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terça-feira, 21 de julho de 2026

PENTÁGONO DIVULGA NO LOTE DE ARQUIVOS SOBRE OVNIS

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA.

Após divulgar dois lotes de relatórios de avistamentos de objetos voadores não identificados (UFOs, OVNIs ou UAPs), em 8 e 22 de maio, o governo dos Estados Unidos tornou público um terceiro lote, com72 arquivos do FBI, da CIA e do Pentágono, incluindo depoimentos, vídeos e representações artísticas de avistamentos de esferas ou orbes na região do nordeste daquele país.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Jabuti em árvore, só por enchente ou mão de gente. Da mesma forma, a chegada de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto em 2018 foi consequência de uma série de fatores concorrentes. Um deles foi o prognóstico (correto) de setores da direita liberal de que, prendendo Lula e tirando-o da eleição, Bolsonaro era capaz de derrotar a esquerda. Só que isso veio junto com a aposta (equivocada) de que seria possível colocar uma "coleira" no capetão após a vitória. Tal como aconteceu em outros países, esse cálculo levou a direita liberal a ser engolida, digerida e defecada pela extrema direita.

Das interferências indevidas na Petrobras até as ações populistas no ano eleitoral feitas com a bênção do Congresso, muita gente viu que o Posto Ipiranga do ex-presidente oferecia combustível adulterado. Agora, com o refugo da escória da humanidade condenado e cumprindo pena em prisão domiciliar, entretido com armas, cartas e ferros de solda, seu primogênito assumiu a missão. 

Bolsonarinho não deu um chega pra lá em Tarcísio de Freitas e Michelle para ganhar o Planalto, mas para manter a direita nas mãos do clã. A rápida subida nas pesquisas foi uma grata surpresa para o seu grupo político, que passou a sonhar mais alto. Como não há mal que sempre dure nem bem que nunca termine, vieram os escândalos, como os R$ 61 milhões cobrados e recebidos do "irmãozão" Daniel Vorcaro; o vídeo-bomba com a madrasta e as visitas e mensagens a Trump que o levaram a virar a figurinha "Tariflávio", craque da seleção dos EUA e legenda ouro do álbum da Copa.

Desde então, aquela gente boa crescida no leite de pera intensificou os apelos para que suba a plaquinha com o 22 do senador, substituindo-o pelo 55 de Ronaldo Caiado, o 14 de Renan Santos e, na falta de outras opções, até o 30 de Romeu Zema ou um 22 renovado com Michelle. Apontam que eles teriam mais chances no segundo turno contra o 13 do Lula do que Bobi Filho. Ocorre que Bibo Pai tem no bolso cerca de 20% dos votos, que tomam cloroquina e xingam vacina, ou seja, pulam no abismo se ele mandar. 

Com esse handicap, é difícil qualquer outro nome da direita disputar com o petista. Mesmo se vazar um vídeo de Flávio nu, vestido com capacete de astronauta, espancando gatos com maços de dólares, ainda assim, esse grupo segue com ele. Precisaria de bem mais do que isso, talvez filhotes de gato apanhando com yuans chineses.

Em última instância, o clã voltará ao primeiro objetivo nesse tabuleiro de War Tropical, o de manter a conquista da direita, abandonando a segunda, de destruir os exércitos vermelhos.

O momento deveria ser usado para refletir a respeito do projeto que essa caterva está oferecendo à sociedade, que beneficia principalmente a ela própria, e das consequências de suas próprias ações. Não à toa, esse mesmo pessoal tem calafrios quando se defende o fim da escala 6x1 e o aumento real do salário mínimo. Talvez seja hora de pensar que não é que o Brasil esteja sendo enganado pelas opções que estão aí, mas que, simplesmente, ele as considera menos ruins do que aquela trazida por quem ajudou a colocar o jabuti no alto do ipê.


Um documento de fevereiro menciona entrevistas conduzidas pelo FBI com duas pessoas que afirmaram ter visto uma luz intensa e brilhante no quintal de suas casas. Outra testemunha descreveu o objeto como de um tom de vermelho intenso e incomum, e afirmou nunca ter visto nada semelhante (as identidades dos entrevistados e a localização exata do ocorrido foram ocultadas). 


Segundo o documento, a esfera vermelha tinha cerca de um metro de largura e continha um "sol de plasma branco" do tamanho aproximado de uma bola de basquete. Algumas testemunhas que observaram um segundo orbe afirmaram que ambos pareciam permanecer conectados enquanto se afastavam. Semanas depois, foi relatada a presença de vários corpos esféricos brancos sobrevoando a mesma região, mas a uma altitude muito maior.


Um caso registrado em outubro de 2024 descreve uma fonte luminosa abaixo da linha do horizonte, pairando sobre um lago. De acordo com as testemunhas, o objeto lembrava uma "esfera semelhante a plasma", capaz de alterar sua forma e intensidade luminosa de maneira intermitente. Em determinados momentos, a fonte principal parecia se fragmentar em pontos luminosos menores.


"Esses arquivos, escondidos atrás de classificações, há muito alimentam especulações — e é hora de o povo americano ver isso por si mesmo", declarou o chefe do Pentágono, Pete Hegseth.


Embora muitos dos episódios acabem recebendo explicações convencionais — como balões, drones, fenômenos atmosféricos ou erros de percepção —, uma parcela significativa permanece sem conclusão definitiva. Isso não significa que os objetos tenham origem extraterrestre, apenas que as informações disponíveis não são suficientes para identificar sua natureza.


Para os entusiastas da ufologia, cada novo lote de documentos representa a possibilidade de encontrar evidências de visitas extraterrestres ou tecnologias desconhecidas. Já os céticos veem o material como um lembrete de que testemunhos sinceros nem sempre correspondem à realidade objetiva dos fatos. 


Entre uma interpretação e outra, permanece a constatação de que o céu continua produzindo fenômenos capazes de desafiar explicações imediatas. Mas seja qual for a explicação para os orbes descritos nos documentos, uma coisa é certa: eles continuarão alimentando debates por muito tempo. Afinal, sempre que o governo americano divulga arquivos sobre objetos misteriosos nos céus, metade do público acredita estar diante de evidências de visitantes interestelares, enquanto a outra metade tem certeza de que tudo não passa de balões, drones ou algum fenômeno mal compreendido. 


A divulgação desses documentos ocorre em um momento de crescente interesse oficial pelo tema. Nos últimos anos, audiências no Congresso, a criação de grupos especializados dentro do Pentágono e a publicação de relatórios periódicos contribuíram para retirar os UAPs do campo exclusivo da cultura popular e levá-los para o debate institucional, ainda que cercados de controvérsias e incertezas.


No fim das contas, o único consenso é que os mistérios voam mais rápido que as explicações.

sábado, 4 de abril de 2026

QUANDO A TOGA JÁ NÃO ESCONDE OS GLÚTEOS

TEM SEMPRE UM DIA EM QUE A CASA CAI…

Diálogos entre Daniel Vorcaro e sua ex-noiva obtidos pela PF indicam que o ministro Alexandre de Moraes esteve com o banqueiro em datas próximas às viagens que realizou em jatos executivos dele e de seu cunhado, Fabiano Zettel.


Segundo levantamento feito pela Folha a partir de dados da ANAC e do DECEA da Aeronáutica, o magistrado e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, constam do registro de passageiros de terminais executivos no Aeroporto de Brasília. 


Em 21 de maio, véspera da viagem de Moraes de Brasília a São Paulo em um jato da Prime Aviation — empresa da qual Vorcaro foi sócio e que também é dona de sua mansão em Brasília — o ex-banqueiro disse à ex-noiva que estava com o ministro e o senador Ciro Nogueira. Na noite seguinte, Moraes aparece como passageiro em um hangar de aviação executiva no Aeroporto de Brasília às 19h. Segundo a Folha, 33 minutos depois, um avião da Prime Aviation decolou rumo ao Aeroporto de Catarina, voltado para jatos privados. 


Quatro dias depois, Vorcaro comenta com a ex-noiva que terá um encontro com Moraes e que resolveu organizar um jantar com ele, Viviane e outros dois convidados (o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria e sua mulher, Patrícia Abravanel). Passados três dias, Moraes e senhora voaram de Brasília ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, a bordo de um jato Embraer pertencente à Prime Aviation.


Zettel é tratado pelos investigadores do caso Master como operador financeiro do esquema e controlador do fundo Arleen — que comprou por R$ 35 milhões a fatia do Resort Tayayá que pertencia ao ministro Dias Toffoli. Moraes alegou jamais ter viajado em aeronaves de Vorcaro e Zettel ou na companhia deles. O escritório de Viviane disse contratar “diversos serviços de táxi aéreo”, entre os quais o da Prime Aviation, mas alegou que Vorcaro e o cunhado jamais viajaram com integrantes da banca de advogados, e que todos os valores foram abatidos dos honorários advocatícios nos termos contratuais.


O histórico de conversas entre Vorcaro e a ex-noiva que chegou ao Congresso termina em 13 de agosto de 2025. Até a primeira prisão do banqueiro, em 17 de novembro, não há registro de diálogos para a conferência de outras convergências de datas, mas o levantamento da Folha revelou que casal Moraes viajou em jatos ligados ao grupo Master até um mês antes da segunda prisão de seu CEO — no Aeroporto Internacional de Guarulhos tentando embarcar em um jato rumo a Dubai com escala em Malta, o que foi encarado pelos investigadores como uma tentativa de fuga. 


Moraes procurou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, pelo menos quatro vezes para discutir sobre o Master no período em que a tentativa de compra da instituição pelo BRB enfrentava resistências crescentes dentro da instituição. Àquela altura, já se sabia também que o contrato de Viviane com o banco previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões por três anos, com atuação em frentes no Judiciário, Legislativo e órgãos do Executivo, bem como a atuação do escritório junto ao BC, ao Cade, à PGFN e à Receita Federal. Todos esses órgãos informaram não haver registros da atuação de Viviane em nome do Master.


A discrepância entre o tamanho da remuneração e a falta de rastros administrativos deu novo fôlego às dúvidas sobre a natureza real dos serviços prestados. O BC afirmou que encontros com altas autoridades não são documentados, a despeito de Galípolo ter declarado publicamente que todas as discussões sobre o caso Master foram registradas pelo órgão regulador.


A pressão aumentou ainda mais em março, quando o conteúdo extraído do celular de Vorcaro revelou a troca de mensagens com Moraes em 17 de novembro do ano passado — dia de sua primeira prisão. Nos textos, o banqueiro relata tentativas de salvar o banco junto a investidores árabes e perguntava ao ministro: “Conseguiu bloquear?”.


Ao cruzar os céus em jatos executivos de Vorcaro, Moraes encostou sua reputação na fabulosa história de Ícaro, que voou com asas de penas coladas com cera, subiu alto demais e, maravilhado com a própria ascensão, ignorou o poder do Sol. No caso de Xandão, não há asas de cera, mas a analogia se impõe: nem todo prestígio resiste ao brilho intenso, e quanto mais alto se voa, mais arriscado se torna o deslumbramento. Sobre a alegada compensação dos serviços aéreos com os honorários advocatícios, o "xerife" que ama cobrar explicações e detesta ter que se explicar chamou a notícia de "fantasiosa". 


O ministro demora a notar o derretimento de sua reputação, mas não está sozinho. Toffoli, que ganhou a suprema toga de Lula em 2009, como recompensa pelos "bons serviços prestados ao Sindicato dos Metalúrgicos de SBC e ao PT" — a despeito de seu currículo ser abrilhantado por duas reprovações em concursos para juiz de primeira instância — viajou nas asas da Air Master para ir ao resort Tayayá e em pelo menos mais cinco voos patrocinados por empresários amigos. Procurado, defendeu-se com o silêncio.


Num primeiro momento, Moraes disse jamais ter voado em aeronaves de Vorcaro. Acuado pelos fatos, alegou que o serviço foi abatido dos honorários milionários que o escritório da mulher recebia do Master, mas faltou explicar por que ele fruiu das mordomias proporcionadas pelo contrato promíscuo. As obscenidades dele e do Maquiavel de Marília diferem entre si, mas têm um ponto em comum: a arrogância de quem acha que pode fazer o que bem entende sem dar explicações plausíveis. Vivendo numa realidade paralela, os semideuses togados demoram a notar que as togas já não lhes escondem os glúteos.


O jurista Potter Stewart, que atuou como juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, pronunciou num julgamento uma frase que se tornou célebre: "Não sei definir obscenidade, mas eu a reconheço quando vejo." Mesmo quem não entende de despudor sabe reconhecer a pornografia quando a vê, e magistrado supremo que voa em aeronave de mafioso que tinha um banco é obscenidade que nenhuma toga consegue esconder.

sexta-feira, 27 de março de 2026

MOMENTO BARATA-VOA EM BRASÍLIA — CONTINUAÇÃO

ELEITORES NÃO TÊM MEMÓRIA, TÊM AMNÉSIA.

Como vimos no capítulo de abertura, as baratas são extremamente resistentes, e as que habitam o submundo da República não constituem exceção à regra. Depois do bate-cabeça, elas tendem a se reagrupar — como fizeram quando a "Delação do Fim do Mundo" ameaçou varrer do mapa uma porção significativa do Congresso. E como bem observou Karl Marx, "a história se repete primeiro como tragédia e depois como farsa". 


No final de 2016, Cláudio Melo Filho, também chamado de "o homem da Odebrecht em Brasília", entregou à PGR um calhamaço de 82 páginas relacionando 40 políticos a R$ 68 milhões pagos pelo setor de "operações estruturadas" da empreiteira — também chamado de "departamento de propinas" —, que controlava a circulação do dinheiro destinado a financiar a compra de leis, medidas provisórias e decisões de interesse do Grupo. 


O delator baiano era apenas um dos 77 informantes da Delação do Fim do Mundo. Os cinco delatores mais importantes eram Emílio e Marcelo Odebrecht, Alexandrino Alencar, Pedro Novis e Benedicto Júnior, que repassaram propinas aos presidentes Lula Dilma e aos tesoureiros clandestinos do esquema, Antonio Palocci e Guido Mantega.  


A aproximação da Odebrecht com o PT se deu por obra do patriarca Emílio, que se tornou amigo de Lula quando este ainda era aspirante ao Planalto. Com a chegada da petralhada ao poder, a construtora foi irrigada com bilhões de reais do BNDES e se tornou sócia da Petrobras na petroquímica Braskem. A Lava-Jato descobriu mais adiante que esse modelo de corrupção se reproduziu praticamente em todas as estatais, e que só a Odebrecht distribuiu algo em torno de R$7 bilhões em propinas (valor equivalente a 1% de seu faturamento em uma década.


Com Marcelo Odebrecht no comando, o faturamento do grupo passou de R$ 30 bilhões para R$ 125 bilhões. A companhia chegou até a criar um banco num paraíso fiscal caribenho para administrar o pagamento de propinas no Brasil e no exterior. Movimentado através de contas secretas, o dinheiro ajudou a eleger presidentes da República, deputados, senadores, governadores e prefeitos, que eram convertidos em servidores da Odebrecht e recompensados com novas obras, que resultavam em novas propinas que elegiam e reelegiam políticos. Esse círculo vicioso só foi interrompido com a prisão de Marcelo, o "príncipe das empreiteiras".


A Operação Lava-Jato — que ironicamente foi criada durante o governo Lula e desmantelada no de Bolsonaro — ganhou esse nome em 2008. Mas a notoriedade veio somente em 2014, quando um grampo telefônico levou ao doleiro Alberto Youssef e ao dono do Posto da Torre, que vendia 50 mil litros de combustível por dia e contava com 85 funcionários distribuídos por lojas de conveniência e alimentação, borracharia, oficina mecânica, lavanderia e, claro, a famosa casa de câmbio ValorTur, pivô da investigação que, mais adiante, exporia as entranhas pútridas do Petrolão.


Ao longo de 79 fases, a Lava-Jato contabilizou 1.450 mandados de busca e apreensão, 211 conduções coercitivas, 132 mandados de prisão preventiva e 163 de temporária. Foram propostas 38 ações civis públicas e 735 pedidos de cooperação internacional, colhidos materiais e provas que embasaram 130 denúncias contra 533 acusados e geraram 278 condenações (sendo 174 nomes únicos), num total de 2.611 anos de pena, e mais de R$ 4,3 bilhões foram recuperados por meio de 209 acordos de colaboração e 17 de leniência.


Os ataques desfechados contra a força-tarefa pelos políticos investigados bombaram na mídia. Só para ficar num exemplo notório, o então senador Romero Jucá disse a Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que era preciso uma mudança no governo federal e um "acordão com o Supremo, com tudo, para "estancar a sangria." 


Uma das condenações mais emblemáticas foi a de Lula, que mesmo sendo réu em dezenas de processos e tendo sido condenado nos casos do tríplex do Guarujá e do sítio de Atibaia a penas que somavam mais de 20 anos de tranca, dizia que "não existia no Brasil uma alma viva mais honesta do que ele”.


Tudo ia bem até que os procuradores cometeram o "pecado" de mirar dois ministros do STF e o filho rachadista do presidente da República. A partir de então, o ministro Gilmar Mendes — a verdadeira herança maldita de FHC — passou de defensor a crítico ferrenho da operação e articulador do fim da prisão em segunda instância


A pá de cal foi gentilmente fornecida pelo site esquerdista The Intercept Brasil, mediante o vazamento seletivo de mensagens roubadas dos celulares de Sergio Moro, Deltan Dallagnol e outros procuradores por uma quadrilha de hackers caipiras. Não obstante, mesmo que sugerisse uma colaboração explícita entre quem acusava e quem deveria julgar com imparcialidade, o material espúrio não foi periciado pela PF, até porque "provas" obtidas criminosamente carecem de valor legal. 


Apesar de a Lava-Jato ter exposto as entranhas pútridas dos governos petistas e mandado para a prisão bandidos travestidos de executivos das maiores empreiteiras do país e políticos ímprobos do mais alto escalão do governo federal, Sérgio Moro passou de herói nacional a "juiz parcial", e Lula, de presidiário a inquilino do Planalto (pela terceira vez). Durante os 580 dias de férias compulsórias na carceragem da PF em Curitiba, sempre que alguém lhe perguntava se estava bem, o pontifex maximus da seita petista respondia: "só vou ficar bem quando foder o Moro".


Mas não há nada como o tempo para passar. Horas depois que o Supremo proibiu a prisão em segunda instância (por 6 a 5, com o voto de Minerva proferido pelo inigualável Maquiavel de Marília), Lula deixou a cela VIP em Curitiba. Mais adiante, ele teve as condenações anuladas e os direitos políticos restabelecidos, mas jamais foi absolvido: suas condenações foram anuladas quando o ministro Fachin acolheu um recurso que questionava a competência territorial da 13ª Vara Federal de Curitiba para processar e julgar o ex-presidente — argumento que o próprio Fachin já havia rejeitado pelo menos dez vezes. Mal comparando, seria como um delegado soltar um criminoso preso em flagrante pela Guarda Civil Metropolitana a pretexto de que prisão deveria ter sido feita pela Polícia Militar.


Sérgio Moro colecionou muitos inimigos, mas ninguém investiu tanto contra sua reputação quanto ele próprio, sobretudo ao ajudar a incinerar as sentenças que lhe deram fama e a transformar as multas de corruptores confessos em cinzas no forno de pizza do STF. Mas isso é assunto para o próximo capítulo.


Continua…

terça-feira, 12 de agosto de 2025

DO ESCAMBO AO DINHEIRO DE PLÁSTICO

DE NADA ADIANTA ECONOMIZAR NO QUE BARATO E ESBANJAR NO QUE É CARO.
 

As primeiras transações comerciais foram baseadas inicialmente no "escambo"— sistema em que bens e serviços eram trocados diretamente, sem uma moeda intermediária. Por volta de 3.000 a.C., conchas e metais preciosos passaram a ser usados como moeda de troca. 


As primeiras moedas sugiram por volta de 600 a.C. na Turquia. Mais ou menos na mesma época, os chineses criaram as cédulas de papel. O cheque se popularizou no século XX, mas perderam espaço para os cartões de crédito e de débito. A ideia do cartão de crédito surgiu nos anos 1920, mas a primeira versão aceita pelo comércio em geral foi criada trinta anos depois: ao perceber que havia esquecido a carteira quando saiu para jantar com amigos em Nova York, Frank McNamara apresentou seu cartão de visita, assinou a nota e prometeu pagar despesa no dia seguinte. E assim nasceu o Diners Club Card


A partir da década de 1980, os cartões de débito começaram a se popularizar, ganhando força com a evolução da tecnologia e a criação de redes de aceitação de pagamentos. O DOC e o TED foram criados em 1985 e 2002, respectivamente, e se tornaram padrão para transferências eletrônicas no Brasil, mas foram superados pelo Pix, lançado em 2020, que trouxe mais agilidade e praticidade.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Como dizia o poeta, "não há nada como o tempo para passar". Em 2017, quando surfava como pré-candidato na onda antipetista e anticorrupção que o levaria ao Planalto no ano seguinte — Bolsonaro defendia a prisão em segunda instância e dizia que o fim do foro privilegiado seria "um engodo", uma maneira de retardar por décadas o trânsito em julgado e a subsequente prisão do condenado.

Hoje, a banda podre do Congresso rala para incluir rapidamente na pauta da Câmara uma proposta que transfere o foro dos poderosos do topo para o térreo do Judiciário — beneficiando Bolsonaro e todos os congressistas enrolados no escândalo das emendas.

A chance de a manobra beneficiar o "mito" — cujo julgamento está marcado para o mês que vem — é diminuta, mas a simples movimentação potencializa a impressão de que, em política, a coerência varia ao sabor da direção do vento: quem ontem achava que os transgressores não deveriam ser perdoados antes do enforcamento ora avalia que o melhor é providenciar uma anistia antes da condenação — ou adiar o patíbulo de todas as transgressões até a prescrição da corda.


Sou da época em que as contas eram pagas com dinheiro ou cheque — de acordo com o valor, pois mesmo naqueles tempos não era seguro andar com grandes quantias em espécie. Em armazéns, botecos e afins, o fiado reinava como modalidade informal de crédito — os gastos eram anotados pelos comerciantes nas famosas "cadernetas", inflacionados pelos inevitáveis "erros de soma" e pagos mensalmente pelos fregueses.


O Banco Itaú instalou o primeiro caixa automático no Brasil em 1983. As operações eram feitas mediante a inserção de um cartão plástico na máquina, onde uma leitora interpretava as informações armazenadas numa tarja magnética composta por 3 linhas formadas por minúsculas barras magnetizadas, codificadas em binário. Essa tecnologia também foi usada nos cartões de crédito, substituindo a antiga impressão mecânica dos dados em formulários carbonados.

 

As tarjas magnéticas foram desenvolvidas com base no sistema usado para gravar áudio em fitas cassete, mas acabaram dando lugar ao microchip — que cria códigos únicos para legitimar cada transação, proporcionando maior segurança nas operações eletrônicas. A tecnologia surgiu nos anos 1960, mas demorou décadas para ser amplamente adotada porque os chips não eram padronizados e os terminais não identificavam todos os modelos. 

 

Pagar com "dinheiro de plástico" é fácil — basta inserir o cartão na maquininha e digitar a senha — e razoavelmente seguro, seja no boteco da esquina, no supermercado, ou mesmo em compras no exterior. Nas transações online, no entanto, o CVV (código de 3 algarismos que vem impresso no verso do cartão) substitui a senha usada nas compras presenciais. Isso significa que qualquer pessoa que obtiver acesso aos dados do dono do cartão (nome, número, validade e CVV) poderá fazer compras em seu nome em lojas virtuais.

 

Observação: Mesmo que as informações do cartão sejam salvas nos servidores da loja, será preciso informar o CVV para validar as próximas compras.

 

Continua..