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quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

CRONOLOGIA DO APOCALIPSE

ENTRE O NÃO E O SIM SEMPRE HÁ UM TALVEZ...

No início da era cristã, respaldados no Apocalipse de João, vates delirantes alardearam que a humanidade não sobreviveria ao ano 1000. Quando a previsão falhou, o julgamento celestial foi remarcado para 1033 e, mais adiante, para 1666.

 

Botticelli foi um grande pintor, mas revelou-se um profeta de merda ao prever que Cristo voltaria em 1503 para julgar os vivos e os mortos. Stifel aprazou o Armagedom com precisão suíça, mas o mundo não acabou às 8h do dia 19 de outubro de 1536. 


Colombo descobriu a América, mas o apocalipse que ele disse que aconteceria entre 1656 e 1658 não aconteceu. Lutero chutou na trave ao predizer que o mundo abarbaria no século XVII — lembrando que a Peste Negra e o Grande Incêndio mataram mais de 100  londrinos em 1666.

 

Em 1806, uma galinha que punha ovos com a inscrição Christ is coming espalhou pânico nas Ilhas Britânicas — até que se descobriu que uma falsa vidente escrevia a mensagem na casca dos ovos e os colocava de volta na cloaca da ave adivinha. 


Na mesma época, o pregador William Miller anunciou que o apocalipse ocorreria entre 21 de março de 1843 e 21 de março do ano seguinte. A profecia não se confirmou, mas deu azo ao Grande Desapontamento e à fundação da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Já as Testemunhas de Jeová afirmam desde a fundação da seita, em 1870, que o dia do juízo será "em breve".


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O economista francês Frédéric Bastiat imaginou uma petição ao rei para que ele proibisse todos os seus súditos de usarem a mão direita, e justificou a medida aparentemente insana recorrendo à cristalina lógica: quanto mais uma pessoa trabalha, mais rica ela fica; quanto mais dificuldades precisa superar, mais trabalha; logo, quanto mais dificuldades uma pessoa tem de superar, mais rica ela se torna.

O Brasil tem algo de bastiatiano. O Banco Central elevou os juros para conter a inflação, e o governo basicamente amarra a mão direita da autoridade monetária multiplicando linhas de crédito subsidiado e criando vários programas para manter e até ampliar a atividade econômica. Ora, se o propósito dos juros altos é esfriar a economia para conter o aumento dos preços, o governo atua na contramão dos objetivos do BC, e o resultado são juros mais altos e por um tempo maior do que seria necessário para segurar a inflação.

O trabalhador brasileiro leva uma hora para produzir o que seu homólogo norte-americano faz em 15 minutos, e o que o governo faz? Amarra a mão direita, impondo tarifas de importação de máquinas de 12% — uma das mais altas do mundo. Essa obsessão pela ineficiência é muito ruim para o país, mas não deixa de beneficiar grupos específicos, como poupadores que faturam uns cobres na renda fixa e empresários que não querem saber de concorrência.

É aí que entra uma outra ótima tirada de Bastiat, que definiu o Estado como uma "grande ficção através da qual todos se esforçam para viver às custas dos demais".

 

Em 1997, a seita Heaven's Gate anunciou que o cometa Hale-Bopp trazia a reboque um OVNI que destruiria a Terra, mas a profecia só se confirmou para os membros do grupo, que cometeram suicídio coletivo durante a passagem do cometa, achando que suas almas seriam levadas pelos alienígenas. Interpretações distorcidas de Nostradamus levaram a crer que o mundo acabaria em julho de 1999. Como não acabou, Richard W. Noone teve tempo para prever que o alinhamento dos planetas produziria uma espessa camada de gelo que congelaria a Terra. Mas a Terra não congelou.

 

Alarmistas proclamaram que o Grande Colisor de Hádrons criaria buracos negros que engoliriam o mundo. Como o mundo não acabou, o pregador Harold Camping anunciou que terremotos devastadores ocorreriam em 21 de maio de 2009, e que apenas 3% da população mundial iria para o Céu. 


Quando a previsão furou, o profeta de fancaria mudou a data para 21 de outubro. Passados 16 anos, a despeito do aquecimento global e suas funestas consequências, 8,1 bilhões de pessoas continuam habitando o planetinha azul. 

 

Cientistas de todo o mundo (o que não significa "todos os cientistas do mundo") sugerem a possibilidade de a Terra ser extinta daqui a 250 milhões de anos — o que, se se confirmar, marcará a primeira extinção em massa desde a aniquilação dos dinossauros, há 66 milhões de anos. 


Outro estudo, mais recente e baseado em observações astronômicas, aponta que o Universo pode ter uma expectativa de vida finita de apenas 33 bilhões de anos, terminando em um colapso catastrófico conhecido como "Big Crunch". 


A boa notícia, por assim dizer, é que — a menos que se acredite em reencarnação — nenhum de nós estará vivo para conferir qual dessas previsões é a correta.

 

Bilhões de anos é um intervalo de tempo quase incompreensível em termos humanos — aproximadamente 1.4 milhão de vezes mais longo que toda a história da espécie humana. Mas a descoberta de que o Universo tem uma data de expiração adiciona uma nova dimensão às nossas reflexões sobre o lugar da humanidade no cosmos. E isso num momento particularmente significativo, em que ensaiamos os primeiros passos rumo a uma civilização verdadeiramente espacial. 

 

As próximas décadas de observações astronômicas serão cruciais para confirmar, refinar ou possivelmente refutar essas conclusões extraordinárias. Mesmo porque nada é para sempre — em algum momento, tanto a vida na Terra quanto o próprio Universo terão um fim. 

 

Cerca de 252 milhões de anos atrás, nosso planeta pela maior extinção em massa da história, que aniquilou 94% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres. O episódio foi causado pela liberação de gases do efeito estufa por uma série de erupções vulcânicas gigantescas na região onde atualmente é a Sibéria. O dióxido de carbono aqueceu o planeta de forma intensa, e a temperatura terrestre subiu entre 6°C e 10°C, gerando um "superefeito estufa" que durou cerca de 5 milhões de anos e tornou impossível a sobrevivência de muitas espécies. 

 

Segundo Zhen Xu, pesquisadora de doutorado na Universidade de Leeds, Reino Unido, embora tenha ocorrido há centenas de milhões de anos, esse evento mostra que os ecossistemas não conseguem responder rapidamente a mudanças climáticas bruscas — como as que estão acontecendo agora —, e a perda acelerada das florestas pode levar a um novo ponto de inflexão, tornando as mudanças climáticas ainda mais difíceis de reverter. 


Proteger essas regiões é essencial para evitar que o passado se repita no futuro, mas os "lideres mundiais" — como Donald Trump, Vladimir Putin e distinta companhia — estão mais preocupados com seus infames projetos de poder.

 

Vale uma reflexão.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

DO TELEFONE DE D. PEDRO AO CELULAR (3ª PARTE)

SE TUDO QUE VOCÊ OFERECEU NÃO FOI SUFICIENTE, OFEREÇA SUA AUSÊNCIA.

 

Você pode estar feliz da vida com o carrinho popular que comprou seminovo há alguns anos, mas talvez pense diferente se dirigir um modelo top de linha, estalando de novo. O mesmo raciocínio se aplica ao smartphone de entrada que você vem usando há anos, a despeito de ele não ter atualizado para o Android 15 e, consequentemente, não estar na lista dos modelos que receberão a versão 16.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Nem bem o ministro Luís Roberto Barroso anunciou a antecipação de sua aposentadoria, os telefones em Brasília já fervilhavam com lobbies por candidatos à sua sucessão. A nova indicação, que deveria ensejar um debate qualificado sobre o papel da Corte e o perfil ideal de seus membros à luz do interesse público, virou, mais uma vez, um balcão de reivindicações políticas e identitárias que só confirma o que já se sabia: o Supremo se tornou um Poder político.

O PT apoia o advogado-geral da União, Jorge Messias, que é evangélico e visto como alguém da mais absoluta confiança de Lula, só reforça a mixórdia entre a militância política e a função jurisdicional da Corte. Parte dos parlamentares defende a escolha do senador Rodrigo Pacheco, que conta com o apoio dos ministros Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes e, sobretudo, do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Bruno Dantas, ministro do TCU, é outro que aparece como “supremável”, favorecido por seu bom trânsito entre políticos de diferentes partidos.

Em vez de discutir credenciais acadêmicas e compromissos institucionais, os lobbies em ação parecem interessados em saber o que cada um de seus protegidos poderia fazer pelo grupo, pela “causa” ou pelo governo — e não pelo Brasil. Tal distorção, alimentada pelo comportamento dos próprios togados, explica a importância inédita que a eleição para o Senado assumirá em 2026. Ao se arvorar em protagonista da vida política nacional, o STF despertou a reação de parlamentares que hoje falam abertamente em “conter o ativismo” do tribunal.

Enquanto as togas se permitirem bandear para o terreno da política e as indicações forem tratadas como oportunidades para presentear aliados ou satisfazer lobbies, o Brasil seguirá pagando o altíssimo preço de ter um Supremo percebido como um tribunal político e, portanto, parcial.


Se for comprar um aparelho novo, releia o que eu escrevi no capítulo anterior sobre a importância de escolher um modelo com configuração de hardware compatível com seu perfil e que receba as próximas três ou quatro atualizações do sistema e patches de segurança pelos próximos quatro ou cinco anos. Ainda que a obsolescência programada nos induza a trocar o celular a cada dois anos, e que modelos de entrada possam se encontrados por menos R$ 1 mil, aparelhos medianos de boa estirpe custam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, e alguns modelos premium chegam a custar mais de R$ 10 mil.

 

A Samsung — líder do mercado de smartphones no Brasil — anunciou recentemente o lançamento do Galaxy Z Fold 7, da nova geração de celulares dobráveis. Embora tenha apenas 8,9 milímetros quando dobrado e 4,2 milímetros quando desdobrado, ele vem com tela maior, nova interface One UI 8 (com Android 16) e recursos de inteligência artificial providos pelo Galaxy AI. Suas três câmeras variam entre 10 MP (para selfie, frontal e telefoto) e 200 MP (para a grande angular), com recursos de IA para melhorar a edição de fotos e vídeos. No que diz respeito à memória e ao armazenamento, as opções vão de 12 GB a 16 GB e de 256 GB a 1 TB, respectivamente. Já a bateria de 4.500 mAh é a mesma usada na versão anterior do modelo.

 

O aparelho está disponível nas cores sombra azul, sombra prateada, preto-azeviche e menta, com preços a partir de 1.999 dólares nos EUA e 1.799 libras no Reino Unido. Quando redigi esta postagem, ele ainda não era vendido oficialmente no Brasil.

 

A Motorola — segunda colocada no ranking tupiniquim — ainda está distribuindo o Android 15 para alguns de seus modelos, mas o Android 16 deve chegar até o final do ano, primeiro para os modelos topo de linha, como o Edge 50 Pro e os novos Razr. Na família Moto G, os modelos Moto G 2025, Moto G Power 2025, Moto G Stylus 2025, Moto G86, G86 Power, Moto G55, G56, G75 e G85 estão na lista de espera.

 

Observação: Alguns aparelhos populares, como a linha Razr 2023 e modelos de entrada como os Moto G15 e G35, não figuram nessa lista, mas o Moto Razr 2024, que tem menos de um ano, deve receber o Android 16. Se o seu celular é recente e não está listado, convém ficar de olho nos canais oficiais da Motorola para acompanhar as novidades.

 

O Android 16 traz várias melhorias, e a Hello UI vai incorporar esses avanços com um toque personalizado. Entre as novidades previstas estão: um sistema de notificações mais inteligente e dinâmico; melhorias no RCS para chats em grupo; interface remodelada, com controle de volume redesenhado e painéis separados para configurações rápidas e notificações; aprimoramentos internos para reforçar a privacidade do usuário; e suporte otimizado para aparelhos como o Razr e a linha Edge.

 

Vale lembrar que as atualizações costumam ser disponibilizadas primeiro nos EUA e na Europa e só depois no Brasil — especialmente para modelos vinculados a operadoras.


Continua…

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 44ª PARTE — QUANDO O FUTURO TAMBÉM APONTA PARA TRÁS

O MAIOR CASTIGO DO MENTIROSO NÃO É OS OUTROS NÃO ACREDITAREM NELE, MAS ELE NÃO PODER ACREDITAR NOS OUTROS.

A viagem no tempo sempre fascinou a humanidade, mas um dos maiores obstáculos para sua realização está na própria natureza do tempo e na manipulação da entropia — a medida da desordem de um sistema físico. 


Para compreender essa complexidade, imagine um vaso sobre uma mesa: sua entropia é baixa, mas aumentaria drasticamente se ele caísse e se quebrasse. Os cacos não se reorganizariam sozinhos, ilustrando perfeitamente a irreversibilidade que governa nosso mundo cotidiano.

 

Em escala cósmica, porém a passagem do tempo parece estar conectada à expansão contínua do universo em todas as direções — um fenômeno que nos fornece uma orientação temporal clara desde o Big Bang.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


No segundo dia do julgamento do século, o advogado de Bolsonaro afirmou que “não há uma única prova” que ligue o ex-presidente ao 8 de janeiro, que seu cliente não atentou contra o estado democrático de direito e que a delação de Mauro Cid “não é confiável”. Para o advogado Braga Netto, Cid "mente descaradamente", e para o patrono do general Augusto Heleno "um juiz não pode se tornar protagonista do processo”.

A condenação dos réus são favas contada e as penas máximas previstas para os cinco crimes  somam mais de 40 anos de prisão. Resta saber onde Bolsonaro gozará suas  férias compulsórias. Lula  passou 580 dias hospedado numa cela VIP da Superintendência da PF em Curitiba. Na condição de oficial do Exército, o "mito" pode ficar numa cela no Comando Militar do Planalto — ou não, já que a condenação criminal resulta em perda de patente.

As próximas sessões do julgamento estão marcadas para os dias 9, 10 e 12. A previsão é que o resultado do julgamento seja conhecido na sexta-feira, 12. Além de votarem pela condenação ou absolvição de cada um deles, os ministros precisam definir a dosimetria da pena – quanto tempo eles ficarão presosCogita-se que o ex-presidente e seus cúmplices cumpram as penas no Complexo Penitenciário da Papuda, que abriga mais de 16 mil detentos, mas possui uma ala separada dos presos de maior periculosidade para abrigar os assim chamados "vulneráveis"Mas não seria surpresa se, a exemplo de Collor, o "mito" cavasse uma prisão domiciliar por "razões humanitárias". Afinal, isto aqui é Brasil. 

Bolsonaro aposta suas fichas no Congresso, mas, mesmo se aprovada nas duas Casas, a anistia será vetada por Lula. Deputados e senadores poderiam derrubar o veto, mas nesse caso a aberração seria barrada no STF, que vê as articulações como inócuas. Nos bastidores, as togas afirmam que a proposta é inconstitucional e dificilmente passaria no plenário da Corte. Eles lembraram ainda da tentativa do próprio Bolsonaro de conceder um indulto ao ex-deputado Daniel Silveira, considerado inconstitucional por não poder ser aplicado a crimes contra o Estado Democrático de Direito. 

Mesmo considerando que o PL da anistia não teria efeitos práticos, ministros avaliam que sua aprovação no Congresso representaria uma afronta à Corte, e admitem que poderiam contra-atacar votando pelo fim das emendas impositivas — o tema já está em análise em diversas ações sob relatoria do ministro Flávio Dino. 

Em qualquer hipótese, a ressurreição extemporânea do projeto que passa uma borracha no complô do golpe favorece a estratégia política de Lula. Depois de ser presenteado por Trump com o mote da defesa da soberania, o macróbio ganha do Centrão o material para restaurar o arco democrático que lhe deu a vitória (apertada, mas enfim) em 2022.


Durante séculos, os físicos consideraram a irreversibilidade da "seta do tempo" um princípio fundamental da natureza, mas essa visão vem sendo desafiada pelas descobertas da física quântica, onde as interações são probabilísticas e, em certos contextos, reversíveis através da matéria exótica em estruturas como os buracos de minhoca — lembrando que tanto a existência da matéria exótica quanto dos buracos de minhoca ainda carecem de confirmação observacional direta.

 

Através de simulações matemáticas e experimentos com sistemas fotônicos, pesquisadores da Universidade de Surrey, no Reino Unido, descobriram evidências de que duas setas do tempo opostas podem emergir de certos sistemas quânticos — ou seja, que a reversibilidade pode coexistir com a irreversibilidade, dependendo das condições iniciais e da interação com o ambiente. Essa descoberta desafia a concepção tradicional de causalidade e evolução temporal, e uma eventual confirmação leva a crer que nosso conceito linear do tempo não passa de uma ilusão emergente da realidade macroscópica.


Um aspecto crucial dessa pesquisa é o papel da decoerência e do observador — a decoerência é o processo pelo qual um sistema quântico perde sua coerência, ou seja, deixa de exibir superposição de estados e passa a se comportar como um sistema clássico. Isso significa que o ato de medir ou observar não apenas perturba o sistema, mas pode determinar a direção temporal que ele seguirá. 


Os cientistas propõem a existência de duas setas temporais distintas: a termodinâmica, associada ao aumento da entropia, e a informacional, relacionada ao fluxo de informações nos sistemas quânticos. A questão que permanece é qual das duas experimentamos em nossa realidade cotidiana e se ambas podem coexistir — uma predominando em escalas macroscópicas e a outra restrita ao domínio quântico.

 

Alguns físicos teóricos sugerem que tanto o espaço quanto o tempo podem surgir de propriedades mais fundamentais da informação e da termodinâmica. Se isso estiver correto, o tempo seria mais uma "ilusão útil" do que um componente básico da realidade. Em ambientes extremos — como nas proximidades de buracos negros, onde as singularidades fazem com que as leis conhecidas da física não se apliquem —, ele pode literalmente "andar para trás" ou seguir direções não convencionais. 


Isso levanta questões fascinantes sobre como múltiplas setas temporais poderiam se manifestar em escalas cosmológicas, já que conceitos como "passado" e "futuro" podem ser apenas produtos de nossa percepção limitada. Nesse cenário, talvez o futuro não seja tão predefinido quanto imaginamos, e o livre-arbítrio poderia existir em um nível mais profundo, onde nossas escolhas não apenas moldam o presente, mas influenciam a própria direção temporal. 


Atribui-se ao filósofo grego Sócrates máxima "só sei que nada sei", que, a despeito da origem incerta, aplica-se perfeitamente a nosso entendimento atual do tempo: quanto mais os cientistas se aprofundam na exploração do tempo quântico, mais claro fica que eles estão apenas no início de uma jornada emocionante e complexa.

 

A possibilidade de navegar pelo tempo como um barco por um rio — avançando e retrocedendo — pode parecer ficção científica, mas os avanços da ciência sugerem que a realidade pode ser muito mais maleável e surpreendente do que nossa experiência cotidiana nos leva a crer.


Continua...

quarta-feira, 20 de agosto de 2025

SMARTPHONE COMPACTO COM BATERIA DE RESPONSA

O FALSO AMIGO E A SOMBRA SÓ NOS ACOMPANHAM ENQUANTO O SOL BRILHA.

A telefonia móvel começou a ser testada experimentalmente no início do século passado. Os primeiros aparelhos para automóveis surgiram nos anos 1940 — o Mobile Telephony A, lançado pela sueca Ericsson na década seguinte, pesava 40 kg e era tão grande que precisava ser acomodado no porta-malas. 

O primeiro celular comercializado no Brasil foi o Motorola PT-550 — um "tijolão" de 800g. Até a privatização das Teles, em 1998, habilitar uma linha móvel era caro e trabalhoso; a insuficiência de células (antenas) restringia o sinal às capitais e grandes centros urbanos; a profusão de "áreas de sombra" dificultava ainda mais o uso dos aparelhos; o preço das ligações era proibitivo e pagava-se tanto pelas chamadas efetuadas quanto pelas recebidas.

Até o lançamento do iPhone, em 2007, "miniaturização" era a palavra de ordem; à medida que os pequenos notáveis foram se transformando em microcomputadores ultraportáteis, as telas sensíveis ao toque e os teclados virtuais reverteram o processo de encolhimento. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Durante a cúpula realizada nesta segunda-feira em Washington, Trump disse a Macron, referindo-se a Putin: "Ele vai fazer um acordo por mim, mesmo que pareça loucura". Apenas Trump acredita que tudo terminará em breve. Tanto a Rússia quanto a Ucrânia, assim como os principais países europeus, estão se preparando para um longo e tortuoso processo que — talvez — leve a um acordo de cessação das hostilidades. Prova disso é que, no exato momento da reunião, a Rússia lançou contra a Ucrânia o ataque aéreo mais pesado desde julho.

Entrementes, o ministro Flávio Dino levou os bancos brasileiros de volta à estaca zero sobre o que pode ou não ser feito no relacionamento comercial com Moraes — que foi sancionado pelo maluco da Casa Branca com base Lei Global Magnitsky —, ao decidir que ordens judiciais e executivas de governos estrangeiros não homologadas pelo STF não têm eficácia no Brasil.

Em outras palavras, com uma única receita Chef Dino serviu dois pratos: carbonizou a pretensão da Justiça do Reino Unido de interferir nas indenizações decorrentes do desastre ambiental de Mariana e, na mesma frigideira, às vésperas do julgamento de Bolsonaro, fritou o plano de Trump de asfixiar as finanças de Xandão sem tocá-lo. 

Ao desobrigar instituições financeiras que operam no Brasil de impor as sanções de Trump contra Moraes, Dino blindou a si mesmo e aos demais togados contra os esforços de Eduardo Bolsonaro, bem como deixou subentendido que o STF não cogita pagar com a impunidade de Bolsonaro o resgate exigido por Trump.

Assim que o despacho do ministro veio a público, o Departamento de Estado americano postou nas redes que "nenhuma Corte estrangeira pode invalidar sanções dos Estados Unidos ou livrar empresas e indivíduos de consequências de eventuais violações às restrições de Washington", e que "Moraes é tóxico para todos os negócios legítimos e indivíduos que buscam acesso aos EUA e aos seus mercados".

Em casa onde falta o pão, todos gritam e ninguém tem razão.

Para quem se sente desconfortável com dispositivos quase do tamanho de uma tábua de carne, os modelos compactos — também chamados de small phones — são mais leves, fáceis de levar no bolso e podem ser usados com uma só mão. No entanto, as telas minúsculas afetam a experiência em jogos, vídeos e tarefas que exigem muita digitação, e as dimensões reduzidas da carcaça reduzem a capacidade da bateria e, consequentemente, a autonomia do dispositivo.

Como toda regra tem exceção, o Xiaomi 16 surge como o primeiro celular compacto do mundo a ter bateria de tablet, com capacidade de até 7.000 mAh, e utilizar uma tela OLED plana entre 6,3 e 6,39 polegadas. O processador Qualcomm Snapdragon 8 Elite 2 não só esbanja potência, como também oferece maior eficiência energética do que as gerações anteriores. Se os prazos habituais da marca se confirmarem, a nova família deve ser lançada na China em setembro e chegar ao mercado global até o final deste ano.

A conferir.

segunda-feira, 28 de julho de 2025

SOBRE LUIZ FUX, O NÚCLEO GOLPISTA E "OTRAS COSITAS MÁS"

DEBATES ENTRE PESSOAS RAZOÁVEIS NÃO GERAM CONFLITOS, GERAM NOVAS IDEIAS. 

Depois que um golpe de Estado (o primeiro de muitos) substituiu a monarquia parlamentarista do Império pelo presidencialismo republicano, em 1889, mais de três dúzias de brasileiros ocuparam a Presidência. Fernando Henrique foi o mais próximo de um estadista que tivemos desde a "redemocratização" — lembrando que a renúncia de Jânio, em 1961, pavimentou o caminho para o golpe de 1964 e os subsequentes 21 anos de ditadura. Mas Lord Acton ensinou que o poder corrompe, e FHC, que ninguém resiste à picadura da mosca azul. 

 

Em 1997, o tucano de plumas vistosas comprou a PEC da reeleição e, rezando pelo catecismo de Geraldo Vandré — segundo o qual "quem sabe faz a hora, não espera acontecer" —, derrotou Lula já no primeiro turno do pleito de 1998. Mas faltaram-lhe novos coelhos para tirar da velha cartola e, quatro anos depois, o petista venceu José Serra, levando o PT ao poder. A partir de então, o Brasil passou a ser governado como uma usina de processamento de esgoto: a merda entra pela porta das urnas e muda de aparência, mas o que sai na posse do novo governante continua sendo merda — reciclada, mas ainda merda. 

 

Não que a coisa fosse melhor em outro momento da nossa história. A sementinha da corrupção foi plantada em Pindorama nos idos 1500, quando, em sua famosa carta, Pero Vaz de Caminha pediu ao rei D. Manuel que intercedesse por seu genro. Trezentos anos depois, o país passou de colônia a reino-unido, mas somente porque a família real portuguesa se desabalou para o Rio de Janeiro para fugir de Napoleão Bonaparte. Nossa independência — paga a peso de ouro — foi proclamada por D. Pedro I enquanto esvaziava os intestinos, e a Proclamação da República, despida do glamour que lhe atribuem os livros de História, não passou de um golpe de Estado político-militar (o primeiro de muitos, como dito anteriormente). 

 

Até o início do século XIX, nosso país não tinha uma corte constitucional. A "Casa da Suplicação do Brasil" foi criada em 1808, mas a função de corte suprema só se solidificaria 1829, com a criação do "Supremo Tribunal de Justiça" — que passou a se chamar "Supremo Tribunal Federal" com a proclamação da República. Hoje, além do papel de corte composicional, cabe ao Supremo processar agentes públicos com foro especial por prerrogativa de função e julgar recursos extraordinários contra decisões de outros tribunais. Mas aquela conversa de que juízes são isentos, apolíticos e apartidários não passa de cantilena para dormitar bovinos. Os magistrados não só tomaram gosto pela política — e quem conquista poder político não abre mão dele facilmente — como também sucumbiram à nefasta polarização, que dividiu o país em duas abjetas facções.

 

Mesmo estando inelegível e contando os dias que faltam para sua mais que provável condenação, Bolsonaro continua fazendo pose de candidato. Ao pressionar a banda podre da Câmara a aprovar uma insana proposta de anistia, o golpista confessa por vias tortas os crimes que jura não ter cometido. Como se não bastasse, seu filho Eduardo atua como articulador das sanções impostas pela Casa Branca ao país que, como deputado por São Paulo (que também elegeu Tiririca para quatro mandatos consecutivos), é pago para defender. 

 

Dias atrás, o filho do pai estendeu sua abjeta chantagem aos presidentes da Câmara e do Senado: se Motta não levar à pauta de votações da Câmara o projeto que anistia aos golpistas e Alcolumbre engavetar o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes — renovado dias atrás pelo senador das rachadinhas, panetones e mansões milionárias Eduardo Bolsonaro —, poderão ter seus vistos de entrada nos EUA cassados, a exemplo do que aconteceu com oito dos onze ministros do STF.

 

O ex-ministro Sepúlveda Pertence definiu o Supremo como "um arquipélago de 11 ilhas", mas a politização ficou mais evidente em 2019, quando seis dos onze membros da Corte mudaram a jurisprudência sobre a prisão em segunda instancia, ensejando a "volta do criminoso à cena do crime” — como bem observou o hoje vice-presidente Geraldo Alckmin quando ainda era tucano. 

 

Gilmar Mendes — a verdadeira "herança maldita" de FHC — defendia a Lava-Jato com unhas e dentes, mas virou a casaca depois que a Vaza-Jato denegriu a imagem do ex-juiz Sergio Moro, do ex-procurador Deltan Dallagnol e de outros integrantes do braço paranaense da força-tarefa, embora seu "crime hediondo" tenha sido combater corrupção sistêmica e pôr na cadeia bandidos travestidos de executivos das maiores empreiteiras do país e políticos ímprobos de altíssimo coturno. 

 

Dias Toffoli — que ganhou a suprema toga graças aos "bons serviços prestados" como advogado do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, consultor jurídico da Central Única dos Trabalhadores (CUT), assessor jurídico do PT e do ex-ministro José Dirceu e subchefe para assuntos jurídicos da Casa Civil sob Lula, a despeito de ter sido reprovado em dois concursos para juiz de primeira instância em São Paulo —, vem fazendo das tripas coração para reconquistar as boas graças de Lula com decisões teratológicas que visam claramente favorecer os "amigos do rei". 

 

Indicado por Lula para o Supremo a pedido da então primeira-dama, Ricardo Lewandowski retribuiu a gentileza durante o julgamento do Mensalão, no qual atuou mais como defensor dos réus do que como julgador. No impeachment de Dilma, ele e o senador Renan Calheiros urdiram uma tramoia para evitar que a mulher sapiens tivesse seus direitos político suspensos.

 

E por aí segue a procissão.

 

Em seu artigo 1º, a Constituição Cidadã anota que "a República Federativa do Brasil [...] constitui-se em Estado Democrático de Direito" e tem como primeiro fundamento "a soberania". O parágrafo único desse mesmo artigo estabelece que "todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente". Já no primeiro inciso do artigo 3º, o Regimento Interno da Câmara explicita que é dever do deputado federal "promover a defesa do interesse público e da soberania nacional". Na prática, porém, a teoria costuma ser outra.

 

Morando nos EUA e exercendo em tempo integral a atividade de traidor da pátria, Eduardo Bolsonaro rasga a Carta Magna, sapateia sobre o regimento da Câmara e desonra os 741 mil votos que obteve do eleitorado paulista em 2022. Mas não é só: a falta de posicionamento dos dirigentes do Congresso sobre o pedido de cassação do traíra injeta na conjuntura brasiliense uma vergonha convulsiva: quando alguém precisa tomar uma decisão e não toma, está decidindo não fazer nada, e nada, no caso do deputado, é uma palavra que já ultrapassa tudo. Ou Congresso expurga o personagem dos seus quadros, tornando-o inelegível, ou se desmoraliza junto com ele.

 

A coação exercida sobre o STF por Trump em parceria com a Famiglia Bolsonaro já justificaria a prisão preventiva do chefe do clã, mas Moraes "morde e assopra", evitando confundir o necessário com o excessivo, sobretudo depois que seu colega Luiz Fux votou contra as medidas cautelares impostas ao capetão (dizem que o fez para não ter seus visto de entrada nos EUA cassado, como já aconteceu com oito de seus pares). Vale destacar que não foi a primeira vez que ele divergiu do relator e de seus colegas da Primeira Turma. Durante a análise da denúncia da PGR, o ministro levantou dúvidas sobre a delação de Mauro Cid e a competência da Turma para julgar Bolsonaro e seus cúmplices (que, segundo ele, seria da primeira instancia do Judiciário ou, na pior das hipóteses, dos 11 ministros da Corte). 

 

Diz um ditado que "só não muda de opinião quem já morreu", mas causa espécie que o ministro "punitivista" que apoiou o relator (Joaquim Barbosa) na condenação da maioria dos réus da ação penal 470 (vulgo "Processo do Mensalão") e se tornou um dos principais defensores da Lava-Jato tenha dado um "cavalo de pau" digno dos melhores filmes de ação, aliando-se à corrente "garantista", que prioriza a proteção dos direitos fundamentais dos réus. 

 

Embora concorde com as condenações pela trama golpista, Fux tem acatado alguns argumentos dos acusados, e comenta-se à boca pequena que ele continuará nessa linha, como forma de "garantir a moderação no STF". No julgamento da cabeleireira Débora dos Santos, que ficou conhecida por pichar com batom a frase "Perdeu, mané" na estátua da Justiça, Moraes propôs 14 anos de prisão, mas Fux sugeriu um ano e seis meses, arrancando elogios de Michelle Bolsonaro.

 

No fim de março, durante o julgamento da denúncia da PGR contra o grupo principal da trama golpista — encabeçado por Bolsonaro —, Fux foi o único a abraçar o argumento da defesa no sentido de que o foro indicado para conduzir as investigações seria primeira instância do Judiciário, e não no STF. Derrotado por seus pares, ele acabou votando pelo recebimento da denúncia, que foi aceita por unanimidade. No mesmo julgamento, afirmou ser contrário à ideia de punir a tentativa de golpe como se fosse um crime consumado. Defendeu a necessidade de diferenciar os atos preparatórios da execução do crime e levantou dúvidas sobre a legalidade da delação de Mauro Cid. As observações renderam elogios da defesa de Bolsonaro.

 

No depoimento de Cid ao STF, Fux fez perguntas que foram elogiadas por Eduardo Bolsonaro — em suas redes sociais, o filho do pai escreveu: "Urgente! Fux desmontou o castelo de areia com duas perguntas." Nos depoimentos de testemunhas do chamado núcleo crucial, foi o único —além do relator — a comparecer às sessões e fazer questionamentos nas oitivas. E a expectativa é que ele continue apresentando contrapontos às discussões, assumindo de maneira informal o papel de "ministro revisor", personificado por Lewandowski no julgamento do Mensalão, mas extinto em 2023 por uma alteração no Regimento Interno da Corte. 

 

As ideias que Fux defende atualmente contrastam com julgamentos penais do passado. Após sua brilhante atuação no Mensalão, o ministro defendeu a Lava-Jato mesmo depois que a Vaza-Jato expôs uma "suposta relação espúria" de Sergio Moro com os procuradores de Curitiba. Em abril de 2021, Fux se posicionou contra a anulação das condenações impostas a Lula pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Em junho de 2022, quando presidia o STF, disse que a anulação foi resultado da análise de questões formais: "Ninguém pode esquecer que ocorreu no Brasil, no Mensalão, na Lava-Jato."

 

Fux intensificou sua relação com Bolsonaro a partir de setembro de 2020, quando assumiu a presidência do STF. No mês seguinte, recebeu o então mandatário para uma "visita de cortesia" que durou cerca de 45 minutos. Bolsonaro elogiou a decisão de Fux de manter preso um dos líderes do PCC, solto por determinação do (hoje aposentado) ministro Marco Aurélio. Sua atitude provocou irritação do colega — até porque não é praxe um ministro suspender a decisão de outro.

No dia seguinte ao encontro, Bolsonaro concedeu a Fux a Ordem de Rio Branco em seu mais alto nível, o grau de Grã-Cruz.

 

Coincidência ou não, os únicos ministros do STF que não tiveram seus vistos revogados pelo secretário de Estado dos EUA foram os bolsonaristas André Mendonça e Nunes Marques... e Luiz Fux — indicado para o tribunal por Dilma em 2011.

 

Aguardemos, pois, os próximos capítulos de mais esse emocionante folhetim tupiniquim.