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domingo, 2 de agosto de 2026

PÃO AMANHECIDO FRESQUINHO OUTRA VEZ E VIVA O POVO BRASILEIRO!

SEGREDO ENTRE TRÊS, SÓ MATANDO DOIS.


Muita gente não abre mão do pão com manteiga no café da manhã, mas não tem tempo ou vontade de ir à padaria logo cedo.


Se você se encaixa nesse perfil e está farto de comer pão amanhecido ou aquecido na chama do fogão, seus problemas terminaram: a dica de hoje deixará seus pão com sabor e textura iguais às que ele tinha quando você o comprou. Para isso:


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


NÃO EXISTE POLÍTICO SANTO; PORTANTO, NÃO OS IDOLATRE!  


De acordo com os institutos de pesquisa de intenção de voto, o Brasil segue refém do eixo Lula/clã Bolsonaro. A tão sonhada terceira via, ora representada pelos "três erres" — Ronaldo Caiado, Romeu Zema e Renan Santos —, terá a mesma sorte que tiveram Geraldo Alckmin, Ciro Gomes, Guilherme Boulos e aberrações como Marina Silva, Vera Lúcia e José Maria Eymael em 2018, e Simone Tebet, Felipe D'Ávila, Soraya Thronicke, Ciro Gomes e aventureiros como Pablo Marçal, Roberto Jefferson, Sofia Manzano, Vera Lúcia, entre outros que morreram na praia em 2022. 

Supondo que não se trate de Síndrome de Estocolmo — resposta psicológica em que a vítima de um crime, abuso ou cárcere privado desenvolve um vínculo afetivo, simpatia ou lealdade por seu agressor —, a pergunta que se coloca é: como escapar desse círculo vicioso? Como pôr fim à polarização fomentada pelo fanatismo político se dois terços do eleitorado cultuam bandidos de estimação, obrigando os demais a votar em quem não querem para evitar a vitória de quem querem menos ainda?

É público e notório que uma parcela significativa dos brasileiros é formada por analfabetos funcionais e outros "luminares" que repetem, a cada eleição, por ignorância, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade. No entanto, se a perspectiva de o macróbio eneadáctilo conquistar o quarto mandato é assustadora, a da volta do clã Bolsonaro, ora representado pelo primogênito do capetão golpista, é aterradora.

Pela lógica, diante de um cardápio que se resume a suco de merda e sanduíche de bosta, quem tem um mínimo de bom senso muda de boteco. Mas não a récua de muares tupiniquins travestidos de eleitores parecem acreditar que insistir no erro acabará produzindo um acerto, da mesma forma que infinitos macacos digitando aleatoriamente por um tempo igualmente infinito acabarão reproduzindo as obras completas de Shakespeare. E isso não é de hoje.

Em 1989, na primeira eleição presidencial direta após 29 anos de jejum de urna, havia 22 postulantes ao Planalto, entre os quais Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola. Mas nossos esclarecidíssimos compatriotas preferiram escalar para o segundo turno um caçador de marajás de mentirinha e um desempregado que deu certo. É fato que essa desgraça se deve em parte à proliferação dos partidos políticos (atualmente 30, de acordo com o TSE), que se reproduziram feito coelhos no cio após a Lei Federal nº 6.767, de 20 de dezembro de 1979, extinguir o bipartidarismo da Arena e do MDB e restabelecer o pluripartidarismo no Brasil. 

Acabou que a profusão de partidos pouco identificáveis pelo eleitorado serviu apenas para dar vida mansa a um sem-número de vagabundos que se elegem para roubar e roubam para se reeleger. E como a demora em substituir setores sociais remanescentes do passado cria um vácuo onde novas lideranças não surgem e velhos políticos profissionais ditam as regras, as consequências foram deletérias. Considerando que o otimista é um tolo e o pessimista, um chato, o melhor é ser realista esperançoso, e, como tal, torcer para a eleição que se avizinha encerre esse processo em 2030, a partir de quando provavelmente viveremos o pós-Lula, e talvez outras figuras possam se colocar para a próxima eleição. Neste momento, porém, as duas grandes forças são o antipetismo e o antibolsonarismo. Qual das duas é a mais forte varia de acordo com o escândalo da vez, e escândalos envolvendo essa caterva não faltam. 

Depois de disputar e perder a Presidência para Collor em 1989 e para FHC em 1994 e 1998, Lula se elegeu em 2002 e conseguiu se reeleger em 2006, a despeito do Mensalão. Em 2010, visando manter a poltrona presidencial aquecida até poder voltar a ocupá-la, fez eleger uma ilustre desconhecida que pegou o gostinho pelo poder e quis porque quis disputar a reeleição em 2014. Para derrotar Aécio Neves, a nefelibata da mandioca quebrou o país. Por ser prepotente, arrogante e intransigente, foi afastada do cargo em maio e penabundada em agosto de 2016. E o resto é história recente.

A presidência da República é o cargo mais importante do sistema político brasileiro, e como bem disse o tio de Peter Parker (alter-ego do Homem-Aranha), grandes poderes implicam grandes responsabilidades. A polarização entre o lulopetismo e o bolsonarismo precisa ser quebrada, mas todas as tentativas feitas até agora foram inexitosas. A diferença entre um estadista e um populista é que o primeiro governa para as futuras gerações e o outro visa às futuras eleições. 

Até onde minha memória alcança, esta banânia jamais foi presidida por um verdadeiro estadista. O que chegou mais perto disso foi FHC, que também foi o único a se eleger no primeiro turno. Mas ele foi picado pela mosca azul e moveu mundos e fundo$ para "comprar" a PEC da reeleição, e como quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, disputou o segundo mandato em 1998 e venceu novamente no primeiro turno.

Cerca de dois terços do eleitorado se dividem entre os que não tem certeza do que seu candidato pensa a respeito da maioria das questões de interesse nacional, mas "Deus me livre ser bolsonarista" ou "Deus me livre ser lulista ou petista", conforme o caso. Lula está com a data de validade vencida e desgoverna o Brasil como os olhos no retrovisor, mas quer porque quer o quarto mandato, mesmo sabendo que, para salvar o país da falência, ele — ou quem assumir a Presidência em 1º de janeiro de 2027 — terá de desarmar a bomba que armou torrando bilhões em programas sociais para dar a falsa ideia de que o Brasil está melhorando. Aliás, o roteiro dessa ópera bufa é muito parecido com a de que levou ao impeachment da nefelibata da mandioca em 2016.

De acordo com o Ipea, até 2028 a dívida bruta pode alcançar 90% e até 2030, 94,1% do PIB. Para piorar, o tarifaço dos Estados Unidos vai afetar as exportações brasileiras, o crescimento econômico e a geração de emprego, o que atinge o orçamento das famílias, principalmente as mais pobres. Para não mexer nos benefícios, seria necessário promover um imediato enxugamento da máquina pública ou melhorar a arrecadação do governo sem aumentar impostos — mediante a venda ou concessão de ativos da União, com os recursos direcionados à redução do endividamento. 

Observação: Seja qual for o caminho escolhido pelo próximo presidente, o essencial é reconstruir a previsibilidade. O país precisa mostrar que consegue controlar a dívida sem paralisar a economia e promover crescimento sem reacender a inflação. Caso contrário, continuaremos presos a uma combinação conhecida: juros altos, câmbio vulnerável e crescimento abaixo do potencial.

Para quem conheceu o legislativo antes de 2020, o formato em que as coisas funcionavam no tempo das sessões presenciais e do debate efetivo sabe o quanto elas mudaram de lá para cá. Tirando os três anos de pandemia, metade das sessões na Câmara Federal não tiveram a presencialidade desejada já que é muito mais fácil para suas excelências fazer tudo pelo celular. Então, o que se vê é um debate esvaziado, tanto no plenário quanto nas comissões. E a coisa só anda com a celeridade desejável quando envolve o orçamento secreto, as emendas PIX e o reajuste dos salários dos senhores parlamentares. Uma vergonha! 

O debate político é todo voltado para o curral, sobretudo com o advento das emendas — que jogam deputados e senadores para seus municípios, onde eles granjeiam votos e se transformam em vereadores federais. Para piorar, esse presidencialismo de coalizão (ou cooptação) enfraquece o Executivo e fortalece o Legislativo, que abocanha uma parcela substancial do orçamento e a utiliza de acordo com seus interesses locais (leia-se eleitoreiros).

Na política não há inocentes, só culpados. E isso inclui o eleitorado, já que maus políticos não brotam em seus gabinetes por geração espontânea. Vale relembrar a velha anedota segundo a qual Deus foi acusado de protecionismo durante a criação do Mundo, por favorecer a porção de terra que futuramente tocaria ao Brasil, e assim se pronunciou: "esperem para ver o povinho de merda que eu vou botar lá." Dito e feito.

Sir Winston Churchill dizia que a "democracia é a pior forma de governo à exceção de todas as outras", e que "o melhor argumento contra a democracia é cinco minutos de conversa com um eleitor mediano". Já o general Figueiredo (que era um sábio e não sabia) dizia que "um povo que não sabe sequer escovar os dentes não está preparado para votar".

A nefasta dicotomia político-ideológica semeada por Lula et caterva, regada pelos tucanos e adubada pelo capetão e seus soldadinhos de chumbo se alastrou pelo país afora, alcançando, inclusive, as cúpulas dos Poderes. Foi por isso que a parcela pensante do eleitorado apoiou o bolsonarismo boçal em 2018, já que a alternativa era a volta do lulopetismo corrupto. Deu no que deu, e quatro anos sob os desmandos de um anormal não bastaram para mudar o comportamento do eleitorado. Assim, teremos novamente eleições plebiscitárias e seremos obrigados mais uma vez a apoiar quem não queremos para evitar a vitória de quem queremos menos ainda. 

O jeito é torcer para que o imprevisto tenha voto decisivo na assembleia dos acontecimentos, e um dos dois “salvadores da pátria” saia de cena. Mas isso é apenas um exercício de futurologia baseado não em fatos, mas na esperança que acalentamos de um futuro melhor, a despeito de faltar ao Congresso probidade e vergonha na cara. Mas o que esperar de uma instituição composta em grande parte por investigados, denunciados e réus — e os que não se enquadram numa dessas categorias certamente viriam a se enquadrar se a alta cúpula do Judiciário não estivesse tomada por defensores atávicos da impunidade? Quando se dá a chave do galinheiro a uma raposa, e ela encarrega outras raposas de investigar o sumiço das galinhas… enfim, para bom entendedor meia palavra basta.

Nossas leis são criadas por políticos que se elegem para roubar, roubam para se reeleger e se escudam no nefasto foro especial por prerrogativa de função. Esqueça a história de que “todos são iguais perante a lei”. Sempre houve, há e continuará havendo “os mais iguais que os outros”. Presidente e vice, ministros de Estado, senadores e deputados federais só podem ser processados e julgados no STF, e as togas são rápidas como guepardos quando se trata de acolher pedidos de habeas corpus de seus bandidos de estimação, aumentar os próprios salários e conceder a si próprios toda sorte de mordomias, mas lerdos como cágados pernetas na hora de julgar ex-presidentes corruptos e sanguessugas aboletados no parlamento.

Fala-se muito da politização do Supremo, mas os ministros só agem quando são provocados. E são os próprios congressistas, descontentes com essa ou aquela situação, que pedem a interferência da Corte em assuntos que caberiam ao parlamento decidir. Foi assim com a instalação da CPI do Genocídio, que só seguiu adiante depois que uma liminar do hoje ex-minitro Barroso pôs fim à fleuma (também chamada de “mineirice”) do então presidente do Senado. E esse é só um exemplo.

Não quero dizer com isso o STF não erra. Erra, e muito, até porque suas excelências são seres humanos, embora alguns se julguem semideuses. Em dezembro de 1914, em aparte à um discurso do senador Pinheiro Machado, Ruy Barbosa disse que o Supremo pode se dar ao luxo de errar por último. Décadas depois, Nelson Hungria, príncipe dos criminalistas brasileiros, fez eco ao “Águia de Haia” dizendo que o STF tem “o supremo privilégio de errar por último”.

Não há democracia que funcione sem “toma-lá-dá-cá” se mais de 30 partidos disputam fatias de poder e verbas do Erário. E o apetite dessa escumalha é pantagruélico — haja vista o valor absurdo que foi estabelecido para o “fundão” eleitoral — dinheiro que é roubado de nós para ajudar a eleger quem vai nos roubar na próxima legislatura. E fodam-se os não sei quantos milhões de desempregados que não têm dinheiro sequer para uma refeição decente por dia. 

Gastar bilhões para eleger uma súcia de imprestáveis quando falta dinheiro para investir em segurança, saúde e educação é um escárnio. Mas a divisão do butim é feita levando em conta os votos para Câmara e Senado recebidos pelos partidos na eleição anterior. “É muita demagogia qualquer um chegar aqui e dizer que nós não vamos ter um fundo eleitoral público para financiamento das campanhas”, disse Arthur Lira quando era presidente da Câmara. E concluiu: "a única maneira que temos para evitar que tráfico, milícias e contraventores financiem e façam a má-gestão da política é com um financiamento público, claro e transparente.”

Então tá. 


Voltando à vaca fria:


1 — Abra a torneira e deixe cair água fria sobre o pão até a massa ficar empapada — caso seu pão seja uma baguete ou bengala, evite que o lado cortado fique muito molhado. 


2 — Acenda o forno, regule-o para 160 graus e coloque o pão encharcado para assar de 6 a 12 minutos, dependendo de quão molhado ele estiver. A água se tornará vapor quando o pão for aquecido, fazendo com que a casca fique crocante e o miolo, macio. 


Bom proveito.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

CADA VEZ MELHOR...


Três ministros do STF elogiaram as indicações feitas por Lula, mas deputados e senadores da oposição não pouparam críticas. Caso o nome de Dino venha a ser confirmado, sete dos 11 ministros serão indicações de petistas. Vale lembrar que, durante a campanha, Lula disse que “mexer na Suprema Corte para colocar amigo é um retrocesso. Quanto à indicação de Gonet à PGR, além de atender aos interesses do morubixaba, ela agrada também ao STF e parte do MPF. Tanto Gonet quanto Dino precisam ter seus nomes aprovados pelo Senado. O Planalto esbanja otimismo, mas no caso de Dino a rejeição tende a ser maior.

Churchill disse que não há melhor argumento contra a democracia do que cinco minutos de conversa com um eleitor mediano; Figueiredo, que um povo que não sabe escovar os dentes não está preparado para votar; Saramago, que a cegueira é uma questão particular entre as pessoas e os olhos com que nasceram; Ferreira Gullar elogiou a ascensão de um operário à presidência, mas lembrou que Fernandinho Beira-Mar também veio do "seio do povo"; e Karl Marx ensinou que "a história sempre se repete como tragédia ou farsa". No Brasil dos nossos dias, porém, está cada vez mais difícil saber o que é tragédia e o que é farsa. 

Lula é tido e havido como um "animal político", mas Arnaldo Jabor o definiu como um "fenômeno religioso", "de fé" — como as igrejas que caem e matam fiéis, e os que sobram continuam acreditando. Com um povo analfabeto e manipulável e emparedando instituições democráticas e poderes moderadores, o petista criou uma igreja para seu partido dirigir. E eleger o "anticristo", em 2018, só piorou o que já era bastante ruim.

O ato em memória de Cleriston Pereira da Cunha — convocado para o último domingo por Silas Malafaia e apoiado por Jair Bolsonaro e seus miquinhos amestrados  foi o cinismo levado às fronteiras do paroxismo. Os hipócritas agem como se não tivessem nada a ver com o peixe, mas o espelho revela o olhar cínico e deslavado da culpa. 


Os principais jornais falaram "alguns milhares" de manifestantes, mas a adesão ficou ficou muito aquém da esperada — o que não desanimou o ex-ministro bolsonarista Ricardo Salles e sua trupe de contestar (mais uma vez) o resultado das urnas e incitar o confronto com o Supremo, como se o capítulo eleitoral de 2022 não tivesse terminado. 


Em decisão proferida na véspera do dia nacional, o ministro Dias Toffoli (indicado por Lula para o STF em retribuição aos bons serviços prestados ao PT) declarou imprestáveis as provas oriundas dos acordos de leniência da Odebrecht e, de quebra, perorou que a prisão de seu benfeitor foi "o verdadeiro ovo da serpente dos ataques à democracia, um dos maiores erros judiciários da história do país".  A decisão foi criticada por diversas associações de advogados e dos Juízes Federais. No dia seguinte, o Instituto Não Aceito Corrupção afirmou que a linguagem foi "exageradamente politizada" e fugiu à "técnica imparcial" que deveria ser aplicada numa decisão do STF.

Observação: Tanto o Executivo quanto o Legislativo e o Judiciário merecem todo o respeito como instituições. mas o mesmo não se aplica aos presidentes dos Poderes, parlamentares e magistrados. Respeito não se impõe, conquista-se, e agentes públicos que não se dão ao respeito não podem exigi-lo daqueles a quem eles deveriam servir.

Em meio às rusgas entre o STF e o Congressoos senadores aprovaram a toque de caixa uma PEC de conteúdo anódino. Eliminados os excessos e os retrocessos, a sobra mais relevante foi o bloqueio liminares monocráticas contra decisões do presidente da República e leis do Congresso. É improvável que a proposta seja chancelada pela Câmara  a reação dos ministros deve estimular Arthur Lira, que é cliente de caderneta das liminares protetivas do STF, a enfiá-la no gavetão dos assuntos pendentes (que ele costuma abrir conforme sua conveniência).

Os togados exageraram em sua reação à PEC. Sob refletores, o mais enfático foi Gilmar Mendes, que chamou a proposta de "cadáver outrora enterrado", criticou "investidas desmedidas e inconstitucionais" do Legislativo" e disse que a Corte não é composta por covardes e que "os autores dessa empreitada" são "inequívocos pigmeus morais". Horas depois, acompanhado dos colegas Moraes e Zanin, o semideus das togas foi ao Alvorada a convite de Lula, que convocou um regabofe para jogar água na fervura.

 

O general-senador Hamilton Mourão postou nas redes sociais que "alguns ministros se dizem traídos pelo governo", ensejando a suposição de que "houve um acordo", e sugere que o propósito era a eleição do petista-mor. Assiste razão ao ex-vice-presidente. O devido processo legal não deveria frequentar palácios nem magistrados jantar ou negociar com partes processuais. 


Do alto de seu Olimpo particular, os supremos togados demoram a perceber que guardar ressentimentos é como tomar veneno na suposição de que os adversários serão intoxicados. Reza a Constituição que os Poderes da República devem ser harmônicos e independentes entre si. A harmonia foi para o beleléu há tempos. Consolida-se agora a subversão da independência. 


Triste Brasil.

terça-feira, 7 de novembro de 2023

DE VOLTA ÀS INDICAÇÕES AO STF

 

A fé move montanhas, mas, por via das dúvidas, o chanceler Mauro Vieira continua empurrando, enquanto os 34 nomes que o Itamaraty enviou às autoridades de Israel e do Egito rezam para que mísseis não lhes caiam sobre a cabeça. Já não há força no universo capaz de deter no primeiro escalão do governo Lula a maledicência segundo a qual o "fator revide" retarda a repatriação. Cada minuto a mais é uma eternidade a menos na taxa de sanidade mental dos que esperam. Diz-se nos bastidores que o pavio de Lula ficou mais curto. Nada melhor do que a impotência para esticar o pavio. Resta a quem não dispõe da força lembrar que a diplomacia traz a maciez injetada no nome.

***

Ao chancelar a indicação do advogado de estimação de D. Lula III para o STF, que viola claramente o princípio da impessoalidade, o Senado ratificou sua vocação para repartição cumpridora das ordens do Planalto. Mas estamos no Brasil, onde não há inocentes na política. E isso tabmém se aplica a quem vota em candidatos como ErundinaAgnaldo Timóteo, Romário, Tiririca (sem mencionar o rinoceronte Cacareco e o Macaco Tião), lembrando que maus políticos não "brotam" nos gabinetes por geração espontânea. 

Observação: Acusado de protecionismo durante a criação do Mundo por favorecer a porção de terra que futuramente tocaria ao Brasil, disse o Senhor das Esferas: "Esperem para ver o povinho de merda que eu vou botar lá." Dito e feito.

Churchill ensinou que a "democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as outras
— mas disse também que "o melhor argumento contra a democracia é cinco minutos de conversa com um eleitor mediano. Já o general Figueiredo lecionou que "um povo que não sabe sequer escovar os dentes não está preparado para votar".

De acordo com o art. 101 da Constituição Cidadã, os aspirantes à suprema toga são escolhidos pelo presidente da República e empossados depois que a CCJ do Senado e o plenário aprovam a indicação. A sabatina é meramente protocolar: desde a proclamação da República, apenas cinco candidatos foram reprovados (todos no final do século 19). 
 
No período pós-ditadura, Sarney indicou Celso de Mello, e Collor, o primo Marco Aurélio. Suas vagas foram preenchidas respectivamente por Nunes Marques e André Mendonça. Fernando Henrique indicou Gilmar Mendes, e TemerAlexandre de Moraes. As demais togas foram distribuídas por Lula e por Dilma ao longo dos 13 anos, 4 meses e 14 dias de jugo lulopetista.
  
Há no Supremo diversas esquisitices 
 como ministro reprovado em concurso para juiz ou que mantém negócio privado. Com a chegada de Nunes Marques, a supremacia da corte foi tisnada pelo currículo-tubaína do substituto do libertador de traficantes. Com essa indicação, Bolsonaro enfiou "10% de si mesmo na corte", e com a do pastor André Mendonça, cumpriu a promessa de nomear um ministro terrivelmente evangélico. 
 
Observação: A aprovação do dublê de ministro da Justiça e pastor presbiteriano foi comemorada com pulinhos, gritinhos de “Aleluia”, “Glória a Deus” e frases ininteligíveis por Micheque (ou Mijoias), que, a exemplo do marido, jamais ouviu falar em "liturgia do cargo". Jobim (o ex-ministro, não o maestro) disse certa vez que o Brasil não é para amadores. Mas o país está ficando esquisito até para os profissionais.
 
Qual a imparcialidade que se pode esperar de Zanin, que até outro dia recebia e cumpria ordens do atual presidente? Não dá. Na sabatina, os nobres senadores não examinaram nada; fizeram de conta que perguntavam e o candidato fez de conta que respondia. E teria sido aprovado mesmo que falasse em aramaico para a banca examinadora, uma vez que essa era a vontade de Lula.
 
Entre as muitas coisas inúteis da vida brasileira, poucas competem com essas sabatinas. Por que montar esse circo mambembe, com a simulação de que estão sendo tomadas decisões importantes para o país, se essas decisões não têm importância nenhuma? Zanin estava aprovado antes mesmo de seu nome ser oficialmente apresentado. Nunca foi um candidato; sempre foi um novo ministro. Quem decidiu tudo foi Lula, não o Senado. Ninguém procurou seque manter as aparências.

Qual é o "notável saber jurídico" do ex-advogado de Lula? Não se sabe. Não há registro de que exista, não no mundo das realidades. Ele não fez pós-graduação em Direito, não escreveu nenhum livro ou artigo que chamasse a atenção por sua qualidade como exposição de conhecimentos jurídicos, não comandou seminários nem tampouco deu cursos dos quais alguém se lembre. Sua única qualificação é ter sido nomeado por Lula — que é a única que realmente vale no Brasil de hoje.
 
A nomeação do nobre causídico reacendeu o debate acerca da escolha das togas. Nos últimos dez anos, foram apresentadas 23 PECs propondo mudanças na formatação da corte, no processo de indicação e na fixação de tempo de mandato das ministros. Dessas, cinco foram protocoladas no Senado, mas somente a PEC 16/2019 continua tramitando (as demais foram arquivadas no final da legislatura). Na Câmara, 14 das 18 PECs seguem em tramitação, mas, como algumas foram apensadas a outras, esse número gira em torno de seis.

Com J.R. Guzzo

domingo, 3 de abril de 2022

LULA LÁ DE NOVO OUTRA VEZ


O tempo em que Lula era o presidiário mais famoso do Brasil e Sergio Moro um herói nacional perdeu-se nas brumas da corrupção que assola o país desde a célebre carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal. A Lava-Jato, que era tida e havida como a mais bem sucedida operação saneadora da história, foi desmantelada pelo dublê de mau militar e parlamentar medíocre que elegemos por falta de opção à volta do lulopetismo corrupto. E a menos que o imprevisto tenha voto decisivo na assembleia dos acontecimentos, a próxima eleição presidencial (que está cada vez mais próxima) será uma reprise da anterior, mas com os protagonistas em posições invertidas. 

A jugar pelas pesquisas, o lulopetismo corrupto deve derrotar o bolsonarismo boçal. Mas enquetes eleitoreiras não são 100% confiáveis. Até porque a maioria é encomendada a empresas que cobram caro para apresentar o resultado desejado pelos marqueteiros dos candidatos. Demais disso, se a eleição fosse um filme, o resultado das pesquisas seria apenas um frame que registrava o humor dos eleitores naquele exato momento.

Em 1980, quando Lula et caterva fundaram o PT, disseram tratar-se de um “partido diferente”, que não roubaria nem deixaria roubar. Anos depois, o Mensalão e o Petrolão demonstraram que não há santos na política, apenas corruptos em maior ou menor grau. 

Lula disputou (e perdeu) o governo de São Paulo em 1982, elegeu-se deputado federal em 1986 (e instruiu seu espúrio partido a não assinar a Constituição de 1988, de cuja elaboração ele participou). Disputou e perdeu as três eleições presidenciais seguintes — para Collor em 1989 e para FHC em 1994 em 1988 —, até que derrotou José Serra e 2002 e, a despeito do Mensalão, venceu Geraldo Alckmin em 2006. Em 2010, com a popularidade nos píncaros, empalou o Brasil com o “poste” que viria a derrotar Aécio Neves dali a quatro anos, no maior estelionato eleitoral pré-Bolsonaro

O impeachment da Dilma promoveu Michel Temer a titular, mas sua ponte para o futuro foi para a ponte que partiu depois que Lauro Jardim revelou sua conversa de alcova mui suspeita com certo moedor de carne bilionário. No Brasil, a corrupção desafia até a lei da gravidade, e o vampiro do Jaburu se equilibrou no Planalto — graças aos favores das marafonas da Câmara, que custaram bilhões de reais em verbas e emendas parlamentares  e terminou o mandato-tampão como um patético “pato-manco” (ermo cunhado pelos norte-americanos para designar políticos que terminam seus mandatos tão desgastados que até os garçons demonstram seu desprezo servindo-lhes café frio).

Lula se tronou réu em 20 ações criminais e foi condenado em duas por uma dezena de juízes de três instâncias do Judiciário — a mais de 25 anos de reclusão, mas deixou a cela VIP na PF de Curitiba depois de míseros 580 dias e foi reconduzido ao cenário político por um consórcio de magistrados que vestiram a suprema toga por cima da farda de militante. Agora, segundo as tais pesquisas, conta com a preferência de 171% dos eleitores. 

Nunca é demais lembrar que, em 2018, essas mesmas empresas de pesquisa deram como certa a derrota de Bolsonaro (em qualquer cenário, não importando quem fosse seu adversário no segundo turno) e a eleição de Dilma para o Senado. Acabou que o capitão derrotou o preposto do presidiário por uma diferença de quase 11 milhões de votos e a eterna nefelibata da mandioca amargou um humilhante quinto lugar.

Uma coisa é torcer pelo que se quer que aconteça e outra, bem diferente, é fazer previsões com base nos fatos. A única semelhança é que tanto uma quanto a outra podem não acontecer. Exijamos, pois, a união dos candidatos da assim chamada “terceira via”, que precisam deixar de lado o ego, a vaidade e a empáfia, descer do salto e se unir em torno de quem tiver mais chances de romper essa maldita polarização. 

Entre a volta de Lula e sua quadrilha e a permanência de Bolsonaro et caterva, resta-nos seguir a sugestão de Diogo Mainardi. O problema é que a maioria de nós vive no Brasil — e não na Itália, como é o caso do jornalista retrocitado —, situação em que a opção menos traumática talvez seja anular o voto ou simplesmente não dar as caras no dia da eleição.

Kim Kataguiri disse para a Folha que “não seria omissão, mas uma expressão do eleitorado (...) ter a maioria de votos nulos e brancos ou abstenção é mostrar que a maior parte da população rejeita os candidatos”. João Amoedo comparou o ato de decidir entre Bolsonaro e Lula a uma escolha entre morrer afogado ou com um tiro, e Vinicius Poit, seu colega de partido, concordou: “Precisamos de uma outra opção que não seja nem esses dois nem o Ciro, que é um outro populista. Eu votaria nulo porque populismo, seja de direita ou de esquerda, não faz bem ao país”.

A meu ver, não há como discordar. Resta combinar com eleitorado, lembrando que, segundo profetizou Pelé, em meados dos anos 1970, o brasileiro está preparado para votar. Dez anos depois, o general João Figueiredo — o presidente que preferia o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo — foi mais longe: “Um povo que não sabe sequer escovar os dentes não está preparado para votar”.

Triste Brasil.

quinta-feira, 17 de março de 2022

LULA LÁ...


Política e honestidade raramente andam de mãos dadas. Salvo honrosas exceções, nossos governantes e representantes se servem do mandato em vez de servir ao país. Mas é importante ter em mente que essa caterva não brota nos gabinetes por geração espontânea; se está lá, é porque obteve o aval do "esclarecidíssimo" eleitorado tupiniquim.

O que dizer de congressistas que destinam R$ 4,9 bi para o fundo eleitoral — dinheiro roubado de nós para financiar a campanha de quem continuará a nos roubar na próxima legislatura — quando metade da população não consegue fazer duas refeições por dia, o dólar está nas alturas, o preço dos combustíveis explodiu e a inflação voltou à casa dos dois dígitos?


Desde a redemocratização, cinco presidentes foram eleitos diretamente e dois foram alçados ao posto devido à morte dos titulares. Desses, o “menos pior” foi FHC, que sujou o poleiro comprando votos para a aprovação da PEC da Reeleição. Quanto aos demais, Collor se revelou um caçador de marajás de araque; Lula, um desaculturado exótico; Dilma, uma calamidade; Temer, uma aberração; e Bolsonaro, um dublê de mau militar e parlamentar medíocre que, por mal de nossos pecados, quer porque quer ficar mais quatro anos no poder.


A menos que o imprevisto tenha voto decisivo na assembleia dos acontecimentos, a próxima eleição presidencial tem tudo para ser uma reedição piorada do pleito plebiscitário de 2018. O queridinho do eleitorado, segundo as pesquisas, é o ex-presidiário que teve a ficha imunda lavada nas coxas pela cúpula do Judiciário, e o vice na chapa, o ex-tucano que até não muito tempo atrás comparava o demiurgo de Garanhuns a um “ladrão de carros” e dizia que votar em Lula seria “reconduzir o criminoso à cena do crime”.


Situações surreais como essas causariam espécie — para dizer o mínimo — em qualquer democracia de respeito, mas não no Brasil, onde existem remédios constitucionais para apear do cargo mandatários que se tornam estorvos (que o digam Collor e Dilma), mas falta vontade política para administrá-los. E deixar a solução do problema cargo da récua de muares que atende por “eleitorado” tem sido um péssimo negócio. 


ObservaçãoPelé disse certa vez que o brasileiro não sabe votar, e Figueiredo — o último presidente general da ditadura —, que “um povo que não sabe sequer escovar os dentes não está preparado para votar”. Ambos foram muito criticados por isso, mas o tempo provou que eles estavam certos.


Voltando à questão dos combustíveis, soa ridículo Bolsonaro culpar o ICMS e contar com a “sensibilidade” da Petrobras. Faz sentido o que ele diz sobre a queda do preço do petróleo no mercado internacional não ser repassada às refinarias tão rapidamente quanto os aumentos, como também a crítica ao oportunismo dos donos de postos de combustíveis, que reajustam para cima o valor cobrado nas bombas bem mais rapidamente do que o reduzem (isso quando a redução chega realmente ao bolso do consumidor final). Por outro lado, estaríamos numa situação mais confortável se o atual governo tivesse se valido da Cide para criar um fundo de amortização.


É fato que os antecessores do capitão poderiam ter feito o mesmo e não fizeram — aliás, Lula e seu repulsivo partido quase “quebraram” a Petrobras com o Petrolão —, mas também é fato que, durante a campanha de 2018, o "mito" prometeu gasolina a R$ 2,50 o litro e gás de cozinha a R$ 35 o botijão de 13 kg


Dizer agora que o combustível aumentou no mundo inteiro em decorrência da guerra no leste europeu é servir-se de uma meia-verdade para justificar o injustificável. Prova disso é que, enquanto o brasileiro gasta 25% de um salário-mínimo para encher o tanque de um carro popular, os argentinos gastam 6%, os italianos, 4,8%, e os norte-americanos, 3%.


Não seria de esperar algo muito diferente de um chefe do Executivo que passeia de motocicleta durante o expediente e trava uma verdadeira cruzada contra as vacinas para não dar palanque a seu arquirrival — cá entre nós, não fosse pelo governador de São Paulo, o dublê de general, expert em logística e ministro da Saúde, Eduardo Pesadelo, ainda estaria esperando “o dia D e a hora H” para iniciar o plano nacional de imunização.


Triste Brasil.

domingo, 20 de fevereiro de 2022

RESTAURE-SE O IMPÉRIO DA MORALIDADE OU LOCUPLETEMO-NOS TODOS! (PARTE XVIII)

 

Em 1998, quando disputou a reeleição, FHC teve como principal adversário o retirante nordestino analfabeto e malandro que usou o sindicalismo como trampolim para a política, fundou uma agremiação de criminosos disfarçada de partido, sangrou os cofres públicos de 2002 a 2010. E continuou a fazê-lo até 2016, mas tirando a castanha com a mão do gato, ou melhor, do "poste" que escolheu para manter quente a poltrona tencionava voltar a ocupar em 2014. Mas nem tudo saiu como planejado: o cutruca se tornou réu em 20 processos e foi condenado em dois, por 10 magistrados de três instâncias do Judiciário, a mais de 26 anos de prisão. 

Como isto aqui é Brasil, a mais alta corte de Justiça (?!) mudou seu entendimento sobre o cumprimento antecipado da pena, permitindo ao abantesma deixar a sala VIP que lhe serviu de cela após míseros 580 dias. E como as “togas cumpanhêras” anularam suas duas condenações e todos os demais atos processuais nas quatro ações que tramitavam ou haviam tramitado na 13ª Vara Federal de Curitiba, o ex-condenado, transmutado em "ex-corrupto", recuperou os direitos políticos que haviam sido suspensos pela Lei da Ficha-Limpa.

Voltemos ao grão-tucano de plumagem vistosa, que, no último ano de seu primeiro mandato, comprou a PEC da Reeleição. Como quem parte e reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, FHC foi o primeiro mandatário a usufruir de sua "obra". 

Observação: Em 2014, quando criticou o estelionato eleitoral que foi a reeleição de Dilma, Fernando Henrique ouviu do bocório de Garanhuns: "Vi o ex-presidente falar com a maior desfaçatez: ‘É preciso acabar com a corrupção’. Ele devia dizer quem é que estabeleceu a maior promiscuidade entre Executivo e Congresso quando ele começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição". Lula reclamar de corrupção em governo alheio é o mesmo que Marcola, o chefe do PCC, imputar crimes ao arquirrival Comando Vermelho, mas, de novo, isto aqui é Brasil, zil, zil, zil...

Em 2002, após três tentativas frustradas, Lula finalmente conquistou a Presidência, dando início aos 13 anos, 4 meses e 12 dias de lulopetismo corrupto que terminaram com o afastamento da estocadora de vento e a promoção do "vice decorativo" a titular. 

Na visão míope da petralhada, o país estava melhor nos tempos de Lula e Dilma — como a parelha de desqualificados fosse austera e pouco afeita a gastos desnecessários, como Aerolulas, luxuosas suítes no Copa e em hotéis estrelados do mundo inteiro, bolsas Hermès, cabeleireiros Kamura e por aí afora. O gramado do vizinho sempre parece mais verde e o osso que se roeu no passado, mais saboroso que o bife que está no prato. 

Não que haja bife no prato dos brasileiros. Enquanto nosso mandatário de fancaria comemorava com pompa e circunstância seus mil dias de governo — com o dólar nas alturas, crises hídrica e de energia elétrica, inflação galopante e combustíveis, gás de cozinha e alimentos a preços estratosféricos —, brasileiros das classes sociais menos favorecidas disputavam ossos e outros refugos que até pouco tempo atrás iam para as latas de lixo de açougues e supermercados.

Dezoito anos depois de transferir a faixa presidencial ao sultão da Petelândia, FHC finalmente concluiu que merda fede. Ou, em suas próprias palavras, que "a reeleição é dos males — talvez o mais grave — de nosso sistema político". Em seu “mea-culpa”, o barão do tucanistão reconheceu que cometeu um “erro histórico” ao patrocinar a emenda em questão, e que foi “ingênuo” por acreditar que a partir daí os governantes não fariam “o impossível” para se reeleger.

"Ingenuidade" — escreveu Dora Kramer em sua coluna, "foi acreditar na inocência do presidente que fez ele mesmo o “impossível” ao jogar o peso de sua autoridade e prestígio angariado no êxito do combate à inflação para aprovar uma emenda em causa própria, ferindo de morte sua majestade em troca de mais quatro anos no Palácio do Planalto."

Vir agora com ato de contrição — prosseguiu a jornalista em seu imperdível texto — soa a tentativa de diluir responsabilidade por algo que guarda mais relação com a forma do que com o conteúdo. O defeito não está no instrumento existente em várias democracias, mas no uso que se faz dele. Por exemplo: quando da proposta da emenda, por que não se incluiu a obrigatoriedade de o postulante ao mesmo cargo se afastar por um período determinado antes da eleição? 

A Justiça é falha na fiscalização do uso indevido do poder e os grandes partidos, tímidos na contestação aos abusos — pois receiam firmar jurisprudências que venham a lhes criar empecilhos amanhã ou depois, diz Dora, relembrando em seguida uma frase ouvida décadas atrás de Roberto Campos: “Não é a lei que precisa ser forte, é a carne que não pode ser fraca”.

É perfeitamente possível conviver com a reeleição, desde que os políticos não abusem dela e que o povo seja esclarecido e esteja preparado para votar. A propósito, em meados dos anos 1970, auge da ditadura militar, Pelé, então no auge da fama, disse que o brasileiro não sabia votar. Anos depois, numa das muitas pérolas que o notabilizaram, o então presidente João Figueiredo ponderou que "um povo que não sabia nem escovar os dentes não estava preparado para votar".

E viva o povo brasileiro!