito.
Há quase tudo nas mexidas ministeriais de Lula, exceto lógica e interesse público. Ao se mobilizar para atrapalhar a tramitação de um requerimento de CPI do INSS, o governo sinaliza que tem algo a esconder. 
A falha, que atinge justamente os vulneráveis de quem o macróbio se diz protetor, envolve sindicatos — agremiações com identificação petista —, reaviva lembranças de crimes do passado e cria um enrosco monumental para os planos de reeleição para 2026. Como se não bastasse, a AGU deixou de fora dos bloqueios de bens pelo menos quatro entidades citadas pela PF, entre as quais, o Sindnapi, que tem como vice-presidente Frei Chico, que não é frei nem se chama Francisco, mas é irmão de Lula.
Triste Brasil. 

Coxão-mole rende bons bifes acebolados, embora fique devendo no quesito "maciez". Patinho tem preço equivalente e é excelente moído, corado em cubinhos para strogonoff e em bifes à milanesa, mas não é a melhor opção para bifes grelhados e acebolados. Já a fraldinha é um corte de segunda macio e suculento, bom para assar na churrasqueira ou no forno e grelhado em bifes na frigideira. Seu preço é semelhante ao do coxão mole e do patinho nos supermercados; mas sobe para R$ 80 na Bassi e R$ 99 na versão sem gordura da Swift.
 
Fraldinha na frigideira não tem mistério; basta cortá-la em bifes médios (cerca de dois dedos de espessura), dourar de 2 a 4 minutos de cada lado, em fogo alto usando, a gordura de sua preferencia (manteiga, azeite ou uma mistura dos dois) e temperar com sal e pimenta-do-reino a gosto. 
 
Na pressão, 
não coloque água. Regue o fundo da panela com um fio de azeite, coloque a carne com a gordura virada para baixo, cubra com rodelas de cebola, tempere com pimenta-do-reino moída na hora (ou pimenta calabresa), sal refinado, alho espremido e azeite a gosto,  tampe a panela, leve ao fogo alto e conte 35 minutos a partir do momento em que a válvula começar a soltar vapor.
 
Transfira a carne para uma travessa, corte em fatias de 1,5 cm, cubra com as rodelas de cebola, regue com o molho que sobrou no fundo da panela e sirva com o acompanhamento que preferir — arroz branco, salada de folhas, farofa, batatas fritas, etc. 

Bom apetite.

sábado, 10 de maio de 2025

O BRASIL DA CORRUPÇÃO — 3ª PARTE

NEM TUDO É O QUE PARECE. ÀS VEZES, O BURACO É MAIS EMBAIXO.

Em meados de 2019, um grupelho de hackers liderado por Walter Delgatti Neto acendeu o estopim do maior ataque contra a maior operação anticorrupção da história desta banânia.

Segundo Delgatti revelou à PF, Manoela D'Ávila, que havia sido candidata a vice na chapa de Fernando Haddad em 2018, teria intermediado o repasse do material rapinado pela quadrilha ao jornalista americano Glenn Greenwald, dono do site esquerdista Intercept Brasil.

A quadrilha de capiaus — que ficaria conhecida mais adiante como "Hackers de Araraquara" — invadiu os celulares de diversas autoridades — entre as quais Deltan Dallagnol, então coordenador do braço paranaense da Lava-Jato — e teve acesso às mensagens trocadas via Telegram entre os procuradores da força-tarefa e juiz Sergio Moro, que àquela altura já havia deixado a 13ª Federal de Curitiba e ingressado no governo Bolsonaro como ministro da Justiça e Segurança Pública.

"Vermelho", como Delgatti era conhecido por causa dos cabelos ruivos, era dono de uma respeitável capivara — seis processos por crimes de estelionato, furto qualificado, apropriação indébita e tráfico de drogas, além de duas condenações. Dias antes de ser preso, ele abasteceu a Land Rover que dirigia pelas ruas de Ribeirão Preto, alegou problemas com o cartão de crédito e disse ao frentista que sacaria o dinheiro e voltaria em seguida, mas jamais apareceu.

Preso em 2023, o hacker contou que a deputada Carla Zambelli o contratou para invadir sistemas do Judiciário com o objetivo de desacreditar o processo eleitoral e criar narrativas favoráveis à reeleição de Bolsonaro. A parlamentar foi condenada pela 1a Turma do STF a 10 anos de prisão e perda do mandato. Delgatti também foi condenado a 8 anos e 3 meses de prisão. A dupla deverá ainda pagar uma indenização de R$ 2 milhões.

Greenwald sempre posou como a "quintessência da moralidade", mas nunca foi flor que se cheire. Nas pegadas do sucesso do best-seller How Would a Patriot Act?, publicou mais quatro livros e assinou colunas no site americano Salon e no jornal inglês The Guardian. Às vésperas das eleições americanas de 2016, divulgou mensagens trocadas entre a equipe da candidata Hillary Clinton e jornalistas. Seu nome originou o neologismo "greenwalding", que significa "pinçar um conteúdo e tirá-lo do contexto com o objetivo de difamar alguém".

O suposto "desvio de conduta" de Moro e Dallagnol foi prontamente replicado por veículos de comunicação "parceiros" de Greenwald, a despeito de os acusados não reconhecerem sua autenticidade e de a PF não as ter periciado. No entanto, mesmo sem qualquer validade jurídica, o material espúrio foi levado em consideração por ministros do STF, que colaram em Moro a pecha de juiz parcial e, de quebra, cravaram mais um prego no caixão da Lava-Jato.

Como juiz federal, Moro enquadrou poderosos em processos de grande repercussão, como o escândalo do Banestado, a Operação Farol da Colina e a Operação Fênix. No auge da Lava-Jato, condenou figuras do alto escalão da política e do empresariado tupiniquim, como LulaJosé DirceuSérgio Cabral e Marcel Odebrecht. No governo, foi traído por Bolsonaro. Como aspirante à Presidência, filiou-se ao Podemos, migrou para o União Brasil e foi sabotado por Luciano Bivar. Candidatou-se a deputado federal por São Paulo e se elegeu senador pelo Paraná. Dos oito projetos que apresentou, nenhum foi aprovado
 
Moro se tornou refém da imagem de herói nacional que cultivou e do político pouco habilidoso que se revelou. Como juiz, jurou que jamais entraria para a política. Ministro, simulou desinteresse pelo Planalto. Pré-candidato à Presidência, prometeu levar a campanha até o fim. Candidato a deputado por um partido, elegeu-se senador por outro. Execrado pela esquerda, abandonado pela extrema-direita e antipático aos olhos da alta cúpula do Judiciário, passou a colher os frutos do que plantou ao trocar o certo pelo duvidoso (ou pelo errado, como descobriu mais adiante).

Moro colecionou muitos inimigos, mas ninguém investiu tanto contra sua reputação quanto ele próprio, que ajudou a incinerar as sentenças que lhe deram fama e a transformar as multas de corruptores confessos em cinzas no forno de pizza do STF. Na Divina Comédia, Dante Alighieri percorre o Inferno e o Purgatório guiado por Virgílio, e o Paraíso, pela mão de sua amada Beatriz. Na política, cada um precisa fazer seu caminho; Moro entrou nessa sem guia, e acabou tropeçando nas próprias promessas.

Com a corda no pescoço e os pés no cadafalso, o ministro que engolia sapos virou o senador que engole elefantes, e seu desejo de salvar o país da corrupção transmutou-se em ânsia de livrar a si mesmo da cassação. A perspectiva de um processo criminal levou-o a pedir (e obter) uma audiência com o ministro Gilmar Mendes (que passou de defensor do combate à corrupção a crítico ferrenho da Lava-Jato no Paraná e desafeto do ex-juiz). O encontro durou 90 minutos. Quando Moro tentou se desvincular de Dallagnol, ouviu de Gilmar: "Tudo que a "Vaza-Jato" revelou, eu já sabia. Vocês combinavam o que estaria nas peças. Não venha dizer que não".

Execrado pela esquerda e abandonado pela direita, Moro se reaproximou do capetão durante os debates finais do 2º turno das eleições de 2022. No Senado, nada fez de consistente nem demonstrou qualquer liderança na oposição. No dia da aprovação de Flávio Dino para o STF, fotos em que ele foi flagrado conversando amistosamente com o “ministro comunista” de Lula e um flagra da tela de seu celular por uma lente impertinente caíram sobre o ex-herói nacional como uma pá de cal.

No século XIX, certas diferenças só podiam ser lavadas com sangue num duelo. Hoje, a hemorragia de Moro escorre sobre as cinzas da Lava-Jato. Quem consegue avistar uma saída honrosa na mais degradante desonra pode achar alvissareira a tentativa do ex-candidato da antipolítica de estreitar sua inimizade com a toga mais política do STF, mas o excesso de cinismo apenas confirma: no Brasil, a exceção é que costuma parecer farsante — a regra é ser farsa mesmo.

Continua.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 26ª PARTE

POLÍTICOS CORRUPTOS SÃO COMO MERCADOS DE PEIXE, COM CUJO MAU CHEIRO OS ELEITORES, INCOMPETENTES E DESPREPARADOS, LOGO SE ACOSTUMAM.

 

Para manter um buraco de minhoca atravessável seria preciso que uma forma exótica de matéria exercesse pressão negativa suficiente para impedir que as paredes do "túnel" colapsassem sobre si mesmas e desabassem em um buraco negroAlguns efeitos quânticos produzem energia negativa em pequenas escalas — caso do Efeito Casimir e do Princípio da Incerteza de Heisenberg —, mas extrapolar isso para o nível macroscópico e acumular uma quantidade suficiente dessa energia para estabilizar o "atalho cósmico" é um enorme desafio teórico e tecnológico.

Observação: Energia negativa e matéria exótica são coisas diferentes.  A primeira é um efeito quântico específico, e a segunda engloba qualquer substância capaz de gerar repulsão gravitacional. Assim, a energia negativa pode ser um tipo de matéria exótica, mas nem toda matéria exótica se baseia exclusivamente em energia negativa.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Há na pauta da Câmara vários projetos relevantes, como a regulamentação das redes sociais, a definição de regras para o uso da IA, a previdência dos militares e a isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais. No entanto, desde o retorno do recesso de fim de ano, os parlamentares desperdiçam suas energias com um debate vexatório sobre a anistia aos golpistas. Eis senão quando os brasileiros são pegos de surpresa pela criação de 18 vagas adicionais na Câmara.
Em agosto de 2023, a pedido do Pará, o STF ordenou que o número de deputados federais por unidade federativa fosse revisto para adequar a representação ao aumento populacional captado pelo Censo Demográfico de 2022. 
A readequação poderia ser feita por meio da redistribuição das atuais 513 vagas entre os 26 estados e o Distrito Federal. Nessa hipótese, sete estados teriam um número menor de deputados, entre eles a Paraíba do presidente da Câmara, Hugo Motta, que perderia duas vagas. Optou-se pela solução mais cara. 
Alega-se que o custo adicional — R$ 64,4 milhões — será absorvido pelo orçamento da própria Câmara. Balela: cada deputado dispõe de uma cota de R$ 38 milhões em emendas orçamentárias; com 18 novas cadeiras, serão mais R$ 684 milhões em emendas, totalizando uma despesa extra de R$ 748,6 milhões por ano. 
A mudança foi aprovada por 270 votos a 207. A lista de votação está disponível na Internet. Em 2026, vote nas putas. Como se vê, votar nos filhos delas não resolve.

Mesmo um buraco de minhoca mantido aberto com matéria exótica poderia sofrer instabilidades que fariam sua garganta se fechar rapidamente. A própria presença de observadores dentro do túnel poderia amplificar as flutuações quânticas, levando ao colapso da estrutura. Ainda que a física teórica admita a possibilidade de existirem buracos de minhoca atravessáveis, a prática não oferece maneiras de construí-los. Mas Einstein não disse que o impossível só é impossível até que alguém duvide e prove o contrário?
 
O físico teórico Kip Thorne e seus colegas do Caltech acreditam que, se um buraco de minhoca pode ser criado, ele também pode ser transformado em uma máquina do tempo. Para isso, uma de suas extremidades precisaria ser rebocada até uma estrela de nêutrons e colocada perto de sua superfície. A intensa gravidade da estrela tornaria o tempo mais lento próximo à abertura, criando uma diferença temporal entre as duas bocas que aumentaria gradualmente. Se essa diferença fosse de dez anos, alguém que atravessasse o túnel sairia pelo outro lado dez anos no futuro, e ao fazer o caminho inverso, esse alguém voltaria ao passado, chegando antes mesmo de ter partido — mas não poderia retornar a um ponto anterior à criação do buraco de minhoca.
 
A existência de buracos de minhoca ainda não foi comprovada, mas os buracos negros permaneceram por décadas no campo das especulações até serem finalmente detectados e fotografados. Assim, se os buracos de minhoca realmente existirem e forem tão comuns quanto as estrelas — como sugerem diversos astrofísicos —, detectá-los pode ser apenas uma questão de... tempo.
 
Observação: É possível que civilizações alienígenas avançadas tenham se valido de buracos de minhoca para visitar a Terra em diversos momentos da história e ajudando na construção das pirâmides de Gizé, de Stonehenge, das linhas de Nazca e de outras obras monumentais que, com a tecnologia disponível na época, seriam tão implausíveis quanto a criação do mundo segundo o Gênesis. Aliás, se você não acredita em aliens, não deixe de ler esta sequência.  
 
Mesmo que as limitações tecnológicas sejam superadas, construir uma máquina do tempo abriria uma verdadeira caixa de Pandora de paradoxos causais. Se um viajante volta no tempo para um momento anterior ao nascimento de seu pai e mate seu avô paterno, ele não nasceria e, portanto, não poderia viajar ao passado para matar o avô. No entanto, a despeito de existirem restrições ao que se pode fazer no passado, a coerência causal não impede as viagens no tempo.
 
Mesmo sem paradoxos, viajar no tempo pode gerar situações estranhas. Suponha que alguém dê um salto de um ano para o futuro, leia um artigo na Scientific American sobre um novo teorema matemático, anote os detalhes e volte ao presente para ensiná-lo a um matemático, que escreve um artigo sobre o assunto para a mesma revista. Surgem então algumas questões intrigantes: De onde veio a informação sobre o teorema? Ele simplesmente surgiu do nada? O viajante apenas leu sobre ele, e o autor do artigo apenas recebeu a informação do viajante?