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quarta-feira, 8 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — MAIS SOBRE EXTRATERRESTRES

SE TANTA GENTE TEM AVISTADO DISCOS VOADORES, É PORQUE HÁ DISCOS VOADORES.

O homem almeja voar como os pássaros desde tempos imemoriais. Ícaro tentou com asas de cera, mas caiu no mar porque se aproximou demais do Sol. Leonardo da Vinci concebeu seu "parafuso aéreo" quase 500 anos antes do primeiro voo de helicóptero, mas foi somente no século XX que os irmãos Wright e Santos Dumont provaram que objetos mais pesados que o ar podiam voar. 


Até pouco tempo atrás acreditava-se que meteoros não podiam cair do céu — afinal, no céu não havia pedras —, e que passageiros de um trem a mais de 34 km/h morreriam asfixiados. Felizmente, sempre houve fantasistas suficientemente audaciosos e surdos às críticas que lhe eram feitas — sem eles, não haveria trens-bala, aviões a jato ou viagens interplanetárias.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Há na praça um novo Xandão. A metamorfose ficou evidente com a decisão de prorrogar por tempo indeterminado a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro. A mulher do preso celebrou o despacho do marido: "Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro. E ele [Bolsonaro] está com aquele cabelinho cortadinho, jogadinho, aqueles olhos azuis brilhantes..." Premonitória, Michelle se referia à mais extraordinária conversão retratada na Bíblia: a passagem do soldado Saulo, um perseguidor de cristãos, pela estrada de Damasco. Aconteceu no século 1º da era cristã. De repente, Saulo foi paralisado por uma luz ofuscante. Caiu do cavalo. Ouviu uma voz vinda do céu: "Saulo, por que me persegues?" Por alguns instantes, ele ficou cego, tal a claridade que o arrebatou. Converteu-se em São Paulo, um dos pilares do cristianismo. A mudança de Moraes talvez tenha conotações mais mundanas do que celestiais. Desde o desgaste provocado pelo caso Master, o ministro, antes implacável, parece mais cauteloso em suas decisões. Ao encomendar ao procurador-geral uma manifestação sobre a apreensão da pistola Glock de 9 milímetros de Bolsonaro numa blitz da Lei Seca, o magistrado salientou que a Lei de Execução Penal considera "falta grave" o condenado "possuir, indevidamente, instrumento capaz de ofender a integridade física de outrem". Agora, converteu-se numa espécie de ex-xerife que raciocina politicamente, chegando mesmo a sustentar que uma das consequências seria a revogação da prisão domiciliar. Gonet divergiu. Primeiro, sugeriu esperar pelo encerramento da investigação sobre a apreensão da arma. Depois, escorando-se nas conclusões da Polícia Civil do Distrito Federal, recomendou a manutenção de Bolsonaro em casa. Moraes não estava obrigado a seguir a recomendação de Gonet, mas decidiu ecoar o procurador-geral em sua decisão: "Não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena". Paradoxalmente, Gonet reconheceu que a situação jurídica de Bolsonaro não orna com a posse de armas: "A condição atual do custodiado é incompatível com a posse de arma de fogo", escreveu ele, no trecho reproduzido por Moraes. O ministro potencializou o paradoxo. Além de revogar o porte de arma de Bolsonaro, Moraes ordenou o recolhimento de todo o arsenal registrado em nome do preso: dez armas. Quer dizer: levando-se a Lei de Execução Penal ao pé da letra, Bolsonaro teria cometido não uma, mas uma dezena de "faltas graves". Afora a pistola Glock, o condenado mantinha em casa fuzis, carabinas, revólveres e espingardas. Ignorando a consequência legal que havia antecipado anteriormente — a regressão do regime prisional —, Moraes desistiu de considerar a hipótese de devolver Bolsonaro à Papudinha. Fiou-se em argumentos médicos. O ex-algoz de Bolsonaro se absteve de encomendar um laudo médico independente. Sustentou que os laudos dos doutores que acompanham o preso, apresentados semanalmente pela defesa, demonstram uma melhora clínica do paciente. Mas avaliou que permanecem as circunstâncias humanitárias que justificam a prisão em casa. Pelo andar da carruagem, vem aí mais uma evidência do surgimento de um novo Moraes. Nos próximos dias, o ministro terá que decidir sobre a validade da Lei da Dosimetria, que pode atenuar a pena de Bolsonaro. Condenado a 27 anos e 3 meses de cana, ele foi presenteado pelo Congresso com uma mudança legal que atenua o castigo. Moraes suspendeu a aplicação do benefício. Mas isso ocorreu antes da profecia de Michelle Bolsonaro. Uma coisa é a posição de um magistrado supremo. Coisa bem diferente é a compreensão de um "irmão em Cristo".


Falando em viagens interplanetárias e, por extensão, intergalácticas, o artefato mais veloz construído até agora - a Parker Solar Probe — atingiu 692 mil km/h no final de 2024, impulsionada pela gravidade solar. Para efeito de comparação, esse valor representa cerca de 0,064% da velocidade da luz e é quase o dobro da velocidade alcançada pela sonda New Horizons. 


Nessa toada, seria possível ir da Terra a Netuno em menos de 9 meses — façanha notável se considerarmos que a Voyager II demorou 12 anos e a New Horizons, 8,5 anos para percorrer distâncias comparáveis — mas uma viagem até Proxima Centauri — nossa vizinha estelar mais próxima, que fica a "módicos" 4,246 anos-luz — levaria mais de 6 mil anos.


Considerando que os demais planetas e satélites que compõem nosso sistema solar não são habitados (há indícios de vida microbiana em alguns deles, mas não de civilizações desenvolvidas), os objetos voadores não identificados de origem extraterrestre são fruto de uma tecnologia muito mais avançada do que a nossa. 


Aqui cabe abrir um parêntese para dizer que a missão Kepler da NASA monitorou cerca de 150.000 estrelas entre 2009 e 2018 e concluiu que, em média, cada estrela possui pelo menos um planeta. Isso significa cerca de um septilhão de planetas no Universo — mais do que o número estimado de grãos de areia em todas as praias da Terra. Se aplicarmos critérios conservadores — estrela estável, zona habitável, tamanho rochoso semelhante à Terra etc. — uma em cada 5 estrelas pode hospedar um planeta nessas condições.


Portanto, haveria 40 bilhões de planetas habitáveis somente na Via Láctea e cerca de 10 sextilhões no universo observável, que tem cerca de 93 bilhões de anos-luz de diâmetro. Mesmo se vida for extremamente rara - tipo uma chance em um bilhão de planetas habitáveis desenvolver vida - ainda sobrariam 10 trilhões de planetas com vida só no universo observável. Diante disso, a intuição de que "somos únicos" fica difícil de sustentar mesmo para o mais conservador dos conservadores. Aliás, esse é basicamente o cerne do Paradoxo de Fermi: se há tantos mundos, "cadê todo mundo?" 


Se existem seres inteligentes em alguns desses 10 trilhões de planetas, eles devem ter descoberto maneiras de singrar o cosmos em altíssimas velocidades e atravessar buracos de minhoca — supostos atalhos cósmicos que diminuem a distância entre dois pontos seja, neste ou em outro universo, seja no presente ou em outro momento da linha do tempo. Afinal, se os avistamentos de OVNIs fossem meras alucinações coletivas ou confusões com balões meteorológicos, seria de esperar que os governos simplesmente dissessem isso e encerrassem o assunto com um sorriso condescendente. Mas não é bem isso que acontece.


Em 1947, o general Nathan Twining, chefe do Comando de Material da Força Aérea Norte-americana, enviou um memorando confidencial afirmando que os discos voadores eram "reais e não imaginários", e que sua performance — incluindo velocidade, manobras e ausência de fumaça ou som — era superior à de qualquer aeronave conhecida. O memorando ficou classificado (sob sigilo) por décadas e, quando veio a público, levantou uma pergunta incômoda: se não há nada a esconder, por que esconder?


O Projeto Blue Book, iniciado em 1952, investigou oficialmente mais de 12 mil casos de avistamentos nos Estados Unidos. Ao final, em 1969, encerrou suas atividades declarando que nenhum dos casos representava ameaça à segurança nacional e que nenhum era de origem extraterrestre. No entanto, dos 12 mil casos analisados, 701 permaneceram oficialmente "sem explicação", e essa categoria, curiosamente, incluía alguns dos relatos mais bem documentados, feitos por pilotos militares experientes com suporte de radar.


Décadas depois, em 2017, o New York Times revelou a existência do AATIP — Advanced Aerospace Threat Identification Program —, um programa secreto do Pentágono dedicado ao estudo de fenômenos aéreos não identificados, no qual foram investidos 22 milhões de dólares entre 2007 e 2012. Junto com a reportagem vieram três vídeos gravados por caças da Marinha americana mostrando objetos que realizavam manobras fisicamente improváveis: acelerações instantâneas, mudanças bruscas de direção e hovering sem propulsão aparente. O Pentágono confirmou a autenticidade das imagens mas nenhuma explicação convincente foi oferecida.


Em 2021, o governo americano publicou um relatório preliminar sobre UAPs — sigla para Fenômenos Aéreos Não Identificados em inglês, que substituiu "OVNIs" nas comunicações oficiais por soar menos como ficção científica — admitindo que 143 dos 144 casos analisados permaneciam sem explicação. O único "explicado" era um balão. Para os outros 143, o relatório concluiu, com rara honestidade burocrática, que simplesmente não havia dados suficientes para uma conclusão.


O padrão que emerge dessa cronologia não é o de uma conspiração hollywoodiana, com homens de preto e hangares secretos em Nevada — embora a Area 51 exista de fato e tenha abrigado projetos de aviação ultrassecretos por décadas. O padrão é mais prosaico e, por isso mesmo, mais perturbador: o de instituições que sabem mais do que dizem, dizem mais do que admitem e admitem mais do que gostariam. A pergunta que fica não é se há algo lá fora. É o que exatamente esse "algo" é — e o que aqueles que o conhecem decidiram, até agora, manter fora do alcance do público.


Resumo da ópera: Pode-se argumentar que indícios e evidências não são provas, mas ignorar milhares de avistamentos de OVNIs (ou UAPs) relatados por pilotos civis e militares, controladores de voo e outros profissionais capazes de diferenciar esses eventos de fenômenos atmosféricos equivale a tapar o Sol com peneira. 


Continua…

segunda-feira, 6 de julho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — NEM TUDO É O QUE PARECE.

UMA MEIA VERDADE É QUASE SEMPRE UMA GRANDE MENTIRA.


No livro Eram os Deuses Astronautas? (1968), Erich von Däniken oferece explicações intrigantes para diversos enigmas que a história não conseguiu elucidar.


Segundo a Teoria dos Antigos Astronautas, alienígenas visitam a Terra há milhares de anos e foram tomados como "deuses" pelos antigos egípcios, gregos, maias e outros povos, como mostram diversas pinturas e esculturas encontradas por arqueólogos.


Alguns autores "sérios" se referem ao trabalho do pesquisador suíço como “pseudociência”, mas talvez haja uma ponta de inveja nessa crítica: os livros de Däniken foram traduzidos em dezenas de idiomas e venderam mais de 100 milhões de cópias mundo afora.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


O ex-governador da Bahia Jaques Wagner, que era líder de Lula no Senado até recentemente, se aborreceu por ter sido empurrado para dentro do caldeirão do Master pela Polícia Federal. Numa entrevista à Folha, soou como se estivesse fora de si e revelou o que tem por dentro.

O petista reputa normal ter pedido a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, a compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões, diz que o compraria posteriormente para a filha e que não teria feito o pedido se estivesse mal intencionado: "O caminho dos corruptos não é esse de fazer um sexo explícito".

Wagner não estranha o fato de o Master ter azeitado uma firma de sua nora com mais de R$ 3,6 milhões. "Estão inventando que era pra mim". Acha inusitada a criminalização do uso de jatos patrocinados. "Óbvio que de vez em quando eu pego carona". Diz que não se venderia pelos tickets que recebeu para os shows de Taylor Swift. "Eu poderia pedir coisa mais importante, né?" Considerou espetaculosa a foto com os dólares apreendidos no seu endereço brasiliense. "Pra que aquela patacoada de dinheiro em cima da cama com o escudo da PF?". repetiu que o dinheiro é sobra de diárias recebidas para missões no exterior, e que "não lhe ocorreu" devolver essas "sobras" ao Tesouro Nacional.

Como se vê, o problema não é que a PF suspeita que falta honestidade ao senador. A questão é que ele parece incapaz de demonstrá-la.


Cada um pode acreditar no que bem entender, da planicidade da Terra à existência de seres reptilianos que habitam as profundezas do planeta. Eu, a exemplo de São Tomé — que só acreditou na ressurreição de Cristo depois de ver e tocar em suas chagas —, preciso ver para crer. E entre narrativas religiosas que tentam explicar mistérios que as próprias religiões não entendem e teorias baseadas em evidências levantadas pela ciência, prefiro estas àquelas.


Como mencionei em algum momento desta sequência, mas repito porque a audiência do blog é rotativa, entre os anos de 1948 e 1968 o Projeto Blue Book identificou 1.268 relatos de UFOs, dos quais 701 permanecem envoltos em mistério. E o mesmo se aplica a 143 dos 144 avistamentos que o Pentágono registrou nas últimas duas décadas.


Em um dos vídeos gravados por caças da Marinha — conhecido como Incidente Nimitz — que foram entregues ao New York Times por um ex-diretor do AATIP, vê-se claramente um objeto oval sem asas nem propulsores visíveis executando manobras aparentemente impossíveis do ponto de vista aerodinâmico.


Um relatório produzido pela ODNI catalogou 510 casos de UAPs. Dos 366 que foram investigados, 26 eram sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) ou drones, 163 eram balões ou "artefatos semelhantes a balões", meia dúzia foi considerada "desordem” (como pássaros e sacolas plásticas de compras flutuando no ar) e 171 foram classificados como avistamentos de UAPs "não caracterizados e não atribuídos" (sobretudo os que demonstram características de voo incomuns ou capacidades de desempenho que requerem análises mais aprofundadas).


Em um episódio da série Unidentified with Demi Lovato, a apresentadora disse ter sido abduzida por alienígenas. O cantor Fábio Jr. contou à revista IstoÉ que viu duas naves pairando sobre seu carro. O jornalista e apresentador Amaury Jr disse que já avistou mais de 40 objetos esféricos e em forma de prato em seu sítio no município paulista de Vinhedo. O ator Tarcísio Meira contou que ele, a mulher e outras seis pessoas testemunharam quatro objetos voando em formação assimétrica, que ficaram parados por cerca de um minuto antes de desaparecerem.


Não sei até que ponto esses depoimentos são confiáveis, mas eu passei por uma experiência semelhante nos anos 1960, durante as férias no sítio da minha avó, na área rural de uma bucólica cidadezinha do interior paulista. Certa noite, uma luz branca ofuscante surgiu subitamente, acompanhou a mim e a meu primo enquanto corremos rumo à sede da propriedade, e então se tornou um pontinho no céu e desapareceu tão subitamente quanto surgiu minutos antes.


Observação: Voltei ao sítio várias vezes em outros anos, mas nunca tornei a ver algo semelhante. Reencontrei meu primo uma dezena de vezes nos últimos 60 anos, mas jamais voltamos a falar sobre o assunto.


Durante uma conversa descontraída com alguns colegas do Los Alamos National Laboratory, em 1950, o físico italiano Enrico Fermi levantou a seguinte questão: "Onde está todo mundo?" Um quarto de século depois, em seu único livro de ficção — Contact —, o astrofísico Carl Sagan escreveu: The universe is a pretty big place. If it's just us, seems like an awful waste of space (o universo é um lugar muito grande. Se somos só nós, parece um terrível desperdício de espaço). 


Em condições ideais (noite sem luar, com atmosfera limpa e seca e sem poluição luminosa), podemos avistar de 2.500 a 3.000 estrelas. Como enxergamos apenas metade da esfera celeste de cada vez, o número de estrelas visíveis a olho nu fica entre 5.000 e 6.000, mas estima-se que existam cerca de 100 bilhões de galáxias no Universo, as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões. Nem todos esses sextilhões de "sóis" são orbitados, mas boa parte deles têm planetas girando ao seu redor.


No fim das contas, entre o silêncio das estrelas e o burburinho das teorias, o mistério persiste, e the answer, my friend, is blowing in the wind.


Continua…

segunda-feira, 29 de junho de 2026

MISTÉRIOS DA MEIA-NOITE — AINDA SOBRE OVNIs, UAPs E AFINS

SE NÃO EXISTE VIDA FORA DA TERRA, ENTÃO O UNIVERSO É UM TREMENDO DESPERDÍCIO DE ESPAÇO

Se os demais planetas do nosso sistema solar e suas luas são inabitados, como explicar os avistamentos de objetos voadores não identificados — UAPs (Unidentified Aerial Phenomena) ou UFOs (Unidentified Flying ObjectS) — que não podem ser catalogados como balões meteorológicos, drones, ilusões de óptica ou projetos secretos desenvolvidos pelos EUA, Rússia ou China?


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Bastou a reavaliação da prisão domiciliar humanitária despontar no horizonte para Bolsonaro reclamar de soluços, dificuldades respiratórias e outros incômodos que dificilmente o aporrinhariam se ele estivesse solto e fosse o adversário de Lula na disputa pelo Planalto. O prazo de 90 dias expirou no último dia 25, mas a PGR sugeriu a Moraes que aguardasse o final da investigação da PF sobre a pistola Glock do presidiário, que foi apreendida em uma blitz, para avaliar a "falta grave" e decidir se devolve ou não o ex-presidente para a Papudinha. Entrementes, o barraco armado por Micheque e Flávio jogou no ventilador as diferenças que envenenaram o relacionamento entre madrasta e enteado, e como ambos alegam dispor do aval do chefe do clã, caberá a ele pôr ordem no galinheiro. Michelle insinua que não agiu à revelia do marido e que não será desautorizada por ele, ao passo que Bobi Filho diz que sua candidatura é uma "missão" atribuída a ele por Bibo Pai. Já se sabia que os Bolsonaro formam uma família 100% feita de desavenças, mas a nova intriga ultrapassa as fronteiras do paroxismo. Em prisão domiciliar, o refugo da escória da humanidade é cuidado em tempo integral pela mulher e visitado regularmente pelo primogênito, mas, a essa altura, um arranjo entre quatro paredes seria pouco. Portanto, cabe ao messias que não miracula encontrar um modo de transmitir sua posição aos correligionários e, sobretudo, aos devotos, sob pena de esfarelar a tríade Deus, pátria e família. Vale destacar que Deus está chocado: falam tanto em seu nome e ignoram o ensinamento segundo o qual uma casa dividida contra si mesma não subsistirá. A pátria está espoliada e mal servida: essa caterva recebe salários do Tesouro e entrega intrigas em troca. A grande família está zonza: o bolsonarismo pergunta aos seus botões: "onde está o capitão que não coloca ordem na casa?" Mas os botões não respondem, até porque não falam com qualquer um.


Essa pergunta permanece como um dos maiores desafios científicos da atualidade. Existem indícios da existência de bactérias e outras formas de vida elementares nas luas geladas de Júpiter, em exoplanetas rochosos na zona habitável de suas estrelas e, mais recentemente, em "bioassinaturas" atmosféricas, mas todos se baseiam na presença de água líquida e elementos orgânicos, e a vida em outros lugares pode surgir de formas radicalmente diferentes das que conhecemos.


Observação: Casos como o meteorito Murchison, que contém aminoácidos e moléculas orgânicas complexas de origem extraterrestre confirmada, e o famoso meteorito marciano ALH84001, no qual pesquisadores da NASA reportaram, em 1996, estruturas que se pareciam com fósseis de bactérias. Mas isso nunca passou de hipótese contestada: a comunidade científica majoritariamente atribuiu essas estruturas a processos geológicos não-biológicos (formação mineral abiótica), e o caso nunca foi validado como prova de vida.


Ademais, identificar sinais de origem biológica é uma coisa; descobrir civilizações extraterrestres com tecnologia tão evoluída quanto a nossa — ou ainda mais avançada — é outra coisa completamente diferente.


Em 1950, almoçando com colegas no Laboratório Nacional de Los Alamos, o físico Enrico Fermi, em meio a uma conversa sobre OVNIs, fez uma pergunta aparentemente simples: "Mas então, onde estão todos?" A lógica por trás dela era devastadora: se o universo tem bilhões de anos e abriga centenas de bilhões de galáxias, cada uma com centenas de bilhões de estrelas, a probabilidade estatística de que a vida inteligente tenha surgido em outros lugares é altíssima. Tempo de sobra haveria para que civilizações avançadas cruzassem o espaço — ou ao menos nos mandassem um sinal. E no entanto, silêncio.


Esse silêncio constrangedor ficou conhecido como o Paradoxo de Fermi e ainda carece de resposta satisfatória. Onze anos depois, o astrônomo Frank Drake propôs uma equação para estimar o número de civilizações extraterrestres com as quais poderíamos, em tese, estabelecer contato. Essa equação multiplica variáveis como a taxa de formação de estrelas na galáxia, a fração delas que possuem planetas, a fração desses planetas que desenvolve vida, e assim por diante — até chegar a um número final que, dependendo dos valores que você atribui a cada variável, pode ser um ou pode ser um milhão. 


A questão é que a maioria dessas variáveis é desconhecida, ou seja, em vez de ser uma resposta, essa equação é apenas uma forma elegante de organizar nossa ignorância. E foi nesse espírito que nasceu o SETISearch for Extraterrestrial Intelligence —, que desde os anos 1960 vasculha o céu em busca de sinais de rádio artificiais e padrões que não poderiam ser produzidos por fenômenos naturais. O resultado mais famoso — e frustrante — foi o chamado "Wow! signal", captado em 1977 pelo radiotelescópio Big Ear, em Ohio: um sinal tão intenso e incomum que o astrônomo de plantão escreveu "Wow!" na margem do printout.


Como nunca foi repetido nem — muito menos — explicado, esse sinal se tornou a metáfora perfeita para o estado em que nos encontramos: uma pista extraordinária, sem continuação, sem confirmação, sem contexto. Ciência sem conclusão — o que, para muitos, é insuportável, e para outros, é exatamente o que torna o problema fascinante.


Nos anos seguintes, o SETI se expandiu e recrutou milhões de computadores domésticos ao redor do mundo para processar dados do radiotelescópio de Arecibo, tornando a busca por inteligência extraterrestre em um esforço genuinamente coletivo. A iniciativa foi encerrada quando a computação em nuvem tornou o modelo obsoleto. Mesmo assim, embora nenhum sinal alienígena tenha sido encontrado, tampouco restou provado que não existe nada lá fora.


Segundo Carl Sagan, ausência de evidência não é evidência de ausência. O universo observável tem um diâmetro de cerca de 93 bilhões de anos-luz. A fração que o SETI já foi capaz de monitorar de forma minimamente sistemática é, na prática, como jogar uma rede de pesca do tamanho de um quarto numa extensão equivalente a todos os oceanos do mundo e concluir, após não pegar nada, que o mar está vazio. Não obstante, o silêncio persiste — e há quem argumente que ele é, em si, um dado importante.


Continua...

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

DE VOLTA ÀS VIAGENS NO TEMPO — 50ª PARTE (AINDA SOBRE OVNIS)

ONDE HÁ FUMAÇA HÁ FOGO.

Suspeitas de que alienígenas visitam a Terra não vêm de hoje (vide capítulo 40). Há inúmeros relatos de avistamentos de OVNIs — acrônimo de "objetos voadores não identificados" —, mas faltam argumentos convincentes de que se trata de balões meteorológicos, drones ou projetos desenvolvidos em segredo pelos EUA, Rússia ou China. 

 

Observação: O acrônimo UFO — de "unidentified flying object" — deu lugar a UAP — de "unidentified anomalous phenomena" —, mas a explicação oficial ainda é a mesma na maioria dos casos, ou seja, que não necessariamente têm origem extraterrestre. Até recentemente, os UAPs eram classificados oficialmente como fenômenos atmosféricos mal interpretados ou alucinações coletivas fomentadas por teorias da conspiração, mas, aos poucos, o entendimento das autoridades vem mudando (mais detalhes no capítulo anterior).


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Quando um quer, dois brigam. Quando dois querem, aí mesmo é que o pau come. Ninguém sabe qual vai ser o resultado da próxima sucessão. Mas parece claro que a Presidência da República vai ser disputada em 2026 a paus e pedras. 

Os dois lados ruminam certas dúvidas, nenhuma delas certa. Lula subiu nas penúltimas pesquisas, mas não disparou. Os rivais estão zonzos, mas não morreram. A incerteza deveria conduzir ao diálogo, não à desavença.

A eleição presidencial ainda mora longe. O desalinho das contas nacionais mora ao lado. Seja quem for o eleito, terá que lidar com um buraco de mais de 92% de despesas obrigatórias consumindo todo quase todo o dinheiro arrecadado com impostos.

Se a briga prematura de governo e oposição serve para alguma coisa é para cavar um buraco ainda maior.

 

Eventos famosos, como o Projeto Mogul — que usava balões metálicos para espionagem — foram atribuídos a programas militares secretos. A existência de naves alienígenas acidentadas jamais foi confirmada oficialmente, mas tampouco se conseguiu explicar a capacidade de pairar no ar como helicópteros e acelerar a velocidades hipersônicas desses objetos, que parecem ser muito mais avançados que qualquer coisa construída neste planeta. 

 

O célebre Caso Roswell merece destaque especial. Em 1947, o Roswell Army Air Field reconheceu que um "disco voador" havia caído na área rural da cidade de Roswell, no Novo México (EUA). Num segundo comunicado à imprensa, a nova versão dizia tratar-se de um balão meteorológico. O episódio transformou a cidade em ícone da ufologia e a Area 51, em palco de teorias conspiratórias envolvendo naves e seres alienígenas. Décadas depois, Bill Clinton determinou uma investigação federal sobre "o que estava acontecendo lá", e a CIA finalmente reconheceu a existência da base militar no deserto de Nevada, mas assegurou que ela era usada apenas em projetos secretos de vigilância aérea. 

 

Em 2010, dezenas de oficiais norte-americanos avistaram objetos não identificados pairando sobre silos de mísseis nucleares na Base Aérea de Malmstrom, em Montana. O ex-capitão Robert Salas relatou ter ficado a poucos metros de uma nave vermelha, brilhante, que flutuava acima do portão da frente da instalação. No Brasil, o caso Trindade, a Operação Prato e o ET de Varginha são exemplos emblemáticos de contatos imediatos de diversos graus.

 

Radares não têm crença, mas, afora os documentos oficiais e fotografias de UAPs — que são alvo de escrutínio constante por meio de ferramentas de análise de imagens —, as evidências com que os ufólogos trabalham são, em sua maioria, testemunhos pessoais submetidos a testes de confiabilidade pelos próprios ufólogos, que não raro conduzem a novas perguntas. Segundo o autor da tese "Objetos intangíveis: ufologia, ciência e segredo", a ufologia toma emprestados elementos das diversas disciplinas científicas, mas utiliza seus próprios métodos e questiona a ciência por ignorar relatos sobre os avistamentos que teriam potencial para fazê-la "progredir". 

 

É fato que a NASA colocou astronautas na Lua e enviou sondas para o espaço interestelar. Mas também é fato que nenhuma tecnologia desenvolvida até agora permitiu cruzar o cosmos a velocidades próximas à da luz ou criar atalhos no espaço-tempo através dos quais seja possível percorrer milhões ou bilhões de quilômetros em questão de minutos (ao menos até onde sabemos). No entanto, já dizia o poeta que não há nada como o tempo para passar. Os físicos trabalham atualmente com modelos teóricos que incluem buracos de minhoca, dilatação temporal e até universos paralelos — ideias tão ousadas foi a possibilidade de cruzar o mar sem cair da borda do mundo durante as Grandes Navegações. Talvez ainda estejamos na era das caravelas da física temporal, mas quem sabe o que o "Concorde da cronologia" nos trará nos próximos séculos?

 

No livro Eram os Deuses Astronautas? (1968), Erich von Däniken oferece explicações intrigantes para diversos enigmas que a história não conseguiu elucidar. Segundo sua Teoria dos Antigos Astronautas, alienígenas visitam a Terra há milhares de anos, e foram tomados como "deuses" pelos antigos egípcios, gregos, maias e outros povos, como evidenciam pinturas e esculturas encontrada por arqueólogos. "Autores "sérios" como Pierre Houdin e Bob Brier atribuem ao trabalho do pesquisador suíço a pecha de “pseudociência”, mas talvez haja uma ponta de inveja nessa crítica, considerando que os livros do “pseudocientista” foram traduzidos para mais de 30 idiomas, venderam dezenas de milhões de cópias e inspiraram a popular série Alienígenas do Passado, do History Channel.

 

Cada um pode acreditar no que bem entender — da probidade da autoproclamada "alma viva mais honesta do Brasil" ao "patriotismo" do penúltimo inquilino do Palácio do Planalto; da planicidade da Terra à existência de seres reptilianos que habitam as profundezas do planeta. Eu, a exemplo de São Tomé (que só acreditou na ressureição de Cristo depois de ver e tocar em suas chagas), prefiro ver para crer. Entre narrativas religiosas que tentam explicar mistérios que as próprias religiões não entendem, e teorias baseadas em evidências levantadas pela ciência, eu prefiro estas àquelas. 

 

Entre os anos de 1948 e 1968, o Projeto Blue Book identificou 1.268 relatos de UFOs, dos quais 701 permanecem envoltos em mistério. E o mesmo se aplica a 143 dos 144 avistamentos que o Pentágono registrou nas últimas duas décadas. Um ex-diretor do AATIP — entregou ao The New York Times vídeos gravados por caças da Marinha em 2004, 2014 e 2015. Num deles, que ficou conhecido como Incidente Nimitz, um objeto oval sem asas nem propulsores visíveis executava manobras aparentemente impossíveis do ponto de vista aerodinâmico. 

 

Um relatório produzido pela ODNI catalogou 510 casos de UAPs. Dos 366 que foram investigados, 26 eram sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) ou drones, 163 eram balões ou "artefatos semelhantes a balões", meia dúzia foi considerada "desordem” (como pássaros, sacolas plásticas de compras flutuando no ar, e por aí vai) e 171 foram classificados como avistamentos de UAPs "não caracterizados e não atribuídos (sobretudo os que demonstram características de voo incomuns ou capacidades de desempenho que requerem análises mais aprofundadas).  

 

Em um episódio da série Unidentified com Demi Lovato, a própria apresentadora disse que foi abduzida por alienígenas. A modelo brasileira Isabeli Fontana relatou uma experiência inusitada durante a gravidez. Fábio Jr. contou à revista IstoÉ que viu duas naves pairando sobre seu carro. A ex-BBB Flávia Viana disse ter avistado um OVNI na cidade mineira de Três Pontas. O ator Rodrigo Andrade compartilhou em suas redes sociais um vídeo no qual um "objeto luminoso" acompanhou o avião em que ele viajava por cerca de 25 minutos — e que mudou de cor e de tamanho várias vezes antes de desaparecer. 

 

O jornalista e apresentador Amaury Jr contou que já avistou mais de 40 objetos esféricos e em forma de prato em sítio, no município paulista de Vinhedo. A cantora Elba Ramalho revelou ter sido "chipada" por extraterrestres enquanto dormia. Suzana Alves — mais conhecida como Tiazinha — filmou um OVNI na Marginal Pinheiros, em São Paulo, por cerca de 30 segundos. Tarcísio Meira contou que ele, a mulher e outras seis pessoas testemunharam quatro objetos voando em formação assimétrica que ficaram parados por cerca de um minuto antes de desaparecer. O cantor Xororó observou uma nave com uma luz bem forte quando dirigia por uma estrada do interior de São Paulo, e disse que teria parado e tentado um contato se sua mulher e os filhos não estivessem no carro com ele. 

 

Observação: Não sei se esses depoimentos são confiáveis, mas sei que passei por uma experiência semelhante à do sertanejo nos anos 1960, quando passava férias no sítio dos meus avós, numa bucólica cidadezinha do interior paulista. Um primo que estava comigo também viu a luz, que continuou sobre nós enquanto fugíamos em desabalada carreira, e então se tornou um pontinho no céu e desapareceu. Voltei ao sítio outras vezes em outros anos, mas nunca vi nada parecido. Reencontrei esse primo uma dezena de vezes nos últimos 60 anos, mas, curiosamente, nunca falamos no assunto.   

 

Durante um conversa descontraída com alguns colegas do Los Alamos National Laboratory, em 1950, o físico italiano Enrico Fermi levantou a seguinte questão: "Onde está todo mundo?" Um quarto de século depois, em seu único livro de ficção — Contact —, o astrofísico Carl Sagan escreveu "The universe is a pretty big place. If it's just us, seems like an awful waste of space" (O universo é um lugar muito grande. Se somos só nós, parece um terrível desperdício de espaço). E com efeito. 

 

Em condições ideais (noite sem lua, com atmosfera limpa e seca e sem poluição luminosa), conseguimos avistar de 2.500 a 3.000 estrelas no céu noturno. Considerando que enxergamos apenas metade da esfera celeste de cada vez, o total de estrelas visíveis a olho nu fica entre 5.000 e 6.000, mas estima-se que existam cerca de 100 bilhões de galáxias no Universo, as menores com alguns milhões de estrelas e as maiores com centenas de bilhões. Nem todos esses dez sextilhões de "sóis" têm planetas girando a seu redor, mas boa parte deles é orbitada.

 

Depois que o primeiro exoplaneta foi avistado (há cerca de 30 anos), outros milhares foram sendo observados não só em sistemas solares semelhantes ao nosso, mas também orbitando anãs vermelhas e estrelas de nêutrons ultradensas. Em 2022, o Projeto TESS confirmou a existência de cerca de 5.000 exoplanetas — atualmente, entre confirmados e aguardando confirmação, são mais de 8.000. Somente na Via Láctea há centenas de bilhões de "mundos" sobre os quais quase nada sabemos. 


Observação: Há desde mundos pequenos e rochosos, como a Terra, e gigantes gasosos maiores que Júpiter, como os assim chamados “Júpiteres quentes” — corpos celestes com semelhanças físicas com Júpiter, mas que orbitam muito mais próximos de suas estrelas, donde sua natureza "quente". Há ainda as “superterras” — planetas rochosos maiores que a Terra —, os "mininetunos" — versões menores que o "nosso" Netuno —, planetas que orbitam duas estrelas ao mesmo tempo ou que giram em torno de restos colapsados de estrelas mortas. O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, cujo lançamento está previsto para 2027, descobrirá novos exoplanetas, e Missão ARIEL, prevista para 2029, analisará as atmosferas dos exoplanetas com base em suas nuvens e neblinas.

 

Se formos um pouco mais além e consideramos que algumas hipotéticas civilizações sejam mais desenvolvidas que a nossa, como negar a possibilidade de extraterrestres viajarem pelo cosmos em busca de outros mundos? O surgimento de vida (da forma como a conhecemos) é um processo complexo, que precisa superar inúmeras barreiras, sobretudo quanto tomamos a Terra como exemplo de "planeta habitável típico". Por outro lado, se outras civilizações alcançaram um estágio de desenvolvimento semelhante ao nosso, por que não conseguimos detectar sinais de rádio ou de outro tipo de tecnologia alienígena avançada, como os que somos capazes de produzir?

 

Entre o silêncio das estrelas e o burburinho das teorias, o mistério persiste. E the answer, my friend, is blowing in the wind.

 

Continua...