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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

SERÁ QUE VIVEMOS NUMA SIMULAÇÃO?

SE CIVILIZAÇÕES AVANÇADAS CRIARAM MUITAS SIMULAÇÕES COM SERES CONSCIENTES, É MAIS PROVÁVEL QUE ESTEJAMOS VIVENDO DENTRO DE UMA DESSAS SIMULAÇÕES DO QUE NA REALIDADE BASE.

O mundo está cada vez mais estranho. Se fossemos Keanu Reeves vivendo em uma simulação de computador, diríamos que estamos constantemente passando por “falhas na Matrix”.


A franquia Matrix explora um futuro distópico onde a realidade que conhecemos é, na verdade, um sistema de inteligência artificial chamado "Matrix". Thomas Anderson, — conhecido pelo apelido Neo e atormentado por falhas na sua realidade — é contatado por Morpheus e Trinity para invadir a simulação, recrutar e treinar "despertados". Morpheus oferece a Neo a escolha entre duas pílulas: a azul (para continuar na ilusão) e a vermelha (para descobrir a verdade). Ao escolher a pílula vermelha, o programador acorda em um mundo devastado e descobre que as máquinas dominam o planeta, mantendo os corpos humanos em cápsulas para extrair energia (bioeletricidade).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Os púlpitos vazios de Lula e Flávio Bolsonaro chamaram a atenção, mas a ausência dos favoritos já era esperada. Dos seis convidados, restaram apenas três. Romeu Zema se juntou aos fujões. Augusto Cury ameaçou desistir, mas foi convencido pelo jornalista Fernando Mitre a desistir da desistência, juntando-se no estúdio a Ronaldo Caiado e Renan Santos. Os três somam 11% das intenções de voto no Datafolha, contra 71% atribuídos ao molusco macróbio e ao rebento do refugo da escória da humanidade..

A cena mais marcante da palhaçada estava na plateia, não no palco. Vice de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab cochilou várias vezes — inclusive durante uma fala do seu companheiro de chapa. Com suas sonecas, foi o vice-campeão do "debate", perdendo apenas para o eleitorado que foi dormir antes dele.

Em última análise, foi "debate" entre aspas, sem embates. Lula apanhou mais que Bolsonarinho. Zema foi ignorado — ninguém quis chutar cachorro morto.

Com linguajar de sarjeta, Renan exibiu cortes para a internet, não ideias. Disse que Lula e Flávio fugiram como "duas cadelas". Escorregou entre a misoginia e a homofobia. Fez ataques gratuitos a Janja e Erika Hilton.

Com sorriso robótico, Caiado soou menos como presidenciável do que como guia turístico do seu estado. Prometeu transformar o Brasil numa espécie de Goiás hipertrofiado. Com ares professorais, o psiquiatra Cury forneceu receitas de autoajuda para um país "doente". 

A 41 dias do primeiro turno, dificilmente o "debate" influenciará significativamente os ponteiros das pesquisas. Lulistas e bolsonaristas aplaudem os fujões. O eleitor que atrasou o sono não se livrou do pesadelo da polarização.


Isso cheira a ficção, mas e se nosso Universo for mesmo um gigantesco holograma, como afirmam pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, Universidade de Waterloo e Instituto Perimeter, no Canadá, Lecce e Universidade de Salento, na Itália, que publicaram um estudo sobre o assunto no periódico Physical Review Letters após constatarem que uma das explicações para a formação do Universo cabe direitinho em um modelo de duas dimensões (2D)? 


Essa é uma entre as mais de 10 mil pesquisas sérias relacionadas ao conceito do Universo Holográfico, criado pelo físico Leonard Susskind nos anos 1990. Só que, até onde se sabe, o cosmos é formado por três dimensões espaciais (altura, profundidade e largura) e uma quarta, de natureza temporal. Dito isso, como ele poderia funcionar com uma dimensão a menos (sendo que é só olhar para a frente para ver que tudo ao nosso redor é em 3D)?


Imagine que tudo o que você vê, sente e ouve em três dimensões (mais a sua percepção de tempo), na verdade, emana de um campo plano de duas dimensões. A ideia é semelhante à dos hologramas comuns, nos quais uma imagem em 3D está decodificada em uma superfície plana, como o holograma de um cartão de crédito. A diferença é que agora é o Universo inteiro que está decodificado. Mas isso não significa que estamos vivendo agora em um holograma, e sim que isso pode ter acontecido no surgimento do Universo, há quase 14 bilhões de anos. 


Como mencionado em dezenas de oportunidades, a ciência sabe muito, mas não sabe tudo, e ainda não foi capaz de conciliar o modelo da mecânica quântica (que regula o universo das coisas menores do que um átomo) com o modelo da relatividade geral (aquela mesma proposta por Einstein, que regula os corpos gigantescos como estrelas e planetas). Isso fica especialmente evidente ao se tentar descrever o surgimento do Universo, quando, segundo a teoria do Big Bang, toda a massa e energia existentes estavam contidas em um único ponto menor do que uma ervilha, mas com densidade infinita.


Em outras palavras, existem duas físicas que falam línguas diferentes, já que a mesma gravidade que explica tão bem o comportamento dos planetas, por exemplo, não funciona para explicar o comportamento de partículas subatômicas. No entanto, uma teoria que tenta fazer as duas físicas conversarem é conhecida como gravidade quântica.


De acordo com o físico italiano Carlo Rovelli, apesar de ainda não ter sido comprovada experimentalmente (como muita coisa na física teórica), essa teoria é a que melhor explica a realidade que nos cerca, pois para a gravidade quântica não existe o espaço-tempo. Segundo esta concepção de mundo, tudo seria formado por campos quânticos — compostos pelas partículas que, como os fótons, por exemplo, não precisam do espaço-tempo para lhes servir de suporte porque eles próprios são o espaço-tempo.

 

Além do tempo e do espaço, a teoria elimina também o universo infinitamente pequeno, menor do que as partículas subatômicas, onde a mecânica quântica atua. Assim, as relações espaciais que tecem o espaço curvo de Einstein são as mesmas interações que tecem as relações entre os sistemas elementares da mecânica quântica — que se tornam compatíveis quando se conclui que espaço e tempo são aspectos de um campo quântico que podem viver mesmo sem serem escorados num espaço externo.


Como se vê, o cosmos é um lugar fascinante e nada óbvio. E o mais interessante da gravidade quântica é que ela prevê que, se eliminarmos uma dimensão, podemos eliminar também a gravidade, tornando os cálculos muito mais fáceis. Com esta ideia em mente, os pesquisadores desenvolveram um modelo com duas dimensões (mais o tempo) para explicar como o princípio do holograma poderia explicar os acontecimentos do Big Bang e suas consequências.


Vale reforçar que eles estão longe de provar que o nosso Universo era um holograma no começo, mas o fato de as evidências observacionais do mundo real explicarem partes faltantes das leis da física em duas dimensões significa que não devemos descartar a ideia. Por outro lado, nenhum de nós é um desenho animado vivendo em um mundo sem profundidade. Segundo Niayesh Afshordi, da Universidade de Waterloo, talvez não vivamos em um holograma, mas podemos ter saído de um. Seja como for, até prova em contrário o Universo tem três dimensões.


Dada a quantidade de universos criados, a ideia encontra eco nos trabalhos tanto de filósofos contemporâneos como David Chalmers, da Universidade de Nova York, quanto de filósofos clássicos como Platão — com sua alegoria da caverna — e modernos como Descartes, para quem não podemos confiar cegamente em nossas percepções. Por exemplo, o resultado de uma final de copa do mundo pode ser o mesmo para os dois países, mas dificilmente quem perdeu vai ter a mesma percepção daquele que ganhou (pergunte a um torcedor alemão se ele ficou triste com o 7x1). Tem-se aí duas realidades alternativas baseadas em um único fato.

A Hipótese da Simulação ficou ainda mais conhecida em 2016, quando o magnata Elon Musk, CEO da SpaceX, disse que fazemos parte de um mundo simulado e que a nossa realidade poderia ser só uma entre muitas. Mas a tecnologia de hoje é muito mais avançada do que há dez anos, quando agíamos como neandertais e usávamos o Orkut, tínhamos que ir ao banco pagar boletos, ou passávamos madrugadas baixando músicas na internet. 


A questão que os filósofos propõem é exatamente esta: a humanidade poderia evoluir a ponto de criar uma inteligência que vivesse em um mundo simulado e que fosse capaz de ter consciência? Há quem diga que já chegamos a esse nível, e que fazemos parte desse imenso game que seria a realidade que nos cerca, manipulados por seres avançados de um universo “acima” do nosso.


Em um podcast do jornal The Guardian, Chalmers afirma que seria impossível conseguirmos qualquer prova desta teoria, por causa de um simples fator: qualquer evidência que a gente consiga pode ser ela própria uma simulação. Mas isso não nos impede de caçá-las. Como afirmou o cosmólogo do MIT Max Tegmark, quanto mais aprendemos sobre o nosso Universo, mais ele parece ser baseado nas leis da matemática, pois elas apenas refletem os códigos de computadores em que foram escritas. 


Mas nem todos concordam. A física teórica Lisa Randall, da Universidade Harvard, afirma que usar a Hipótese da Simulação como desculpa para eventos que dão errado, como a cerimônia do Oscar ou a eleição de Donald Trump, é uma forma de abdicar das responsabilidades. Segundo ela, seria mais frutífero focar no que podemos fazer para evitar os erros e melhorar o mundo do que atribuir resultados indesejáveis a forças externas incontroláveis.


Na física, não se consegue provar de fato uma teoria, apenas excluir teorias alternativas. Então, não se pode afirmar que nenhuma teoria da física é absolutamente correta (ou incorreta) porque não se tem acesso a todos os níveis de informação. O fato de vivermos em um jogo de videogame não significaria que a realidade não existe, apenas que ela seria feita de informação.


O problema é que, caso a hipótese se confirmasse e todos descobríssemos que somos feitos de bits, teríamos dilemas morais muito mais complexos para resolver. Por exemplo, a entidade que criou a nossa realidade poderia ser um deus ou apenas hackers em um Universo ‘acima’ do nosso. E não há razão para pensarmos nesta inteligência superior como superpoderosa só porque ela controla o que fazemos. 


Ou talvez não se trate de videogame, mas de algo mais autônomo, que não precisa necessariamente de um controlador. Em uma simulação, colocamos as leis da física e da natureza e criamos um Universo, mas não interferimos no que criamos, apenas colocamos os princípios fundamentais e observamos. 

 

Outra questão a ser respondida seria: uma inteligência artificial consciente é menos humana do que um ser humano de verdade — ou pelo menos o que consideramos humano? Como afirmou um dos robôs do parque de Westworld quando foi confrontado com a sua “falta de humanidade”: “A dor existe na mente; ela é sempre imaginada. Então qual é a diferença entre a minha dor e a sua, entre você e eu?”

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

SOBRE GATOS PRETOS

AZAR NÃO É A PESSOA ENCONTRAR UM GATO PRETO NUMA SEXTA-FEIRA 13, E SIM UM GATO PRETO ENCONTRAR UMA PESSOA IGNORANTE NESSE DIA.

Como vimos no post do dia 4, os gatos domésticos têm sentidos apurados, percebem variações químicas e térmicas em seus tutores, captam emoções, pressentem tragédias ou preveem desastres naturais. Na Idade Média, acreditava-se que eles fossem os responsáveis pela peste e por outras doenças infecciosas — quando na verdade ajudavam a erradicar os ratos, que eram os verdadeiros vetores da praga.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Aos 46 anos, o PT vive uma fase marcada por transições físicas — rugas e cabelos brancos — e cognitivas — maturidade e reflexão sobre a vida. Lula trocou o antigo figurino contemporizador de “Lulinha paz e amor” pela armadura: “essa eleição vai ser uma guerra”, soando como quem se equipa para guerrear contra Flávio Bolsonaro, o adversário de sua predileção. 

Noutros tempos, o xamã petista criticava os críticos da política; agora, incorpora a antipolítica a seu cardápio e torpedeia a atividade que exerce desde os tempos de sindicalista: "A política apodreceu; agora, é dinheiro rolando para tudo quanto é lado".

Ecoando o slogan "Congresso inimigo do povo", Lula chamou de "sequestro" as emendas que promovem um escoamento de verbas públicas pelo ladrão do Orçamento federal e cobrou da plateia autocrítica e reação: "Vocês têm obrigação de não deixar que partido vá para a vala comum da política." 

Tomado pela retórica, Lula vai aos palanques de 2026 com uma pose de político antissistema. Um contrassenso, pois lidera umas das legendas mais sistêmicas do país. Ao término do atual mandato, somando-se o tempo de Presidência de Lula e de Dilma, o PT terá dado as cartas no Planalto por 17 anos e oito meses.

Na prática, Lula ajudou a erguer o sistema que passou a praguejar. Nos seus dois primeiros mandatos, o matrimônio do governo com o Centrão deu em mensalão, em petrolão, no impeachment da mulher sapiens e em Bolsonaro, que se elegeu como antissistema e comprou o Centrão com o orçamento secreto, uma abjeção da qual Lula ainda não conseguiu se livrar.

Num instante em que a candidatura tóxica de Flávio Bolsonaro cresce sobre as cinzas de uma direita pulverizada e a sujeira do Banco Master vaza pelas bordas dos tapetes de Brasília, atacar o bolsonarismo e abominar o sistema tornaram-se desabafos úteis para Lula, mas nem por isso o desabafo virou solução para um presidente que chega à antessala da eleição com a popularidade ainda no vermelho.

A guerra prevista pelo macróbio aparece em todas as pesquisas como uma batalha de rejeições. Prenuncia-se uma disputa apertada. Em vez de escolher o candidato da preferência, o pedaço independente do eleitorado que decidirá a eleição — coisa de 3%— votará na base do "esse não", rejeitando Lula ou refugando o herdeiro de sangue do prisioneiro da Papudinha.

Confirmando-se o embate entre nhô-ruim e nhô-íor num eventual segundo turno, o próximo presidente subirá a rampa do Planalto mais pela debilidade do adversário do que pela pujança de suas ideias. Exatamente como aconteceu em 2018 com Bolsonaro e em 2022, quando Lula conquistou seu terceiro mandato..

Confiante na vitória, Lula injetou na maturidade que veio com a meia-idade do PT uma dose de pragmatismo. Soou como se enxergasse no estilhaçamento que o primogênito do capetão produz na direita uma oportunidade para ampliar a caravana da reeleição. "Temos que tratar de fazer as alianças necessárias para a gente ganhar as eleições. Um acordo político é uma coisa tática para a gente poder governar esse país. E estamos mais sabidos, muito mais preparados."

Juntando-se a retórica antissistema com o desejo de atrair para a coligação governista o pedaço do Centrão que se sente órfão de Tarcísio de Freitas, cuja candidatura presidencial apodreceu antes de amadurecer, Lula como que reedita o terror pendular que marca a política brasileira. O roteiro é invariável: no palanque, candidatos soam valentes; eleitos, deslizam para aquilo que Lula chamou em Salvador de "vala comum da política". Nesse vaivém, a governabilidade ganha um sentido sistematicamente gangsterismo. Seja quem for o eleito, o Centrão continuará fazendo a festa.

Devido a uma superstição que remonta aos tempos de antanho e os vincula à bruxaria e ao ocultismo, os gatos pretos são frequentemente associados à má-sorte. Em algumas culturas, porém, ocorre exatamente o contrário: no Japão, as mulheres solteiras acreditam que eles aumentam o número de pretendentes; na Escócia, vê-los à porta é sinal de prosperidade; no Reino Unido, um gato preto atravessando a rua atrai sorte. Marinheiros britânicos os apreciam porque eles são caçadores naturais de roedores e “garantem uma navegação tranquila e um retorno seguro”. Já os piratas os veem como sinal de azar quando os animais caminham em sua direção, de sorte quando se afastam, e de naufrágio quando rumam para o navio e mudam de direção sem motivo aparente.


De acordo com a Cat Fanciers Association, 22 raças de gatos podem apresentar pelagem preta sólida, mas somente os da raça Bombay são exclusivamente pretos. Para que isso aconteça, basta um dos pais transmitir o gene da cor, o que os torna comuns — estimativas sugerem que de 10% a 18% dos gatos domésticos são pretos —, mas não necessariamente a maioria da população felina mundial. Por outro lado, há mais gatos pretos machos do que fêmeas, e um fenômeno conhecido como “ferrugem” — que queima o pigmento preto da pelagem — pode mudar a cor para um vermelho acobreado. 


Um sistema imunológico mais eficiente faz com que os gatos pretos sejam mais resistentes a diversas doenças que afetam seus irmãos de outras cores e reduz o risco do vírus da imunodeficiência felina (FIV) — semelhante ao HIV dos humanos. Curiosamente, ao contrário do que a superstição leva a crer, eles representam cerca de 20% dos pets disponíveis para adoção no Brasil e são mais numerosos em abrigos dos EUA e do Reino Unido — tanto por serem comuns como por serem frequentemente preteridos na hora da adoção. Mas vale lembrar que “gato preto” é uma descrição de cor, e pode aparecer em muitos tipos e raças diferentes.


Os antigos egípcios tratavam os felinos como animais sagrados, mas os gatos pretos eram considerados a encarnação viva da deusa Bastet — retratada com a cabeça de gato e corpo humano —, e matá-los era um crime passível de pena capital. Hoje, eles são homenageados nos EUA em 17 de agosto — Dia Nacional de Apreciação do Gato Preto — e em 27 de outubro — Dia Nacional do Gato Preto.


Da deusa egípcia ao abrigo de adoção, os gatos pretos sobreviveram à peste, à Inquisição e à ignorância humana — infelizmente, esta última ainda persiste. Mas eles não trazem má-sorte, apenas revelam a ignorância de quem ainda acredita nessa superstição.


Bom Carnaval.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

CRONOLOGIA DO APOCALIPSE

ENTRE O NÃO E O SIM SEMPRE HÁ UM TALVEZ...

No início da era cristã, respaldados no Apocalipse de João, vates delirantes alardearam que a humanidade não sobreviveria ao ano 1000. Quando a previsão falhou, o julgamento celestial foi remarcado para 1033 e, mais adiante, para 1666.

 

Botticelli foi um grande pintor, mas revelou-se um profeta de merda ao prever que Cristo voltaria em 1503 para julgar os vivos e os mortos. Stifel aprazou o Armagedom com precisão suíça, mas o mundo não acabou às 8h do dia 19 de outubro de 1536. 


Colombo descobriu a América, mas o apocalipse que ele disse que aconteceria entre 1656 e 1658 não aconteceu. Lutero chutou na trave ao predizer que o mundo abarbaria no século XVII — lembrando que a Peste Negra e o Grande Incêndio mataram mais de 100  londrinos em 1666.

 

Em 1806, uma galinha que punha ovos com a inscrição Christ is coming espalhou pânico nas Ilhas Britânicas — até que se descobriu que uma falsa vidente escrevia a mensagem na casca dos ovos e os colocava de volta na cloaca da ave adivinha. 


Na mesma época, o pregador William Miller anunciou que o apocalipse ocorreria entre 21 de março de 1843 e 21 de março do ano seguinte. A profecia não se confirmou, mas deu azo ao Grande Desapontamento e à fundação da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Já as Testemunhas de Jeová afirmam desde a fundação da seita, em 1870, que o dia do juízo será "em breve".


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O economista francês Frédéric Bastiat imaginou uma petição ao rei para que ele proibisse todos os seus súditos de usarem a mão direita, e justificou a medida aparentemente insana recorrendo à cristalina lógica: quanto mais uma pessoa trabalha, mais rica ela fica; quanto mais dificuldades precisa superar, mais trabalha; logo, quanto mais dificuldades uma pessoa tem de superar, mais rica ela se torna.

O Brasil tem algo de bastiatiano. O Banco Central elevou os juros para conter a inflação, e o governo basicamente amarra a mão direita da autoridade monetária multiplicando linhas de crédito subsidiado e criando vários programas para manter e até ampliar a atividade econômica. Ora, se o propósito dos juros altos é esfriar a economia para conter o aumento dos preços, o governo atua na contramão dos objetivos do BC, e o resultado são juros mais altos e por um tempo maior do que seria necessário para segurar a inflação.

O trabalhador brasileiro leva uma hora para produzir o que seu homólogo norte-americano faz em 15 minutos, e o que o governo faz? Amarra a mão direita, impondo tarifas de importação de máquinas de 12% — uma das mais altas do mundo. Essa obsessão pela ineficiência é muito ruim para o país, mas não deixa de beneficiar grupos específicos, como poupadores que faturam uns cobres na renda fixa e empresários que não querem saber de concorrência.

É aí que entra uma outra ótima tirada de Bastiat, que definiu o Estado como uma "grande ficção através da qual todos se esforçam para viver às custas dos demais".

 

Em 1997, a seita Heaven's Gate anunciou que o cometa Hale-Bopp trazia a reboque um OVNI que destruiria a Terra, mas a profecia só se confirmou para os membros do grupo, que cometeram suicídio coletivo durante a passagem do cometa, achando que suas almas seriam levadas pelos alienígenas. Interpretações distorcidas de Nostradamus levaram a crer que o mundo acabaria em julho de 1999. Como não acabou, Richard W. Noone teve tempo para prever que o alinhamento dos planetas produziria uma espessa camada de gelo que congelaria a Terra. Mas a Terra não congelou.

 

Alarmistas proclamaram que o Grande Colisor de Hádrons criaria buracos negros que engoliriam o mundo. Como o mundo não acabou, o pregador Harold Camping anunciou que terremotos devastadores ocorreriam em 21 de maio de 2009, e que apenas 3% da população mundial iria para o Céu. 


Quando a previsão furou, o profeta de fancaria mudou a data para 21 de outubro. Passados 16 anos, a despeito do aquecimento global e suas funestas consequências, 8,1 bilhões de pessoas continuam habitando o planetinha azul. 

 

Cientistas de todo o mundo (o que não significa "todos os cientistas do mundo") sugerem a possibilidade de a Terra ser extinta daqui a 250 milhões de anos — o que, se se confirmar, marcará a primeira extinção em massa desde a aniquilação dos dinossauros, há 66 milhões de anos. 


Outro estudo, mais recente e baseado em observações astronômicas, aponta que o Universo pode ter uma expectativa de vida finita de apenas 33 bilhões de anos, terminando em um colapso catastrófico conhecido como "Big Crunch". 


A boa notícia, por assim dizer, é que — a menos que se acredite em reencarnação — nenhum de nós estará vivo para conferir qual dessas previsões é a correta.

 

Bilhões de anos é um intervalo de tempo quase incompreensível em termos humanos — aproximadamente 1.4 milhão de vezes mais longo que toda a história da espécie humana. Mas a descoberta de que o Universo tem uma data de expiração adiciona uma nova dimensão às nossas reflexões sobre o lugar da humanidade no cosmos. E isso num momento particularmente significativo, em que ensaiamos os primeiros passos rumo a uma civilização verdadeiramente espacial. 

 

As próximas décadas de observações astronômicas serão cruciais para confirmar, refinar ou possivelmente refutar essas conclusões extraordinárias. Mesmo porque nada é para sempre — em algum momento, tanto a vida na Terra quanto o próprio Universo terão um fim. 

 

Cerca de 252 milhões de anos atrás, nosso planeta pela maior extinção em massa da história, que aniquilou 94% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres. O episódio foi causado pela liberação de gases do efeito estufa por uma série de erupções vulcânicas gigantescas na região onde atualmente é a Sibéria. O dióxido de carbono aqueceu o planeta de forma intensa, e a temperatura terrestre subiu entre 6°C e 10°C, gerando um "superefeito estufa" que durou cerca de 5 milhões de anos e tornou impossível a sobrevivência de muitas espécies. 

 

Segundo Zhen Xu, pesquisadora de doutorado na Universidade de Leeds, Reino Unido, embora tenha ocorrido há centenas de milhões de anos, esse evento mostra que os ecossistemas não conseguem responder rapidamente a mudanças climáticas bruscas — como as que estão acontecendo agora —, e a perda acelerada das florestas pode levar a um novo ponto de inflexão, tornando as mudanças climáticas ainda mais difíceis de reverter. 


Proteger essas regiões é essencial para evitar que o passado se repita no futuro, mas os "lideres mundiais" — como Donald Trump, Vladimir Putin e distinta companhia — estão mais preocupados com seus infames projetos de poder.

 

Vale uma reflexão.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

DO TELEFONE DE D. PEDRO AO CELULAR (3ª PARTE)

SE TUDO QUE VOCÊ OFERECEU NÃO FOI SUFICIENTE, OFEREÇA SUA AUSÊNCIA.

 

Você pode estar feliz da vida com o carrinho popular que comprou seminovo há alguns anos, mas talvez pense diferente se dirigir um modelo top de linha, estalando de novo. O mesmo raciocínio se aplica ao smartphone de entrada que você vem usando há anos, a despeito de ele não ter atualizado para o Android 15 e, consequentemente, não estar na lista dos modelos que receberão a versão 16.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nem bem o ministro Luís Roberto Barroso anunciou a antecipação de sua aposentadoria, os telefones em Brasília já fervilhavam com lobbies por candidatos à sua sucessão. A nova indicação, que deveria ensejar um debate qualificado sobre o papel da Corte e o perfil ideal de seus membros à luz do interesse público, virou, mais uma vez, um balcão de reivindicações políticas e identitárias que só confirma o que já se sabia: o Supremo se tornou um Poder político.

O PT apoia o advogado-geral da União, Jorge Messias, que é evangélico e visto como alguém da mais absoluta confiança de Lula, só reforça a mixórdia entre a militância política e a função jurisdicional da Corte. Parte dos parlamentares defende a escolha do senador Rodrigo Pacheco, que conta com o apoio dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes e, sobretudo, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Bruno Dantas, ministro do TCU, é outro que aparece como “supremável”, favorecido por seu bom trânsito entre políticos de diferentes partidos.

Em vez de discutir credenciais acadêmicas e compromissos institucionais, os lobbies em ação parecem interessados em saber o que cada um de seus protegidos poderia fazer pelo grupo, pela “causa” ou pelo governo — e não pelo Brasil. Tal distorção, alimentada pelo comportamento dos próprios togados, explica a importância inédita que a eleição para o Senado assumirá em 2026. Ao se arvorar em protagonista da vida política nacional, o STF despertou a reação de parlamentares que hoje falam abertamente em “conter o ativismo” do tribunal.

Enquanto as togas se permitirem bandear para o terreno da política e as indicações forem tratadas como oportunidades para presentear aliados ou satisfazer lobbies, o Brasil seguirá pagando o altíssimo preço de ter um Supremo percebido como um tribunal político e, portanto, parcial.


Se for comprar um aparelho novo, releia o que eu escrevi no capítulo anterior sobre a importância de escolher um modelo com configuração de hardware compatível com seu perfil e que receba as próximas três ou quatro atualizações do sistema e patches de segurança pelos próximos quatro ou cinco anos. Ainda que a obsolescência programada nos induza a trocar o celular a cada dois anos, e que modelos de entrada possam se encontrados por menos R$ 1 mil, aparelhos medianos de boa estirpe custam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, e alguns modelos premium chegam a custar mais de R$ 10 mil.

 

A Samsung — líder do mercado de smartphones no Brasil — anunciou recentemente o lançamento do Galaxy Z Fold 7, da nova geração de celulares dobráveis. Embora tenha apenas 8,9 milímetros quando dobrado e 4,2 milímetros quando desdobrado, ele vem com tela maior, nova interface One UI 8 (com Android 16) e recursos de inteligência artificial providos pelo Galaxy AI. Suas três câmeras variam entre 10 MP (para selfie, frontal e telefoto) e 200 MP (para a grande angular), com recursos de IA para melhorar a edição de fotos e vídeos. No que diz respeito à memória e ao armazenamento, as opções vão de 12 GB a 16 GB e de 256 GB a 1 TB, respectivamente. Já a bateria de 4.500 mAh é a mesma usada na versão anterior do modelo.

 

O aparelho está disponível nas cores sombra azul, sombra prateada, preto-azeviche e menta, com preços a partir de 1.999 dólares nos EUA e 1.799 libras no Reino Unido. Quando redigi esta postagem, ele ainda não era vendido oficialmente no Brasil.

 

A Motorola — segunda colocada no ranking tupiniquim — ainda está distribuindo o Android 15 para alguns de seus modelos, mas o Android 16 deve chegar até o final do ano, primeiro para os modelos topo de linha, como o Edge 50 Pro e os novos Razr. Na família Moto G, os modelos Moto G 2025, Moto G Power 2025, Moto G Stylus 2025, Moto G86, G86 Power, Moto G55, G56, G75 e G85 estão na lista de espera.

 

Observação: Alguns aparelhos populares, como a linha Razr 2023 e modelos de entrada como os Moto G15 e G35, não figuram nessa lista, mas o Moto Razr 2024, que tem menos de um ano, deve receber o Android 16. Se o seu celular é recente e não está listado, convém ficar de olho nos canais oficiais da Motorola para acompanhar as novidades.

 

O Android 16 traz várias melhorias, e a Hello UI vai incorporar esses avanços com um toque personalizado. Entre as novidades previstas estão: um sistema de notificações mais inteligente e dinâmico; melhorias no RCS para chats em grupo; interface remodelada, com controle de volume redesenhado e painéis separados para configurações rápidas e notificações; aprimoramentos internos para reforçar a privacidade do usuário; e suporte otimizado para aparelhos como o Razr e a linha Edge.

 

Vale lembrar que as atualizações costumam ser disponibilizadas primeiro nos EUA e na Europa e só depois no Brasil — especialmente para modelos vinculados a operadoras.


Continua…