terça-feira, 20 de maio de 2025

ADOBE — FERRAMENTAS GRATUITAS

MELHOR TER E NÃO PRECISAR DO QUE PRECISAR E NÃO TER.

 

"Saber não ocupa lugar", diziam os antigos. Hoje, sabe-se que não é bem assim. Traçando um paralelo com as memórias dos dispositivos computacionais, as mais de 1 trilhão de conexões que nossos mais de 1 bilhão de neurônios são capazes de formar resultam em cerca de 2,5 PB (cada petabyte corresponde a 1.000.000 de gigabytes) — o que já seria suficiente para dar conta da nossa expectativa de vida.

Se cada neurônio armazenasse uma única lembrança, teríamos um sério problema de espaço: ao contrário das memórias física e de massa dos PCs, a nossa não ser passível de upgrade e tende a se degradar com a idade. No entanto, as combinações que as sinapses criam são suficientes para armazenar a programação de um canal de TV transmitida ininterruptamente por mais de 300 anos. Além disso, o cérebro apaga lembranças que considera desnecessárias, abrindo espaço para novas.

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Desde o retorno do recesso, nossos caríssimos deputados só interromperam seu dolce far niente para debater uma proposta vexatória de anistia aos golpistas do 8 de janeiro (leia-se Jair Bolsonaro et caterva) e para criar 18 novas vagas na Câmara — embora pudessem redistribuir as atuais 513 vagas entre os 26 estados e o DF, suas insolências optaram pela alternativa mais onerosa, que acarretará uma despesa extra de R$ 748,6 milhões por ano. 
Na última segunda-feira, porém, nosso valoroso Congresso deu mais um sinal de vida (não necessariamente inteligente) ao protocolar o requerimento de uma CPMI para investigar o escândalo do INSS. A iniciativa, capitaneada pela deputada Coronel Fernanda e pela senadora Damares Alves, ambas do PL, visa driblar o presidente da Câmara, que colocou no final da fila o pedido de uma CPI sobre o mesmo tema. O requerimento foi assinado por 223 deputados e 36 senadores e precisa ser lido pelo presidente do Congresso para que a comissão mista seja efetivamente instalada. Como Alcolumbre viajou com Lula para confraternizar com ditadores, a próxima sessão deve ocorrer apenas no próximo dia 27. 
O escândalo tem potencial para degradar ainda mais a imagem do atual governo (e do atual governante). Uma pesquisa realizada pela Quaest mostrou que a repercussão em grupos públicos de aplicativos de mensagens foi maior que a da onda de boatos sobre taxação de transações via Pix. Na avaliação do ministro da Fazenda, "o escândalo está respingando no governo porque a Controladoria-Geral da União (CGU) entregou o caso à PF", e acrescentou que Lula quer “uma punição exemplar” para as fraudes. 
Está-se vendo: a Advocacia-Geral da União (AGU) deixou de incluir algumas associações citadas na investigação da PF — entre as quais o Sindnapi, que tem como vice-presidente Frei Chico. Que, diga-se de passagem, não é frei nem se chama Francisco, mas sim José Ferreira da Silva — irmão do presidente da República.

Considerando que é sempre melhor saber e não precisar do que precisar e não saber — a Adobe, referência em ferramentas profissionais como Photoshop, Premiere Pro e Illustrator, também oferece diversos aplicativos gratuitos que podem ser úteis para edição de fotos, vídeos, design e produtividade.
 
O Photoshop Express é uma versão mobile simplificada do Photoshop, perfeita para edições rápidas e criativas. Traz ferramentas como remoção de objetos, ajustes de pele e filtros artísticos, além de um recurso de IA que transforma textos em imagens — ideal para quem quer editar fotos ou criar memes e colagens sem complicação. A versão premium oferece controles mais precisos e funções avançadas, mas a gratuita atende perfeitamente às necessidades da maioria dos usuários domésticos.
 
O Adobe Express é um hub completo para criação de posts, vídeos e designs, com modelos prontos e ferramentas de IA. Permite editar fotos e vídeos, remover fundos, criar GIFs e até gerar imagens a partir de textos. A versão gratuita já oferece recursos poderosos, como edição de vídeo simplificada e templates profissionais. A IA auxilia na criação de artes, textos e na manutenção de uma identidade visual consistente. Excelente opção para criações ágeis e profissionais, direto do celular ou navegador.
 
O Adobe Scan é sopa no mel para quem precisa digitalizar documentos com qualidade. Utiliza tecnologia OCR (reconhecimento óptico de caracteres) para converter imagens em textos editáveis, facilitando a organização e o reaproveitamento de informações. Permite capturar páginas impressas com a câmera do celular, ajustar perspectivas, cortar áreas indesejadas, melhorar a nitidez e salvar os arquivos em PDF ou JPEG, além de compartilhá-los via Adobe Document Cloud.
 
O Lightroom Mobile é a versão gratuita do famoso editor de fotos da Adobe, ideal para quem deseja ajustar cores, corrigir imperfeições e aplicar efeitos avançados sem complicação. Os efeitos automáticos com IA equilibram luz, contraste e saturação com um toque. Para vídeos, o app oferece edição básica de cor e luz. A versão paga inclui edição em RAW e sincronização avançada com a Creative Cloud, mas a gratuita já atende bem à maioria dos usuários casuais e entusiastas da fotografia.
 
O Acrobat Reader é o aplicativo mais utilizado do mundo para visualizar, comentar e assinar documentos em PDF. Um dos destaques é o OCR inteligente, que transforma documentos escaneados em textos pesquisáveis e editáveis. O recurso Liquid Mode ajusta o layout para leitura confortável em dispositivos móveis.
 
O Adobe Premiere Rush é a versão simplificada do Premiere Pro, desenvolvida para edição rápida de vídeos no celular ou computador. Ideal para criadores de conteúdo que publicam em Instagram, TikTok e YouTube. Permite cortar e ajustar clipes, aplicar transições, corrigir cores e adicionar títulos animados. Suporta múltiplas faixas de áudio e vídeo, incluindo efeitos como picture-in-picture. A exportação otimizada redimensiona os vídeos automaticamente para as proporções ideais de cada rede. A versão gratuita já é suficiente para edições simples.
 
Por último, mas não menos importantes, o Adobe Acrobat Sign é uma segura para assinar documentos digitalmente, com validade jurídica. Permite enviar contratos para assinatura, rastrear o status e coletar rubricas de várias pessoas. Os arquivos ficam armazenados com criptografia na nuvem. A versão gratuita possibilita assinaturas com o dedo ou caneta stylus; os planos pagos oferecem automação de fluxos de trabalho e integração com serviços como Dropbox e Google Drive.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

O PAÍS DA CORRUPÇÃO — 6ª PARTE

RELEMBRAR O PASSADO É VIVER DUAS VEZES

 

Lula disputou a presidência três vezes até finalmente se eleger. Em 1989, perdeu para Collor no segundo turno, e em 1994 e 1998, para FHC, que foi o único mandatário eleito e reeleito no primeiro turno desde a redemocratização.

 

Em 2006, a despeito do escândalo do mensalão, o petista renovou seu mandato. Em 2010, jactando-se de ser capaz de "eleger até um poste", escalou Dilma Rousseff para manter aquecida a poltrona que pretendia voltar a disputar em 2014. 


Até então, mesmo tendo sido ministra de Minas e Energia e ministra-chefe da Casa Civil nos (des)governos de seu criador, o "poste" de Lula não passava de uma ilustre desconhecida. Como bem sintetizou Augusto Nunes, crítico ferrenho das (indi)gestões petistas: 

 

"Sem saber atirar, Dilma virou modelo de guerrilheira; sem ter sido vereadora, virou secretária municipal; sem passar pela Assembleia Legislativa, virou secretária de Estado, sem estagiar no Congresso, virou ministra; sem ter inaugurado nada de relevante, fez posse de gerente de país; sem saber juntar sujeito e predicado, virou estrela de palanque; sem jamais ter tido um único voto na vida até 2010, virou presidente do Brasil e renovou o mandato quatro anos depois, mediante o maior estelionato eleitoral da história" (lembrando que Bolsonaro veio depois).

 

Com a "mulher sapiens" na presidência de seu Conselho de Administração, a Petrobras pagou US$ 360 milhões por metade de uma refinaria que companhia belga ASTRA OIL havia comprado um ano antes por US$ 40,5 milhões. Mais adiante, uma decisão judicial obrigou a estatal a adquirir a outra metade da sucata, aumentando o prejuízo para US$ 1,18 bilhão. 


Dilma disse que o negócio só foi aprovado porque "cláusulas fundamentais" lhe eram desconhecidas, e culpou Nestor Cerveró, que não só não foi punido como foi promovido a diretor financeiro da BR Distribuidora. Em delação premiada, ele revelou que a campanha de Lula à reeleição havia sido financiada com propina paga pelo contrato dos navios-sonda Petrobras 10.000 Vitória 10.000, que custaram cerca US$ 1,2 bilhão (valor equivalente ao da compra da igualmente inútil refinaria de Pasadena).

 

Dilma fez o diabo para se reeleger — e conseguiu, mas foi impichada em 2016. A promoção de Temer (um caso curioso de vampiro que tem medo de assombração) pareceu uma lufada de vento numa catacumba, mas sua "ponte para o futuro" se revelou uma patética pinguela, e seu ministério de notáveis, uma notável confraria de corruptos. 


Em maio de 2017, o vazamento de uma conversa de alcova com o dono da Friboi quase derrubou o governo, mas Temer foi demovido da ideia de renunciar por sua tropa de choque, que o escudou das "flechadas de Janot". Refém das marafonas da Câmara, o nosferatu concluiu seu mandato-tampão como "pato manco" e transferiu a faixa a Bolsonaro, o mau militar e parlamentar medíocre que sempre teve aversão à democracia e tendência ao golpismo. E deu no que deu.   

 

Resumo da ópera: 

 

Collor foi impichado em 1992 e Dilma, em 2016. O "caçador de marajás" de fancaria renunciou horas antes do julgamento, mas ficou inelegível por 8 anos. Dilma foi condenada e deposta, mas uma vergonhosa tramoia urdida por Renan Calheiros e Ricardo Lewandowski (então presidentes do Senado e do Supremo) evitou que ela fosse inabilitada politicamente. Em 2018, a "mulher sapiens" disputou uma vaga no Senado por Minas gerais, mas terminou em quarto lugar.


Lula foi preso em abril de 2018, solto em novembro de 2019, descondenado e reabilitado politicamente por togas camaradas, visando evitar mais quatro anos sob o pior mandatário desde Tomé de Souza. A despeito de vir amargando os piores índices de popularidade de sua trajetória politica, o macróbio petista se recusa a largar o osso. Dilma, que mal consegue juntar sujeito e predicado numa frase que faça sentido, foi agraciada com presidência do Brics (salário de R$ 2,13 milhões por ano).


Durante a campanha de 2018, Bolsonaro prometeu pegar em lanças contra a corrupção petista. Eleito, facilitou a vida de corruptos — começando pelo filho, que lavava dinheiro em loja de chocolate. Em 2022, tentou vender aos comandantes das FFAA um golpe de Estado travestido de medida constitucional. Deu com os burros n'água e devolveu o Brasil ao PT. Inelegível até 2030 e na bica de ser condenado por tentativa de golpe, insiste que disputará novamente a Presidência em 2026. 


Como desgraça pouca é bobagem, a polarização política segue firme e forte. Mesmo que o Sun Tzu de Atibaia e o refugo da escória da humanidade despertem de seus devaneios, é provável que o esclarecidíssimo eleitorado tupiniquim despache para o segundo turno um par de sacripantas indicados por seus bandidos de estimação. 


Como um país assim pode dar certo?      

domingo, 18 de maio de 2025

TORTA DE LIQUIDIFICADOR

PODE-SE APRESENTAR A CULTURA A UM IDIOTA, MAS NÃO SE PODE OBRIGÁ-LO A PENSAR.

O liquidificador foi inventado em 1922 por uma empresa que fabricava utensílios para sorveterias. A ideia era facilitar o preparo de vitaminas, milkshake e outras receitas. O primeiro modelo chegou ao Brasil em 1944 com o nome Newton, e logo se popularizou em nossas cozinhas.

Passando à receita da vez, a principal vantagem da torta de liquidificador é agilizar o preparo da massa, pois dispensa misturar a farinha, os ovos, o óleo e os demais ingredientes manualmente, enfarinhar a pia, abrir a massa e coisa e tal, o que dá trabalho, leva tempo e suja a cozinha. 

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Diante de uma prisão dada como certa até o final do ano, Bolsonaro tenta provocar um confronto entre a Câmara e o Supremo com um projeto de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro — do qual ele próprio é o maior beneficiário.
Uma proposta alternativa, articulada pelos presidentes da Câmara e do Senado, e acompanhada de perto por ministros do STF, deve ser apresentada até o final do mês. A ideia é livrar os mais humildes, manter as penas por depredação do patrimônio público e não isentar o ex-presidente de eventual responsabilidade futura. Também prevê que os crimes mais graves — como golpe de Estado ou tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito — sejam reunidos em uma única imputação penal, dirigida apenas a financiadores, organizadores ou idealizadores dos atos.
Tanto Hugo Motta quanto Davi Alcolumbre já sinalizaram à tropa de choque bolsonarista que não há a menor chance de aprovação de uma anistia ampla e irrestrita. A proposta alternativa seria a “possível”.
Por outro lado, isso fornece combustível novo para Bolsonaro trombetear sua narrativa batida de "perseguido político". Na manifestação do último dia 7, o "mito" afirmou que “a anistia é um ato político e privativo do Parlamento, e que ninguém tem que se meter em nada”. Três dias depois, com o voto da ministra Cármen Lúcia, a 1ª Turma do STF derrubou por unanimidade parte da decisão da Câmara que havia suspendido toda a ação penal contra o deputado bolsonarista Alexandre Ramagem, réu na trama golpista.
Os movimentos do capetão são óbvios — e os ministros estão de olho em cada passo. É o vale-tudo que, na prática, pode não valer absolutamente nada.
 
Você vai precisar de:
 

— 3 ovos inteiros;

 

— 1 xícara (chá) de óleo ou azeite;

 

— 2 xícaras (chá) de leite integral;

 

— 2 xícaras (chá) de farinha de trigo;

 

— 1 pacotinho de queijo tipo parmesão ralado;

 

— 1 tablete de caldo de carne (ou de galinha, se você preferir);

 

— 1 colher (sopa) de fermento em pó;

 

— Sal a gosto.  

 
Bata todos os ingredientes da massa no liquidificador, despeje metade numa assadeira, espalhe o recheio que você preferir (carne moída, frango, atum, palmito, etc.), cubra com o restante da massa e leve ao forno (pré-aquecido a 180º) e deixe dourar. 
 
Para garantir uma mistura lisa e homogênea sem sobrecarregar o liquidificador, comece batendo os ingredientes líquidos e depois incorpore os sólidos (como é o caso da farinha) e bata apenas pelo tempo suficiente para misturar, ou o glúten presente no trigo será ativado, deixando a massa "pesada".
 
Se você busca praticidade, usar salsicha como recheio é a escolha ideal. Corte as salsichas em rodelas finas, refogue-as com alho, cebola, pimentão e tomate, acrescente molho de tomate (ou mostarda e ketchup) para dar um toque especial e deixar o recheio mais úmido. 

Eu, particularmente, prefiro rechear a torta com presunto e queijo (como minha finada mãe fazia nos meus tempos de criança). Para dar um toque especial, acrescente tomates picados, orégano e azeitonas fatiadas; se preferir uma torta mais cremosa, adicione maionese, milho em conserva e cenoura ralada. 
 
Bom proveito

sábado, 17 de maio de 2025

A OBSOLESCÊNCIA DO DESEJO

PEDRA QUE ROLA NÃO CRIA LIMO

Houve um tempo em que cada lançamento da Apple reescrevia o futuro. Filas nas lojas, apresentações coreografadas, sussurros em torno de funcionalidades inéditas, tudo contribuía para uma aura de encantamento difícil de replicar. Mas não há nada como o tempo para passar, e o passar do tempo fez o que era mágico perder o encantamento.
 
A empresa criada em 1º de abril 1975 por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne sempre se destacou pela excelência de seus produtos, e alguns deles — como o icônico iPhone — definiram rumos para toda a indústria. 

Até pouco tempo atrás, a expectativa por cada novo lançamento era quase um evento cultural, mas, de novo, não há nada como o tempo para passar, e as pessoas passaram a pensar duas (ou três, ou quatro) vezes antes de substituir um celular em perfeitas condições por um modelo novo — sobretudo quando as diferenças são pontuais ou meramente estéticas. Assim, a "obsolescência programada" (mais detalhes nesta postagem) se tornou, de certo modo, "desprogramada".
 
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À primeira vista, a insegurança pública no Brasil parece ser consequência da proliferação das organizações criminosas, mas, na verdade, o Brasil é uma organização criminosa. Da mesma forma, a corrupção e a impunidade dos parlamentares costumam ser atribuídas ao fisiologismo, mas , na verdade, o maior culpado é o eleitorado ignorante e desinformado, que insiste em eleger políticos da pior qualidade, como comprovam os inquilinos que ocuparam o Planalto desde a redemocratização (não que a coisa fosse melhor antes do golpe de 64 ou durante os 21 anos de ditadura militar, mas enfim).
A Câmara Federal, também chamada de "Casa do Povo", nada fez desde o recesso de fim de ano senão eleger seu novo presidente, discutir uma vexatória proposta de anistia a Bolsonaro et caterva e, en passant, criar 18 vagas adicionais — que não custarão ao erário "míseros" R$ 64,4 milhões, como suas insolências afirmam: considerando que deputado dispõe de uma cota de R$ 38 milhões em emendas orçamentárias, as 18 novas cadeiras representarão uma despesa extra de R$ 748,6 milhões por anoMas não é só. Ao arrepio da Constituição e do Código Penal — e numa clara invasão da competência do Judiciário —, as marafonas da Câmara suspenderam a ação criminal contra Alexandre Ramagem por tentativa de golpe de Estado. Isso apesar da clareza do texto constitucional e do aviso do ministro-relator sobre a impossibilidade de sustar o processo no tocante às acusações referentes ao período anterior à diplomação do parlamentar encrencado.
Emparedado por seus pares, Hugo Motta mandou tocar o barco, mesmo sabendo que ele naufragaria mais adiante — como de fato naufragou: a 1ª Turma do STF decidiu, por unanimidade, que Ramagem continuará respondendo por três dos cinco crimes pelos quais foi denunciado. Motta recorreu, mas  tudo indica que o plenário irá chancelar a decisão da Turma.
Com a robustez de 315 votos a favor da artimanha, os deputados mostraram os dentes e deixaram às togas o trabalho de repor as coisas no lugar. Mas não há no horizonte conserto possível para o desarranjo entre os dois PoderesA intenção dos nobres deputados é clara: criar um precedente para driblar futuras decisões que os desfavoreçam — como no caso das cerca de 80 emendas parlamentares sob investigação no âmbito do Supremo, sob o olho vivo e o faro fino do ministro Flávio Dino. 
Será que é para isso que sustentamos essa cambada?

Evoluindo continuamente em conhecimento e tecnologia, as empresas fazem com que seu produtos — e não os da concorrência — sejam os substitutos naturais da geração anterior. No entanto, quando se concentram em aperfeiçoar dispositivos que já dominam o mercado, elas acabam subestimando (ou mesmo ignorando) inovações disruptivas que, num primeiro momento, parecem inferiores, mas amadurecem rapidamente e tomam seu lugar. 
 
Dito com outras palavras, para sobreviver, os fabricantes precisam tornar seus produtos obsoletos — mesmo que ainda funcionem bem e tenham boa aceitação no mercado. Com ciclos de inovação cada vez mais curtos, gigantes como Apple, Google, Microsoft, Amazon, Motorola, Samsung etc. precisam fazê-lo antes que os concorrentes o façam, e isso torna a obsolescência programada uma estratégia de sobrevivência.
 
A Apple, que por anos foi referência em inovação e longevidade, acabou sucumbindo à obsolescência programada de um modo que muitos consideram mal-intencionado. Um bom exemplo é o "batterygate": a pretexto de preservar a estabilidade do sistema, a Maçã reduziu o desempenho dos iPhones com baterias degradadas sem alertar os usuários. Mas falta de transparência a obrigou a oferecer descontos na troca das baterias e criar novas opções de monitoramento de desempenho no iOS.
 
A empresa de Cupertino sempre se destacou pelos saltos perceptíveis de geração em geração. Hoje, no entanto, uma parcela crescente dos usuários vive uma espécie de "obsolescência ao avesso". Não se trata exatamente da sensação de que seus dispositivos ficaram para trás, mas da percepção de que nada novo realmente relevante os está movendo adiante.
 
Ano após ano, os lançamentos parecem cada vez mais previsíveis — até repetitivos. Antigamente, sempre que um novo iPhone deixava o anterior "parecendo velho", havia um impulso natural pela troca — nem sempre racional, mas emocionalmente legítimo. Hoje, a falta de diferenciação tangível entre gerações sucessivas faz com que o usuário não veja razão para gastar dinheiro na substituição de um smartphone que está funcionando bem por um modelo equivalente. Assim, a interrupção do ciclo do desejo faz com que parte da magia que sempre envolveu a marca se desvaneça: o produto continua funcional, mas o encanto que estimulava a troca periódica já não está mais ali. 
 
A Apple ainda é admirada por seu ecossistema coeso, design refinado e estabilidade, mas já não dita o ritmo da inovação como antes. Ironicamente, ao escapar da obsolescência programada tradicional, ela criou a obsolescência do desejo, ou seja, a perda daquela urgência simbólica que sempre motivou seus usuários mais fiéis. O resultado é uma obsolescência menos agressiva, que não é imposta por limitações técnicas, mas pela ausência de provocação criativa, e que não decorre de chips limitados ou baterias sabotadas, mas de ciclos de inovação que deixaram de emocionar. 
 
Depois de décadas como símbolo máximo da antecipação do futuro, a Apple parece acorrentada à manutenção do presente. Não que tenha perdido a relevância — sua engenharia continua admirável, seu ecossistema segue robusto e sua visão de privacidade permanece exemplar —, mas algo se deslocou no terreno da imaginação. Ao escapar da obsolescência programada tradicional, a marca corre o risco de se tornar obsoleta em sua promessa de reinvenção. 

Nesse cenário, a pergunta que se impõe não é apenas técnica ou mercadológica, mas simbólica: quando foi a última vez que um lançamento da Apple fez o mundo parar por um instante?

Talvez o futuro da Maçã esteja garantido por sua solidez técnica, mas o futuro que Jobs nos prometia, feito de encantamento, ousadia e disrupção, parece suspenso. E quando até o futuro entra em modo de espera, é sinal de que algo essencial precisa ser atualizado.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

O BRASIL DA CORRUPÇÃO — 5ª PARTE

A CERTIDÃO DE NASCIMENTO DE ALGUMAS PESSOAS DEVERIA INCLUIR UM PEDIDO DE DESCULPAS DO FABRICANTE DE PRESERVATIVOS.

 

Toda escolha tem consequências — e as consequências vêm depois, como ensinou o Conselheiro Acácio. No entanto, a Interpretação de Muitos Mundos da mecânica quântica propõe a existência de inúmeros universos paralelos, onde toda decisão ou evento quântico que ocorre no nosso se desdobra em múltiplas realidades paralelas, cada uma com um desfecho diferente.

Talvez em algum desses universos Sergio Moro continue juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba e Lula continue cumprindo as penas que lhe foram impostas nos processos do tríplex e do sítio. Talvez até os eleitores de lá não façam a cada dois anos, por ignorância, o que Pandora fez, uma única vez, por curiosidade, nem mantenham bandidos de estimação na cúpula do poder público. 

No nosso Brasil, a corrupção começou nos tempos coloniais, prosperou durante o Império e cresceu exponencialmente depois que um golpe de Estado trocou a monarquia parlamentarista por um presidencialismo republicano. A Lava-Jato (2014–2020) foi um ponto fora da curva, mas não há mal que sempre dure nem bem que nunca termine.

Quando membros do Clã Bolsonaro e alguns ministros do STF entraram no radar do MPF, a força-tarefa, que já era criticada pela banda podre do Congresso, passou a ser questionada pela alta cúpula do Judiciário. Bolsonaro, que fez campanha prometendo pegar em lanças no combate à corrupção, "acabou com Lava-Jato porque 'não tinha mais corrupção no governo'", e a "vaza-jato" (clique aqui para mais detalhes) jogou a derradeira pá de cal. 

Em julho de 2020, o antiprocurador-geral Augusto Aras produziu a seguinte pérola: “O lavajatismo há de passar.” Na época, o chefe do executivo responsável por sua indicação estava incomodado com o avanço das investigações sobre as rachadinhas do filho Flávio, e o pau mandado não poupou esforços para exterminar a maior operação anticorrupção da história, que expôs as entranhas pútridas do mensalão e do petrolão.  
 
A Lava-Jato foi encerrada em São Paulo em setembro de 2020, no Paraná, em fevereiro de 2021, e no Rio de Janeiro, no final do mês seguinte. Com a inestimável colaboração do ministro Gilmar Mendes, lulismo e bolsonarismo ficaram livres dos processos decorrentes da operação — assim como velhos tucanos, caciques do Centrão e empresários amigos do ministro que recebeu a toga de FHC. Mas não há nada como o tempo para passar.
 
Semanas atrás, Felipe Moura Brasil escreveu: "Cinco anos depois [do sepultamento da operação], o legado de provas materiais e testemunhais coletado pela força-tarefa voltou a produzir efeitos e embaraços no mundo real." Mas convém ir devagar com o andor. É fato que Collor foi preso no final do mês passado; também é fato que, menos de uma semana depois, foi autorizado a cumprir a pena em seu apartamento de R$ 9 milhões, na orla de Maceió.
 
Embora Collor tenha dito na audiência de custódia que não toma nenhum medicamento de uso contínuo, seus advogados argumentaram que ele é idoso, sofre de doença de Parkinson, apneia do sono grave e transtorno afetivo bipolar. Gonet e Xandão acreditaram. Resta saber se vão engolir também a tese de que o crime de corrupção passiva prescreveu.
 
E assim seguimos neste universo, onde a corrupção é cíclica, corruptos cumprem suas penas em mansões e apartamentos com vista para o mar e os contribuintes bancam essa putaria franciscana. Em algum outro mundo, talvez a justiça talvez seja cega; no nosso, a cegueira é seletiva, ou seja, nossa Themis sabe exatamente o que não deve enxergar.
 
Jobim disse que "o Brasil não é para principiantes", e Millôr, que "o país do futuro tem um enorme passado pela frente". Enquanto houver eleitores idiotas, haverá parlamentares fisiologistas e corruptos; enquanto houver foro privilegiado, haverá ministros que confundem toga com manto sagrado. Se nada mudar — e tudo indica que nada vai mudar no curto prazo —, o futuro continuará sendo apenas uma repetição burlesca do passado.
 
Continua... 

quinta-feira, 15 de maio de 2025

AINDA SOBRE SENHAS

SOMENTE OS EXTREMAMENTE SÁBIOS E OS EXTREMAMENTE ESTÚPIDOS NÃO MUDAM DE OPINIÃO.

 

Kevin Mitnick dizia que computador seguro é computador desligado, e o Conselheiro Acácio, que as consequências vêm sempre depois.
 
Inserir o nome de usuário e a senha de acesso em webservices e redes sociais se tornou tão "automático" quanto informar o CPF ao caixa da farmácia — para gáudio dos golpistas, que se valem dessa sensação de "normalidade" para induzir os incautos a inserir seus dados em webpages falsas, mas muito parecidos com as verdadeiras.

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Depois que um vídeo do deputado bolsonarista Nikolas Ferreira ultrapassou 103 milhões de visualizações, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, admitiu que a CGU demorou a alertar o governo sobre a mega-fraude no INSS. Segundo ele, a extensão do rombo não foi comunicada diretamente ao então ministro da Previdência, Carlos Lupi, o que fez o governo perder a chance de agir antes e evitar que a crise respingasse em LulaPara tentar conter os danos, a liderança do PT na Câmara distribuiu uma cartilha de 30 páginas intitulada "Desmentido Nikolas Ferreira – INSS ", com argumentos para rebater as acusações. 
Uma ala do partido defende que o governo apoie a instalação de uma CPMI como forma de virar o jogo. Lula é contra, mas entrar no debate seria uma oportunidade de desmontar o discurso da oposição insistindo que as fraudes começaram no governo anterior. Recusar uma investigação ampla, transparente, que puna os responsáveis, só reforça a fama de corrupto que Lula carrega (merecidamente) desde o Mensalão.

Antes de digitar suas credenciais, verifique se a janela que está solicitando seus dados pertence realmente ao webservice ou à plataforma desejada. Ao receber um email, SMS ou mensagem no WhatsApp com um link de login, você pode ser direcionado a uma página fraudulenta que imita perfeitamente um serviço legítimo. Como os endereços de sites de phishing costumam diferir dos verdadeiros por uma ou duas letras (um “l” no lugar de um “I”, por exemplo) ou por usarem domínios diferentes, passar o ponteiro do mouse sobre o link e checar o URL que aparece na barra do navegador antes de clicar pode fazer toda a diferença.

Quando você se loga em sites usando a opção "Continuar com o Google", por exemplo, o serviço auxiliar verifica sua identidade e a confirma no site que você deseja acessar. Jamais forneça suas credenciais sem confirmar se a janela pop-up realmente pertence ao serviço auxiliar esperado, ou se a janela principal faz parte do site legítimo que você está tentando acessar.

O chamado "login social" é prático, pois dispensa a criação de um novo nome de usuário e senha para cada site, agiliza o acesso e reduz o risco de senhas fracas ou reutilizadas. No entanto, ainda que o Google ofereça camadas robustas de segurança — como autenticação em dois fatores e criptografia avançada —, é importante lembrar que, ao usá-lo, você está autorizando o site ou serviço a acessar informações da sua conta (nome, e-mail, foto de perfil e outros dados pessoais ou confidenciais, dependendo das permissões concedidas) e, potencialmente, compartilhá-las com terceiros sem informá-lo sobre como essas informações serão utilizadas. E se esse site for comprometido, seus dados também estarão em risco.

Observação: sem uma forma fácil de desvincular sua conta Google, é praticamente impossível remover completamente as informações fornecidas. Mesmo que você consiga revogar o acesso, o site pode ter armazenado os dados anteriormente compartilhados.

Conforto e segurança raramente andam de mãos dadas — mas usar um gerenciador de senhas elimina a necessidade de memorizar dezenas de combinações difíceis e evita que suas credenciais sejam inseridas em sites inseguros. Diferentemente dos usuários, que podem ser enganados pela aparência de uma página, o software verifica o endereço real do site antes de preencher os dados.

Boa sorte.