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sexta-feira, 13 de outubro de 2023

ACREDITE QUEM QUISER (PARTE 3)

É MELHOR SER PARTE DA SOLUÇÃO DO QUE PARTE DO PROBLEMA.


Aprovado por 12 votos a 5 na Comissão de Previdência da Câmara, o projeto que proíbe o casamento homoafetivo formaliza o divórcio da bancada hetero-arcaica com os valores civilizatórios. Ao tratar a homossexualidade como doença, a proposta evidência que incurável é a enfermidade mental que acorrenta uma parcela dos parlamentares à Idade Média. Mas permanece de pé a decisão do Supremo, que, na falta de uma legislação sobre a matéria, ofereceu proteção constitucional a quem era discriminado, o que nada tem a ver casamentos na igreja. Os inimigos da lógica alegam que o Judiciário substituiu o Legislativo, mas esse minúsculo biombo da usurpação de poderes não consegue esconder o preconceito gigantesco dos parlamentares que tentam atrasar o relógio da história.

"A democracia é a pior forma de governo, à exceção de todas as demais" teria dito Winston Churchill, que também é a lembrado pela anedota em que Nancy Astor — primeira mulher a fazer parte da Câmara dos Comuns da Inglaterra —, disse-lhe que, se fosse sua esposa, envenenaria seu café, e ele respondeu: "se eu fosse seu marido, teria o maior prazer em tomar esse café". O que pouca gente sabe é que o estadista britânico escreveu o ensaio Estamos sozinhos no Universo? — jamais publicado —, que versa sobre a vastidão do espaço, a existência de milhões de estrelas e seus planetas e as condições necessárias à vida.
 
Em outubro de 2015, a sonda Cassini, lançada em 1997, mudou de rumo e se dirigiu ao polo sul de Encelado (lua de Saturno que tem cerca de 500 quilômetros de diâmetro). Ainda que tenha atravessado as nuvens do satélite a 19.000 km/h, a sonda detectou partículas de água e outros compostos que emanam dos gêiseres a 400 m/s. Segundo a NASA, isso sugere que o satélite pode abrigar algumas formas de vida simples, semelhantes às encontrada nas profundezas dos oceanos terrestres. 
 
Observação: Nos meus tempos de escola que, ensinava-se que Saturno era o segundo maior planeta do nosso sistema solar (atrás apenas de  Júpiter), o segundo em número de satélites (9 contra 12 do gigante gasosos) e o único a ter anéis. Sabe-se agora que Júpiter, Urano e Netuno também têm anéis e que Saturno tem 142 luas (mais do que Júpiter, que tem "apenas" 92 luas).
 
No início dos anos 1960, Frank Drake desenvolveu uma equação que é usada até hoje para calcular o número de civilizações com CETI (sigla para Comunicação Extraterrestre Inteligente) na Via Láctea e estimou a existência de uma dezena delas. Mais adiante, um estudo publicado em 2020 no The Astrophysical Journal mais que triplicou essa estimativa. Mas é possível que haja milhares dessas civilizações
, já que a maioria das estrelas tem planetas orbitando a seu redor. Apesar de ser difícil detectar exoplanetas, cerca de 3 mil deles já foram identificados, e o número de "ecomundos" (planetas aptos a abrigar vida) atinge a casa das centenas de milhões. Todavia, devido ao tempo e à distância, é possível que jamais saibamos se tais civilizações existem mesmo (ou se já existiram). É aí que entra o Paradoxo de Fermi.
 
Em meados do século passado, o físico italiano Enrico Fermi questionou o porquê de nossos vizinhos galácticos ainda não terem entrado em contato conosco nem deixado sinais perceptíveis de sua presença no cosmos. 
Uma das possíveis explicações é a Hipótese da Terra Singular, segundo a qual as condições necessárias ao desenvolvimento da vida inteligente limita esse processo a pouquíssimos planetas — se não apenas à Terra. Vale destacar que essa hipótese pressupõe que vida inteligente só pode se desenvolver mediante um processo análogo ao que se deu no nosso planeta, e não razão para que a coisa seja necessariamente assim.

Continua...

segunda-feira, 29 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE OVNIs, UAPs E AFINS

SE NÃO EXISTE VIDA FORA DA TERRA, ENTÃO O UNIVERSO É UM TREMENDO DESPERDÍCIO DE ESPAÇO

Se os demais planetas do nosso sistema solar e suas luas são inabitados, como explicar os avistamentos de objetos voadores não identificados — UAPs (Unidentified Aerial Phenomena) ou UFOs (Unidentified Flying ObjectS) — que não podem ser catalogados como balões meteorológicos, drones, ilusões de óptica ou projetos secretos desenvolvidos pelos EUA, Rússia ou China?


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Bastou a reavaliação da prisão domiciliar humanitária despontar no horizonte para Bolsonaro reclamar de soluços, dificuldades respiratórias e outros incômodos que dificilmente o aporrinhariam se ele estivesse solto e fosse o adversário de Lula na disputa pelo Planalto. O prazo de 90 dias expirou no último dia 25, mas a PGR sugeriu a Moraes que aguardasse o final da investigação da PF sobre a pistola Glock do presidiário, que foi apreendida em uma blitz, para avaliar a "falta grave" e decidir se devolve ou não o ex-presidente para a Papudinha. Entrementes, o barraco armado por Micheque e Flávio jogou no ventilador as diferenças que envenenaram o relacionamento entre madrasta e enteado, e como ambos alegam dispor do aval do chefe do clã, caberá a ele pôr ordem no galinheiro. Michelle insinua que não agiu à revelia do marido e que não será desautorizada por ele, ao passo que Bobi Filho diz que sua candidatura é uma "missão" atribuída a ele por Bibo Pai. Já se sabia que os Bolsonaro formam uma família 100% feita de desavenças, mas a nova intriga ultrapassa as fronteiras do paroxismo. Em prisão domiciliar, o refugo da escória da humanidade é cuidado em tempo integral pela mulher e visitado regularmente pelo primogênito, mas, a essa altura, um arranjo entre quatro paredes seria pouco. Portanto, cabe ao messias que não miracula encontrar um modo de transmitir sua posição aos correligionários e, sobretudo, aos devotos, sob pena de esfarelar a tríade Deus, pátria e família. Vale destacar que Deus está chocado: falam tanto em seu nome e ignoram o ensinamento segundo o qual uma casa dividida contra si mesma não subsistirá. A pátria está espoliada e mal servida: essa caterva recebe salários do Tesouro e entrega intrigas em troca. A grande família está zonza: o bolsonarismo pergunta aos seus botões: "onde está o capitão que não coloca ordem na casa?" Mas os botões não respondem, até porque não falam com qualquer um.


Essa pergunta permanece como um dos maiores desafios científicos da atualidade. Existem indícios da existência de bactérias e outras formas de vida elementares nas luas geladas de Júpiter, em exoplanetas rochosos na zona habitável de suas estrelas e, mais recentemente, em "bioassinaturas" atmosféricas, mas todos se baseiam na presença de água líquida e elementos orgânicos, e a vida em outros lugares pode surgir de formas radicalmente diferentes das que conhecemos.


Observação: Casos como o meteorito Murchison, que contém aminoácidos e moléculas orgânicas complexas de origem extraterrestre confirmada, e o famoso meteorito marciano ALH84001, no qual pesquisadores da NASA reportaram, em 1996, estruturas que se pareciam com fósseis de bactérias. Mas isso nunca passou de hipótese contestada: a comunidade científica majoritariamente atribuiu essas estruturas a processos geológicos não-biológicos (formação mineral abiótica), e o caso nunca foi validado como prova de vida.


Ademais, identificar sinais de origem biológica é uma coisa; descobrir civilizações extraterrestres com tecnologia tão evoluída quanto a nossa — ou ainda mais avançada — é outra coisa completamente diferente.


Em 1950, almoçando com colegas no Laboratório Nacional de Los Alamos, o físico Enrico Fermi, em meio a uma conversa sobre OVNIs, fez uma pergunta aparentemente simples: "Mas então, onde estão todos?" A lógica por trás dela era devastadora: se o universo tem bilhões de anos e abriga centenas de bilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas, a probabilidade estatística de que a vida inteligente tenha surgido em outros lugares é altíssima. Tempo de sobra haveria para que civilizações avançadas cruzassem o espaço — ou ao menos nos mandassem um sinal. E no entanto, silêncio.


Esse silêncio constrangedor ficou conhecido como o Paradoxo de Fermi e ainda carece de resposta satisfatória. Onze anos depois, o astrônomo Frank Drake propôs uma equação para estimar o número de civilizações extraterrestres com as quais poderíamos, em tese, estabelecer contato. Essa equação multiplica variáveis como a taxa de formação de estrelas na galáxia, a fração delas que possuem planetas, a fração desses planetas que desenvolve vida, e assim por diante — até chegar a um número final que, dependendo dos valores que você atribui a cada variável, pode ser um ou pode ser um milhão. 


A questão é que a maioria dessas variáveis é desconhecida, ou seja, em vez de ser uma resposta, essa equação é apenas uma forma elegante de organizar nossa ignorância. E foi nesse espírito que nasceu o SETISearch for Extraterrestrial Intelligence —, que desde os anos 1960 vasculha o céu em busca de sinais de rádio artificiais e padrões que não poderiam ser produzidos por fenômenos naturais. O resultado mais famoso — e frustrante — foi o chamado "Wow! signal", captado em 1977 pelo radiotelescópio Big Ear, em Ohio: um sinal tão intenso e incomum que o astrônomo de plantão escreveu "Wow!" na margem do printout.


Como nunca foi repetido nem — muito menos — explicado, esse sinal se tornou a metáfora perfeita para o estado em que nos encontramos: uma pista extraordinária, sem continuação, sem confirmação, sem contexto. Ciência sem conclusão — o que, para muitos, é insuportável, e para outros, é exatamente o que torna o problema fascinante.


Nos anos seguintes, o SETI se expandiu e recrutou milhões de computadores domésticos ao redor do mundo para processar dados do radiotelescópio de Arecibo, tornando a busca por inteligência extraterrestre em um esforço genuinamente coletivo. A iniciativa foi encerrada quando a computação em nuvem tornou o modelo obsoleto. Mesmo assim, embora nenhum sinal alienígena tenha sido encontrado, tampouco restou provado que não existe nada lá fora.


Segundo Carl Sagan, ausência de evidência não é evidência de ausência. O universo observável tem um diâmetro de cerca de 93 bilhões de anos-luz. A fração que o SETI já foi capaz de monitorar de forma minimamente sistemática é, na prática, como jogar uma rede de pesca do tamanho de um quarto numa extensão equivalente a todos os oceanos do mundo e concluir, após não pegar nada, que o mar está vazio. Não obstante, o silêncio persiste — e há quem argumente que ele é, em si, um dado importante.


Continua...

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA (CONTINUAÇÃO)

SERIA O CÚMULO DA PRESUNÇÃO ACHARMOS QUE SOMOS OS ÚNICOS SERES VIVENTES NO UNIVERSO.

Quando as luzes da cidade e a poluição não atrapalham, conseguimos visualizar a olho nu cerca de 5 mil estrelas pertencentes a quatro galáxias — Via Láctea, Andrômeda e as duas Nuvens de Magalhães. Mas estima-se que o Universo seja formado por 100 bilhões de galáxias, as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões. Nem todos esses dez sextilhões de "sóis" são orbitados, mas presume-se que haja tantos planetas quanto estrelas em nossa galáxia. 
 
Depois que o primeiro exoplaneta foi descoberto, há cerca de 30 anos, milhares deles foram sendo observados orbitando não apenas “sóis” semelhantes ao nosso, mas também anãs vermelhas e estrelas de nêutrons ultradensas. No começo deste ano, a Nasa anunciou que
 TESS identificou mais de cinco mil candidatos a exoplanetas  que agora já passam de oito mil, dos quais cerca de 5 mil foram confirmados. 
 
Há desde mundos pequenos e rochosos, como a Terra, a gigantes gasosos maiores que Júpiter. Há também os assim chamados “Júpiteres quentes”, “superterras” — planetas rochosos maiores que a Terra — e "mininetunos" — versões menores que o "nosso" Netuno. Existem ainda astros que orbitam duas estrelas ao mesmo tempo e até corpos planetários que giram em torno de restos colapsados de estrelas mortas. Tudo somado e subtraído, há centenas de bilhões de "mundos novos" somente na Via Láctea, sobre os quais quase nada sabemos. 
 
Observação: Um exoplaneta gasoso descoberto em 2015 a 880 anos-luz da Terra se encaixa na categoria denominada “Júpiter quente” — uma classe de corpos celestes com semelhanças físicas com Júpiter, mas que orbitam muito mais próximos de suas estrelas (daí, sua natureza “quente”). Sua atmosfera noturna parece ter uma série de características estranhas e notáveis, incluindo nuvens de metal e chuva feita do que poderia ser pedras preciosas liquefeitas.
 
Na verdade, quase nada se sabe dos demais planetas que compõem nosso sistema solar, mas sabe-se que, ao contrário de Júpiter e Saturno, os gasosos Urano e Netuno se destacam pelas “chuvas de diamantes” (que foram observadas a partir de informações envidas pela sonda Voyager 2). 

Como a água líquida é essencial para a existência de vida (pelo menos da forma como a conhecemos), os astrônomos recorrem a técnicas de aprendizado de máquina para “seguir a água” e encontrar exoplanetas potencialmente habitáveis. O TESS continua a descobrir novos exoplanetas, mas os telescópios de próxima geração poderão capturar a luz das atmosferas dos exoplanetas e, a partir da análise dos gases presentes, identificar potenciais condições de habitabilidade.
 
Observação: Com lançamento previsto para 2027, o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman fará novas descobertas de exoplanetas usando uma variedade de métodos. A Missão ARIEL, da Agência Espacial Europeia, cujo lançamento está previsto para 2029, observará atmosferas de exoplanetas se concentrando em suas nuvens e neblinas.

Em meados do século passado, durante um conversa descontraída com alguns colegas, o físico italiano Enrico Fermi levantou a seguinte questão: "Onde está todo mundo?" Considerando que existe um número astronômico (sem trocadilho) de estrelas somente na Via Láctea, e que muitas delas constituem "sistemas solares", não se pode descartar a possibilidade de alguns desses exoplanetas reunirem condições que propiciem o surgimento de vida e de essa vida evoluir para formas inteligentes e tecnológicas. 

 

Se formos um pouco mais além e consideramos que algumas hipotéticas civilizações sejam mais desenvolvidas que a nossa, como negar a possiblidade de extraterrestres viajarem pelo cosmos em busca de outros mundos? O surgimento de vida (da forma como a conhecemos) é um processo complexo, que precisa superar inúmeras barreiras, sobretudo quanto tomamos a Terra como exemplo de "planeta habitável típico". 


Por outro lado, se outras civilizações alcançaram um estágio de desenvolvimento semelhante ao nosso, por que não conseguimos detectar sinais de rádio ou de outro tipo de tecnologia alienígena avançada, como os que somos capazes de produzir? 


Continua...

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA (QUARTA PARTE)

NEM TODOS OS BARCOS QUE SAEM VELEJANDO NA ESCURIDÃO ENCONTRAM O SOL

Podemos acreditar no que quisermos, mas daí a negar os fatos vai uma longa distância. Há quem seja adepto do terraplanismo, a despeito das inúmeras evidências de que a Terra é redonda (ou "geoide", como se ensinava nos meus tempos de estudante). 

Para Alberto Caballero, estudante de doutorado em resolução de conflitos na Universidade de Vigo, na Espanha, extraterrestres não só existem como estão na Via Láctea e são malignos — detalhes no artigo “Estimativa da prevalência de civilizações extraterrestres malignas”.  Já o cientista italiano Enrico Fermi, laureado com o Nobel de Física em 1938, teorizou que a contradição entre o imenso escopo e a idade do universo não respalda a existência de vida extraterrestre (mais detalhes nos capítulos anteriores).

Para gáudio de uns e tristeza de outros, a Nasa e outras agências espaciais vêm buscando por manifestações de "vida inteligente" fora daqui (e não apenas por “micróbios marcianos”). Por outro lado, ainda não foram encontradas provas irrefutáveis da existência de alienígenas, como se pode inferir do relatório que o Departamento de Defesa dos EUA divulgou no ano passado. 

Mesmo assim, Bill Nelson (político norte-americano e mandachuva da agência aeroespacial americana) acredita em vida extraterrestre e afirma que os UFOs podem, sim, ser aeronaves mais avançadas que as nossas, sobretudo porque a velocidade dos objetos estudados excede a capacidade de qualquer tecnologia de qualquer país do mundo.
 
Avistamentos de objetos voadores não identificados — não necessariamente extraterrestres, é bom que se diga — são bastante comuns e se dividem em cinco categorias: desordem aerotransportada, como pássaros ou balões meteorológicos, fenômenos atmosféricos naturais, programas de desenvolvimento do governo ou da indústria dos Estados Unidos, sistemas adversários estrangeiros e uma mais interessante e geral, chamada “outros”. 
O problema é que a maioria dos casos não apresenta dados suficientes para esse enquadramento — trata-se apenas de relatos de pilotos de aeronaves comerciais e militares, o que gera mais perguntas do que respostas.
 
Depois que uma foto do planeta Marte revelou a existência de uma espécie de porta em uma formação rochosa, passou-se a especular que seria um "portal alienígena" ou um túnel que leva ao centro do planeta vermelho. Para os céticos, trata-se apenas um buraco criado por algum tipo de tensão entre as rochas, como um simples terremoto — até porque o maior abalo sísmico registrado naquele planeta ocorreu dias antes da tal "foto misteriosa" ser tirada. 
  
James Green e outros renomados pesquisadores afirmaram num artigo científico que “nossa geração pode ser a que descobrirá evidências de vida fora da Terra”. Eles dizem que a detecção de alienígenas será um processo prolongado e evolutivo, dependente de investigações, e que,
 quanto mais cedo isso for compreendido por todos, tanto melhor. 

Enfim, "a verdade está lá fora", e é ela que os pesquisadores da agência espacial norte-americana e do SETI estão procurando.

Continua...

quinta-feira, 30 de março de 2023

A VERDADE CONTINUA LÁ FORA

A CURIOSIDADE TEM UMA RAZÃO DE EXISTIR, 

"Onde está todo mundo?", perguntou o físico italiano Enrico Fermi. Se a Via Láctea é formada por bilhões de estrelas, e a maioria delas constitui "sistemas solares", como não haver vida inteligente e tecnológica capaz de viajar pelo cosmos em busca de outros mundos? Por que ainda não detectamos sinais que somente tecnologias "avançadas" conseguiriam produzir? 
 
Quando o FAST detectou sinais de rádio que não provinham de fontes naturais e os ufólogos os atribuíram a civilizações alienígenas, a ala "cética" da comunidade científica sustentou que os receptores criogênicos supersensíveis dos supertelescópios podem captar sinais de telefones celulares, televisão, radar e satélites, e lembrou que há cada vez mais satélites orbitando a Terra...
 
A existência (ou não) de extraterrestres é uma pergunta que continua sem resposta. Dos 144 avistamentos de OVNIs que o Pentágono registrou nas últimas duas décadas, 143 continuam inexplicados. O assunto voltou à baila em 2021, quando o governo dos EUA confirmou a autenticidade de imagens de UFOs divulgadas pelo Portal Mystery Wire. 
 
Anos antes, o ex-diretor do AATIP Luis Elizondo entregou ao The New York Times vídeos gravados por caças da Marinha em 2004, 2014 e 2015. Num deles, que ficou conhecido como Incidente Nimitz, um objeto oval sem asas nem propulsores visíveis executava manobras aparentemente impossíveis do ponto de vista aerodinâmico. Pressionadas pelas revelações, a Marinha e a Força Aérea dos EUA passaram a exigir que seus pilotos relatassem incidentes envolvendo objetos voadores não identificados. O Pentágono tentou desacreditar Elizondo, mas os militares confirmaram a autenticidade dos vídeos.
 
A FAA registrou 23 avistamentos de OVNIs entre 2016 e 2020, mas nenhum deles demonstrou habilidades mirabolantes como as vistas nos vídeos da Marinha. Alguns tinham características incomuns, como luzes coloridas piscando e capacidade de voar a mais de 8 mil metros de altura (algo impossível para os drones comuns), mas nenhum deles exibiu manobras "fora do normal".
 
Continua...

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

SUTILEZAS DO UNIVERSO

A ÚNICA PERGUNTA IDIOTA É A QUE A GENTE NÃO FAZ.

Neste exato momento há um número imenso de partículas invisíveis atravessando você, os objetos a seu redor e o próprio planeta Terra. Chamadas "neutrinos", essas "partículas-fantasmas" se deslocam a uma velocidade próxima à da luz, mas raramente interagem com a matéria, razão pela qual sua
 detecção é baseada na probabilidade: dentre os incontáveis neutrinos que atravessam a matéria, uma quantidade ínfima se choca com os átomos, e o resultado desse choque pode ser registrado pelos equipamentos detectores. 
 
Foi com esse método que o neutrino teve sua existência provada em 1956 — antes disso, ele havia sido teorizado nos anos 1930 pelo físico austríaco Wolfgang Pauli e, logo após e com mais precisão, pelo italiano Enrico Fermi, que o batizou (traduzido do italiano, "neutrino" significa "pequeno nêutron", mas suas semelhanças com o nêutron não vão longe). 
 
Diferente dos prótons e nêutrons que fazem parte do núcleo atômico, o neutrino é uma partícula elementar. Isso significa que não se conhece nenhuma estrutura menor em sua composição (apesar de se parecer com o nêutron por não ter carga elétrica, ele é milhões de vezes menor e mais leve). Para cada elétron que existe no universo, estima-se que existam 10 bilhões de neutrinos (como eles não têm estrutura interna, os físicos os veem como partículas de dimensão zero, que não ocupam espaço).
 
Embora seja comum imaginarmos os elétrons como partículas pontuais de dimensão zero, eles são cercados por uma nuvem de outras partículas virtuais que piscam constantemente para dentro e para fora da existência. Se tivessem um polo ligeiramente positivo e um polo ligeiramente negativo, eles seriam levemente assimétricos e poderiam se comportar de maneira diferente de seus duplos de antimatéria — os pósitrons —, o que explicaria alguns mistérios que envolvem matéria e antimatéria. Mas os físicos mediram repetidamente sua forma e descobriram que eles são perfeitamente redondos.
 
Neutrinos, elétrons, múons e taus compõem uma categoria de partículas fundamentais chamadas léptons. Os múons são criados quando raios cósmicos de alta energia atingem o topo da atmosfera do nosso planeta. O taus são ainda mais raros e difíceis de produzir, pois são cerca de 3400 vezes mais pesados que os elétrons. Os Quarks — que compõem prótons e nêutrons — são outro tipo de partícula fundamental que, juntamente com os léptons, compõem o material que consideramos matéria.
 
Observação: Até o início do século passado, acreditava-se que os átomos eram os menores objetos possíveis, mas os cientistas descobriram que o núcleo atômico é formado por prótons e nêutrons. Mais adiante, os aceleradores de partículas revelaram a existência de partículas subatômicas exóticas, como os pions e os kaons. Em 1964, foi proposto um modelo que poderia explicar o funcionamento interno de prótons, nêutrons e o resto do zoológico de partículas.
 
As quatro forças fundamentais da natureza são o eletromagnetismo, a gravidade e as forças nucleares forte e fraca. Cada uma delas tem uma partícula fundamental associada. Os 
fótons carregam a força eletromagnética; os glúons carregam a força nuclear forte e residem com os quarks dentro de prótons e nêutrons. A força fraca, que medeia certas reações nucleares, é transportada por duas partículas fundamentais — os bósons W e Z. Os neutrinos, que apenas sentem a força fraca e a gravidade, interagem com esses bósons, e assim os físicos foram capazes de fornecer evidências de sua existência.
 
gravidade não está incorporada ao Modelo Padrão, mas ela deve ter uma partícula fundamental associada — que seria chamada de gráviton. Se os grávitons existem, é possível criá-los no Grande Colisor de Hádrons, mas eles desapareceriam rapidamente em dimensões extras, deixando para trás uma zona vazia onde teriam estado (até agora, o LHC não conseguiu observar evidências de grávitons ou dimensões extras).
 
Finalmente, há o bóson de Higgs — o "rei" das partículas elementares —, que é responsável por dar massa a todas as outras partículas. Quando ele foi finalmente descoberto, os físicos comemoraram, mas os resultados também os deixaram numa sinuca de bico: o Higgs parece exatamente como foi previsto, mas esperava-se mais, pois falta ao Modelo Padrão uma descrição da gravidade, e os pesquisadores imaginaram que o Higgs ensejaria outras teorias que substituíssem esse modelo. Quem sabe num futuro próximo...
 
Acreditou-se por décadas que, 
assim como os fótons, os neutrinos não possuíam massa, mas isso mudou por volta dos anos 2000. A descoberta da oscilação dos neutrinos — fenômeno que só pode ocorrer em partículas que têm massa — rendeu aos pesquisadores o Nobel de Física de 2015. Há três tipos de neutrinos na natureza, e o que se percebia era que os neutrinos elétron, produzidos massivamente no Sol, eram detectados em número abaixo do esperado nos experimentos. Por um tempo, o "desaparecimento" dos neutrinos foi um mistério, mas agora se sabe que eles oscilam, mudando de neutrinos múon para neutrinos tau. 
 
A massa exata de cada tipo de neutrino ainda é desconhecida, mas os físicos acreditam que ela seja composta pela sobreposição de três massas diferentes. O fenômeno, regido pela mecânica quântica, pode ser de difícil compreensão por quem não está familiarizado com a física de partículas, o que exige criatividade dos cientistas na hora de explicar seu trabalho à sociedade. 

Arthur Loureiro, pesquisador brasileiro da University College London e autor de um estudo recente que identificou o limite superior da massa do tipo mais leve de neutrino, compara os "sabores" dos neutrinos ao sorvete napolitano, onde cada massa da partícula é como uma porção de sorvete que contém uma certa combinação dos três sabores. 

Na última palestra que ofereceu ao público brasileiro, o professor Francesco Vissani apresentou três metáforas para falar sobre os neutrinos: vampiros, fantasmas e mutantes, esta última por conta da instabilidade da partícula e a oscilação que a leva de um "sabor" ao outro. Já o "fantasma", difícil de se detectado, atravessa paredes e o próprio Sol sem interagir com nada, enquanto o "vampiro", que não aparece no espelho, não possui uma imagem simétrica — daí existirem "neutrinos canhotos" e não existirem "neutrinos destros". Já com o antineutrino, que é a antipartícula correspondente ao neutrino no mundo da antimatéria, existem apenas os "destros".
 
O fato de neutrinos e antineutrinos terem cada qual apenas um tipo de spin sugere que eles também se comportam de maneira diferente em suas oscilações e, consequentemente, no modo pelo qual interagem com os componentes do universo. Outra hipótese é a de que o neutrino seja o chamado férmion de Majorana (partícula teorizada nos anos 1930 e que seria antipartícula de si mesma).
 
Ainda longe de serem comprovadas, essas possibilidades empolgam os físicos do mundo todo porque ajudam a entender o fato de termos tanta matéria no universo, mas tão pouca antimatéria.  Segundo a cosmologia, após o Big Bang deveria haver quantidades iguais das duas coisas, e elas deveriam ter se aniquilado mutuamente. Mas, por alguma razão, a matéria predominou, e o neutrino pode ser uma peça-chave para solucionar esse mistério.
 
Com Samuel Ribeiro dos Santos Neto.

sexta-feira, 11 de novembro de 2022

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA (DÉCIMA NONA PARTE)

A INTUIÇÃO É UM AVISO PARA VOCÊ ABRIR OS OLHOS E APURAR OS OUVIDOS.


Segundo Erich von Däniken e outros teóricos dos antigos astronautas, ETs visitam a Terra há milhares de anos e foram responsáveis pela evolução da vida em nosso planeta, e que as divindades das diversas religiões — aí incluídos os anjos e os demônios — são seres alienígenas que foram "divinizados" por conta de suas tecnologias avançadas. 
 
Em contraposição ao “Paradoxo de Fermi” (já abordado nesta sequência) a “Hipótese do Jardim Zoológico” defende que civilizações extraterrestres já encontraram o planeta azul, mas se limitam a observá-lo remotamente, sem interagir. Já o Movimento Raeliano esposa a tese de que a vida na Terra foi criada por ETs (chamados de Elohim) e que os humanos tomaram por anjos ou deuses. 
 
A Bíblia está repleta de menções a anjos e demônios — há relatos, inclusive, de um grupo de 200 anjos rebeldes que se acasalaram com mulheres humanas e tiveram filhos com elas. O Alcorão faz alusão a Iblis — que corresponde ao Diabo dos cristãos —, que teria sido expulso para a Terra, onde semeou a cizânia entre os seres humanos. 
 
Os avistamentos de OVNIs — que começaram a despertar a atenção dos cientistas nos anos 1940 — deram azo à teoria conspiratória dos "Homens de Preto". Descritos geralmente como seres de baixa estatura, pele escura e roupas pretas, eles intimidam as testemunhas dos avistamentos para mantê-las quietas sobre o que viram. Relatos dão conta de que os MIBs utilizam gírias anacrônicas e dão gargalhadas desconcertantes, além de ter pouca familiaridade com itens de uso comum, como canetas, utensílios de cozinha e determinados alimentos. Há quem os considere uma "edição revista e atualizada" dos demônios dos contos de fadas.
 
Igualmente intrigante é o "Cabelo de Anjo" — também chamado de "algodão silencioso" ou "fibralvina" —, que resultaria do ar ionizado do campo eletromagnético que circunda naves alienígenas. Relatos dão conta de que ela se parece com uma "gelatina" que “cai” de OVNIs e se desintegra pouco tempo depois. Em 1959, essa substância foi coletada e analisada por técnicos das forças armadas e cientistas da Universidade de Lisboa. Segundo o relatório, ela era tão avançada que poderia ser um organismo unicelular, um produto vegetal, não animal. 
 
Observação: Menções a uma substância gelatinosa — chamada estrela de geleia — remontam ao século XIV da nossa era, mas ela estava relacionada não com OVNIs, mas com chuvas de meteoros (que, coincidentemente, também vêm do espaço sideral).
 
A farta literatura sobre eventos misteriosos relacionados com extraterrestres inclui os Greys, e os associa particularmente ao fenômeno da abdução. Eles são descritos como seres de pequeno porte, com a pele cinzenta e lisa, cabeça e olhos grandes, mas sem nariz, orelhas nem órgãos sexuais. Relatos de encontros com Greys dão conta de que os alienígenas olham nos olhos das pessoas abduzidas para induzir estados alucinógenos e/ou provocar emoções diferentes. 
 
De acordo com o biólogo reprodutivo inglês Jack Cohen, a imagem típica de um Grey é muito semelhante, fisiologicamente, à de um ser humano para ser crível como uma espécie alienígena, levando à teoria de que esses seres influenciaram a evolução da vida na Terra num passado distante, ou que são uma antiga raça de humanos que teria sido forçada a abandonar o planeta, mas que ainda o visita.
 
Continua...

segunda-feira, 6 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — NEM TUDO É O QUE PARECE.

UMA MEIA VERDADE É QUASE SEMPRE UMA GRANDE MENTIRA.


No livro Eram os Deuses Astronautas? (1968), Erich von Däniken oferece explicações intrigantes para diversos enigmas que a história não conseguiu elucidar.


Segundo a Teoria dos Antigos Astronautas, alienígenas visitam a Terra há milhares de anos e foram tomados como "deuses" pelos antigos egípcios, gregos, maias e outros povos, como mostram diversas pinturas e esculturas encontradas por arqueólogos.


Alguns autores "sérios" se referem ao trabalho do pesquisador suíço como “pseudociência”, mas talvez haja uma ponta de inveja nessa crítica: os livros de Däniken foram traduzidos em dezenas de idiomas e venderam mais de 100 milhões de cópias mundo afora.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O ex-governador da Bahia Jaques Wagner, que era líder de Lula no Senado até recentemente, se aborreceu por ter sido empurrado para dentro do caldeirão do Master pela Polícia Federal. Numa entrevista à Folha, soou como se estivesse fora de si e revelou o que tem por dentro.

O petista reputa normal ter pedido a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões, diz que o compraria posteriormente para a filha e que não teria feito o pedido se estivesse mal intencionado: "O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito".

Wagner não estranha o fato de o Master ter azeitado uma firma de sua nora com mais de R$ 3,6 milhões. "Estão inventando que era pra mim". Acha inusitada a criminalização do uso de jatos patrocinados. "Óbvio que de vez em quando eu pego carona". Diz que não se venderia pelos tickets que recebeu para os shows de Taylor Swift. "Eu poderia pedir coisa mais importante, né?" Considerou espetaculosa a foto com os dólares apreendidos no seu endereço brasiliense. "Pra que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF?". repetiu que o dinheiro é sobra de diárias recebidas para missões no exterior, e que "não lhe ocorreu" devolver essas "sobras" ao Tesouro Nacional.

Como se vê, o problema não é que a PF suspeita que falta honestidade ao senador. A questão é que ele parece incapaz de demonstrá-la.


Cada um pode acreditar no que bem entender, da planicidade da Terra à existência de seres reptilianos que habitam as profundezas do planeta. Eu, a exemplo de São Tomé — que só acreditou na ressurreição de Cristo depois de ver e tocar em suas chagas —, preciso ver para crer. E entre narrativas religiosas que tentam explicar mistérios que as próprias religiões não entendem e teorias baseadas em evidências levantadas pela ciência, prefiro estas àquelas.


Como mencionei em algum momento desta sequência, mas repito porque a audiência do blog é rotativa, entre os anos de 1948 e 1968 o Projeto Blue Book identificou 1.268 relatos de UFOs, dos quais 701 permanecem envoltos em mistério. E o mesmo se aplica a 143 dos 144 avistamentos que o Pentágono registrou nas últimas duas décadas.


Em um dos vídeos gravados por caças da Marinha — conhecido como Incidente Nimitz — que foram entregues ao New York Times por um ex-diretor do AATIP, vê-se claramente um objeto oval sem asas nem propulsores visíveis executando manobras aparentemente impossíveis do ponto de vista aerodinâmico.


Um relatório produzido pela ODNI catalogou 510 casos de UAPs. Dos 366 que foram investigados, 26 eram sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) ou drones, 163 eram balões ou "artefatos semelhantes a balões", meia dúzia foi considerada "desordem” (como pássaros e sacolas plásticas de compras flutuando no ar) e 171 foram classificados como avistamentos de UAPs "não caracterizados e não atribuídos" (sobretudo os que demonstram características de voo incomuns ou capacidades de desempenho que requerem análises mais aprofundadas).


Em um episódio da série Unidentified with Demi Lovato, a apresentadora disse ter sido abduzida por alienígenas. O cantor Fábio Jr. contou à revista IstoÉ que viu duas naves pairando sobre seu carro. O jornalista e apresentador Amaury Jr disse que já avistou mais de 40 objetos esféricos e em forma de prato em seu sítio no município paulista de Vinhedo. O ator Tarcísio Meira contou que ele, a mulher e outras seis pessoas testemunharam quatro objetos voando em formação assimétrica, que ficaram parados por cerca de um minuto antes de desaparecerem.


Não sei até que ponto esses depoimentos são confiáveis, mas eu passei por uma experiência semelhante nos anos 1960, durante as férias no sítio da minha avó, na área rural de uma bucólica cidadezinha do interior paulista. Certa noite, uma luz branca ofuscante surgiu subitamente, acompanhou a mim e a meu primo enquanto corremos rumo à sede da propriedade, e então se tornou um pontinho no céu e desapareceu tão subitamente quanto surgiu minutos antes.


Observação: Voltei ao sítio várias vezes em outros anos, mas nunca tornei a ver algo semelhante. Reencontrei meu primo uma dezena de vezes nos últimos 60 anos, mas jamais voltamos a falar sobre o assunto.


Durante uma conversa descontraída com alguns colegas do Los Alamos National Laboratory, em 1950, o físico italiano Enrico Fermi levantou a seguinte questão: "Onde está todo mundo?" Um quarto de século depois, em seu único livro de ficção — Contact —, o astrofísico Carl Sagan escreveu: The universe is a pretty big place. If it's just us, seems like an awful waste of space (o universo é um lugar muito grande. Se somos só nós, parece um terrível desperdício de espaço). 


Em condições ideais (noite sem luar, com atmosfera limpa e seca e sem poluição luminosa), podemos avistar de 2.500 a 3.000 estrelas. Como enxergamos apenas metade da esfera celeste de cada vez, o número de estrelas visíveis a olho nu fica entre 5.000 e 6.000, mas estima-se que existam cerca de 100 bilhões de galáxias no Universo, as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões. Nem todos esses sextilhões de "sóis" são orbitados, mas boa parte deles têm planetas girando ao seu redor.


No fim das contas, entre o silêncio das estrelas e o burburinho das teorias, o mistério persiste, e the answer, my friend, is blowing in the wind.


Continua…

quarta-feira, 8 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE EXTRATERRESTRES

SE TANTA GENTE TEM AVISTADO DISCOS VOADORES, É PORQUE HÁ DISCOS VOADORES.

O homem almeja voar como os pássaros desde tempos imemoriais. Ícaro tentou com asas de cera, mas caiu no mar porque se aproximou demais do Sol. Leonardo da Vinci concebeu seu "parafuso aéreo" quase 500 anos antes do primeiro voo de helicóptero, mas foi somente no século XX que os irmãos Wright e Santos Dumont provaram que objetos mais pesados que o ar podiam voar. 


Até pouco tempo atrás acreditava-se que meteoros não podiam cair do céu — afinal, no céu não havia pedras —, e que passageiros de um trem a mais de 34 km/h morreriam asfixiados. Felizmente, sempre houve fantasistas suficientemente audaciosos e surdos às críticas que lhe eram feitas — sem eles, não haveria trens-bala, aviões a jato ou viagens interplanetárias.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Há na praça um novo Xandão. A metamorfose ficou evidente com a decisão de prorrogar por tempo indeterminado a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro. A mulher do preso celebrou o despacho do marido: "Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro. E ele [Bolsonaro] está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes..." Premonitória, Michelle se referia à mais extraordinária conversão retratada na Bíblia: a passagem do soldado Saulo, um perseguidor de cristãos, pela estrada de Damasco. Aconteceu no século 1º da era cristã. De repente, Saulo foi paralisado por uma luz ofuscante. Caiu do cavalo. Ouviu uma voz vinda do céu: "Saulo, por que me persegues?" Por alguns instantes, ele ficou cego, tal a claridade que o arrebatou. Converteu-se em São Paulo, um dos pilares do cristianismo. A mudança de Moraes talvez tenha conotações mais mundanas do que celestiais. Desde o desgaste provocado pelo caso Master, o ministro, antes implacável, parece mais cauteloso em suas decisões. Ao encomendar ao procurador-geral uma manifestação sobre a apreensão da pistola Glock de 9 milímetros de Bolsonaro numa blitz da Lei Seca, o magistrado salientou que a Lei de Execução Penal considera "falta grave" o condenado "possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem". Agora, converteu-se numa espécie de ex-xerife que raciocina politicamente, chegando mesmo a sustentar que uma das consequências seria a revogação da prisão domiciliar. Gonet divergiu. Primeiro, sugeriu esperar pelo encerramento da investigação sobre a apreensão da arma. Depois, escorando-se nas conclusões da Polícia Civil do Distrito Federal, recomendou a manutenção de Bolsonaro em casa. Moraes não estava obrigado a seguir a recomendação de Gonet, mas decidiu ecoar o procurador-geral em sua decisão: "Não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena". Paradoxalmente, Gonet reconheceu que a situação jurídica de Bolsonaro não orna com a posse de armas: "A condição atual do custodiado é incompatível com a posse de arma de fogo", escreveu ele, no trecho reproduzido por Moraes. O ministro potencializou o paradoxo. Além de revogar o porte de arma de Bolsonaro, Moraes ordenou o recolhimento de todo o arsenal registrado em nome do preso: dez armas. Quer dizer: levando-se a Lei de Execução Penal ao pé da letra, Bolsonaro teria cometido não uma, mas uma dezena de "faltas graves". Afora a pistola Glock, o condenado mantinha em casa fuzis, carabinas, revólveres e espingardas. Ignorando a consequência legal que havia antecipado anteriormente — a regressão do regime prisional —, Moraes desistiu de considerar a hipótese de devolver Bolsonaro à Papudinha. Fiou-se em argumentos médicos. O ex-algoz de Bolsonaro se absteve de encomendar um laudo médico independente. Sustentou que os laudos dos doutores que acompanham o preso, apresentados semanalmente pela defesa, demonstram uma melhora clínica do paciente. Mas avaliou que permanecem as circunstâncias humanitárias que justificam a prisão em casa. Pelo andar da carruagem, vem aí mais uma evidência do surgimento de um novo Moraes. Nos próximos dias, o ministro terá que decidir sobre a validade da Lei da Dosimetria, que pode atenuar a pena de Bolsonaro. Condenado a 27 anos e 3 meses de cana, ele foi presenteado pelo Congresso com uma mudança legal que atenua o castigo. Moraes suspendeu a aplicação do benefício. Mas isso ocorreu antes da profecia de Michelle Bolsonaro. Uma coisa é a posição de um magistrado supremo. Coisa bem diferente é a compreensão de um "irmão em Cristo".


Falando em viagens interplanetárias e, por extensão, intergalácticas, o artefato mais veloz construído até agora - a Parker Solar Probe — atingiu 692 mil km/h no final de 2024, impulsionada pela gravidade solar. Para efeito de comparação, esse valor representa cerca de 0,064% da velocidade da luz e é quase o dobro da velocidade alcançada pela sonda New Horizons. 


Nessa toada, seria possível ir da Terra a Netuno em menos de 9 meses — façanha notável se considerarmos que a Voyager II demorou 12 anos e a New Horizons, 8,5 anos para percorrer distâncias comparáveis — mas uma viagem até Proxima Centauri — nossa vizinha estelar mais próxima, que fica a "módicos" 4,246 anos-luz — levaria mais de 6 mil anos.


Considerando que os demais planetas e satélites que compõem nosso sistema solar não são habitados (há indícios de vida microbiana em alguns deles, mas não de civilizações desenvolvidas), os objetos voadores não identificados de origem extraterrestre são fruto de uma tecnologia muito mais avançada do que a nossa. 


Aqui cabe abrir um parêntese para dizer que a missão Kepler da NASA monitorou cerca de 150.000 estrelas entre 2009 e 2018 e concluiu que, em média, cada estrela possui pelo menos um planeta. Isso significa cerca de um septilhão de planetas no Universo — mais do que o número estimado de grãos de areia em todas as praias da Terra. Se aplicarmos critérios conservadores — estrela estável, zona habitável, tamanho rochoso semelhante à Terra etc. — uma em cada 5 estrelas pode hospedar um planeta nessas condições.


Portanto, haveria 40 bilhões de planetas habitáveis somente na Via Láctea e cerca de 10 sextilhões no universo observável, que tem cerca de 93 bilhões de anos-luz de diâmetro. Mesmo se vida for extremamente rara - tipo uma chance em um bilhão de planetas habitáveis desenvolver vida - ainda sobrariam 10 trilhões de planetas com vida só no universo observável. Diante disso, a intuição de que "somos únicos" fica difícil de sustentar mesmo para o mais conservador dos conservadores. Aliás, esse é basicamente o cerne do Paradoxo de Fermi: se há tantos mundos, "cadê todo mundo?" 


Se existem seres inteligentes em alguns desses 10 trilhões de planetas, eles devem ter descoberto maneiras de singrar o cosmos em altíssimas velocidades e atravessar buracos de minhoca — supostos atalhos cósmicos que diminuem a distância entre dois pontos seja, neste ou em outro universo, seja no presente ou em outro momento da linha do tempo. Afinal, se os avistamentos de OVNIs fossem meras alucinações coletivas ou confusões com balões meteorológicos, seria de esperar que os governos simplesmente dissessem isso e encerrassem o assunto com um sorriso condescendente. Mas não é bem isso que acontece.


Em 1947, o general Nathan Twining, chefe do Comando de Material da Força Aérea Norte-americana, enviou um memorando confidencial afirmando que os discos voadores eram "reais e não imaginários", e que sua performance — incluindo velocidade, manobras e ausência de fumaça ou som — era superior à de qualquer aeronave conhecida. O memorando ficou classificado (sob sigilo) por décadas e, quando veio a público, levantou uma pergunta incômoda: se não há nada a esconder, por que esconder?


O Projeto Blue Book, iniciado em 1952, investigou oficialmente mais de 12 mil casos de avistamentos nos Estados Unidos. Ao final, em 1969, encerrou suas atividades declarando que nenhum dos casos representava ameaça à segurança nacional e que nenhum era de origem extraterrestre. No entanto, dos 12 mil casos analisados, 701 permaneceram oficialmente "sem explicação", e essa categoria, curiosamente, incluía alguns dos relatos mais bem documentados, feitos por pilotos militares experientes com suporte de radar.


Décadas depois, em 2017, o New York Times revelou a existência do AATIP — Advanced Aerospace Threat Identification Program —, um programa secreto do Pentágono dedicado ao estudo de fenômenos aéreos não identificados, no qual foram investidos 22 milhões de dólares entre 2007 e 2012. Junto com a reportagem vieram três vídeos gravados por caças da Marinha americana mostrando objetos que realizavam manobras fisicamente improváveis: acelerações instantâneas, mudanças bruscas de direção e hovering sem propulsão aparente. O Pentágono confirmou a autenticidade das imagens mas nenhuma explicação convincente foi oferecida.


Em 2021, o governo americano publicou um relatório preliminar sobre UAPs — sigla para Fenômenos Aéreos Não Identificados em inglês, que substituiu "OVNIs" nas comunicações oficiais por soar menos como ficção científica — admitindo que 143 dos 144 casos analisados permaneciam sem explicação. O único "explicado" era um balão. Para os outros 143, o relatório concluiu, com rara honestidade burocrática, que simplesmente não havia dados suficientes para uma conclusão.


O padrão que emerge dessa cronologia não é o de uma conspiração hollywoodiana, com homens de preto e hangares secretos em Nevada — embora a Area 51 exista de fato e tenha abrigado projetos de aviação ultrassecretos por décadas. O padrão é mais prosaico e, por isso mesmo, mais perturbador: o de instituições que sabem mais do que dizem, dizem mais do que admitem e admitem mais do que gostariam. A pergunta que fica não é se há algo lá fora. É o que exatamente esse "algo" é — e o que aqueles que o conhecem decidiram, até agora, manter fora do alcance do público.


Resumo da ópera: Pode-se argumentar que indícios e evidências não são provas, mas ignorar milhares de avistamentos de OVNIs (ou UAPs) relatados por pilotos civis e militares, controladores de voo e outros profissionais capazes de diferenciar esses eventos de fenômenos atmosféricos equivale a tapar o Sol com peneira. 


Continua…