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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

O TEMPO ESTÁ PASSANDO CADA VEZ MAIS RÁPIDO?

TEMPUS FUGIT.

Até a invenção da escrita, o tempo era medido com base em fenômenos naturais sazonais. Mais adiante, os sumérios dividiram o ano em 12 meses de 30 dias e os egípcios criaram um calendário lunar baseado no aparecimento anual da estrela Sirius.


No final do século XVI, o calendário Juliano foi substituído pelo modelo Gregoriano, que atualmente é adotado pela maioria dos países. Mas ainda não se sabe se é o tempo que passa ou se somos nós que passamos por ele como areia entre as câmaras de uma ampulheta.


Atribuir um número de série a cada ano é como tentar aprisionar o tempo num calendário de parede — e sempre haverá um ministro do STF disposto a soltá-lo. Ainda assim, podemos comparar o passado a um lugar distante que gostaríamos de visitar. Mas vale lembrar que uma viagem à Disneylândia ou ao Coliseu depende basicamente de quanto podemos gastar, enquanto viajar para tempos idos, mesmo sendo uma possibilidade matematicamente plausível à luz da Teoria da Relatividade Geral, é bem mais complicado. 


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Edson Fachin presidiu uma sessão com cenas típicas de um bar de quinta instância. Engalfinharam-se as facções de Alexandre de Moraes e André Mendonça. No lance mais violento, Gilmar Mendes partiu para cima de Mendonça e o acusou de atirar contra Moraes perto do 7 de Setembro por razões eleitorais, e o ministro-pastor chamou o desafeto de "leviano". Teve até "pixuleco" na Paulista, lembrou Gilmar, antes de tratar Mendonça como um submafioso: "Até a máfia tem ética".

Em outra garrafada, Moraes acusou Mendonça de estar "a serviço" do bolsonarismo. Disse ter testemunhas de que o rival pressionou a PF para incluí-lo numa delação premiada. Chamado de mentiroso, Moraes não se deu por achado: "Vamos chamar aqui as testemunhas". A condução do caso por Mendonça gerou acusações de parcialidade e abusos. Em reação, Moraes pediu uma investigação contra o rival.

Numa tabelinha com Gilmar, Dino propôs a análise conjunta dos dois casos. O que ocorreria na quarta-feira da semana que vem. Para Dino, o Judiciário vive "o momento mais corrupto da história". Antevê a investigação de outras togas. Toffoli aguarda na fila. Gilmar sustentou que Mendonça protege aliados. Mencionou Nunes Marques. Dino mencionou Luiz Fux e pediu vista, adiando a decisão sobre a investigação de Moraes. Em meio a garrafadas, o Supremo entrou em autocombustão. Cármen Lúcia se disse "envergonhada". Pediu "desculpas" ao país.

Amigos são como táxis. Debaixo de chuva, somem. Apenas 48 horas depois de a Quaest ter trovejado a ultrapassagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no cenário de segundo turno, Flávio Dino disparou no plenário do Supremo um raio que o parta. Colocou Alexandre de Moraes no colo de Lula.

Diante da tempestade perfeita, Lula tentou abrir o guarda-chuva. Em entrevista à TV Record, defendeu investigações "sem trégua". Disse que Edson Fachin "tem a faca e o queijo na mão" para investigar togas tisnadas pelo Master. Ciente de que o sangramento de Moraes respinga em sua candidatura, Lula repetiu que o Supremo não é lugar para quem deseja enriquecer.

De passagem por Fortaleza, o filho de Bolsonaro realçou o óbvio: com um pedido de vista-bloqueio, Dino tirou a faca das mãos de Fachin. E escondeu o queijo. O debate sobre a investigação de Moraes ficou para depois da eleição. Flávio disse que "a tropa de choque do Lula no Supremo entrou em campo" para blindar Moraes. Não chamou Dino pelo nome. Preferiu chamá-lo de "ex-ministro da Injustiça do Lula."

Segundo o Datafolha, 85% dos eleitores dizem que as acusações contra Moraes não mudam seus votos. Uma ínfima minoria, de 4%, disse ter trocado de candidato. E 7% disseram estar em dúvida. Numa eleição apertada, definida no olho mágico, 7% podem fazer 100% de diferença. Se a minoria indecisa pender para Flávio, um candidato que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro, Lula se lembrará de Dino como um táxi que não apareceu na hora da chuva.


Em tese, qualquer tentativa de alterar o passado é automaticamente corrigida pelo próprio curso dos eventos, de modo que o tempo é imutável — ou pelo menos impermeável a grandes alterações. Por outro lado, a Teoria do Multiverso sustenta que cada decisão ou evento gera um desdobramento alternativo, que não afeta a linha do tempo original.


De um tempo a esta parte, por alguma razão incerta e não sabida, o tempo parece estar passando cada vez mais depressa. Isso acontece porque nossa mente “vê” o tempo passar como uma cena exibida em slow-motion. Uma vez que o registro feito pelo cérebro é flexível e leva em conta emoções, expectativas, o quanto as tarefas exigiam de nós num determinado período, e até os nossos sentidos.


Isso explica por que a maioria das pessoas se lembra mais nitidamente do que viveu entre os 15 e os 25 anos — época em que se têm mais experiências novas, e coisas novas tendem a ter um registro mais intenso na memória, já que nosso cérebro parece perceber esses episódios como mais duradouros. No entanto, conforme envelhecemos, os últimos 10 anos parecem ter passado bem mais rapidamente do que as décadas anteriores. 


Enquanto nos deslocamos de casa para o trabalho, por exemplo, temos a impressão de que a viagem demora uma eternidade, mas a sensação é bem diferente quando pensamos nisso na hora do almoço ou no meio da tarde. Mas parece que essa impressão não é só impressão.


Em comparação à época de sua formação, a Terra tem dias muito mais longos. Cerca de 1,4 bilhão de anos atrás, uma rotação levava menos de 19 horas, mas os dias começaram a ficar cerca 13,5 microssegundos mais longos a cada ano, e a precisão dos relógios atômicos levou os cientistas à conclusão de que a Terra vinha desacelerando seu giro muito gradualmente.


Ocorre que, de um tempo a esta parte, nosso planeta voltou a girar mais rapidamente, completando sua rotação em 1,4602 milissegundos a menos do que os habituais 86.400 segundos. Essa aceleração começou a acontecer em 2016, e o dia 29 de junho de 2022 foi o mais curto desde o início das medições. Se a tendência se mantiver, um segundo bissexto negativo será necessário para manter os relógios alinhados com a rotação do planeta. 

 

Observação: Seria a primeira vez na história que se removeria um segundo dos relógios globais, o que poderia ser um problema, pois grande parte da tecnologia moderna é baseada no que se convencionou chamar de “tempo real”. Para alguns especialistas, a solução seria alterar os relógios do mundo da hora solar para a hora atômica, mas essa é uma outra conversa.


Se você vai para a cama com a impressão de que o dia não rendeu, seja bem-vindo ao clube. Embora as horas continuem a ter 60 minutos, o dia solar, 24 horas, e o dia sideral, — tempo que a Terra leva para uma volta completa em torno do seu eixo — 23 horas, 56 minutos e 4 segundos; Mas o tempo medido de uma forma mais sutil e abstrata pela nossa percepção mudou radicalmente ao longo da História. 


Para o soldado romano dos tempos de Júlio César, o tempo parecia passar num ritmo; para o camponês do século 18, esse ritmo era outro; há 30 anos, a gente lia o jornal da manhã e esperava até 20h30 para o Jornal Nacional dar as notícias do dia. Séries eram interrompidas para intervalos comerciais — essas pausas eram aceitas como um respiro, entre um segmento e outro de uma antiga série. Hoje, no entanto, ficamos furiosos quando um serviço de streaming interrompe a exibição do filme por meros 60 segundos para exibir propagandas, talvez porque o tempo pareça ter ficado mais escasso e, portanto, mais valioso.


Em outras palavras, na percepção de tempo atual a areia parece escapar de uma

ampulheta quebrada. Não existe começo nem fim, apenas uma sucessão de ansiedades. Antigamente, a gente esperava pacientemente pela resposta

a uma carta; agora somos bombardeados diariamente no WhatsApp por notinhas, frases, memes, desaforos em grupos de colegas de trabalho, de condôminos e de familiares, e por aí vai.


O único momento em que o tempo parece passar devagar é quando temos insônia. Aí não tem jeito; os segundos viram minutos que se arrastam penosamente, enquanto nós oramos ou criamos fantasias para não pensar nas contas a pagar, no câncer que nos está matando e no tratamento médico que estamos adiando por ser chato e tedioso. Ou seja, o tempo passa devagar porque não estamos nos divertindo ou produzindo nada.


O fato de o tempo parecer tão acelerado não é ruim em si, apenas significa que nossas necessidades são atendidas em tempo cada vez menor, e que estamos vivendo mais intensamente, adquirindo experiências e conhecimentos numa velocidade impensável há apenas algumas décadas. E isso vai se acelerar ainda mais para quem souber usar recursos como a inteligência artificial. 


A questão é que, por não estarmos mentalmente preparados para isso, a adaptação completa demora. O psicólogo alemão Marc Wittmann destacou no livro Felt Time (“Tempo Sentido”) que nós normalmente filtramos nossas lembranças, e isso faz com que os momentos de grande emoção e alegria parecem se esticar em nossas memórias, como num filme em câmera lenta, enquanto os momentos de rotina parecem sumir. Isso foi demonstrado em vários estudos: quanto mais rotina as pessoas relatam, mais rápido o tempo parece passar em retrospectiva.


Para entender como os ciclos de sono, alimentação e produtividade são afetados pela referência das horas, o pesquisador francês Michel Siffre passou dois meses numa caverna escura, sem relógio nem qualquer outra maneira de saber o tempo. A única fonte de luz disponível era uma lâmpada de mineração, que ele usava para cozinhar, ler e escrever em um diário pessoal. No livro Beyond Time (1964), ele relatou que tomava o próprio pulso e contava os segundos até 120 sempre que se comunicava por rádio com a equipe de apoio, mas o tempo real cronometrado por sua equipe era de quase 5 minutos. Sem os indicadores naturais (como nascer e pôr-do-sol), seu ciclo circadiano passou de 24 para 48 horas, e o tempo psicológico foi reduzido à metade do cronológico. O experimento se estendeu por dois meses, que para ele pareceram menos de um.


Décadas depois — mais exatamente em 21 de novembro de 2021 — uma atleta espanhola chamada Beatriz Flamini entrou numa caverna a 70 metros de profundidade e lá permaneceu isolada do mundo por 500 dias. Monitorada à distância, mas sem manter diálogo com ninguém, ela passou seu tempo fazendo exercícios, desenhando, lendo, fazendo tricô e conversando consigo mesma. Para ela, não havia dia ou noite, nem chuva ou sol. Eventualmente, parou de contar os dias, e quando saiu, um ano e meio depois, disse que achava ter ficado na caverna por cerca de seis meses.


Segundo Adrian Bejan, pesquisador da Duke University, não percebemos a passagem do tempo diretamente; percebemos apenas as mudanças que ocorrem à nossa volta e as registramos como uma sequência mental. É por isso que o presente difere do passado: não porque o relógio avançou, mas porque nossa percepção da realidade mudou. No escuro da caverna, onde quase nada se alterava para Michel Siffre e Beatriz Flamini, havia poucos estímulos para renovar essa sequência de imagens. Sem essas referências, o tempo parecia quase não passar.


Um dos maiores especialistas no tema hoje é o sociólogo alemão Hartmut Rosa, autor de Social Acceleration: A New Theory of Modernity (“Aceleração Social: Uma Nova Teoria da Modernidade”). Segundo ele, vivemos uma ordem social que depende da aceleração para continuar funcionando. Temos que produzir mais, comunicarmo-nos mais rapidamente, tomar decisões em menor tempo, acumular mais experiências durante uma vida limitada, e por aí afora. 


Rosa descreve três formas de aceleração. A primeira é a tecnológica — viagens e comunicações encurtaram distâncias, e o tempo, por estar comprimido, torna-se escasso. Um exemplo disso é a correspondência por escrito, um processo lento que o correio eletrônico acelerou significativamente. Todavia, por ser tão rápido e prático, ele nos obriga a lidar com dezenas, centenas de emails por dia. O tempo economizado pela aceleração é ocupado pela multiplicação das tarefas, e assim o dia fica curto.


A segunda aceleração apontada por Rosa é o das transformações sociais. Profissões, conhecimentos, relacionamentos, identidades sociais ocorrem dentro de uma geração, dando azo à “contração do presente”: o intervalo durante o qual nossas experiências passadas ainda servem para orientar o futuro torna-se

cada vez menor. Aquilo que aprendemos ontem pode não funcionar

amanhã. A terceira é a aceleração da vida em si. Viramos multitarefas, reduzimos pausas e intervalos, comemos rapidamente de olho no celular e sentimos culpa por momentos em que não estamos produzindo algo. Esse novo comportamento nos leva à impressão de que o tempo está curto e não temos mais tempo para exercer todas as tarefas que nos impomos.


Tudo isso pode parecer negativo, mas você voltaria ao tempo das cartas, dos telegramas, dos aviões a hélice, dos telefones discados, da televisão com cinco canais, dos empregos fixos pela vida inteira, da aposentadoria no sofá esperando a morte chegar? As sociedades mudam desde que a humanidade se organizou, e o modelo atual precisa dessa aceleração até para sobreviver. Nas palavras de Rosa: “Uma sociedade é moderna quando só consegue estabilizar-se dinamicamente", isto é, quando necessita sistematicamente de crescimento, inovação e aceleração para conservar sua estrutura e reproduzir o status quo.


"Sed fugit interea fugit irreparabile tempus”, dizia o poeta romano Virgílio,

que morreu pouco antes do nascimento de Cristo. Já naquela época, ele constatou que o tempo foge irreversivelmente — e hoje foge com muito mais velocidade. Em face do exposto, a pergunta é: como tocar nossas vidas diminuindo a sensação de

ansiedade? 


A resposta é: 1) reduza a fragmentação do dia – mudar de atividade a cada dez minutos aumenta nossa aflição; 2) tente reservar períodos de 30 a 60

minutos para realizar só uma tarefa; 3) Estabeleça intervalos para conferir

mensagens e e-mails e reserve cinco minutos para fazer nada; 4) Mude a rotina – fazer tudo igual todos os dias dá essa sensação de diminuir o tempo; 5) Escreva um diário – não precisa ser um longo relatório das suas atividades, apenas registre-as (em papel ou num computador) em poucas linhas o que aconteceu, especialmente os momentos mais agradáveis.


Adicionalmente, crie prioridades na sua agenda – fazer tudo o tempo todo todos os dias destrói a noção de tempo. Defina tarefas essenciais, valorize suas opções principais, já que a ansiedade tende a aumentar com a sensação de que temos de fazer várias coisas ao mesmo tempo.


Boa sorte.


segunda-feira, 22 de setembro de 2025

ANDROID X iOS — OFERTA DE APLICATIVOS E OUTRAS SUTILEZAS

QUEM TENTA FUGIR DA PRÓPRIA SOMBRA SE PERDE EM PLENA LUZ DO DIA.

Android e iOS dominam o mercado mundial de sistemas móveis com 70% e 28% de participação, respectivamente — a fatia menor da Apple se explica pelo ecossistema fechado. 


No Brasil, os smartphones Android mas vendidos são da Samsung (36,21%), Motorola (20,05%), Xiaomi (18,62%) e Apple (11,55%). Vale destacar que o iOS se limita a sete modelos de iPhone, enquanto o Android oferece mais de 100 opções —  somente nos últimos quatro anos, a Anatel homologou 233 aparelhos 5G de vinte fabricantes. 


O código aberto torna o sistema do Google mais personalizável e, consequentemente, mais visado por cibercriminosos, mas o fato de os apps da App Store passarem por revisão rigorosa e rodarem em sandboxes não torna os iPhones invulneráveis nem dispensa o uso de segurança adicional.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


A condenação de Jair Bolsonaro e seus cúmplices do núcleo crucial da tentativa de golpe não baixou a temperatura do embate político — pelo contrário. A questão em pauta atualmente é a aviltante PEC da Anistia, cuja urgência foi aprovada pela Câmara no final da semana passada. 

Ainda não se sabe exatamente qual será o tipo de anistia — um dilema político extremamente complexo, dadas suas implicações jurídicas, institucionais e simbólicas. Seja qual for o desfecho, o debate põe à prova, de forma imediata, dois tipos de confrontos políticos. O primeiro diz respeito à força relativa de cada grupo dentro do Legislativo —  a oposição acredita ter votos suficientes para aprovar a proposta na Câmara, mas dificilmente teria a mesma força no Senado.

O segundo confronto, igualmente relevante, é entre o STF — que já sinalizou que uma anistia ampla, nos moldes pretendidos pela oposição, será vetada, e essa mesma posição foi defendida pelo chefe do Executivo. Diante desse  desequilíbrio institucional, parte dos operadores políticos descreve a situação atual como um grande jogo de cena, uma encenação preparatória para as eleições de 2026. Ou seja, muitas manobras — gestos simbólicos, discursos inflamados, articulações — mas sem consequências graves no curto prazo. Seriam, portanto, danças políticas voltadas a animar as diferentes tribos eleitorais. 

O problema é continuar dançando no salão de um barco à deriva — o Brasil.

 

Quando troquei o Windows pelo macOS, notei a escassez de aplicativos gratuitos. Hoje, porém, a App Store oferece 1,91 milhão de apps — contra 1,56 milhão na Play Store. A redução de quase 50% em relação aos 3,4 milhões do início de 2024 deveu-se às políticas mais rígidas do Google e ao fato de alguns desenvolvedores optarem por distribuir seus apps fora da Play Storeno iOS, praticamente tudo passa pela App Store.

 

A escolha da marca e do modelo do smartphone tem mais a ver com preferência e disponibilidade financeira do usuário do que com as vantagens e desvantagens de cada sistema. No caso do Android, pesa também os recursos e funções presentes nas UIs (interfaces de usuário) que os fabricantes desenvolvem a partir do código “bruto” que recebem do Google. A Hello UI da Motorola preserva mais as características originais do Android, mas isso não significa que seja melhor ou pior que One UI da Samsung ou que a HyperOS da Xiaomi, por exemplo.

 

Os iPhones costumam ser mais caros, mas modelos premium da Samsung — especialmente os dobráveis — podem custar tanto ou mais que os top de linha da Apple. Quando dinheiro não é problema, nada melhor que ter o melhor. Mas considerando que sobra mês no fim do salário da classe média brasileira, é preciso priorizar o que realmente importa.


No que tange ao processador, Snapdragon 7 Gen 3 e MediaTek Dimensity 7300 são escolhas seguras — evite modelos muito básicos, como Snapdragon 4xx ou MediaTek Helio de entrada. Quanto à memória, 6 GB de RAM e 256 GB de armazenamento são aceitáveis — 128 GB apenas se houver slot para microSD —, mas um modelo com 12 GB de RAM e 512 GB de armazenamento garante longevidade.

 

Uma tela entre 6,4" e 6,8" com tecnologia AMOLED ou IPS e resolução Full HD+ (1080p) atende à maioria dos usuários. Quanto à bateria, a capacidade mínima recomendada é de 4.500 mAh; se possível, opte por 5.000 mAh ou mais, com carregamento rápido de pelo menos 33W. E priorizar modelos com pelo menos quatro anos de atualizações de versão do Android e cinco anos de patches de segurança — algo que as marcas chinesas oferecem por menos tempo — garante compatibilidade futura com aplicativos.

 

Se seu aparelho for Samsung e o armazenamento interno estiver “no toco”, uma ferramenta nativa ajuda a liberar espaço, removendo arquivos temporários e outros dados que se acumulam durante o uso diário. Para utilizá-la, toque em Configurações > Assistência do aparelho > Memória > Limpar.

 

O Motorola Software Update acumula muitos arquivos após cada instalação concluída. Para excluí-los, acesse Configurações > Aplicativos > Ver todos os apps, localize Atualização de software da Motorola, toque em Armazenamento e cache e selecione Limpar armazenamento.

 

O Android cria uma pasta oculta para armazenar tudo o que é postado nos Status do WhatsApp. Para esvaziá-la, abra o Google Files, toque no ícone das três barrinha, selecione Configurações e ative a opção Mostrar arquivos ocultos. Volte à tela inicial do Files, toque em Armazenamento interno > Todo o armazenamento, acesse a pasta Android, siga por WhatsApp > Mídia > com.whatsapp, depois WhatsApp > Mídia > .Statuses, selecione todos os arquivos e toque no ícone da lixeira para excluí-los.

 

Aproveite o embalo para eliminar também as miniaturas criadas pelo aparelho ao tirar fotos ou gravar vídeos — embora acelerem o carregamento na galeria, elas continuam ocupando espaço mesmo depois que o arquivo original foi excluído. Com a opção Mostrar arquivos ocultos ativada, abra o Google Files, toque em Armazenamento interno, selecione a pasta DCIM e apague todos os arquivos com as extensões .trashed ou .thumbnails.

 

Feito tudo isso, deve sobrar espaço para você instalar aquele app inútil que nunca vai usar —, mas se usar, ele pelo menos não vai travar.

quarta-feira, 13 de março de 2024

NÃO HÁ NADA COMO O TEMPO PARA PASSAR... (FINAL)


O tempo passou, os ventos mudaram e subproduto da escória humana que elegemos em 2018 tornou-se o pior mandatário desde Tomé de Souza e o primeiro desde a redemocratização que tentou a reeleição, mas foi barrado nas urnas. 

Confirmada sua derrota, o "mito" dos "patridiotas" se encastelou no Alvorada até a antevéspera da posse do sucessor, quando então fugiu para a Flórida (EUA) e se homiziou na cueca do Pateta por 89 dias, esperando o desenrolar dos acontecimentos urdidos em solo pátrio por seus comparsas golpistas. Acabou que o golpe não prosperou, a Hora da Verdade chegou e o depoimento do general Freire Gomes tornou sua prisão questão de "quando". 

Ao contrário dos demais fardados que participaram da intentona golpista (e do próprio Bolsonaro), o ex-comandante do Exército respondeu todas as perguntas dos agentes federais. Nas palavras de um ministro do STF, seu depoimento é mais valioso do que uma delação, pois contém revelações de uma testemunha, não de um criminoso à procura de benefício judicial.

ObservaçãoMauro Cid deixou a PF no início da madrugada de ontem, após depor por quase 9 horas. O conteúdo está sob sigilo, mas sabe-se que ele responderia todas as perguntas. Durante os atos de 25 de fevereiro, Bolsonaro disse que "golpe é tanque na rua", e que vinha sendo acusado de golpe por causa de "uma minuta de um decreto de estado de defesa". Como se costuma dizer, o peixe morre pela boca.
 
Ninguém é mais responsável do que Bolsonaro pela merda que o Brasil virou nos últimos anos (não que antes fosse muito melhor). Mas nenhum politico com cargo eletivo brota no gabinete por geração espontânea. Pelé e o general Figueiredo já alertavam para o risco de misturar brasileiros com urnas em pleitos presidenciais. Não obstante, melhor do que simplesmente acusar é conscientizar essa choldra de que políticos não devem ser endeusados, mas cobrados e descartados quando mijam fora do penico. 
 
A polarização esteve presente em todos os capítulos da nossa história, mas ganhou vulto quando Lula plantou a semente do "nós contra eles
— que a rivalidade entre mortadelas e coxinhas regou e  "mico" e seus miquinhos estercaram durante a campanha de 2018. Churchill lecionou que a democracia é a "pior forma de governo, exceto todas as demais", mas pontuou que "o melhor argumento contra a democracia é cinco minutos de conversa com um eleitor mediano". 

Anthony Downs ensinou que "ganha a eleição quem conquista o eleitor mediano", e esse teorema vicejou no Brasil de 1994 até 2014, quando então a reeleição da Mulher Sapiens levou a dicotomia da política para as ruas. 
 
Observação: Desde 2018 que o eleitorado tupiniquim está com a polarização e não abre. E nem bem vestiu a faixa pela terceira vez, Lula arregaçou as mangas e pôs-se a trabalhar pelo retorno do bolsonarismoDe janeiro de 2023 para cá, o matusalém petista e sua cuidadora passaram 70 dias excursionando por 26 países de 4 continentes

Imbuído da certeza de que foi "descondenado" e eleito para ocupar o cargo de Deus, Lula estendeu o tapete vermelho para Nicolás Maduro, acomodou Dilma na presidência do Banco do Brics, indicou para o STF seu amigo e advogado Cristiano Zanin e seu ministro comunista Flávio Dino, chamou da suprema aposentadoria o velho companheiro Ricardo Lewandowski, pegou em lanças contra o presidente do BC e sabotou Haddad ao declarar que a meta fiscal não precisa ser zero

No ano passado, quando uma "pneumonia leve" o obrigou adiar uma viagem à China, Lula disse que estava poupando a voz para o encontro com Xi-Jinping. O detalhe é que nem líder chinês fala português, nem o brasileiro fala mandarim (na verdade, ele não domina sequer o idioma de Camões). 
 
Do alto do seu ego colossal, o Sun Tzu de Atibaia não viu nada de mais no fato de a ministra Anielle Franco requisitar um jatinho da FAB para assistir a um jogo de futebol. Demorou a penabundar a ministra Daniela Carneiro que se envolveu numa esquisita relação eleitoral com milicianos). Manteve no cargo o ministro das Comunicações que usou dinheiro de emendas parlamentares em benefício de sua fazenda no Maranhão, empregou funcionário fantasma no Senado e autorizou o sogro a usar o gabinete ministerial para "despachos informais". 

Em março de 2023, Lula disse que só ficaria bem depois que "fodesse Sérgio Moro". Dias depois, classificou de visível armação um plano do PCC para matar o ex-juiz. No mês seguinte, afirmou que a Ucrânia era tão culpada quanto a Rússia pela guerra no leste europeu. Em julho, agradeceu a África pelo que foi produzido durante a escravidão no Brasil. No final do ano, trombeteou que a ação dos israelenses é tão grave quanto o ataque desfechado pelo Hamas; no mês passado, comparou a ação israelense em Gaza ao Holocausto. 
 
Lula já disse que ditadura na Venezuela é mera "narrativa" e que "o conceito de democracia é relativo". Agora, excursiona pelo mundo da Terra Plana ao comparar os ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral com a resistência da oposição venezuelana ao jogo de cartas marcadas: "Espero que as pessoas que estão disputando as eleições [na Venezuela] não tenham o hábito de negar o processo eleitoral, as urnas, a Suprema Corte." 

Nosso estadista de fancaria compactua com a farsa da recondução de um tiranete que se mantém no poder por duas décadas e meia graças à manipulação de regras, ao aparelhamento de instituições, à violação de direitos humanos, a corrupção das Forças Armadas, à asfixia a imprensa, à prisão de opositores e à inabilitação de adversários. Um déspota que preside uma ruína que resultou no êxodo de 7 milhões de venezuelanos — boa parte dos quais buscam socorro no Brasil. 

Observação: Noutros tempos, a postura de Lula seria vergonhosa; à luz da conspiração golpista do 8 de janeiro, ela não só ofende quem se juntou ao petismo em 2022 na folclórica "frente ampla" como desnorteia líderes mundiais que deram crédito ao bordão segundo o qual "o Brasil voltou" e agora se perguntam: "Voltou para onde?" Ao pular na frigideira de Maduro, o reizinho carboniza os "valores" que lhe renderam a terceira (e queira Deus que seja a derradeira) passagem pelo Palácio do Planalto.
 
A exemplo de seu antecessor, Lula se tornou refém do Centrão. Quando Lira rosnou que "o Orçamento é de todos, não do Executivo", comprometeu-se a liberar R$ 20 bilhões em emendas a tempo de os parlamentares faturarem politicamente nas eleições de outubro. Após exaltar o óbvio dizendo que Bolsonaro "tentou dar um golpe e sabe que pode ser preso", feriu de morte o transporte por aplicativo enviando ao Congresso um estapafúrdio projeto de lei que "regulamenta" esse tipo de serviço.

A esquerda brasileira é mais atrasada que o Coelho Branco. Parou no tempo nas relações trabalhistas, perde tempo com Maduro e demora a perceber que fazer política como fazia há 20 anos não funciona mais. Parece não ver que o petista subiu a rampa pela terceira vez não por seus méritos, mas pelos deméritos do imprestável que o antecedeu. 

Em 15 meses de (terceira) gestão, Lula não conseguiu reverter a fratura da polarização. Seus índices de desaprovação cresceram no Sul e no Sudeste e os de aprovação diminuíram até no Nordeste. Quem lê as estrelinhas percebe que o gosto pela raiva leva "o cara" de Barack Obama a esquecer que não foi eleito para passar quatro anos passeado e falando mal de um antecessor inelegível. 

Lula permanece acorrentado a uma agenda tóxica que inclui chutar Bolsonaro, afagar o imperador da Câmara e aplacar a celeuma que criou ao encostar o holocausto em Gaza. Por mal dos nossos pecados, noves fora algum ponto fora da cura, ainda lhe restam quase 30 meses para mostrar serviço e mudar de assunto antes do próximo pleito presidencial.
 
Triste Brasil.

domingo, 30 de janeiro de 2022

A ÚNICA VACINA

 

Eu considerava a reeleição de Dilma o maior estelionato eleitoral da nossa história recente (e não foi por falta de concorrentes de peso), mas Bolsonaro deixou a mulher anta no chinelo e, entre outras bandeiras de campanha que enfiou em local incerto e não sabido, merece especial destaque a de "acabar com a 'velha política' do toma-lá-dá-cá", que jamais passou de mera demagogia. Ninguém fica na Câmara durante 27 anos sem se dar conta de como a banda toca, ou por outra, de que ex-presidentes que tentaram peitar o Congresso — como Jânio, Collor e Dilma, por razões diferentes e não necessariamente republicanas — perderam seus mandatos.

Ao nomear Ciro Nogueira ministro-chefe da Casa Civil, Bolsonaro entregou ao Centrão as chaves do reino e do cofre. Segundo apurou o EstadãoR$ 25,1 bilhões em emendas parlamentares foram destinadas a deputados e senadores da chamada “base aliada”. O STF considerou irregular o uso político dos recursos Mas e daí? Desde sempre que o capitão cria factoides para manter acirrada sua base ideológica e desviar a atenção da mídia de um tema polêmico para outro. 

Em abril de 2020, durante uma manifestação subversiva defronte ao QG do Exército, Bolsonaro discursou: “Nós não vamos negociar nadaTemos de acabar com essa patifaria. Esses políticos têm de entender que estão submissos à vontade do povo brasileiroÉ o povo no poder”. Para não dizer que nada aconteceu, alguns oficiais tiraram selfies e sorriram para a multidão. O inquérito que está sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes avança a passos de bicho-preguiça, juntamente com outras cinco investigações — inclusive a que apura a “suposta” interferência do capitão na PF.

Em agosto de 2021, Bolsonaro convocou uma blindadociata para pressionar o Congresso a aprovar a PEC do voto impresso — que acabou sepultada. Em seu enésimo comício em Santa Catarina, o "mito" referiu-se ao presidente do TSE como "aquele filho da puta do Barroso" — o vídeo foi prontamente apagado do Facebook, mas a ação não foi rápida o bastante para impedir que a cena viralizasse nas redes sociais. Discursando a apoiadores no feriado de 7 de setembro, chamou Alexandre de Moraes de “canalha”. Mas seu destempero foi alvo de críticas, nada além disso. 

O réu que preside a Câmara e serve de cão-de-guarda a cento e tantos pedidos de impeachment latiu, mas não mordeu; o presidente do Congresso reagiu com a mineirice que lhe é peculiar; o presidente do STF foi mais incisivo, mas tudo voltou a ser como antes no quartel de Abrantes depois que o tiranete despirocado leu a patética missiva redigida a rogo pelo folclórico vampiro que tem medo de assombração.

Os números mostram como o Congresso ampliou seu controle sobre o Orçamento da União ao longo dos anos. O processo começou antes do atual governo, mas cresceu a olhos vistos sob Bolsonaro. Os R$ 25,1 bilhões efetivamente pagos em 2021 representam três quartos dos R$ 33,4 bilhões que foram empenhados (quando o dinheiro é reservado no Orçamento), índice acima de anos anteriores, segundo os dados do Portal do Orçamento do Senado. Para este ano — em que boa parte dos parlamentares disputará eleições — o valor previsto é ainda maior, de R$ 37 bilhões

Para não correr o risco de esse dinheiro ser represado, Bolsonaro assinou um decreto no último dia 13 tirando do Ministério da Economia e dando à Casa Civil a palavra final sobre a gestão orçamentária. Na prática, a liberação dos recursos ficará a cargo do ministro Ciro Nogueira, mandachuva do Progressistas e comandante do Centrão, que passará a decidir sobre Orçamento.

As emendas são indicações feitas por parlamentares de como o Executivo deve gastar parte do dinheiro do Orçamento. Elas incluem desde obras de infraestrutura, como a construção de uma ponte, até valores destinados a programas de saúde e educação. Como mostrou o Estadão, o dinheiro foi utilizado nos últimos anos também para comprar tratores com sobrepreço — o chamado “tratoraço” —, e integrantes do próprio governo admitem que há corrupção envolvendo a liberação desses recursos. 

A despeito de suas promessas de campanha, Bolsonaro usou e abusou da liberação de dinheiro quando precisou de apoio dos adeptos da baixa política. O caso mais emblemático se deu em novembro, quando da votação da PEC dos Precatórios, que abriu caminho para criar o Auxílio Brasil — programa populista que o presidente vai usar como bandeira eleitoral para tentar a reeleição. Na véspera, o governo destinou R$ 1,2 bilhão dos cofres públicos para atender aos interesses dos parlamentares alinhados com o governo. 

Pelo voto de cada parlamentar foram pagos até R$ 15 milhões, como admitiram pelo menos dois deputados ao jornal O Estado de S.Paulo. Além disso, o governo priorizou aliados até na hora de liberar as chamadas emendas individuais — aquelas previstas na Constituição e que garantem a mesma quantia para todos os congressistas. Parlamentares de partidos do Centrão como o PL, o Republicanos e o Progressistas receberam cerca de 70% dos valores destinados a eles; legendas de oposição mais críticas ficaram para trás — PCdoB, Novo e PSOL foram os que receberam menos recursos. 

Políticos da base aliada argumentam que usam as emendas para irrigar programas capitaneados pelos próprios ministérios, o que agiliza o pagamento. Foram eles que mais indicaram recursos pelas transferências conhecidas como “emenda cheque em branco” e “PIX orçamentário”, mediante as quais o dinheiro cai diretamente na conta das prefeituras, ou seja, sem passar pelos ministérios.

A Secretaria de Governo contestou as informações da reportagem do Estadão. Alegou que seus dados são obtidos a partir do Tesouro Gerencial — sistema mantido pelo governo. Mas as informações do Siga Brasil, utilizadas pelo jornal, provieram da mesma base de dados. Questionada, a pasta não forneceu as informações que o Executivo afirma dispor.

Há uma frase lapidar de Abraham Lincoln: “Dê poder a um homem e descobrirá o seu caráter”. Demos o poder a Bolsonaro para evitar que o país fosse governado por uma marionete de presidiário e descobrimos, para além de seu caráter, o péssimo temperamento que o move. O Brasil contabiliza mais de 620 mil óbitos por Covid, boa parte dos quais se deve à desídia e ao viés negacionista do presidente e da caterva que o assessora. Também é conhecida sua falta de empatia e de sensibilidade em relação às vítimas do vírus assassino (falo do biológico) e às pessoas que ficaram sem pais, irmãos, filhos, cônjuges e amigos. 

Em face do exposto, parece-me evidente que nenhum brasileiro que perdeu parentes ou amigos para a pandemia entregará seu voto à reeleição de Bolsonaro — conforme, aliás, dão conta as enquetes eleitoreiras. Com exceção dos apoiadores incorrigíveis do mandatário de fancaria, é preciso ser muito masoquista para desejar a continuidade desse funesto governo.

A pandemia vai acabar um dia. O Sars-CoV-2, a exemplo dos demais vírus, vai se adaptar ao ser humano, e este a ele. Mas a eleição de 2022 engendra 2023, e a Bolsonaro não queremos adaptação. Diante da inércia do Congresso e do STF, o sufrágio é a única vacina contra ele.