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domingo, 22 de março de 2026

PANELA DE PRESSÃO E RECEITA DE CARNE LOUCA

GAIVOTAS EM TERRA, TEMPESTADE NO MAR.

A panela de pressão — um dos utensílios mais práticos e revolucionários da cozinha moderna — foi idealizada em 1679 pelo físico e matemático francês Denis Papin, que buscava uma maneira de gastar menos lenha e acelerar o cozimento de carnes e outros alimentos duros.

A ideia era elevar o ponto de ebulição da água acima de 100 °C e aproveitar o vapor em alta pressão. O modelo de ferro fundido foi apresentado em 1681 à Royal Society de Londres, mas era pesado, caro e sujeito a explosões, de modo que o conceito só ressurgiu com força no início do século XX, quando versões de alumínio e válvulas de segurança mais confiáveis se popularizaram. 

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Não há organizações criminosas no país do futuro que nunca chega porque tem um imenso passado pela frente. O Brasil se tornou uma organização criminosa de dimensões continentais.
Como se disputassem quem presta mais desserviços aos contribuintes, o Legislativo e o Executivo andam às turras. Mas o motivo é o avanço das investigações sobre o Caso Master, que fazem lembrar a canção Reunião de Bacana, cujo estribilho é: "se gritar pega ladrão, não fica um…"
Vorcaro assinou um acordo de confidencialidade e foi transferido da Papudinha para a Superintendência da PF no DF. As informações que ele deve revelar em seu acordo de delação premiada vêm aumentando a tensão entre os parlamentares (com destaque para os expoentes do Centrão).
Para tentar baixar a fervura entre os senadores, Davi Alcolumbre não deve instalar uma CPI para investigar o Master — na verdade, ele chegou mesmo a pressionar as duas comissões já instaladas para tentar frear a ofensiva e atribuir a Lula responsabilidade pela investigação feita pela PF. 
Um dia antes de a PF deflagrar uma operação no Amapá — que é governado por Clécio Luís, aliado de Alcolumbre, e tem ex-tesoureiro da campanha do senador como diretor da Amprev e alvo da operação no mês passado — Lula falou da importância de investigar os investimentos feitos no Master por fundos de previdência do Amapá e do Rio de Janeiro. 
Candidatíssimo ao quarto mandato a despeito da queda de popularidade, o molusco move montanhas para evitar que o mau humor dos parlamentares contamine o restante da pauta, como a PEC da Segurança Pública e indicações para cargos-chave. Os vazamentos referentes ao caso Master são ruins e prejudicam sua relação com a classe política, mas ele não tem ingerência sobre a PF, que costuma atuar de maneira autônoma. 
Boatos sobre um armistício entre Lula e Alcolumbre vêm circulando desde o final do ano passado — para o senador, é mais interessante manter o petista por perto e tentar conter danos, já que o apoio do PT é imprescindível para sua reeleição. O problema é que, sem uma repactuação, o Congresso não votará nada de interesse do governo ou, pior, imporá derrotas à agenda do Executivo. 
Na expectativa do tsunami que está por vir, interessa mais aos políticos corporativistas, fisiologistas, clientelistas, venais e sujos como pau de galinheiro blindarem-se uns aos outros e seguir de mãos dadas nessa ciranda da corrupção.

Introduzida no Brasil pela empresa paulista Panex em 1948, a panela de pressão se tornou sinônimo de rapidez no preparo de alimentos como feijão, carnes e grãos mais duros. No entanto, o receio de vazamentos — e até explosões — sempre preocupou — ou mesmo afugentou — os usuários. Daí a popularização da versão elétrica, que oferece mais controle e, sobretudo, segurança, pois permite ajustar automaticamente a pressão e a temperatura do cozimento.

Atualmente, as panelas de pressão convencionais e as versões elétricas de última geração disputam espaço nas cozinhas, mas o princípio físico é essencialmente o mesmo de mais de 300 anos atrás: vapor confinado aumentando a temperatura e reduzindo o tempo de cozimento em até um terço. Quando bem utilizadas, ambas as versões transformam alimentos duros, que exigem cozimento prolongado — como carne de panela, rabada, frango caipira, acém e músculo — em pratos macios e suculentos.

As panelas elétricas custam mais caro, mas o investimento compensa: modelos multiuso permitem refogar, fritar, cozinhar no vapor e até manter os alimentos aquecidos na temperatura ideal para consumo, enquanto sensores inteligentes de pressão e temperatura monitoram o cozimento em tempo real e o interrompem em caso de falhas, eliminando o risco de explosões. Sem falar que elas permitem cozinhar com pouco ou nenhum óleo e oferecem a função de preparo a vapor, além de contarem com revestimento interno antiaderente, que facilita a limpeza. 

Com a panela convencional, o custo varia conforme o tempo de chama acesa e a eficiência do fogão, enquanto o impacto da panela elétrica na conta de energia depende do tempo de uso ao longo do mês. Em preparos longos, a versão elétrica é mais vantajosa, pois mantém a pressão estável sem fogo alto. Por outro lado, se combinada com um fogão potente, a versão convencional atinge pressão rapidamente e reduz o uso de gás, tornando-se mais vantajosa em regiões onde a energia elétrica é mais cara que o GLP.

Observação: Para priorizar a segurança, deixe a pressão sair naturalmente. Se necessário, apresse o processo erguendo cuidadosamente o pino da válvula principal com um garfo (no caso da panela convencional). Jamais coloque a panela diretamente sob água fria nem ultrapasse o tempo ideal de cozimento, sob pena de deixar a carne gelatinosa (isso vale para ambas as tecnologias).

Há quem ainda faça como as nossas bisavós, que temperava a carne, douravam-na num refogado à base de alho e cebola, acrescentavam extrato de tomate, louro e outros temperos, juntavam água quente suficiente para cobrir metade da carne, tampavam a panela (sem pressão) e cozinhavam em fogo baixo por horas a fio, adicionando mais água quente quando necessário, de modo a deixar a carne macia e suculenta, mas não seca e esturricada.

Para encerrar, segue uma receita de carne louca, que é típica das festas juninas, mas funciona bem como lanche no dia a dia. A escolha da carne fica a gosto do freguês, mas eu recomendo coxão duro ou lagarto, que são mais indicados por serem serem fibrosos. Você vai precisar de:

— 1 kg de coxão duro ou lagarto, limpo de nervos e gorduras, cortado em cubos de cerca de 3 cm; 

— 1/2 xícara (120 ml) de vinho branco; — 2 cebolas grandes cortadas em fatias finas; — 2 dentes de alho picadinhos; 

— 1/2 pimentão verde sem sementes, em tirinhas finas; 

— 1/2 pimentão amarelo sem sementes, em tirinhas finas; 

— 1/2 pimentão vermelho sem sementes, em tirinhas finas; 

— 4 tomates maduros sem sementes, em cubinhos; 

— 1/2 xícara de azeitonas verdes em lascas; 

— 1 maço de cheiro-verde (salsinha e cebolinha), folhas de louro, orégano fresco (ou tomilho), sal e pimenta-do-reino a gosto; 

— Óleo de girassol e azeite extravirgem.

Aqueça bem a panela de pressão, regue o fundo com um fio de azeite, doure a carne de todos os lados em fogo alto, tempere com sal e pimenta, transfira para uma travessa e reserve. Despeje o vinho na panela e mexa com uma colher de pau (ou de silicone) para soltar os grudadinhos do fundo. Deixe ferver por 1 minuto e despeje esse líquido sobre a carne reservada.

Acrescente mais um fio de azeite na panela e refogue a cebola, o alho e os pimentões. Acerte o ponto do sal  e deixe cozinhar por cerca de 5 minutos, até murchar. Junte o tomate,  misture bem e volte com a carne e todo o caldo para a panela. 

Faça um amarrado de ervas com o louro, a salsinha, a cebolinha e o orégano, coloque-o na panela, cubra com água até cobrir totalmente a carne, acrescente 2 colheres (chá) de sal e 1 de pimenta-do-reino e tampe. Quando a válvula começar a liberar vapor, baixe o fogo, cozinhe por aproximadamente 1 hora, desligue, espere a pressão sair completamente e abra a panela. Se a carne ainda não estiver se desfazendo, recoloque a tampa e leve a panela de volta ao fogo por mais 15 minutos, testando depois (e adicionando um pouco de água quente, se necessário).

Quando a carne estiver "no ponto", desligue o fogo, descarte o amarrado de ervas, deixe amornar por cerca de 5 minutos, desfie — eliminando eventuais pedaços de gordura ou peles mais grossas que não se desmancharam —, volte a panela ao fogo alto e deixe cozinhar por mais 10 minutos ou até o excesso de líquido evaporar e o molho encorpar.

Acerte o sal e a pimenta, junte o restante das ervas picadas e as azeitonas, desligue o fogo, deixe amornar por 30 minutos, transfira para uma travessa, cubra com filme plástico, leve à geladeira por aproximadamente 6 horas. Monte os sanduíches apenas na hora de servir.

ObservaçãoNa panela elétrica, sele a carne com o azeite, o alho e a cebola na função "Refogar", adicione molho de tomate e os demais ingredientes e temperos, acrescente um pouco de água, cozinhe na pressão por 40-60 minutos, desfie e misture o molho restante antes de servir no pão. 

Bom apetite.

domingo, 1 de março de 2026

COMPLEMENTOS QUE NÃO PODEM FALTAR NO CHURRASCO

A POLÍTICA É A CIÊNCIA DA CORRUPÇÃO.

Além das carnes suculentas, um bom churrasco inclui acompanhamentos que vão do clássico ao criativo. Bons exemplos são os molhos à campanha, vinagrete e chimichurri, mas alguns comensais não dispensam uma Salada Cesar cujas folhas crocantes, molho cremoso e lascas de parmesão ornam perfeitamente com carnes grelhadas.

Se você está entre aqueles que preferem farofa de ovo, derreta 100 g de manteiga numa frigideira, adicione meia cebola picada e 2 dentes de alho picados e refogue bem. Junte mais 100 g de manteiga e 6 ovos batidos, mexendo bem. Quando dourar, acrescente 150 g de farinha de mandioca fina e finalize com 1/2 xícara de cheiro-verde picado, sal e pimenta-do-reino a gosto.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Decorridos dois meses do lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro ao Planalto, o apoio de Tarcísio de Freitas continua sendo um compromisso de gogó. O governador de São Paulo condiciona nos bastidores seu empenho na campanha do filho do pai à formalização de um compromisso político que inclua o fim da reeleição.

Essa mesma promessa foi feita por Bolsonaro em 2018 e por Lula em 2022, mas ambos varreram-na para debaixo do tapete.

O instituto da reeleição foi embutido na Constituição Cidadã e aprovada no Congresso sob atmosfera vadia, com vozes de deputados pilhados numa fita estampando a compra de votos. Aprovada a PEC, Fernando Henrique se reelegeu em 1998; em 2020, com 23 anos de atraso, reconhecer que foi um erro, e hoje defende um mandato de cinco anos, sem reeleição.

Os operadores políticos da campanha bolsonarista esperam que a aliança com Tarcísio evolua do gogó para a concretização formal de um acordo, mas o êxito nas urnas contra um adversário que combina o carisma pessoal com o controle da máquina federal, é incerto.

Se a carbonização do sonho presidencial de Tarcísio serviu para alguma coisa, foi para reforçar a percepção de que, para os aliados da família Bolsonaro, a confiança cega é apenas um passo que antecede o arrependimento futuro.

O pão de alho é uma maneira saborosa de aproveitar pães franceses amanhecidos. Basta besuntá-los com uma pasta de alho, maionese, orégano, cheiro-verde picado ou outros temperos a gosto, polvilhar queijo provolone ralado, envolvê-los em papel-alumínio e levá-los à churrasqueira ou ao forno até que fiquem dourados e crocantes por fora, e macios por dentro.

Batatas ou polentas fritas também são excelentes acompanhamentos. Para fries sequinhas e crocantes como as do McDonald’s, o ideal é usar uma fritadeira elétrica industrial, mas você obtém bons resultados fritando-as em duas etapas. Numa panela de borda alta, aqueça o óleo a 120 °C–140 °C, coloque um punhado de batatas por vez (evitando que o óleo esfrie e elas grudem umas nas outras), retire-as antes que dourem, escorra-as numa peneira de metal e repita o processo com as demais. Ao final, aumente a temperatura para 180 °C, mergulhe as batatas “pré-fritas”, deixe-as atingir a cor desejada, torne a escorrer, salgue e sirva.

Observação: Polvilhar uma colher (sopa) de amido de milho sobre as batatas cruas e misturar até que fiquem levemente cobertas cria uma camada de proteção que evita o encharcamento. O resultado é ainda melhor se você as deixar de molho numa vasilha com água e duas colheres (sopa) de vinagre por 10 minutos, secá-las com um pano de prato e só então polvilhar o amido.

Para a polenta (calcule cerca de 80 g a 100 g por pessoa), dissolva 2 a 3 xícaras de fubá mimoso em um litro de água fria, mexa bem para não formar grumos, leve ao fogo médio e, quando começar a ferver, mexa sem parar por 10 a 15 minutos, até a polenta engrossar e começar a desgrudar do fundo da panela. Tempere com sal e pimenta e reserve. Em outra panela, refogue a cebola e o alho na manteiga até dourar levemente, misture esse refogado à polenta, despeje em um refratário untado com óleo, cubra e leve à geladeira por 4 a 6 horas ou até ficar bem firme. Na hora de degustar, você pode aquecer novamente, cortar em bastões  com a grossura de 1 dedo, empanar e fritar por imersão em gordura bem quente e grelhar, ou então degustá-la cremosa, com queijo ralado por cima. 

Para algumas pessoas, arroz branco, biro-biro, com alho ou dourado na manteiga são tão indispensáveis quando a linguiça, mas quando o acompanhamento rouba a cena é porque alguma coisa deu errado na grelha. 

Abusar da maionese de batata antecipa a sensação de saciedade, o que é útil quando a carne é pouca, mas frustrante para quem prefere picanha a salada russa. O mesmo vale para provolone grelhado (com orégano ou chimichurri seco), queijo coalho (pincelado com manteiga e ervas), queijo brie (envolto em papel-alumínio com alho assado ou mel), cebola em pétalas (direto na grelha) e alho inteiro assado (para espalhar no pão ou na carne).

No fim das contas, churrasco é menos sobre o que se serve e mais sobre não estragar o que já está bom.

Bom apetite.

domingo, 30 de novembro de 2025

MACARRONADA A CACIO E PEPE

O CLIENTE: “GARÇOM, JAMAIS PROVEI ALGO TÃO DURO QUANTO SUA CARNE DE PANELA!” O GARÇOM: “DA PRÓXIMA VEZ PEÇA NOSSO BIFE.” 

O macarrão se tornou a peça chave da dieta dos italianos no século XIII, depois que Marco Polo o trouxe da China, e chegou ao Brasil no começo do século passado, juntamente com o queijo, o vinho e outros produtos típicos da Itália.

Inicialmente, as massas eram caseiras e degustadas quase exclusivamente nos bairros italianos de algumas cidades — sobretudo das regiões sul e sudeste — mas a produção passou de artesanal a industrial, e o consumo, antes limitado aos nati e oriundi, se disseminou entre os brasileiros.

Macarrão sem molho é como pastel sem recheio ou pizza sem cobertura. As versões sugo e bolonhesa são mais populares porque carbonara, putanesca, bechamel, gorgonzola e quatro queijos levam mais ingredientes, dão mais trabalho e demoram mais para ficar prontos.

CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA

Convites de presidente não se recusam, sobretudo quando são dirigidos a autoridades que estão na mesma cidade e sem compromissos que as impeçam de comparecer. Assim, a ausência de Hugo Mota e Davi Alcolumbre na cerimônia de assinatura da lei de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5 mil teve mais destaque que o projeto e mostrou que o desacerto vai além de atritos com líderes petistas. Ademais, ambos negaram prestígio aos festejos da bandeira de campanha pela reeleição; evitaram ouvir do presidente palavras de apreço para tentar desanuviar o clima e ainda procuraram produzir um efeito demonstração para as tropas mais fiéis aos comandantes nas duas Casas.

A história nos conta que, na vigência da democracia, presidente da República em contraposição acentuada ao Congresso Nacional tanto pode ficar vulnerável ao extremo de um impeachment quanto se tornar alvo de derrotas constantes ao ponto da ingovernabilidade. Se o Parlamento é o dono do jogo, cabe ao chefe do Executivo calibrar os lances a fim ao menos de conseguir um empate. 

Embora a campanha eleitoral já tenha começado e sua queda de popularidade pareça ter se revertido, Lula sabe que a batalha não está ganha. Enquanto Motta e Alcolumbre não tiveram oponentes nas eleições para Câmara e Senado, são de partidos de oposição e se identificam ideologicamente com a maioria, o xamã petista tem muito a perder se não descer do palanque para se dar ao sacrifício do beija-mão.

Por outro lado, fabricou-se Praça dos Três Poderes uma crise que nasceu do nada e parecia conduzir a lugar nenhum, mas cujos objetivos vão ficando claros, e o cerco ao Grupo Fit — ex-Refit — é a penúltima evidência de que a cortina de fumaça criada a partir das desavenças da cúpula do Congresso com o Planalto é pequena para ocultar o fogo que arde nos escândalos.

É um caso clássico de devedor contumaz — eufemismo para ladrão do dinheiro que deveria financiar serviços públicos como saúde, educação e segurança. O projeto de lei que tipifica o devedor contumaz dormitou nas gavetas do Senado durante anos, até que a operação Carbono Oculto revelou a relação de sonegadores inveterados com o crime organizado. Em votação unânime, os senadores aprovaram o projeto antissonegação, que agora está paralisado na Câmara.

Depois da operação policial que matou 121 pessoas no Rio de Janeiro, o Centrão tentou manietar a PFl. Dias antes, o governador fluminense havia acionado a procuradoria do estado para anular a interdição da Refinaria de Manguinhos, joia da coroa do Grupo que reaparece agora pendurado de ponta-cabeça nas manchetes.

As barricadas derrubadas no Congresso pelas investigações e pela reação da sociedade escondem pavor dos parlamentares de uma associação com a delinquência. PEC da Blindagem, proteção a sonegadores, constrangimento ao BC em meio às investigações contra o banco Master.

Haja cortina de fumaça!


Na hora da pressa (ou da preguiça), uma macarronada ao alho e óleo vai bem (desde que o “óleo” seja um azeite extravirgem de boa qualidade), mas o “Spaghetti Cacio e Pepe” é uma alternativa interessante. O preparo se resume a cozinhar a massa, envolvê-la numa mistura cremosa de parmesão, azeite e pimenta-do-reino e degustá-la pura ou acompanhada de almôndegas, carne assada, bife à milanesa ou à rolê, linguiça frita, etc. Você vai precisar de:  


— 1 pacote (500g) de Spaghetti;


— 250g parmesão ralado;

— 60 ml azeite extra virgem;

— 2 conchas da água do cozimento da massa;

— Pimenta-do-reino preta a gosto.

Observação: O espaguete é o formato mais popular e consumido em todo o mundo (entre 30% e 50% de participação no mercado, conforme a região), mas você pode substituí-lo por talharim, fettuccine, farfalle e até fusilli nessa receita.


O preparo é bem simples:

1) Rale o parmesão, misture o azeite e a pimenta-do-reino e reserve; 

2) Cozinhe a massa em água fervente “salata come il mare” pelo tempo indicado na embalagem;


3) Adicione 2 conchas da água do cozimento à tigela com o queijo ralado, o azeite e a pimenta até formar um creme; 


4) Despeje esse creme sobre a massa cozida, misture delicadamente e sirva imediatamente.


Bom apetite. 

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

O HALLOWEEN E O SEGUNDO CAPÍTULO SOBRE NOTEBOOKS

DEUS É UMA CONSTRUÇÃO LUCRATIVA E AUTOSSUSTENTÁVEL DAS IGREJAS DO MUNDO.

A origem do Halloween é incerta. Acredita-se que tudo começou com o Samhain dos antigos celtas, que festejavam a passagem do ano em 31 de outubro. Posteriormente, visando atenuar o cheiro pagão da festa, o papa Gregório III mudou o Dia de Todos os Santos de 13 de maio para 1º de novembro, e o papa Gregório IV estendeu a observância do All Saints Day (1º de novembro) e do All Souls Day (2 de novembro) a todos os católicos, fortalecendo as celebrações católicas em oposição às práticas pagãs.

Por influência dos ingleses, todo 31 de outubro os americanos decoram suas casas e ruas com temas "assustadores", e crianças fantasiadas de bruxas, múmias, fantasmas e caveiras ameaçam pregar peças em quem lhes negar guloseimas. No Brasil, a data se popularizou a partir de filmes e, mais recentemente, da Internet — para o gáudio dos comerciantes que vendem doces, fantasias e decorações. Vale destacar que o Dia do Saci foi instituído como forma de valorizar nosso folclore e a figura do Saci-Pererê, mas a iniciativa foi tão bem-sucedida quanto a campanha de Bolsonaro à reeleição (detalhes nesta postagem).

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Quando o Windows 11 transformou meu Dell Inspiron Intel Core i7/1TB/8GB numa carroça, resolvi aposentá-lo e usar um desktop com CPU Intel quad-core i7-4790 3.6GHz, 32 GB de RAM DDR3 e SSD de 2 TB — um verdadeiro portento, mas que não atendia aos requisitos do novo sistema da Microsoft. Quando a máquina apresentou um problema cuja solução seria a troca da placa-mãe, eu a substituí por um Mac Pro e dei uma banana para o Windows.

Notebooks são ideais para quem precisa de mobilidade, mas também funcionam muito bem como computadores de mesa — basta conectá-los a um monitor e a um combo de teclado e mouse (cabeado ou wireless). Por outro lado, custam mais caro que desktops de configuração equivalente e, como a maioria dos recursos de hardware é integrada à placa-mãe, as possibilidades de upgrade se limitam à memória RAM e ao SSD — e, em alguns casos, ao processador.


CONTINUA DEPOIS DA POLÍTICA


Lula vive um dilema do tipo Dr. Jekyll e Mr. Hyde — personagens do romance Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde, do escocês Robert Louis Stevenson, que também é autor de A Ilha do Tesouro.  

Na campanha de 2022, o então candidato sinalizou que não permitiria que o monstro ocupasse o corpo do médico para reivindicar outra reeleição. "Eleito, serei presidente de um mandato só", prometeu. Agora, alardeia até na Indonésia o desejo prematuro de obter um quarto mandato.

Lula não sabe como separar o médico do monstro. Até Janja deve ter dificuldades para saber quando está falando com o presidente ou com o candidato. Seu ministro do marketing, deveria mandar confeccionar dois broches, um com a letra 'P' e outro com a letra 'C'. No discurso de Jacarta, Lula usaria o broche de presidente, evitando passar pelo ridículo de dizer ao presidente indonésio coisas como "eu vou disputar um quarto mandato no Brasil", ou que chegou aos 80 anos "com a mesma energia" de quando tinha 30.

Noutros tempos, vigorava a ideia de que cargo eletivo era um calvário para o qual se era convocado pelos correligionários. Depois que FHC comprou a PEC da reeleição, admitir a volúpia pelo poder passou a ser sinal de franqueza. Mas Lula exagera no desprezo à etiqueta.

Ulysses Guimarães ensinava que "o Itamaraty só dá ou tira voto no Burundi" (uma minúscula república africana). No exercício da diplomacia presidencial, o Sun Tzu de Atibaia exagera ao levar sua candidatura para passear na Ásia. Políticos que não ambicionam o poder erram o alvo, mas aqueles que só ambicionam o poder viram alvo.


A obsolescência programada é um artifício usado pela indústria para estimular a troca de aparelhos por modelos de última geração, supostamente superiores, mesmo que os "velhos" estejam em boas condições de conservação e funcionamento. No entanto, de tempos em termos a evolução tecnológica nos obriga a substituir nossos dispositivos computacionais celulares e computadores por modelos novos, compatíveis com as exigências dos sistemas e programas atuais.


No caso dos PCs, máquinas com mais de cinco anos de uso não rodam o Windows 11, e o suporte ao Windows 10 foi encerrado no último dia 14. No caso dos smartphones, modelos de entrada com dois ou três anos de uso deixam de receber atualizações do sistema e patches de segurança, e mesmo quem não se preocupa com segurança acaba numa sinuca de bico: o WhatsApp deixou de rodar recentemente nas versões anteriores ao Android Lollipop (5.0) e em iPhones que "estacionaram" no iOS 12.5.7Nessa hora, é importante escolhermos um aparelho que atenda nossas necessidades, caiba em nosso orçamento e não se torne ultrapassado antes de terminarmos de pagá-lo.

Recentemente, a Samsung e a Motorola passaram a oferecer sete atualizações do Android para seus modelos premium e cinco para algumas versões intermediárias. Já os notebooks trazem o Windows 11 pré-instalado — alguns modelos mais baratos trazem apenas uma distro Linux ou sequer incluem sistema operacional, mas isso é outra conversa. Interessa dizer que um PC com mais anos de estrada dificilmente será compatível com o Windows 11, e continuar com a versão anterior significa deixar de receber correções de erros e atualizações de segurança.

Num mundo ideal, a maioria de nós compraria um computador novo a cada três ou quatro anos e trocaria de celular na metade desse tempo. O problema é que vivemos num país de terceiro mundo, com salários de quinto e a maior carga tributária do planeta, mas isso não muda o fato de que, mais ora, menos ora, a troca será inevitável. Se for o seu caso, a boa notícia é que o site da Amazon oferece diversos modelos com processadores de última geração, armazenamento em SSD, excelente custo-benefício e descontos expressivos.

O Dell Inspiron I15 é sopa no mel para quem não pode gastar muito. O processador Intel Core i3 de 12ª geração, combinado com 8GB de RAM e SSD de 512GB, garante um desempenho ágil no uso diário, com inicialização rápida e resposta imediata na multitarefa, e a tela de 15,6 polegadas Full HD com taxa de atualização de 120Hz oferece conforto visual, cores vivas e fluidez nas imagens. O preço baixou de R$3.199 para R$2.879, e pode ser parcelado em até dez vezes sem acréscimos.

Se você precisa de um notebook mais potente, mas acessível, o Lenovo IdeaPad Slim 3 15IRH10 integra processador Intel Core i5 de 13ª geração, 8GB de RAM DDR5, SSD de 512GB e e tela WUXGA de 15,3 polegadas. A bateria promete autonomia de 10 horas, e o carregamento rápido garante 2 horas de uso com apenas 15 minutos na tomada. O preço atual é de R$3.120, que também pode ser dividido em 10 parcelas mensais sucessivas.

O ASUS Vivobook 15 X1504VA-NJ1745W é um exemplo de equilíbrio entre desempenho e estilo. Equipado com CPU Intel Core i5 de 13ª geração, 16GB de RAM DDR, SSD de 512GB e tela Full HD de 15,6 polegadas, ele garante inicializações quase instantâneas, alto desempenho em tarefas de produtividade, navegação e até jogos leves, além de imagens nítidas. O modelo está em oferta na Amazon por R$2.969 (antes R$3.599), com parcelamento em até doze vezes.

Para quem deseja potência real, seja para jogos, edição de vídeos ou softwares pesados, o Lenovo LOQ-E traz o Intel Core i5-12450HX com NVIDIA GeForce RTX 3050, 8 GB de RAM, SSD de 512 GB e tela Full HD de 15,6 polegadas com taxa de atualização de 144Hz, além de teclado retroiluminado ABNT2 com bloco numérico, ideal para longas sessões de uso. Ele está disponível por R$4.299, com parcelamento em até dez vezes.

Continua...

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

MENTIRAS QUE SOAM VERDADEIRAS

É MELHOR UM FIM HORROROSO DO QUE UM HORROR SEM FIM.  

A maioria de nós já ouviu dizer que avestruzes enterram a cabeça na areia quando estão assustados, que preguiças são preguiçosas, que porcos são sujos, que golfinhos estão sempre sorrindo, que elefantes nunca esquecem, que Lula foi absolvido e que Bolsonaro foi condenado injustamente. Só que nada disso é verdade. 


No que tange aos avestruzes, as fêmeas colocam a cabeça no buraco que usam como ninho para virar os ovos várias vezes durante o dia — se realmente enterrassem a cabeça para não ver o perigo, como diz a lenda, as pobres aves morreriam asfixiadas. 


As preguiças se movem devagar porque seu metabolismo as obriga a economizar energia, e como não andam sobre as solas dos pés, mas se arrastam com suas longas garras, sua locomoção nas árvores e no solo é lenta e desajeitada. Por outro lado, elas se movem velozmente na água e dormem cerca de 10 horas por dia — bem menos que os gatos e outros animais domésticos.


Os porcos são animais naturalmente asseados. Eles defecam longe de onde comem, dormem e acasalam, mas, como não conseguem suar, refrescam-se chafurdando na lama — o que lhes dá a aparência de sujos. Por outro lado, é impossível manter-se limpo quando se vive confinado num chiqueiro pequeno, superlotado e imundo.


Os golfinhos são brincalhões e parecem sorrir porque o formato de suas mandíbulas cria essa ilusão. Mas são incapazes de mudar de expressão, e podem ser surpreendentemente desagradáveis e traiçoeiros, chegando a atacar outros mamíferos marinhos e até pessoas quando se sentem ameaçados.


Os elefantes possuem o maior cérebro entre os mamíferos terrestres. Seu lobo temporal — extremamente desenvolvido — permite memorizar cheiros, vozes, lugares, hierarquias, vínculos familiares e comandos de voz. Eles são capazes de reconhecer outros elefantes — e até humanos — após décadas de separação, bem como de manter relações complexas dentro da manada, que a matriarca conduz por rotas migratórias antigas, guiada por lembranças de locais com água e comida.


Assim como afirmar que “os elefantes não esquecem” é uma simplificação poética embasada na ciência, dizer que os eleitores brasileiros fazem, a cada dois anos, por ignorância, o que Pandora fez uma única vez por curiosidade, é uma simplificação poética embasada na mitologia grega.


Celebrizada pelo jornalista Ivan Lessa, a máxima segundo a qual os brasileiros esquecem, a cada 15 anos, o que aconteceu nos últimos 15, ilustra a quintessência da falta de memória — ou de preparo — do nosso eleitorado. Aliás, em momentos distintos da ditadura, Pelé e o ex-presidente João Figueiredo alertaram para o risco de misturar brasileiros e urnas em eleições presidenciais. Ambos foram muito criticados, mas como contestá-los, se lutamos tanto pelo direito de votar para presidente e elegemos gente como Lula, Dilma e Bolsonaro?


Em 135 anos de história republicana, 35 brasileiros foram alçados à Presidência pelo voto popular, eleição indireta, linha sucessória ou golpe de Estado. Em agosto de 1961, a renúncia de Jânio Quadros ladrilhou o caminho para o golpe de 1964, que depôs João “Jango” Goulart do Palácio do Planalto e deu início a duas décadas de ditadura militar.


Em 1989, depois de 29 anos sem votar para presidente e podendo escolher entre Ulysses Guimarães, Mário Covas e Leonel Brizola — de um cardápio com mais de 20 postulantes — a plebe ignara preferiu despachar Collor e Lula para o segundo turno. O caçador de marajás de mentirinha derrotou o desempregado que deu certo por 683.920 a 215.177 votos válidos, provando que memória histórica e senso crítico não são pré-requisitos para exercer o direito de voto.


Collor foi empossado em março de 1990 e penabundado em dezembro de 1992. Em 1994, graças ao bem-sucedido Plano Real, Fernando Henrique Cardoso, então ministro da Fazenda de Itamar Franco, elegeu-se presidente no primeiro turno. Picado pela “mosca azul”, comprou a PEC da Reeleição.


Como quem parte, reparte e não fica com a melhor parte é burro ou não tem arte, o tucano de plumas vistosas renovou seu mandato no ano seguinte — novamente no primeiro turno. Mas não há nada como o tempo para passar. Em 2002, sem novos coelhos para tirar da velha cartola, não conseguiu eleger seu sucessor: Lula derrotou José Serra por 61,27% a 38,73% dos votos válidos.


Em 2006, apesar do escândalo do mensalão, o petista venceu Geraldo Alckmin por 60,83% a 39,17% dos votos válidos. Em 2010, visando manter aquecida a poltrona que tencionava disputar dali a quatro anos, fez eleger um “poste” — Dilma Rousseff —, que pegou gosto pelo poder, fez o diabo para se reeleger, entrou em curto-circuito e foi desligada em 2016, pondo fim a 13 anos e fumaça de lulopetismo corrupto.


Com o impeachment da mulher sapiens, Michel Temer passou de vice a titular do cargo. Num primeiro momento, a troca de comando pareceu alvissareira. Depois de mais de uma década ouvindo garranchos verbais de um semianalfabeto e frases desconexas de uma destrambelhada que não sabia juntar sujeito e predicado, ter um presidente que sabia falar — até usando mesóclises — foi como uma lufada de ar fresco numa catacumba. Mas há males que vêm para o bem e bens que vêm para pior.


O prometido “ministério de notáveis” revelou-se uma notável agremiação de corruptos, e a “ponte para o futuro”, uma patética pinguela. Depois que sua conversa de alcova com Joesley Batista veio a lume, Temer pensou em renunciar, mas foi demovido por sua tropa de choque.


Escudado das flechadas de Janot pelas marafonas da Câmara, o nosferatu que tem medo de fantasma concluiu seu mandato-tampão como pato manco e transferiu a faixa para um mix de mau militar e parlamentar medíocre travestido de outsider antissistema, que se tornou o pior mandatário tupiniquim desde Tomé de Souza.


Para provar que era amigo do mercado e obter o apoio dos empresários, o estadista que sempre acreditou em Estado grande e intervencionista e lutou por privilégios para corporações que se locupletam do Estado há décadas, foi buscar Paulo Guedes..


Para provar que era inimigo da corrupção e obter o apoio da classe média, o deputado adepto das práticas da baixa política, amigo de milicianos, que em sete mandatos aprovou apenas dois projetos e passou por oito partidos diferentes, todos de aluguel, foi buscar Sérgio Moro. 


Para obter o apoio das Forças Armadas, o oficial de baixa patente, despreparado, agressivo e falastrão, condenado por insubordinação e indisciplina e enxotado da corporação, foi buscar legitimidade numa penca de generais saudosos da ditadura.


Bolsonaro obrigou Moro a reverter uma nomeação, tomou-lhe o Coaf, forçou-o a substituir um superintendente da PF e esnobou seu projeto contra a corrupção. O ex-juiz fingiu que não viu, tentou negociar e, por fim, desembarcou do governo para tentar salvar o pouco prestígio que lhe restava.


Bolsonaro desautorizou Guedes, interferiu em seu ministério, sabotou seus projetos e, com o Centrão, enterrou de vez a agenda econômica. A maneira como gerenciou a pandemia de Covid foi catastrófica. Os crimes comuns e de responsabilidade cometidos pelo aspirante a genocida só ficaram impunes graças à leniência de Rodrigo Maia e Arthur Lira, que presidiram a Câmara durante sua gestão, e à cumplicidade de Augusto Aras, seu antiprocurador-geral.


Bolsonaro jamais escondeu a admiração pela ditadura militar e a vocação para o autoritarismo. Em 2019, poucos meses após a posse, reconheceu que não nasceu para ser presidente, mas para ser militar, embora tenha passado menos anos no Exército do que na política e, ao longo de 27 anos no baixo clero da Câmara, tenha apresentado 172 projetos, relatado 73 e aprovado apenas dois.


Na eleição de 2014, ao ver o poste de Lula derrotar o neto corrupto de Tancredo, Bolsonaro resolveu disputar a Presidência “com a cara da direita”. Ignorado pelo PP, que apoiou a campanha de Dilma, lançou seu ultimato: “Ou o partido sai da latrina ou afunda de vez”. Graças à Lava-Jato, a sigla afundou de vez. Graças à sua pregação antipetista, Bolsonaro renovou seu mandato como deputado mais votado do Rio de Janeiro, saltando de 120,6 mil votos em 2010 para 464,5 mil em 2014.


Derrotado em 2022 graças à sua nefasta gestão, Bolsonaro pôs em marcha a tentativa de golpe que lhe rendeu a condenação a 27 anos e 3 meses de prisão, além do pagamento de multa e indenização. O acórdão publicado na terça-feira (22) abriu o prazo de cinco dias para a interposição de embargos de declaração e de 15 dias para embargos infringentes.


Os embargos de declaração servem apenas para pedir esclarecimentos sobre o texto do acórdão — nada de rediscutir o mérito. Já os embargos infringentes permitiriam um novo julgamento no plenário, mas o Supremo já decidiu em outros casos que eles só são admissíveis quando há pelo menos dois votos favoráveis à absolvição — condição que, adivinhe, não se aplica à condenação do ex-presidente. Ele cumpre prisão domiciliar desde agosto e pode ser enviado ao Complexo Penitenciário da Papuda antes do final do ano.


Há males que o tempo cura, males que vêm para pior e males que pioram com o passar dos anos. Lula 3.0 é uma reedição piorada das versões 1 e 2 e, como nada é tão ruim que não possa piorar, o macróbio quer, porque quer, disputar a reeleição em 2026 — para nossa alegria (risos nervosos).


Vale lembrar que o ministro Fachin tomou a decisão teratológica de anular as condenações de Lula em caráter eminentemente processual. Como o mérito não foi analisado, o ex-presidiário não foi absolvido. Em outras palavras, o ministro agiu como um delegado que manda soltar um criminoso porque ele foi preso em flagrante pela Guarda Civil Metropolitana, e não pela Polícia Militar. Mesmo assim, o macróbio eneadáctilo alega que foi inocentado — e sua claque amestrada acredita.


As consequências da inconsequência do eleitorado tupiniquim são lamentadas todos os dias, inclusive por quem abriu a Caixa de Pandora achando que estava escolhendo o menor de dois males — o que só se justificaria se não houvesse outra opção. Tanto em 2018 quanto em 2022 havia alternativas; só não viu quem não quis ou não conseguiu, porque sofre do pior tipo de cegueira, que é a mental.

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Reza uma velha (e filosófica) anedota que quando Deus estava distribuindo benesses e catástrofes naturais pelo mundo recém-criado, um anjo apontou para o que seria futuramente o Brasil e perguntou: Senhor, por que brindas essa porção de terra com clima ameno, praias e florestas deslumbrantes, grandes rios e belos lagos, mas não desertos, geleiras, vulcões, furacões ou terremotos? E o Criador respondeu: Espera para ver o povinho filho da puta que vou colocar lá.


Resumo da ópera:


Bolsonaro foi eleito em 2018 graças ao antipetismo, mas a emenda ficou pior que o soneto. Sua nefasta passagem pelo Planalto resultou na “descondenação” de Lula e culminou com seu terceiro mandato, que vem se revelando pior do que os anteriores. E a possibilidade de ele se reeleger é assustadoramente real, mesmo porque, ironicamente, seu maior cabo eleitoral é Bolsonaro — e seus filhos despirocados, claro.


Se Sérgio Moro não tivesse trocado a magistratura pelo ministério da Justiça no desgoverno do capetão, é possível que a Lava-Jato ainda estivesse ativa e operante, e Lula ainda estivesse cumprindo pena em Curitiba, na Papuda ou no diabo que o carregue. Tanto ele quanto Bolsonaro são cânceres que evoluíram para metástases e, portanto, se tornaram inoperáveis. Mais cedo ou mais tarde, a Ceifadora livrará o Brasil desse mal. Até lá, a abjeta polarização seguirá a todo vapor — a menos que uma “terceira via” surja e se consolide ao longo do ano que vem.


Políticos incompetentes e/ou corruptos que ocupam cargos eletivos não brotam nos gabinetes por geração espontânea; se estão lá, é porque foram eleitos por ignorantes polarizados, que brigam entre si enquanto a alcateia de chacais se banqueteia e ri da cara deles — e dos nossos, de brinde.


Einstein teria dito que o Universo e a estupidez humana são infinitos, mas salientou que, no tocante ao Universo, ele ainda não tinha 100% de certeza. Alguns aspectos de suas famosas teorias não sobreviveram à passagem do tempo, mas sua percepção da infinitude da estupidez humana deveria ser bordada com fios de ouro nas asas de uma borboleta e pendurada no hall de entrada do Congresso.


Não há provas de que boas ações produzam bons resultados. A lei do retorno é mera cantilena para dormitar bovinos, mas insistir no mesmo erro esperando produzir um acerto é a melhor definição de imbecilidade que conheço, e más escolhas inevitavelmente geram péssimas consequências — como temos visto a cada eleição presidencial desde 2002.


Triste Brasil.